terça-feira, abril 30, 2019

Relação geral entre construção/acabamento e qualidade arquitectónica interior - Infohabitar 684

Infohabitar, Ano XV, n.º 684                      

Relação geral entre construção/acabamento e qualidade arquitectónica interior – Infohabitar 684

Artigo da Série “Habitar e Viver Melhor”
por António Baptista Coelho (texto e imagem)



Algumas notas gerais sobre a relação entre elementos de construção e de acabamento e a qualidade de uso e arquitectónica do interior doméstico.

Em seguida, serão brevemente abordados alguns aspectos particularizados e pormenorizados de relação entre a satisfação habitacional e o desenvolvimento de determinadas soluções gerais de construção e de acabamento dos espaços domésticos, considerando-se, essencialmente, as matérias ligadas à apropriação desses espaços. 

Paredes/compartimentações adequadas e inovadoras

De forma ampla há que ter em conta a resistência ao uso das paredes, mantendo-se em boas condições de aspecto, ainda que em condições de uso intenso; uma situação que pode assumir importância especial, por exemplo, quando se trate de acções de (re)alojamento de habitantes pouco habituados a um alojamento estabilizado e marcado por regras de convivência e de privacidade, que “equilibram” a frequente exiguidade espacial que caracteriza essas soluções habitacionais; neste tipo de situações pede-se, provavelmente, às paredes uma afirmada capacidade de resistência a variadas acções de apropriação, caso contrário o resultado poderá revelar-se criticamente caótico (ex., paredes/tabiques demolidos e espaços recriados sem adequadas condições de privacidade e/ou funcionalidade).
Numa outra perspectiva, associada a novas/inovadoras formas de habitar, a consideração de uma fundamental adaptabilidade aos mais diversos modos de vida e de apropriação doméstica e de uma perspectiva de abertura a variadas estruturações domésticas, pode levar-nos, mesmo, a colocar em questão a adequabilidade da repartição por paredes de alvenaria; solução esta que pode ser, assim, questionada, sendo, por exemplo, nesta abertura a novas formas de habitar:
- uma opção a oferta de uma compartimentação por esse tipo de paredes, que seja muito neutral e apropriável por variadas formas de habitar e de uso doméstico;
- e uma outra opção, bem distinta, a planta "quase livre" e compartimentável por tabiques flexivelmente dispostos; opção esta que terá de levar em conta a caracterização sociocultural de cada família e, paralelamente, o diálogo julgado possível, entre família e projectista – uma opção em que sendo difícil esse diálogo não parece ser recomendável a opção mais "livre", pois facilmente resultaria num caos doméstico até, eventualmente, negativo em termos higiénicos e de respeito das privacidades/apropriações individuais.
Uma outra matéria que é crucial nestas reflexões e um aspecto que é muito importante, mas muito frequentemente menorizado ou mesmo esquecido, na concepção doméstica tem a ver com o papel de bloqueio, encaminhamento, enquadramento e filtragem, que as paredes asseguram relativamente à luz natural.
E, nesta matéria, bastará lembrar a possibilidade de se desenvolverem paredes relativamente transparentes à luz natural, seja em toda a sua altura, seja através de amplas bandeiras na parte superior ou até inferior das paredes, seja por soluções de paredes que não cheguem ao tecto e que podem ser também usadas como bases para variados elementos de decoração; salientando-se, desde já, a grande importância que tem, sempre, esta relativa transparência de luz natural e de algumas vistas no interior da habitação – condição esta que pode, até, ser estratégica em condições de relativa falta de espaciosidade doméstica, proporcionando-se uma espaciosidade aparente mais “folgada” e marcada pela luz natural e seus reflexos.
Um outro aspecto a considerar é a possibilidade de boa parte das funções de paredes interiores poder ser assegurada por afirmadas continuidades de roupeiros embutidos, cujos conteúdos (de arrumação) poderão assegurar boa parte das desejadas condições de isolamento acústico entre compartimentos, ganhando-se, no “cômputo global” do dimensionamento  alguns centímetros de espessuras, que podem ser preciosos, designadamente, quando estejamos em presença de áreas mínimas.
Considerando, agora, um outro aspecto de pormenor, Claire e Michel Duplay apontam que a tradicional espessura das paredes pode ser simulada com vantajosos e duplos efeitos: a criação de um ambiente "de abrigo", profundamente doméstico, e o desenvolvimento de melhorias funcionais, que podem, até, ter reflexos numa ocupação acrescida dos compartimentos (1); no entanto as configurações deste tipo reduzem a capacidade dos compartimentos em alternativas de ocupação, pelo que deverão ser judiciosamente aplicadas.
Concluindo esta subtemática faz-se, apenas uma nota para a crucial importância de algumas das matérias que aqui acabaram de ser apenas afloradas, de modo extremamente genérico e exemplificativo, e que constituem, de pleno direito, bases fundamentais da grande matéria da Arquitectura de interiores; uma nota que, afinal, se aplica também aos subtemas que serão, em seguida, apontados.

Fig. 01: um quarto/escritório cujo tecto se "prolonga" pelas paredes e vice-versa; cujas paredes são estantes; e cujo pavimento se harmoniza com o ambiente geral.

Tabiques e mobiliário fixo/embutido

Já aqui se abordou a “redução” ou o aproveitamento que poderemos realizar, transformado “blocos” de parede em “blocos” de arrumação e/ou de absorção de equipamentos e instalações (ex., pequenas bancadas de cozinha).
É, no entanto, importante considerar aqui tal solução como opção mais global e básica, associada a uma forma de construção/acabamento muito mais “seca” e assimilável à marcenaria; e uma opção que podemos visualizar em imagens de operários “razoavelmente uniformizados” e bem protegidos conta acidentes, equipados com cinturões de ferramentas, a montarem divisórias, portas, variados tipo de mobiliário fixo e de instalações, em espaços amplos cuja compartimentação envolvente e de alvenaria delimita essencialmente os contornos de cada habitação.
Esta é uma opção de construção/acabamento ainda rara entre nós, mas que poderá vir a ser desenvolvida, designadamente, para grupos socioculturais que aceitem determinadas condições de apropriação activa das habitações (com opções de flexibilização e de adaptabilidade conversão e com limites rígidos a tais intervenções); e que poderá, no limite e por regra, possibilitar uma habitação “por medida” a cada família, mesmo em edifício multifamiliar.
E trata-se, afinal, de uma opção em que ficam diluídos os limites entre construção, acabamento e introdução de parte do mobiliário e dos equipamentos.

Pavimentos

É sempre muito importante ter em conta a que a posição de observação que nos é mais comum nos leva a uma contínua e natural atenção relativamente aos pavimentos que usamos e onde realizamos as nossas actividades; e se juntarmos a esta constatação a condição, provada, de, em casa, estarmos sempre mais disponíveis para o vagar e a observação, então ficaremos com uma noção aproximada da importância que têm os pavimentos na satisfação que podemos sentir relativamente aos nossos espaços domésticos.
Segundo Alexander, os pavimentos devem ser confortáveis e brandos no uso, quentes ao tacto e acolhedores, mas bastantes duros para resistirem ao desgaste (2); destacando-se, como refere aquele autor, a importância das cores e texturas naturais, tanto das superfícies de madeira, brandas, duráveis, por vezes com veios ocres e amarelados e envelhecendo bem, como das superfícies de tijoleira "regional", rosadas e ocres (quentes e naturais/ligadas à terra), nomeadamente, quando integrem "marcas de fogo", alaranjadas ou amareladas. (3)
Ainda nesta matéria aponta-se a fundamental durabilidade dos pavimentos, uma exigência que tem de ser aliada, quer à disponibilização de superfícies brandas no uso, quer às referidas condições de interessante envelhecimento (tons de cor gradualmente evoluindo e um desgaste atraente que não comprometa os respectivos aspectos de funcionalidade).
Ainda nesta matéria da pavimentação doméstica há que referir a importância que tem o conforto disponibilizado nas zonas de quartos e a segurança contra escorregamento nas zonas que possam estar molhadas de cozinhas e casas de banho.
Finalmente uma referência específica à importância que tem a adequada previsão de condições de durabilidade e facilidade de manutenção dos pavimentos domésticos de habitações de realojamento ocupadas por pessoas pouco habituadas à vivência numa casa permanente, com equipamentos específicos e em condomínio.
E tal como em muitos outros subtemas estes longe nos levariam...

Tectos

Este pequeníssimo comentário sobre os tectos também o é sobre o pé-direito – a altura livre entre piso e tecto – e destina-se, essencialmente, a chamar a atenção para o seu necessário/adequado acabamento: um remate da parede antes de encontrar o tecto (ex., em redondo, ou num pequeno volume saliente, ou num pequeno elemento reentrante) – será remate da parede ou do tecto? Tanto faz julga-se, importa é rematar e neste remate ter em conta, naturalmente, a escala geral do compartimento e a dimensão do pé-direito geral.
Tais remates definem espaços e, frequentemente, acabamentos e tons de cor; atribuem aos espaços uma delimitação aparente mais expressiva e apaziguadora, e, evidentemente, em outros tempos foram motivo de introdução de muitos motivos de artes decorativas (ex., em sancas com variadas configurações); motivos estes que, frequentemente, eram desenvolvidos nos tectos e depois desciam e/ou rematavam nas paredes envolventes.
Tal como acima se apontou um aspecto sobre o qual será urgente reflectir é o da dimensão do pé-direito mínimo regulamentar – a altura livre entre piso e tecto –, considerando-se, designadamente: a importância que esta dimensão tem na cubicagem do volume de ar interior; a relação entre esta dimensão e as dimensões mais correntes das janelas exteriores, considerando-se, nestas essenciais dispositivos de ventilação; e mesmo a relação entre esta dimensão e a possibilidade de se desenvolverem bandeiras de iluminação e ventilação sobre as portas interiores. E sublinha-se a importância destes aspectos de ventilação em ambientes domésticos interiores cada vez menos permeáveis ao ar exterior (ex., caixilhos herméticos).

Notas:
(1) Claire e Michel Duplay, "Methode Ilustrée de Création Architecturale", p. 135.
(2) Christopher Alexander; Sara Ishikawa; Murray Silverstein; et al, "A Pattern Language/Un Lenguaje de Patrones", pp. 947 a 949.
(3) Christopher Alexander; Sara Ishikawa; Murray Silverstein; et al, "A Pattern Language/Un Lenguaje de Patrones", pp. 993 a 995.

Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XV, n.º 684

Relação geral entre construção/acabamento e qualidade arquitectónica interior – Infohabitar 684


Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho
Arquitecto/ESBAL, doutor em Arquitectura/FAUP – Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, Investigador Principal com Habilitação em Arquitectura e Urbanismo/LNEC – Laboratório Nacional de Engenharia Civil



Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional Infohabitar – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).

Apoio à Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.

segunda-feira, abril 22, 2019

Paisagens próximas II – Infohabitar 683

Infohabitar, Ano XV, n.º 683                      
Paisagens próximas II – Infohabitar 683
Artigo da nova Série Editorial: “Imagens que querem ser desenhos”

por António Baptista Coelho (texto inicial, imagens e legendas)

Esta semana continua-se, na Infohabitar, uma nova série editorial dedicada à publicação, apenas, por vezes, minimamente comentada (em legendas) de imagens fotográficas diversas, em princípio, submetidas, embora apenas muito globalmente, à temática apontada no título do artigo.

O título geral desta nova série editorial da Infohabitar, designada “Imagens que querem ser desenhos”, corresponde a enquadramentos, mais em profundidade ou mais “planificados”, cuja razão de ser e justificação de terem sido pensados e “recolhidos”, acaba por se ligar muito a uma razão idêntica à que motiva o esboço rápido, embora sendo, neste caso, a própria natureza e/ou o acaso, e/ou a luz, e/ou a névoa, e/ou determinadas obras e construções especificamente situadas em determinados espaços/cenários, os verdadeiros responsáveis pela respectiva concepção, sendo o fotógrafo talvez, apenas, alguém que ao passar sentiu o interesse, tantas vezes pouco explicável, daquela vista.

Procurou-se, ainda, referir, globalmente, os locais onde se fotografou; quanto às especificações fotográficas apenas se refere que se usou, por regra, o programa automático de uma câmara de um smartphone de gama média.




Fig. 01: o jardim/mata de Trancoso no final do Outono.




Fig. 02: o jardim/mata de Trancoso no final do Outono.




Fig. 03: a zona central naturalizada/ajardinada de Olivais Norte/Encarnação, em Lisboa, de manhã, no final do Outono.



 

Fig. 04: a mata/jardim do Bussaco no início da Primavera; no Vale dos Fetos.


 

Fig. 05: a mata/jardim do Bussaco no início da Primavera.



 

Fig. 06: novamente o Bussaco; os caminhos na “floresta”.




Fig. 07: e ainda o Bussaco; os caminhos que acabam por se embrenhar e desaparecer na “floresta”.



Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XV, n.º 683
Paisagens próximas II – Infohabitar 683

Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho
Arquitecto/ESBAL, doutor em Arquitectura/FAUP – Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, Investigador Principal com Habilitação em Arquitectura e Urbanismo/LNEC – Laboratório Nacional de Engenharia Civil



Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional Infohabitar – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).

Apoio à Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.

terça-feira, abril 16, 2019

Desejos de Boa Páscoa, da Infohabitar

Infohabitar, Ano XV, sem numeração       


Deseja-se aos leitores uma Páscoa com muita saúde e alegria, entre família e amigos.

Tal como foi referido, na semana passada, a edição da Infohabitar faz uma pequena pausa, retomando-se as edições na próxima semana.

Saudações calorosas a todos.

A Edição da Infohabitar






Fig. esquisso do Palácio Nacional de Sintra, também conhecido como Palácio da Vila,  em Sintra.


Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XV


Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho
Arquitecto/ESBAL, doutor em Arquitectura/FAUP – Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, Investigador Principal com Habilitação em Arquitectura e Urbanismo/LNEC – Laboratório Nacional de Engenharia Civil



Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional Infohabitar – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).

Apoio à Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.

terça-feira, abril 09, 2019

Paisagens próximas I – Infohabitar 682

Infohabitar, Ano XV, n.º 682                      
Paisagens próximas I – Infohabitar 682
Artigo da nova Série Editorial: “Imagens que querem ser desenhos”

por António Baptista Coelho (texto inicial, imagens e legendas)

Esta semana inicia-se aqui na Infohabitar uma nova série editorial dedicada à publicação, apenas, por vezes, minimamente comentada (em legendas) de imagens fotográficas diversas, em princípio, submetidas, embora apenas muito globalmente, à temática apontada no título do artigo.

O título geral desta nova série editorial da Infohabitar, designada “Imagens que querem ser desenhos”, corresponde a enquadramentos, mais em profundidade ou mais “planificados”, cuja razão de ser e justificação de terem sido pensados e “recolhidos”, acaba por se ligar muito a uma razão idêntica à que motiva o esboço rápido, embora sendo, neste caso, a própria natureza e/ou o acaso, e/ou a luz, e/ou a névoa, e/ou determinadas obras e construções especificamente situadas em determinados espaços/cenários, os verdadeiros responsáveis pela respectiva concepção, sendo o fotógrafo talvez, apenas, alguém que ao passar sentiu o interesse, tantas vezes pouco explicável, daquela vista.

Procurou-se, ainda, referir, globalmente, os locais onde se fotografou; quanto às especificações fotográficas apenas se refere que se usou, por regra, o programa automático de uma câmara de um smartphone de gama média.



Fig. 01: o Parque/mata de Trancoso no final do Outono – a procura da profundidade e de misturas cromáticas variadas mas bastante uniformes; o sentido de uma cena que aguarda ...



Fig. 02: o espaço natural/ajardinado na zona central de Olivais Norte/Encarnação, em Lisboa, de madrugada no final do Outono – o protagonismo do nevoeiro rasteiro, entre as árvores, um estimulante sentido de mistério e de meio natural bem no coração da cidade (mais virtudes da cidade modernista).




Fig. 03: o mesmo espaço natural/ajardinado na zona central de Olivais Norte/Encarnação, em Lisboa, cedo, numa manhã de Inverno – o protagonismo do Sol marcando árvores e edifícios.




Fig. 04: a mata/jardim do Bussaco no início da Primavera – harmonia entre elementos construídos e naturais na luz quente do final da tarde e a majestade calma dos tons e “volumes” verdes.




Fig. 05: a mata/jardim do Bussaco no início da Primavera, praticamente no mesmo local da imagem anterior – e aqui a referida harmonia entre elementos construídos e naturais é reforçada.




Fig. 06: e ainda o Bussaco, na zona da cascata/escadaria – expressando-se e reforçando-se o referido diálogo entre elementos construídos e naturais, mas muito elaborados; e a água em primeiro plano e as árvores em fundo.

   

Nota especial do editor:
Semana que vem, semana da Páscoa, a edição da Infohabitar faz uma pequena pausa, retomando-se as edições na semana seguinte.


Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XV, n.º 682
Paisagens próximas I – Infohabitar 682

Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho
Arquitecto/ESBAL, doutor em Arquitectura/FAUP – Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, Investigador Principal com Habilitação em Arquitectura e Urbanismo/LNEC – Laboratório Nacional de Engenharia Civil



Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional Infohabitar – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).
Apoio à Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.

terça-feira, abril 02, 2019

Tipologias da arrumação doméstica – Infohabitar 681

Infohabitar, Ano XV, n.º 681                      
Tipologias da arrumação doméstica – Infohabitar 681
Artigo da Série “Habitar e Viver Melhor”
por António Baptista Coelho (texto e imagem)


Sobre as tipologias da arrumação doméstica

No que se refere às escolhas básicas a considerar em termos de tipologias de arrumações domésticas, podemos ter duas soluções distintas, uma mais urbana e outra mais rural: (i) a arrumação em "roupeiros de cozinha", que permite grande acessibilidade a todos os géneros e produtos guardados, uma fácil monitorização do seu estado de conservação e de eventuais faltas, assim como uma forte capacidade de arrumação num espaço relativamente reduzido, mas que tem de ser formalmente regular; (ii) e no caso de predominância de um modo de vida mais rural, há a necessidade de apoiar capacidades de arrumação culinária centradas em despensas amplamente dimensionadas, e que podem ser integradas em espaços mal orientados, e até com configurações irregulares e acabamentos sumários, cuja capacidade de arrumação será tanto maior, quanto mais elevado for o grau de auto-suficiência da habitação.

Em tudo isto há que dar a devida atenção à grande quantidade de produtos comestíveis que, cada vez mais, são adquiridos, de uma vez só, em grandes acções de abastecimento, que exigem elevada capacidade de arrumação doméstica.

Aponta-se, em seguida, uma síntese tipológica de arrumações domésticas desenvolvida por Sven Thiberg (1) : armário vestibular multifuncional no “hall” de entrada do fogo; arrumação geral, numa posição central e funcionalmente neutra; roupeiros nos quartos ou em pequenas circulações comuns equipadas com grandes roupeiros e configurando zonas íntimas; armário de lavandaria, com diversos espaços específicos para diversos usos; armário para produtos alimentares, com diversos espaços específicos para diversos usos - equipamento alternativo à tradicional despensa de cozinha e que pode ter uma utilidade ampla, podendo até servir também como copa.


Fig. 01: é sempre possível e desejável inovar na definição de usos domésticos, incluindo as respectiva tipologias de arrumação - na imagem o que poderemos designar como "corredor/sala", incluindo recantos de estar e múltiplas soluções para arrumação de livros.  

A arrumação na cozinha, talvez o "nó górdio" da arrumação doméstica

A elevada pressão funcional que se exerce na cozinha não deve obrigar a que este espaço tenha, obrigatoriamente, um carácter de espaço de "arrumação" ou de "montra" de máquinas electrodomésticas ou de exercício de actividades quase laboratoriais. Se estas forem as opções dos habitantes, naturalmente, tudo bem, mas a cozinha pode ser um compartimento muito caloroso e amigável, onde as máquinas se integrem sem se dar por elas, e onde se desenvolve a apropriação doméstica através de diversos tipos de acabamentos.

Refere-se, ainda, que alguns electrodomésticos poderão emigrar para outros espaços de serviço próximos – por exemplo, no caso de uma pequena lavandaria doméstica – ou serem concentrados num pequeno espaço próprio, acusticamente isolado, que liberta a cozinha para a sua função culinária e convivial.

A  arrumação em armários fixos de cozinha é “regra” em todas as habitações, mas as condições de capacidade, diversidade e funcionalidade da respectiva arrumação, com destaque para a ergonomia e segurança no seu uso, podem ser e são habitualmente muito distintas, exigindo, portanto, um adequado projecto bem pormenorizado e que tenha, também, em conta a respectiva “imagem” criada: mais funcional/racional; mais “doméstica”/”quente”; mais integrável com mobiliário móvel, etc.

A despensa de cozinha, a “velha” despensa de cozinha, que estava e pode continuar a estar associada, geralmente, à arrumação de comestíveis diversos e exigindo preparação elaborada, pode ser, eventualmente, substituída por um despenseiro integrado no mobiliário fixo da cozinha e com uma eficaz estruturação dos diversos espaços de arrumação disponíveis – despenseiro este que, se diga, praticamente nunca existe. Salienta-se, ainda, a excelente adequação de uma pequena despensa, fresca e sem luz natural, para a existência de uma garrafeira.

A arrumação, dita, geral

A arrumação, dita, geral parece estar, desde há bastante tempo, esquecida, pois na realidade ocupa espaços, teoricamente, “melhor” utilizados directamente como espaço habitável.

No entanto uma “despensa geral”, adequadamente dimensionada e funcionalizada pode ser um trunfo na arrumação doméstica, libertando espaço para outras funções e/ou sendo utilizada para as mais diversas funções (ex., arrumação: estruturada de livros menos usados, do vestuário de Inverso ou de Verão, de ferramentas diversas, de brinquedos fora de uso, etc.).

As funções de arrumação geral podem, naturalmente, também serem cumpridas em armários embutidos e com diversas partes e elementos disponibilizados para arrumações específicas, devendo cumprir-se, aqui, globalmente, o tipo de exigências assinaladas para os roupeiros dos quartos, mas talvez com redução da importância da arrumação específica de roupas de vestir.

A arrumação nos quartos: reflexões complementares

Já se abordou, nesta série editorial, a matéria da arrumação nos quartos e a ideia aqui é apenas sublinhar que a sua disponiblização deve tender para o desenvolvimento de verdadeiros quartos de vestir e de apoio a diversas tipologias de arrumação pessoal, sempre que haja disponibilidade para tal, pois assim se liberta a zona de dormir e de outras actividades pessoais de lazer e trabalho de um teor funcional específico, pois não tenhamos dúvidas que a melhor arrumação é aquela mais ergonómica e mais pormenorizada no apoio às inúmeras necessidades de arrumação - por exemplo, desde as camisas, aos casacos longos e desde os sapatos às malas e sacos variados.

O quarto de hotel é a prova da adequação do que acabou de ser apontado e nele temos, quase sempre, a zona de vestir "destacada" da zona principal onde se integra a cama ou camas; naturalmente que este exemplo deverá crescer, funcional e dimensionalmente,  num programa doméstico.

Quando há condicionantes económicas uma possibilidade é disponibilizar uma ampla e complementar capacidade de arrumação num espaço neutral e comum a todos os habitantes do respectivo fogo, por exemplo, num corredor.

Em termos de aproveitamento espacial os roupeiros são excelentes desde que ocupando o máximo da altura disponível e estando organizados em diversas valências de arrumação, sendo, assim necessariamente caracterizados por adequadas condições de capacidade, diversidade e funcionalidade da respectiva arrumação, com destaque para a ergonomia e segurança no seu uso, exigindo, portanto, um adequado projecto bem pormenorizado e que tenha, também, em conta a respectiva “imagem” criada, sendo, provavelmente, desejável uma imagem “neutral”, talvez com acabamentos naturais ou idênticos aos da paredes contíguas. Quando esse tipo de cuidados de adequada estruturação pormenorizada da arrumação não existem, os roupeiros podem vir a tornar-se em sítios de potencial "arrumação" caótica, que, a prazo, se torna mais num problema do que numa vantagem.

Notas:
(1) Sven Thiberg(Ed.), "Housing Research and Design in Sweden", p. 186.


Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XV, n.º 681
Tipologias da arrumação doméstica – Infohabitar 681

Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho
Arquitecto/ESBAL, doutor em Arquitectura/FAUP – Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, Investigador Principal com Habilitação em Arquitectura e Urbanismo/LNEC – Laboratório Nacional de Engenharia Civil



Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional Infohabitar – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).

Apoio à Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.