terça-feira, agosto 25, 2015

Verde Urbano Desenhado - IV - n.º 547 Infohabitar

 


O 3.º CIHEL - Congresso Internacional da Habitação no Espaço Lusófono, recebeu
118 propostas de artigos e está já aí, de 8 a 11 de setembro de 2015, em São Paulo;
vai ser uma oportunidade única de discutirmos, em português, alguns dos temas
principais que marcam as matérias do habitar e do urbanismo, ainda neste princípio
do século das cidades e quase na véspera do Habitat III.

Contamos com todos em São Paulo,

Bem hajam,

António Baptista Coelho
Coordenador da Área de Arquitetura, Universidade da Beira Interior (UBI), Covilhã,
Portugal, Editor da Infohabitar e dinamizador do CIHEL 

Infohabitar, Ano XI, n.º 547

Verde Urbano Desenhado - IV
António Baptista Coelho

Apresentam-se, em seguida, alguns apontamentos/desenhos livres realizados sobre a temática do verde urbano.
Todos este desenhos foram realizados, no próprio local, em Olivais Norte - Encarnação, Lisboa.
Fazem-se, em alguns casos, comentários curtos e práticos, abordando o "desenho" e também, por vezes, matérias de urbanismo e habitat humano.

O verde urbano consegue simular a natureza em plena cidade
Desenho 1: através de uma essencial e cuidadosa manutenção de preexistências e de um trabalho de arquitetura paisagista adequado é possível fazer o verde urbano simular a natureza, em conjuntos densos de árvores, praticamente em pleno meio urbano; em termos de prática de desenho, é sempre surpreendente a força volumétrica das sombras.

O nosso bairro modernista de referência - Olivais Norte

Desenho 2: Olivais Norte/Encarnação, em Lisboa é um bairro a conhecer - facilmente visitável a partir da estação de Metro da Encarnação (situada bem a meio do bairro) - onde arquitetura modernista, verde urbano bem escolhido e, essencialmente, um excelente modelo de "convívio" entre peões e veículos, são matérias bem evidenciadas/visíveis; em termos de prática de desenho trata-se aqui de um exercício de "azuis" - do céu às sombras - sendo que o verde natural surge em boa parte da mistura com o amarelo.

O verde urbano integra-se na/e dá coesão à continuidade urbana
Desenho 3: as árvores de arruamento (designação sempre interessante) suavizam o edificado e articulam-se com ele aprofundando aspetos positivos de continuidade urbana, por vezes, quase envolvente, ajudando a criar sítios bem caraterizados e a "esconder" arquiteturas menos interessantes (o que não é o caso); em termos de desenho é sempre positiva a prática de se tentar expressar o que é natural e o que é construído (suave/orgânico e rígido/racional).

O ambiente natural em meio urbano é veículo importante da escala humana
Desenho 4: realmente o ambiente natural em meio urbano e designadamente os maciços arbóreos são elementos privilegiados de expressão evidenciada da escala humana, em termos de uso pelo homem e em termos da relação da sua escala (humana) com a dos edifícios; em termos de desenho o desafio sempre presente no desenho de quadros naturais é a captura do essencial entre uma infinidade de pormenores que nos chamam a atenção - uma excelente prática para o treino do projeto arquitetónico.

A sempre renovada relação entre edifícios e árvores

Desenho 5: este é o tema-base do excelente e modernista Olivais-Norte, a sempre renovada relação entre edifícios e árvores - renovada pelos pormenores e aspetos estruturantes que vamos sempre redescobrindo em cada esquisso e renovada também pelo próprio ciclo das estações; em termos de desenho já acima se referiu o excelente exercício de se procurar expressar a relação harmonizada entre formas construídas e naturais. 

A experiência do meio natural em plena cidade

Desenho 6: proporcionar ao citadino estar num meio natural bastante completo e agradavelmente "habitável", ainda que "a dois passos" de uma rua comercial animada, é proporcionar qualidade urbana e qualidade de vida; em termos de prática de desenho chama-se aqui a atenção para o equilíbrio que importa desenvolver entre a marcação de contornos e a sua diluição - que ajuda a dar um sentido estimulante de profundidade.

Infohabitar, Ano XI, n.º 547
Verde Urbano Desenhado - IV
Editor: António Baptista Coelho abc@ubi.pt, abc@lnec.pt e abc.infohabitar@gmail.com
GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional, Mestrado Integrado em Arquitectura da Universidade da Beira Interior - MIAUBI


Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.

quarta-feira, agosto 19, 2015

Verde Urbano Desenhado - III - Infohabitar 546

 
http://labhab.fau.usp.br/3cihel/ 
Inscreva-se no 3.º CIHEL

Infohabitar, Ano XI, n.º 546


Verde Urbano Desenhado - III

António Baptista Coelho

Apresentam-se, em seguida, alguns apontamentos/desenhos livres realizados sobre a temática do verde urbano.
Todos os desenhos foram realizados, no próprio local, em Olivais Norte - Encarnação, Lisboa.
Fazem-se, em alguns casos, comentários curtos e práticos, abordando o "desenho" e também, por vezes, matérias de urbanismo e habitat humano.

Preexistências num jardim modernista

Desenho 1: as velhas, mas fortes memórias das velhas quintas com olivais permanecem bem vivas em jardins - que infelizmente já estiveram melhor cuidados - e que se integram de forma muito positiva entre altos edifícios sobre "pilotis"; podemos esquecer o edificado e imaginarmos que estamos em plena natureza, mas pontualmente humanizada.

O verde urbano "perdoa" a massa edificada

Desenho 2: já se apontou nesta série editorial que um intenso e qualificado verde urbano, com árvores de arruamento bem estruturadas e com boa escala humana, criam espaço, criam zonas positivas de apropriação pedonal por baixo das suas copas e "brigam" positiva e visualmente com edifícios, eventualmente, menos interessantes, promovendo-se, assim, a um verde verdadeiramente protagonista e qualificador.

O verde urbano apenas "apontado"

Desenho 3: lembra-se o Desenho 1 deste artigo e refere-se que neste esquisso procurou-se fixar o essencial da natureza e da preexistência; um tipo de exercício que é essencial a quem pratica desenho, que não é fácil, mas que progride, lenta mas seguramente, com a prática.


Um verde urbano protagonista e já com "história"


Desenho 4: o verde urbano protagonista e modernista de Olivais Norte, já com mais de 50 anos de idade dá escala, cor, movimento, carácter e interesse à imagem urbana deste excelente pequeno bairro lisboeta, tão bom de viver como de visitar, e agora facilmente a partir da estação de Metro da Encarnação, que abre bem no coração de Olivais Norte. 

O nosso bairro modernista de referência - Olivais Norte


Desenho 5: Olivais Norte/Encarnação, em Lisboa é um bairro a conhecer - facilmente visitável a partir da estação de Metro da Encarnação (situada bem a meio do bairro) - onde arquitetura modernista, verde urbano bem escolhido e, essencialmente, um excelente modelo de "convívio" entre peões e veículos, são matérias bem evidenciadas/visíveis.

Um verde urbano que faz esquecer, positivamente, o espaço urbano


Desenho 6: é também função do verde urbano fazer esquecer o espaço urbano, sempre que assim desejemos, e para tal ele tem de ser estruturado e mantido de forma a proporcionar uma simulação de natureza, mas muito humanizada e "usável"/passeável; a ideia gráfica é tentar dar uma "ideia/mancha desenhada e cromática" de uma "ideia mental" de uma zona verde que vive, por si, independentemente dos edifícios que a contornam, embora de forma descontínua - "modernista".

Infohabitar, Ano XI, n.º 546
Verde Urbano - III
Editor: António Baptista Coelho abc@ubi.pt, abc@lnec.pt e abc.infohabitar@gmail.com
GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional, Mestrado Integrado em Arquitectura da Universidade da Beira Interior - MIAUBI

Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.


terça-feira, agosto 11, 2015

Verde Urbano Desenhado - II n.º 545 Infohabitar



O 3.º CIHEL recebeu 118 propostas de artigos; está na altura de nos inecrevermos.

Infohabitar, Ano XI, n.º 545

Nota prévia da edição: durante agosto a Infohabitar continuará a ser editada semanalmente, embora o dia de edição possa "deslizar" um pouco.

Verde Urbano Desenhado - II

António Baptista Coelho

Apresentam-se, em seguida, alguns apontamentos/desenhos livres realizados sobre a temática do verde urbano.
Todos este desenhos foram realizados, no próprio local, em Olivais Norte - Encarnação, Lisboa, o nosso bairro modernista por excelência que importa revalorizar com urgência e designadamente no âmbito da recente PNAP - Política Nacional de Arquitetura e Paisagem.
Fazem-se, em alguns casos, comentários curtos e práticos, abordando o "desenho" e também, por vezes, matérias de urbanismo e habitat humano.

A edificação suavizada pela vegetação


Desenho 1: como se sabe a vegetação urbana e designadamente as árvores de arruamento são elementos suavizadores da edificação e, sempre que necessário, cumprem também um estratégico papel de camuflagem de edifícios menos interessantes. Naturalmente a múltipla função de melhoria do conforto ambiental e da saúde proporcionada pelas árvores e zonas verdes está sempre presente.


A edificação positivamente "camuflada" pela vegetação


Desenho 2: parte do que se referiu no desenho 1 aqui se lembra, pois árvores e zonas verdes amplas são excelentes elementos de enquadramento da massa edificada, podendo estabelecer-se jogos cromáticos e volumétricos muito interessantes, sempre que haja a necessária sabedoria para tanto da parte de quem coordena o projeto urbano e de paisagem.  

nosso bairro modernista de referência - Olivais Norte - e a PNAP

Desenho 3: Olivais Norte/Encarnação, em Lisboa é um bairro a conhecer - facilmente visitável a partir da estação de Metro da Encarnação (situada bem a meio do bairro) - onde arquitetura modernista, verde urbano bem escolhido e, essencialmente, um excelente modelo de "convívio" entre peões e veículos, são matérias bem evidenciadas/visíveis. E sublinha-se que por ocasião da publicação da fundamental Política Nacional de Arquitetura e Paisagem - PNAP, Resolução do Conselho de Ministros n.º 45/2015, será essencial começar a preparar Olivais Norte no sentido da sua verdadeira devolução a uma estima lisboeta e nacional adequadas, pois este bairro pode e deve ser um excelente elemanto de valorização da cultura urbana de lisboeta e portuguesa.

Uma das excelentes obras modernistas de Olivais Norte; e a arquitetura veículo de cultura  


Desenho 4: apontamento simples dos aspetos principais de uma volumetria modernista em contraste positivo com formas naturais; o apontamento rápido, tão caro aos arquitetos, pode ser uma via de verdadeiro estudo dos aspetos de apuramento e sobriedade formal da boa arquitetura, uma arquitetura que, tal como sublinhou Tadao Ando, "deve estar plena de cultura"; e neste acso temos um bairro cheio de uma arquitetura cheia de cultura, sob diversas formas

Forçar um apontamento desenhado "simples", depurado

Desenho 5: há que "forçar", com o máximo de naturalidade a geração de esquissos/apontamentos "simples", depurados, que fixem o essencial do "recanto" urbano que nos despertou a atenção; esta é em primeiro lugar uma intenção de prática de desenho, só aparentemente fácil, pois exige extrema concentração e em continuidade (ainda que durante 2/3/4 minutos), e talvez sequencialmente passa a ser uma intenção de estudo urbano, em que poderemos procurar o que ali está que nos interessa aprofundar em termos de arquitetura urbana.

A questão da escala humana deve estar sempre presente


Desenho 6: julgo que no excelente documentário sobre Tadao Ando, intitulado "Tadao Ando from emptiness to infinity", o arquiteto referiu que no remate de um esquisso desenha-se uma pessoa; julgo que ele o terá referido, se não o fez apresento desde já as minhas desculpas, mas lembro-me que foi das primeiras coisas que o meu primeiro professor de desenho, o meu Pai, Arquitecto, me ensinou, integrar apontamentos humanos no desenho, para "dar escala", para sentirmos a escala do espaço que estamos a esboçar; e em Olivais Norte a escala humana está verdadeiramente por todo o lado e no meio até dos grandes edifícios, sendo o verde urbano um seu excelente veículo.


Infohabitar, Ano XI, n.º 545
Verde Urbano Desenhado - II
Editor: António Baptista Coelho abc@ubi.pt, abc@lnec.pt e abc.infohabitar@gmail.com
GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional, Mestrado Integrado em Arquitectura da Universidade da Beira Interior - MIAUBI

Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.


sábado, agosto 01, 2015

Verde Urbano Desenhado I - n.º 544 Infohabitar

http://labhab.fau.usp.br/3cihel/ 

Infohabitar, Ano XI, n.º 544

Verde Urbano Desenhado - I
António Baptista Coelho

Apresentam-se, em seguida, alguns apontamentos/desenhos livres realizados sobre a temática do verde urbano.
Todos este desenhos foram realizados, no próprio local, em Olivais Norte - Encarnação, Lisboa.
Fazem-se, em alguns casos, comentários curtos e práticos, abordando o "desenho" e também, por vezes, matérias de urbanismo e habitat humano.



Harmonização entre verde urbano e edifícios altos

Desenho 1: em Olivais Norte/Encarnação, Lisboa – o nosso bairro modernista por excelência a conhecer, facilmente, a partir da estação de Metro da Encarnação (situada bem a meio do bairro) – o verde urbano harmoniza os edifícios altos sobre pilares – piso térreo vazado proporcionando continuidade de vistas naturais.



Ruas muito naturais e urbanas

Desenho 2: as ruas assumem fortíssimo conteúdo natural, realizadas nos anos 60 do século XX, pela primeira vez em Portugal com a participação de paisagistas e com uma excelente qualidade urbanística; e não é por terem esse forte conteúdo natural que são menos urbanas: há aqui muito a (re)aprender.



O verde urbano e os edifícios integram-se com naturalidade

Desenho 3: verde urbano e os edifícios integram-se com naturalidade, mas nesta “naturalidade” o principal segredo é a excelente qualidade urbana e paisagística da envolvente e a excelente qualidade de desenho de arquitetura do edificado, que se carateriza por elevada sobriedade e pormenorização (matéria a desenvolver nesta série editorial).



Um exemplo de ligação entre natureza e espaço urbano - Olivais Norte


Desenho 4: - o verde urbano assume expressão fortemente naturalizada e marcada por árvores preexistentes (ex., oliveiras) e pela introdução de espécies rústicas (com manutenção simplificada, embora de crescimento relativamente lento) mas com excelente imagem, como os medronheiros.



Naturalização do espaço urbano incentiva biodiversidade


Desenho 5: a naturalização do espaço urbano incentiva a biodiversidade, que proporciona “espetáculo” natural aos habitantes da cidade e designadamente às crianças.



O verde urbano é espetáculo sempre renovado

Desenho 6: o verde urbano é espetáculo sempre renovado, sempre novo com o passar do ano.
Dos troncos despidos às massas de folhas marcadas por sombras e variadas tonalidades de verde e azul, as árvores são um dos temas de eleição de quem desenha; e aprende-se muito com elas desde a proporção geral, à modelação formal, ao claro/escuro, às misturas cromáticas e, naturalmente, ao equilíbrio entre a síntese formal e a indicação do pormenor.

Infohabitar, Ano XI, n.º 544
Verde Urbano Desenhado - I
Editor: António Baptista Coelho abc@ubi.pt, abc@lnec.pt e abc.infohabitar@gmail.com
GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional, Mestrado Integrado em Arquitectura da Universidade da Beira Interior - MIAUBI

Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.