segunda-feira, outubro 27, 2008

Arquitectura Sustentável, 3 e 4 de Outubro 2008: Relato II - Infohabitar 219

Infohabitar 219

Arquitectura Sustentável 

Com uma apresentação mínima, pois os textos editados são longos, edita-se, em seguida, a segunda e última parte do LIVRO DE CURRICULUM VITAE E RESUMOS do Congresso “Arquitectura Sustentável – Futuro Com()passado”, que teve lugar no Auditório da Reitoria da Universidade de Aveiro nos passados dias 3 e 4 de Outubro de 2008, com uma grande adesão, tal como é evidente nas imagens que acompamham esta colectânea.

Esta é uma edição dos autores das palestras cujos resumos aqui se juntam, bem como do Núcleo de Arquitectos de Aveiro - NAAV e do Grupo Habitar - GH que cooperaram na organização deste grande evento , que manteve a sla do Auditório da Reitoria de Aveiro praticamente cheio até às 19h de uma sexta-feira e de um sábado, um facto que há que realçar.

Aproveita-se a oportunidade para agradecer, publicamente, o apoio da Universidade de Aveiro, da empresa CIN e das restantes organizações que viabilizaram este evento e sublinha-se a exemplar participação havida entre este Núcleo e o GH na realização do Congresso, uma participação que, sem dúvida, será renovada em futuros eventos.
E finalmente agradece-se, também, aqui, aos palestrantes, cuja elevada qualidade dos estudos apresentados foi responsável pelo grande interesse e elevada participação que marcaram todas as sessões do Congresso; muito obrigado por isso e por terem dedicado uma parte das vossas carregadas agendas à intervenção neste Congresso e esperamos poder contar convosco em futuros eventos participados pelo GH.

E finalmente uma referência específica ao incansável trabalho do amigo e colega do GH Bruno Marques e da Inês de Carvalho do NAAV.


A Direcção do Grupo Habitar

Notas explicativas:

Segue-se a edição da 2.ª e última parte do LIVRO DE CURRICULUM VITAE E RESUMOS do Congresso “Arquitectura Sustentável – Futuro Com()passado”, com reduzidas alterações relativamente à edição distribuída no Congresso; retiraram-se, apenas, algumas ilustrações integradas no texto e que são difíceis de editar no blog e juntaram-se imagens dos trabalhos – Esta edição do Infohabitar corresponde às intervenções que tiveram lugar em 4 de Outubro de 2008.





Fig. 01: cartaz do Congresso

Estrutura dos trabalhos do Workshop e Congresso:
Segunda-feira, 29 de Setembro de 2008: início do Workshop com visita guiada à Reitoria da Universidade de Aveiro, e palestras dos arquitectos Gonçalo Byrne e Nuno Portas.

Segunda-feira a Quinta-feira: Workshop

Sexta, 3 de Outubro 2008

Abertura:
Vice-reitor da Universidade de Aveiro Prof. Doutor
Presidente da Ordem dos Arquitectos, Arq. João Belo Rodeia
Presidente do NAAV, Arq. Ricardo Vieira de Melo
Presidente da Dir. Do Grupo Habitar, Arq. António Baptista Coelho
Arq. Bruno Marques (NAAV e Grupo Habitar)

Manhã

Arq. Mário Varela Gomes (FCSH, UNL)
Arq. António Baptista Coelho (LNEC e Grupo Habitar)
Arq. Luís Pinto de Faria (U.F.P.)
Arq. Maria Fernandes (FCT-UC)

Tarde:

Eng. Humberto Varum (UA)
Arq. Márcio Buson (FAU Univ. Brasília)
Arq. Laura Costa (UTAD)
Arq. Bruno Marques (NAAV)
Arq. Sara Eloy e Arq. Isabel Plácido (L.N.E.C.)


Sábado, 4 de Outubro 2008
Manhã:

Eng. Manuel Duarte Pinheiro (IST)
Arq. Nadir Bonnacorso
Arq. Carlos Coelho

Apresentação dos trabalhos desenvolvidos pelas equipas integradas no Workshop, realizado com o apoio dos seguintes tutores: engenheiro Humberto Varum e arquitectos José Gigante, Laura Costa, Miguel Veríssimo e Nadir Bonaccorso.

Tarde:

Arq. Paula Cadima (EACI)
Arq. Fausto Simões
Arq. José Luís Saldanha (ISCTE)
Arq. Manuel Correia Fernandes (FAUP)
Encerramento:

Arq. Bruno Marques (NAAV)
Dr. Dâmaso Silva (CIN)
Arq. Ricardo Vieira de Melo (NAAV)
Arq. António Baptista Coelho (LNEC e Grupo Habitar)


Eng. Manuel Duarte Pinheiro (IST)
“Certificação ambiental da construção sustentável – Sistema Líder A”

CV_Prof. Manuel Duarte Pinheiro, Licenciado em Engenharia do Ambiente pela FCT/UNL (1985), Doutorado pelo IST com a tese sobre Sistemas de Gestão Ambiental para a Construção Sustentável (2008) é Professor no Grupo de Disciplinas de Ambiente dos quadros da Secção de Hidráulica, Recursos Hídricos e Ambiente do Departamento de Engenharia Civil e Arquitectura do IST, é responsável pelas disciplinas Ambiente e Construção Sustentável do Diploma de Formação Avançada em Gestão das Tecnologias de Águas e Resíduos, de Espaços Construídos e Impactes Ambientais (Construção Sustentável) para o Mestrado de Arquitectura, de Impacte Ambiental para o Mestrado de Engª de Gestão Industrial, de Sistemas de Gestão do Ambiente para os Mestrados de Engª do Ambiente e Engª Química.

Tem desenvolvido nos últimos anos investigação e aplicações na área dos Sistemas de Avaliação e Gestão da Construção Sustentável, incluindo o desenvolvimento de um sistema de avaliação e certificação da construção sustentável para aplicação a nível nacional, denominado de LiderA – Sistema de Avaliação da Sustentabilidade, que se encontra registada com uma marca nacional.

É autor de várias publicações entre as quais se encontro o livro sobre ambiente e construção sustentável publicado pela Agência Portuguesa do Ambiente. Trabalha como consultor, sendo Director da IPA – Inovação e Projectos e Ambiente, Lda. É assessor certificado do sistema do Reino Unido, CEEQUAL – Civil Engineering Environmental Quality and Assessment Scheme, desde Julho de 2005.





Fig. 02: a primeira mesa de Sábado

RESUMO_ Certificação ambiental da construção sustentável – Sistema LiderA

A comunicação “Certificação ambiental da construção sustentável – Sistema LiderA” dispõe de três partes. Na primeira parte aborda-se como enquadramento a importância da sustentabilidade na construção e como o conceito é interpretado em termos de construção sustentável e a necessidade de dispor de formas de orientação, avaliação e certificação da sustentabilidade na construção.

Na segunda parte particulariza-se as propostas do sistema LiderA (www.lidera.info), explicando como foi desenvolvido, seus princípios para avaliação da sustentabilidade.

Na terceira parte desenvolve-se e aborda-se a questão do modo de aplicação e certificação, nomeadamente as formas de utilização do sistema no desenvolvimento de projectos e empreendimentos (novos ou existentes), níveis de desempenho e certificação (da Classe C à Classe A++), colocando a questão se a abordagem proposta pelo sistema LiderA é mais onerosa e/ou eficiente.

Conclui-se com o ponto de situação referenciando a aplicação do LiderA em dezenas de desenvolvimentos efectuados, sete certificações, dezenas de teses, apresentações, acções de formação, publicações e assessores existentes, bem como a importância e contributo das abordagens que permitam liderar para a sustentabilidade e as perspectivas que pode abrir.





Fig. 03


RESUMO_ Projectar com princípios sustentáveis
Resumo não disponível

Arq. António Carlos Coelho
“O primeiro empreendimento cooperativo de construção sustentável em Portugal – Ponte da Pedra”

CV_António Carlos Coelho, como arquitecto tem elaborado projectos em diversas áreas, desde parques de estacionamento a plataformas logísticas, mas com especial relevância na habitação de custos controlados, que lhe renderam o ano passado o prémio INH/IRHU aexequo com o Arq. Álvaro Siza Vieira e o prémio europeu de arquitectura sustentável atribuído pela União Europeia no âmbito do programa SHE – Sustainable Housing in Europe.

Como urbanista assumiu responsabilidades na elaboração de alguns processos de revisão de Planos Directores Municipais, desigandamente os do Porto, Valongo e Castelo de Paiva. Por força dos trabalhos desenvolvidos tem participado em diversas acções para promover a qualidade do meio urbano e da habitação.

Coordenou a organização do 1º Congresso dos Urbanistas Portugueses, é membro da AUP - Associação dos Urbanistas Portugueses, da ULI - Urban Land Institute e sócio fundador do Grupo Habitar, onde desempenha o cargo de presidente do Conselho Fiscal.

RESUMO_O primeiro empreendimento cooperativo de construção sustentável em Portugal – Ponte da Pedra
Resumo não disponível






Fig. 04

Arq. Nadir Bonaccorso
“Projectar com princípios sustentáveis”

CV_Nadir Bonaccorso nasce em Milão a 1967 _ Licenciado pelo Politécnico de Milão em 1993. Colabora no atelier do Arquitecto João Luís Carrilho da Graça de 1993 a 1996. Em 1997 abre atelier próprio (nbAA) em Lisboa.
Trabalha na integração das técnicas solares passivas estendendo a sua área de trabalho à cenografia, espaços expositivos e design.

Convidado a apresentar os seus trabalhos entre outros: trabalhos recentes em aulas de projecto na Universidade Lusíada, U.A.L e I.A.D.E.; Faculdade de Arquitectura King Saud, Riyd, Arábia Saudita; no âmbito da exposição “arquitectos italianos em Portugal”, Lisboa, Matosinhos, Faro; na Academia de Belas Artes Brescia Santa Giulia, Itália; no âmbito do fórum UNESCO em S. André, Portugal; no âmbito do seminário “Arquitectura Sustentável” FAUTL, 2006; no âmbito da V semana de Arquitectura no Instituto Técnico de Lisboa, 2006; no âmbito do workshop “abitare à paesaggio no Politécnico de Milão, Facoltá d’Architettura, 2006.

Convidado recentemente como Tutor para o Workshop “Fareturismo” em Salermo, Março 2007.
O projecto da Casa Casulo em Lisboa é mencionado no prémio residência singular CSCAE 04 (Espanha), 2004.
No mesmo ano ganha uma menção honrosa no concurso internacional “Saudi House, sustainability and affordability” e é convidado para o Simpósio em Riyad. Recebe com Sónia Silva a Menção especial no Prémio Internacional de Arquitectura Sustentável “Fassa Bortolo” 3ª edição, (Itália) 2006 com o projecto do Jardim de Infância no Cacém.

RESUMO_ Projectar com princípios sustentáveis: Resumo não disponível



Fig. 05

Seguiu-se a apresentação dos trabalhos desenvolvidos pelas equipas integradas no Workshop, realizado com o apoio dos seguintes tutores: engenheiro Humberto Varum e arquitectos José Gigante, Laura Costa, Miguel Veríssimo e Nadir Bonaccorso.




Fig. 06


Arq. Paula Cadima (EACI)
“Projectos Europeus desafiam barreiras para uma maior Eficiência Energética”

CV_Paula Cadima licenciou-se em Arquitectura pela Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa em 1985.

A sua tese de doutoramento “Transitional Spaces: the potential of semi-outdoor spaces as a means for environmental control with special reference to Portugal” foi realizada na Architectural Association Graduate School em Londres, onde também leccionou no Curso de Mestrado “Environment & Energy Studies Programme” durante vários anos.

É Professora na Faculdade de Arquitectura da UTL desde 2001, onde montou e coordenou o Mestrado em Arquitectura Bioclimática desde 2003. Actualmente orienta várias teses de Doutoramento na área da Arquitectura Sustentável. Conciliou o ensino e as actividades de investigação com a prática profissional e consultoria na área do conforto e sustentabilidade ambiental.

Tem trabalho de investigação na área dos microclimas urbanos, edifícios solares passivos e técnicas de arrefecimento natural e publicou diversos trabalhos e artigos em Portugal e no estrangeiro.

Em Set. 2005 mudou-se para Bruxelas para trabalhar temporariamente na EACI – Agência de Execução para a Competitividade e Inovação da Comissão Europeia onde promove a eficiência energética e o uso de energias renováveis e coordena projectos Europeus na área dos edifícios.

Desde Jan. 2006 é Vice-Presidente da PLEA (Passive Low Energy Architecture).

Bruxelas, Set. 2008





Fig. 07

RESUMO_ Projectos Europeus desafiam barreiras para uma maior Eficiência Energética
O contexto actual em matéria de políticas energéticas na Europa, em geral, e em Portugal, em particular, oferece um enorme potencial para o sector dos edifícios no que diz respeito à melhoria da qualidade da construção, a economias de energia e a uma maior informação junto do consumidor. O programa Energia Inteligente Europa oferece oportunidades, sobretudo às pequenas e médias empresas, para que contribuam de uma forma construtiva neste grande desafio na luta contra as alterações climáticas, com ideias atractivas para acções concretizáveis, que tendo uma dimensão Europeia, terão acima de tudo, um impacto a nível global.

Esta comunicação aborda a temática da eficiência energética nos edifícios e estrutura-se em 3 partes.

A primeira inclui uma breve introdução ao contexto político na área da energia na Europa, nomeadamente no que diz respeito aos edifícios e ao ambiente urbano.

A segunda parte explica os objectivos e prioridades do Programa Energia Inteligente Europa.

A terceira parte contém exemplos de várias acções financiadas por este programa no âmbito da eficiência energética.

Os exemplos apresentados incluem acções que contribuem para remover barreiras existentes (económicas, sociais, culturais, legais, institucionais, etc.) para melhorar a performance ambiental dos edifícios novos e existentes, incluindo aspectos ligados à integração de fontes de energia renováveis, à adopção de padrões inteligentes na utilização de energia nos edifícios e à implementação e monitorização da Directiva Europeia para o Desempenho Energético nos Edifícios (EPBD), entre outros.





Fig. 08: um dos exemplos de Fausto Simões

Arq. Fausto Simões
“Princípios e práticas de projecto para uma arquitectura sustentável”



CV_Fausto Simões, Licenciado em Arquitectura pela ESBAL; Actividade profissional, em regime de profissão liberal. Quadro superior da Administração do Porto de Lisboa entre 1977 e 1994. Casado, com dois filhos, residindo actualmente em Lisboa.

Actividade Profissional: Entre os planos regionais e urbanos e projectos de edifícios de habitação e de serviços efectuados, destacam-se dois estudos, não pelo seu porte, mas pela sua decisiva contribuição, a dois níveis, para a consciencialização da intima relação entre o homem e o “ambiente”:
Ao nível regional, o Plano Director da Corimba, Luanda, 1977,realizado com Manuel Laginha e A. Viana Barreto. O plano visou respeitar as aptidões do meio biofísico face ás necessidades humanas em presença, seguindo a concepção e o método de Ian McHarg (Design with Climate, Doubleday,1971).
Ao nível local, o projecto da Casa do Telheiro, Leiria. Realizado em 1977 e parcialmente construío, este projecto explora o princípio da Casa Autónoma, As suas instrutivas vicissitudes estão sumariadas na Comunicação “Habitação e Conservação de Energia” (Actas do “Encontro sobre Aplicações Térmicas da Energia Solar”, Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, 1981).

Trabalhos de I&D sobre Arquitectura Energia e “Ambiente”, de que se destacam os seguintes Estudos e Projectos:

Casa Solar Passiva do Casal do Cónego, Leiria, 1982. Projecto experimental em que foi acompanhada a construção e a utilização durante dois anos. Concepção, construção, previsão e resultados constam de documentação publicada pelo CSOPT (“Encontro sobre Arquitectura Passiva e Activa”, Lisboa, 1982) e das actas das 1ªs Jornadas de Física e Tecnologia dos Edifícios (IST,Lisboa, 1984);

Casa Solar Passiva de Vale Rosal, Almada, 1985. Projecto experimental em que foi acompanhada a construção e a utilização durante dois anos. Concepção, construção, previsão e resultados constam das seguintes publicações: “Passive Solar Techniques for Energy Conservation in Buildings” (CIB/LNEC, Lisboa, 1986), “Energy and Buildings for Temperate Climates, PLEA88 (Pergamon Press, 1989) e “Edifícios Solares Passivos em Portugal (INETI/Altener, Lisboa, 1997);

Escritórios da Taxa de Porto , Lisboa, 1985-1988. Projecto em que se procurou conjugar a satisfação de exigências ambientais, a conservação de energia e a conservação do património. Foram acompanhadas a construção e a utilização durante dois anos;

Casa do Padrão , Leiria, 2002. Projecto corrente em que foi aplicada a concepção bioclimática. Foi cuidadosamente acompanhada a construção e está a ser acompanhada a utilização;

CLICON – Método de Concepção para desenhar com o clima. A sua descrição consta da publicação “Energia Solar e Qualidade de Vida”- VIII Congresso Ibérico de Energia Solar (ISES/SPES, Porto, 1997);

Estudo de um sistema integrando o sol a lenha e o gás para o aquecimento ambiente e de águas domésticas em habitações unifamiliares. A sua evolução consta das actas do VI Congresso Ibérico de Energia Solar (SPES/ISES, Lisboa, 1993);

Estudos sobre aptidão climática e acesso ao sol que constam das seguintes publicações: “Energias Límpias en Progresso” (AEES/ISES, Vigo, 1994) e “Environmentally Friendly Cities – Proceedings of PLEA98 (JamesXJames, London,1998);

Estudo sobre habitações escalonadas em encostas declivosas, cujos primeiros resultados foram apresentados no “Pre-Regional Conference Meeting of The Commission on Climatology" e cujo sumário consta da publicação “Climate and Environmental Change” ( Ed. Colibri, Lisboa, 1998).

Contribuições para a valorização objectiva da qualidade térmica da terra crua na 7ª Conferência Internacional sobre o Estudo e a Conservação da Arquitectura de Terra, DGMN 1993 e em: Terra em Seminário (pgs 279-280, Escola Superior Gallaecia/Edições Argumentum 2005) e Houses and Cities built with earth (pgs 52- 54, Edições Argumentum 2006).





Fig. 09: a intervenção de Fausto Simões





Fig. 10: os exemplos de Fausto Simões

Formação e Divulgação

Participação em acções de formação na ex-AAP (Ordem dos Arquitectos), em estabelecimentos do ensino superior e noutras instituições, quer na sua organização quer como docente;
Participação em acções de divulgação na ex-AAP (Ordem dos Arquitectos), em escolas secundárias e outras instituições, no continente e na Madeira;

Comunicações e artigos publicados em jornais e revistas e actas de congressos da Associação dos Arquitectos Portugueses e da Ordem dos Arquitectos. Destacam-se os artigos: “Os arquitectos e o ambiente”, Revista “Energia”, Out./Nov./Dez. 1999, Lealgo, Lisboa; "Arquitectura e Natureza", Revista "Casas de Portugal", Setembro- Outubro 2000, Novembro-Dezembro 2000, Maio-Junho 2001 e Abril 2002 (as duas ultimas com o Eng Cruz Costa), Edições Expansão Económica Lda, Barcarena; "Desenhar para a sobrevivência", Revista "Arquitectura e Vida", Julho 2003.

Participação como "perito em energia" na revisão da obra "A Green Vitruvius" (ACE/UE DGXVII) e responsável pela sua versão portuguesa. (OA, 2001)

Afiliações especiais
Membro da Comissão de Estudos sobre Gestão de Energia nos Edifícios/MOPT (1985-1988);
Membro da Sociedade Portuguesa de Energia Solar;
Membro fundador do Nucleo Orbis para a promoção da “arquitectura bioclimática”;
Representante da OA na Subcomissão de Revisão da Regulamentação de
Eficiência Energética em Edifícios.

RESUMO_ Princípios e práticas de projecto para uma arquitectura sustentável
Resumo não disponível.

Faz-se, no entanto, a referência para um artigo de Fausto Simões disponível também no Infohabitar, intitulado "Arquitectura conforto e ambiente, da caixa hermética à «vida entre os edifícios»”



Fig. 11






Fig. 12: José Luís Saldanha

Arq. José Luís de Saldanha (ISCTE)
“Relações entre espaço urbano e espaço rural baseado numa visão alargada do conceito de território”

CV_José Luís Possolo de Saldanha nasceu em Lisboa a 10/9/1966. Concluiu a licenciatura em Arquitectura na Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa no ano lectivo de 1988/89, com a informação final de catorze valores e a qualificação de Bom.

Foi de Outubro de 1999 a Julho de 2002 bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian para a realização da Tese de Doutoramento, defendida na Escola Técnica Superior de Arquitectura (ETSA) da Universidade de Sevilha (US), tendo por tese "Arquitectura Habitacional Dispersa no Olival do Alentejo Interior. «Montes» com Lagar na Província Trastagana", de que realizou defesa pública no Departamento de Teoría, História e Composição Arquitectónica da referida instituição, com atribuição da classificação máxima de “aprovado cum laudae por unanimidade”.
A referida tese acha-se registada no Registo Nacional de Títulos de Espanha sob o nº2005/074019, e no Registo Universitário de Títulos de Sevilha sob o nº 000123357. Encontra-se disponível à consulta pública na Biblioteca da Escola Técnica Superior de Arquitectura (ETSA) da Universidade de Sevilha, e em exemplar na língua portuguesa na Biblioteca Nacional de Lisboa. Possui registo nº5/06 no Instituto Superior das Ciências e do Trabalho na Empresa (ISCTE), em Lisboa, com a data de 25 de Outubro de 2006.
Da tese doutoral, foi produzida em Dezembro de 2003, sob formato de «álbum», uma edição adaptada de 1.100 exemplares sob o nome Azeites e Olivais no Alentejo. «Montes» com Lagar na Província Transtagana, com patrocínio da Caixa Agrícola de Crédito e do Grupo Sovena/Azeites Oliveira da Serra.

Em Junho de 1989, e em simultâneo com a execução do trabalho final de Projecto V na Faculdade de Arquitectura, foi admitido à frequência do curso de “Patologia, Reabilitação e Manutenção de Estruturas e Edifícios” pela Associação para o Desenvolvimento do Instituto Superior Técnico, que concluiu com aproveitamento no final desse ano.

Estagiou em 1990 pelo período de seis meses na Construtora Wysling Gomes Ltda., em São Paulo, associada em Portugal de Assumpção, Montefort e Wysling Lda. Ainda no Brasil, practicou mais brevemente na Construtora Isdralit, de Porto Alegre, Rio Grande do Sul.

Actividade Docente

É desde 2004 docente na Escola Superior de Ciências e Tecnologia do Centro Regional das Beiras da Universidade Católica Portuguesa, onde leccionou diversas Unidades Curriculares na área do Urbanismo e do Projecto Urbano, sendo na actualidade docente nesta Instituição da cadeiras de Urbanismo I.

Ingressou em Novembro de 2006, na categoria de professor-auxiliar, no corpo docente do Instituto Superior das Ciências e do Trabalho na Empresa (ISCTE) em Lisboa, sendo membro do Conselho Executivo do Departamento de Arquitectura e Urbanismo para o biénio 2007/09.

Escritos Editados
Editor ISBN 972-9039, inscrito na
Associação Portuguesa de Editores e Livreiros – Agência Nacional de I.S.B.N.

• Borba. Cidade e Periferia. Intervenção na Freguesia de São Bartolomeu, em "Arquitecturas na Raia/Arquitecturas en la Raya '98" pps. 60 a 69. Editor Arco Aguero S.L.
• Porfírio Pardal Monteiro e a Reitoria da Universidade Clássica. Revista Espaço&Design, nº 27 pags. 84 a 89. Agosto/Setembro de 2002.
• Fernando Silva. O Cinema S. Jorge e Apocoppolípse Já! Revista Espaço&Design, nº 28 pags. 84 a 89. Outubro/Novembro de 2002.
• Os Processos de Extracção do Azeite e a sua Evolução (em co-autoria com José Manuel Baptista de Gouveia); Olivicultura no Mundo Rural Romano; O Olival na Paisagem Portuguesa in “O Azeite em Portugal”. Dir. José Manuel Baptista de Gouveia. Edições Inapa. Lisboa, 2002.
• Raúl Lino e o Cinema Tivoli. Revista Espaço&Design, nº 29 pags. 80 a 85. Dezembro de 2002/Janeiro de 2003.
• Ventura Terra. Teatro Politeama. Revista Espaço&Design, nº 30 pags. 100 a 105. Fevereiro/Março de 2003.
• Raúl Rodrigues Lima. Cinearte de Santos. Revista Espaço&Design, nº 31 pags. 98 a 103. Abril/Maio de 2003.
• O «Capitólio» de Luís Cristino da Silva. Revista Espaço&Design, nº 34 pags. 88 a 93. Outubro/Novembro de 2003.
• Azeites e Olivais no Alentejo. «Montes» com Lagar na Província Transtagana. Dezembro de 2003.
• Pancho Guedes em Viseu. Revista Entre Aspas, pags. 42 e 43. Associação Académica de Viseu da Universidade Católica Portuguesa. Viseu, Maio de 2005.
• São Petersburgo, A Capital do Neva. Revista Espaço&Design, nº 43 pags. 96 a 101. Junho/Julho de 2005.
• A Arquitectura Beirã no Século XXI. «Apontamentos da Católica», Jornal do Centro. 30 de Março de 2006.
• Catalunha e Portugal: Gémeos Ibéricos. «Site» do Curso de Arquitectura da Universidade Católica Portuguesa. Junho de 2006. http://www.arquitectura-ucp.com/diacurso/images/barcelona/Catalunha-JFSaldanha.pdf.
• Reflexão: Viagem de Estudo ao Norte do País. Nau Newsletter nº2. Núcleo de Arquitectura e Urbanismo do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE). Lisboa, Dezembro de 2007.

Actividade Projectual Síntese – Clientes Institucionais

1º. Classificado em Concurso Público Limitado na Câmara Municipal de Cascais, para Escola Básica do 1º.Ciclo e Estabelecimento de Ensino Pré-Escolar de Manique, freguesia de Alcabideche (executado).
1º. Classificado em Concurso Público Limitado na Câmara Municipal de Cascais, para Centro de Dia na Torre/Cruz da Guia (executado).
Projecto da Créche Rainha Sílvia da Suécia para a Fundação Princesa D. Maria Amélia no Funchal, Ilha da Madeira (executado).
Projecto de Ampliação da Residência do Capelão do Hospício Princesa Dona Maria Amélia para a Fundação Princesa Dona Maria Amélia no Funchal, Ilha da Madeira (em construção).
Estudo Prévio de Reformulação da Baixa de Cascais para o Departamento de Planeamento Estratégico da Câmara Municipal de Cascais.
Projecto da Sede de Agritex Consultoria e Investimentos em Agricultura Ldª, Vila de Mourão (em projecto).
Ampliação e remodelação do Lar de Idosos do Hospício Princesa Dona Maria Amélia para Fundação Princesa Dona Maria Amélia no Funchal, Ilha da Madeira (em projecto).





Fig. 13

RESUMO_Relações entre espaço urbano e espaço rural baseado numa visão alargada do conceito de território. Um Retrato Sucessivo no Arco Mediterrânico.
“Sistemas de Povoamento e Aproveitamento Territorial “

Explora-se a relação equilibrada entre Homem e Natureza no mundo mediterrânico, desde o Império Romano ao Século XX. Aborda-se uma visão «solidária» da cidade e do campo no período Imperial no que se refere à sistematização do povoamento territorial, à estrutura fundiária da propriedade, à exploração dos recursos naturais e à relação mútua de mercado urbano de consumo e espaço rural de produção agrícola.

Releva-se por um lado a estruturação de uma paisagem e de uma agri-cultura (o «latifúndio») de grande escala, que se irá difundir por toda a bacia mediterrânica, instalando-se solidamente no quotidiano e no imaginário do Mundo Clássico, sem por isso perder um vincado cunho ecológico na ocupação e transformação do território; por outro lado, assinalam-se os emergentes problemas de infra-estruturação das urbes, todavia no Mundo Romano, com ênfase no tratamento de resíduos sólidos.

Subsequentemente, caracteriza-se a arquitectura rural no «arco mediterrânico», desde o período Clássico até à globalização da Economia, evidenciando o seu cariz eminentemente utilitário e bem adaptado à função produtiva, às circunstâncias económicas e ao conforto ambiental.





Fig. 14

Arq. Manuel Correia Fernandes (FAUP)
“Perspectiva crítica/positiva da sustentabilidade e do projecto de arquitectura”

CV_Manuel Correia Fernandes, nasce em 1941, é diplomado em Arquitectura pela Escola Superior Belas Artes do Porto (ESBAP) em 1966, e inicia em 1972, na mesma escola, a carreira docente que exerce ininterruptamente, até ao presente.
É Professor Catedrático da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP).
Foi membro e presidente eleito dos Conselhos Directivo, Científico e Pedagógico e da Assembleia de Representantes da ESBAP e da FAUP, assim como do Senado e da Assembleia da Universidade do Porto à qual ainda pertence.
É Director do Curso de Mestrado em Metodologias de Intervenção no Património Arquitectónico da FAUP.

É Professor de Cursos de pós-graduação nas Faculdades de Engenharia e de Economia da Universidade do Porto.
Foi Coordenador dos Cursos de Verão da Associação das Universidades da Região Norte (AURN).
É consultor e perito em organismos e instituições públicas e privadas.

Foi dirigente da Associação e da Ordem dos Arquitectos Portugueses, sendo, actualmente, Presidente do respectivo Conselho Nacional de Disciplina.
Participa regularmente em exposições, conferências, colóquios e debates em Portugal e no estrangeiro.

Participa activamente na vida cívica, social e política da cidade e do país
É autor de trabalhos publicados em livros, revistas e jornais da especialidade e colaborador regular da imprensa diária.

Foi membro da Comissão Executiva do Conselho de Administração da Sociedade Porto 2001 até Novembro/99, sendo responsável pelo Programa de Revitalização e Requalificação Urbana da Baixa do Porto.
Foi nomeado para o Prémio de Arquitectura na III Exposição de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian de 1986.

Recebeu os seguintes prémios:
Prémio Nacional de Arquitectura da Associação dos Arquitectos Portugueses em 1987.
Nomeado pelo júri para o prémio Secil da Arquitectura em 1992.
Prémio Nacional do Instituto Nacional de Habitação em 1993.
Menção Honrosa do Prémio Nacional do Instituto Nacional de Habitação (INH) em 2002.
Prémio Nacional do Instituto Nacional de Habitação em 2003.
Prémio Extraordinário Fernando Belaunde Terry – IV Bienal Ibero-Americana de Arquitectura – Lima – Peru, 2004.
Foi, ainda, premiado em diversos concursos públicos de arquitectura.
Grande Oficial da Ordem da Instrução Pública (2005).
Exerce, no Porto e ininterruptamente desde 1966, a profissão de arquitecto, em regime livre.





Fig. 15: Manuel Correia Fernandes na última intervenção ao Congresso

RESUMO_“Perspectiva crítica/positiva da sustentabilidade e do projecto de arquitectura”
Em 1995, fui convidado a participar num “colóquio” realizado em Estrasburgo, dedicado ao tema da sustentabilidade e intitulado “Pour um Habitat Soutenable…”. Entre os 27 participantes e na mesma sessão em que apresentei a minha comunicação, interveio também Paul Chemetov que tratou a questão, discorrendo sobre “O Território do Arquitecto”. Fê-lo, depois da intervenção de Hans Eek, arquitecto sueco, que havia tratado o tema das “As construções ecológicas e o baixo consumo de energia na Suécia”, recorrendo a um estudo em que analisava o gasto energético da casa duma família de seis pessoas e o gasto energético anual de uma das pessoas, incluindo as suas viagens de avião, para concluir que a economia de energia da casa, mesmo que diminuísse 50%, era uma economia insignificante em relação ao consumo de energia da totalidade do sistema. Paul Chemetov, afirmou, então, que preferia falar desse sistema global que lha parecia mais decisivo e, por isso, ia falar da cidade já que, numa perspectiva politicamente empenhada, “… o único consumo zero de energia que conheço, é a morte – sistema perfeito”!

A sustentabilidade não é um somatório de “pequenas sustentabilidades” nem uma questão de fé mas, antes, uma questão de sistema, uma questão de escolha entre possibilidades e, portanto, uma questão eminentemente política. A arquitectura e, portanto, o projecto de arquitectura não são nem técnica nem politicamente neutros. A dimensão ética tem, por isso, de regressar às mesas de trabalho dos “construtores de cidades” de hoje. A sustentabilidade começa aí.

Editado no Infohabitar em 26 de outubro de 2008, por José Baptista Coelho
Lisboa, Encarnação – Olivais Norte

segunda-feira, outubro 20, 2008

Arquitectura Sustentável, 3 e 4 de Outubro 2008: Relato I - Infohabitar 218


 Infohabitar 218
Com uma apresentação mínima, pois os textos editados são longos, edita-se, em seguida, a primeira parte (de duas) do LIVRO DE CURRICULUM VITAE E RESUMOS do Congresso

“Arquitectura Sustentável – Futuro Com()passado”,

 que teve lugar no Auditório da Reitoria da Universidade de Aveiro nos passados dias 3 e 4 de Outubro de 2008, com uma grande adesão, tal como é evidente nas imagens que acompamham esta colectânea.

Esta é uma edição dos autores das palestras cujos resumos aqui se juntam, bem como do NAAV e do GH que cooperaram na organização deste grande evento , que manteve a sla do Auditório da Reitoria de Aveiro praticamente cheio até às 19h de uma sexta-feira e de um sábado, um facto que há que realçar.

Aproveita-se a oportunidade para agradecer, publicamente, o apoio da Universidade de Aveiro, da empresa CIN e das restantes organizações que viabilizaram este evento e sublinha-se a exemplar participação havida entre este NAAV e o GH na realização do Congresso, uma participação que, sem dúvida, será renovada em futuros eventos.

E finalmente agradece-se, também, aqui, aos palestrantes, cuja elevada qualidade dos estudos apresentados foi responsável pelo grande interesse e elevada participação que marcaram todas as sessões do Congresso; muito obrigado por isso e por terem dedicado uma parte das vossas carregadas agendas à intervenção neste Congresso e esperamos poder contar convosco em futuros eventos participados pelo GH.

E finalmente uma referência específica ao incansável trabalho do amigo e colega do GH Bruno Marques e da Inês de Carvalho do NAAV.

A Direcção do Grupo Habitar



Notas explicativas:

Segue-se a edição da 1.ª parte do LIVRO DE CURRICULUM VITAE E RESUMOS do Congresso “Arquitectura Sustentável – Futuro Com()passado”, com reduzidas alterações relativamente à edição distribuída no Congresso; retiraram-se, apenas, algumas ilustrações integradas no texto e que são difíceis de editar no blog e juntaram-se imagens dos trabalhos – Esta edição do Infohabitar corresponde às intervenções que tiveram lugar em 3 de Outubro de 2008.

Na próxima semana e também aqui no Infohabitar será edita a 2.ª parte do LIVRO DE CURRICULUM VITAE E RESUMOS do Congresso “Arquitectura Sustentável – Futuro Com( )passado”, correspondente às intervenções que tiveram lugar em 4 de Outubro de 2008.





Fig1

Durante muito tempo pensou-se que a acção humana na natureza seria negligenciável. Hoje sabe-se que os recursos do planeta e a sua capacidade de se auto-regenerar são limitados. Manter o planeta habitável, com qualidade, depende de todos.

O Núcleo de Aveiro da Ordem dos Arquitectos, tem a honra e o prazer de organizar em parceria com o Grupo Habitar e o apoio institucional da Universidade de Aveiro, uma semana dedicada à temática da sustentabilidade em arquitectura.

Este Workshop e Congresso propõem uma visão transversal da questão da sustentabilidade ligada aos agentes do projecto. O necessário envolvimento dos arquitectos com a sociedade civil obriga a estar atento às questões mais prementes, procurando o diálogo interdisciplinar que o desenho e a gestão do espaço obriga. Neste evento, abordar-se-ão para além da história da sustentabilidade, temas em torno da gestão participativa, da responsabilidade social, do desenvolvimento sustentável e outros que permitam às instituições e empresas actuar no sentido de formar consumidores mais responsáveis.

O despertar alargado das consciências mostra que o tema é vital para todas as actividades humanas. Arquitectura e sustentabilidade envolvem o quotidiano de todos nós, profissionais e utentes do espaço construído. Habitar o planeta terá de passar por um habitar melhor. Como dizia Wittgenstein "habitar é cuidar da vida”, torná-la melhor é nossa obrigação.
Para isso são necessárias acções para não se ficar somente pela discussão e enumeração dos problemas.

Esta iniciativa propõe uma atenção alargada ao tema por forma a que estabelecimentos de ensino, autarquias e instituições, bem como empresas assumam a questão da sustentabilidade como primordial. Pensar sustentável exige Gestão dos Recursos, Gestão do Espaço e a Gestão do Uso. Só essa gestão tripartida pode permitir a avaliação correcta das necessidades propondo respostas equilibradas e eficientes. Como dizia Richard Buckminster Fuller, é possível e desejável "fazer mais com menos". É nos tempos de crise que se amadurece. Com recursos menores e cada vez mais caros, com problemas cada vez mais vastos a questão da eficiência torna-se vital.

Projectar é sempre um acto optimista. Prever o futuro é antecipá-lo. Com a participação de todos poderemos integrar no processo de projecto, com naturalidade, valores como Reduzir (as soluções podem passar por não fazer ou fazer menor); Reutilizar (rentabilizando espaços pré-existentes e gerindo horários de funcionamento); e Reciclar.
Para que a sustentabilidade passe a ser natural e as operações possam ser delicadas, atentas e duradouras.

Ricardo Vieira de Melo,Presidente do NAAV


Estrutura dos trabalhos do Workshop e Congresso:
Segunda-feira, 29 de Setembro de 2008: início do Workshop com visita guiada à Reitoria da Universidade de Aveiro, e palestras dos arquitectos Gonçalo Byrne e Nuno Portas.

Segunda-feira a Quinta-feira: Workshop


Sexta-feira, 3 de Outubro 2008

Abertura:
Vice-reitor da Universidade de Aveiro Prof. Doutor
Presidente da Ordem dos Arquitectos, Arq. João Belo Rodeia
Presidente do NAAV, Arq. Ricardo Vieira de Melo
Presidente da Dir. do Grupo Habitar, Arq. António Baptista Coelho
Arq. Bruno Marques (NAAV e Grupo Habitar)

Manhã

Arq. Mário Varela Gomes (FCSH, UNL)
Arq. António Baptista Coelho (LNEC e Grupo Habitar)
Arq. Luís Pinto de Faria (U.F.P.)
Arq.ª Maria Fernandes (investigadora do CEAUCP, doutoranda na FCT-UC)

Tarde:
Eng. Humberto Varum (UA)
Arq. Márcio Buson (FAU Univ. Brasília)
Arq.ª Laura Costa (UTAD)
Arq. Bruno Marques (NAAV)
Arq.ª Sara Eloy e Arq.ª Isabel Plácido (L.N.E.C.)


Sábado, 4 de Outubro 2008

Manhã:

Eng. Manuel Duarte Pinheiro (IST)
Arq. Nadir Bonnacorso
Arq. Carlos Coelho

Apresentação dos trabalhos desenvolvidos pelas equipas integradas no Workshop, realizado com o apoio dos seguintes tutores: engenheiro Humberto Varum e arquitectos José Gigante, Laura Costa, Miguel Veríssimo e Nadir Bonaccorso.


Tarde:

Arq.ª Paula Cadima (EACI)
Arq. Fausto Simões
Arq. José Luís Saldanha (ISCTE)
Arq. Manuel Correia Fernandes (FAUP)

Encerramento:
Arq. Bruno Marques (NAAV)
Dr. Dâmaso Silva (CIN)
Arq. Ricardo Vieira de Melo (NAAV)
Arq. António Baptista Coelho (LNEC e Grupo Habitar)




Fig2

Arq. Mário Varela Gomes
“Habitar no Gharb (séculos XII-XIII), Antecedentes e consequentes.”



CV_ Mário Varela Gomes (n. Lisboa, 1949). Arquitecto (ESBAL, 1976; OA 1096). Docente do Departamento de História da FCSH da UNL, membro da Academia da História, Academia Nacional de Belas-Artes e Associação dos Arqueólogos Portugueses, de que é vice-presidente da direcção.

Foi professor do Mestrado em Reabilitação da Arquitectura e Núcleos Urbanos da FA-UTL (1992-95), do Mestrado em Ecological Architecture & Heritage Studies in Biospheric Design, do San Francisco Institute of Architecture (1995) e da Pós-Graduação em Arqueologia e Património da FCSH da UNL. Foi co-responsável pelos primeiros levantamentos e estudos da arte rupestre de Foz Côa (1995-1998) que conduziram à sua classificação como Património da Humanidade, assessor científico para a Gruta Chauvet (França) e perito junto da Comissão Europeia para o Programa Cultura 2000 (Bruxelas).

Tem publicados mais de duas centenas e meia de estudos, alguns monográficos, dedicados a temas de Arqueologia, História da Arte, Etnologia ou Arquitectura e é co-autor do manual universitário Proto-História de Portugal (Univ. Aberta). Em 2003 recebeu o prémio para a Arqueologia da Academia Portuguesa da História.

É autor de projectos na áreas do Planeamento, Arquitectura e Musealização, tendo o Museu de Silves (de colab. com M. L. Janeiro) recebido o Prémio de Defesa do Património Cultural (SEC 1992).
Foi distinguido com a medalha de mérito, de prata, pela Assoc. dos Arq. Portugueses, pelos trabalhos de musealização ali efectuados (2003).







Fig3 e Fig4

RESUMO_Habitar no Gharb (séculos XII-XIII) – Antecedentes e consequentes

A arquitectura residencial no Gharb al- Andalus, e portanto em tempos de administração muçulmana, dada a sua integração nos impérios magrebinos, almorávida e depois almoada, caracteriza-se por acentuado polimorfismo, embora decorrente de um mesmo modelo, devendo-se aquele sobretudo às distintas formações sociais então existentes.

Desde logo importa referir as diferenças entre o que podemos denominar arquitectura rural e a urbana. Correspondendo a primeira às pequenas unidades agro-pecuárias, do tipo dos montes ainda existentes no Sul do nosso território, a par de pequenas povoações, os casais e as aldeias, as alcarias e de grandes explorações agrícolas (almunias).

As edificações habitacionais das grandes povoações e das cidades, organizadas em bairros e quarteirões, ou integrando alcáçovas, mostram desde palácios, de diferentes tamanhos e constituição, a casas apresentando diversificadas áreas e organização espacial, algumas de muito modestas dimensões.

Técnicas, materiais de edificação e processos construtivos são quase sempre comuns a todas as estruturas habitacionais referidas, utilizando-se alicerces e enrocamentos de pedra, paredes de taipa, capazes de protegerem os seus residentes tanto dos frios invernais como da forte canícula meridional, enquanto as divisórias mostravam tabiques. As coberturas em terraço, eram construídas com madeira e terra, podendo apresentar telhado, com uma ou duas águas, possuindo estrutura de madeira revestida com telhas de canudo. A cal servia largamente para rebocos e estuques, de paredes interiores e exteriores, melhor as protegendo da água, para enriquecer massas para pavimentos, misturada com terra ou areia, ou para fortalecer as taipas militares. Raramente foram utilizados tijolos, em muros e ladrilhos na pavimentação de compartimentos com diversos fins, usando-se sobretudo lajeados de pedra, que podiam ou não serem cobertos com massa de cal e areia.

Se exceptuarmos alguma arquitectura rural, aliás ainda mal conhecida, ou estabelecimentos sazonais, como o que na Carrapateira (Aljezur) acolhia anualmente comunidade que ali se dedicava à pesca e à caça de cetáceos, a arquitectura residencial em apreço caracteriza-se, em termos genéricos, por não constituir, apenas, uma “máquina para habitar”, como escreveu Le Corbusier. De facto, para além de responder àquela necessidade primária, ela segue modelo com importante significado simbólico, desenvolvendo-se, tanto o palácio mais requintado à habitação mais modesta, em torno de pátio central, contendo jardim, por vezes de dimensões quase minúsculas.

O conceito de casa islâmica liga-se à noção de espaço especialmente privado, mesmo íntimo, pelo que as funções nela desenvolvidas decorrem sempre no recato do seu interior, confinado por paredes cegas. A rua não é mais que um acesso sem importância, que não deve expor a habitação, na qual se penetra por entrada mais ou menos dissimulada.

A concepção do pátio central dos palácios e casas muçulmanas herdam modelos conhecidos no Antigo Egipto e no Próximo Oriente, que ascendendo ao II milénio a. C., projectaram reflexos na arquitectura da Idade do Ferro do Sul de Portugal, durante os séculos VIII a VI a.C., de cariz orientalizante e edificada maioritariamente em taipa, como nas arquitecturas grega e romana, que tanto haveriam de influenciar o mundo islâmico.

Por outro lado, as edificação com planta centralizada através de pátio parece quererem aludir à casa que Maomé edificou em Medina, também ela contendo vários compartimentos voltados para aquele espaço central e aberto. Recordemos, que se atribui ao próprio Profeta a seguinte declaração: “ A construção é a realização mais inútil em que o crente pode gastar os seus meios”. É claro que esta frase se deve relacionar com crença religiosa que, procurando a espiritualidade, repudia os bens terrenos, como à pouca tradição das comunidades árabes nómadas edificarem estruturas perenes, situação que se havia de alterar devido ao contacto daqueles com culturas que possuíam longa tradição arquitectónica, designadamente da Síria, Irão, Iraque, Egipto e Bizâncio.

Os pátios e os seus jardins constituíram importante espaço multifuncional, desde logo ajudando à sua iluminação e ventilação, como de circulação e intercomunicação entre os vários compartimentos da casa, efectuado através do passeio que envolvia canteiro central. Este continha plantas diversas, tanto ornamentais, como utilizadas na culinária ou na medicina, formando não raro hortos, rodeados por canaletos onde circulava água. Os pátios permitiam a realização de diferentes actividades ao ar livre, lúdicas ou relacionadas com o subsistema económico (fiação, tecelagem, cozinha, etc…), constituindo espaços de socialização e locais confortáveis, de intimidade e de prazer, onde se podia desfrutar sombra, humidade e frescura, proporcionada pelas plantas e pela água existentes, ajudando a vencer os verões quentes, mas que também sensibilizavam os sentidos e a mente, provocavam a contemplação e ajudavam à aproximação com o Sagrado. Palácios, casas e conventos do mundo cristão, medieval e moderno, sobretudo das zonas meridionais da Península Ibérica mantiveram planta centralizada por pátio, onde não raro existia jardim, com funções idênticas ao das habitações islâmicas.

A simbologia do jardim islâmico traduzia, segundo diferentes autores, o conceito corânico de Paraíso, lugar destinado aos virtuosos, correspondendo ainda à ideia de oásis, que se opõe ao deserto árido e hostil à vida, onde se interagia com a Natureza, verdadeira dádiva de Deus.

Mário Varela Gomes


Arq. António Baptista Coelho (LNEC)
“Arquitectura e sustentabilidade, para além dos aspectos ambientais”


CV_António Baptista Coelho licenciou-se em Arquitectura em 1979, pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, trabalhou com o seu pai, arquitecto, entre 1975 e 1995, ingressou no Núcleo de Arquitectura do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), após Estágio Escolar, em 1983, realizou provas públicas no LNEC, para Assistente de Investigação, em 1985 (15 de Abril), doutorou-se em Arquitectura, pela Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP), com o estudo “Qualidade Arquitectónica Residencial", em 1995 (9 Junho), e é, actualmente, Investigador Principal com Habilitação, depois de provas públicas, no LNEC, em 2007 (12 e 13 de Março), para discussão de um estudo sobre “Habitação Humanizada”.

É fundador e Presidente do Grupo Habitar – Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional (GH-APPQH), uma associação técnica e científica sem fins lucrativos que tem sede no LNEC, editor da revista na www, Infohabitar, Vice-presidente da Nova Habitação Cooperativa (NHC) desde Janeiro de 2006, membro da Comissão Técnica da Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE) e Chefe do Núcleo de Arquitectura e Urbanismo do LNEC desde Janeiro de 2002.

É autor e co-autor de mais de 220 publicações e artigos.

Livros editados como autor e primeiro autor (disponíveis na Livraria do LNEC):
Do Bairro e da Vizinhança à Habitação – ITA 2, LNEC, Lisboa, 1998, 530 pp., ilustrado (c. J.B. Pedro).
Três Conjuntos Residenciais Meritórios, Col. Edifícios 6, LNEC, Lisboa, 1998, 92 pp (c. J.B. Pedro e Reis Cabrita).
Espaços Exteriores em Novas Áreas Residenciais - ITA 3, LNEC, Lisboa, 1999, 154 pp., ilustrado (com Reis Cabrita).
Qualidade Arquitectónica Residencial - ITA 8, LNEC, Lisboa, 2000, 475 pp., ilustrado.
Habitação evolutiva e adaptável - ITA 9, LNEC, Lisboa, 2003, 316 pág., 237 fig. (com Reis Cabrita).
(coordenação) – Cadernos Edifícios n.º 4: Humanização e vitalização do espaço público. LNEC, Lisboa, Out. de 2005, 268 pág. Ilustrado.
INH, 1984 – 2004: 20 anos a promover a construção de habitação social, INH e LNEC, Lisboa, 2006, 456 pp., ilustrado (disponível, por solicitação, no Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana, IHRU).
Habitação Humanizada – TPI 46, . Lisboa, LNEC, Julho de 2006 ( 577 pág., 121 fig.).
Habitação Humanizada: Uma apresentação geral. Memória 836. LNEC, Lisboa, 2007 ( 40 pág., 19 fig.).

Participação em outros livros, a destacar: Guia do Consumidor de Habitação, Instituto Nacional de Defesa do Consumidor Setembro de 1991; Habitat II, Plano Nacional de Acção – Habitação, MEPAT e Secretaria de Estado da Habitação e Comunicações, 1999 (Dep. Legal 141975/99); Diagnóstico sobre Implementação do Programa PER nos Municípios das Áreas Metropolitanas de Lisboa e Porto – Estudos, INH, Lisboa, Agosto 1999 (redacção do Cap 3.1- Comentários às características arquitectónicas e urbanísticas do PER); CABRITA, António Reis Cabrita, António Baptista Coelho e Maria João Freitas, Gestão Integrada de Parques Habitacionais de Arrendamento Público – guião recomendativo, MES - Secretaria de estado da Habitação, LNEC, IORU, Lisboa, Dezembro de 2000.

Áreas de investigação
Habitação humanizada (2006/2008)
História da habitação apoiada pelo Estado em Portugal (2004/2005).
Gestão integrada e reabilitação de conjuntos de habitação de interesse social (1999/2000).
Análises retrospectivas multidisciplinares (APO) residenciais (1995, 2000 e 2004).
Qualidade arquitectónica residencial, considerando a satisfação dos habitantes e uma análise integrada, e desenvolvendo os diversos níveis físicos do habitar (1994 a 2000).
Adaptabilidade na habitação (1989).
Recomendações e soluções para habitação popular evolutiva e autoconstrução em Cabo Verde (1987 a 1989).
Estudos sobre espaços exteriores em novas áreas residenciais (1984 a 1986).
Estudos regulamentares sobre Habitação a Custos Controlados (“habitação social”).


RESUMO_ Arquitectura e sustentabilidade, para além dos aspectos ambientais

A ideia que se sublinha nesta intervenção é ser fundamental considerar outros aspectos, além dos ambientais, quando o objectivo é o desenvolvimento arquitectónico de partes de cidade mais humanizadas e sustentáveis.

Salienta-se, assim, ser fundamental:
. considerar uma noção de sustentabilidade completa e integradora;
. dar a devida importância à faceta urbana da sustentabilidade;
. privilegiar as matérias do equilíbrio ambiental, da recuperação da paisagem e da adequada naturalização do espaço urbano;
. e aprofundar e privilegiar, urgentemente, as facetas humanas, sociais e culturais da relação entre Arquitectura e sustentabilidade, favorecendo, sob todas as formas possíveis, cidades amigas/humanizadas, culturalmente valiosas e vivas.

Conclui-se esta matéria da relação com uma reflexão sobre a relação entre as ideias ligadas ao habitar sustentável ou durável, no sentido amplo do termo, e a perspectiva de um habitar gerador de satisfação e mesmo de felicidade.

E desde já se salienta que todas as facetas da sustentabilidade devem ser natural e adequadamente integradas e associadas a um projecto de Arquitectura, que constitua sempre um positivo elemento urbano e paisagístico, o que configura um desafio complexo, mas sempre aliciante; e, afinal, tal como referiram Leonardo Benevolo e Benno Albretch (As Origens da Arquitectura, 2002): “Os desafios a enfrentar no mundo de hoje não dizem apenas respeito às quantidades e aos números, mas também, – e sobretudo – à complexidade e à subtileza.”




Fig5

Arq. Luís Pinto de Faria (U.F.P)
“Eco Arquitectura”


CV_ Luis Pinto de Faria é licenciado em Arquitectura pela Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, Mestre em Teoria da Arquitectura, e Doutorado em Teoria e História da Arquitectura pela Universidade Lusíada de Lisboa. É Coordenador do Curso de Arquitectura e Urbanismo da Faculdade de Ciência e Tecnologia da Universidade Fernando Pessoa, onde é docente desde 2000. É Membro do Conselho Regional de Delegados da Secção Regional Norte da Ordem dos Arquitectos; pertence ao Conselho de Redacção da Revista de Arquitectura e Urbanismo “A Obra Nasce”; e faz parte da Direcção dos Arquitectos Sem Fronteiras Portugal (ASFP). É sócio-gerente do gabinete “PDF – Pinto de Faria, Arquitectos, Lda”.

Publicações
• FARIA, Luís Pinto de – Arquitectura em Pessoa. arq./a : Arquitectura e Arte: Futurmagazin- Soc.Editora, Lda.. ISSN 151722/00. nº58 (Junho 2008) 99.
• FARIA, Luís Pinto de – (Eco)Arquitectura?. arq./a : Arquitectura e Arte: Futurmagazin- Soc. Editora,Lda.. ISSN 151722/00. nº51 (Novembro 2007) 20-25.
• FARIA, Luís Pinto de – A Casa José Braga. Revista de Arquitectura e Urbanismo : A Obra Nasce. Porto: Edições Universidade Fernando Pessoa. ISSN 1645-8729. nº5 (Outubro 2007) 81-87.
• FARIA, Luís Pinto de – (In)Fusões de Territórios. Revista de Arquitectura e Urbanismo : A Obra Nasce. Porto: Edições Universidade Fernando Pessoa. ISSN 1645-8729. nº2 (Dezembro 2004) 12-17.
• FARIA, Luís Pinto de – Emscher Park IBA. Corrigir o passado, prevenir o futuro. Revista de Arquitectura e Urbanismo : A Obra Nasce. Porto: Edições Universidade Fernando Pessoa. ISSN 1645-8729. nº1 (Julho 2004) 8-16.
• FARIA, Luís Pinto de – Paradigmas teóricos do Pós-Modernismo. Revista de Arquitectura e Urbanismo :A Obra Nasce. Porto: Edições Universidade Fernando Pessoa. ISSN 1645-8729. nº0 (Novembro 2003)66-93.
• FARIA, Luís Pinto de – As Novas (Sub) Urbanidades da Era Digital. In GOUVEIA, Luís Borges, org. - Cidades e Regiões Digitais. Porto: Edições Universidade Fernando Pessoa, 2003. ISBN: 972-8830-03-3.
• FARIA, Luís Pinto de – O Desafio Ecológico. Revista Arquitectura e Vida. Lisboa: Loja da imagem. nº37(Abril 2003) 24-27.
• FARIA, Luís Pinto de – Ideia, luz e gravidade, bem temperadas. Revista Arquitectura e Vida. Lisboa: Loja da imagem. n.º 36 (Março 2003) 60-65.
• FARIA, Luís Pinto de – La na-estética de la arquitectura : Recensão. Episteme : Revista Multidisciplinar da Universidade Técnica de Lisboa. Lisboa: Editorial Vega. ISSN 0874-0437. ano IV, nº 10-11-12 (2002)481-482.
• FARIA, Luís Pinto de – O Desafio Ecológico. ECDJ. Coimbra: editorial edarq do Departamento de Arquitectura da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra. ISSN 0874-6168. nº 5 (Dez 2001) 106-119.

Comunicações/ Conferências
• “Ecologia Urbana”; Comunicação realizada no âmbito do Seminário “Arquitectura Sustentável: Perspectivas e Práticas de Intervenção”, no Auditório S. Bento Menni, Barcelos, a 5 de Junho de 2008.
• “Arquitectura e Urbanismo : A Sustentabilidade pelo Espaço Urbano”; Comunicação realizada no âmbito do “Mês da Engenharia e da Arquitectura”, no Auditório da Universidade Fernando Pessoa, no Porto, a 18 de Abril de 2008.
• “Casas Ecológicas”; Conferência realizada na Escola Básica e Secundária da Graciosa, na Ilha Graciosa,Açores, a 7 de Abril de 2008.
• “Casas Ecológicas”; Conferência realizada no Centro Cultural da Graciosa, na Ilha Graciosa, Açores, a 6 de Abril de 2008.
• “Planning for Change within the Change”; Comunicação no âmbito do Congresso Internacional “Digital Cities Summit : From Virtual World to Human World”, 24-25 Setembro de 2007
• “Novos Espaços: Espaço Público e Participação”; Comunicação no âmbito do Workshop "Cidades Digitais : O dia seguinte", na Universidade Fernando Pessoa, 24 de Maio de 2007.
• Comunicação no âmbito do Workshop "Cidades Inovadoras e Competitivas para o Desenvolvimento Sustentável - PROJECTO INTELLIGENT CITIES", CCDRN, Porto, dia 28 de Novembro de 2006
• Participação na “Conférence Internationale DERBI”. Perpignan, 8, 9 e 10 de Junho de 2006.
• Comunicação no âmbito da “Semana de Engenharia e Arquitectura”, organizado pela AEFCT, realizada na Universidade Fernando Pessoa, 22 de Abril de 2005.
• “O Ensino de Arquitectura na U.F.P.”: Conferência realizada no âmbito da “Semana de Arquitectura e Engenharia da Universidade Fernando Pessoa”, no Salão Nobre da Universidade Fernando Pessoa, 22 de Abril de 2004.
• “(Re)Viver (n)a Baixa”: Conferência/Debate organizada pela Associação Campo Aberto, com Arquitecto Nuno Teotónio Pereira, Dr. Joaquim Branco e Dra. Gabriela Casella, no Porto, 18 de Outubro de 2003.
• “As Novas (Sub)Urbanidades da Era Digital”: Conferência realizada no âmbito do Workshop “Cidade e Regiões Digitais”, na Universidade Fernando Pessoa, 6 de Junho de 2003.
• Comunicação no âmbito da preparação do workshop OPORTO 2023, organizado pelo Neurose23, na Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, 28 de Abril de 2003.
• “Eco-Desenvolvimento e Sustentabilidade do Território”: Conferência realizada no Salão Nobre da Universidade Fernando Pessoa, 14 de Outubro de 2002.


RESUMO_ECO-ARQUITECTURA

Na perspectiva de, como se prevê, a população urbana passar de menos de 30% da população mundial em 1950 para mais de 50% já a partir de 2008 (Worldwatch Institute, 2007), podemos falar já da segunda maior revolução humana a seguir ao sedentarismo planetário de há 10.000 anos atrás (Seixas, 2004: 54). Por outro lado, se atendermos a que existem hoje 20 cidades com mais de 10 milhões de habitantes (UN-HABITAT, 2004: 24), que as Nações Unidas prevêem que em 2015 este número suba para 22, que 10 destas 22 cidades terão mais de 20 milhões de habitantes, e que destas apenas uma estará inserida num país dito desenvolvido (Ledo, 2004: 19), deduzimos facilmente o enorme acréscimo de responsabilidade que hoje recai sobre os vários agentes que planeiam, condicionam e sustentam o desenvolvimento urbano.

No contexto deste novo planeta urbano, onde as cidades são, inevitavelmente, apontadas como o foco principal da destruição ecológica global, debate-se a inevitabilidade de que seja precisamente sobre estas que se proceda aos primeiros estudos e concretizações no âmbito do desenvolvimento sustentável e da ecologia, questionando-se a apetência da arquitectura, enquanto disciplina autónoma, para integrar e resolver estas novas solicitações.

Nesta necessidade emergente de agir e dialogar sobre territórios cada vez mais complexos, mutáveis e interconectados, a arquitectura, na sua actual pluralidade, tende naturalmente a explorar novas estratégias metodológicas, suficientemente incisivas para não perder o sentido mais particular do individual, mas também suficientemente abrangentes para não perder a globalidade e reciprocidade (as partes no todo e o todo nas partes) do real.

A presente comunicação propõe a discussão do papel da Ecologia enquanto referente metodológico e filosófico incontornável no processo de percepção e intervenção desta nova realidade que se reconhece orgânica, complexa e multirelacional: o planeta urbano.

Partindo-se da análise do modo como a ideia de «Sustentabilidade» tem vindo a impregnar o discurso arquitectónico, será abordado o modo como este conceito se deslocou de um enfoque inicial mais parcelar, voltado quase exclusivamente para a esgotabilidade de recursos e para a poluição ambiental, para uma nova perspectiva ecossistémica da realidade, que sem descurar a primeira, lhe imprime uma nova complexidade orgânica, face à qual o referente ecológico tem certamente um papel a desempenhar.

LEDO, Andrés Precedo (2004). Nuevas Realidades Territoriales para el Siglo XXI : Desarrollo local, identidad territorial y ciudad difusa. Madrid; Editorial Síntesis.
SEIXAS, Paulo Castro (2004). O Planeta Urbano : Manual de instruções e alguns esquemas de montagem. In: Antropológicas. Porto, Edições Universidade Fernando Pessoa, nº8.
UN-HABITAT (2004). The State of the World’s Cities 2004/2005 : Globalization and Urban Culture. London; Earthscan.
WORLDWATCH INSTITUTE (2007). State of the World 2007 : Our Urban Future. Washington, W.W.Norton.

Luís Pinto de Faria




Fig6

Arq. Maria Fernandes (CEAUCP)
“Arquitectura em terra”


CV_Maria da Conceição Lopes Aleixo Fernandes, nasceu em Évora em 23/08/1962. Licenciatura em arquitectura, Faculdade de Arquitectura/ Universidade Técnica de Lisboa (1981-6). Mestrado em Recuperação do Património Arquitectónico e Paisagístico, pela Universidade de Évora (1994-98). Doutoranda em arquitectura na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra e bolseira do Instituto de Investigação Interdisciplinar (III) da mesma Universidade, desde Março de 2006.

Formação/Experiência: Architectural Conservation, ICCROM, Roma/ Itália 1991. Preservation du Patrimoine Architectural en Terre, CRATerre/EAG, ICCROM, Grenoble/ França 1992. Conservación y Manejo del Patrimonio Arquitectónico Histórico-Arqueológico de Tierra, CRATerre-EAG, ICCROM, GCI, INC-LL, UCP, Trujillo/ Perú, 1996. "Arquitectura, Território e Memória", no departamento de Arquitectura da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, Portugal, 2003/4. Arquitecta no Município de Montemor – o – Novo de 1988 a 1992. Arquitecta no Núcleo de recuperação do centro histórico de Évora 1992-3; Arquitecta da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais 1993-2006. (DGEMN/DREMS, 1993-8; DGEMN/DREMC1998-2006). Reparte em paralelo a actividade em profissão liberal desde 1992. Responsável por obras e projectos de conservação em edifícios classificados.

Outras actividades:
- Professora convidada, para leccionar disciplinas e seminários referentes à conservação do património construído em terra em diversos mestrados em Portugal: Évora (UE), Lisboa (ISCTE, IST, FA/UTL) e Porto (FA/UP).
- Professora, a tempo parcial, no curso de mestre construtor tradicional em terra, na Escola de Artes e Ofícios Tradicionais de Serpa, em representação da DGEMN (1994-99).

Tem ainda participado como monitora em diversas formações e workshops em Portugal e no estrangeiro.

Recentes comunicações em seminários:- Earth Mortars and Earth-Lime Renders, HMC 08 - Historical Mortars Conference (LNEC, Lisboa, 24-26 September 2008).
- Earth Colour Finishes in Earthen Architecture, COLOURS 2008, Briding Art with Colours (Univesidade de Évora, Portugal, 10-12 July 2008);
- L’adobe au Portugal, 3 éme Échanges transdisciplinaires sur les construction en terre crue – Les cultures construtives de la brique crue (Toulouse University, France, 15-17 May 2008);
- Study of the strutural behaviour of traditional adobe constructions, em co-autoria com Humberto Varum, Aníbal Costa and Dora Silveira, do Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Aveiro;
- L’adobe au Portugal: paysage, archéologie, architecture et conservation (poster), em co-autoria com Maria Conceição Lopes, CEAUCP (Centro de Estudos arqueológicos das Universidades de Coimbra e Porto), TERRA 2008 – 10 th International Conference on the study and conservation of earthen architectural heritage (Bamako, Mali, 1-5 February 2008).

Publicações:
- “Os materiais e os sistemas construtivos tradicionais na região dos mármores”, «Monumentos n.º 27», Lisboa: IHRU, 2007.
- “O adobe e as alvenarias de adobe em Portugal”, actas do V ATP [CD] ISBN 978-989-20-0903-2, 2007 e «Terra em Seminário 2007». Lisbon: Ed. Argumentum, 2007.
- “Os “restauros” do século XX, de 1900 à classificação mundial”. «Monumentos n. º 26». Lisboa: DGEMN, 2007.
- “As casas dos brasileiros na Beira Litoral Portuguesa” e “Portugal Mediterrâneo versus Portugal Atlântico, tipologias arquitectónicas em Terra” (em co-autoria com Victor Mestre), actas do IV ATP/I SACB TerraBrasil 2006 [CD], 2006 e «Terra em Seminário 2007» proceedings. Lisboa: Argumentum, 2007.
-“Técnicas de Construção com terra”, «Terra forma de construir, arquitectura, antropologia e arqueologia». Lisboa; Argumentum, 2006.
- “The conservation of earth architectonic heritage: the contribuition of Brandi’s theory”. International Seminar proceedings «Theory and practice in conservation, a tribute to Cesari Brandi». Lisbon: LNEC, (co-author Mariana Correia).
- “Arquitectura de Terra em Portugal - Earth Architecture in Portugal”. Co-Coordenadora da edição e autora de três artigos. Lisboa: Argumentum, 2005.
- “CHAN CHAN – a metrópole da terra”. Actas do IV SIACOT / III ATP, «Terra em Seminário 2006». Lisboa: Argumentum, 2005 (em co-autoria com Filipe Jorge e Mariana Correia).
- “Planos para um Bosque sagrado e encantado”, «Monumentos n.º 20», Lisboa: DGEMN, 2003.
- “A igreja e a Galeria das Damas, o que resta de um Paço Real”, «Monumentos n. º 17». Lisboa: DGEMN, 2002.
- “Os arcos de um certo jardim – O aqueduto de S. Sebastião em Coimbra”, in «Monumentos n.º 15». Lisboa: DGEMN, 2001.
- “Uso y mantemento de edificios históricos en Portugal”, «Simposio Conseva – lo Futuro y Talleres de Materiales», actas SIPAC 97. Santiago de Compostela (España): Xunta de Galicia, 1999.
- “Memoria y restauración contemporánea”, «Actas de las IX Jornadas de Intervención en el Patrimonio Histórico-Artísitico - Reconstruir La Memoria». Logroño (España): Colegio de Arquitectos de la Rioja, 1997.

RESUMO_Arquitectura em terra

Maria Fernandes


CEAUCP – Centro de Estudos Arqueológicos das Universidades de Coimbra e Porto, Unidade I&D 281 da FCT; Instituto de Arqueologia, Palácio de Sub-Ripas, 3000-305 COIMBRA.
Doutoranda no departamento de arquitectura da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra.


ResumoPor arquitectura em terra entende-se toda e qualquer construção que utiliza a matéria-prima “terra” ou solo (material da crosta terrestre proveniente da decomposição de rochas) (1), sem alteração das suas características mineralógicas. Os materiais que por um processo de cozedura ou outro alteram as características iniciais do solo, encontram-se assim excluídos do grupo “terra”, onde a matéria-prima é apenas seca ao sol – terra crua versus terra cozida.

O sector da construção é um dos maiores responsáveis pelo enorme consumo de energia e emissões de CO2 na atmosfera. Hoje mais do que nunca os métodos construtivos centram-se na rapidez de execução da obra menosprezando muitas vezes os factores ambientais e energéticos dos materiais (2). No que se refere aos materiais de construção (em termos da origem da matéria-prima empregue na sua produção), poderemos sintetizar em três classes o emprego dos recursos disponíveis:

- materiais renováveis;

- materiais não renováveis;

- materiais recicláveis.(3)

A arquitectura em terra compreende um grupo vasto de diferentes famílias de construção que utiliza na sua materialização, processos totalmente recicláveis em todas as fases de execução. Pode-se mesmo afirmar que o ciclo de vida de uma edificação em terra termina devolvendo à natureza a matéria-prima inicialmente utilizada na sua construção.

A presente comunicação tem como objectivo a apresentação das diferentes famílias de construção em terra:

- monolítica;

- alvenaria;

- enchimento e revestimento;

que incluem técnicas ancestrais e contemporâneas de construção, mencionando ainda diversos aspectos e características da arquitectura em terra, assim como, exemplos de projectos piloto onde a terra foi o material escolhido para a sua concretização.


Nota
Este resumo foi desenvolvido com o apoio do Instituto de Investigação Interdisciplinar (III) da Universidade de Coimbra.

(1) Obede Faria – Caracterização de solos para uso na arquitectura e construção com terra. Arquitectura de terra em Portugal, Lisboa: Argumentum, 2005, pp. 179.

(2) Vera Schmidberger – A responsabilidade do sector da construção perante o aquecimento global. Terra em Seminário 2007, Lisboa: Argumentum, 2007, pp. 45.

(3) Julian Chabane – Une ossature bois spécifique au remplissages. Mémoire DSA (Diplôme de Spécialisation et Approfondissement – Architecture de Terre, ENSAG (École Nationale Superieure d ‘ Architecture), Grenoble, 2006, pp. 14.




Fig7

Eng. Humberto Varum (UA)
“Caracterização das construções existentes em adobe na região de Aveiro”


CV_Humberto Varum Engenheiro Civil e Mestre em Estruturas pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. Doutor em Engenharia Civil pela Universidade de Aveiro. Professor Auxiliar do Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Aveiro. Principais interesses de investigação e actividade profissional: avaliação, reabilitação e reforço das construções existentes; engenharia sísmica; e, construção com materiais naturais. É membro de várias associações científicas e técnicas nacionais e internacionais.

RESUMO_ Caracterização das construções existentes em adobe na região de AveiroResumo não disponível


Arq. Márcio Buson (FAU Univ. Brasília)
“Blocos de terra Compactada produzidos com o KRAFTTERRA (solo+sacos de cimento reciclados)”


CV_Márcio Buson, Arquiteto e Urbanista pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília (1985-1990). Mestre em Tecnologia da Arquitetura, na área de conforto ambiental (FAU/UnB, 1996-1998).

Professor da Área de Construção do Departamento de Tecnologia em Arquitetura e Urbanismo da FAU/UnB desde 1998. Responsável pela disciplina Sistema Construtivos 1 e Coordenador do Laboratório de Construção da FAU/UnB. Doutorando em Tecnologia da Construção, tema sobre arquitetura de terra (FAU/UnB, 2006-atual). Tem experiência na área de Arquitetura e Urbanismo, com ênfase em Sistemas Construtivos Sustentáveis, Bioconstrução e Bioarquitetura, atuando principalmente nos seguintes temas: construção, arquitetura, sustentabilidade e projeto arquitetônico. Autor do livro “Autoconstrução com tijolos prensados de solo estabilizado”.


RESUMO_ Blocos de terra Compactada produzidos com o KRAFTTERRA (solo+sacos de cimento reciclados)
Resumo não disponível




Fig 8

Arq. Laura Costa (UTAD)

CV_Laura Roldão Costa, possui a Licenciatura em Arquitectura Paisagista pelo Instituto Superior de Agronomia, Universidade Técnica de Lisboa. 1988
Desenvolveu Provas de Aptidão Pedagógica e Capacidade Cientifica subordinadas ao tema: “A Vegetação e os Edifícios – Práticas para a aplicação do material vegetal atendendo a princípios de sustentabilidade”, na UTAD, em Janeiro de 2006

Foi docente na Cooperativa de Ensino Superior Artístico do Porto - Árvore do curso de Arquitectura no ano lectivo de 1989/1990, tendo leccionado a disciplina de Ecologia (1º ano)
Foi docente na Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (Faup) até 2004 tendo leccionado a disciplina de Paisagismo (5º ano) desde 1997.
Foi sócia-gerente do gabinete Aparte, Consultores de Arquitectura Paisagista, Lda., desde a sua fundação em 1989 até 2005 data da sua cessação.
Foi consultora no âmbito da Arquitectura Paisagista na Câmara Municipal de Esposende de 1992 a 2002 e na Câmara Municipal da Maia de 1995 até 2005.

TEM COMO ACTIVIDADES PRESENTES:
Docente na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) onde lecciona a cadeira do 4º ano – Projecto II (desde 2001) e do 5º ano – Projecto III (desde 2003) do curso de Arquitectura Paisagista.
Realiza Estudos e Projectos de Arquitectura Paisagista em regime de profissão liberal tendo um gabinete de projectos sedeado em Matosinhos desde 2005.

RESUMO_Contributos para um Urbanismo mais Sustentável – Coberturas ajardinadas

O Homem vive, trabalha ou desloca-se no espaço urbano para que ai possa desenvolver as suas actividades e garantir a sua sobrevivência. São os aglomerados urbanos os que oferecem uma maior capacidade de gerar empregos e de oferecer serviços dos quais se destacam o lazer, a cultura e a saúde, sendo sem dúvida locais muito atractivos.

Actualmente, e de acordo com Ruano (2000), cerca de 50% da população humana vive em espaços urbanos (no início do século XX apenas 10% vivia em aglomerados urbanos) e prevê-se que em 2030 e de acordo com dados apresentados por Palomo (2003), a percentagem da população que possa viver nestes locais possa ultrapassar os 75% nas regiões mais desenvolvidas. Para poderem responder a estes índices de ocupação e actividades, as cidades como grandes predadores, consumem recursos naturais em grande quantidade e, em troca, oferecem um monte de resíduos.

A Conferência da Terra que decorreu em 1992 foi um marco fundamental do século XX, pois universalizou os problemas do planeta e responsabilizou o Homem pelo futuro do Mundo e dos Homens de amanhã, não sendo mais possível dissociar o homem da sua envolvente e de encarar o modus operandi de fazer projectos desinseridos do contexto global e da importância que cada elemento que se projecta tem neste planeta.

Hoje, a orientação ao nível do ordenamento, planeamento e projecto terá de ser sempre a de minimizar os consumos dos recursos naturais.
Infelizmente havendo já um conjunto vasto de directivas mundiais e comunitárias em vigor que apontam para a necessidade de se construir de uma forma mais sustentável, a prática que se verifica em Portugal é a da continuidade, não havendo estudos, planos, projectos ou obras representativos dessas mesmas directivas (existem alguns casos que são apenas excepções), nem qualquer tipo de estímulos (ex: redução de taxas quando da construção de edifícios bioclimáticos ou sustentáveis) ou penalizações por se depauperarem os recursos (ex: multas quando o edifício quer na construção quer na exploração consuma níveis excessivos de água ou de energia ou quando se impermeabilize excessivamente o solo, etc.).

O Arquitecto Paisagista na sua prática profissional é cada vez mais confrontado com situações limite (escala da intervenção, restrições climáticas e de solo, elementos poluidores, etc.), e a metodologia de trabalho para situações de pequena escala leva a que haja uma grande atenção a todos os elementos constituintes do edifício.

Gostaria de alertar para a importância da utilização do material de construção - vegetação nos edifícios, pois é aí que a acção do Arquitecto Paisagista tem vindo a ser menos utilizada e é ai que também se pode contribuir para um desenho mais sustentável.

Considerando que os edifícios são uns dos principais consumidores de energias fósseis, consumindo na Europa 30% da energia total de um país (considerando a sua fase de construção e utilização), ocupam territórios impermeabilizando o solo, desflorestam e, quase sempre, ocupam solos de elevada qualidade para a prática da agricultura e, em troca, oferecem resíduos sólidos, líquidos e gasosos, torna-se necessário pensar de que forma se pode construir a Casa, o lugar de abrigo do Homem, sem destruir a Casa planetária, o Planeta abrigo do Homem.

Os edifícios, regra geral ocupam áreas pequenas de implantação relativamente aos seus alçados laterais, sendo estas as superfícies mais representativas e onde se podem desenvolver acções capazes de promover uma maior humanização do espaço, de controlo térmico e ventilação.

A colocação de plantas que produzam sombra sobre os alçados leva a uma redução das necessidades de refrigeração, podendo esta redução chegar a 30%. Os alçados Sul e Poente são os que mais necessitam deste tipo de acção e a vegetação a utilizar deverá ser sempre caducifólia, fazendo assim ensombramento no Verão, mas permitindo o aquecimento das superfícies durante os meses frios. Este tipo de prática, regra geral, consiste na colocação de trepadeiras sobre os alçados e tem o efeito acrescido de permitir a redução da temperatura ambiente na envolvente do edifício e passeios, devido ao aumento da humidade por acção da evapotranspiração e do ensombramento. Em cidades fortemente condicionadas pelo excesso de pavimentação e ocupação, esta é uma razoável resposta à necessidade de criar ligações entre as diversas zonas verdes e de aumentar o número de habitats para a fauna.

O quinto alçado, a cobertura, também é de grande relevância pois pode constituir um espaço de uso comum (sociabilização dos utentes do edifício), contribui para a melhoria do microclima urbano e reduz os consumos energéticos do edifício. Especial atenção deve ser dada às coberturas dos edifícios com grandes áreas de ocupação pois permite a implantação de zonas verdes representativas e, porque não, a oportunidade de constituir corredores verdes (continum verde) e de permitir uma rede continua de peões a diferentes cotas nos espaços urbanos.

As coberturas quando revestidas com materiais inertes adquirem temperaturas elevadas no Verão e baixas no Inverno, transmitindo este aquecimento/arrefecimento ao edifício e ao meio ambiente. No entanto, a colocação de uma camada de terra sobre a laje de cobertura permite reduzir as amplitudes térmicas, verificando-se que no Inverno as temperaturas são cerca de 3 a 5ºC superiores ás que se encontram na envolvente e, ainda se podem obter melhores resultados do ponto de vista térmico quando se combina solo com água. Esta é também uma forma de se obterem regimes de drenagem de águas pluviais substancialmente diferentes dos que se obtém em coberturas com revestimentos inorgânicos (godos, gravilhas, lajetas), levando a uma menor pressão sobre as redes de drenagem de águas pluviais e a um melhor aproveitamento do recurso água, nomeadamente para regas. Segundo Ken Yeang (2001), quando em situações de chuva muito fina e ligeira praticamente não se chegam a produzir escorrencias, se a chuva é moderada as escorrencias são aproximadamente metade da quantidade de água da precipitação e, se a chuva é forte as escorrencias podem demorar cerca de uma hora até se verificarem.

Quanto às espessuras de substrato necessárias para o desenvolvimento dos diferentes estratos florísticos apresenta-se um esquema exemplificativo que oferece uma noção geral. Naturalmente que questões relacionadas com as características especificas de cada espécie e de utilização de sistemas de drenagem e de rega terão que ser equacionados para cada cobertura.

As cores a utilizar na cobertura também vão influenciar as temperaturas, sabendo-se que durante o Verão, as coberturas recebem mais sol do que no Inverno (nº de dias de sol e inclinação dos raios solares), pelo que na nossa latitude se torna necessária a utilização de cores claras no sentido de aumentar a reflexão.

A vegetação desempenha um elevado número de funções no espaço urbano nomeadamente na mitigação dos efeitos negativos do clima urbano e no aumento das condições de conforto humano e assegura de forma mais equilibrada o funcionamento dos sistemas naturais, sendo a sua presença absolutamente necessária para a qualidade do ambiente e para a estabilidade psíquica do homem.

O desenho da paisagem urbana tem hoje que estabelecer novos códigos e paradigmas de abordagem onde o homem e a ecologia estejam mais presentes, sendo tão importantes as abordagens do particular para o geral como as do geral para o particular, considerando-se cada “estrutura” e por isso cada edifício como um elemento importante no estabelecimento do equilíbrio entre a biosfera e a polis.

Sabendo-se das vantagens da utilização da vegetação sobre os edifícios, deveriam ser dados estímulos a partir de diferentes entidades, no sentido de se tornar a aplicação destas técnicas numa prática usual. Naturalmente que as entidades públicas têm mais responsabilidades do que as privadas, pelo que deveriam ser accionados de imediato mecanismos capazes de acelerar o processo. De entre as várias entidades com capacidade de acção, considero como fundamentais:
i) as Universidades pela acção de formação de projectistas e decisores e capacidade de investigação;
ii) a administração central / Ministérios por terem que:
- assegurar os interesses nacionais no que concerne à defesa da cultura, do ambiente e do património,
- garantir a aplicação de convénios e tratados internacionais (ex.: Agenda 21, Protocolo de Quioto).
iii) os Municípios por serem os que mais directamente interagem com todos os intervenientes do processo de construir e planear:
. Utilizadores dos espaços;
. Promotores dos empreendimentos;
. Projectistas (Arquitecturas e Engenharias);
. Financiadores;
. Empresas;

Os municípios deveriam desenvolver acções mais directas e imediatas na área da educação e sensibilização ambiental (reciclagem de resíduos, águas, aplicação de energias não poluentes, preservação de ecossistemas, etc.) e na aplicabilidade de normas e taxas que promovam a concretização destes princípios.

Por fim gostaria de sublinhar que a aplicação da vegetação sobre os edifícios (coberturas, terraços, alçados, pátios e jardins interiores) não serve de compensação à necessidade de conservação e implantação de espaços verdes urbanos permeáveis, pois estes são elementos constituintes de um sistema vasto designado de Estrutura Ecológica Urbana - EEU que é responsável pela preservação dos ecossistemas fundamentais do território, nomeadamente: zonas húmidas (zonas de conservação/protecção), parques urbanos e metropolitanos, jardins de proximidade, zonas de produção rural e florestal, etc., estando a EEU integrada numa Estrutura Ecológica mais vasta de carácter municipal, regional ou mesmo nacional.

Bibliografia
GAUZIN – MÜLLER, Dominique - Arquitectura Ecológica. 29 ejemplos europeos. Barcelona, Editorial Gustavo Gili, SA., 2002. ISBN 84-252-1918-3
INTEMPER ESPAÑOLA S.A - Dossier de productos – Fachada ajardinada. Tectónica nº 17– Geometrias complejas, ATC Ediciones, S.l. Madrid, Setembro 2004.
JONES, David Lloyd - Arquitectura e entorno, el diseño de la construção Bioclimática. Barcelona. Blume. 2002. ISBN 84-95939-01-0. (imagem 3)
LANDSCAPE ARCHITECTURE EUROPE - Fildwork. Basel. Landscape Architecture Europe Foundation, 2006; ISBN 10: 3-7243-7508-6. (imagem 2)
PALOMO, Pedro J. Salvador - La Planificación verde en las ciudades. Barcelona. Editorial Gustavo Gili SA. 2003. ISBN 84-252-1517-X
RICHARDSON, Tim, The Vanguard Landscapes and Gardens of Martha Schwartz, Londres, Thames and Hudson, 2004. ISBN 0-500-51131-4 (imagem 1)
RUANO, Miguel - Ecourbanismo. Entornos humanos sostenibles: 60 proyectos. Barcelona. Editorial Gustavo Gili, S.A. 2000. ISBN 84-252-1723-7.
YEANG, Ken - el rascacielos ecológico. Barcelona. Gustavo Gili, SA. 2001. ISBN 84-252-1833
RICHARDSON, Tim, The Vanguard Landscapes and Gardens of Martha Schwartz, Londres, Thames and Hudson, 2004. ISBN 0-500-51131-4
45, 46


Arq. Bruno Marques (NAAV)
“A Influência do Desenho Urbano sobre o Microclima”


CV_Bruno Marques, Arquitecto pela Universidade Lusíada -Porto em 1996, mestre em Planeamento e Projecto do Ambiente Urbano pela Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP) em 2001, está a finalizar o doutoramento na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP).

Docente na Escola Superior Artística do Porto (ESAP) desde 1998, autor de diversos projectos de Planeamento e arquitectura, recebeu o Prémio do Instituto Nacional de Habitação em 2000 e Menção Honrosa em 2001 (Prémio INH).

Fundador e Vogal da Direcção do Grupo Habitar e do NAAV - Núcleo de Arquitectos de Aveiro.

Com várias obras e artigos publicados, tem desenvolvido nos últimos anos investigação na área do desenho urbano e arquitectura bioclimática e construção sustentável.


RESUMO_A Influência do Desenho Urbano sobre o Microclima Considerações e Estudo sobre Cenário Virtual – Litoral Norte Português

Palavras-chave: desenho urbano bioclimático; Cenário virtual; Eficiência energética em edifícios; ensaio em “Townscope III”

O consumo energético nos edifícios portugueses tem vindo a aumentar consideravelmente ao longo dos últimos anos, entre 1990 e 2000, a uma media anual de 3,7% em edifícios residenciais e 7,1% em edifícios de serviços.

Este percurso tem sido contrário aos objectivos estabelecidos pela Comissão Europeia para o ano de 2010, cuja intenção era a de reduzir em 20% o consumo energético em edifícios habitacionais.

É um facto que o planeamento urbano pode desempenhar um papel muito importante na criação de condições micro-climáticas favoráveis, com claras vantagens na eficiência energética em edifícios bem como na obtenção de melhores níveis de conforto térmico no espaço público.

Esta investigação desenvolvida entre o Instituto Universitário de Urbanística da Universidade de Valladolid e a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto pretende apresentar estratégias e explorar as vantagens de implementar considerações bioclimáticas e simulações em cenários virtuais aos planos municipais de ordenamento do território.

Na presente comunicação será elaborado um diagnóstico e estabeleceremos considerações bioclimáticas para o território objecto de análise bem como será apresentado um conjunto de resultados da simulação de aumento de densidade urbana sobre um conjunto de quarteirões em Espinho, tendo em consideração as características climáticas locais, com recurso a software apropriado.




Fig9

Arq.ª Sara Eloy e Arq.ª Isabel Plácido (L.N.E.C.)
“A contribuição das novas tecnologias (TIC) na sustentabilidade da habitação”


CV_da Arq.ª Sara Eloy
Licenciada em Arquitectura pela FAUTL em 1998. Colaborou, entre 1996 e 1997 na empresa Viacentro da Sonae e desde 1999 a 2003 no atelier de Nuno Teotónio Pereira e Pedro Viana Botelho.

Duas vezes bolseira da FCT em projectos de investigação desenvolvidos no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (1997/2000 no projecto “Habitação a custo controlado com qualidade – Sistema Informático Interactivo para Exploração de Soluções e Desenvolvimento de Projectos” e 2003/2004 no projecto “Habitação para o Futuro. Exigências e modelos para a sociedade da informação e da ecologia”).
Docente como Assistente Estagiária da ULHT desde 2002 no curso de Engenharia Civil e desde 2006 no ISCTE no Mestrado Integrado em Arquitectura nas áreas de Representação Gráfica e Construções.
Doutoranda desde 2005 no Instituto Superior Técnico / LNEC na área de Ciências da Engenharia com o tema “Metodologia de integração de Tecnologias da Informação e Comunicação na Reabilitação Habitacional”.


RESUMO_ A contribuição das novas tecnologias na sustentabilidade da habitação _ Tecnologias da informação e comunicação e domótica

Esta comunicação incide sobre uma investigação em curso que estuda a integração de tecnologias no espaço doméstico. Nesta comunicação procura-se apresentar a integração de tecnologias da informação e comunicação (TIC) e domótica na habitação como estratégias de sustentabilidade social e ambiental.

A utilização de TIC ao nível do fogo e do edifício permitem reduzir o consumo energético e o impacto ambiental na medida em que gerem de forma eficiente os recursos. Por outro lado, as TIC permitem promover a sustentabilidade social ao criarem novas possibilidades aos habitantes. A este nível podemos referir o tele-trabalho, a info-inclusão e a promoção de autonomia que as TIC criam a idosos e pessoas com deficiência.




Fig10: Imagem do prolongamento dos trabalhos no Sábado

segunda-feira, outubro 13, 2008

Arquitectura sustentável: além do ambiente - Infohabitar 217

Infohabitar 217

Arquitectura e sustentabilidade, para além dos aspectos ambientais: os outros aspectos da sustentabilidade: da qualidade arquitectónica à satisfação residencial


Arq. António Baptista Coelho (Laboratório Nacional de Engenharia Civil e Grupo Habitar)


Resumo
A ideia que se sublinha nesta intervenção é ser fundamental considerar outros aspectos, além dos ambientais, quando o objectivo é o desenvolvimento arquitectónico de partes de cidade mais humanizadas e sustentáveis.

Salienta-se, assim, ser fundamental: considerar uma noção de sustentabilidade completa e integradora; dar a devida importância à faceta urbana da sustentabilidade; privilegiar as matérias do equilíbrio ambiental, da recuperação da paisagem e da adequada naturalização do espaço urbano; e aprofundar e privilegiar, urgentemente, as facetas humanas, sociais e culturais da relação entre Arquitectura e sustentabilidade, favorecendo, sob todas as formas possíveis, cidades amigas/humanizadas, culturalmente valiosas e vivas.

Conclui-se esta matéria da relação com uma reflexão sobre a relação entre as ideias ligadas ao habitar sustentável ou durável, no sentido amplo do termo, e a perspectiva de um habitar gerador de satisfação e mesmo de felicidade.
E desde já se salienta que todas as facetas da sustentabilidade devem ser natural e adequadamente integradas e associadas a um projecto de Arquitectura, que constitua sempre um positivo elemento urbano e paisagístico, o que configura um desafio complexo, mas sempre aliciante; e, afinal, tal como referiram Leonardo Benevolo e Benno Albretch (As Origens da Arquitectura, 2002): “Os desafios a enfrentar no mundo de hoje não dizem apenas respeito às quantidades e aos números, mas também, – e sobretudo – à complexidade e à subtileza.”

Nota inicial: As figuras que ilustraram, abundantemente, a “versão falada” do presente artigo – apresentada no Congresso “Arquitectura Arquitectura Sustentável Futuro com[ ]passado”, que teve lugar em 3 e 4 de Outubro de 2008, em Aveiro, referiram-se, na sua quase totalidade, a conjuntos residenciais portugueses de Habitação a Custo Controlado (habitação apoiada pelo Estado, antes financiada pelo Instituto Nacional de Habitação, hoje Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana), alguns deles realizados com a introdução de soluções de projecto e tecnológicas de aproveitamento passivo da energia solar; desta ilustração fica a ideia que fazer habitação globalmente mais sustentável/durável é algo compatível com a promoção de habitação de interesse social.



Figura 1: Vila Nova de Famalicão, Gondifelos, 32 fogos promovidos em 1996 pela C.M. de V. N. de Famalicão, com projecto coordenado pelos arquitectos José Gigante e João Álvaro Rocha. Trata-se de uma solução que se caracteriza, em termos tecnológicos e construtivos, e na organização e distribuição de cada habitação, por aspectos de aproveitamento passivo da energia solar, e que corresponde à solução que obteve o 3.º Prémio no Concurso Internacional “PLEA 88 – Passive and Low Energy Architecture – Bloco de Habitação Social,” patrocinado, entre outras instituições, pelo INH e que decorreu em Julho de 1988. A esta intervenção específica foi atribuído o Prémio INH municipal de 1997.

I - Arquitectura e sustentabilidade, para além dos aspectos ambientais – outros aspectos da sustentabilidade: da satisfação residencial à qualidade arquitectónica

A ideia que se quer deixar sublinhada nesta intervenção é ser fundamental considerar outros aspectos, além dos ambientais, quando o objectivo é o desenvolvimento de partes de cidade mais humanizadas e sustentáveis.

De certa forma encontramos um excelente paralelismo para esta ideia na definição que Claire e Michel Duplay deram de “franja do Edifício: a zona que o envolve desde o solo, à cobertura, passando pela fachada e o “lugar de expressão construtiva, de adaptação climática e de refúgio do imaginário" (1); e comenta-se que as matérias do ambiente constituem, aqui, talvez, cerca de um terço da totalidade da matéria, que se desenvolve, igualmente, pela “expressão construtiva” e pelo “refúgio do imaginário” – e sobrarão ainda outras facetas arquitectónicas nesta franja entre interior e exterior, lugar estratégico das relações que são, afinal, a própria matéria-base da Arquitectura.

A título de comentário genérico sobre este amigável confronto entre o que se consideram ser as matérias da sustentabilidade e da Arquitectura, apontam-se, em seguida, sumariamente, algumas grandes linhas temáticas que se julga deverem ser seguidas quando se trata desta matéria.

a) Há que ser prático e construtivo na abordagem da relação entre Arquitectura e sustentabilidade. E para isso importa assumir a vital importância dos exemplos de sustentabilidade e divulgá-los, comentá-los, visitá-los, reflectir sobre eles, completá-los, discuti-los e utilizá-los; há que ter a sabedoria para começar a levantar dúvidas construtivas sobre hierarquias de objectivos que devam marcar estas matérias; e importa procurar integrar o melhor possível, numa perspectiva arquitectónica, os ensinamentos especializados que estão já disponíveis.

b) É fundamental considerar uma noção de sustentabilidade completa e integradora. E neste sentido há que procurar considerar e divulgar a ideia de sustentabilidade de uma forma completa, nos seus conteúdos fundamentais e designadamente também naqueles aspectos que podem ser, até, menos evidentes, mas que são também estruturadores; e há que ter a coragem de começar a estabilizar ideias fortes e integradoras, começando a passar das listas gerais para as hierarquias estruturadas e para os “novelos” de objectivos que, caso a caso, e conforme as características das situações concretas, possam e devam ser privilegiados.

c) É essencial dar a devida importância à faceta urbana da sustentabilidade.
E, para tal, é urgente aprofundar e divulgar a faceta urbana da sustentabilidade, avançando-se numa abordagem estrategicamente integrada com a sustentabilidade no edificado; e importa aqui reflectir, especificamente, sobre as matérias da requalificação, do preenchimento e da revitalização, sintetizadas no conceito “construir no construído,” como é abordado no excelente livro de Francisco de Gracia, com o mesmo título - e julga-se ser este um aspecto que, como se verá, tem implicações fortes no próprio conteúdo global do próprio conceito de sustentabilidade.

d) Ainda nesta faceta urbana da sustentabilidade, mas de uma forma específica, há que privilegiar as matérias do equilíbrio ambiental, da recuperação da paisagem e da adequada naturalização do espaço urbano.

e) Numa faceta fortemente arquitectónica da sustentabilidade, que se liga às facetas urbanas, já referidas, mas também aos aspectos de humanização, a seguir apontados, devem apontar-se matérias arquitectonicamente tão estruturantes como o sentido de abrigo, o sentimento de conforto, os cuidados de integração paisagística e de proximidade, e, naturalmente, a construção da forma e do ambiente pela luz natural.

f) E finalmente e de forma urgente e crucial importa aprofundar e privilegiar as facetas humanas, sociais e culturais da relação entre Arquitectura e sustentabilidade, favorecendo, sob todas as formas possíveis, cidades amigas/humanizadas, culturalmente valiosas e vivas.
Em seguida, fazem-se alguns comentários breves sobre cada um destes temas.

E complementarmente a estas linhas temáticas importa reflectir um pouco sobre a relação entre as ideias de habitar sustentável e de habitar gerador de satisfação; o que se faz no final deste artigo.

Figura 2: conjunto cooperativo promovido pela Norbiceta (cooperativas Nortecoope, As Sete Bicas e Ceta), na Ponte da Pedra, Matosinhos, em 2006, projectado pelo Arq. António Carlos Coelho, financiado pelo INH no âmbito do Estatuto Fiscal Cooperativo, e integrado no Programa Europeu Sustainable Housing in Europe (SHE) – inclui diversos aspectos de sustentabilidade ambiental e urbana; esta solução foi amplamente destacada e premiada no âmbito nacional e internacional, destacando-se, aqui, o Prémio INH/IHRU de Promoção Cooperativa 2007.

I. a) Sobre a vital importância dos exemplos e da aprendizagem técnica

Nada resulta melhor em termos de apoio à concepção e à promoção do que a visita a obras feitas e do que o diálogo com os seus responsáveis e com quem lá vive para se poderem entender vantagens e desvantagens das soluções aí desenvolvidas. E sublinhe-se que o trabalhar com exemplos é também uma forma sustentada de avançar no conhecimento das matérias, pois ir pelos exemplos é mergulhar na prática, é aprofundar tudo aquilo que estabelece pontes entre o projecto e a satisfação de utentes e moradores; pontes estas que podem ser inesperadas ou até incómodas, mas que são sempre pertinentes e muito úteis em intervenções subsequentes.

E no aprofundamento técnico muitos aspectos carecem de esclarecimento, tais como, por exemplo, a eficácia real, no que se refere à permeabilidade pluvial, de diversas soluções de revestimento do espaço exterior público e os respectivos custos de execução, e, ao nível do edificado, o caminho da viabilidade da aplicação dos painéis fotovoltaicos – ainda há muito pouco tempo foi divulgada uma imagem de habitação de interesse social em Itália com grandes painéis deste tipo. Importa nestas e noutras matérias esclarecer o custo-benefício de um amplo leque de soluções, para que se possa daí partir para uma sua aplicação bem fundamentada, começando a reduzir-se, estrategicamente, o actual excesso de opiniões, tantas vezes contraditórias.

Figura 3

I. b) Sobre uma ideia completa e integradora de sustentabilidade

Em 2006, num encontro no LNEC, o Prof. Oliveira Fernandes definiu como três facetas da sustentabilidade os aspectos ambientais, económicos e sociais.

A sustentabilidade na área ambiental tem sido estudada, em termos de aspectos a desenvolver, enquanto a sustentabilidade económica da cidade e das suas diversas partes tem ainda muito a aprofundar, situação que se agrava, claramente, no que se refere à falta de aprofundamento arquitectónico e urbanístico da sustentabilidade social e urbana – por exemplo, sabe-se e têm-se provas críticas da necessidade de haver misturas sociais e funcionais em cada bairro e em cada vizinhança, mas do saber ao fazer, como regra, há ainda uma grande distância. E, depois, há ainda todo o excelente mundo da sustentabilidade cultural, uma matéria que se liga às anteriores, mas que tem naturalmente força própria, designadamente, em aspectos ligados a uma adequada e estimulante caracterização paisagística; e é importante que, desde já, se assuma a sustentabilidade com este leque amplo e completo de desenvolvimento, até também porque o património cultural é já hoje e será, cada vez mais, um dos principais recursos de Portugal e da Europa.

Na intervenção referida Oliveira Fernandes sublinhou, que a sustentabilidade implica uma visão integrada; e a ideia que se deixa é que a própria sustentabilidade urbana e do habitar corresponde a uma tendência fundamental em termos de integração: ambiental, funcional, paisagística, social e cultural.

Estamos, ainda, hoje em dia, numa fase de proliferação de grandes listagens de aspectos a considerar para a melhoria da sustentabilidade urbana e residencial, no entanto começa a ser urgente definir prioridades, objectivos e opções fundamentais, e neste processo é crucial ter em conta que cada sítio é um sítio e que a sua caracterização específica (ex., funcional e visual) constitui um elemento insubstituível da sua sustentabilidade integrada; numa opção de crucial identificação de cada sítio e de cada parte de cidade, e numa opção de negação das cidades “placebo” ou “franchising”, anónimas e uniformes, cidades estas sem futuro, portanto insustentáveis, neste século das cidades.

Figura 4: entre o “velho” e bom Alvalade, o conjunto de realojamento da CML na Tv. do Sargento Abílio. Lx., Arq. Paulo Tormenta Pinto, e o Metro do Porto.

I. c) Sobre a urgente faceta de arquitectura urbana da sustentabilidade e o “construir no construído”

Como foi, também, apontado por Oliveira Fernandes e tem sido sublinhado por outros estudiosos, as cidades não são, por natureza, sustentáveis, designadamente, em termos ambientais.

Mas se quisermos avançar nesta matéria há que tentar tudo fazer para se reduzirem as influências ambientalmente negativas das cidades e para o fazer há que privilegiar, sistematicamente, intervenções integradas e consistentes, designadamente, nos seguintes aspectos (numa listagem que designo como aberta ou dinâmica e que integra múltiplos aspectos de uma boa-arte da Arquitectura): estruturar o novo espaço urbano tendo em conta a geometria da insolação em edifícios e espaços públicos; ter em conta o conforto acústico e a protecção acústica; maximizar a permeabilidade dos espaços exteriores relativamente à água das chuvas; desenvolver o aproveitamento local maximizado do ciclo da água; considerar um verdadeiro e positivo verde urbano; fomentar os usos pedonais funcionais e recreativos; apoiar o uso de bicicletas e outros meios de acessibilidade amigos do ambiente; dinamizar o convívio vicinal; estimular o uso de transportes públicos; considerar as características de composição e de reutilização dos materiais usados nos espaços exteriores, favorecendo aqueles que sejam mais amigos do ambiente.

E num novelo tão integrado de objectivos como é o caso, há que encontrar fortes fios condutores e neste sentido é muito desejável privilegiar um verdadeiro protagonismo formal e funcional do espaço público e da imagem urbana, um protagonismo também direccionado para a dinamização do recreio, do lazer e do desporto no exterior público e para o indefectível favorecimento do convívio vicinal e urbano; convívios estes cada vez mais cruciais numa sociedade que tende a viver entre um autista isolamento doméstico e individual e um massificado e estereotipado consumo de espaços colectivos, ditos de uso “público”, como é o caso dos “centros comerciais”.

E há aqui total concordância com as opiniões de William Mitchell, que defende a harmonização de muitos dos aspectos positivos da sociedade em rede e do habitar apoiado pelas tecnologias de informação e comunicação, com o aprofundamento das relações humanas directas e da vida cívica e urbana local e caracterizada – e a ideia é que muito se tem a ganhar com uma tal aliança.

Afinal é fundamental, tal como escreveu Daniel Filpe, “ uma cidade onde acontecem coisas” (2) e numa cidade assim “de vez em quando apetece a gente tomar por uma dessas ruazinhas que não se sabe onde irão acabar, deixando correr o tempo ao sabor dos passos erradios” (3).

Ainda nesta perspectiva integradora e basicamente urbana da sustentabilidade importa sublinhar a oportunidade e importância da ideia do “construir no construído”, uma ideia lançada por Francisco de Gracia, e que é, ela própria, uma base fundamental de sustentabilidade urbana, física e social, pois trata de se privilegiar a intervenção seja na reabilitação de determinadas parcelas da cidade, tornando-as novamente úteis e atenuando-se a expansão da cidade sobre o meio natural, mas também se refere ao importante aspecto de se privilegiar o preenchimento, a colmatação e o cerzir do espaço urbano preexistente, a rentabilização de infraestruturas e uma cuidada e vitalizadora densificação urbana.

O “construir no construído” tende a anular os espaços residuais e marginais, a avançar na anulação de zonas social e por vezes ambientalmente problemáticas, e, associa-se, naturalmente, devido à sua própria natureza, que favorece intervenções com escala geral reduzida, ao privilegiar das intervenções pequenas e expressivamente humanizadas, bem integradas nas suas envolventes, bem estruturadas, que acolhem, frequentemente e de forma positiva, afirmadas referências à escala à escala e usos humanos, proporcionando-se interessantes condições de dinamização do carácter local e da convivialidade vicinal. E, afinal, o “construir no construído” é muito arquitectónico pois repousa numa pormenorização que deve responder, positivamente, àquilo que os nossos olhos querem encontrar nas sequências de vizinhanças de proximidade que constituem a cidade.

Figura 5

I. d) Sobre o privilegiar do equilíbrio paisagístico e ambiental e da cuidada naturalização do espaço urbano

Esta temática tem toda a ligação com a que acabámos de desenvolver e terá com certeza outros aprofundamentos por especialistas nas diversas matérias; no entanto, configura aspectos específicos críticos e urgentes a que importa dar a devida atenção.

Um destes aspectos, provavelmente um aspecto determinante, tem a ver com a importância do desenvolvimento do verde urbano e designadamente da plantação de árvores como factor de redução do CO2 - Al Gore, no âmbito do seu filme, recentemente exibido, “An Inconvenient Truth”, refere que uma árvore consome, em média, ao longo da sua vida, uma tonelada de CO2.

Mas além desta vantagem as árvores urbanas são excelentes aliados de uma ampla sustentabilidade pois, tal como é referido pela London Tree Officers Association (LTOA), cujo site se recomenda (ltoa.org.uk ), as árvores urbanas têm múltiplas vantagens (entre aspas citações da LTOA):

Nas áreas da saúde e do bem-estar: reduzem o risco de cancro na pele através do sombreamento; “os níveis de stress e de doença são, frequentemente, mais baixos na presença de árvores”; “as árvores contribuem para níveis reduzidos de ruído e de poeiras”; e “à medida que as árvores se desenvolvem e envelhecem elas proporcionam carácter e sentido de lugar e de permanência, enquanto libertam cheiros e aromas que provocam uma resposta emocional positiva”.

Em termos de influência no clima local: “as árvores, para além de absorverem dióxido de carbono (o principal gás gerador do efeito de estufa), e de produzirem oxigénio, filtram, absorvem e reduzem os gases poluidores, incluindo o ozono, dióxido de enxofre, monóxido de carbono e dióxido de nitrogénio”; “suavizam, localmente, picos extremos de temperaturas, refrescando no Verão e aquecendo no Inverno”; “árvores com copas grandes e de grandes folhas acolhem a chuva, amortecendo a progressão da água entre o céu e o solo, ajudando a reduzir o risco de enxurradas”.

E em termos aspectos sociais e ambientais: “pontos focais comunitários que incluam árvores proporcionam amenidade, valia estética e continuidade histórica”; “as árvores proporcionam … um apreciável acréscimo de amenidades às famílias e às comunidades”; “as árvores marcam a mudança das estações do ano com alterações nas folhas e mudanças na floração” – e é fundamental que o ciclo das estações seja sentido por todos e especialmente pelos urbanitas - ; “As árvores oferecem habitats para um amplo leque de espécies de vida bravia ao longo de todo o ano” – as árvores são, assim, elementos fundamentais no apoio à biodiversidade, com uma utilidade que alia aspectos intrínsecos de manutenção das espécies, com aspectos igualmente importantes de espectáculo biológico oferecido aos urbanitas.

E no que se refere a vantagens económicas: “a presença de árvores pode fazer aumentar o valor de propriedades residenciais e comerciais entre 5% e 18%, enquanto o valor do terreno não infraestruturado, que integre árvores adultas, pode aumentar até cerca de 27%”; “quando as árvores são plantadas estrategicamente podem reduzir emissões de combustível fóssil, através da redução dos custos de combustível para aquecimento e arrefecimento dos edifícios”; “as árvores proporcionam a criação de emprego nos mais variados ramos de actividade (ex., jardinagem)”; “as árvores proporcionam uma fonte sustentada de “composto”, feito de folhas, assim como biocombustível produzido de aparas de madeira”.

E como importante suplemento a todas estas vantagens regista-se que o verde urbano tem uma importância tão vital como impossível de quantificar, pois, como diz Daniel Filipe, refere-se à dimensão afectiva: o jardim “é um pequeno mundo a três dimensões sentimentais.” (4)

A pergunta que aqui se deixa é que se está provado o grande interesse da arborização urbana não se entende a razão de uma tal medida não avançar e com carácter de urgência. E, provavelmente, a melhor resposta nesta matéria estará na aplicação de espécies arbóreas muito duradouras, pouco exigentes em manutenção e que suportem bem a poluição urbana.

Figura 6: Habitação social no centro urbano, Conde Barão Lx., Arqs Castro caldas e Nuno Távora; Coop. Massarelos, Arq.s Francisco Barata e Manuel Fernandes Sá; Reabilitação e realojamento na Qt. Do Guarda Livros, V.N. De Gaia, Arq. Paulo Alzamora; Fontinha, Porto, CMP, Arqs Costa Macedo, Rui Mealha e Tresa Miranda; e Fontainhas, Porto, CMP, Arqs Helder Ribeiro e Amândio Cupido.


I. e) Abordando, agora, sumariamente, a matéria fortemente arquitectónica da sustentabilidade, que se liga às facetas urbanas, já referidas, mas também aos aspectos de humanização, a seguir apontados, deve sublinhar-se a relevância, o peso histórico e a actual oportunidade de matérias arquitectonicamente tão estruturantes como o sentido de abrigo, o sentimento de conforto, os cuidados de integração paisagística e de proximidade, e, naturalmente, a construção da forma e do ambiente pela luz natural.

É interessante comentar, aqui, aquilo que muitos dos que aqui estão sentem ao pensarem nestes temas, é que eles integram, basicamente, a própria natureza do fazer da Arquitectura, seja num sentido prático evidente em tantos grandes projectistas, seja num sentido mais teórico e basta lembrarmos partes de alguns dos títulos dos capítulos do livro de Steen Eiler Rasmussen intitulado “experiencing architecture – arquitetura vivenciada” (na tradução brasileira) (5) – por exemplo: sólidos e cavidades, efeitos contrastantes, planos de cor, e a luz do dia em arquitectura – para termos a certeza que assim acontece, e depois avançando para as matérias do abrigo, lá está o incontornável Norberg-Schulz e entre a prática e a teoria as lições de Hertzberger e as mais recentes de Simon Unwin.

É com uma dolorosa brevidade que passo por estas matérias, não só pelo que tenho estudado mas também porque fiz algum projecto e obra durante duas dezenas de anos e tenho continuado, sempre, a ver, com olhos de ver, muitas obras de Arquitectura, mas afinal há a célebre afirmação de Corbusier, que sintetiza muito de tudo isto: “A arquitectura é o jogo sábio, correcto e magnífico dos volumes dispostos sob a luz.”

Uma reflexão que tem complementaridade na ideia que marca as seguintes palavras escritas por Fernando Távora em 1962: “Portugal é dotado de belíssimos sítios naturais e os nossos antepassados deixaram-nos excelentes lições quanto ao equilíbrio sítio-edifício, mas em face dos crimes que vemos cometerem-se aqui e ali contra a nossa paisagem, não será difícil concluir que tal sentimento de equilíbrio abandonou os nossos contemporâneos pois que, de um modo quase geral, quando um edifício de hoje se instala num sítio, perdem-se um e outro por ausência de relações correctas entre ambos.” (6)

Afinal e como referiram Nuno Portas e Gonçalo Byrne, na Universidade de Aveiro, no início do seminário, “Arquitectura e sustentabilidade: futuro com [ ] passado”, em 29 de Setembro de 2008, na Universidade de Aveiro, as questões da sustentabilidade começam no território, antes da Arquitectura, o edifício tem autonomia, mas há a estratégia urbana e paisagística.

E os mesmos autores concordaram na importância da exequibilidade de uma sustentabilidade arquitectónica que não seja excessivamente ambiental, por ser também social e económica e marcada por uma urbanidade ampla, não limitada aos centros das cidades e uma sustentabilidade arquitectónica em que uma boa parte dos aspectos projectuais a ter em conta se referem aos já sublinhados factores de localização e orientação, sucedendo-se numa sequencial redução dimensional os aspectos ligados ao aproveitamento e controlo de energias passivas e, finalmente, numa escala muito mais reduzida os designados sistemas activos; e em tudo isto parece considerarem necessário um novo debate sobre a Arquitectura e um aprofundamento do discurso e da reflexão sobre a cidade, considerando, muito especificamente, a nossa cultura e as nossas regiões.

Figura 7: diversas vistas, entre Barcelona, Matosinhos e Malmö, neste caso com um conjunto realizado em colaboração com Charles Moore

I. f) Finalmente, nesta sequência de ideias, apontam-se algumas notas sobre o fundamental papel de cidades e de vizinhanças amigáveis, humanizadas e vitalizadas, como potenciais redentoras deste século das cidades; afinal, algumas notas sobre a humanização do habitar, nas suas diversas facetas, como elemento fulcral da sua sustentabilidade

Ao falar-se das grandes linhas da sustentabilidade urbana e residencial não faria qualquer sentido deixar de referir ser fundamental que tudo o que se faça para melhorar as nossas cidades “centrais” desabitadas e os nossos subúrbios descaracterizados, se integre numa linha obrigatória e exigente de contribuição para a respectiva vitalização e humanização, considerando-se que neste último aspecto tem lugar cativo uma verdadeira qualidade cultural que possa ir devolvendo a cidade a uma estima pública activa e convivial – uma ideia defendida, no LNEC, já há alguns anos, pela Arqª Valente Pereira. Afinal, pouco ganharemos em ter novas partes da cidade, por exemplo, energeticamente eficientes se elas forem culturalmente empobrecedoras e socialmente desvitalizadas; e não esqueçamos que vivemos, cada vez mais, o século das grandes cidades e nas grandes cidades tais problemas, e os associados problemas de desintegração sociocultural, tão evidenciados, entre nós, nos últimos meses, assumem uma importância determinante.

Nestas matérias e relativamente à questão sensível e complexa da insegurança urbana, uma matéria que se julga ser o sintoma mais objectivo de uma cidade doente, portanto não sustentável, defende-se que ele só poderá vir a ser relativamente solucionado com cidades e partes de cidade amigáveis, porque bem habitadas, humanizadas e socialmente diversificadas e vitalizadas.

Actuar directamente sobre a insegurança urbana ajuda, naturalmente, mas não tem eficácia adequada numa perspectiva de futuro, a não ser que numa perspectiva convivial e cívica como aquela seguida no policiamento “orientado para a comunidade”; há sim que actuar sobre a coesão física e social da cidade, sobre a respectiva gestão local de proximidade e, paralelamente, sobre uma segurança pública de comunidade. As questões ligadas à insegurança urbana serão, provavelmente, os sintomas mais agudos e graves de uma situação de insustentabilidade urbana e porventura social; naturalmente que a insegurança e as situações de banditismo e de vandalismo que a provocam não serão erradicados com a adopção de uma ampla sustentabilidade urbana, tal como foi aqui apontado, mas não tenhamos dúvidas que a influência de tais medidas no bem-estar urbano e vivencial será sempre muito forte e fundamental.

E lembremos que estamos, hoje, já bem dentro do “século das cidades”, com mais pessoas a viverem nas cidades do que no campo, num movimento migratório que continuará, e, portanto, numa perspectiva que tem, obrigatoriamente, de conciliar ambiente, cidade e bem-estar em condições de grande densificação, portanto temos um problema duplo nos braços: resgatar as condições ambientais negativas ainda predominantes; e proporcionar uma boa qualidade de vida em meios urbanos densos – e esperemos que deste conjunto complexo de problemas resultem soluções para a insustentável situação de centros urbanos sem habitantes e de periferias sem vida urbana.

Figura 8: diversas vistas e um exemplo de Habitação a Custo Controlados, a Cooperativa O Nosso Piso, em Conceição de Tavira, do Arq. Pedro Serra Alves

II. Entre a casa sustentável e a casa que satisfaz: algumas notas de enquadramento

Para concluir esta intervenção sobre as outras sustentabilidades, para além da ambiental, que tanto importam no fazer da Arquitectura, gostaria de reflectir um pouco sobre a relação entre as ideias de habitar sustentável e de habitar gerador de satisfação.

Nesta matéria devo confessar que vivo bem em casas sem quaisquer gadgets e sem quaisquer especializações nas múltiplas áreas da dita sustentabilidade habitacional, assim como estou a ser muito mais feliz com um telemóvel mais simples e com mais autonomia do que a máquina altamente sofisticada que tive até há pouco tempo atrás.

Devo dizer, também, que não tenho, evidentemente, quaisquer dúvidas sobre a urgente importância da implementação de medidas integráveis como aspectos de sustentabilidade. E não tenho quaisquer dúvidas na matéria porque, por um lado, o fundamental, é clara a influência que certos aspectos, associáveis ao tema da dita sustentabilidade, têm para a sustentabilidade ambiental global, mas também para uma maior satisfação residencial, e, cumulativamente, é cada vez mais claro o peso que tais cuidados poderão ter no orçamento de cada família (ex., os preços da electricidade e da água são exemplos claros de uma tal realidade).

Dito isto tentarei dar uma resposta à questão sobre que características de sustentabilidade poderão cooperar na configuração de um habitar potencialmente mais feliz, porque mais influenciador de uma vida mais feliz.

O que faz uma casa confortável e económica? Portanto, o que faz uma casa dita “sustentável”?

Uma casa deve ser termicamente equilibrada – fresca no Verão e cálida no Inverno – e isto é possível, há muitos anos, através de uma construção bem desenvolvida em termos de uma adequada orientação solar, de uma cuidada pormenorização, e de uma construção que isole e proporcione uma ventilação estratégica; afinal objectivos que desde há milhares de anos estão connosco, só que, muitas vezes, esquecidos, designadamente, por ignorância ou vontade de lucro fácil.

Os cuidados de boa orientação solar e de boa ventilação marcaram, desde sempre, a Arquitectura, e o desenvolvimento de uma construção adequada tem encontrado, nos últimos anos, um leque cada vez maior e mais versátil de soluções, que proporcionam máximas condições de isolamento com um mínimo de ocupação espacial e uma maximização da facilidade da construção, condições estas que também têm caracterizado, por exemplo, quer os vãos domésticos, em que, cada vez mais é possível aliar o máximo de luz a um máximo de condições de controlo da luz e de outros aspectos associáveis, quer as diversas instalações associadas a aspectos de conforto e de funcionalidade.

Mas atenção, é salutar ter presente que há milhares de anos já se praticavam estes objectivos de bem-viver a casa, sem dúvida para poucos, de uma forma mais elaborada e conseguida, mas num equilíbrio de meios e de necessidades extremamente significativo se considerarmos o que era possível fazer em cada época – e é realmente impressionante e muito útil termos a consciência do elaborado conforto de uma grande casa romana e da forma como ela tão bem dialogava com o clima, com a paisagem, com os recursos naturais – da água à argila – e, naturalmente, com a vida doméstica e o carácter que envolvia esse mesma vida.

Se avançarmos nas áreas do consumo de energia e de água as lições são idênticas, pois é igualmente salutar lembrar que desde há milhares de anos se usa a força do vento e dos cursos de água para múltiplos fins, isto apenas para dar um exemplo. É evidente que a escala das necessidades aumentou de forma quase incontrolável, mas é importante termos presente que deixámos de usar, por exemplo, moinhos eólicos para regar hortas, há poucas dezenas de anos, e na mesma altura deixámos de usar fogões a lenha, e, nas cidades, reconvertemos muitas linhas de eléctricos a autocarros, enquanto inventámos regulamentos que dão, em princípio, mais luz natural às habitações, mas tornam as ruas menos abrigadas do sol, do vento e da chuva, e hoje em dia, estamos a recuperar muitas dessas soluções, até no que se refere à densificação urbana; não de uma forma saudosista, mas por razões práticas.

Se tentarmos discriminar, sinteticamente, os principais tipos de facetas de um amplo leque de matérias ligadas a uma verdadeira sustentabilidade residencial com reflexos nas áreas da Arquitectura teremos, naturalmente, aspectos de:

. integração paisagística (urbana e rural) e, associada, harmonização microclimática;

. redução do consumo de recursos não renováveis;

equilibrada e vitalizada densificação urbana;

. disponibilização e controlo da luz natural e da insolação no interior dos edifícios (e não esqueçamos o contributo da boa luz natural para a satisfação com o habitar);

. disponibilização de uma eficaz solução de isolamento térmico e de ventilação natural, proporcionando um conforto doméstico não encasulado e, portanto, bem ligado ao exterior (uma espécie de isolamento activo);

. disponibilização de excelentes condições de isolamento acústico (e não esqueçamos o contributo da falta de isolamento acústico para as más relações entre vizinhos e até entre “vizinhos” da mesma habitação);

. e disponibilização de um leque de materiais, acabamentos e instalações amigos da saúde humana e do ambiente.

Há, ainda, que especificar, sobre estas áreas da “sustentabilidade”, dois aspectos, sendo um positivo e o outro negativo.

O primeiro é um aspecto motivador e que tem muito a ver com a natureza básica de toda esta reflexão e que se liga à fundamental fusão entre estas matérias da sustentabilidade/durabilidade e o bom desenho de Arquitectura – e afinal o bom desenho de Arquitectura sempre tratou de boa parte destas matérias.

O segundo aspecto, muito pouco motivador, mas necessário, tem a ver com um alerta para o muito “gato por lebre” que por aí se anda a vender nesta matéria da sustentabilidade, …, e era muito importante que certos aspectos fossem objecto de um máximo esclarecimento em termos dos equilíbrios ou desequilíbrios custo-benefício que certas soluções proporcionam – e nesta matéria é fundamental apontar que, muito provavelmente, um bom isolamento térmico e acústico caracterizando uma habitação bem orientada relativamente ao Sol e com muita luz natural caracteriza uma solução muito mais positiva e “sustentável” do que outra sem essas características, mas “compensada” pelos mais variados gadgets mais ou menos tecnológicos.

O que, assim, se quer salientar é, por um lado, que a sustentabilidade, além de ser ambiental, tem de ser funcional, social e cultural e tem de ter uma perspectiva de consistência e de durabilidade o mais possível completa, que vá até do espaço urbano ao vivencial, considerando os próprios processos de concepção arquitectónica; e que o ter-se de certa forma redescoberto o conceito de “sustentabilidade ambiental” não significa que boa parte do que ele implica não estivesse já a ser aplicado por uma Arquitectura bem informada e qualificada e até a ser entre nós abordada por muitos colegas desde há bastantes anos; e o que dizer daqueles que, entre nós, há cerca de 15 anos projectaram casas solares passivas, como aconteceu com o colega Fausto Simões (7).

De certa forma trata-se, também, de unificar conceitos preexistentes nas áreas da térmica, da ventilação, da luz natural e da acústica – por exemplo, no LNEC, desde há cerca de 40 anos que estas matérias foram objecto de estudos específicos e de trabalho específico numa perspectiva de diversos núcleos de investigação, núcleos estes que foram recentemente associados numa parceria estratégica no âmbito da Equipa Especial Edificação Sustentável, coordenada pelo colega Eng. Pina dos Santos. Assimilar tais conhecimentos às matérias ligadas à energia, ao aproveitamento passivo e activo da energia solar e eólica e às matérias da poupança de recursos e da reciclagem, conjugar estes temas com as matérias da domótica, que são aliás fundamentais para fazer funcionar tudo isto e que foram extremamente favorecidas pelos recentes e incríveis avanços da informática e conseguiremos fazer, hoje em dia, as melhores soluções urbanas e residenciais com todo este renovado e reforçado cocktail tecnológico.

Mas lembremos que todas as mais exigentes e inovadoras condições de sustentabilidade ambiental residencial terão um resultado final muito reduzido se não forem aplicadas num quadro urbano igualmente estruturado por tais tipos de exigências; pois, realmente, fará muito pouco sentido, por exemplo, pouparmos água tratada nas descargas sanitárias, e pagarmos as novas instalações que para isso são necessárias, enquanto na rua se continue a usar a água tratada para regar a relva e, ainda, quando na rua continue a haver incríveis perdas nas canalizações. E poderíamos realizar idênticos raciocínios para muitas outras matérias.

E reafirma-se que o fazer tudo isto não pode, de qualquer forma, substituir-se ao fazer a boa Arquitectura urbana e residencial; e atenção que, infelizmente, há sempre quem goste de substituir o que é fazer engenho e arte, apenas por uma maquinal aplicação tecnológica, até, por vezes, pouco fundamentada.
Afinal, tal como defendeu Norberg-Schulz, uma verdadeira casa não é apenas um refúgio, uma toca, um "não lugar" uniforme, mas exige um espaço distinto e uma cena que se possa imaginar (8); diz Moore que “a cena vazia de um compartimento é definida pelos seus limites, animada pela luz, organizada em torno de um «pivot» e aberta graças à vista” ("The Places of Houses", Moore, Allen e Lyndon).

E a Arquitectura é muito mais do que apenas a função, é também, como refere Kirby Lockard, um «contar» ou uma arte comunicativa (9).

Figura 9

Devo dizer que as casas onde vivo, com satisfação, pouco têm de aspectos de sustentabilidade ambiental, ou talvez esteja a ser injusto, pois em um dos casos a casa está cheia de luz natural e de vistas e integrada num grande jardim público, enquanto no outro caso trata-se de uma casa que foi evoluindo, desde um grande coração de adobe e que está totalmente rodeada por árvores e arbustos; numa e noutra tenho calor no Verão, mas se não tiver cuidado com o abrir e fechar de portas e janelas, e tenho sempre algum frio no Inverno, mas não excessivo, desde que tenha idêntico cuidado com a abertura de portas e janelas.

E qualquer destas casas tem um excelente e forte carácter arquitectónico, e talvez esta última condição deva constituir-se numa outra verdadeira faceta de uma sustentabilidade arquitectónica com âmbito geral, numa espécie de vasos comunicantes qualitativos em que certas qualidades mais efectivas acabam por equilibrar deficiências noutras facetas – e talvez seja por isso que, por exemplo, as excelentes condições de vizinhança e de integração paisagística de Olivais Norte, associadas a excelentes projectos habitacionais, acabam por suavizar as reduzidas condições espaciais nas habitações; e talvez por isso seja que num dos primeiros casos de clara eficiência energética em habitação de interesse social, em Vila do Conde, os habitantes não consideravam a habitação pouco espaçosa (e era-o, efectivamente), qualificando-a sim como “confortável”.

E não será que toda esta questão se liga, profundamente, a um outro aspecto da sustentabilidade residencial que tem a ver, directamente, com a própria qualidade arquitectónica do habitar, uma qualidade que para ser da matéria da Arquitectura se preocupará, sempre, activamente, com aspectos de integração paisagística, de orientação solar, de iluminação natural abundante e eficaz e de conforto diário, matérias estas que acabámos de lembrar; e além disso há o desenho, há a qualidade do desenho, o segredo que provavelmente é o fio condutor ou a matéria aglutinadora de todas essas preocupações, mas que vai para além dessa função, criando sítios de vida que nos marcam positivamente, em cada dia.

É que as casas nos fazem, ou ajudam muito ao que somos ou podemos ser, e se as casas são agradáveis, caracterizadas e positivamente misteriosas ou curiosas, elas ajudam-nos a ter vidas igualmente agradáveis, caracterizadas e, pelo menos, curiosas, o que será já sem dúvida muito preferível a vidas monótonas e semelhantes umas ás outras.

E nestas matérias os aspectos que se ligam, realmente, ao jargão da “sustentabilidade” marcam uma presença significativa, designadamente, no que se refere à integração paisagística e urbana, à insolação, à luz natural, ao conforto térmico, ao sossego acústico, à higiene e saúde no habitar (os bons cheiros da cera), à segurança no uso normal e, naturalmente, à economia no uso dos recursos naturais.

É, no entanto, importante que tenhamos a noção de que todas estas matérias tinham sido já aprofundadas, ainda que parcelar ou especializadamente, antes da invenção do referido termo, isso numa altura em que andávamos levianamente a viver e a habitar como se não houvesse pegada ecológica; e é importante ter a noção de que todas estas matérias faziam já parte de um projecto de Arquitectura ecológica e eticamente desenvolvido, e talvez por isso tantos bons projectos de Arquitectura do habitar continuam hoje em dia, passados dezenas e, mesmo por vezes, centenas de anos a serem excelentes sítios de vida.

Talvez a diferença esteja em que, hoje em dia, a regra tem de ser fazer Arquitectura com um tal leque de preocupações de bem-viver, e, além disso, nunca esquecendo que há ainda o desenho, o “verdadeiro” desenho (verdadeiro entre aspas) ou há complementarmente uma matéria de concepção arquitectónica que é aquela verdadeiramente responsável pela coesão dessas preocupações específicas e ainda, suplementarmente (o tal e um verdadeiro suplemento de alma), por uma caracterização que faz de cada obra uma obra agradavelmente única.

A sustentabilidade residencial tem de ser considerada numa perspectiva completa, em que a sustentabilidade ambiental é uma das diversas facetas da verdadeira sustentabilidade, que é também paisagística, urbana, social, funcional e, naturalmente, cultural, sendo que em todas estas facetas há um evidente e determinante peso da qualidade da concepção de Arquitectura.

Devo, por fim, sublinhar que julgo que os aspectos arquitectónicos ligados directa e indirectamente às questões de implantação, orientação e estruturação e pormenorização do conforto ambiental do habitar, interior e exterior, deveriam merecer da parte do projecto de Arquitectura uma renovada, profunda e criteriosa exigência em termos de concepção e execução; trata-se, afinal, da matéria própria da história da Arquitectura e naturalmente da razão primeira do abrigo, que fez nascer de certa forma a própria ideia da Arquitectura.

Quero, também, realçar que há assuntos sociais da Arquitectura do habitar, assuntos estes hoje em dia críticos por se ligarem a aspectos de integração ou desintegração que têm igualmente de merecer uma redobrada atenção de todos aqueles que projectam e decidem sobre o habitar; e a ideia que aqui quero deixar sublinhada, é que esta é, hoje em dia, em Portugal, uma matéria fulcral, urgente e vital para a sustentabilidade urbana.

Num idêntico registo de urgência e de importância devo ainda salientar a grande exigência de que deveríamos revestir todas as iniciativas ligadas à construção e reconstrução de uma paisagem urbana e natural, ambiental e culturalmente mais equilibrada, trata-se, igualmente, de uma essencial matéria de sustentabilidade, uma sustentabilidade que vai do bem-estar amplo de que podemos rodear o nosso dia-a-dia ao acervo cultural que assim poderemos salvaguardar e reabilitar e que afinal é e será, também, um dos nossos principais meios económicos. E numa relação total com todos estes aspectos ligados à boa integração natural, física e social e ao equilíbrio paisagístico temos, naturalmente, a questão da própria qualidade do desenho do habitar, um tema que também aqui nos une neste Congresso e um tema que, afinal, sempre motivou os técnicos que, nestas áreas, sempre consideraram que a “pedra e cal” não faz qualquer sentido sem uma ligação forte com quem a habita e com a cidade onde se integra.

Notas:

(1) Claire e Michel Duplay, "Methode Ilustrée de Création Architecturale", pp. 138, 139 e 143.
(2) Daniel Filipe, “Discurso sobre a cidade”, Lisboa, Editorial Presença, Colecção Forma n.º 8, 1977 (1ªed. 1956, p.51 e 52, refere-se ao Porto)
(3) Id. Ibid., “uma rua qualquer”, p.70.
(4) Id. Ibid., p.77
(5) Steen Eiler Rasmussen, “Arquitetura vivenciada”, Martins Fontes, São Paulo, 1998 (1986).
(6) Fernando Távora, “Da organização do espaço”, p.59.
(7) O Arq. Fausto Simões, além de estudioso e projectista traduziu o fundamental documento “A Green Vitruvius – Princípios e Práticas de Projecto para uma Arquitectura Sustentável”, Ordem dos Arquitectos, 2001.
(8) Christian Norberg-Schulz, "Habiter", p. 105.
(9) William Kirby Lockard, "Drawing as a Means to Architecture", p. 95.


Nota final: este artigo foi a base da intervenção do autor no Congresso “Arquitectura Arquitectura Sustentável Futuro com[ ]passado”, que teve lugar em 3 e 4 de Outubro de 2008, em Aveiro, e foram discutidas as fundamentais e tão actuais relações entre a Arquitectura e as matérias da sustentabilidade.

O Congresso, que reuniu mais de 300 pessoas na Reitoria da Universidade de Aveiro, será objecto de um artigo no Infohabitar – a editar em princípio já na próxima semana.

O Congresso foi realizado na sequência de um workshop sobre a mesma temática, que teve lugar com grande participação entre 29 de Setembro e 2 de Outubro.

A organização do Congresso foi conjunta do NAAV - Núcleo de Arquitectos de Aveiro da Ordem dos Arquitectos e do GH - Grupo Habitar, Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional, com o apoio institucional da Universidade de Aveiro, com o patrocínio da CIN, e outros importantes apoios, que foram devidamente divulgados.

Lisboa, Encarnação – Olivais Norte, 11 de Outubro de 2008-10-12
Editado no Infohabitar, por José Baptista Coelho, em 12 de Outubro de 2008