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terça-feira, julho 13, 2021

Uma introdução geral aos espaços domésticos comuns – Infohabitar # 783

 Ligação direta (clicar) para:  760 Artigos Interactivos, edição revista, ilustrada e comentada em janeiro de 2021- 38 temas e mais de 100 autores 

 

Uma introdução geral aos espaços domésticos comuns – Infohabitar # 783

Infohabitar, Ano XVII, n.º 783 

Edição: terça-feira, 13 de julho de 2021

Artigo integrado na série editorial da Infohabitar “Habitar e viver melhor” 

 

Caros leitores da nossa Infohabitar,

Continuamos a série editorial da Infohabitar especificamente dedicada a uma viagem sistemática pelos diversos espaços do habitar, que iniciámos na vizinhança, avançando, depois para os edifícios e seus espaços comuns (disponível no catálogo interativo da Infohabitar, no seu tema 6 intitulado “Série habitar e viver melhor”) e “terminando” numa reflexão sobre os diversos tipos de organizações, opções e espaços domésticos; reflexão esta que aqui está a ser, e será proximamente, desenvolvida ainda durante mais algumas semanas editoriais aqui na nossa revista.

Lembra-se, novamente, que serão sempre muito bem-vindas eventuais ideias comentadas sobre os artigos aqui editados e propostas de novos artigos (a enviar para abc.infohabitar@gmail.com , ao meu cuidado).

Considerando a mais recente evolução da pandemia, sublinha-se, uma vez mais, a grande importância de não perdermos, agora, uma parte significativa do que ganhámos, dando-se agora tempo e cuidado até estarmos todos, em boa parte, imunizados e mesmo assim, como está a ficar evidente, continuarmos com um máximo de cuidados de proteção; há que cumprir com rigor os protocolos de vacina (n.º de doses e períodos temporais posteriores às mesmas) e continuar, mesmo assim, com os cuidados de proteção próprios e dos outros, até mais esta presente vaga estar vencida.

Despeço-me, até à próxima semana, enviando saudações calorosas e desejos de força e de muito boa saúde para todos os caros leitores e seus familiares,    

 

Lisboa/Encarnação e Azambuja/Casais de Baixo, em 12 de julho de 2021

António Baptista Coelho

Editor da Infohabitar


Uma introdução geral aos espaços domésticos comuns – Infohabitar # 783

António Baptista Coelho

(texto e imagem)


Resumo

Neste artigo, dedicado à temática geral e introdutória aos espaços comuns domésticos abordam-se, primeiro os espaços domésticos comuns na habitação e, depois, os espaços domésticos comuns fora da habitação.

Relativamente aos espaços domésticos comuns na habitação são abordados, sequencialmente, os seguintes tipos de espaços: vestíbulo de entrada; lavabo; corredor e zonas de passagem; sala ou zona de estar; cozinha; zona de refeições ou sala de jantar; casa(s) de banho; varanda e outras zonas exteriores privadas elevadas como pátios e pequenos quintais; áreas de serviço para arrumações; outros espaços de serviço doméstico; outros espaços domésticos comuns que integram a habitação

Relativamente aos espaços domésticos comuns fora da habitação são abordados, sequencialmente, os seguintes tipos de espaços: (virtualidades domésticas do) estacionamento em garagem; espaços de arrumação; e outros espaços domésticos fora da habitação.

Remata-se o artigo com algumas notas complementares e estrategicamente discutíveis sobre os espaços comuns domésticos.


1. Uma pequena introdução aos espaços comuns domésticos

Continuando esta Série editorial sobre "habitar e viver melhor", na qual temos acompanhado uma sequência espacial desde a vizinhança de proximidade urbana e habitacional até ao edifício multifamiliar, e neste os seus espaços comuns, vamos, agora, falar com algum detalhe sobre s espaços que constituem os nossos “pequenos” mundos domésticos e privativos, refletindo sobre as diversas facetas que os qualificam.

Primeiro viajaremos pelos espaços domésticos comuns, isto é aqueles que são usados por todos os habitantes de uma dada casa ou apartamento numa base geral de uso partilhado e de alguma comunidade, espaços estes que constituirão também, sempre, espaços de oferta a quem chega e que não seja morador, mas sem perder um sentido de intimidade, antes pelo contrário, valorizando-o numa forte relação com a marcação da identidade dos espaços que são nossos.

E é, desde já, importante considerar o interesse que tem e terá o visar dos espaços comuns domésticos sob perspectivas substancialmente distintas das habituais, rigidamente funcionalistas e hierarquizadas.

Depois iremos até aos espaços domésticos privativos, portanto aqueles mais amigos de um uso individual, ou muito ligado ao casal, e onde, também não há que excluir os outros, mas sim acolhê-los marcando, aqui, ainda mais fortemente, aspectos de identidade e de abrigo.

Aponta-se, ainda, que tal como tem vindo a ser feito nesta viagem pelos espaços de um habitar mais "amigo" e mais associado a um dia-a-dia verdadeiramente mais agradável e motivador, não iremos aqui cansar o leitor com listagens funcionais e dimensionais, que são afinal matéria-base dos técnicos que desenham o habitar, e matéria que já foi suficientemente tratada por muitos autores ao longo de mais de cinquenta anos; interessa-nos “o resto”, o “grande resto”, aquilo que faz as casas serem espaços únicos, espaços estimulantes, espaços curiosos, espaços fortemente apropriáveis, a tal “casca de caracol, mas aberta ao mundo”, nas palavras de Amália Rodrigues (quando de uma sua entrevista).

E sobre esta matéria e sobre esta perspectiva específica e a privilegiar de compartimentos, espaços e subespaços domésticos organizados e concebidos tendo por base muito mais do que os respetivos meros critérios espacio-funcionais aplicáveis, muito haverá a pensar e a apontar.

São os seguintes os tipos mais habituais de espaços domésticos comuns que, em seguida, neste artigo, apenas se sintetizam nos seus aspetos caraterizadores e geradores de novas ideias, e que, em próximos artigos desta série, iremos pormenorizar caso a caso, mas sempre nesta perspectiva (de adequada e diversificada caracterização e de fundamentada inovação):

-    Espaços domésticos comuns que integram a habitação: vestíbulo de entrada; lavabo; corredor e zonas de passagem; sala ou zona de estar; cozinha e zonas diretamente relacionadas; áreas de serviço para arrumações; zona de refeições ou sala de jantar; casa de banho; varanda e outras zonas exteriores privadas elevadas como pátios e pequenos quintais; outros espaços domésticos comuns que integram a habitação

-    Espaços domésticos comuns fora da habitação: espaços em garagem; espaços de arrumação; outros espaços domésticos fora da habitação.

2. Espaços domésticos comuns na habitação

São os espaços domésticos comuns que se encontram da porta da habitação para dentro e que, na prática, constituem o que podermos chamar o “esqueleto” estrutural e de maior vivência da mesma habitação.

2.1.Vestíbulo de entrada

A definição de vestíbulo refere-se ao “espaço entre a via pública e a entrada dum edifício”, ao “espaço entre a porta dum edifício e a principal escadaria interior” e a “uma cavidade orgânica que serve de entrada a outra” (Novo Dicionário da Língua Portuguesa, de Francisco Torrinha, Porto, Domingos Barreira Editor, 1945).

Uma ideia que pode ficar é que o vestíbulo, ou espaço de entrada numa habitação, corresponde a um espaço de limiar e de transição entre o espaço público ou comum (no caso de se tratar de um edifício multifamiliar) e o espaço doméstico privado.

Talvez que o vestíbulo de entrada possa ser, um pouco, antecipado na sua estrita contiguidade relativa ao respetivo espaço comum do edifício multifamiliar ou à respetiva contiguidade de espaço comum ou público exterior e térreo.
E talvez que entre o espaço interior doméstico e comum e o espaço comum do condomínio ou público, e tendo-se em conta as respetivas características arquitectónicas possa existir algum tipo de relacionamento e/ou “transparência” (naturalmente sempre devidamente condicionada).


Fig. 1: E talvez que entre o espaço interior doméstico e comum e o espaço comum do condomínio ou público, ... possa existir algum tipo de relacionamento e/ou “transparência” ...


2.2. Lavabo

O lavabo é uma pequena casa de banho de apoio, minimamente equipada em termos de equipamentos de banho e higiene pessoal, que serve, essencialmente, a zona mais social da casa e que, por isto, deve ter também objectivos de identidade e apropriação, marcando pela sua localização e pelo seu arranjo os cuidados de recepção.

Os usos do lavabo devem ser bem considerados, designadamente, em termos do equilíbrio que faça transparecer, no seu arranjo, no que se refere aos seus aspetos mais formais ou mais informais e funcionais; afinal o lavabo pode ser como que uma extensão da zona mais formal da habitação ou constituir-se, praticamente, num desdobramento funcional da principal casa de banho.

2.3. Corredor e zonas de passagem

Um dos aspectos que continua a ser estruturador de uma boa solução doméstica é que ela se caracterize por uma economia ponderada de circulações, conseguida através da mínima extensão e do aproveitamento máximo das circulações por corredor (por exemplo por dupla utilidade para circulação e para arrumações em roupeiros) e também mediante a mínima extensão e posicionamento estratégico das eventuais zonas de circulação obrigatória através de compartimentos mais sociais (por exemplo, quartos com acessos através de salas e cozinhas).

No entanto há excelentes habitações cuja caracterização e valia funcional e imagética muito ficam a dever a corredores razoavelmente extensos e muito funcionalmente marcados, por exemplo, pelo acesso que proporcionam a roupeiros embutidos e/ou pela disponibilidade de boas extensões de parede com boa capacidade para serem mobiliadas e variadamente apropriada (e.x, espelhos, quadros, luminárias, etc.); condições estas que têm , naturalmente, exigências dimensionais específicas em termos da largura do corredor.

2.4. Sala ou zona de estar

Há quem diga que o convívio familiar, a actividade que marca em primeira linha a sala de estar ou sala-comum, é uma actividade cada vez menos efectiva. Sinceramente não se partilha de tal ideia, que se julga estar na linha daquelas que face a um problema dele se afastam de forma a tentarem resolvê-lo por não lhe darem atenção.

Afinal, talvez que assim aconteça, em termos de redução do convívio familiar, porque a ascensão e a intensa dinamização das tecnologias de informação verdadeiramente pessoais e privativas (smartphones, tablets), se associou, em muitos casos, a situações espaciais e funcionais domésticas com reduzidas, mal configuradas e pouco apropriáveis zonas de estar, conviver e receber; e assim o resultado fica evidente: com cada um muito fechado no seu mundo de comunicações e app.

No entanto em situações gerais e mais frequentes as condições existentes na zona de sala em termos espaciais-funcionais proporcionam condições muito reduzidas e mesmo, muitas vezes, extremamente pobres no que se refere a multiplicidade funcional, capacidade de mobilar e de apropriação, eventual “repartição” em diversas subzonas de atividade e real apoio outras atividades menos diretamente ligadas às funções habituais do “estar”.

2.5. Cozinha

Cozinha para cozinhar ou para conviver? Uma pergunta que tem como resposta que numa casa é necessário haver um espaço de preparação de refeições, espaço este fundamentalmente funcional e marcado por um dado conjunto de instalações e equipamentos, mas que não deve justificar um dado compartimento, feito dimensionalmente à medida desse conjunto de instalações e equipamentos, como se estivéssemos a conceber uma cozinha de um restaurante doméstico onde, quase sempre, não há “empregados” cuja função é estar nessa cozinha laboratório a preparar as refeições de quem habita aquela casa.

O que se referiu para a zona de estar aplica-se também à consideração da zona doméstica que inclui o espaço dedicado à preparação de refeições, tendo-se em conta: (i) quer a variedade e inovação que marcam, hoje em dia e marcarão num futuro próximo, as próprias subactividades ligadas à preparação de refeições; (ii) quer o potencial de ligação que também hoje em dia e num futuro próximo marcam e marcarão a relação entre a preparação de refeições e um leque amplo de outras atividades domésticas, nas quais se destacam as ligadas ao convívio no fogo, aos restantes trabalhos especificamente domésticos (a famosa “lide doméstica”) e ainda, naturalmente, à atualmente “crítica” capacidade para apoio ao teletrabalho.

2.6. Zona de refeições ou sala de jantar

Numa civilização urbana marcada pela falta de tempo e de convívio, tudo o que se faça para privilegiar o encontro familiar é extremamente positivo; e como todos temos a noção que as refeições estimulam o encontro e o convívio, então não deve haver quaisquer dúvidas sobre o interesse de se privilegiarem condições domésticas estimulantes para a prática de refeições familiares potencialmente alargadas e conviviais; e tais condições terão a ver, por exemplo, com aspetos simples de dimensionamento, conforto ambiental (ex., contiguidade com janela bem orientada e com vista) e relacionamento multifuncional.

Neste sentido o claro e urgente incentivo ao adequado desenvolvimento de uma zona de refeições é um caminho a privilegiar, seja numa cozinha de convívio, numa sala de família com zona de cozinha ou numa zona de refeições específica (autonomizada ou articulada com a zona de estar); e ficará, sempre, para uma segunda linha de preocupações se tal zona é mais adequada a refeições formais ou informais, sendo a ideia, talvez mais adequada, que o “cenário” de enquadramento da preparação de refeições deve possuir uma agradável visualidade e localização no espaço doméstico.

E não tenhamos dúvida de que uma boa zona de refeições devidamente dimensionada e localizada, portanto caracterizada por uma razoável autonomia, é uma condição extremamente útil em termos do desempenho de outras atividades domésticas, como é o caso do estudo e do trabalho em casa.

2.7. Casa(s) de banho

Quando falamos de “casas de banho”, falamos dos espaços que incluem mais instalações de águas e esgotos embebidas na construção, mas faz muito pouco sentido, numa habitação que se deseja possa ser geradora de verdadeira satisfação, fazerem-se “instalações sanitárias”, ostensivamente marcadas pela funcionalidade, pela frieza ambiental e pela “objectividade” das respectiva “peças sanitárias”, consideradas tal como “peças de catálogo” em tamanho real (mais estritamente funcionais ou mais “design”), muito pouco conjugáveis com o desenvolvimento de um cuidado espaço doméstico, caloroso, apropriável e muito naturalmente versátil.

Naturalmente que uma tal intenção tem consequências importantes – também em termos de custos – porque para que tal aconteça é muito importante que, pelo menos,  a principal casa de banho tenha:

(i) relação direta com o exterior;

(ii) espaciosidade claramente acima de condições mínimas;

(iii) e capacidade para uma adequada apropriação.

E poderemos, também, equilibrar racionalidades e custos se, por exemplo, associarmos a um tal espaço equipamentos de tratamento de roupas.


2.8. Varanda e outras zonas exteriores privadas elevadas como pátios e pequenos quintais

O título deste tema não faz justiça à ideia que se tem sobre a importância potencial dos espaços exteriores privados, salientando-se que se considera que estes espaços podem ter uma importância estruturadora da própria organização da habitação, essencialmente no caso das habitações isoladas, mas igualmente em conjuntos habitacionais coesos e mesmo em edifícios multifamiliares em altura.

Trata-se de matéria que hoje em dia assumiu uma importância especial e sobre a qual importa lembrar que até agora a disponibilização de espaços exteriores privados tinha e tem de suplantar vários problemas, entre os quais: (i) ao nível térreo, a ideia de que qualquer pátio é um problema em termos de posterior má apropriação e imagem pública; (ii) ao nível elevado a ideia de que qualquer varanda, mesmo mínima, corresponde a um conjunto de metros quadrados diretamente subtraídos ao espaço interior doméstico; e (iii) ainda ao nível elevado a ideia de que uma varanda é algo autonomizável relativamente ao respetivo espaço interior e não, mas como deve evidentemente ser, uma potencial expansão das atividades interiores e até vice-versa.


2.9. Áreas de serviço para arrumações

A arrumação doméstica é, provavelmente, a função cuja importância tem sido menos evidenciada no conjunto das funções habitacionais, e é aquela cujo evidente teor “funcional”, dimensional e quantitativo, sendo muito claro e crítico, não pode fazer diminuir os respectivos aspectos qualitativos e de opções residenciais ambientais e de vivência.

Há que ter em conta que, habitualmente, a nova habitação não tem mesmo qualquer “infraestrutura” de apoio aos serviços domésticos e o exemplo disto é a anulação dos espaços de “despensa”, seja de cozinha, seja “geral”, e isto muitas vezes sem qualquer compensação por previsão de bons “roupeiros” embutidos e módulos de mobiliário fixo de cozinha especificamente dedicados à respetiva arrumação.


2.10. Outros espaços de serviço doméstico

        Habitualmente a lavandaria e rouparia doméstica está associada à cozinha e, eventualmente, a uma casa de banho mais ampla, mas há que manter total independência com os usos ligados à preparação de refeições.

2.11. Outros espaços domésticos comuns que integram a habitação

A inserção deste subitem tem como principal objetivo constituir como que uma reserva tipológica de previsão de “outros” espaços domésticos comuns, que não apenas os “habituais”, espaços estes bem conhecidos e associados a uma renovada “filosofia” de organização e de conteúdos domésticos, que seja bem distinta da respetiva e estafada faceta essencialmente “funcionalista” e rigidamente hierarquizada.

Trata-se, assim, de matéria que será devidamente ponderada e desenvolvida no respetivo artigo.

3. Espaços domésticos comuns fora da habitação

São os espaços domésticos comuns que se encontram da porta da habitação para fora e que, na prática, constituem elementos complementares de apoio à vida doméstica diária e não-diária das pessoas e das famílias, mas que podem, eventual e desejavelmente, em alguns casos, assumir funções específicas e alguma autonomia até de imagem (ex., garagem comum adequadamente tratada em termos de espaço de chegada e recepção, associando portanto, esta função à sua função básica de estacionamento protegido).

3.1. Virtualidades domésticas do estacionamento em garagem

Este título suscitará, naturalmente, dúvidas, mas a ideia é, simplesmente, que o estacionamento comum em garagem possa ser um espaço, pelo menos, minimamente agradável e com algum carácter doméstico e representativo, e deixe, assim, de ser uma espécie de “cave” residual, estritamente funcional, por vezes suja e frequentemente mal iluminada e com cheiros, por vezes, menos agradáveis através da qual entramos e saímos, quase sempre, no nosso edifício.

Em próximos artigos desta série iremos abordar cada uma das tipologias de espaços domésticos comuns, aqui apontadas, considerando diversos aspetos tais como: opções mais habituais; frequentes associações funcionais; hábitos interessantes e aspectos motivadores; principais problemas; novidades e tendências.

3.2. Espaços de arrumação

Importa sublinhar, a título inicial, que a disponibilização deste tipo de espaços de arrumação fora da habitação pode levantar alguns problemas, designadamente, em diversos aspetos de segurança (ex., usos por pessoas estranhas ao condomínio e acumulação de matérias e objetos que levantem risco de incêndio), situações estas que devem ter abordagem específica, pelo menos em termos de regulamentação ao nível dos respetivos condomínios.

No entanto é bem evidente que a disponibilização de espaços de arrumação privativos e fora da habitação é um aspeto muito positivo no que se refere a um apoio bastante direto à capacidade de arrumação doméstica, proporcionando, por exemplo, bases de arrumação “de bastidor”, capacidade de arrumação sazonal críticos e mesmo capacidade de arrumação especialmente significativa, quando existam condições adequadas de funcionalidade e espaciosidade nos respetivos espaços.

3.3. Outros espaços domésticos fora da habitação

A inserção deste subitem tem como principal objetivo constituir como que uma reserva tipológica de previsão de “outros” espaços privativos fora do fogo, que não apenas os “habituais” espaços de estacionamento e de arrumação; reserva esta que será devidamente ponderada e desenvolvida no respetivo artigo, abordando-se diversas soluções e até, no limite, num sentido de um seu significativo desenvolvimento, que corresponda, praticamente, ao caminhar para um outro equilíbrio tipológico no edifício, caracterizado por um menor peso da própria habitação relativamente a outros seus espaços privativos mas dela destacados.

Estes caminhos estão naturalmente associados a uma renovada “filosofia” de organização e de conteúdos domésticos, que seja bem distinta da respetiva e estafada faceta essencialmente “funcionalista” e rigidamente hierarquizada.

E evidentemente este tipo de desenvolvimentos tem também muito a ver com o atual exponencial acréscimo da prática do teletrabalho na habitação, portanto da prática de trabalho profissional em contexto doméstico; numa aposta que acabou por resgatar e tornar “instantaneamente” real, a sempre presente, desde há bastante tempo, tendência para o trabalho informatizado e á distância e para uma renovada estruturação dos tempos e espaços dedicados ao trabalho profissional.

4. Notas complementares a propósito dos espaços comuns domésticos

Os espaços comuns domésticos merecem, na sua globalidade, uma reflexão devidamente renovada, flexibilizada e capaz de se dirigir para a “oferta” de “novos” espaços e subespaços comuns domésticos, tendo-se bem presente que a capacidade de “comunidade” doméstica será sempre motor:

(i) não só da natural capacidade convivial privativa, que se julga, nunca ter sido devidamente considerada no “equilíbrio” entre privacidade e convivialidade;

(ii) mas também da multifuncionalidade e versatilidade que cada vez deve caracterizar, mais profundamente, o espaço global da habitação;

(iii) e finalmente do papel desta renovada geração espacial na produção de “novas” tipologias domésticas e mesmo de edifícios habitacionais e mistos.

 

Notas editoriais ao artigo:

O presente artigo corresponde a uma edição muito ampliada, modificada e revista do artigo que foi editado na Infohabitar, em 8/09/2014, com o n.º 499.

 

Notas editoriais gerais:

(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.

(ii) No mesmo sentido, de natural responsabilização dos autores dos artigos, a utilização de quaisquer elementos de ilustração dos mesmos artigos, como , por exemplo, fotografias, desenhos, gráficos, etc., é, igualmente, da exclusiva responsabilidade dos respetivos autores – que deverão referir as respetivas fontes e obter as necessárias autorizações.

(iii) Para se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

 

Uma introdução geral aos espaços domésticos comuns – Infohabitar # 783

Infohabitar

Editor: António Baptista Coelho

Arquitecto/ESBAL – Escola Superior de Belas Artes de Lisboa –, doutor em Arquitectura/FAUP – Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto –, Investigador Principal com Habilitação em Arquitectura e Urbanismo no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), em Lisboa.

abc.infohabitar@gmail.com

abc@lnec.pt

 

Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional Infohabitar – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE).

 

terça-feira, junho 29, 2021

Oferta abrangente de espaços domésticos específicos – infohabitar # 781

 Ligação direta (clicar) para:  760 Artigos Interactivos, edição revista, ilustrada e comentada em janeiro de 2021- 38 temas e mais de 100 autores 

Oferta abrangente de espaços domésticos específicos – infohabitar # 781 

 Infohabitar, Ano XVII, n.º 781

Edição: terça-feira, 29 de junho de 2021,

Artigo integrado na série editorial da Infohabitar “Habitar e viver melhor”

 

 Caros leitores da Infohabitar,

Continuamos a série editorial da Infohabitar especificamente dedicada a uma viagem sistemática pelos diversos espaços do habitar, que iniciámos na vizinhança, avançando, depois para os edifícios e seus espaços comuns (disponível no catálogo interativo da Infohabitar, no seu tema 6 intitulado “Série habitar e viver melhor”) e “terminando” numa reflexão sobre os diversos tipos de organizações, opções e espaços domésticos; reflexão esta que aqui está a ser, e será, desenvolvida ainda durante mais algumas semanas editoriais.

Lembra-se, novamente, que serão sempre muito bem-vindas eventuais ideias comentadas sobre os artigos aqui editados e propostas de novos artigos (a enviar para abc.infohabitar@gmail.com , ao meu cuidado).

Considerando a mais recente evolução da pandemia, sublinha-se, mais uma vez, a vital importância de não perdermos, agora, uma parte significativa do que ganhámos, dando-se agora tempo e cuidado até estarmos todos, em boa parte, imunizados; há que cumprir com rigor os protocolos de vacina (n.º de doses e períodos temporais posteriores às mesmas) e continuar com os cuidados de proteção próprios e dos outros, até esta presente vaga estar vencida.

Despeço-me, até à próxima semana, enviando saudações calorosas e desejos de força e de muito boa saúde para todos os caros leitores e seus familiares,    

 

Lisboa/Encarnação e Azambuja/Casais de Baixo, em 28 de junho de 2021

António Baptista Coelho

Editor da Infohabitar


Oferta abrangente de espaços domésticos específicos – infohabitar # 781

António Baptista Coelho

(texto e imagem)

Resumo

Neste artigo, dedicado a um tema que se julga dever ser “irmão” dos aspetos globais de funcionalidade doméstica e depois de uma reflexão introdutória sobre a própria natureza do respetivo título, onde contrapontuam os termos ”abrangente” e “específicos”, desenvolve-se uma reflexão sobre a implementação de uma habitabilidade ampla nos espaços domésticos, habitabilidade esta que também depende do desenvolvimento de boas condições habitacionais interiores, exteriores e de relação interior/exterior, do visar de renovados e bem fundamentados objetivos de organizaçãoo doméstica e da promoção de um adequado convívio nos espaços domésticos; temas estes que se desenvolvem sequencialmente no artigo.

 

 

Oferta abrangente de espaços domésticos específicos – infohabitar # 781

António Baptista Coelho

abc.infohabitar@gmail.com

 

1. Notas introdutórias sobre o título do artigo – espaços domésticos diversificados e específicos

Julga-se interessante salientar o tema que está bem presente no próprio título do artigo, e que se refere a uma “oferta abrangente de espaços domésticos específicos”, reforçando-se esta ideia de proporcionar uma ampla disponibilidade de variados espaços domésticos – e variados em diversas matérias (ex., funcionalidades, fimensões, relações mútuas entre os próprios e relativamente às envolventes, etc.) –, mas de espaços domésticos realmente “específicos”, porque bem apropriáveis, identificáveis, caracterizáveis e, já agora, positivamente marcantes.

Naturalmente que uma tal intenção terá de ser harmonizada com a espaciosidade global da respetiva habitação, podendo tais espaços reduzir-se, e frequentemente, a sub-espaços, sedes de microfunções domésticas, pois há que organizar uma tal diversidade “à escala” da sua respetiva base de desenvolvimento; mas uma tal “micro-repartição” funcional e espacial, que é, quase sempre, parcial pois cada um dos sub-espaços continua a integrar, claramente, um espaço maior, é algo de essencial mesmo quando estamos em presença de compartimentos muito espaçosos, acontecendo, mesmo, por vezes, nestes casos, quando tal não é possível, que se produz um resultado funcional extremamente pobre, em termos de versatilidade de usos e de apropriação.

Em seguida, iremos abordar, globalmente, a matéria dos usos e apropriações dos compartimentos, dos cantos e dos recantos domésticos, tentando refletir um pouco mais sobre o que carateriza tais espaços, sempre tendencialmente intimistas, mas também potencialmente conviviais, onde se processa a vida diária das famílias, num leque variado de espaços habitualmente com funções específicas, mas desejavelmente com uma equilibrada flexibilidade funcional, formalizando espaços privilegiados da apropriação familiar e individual.

2. Implementar uma habitabilidade ampla dos espaços domésticos

As características de habitabilidade dos espaços domésticos são, realmente, fundamentais para a qualidade residencial oferecida por um determinado empreendimento habitacional. Basta imaginarmos uma habitação constituída por compartimentos e espaços razoavelmente amplos/desafogados, e claramente confortáveis e funcionais, que aceitem uma forte apropriação por mobiliário e diversas zonas de uso, para que fique quase praticamente provada essa afirmação.

E diz-se quase provada porque essas condições não chegam, de facto, para uma boa caracterização residencial. É também necessário, pelo menos, que a envolvente da habitação nos ofereça boas condições para a vida diária; pois assumimos sempre – ou deveríamos sempre poder assumir – o nosso espaço de habitar como algo “relacionado com”, por exemplo: uma boa rua; um bom jardim; uma agradável praceta; e uma vizinhança funcional a transportes públicos e outros equipamentos urbanos essenciais.

Podemos/devemos, assim, poder imaginar e sentir o nosso espaço doméstico como um pequeno mundo agradável, apropriado e versátil, em boa relação com uma envolvente urbana praticamente marcada pelas mesmas qualidades, embora naturalmente a uma outra escala funcional e formal; mas, por vezes, a nossa habitação não passa de um conjunto de espaços rigidamente funcionais, nada versáteis, dificilmente apropriáveis, a não ser por um pobre conjunto de funções básicas e nada estimulantes, e mal articulado com uma envolvente também assim globalmente caracterizada.

3. Desenvolver boas condições habitacionais interiores, exteriores e de relação interior/exterior

Deste modo definiu-se um "binómio" mínimo de qualificação residencial assente em boas condições domésticas de compartimentação/privativas e de vizinhança exterior/semi-públicas ou públicas, "binómio" esse que deverá ser estudado e explicado, pois poderá proporcionar conclusões práticas bem interessantes sobre a satisfação residencial; e talvez que entre um e outro elemento possamos, depois, "inovar" com a afirmada introdução da grande importância de um "jogo tipológico" habitacional muito mais protagonista do que aquele que é habitualmente considerado – matéria  que temos aflorado, várias vezes, nestes textos, mas que terá de ficar ficar para outros específicos desenvolvimentos.

Ainda sobre a importância de boas condições de habitabilidade nos espaços e compartimentos do fogo importa salientar que até a organização ("o layout") do fogo parece ser menos importante do que as condições específicas dos seus Espaços e Compartimentos.

Esta afirmação parece ser globalmente válida e tem grande importância quando a organização do fogo se caracteriza por uma forte neutralidade e adaptabilidade, proporcionando grande flexibilidade nos usos dos diversos Espaços e Compartimentos domésticos, considerando-se, naturalmente, que estes últimos também suportam essa flexibilidade ou multifuncionalidade, designadamente, através de boas condições de espaciosidade e capacidade na arrumação de mobiliário e outras facetas de apropriação (ex., paredes com elementos gráficos e de arte).

Acabamos assim por chegar quase a uma “defesa” de um projeto bem pormenorizado e específico para cada compartimento, objetivo este que parece bem óbvio, mas que, infelizmente, está, quase sempre, bem longe da maioria dos objetivos dos projetos habitacionais, e com especial relevo para os de habitação de interesse social (HIS), que deveriam, no entanto, ser realmente objeto de uma atenção desse tipo pois neles cada metro quadrado construído é verdadeiramente precioso em termos do seu reflexo no potencial de habitabilidade (funcionalidade, adaptabilidade, apropriação, conforto, etc.) da respetiva habitação e tendo, também bem presente a sua significativa repetição e “serviço” a muitos e variados gostos e necessidades habitacionais – e basta irmos, por exemplo, aos bons exemplos de HIS portugueses dos anos de 1950 e 1960, para encontramos esse bom caminho a ser seguido sistematicamente.

4. Visar também renovados e fundamentados objetivos de organização doméstica

Paralelamente a esta atenção específica para com o bom projeto “arquitectónico” de cada espaço habitacional é, evidentemente, vital ter como objetivo adequadas soluções de organização doméstica, elas próprias marcadas por idênticos critérios globais de versatilidade e capacidade de apropriação.

Mais do que propor estruturas organizativas domésticas mais ou menos caracterizadas,  e essencialmente marcadas pelos bem conhecidos e rigidamente hierarquizados zonamentos funcionais, de que nos vamos ocupando ao longo deste trabalho - e desta série de artigos -, importa aqui, porque importa cada vez mais, apontar objectivos de organização doméstica que sejam tendencialmente adequados a um maior número e a uma muito grande amplitude de desejos e de gostos habitacionais, considerando, também, a actual e evidenciada mudança de hábitos domésticos e pessoais que vão hoje marcando, efetivamente, os sítios onde vivemos.

Evidentemente que será, sempre, mais fácil organizar uma habitação de acordo com dupla hierarquização serviço/formalidade e acesso/privacidade, juntando-se a ela o “módulo”, quase autónomo, embora quase sempre pouco acessível, da “suite de casal”; mas há outras opções de organização doméstica e deveria haver uma outra versatilidade básica no seu uso e apropriação.

E tudo passa por muitas questões que podem ser colocadas, por exemplo: quem cozinha e como cozinha? Quem limpa e como limpa? Quem trabalha em casa e o que faz? Que tipo de isolamento sonoro é possível entre espaços próximos? Qual o número máximo provável de convivas que a habitação suporta? Como se faz o tratamento de roupa? Qual o potencial de usos do exterior privado? Que usos são possíveis  na casa de banho principal? Quantas pessoas podem ver TV agradavelmente instaladas na sala? Qual o potencial para um grupo de pessoas sentadas à mesa? Etc.

E repare-se que tais questões pouco têm a ver com as habituais preocupações funcionais domésticas, tão “mecanicamente” aplicadas em tantos projetos habitacionais; mas tenha-se bem presente que a organização e a configuração domésticas adoptadas vão influir, fortemente, na vida diária e no percurso familiar de grande número de famílias e de indivíduos; e para além de muitos elementos de referência teórico-prática disponíveis há cada vez mais uma enorme disponibilidade de informação sobre casos de referência, que pode e deve ser usada, naturalmente, com as devidas referências.

5. Promover um melhor convívio doméstico

Em toda esta matéria julga-se que um “assunto”, em particular, tem sido bastante descurado na reflexão e na prática arquitectónica doméstica: trata-se da existência de adequadas condições de convívio doméstico, seja numa perspetiva do respetivo agregado familiar, seja numa outra perspetiva, também essencial, de um potencial de convívio doméstico mais alargado.

O pouco tratamento desta matéria terá a ver, seja com as naturais limitações dimensionais e de espaciosidade geral que marcam a habitação de interesse social e que, “naturalmente”, acabam por inquinar outros tipos de promoção residencial, seja com a atenção excessiva que se dedicou, durante decénios, aos aspetos de hierarquização e privacidade domésticas, quase que transformando muitas habitações em “grandes quartos” um pouco subdivididos, onde a preocupação quase única é a privacidade e a hierarquia entre entrada, zona de quartos e suite, ficando a cozinha remetida a uma zona funcional e a sala ao espaço quase restante.

E afinal a convivialidade doméstica pode ser fator determinante da criação de uma verdadeira “outra dimensão” na habitação; uma dimensão que tem estado bastante esquecida, pelo menos na habitação económica, embora existindo excelentes exceções de referência.

Fig. 1: Favorecer pequenos incrementos dimensionais nos quartos e outros compartimentos menos amplos, possibilitando mais flexibilidade na arrumação de variadas peças de mobiliário e, designadamente, mais capacidade para o lazer e o trabalho em casa ...

6. Proporcionar um verdadeiro “suplemento de alma” espacial e ambiental doméstico

Tendo em conta as ideias que foram atrás apontadas e visando-se uma rica, embora sempre controlada, multidimensionalidade doméstica, apontam-se, em seguida, um pouco a título de exemplos, potencialmente estruturantes, alguns aspectos (1) caracterizadores de uma adequada organização e qualificação residencial dos espaços que compõem as nossas “casas” e que terão como matéria comum  o estarem nos antípodas de organizações domésticas rigidamente organizadas e repetidas quase até à exaustão:

-    Uma ideia de poder receber e conviver melhor na habitação, designadamente, através de boas condições de recepção, no hall/vestíbulo e de um cuidadoso dimensionamento das zonas mais sociais do fogo – vestíbulo, circulações sociais, sala comum e cozinha.

Este objectivo pode ser atingido através de "meia-dúzia" de metros quadrados "suplementares" na sala-comum e na cozinha (acima das áreas recomendadas para habitações de baixo custo), desde que as respectivas configurações espaciais e dimensões estruturadoras sejam adequadas. Uma ideia forte em termos dos modos como a habitação poderá apoiar o convívio doméstico, ideia esta que poderá ter de se desenvolver através de compensações dimensionais entre sala comum e cozinha, proporcionando-se, por exemplo, uma ampla cozinha convivial e uma sala mais adequada para o estar e, até, eventualmente, para o trabalho em casa.

-    Favorecer pequenos incrementos dimensionais nos quartos e outros compartimentos menos amplos, possibilitando mais flexibilidade na arrumação de variadas peças de mobiliário e, designadamente, mais capacidade para o lazer e o trabalho em casa; e optar conscienciosamente sempre que estejam em causa dimensões mínimas. Isto não significa que não se apliquem tais dimensões mínimas em casos específicos quando funcionalmente julgados adequados, o que tem a ver, designadamente, com a disposição de enfiamentos de camas individuais.

-    Segundo Sven Thiberg (2) há que aplicar estrategicamente suplementos dimensionais, apurando-se os espaços e compartimentos onde "um metro quadrado extra", suplementar às indicações mínimas regulamentares, pode aumentar significativamente as condições de habitabilidade (acessibilidade, agradabilidade de uso, alternativas de ocupação); uma matéria que tem igual aplicabilidade em soluções habitacionais acima das indicações mínimas.

Estes suplementos dimensionais estratégicos estão associados à capacidade de se integrarem várias sub-zonas funcionais em cada compartimento, uma condição fundamental para a respectiva versatilidade de uso, seja em diversidade de funções, seja em diferentes modos de vida e diversas formas de ocupação por actividades e diversos tipos de mobiliário, condições estas muito interessantes considerando-se, por exemplo, a adequação a diversas minorias étnicas.

-    Favorecer pequenos e funcionais incrementos dimensionais em espaços de circulação, proporcionando que estes espaços ganhem, verdadeiramente, uma outra e importante valência, designadamente, para integração de mobiliário, ou mesmo outros usos eventuais (ex., trabalho em casa), e sempre com evidentes ganhos em habitabilidade e apropriação da habitação.

-    Aumentar significativamente a funcionalidade no desempenho de todas as tarefas domésticas e de outras actividades diárias, em toda a habitação, através de uma cuidadosa concepção que evite espaços potencialmente muito cheios de mobiliário e equipamento.

A funcionalidade estrita de cada Espaço relativamente à(s) sua(s) "função(ões) de base", deve ponderar, designadamente, os seguintes factores:

-     dimensionamento;

-     comandos de instalações "embebidas";

-     equipamentos fixos;

-     capacidade de integração de mobiliário com diferentes características tipológicas, dimensionais e de quantidades de peças unitárias agregadas ou reunidas;

-     existência de espaços suplementares para (i) mobilar posteriormente, (ii) equipar posteriormente e (iii) movimentar-se e usar adequadamente os espaços.

 

Notas bibliográficas:

(1) Estes aspectos são apontados, sinteticamente, no estudo do LNEC, realizado pelo autor e intitulado “ Do Bairro e da Vizinhança à Habitação”.

(2) Sven Thiberg(Ed.), "Housing Research and Design in Sweden", p. 128.

 

Notas editoriais ao artigo:

O presente artigo corresponde a uma edição muito ampliada, modificada e revista do artigo que foi editado na Infohabitar, em 25/08/2014, com o n.º 497.

 

Notas editoriais gerais:

(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.

(ii) No mesmo sentido, de natural responsabilização dos autores dos artigos, a utilização de quaisquer elementos de ilustração dos mesmos artigos, como , por exemplo, fotografias, desenhos, gráficos, etc., é, igualmente, da exclusiva responsabilidade dos respetivos autores – que deverão referir as respetivas fontes e obter as necessárias autorizações.

(iii) Para se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

 

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Infohabitar

Editor: António Baptista Coelho

Arquitecto/ESBAL – Escola Superior de Belas Artes de Lisboa –, doutor em Arquitectura/FAUP – Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto –, Investigador Principal com Habilitação em Arquitectura e Urbanismo no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), em Lisboa.

 

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Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional Infohabitar – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE).