terça-feira, março 26, 2019

Pormenorização da arrumação doméstica – Infohabitar 680

Infohabitar, Ano XV, n.º 680
Pormenorização da arrumação doméstica – Infohabitar 680
Artigo da Série “Habitar e Viver Melhor”
por António Baptista Coelho (texto e imagem)

Nota editorial: continua-se, com este artigo, a publicação da Série editorial “Habitar e Viver Melhor”, cujo último artigo foi publicado, aqui na Infohabitar,  em fevereiro último, com o título: “O cromatismo residencial - Infohabitar 676”.


Pormenorização da arrumação doméstica

A arrumação doméstica já foi estudada, nesta série editorial, naturalmente integrada na abordagem dos espaços domésticos de uso basicamente comum, desta forma e em seguida apenas se irão referir alguns aspectos da arrumação muito associados a matérias de pormenorização.

Tal como salienta Claude Lamure "a disposição dos volumes de arrumação fixos e a sua incorporação no edifício permitem melhorar muito a economia de espaço habitável, a facilidade de manutenção e o conforto nas circulações". (1)

Fig. 01: a pormenorização da arrumação doméstica pode e deve ser uma forma de caracterização positiva dos respectivos espaços.


A arrumação relaciona-se com a área da habitação: cresce em fogos maiores e menores

A necessidade de arrumação cresce, naturalmente, consoante cresce a ocupação da habitação; uma condição raramente cumprida, tendendo-se a manter a capacidade de arrumação doméstica muito constante.

De certa forma a arrumação deve ser proporcional ao número de quartos da habitação, à semelhança do que acontece, regulamentarmente, com o número de casas de banho. 
Interessa, ainda, considerar que, no caso das habitações serem muito reduzidas, em termos de número de compartimentos e da sua área verdadeiramente habitável, também há que exigir a existência de uma significativa capacidade de arrumação, neste caso talvez mais “embutida” (ex., roupeiros integrados, mobiliário fixo), pois, de outra forma, essa reduzida espaciosidade poderá ficar, rapidamente, “obstruída” e infuncional, pela disposição dos mais diversos elementos de uso diário e ocasional.


Uma arrumação formalmente neutral

A capacidade de arrumação deve ser disponibilizada, por regra, através de soluções formais e funcionais extremamente neutrais e de grande sobriedade ou então de forma "camuflada", ou mesmo escondida, sendo sobriamente disponibilizada nos sítios certos e com as condições funcionais adequadas. Uma condição que deveria ser generalizada pois, por vezes, um determinado elemento de arrumação condiciona o tipo de arranjo doméstico do respectivo espaço, o que faz pouco sentido, afectando o potencial de apropriação da habitação, a partir da sua “mobilaridade”.

E, nesta perspectiva, sublinha-se, por exemplo, a integração entre portas normais e portas de roupeiros, que resulta, habitualmente, em soluções de grande continuidade e sobriedade, desenvolvendo-se um ambiente agradavelmente unificado e íntimo, por exemplo, no acesso a quartos e a casas de banho realizados como que através de roupeiros, como se se tratasse de passagens secretas.

Esta é uma matéria que pode inaugurar uma outra pequena faceta de desenvolvimento destas temáticas que influenciam um habitar mais feliz, pois trata-se de uma possibilidade de se conceberem habitações muito lúdicas no sentido de proporcionarem usos bem apropriados e múltiplos, e o desenvolvimento de vários níveis de uso gradativamente mais secretos, ou então inusitados na sua conjugação com outros espaços domésticos.


Uma arrumação atraente

Mas, no entanto, é sabido que uma boa capacidade de arrumação judiciosa e atraentemente disseminada pelos diversos compartimentos, com "pontes fortes" e tipologicamente bem distintos, na cozinha, copa, casas de banho, entrada, quartos e escritório, é um forte argumento na atractividade de uma dada proposta doméstica.

Teremos assim uma arrumação sóbria e atraente, o que nos conduz, com naturalidade, a soluções caracterizadamente funcionais ou mesmo funcionalistas.


A arrumação no mobiliário

Nunca será excessivo registar que a principal parte de uma arrumação doméstica deve ser cumprida, de forma integrada, em diversos elementos de mobiliário que equipam os diversos compartimentos e espaços domésticos; sendo que o principal factor para uma boa capacidade de mobiliário, na habitação, tem a ver com a disponibilidade de muitos metros de paredes lineares, sem vãos próprios e livres de manobras de vãos contíguos.

E a propósito deste aspecto, ou desta importante qualidade doméstica ligada à respectiva capacidade para integrar mobiliário, há que sublinhar que ela é cumulativamente determinante da capacidade de apropriação que toda a habitação deve proporcionar e em “quantidade”; sendo que, no limite, ela poderá ser suficiente para as necessidades de arrumação domésticas, afinal, cumprindo-se a velha tradição de não haver grandes elementos fixos, sendo tudo ou quase tudo arrumado em “móveis”.

E ainda a propósito deste assunto não se resiste a comentar que mesmo um aspecto “tão funcional” como a arrumação doméstica, tem uma dimensão tão humana e qualitativa como aquela associada à apropriação.


E, porque não, uma arrumação multifuncional?

Esta é uma temática cuja abordagem terá de ficar, aqui, um pouco pelos aspectos mais gerais, mas será sempre interessante reflectir em soluções espaço-funcionais em que determinados “recantos” domésticos possam ser apropriados por arrumações ou por outros usos domésticos, numa opção que pode marcar períodos específicos da “vida” da habitação, e que deve ter suporte em soluções construtivas que sejam facilmente reversíveis.


A arrumação: habitual parente pobre, mas, realmente, o grande aliado de uma boa estruturação doméstica

Embora a arrumação tenda a ser um pouco esquecida nas soluções domésticas importa sublinhar que uma sua adequada e estratégica provisão proporciona o adequado funcionamento da habitação e confere-lhe um elevado potencial de adaptabilidade funcional e a diversos modos de vida.

E nunca é de desperdiçar, tal como sublinha Christopher Alexander, o reforço do isolamento acústico entre compartimentos e espaços contíguos (quartos/quartos, quartos/salas, quartos/circulações e circulações/salas) que pode ser proporcionado pela interposição de roupeiros embutidos. (2)

Nas pequenas habitações, dimensionalmente muito contidas, será aconselhável que a integração dos dispositivos de arrumação se faça numa total aliança com a pormenorização arquitectónica responsável pela própria configuração da espacialidade e da ambiência interior.

Referimo-nos s uma estruturação doméstica que seja verdadeiramente “resiliente”, apoiando e facilitando excelentes e bem evidentes condições de arrumação e “limpeza” espacial, associadas a estimulantes condições de clareza e atractividade na leitura dos diversos espaços e subespaços; e que aceite um grau bastante sensível de desarrumação corrente (resultante de uma casa bem “vivida”), mas sem perder o essencial dessa clareza e atractividade de leitura de espaços razoavelmente arrumados e estruturados.


Notas:
(1) Claude Lamure, "Adaptation du Logement à la Vie Familiale", p. 195.
(2) Christopher Alexander; Sara Ishikawa; Murray Silverstein; et al, "A Pattern Language/Un Lenguaje de Patrones", pp. 799 e 800.

Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XV, n.º 680
Pormenorização da arrumação doméstica – Infohabitar 680

Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho

Arquitecto/ESBAL, doutor em Arquitectura/FAUP – Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, Investigador Principal com Habilitação em Arquitectura e Urbanismo/LNEC – Laboratório Nacional de Engenharia Civil



Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional Infohabitar – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).

Apoio à Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.

terça-feira, março 19, 2019

Novos desenhos em março de 2019, 3.ª parte - Infohabitar 679

Infohabitar, Ano XV, n.º 679
Novos desenhos em março de 2019, 3.ª parte  - Infohabitar 679
por António Baptista Coelho (texto e imagens)

Caros leitores da Infohabitar,

Prolongando-se e reafirmando-se o que pode ser já considerado como uma tradição informal da nossa revista, que é a edição de esboços e desenhos, boa parte deles aguarelados, edita-se esta semana um conjunto de desenhos à mão, ou esboços, ou apontamentos, ou esquissos livres, realizados nos respectivos sítios e coloridos posteriormente.
Casos a caso pode, ou não, haver lugar a alguns comentários, sendo, provavelmente, a regra a ausência dos mesmos; mas havendo-os eles poderão referir-se aos modos de fazer do respectivo desenho e/ou aos temas de arquitectura urbana neles ilustrados.
É, talvez, oportuno apontar, aqui, a dádiva de prazer/alegria que estes esquissos pintados nos proporcionam e o interesse que existe no natural acompanhamento dos modos de fazer neles empregues, seja em termos de escolha e enquadramento do tema, seja no que se refere às formas de expressão “gráfica” neles usados; e por aqui fico para não transformar este artigo que se quer “desenhado” em mais um essencialmente escrito.
Fiquem, então, caros leitores com mais alguns “rabiscos” deste vosso editor e tenham coragem para começar ou continuar a brincar e rabiscar, à vontade e por puro prazer - num quadro de urbansketching (esquisso urbano) e de treesketching (esquisso de arvoredo), ... brinca-se um pouco, mas aproveita-se para aconselhar este esquisso de árvores/arbustos, que se julga essencial para todos aqueles que queiram melhorar ou iniciar a prática do desenho livre.
E se quiserem, então depois, ler um pouco mais sobre os referidos modos de fazer e rabiscar, podem a ceder a uma pequena Sebenta que já editei sobre o tema e que está disponível em (quando possível haverá uma 2.ª edição, reformulada e aumentada, e não se deixem intimidar pelo título, bem longo, e onde o que interessa é a indicação de se irem apontar “100 notas práticas para quem quer praticar/aprender a desenhar melhor à mão livre”):

Saudações calorosas e bons “rabiscos” bem “à vontade”, enquanto passeiam, vale bem a pena, acreditem!

António Baptista Coelho



Fig. 01: (sobre o Desenho) procurou-se marcar a profundidade, sendo esta clarificadora de uma composição que se pretendeu, também, clara e contida nos elementos que contém, mas não esquecendo os seus aspectos fundamentais; (sobre a Arquitectura Urbana) estes três elementos fundamentais – a natureza, essencialmente, marcada pelas grandes árvores; o edificado “limpo” dos grandes edifícios modernistas, lançados sobre a natureza; e a preexistência de uma infraestrutura de águas da antiga quinta, ao fundo – são exemplares, na sua presença e combinação e raros em Portugal, devendo merecer urgente e profunda atenção de habitantes e poderes públicos.




Fig.02: (sobre o Desenho) tentou-se “fixar” o enquadramento real que se tem “no sítio” e no qual parte significativa de um dos grandes edifícios é vista através dos arcos da preexistência (o que não foi fácil, mas parece poder permitir um enquadramento interessante e funciona naturalmente como elemento de reforço da profundidade do desenho); (sobre a Arquitectura Urbana) e aqui voltamos a ter os referidos três elementos fundamentais – a natureza; o edificado dos edifícios modernistas; e a preexistência de um pequeno aqueduto da antiga quinta, agora em primeiro plano – excelentes, na sua presença caracterizadora do sítio e do bairro onde se mora (Olivais Norte/ Encarnação).





Fig.03: (sobre o Desenho) este esquisso integra um pequeno grupo de três, que são seguidamente apresentados e onde se procurou aliar a forte expressão da profundidade, a simplicidade do “traço” e dos elementos representados, e o reforço gráfico e “plástico” das árvores, que são, afinal, as protagonistas destes esquissos; (sobre a Arquitectura Urbana) trata-se de um pequeno exercício de síntese da “filosofia” arquitectónica modernista, que expressa o bom casamento entre natureza e edificado, que é, afinal, bem possível, apenas dependendo de uma excelente qualidade do projecto de arquitectura urbana e paisagística.   





Fig. 04: (sobre o Desenho) este esquisso integra o pequeno grupo de três, que foi referido e onde se procurou aliar a expressão da profundidade (neste caso acompanhada pela indicação do caminho pedonal que “passeia” pelo jardim), a simplicidade do “traço” e dos elementos representados, e o reforço gráfico e “plástico” das árvores, aqui mais explorado com a aplicação livre do traço negro; (sobre a Arquitectura Urbana) os aspectos aqui mais evidenciados já foram referidos atrás, mas aproveita-se para lembrar a importância que o modernismo arquitectural deu à circulação pedonal, aqui tratada, em Olivais Norte, Lisboa, de forma verdadeiramente exemplar, mesmo ao nível europeu – falta “só” dar o devido realce a este bairro e, naturalmente, acabar, de vez, com os atentados à sua traça original e iniciar as respectivas ações de reabilitação.





Fig. 05: (sobre o Desenho) este esquisso integra e conclui o referido pequeno grupo de três, onde se procurou aliar a expressão da profundidade, a simplicidade do “traço” e dos elementos representados, e o reforço gráfico e “plástico” das árvores, aqui ainda mais explorado e acentuado com a aplicação livre e intensa dos traços negros.




Fig. 06: (sobre o Desenho) um esquisso que procurou ser muito depurado ou simplificado nos volumes/elementos apontados e na indicação de profundidade (o tronco em primeiro plano, que merecia, talvez, um pouco mais de traços a negro/negro).




Fig. 07: (sobre o Desenho) e termina-se, novamente, com os pássaros, neste caso gaivotas, “apanhadas” (em memória) instantaneamente em diversas posições, e logo esboçadas, “no sítio”, juntando-se, variados apontamentos no mesmo desenho e com natural liberdade criativa.



Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XV, n.º 679
Novos desenhos em março de 2019, 3.ª parte - Infohabitar 679

Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho

Arquitecto/ESBAL, doutor em Arquitectura/FAUP – Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, Investigador Principal com Habilitação em Arquitectura e Urbanismo/LNEC – Laboratório Nacional de Engenharia Civil



Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional Infohabitar – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).

Apoio à Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.

terça-feira, março 12, 2019

Novos desenhos em março de 2019, 2.ª parte - Infohabitar 678


Infohabitar, Ano XV, n.º 678
Novos desenhos em março de 2019, 2.ª parte  - Infohabitar 678
por António Baptista Coelho (texto e imagens)

Caros leitores da Infohabitar,

Prolongando-se e reafirmando-se o que pode ser já considerado como uma tradição informal da nossa revista, que é a edição de esboços e desenhos, boa parte deles aguarelados, edita-se esta semana um conjunto de desenhos à mão, ou esboços, ou apontamentos, ou esquissos livres, realizados nos respectivos sítios e coloridos posteriormente.
Casos a caso poder, ou não haver lugar a alguns comentários, sendo, provavelmente, a regra a ausência dos mesmos; mas havendo-os eles poderão referir-se aos modos de fazer do respectivo desenho e/ou aos temas de arquitectura urbana neles ilustrados.
É, talvez, oportuno apontar, aqui, a dádiva de prazer/alegria que estes esquissos pintados nos proporcionam e o interesse que existe no natural acompanhamento dos modos de fazer neles empregues, seja em termos de escolha e enquadramento do tema, seja no que se refere às formas de expressão “gráfica” neles usados; e por aqui fico para não transformar este artigo que se quer “desenhado” em mais um essencialmente escrito.
Fiquem, então, caros leitores com mais alguns “rabiscos” deste vosso editor e tenham coragem para começar ou continuar a brincar e rabiscar, à vontade e por puro prazer (num quadro de urbansketching e de treesketching, ... brinco um pouco).
E se quiserem, então depois, ler um pouco mais sobre os referidos modos de fazer e rabiscar, podem a ceder a uma pequena Sebenta que já editei sobre o tema e que está disponível em (quando possível haverá uma 2.ª edição, reformulada e aumentada, e não se deixem intimidar pelo título, bem longo, e onde o que interessa é a indicação de se irem apontar “100 notas práticas para quem quer aprender a desenhar melhor à mão livre”):

Saudações calorosas e bons “rabiscos” bem “à vontade”, enquanto passeiam,

António Baptista Coelho




Fig. 01 - (sobre o Desenho) a busca da expressão desenhada da profundidade do “cenário”, leva-nos a relembrar tanto do que foi lido sobre o assunto, mas agora sentido bem “na pele”; e aqui também podemos evidenciar o interesse da marcação de sombras afirmadas e  esquematizadas e de um expressivo realce dos elementos protagonistas do desenho (neste caso as árvores).



Fig.02 - (sobre o Desenho) ainda a busca da expressão desenhada da profundidade existente no tema/enquadramento escolhido, leva-nos a forçar, realmente, a altura do desenho que é dedicada “ao chão” – aqui ocupando sensivelmente um pouco mais de metade da altura do desenho (e parece valer a pena, mas quando esboçamos temos de forçar mesmo a dar este “respiro” ao “chão” que se desenha e que tem de ter desafogo para poder conter essa expressão de profundidade).




Fig.03 - (sobre o Desenho) as árvores vão ocupando, naturalmente, “o palco” do tema e do enquadramento escolhidos, não só pela plasticidade invernal global, mas também por serem importantes elementos de referência e de expressão da, acima, referida profundidade; (sobre a Arquitectura Urbana) é sempre interessante atentar no excelente e raro equilíbrio atingido, aqui em Olivais Norte/Encarnação, no diálogo entre Arquitectura dos edifícios e Arquitectura da paisagem (naturalizada) – uma das primeiras intervenções assim desenvolvidas, em Portugal, e ainda hoje uma das mais “perfeitas” e “únicas”, e que por isso deveria merecer um muito especial cuidado em termos de preservação e recuperação da sua paisagem global e pormenorizada.




Fig. 04 - (sobre o Desenho) aqui é mesmo quase só “treesketching” e procurou-se dar um toque de outono já tardio; e lembra-se a vital importância do apontamento das sombras, vitalizadoras do esboço.




Fig. 05 - (sobre o Desenho) um apontamento muito rápido e bastante esquemático (que dá sempre que pensar relativamente ao poder de síntese e de escolha do que se aponta e do que se deixa de lado); (sobre a Arquitectura Urbana) um esboço/símbolo dos edifícios no “verde urbano” e de um “verde urbano” público que (quando bem mantido) pode ser assumido quase como grandes pátios naturais separando e enriquecendo os edifícios contíguos.




Fig. 06 - (sobre o Desenho) e para concluir este artigo voltamos aos pássaros, constantes e fiéis companheiros de quem passeia, calmamente, no verde urbano, designadamente, a horas bem matinais; e que vão sendo observados nas mais variadas situações momentâneas, depois livremente associados num único esboço.

Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XV, n.º 678
Novos desenhos em março de 2019, 2.ª parte - Infohabitar 678

Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho
Arquitecto/ESBAL, doutor em Arquitectura/FAUP – Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, Investigador Principal com Habilitação em Arquitectura e Urbanismo/LNEC – Laboratório Nacional de Engenharia Civil



Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional Infohabitar – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).

Apoio à Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.



terça-feira, março 05, 2019

Novos desenhos em março de 2019, 1.ª parte - Infohabitar 677

Infohabitar, Ano XV, n.º 677
Novos desenhos em março de 2019, 1.ª parte  - Infohabitar 677
por António Baptista Coelho (texto e imagens)

Caros leitores da Infohabitar,

Prolongando-se e reafirmando-se o que pode ser já considerado como uma tradição informal da nossa revista, que é a edição de esboços e desenhos, boa parte deles aguarelados, edita-se esta semana um conjunto de desenhos à mão, ou esboços, ou apontamentos, ou esquissos livres, realizados nos respectivos sítios e coloridos posteriormente.
Em cada caso específico (cada esboço) pode, ou não, haver lugar a comentários na respectiva legenda, sendo, provavelmente, a regra a ausência dos mesmos; mas havendo-os eles poderão referir-se aos modos de fazer do respectivo desenho e/ou aos temas de arquitectura urbana neles ilustrados.
É, talvez, oportuno apontar, aqui, a dádiva de prazer/alegria que estes esquissos pintados nos proporcionam e o interesse que existe no natural acompanhamento dos modos de fazer neles empregues, seja em termos de escolha e enquadramento do tema, seja no que se refere às formas de expressão “gráfica” neles usados; e por aqui fico para não transformar este artigo que se quer “desenhado” em mais um essencialmente escrito.
Fiquem, então, caros leitores, com mais alguns “rabiscos” deste vosso editor e tenham coragem para começar ou continuar a brincar e rabiscar, à vontade e por puro prazer (num quadro de urbansketching e de treesketching, ... ).
E se quiserem, então depois, ler um pouco mais sobre os referidos modos de fazer e rabiscar, podem a ceder a uma pequena Sebenta que já editei sobre o tema e que está disponível em :
Logo que seja possível haverá uma 2.ª edição, reformulada e aumentada, e não se deixem intimidar pelo título, bem longo, e onde o que interessa é a indicação de se irem apontar “100 Notas práticas para quem quer aprender a desenhar melhor à mão livre”.

Saudações calorosas e bons “rabiscos”, bem “à vontade”, e de preferência enquanto passeiam,

António Baptista Coelho



Fig. 01 – (sobre o desenho) procura do enquadramento que permita agilizar  o esboço de um dos lados sem prejudicar o quadro da vista; (sobre a Arquitectura urbana) um conjunto modernista praticamente exemplar, também na manutenção e valorização de preexistências (Olivais Norte, bem junto ao Metro da Encarnação).





Fig.02 - (sobre o desenho) a continuidade da procura do melhor “contraste” entre formas naturais e construídas, para além da sempre presente e bem difícil procura da redução do esquisso ao essencial.





Fig.03 - (sobre o desenho) uma aguarela esquissada que parece ter “saído” com alguma naturalidade e ausência de pormenores excessivos.





Fig. 04 - (sobre o desenho) um desenho alongado, uma “tipologia” de desenho livre onde parece haver sempre espaço para o que faltae onde, neste caso, o esquisso das árvores parece ter “saído” mais natural do que o dos edifícios; (sobre a Arquitectura urbana) um conjunto modernista praticamente exemplar e a visitar Olivais Norte.





Fig. 05 - (sobre o desenho) um desenho livre onde se procurou reforçar profundidades e expressão formal intensa das formas naturais.





Fig. 06 - (sobre o desenho) qual a razão que nos leva a desenhar a sépia? Será o seu tom mais quente? ...



Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XV, n.º 677
Novos desenhos em março de 2019, 1.ª parte - Infohabitar 677

Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho
Arquitecto/ESBAL, doutor em Arquitectura/FAUP – Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, Investigador Principal com Habilitação em Arquitectura e Urbanismo/LNEC – Laboratório Nacional de Engenharia Civil



Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional Infohabitar – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).

Apoio à Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.