domingo, abril 25, 2010

295 - Habitação e Arquitectura III: a Comunicabilidade - Infohabitar 295

Infohabitar, Ano VI, n.º 295

Novos comentários sobre a qualidade arquitectónica residencial
Melhor Habitação com Melhor Arquitectura III: a Comunicabildade Arquitectónica Residencial


artigo de António Baptista Coelho



Introdução geral

Nas páginas seguintes apontam-se alguns aspectos que têm sido constante e sistematicamente ponderados, na sequência da aplicação dos conceitos ligados aos diversos rumos de qualidade arquitectónica residencial. Não se trata, assim, da sua respectiva e clarificada estruturação, mas apenas da sua ponderação cuidada, considerando os anos de prática de análise, que já decorreram desde a sua formulação inicial.

Sublinha-se que se trata de matérias tão ligadas à concepção residencial e urbana que muitas vezes os bons projectos e os bons projectistas as integram de forma natural, sendo que naturalmente há na realidade uma sua aplicação muito mais comum do que o que pode ser sugerido por uma apresentação sistemática e individualizada como aquela que se faz em seguida, mas este é o único processo que temos de ir conhecendo e aprofundando estas temáticas, que, frequentemente, têm lugar cativo nas boas memórias descritivas dos bons projectos de Arquitectura.

Regista-se, em seguida, o plano editorial previsto no Infohabitar, que, repete-se, será, descontínuo, alternado por outras edições e realizado à medida da elaboração dos respectivos artigos (a bold os temas já editados):

Infohabitar n.º 290 - Melhor Habitação com Melhor Arquitectura I: Introdução
A matéria da relação e do contacto entre espaços e ambientes é tratada em termos de aspectos de:
Infohabitar n.º 291 - Melhor Habitação com Melhor Arquitectura II: Acessibilidade - facilidade na aproximação ou no trato e desenvolvimento de continuidades naturais por prolongamentos e múltiplas ligações.
Infohabitar n.º 295 - Melhor Habitação com Melhor Arquitectura III: Comunicabilidade - a qualidade daquilo que está ligado ou que tem correspondência ou contacto físico ou visual.

A matéria da caracterização adequação de espaços e ambientes é tratada em termos de aspectos de:
Infohabitar n.º xxx - Melhor Habitação com Melhor Arquitectura IV: Espaciosidade – referida, tanto aos espaços que são extensos e amplos como aos que apresentam desafogo nas suas envolventes.
Infohabitar n.º xxx - Melhor Habitação com Melhor Arquitectura V: Capacidade – que designa e qualifica o âmbito interior (dentro dos limites) ou a aptidão geral, espacial e ambiental, de qualquer elemento residencial.
Infohabitar n.º xxx - Melhor Habitação com Melhor Arquitectura VI: Funcionalidade – refrida ao adequado desempenho das várias funções e actividades residenciais.

A matéria do conforto espacial e ambiental é tratada em termos de aspectos de:
Infohabitar n.º xxx - Melhor Habitação com Melhor Arquitectura VII: Agradabilidade – referida ao desenvolvimento de condições de conforto, bem-estar e comodidade, nos espaços e ambientes residenciais.
Infohabitar n.º xxx - Melhor Habitação com Melhor Arquitectura VIII: Durabilidade – qualidade do que dura muito ou, melhor, do que pode durar muito e em excelentes condições de manutenção.
Infohabitar n.º xxx - Melhor Habitação com Melhor Arquitectura IX: Segurança – o acto ou efeito de tornar seguro, prevenir perigos, (tranquilizar).

A matéria da interacção social e da expressão individual é tratada em termos de aspectos de:
Infohabitar n.º xxx - Melhor Habitação com Melhor Arquitectura X: Convivialidade – referida ao viver em comum, ao ter familiaridade e camaradagem, à entreajuda natural ou sociabilidade entre vizinhos.
Infohabitar n.º xxx - Melhor Habitação com Melhor Arquitectura XI: Privacidade – referida à intimidade e capacidade de privança oferecida por um dado espaço num dado ambiente.

A matéria da participação, identificação e regulação é tratada em termos de aspectos de:
Infohabitar n.º xxx - Melhor Habitação com Melhor Arquitectura XII: Adaptabilidade – referida à versatilidade e ao que se pode acomodar e consequentemente apropriar.
Infohabitar n.º xxx - Melhor Habitação com Melhor Arquitectura XIII: Apropriação – referida à capacidade de identificação, à acção de "tomar de propriedade", tornando próprio e a si adaptado.

A matéria do “aspecto” e da coerência espacial e ambiental é tratada em termos de aspectos de:
Infohabitar n.º xxx - Melhor Habitação com Melhor Arquitectura XIV: Atractividade - a capacidade de dinamizar e polarizar a atenção.
Infohabitar n.º xxx - Melhor Habitação com Melhor Arquitectura XV: Domesticidade – referida à expressão mais pública ou doméstica do carácter residencial.
Infohabitar n.º xxx - Melhor Habitação com Melhor Arquitectura XVI: Integração – que é a integração ou integridade de um contexto, e de uma totalidade onde não falta nem um elemento de conteúdo e de relação.



Fig. 00: capa da edição do LNEC " Qualidade Arquitectónica Residencial - Rumos e factores de análise" - ITA 8, da Livraria do LNEC, referindo-se, em seguida, o respectivo link para a Livraria do LNEC
http://livraria.lnec.pt/php/livro_ficha.php?cod_edicao=52319.php

Salienta-se ser possível aprofundar estas matérias num estudo editado pelo LNEC que contém um desenvolvimento sistemático dos rumos e factores gerais de análise da qualidade arquitectónica residencial, que se devem constituir em objectivos de programa e que correspondem à definição de características funcionais, ambientais, sociais e de aspecto geral a satisfazer para que se atinja um elevado nível de qualidade nos espaços exteriores e interiores do habitat humano.

Sublinha-se, no entanto, que a abordagem que se faz, em seguida, às matérias da comunicabilidade, enquanto qualidade arquitectónica residencial, corresponde ao revisitar do tema, passados cerca de 15 anos do seu primeiro desenvolvimento, e numa perspectiva autónoma e diversificada relativamente a essa primeira abordagem.



Fig. 01

Introdução à comunicabilidade arquitectónica residencial

A comunicabilidade é a qualidade daquilo que está ligado ou que tem correspondência ou contacto físico ou visual, concretizando-se, tanto em propostas directas de deslocação, como em ofertas de vistas e de contactos ambientais essencialmente baseados na dimensão visual.

A comunicabilidade corresponde, assim, à ligação, à correspondência ou ao contacto físico ou visual entre espaços, incorporando as interferências - directas ou memorizadas - de aspectos representativos de outros espaços e ambientes contíguos ou próximos.

E desta forma, tal como se tentará apontar nas páginas seguintes, a comunicabilidade é uma qualidade arquitectónica residencial com elevado valor em termos de concepção do projecto e com vital importância na fusão entre edifícios e espaço público citadino.

A comunicabilidade é, com alguma naturalidade, e no que se refere aos espaços urbanos e residenciais, a parceira da acessibilidade, pois boas relações de comunicabilidade ajudam a estruturar as relações de acessibilidade e são elementos-base de caracterização da arquitectura urbana nos seus diversos níveis físicos e relações ambientais.

E podemos dizer que a capacidade de fazer inter-comunicar diversos espaços do habitar, ultrapassa claramente a dimensão, talvez mais física, das respectivas relações de acessibilidade, sendo importante elemento de caracterização das soluções desenvolvidas.

Aspectos estruturadores da comunicabilidade
. Estratégia de relações e contactos físicos, visuais e sonoros; tem a ver com o modo como observamos, e com a caracterização da observação e das posições relativas entre observadores e elementos observados.

. Apoio ao desenvolvimento de base(s) de configurações e de sequências urbanas: através de um vocabulário urbano diversificado; e da estruturação de vistas - desde a vista "livre" à "passagem secreta".

. Desenvolvimento de uma comunicabilidade flexibilizadora de relações espaciais, designadamente, interiores e alternativas, ou de relação interior/exterior.

. Desenvolvimento de relações diversificadas entre espaços designadamente nas relações entre diversos níveis físicos.

. Aprofundamento de uma comunicabilidade enriquecedora e diversificadora dos variados cenários do habitat, designadamente, pelo enriquecimento e qualificação de vistas por "enquadramentos".



Fig. 02

A comunicabilidade, da habitação, à vizinhança e ao bairro
Ao nível da habitação e do edifício habitacional os respectivos vãos (janelas, portas, pisos vazados e outros "intervalos" na massa edificada) asseguram a fruição do exterior nos seus espaços interiores, assim como asseguram, por vezes, a "transparência" condicionada, focalizada e filtrada, em sentido inverso.

A fruição do exterior nos espaços interiores domésticos, para além de aspectos essencialmente ligados ao conforto ambiental (que serão abordados sob um ponto de vista intensamente arquitectónico, quando reflectirmos aqui sobre a agradabilidade e o bem-estar), assume também uma natureza densamente arquitectónica, que se traduz na transparência e "projecção" do exterior residencial - de paisagens amplas, médias ou de grande proximidade (definindo-se distintos e sempre ricos quadros de relação com o exterior) - sobre partes bem escolhidas do interior que habitamos.

A "transparência" condicionada, focalizada e filtrada do interior residencial comum ou doméstico sobre espaços de uso comum ou mesmo sobre as margens dos espaços privados, serve num revelar estratégico e mitigado dos conteúdos residenciais, que pode ser de grande importância na caracterização de uma dada vizinhança e mesmo de um dado bairro; de certa forma enriquece a identidade e o carácter do sítio que habitamos e transporta para o exterior urbano algum do sentido de "casa" e os associados sentidos de abrigo, segurança e apropriação.

A comunicabilidade urbanística desenvolve-se a um outro nível bem distinto, por um lado, fisicamente mais amplo, e, por outro lado, menos palpável da comunicabilidade, mas que se refere e estrutura muitos dos aspectos da imagem urbana pormenorizada, garantindo continuidades estrategicamente "perfuradas" por passagens, enfiamentos de ruas e ruelas que concentram e focam a atenção nos respectivos pontos de remate urbano, sítios de fruição paisagística ampla, como acontece nos miradouros, mas também sítios de forte fruição paisagística por mudança radical da caracterização ambiental, como acontece, numa rua que é rematada ou bordejada por um jardim ou por um parque, ou numa pequena rua sossegada e íntima que, de repente, se abre numa praceta relativamente animada e muito pública.

Nestas matérias importa ainda considerar o papel da comunicabilidade como elemento de coesão visual e/ou física de cada vizinhança residencial, podendo aqui substituir-se, estrategicamente, a comunicabilidade física apenas pela visual, dando-se noções de pertença mais aparentes do que reais, solução esta frequentemente muito útil quando se querem definir espaços visualmente coesos mas fisicamente marcados por algumas reservas ou condicionalismos de usos; e aqui haverá grande interesse nas transparências domésticas que foram referidas acima.

E, depois, há ainda a comunicabilidade considerada como permeabilidade estratégica entre bairros ou conjuntos urbanos significativos, uma condição que tem a ver com o poder-se "passar entre" esses conjuntos e atravessá-los funcional e agradavelmente, sendo impressionados pelas suas características de abertura e coesão específicas, características estas que devem ser potenciadas em determinados sítios de abertura urbana, onde para além de se ter uma interessante leitura dos percursos que aí chegam e que daí partem, se tem uma perspectiva estimulantemente explicativa e eventualmente parcial e atraentemente velada desses mesmos percursos e dos seus canais urbanos; e em tudo isto é essencial um adequado tratamento da comunicabilidade urbana em termos de "imagem urbana" - e nesta matérias é evidente que há sempre que aprender com o tratado de Gordon Cullen.




Fig. 03

Estratégias de comunicabilidade
A comunicabilidade arquitectónica residencial tem a ver não só com a possibilidade real de deslocação entre dois espaços, e portanto, e tal como se sublinhou, com a acessibilidade, mas também: ~

. com os modos como essa deslocação se pode fazer, mais ou menos directamente e com as maiores ou menores interferências e influências humanas e espaciais ou ambientais registadas nessa comunicação - proporcionando-se, por exemplo, a clarificação antecipada de alternativas de acessibilidade entre dois espaços;

. e ainda com a percepção essencialmente visual - directa ou memorizada - de aspectos representativos de outros espaços e ambientes contíguos ou próximos, nas sempre essenciais cadeias e sequências de espaços e de pontos de vista úteis e significantes - por exemplo, as vistas próximas ou paisagísticas entre diversos espaços e ambientes.

A comunicabilidade arquitectónica residencial ao nível urbano: um mundo de relações que é, afinal, matéria de base da concepção

Como já se sugeriu e se tentará desenvolver, em seguida, a comunicabilidade é um aspecto fundamental da concepção arquitectónica, que nas áreas urbanas e residenciais, tem de veicular e servir seja objectivos urbanos, de coesão e convivialidade, seja objectivos residenciais, mais estritos ou delimitados, de sossego, pertença, protecção, privacidade doméstica bem disseminada e agradabilidade em termos de conforto ambiental e visual, designadamente, na relação entre interior e exterior.


E assim e tal como se aponta no próprio título deste texto a comunicalidade baseia-se na construção de um verdadeiro mundo de relações, um mundo que com necessária naturalidade se deve repartir e articular em sub-mundos, mutuamente e reguladamente comunicantes, seja em termos visuais como em termos físicos, chegando-se aqui às matérias e aos elementos responsáveis pela acessibilidade, pois esta é directamente servida pelas relações visuais e, por sua vez, qualifica a comunicabilidade, em conjuntos de sequências urbanas que apenas devem ser entendíveis, numa escala de proximidade e de leitura pedonal, através de verdadeiros "fios de Ariadna", pois só assim existirão espaços urbanos ricos e atraentemente orgânicos, que proporcionem um longamente renovado prazer, quando percorridos e usados em permanência e ao longo de anos - pois só assim saberemos fazer e refazer uma verdadeira cidade, aquela que não se esgota nos seus "mistérios".

Em tudo isto importa ter bem presente que as ligações entre espaços realizam-se, tanto entre interior e exterior (e vice-versa), como entre espaços exteriores com diversas características, ou entre interiores variados; afinal, como afirmou Le Corbusier, "o exterior é sempre um outro interior" e podemos acrescentar, com o devido respeito, que o interior vai sempre variando, estrutural e ambientalmente, na sua ligação com o exterior.

Uma boa comunicabilidade arquitectónica residencial existe embebida nas respectiva relações de acessibilidade, mas tem de "viver" para além de tais percursos objectivos, caracterizando um interior que seja também, parcialmente, um exterior (por exemplo numa zona doméstica junto a um lugar-janela), e um exterior que seja, quase predominantemente, uma espécie de grande interior comum ou semi-público muito amplo e versátil, mas muito amigável, e é importante ter em conta a desejada continuidade deste exterior como elemento vital nessa amigabilidade - um tema bem interessante e que merecerá desenvolvimento noutras oportunidades.

Aprofundando e clarificando tais aspectos podemos sublinhar que a natureza básica da comunicabilidade se fundamenta, exactamente, na resolução do que Rudolf Arnheim refere como uma "contradição paradoxal entre: (i) a mútua exclusividade dos espaços interiores autónomos e contidos entre si e de um mundo exterior igualmente complexo e (ii) a necessária coerência de ambos como parte do meio ambiente humano indivisível"; constatação, esta, que o autor considera justificativa da afirmação de Wolfgang Zucker "de que a construção de um limite que separe o interior do exterior é o acto arquitectónico primevo" (1).

A comunicabilidade nos espaços públicos versus a comunicabilidade nos espaços edificados

A comunicabilidade é uma qualidade fundamental na garantia de coesão entre exteriores - desde as relações com a envolvente às conjugações e sequências de vistas urbanas – e entre exteriores e interiores, construindo, complementar ou paralelamente com a acessibilidade, continuidades e relações físicas e visuais. E é interessante registar que entre exterior e interior, mudam apenas as escalas e as pormenorizações das intervenções.

A comunicabilidade nos espaços públicos

A comunicabilidade suporta a acessibilidade, marca-a visualmente, clarifica e pontua sequências de vistas e aberturas paisagísticas, aproxima-se da respectiva paisagem envolvente mantendo conexões estimulantes com determinadas famílias de espaços públicos, e aproxima-se e eventualmente trespassa o edificado assegurando, também, tais conexões, embora, naturalmente com escalas e pormenorizações coerentes.

A comunicabilidade na vizinhança de proximidade e na relação desta com os edifícios
Na vizinhança do edifício as relações visuais devem favorecer as sequências de acesso e, eventualmente, enquadramentos e transparências espaciais, que sirvam, quer extensões estratégicas e/ou virtuais dos espaços exteriores sobre os interiores, seja relações inversas, marcadas por enquadramentos estimulantes do exterior de vizinhança a partir do interior do edifício.

Mas para além destes aspectos básicos será aqui, nestes espaços de transição e de limiar que muita da qualificação arquitectónica pormenorizada terá lugar, pois é aqui, por vezes em espaços ricamente ambíguos, que se cativam muitos dos aspectos que irão tornar uma dada vizinhança urbana e residencial "única" e estimulante para quem a habita; mas destas matérias falaremos um pouco mais na parte final deste texto, dedicada aos aspectos da comunicabilidade sobre os quais importa reflectir.

A comunicabilidade nos espaços edificados e nas habitações

Quanto ao edifício bastaria a importância da sua pele (fachadas, empenas, gavetos, etc.) para afirmar o protagonismo arquitectónico da comunicabilidade a este nível.


Há, no entanto, ainda todos os jogos de relações entre interior e exterior, e vice versa, quer mais envolventes, quer mais pontuais e até interiorizados (ex. pátio ajardinado, luz zenital estratégica) que, tanto de forma essencialmente ambiental (num sentido lato e na vertente do conforto), como em articulação com os aspectos das relações interpessoais e interambientais, configuram situações arquitectónicas com enorme interesse para a satisfação habitacional (ex. vistas alternativas e funcionais) e para a riqueza ambiental do habitat humano.

Ligado a estes aspectos evidencia-se, assim, o papel da comunicabilidade na conjugação entre o relacionamento visual interior e de conjugação com o exterior, e diversos aspectos da agradabilidade ou conforto ambiental.

As ligações entre espaços fundamentam-se na "territorialidade" ou apropriação, seja individual seja colectiva, dos diversos espaços residenciais, mas com relevo para aqueles mais intimamente ligados às habitações. Não será, por exemplo, por acaso que no "Quality Housing Program", aprovado em 1987 pela "New York City Planning Commission" e citado por Elisabeth Mackintosh (2), se definem limites ao número de fogos por galeria servidos pelo mesmo elevador ou escada (um máximo de 15 fogos), com base na facilidade do "reconhecimento ou identificação vicinal", dos vizinhos e dos estranhos, em cada piso; e teremos, assim, um importante campo de estudos e concepção associado ao desenvolvimento de agrupamentos de habitações em contiguidade, que aliem uma presença unitária muito sóbria e bastante independente, na fruição de cada habitação, com uma imagem global clara, que valha como totalidade, que comunique essa totalidade, em termos de imagem, mas não perdendo uma expressão de grupo de habitações com identidade própria; e as expressões de comunicabilidade do conjunto, de cada grupo de habitações mais próximas, e de cada habitação têm a ver com esse desejável equilíbrio e, infelizmente, são raramente consideradas, aliás, como muitos dos outros aspectos aqui abordados.

E continuando a citar a mesma Elisabeth Mackintosh nas suas referências às exigências desse Programa, muito ligadas à comunicabilidade, teremos que: "os espaços abertos devem ser vedados e visíveis a partir dos espaços comuns integrados no edifício. Escadas e elevadores devem ser visíveis a partir da rua, e as portas dos fogos devem ser colocadas de tal modo que sejam visíveis a partir dos elevadores". Aspectos estes associados ao desenvolvimento de boas condições de segurança, mas que proporcionam, igualmente, as referidas imagens de unidade e individualidade.

Para finalizar a concretização da "ideia" habitacional de comunicabilidade importa ainda salientar a sua aplicação como possibilidade ou capacidade de fazer estender, esporádica ou periodicamente, certos espaços sobre outros, tanto em termos concretos, como por dilatações visuais e aparentes de determinados compartimentos através de outros com os quais comunicam ambientalmente.

Ao nível do interior doméstico todos conhecemos a antiga solução que fazia os compartimentos ligarem-se entre si, sem corredores, ou, quando havia capacidade económica para tal, numa alternativa extremamente versátil aos corredores, e sendo que estes, em última instância, podem crescer em dimensões de modo a constituírem verdadeiros compartimentos alongados e multifuncionais. Esta é uma matéria muito associada a aspectos concretos de acessibilidade mas que assume importância específica em termos de capacidade de espaços contíguos e intercomunicantes, através de vãos mais ou menos amplos e efectivos - desde a pequena porta entre compartimentos à grande gola sempre aberta, passando por opções sempre interessantes de portas e paredes de correr -, poderem assumir, de facto, papéis domésticos distintos, complementares e muito versáteis, numa perspectiva que muito se liga às novas formas de habitar e às matérias da adaptabilidade e que, portanto, será retomada quando se tratar aqui desta qualidade.



Fig.04

Carácter e importância específica da comunicabilidade
O carácter eminentemente visual da comunicabilidade, logo dinâmico e muito personalizado, não pode inibir um seu cuidado tratamento, pois está em jogo desde a imagem da cidade, através da visão serial e por conexões mútuas entre espaço público e espaço edificado – através da pele do edificado -, e ainda a imagem integrada do próprio espaço edificado por relações mútuas entre espaços interiores e entre estes e os vãos de ligação à imagem da cidade e da vizinhança.

A importância da percepção visual na comunicabilidade é explicável por duas ordens de razões:
tanto pelo seu papel no desenvolvimento de posicionamentos relativos entre vários espaços e ambientes e nos consequentes indícios e pólos de orientação assim conseguidos - referidos frequentemente marcação de sedes de actividades e de início e finalização de percursos;
como pelo seu não menos importante papel no desenvolvimento da fruição real e prolongada (através dos diversos espaços do habitat) da integração paisagística e urbana dos vários elementos habitacionais.

Este último aspecto que sublinha o papel da comunicabilidade visual e física na fruição paisagística e urbana dos vários elementos habitacionais é em boa parte responsável pelo estímulo à deslocação e ao (con)viver real na totalidade do habitat, descobrindo-se e redescobrindo-se continuamente os seus territórios e neles, naturalmente, convivendo.

Não será difícil imaginar um espaço urbano, praticamente sem relações de comunicabilidade, "vivendo" em canais bordejados por paredes "cegas", sem janelas e portas, e sem aberturas de ruas, e logo temos um cenário de pesadelo ; uma imagem paradigmática, mas que tem imagens aproximadas em muitas periferias sem qualidade e espaços urbanos residuais.

E talvez seja um pouco mais difícil de imaginar, mas é também muito negativa, a situação oposta de um espaço urbano sem delimitações, em que tudo, ou quase tudo, é abertura e relação; uma imagem que encontra situações parecidas em conjuntos urbanos ditos modernistas, com edifícios altos "dispostos na paisagem", e onde esse espaço sem limites que, teoricamente, teria de ser um grande jardim bem mantido, o que raras vezes acontece, pois fazer um tal jardim não é fácil e custa dinheiro na instalação e na manutenção, acabando por "sobrarem", quase por regra, enormes espaços pouco ou nada pormenorizados e tratados, abandonados, onde, frequentemente, impera a lei da velocidade e do automóvel.



Fig. 05

Notas de reflexão e para desenvolvimento sobre a comunicabilidade arquitectónica residencial

Em termos de reflexão geral apuram-se, para já, os seguintes aspectos.
Considerando as ideias que foram aqui desenvolvidas parece sermos remetidos para uma comunicabilidade muito delimitada à "casca" dos edifícios, às suas fachadas, basicamente planas e percebidas, essencialmente, como frontalidades.

E, no entanto, esta não é uma limitação real, porque "há maneiras do arquitecto mostrar a tridimensionalidade de uma forma ao mesmo tempo que preserva a frontalidade" (3). E os espaços e elementos de comunicabilidade que atravessam ou, por vezes, se apõem a essas fachadas, tais como vãos profundos de portas e janelas, varandas e balcões, arcadas, pisos total ou parcialmente vazados ou perfurados e panos "falsos" de fachada, são todos elementos que acentuam ou sublinham, com clareza e força de expressão, mas de forma efectiva mas subtil, e de variadas maneiras, a leitura do volume edificado, da massa edificada ou dos seus planos constituintes - sempre vários elementos de base que são panos de fundo ou elementos de enquadramento dos vãos que asseguram a comunicabilidade e as relações entre espaços e ambientes, por via da sua respectiva leitura e uso pelos habitantes.

Um "outro" elemento de comunicabilidade, neste caso entre edifício e céu, por vezes esquecido, é o remate superior das edificações, que também contribui para a leitura volumétrica destas e para o seu relacionamento ambiental com a envolvente.

Sobre este assunto Arnheim escreveu que "uma cobertura em bico ou com arestas, para além das suas funções de ordem prática, continua a configuração do edifício para lá do plano frontal, fá-lo penetrar na dimensão de profundidade e ajuda assim a defini-lo aos olhos como um sólido. Os andares recuados provocam mais ou menos o mesmo no caso dos edifícios muito altos" (4).

Afinal, na vertical, a relação entre edifício e céu e entre solo e céu, por intermédio do edifício, é estruturada também pela perspectiva, e nesta assume especial relevo o remate do edifício (transição entre ele e o vazio); esta é a outra dimensão real da profundidade urbana (o reino dos contrastes entre ruas estreitas e quase fechadas, obscuras e íntimas e outras largas, luminosas e arborizadas) (5), porque os remates dos edifícios constituem, naturalmente, o remate da rua em que se integram (6).

Sintetizando e tal como refere Alfonso Stochetti (7), "janelas, portas, varandas e terraços não são apenas instrumentos inventados para dar luz e área aos edifícios... servem também aquela relação com a natureza exterior... com a vida, que é a característica principal do nosso planeta."

E, mais à frente, o mesmo autor, depois de enumerar os variados tipos de espaços e elementos de relação entre interior e exterior, ainda vai mais longe, afirmando que as fachadas, onde existem estes elementos, devem ser desenhadas como "uma oferta à cidade e à vida que se desenvolve nos espaços públicos". E neste diálogo com o espaço público as fachadas dos edifícios devem favorecer a perspectiva, porque esta transmite ao edifício a dimensão da profundidade urbana.

Afinal e tal como conclui Arnheim, usando o título que corresponde à parte do seu livro que tem sido aqui citada, trata-se de "tornar visível o edifício".

E, complementarmente, e citando uma excelente obra de Jean-Charles Depaule, nesses espaços abertos na "casca" do edifício os habitantes podem ainda ganhar alguns metros quadrados úteis, "reencontrando na espessura de uma janela ou na profundidade de um balcão o substituto de um lugar a céu aberto, que faz falta, a possibilidade de melhor controlar o calor e a luz interiores, de redefinir territórios e de regular as relações com outrem”(8). E podemos acrescentar que, sendo poucos metros quadrados, são metros quadrados riquíssimos, marcados por uma qualidade vivencial e urbana ou paisagística ímpar, que praticamente tem tudo a ver com a comunicabilidade.

E é ainda Jean-Charles Depaule que nos nega que assim se caminhe para uma lógica da barreira, aproximando-se de uma muito interessante definição de comunicabilidade como um certo modo de definir diferenças, materiais e territórios, portanto "limites", e de negociar relações, portanto "transições" e "limiares" e, afinal, não será a Arquitectura "mais do que um mundo de paredes, um mundo de limiares?" (9)

Considerando o que acabou de ser apontado e tendo em conta que este mundo de limiares se estende dos edifícios e entre os edifícios, qualificando um cenário urbano, feito de muitas cenas, a comunicabilidade é uma qualidade arquitectónica, apenas aparentemente menos objectiva, que está na base dos processos de projecto unificado dos espaços urbanos e edificados.

Esses limiares, desenvolvidos numa rede fina de planos e de espaços, servem tanto de remate e formalização espacial, como de uso directo, pois sempre gostámos de perambular e permanecer nesses espaços neutros, protegidos e estratégicos, espaços de "limbo" onde, de certa forma, estamos, agradavelmente, tanto lá como cá, e, também, naturalmente, porque tais espaços são protagonistas na formalização das sequências de vistas e das vistas mais estáticas que perfuram e dão boa parte do sentido à pele dos edifícios e aos invólucros, tantas vezes transparentes, dos espaços exteriores.

E há que sublinhar que tudo isto, toda esta dinâmica de relações de comunicabilidade, se traduz na conformação de limites, limiares, enquadramentos, charneiras e transições, sempre numa dupla perspectiva de criar demarcações que sirvam de rótulas de ligação e que tenham um adequado carácter de antecipação visual da experiência física ou de surpresa relativa, com escala mais urbana ou mais íntima.

Trata-se assim de dar corpo urbano e, naturalmente, residencial a uma qualidade extremamente arquitectónica ou de concepção, responsável pela transmissão de conteúdos funcionais e ambientais e, em parte, pela relação entre espaços, conjugando-se, privilegiadamente, com os fundamentais aspectos de privacidade e de promoção do convívio, designadamente, através da configuração de limiares, charneiras e transições; afinal um atributo na base da definição dos tão arquitectónicos e vitais sub-níveis físicos da arquitectura urbana.

E não se trata, aqui, de uma qualidade apenas urbana, pois encontra posição privilegiada, tanto na pele exterior do edificado – em jogos de espessura e enquadramento -, como no seu interior em motivadoras conjugações visuais. E, afinal, há grandes projectistas que defendem que o fazer Arquitectura se centra e baseia, essencialmente, na construção de sistemas de relações espaciais ou de um mundo de relações; e assim a comunicabilidade seria ela, em boa parte, a própria arquitectura: uma reflexão que fica lançada.

Em termos dos desenvolvimentos considerados mais interessantes nestas matérias da comunicabilidade urbana e residencial, salientam-se os seguintes temas de estudo.
A relação entre comunicabilidade e segurança é já bem conhecida, mas muito pouco aplicada . É fundamental estruturar a comunicabilidade de acordo com uma adequada estratégia de acessibilidade em segurança. Estratégia esta que deve ser servida pela clara e evidenciada junção ou divisão de espaços e ambientes, adequada e claramente apropriados pelos vários níveis de convívio (grupo de condomínios, condomínio, família).

Aprofundar a aplicação de cuidadosas estratégias de comunicabilidade na concepção, simultânea, de novas ou renovadas tipologias de edifícios residenciais e dos respectivos espaços urbanos contíguos. Será tratar de uma espessa pele edificada que seja também a pele da rua contígua, e, quem sabe, talvez que as actuais estratégias de desenvolvimento de edifícios e de espaços urbanos mais sustentáveis em termos de conforto ambiental possam ganhar com este caminho de concepção, pois é mesmo muito provável que tais "peles" e espaços de limiar e transição sejam muito propícios para se melhorarem as condições térmicas, de ventilação e acústicas interiores e exteriores, com a máxima utlização da energia solar passiva, da ventilação natural e dos fenómenos naturais de aquecimento e arrefecimento das massas de ar - e há aqui muito a lembrar de dispositivos tradicionais e bem usados como os que associam pátios e elementos de ventilação e varandas encerradas por janelas com múltiplos elementos controláveis (por exemplo, os moucharabiés que parece terem sido os percursores das bay-windows e de certa forma dos pequenos "jardins de Inverno" verticais).

E se aliarmos estas estratégias a um amplo proveito espacial arquitectónico nestas franjas de comunicabilidade, teremos resolvido boa parte da questão de integração desses sistemas ao mesmo tempo que ganhamos espaço e qualidade arquitectónica e vivencial. E temos aqui um interessante campo de investigação.

Uma outra questão poderá ter também um interesse específico, trata-se da identificação do tipo de conteúdos a privilegiar quando se comunicam mensagens urbanas e residenciais, e aqui há imediatamente uma matéria que ganha importância e que se refere a haver interesse em se privilegiarem mensagens marcadas pela sobriedade e dignidade, e associadas a ideias razoavelmente partilhadas pelo grande número dos habitantes, evitando-se, assim, quer um uso corrente e frequente de imagens discutíveis, quer um excesso de visibilidade de aspectos demasiado associados à apropriação particularizada de espaços e elementos residenciais por parte de determinadas pessoas. A comunicabilidade urbana e residencial deve privilegiar a comunicação de aspectos de urbanidade consensual e podemos ter aqui, também, um excelente campo de investigação.

Naturalmente, a afirmação de que a Arquitectura é essencialmente um jogo de relações, merecerá, também, adequados e variados desenvolvimentos.


Notas:

(1) Rudolf Arnheim, "A Dinâmica da Forma Arquitectónica", p. 81.
(2) Elisabeth Mackintosh, "Territoriality", em "Housing: symbol, structure, site".
(3) Rudolf Arnheim, "A Dinâmica da Forma Arquitectónica", p. 114.
(4) Rudolf Arnheim, "A Dinâmica da Forma Arquitectónica", p. 115.
(5) Realmente, a largura da rua e as vistas mais ou menos longíquas que sejam possíveis determinam a leitura dos tipos de cobertura escolhidos e assim como um telhado pode ter, com facilidade, uma leitura plana, um terraço pode ter uma leitura de telhado ou só ter leitura clara visto de longe.
(6)De um modo geral, e citando Heidegger por via de Alfonso Stochetti, podemos considerar que “habitar significa estabelecer-se entre o céu e a terra”, assim foi nos primeiros abrigos humanos, assim é hoje em dia.
(7) Alfonso Stochetti, “Spazi per la Vita degli Uomini”, pp. 107 a 114.
(8) Jean-Charles Depaule, "À Travers le Mur", p. 8.
(9) Jean-Charles Depaule, "À Travers le Mur", pp. 11 e 12.

Infohabitar, Ano VI, n.º 295
Infohabitar a Revista do Grupo Habitar
Editor: António Baptista Coelho
Edição de José Baptista Coelho
Lisboa, Encarnação - Olivais Norte, 25 de Abril de 2010

domingo, abril 18, 2010

294 - Dois temas: um novo livro sobre "Desenho Universal Caminhos da Acessibilidade no Brasil"; e o fantástico "sítio" da Rua do Sembrano em Beja - Infohabitar 294

Infohabitar, Ano VI, n.º 294

Dois temas: Desenho Universal Caminhos da Acessibilidade no Brasil (novo livro); e uma reportagem sobre o fantástico "sítio" da Rua do Sembrano, em Beja, uma viagem na História, na Arte e na Técnica

A presente edição do Infohabitar divide-se em duas partes distintas:

. Uma primeira parte em que se faz a divulgação do próximo lançamento, dia 3 de Maio, em São Paulo, na Livraria da Vila-Lorena, de um novo livro sobre Desenho Universal e Acessibilidade, um lançamento que é duplamente importante, pois refere-se a uma temática cada vez mais pertinente e urgente numa sociedade cada vez mais urbana e envelhecida, e porque é realizado por um conjunto de colegas que muito estimamos, Maria Elisabete, Adriana de Almeida Prado e Sheila Ornstein, com um natural destaque, de amizade, para a Prof.ª Sheila Ornstein, que tem sido uma activa participante do nosso Infohabitar desde a sua primeira hora e que é um elemento-chave da intensa cooperação que, cada vez mais, se aprofunda entre o Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAUUSP).

. E uma segunda parte, com uma reportagem de António Baptista Coelho, sobre a extraordinária intervenção na Rua do Sembrano, em Beja, uma obra de Arquitectura, de Arte e de valorização e divulgação do nosso património histórico que justifica, plenamente, uma deslocação àquela excelente cidade alentejana e que é editada, hoje, no Infohabitar, marcando-se, assim, condignamente, também aqui na nossa revista, o dia 18 de Abril de 2010, que é o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, e que este ano é dedicado ao PATRIMÓNIO RURAL E PAISAGENS CULTURAIS; e a intervenção na Rua do Sembrano parece ser uma interessantíssima valorização de um "sítio" e de uma micro "paisagem cultural", micro na escala física, mas "macro" na viagem histórica que nos proporciona. Salienta-se que a reportagem feita é basicamente de imagens acompanhadas por alguns textos retirados dos excelentes elementos de divulgação que nos foram facultados no local e que são devidamente referidos no artigo.

Lançamento de um novo livro
sobre Desenho Universal e Acessibilidade
Annablume Editora e Livraria da Vila-Lorena
convidam para o lançamento do livro organizado por

Adriana R. de Almeida Prado
Maria Elisabete Lopes
Sheila Walbe Ornstein


Com o título:
"Desenho Universal
Caminhos da acessibilidade no Brasil"

O lançamento terá lugar dia 03 de Maio de 2010, segunda-feira, das 19h às 22h, na Alameda Lorena, nº. 1731 - Jardim Paulista - São Paulo - SP. (11) 3062.1063
Assessoria de imprensa - Nicolau Kietzmann -
nicolau@annablume.com.br
(11) 8273.6669 - (11) 3070.3336 - skype: nkp161



Fig. 01: Capa da nova obra "Desenho Universal Caminhos da acessibilidade no Brasil"
Formato: 16 x 23 cm, 306 páginas
ISBN: 978-85-391-0055-2



Fig. 02:

A nova obra reúne 22 textos de profissionais, pesquisadores e
professores de todo o Brasil
, abordando temas como o ensino e a

pesquisa do Desenho Universal nas escolas de arquitetura, engenharia,
design e a interação de todo e qualquer cidadão-usuário com o desenho
da cidade e sua arquitetura, tendo em vista possíveis limitações
físicas ou cognitivas.

O livro está organizado em quatro capítulos, que, em seguida, se apontam:

. Conceituação e Procedimentos Metodológicos;
. Ambientes para a Moradia e para a Educação;
. Políticas de Acessibilidade: edilícias, urbanísticas, de
transportes e de turismo;

. Gestão no Processo de Projeto.

Salienta-se, ainda, que o livro tem prefácio do Prof. Dr. Wolfgang F.E. Preiser, co-editor do Universal Design Handbook (Mc Graw Hill, 2001), que apresenta, numa perspectiva internacional, a literatura, os principais eventos científicos e aplicações do Desenho Universal em termos de produtos, ambientes urbanos construídos e em uso.

A edição do Infohabitar e o Grupo Habitar enviam às autoras os parabéns por mais esta obra que sem dúvida irá constituir-se em elemento de referência nas urgentes matérias do desenho universal e da acessibilidade no habitar.




Fig. 03: o "sítio" da Rua do Sembrano, em Beja: a não perder

O fantástico "sítio" da Rua do Sembrano, em Beja, uma viagem na História, na Arte e na Técnica: uma reportagem fotográfica.
O "Núcleo Museológico da Rua do Sembrano", em Beja, é uma surpresa extraordinária que se tem quando se passeia nesta cidade alentejana e pretende-se neste pequeno texto contribuir para despertar o interesse do leitor por uma visita totalmente merecida.

Referem-se, em seguida e desde já, os dois excelentes elementos bibliográficos disponibilizados no local, indicando-se as suas iniciais de forma a serem facilmente feitas as referências respectivas nos textos que acompanham algumas das imagens e que foram retirados desses elementos bibliográficos; anota-se ainda que algumas das imagens de expositores, mapas e reconstituições visíveis nas fotografias têm autorias referidas, também, nestes elementos bibliográficos.

"Núcleo Museológico Rua do Sembrano" (iniciais: NMRS): coordenação de Rui Aldegalega e Susana Correia, texto de Susana Correia (com adaptação de textos de Carolina Grilo, José d'Encarnação, Maria da Conceiçao Lopes, Pilar Reis e Santiago Macias) e desenho de Carolina Grilo e Florbela David. A edição é da Câmara Municipal de Beja com colaboração da Direcção Regional de Cultura do Alentejo.

"A Arqueologia na Rede de Água de Beja" (iniciais: ARAB): concepção de Miguel Serra, textos de Miguel Serra, Maria Teresa Ferreira, Joaquim Dias e Sara Almeida, desenhos/reconstituições de José Luís Madeira, mapas de Nuno Ramalho e da Câmara Municipal de Beja, consultores científicos Santiago Macias, Ana Maria Silva e Sofia Wasterlain, apoio museológico de Susana Correia e Rui Aldegalega.



Fig. 04

Desenvolvem-se, agora, alguns comentários sobre o "Núcleo Museológico da Rua do Sembrano", em Beja, a título de notas breves de visita, que acompanham as imagens e que integram pequenas citações dos referidos elementos bibliográficos.

Confessando a ignorância, prévia, sobre a existência deste "sítio" de excelente confluência entre uso da cidade, história, arte e arquitectura, deve referir-se que o objectivo que havia na ida à Rua do Sembrano era "apenas" poder ver um mural de Rogério Ribeiro; e confessa-se, ainda, que a ideia que havia seria a de um "pequeno" mural, mais ou menos integrado numa qualquer operação mais ou menos interessante.



Fig. 05

Afinal, o mural - painel de azulejos - do grande Rogério Ribeiro lá estava, mas bem grande e, naturalmente, de grande qualidade, mas integra-se, e "faz sítio" novo e patrimonial com uma operação que conjuga facetas de recuperação e divulgação patrimonial e histórica, de marcação por nova Arquitectura, e de construção de um espaço urbano renovado e atraente.
E salienta-se que o referido mural se integra, também plenamente e com expressiva dignidade, na temática global da intervenção, numa marcação forte e sensível do tema da água na cidade antiga, tema que marca as ruínas da Rua do Sembrano, pois aqui existiram termas romanas, recriando-se esta temática da água na cidade, matéria que bem sabemos ser essencial na história urbana, "no seu sentido mais amplo e intemporal" - palavras de Rogério Ribeiro citadas em um dos elementos bibliográficos que foram referidos (NMRS).



Fig. 06

Há que referir que a intervenção na Rua do Sembrano se embebe com atraente naturalidade na continuidade da referida rua, servindo, por um lado, a funcionalidade da protecção, estruturação museológica e divulgação dos achados arqueológicos aí encontrados - e aos quais voltaremos neste texto -, mas fazendo-o de uma forma que mantém o carácter, a escala e a continuidade que marcavam e marcam a respectiva rua, e que proporciona o desenvolvimento de uma continuidade de amplas zonas pedonais bem estruturadas e estruturantes da cidade.

Também é interessante sublinhar, desde já, a sobriedade da intervenção, uma sobriedade que não reduz a sua riqueza arquitectónica global e em termos de pormenorização, e que serve a referida integração urbana e o importante reforço do carácter do "sítio". Um sítio que é agora uma nova totalidade que associa: a rua preexistente; com os novos achados arqueológicos disponibilizados à sociedade e à cidade; com a nova intervenção arquitectónica plena de estratégica neutralidade; e com a nova intervenção artística, o grande mural de azulejos, ele também pleno de uma activa sobriedade, como não podia deixar de ser, por ser obra do grande artista que foi Rogério Ribeiro.



Fig. 07

Dá vontade de dizer que assim vale a pena fazer nova Arquitectura, daquela que marca o nosso tempo, que serve a nossa cultura também por abrigar e divulgar o nosso passado, que dá mais espaço urbano e acrescenta melhor imagem urbana à cidade preexistente, e que tudo isto faz com uma sobriedade cidadã, digna e atraente; o projecto de Arquitectura é do Arq.º Fernando Sequeira Mendes e foi concluído em 2004, julgando-se que a obra estará concluída há cerca um/dois ano(s).

Referindo, agora, alguns aspectos de conteúdo histórico relativos ao "Núcleo Museológico da Rua do Sembrano", em Beja, com referência às iniciais dos dois elementos bibliográficos que nos foram facultados no local e que apontámos no início do texto teremos que:
"A escavação da Rua do Sembrano pôs a descoberto vestígios que se estendem, cronologicamente, desde a Pré-História até à Época Contemporânea." (NMRS)
Os mais antigos remontam "à Idade do Cobre ou Período Calcolítico, no 3.º milénio a.C. ... Deste período foi identificado um troço de robusta muralha de construção em pedra ligada com argila, que delimitava o perímetro do povoado antigo e, no seu interior, dois compartimentos definidos por muros, com pavimento de argila e caliço moídos e com pequenas estruturas de sustentação associadas (buracos de postes), que corresponderão a parte da zona habitacional." (NMRS)



Fig. 08

"A escavação da Rua do Sembrano trouxe novos elementos para a reconstituição de mais um pouco da Beja Romana (Pax Iulia), num lapso de tempo que se terá estendido do século I a.C. ao século IV d.C.. Neste local, à época um dos quarteirões da cidade, foram construídas umas termas, possivelmente de uma habitação privada (domus) ... Esta funcionalidade ter-se-á mantido ao longo do período romano, tendo, porém, as termas passado por diversas fases de construção, reconstrução e reorganização, sendo possível identificar aí diversas fases construtivas, desde o último quartel do século I a.C até finais do século I d.C ou inícios do século II d.C." (NMRS)
E faz-se, aqui, uma pequena nota de reflexão sobre os 400 a 500 anos em que esta casa foi sendo habitada e re-habitada; trata-se de uma dimensão temporal muito interessante.

"Os materiais recolhidos na escavação são extremamente abundantes." (muitos elementos estão atraentemente expostos no próprio local) "Destaca-se o achado de uma lápide com inscrição, que aponta, também, para a existência, neste local ou nas proximidades, de um pequeno templo do século I d.C, dedicado à deusa da fertilidade por uma antiga escrava, de origem africana, Julia Saturnina."(NMRS)



Fig. 09

" Os muros romanos virão, pela sua robustez, a servir de alicerces a habitações que, na Época Moderna ou mesmo já Contemporânea, foram construídas neste local." (NMRS)

" A descoberta dos vestígios arqueológicos data de 1983, quando se iniciou o trabalho de execução de fundações para uma habitação particular... A Câmara Municipal de Beja prontificou-se, então, a adquirir o terreno em causa, efectuando uma permuta com o seu proprietário, para que se garantisse a salvaguarda dos vestígios ... A escavação, efectuada pelo Museu Regional de Beja e pelo Serviço Regional de Arqueologia da Zona Sul do Instituto Português do Património Cultural, decorreu entre 1987 e 1995, tendo sido dada por concluída até à decisão definitiva quanto à utilização daquele espaço, tomada no ano de 2000, quando Beja foi seleccionada como uma das cidades a incluir no Programa Polis." (NMRS)
E não é possível deixar, também aqui, de comentar estarmos em presença do que parece ter sido um processo exemplar, concluído com a oferta à cidade e à sociedade de uma nova "jóia" patrimonial. Ficámos todos mais ricos com o processo e, com certeza, Portugal e as paisagens portuguesas muito ganhariam com a dinamização e replicação de processos deste tipo.



Fig. 10

O Núcleo Museológico da Rua do Sembrano acolhe uma interessante exposição sobre "Arqueologia na Rede de Água de Beja", temática aliás bem evidenciada no referido painel de azulejos de Rogério Ribeiro, citando-se, em seguida, um parágrafo sobre este tema retirado de um dos elementos bibliográficos que nos foram facultados no local e que apontámos no início do texto:



Fig. 11

"Um elemento imprescindível ao bem-estar das populações refere-se à higiene, sendo necessário dotar as cidades de equipamentos que garantam a salubridade. O pragmatismo dos romanos pode ser apreciado nas grandes obras de engenharia que cumpriam essa tarefa, como é o caso da cloaca (sistema de saneamento) escavada na Rua Conde da Boavista (Beja). O seu achado é também crucial para a compreensão da malha urbana de Pax Iulia, uma vez que nas cidades romanas dotadas de esgotos, estes seguem pela orientação das ruas, sendo a sua descoberta nas cidades modernas crucial para revelar o eixo das antigas vias." (ARAB)



Fig. 12:

Faz-se, ainda, uma menção específica para a qualidade dos elementos de design gráfico que enriquecem o núcleo museológico contribuindo para a sua sóbria mas marcada atractividade e para a recriação de um verdadeiro "sítio" de cultura que integra História, Arte, Arquitectura e vivência da cidade de hoje.



Fig. 13: uma imagem do Museu Jorge Vieira

Mais uma vez se deixa o desafio para uma excelente visita, que naturalmente encontrará na excelente cidade de Beja outros motivos de interesse, não podendo deixar de se referir o também extraordinário "sítio" que é o Museu Jorge Vieira, bem perto da Rua do Sembrano e realmente uma "paragem obrigatória para aqueles que pretendem conhecer a obra de um dos mais importantes escultores portugueses do século XX, ponto de partida para uma viagem pelo mundo da arte contemporânea, na cidade de Beja" (texto retirado de um elemento de divulgação do Museu, situado na Rua do Touro n.º 33, horário 3.ª a 6ª das 10 às 12.30h e das 14 às 18.30h, Sábado 10 às 12.30h e das 14 às 18.30h, Domingo das 14 às 18.30h, encerra 2ªs Feiras e feriados, tel. 284311920, museujorgevieira@cm-beja.pt )

E deixa-se um pequeno mapa para ajudar a encontrar O Núcleo da Rua do Sembrano (a vermelho) e o Museu Jorge Vieira (a verde).



Fig. 14

A título de breve comentário final salienta-se o que se julga ser a pertinência das temáticas abordadas neste artigo duplo, considerando-se as múltiplas áreas de actuação do Grupo Habitar.

Infohabitar, Ano VI, n.º 294
Infohabitar a Revista do Grupo Habitar
Editor: António Baptista Coelho
Edição de José Baptista Coelho
Lisboa, Encarnação - Olivais Norte, 18 de Abril de 2010

domingo, abril 11, 2010

293 - Reportagem sobre a 13.ª Visita Técnica do Grupo Habitar (GH), em 26 Março 2010, Vila Nova de Gaia - Infohabitar 293

Infohabitar, Ano VI, n.º 293
A 13.ª Visita do GH, em Vila Nova do Gaia, ao Convento Corpus Christi, às obras de acabamento do The Yetman Oporto Hotel e ao Castelo de Gaia
Reportagem: António Baptista Coelho
Organização da Visita Técnica: Defensor de Castro
.

Na sexta-feira de 26 de Março de 2010, numa parceria entre o Grupo Habitar, a CidadeGaia-SRU, a Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, e a The Fladgate Partnership, no Cais de Vila Nova de Gaia e na zona do Castelo de Gaia teve lugar a 13.ª Visita Técnica do GH, entre as 14.00h e as 18.00h, com o programa que se divulga, em seguida, um programa a partir do qual é possível aceder a sites que explicitam melhor as diversas intervenções visitadas e a partir dos quais se retiraram algumas das citações que acompanham as imagens que ilustram este artigo.

14,00h- Visita ao Convento Corpus Christi
Convento Corpus Christi, da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia . http://www.cm-gaia.pt/gaia/portal/user/anon/page/_CMG_0000.psml?categoryOID=20888080808F80GC&contentid=6E87808580CO&nl=pt

15,30h – Visita às obras de conclusão do THE YEATMAN OPORTO HOTEL .
http://www.the-yeatman-hotel.com/
http://fugaspublico.blogspot.com/2009/01/douro-de-luxo-yeatman-apresentao-real.html
17,00h – Visita à Zona do CASTELO DE GAIA .
http://www.jf-miragaia.net/historia.htm






Fig. 00: imagem da visita

Tal como acontece em todos os eventos dinamizados pelo Grupo Habitar a visita foi pública, dependendo, apenas, de uma inscrição prévia.
Referências e agradecimentos
Também tal como acontece com quase todos os eventos participados pelo Grupo Habitar esta visita só foi possível com as excelentes parcerias de diversas entidades e pessoas, às quais se deixa aqui o devido registo e agredecimento público, e que neste caso foram: a CidadeGaia Sociedade de Reabilitação Urbana (CidadeGaia SRU) e o seu Presidente Senhor Eng.º Mota e Silva; a Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia e o Senhor César Oliveira, Presidente da respectiva Assembleia Municipal e também Administrador da referida CidadeGaia SRU; a The Fladgate Partnership e o seu Director Senhor Eng.º António Coelho dos Santos; e os Arqueólogos, doutores Teresa Pires Carvalho, Francisco Reimão Queiroga e Gonçalves Guimarães.
Entre as 18h e as 20h, decorreu a 9.ª Assembleia-geral do Grupo Habitar, na sede da CidadeGaia - SRU; e aponta-se, em seguida, o site da CidadeGaia-Sru:
http://www.cm-gaia.pt/gaia/portal/user/anon/page/_SRU_apresentacao.psml?categoryOID=96928080808180GC&contentid=EE92808680CO&nl=pt

Globalmente, há que salientar ter-se tratado de uma Visita Técnica - a 13.ª Visita Técnica do GH - , que cumpriu a melhor tradição do Grupo Habitar, tal como houve oportunidade de se referir na reunião havida no final da visita, pois foi uma tarde que integrou visitas variadas e comentadas a diversas obras concluídas e em desenvolvimento, associando aspectos mais antigos
do habitar a novas formas de residir e de usar o espaço urbano.


Imagens da visita ao Convento Corpus Christi

A visita ao Convento Corpus Christi foi acompanhada por vários técnicos, destacando-se a intervenção da Dr.ª Elsa Fontão, que assegurou uma intervenção inicial de enquadramento e acompanhou toda a visita, prestando todos os esclarecimentos aos visitantes. E chama-se a atenção, quer para o interesse espacial das diversas áreas do Convento, quer para a extraordinária riqueza em pinturas que recheia o edifício, que muito merece uma visita prolongada.





Fig.01: a intervenção inicial da Dr.ª Elsa Fontão.





Fig.02





Fig.03





Fig.04

Segue-se texto retirado do portal da Câmara Municipal de Gaia, que se aponta em seguida, sobre o Convento Corpus Christi.
http://www.cm-gaia.pt/gaia/portal/user/anon/page/_CMG_0000.psml?categoryOID=20888080808F80GC&contentid=6E87808580CO&nl=pt

"Convento Corpus Christi
Foi fundado em 1345 como resultado do empenhamento de uma fidalga de Gaia, Dona Maria Mendes Petite, cuja família estava ligada à fundação do Mosteiro de Grijó.
Dona Maria Mendes Petite dotou este Mosteiro, dedicado ao Augusto Sacramento da Eucarístia, de avultados bens e entregou-o à Ordem de S. Domingos, filiando-se no Mosteiro de São Domingos de Santarém.

Ordem vocacionada para a pregação, preferiam as cidades para se instalarem, onde havia muitas almas a assistir. Sobrevivendo de esmolas, receberam também o nome de Mendicantes. Conflito jurídico com o Bispo do Porto, que se opôs à sua fundação, provocou atraso significativo na sua abertura, o que veio a acontecer, apenas, em 1354.

Construído primitivamente junto ao rio no Séc. XIV, com as cheias do rio Douro as freiras de S. Domingos levantaram a actual igreja do Séc. XVII, tendo o Mosteiro sofrido profundas alterações nos Séc. XVII e XVIII e foi extinto em 1834. Só no decorrer do séc. XVII foi construída a Igreja e o corpo conventual que vemos hoje.

Do que existe, é de salientar a sua riqueza e valor artístico, a capela, octogonal e rematada por uma cúpula, quatro altares laterais com imagens de rara beleza; o Côro-Alto, espaço da primeira fase do barroco, é constituído por um cadeiral distribuído em 2 andares em forma de U, com o tecto formado por 49 caixotões decorados com pinturas a óleo sobre madeira representando Santos, Doutores da Igreja, figuras Dominicanas; o cadeiral, da primeira metade do séc. XVII, para as horas do ofício e para as reuniões conventuais, com a particularidade de em cada assento existir uma carranca diferente, representando negros ou exóticos, e espécies animais e vegetais e, cada voluta ser uma máscara esculpida, cada uma diferente das outras, sugerindo influências do Império Ultramarino.

Encontra-se aqui a arca tumular de Álvaro de Cernache, alferes da bandeira da Ala dos Namorados na Batalha de Aljubarrota.
No ano de 1940 realiza-se a última grande intervenção no edifício e a construção da sua ala Poente, de arquitectura tipicamente Estado-Novo, que veio corresponder às necessidades das Irmãs do Bom Pastor, na sua Obra.
No início dos anos 90, tendo-se retirado as Religiosas, foi a mesma entregue à Ordem Soberana e Militar de Malta, que através da Fundação Frei Manuel Pinto da Fonseca, continuou a afirmar o velho Mosteiro como centro activo de apostolado.

Hoje, o Mosteiro de Corpus Christi, em local privilegiado junto ao Cais de Gaia, pertence à Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, que estuda a implantação de um equipamento cultural de grande qualidade e envergadura."





Fig.05: um dos pátios do Corpus Christi, neste caso com utilização como apoio a serviços municipais





Fig.06: a envolvente do Corpus Christi

Imagens da visita às obras de conclusão do THE YEATMAN OPORTO HOTEL

A visita às obras de conclusão do THE YEATMAN OPORTO HOTEL foi acompanhada, de forma pormenorizada e muito atenta, pelo Eng.º António Coelho dos Santos, Director da empresa promotora a The Fladgate Partnership.

O projecto de Arquitectura foi realizado, no âmbito da referida empresa, pelo Arq.º Vítor Miranda e a construção esteve a cargo da empresa FDO, constituindo esta nova unidade hoteleira, para cerca de 80 quartos, uma forma renovada de oferta turística, marcada pela global integração volumétrica/paisagística, muito articulada com as extraordinárias vistas sobre o Porto, que são possíveis de todos os quartos, e muito associada à história vitivinícola de Vila Nova de Gaia e mesmo de todo o Vale do Douro, onde a The Fladgate Partnership desenvolve e irá dinamizar múltiplas iniciativas de índole hoteleira, turística e cultural, prevendo-se a interessante criação de circuitos integrados, nos quais este novo hotel terá, sem dúvida, um papel protagonista e muito caracterizado por um ambiente que se pretendeu tradicional, envolvente e acolhedor.




Fig.07: uma imagem da maqueta do THE YEATMAN OPORTO HOTEL




Fig.08:





Fig.09: as obras de conclusão estão numa fase de natural dinamização, encontrando-se, já, o próprio pessoal do hotel numa fase de preparação do início de actividades da nova unidade hoteleira.




Fig. 10: a vista impressionante que se tem a partir do novo Yeatman Oporto Hotel, em Vila Nova de Gaia

Destaca-se o grande interesse que tem a simulação que foi realizada para o "quarto-tipo" do novo Yeatman Oporto Hotel - salientando-se que os mais pequenos têm cerca de 40m2 -, um processo que tem toda a oportunidade em outros tipos de realizações nas áreas do habitar.

Foi referido que o próprio dimensionamento global de partes do quarto, assim como alguns aspectos de dimensionamento de pormenor foram sendo alterados no decurso do estudo de uma solução que servisse melhor os objectivos da respectiva ocupação e articulações de zonas funcionais e ambientes pomenorizados, nos quais cabe, naturalmente, uma afirmada relação entre vistas e interiores/exteriores privatizados.





Fig.11


Fig.12:

Visita à Zona do CASTELO DE GAIA

Finalmente, na zona dos escritórios da The Fladgate Partnership e com o adequado e constante enquadramento dos arqueólogos, doutores Teresa Pires Carvalho, Francisco Reimão Queiroga e Gonçalves Guimarães, foi possível uma muito interessante a visita à zona do Castelo de Gaia e ao ao que resta , visível, da respectiva muralha e ocupação humana.

E bem na tradição das acções do Grupo Habitar a tarde foi concluída com uma apresentação, em sala, de uma síntese dos vestígios arqueológicos paleocristãos de Portucale Castrum Antiquum (Gaia), bem como de um pequeno debate seja sobre o que terão sido as ocupações humanas e urbanas no Castelo de Gaia, seja sobre alguns dos problemas que marcam o desenrolar da arqueologia urbana.

Próximas acções do Grupo Habitar

Ainda na tradição das acções do Grupo Habitar ficou lançada a ideia de, num auditório de Vila Nova de Gaia podermos debater, proximamente, alguns aspectos técnicos da reabilitação urbana, eventualmente com a contribuição de colegas do LNEC, num formato organizativo positivamente informal e visando-se a apresentação e discussão de aspectos úteis para uma reabilitação urbana e habitacional que tenha em conta a urgente vitalização do centro das cidades e das suas zonas históricas e patrimoniais.

Esta próxima acção do Grupo Habitar, que será a 19ª Sessão Técnica do Grupo Habitar, decorrerá igualmente em cooperação com a Cidade Gaia SRU, e está já pré-programada para 16 ou 17 de Junho de 2010, tendo lugar, em princípio, no Cais de Gaia; proximamente, o respectivo Programa, a data/hora e o local serão confirmados, aqui no Infohabitar, assim como será referida a morada/mail de inscrição.

Infohabitar, Ano VI, n.º 293
Infohabitar a Revista do Grupo Habitar
Editor: António Baptista Coelho
Edição de José Baptista Coelho
Lisboa, Encarnação - Olivais Norte, 12 de Abril de 2010