quinta-feira, dezembro 28, 2006

Catálogo TEMÁTICO do INFOHABITAR em HIPERTEXTO - Infohabitar 119

 - Infohabitar 119
Edição interactiva n.º 07, Setembro de 2007
Actualizada a 6 Setembro de 2007
Catálogo temático interactivo de mais de 140 artigos e cerca de 1000 páginas de Infohabitar
Seguem-se os temas em que subdivide o índice, seguidos dos respectivos artigos ordenados numa sequência temporal de edição.
15 Temas:
  • Memória
  • Construir o habitar NOVO
  • Casos habitacionais e urbanos (estudo, análise e divulgação) NOVO
  • Investigação habitacional e urbana
  • Grupo Habitar e Infohabitar
  • Sustentabilidade no habitar
  • Habitar de interesse social e habitar cooperativo
  • Intervir e construir no construído - reabilitar e regenerar
  • Gestão da cidade habitada
  • Escalas e tempos do habitar
  • Humanidades e habitar
  • Cidades amigas – conviviais, acessíveis, para todos, e seguras
  • História(s) e tipologias do habitar
  • Desenho e a humanização do habitar
  • Integrar o habitar
  • Natureza, tempo, cidade e lugar
  • (Novas) formas/soluções de habitação NOVO
  • Actualidades, comentários, notícias, informações


Nota: consoante a dinâmica editorial serão anexados mais temas

Artigos e textos de (ordem referida à ordem de edição): Duarte Nuno Simões; Celeste d'Oliveira Ramos; Marilice Costi; Sheila Walbe Ornstein; José Walter Galvão; Maria João Eloy; António Reis Cabrita; Nuno Teotónio Pereira; Sara Eloy; António Baptista Coelho; Paulo Machado; João Carvalhosa; Guilherme Vilaverde; Maria Luiza Forneck; Khaled Ghoubar; José Coimbra; Pedro Baptista Coelho; Sidónio Simões; José L. M. Dias; Manuel Tereso; António Novais; Rita Abreu; Teresa Heitor; Ana Tomé; Fausto Simões; Carlos Pina dos Santos; Pedro Taborda; …

Tema: MEMÓRIA
José Barreiros Mateus - Um ano de profunda saudade – texto de Manuel Tereso (7 Dez, 06).
José Barreiros Mateus - Um sentido para a vida, uma vida em comunidade – texto de António Baptista Coelho (7 Dez, 06).
Tema: CONSTRUIR O HABITAR
Palestra de Teixeira Trigo no LNEC - António Baptista Coelho (14 Jun. 07, 10 p., 10 fig.).
Tema: CASOS HABITACIONAIS E URBANOS (estudo, análise e divulgação)

Um prémio residencial formativo – texto de António Baptista Coelho (6 Set. 07)

Humanização e densificação urbana – texto de António Baptista Coelho (30 Ago. 07)
Notas sobre a integração urbana e paisagística – artigo de António Baptista Coelho (23 Ago. 07)

Cooperativas de habitação e adequação de espaços de vizinhança e domésticos – artigo de António Baptista Coelho (17 Ago. 07)
Cooperativas de habitação, reabilitação e sustentabilidade – artigo de António Baptista Coelho (9 Ago. 07)

Sobre Alvalade, um comentário - Pedro Taborda (20 Abr. 07, 2 p., 1 fig.).

Análise arquitectónica residencial do Bairro de Alvalade e designadamente das suas “células sociais” – António Baptista Coelho (06 Abr. 07, 15 p., 16 fig.)

Sobre o Bairro de Alvalade de Faria da Costa: um exemplo bem actual de sustentabilidade urbana e residencial – António Baptista Coelho (30 Mar. 07)

O conjunto de habitações sociais do Monte de São João – Duarte Nuno Simões, com ilutração de António Baptista Coelho (08 Mar. 07).


Tema: GRUPO HABITAR E INFOHABITAR

Sobre o Grupo Habitar, um pouco de passado e de futuro – António Baptista Coelho (22 Mar. 07)

Preparar a 3ª Assembleia Geral do GH e dinamizar a Associação - António Baptista Coelho (22 Fev. 05, 2 p.).
Inauguração do INFOHABITAR - uma "linha" inicial por António baptista Coelho (21 Fev. 05).

Tema: INVESTIGAÇÃO HABITACIONAL E URBANA
A investigação em arquitectura e urbanismo e em ecologia social no LNEC, parte I – António Baptista Coelho e Marluci Menezes (9 Nov. 06, 18p. 10 fig.).


Tema: APROFUNDAR A SUSTENTABILIDADE NO HABITAR

O livro “Criar Cidades Sustentáveis”, de Herbert Girardet – apresentação de António Baptista Coelho - (5 Jul 07, 8 p., 3 fig.).

Acessibilidades, Mobilidades e (in)Sustentabilidades Urbanas: A Cidadania em Causa - João Lutas Craveiro (26 Abr. 07, 8 p., 5 fig.).

Humanização do habitar: algumas reflexões – António Baptista Coelho (15 Mar. 07)

Regulamentação térmica e sustentabilidade na habitação – António Baptista Coelho, Fausto Simões e Pina dos Santos (01 Mar, 07).
A propósito da iniciativa “Por um Território Sustentável” – António Baptista Coelho (29 Nov., 06, 9p., 15 fig.).
O Prémio INH, algumas notas, António Baptista Coelho (28, Mai. 06,).
Qualidade na habitação: arquitectura, cidade e gestão - António Baptista Coelho (4 Out. 05, 4 p., 3 fig.).
Ordenamento, revitalização da memória e Prémio INH - Maria Celeste Ramos (27 Set. 05, 6p., 6 fig., 2 com.).

Tema: O HABITAR DE INTERESSE SOCIAL E O HABITAR COOPERATIVO
Finalmente a conclusão da Bouça, de Siza Vieira, pela iniciativa cooperativa – António Baptista Coelho (17 Abr. 06, 3 p. 5 fig.).


Tema: INTERVIR E CONSTRUIR NO CONSTRUÍDO (reabilitar, preencher e regenerar)
A PENSAR EM LEIRIA – artigo de Fausto Simões (2 Ago 07)
Reabilitação do parque habitacional público: O papel das cooperativas - crónica de Nuno Teotónio Pereira (26 Jul. 07)
Um dia por Lisboa – Fazer e não fazer - Texto de Nuno Teotónio Pereira (28 Jun. 07, 7 p., 3fig.)
Mobilidade no centro histórico: o caso de Coimbra – Sidónio Simões (Out. 12, 14 p. 16 fig.).
Lisboa, cidade que quer ser UNESCO – Celeste Ramos, ilustração de Maria João Eloy e de Dias dos Reis (8 Set. 06, 8p., 9 fig.).
Um novo PER – Programa Especial de Regeneração habitacional e urbana - António Baptista Coelho (27 Out. 05., 5 p., 4 fig.).


Tema: GESTÃO DA CIDADE HABITADA
A Administração do Parque Publico de Arrendamento Habitacional – Guilherme Vilaverde (30 Jan. 06, 4p. ).
Por um Novo Modelo de Gestão da Habitação IV– João Carvalhosa (25 Jan. 06, 5p.).
Por um Novo Modelo de Gestão da Habitação III – João Carvalhosa (19 Jan. 06, 9p. 3 fig.).
Por um Novo Modelo de Gestão da Habitação II – João Carvalhosa (15 Jan. 06, 9p., 8fig.).
Por um Novo Modelo de Gestão da Habitação I – João Carvalhosa (10 Jan. 06, 10p., 1fig.).


Tema: ESCALAS E TEMPOS DO HABITAR
A cidade que sou e tenho em mim; Regra de ouro: habitar – Maria Celeste Ramos e Maria João Eloy (14 Jul. 06, 5p. 4 fig.).
O meu bairro é uma cidade dentro da cidade – Maria Celeste Ramos e António Baptista Coelho com fotografias de Maria João Eloy (19 Out. 05, 4 p.14 fig.).
Entre o lugar da casa e os lugares da cidade , António Baptista Coelho (10 Ago. 05, 4 p., 2 fig., 2 com.).
Mundos citadinos que é urgente conhecer/fazer melhor – III - artigo de António Baptista Coelho (24 Mai. 05, 2 p., 1 fig.).
Casas como bosques – I - António Baptista Coelho (16 Jun. 05, 2 p., 1 fig.).
Cidade e sedução I - António Baptista Coelho (9 Jun., 2 p., 1 fig., 1 com.).
A CIDADE: UM LUGAR DE ESTÍMULO E SURPRESA – Marilice Costi (1 Jun. 05, 3 p., 1 fig., 3 com.).
Mundos citadinos que é urgente conhecer/fazer melhor – II - artigo de António Baptista Coelho (12 Abr. 05, 1 p.).
Mundos citadinos que é urgente conhecer/fazer melhor – II - António Baptista Coelho (12 Abr. 05, 1 p.).
Da minha janela vejo o mundo e reconheço o meu olhar - um texto da Arq.ª Maria Celeste Ramos (21 Mar. 05, 4 p., 2 com.).


Tema: AS HUMANIDADES E O HABITAR
Seis cantos contra a guerra – Khaled Ghoubar, ilustração de António Baptista Coelho (21 Jul. 06, 5p., 1 fig.).
As sociedades envelhecem, mas somos humanos – Maria Celeste Ramos e António Baptista Coelho (2 Mar. 06, 5p. 2 fig.).
Retrospectiva – Maria Luiza Forneck (5 Fev. 06, 3p.).
Quem sabe começamos por nós? – Marilice Costi (12 Dez. 05, 3p. 2fig.).
Os idosos na cidade e a cidade envelhecida – Paulo Machado (5 Dez. 05, 6p., 3fig.).
Interpelações Virtuais ao Cidadão Comum - Maria João Eloy , (Nov. 05, 2 p., 10 fig.).
As cidades também se abatem – “They kill horses - don't they ?” - Maria Celeste Ramos (16 Nov. 05, 4 p., 3 fig.).
O habitar é técnica e poesia I – inclui poema de António Ramos Rosa - António Baptista Coelho (4 Out. 05, 2p., 1 fig.).
O Preconceito na apreensão da Cultura da Cidade e do Território - Maria João Eloy (2 Ago. 05, 6 p., 10 fig., 3 com.).


Tema:
HABITAR CIDADES AMIGAS – CONVIVIAIS, ACESSÍVEIS, PARA TODOS, E SEGURAS

À volta da cidade: sobre cidades verdadeiramente habitadas e amigáveis - António Baptista Coelho (12 Jul. 07, 12 p., 8 fig.).

Cidades desejadas e seguras (I): o problema da habitação tornou-se o problema da cidadeAntónio Baptista Coelho (13 Abr., 2007, 8 p., 10 fig.)

Os velhos na cidade velha – Celeste Ramos, ilustração de António Baptista Coelho (21 Set. 06, 12p., 7 fig.).
A cidade e o recreio, o espaço e o tempo – espaço de alegria e de formação do cidadão – Celeste Ramos, ilustração de António Baptista Coelho (17 Ago. 06, 6p., 5 fig.).
5.ª Sessão Técnica do Grupo Habitar - Évora: Os idosos e a cidade envelhecida, com o Grupo Habitar e a Câmara de Évora, relato de António Baptista Coelho (14 Mar. 06, 4p. 9fig.).
Os idosos na cidade e a cidade envelhecida – Sessão Técnica do Grupo Habitar – António Baptista Coelho,(28 Nov. 05, 7 p., 7 fig.).
Os Velhos – a Cidade e a Sociedade – Maria Celeste Ramos (2 Nov. 05, 4 p., 3 fig.).
As cidades são os locais mais desejáveis para viver e trabalhar II – objectivos/desafios e alguns comentários - textos de Adrian M. Joyce, comentados por António Baptista Coelho, 17 Mai. 05, 6 p., 1 fig.).
As cidades são os locais mais desejáveis para viver e trabalhar I - textos de Adrian M. Joyce comentados por António Baptista Coelho(29 Abr. 05, 3 p.).
Por uma cidade habitada - António Baptista Coelho (16 Mar. 05, 2 p., 1 fig.).
Habitação sem cidade algumas notas de António Baptista Coelho sobre um texto do Arq. Luis Fernández-Galiano (13Mar. 05,1p.).
Dos bairros do crime ao verdadeiro problema da habitação - António Baptista Coelho (09 Mar. 05, 2 p., 1 com.).
Sobre as cidades e os idosos - comentário de António Baptista Coelho (28 Fev. 05, 1 p.).

Tema:
HISTÓRIA(S) E TIPOLOGIAS DO HABITAR
PRÉMIO INH/IHRU 2007 – 19ª EDIÇÃO - Júri do Prémio INH/IHRU 2007 (19 Jul. 07, 11 p., 12 fig.)
20 Anos de habitação social portuguesa - António Baptista Coelho (7 Jun. 07, 16 p., 10 fig.).
Arquitectura da habitação social portuguesa recente – resenha de Sheila Walbe Ornstein (31 Mai. 07, p., 4 fig.).
Cidades à beira-rio e o rio como paisagem: a civilização que nasceu da água - Celeste Ramos com a colaboração e ilustração de António Baptista Coelho (24 Ago. 06, 10p., 9 fig.).
O Espaço Como Dominação e Consciência – artigo de Maria Luiza Forneck, ilustração de Susana Abreu, sobre as Missões Jesuítas no Sul do Brasil (4 Ago. 06, 6p., 7 fig.).
Outros destaques no Prémio INH 2006 – António Baptista Coelho (9 Jul., 9p., 19 fig.).
Premiados e mencionados no Prémio INH 2006 – António Baptista Coelho e Maria Celeste Ramos (3 Jul 06, 10p., 18 fig.).
Prémio INH 2006: candidaturas da promoção privada, parte II – reportagem de António Baptista Coelho (23 Jun. 06, 5p., 16 fig.).
Prémio Instituto Nacional de Habitação 2006: as candidaturas da promoção privada, parte I – reportagem de António Baptista Coelho (17 Jun. 06, 7p., 17 fig.).
Prémio Instituto Nacional de Habitação 2006: candidaturas cooperativas – reportagem de António Baptista Coelho (4 Jun. 06).
Arquitectura no feminino – texto de Celeste Ramos com imagens de António Baptista Coelho do conjunto residencial projectado pela Arqª Ana Valente e promovido pela CM de Esposende (4 Abr. 06, 6p. 6fig.).
As grandes cidades e a origem das cidades – António Baptista Coelho (ABC, 22 Set. 05, 4 p., 2 fig.).
EDIFÍCIO COPAN: MARCO DE REVITALIZAÇÃO HABITACIONAL EM SÃO PAULO – Parte II – um artigo do Arq.º Walter Galvão e da Prof.ª Sheila Ornstein (27 Jun. 05, 5 p., 4 fig.).


Tema: O DESENHO E A HUMANIZAÇÃO DO HABITAR
Opiniões de Nuno Portas sobre o espaço público – relato de António Baptista Coelho (15 Set. 06, 15p., 5 fig.).
Uma viagem pela nova arquitectura na Universidade de Aveiro: reportagem fotográfica informal – Pedro Romana Baptista Coelho e António Baptista Coelho (1 Set., 7p. 16 fig.).
Sobre a humanização do espaço público – António Baptista Coelho (10 Ago 06, 8p. 7 fig.).
Humanização e vitalização do espaço público: Cadernos Edifícios (N.º 4 ) – artigo de António Baptista Coelho (27 Jun. 06, 3p. 2 fig.).
Notas ribeirinhas de Lisboa – António Baptista Coelho (22 Mar. 06, 7p. 9fig.).
Infohabitar/reportagem: com Gonçalo Ribeiro Telles no Jardim da Gulbenkian – António e Pedro Baptista Coelho (26 Fev. 06, 4p.).
ACERCA DE LA CASA – Curso em Sevilha, Relato – António Reis Cabrita (13 Out. 05, 9 p., 3 fig.).


Tema: HABITAR INTEGRADO
Ainda sobre o espírito do lugar – Maria João Eloy (8 Jan. 06, 1p.).
Casas envolventes e vivas (I) António Baptista Coelho (11 Set. 05, 3 p., 1 fig.).
Sentido do lugar – I, em memória de Fernando Távora , texto de António Baptista Coelho (4 Set. 05, 3 p., 4 fig., 3 com.).
Sentidos lugares II – algumas notas gerais sobre a integração , António Baptista Coelho (24 Ago. 05, 4 p., 3 fig.).
Sentidos lugares I – algumas notas sobre o verde urbano , António Baptista Coelho (21 Ago. 05, 4 p., 5 fig.).
Onde acaba a identidade e começa o turismo? - António Baptista Coelho (4 Mar. 05, 1 p.).


Tema:
NATUREZA, TEMPO, CIDADE E LUGAR

LIBERDADE IDENTIDADE: História de vida confundida com a história do país - Celeste Ramos (17 Mai. 07, p., fig.).

DIA DA MÃE – texto de Celeste Ramos (10 Mai. 07, p., fig.).

O Céu de Lisboa (e mais um texto complementar) - Celeste Ramos ( 20 Abr. 07, 8 p., 6 fig.).

A Cidade e o Solstício de Inverno - Maria Celeste Ramos (21 Dez. 06).
Cidade relógio de horas – Maria Celeste Ramos, ilustração de ABCoelho (16 Nov. 06, 9p., 7 fig.).
A Cidade e o Equinócio de Outono II, desenhar com a natureza – Celeste Ramos (5 Out. 06, 11p. 6fig.).
A Cidade e o Equinócio de Outono I, o esplendor da luz – Celeste Ramos, ilustração de António Baptista Coelho (28 Set. 06, 9p. 8 fig.).
Qualidade do ambiente urbano II – o jardim e acidade ontem e hoje – Maria Celeste Ramos com colaboração e imagens de António Baptista Coelho (7 Mai. 06, 7 p., 7fig.).
Qualidade do ambiente urbano I – a natureza às portas da cidade – Maria Celeste Ramos com colaboração e imagens de António Baptista Coelho (1 Mai. 06, 7 p., 7fig.).
A cidade e o equinócio da Primavera – Celeste Ramos com imagens de António Baptista Coelho (28 Mar. 06, 6p. 5fig.).
A Cidade e o Carnaval, festa de antecipação do Equinócio da Primavera – Maria Celeste Ramos com imagens de António Baptista Coelho (10 Mar. 06, 3p. 2 fig.).
O Natal, o Solstício de Inverno e a Cidade – Maria Celeste Ramos (16 Dez. 05, 4p. 3fig.).

Tema: (NOVAS) FORMAS/SOLUÇÕES DE HABITAÇÃO NOVO

Cidade e habitação apoiadas (II) - António Baptista Coelho (25 Mai. 07, p., fig.).

Cidade e Habitação Apoiadas (I): Alguns aspectos de enquadramentoAntónio Baptista Coelho (3 Mai. 07, 6 p., 6 fig.).



Tema: ACTUALIDADES, COMENTÁRIOS, NOTÍCIAS, INFORMAÇÕES
Infohabitar- Actualidades: lançamento de um DVD sobre o edifício Copan – Sheila Walbe Ornstein (17 Abr. 06, 2p. 1 fig.).
Editorial e Índice do Infohabitar em 2005 – António Baptista Coelho e Edição do Infohabitar (31 Dez. 05, 3p.).
Infohabitar/actualidades – Um comentário de Nuno Teotónio Pereira aos últimos textos do Infohabitar - Nuno Teotónio Pereira (2 Nov. 05, 1 p.)
Infohabitar/actualidades – Património mundial, Macau - texto de António Baptista Coelho (9 Out. 05, 1 p.1 fig.)
Quercus apela ao fim do abate das florestas de carvalho - ABC (21 Mar. 05, 1 p.).

Sobre os fundamentais concursos de arquitectura urbana – um desabafo – ABC (19 Mar. 05, 1p.).
Sobre as novas ferrovias - JM (10 Mar. 05, 2 p.)
5 passos simples para juntar um comentário - ABC (28 Fev. 05, 1 p.).
HABITARTE 1 - ABC (24 Fev. 05, 1 p.).

Notas complementares:O Infohabitar é uma revista/blog do Grupo Habitar (GH), é editado com o fundamental e continuado apoio informático do editor José Romana Baptista Coelho, é divulgado a partir do Núcleo de Arquitectura e Urbanismo do Laboratório Nacional de Engenharia Civil, onde tem a sede o Grupo Habitar, e tem contado com importantes apoios, em termos de divulgação, por parte do Instituto Nacional de Habitação (INH) e da Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE).

No caso de um associado do GH ou de um leitor do Infohabitar ter interesse em editar um texto ou artigo na nossa revista/blog, naturalmente, dentro de um quadro de temáticas como as que estão acima apontadas, mas com um muito desejável potencial de diversificação (ex., nas matérias mais tecnológicas e em análises de casos) deverá entrar em contacto com António Baptista Coelho, para o e-mail abc@lnec.pt ou para o telem. 914631004.

quinta-feira, dezembro 21, 2006

A CIDADE E O SOLSTÍCIO DE INVERNO, artigo de Maria Celeste Ramos - Infohabitar 118

 - Infohabitar 118

Lisboa adormeceu já se acenderam
Mil velas nos altares das colinas
Guitarras pouco a pouco emudeceram
Fecharam-se as janelas pequeninas
(letra de fado antigo de Lisboa)

Depois do esplendor da luz total no céu metilene habitado de montanhas brancas de cúmulos e do calor do pino de verão, cai devagar rasando todo o céu, a luz doirada de outono (o sono do Inverno), preparando a terra e os homens para o silêncio do inverno em que até a terra tem de descansar e por isso se re-veste de manto branco de neve e adormece, adormecendo com ela os animais que irão hibernar e as plantas que entrarão no seu repouso-vegetativo.

A Terra dorme mas não descansa, escondendo protegidamente as sementes caídas no outono que na terra ainda quente e amaciada pela chuva ficam quebrando lentamente a sua dormência espreguiçando raízes à espera do tempo de aparecer à luz visível na primavera a vir.

CANCIÓN DE INVIERNO
Cantan. Cantan.
¿Dónde cantan los pájaros que cantan?

Ha llovido. Aún las ramas
están sin hojas nuevas. Cantan. Cantan
los pájaros. ¿En dónde cantan
los pájaros que cantan?

No tengo pájaros en jaulas.
No hay niños que los vendan. Cantan.
El valle está muy lejos. Nada...

Yo no sé dónde cantan
los pájaros -cantan, cantan-
los pájaros que cantan.

Juan Ramón Jiménez


Fig. 00: ABC
Acabaram as chuvas e as trovoadas e as folhas das espécies vegetais caducas jazem na terra decompondo-se em húmus para a fertilizar e alimentar. E volta o céu azul limpo e sem nuvens e com luz de “sol-de-inverno”, deixando para trás perdas materiais em bens e animais depois de enxurradas devastadoras em que o nível da água subiu mais de seis metros em vários locais, desta vez também destruindo património natural com aluimentos de encostas devido à implantação em declives indevidos ou em leitos de cheia, ou como sucedeu em 2001 com a queda da Ponte Hintze Ribeiro, mas também património arquitectónico como o caso de Tomar e o deslizamento de parte de muralhas de Valença, o que já havia sucedido em 2001 às muralhas de Santarém, devido à incúria dos homens com esquecimentos difíceis de aceitar e à impermeabilização com equipamento indevido intra-muros, e à ausência de vegetação nas encostas das colinas que facilmente deslizam quando desprotegidas, pois que sempre que a ameaça surgia com as chuvadas (desde anos 80), optou-se por solução exclusiva de engenharia com utilização de betão e cimento, sendo que era óbvio que poria em perigo irreversível, destruindo apenas ou tornando, quantas vezes, a reparação excessivamente onerosa.

A Água não aprecia o cimento para a domesticar para além de certos limites e não esqueçamos nunca Houston e New Orleans cuja catástrofe é irreparável para sempre.

A estes graves acidentes que se repetem anualmente mas cada vez mais perigosamente desde 2001, tão gravosos para as populações atingidas cujas economias são inutilizadas para repor a vida, acresce a destruição das paisagens cuja dinâmica não se quis interpretar para evitar e minimizar o que não é óbvio só para quem aprova a construção do que quer que seja nos locais que pertencem por lei natural, à natureza, apesar da repetição do mesmo fenómeno todos os anos, como se a fatalidade não fosse dos agentes-naturais mas apenas dos agentes-humanos a quem cabe a decisão.

Não esqueçamos ainda a destruição das dunas em S. João da Caparica em Novembro 2006, que apenas com poucas ondas do mar onde as correntes de mar e estuário do rio se interceptam, desapareceram, tendo levado muitos anos a construir e consolidar com a eolo-hidro-dinâmica natural e que num minuto desapareceram por incúria e ignorância dos que autorizam construção urbana onde só há lugar para os cordões dunares (lembremos que é área protegida por alguma razão com critério ecológico), a par dos parques de campismo que terão de desaparecer mas que, curiosamente, já foi anunciado que serão deslocados para local ainda mais frágil como a Arriba Fóssil de arenitos argilosos da Caparica, o que devia ser completamente proibido dada a fragilidade da Arriba, ela também fazendo parte de Área Protegida, assim classificada não apenas pela sua beleza específica mas também fragilidade.

O país vai desmoronando nos centros urbanos e nas áreas protegidas do interior ou litoral por pura ignorância e inobservância das leis que governam a natureza e arrogância de quem tem o poder de decisão, da qual resulta pura destruição, por mais do que suficiente legislação sobre o ambiente que exista, mas que se ignora porque não é para cumprir mas sim para “ultrapassar”, estranhando-se até porque razão muitas autarquias do país têm no pelouro do ambiente um advogado, talvez para facilitar “dar a volta” à aprovação de construção nos locais onde a natureza mais tarde ou mais cedo reclama de forma sem possibilidade de qualquer argumentação humana.



Fig. 01: MCOR-Área Protegida do Litoral de Armação de Pera




Fig. 02: MCOR-Área Protegida do Litoral de Armação de Pera
Fig. 02 cont.: MCOR-Área Protegida do Litoral de Armação de Pera


O país vai empobrecendo na beleza das paisagens construídas e naturais, empobrecendo ano a ano com o fogo de verão e a chuva de Inverno, as populações são afectadas material e psiquicamente e por fim advém empobrecimento intelectual e cultural, já que saber “ler as paisagens” é preciso, num país que se tornou feio e mutilado.

Num planeta tão rico e de grande variabilidade cultural, e bio-diversificado, o actuar contra a natureza e o pactuar com o empobrecimento das paisagens conduz em linha recta ao empobrecimento dos habitantes e, neste tempo de Natal e de solidariedade, neste tempo em que os homens dizem “ser iguais” vale a pena pensar na pobreza de um mundo desertificado, já que 50% da população mundial vive com menos de dois dólares por dia, 990 milhões de iletrados no mundo são do sexo feminino e em África não se vive subnutrido: em África morre-se de fome, de doença e de abandono; um continente que ainda é explorado na sua riqueza natural para que a Europa tenha a população mais rica do mundo como se o mundo tivesse a alma desertificada.

Solstício de Inverno – nascer de novo Sol, quem sabe se também no coração dos homens?

O INVERNO

Deus está no seu palácio de cristal. Quero dizer que chove, Platero.
Chove. E as últimas flores, que o Outono deixou teimosamente presas
nos ramos exangues, carregam-se de diamantes. Em cada diamante, um
céu, um palácio de cristal, um Deus. Olha esta rosa; tem dentro uma
outra rosa de água; e ao sacudi-la, vês?, cai-lhe a nova flor
brilhante, como alma sua, e ela fica murcha e triste, como a minha.
In Platero Eu, de Juan Ramon Jimenez


Desde tempos imemoriais que a humanidade festeja o nascimento do Sol como o fenómeno mais importante da Terra.

Festa da relação eterna com a fonte emanadora da energia global do planeta. Luz do planeta Terra, tão ávida, que dos 100% de energia que recebe, 50% fica absorvida pelas várias camada da estratosfera e dos restantes 50%, 40% são utilizados na formação e continuidade da vida, sendo que os 10% restantes são devolvidos à atmosfera por irradiação

De acordo com o ciclo solar de cada ano (360-365 dias) o solstício acontece entre 17 e 25 de Dezembro, geo-instante da posição do planeta em que os pólos estão no limite das distâncias ao sol, no máximo do seu afastamento a 21-22 de Junho no solstício de verão e no mínimo de afastamento no de Inverno, sendo que, assim, do eixo solsticial o solstício de verão se revela no hemisfério sul e o de Inverno no hemisfério que habitamos pelo que, quem pode “perseguir” o Sol e calor, sabe onde fazê-lo ou, opostamente, procurar a neve nas latitudes mais altas do hemisfério norte na Europa fria, sendo 21 de Dezembro também o dia mais longo e a noite mais curta no hemisfério sul, e a noite mais longa e mais fria do ano onde estamos agora a celebrar o “Natal” como se o NADA da escuridão fosse necessário para se ver “nascer a luz”

Fig. 03: In: http://pt.wikipedia.org/, percurso diário do sol sobre a terra ao longo das estações

Com a já nítida alteração das condições climáticas mundiais de efeitos devastadores não só nos locais onde os homens as provocam, como em locais “inocentes,” porque a natureza não tem fronteiras, fruto das respostas do planeta ser-vivo-sensível que se repercutem por quase todo o planeta, acontece que o frio a que estamos habituados pelo menos no hemisfério norte, faz com que no entanto se assista à deriva e ao desmoronamento de gigantescos blocos dos icebergs dos pólos sul e norte, bem como à diminuição da população dos ursos polares, como se assiste igualmente à derrocada das neves eternas do Monte Kilimanjaro do Quénia ou dos Alpes suíços, onde para além do recuo, há anos, dos seus milenares glaciares, neste Inverno (Dezembro) tendo perdido 2/3 da neve habitual levou a que fossem fechadas as estâncias de turismo de esqui e de neve, conduzindo ao enfraquecimento das economias daí derivadas, pois que a des-responsável actuação do homem dá, opostamente, origem a mais frio e mesmo quedas de neve em locais não habituais, e por vezes fora da estação do frio, como aconteceu em Portugal pelo menos em Torres Novas e em Lisboa e mesmo no Alentejo, em Fevereiro deste ano de 2006.

Quando está frio no tempo do frio, para mim é como se estivesse
agradável,
Porque para o meu ser adequado à existência das cousas
O natural é o agradável só por ser natural.

Aceito as dificuldades da vida porque são o destino,
Como aceito o frio excessivo no alto do Inverno —
Calmamente, sem me queixar, como quem meramente aceita,
E encontra uma alegria no facto de aceitar —
No facto sublimemente científico e difícil de aceitar o natural
inevitável.

Alberto Caeiro, in Poesia, ed Assírio & Alvim, Lisboa, 2001:p.131

Tudo isto faz, assim, pensar em como estas situações denominadas “globais” são apenas de origem local, nos vários locais do mundo de menor consciência global, e que o planeta com todos os seus habitantes do reino animal e vegetal é vítima-global como resultado do somatório das atitudes perfeitamente localizadas e identificáveis, porque o mundo rico se tornou autista.

Das distâncias limite de ambos os pólos da terra em relação ao sol, posição que se alterna nos dois hemisférios nos tempos solsticiais, segue-se o movimento do planeta na direcção das estações equinociais em que em ambos os hemisférios o dia se iguala à noite durante três dias e em que também o calor do dia se iguala ao da noite, com um dos hemisférios protegido pela sombra da noite, enquanto o outro fica iluminado de dia, já que os raios do sol incidem na perpendicular no equador, tempo de calor e de luz para toda a terra nesses breves instantes para de novo voltarem a declinar e repetir condições solsticiais resultantes do movimento conjunto de rotação e de translação da terra à volta do Sol e da posição do seu eixo e plano da elíptica relativamente ao plano do equador-celeste.

A festa milenar de comemoração do nascimento do Sol, ou da Luz, no dia do solstício de Inverno, foi aproveitada pela civilização romana e adaptada mudando a celebração para o dia 25 de Dezembro, fixando esta data até aos nossos dias e fazendo-a coincidir com a do nascimento do Menino Jesus, O Messias, que marca, no império de Roma, o abraçar da religião por Ele pregada nesse império que era antes de deuses pagãos.

O império de Roma tornou-se assim monoteísta e, por isso, os habitantes do império se denominaram católicos, apostólicos romanos, do império que fora de guerra de expansão territorial e de comércio entre os povos conquistados de este a oeste deste lado do Atlântico até aos confins da Europa mais a norte, elegendo Roma como centro e sede da religião que nascia e ainda perdura, depois de Constantino I.

Da celebração do nascimento da Luz passou-se a celebrar o nascimento do filho-Deus no mesmo dia, depois do Concílio de Niceia (ano 336 d.C.), que reuniu os maiores sábios da Igreja que já tinham o conhecimento de toda a tradição e conhecimento da informação dos livros e objectos sagrados, assim como da civilização da Índia e do Egipto, nascendo um novo livro religioso, facto que mudaria a história da Humanidade até com um novo Calendário referido ao nascimento do Filho de Deus que ainda usamos mesmo para datar todos os acontecimentos mundiais da história da Terra e do Homem, incluindo muitas das descobertas arqueológicas, que se referem a Cristo muito simplesmente a.C e d.C; embora “seja dito” que Jesus, que daria lugar a toda a situação histórica e à nossa actual cultura judaico-cristã, poderia ter nascido não em 25 de Dezembro mas sim a 1 de Março no ano V a.C., o que geraria muitas interpretações do Livro dos Livros sendo mais do que 2500 as religiões que o fazem, nessa eterna procura do homem pela origem das coisas que se perdem no tempo mas vão perdurando.

As civilizações mais antigas consideravam o Sol como o filho da Luz e esta representava Deus em vida.

Entre o Druidas esse era o dia da fertilidade sendo que muitas mulheres escolhiam a data para mais tarde “darem à luz.” Para os asiáticos o solstício era um velho de barbas no alto da montanha vestido de vermelho e branco (talvez origem do pai-natal), ser que representava deus na terra e trazia para os homens o seu filho-sol, mas já os egípcios festejavam o solstício com rituais de magia que envolviam o cultivo de sementes e as fecundações.

Os Maias elaboraram um perfeito calendário usando o solstício como início do ciclo do Sol e da Lua na terra – em 21 de Junho e 21 de Dezembro a radiação do sol atinge o seu momento máximo – tendo feito essa projecção até 2012. No hemisfério sul os Incas mais tradicionalistas e outros indígenas das Américas celebram 21 de Junho e 21 de Dezembro, pois que a celebração do “Natal” só foi para as Américas exportada com a catequização feita pelos europeus, na renascença, com os “descobrimentos.”

Com ou sem verdade histórica as “trocas” culturais geram trocas comercias (e vice versa) e o nascimento de novos fluxos de indústrias e serviços, e lucros para quem agarra as ideias e as faz espalhar e comerciar, por vezes acabando com antigas tradições sem pudor pela deformação de culturas e saberes ancestrais mais próximos da “alma” das gentes, uniformizando-se o mundo, talvez em demasia, no que se denomina de “civilizar” e fazer evoluir, até que “um dia” outros homens, desejavelmente, irão recuperar tradições, aproximando-se, assim, da sua essência e procurando não a desvirtuar.

O dia 21 de Dezembro é, porém, o dia do Sol planetário, com ou sem religiões, com ou sem bom ou mau aproveitamento.

É o solstício da Luz-da luz do Sol e da Lua e do nascimento da VIDA na Terra. Fim de um ano para que outro comece.

Todos os homens precisam de datas para os ritmar, festejando na terra os ritmos do céu e sempre foi assim com menor ou maior fidelidade.

Mas vejamos ainda por outros ângulos: Solstício, de sol que nasce, é Zhi no calendário chinês (chegada do Inverno), data de extrema importância e de celebração da passagem do ano em que, igualmente, se celebra o Sabbath neo-pagão Yule.

No oposto, no solstício de Verão e ao pôr-do-sol ao meio dia em Stonehenge, os raios do Sol são perpendiculares ao plano da terra e, portanto, sem sombra.

Embora toda a vida da terra e dos reinos animal e vegetal tenham manifestações derivadas das quatro estações toda a vida depende da energia e da luz do Sol e da Lua, incluindo os ritmos diários do homem e dos mares (marés) – Sol a energia global, Lua o planeta morto e fóssil, sem luz própria, filtro da energia do Sol para com a terra de que é satélite na sua rotação de um dia sobre si mesma e de translação de 28 dias à volta do sol –, macro e micro do planeta e seu satélite a comandar a nossa vida.

O homem tem de encontrar explicação para todas as coisas e em todas as coisas vê sinais e símbolos; agarra-os e usa-os de acordo com o seu tempo e história e dá-lhes a forma mais apetecível.


Fig. 04: ABC
Passou o Outono já, já torna o frio...
- Outono de seu riso magoado.
Álgido Inverno! Oblíquo o sol gelado...
- O sol, e as águas límpidas do rio.

Camilo Pessanha, in Clepsidra-ed. Amar Arte, Coimbra, 1994: p.17-2006 centenário de nascimento.

Tudo o que se passa no céu se reflecte em manifestações de festa, pagã ou religiosa, inspirando-se nas celebrações celestes.
Eterna inspiração do homem com a cabeça nas estrelas e os pés na terra, festejando os deuses ou um só Deus com oferendas e sacrifícios, pois que parece essa é, também, a sua condição de ligar sempre o céu e a terra.




Os homens governam os homens e o seu destino, fazem a guerra e a paz, governam a terra e os seus recursos mais valiosos, desde os minerais mais escondidos desmontando montanhas para encontrar o oiro ou escavando gigantescas cavernas para lhes sacar diamantes, celebram em obras literárias os duendes da floresta mas dizimam-na para explorar as madeiras preciosas e os seus frutos e animais que abrigam e dela dependem, arrastando também para a “morte” e o silêncio os mais variados e complexos ecossistemas, que dão lugar ao deserto e, na sua ânsia de mais riqueza material, despovoam os mais longínquos territórios e os ecossistemas-humanos interdependentes; e chamam-se de civilizados e evoluídos, exibindo e ostentando a sua capacidade de “vencer a natureza hostil,” daí resultando apenas pobreza da terra e dos Homens.

É ainda notável a forma como Portugal guarda e celebra a tradição ligada a festas pagãs ancestrais e religiosas que as assimilaram, sendo que a Festa do Presépio será, nesta época, das mais importantes e únicas no mundo sendo que, exactamente em 2006, foi desencaixotado depois de séculos arrumado a um canto, certamente um dos maiores e mais belos do mundo, o Presépio renascentista devolvido ao local original – o actual Museu de Ajulejaria de Lisboa – o Convento da Madre Deus, sendo interessante assinalar que pela primeira vez no nosso tempo democrático está aberta no Palácio de Belém uma exposição de Presépios, de iniciativa da mulher do Presidente da República, e a visitar gratuitamente.

E talvez porque a situação económica do país está “em baixa,” tem havido diversas iniciativas da parte de várias entidades privadas e de solidariedade social, incluindo a TV que dia 17 fez uma bela festa arrecadando donativos para os meninos internados no IPO (e UNICEF), parecendo assim haver menos autismo para com aqueles a quem a vida não dá a mão como seja uma festa de pré-natal com almoço e distribuição de roupa para os sem-abrigo, para além da habitual festa dos Hospitais e tantas certamente de que não teremos conhecimento.

Natal, festa de solidariedade ao menos uma vez num ano inteiro.


Celebremos o Presépio e a Sagrada Família da nossa Tradição Portuguesa.

Maria Celeste d’Oliveira Ramos
Lisboa – Bairro de Santo Amaro
Iniciado a 01 Dezembro de 2006, acabado a 18 Dezembro de 2006.

Nota final: 2006, ano de comemoração de centenários
- Agostinho da Silva (1906-2006).
- Camilo Pessanha (1867-1926) – único livro: Clepsidra.
- Amadeo Sousa Cardoso (1887-1918).



quinta-feira, dezembro 14, 2006

Análise Retrospectiva/Avaliação Pós-Ocupação (APO) habitacional desenvolvida e aplicada pelo LNEC, artigo de António Baptista Coelho - Infohabitar 117

 - Infohabitar 117

Análise Retrospectiva/Avaliação Pós-Ocupação (APO) habitacional desenvolvida e aplicada pelo LNEC


(análise, apo, habitação, urbanismo, satisfação, estudos de caso, metodologia)

Nota sobre a ilustração: as imagens que ilustram o artigo referem-se à última campanha de APO do LNEC, pretendem dar uma ideia muito geral do tipo de soluções e do trabalho desenvolvido – que vai do mais geral para o mais particular, e das reuniões de trabalho com promotores e projectistas para a visita aos locais – e iniciam-se com quatro imagens referidas aos seguintes conjuntos: Fig. 01, edifício municipal em Queluz/Sintra, 1994, projecto coordenado pelo Arq. Bartolomeu Costa Cabral; Fig. 02, Cooperativa Ugtimo, Zambujal/Amadora, 1997, projecto do Arq. José Bicho; Fig. 03, conjunto municipal da Politeira/Oeiras, 1998, projecto coordenado pelo Arq. Manuel Salgado; e Fig. 04, zona posterior do edifício municipal na Buraca/Lisboa, projecto coordenado pela Arq.ª Ana Lúcia Barbosa (soluções adequadas à etnia cigana). Na fotografia de grupo atente-se no Prof. Khaled Ghoubar da FAUUSP então em estadia no LNEC e que, tal como a Prof.ª Sheila Ornstein, participou em algumas jornadas de APO do LNEC, no âmbito de uma cooperação, que continua activa, entre o LNEC-NAU e a FAUUSP-NUTAU.




(fig. 01)


Equipa do LNEC

Equipa do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) que desenvolveu a Retrospectiva/APO do LNEC nas suas três campanhas/edições: António Baptista Coelho (ccordenação), António Baptista Coelho, João Branco Pedro. Isabel Plácido e António Reis Cabrita (Urbanismo e Arquitectura); Marluci Menezes e Maria João Freitas, (Geografia, Antropologia e Sociologia,), António Leça Coelho, Fernanda Carvalho e Paulina Faria (Engenharia e Construção).

Destaca-se, desde já, a importante contribuição da Doutora Marluci Menezes em todo o trabalho e designadamente no apuramento dos aspectos de satisfação residencial, a partir dos dados recolhidos nos inquéritos, aspectos estes que constituíram uma importante matéria de base para este texto.

Introdução
Apresentam-se, sinteticamente, as bases metodológicas e alguns dos resultados da aplicação da Análise Retrospectiva, ou de Pós-Ocupação, desenvolvida no Laboratório Nacional de Engenharia Civil, através dos seus Núcleos de Arquitectura e Urbanismo e de Ecologia Social.
Esta Análise Retrospectiva foi realizada ao parque habitacional financiado pelo Instituto Nacional de Habitação – habitação apoiada pelo Estado (Habitação de Custos Controlados, HCC) – e foi já aplicada em três campanhas abrangendo, assim, um período temporal significativo.

A análise foi desenvolvida numa perspectiva multidisciplinar, que inclui a apreciação dos modelos de arquitectura urbana desenvolvidos, considerando desde os processos de promoção à pormenorização habitacional, bem como os aspectos construtivos e de acabamentos considerados mais importantes e ainda a fundamental problemática da ligação entre o que é projectado e construído e a satisfação dos habitantes.

Todas as três campanhas de análise foram realizadas pela mesma equipa técnica, com pequenas variações na sua composição e numa estreita colaboração entre responsáveis e técnicos do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e do Instituto Nacional de Habitação (INH).

Desta forma conseguiu-se uma sequência de três estudos de acompanhamento da promoção de HCC:
1ª Análise Retrospectiva ao período de 1985 a 1987;
2ª Análise ao período de 1988 a 1994;
3ª Análise Retrospectiva ao período de 1995 a 1998.


A ideia foi fazer-se uma aproximação aos aspectos mais significativos, para a actual promoção de HCC, de um amplo período de promoção de habitação apoiada pelo Estado, em Portugal, período que abrange cerca de 14 anos, entre 1985 e 1998.

Salienta-se que se estudaram conjuntos habitacionais cujo prévio conhecimento genérico apontava para poderem contribuir, significativamente, para o adequado conhecimento e caracterização de determinados períodos de promoção de HCC, sublinhando-se ainda que essa análise foi e será sempre feita numa perspectiva dinâmica e prospectiva de poder trazer úteis contribuições para se fazer melhor HCC. Os critérios globais de selecção destes empreendimentos de HCC foram a sua caracterização em termos de tipo de promoção, tipologia residencial e localização geográfica e urbana.

Dimensão das três Análises Retrospectivas ou de Pós-Ocupação:


Na 1º Análise Retrospectiva foram estudados 12 conjuntos com 674 fogos, concluídos nos anos de 1986 a 1988, portanto conjuntos do início da actividade do INH e ainda de transição entre a actividade do ex-Fundo de Fomento da Habitação (FFH) e a do Instituto Nacional de Habitação (INH); a taxa de resposta ao respectivo inquérito a todos os moradores foi de 19%.

Na 2º Análise Retrospectiva foram estudados 14 conjuntos, num total de 1267 fogos, concluídos nos anos de 1988 a 1994; a taxa de resposta ao respectivo inquérito a todos os moradores subiu para 23%.

Na 3º Análise Retrospectiva foram estudados 16 conjuntos com 1283 fogos, concluídos nos anos de 1995 a 1998 – salientando-se haver ainda um caso de 1994; a taxa de resposta ao respectivo inquérito a todos os moradores subiu ainda para 24%.



(fig. 02)

Entre qualidade arquitectónica e satisfação habitacional

Com alguma frequência acontece que aquilo de que os arquitectos gostam é rejeitado, mais ou menos intensamente, por quem habita. São os espaços mal amados de tantos conjuntos habitacionais, que associam, por vezes, a qualidade do desenho a uma discutível qualidade vivencial.
Mas se, numa perspectiva oposta, privilegiamos a satisfação simples de quem habita é muitas vezes criticamente afectado todo um património cultural; trata-se da pobre arquitectura urbana de tantos subúrbios e das aberrações que comprometem a imagem dos centros históricos.

Estas reflexões indicam a oportunidade de se poderem seguir opções intermediárias em termos do desenho e da designável “satisfação bruta”, e atentas às boas práticas, sobressaindo, já aqui, a importância da designada análise retrospectiva ou avaliação pós-ocupação (APO).

De certa forma é apostar num conjunto de alianças de imagem e de conteúdo:
Que não são exclusivas de determinados desenhos.
Que não são exclusivas de determinados grupos socioculturais, constituindo valiosas ferramentas de integração cívica.
E que dependem, frequentemente, de um exterior público com conteúdo e imagem urbanas que possam ser verdadeiramente estimados.

É, assim, necessário um aprofundamento duplo e articulado, da matéria disciplinar da qualidade arquitectónica residencial e dos processos ligados à satisfação do habitante:
Uma linha de aprofundamento disciplinar da qualidade arquitectónica residencial, através da investigação dos respectivos rumos qualitativos; e do desenvolvimento de Programas de Qualidade pormenorizados. Salienta-se, por exemplo, que o Programa de Qualidade de um novo grande bairro de Malmö vai até ao diâmetro das árvores.
E uma outra linha de aprofundamento da satisfação habitacional, ligada à consolidação dos processos de Análise e Avaliação retrospectiva ou de Pós-Ocupação.
qualidade do espaço público e dos edifícios

A fruição diária de um ambiente de vizinhança e de animação, espacial e funcionalmente diversificado, numa mistura harmonizada de habitação e serviços é um necessidade humana.

Fazer habitação ao longo de espaços públicos viáveis e habitados obriga a fazer-se arquitectura residencial urbana claramente muito bem qualificada logo ao nível do projecto e que não se pode limitar ao espaço que fica da soleira da porta de entrada para dentro. Numa casa pequena, por exemplo, a existência próxima de bons espaços exteriores de estar, de um seguro parque infantil, e de um agradável "café à esquina", melhoram muito a vivência interior, dando mais espaço, sossego e à vontade, tanto aos adultos como aos mais jovens,
Ruas, jardins e espaços livres, constituem a “outra face da moeda” de uma unidade residencial que estimule o convívio e a apropriação; em habitação não é possível continuar-se a pensar essencialmente nos respectivos edifícios, sendo essencial garantir condições naturais de convívio e segurança nas zonas de transição entre o espaço privado de cada habitação e os vastos espaços públicos urbanos.



(fig. 03)

Análise retrospectiva ou em pós-ocupação (APO)

Na procura das melhores soluções o estudo e a avaliação dos programas residenciais existentes é uma medida essencial que poderá ser assegurada através do desenvolvimento sistemático de processos de Análise Retrospectiva ou em “Avaliação Pós-Ocupação (APO)” com conteúdo multidisciplinar e visando variadas situações residenciais. Este conceito específico de APO é aquele que é usado internacionalmente.

Desde o final dos anos 60 foram desenvolvidos pelo LNEC estudos sobre o uso da habitação, através de inquéritos e associando diversas especialidades sob a orientação do arqº Nuno Portas. Em meados dos anos 90 decorreram no Departamento de Edifícios do LNEC, e no seu Núcleo de Arquitectura, sistemática e periodicamente, por iniciativa do Instituto Nacional de Habitação, análises multidisciplinares à qualidade de espaços habitacionais "a custo controlado" recém-concluídos e financiados pelo Instituto, incidindo, portanto, fortemente sobre as diversas facetas da qualidade construtiva, mas incorporando, já, uma importante componente de análise arquitectónica.

A mais recente fase de desenvolvimento dos estudos de avaliação residencial no LNEC assumiu a forma de análises retrospectivas ou de pós-ocupação (APO), sobre um parque já habitado há, pelo menos, cinco anos, distinta, portanto, das anteriores análises ao projecto e à obra concluída ou em curso.

Este tipo de análise/avaliação apreciou a arquitectura urbana, o comportamento da construção e a satisfação residencial dos moradores através de uma forte integração interdisciplinar, entre a Arquitectura/Urbanismo (Núcleo de Arquitectura do LNEC), as Ciências Sociais (Grupo de Ecologia Social do LNEC) e a Engenharia/Construção (Núcleo de Arquitectura do LNEC com a colaboração de outros Núcleos do Departamento de Edifícios do LNEC).

Tal análise/avaliação abordou os diversos níveis residenciais (do pequeno Bairro ao compartimento do fogo), constituindo uma primeira aproximação aprofundada sobre a satisfação dos habitantes de conjuntos residenciais desenvolvidos com controlo de custos e segundo um determinado quadro recomendativo (Recomendações Técnicas de Habitação Social) com assinaláveis reflexos nas áreas domésticas.
A maior interdisciplinariedade resultou de terem sido criados novos instrumentos analíticos através da total conjugação de objectivos e de conceitos entre as três frentes disciplinares referidas.
A metodologia e a natureza global dos resultados deste tipo de estudo prático são em seguida sintetizadas.

Metodologia da APO


Objectivos do estudo

Avaliação da qualidade dos empreendimentos habitacionais de "Custos Controlados" financiados pelo INH em determinados períodos temporais, numa dupla perspectiva da satisfação dos moradores e do bom funcionamento das soluções arquitectónicas e construtivas, após um período de ocupação e vivência mínimo de 5 anos.

Especialidades envolvidas: Arquitectura, Engenharia e Ciências Sociais:

A análise arquitectónica teve como principal objectivo, a avaliação da qualidade das características físicas, funcionais e ambientais dos empreendimentos, numa sequência de níveis físicos: envolvente alargada, envolvente próxima, edifícios, habitações e respectivos compartimentos.

A análise construtiva teve como objectivo, fundamental, a avaliação do comportamento das soluções construtivas, componentes e instalações, e a caracterização de casos de patologia existentes.

A análise sociológica teve como principal objectivo a avaliação da satisfação residencial dos residentes, associada às características de uso e apropriação dos espaços interiores e exteriores e aos fenómenos de mobilidade social e residencial.


(fig. 04)

Faseamento
O estudo contempla cinco fases de trabalho:

Fase 1 _ Preparação do estudo: definição da amostra representativa, elaboração de instrumentos de análise, planeamento do trabalho de campo, apreciação preliminar dos elementos de projecto.

Fase 2 _ Trabalho de campo: realização de visitas aos empreendimentos e recolha de informação.

Fase 3 _ Compilação da informação obtida: elaboração do primeiro documento que reúne em volumes individualizados as fichas de análise arquitectónica, construtiva e sociológica e respectivo levantamento fotográfico a cada empreendimento.

Fase 4 _ Análise da informação obtida: apuramento de resultados, elaboração de quadros comparativos, análise informática das respostas aos questionários.

Fase 5 _ Elaboração do documento final: generalização ponderada dos resultados da análise à amostra representativa do parque habitacional financiado pelo INH no período a que se refere a APO e elaboração das principais conclusões e recomendações.


(fig. 05)

Instrumentos de recolha de informação

Para o desenvolvimento desta análise retrospectiva elaboraram-se e foram utilizados os seguintes instrumentos de recolha de informação:

Ficha de Identificação do Empreendimento: integrando determinados elementos do projecto.

Guiões de Entrevistas semi-directivas: utilizados junto de interlocutores privilegiados e alguns residentes.

Questionário destinado ao "Levantamento da Qualidade Habitacional": a aplicar a todos os moradores.

Fichas de Observação Técnica:
(i) de Análise Arquitectónica no local e ao projecto;
(ii) de Análise Construtiva.
(iii) das Ciências Sociais.

(fig. 06)


Estudos de especialidade sobre problemas concretos
Quando são detectados problemas graves (ex., patologia construtiva) recorre-se à visita posterior de um especialista do LNEC na temática identificada, “em primeira linha”, pela equipa multidisciplinar da APO.

Caracterização da amostra


Os empreendimentos estudados resultaram dos três tipos de promoção de HCC e caracterizam-se por diversas tipologias residenciais e localizações:

Tipos de promoção: cooperativa, municipal e privada.
Tipologias residenciais: unifamiliares em zonas pouco densificadas; bi a tetrafamiliares em zonas pouco densificadas; pequenos multifamiliares em zonas pouco densificadas ou de periferia de cidades médias; multifamiliar com galerias exteriores comuns em periferia citadina; multifamiliares em zonas citadinas periféricas ou centrais.
Tipos gerais de localização: zonas próximas ou integrando grandes centros urbanos do litoral; zonas integradas em grandes centros urbanos do interior; zonas integrando pequenos centros urbanos.


(fig. 07)


Trabalho prático

Identificação do Empreendimento (através da colaboração dos seus responsáveis).

Observações significativas sobre o desenvolvimento dos conjuntos residenciais seleccionados para a análise (com a colaboração dos responsáveis pelo empreendimento e respectivo projecto).
Visitas técnicas aos conjuntos residenciais:

Reuniões com os responsáveis pelos conjuntos residenciais;
Observação e análise técnica;
Levantamento fotográfico e em vídeo;
Entrevistas semi-directivas à população e outros interlocutores privilegiados locais;
Entrega dos questionários a todos os moradores.


(fig. 08)


Análise urbanística e arquitectónica


Exemplo de elementos gerais destacados:
Qualificação geral do habitat, mas atrasos no acabamento do exterior.
Empreendimentos bem integrados, com pequena dimensão e imagens quase sempre positivamente caracterizadas.
Promoções Municipais ganham com dimensão física reduzida e máxima integração na envolvente, enquanto as Cooperativas ganham com a amplitude da sua dimensão de habitat (convivialidade, serviços, aspecto, vida própria), em conjuntos maiores, faseados e realizados pela mesma Cooperativa.

Exemplo de elementos destacados na análise da Vizinhança Alargada:

Os exteriores inacabados têm más influências no uso e na imagem das respectivas zonas e estão relacionados com a indefinição de responsabilidades de execução.
A continuidade urbana, a ausência de espaços residuais ou visualmente pouco controláveis e o recurso a modelos espaciais facilmente identificáveis são factores essenciais.
Os espaços verdes e equipamentos com uso real, os elementos de identificação com os residentes e as acções de co-responsabilização dos moradores na manutenção exterior dinamizam a apropriação.

Exemplo de elementos destacados na análise da Vizinhança Próxima:

Diversidade de soluções gerais, repetição de volumetrias simples com baixa altura e de fachadas com desenho minimamente dinamizado.
Os empreendimentos maiores estão equipados, enquanto os mais pequenos se caracterizam por acessibilidade a centros urbanos.
Necessidade de intensificar a integração de equipamentos comerciais viáveis e de pequenos equipamentos de recreio infantil, desporto e lazer.
Necessidade de reforçar a separação entre tráfegos, melhorar os percursos pedonais e reforçar o equipamento das zonas exteriores de estadia com elementos de mobiliário e de "verde urbano”.
Os quintais/pátios privativos têm importantes funções (privadas e públicas), mas não podem prejudicar as imagens urbanas locais.

Exemplo de elementos destacados na análise do Edifício:
Soluções baixas do tipo "esquerdo/direito" são muito procuradas.
É fundamental a anulação das imagens de pobreza/tristeza de aspecto frequentemente associadas a edifícios habitacionais de baixo custo.
A minimização dos espaços comuns compensa-se com condições de conforto ambiental e pela redução do número de vizinhos.
A necessidade de maior privacidade dos fogos térreos pode ser servida por soluções com excelente imagem urbana.
Arrumações privativas e garagens são elementos de satisfação dos habitantes e de eficaz integração topográfica.
A apropriação dos edifícios é bastante generalizada e positiva.
A qualidade do exterior funciona como compensação da reduzida espaciosidade dos fogos.

Exemplo de elementos destacados na análise da Habitação:

Racionalização na utilização da área doméstica.
Deficiente previsão de certas tarefas domésticas (exº. arrumação).
Conforto ambiental geralmente satisfatório (ventilação cruzada).
Interesse da modalidades de participação dos habitantes na escolha de acabamentos.

Exemplo de elementos destacados na análise dos Espaços e Compartimentos do fogo:

Entrada e privacidade.
Compensação entre espaciosidades.
Dimensionamentos e zonas funcionais a melhorar.
Controlo da apropriação do exterior privado.


(fig. 09)


Temáticas gerais da análise construtiva


Soluções Construtivas
Componentes, Instalações e Equipamentos
Apreciação da concepção e do projecto
Componentes de edifícios
Instalações

Análise da satisfação residencial


A análise das ciências sociais à satisfação residencial, baseou-se na articulação da observação técnica com as próprias respostas dos habitantes, em entrevistas e no inquérito postal, tendo sido tratados vários níveis de análise, desde a satisfação residencial global, até à satisfação com os processos de promoção, com o edifício e com o alojamento.
Análise da satisfação residencial – numa ligação entre a análise técnica e o tratamento e enquadramento da matéria recolhida por inquérito.

Apresenta-se, em seguida, muito sinteticamente, o quadro de estruturação dos resultados das análises à satisfação residencial realizadas ao Parque financiado pelo INH entre 1985 e 1987 – 1ª Análise Retrospectiva – , entre 1988 e 1994 – 2ª Análise Retrospectiva – e entre 1995 e 1998. – 3ª Análise Retrospectiva.

Esta sequência de análises, cruzadas com os restantes trabalhos que integram o processo geral da “análise retrospectiva” proporcionaram uma perspectiva da satisfação habitacional num período de cerca de 14 anos, para uma período total de promoção de HCC, apoiada pelo Instituto nacional de Habitação, que cumpriu 20 anos de actividade em 2004.

As Análises foram realizadas com base nas respostas a um questionário postal distribuído a todos os residentes dos conjuntos habitacionais que foram objecto das referidas análises – num “universo” global de 3224 fogos –, salientando-se que a 1ª Análise incluiu, ainda, alguns empreendimentos cujas características de dimensionamento doméstico ultrapassavam, pontualmente, mas de forma clara, as indicações das RTHS (Recomendações Técnicas para Habitação Social) e que a 2ª correspondeu já um período de aplicação plena das indicações dimensionais das RTHS, condição esta que se repetiu, naturalmente, na 3ª Análise.


(fig. 10)


São os seguintes os temas de enquadramento da análise à satisfação residencial:
Perfil sociocultural dos habitantes
Satisfação global
Satisfação com aspectos de organização/gestão local
Satisfação com o empreendimento – conjunto de edifícios e espaços exteriores
Satisfação com os equipamentos colectivos
Satisfação com a vizinhança próxima
Satisfação com o edifício
Satisfação geral com o fogo/habitação
Satisfação com os compartimentos/espaços do fogo
Satisfação com a construção/acabamentos


(fig. 11)

Nota final sobre a APO do LNEC


Da experiência vivida no desenvolvimento prático das APO/retrospectivas pelo LNEC, retira-se que é possível aplicar uma tal metodologia de forma expedita e produtiva em termos de resultados conclusivos sobre diversas temáticas estruturadoras da satisfação residencial, desde que se conte, como é o caso, com uma equipa multidisciplinar já razoavelmente habituada a este tipo de trabalho.

Salienta-se, ainda, que a metodologia de APO/análise retrospectiva desenvolvida e aplicada pelo LNEC proporciona a sua própria reconversão, visando-se, quer uma aplicação mais generalista ou sumária num dado Parque habitacional (ex., municipal), quer uma sua aplicação mais localizada e pormenorizada, visando a cuidadosa aproximação a soluções para problemas identificados, por exemplo, num conjunto residencial específico, em que se vise uma acção de requalificação.

Como última nota refere-se que esta metodologia de APO/análise retrospectiva do LNEC não está ainda adequadamente apresentada numa publicação de grande divulgação, mas consta já de documentos e Relatórios de síntese a seu tempo entregues às entidades que encomendaram os estudos. Esta é uma situação que se pretende vir a remediar proximamente. Entretanto há o recurso a elementos de apresentação geral como é o caso deste texto.

BIBLIOGRAFIA

COELHO, António Baptista _ "Qualidade Arquitectónica Residencial – Rumos e Factores de Análise", Lisboa, LNEC, Colecção Informação Técnica Arquitectura n.º 8 (ITA 8), 2000.
COELHO, António Baptista, António Leça Coelho, Marluci Menezes; Fernanda Rodrigues Carvalho e Isabel Plácido, 3.ª Análise Retrospectiva do Parque Habitacional Financiado pelo INH, Anos de 1995 a 1998. Lisboa, Laboratório Nacional de Engenharia Civil, Relatório 239/04-NAU, 2004, 402 p.
COELHO, António Baptista, Maria João Freitas, M. Paulina Faria, A. Reis Cabrita, J. Branco Pedro, Marluci Menezes; REIS, Susana Reis, A. Leça Coelho – "1ª Análise Retrospectiva do Parque Financiado pelo INH nos anos de 1985/87". Lisboa, Ed. LNEC, 1995.
COELHO, António Baptista, J. Branco Pedro – "1ª Análise Retrospectiva do Parque Financiado pelo INH nos Anos de 1985/87. Estrutura Temática e Fichas de Trabalho da Análise Arquitectónica Residencial", Nota Técnica nº1/95-NA, LNEC, 1995.
COELHO, António Baptista, J. Branco Pedro – "1ª Análise Retrospectiva do Parque Financiado pelo INH nos Anos de 1985/87. Análise Arquitectónica, Fichas de Resumos dos Empreendimentos e Elementos Gráficos dos Projectos", Relatório nº195/95-NA, LNEC, 1995.

António Baptista Coelho: doutor em Arquitectura (ESBAL, FAUP), investigador e chefe do Núcleo de Arquitectura e Urbanismo (NAU) do LNEC, Presidente da Direcção do Grupo Habitar, Vice-presidente da Nova Habitação Cooperativa
Edição: José Romana Baptista Coelho