domingo, maio 29, 2016

Grande variedade de quartos - Infohabitar n.º 584

Na imagem: parte da Universidade da Beira Interior (UBI), na Covilhã, que no dia 30 de abril de 2016 comemorou o seu 30.º aniversário
Infohabitar, Ano XII, n.º 584

Grande variedade de quartos - Infohabitar n.º 584

António Baptista Coelho
Artigo CI da Série habitar e viver melhor

Atualidade:

4.º Congresso Internacional da Habitação no Espaço Lusófono, desta vez associado a uma série de atividades, e a diversas cidades, decorrerá novamente em Portugal, entre 5 e 10 de março de 2017; muito em breve, aqui na Infohabitar, terá início o lançamento do 4.º CIHEL.

Neste artigo da “Série habitar e viver melhor”, terminamos a abordagem da temática do projeto arquitetónico dos quartos domésticos.

Várias zonas de quartos


Naturalmente, consoante a dimensão da habitação, mas podendo aplicar-se, logo, a partir de habitações com apenas dois quartos – habitualmente designadas por T2, o que se refere a Tipo 2 (quartos), podemos edevemos privilegiar o desenvolvimento de várias pequenas zonas de quartos – por exemplo cada uma delas com um ou dois quartos, uma casa de banho e arrumações comuns –, considerando-se que cada uma delas possa ser utilizada com relativa independência em cada um dos seus respectivos quartos, ou, eventualmente, de forma unificada mediante a utilização de cada um dos dois quartos por uma pessoa, ou através do uso de um dos quartos como espaço de dormir e o outro como uma saleta privada, ou como espaço de trabalho ou lazer recatado.

Uma habitação mais adaptável e estimulante

Uma ideia como esta resulta na organização diversificada de uma habitação em várias zonas mais íntimas ou mais privadas, o que atribui a essa habitação um potencial de adaptabilidade e de adequação muito superior ao que caracteriza uma habitação com uma única zona “íntima” ou de quartos; o que naturalmente resultará numa habitação mais caraterizada e estimulante.
Esta opção também tem a dupla vantagem de proporcionar uma integração da casa de banho mais “indirecta”, relativamente ao espaço de dormir, o que será interessante no que se refere à separação das respectivas funções e de permitir que uma casa de banho possa funcionar praticamente como “privativa”, por exemplo, de dois quartos.


Verdadeiras “suites”

Podemos, ainda, sublinhar que se fizermos suites, então devemos tirar desta linha de desenvolvimento doméstico todo o partido que se já possível, na referida perspectiva de dotar a habitação com excelentes e diversos níveis de leitura e vivência, podendo chegar-se a este nível mais privado com a revelação de um ambiente extremamente cativante, humanizado, funcionalmente diversificado e atraentemente ligado ao exterior.

Espaços domésticos bem individualizados e apropriados

Há que considerar que cada criança "luta pela possibilidade de jogo, de luz, de porta aberta...", podendo sentir-se demasiado isolada se dormir só, num compartimento clássico, com acesso por uma zona de circulação "impessoal", podendo ser criados grupos de alcovas, ou microcompartimentos individuais (mínima mas completamente equipados, com cama, posto de trabalho e mini-estantes), que, eventualmente, rodeiem um espaço comum de jogos e convívio (1).

E evidentemente o que aqui se refere para as crianças aplica-se, talvez ainda com maior força, aos adolescentes e jovens adultos, que devem ter o seu quarto, ou no mínimo um seu “canto” bem privatizado e apropriável.
Desta forma proporcionam-se espaços privatizados, que até podem ser espacialmente contidos, mas bem articulados por espaços mais comuns e diversificados, que não se limitam à habitual sala comum, tão disputada e tantas vezes pouco apropriável, em favor de um certo sentido de representação/formalidade doméstica.

Alcovas

Christopher Alexander (2) aponta alguns aspectos relativos ao desenvolvimento de alcovas para dormir e repousar, sublinhando que elas devem ter configurações simples e pormenorizações claras, podem ter áreas relativamente folgadas (caracterizando-as como verdadeiros espaços privativos mas não totalmente autonomizados), devem poder ser vedadas em termos de privacidade visual, e devem ter condições de iluminação e ventilação bem garantidas, desejavelmente, por janela própria.

Fig. 01:  pequenos quartos em pequenas habitações – neste caso do tipo T1  - sem portas entre boa parte das diversas zonas domésticas – habitação integrada no conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - Arquitetura: Asklund & Jansson.

Fig. 02: outra imagem da mesma habitação (vista a partir da zona de dormir). 

Diversidade de quartos

Da grande suite super-equipada à alcova mínima há um amplo leque de possibilidades de figuras formais e funcionais de quartos.
Finalmente, há que sublinhar duas claras tendências, bem distintas, mas ambas bem efectivas nos dias de hoje e associadas aos quartos.

Quartos e suites para idosos

Somos uma sociedade cada vez mais idosa e no que se refere a novidades e tendências nesta matéria do dormir doméstico sublinha-se a importância que tem, cada vez mais, o dormir de pessoas idosas, que tem reflexos: funcionais, no que se refere a uma mais desenvolvida facilidade nas actividades de apoio ao dormir/repousar; ambientais, por exigências de privacidade, sossego e segurança acrescidas; de relação com casas de banho e aqui esta integração ou grande proximidade tem uma importância muito especial e deve associar-se a boas condições no uso dessas casas de banho; e de potencial desenvolvimento de “pequenos mundos” razoavelmente privativos e potencialmente bem apropriados, que permitam uma vivência pessoal aprofundada, embora em grande relação com a restante família, ou numa retirada estratégica para um espaço mais controlável e multifuncional dentro de uma casa maior.

É, portanto, essencial, que os espaços da habitação dedicados aos quartos tenham acrescidas e exigentes condições de sossego e conforto ambiental.

Quarto de trabalho

E a outra tendência actual bem vincada e que já tratámos neste trabalho refere-se à habitação que, cada vez mais, se torna um sítio de trabalho, e mesmo mais: um sítio de agregação de pessoas que além de lá habitarem, lá, também, desenvolvem as suas actividades profissionais segundo um horário extremamente flexível e cada vez mais numa potencial perspectiva de "jornada contínua"; e esta matéria tem implicações seja na espaciosidade de cada quarto - sítio de dormir, lazer e trabalho -, seja na sua localização na habitação, que não deve estar relegada/degredada para a tal zona íntima, onde "antes", essencialmente, se dormia, e hoje se terá de dormir e trabalhar, e atenção que, cada vez mais, não é uma única pessoa a precisar de um espaço deste tipo, praticamente todos os membros da família têm essa necessidade.

Quarto como lugar de individualidade

Para concluir esta temática salienta-se que um outro aspecto a ter em conta de forma muito específica nestas temáticas habitacionais ligadas à concepção dos compartimentos/quartos, é a importância que pode ter o quarto/compartimento individual numa sociedade cada vez mais individualista e composta por muitas pessoas sós, seja numa perspectiva de habitações integradas por quartos/compartimentos com uma forte capacidade de apropriação e vivência individual e de compatibilidade de agregação na totalidade da habitação, durante muito longos períodos temporais.

A pequena habitação – pouco mais do que um grande quarto

Tudo isto obriga também a uma estruturação específica de tais habitações, seja numa perspectiva reforçada e diversificada de oferta de quartos/habitações dos tipos T0 ou T1, extremamente bem elaborados num equilíbrio sólido entre as funções clássicas do quarto e as restantes funções de uma habitação, incluindo nelas as novas funções do trabalho em casa.
Pela importância que se reconhece a estas matérias nas novas formas de habitar elas são um pouco mais desenvolvidas na parte final desta série editorial, num conjunto de artigos referido ao tema "das novas grandes habitações de uso livre e adaptável aos renovados quartos/casas".

Notas:
(1)Christopher Alexander; Sara Ishikawa; Murray Silverstein; et al, "A Pattern Language/Un Lenguaje de Patrones", pp. 601 a 603.
(2) Christopher Alexander; Sara Ishikawa; Murray Silverstein; et al, "A Pattern Language/Un Lenguaje de Patrones", pp. 762 e 763.

·         Nota importante sobre as imagens que ilustram o artigo:
As imagens que acompanham este artigo e que irão, também, acompanhar outros artigos desta mesma série editorial foram recolhidas pelo autor do artigo na visita que realizou à exposição habitacional "Bo01 City of Tomorrow", que teve lugar em Malmö em 2001.
Aproveita-se para lembrar o grande interesse desta exposição e para registar que a Bo01 foi organizada pelo “organismo de exposições habitacionais sueco” (Svensk Bostadsmässa), que integra o Conselho Nacional de Planeamento e Construção Habitacional (SABO), a Associação Sueca das Companhias Municipais de Habitação, a Associação Sueca das Autoridades Locais e quinze municípios suecos; salienta-se ainda que a Bo01 teve apoio financeiro da Comissão Europeia, designadamente, no que se refere ao desenvolvimento de soluções urbanas sustentáveis no campo da eficácia energética, bem como apoios técnicos por parte do da Administração Nacional Sueca da Energia e do Instituto de Ciência e Tecnologia de Lund.
A Bo01 foi o primeiro desenvolvimento/fase do novo bairro de  Malmö, designado como Västra Hamnen (O Porto Oeste) uma das principais áreas urbanas de desenvolvimento da cidade no futuro.
Mais se refere que, sempre que seja possível, as imagens recolhidas pelo autor do artigo na Bo01 serão referidas aos respetivos projetistas dos edifícios visitados; no entanto, o elevado número de imagens de interiores domésticos então recolhidas dificulta a identificação dos respetivos projetistas de Arquitetura, não havendo informação adequada sobre os respetivos designers de equipamento (mobiliário) e eventuais projetistas de arquitetura de interiores; situação pela qual se apresentam as devidas desculpas aos respetivos projetistas e designers, tendo-se em conta, quer as frequentes ausências de referências - que serão, infelizmente, regra em relação aos referidos designers -, quer os eventuais lapsos ou ausência de referências aos respetivos projetistas de arquitetura.
·        Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.
(iii) Para proporcionar a edição de imagens na Infohabitar, elas são obrigatoriamente depositadas num programa de imagens, sendo usado o Photobucket; onde devido ao grande número de imagens se torna muito difícil registar as respectivas autorias. Desta forma refere-se que, caso haja interesse no uso dessas imagens se consultem os artigos da Infohabitar onde, sistematicamente, as autorias das imagens são devidamente registadas e salientadas. Sublinha-se, portanto, que os vários albuns do Photobucket que são geridos pelo editor da Infohabitar constituem bancos de dados da Infohabitar, sendo essas imagens de diversas autorias, apontadas nos artigos da Infohabitar, pelo que deve haver todo o cuidado no seu uso; havendo dúvidas um contacto com o editor será sempre esclarecedor.

Infohabitar, Ano XII, n.º 584
Artigo CI da Série habitar e viver melhor

Grande variedade de quartos - Infohabitar n.º 584

Editor: António Baptista Coelho – abc@ubi.pt, abc@lnec.pt e abc.infohabitar@gmail.com
GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional, Mestrado Integrado em Arquitectura da Universidade da Beira Interior - MIAUBI
Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.



domingo, maio 22, 2016

Quartos bem habitáveis - Infohabitar n.º 583

Na imagem: parte da Universidade da Beira Interior (UBI), na Covilhã, que no dia 30 de abril de 2016 comemorou o seu 30.º aniversário

Infohabitar, Ano XII, n.º 583

Quartos bem habitáveis - Infohabitar n.º 583

António Baptista Coelho
Artigo C da Série habitar e viver melhor


Atualidade:

O 4.º Congresso Internacional da Habitação no Espaço Lusófono - 4.º CIHEL, desta vez associado a uma série de atividades, e a diversas cidades e visitas, decorrerá novamente em Portugal, entre 5 e 10 de março de 2017; muito em breve, aqui na Infohabitar e nas entidades organizadoras, terá início o lançamento do 4.º CIHEL.


Neste artigo n.º 100 (C) da “Série habitar e viver melhor”, continuamos a abordar a temática do projeto arquitetónico dos quartos domésticos.


Problemas correntes nos quartos domésticos

Quando tratamos dos quartos o problema mais frequente e grave é o da sobreocupação, um problema que terá resultados muito negativos em termos de saúde física e psíquica, considerando, designadamente, aspectos de eventual falta de ventilação e de reduzida volumetria de ar interior, muito possíveis em compartimentos dimensionalmente reduzidos (exemplo, com reduzida altura) e, naturalmente, graves problemas de ausência de privacidade e de possibilidade de apropriação de um espaço mais individualizado.
Nesta matéria há interessantes bases de dimensionamento dos quartos para diversas pessoas e salienta-se, aqui, uma simples "fórmula": devem ter uma área mínima por pessoa de 6.00, 5.50 e 5.00m², consoante se destinem a 2, 3 e 4 ocupantes; sendo a área total, respectivamente, 12.00, 16.50 e 20.00m² (1). E é interessante aqui perceber a criação de compartimentos entre 12 e 20 m2, portanto desafogados espacialmente, numa opção que deverá ser cruzada, por exemplo, com as tendências sociais vigentes em termos de composição de família.

E há aspectos críticos no uso dos quartos, entre os quais se destacam e  apontam, em seguida, alguns.
Nas zonas sociais dos fogos dúplex deve existir, pelo menos, um quarto; só assim a respectiva habitação não ficará hierárquica e funcionalmente diminuída, com uma natural tendência para aspessoas se acumularem na zona social, nem que seja devido a uma tendência natural para poderem ir optando entre pequenos períodos de convívio e de "privacidade em companhia", sem terem de ultarapassar o desnível sempre que façam tal opção.

O uso multifuncional dos quartos, ou o seu uso específico por idosos e doentes, obriga a que em todas as habitações deve haver a possibilidade de posicionar uma cama, perpendicularmente à respectiva parede de encosto; esta é a regra "básica", que, no entanto considero claramente insuficiente, e que deveria ser substituída por uma contrária que referisse que, apenas, a  partir de uma dada tipologia com vários quartos se aceita que em um deles não seja possível optar por essa posição da cama.

A actividade de fazer e desfazer as camas e as tarefas de limpeza e arrumação que lhes estão directa e indirectamente associadas constituem e constituirão boa parte e a parte mais “pesada” da lide da casa, situação esta que deve obrigar a cuidados especiais e exigentes de dimensionamento e acabamento dos quartos. No caso das camas encostadas às paredes deve ser possível desencostá-las, cerca de 0.60m, de modo a facilitar o "fazer a cama" e a permitir boas condições para tratar pessoas doentes e acamadas (condição importante nas camas em nichos, onde se deve prever uma distância mínima de 0.40m entre um dos topos da cama e a parede do nicho).


Equilíbrio de espaciosidade entre zonas domésticas

Um aspecto importante é o desenvolvimento de um equilíbrio entre o espaço dedicado aos quartos e às zonas de convívio doméstico, equilíbrio este que deverá prolongar-se na zona de quartos por uma harmonização entre soluções com mais quartos pequenos ou com menos quartos maiores; tais condições poderão ser objecto de opções iniciais de projecto, podendo prolongar-se, posteriormente, por diversas acções de reconversão (exemplo, ligação e separação de compartimentos).

De certa forma um tal equilíbrio refere-se a uma escolha importante e básica sobre como organizar uma habitação, designadamente, no aspecto fundamental da opção por uma maior zona privada ou, inversamente, por uma zona mais socializadora predominante; ou ainda por um espaço amplo e convertível em ambientes dedicados a diversas ocupações e actividades, que poderão ir evoluindo no tempo e consoante  evolução das necessidades e dos desejos dos habitantes. Uma coisa é certa: muitos quartos regulamentarmente mínimos não configuram uma solução com adequado valor de uso.



Fig. 01:  entrada de quarto (ver figura a seguir) – habitação integrada no conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - Arquitetura: Moore, Ruble, Yudell, Bertil Öhrström.

Fig. 02:  pequenas zonas específicas no mesmo quarto; o espaço não é tudo, pois é essencial definir zonas e atribui-lhes funções potenciais e distintas (como é visível na figura); mas tais cuidados exigem um excelente projeto de arquitetura e bem pormenorizado – habitação integrada no conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - Arquitetura: Moore, Ruble, Yudell, Bertil Öhrström.


Várias zonas nos quartos

Os quartos devem proporcionar virtualidades de ocupação e de mudanças de usos e não serem obstáculos a tais mutações, proporcionando, no conjunto dos quartos da casa, diversos tipos de ocupação – por exemplo através de um ou dois quartos para dormir e/ou estar, mais perto da entrada da casa e fora da “tradicional” zona de quartos/zona íntima – e de número de ocupantes, seja numa versatilidade adequada à eventual recepção de muitas pessoas, seja numa adequação simples à vivência por poucas pessoas ou mesmo uma pessoa sozinha, reduzindo-se os associados aspectos de solidão.

Estas matérias são muito práticas pois nem é difícil propiciar um espaço amplo e multifuncional (por exemplo, ligando cozinha, sala, quarto(s) e entrada) que receba bem uma festa familiar, e, num sentido oposto um grande quarto ou uma sala em dois espaços e com uma zona mais recatada podem constituir excelentes sítios de vivência multifuncional, por exemplo, para uma pessoa só e idosa.


Várias zonas de quartos

A disposição dos quartos quando feita não exclusivamente na “tradicional” zona íntima é também um aspecto importante na abertura da habitação a mudanças nos tipos de uso e nas respectivas disposições de mobiliário (por exemplo, quarto que se transforma em saleta, quarto que evolui para biblioteca, quarto que se liga a uma sala contígua).

Um aspecto fundamental é que os quartos sejam dispostos, preferencialmente, nas zonas da habitação mais sossegadas e recatadas relativamente à vida urbana e nesta matéria os aspectos de privacidade acústica são estratégicos, mas, frequentemente, esquecidos.

Quartos multifuncionais

Quando se abordaram os aspectos de expressiva multifuncionalidade nos quartos de casal e de crianças e jovens, atribuindo-lhes outras actividades e outros ambientes que não os exclusivamente ligados ao “dormir” está a seguir-se a ideia do desenvolvimento de um rico e diversificado nível pessoal na habitação, um nível onde se pode estar sozinho, mas ao qual se pode trazer algum convívio e um leque bastante amplo de actividades e de gostos de como viver e de como decorar os espaços mais pessoais.

E naturalmente a habitação ganhará em actividades, ambientes e diversidade com uma tal opção, assim como ganhará, também nesta perspectiva de enriquecimento funcional e ambiental (em termos de arquitectura de interiores) com a eventual disseminação nos espaços de estar e mais sociais de sub espaços e de recantos onde seja possível repousar e até, eventualmente, dormir.


Quartos muito completos – “suites”

Uma das actuais tendências no desenvolvimento dos espaços domésticos refere-se à criação de “suites”, cuja caracterização funcional e ambiental pode ser sintetizada pela solução do quarto de hotel com pequena entrada privada, casa de banho privativa, espaço de vestir, zona de cama, zona de toucador e/ou de pequeno escritório, e pequeno espaço de estar; isto considerando a solução maia corrente que, naturalmente, se concretiza em opções mais e menos espaçosas e equipadas. (2)

Considera-se que esta é e será uma tendência interessante no que se refere ao desenvolvimento do já apontado enriquecimento dos diversos níveis de leitura e de vivência do espaço doméstico, em camadas sobrepostas e mutuamente vitalizáveis. Mas apenas e só se um tal desenvolvimento de “pequenos mundos privados” não afectar, negativamente, o restante desenvolvimento doméstico, o que por vezes e infelizmente acontece no caso da promoção de habitação de interesse social; e, por exemplo, nesta perspectiva faz sentido a solução, apresentada por Neufert (3), de conjugação de dois quartos, servidos por um pequeno corredor privativo que dá acesso a uma casa de banho comum a esses dois quartos. Por outro lado importa considerar se tais desenvolvimentos privados não afectam o potencial de adaptabilidade e de convertibilidade da habitação no seu todo.

Notas:
(1) MHOP; LNEC, Instruções para Projectos Promovidos pelo Estado (IPHPE), FFH (Documento 5, p. 22)
(2) Neufert considera que as suites se integram melhor nos ângulos dos edifícios, permitindo uma diversificação das fontes de luz natural e, consequentemente, uma mais fácil e favorável criação de zonas diferenciadas; e ainda segundo o autor os quartos/suites podem dispor-se dois a dois, simetricamente, deixando-se um espaço central para varandas ou balcões – Ernest Neufert, "Arte de Projetar em Arquitetura", p. 334.
(3) Ernest Neufert, "Arte de Projetar em Arquitetura", p. 334.

·         Nota importante sobre as imagens que ilustram o artigo:
As imagens que acompanham este artigo e que irão, também, acompanhar outros artigos desta mesma série editorial foram recolhidas pelo autor do artigo na visita que realizou à exposição habitacional "Bo01 City of Tomorrow", que teve lugar em Malmö em 2001.
Aproveita-se para lembrar o grande interesse desta exposição e para registar que a Bo01 foi organizada pelo “organismo de exposições habitacionais sueco” (Svensk Bostadsmässa), que integra o Conselho Nacional de Planeamento e Construção Habitacional (SABO), a Associação Sueca das Companhias Municipais de Habitação, a Associação Sueca das Autoridades Locais e quinze municípios suecos; salienta-se ainda que a Bo01 teve apoio financeiro da Comissão Europeia, designadamente, no que se refere ao desenvolvimento de soluções urbanas sustentáveis no campo da eficácia energética, bem como apoios técnicos por parte do da Administração Nacional Sueca da Energia e do Instituto de Ciência e Tecnologia de Lund.
A Bo01 foi o primeiro desenvolvimento/fase do novo bairro de  Malmö, designado como Västra Hamnen (O Porto Oeste) uma das principais áreas urbanas de desenvolvimento da cidade no futuro.
Mais se refere que, sempre que seja possível, as imagens recolhidas pelo autor do artigo na Bo01 serão referidas aos respetivos projetistas dos edifícios visitados; no entanto, o elevado número de imagens de interiores domésticos então recolhidas dificulta a identificação dos respetivos projetistas de Arquitetura, não havendo informação adequada sobre os respetivos designers de equipamento (mobiliário) e eventuais projetistas de arquitetura de interiores; situação pela qual se apresentam as devidas desculpas aos respetivos projetistas e designers, tendo-se em conta, quer as frequentes ausências de referências - que serão, infelizmente, regra em relação aos referidos designers -, quer os eventuais lapsos ou ausência de referências aos respetivos projetistas de arquitetura.
·        Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.
(iii) Para proporcionar a edição de imagens na Infohabitar, elas são obrigatoriamente depositadas num programa de imagens, sendo usado o Photobucket; onde devido ao grande número de imagens se torna muito difícil registar as respectivas autorias. Desta forma refere-se que, caso haja interesse no uso dessas imagens se consultem os artigos da Infohabitar onde, sistematicamente, as autorias das imagens são devidamente registadas e salientadas. Sublinha-se, portanto, que os vários albuns do Photobucket que são geridos pelo editor da Infohabitar constituem bancos de dados da Infohabitar, sendo essas imagens de diversas autorias, apontadas nos artigos da Infohabitar, pelo que deve haver todo o cuidado no seu uso; havendo dúvidas um contacto com o editor será sempre esclarecedor.

Infohabitar, Ano XII, n.º 583
Artigo C da Série habitar e viver melhor

Quartos bem habitáveis - Infohabitar n.º 583

Editor: António Baptista Coelho – abc@ubi.pt, abc@lnec.pt e abc.infohabitar@gmail.com
GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional, Mestrado Integrado em Arquitectura da Universidade da Beira Interior - MIAUBI
Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.



domingo, maio 15, 2016

Inovar no projeto de quartos II - Infohabitar n.º 582

Na imagem: parte da Universidade da Beira Interior (UBI), na Covilhã, que no dia 30 de abril de 2016 comemorou o seu 30.º aniversário
Infohabitar, Ano XII, n.º 582

Inovar no projeto de quartos II - Infohabitar n.º 582

António Baptista Coelho
Artigo XCIX da Série habitar e viver melhor

Continuando a abordar a temática do projeto arquitetónico dos quartos domésticos, concluímos, esta semana, uma pequena reflexão sobre a possível e necessária inovação na conceção dos mesmos.


Quarto de casal

Sobre a concepção global do quarto de casal Christopher Alexander (1) considera que alguns aspectos são particularmente importantes:
·        que o espaço que envolve a cama de casal seja configurado e tratado pormenorizadamente e em função dessa cama;
·        que se considere, no dimensionamento, a provável instalação de uma "grande cama de casal";
·        e que haja realmente espaço em torno da cama para se mobilar e decorar "à vontade".

Quarto de casal e quartos de crianças

Sobre os quartos de casal e de crianças aponta-se um conjunto de indicações de Claude Lamure: (2)
·        É importante a atmosfera íntima e eventualmente mais formal de que se rodeia o quarto de casal.
·        A configuração corrente e desejável do quarto de casal é, basicamente, quadrada, devido à integração central da cama larga; para pessoas idosas será por vezes preferível o recurso a camas geminadas (embora esta opção seja discutível). Mas uma tal solução, que se integra em cerca de 12m2, é mais para um quarto de cama, do que para um quarto onde possam existir outras zonas funcionais.
·        Considerando que os idosos e as mulheres adultas têm um sono particularmente frágil é fundamental a existência de adequadas condições de obscurecimento, isolamento acústico relativamente ao exterior em geral e ao interior do fogo e do edifício, privacidade visual e manutenção de uma temperatura ambiente um pouco inferior à da zona de estar.
·        Quanto à arrumação a opção deverá ser feita entre roupeiros embutidos e espaço suplementar para roupeiros móveis; o roupeiro fixo tem de ser um elemento funcional e ambientalmente positivo na globalidade do quarto, esteja nele directamente integrado ou seja associado num espaço contíguo (por exemplo num pequeno átrio de entrada).
·        Quanto aos quartos para crianças é fundamental que eles sejam alegres, não será de admitir mais de duas crianças num quarto com cerca de 10m², e é importante separar as crianças por sexos e disponibilizar uma zona personalizada para cada criança com mais de 6 anos de idade.

Fig. 01: o acabar de vez com hierarquias imutáveis e avessas à adaptabilidade doméstica e à respetiva diversificação de usos é essencial, designadamente, quando se trata da distribuição dos quartos na habitação, como é visível nesta situação em que dois quartos (com acesso, à esquerda, através das estantes) estão ligados diretamente a uma zona se sala-comum e mesmo a uma cozinha/sala de família; mas esta forma de conceção exige uma clara e exigente qualidade arquitetónica – habitação integrada no conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - Arquitetura: Moore, Ruble, Yudell, Bertil Öhrström.

Fig. 02: nova vista da situação acima ilustrada – habitação integrada no conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - Arquitetura: Moore, Ruble, Yudell, Bertil Öhrström.


Ambiente do quarto de dormir

Ernest Neufert (3) aponta vários aspectos mais pormenorizados, mas importantes na concepção das ambiências dos quartos de dormir, que promovam o repouso e o saudável isolamento:
·        A abertura da porta de entrada num quarto não deve produzir incómodos aos seus ocupantes (4) e não deve ser possível ver a porta de entrada, a partir da cama.
·        A disposição das camas encostadas à parede ou constituindo recantos, parecem ser psicologicamente mais reconfortantes.
·        A posição da cama com a cabeceira para Norte é aconselhável, pois permite boas condições matinais (com a janela a nascente),.
·        Camas e armários "de parede" podem conjugar-se formando nichos individuais ou "em beliche", que ajudam a desenvolver recantos privados e personalizados.
·        Num quarto estreito a janela chegada a um lado permite a integração da cama no canto mais próximo da luz natural.

Quartos de crianças e jovens

Quanto a quartos de crianças e jovens Sven Thiberg salienta que o arranjo do mobiliário deve apoiar, quer o convívio de grupos de amigos, em zonas de permanência mais "formais", quer o recreio livre numa zona relativamente ampla e desimpedida. (5)
Dormir em vários sítios da habitação
Finalmente, e tal como apontei no estudo do LNEC que tem sido amplamente citado nesta série editorial (ITA 2), os diversos tipos de "sofás-cama", camas mínimas (ex., divã dobrável) e camas de dobrar e rebater, constituem dispositivos de recurso que permitem, que em casas pequenas, como são a maioria das habitações correntes se garanta a pernoita de familiares e amigos, ou de moradores em condições de recurso (ex., pessoa doente obrigando a um acompanhamento constante ou ao afastamento provisório da pessoa com que compartilha o quarto).
Nesta matéria importa, no entanto, sublinhar que a existência, por si só, destes dispositivos não é condição suficiente para o seu uso frequente e em condições razoáveis, havendo que os situar cuidadosamente em espaços previstos para o efeito, nem excessivamente intrusivos da vida normal doméstica, nem totalmente devassados em relação a esta; uma possibilidade que importa sublinhar como constituindo mais um importante trunfo na capacidade de adaptabilidade e de apropriação que deve ser oferecida pela habitação.

Bons quartos

De certa forma importa garantir, a  todo o custo, que uma habitação tenha "bons quartos", razoavelmente desafogados, versatilmente mobiláveis e não totalmente segregados e "encerrados" numa zona designada por íntima, mas onde, por vezes, acabam por se desenvolver proximidades pouco agradáveis e sublinhadas pela frequente espaciosidade muito reduzida de corredores e átrios interiorizados e pela frequente ausência de adequadas dispositivos que assegurem a continuidade da luz e da ventilação naturais (ex., através de soluções tão simples como bandeiras superiores às portas); e, sendo, assim, podemos, frequentemente, preferir as velhas soluções de corredores " a eixo central ou lateral", desde que razoavelmente mobiláveis, pois garantem forte versatilidade dos quartos e salas que servem - e então se fizermos esses quartos comunicar uns com os outros proporcionamos-lhes uma excelente capacidade de fusão ou separação de usos contíguos e não estamos a inventar nada, apenas a recuperar soluções estabilizadas ao longo de milénios e absurdamente abandonadas, em meados do século XX, quando da invenção da "casa máquina"; mas a casa não é uma máquina. 


Notas:
(1) Christopher Alexander; Sara Ishikawa; Murray Silverstein; et al, "A Pattern Language/Un Lenguaje de Patrones", pp. 758 e 759.
(2) Claude Lamure, "Adaptation du Logement à la Vie Familiale", pp. 189 e 191.
(3) Ernest Neufert, "Arte de Projetar em Arquitetura", pp. 176 a 179.
(4) A zona de circulação, relacionada com a porta do quarto, deve tornar fácil o acesso a todos os pontos do compartimento.
(5)    Sven Thiberg(Ed.), "Housing Research and Design in Sweden", p. 169.



·         Nota importante sobre as imagens que ilustram o artigo:
As imagens que acompanham este artigo e que irão, também, acompanhar outros artigos desta mesma série editorial foram recolhidas pelo autor do artigo na visita que realizou à exposição habitacional "Bo01 City of Tomorrow", que teve lugar em Malmö em 2001.
Aproveita-se para lembrar o grande interesse desta exposição e para registar que a Bo01 foi organizada pelo “organismo de exposições habitacionais sueco” (Svensk Bostadsmässa), que integra o Conselho Nacional de Planeamento e Construção Habitacional (SABO), a Associação Sueca das Companhias Municipais de Habitação, a Associação Sueca das Autoridades Locais e quinze municípios suecos; salienta-se ainda que a Bo01 teve apoio financeiro da Comissão Europeia, designadamente, no que se refere ao desenvolvimento de soluções urbanas sustentáveis no campo da eficácia energética, bem como apoios técnicos por parte do da Administração Nacional Sueca da Energia e do Instituto de Ciência e Tecnologia de Lund.
A Bo01 foi o primeiro desenvolvimento/fase do novo bairro de  Malmö, designado como Västra Hamnen (O Porto Oeste) uma das principais áreas urbanas de desenvolvimento da cidade no futuro.
Mais se refere que, sempre que seja possível, as imagens recolhidas pelo autor do artigo na Bo01 serão referidas aos respetivos projetistas dos edifícios visitados; no entanto, o elevado número de imagens de interiores domésticos então recolhidas dificulta a identificação dos respetivos projetistas de Arquitetura, não havendo informação adequada sobre os respetivos designers de equipamento (mobiliário) e eventuais projetistas de arquitetura de interiores; situação pela qual se apresentam as devidas desculpas aos respetivos projetistas e designers, tendo-se em conta, quer as frequentes ausências de referências - que serão, infelizmente, regra em relação aos referidos designers -, quer os eventuais lapsos ou ausência de referências aos respetivos projetistas de arquitetura.
·        Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.
(iii) Para proporcionar a edição de imagens na Infohabitar, elas são obrigatoriamente depositadas num programa de imagens, sendo usado o Photobucket; onde devido ao grande número de imagens se torna muito difícil registar as respectivas autorias. Desta forma refere-se que, caso haja interesse no uso dessas imagens se consultem os artigos da Infohabitar onde, sistematicamente, as autorias das imagens são devidamente registadas e salientadas. Sublinha-se, portanto, que os vários albuns do Photobucket que são geridos pelo editor da Infohabitar constituem bancos de dados da Infohabitar, sendo essas imagens de diversas autorias, apontadas nos artigos da Infohabitar, pelo que deve haver todo o cuidado no seu uso; havendo dúvidas um contacto com o editor será sempre esclarecedor.

Infohabitar, Ano XII, n.º 582
Artigo XCIX da Série habitar e viver melhor

Inovar no projeto de quartos II - Infohabitar n.º 582

Editor: António Baptista Coelho – abc@ubi.pt, abc@lnec.pt e abc.infohabitar@gmail.com
GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional, Mestrado Integrado em Arquitectura da Universidade da Beira Interior - MIAUBI
Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.



domingo, maio 08, 2016

Inovar no projeto de quartos I - Infohabitar n.º 581


Na imagem: parte da Universidade da Beira Interior (UBI), na Covilhã, que no dia 30 de abril de 2016 comemorou o seu 30.º aniversário
Infohabitar, Ano XII, n.º 581


Inovar no projeto de quartos I - Infohabitar n.º 581

António Baptista Coelho
Artigo XCVIII da Série habitar e viver melhor

Continuando a abordar a temática do projeto arquitetónico dos quartos domésticos, abordamos, esta semana, e concluiremos na próxima, uma pequena reflexão sobre a possível e necessária inovação na conceção dos mesmos.


Dinamizar o uso dos quartos

Considerando as dimensões dos quartos estas não devem impor, de forma geral e sistemática, determinados posicionamentos das camas, sendo muito recomendável que, por regra, seja possível o posicionamento alternativo de camas perpendiculares ou encostadas às paredes, pois, se assim acontecer, a ocupação do quarto ganha grande versatilidade; uma ideia que, no entanto, não deve anular situações de excepção em quartos mais pequenos.


Inovar na conhecida tipologia dos “quartos de dormir”

Ainda nesta perspectiva sobressai a possibilidade de os quartos deixarem de ser estruturados por uma espécie de burocracia que os distribui com maiores e de casal ou individuais e relativamente exíguos, quando utilizados por mais de uma pessoa. Uma tal possibilidade, baseada numa regularidade de dimensões que garante adaptabilidade a diversas utilizações, pode esbater, também, as fronteiras entre quartos e salas, proporcionando que a habitação seja vivida de formas muito distintas pelas diversas famílias e pessoas. Neste sentido e no limite, apenas as sub-zonas com instalações associadas a águas e esgotos teriam uma localização e um tratamento específicos, em termos de acabamentos e de localização relativa. 
Um aspecto estruturante na concepção dos quartos é que estes não tenham a sua ocupação praticamente esgotada pela ocupação da cama, condição que, naturalmente, tem uma importante condicionante espacial, em termos quantitativos, mas que ultrapassa claramente esta matéria, pois a questão dimensional e a disponibilização de dimensões mais adaptativas, por um lado, e a questão de gradabilidade, por adequação ao conforto ambiental, em termos de vãos exteriores bem dispostos, assumem uma importância determinante nesta matéria.


Quartos ambientalmente atraentes

É muito importante que os espaços domésticos dos quartos sejam extremamente cuidados, no sentido de serem muito atraentes em termos ambientais – térmica, ventilação, acústica, luz natural – e mesmo “ambienciais”, no que se refere a uma estimulante privacidade, a uma caracterização de um identidade específica daquele espaço – marcada por aspectos básicos “construtivos” e pela adaptabilidade na aceitação de elementos de mobiliário – e em agradáveis e/ou curiosas relações visuais com o exterior.


Um verdadeiro “segundo” nível de habitabilidade doméstica

Será, assim, possível desenvolver no espaço dos quartos de uma dada habitação um verdadeiro “segundo” nível de habitabilidade doméstica, mais íntimo e privado, que por si só será muito estimulante e que em aliança com o nível mais social da habitação resultará num efeito conjunto muito estimulante e rico, de certa forma como se fosse um mundo familiar e pessoal constituído por diversas camadas de vivência e não um pobre refúgio ambientalmente unificado embora repartido em diversos subespaços rígida e, tantas vezes, absurdamente hierarquizados.

Fig. 01: com o devido cuidado arquitetónico e razoável espaciosidade é possível e desejável desenvolver no espaço dos quartos de uma dada habitação um verdadeiro “segundo” nível de habitabilidade doméstica, mais íntimo e privado; espaço aos "pés da cama" de quarto de dormir  – habitação integrada no conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - Arquitetura: Bengt Hidemark.


Fig. 02: o mesmo quarto visto a partir do terraço – habitação integrada no conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - Arquitetura: Bengt Hidemark.


Quartos bem integrados na habitação

Os quartos devem poder ser encerrados, mas não estando degredados/segregados da restante vida doméstica e devem possuir ambientes calmos e isolados dos ruídos da rua e interiores.
Quartos muito funcionais
Os quartos devem permitir grande funcionalidade nas actividades, diárias, de "fazer e abrir" as camas e de limpeza e arejamento matinal, mas não devem fazer transparecer estes aspectos, de forma a que se caracterizem por um sentido de envolvência, domesticidade e identidade.


Quartos desafogados – “pequenos reinos da apropriação e da individualidade”

O desafogo e a multifuncionalidade dos quartos proporciona-lhes excelente capacidade para funcionarem como espaços de apropriação pessoal e de identificação do habitante com o “seu” quarto e, indiretamente, com a sua habitação.
Os quartos devem ter configurações globalmente desafogadas, proporcionando a definição de recantos e sub-zonas funcionais e ambientais, mas sempre com excelente capacidade de integração de mobiliário e equipamentos (recanto da cama, zona de entrada, zona de vestir, "canto" de estar e leitura, zona de trabalho, etc.); e há múltiplas e preciosas indicações de diversos autores sobre estas matérias; indicações estas que iremos abordar no artigo da Infohabitar a editar na próxima semana.

·         Nota importante sobre as imagens que ilustram o artigo:
As imagens que acompanham este artigo e que irão, também, acompanhar outros artigos desta mesma série editorial foram recolhidas pelo autor do artigo na visita que realizou à exposição habitacional "Bo01 City of Tomorrow", que teve lugar em Malmö em 2001.
Aproveita-se para lembrar o grande interesse desta exposição e para registar que a Bo01 foi organizada pelo “organismo de exposições habitacionais sueco” (Svensk Bostadsmässa), que integra o Conselho Nacional de Planeamento e Construção Habitacional (SABO), a Associação Sueca das Companhias Municipais de Habitação, a Associação Sueca das Autoridades Locais e quinze municípios suecos; salienta-se ainda que a Bo01 teve apoio financeiro da Comissão Europeia, designadamente, no que se refere ao desenvolvimento de soluções urbanas sustentáveis no campo da eficácia energética, bem como apoios técnicos por parte do da Administração Nacional Sueca da Energia e do Instituto de Ciência e Tecnologia de Lund.
A Bo01 foi o primeiro desenvolvimento/fase do novo bairro de  Malmö, designado como Västra Hamnen (O Porto Oeste) uma das principais áreas urbanas de desenvolvimento da cidade no futuro.
Mais se refere que, sempre que seja possível, as imagens recolhidas pelo autor do artigo na Bo01 serão referidas aos respetivos projetistas dos edifícios visitados; no entanto, o elevado número de imagens de interiores domésticos então recolhidas dificulta a identificação dos respetivos projetistas de Arquitetura, não havendo informação adequada sobre os respetivos designers de equipamento (mobiliário) e eventuais projetistas de arquitetura de interiores; situação pela qual se apresentam as devidas desculpas aos respetivos projetistas e designers, tendo-se em conta, quer as frequentes ausências de referências - que serão, infelizmente, regra em relação aos referidos designers -, quer os eventuais lapsos ou ausência de referências aos respetivos projetistas de arquitetura.
·        Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.
(iii) Para proporcionar a edição de imagens na Infohabitar, elas são obrigatoriamente depositadas num programa de imagens, sendo usado o Photobucket; onde devido ao grande número de imagens se torna muito difícil registar as respectivas autorias. Desta forma refere-se que, caso haja interesse no uso dessas imagens se consultem os artigos da Infohabitar onde, sistematicamente, as autorias das imagens são devidamente registadas e salientadas. Sublinha-se, portanto, que os vários albuns do Photobucket que são geridos pelo editor da Infohabitar constituem bancos de dados da Infohabitar, sendo essas imagens de diversas autorias, apontadas nos artigos da Infohabitar, pelo que deve haver todo o cuidado no seu uso; havendo dúvidas um contacto com o editor será sempre esclarecedor.

Infohabitar, Ano XII, n.º 581
Artigo XCVIII da Série habitar e viver melhor

Inovar no projeto de quartos I - Infohabitar n.º 581

Editor: António Baptista Coelho – abc@ubi.pt, abc@lnec.pt e abc.infohabitar@gmail.com
GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional, Mestrado Integrado em Arquitectura da Universidade da Beira Interior - MIAUBI
Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.