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segunda-feira, outubro 27, 2008

219 - Arquitectura Sustentável, 3 e 4 de Outubro 2008: Relato II - Infohabitar 219

Infohabitar 219


Arquitectura Sustentável 

Com uma apresentação mínima, pois os textos editados são longos, edita-se, em seguida, a segunda e última parte do LIVRO DE CURRICULUM VITAE E RESUMOS do Congresso “Arquitectura Sustentável – Futuro Com()passado”, que teve lugar no Auditório da Reitoria da Universidade de Aveiro nos passados dias 3 e 4 de Outubro de 2008, com uma grande adesão, tal como é evidente nas imagens que acompamham esta colectânea.

Esta é uma edição dos autores das palestras cujos resumos aqui se juntam, bem como do Núcleo de Arquitectos de Aveiro - NAAV e do Grupo Habitar - GH que cooperaram na organização deste grande evento , que manteve a sla do Auditório da Reitoria de Aveiro praticamente cheio até às 19h de uma sexta-feira e de um sábado, um facto que há que realçar.

Aproveita-se a oportunidade para agradecer, publicamente, o apoio da Universidade de Aveiro, da empresa CIN e das restantes organizações que viabilizaram este evento e sublinha-se a exemplar participação havida entre este Núcleo e o GH na realização do Congresso, uma participação que, sem dúvida, será renovada em futuros eventos.
E finalmente agradece-se, também, aqui, aos palestrantes, cuja elevada qualidade dos estudos apresentados foi responsável pelo grande interesse e elevada participação que marcaram todas as sessões do Congresso; muito obrigado por isso e por terem dedicado uma parte das vossas carregadas agendas à intervenção neste Congresso e esperamos poder contar convosco em futuros eventos participados pelo GH.

E finalmente uma referência específica ao incansável trabalho do amigo e colega do GH Bruno Marques e da Inês de Carvalho do NAAV.


A Direcção do Grupo Habitar

Notas explicativas:

Segue-se a edição da 2.ª e última parte do LIVRO DE CURRICULUM VITAE E RESUMOS do Congresso “Arquitectura Sustentável – Futuro Com()passado”, com reduzidas alterações relativamente à edição distribuída no Congresso; retiraram-se, apenas, algumas ilustrações integradas no texto e que são difíceis de editar no blog e juntaram-se imagens dos trabalhos – Esta edição do Infohabitar corresponde às intervenções que tiveram lugar em 4 de Outubro de 2008.





Fig. 01: cartaz do Congresso

Estrutura dos trabalhos do Workshop e Congresso:
Segunda-feira, 29 de Setembro de 2008: início do Workshop com visita guiada à Reitoria da Universidade de Aveiro, e palestras dos arquitectos Gonçalo Byrne e Nuno Portas.

Segunda-feira a Quinta-feira: Workshop

Sexta, 3 de Outubro 2008

Abertura:
Vice-reitor da Universidade de Aveiro Prof. Doutor
Presidente da Ordem dos Arquitectos, Arq. João Belo Rodeia
Presidente do NAAV, Arq. Ricardo Vieira de Melo
Presidente da Dir. Do Grupo Habitar, Arq. António Baptista Coelho
Arq. Bruno Marques (NAAV e Grupo Habitar)

Manhã

Arq. Mário Varela Gomes (FCSH, UNL)
Arq. António Baptista Coelho (LNEC e Grupo Habitar)
Arq. Luís Pinto de Faria (U.F.P.)
Arq. Maria Fernandes (FCT-UC)

Tarde:

Eng. Humberto Varum (UA)
Arq. Márcio Buson (FAU Univ. Brasília)
Arq. Laura Costa (UTAD)
Arq. Bruno Marques (NAAV)
Arq. Sara Eloy e Arq. Isabel Plácido (L.N.E.C.)


Sábado, 4 de Outubro 2008
Manhã:

Eng. Manuel Duarte Pinheiro (IST)
Arq. Nadir Bonnacorso
Arq. Carlos Coelho

Apresentação dos trabalhos desenvolvidos pelas equipas integradas no Workshop, realizado com o apoio dos seguintes tutores: engenheiro Humberto Varum e arquitectos José Gigante, Laura Costa, Miguel Veríssimo e Nadir Bonaccorso.

Tarde:

Arq. Paula Cadima (EACI)
Arq. Fausto Simões
Arq. José Luís Saldanha (ISCTE)
Arq. Manuel Correia Fernandes (FAUP)
Encerramento:


Arq. Bruno Marques (NAAV)
Dr. Dâmaso Silva (CIN)
Arq. Ricardo Vieira de Melo (NAAV)
Arq. António Baptista Coelho (LNEC e Grupo Habitar)


Eng. Manuel Duarte Pinheiro (IST)
“Certificação ambiental da construção sustentável – Sistema Líder A”

CV_Prof. Manuel Duarte Pinheiro, Licenciado em Engenharia do Ambiente pela FCT/UNL (1985), Doutorado pelo IST com a tese sobre Sistemas de Gestão Ambiental para a Construção Sustentável (2008) é Professor no Grupo de Disciplinas de Ambiente dos quadros da Secção de Hidráulica, Recursos Hídricos e Ambiente do Departamento de Engenharia Civil e Arquitectura do IST, é responsável pelas disciplinas Ambiente e Construção Sustentável do Diploma de Formação Avançada em Gestão das Tecnologias de Águas e Resíduos, de Espaços Construídos e Impactes Ambientais (Construção Sustentável) para o Mestrado de Arquitectura, de Impacte Ambiental para o Mestrado de Engª de Gestão Industrial, de Sistemas de Gestão do Ambiente para os Mestrados de Engª do Ambiente e Engª Química.

Tem desenvolvido nos últimos anos investigação e aplicações na área dos Sistemas de Avaliação e Gestão da Construção Sustentável, incluindo o desenvolvimento de um sistema de avaliação e certificação da construção sustentável para aplicação a nível nacional, denominado de LiderA – Sistema de Avaliação da Sustentabilidade, que se encontra registada com uma marca nacional.

É autor de várias publicações entre as quais se encontro o livro sobre ambiente e construção sustentável publicado pela Agência Portuguesa do Ambiente. Trabalha como consultor, sendo Director da IPA – Inovação e Projectos e Ambiente, Lda. É assessor certificado do sistema do Reino Unido, CEEQUAL – Civil Engineering Environmental Quality and Assessment Scheme, desde Julho de 2005.





Fig. 02: a primeira mesa de Sábado

RESUMO_ Certificação ambiental da construção sustentável – Sistema LiderA

A comunicação “Certificação ambiental da construção sustentável – Sistema LiderA” dispõe de três partes. Na primeira parte aborda-se como enquadramento a importância da sustentabilidade na construção e como o conceito é interpretado em termos de construção sustentável e a necessidade de dispor de formas de orientação, avaliação e certificação da sustentabilidade na construção.

Na segunda parte particulariza-se as propostas do sistema LiderA (www.lidera.info), explicando como foi desenvolvido, seus princípios para avaliação da sustentabilidade.

Na terceira parte desenvolve-se e aborda-se a questão do modo de aplicação e certificação, nomeadamente as formas de utilização do sistema no desenvolvimento de projectos e empreendimentos (novos ou existentes), níveis de desempenho e certificação (da Classe C à Classe A++), colocando a questão se a abordagem proposta pelo sistema LiderA é mais onerosa e/ou eficiente.

Conclui-se com o ponto de situação referenciando a aplicação do LiderA em dezenas de desenvolvimentos efectuados, sete certificações, dezenas de teses, apresentações, acções de formação, publicações e assessores existentes, bem como a importância e contributo das abordagens que permitam liderar para a sustentabilidade e as perspectivas que pode abrir.





Fig. 03


RESUMO_ Projectar com princípios sustentáveis
Resumo não disponível

Arq. António Carlos Coelho
“O primeiro empreendimento cooperativo de construção sustentável em Portugal – Ponte da Pedra”

CV_António Carlos Coelho, como arquitecto tem elaborado projectos em diversas áreas, desde parques de estacionamento a plataformas logísticas, mas com especial relevância na habitação de custos controlados, que lhe renderam o ano passado o prémio INH/IRHU aexequo com o Arq. Álvaro Siza Vieira e o prémio europeu de arquitectura sustentável atribuído pela União Europeia no âmbito do programa SHE – Sustainable Housing in Europe.

Como urbanista assumiu responsabilidades na elaboração de alguns processos de revisão de Planos Directores Municipais, desigandamente os do Porto, Valongo e Castelo de Paiva. Por força dos trabalhos desenvolvidos tem participado em diversas acções para promover a qualidade do meio urbano e da habitação.

Coordenou a organização do 1º Congresso dos Urbanistas Portugueses, é membro da AUP - Associação dos Urbanistas Portugueses, da ULI - Urban Land Institute e sócio fundador do Grupo Habitar, onde desempenha o cargo de presidente do Conselho Fiscal.

RESUMO_O primeiro empreendimento cooperativo de construção sustentável em Portugal – Ponte da Pedra
Resumo não disponível






Fig. 04

Arq. Nadir Bonaccorso
“Projectar com princípios sustentáveis”

CV_Nadir Bonaccorso nasce em Milão a 1967 _ Licenciado pelo Politécnico de Milão em 1993. Colabora no atelier do Arquitecto João Luís Carrilho da Graça de 1993 a 1996. Em 1997 abre atelier próprio (nbAA) em Lisboa.
Trabalha na integração das técnicas solares passivas estendendo a sua área de trabalho à cenografia, espaços expositivos e design.

Convidado a apresentar os seus trabalhos entre outros: trabalhos recentes em aulas de projecto na Universidade Lusíada, U.A.L e I.A.D.E.; Faculdade de Arquitectura King Saud, Riyd, Arábia Saudita; no âmbito da exposição “arquitectos italianos em Portugal”, Lisboa, Matosinhos, Faro; na Academia de Belas Artes Brescia Santa Giulia, Itália; no âmbito do fórum UNESCO em S. André, Portugal; no âmbito do seminário “Arquitectura Sustentável” FAUTL, 2006; no âmbito da V semana de Arquitectura no Instituto Técnico de Lisboa, 2006; no âmbito do workshop “abitare à paesaggio no Politécnico de Milão, Facoltá d’Architettura, 2006.

Convidado recentemente como Tutor para o Workshop “Fareturismo” em Salermo, Março 2007.
O projecto da Casa Casulo em Lisboa é mencionado no prémio residência singular CSCAE 04 (Espanha), 2004.
No mesmo ano ganha uma menção honrosa no concurso internacional “Saudi House, sustainability and affordability” e é convidado para o Simpósio em Riyad. Recebe com Sónia Silva a Menção especial no Prémio Internacional de Arquitectura Sustentável “Fassa Bortolo” 3ª edição, (Itália) 2006 com o projecto do Jardim de Infância no Cacém.

RESUMO_ Projectar com princípios sustentáveis: Resumo não disponível



Fig. 05

Seguiu-se a apresentação dos trabalhos desenvolvidos pelas equipas integradas no Workshop, realizado com o apoio dos seguintes tutores: engenheiro Humberto Varum e arquitectos José Gigante, Laura Costa, Miguel Veríssimo e Nadir Bonaccorso.




Fig. 06


Arq. Paula Cadima (EACI)
“Projectos Europeus desafiam barreiras para uma maior Eficiência Energética”

CV_Paula Cadima licenciou-se em Arquitectura pela Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa em 1985.

A sua tese de doutoramento “Transitional Spaces: the potential of semi-outdoor spaces as a means for environmental control with special reference to Portugal” foi realizada na Architectural Association Graduate School em Londres, onde também leccionou no Curso de Mestrado “Environment & Energy Studies Programme” durante vários anos.

É Professora na Faculdade de Arquitectura da UTL desde 2001, onde montou e coordenou o Mestrado em Arquitectura Bioclimática desde 2003. Actualmente orienta várias teses de Doutoramento na área da Arquitectura Sustentável. Conciliou o ensino e as actividades de investigação com a prática profissional e consultoria na área do conforto e sustentabilidade ambiental.

Tem trabalho de investigação na área dos microclimas urbanos, edifícios solares passivos e técnicas de arrefecimento natural e publicou diversos trabalhos e artigos em Portugal e no estrangeiro.

Em Set. 2005 mudou-se para Bruxelas para trabalhar temporariamente na EACI – Agência de Execução para a Competitividade e Inovação da Comissão Europeia onde promove a eficiência energética e o uso de energias renováveis e coordena projectos Europeus na área dos edifícios.

Desde Jan. 2006 é Vice-Presidente da PLEA (Passive Low Energy Architecture).

Bruxelas, Set. 2008





Fig. 07

RESUMO_ Projectos Europeus desafiam barreiras para uma maior Eficiência EnergéticaO contexto actual em matéria de políticas energéticas na Europa, em geral, e em Portugal, em particular, oferece um enorme potencial para o sector dos edifícios no que diz respeito à melhoria da qualidade da construção, a economias de energia e a uma maior informação junto do consumidor. O programa Energia Inteligente Europa oferece oportunidades, sobretudo às pequenas e médias empresas, para que contribuam de uma forma construtiva neste grande desafio na luta contra as alterações climáticas, com ideias atractivas para acções concretizáveis, que tendo uma dimensão Europeia, terão acima de tudo, um impacto a nível global.

Esta comunicação aborda a temática da eficiência energética nos edifícios e estrutura-se em 3 partes.

A primeira inclui uma breve introdução ao contexto político na área da energia na Europa, nomeadamente no que diz respeito aos edifícios e ao ambiente urbano.

A segunda parte explica os objectivos e prioridades do Programa Energia Inteligente Europa.

A terceira parte contém exemplos de várias acções financiadas por este programa no âmbito da eficiência energética.

Os exemplos apresentados incluem acções que contribuem para remover barreiras existentes (económicas, sociais, culturais, legais, institucionais, etc.) para melhorar a performance ambiental dos edifícios novos e existentes, incluindo aspectos ligados à integração de fontes de energia renováveis, à adopção de padrões inteligentes na utilização de energia nos edifícios e à implementação e monitorização da Directiva Europeia para o Desempenho Energético nos Edifícios (EPBD), entre outros.





Fig. 08: um dos exemplos de Fausto Simões

Arq. Fausto Simões
“Princípios e práticas de projecto para uma arquitectura sustentável”



CV_Fausto Simões, Licenciado em Arquitectura pela ESBAL; Actividade profissional, em regime de profissão liberal. Quadro superior da Administração do Porto de Lisboa entre 1977 e 1994. Casado, com dois filhos, residindo actualmente em Lisboa.

Actividade Profissional: Entre os planos regionais e urbanos e projectos de edifícios de habitação e de serviços efectuados, destacam-se dois estudos, não pelo seu porte, mas pela sua decisiva contribuição, a dois níveis, para a consciencialização da intima relação entre o homem e o “ambiente”:
Ao nível regional, o Plano Director da Corimba, Luanda, 1977,realizado com Manuel Laginha e A. Viana Barreto. O plano visou respeitar as aptidões do meio biofísico face ás necessidades humanas em presença, seguindo a concepção e o método de Ian McHarg (Design with Climate, Doubleday,1971).
Ao nível local, o projecto da Casa do Telheiro, Leiria. Realizado em 1977 e parcialmente construío, este projecto explora o princípio da Casa Autónoma, As suas instrutivas vicissitudes estão sumariadas na Comunicação “Habitação e Conservação de Energia” (Actas do “Encontro sobre Aplicações Térmicas da Energia Solar”, Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, 1981).

Trabalhos de I&D sobre Arquitectura Energia e “Ambiente”, de que se destacam os seguintes Estudos e Projectos:

Casa Solar Passiva do Casal do Cónego, Leiria, 1982. Projecto experimental em que foi acompanhada a construção e a utilização durante dois anos. Concepção, construção, previsão e resultados constam de documentação publicada pelo CSOPT (“Encontro sobre Arquitectura Passiva e Activa”, Lisboa, 1982) e das actas das 1ªs Jornadas de Física e Tecnologia dos Edifícios (IST,Lisboa, 1984);

Casa Solar Passiva de Vale Rosal, Almada, 1985. Projecto experimental em que foi acompanhada a construção e a utilização durante dois anos. Concepção, construção, previsão e resultados constam das seguintes publicações: “Passive Solar Techniques for Energy Conservation in Buildings” (CIB/LNEC, Lisboa, 1986), “Energy and Buildings for Temperate Climates, PLEA88 (Pergamon Press, 1989) e “Edifícios Solares Passivos em Portugal (INETI/Altener, Lisboa, 1997);

Escritórios da Taxa de Porto , Lisboa, 1985-1988. Projecto em que se procurou conjugar a satisfação de exigências ambientais, a conservação de energia e a conservação do património. Foram acompanhadas a construção e a utilização durante dois anos;

Casa do Padrão , Leiria, 2002. Projecto corrente em que foi aplicada a concepção bioclimática. Foi cuidadosamente acompanhada a construção e está a ser acompanhada a utilização;

CLICON – Método de Concepção para desenhar com o clima. A sua descrição consta da publicação “Energia Solar e Qualidade de Vida”- VIII Congresso Ibérico de Energia Solar (ISES/SPES, Porto, 1997);

Estudo de um sistema integrando o sol a lenha e o gás para o aquecimento ambiente e de águas domésticas em habitações unifamiliares. A sua evolução consta das actas do VI Congresso Ibérico de Energia Solar (SPES/ISES, Lisboa, 1993);

Estudos sobre aptidão climática e acesso ao sol que constam das seguintes publicações: “Energias Límpias en Progresso” (AEES/ISES, Vigo, 1994) e “Environmentally Friendly Cities – Proceedings of PLEA98 (JamesXJames, London,1998);

Estudo sobre habitações escalonadas em encostas declivosas, cujos primeiros resultados foram apresentados no “Pre-Regional Conference Meeting of The Commission on Climatology" e cujo sumário consta da publicação “Climate and Environmental Change” ( Ed. Colibri, Lisboa, 1998).

Contribuições para a valorização objectiva da qualidade térmica da terra crua na 7ª Conferência Internacional sobre o Estudo e a Conservação da Arquitectura de Terra, DGMN 1993 e em: Terra em Seminário (pgs 279-280, Escola Superior Gallaecia/Edições Argumentum 2005) e Houses and Cities built with earth (pgs 52- 54, Edições Argumentum 2006).





Fig. 09: a intervenção de Fausto Simões





Fig. 10: os exemplos de Fausto Simões

Formação e Divulgação

Participação em acções de formação na ex-AAP (Ordem dos Arquitectos), em estabelecimentos do ensino superior e noutras instituições, quer na sua organização quer como docente;
Participação em acções de divulgação na ex-AAP (Ordem dos Arquitectos), em escolas secundárias e outras instituições, no continente e na Madeira;

Comunicações e artigos publicados em jornais e revistas e actas de congressos da Associação dos Arquitectos Portugueses e da Ordem dos Arquitectos. Destacam-se os artigos: “Os arquitectos e o ambiente”, Revista “Energia”, Out./Nov./Dez. 1999, Lealgo, Lisboa; "Arquitectura e Natureza", Revista "Casas de Portugal", Setembro- Outubro 2000, Novembro-Dezembro 2000, Maio-Junho 2001 e Abril 2002 (as duas ultimas com o Eng Cruz Costa), Edições Expansão Económica Lda, Barcarena; "Desenhar para a sobrevivência", Revista "Arquitectura e Vida", Julho 2003.

Participação como "perito em energia" na revisão da obra "A Green Vitruvius" (ACE/UE DGXVII) e responsável pela sua versão portuguesa. (OA, 2001)

Afiliações especiais
Membro da Comissão de Estudos sobre Gestão de Energia nos Edifícios/MOPT (1985-1988);
Membro da Sociedade Portuguesa de Energia Solar;
Membro fundador do Nucleo Orbis para a promoção da “arquitectura bioclimática”;
Representante da OA na Subcomissão de Revisão da Regulamentação de
Eficiência Energética em Edifícios.

RESUMO_ Princípios e práticas de projecto para uma arquitectura sustentável
Resumo não disponível.

Faz-se, no entanto, a referência para um artigo de Fausto Simões disponível também no Infohabitar, intitulado "Arquitectura conforto e ambiente, da caixa hermética à «vida entre os edifícios»”



Fig. 11






Fig. 12: José Luís Saldanha

Arq. José Luís de Saldanha (ISCTE)
“Relações entre espaço urbano e espaço rural baseado numa visão alargada do conceito de território”

CV_José Luís Possolo de Saldanha nasceu em Lisboa a 10/9/1966. Concluiu a licenciatura em Arquitectura na Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa no ano lectivo de 1988/89, com a informação final de catorze valores e a qualificação de Bom.

Foi de Outubro de 1999 a Julho de 2002 bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian para a realização da Tese de Doutoramento, defendida na Escola Técnica Superior de Arquitectura (ETSA) da Universidade de Sevilha (US), tendo por tese "Arquitectura Habitacional Dispersa no Olival do Alentejo Interior. «Montes» com Lagar na Província Trastagana", de que realizou defesa pública no Departamento de Teoría, História e Composição Arquitectónica da referida instituição, com atribuição da classificação máxima de “aprovado cum laudae por unanimidade”.
A referida tese acha-se registada no Registo Nacional de Títulos de Espanha sob o nº2005/074019, e no Registo Universitário de Títulos de Sevilha sob o nº 000123357. Encontra-se disponível à consulta pública na Biblioteca da Escola Técnica Superior de Arquitectura (ETSA) da Universidade de Sevilha, e em exemplar na língua portuguesa na Biblioteca Nacional de Lisboa. Possui registo nº5/06 no Instituto Superior das Ciências e do Trabalho na Empresa (ISCTE), em Lisboa, com a data de 25 de Outubro de 2006.
Da tese doutoral, foi produzida em Dezembro de 2003, sob formato de «álbum», uma edição adaptada de 1.100 exemplares sob o nome Azeites e Olivais no Alentejo. «Montes» com Lagar na Província Transtagana, com patrocínio da Caixa Agrícola de Crédito e do Grupo Sovena/Azeites Oliveira da Serra.

Em Junho de 1989, e em simultâneo com a execução do trabalho final de Projecto V na Faculdade de Arquitectura, foi admitido à frequência do curso de “Patologia, Reabilitação e Manutenção de Estruturas e Edifícios” pela Associação para o Desenvolvimento do Instituto Superior Técnico, que concluiu com aproveitamento no final desse ano.

Estagiou em 1990 pelo período de seis meses na Construtora Wysling Gomes Ltda., em São Paulo, associada em Portugal de Assumpção, Montefort e Wysling Lda. Ainda no Brasil, practicou mais brevemente na Construtora Isdralit, de Porto Alegre, Rio Grande do Sul.

Actividade Docente

É desde 2004 docente na Escola Superior de Ciências e Tecnologia do Centro Regional das Beiras da Universidade Católica Portuguesa, onde leccionou diversas Unidades Curriculares na área do Urbanismo e do Projecto Urbano, sendo na actualidade docente nesta Instituição da cadeiras de Urbanismo I.

Ingressou em Novembro de 2006, na categoria de professor-auxiliar, no corpo docente do Instituto Superior das Ciências e do Trabalho na Empresa (ISCTE) em Lisboa, sendo membro do Conselho Executivo do Departamento de Arquitectura e Urbanismo para o biénio 2007/09.

Escritos Editados
Editor ISBN 972-9039, inscrito na
Associação Portuguesa de Editores e Livreiros – Agência Nacional de I.S.B.N.

• Borba. Cidade e Periferia. Intervenção na Freguesia de São Bartolomeu, em "Arquitecturas na Raia/Arquitecturas en la Raya '98" pps. 60 a 69. Editor Arco Aguero S.L.
• Porfírio Pardal Monteiro e a Reitoria da Universidade Clássica. Revista Espaço&Design, nº 27 pags. 84 a 89. Agosto/Setembro de 2002.
• Fernando Silva. O Cinema S. Jorge e Apocoppolípse Já! Revista Espaço&Design, nº 28 pags. 84 a 89. Outubro/Novembro de 2002.
• Os Processos de Extracção do Azeite e a sua Evolução (em co-autoria com José Manuel Baptista de Gouveia); Olivicultura no Mundo Rural Romano; O Olival na Paisagem Portuguesa in “O Azeite em Portugal”. Dir. José Manuel Baptista de Gouveia. Edições Inapa. Lisboa, 2002.
• Raúl Lino e o Cinema Tivoli. Revista Espaço&Design, nº 29 pags. 80 a 85. Dezembro de 2002/Janeiro de 2003.
• Ventura Terra. Teatro Politeama. Revista Espaço&Design, nº 30 pags. 100 a 105. Fevereiro/Março de 2003.
• Raúl Rodrigues Lima. Cinearte de Santos. Revista Espaço&Design, nº 31 pags. 98 a 103. Abril/Maio de 2003.
• O «Capitólio» de Luís Cristino da Silva. Revista Espaço&Design, nº 34 pags. 88 a 93. Outubro/Novembro de 2003.
• Azeites e Olivais no Alentejo. «Montes» com Lagar na Província Transtagana. Dezembro de 2003.
• Pancho Guedes em Viseu. Revista Entre Aspas, pags. 42 e 43. Associação Académica de Viseu da Universidade Católica Portuguesa. Viseu, Maio de 2005.
• São Petersburgo, A Capital do Neva. Revista Espaço&Design, nº 43 pags. 96 a 101. Junho/Julho de 2005.
• A Arquitectura Beirã no Século XXI. «Apontamentos da Católica», Jornal do Centro. 30 de Março de 2006.
• Catalunha e Portugal: Gémeos Ibéricos. «Site» do Curso de Arquitectura da Universidade Católica Portuguesa. Junho de 2006. http://www.arquitectura-ucp.com/diacurso/images/barcelona/Catalunha-JFSaldanha.pdf.
• Reflexão: Viagem de Estudo ao Norte do País. Nau Newsletter nº2. Núcleo de Arquitectura e Urbanismo do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE). Lisboa, Dezembro de 2007.

Actividade Projectual Síntese – Clientes Institucionais

1º. Classificado em Concurso Público Limitado na Câmara Municipal de Cascais, para Escola Básica do 1º.Ciclo e Estabelecimento de Ensino Pré-Escolar de Manique, freguesia de Alcabideche (executado).
1º. Classificado em Concurso Público Limitado na Câmara Municipal de Cascais, para Centro de Dia na Torre/Cruz da Guia (executado).
Projecto da Créche Rainha Sílvia da Suécia para a Fundação Princesa D. Maria Amélia no Funchal, Ilha da Madeira (executado).
Projecto de Ampliação da Residência do Capelão do Hospício Princesa Dona Maria Amélia para a Fundação Princesa Dona Maria Amélia no Funchal, Ilha da Madeira (em construção).
Estudo Prévio de Reformulação da Baixa de Cascais para o Departamento de Planeamento Estratégico da Câmara Municipal de Cascais.
Projecto da Sede de Agritex Consultoria e Investimentos em Agricultura Ldª, Vila de Mourão (em projecto).
Ampliação e remodelação do Lar de Idosos do Hospício Princesa Dona Maria Amélia para Fundação Princesa Dona Maria Amélia no Funchal, Ilha da Madeira (em projecto).





Fig. 13

RESUMO_Relações entre espaço urbano e espaço rural baseado numa visão alargada do conceito de território. Um Retrato Sucessivo no Arco Mediterrânico.
“Sistemas de Povoamento e Aproveitamento Territorial “

Explora-se a relação equilibrada entre Homem e Natureza no mundo mediterrânico, desde o Império Romano ao Século XX. Aborda-se uma visão «solidária» da cidade e do campo no período Imperial no que se refere à sistematização do povoamento territorial, à estrutura fundiária da propriedade, à exploração dos recursos naturais e à relação mútua de mercado urbano de consumo e espaço rural de produção agrícola.

Releva-se por um lado a estruturação de uma paisagem e de uma agri-cultura (o «latifúndio») de grande escala, que se irá difundir por toda a bacia mediterrânica, instalando-se solidamente no quotidiano e no imaginário do Mundo Clássico, sem por isso perder um vincado cunho ecológico na ocupação e transformação do território; por outro lado, assinalam-se os emergentes problemas de infra-estruturação das urbes, todavia no Mundo Romano, com ênfase no tratamento de resíduos sólidos.

Subsequentemente, caracteriza-se a arquitectura rural no «arco mediterrânico», desde o período Clássico até à globalização da Economia, evidenciando o seu cariz eminentemente utilitário e bem adaptado à função produtiva, às circunstâncias económicas e ao conforto ambiental.





Fig. 14

Arq. Manuel Correia Fernandes (FAUP)
“Perspectiva crítica/positiva da sustentabilidade e do projecto de arquitectura”

CV_Manuel Correia Fernandes, nasce em 1941, é diplomado em Arquitectura pela Escola Superior Belas Artes do Porto (ESBAP) em 1966, e inicia em 1972, na mesma escola, a carreira docente que exerce ininterruptamente, até ao presente.
É Professor Catedrático da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP).
Foi membro e presidente eleito dos Conselhos Directivo, Científico e Pedagógico e da Assembleia de Representantes da ESBAP e da FAUP, assim como do Senado e da Assembleia da Universidade do Porto à qual ainda pertence.
É Director do Curso de Mestrado em Metodologias de Intervenção no Património Arquitectónico da FAUP.

É Professor de Cursos de pós-graduação nas Faculdades de Engenharia e de Economia da Universidade do Porto.
Foi Coordenador dos Cursos de Verão da Associação das Universidades da Região Norte (AURN).
É consultor e perito em organismos e instituições públicas e privadas.

Foi dirigente da Associação e da Ordem dos Arquitectos Portugueses, sendo, actualmente, Presidente do respectivo Conselho Nacional de Disciplina.
Participa regularmente em exposições, conferências, colóquios e debates em Portugal e no estrangeiro.

Participa activamente na vida cívica, social e política da cidade e do país
É autor de trabalhos publicados em livros, revistas e jornais da especialidade e colaborador regular da imprensa diária.

Foi membro da Comissão Executiva do Conselho de Administração da Sociedade Porto 2001 até Novembro/99, sendo responsável pelo Programa de Revitalização e Requalificação Urbana da Baixa do Porto.
Foi nomeado para o Prémio de Arquitectura na III Exposição de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian de 1986.

Recebeu os seguintes prémios:
Prémio Nacional de Arquitectura da Associação dos Arquitectos Portugueses em 1987.
Nomeado pelo júri para o prémio Secil da Arquitectura em 1992.
Prémio Nacional do Instituto Nacional de Habitação em 1993.
Menção Honrosa do Prémio Nacional do Instituto Nacional de Habitação (INH) em 2002.
Prémio Nacional do Instituto Nacional de Habitação em 2003.
Prémio Extraordinário Fernando Belaunde Terry – IV Bienal Ibero-Americana de Arquitectura – Lima – Peru, 2004.
Foi, ainda, premiado em diversos concursos públicos de arquitectura.
Grande Oficial da Ordem da Instrução Pública (2005).
Exerce, no Porto e ininterruptamente desde 1966, a profissão de arquitecto, em regime livre.





Fig. 15: Manuel Correia Fernandes na última intervenção ao Congresso

RESUMO_“Perspectiva crítica/positiva da sustentabilidade e do projecto de arquitectura”
Em 1995, fui convidado a participar num “colóquio” realizado em Estrasburgo, dedicado ao tema da sustentabilidade e intitulado “Pour um Habitat Soutenable…”. Entre os 27 participantes e na mesma sessão em que apresentei a minha comunicação, interveio também Paul Chemetov que tratou a questão, discorrendo sobre “O Território do Arquitecto”. Fê-lo, depois da intervenção de Hans Eek, arquitecto sueco, que havia tratado o tema das “As construções ecológicas e o baixo consumo de energia na Suécia”, recorrendo a um estudo em que analisava o gasto energético da casa duma família de seis pessoas e o gasto energético anual de uma das pessoas, incluindo as suas viagens de avião, para concluir que a economia de energia da casa, mesmo que diminuísse 50%, era uma economia insignificante em relação ao consumo de energia da totalidade do sistema. Paul Chemetov, afirmou, então, que preferia falar desse sistema global que lha parecia mais decisivo e, por isso, ia falar da cidade já que, numa perspectiva politicamente empenhada, “… o único consumo zero de energia que conheço, é a morte – sistema perfeito”!

A sustentabilidade não é um somatório de “pequenas sustentabilidades” nem uma questão de fé mas, antes, uma questão de sistema, uma questão de escolha entre possibilidades e, portanto, uma questão eminentemente política. A arquitectura e, portanto, o projecto de arquitectura não são nem técnica nem politicamente neutros. A dimensão ética tem, por isso, de regressar às mesas de trabalho dos “construtores de cidades” de hoje. A sustentabilidade começa aí.

Editado no Infohabitar em 26 de outubro de 2008, por José Baptista Coelho
Lisboa, Encarnação – Olivais Norte

quinta-feira, agosto 02, 2007

151 - A PENSAR EM LEIRIA – artigo de Fausto Simões - Infohabitar 151

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Nota prévia (editada em 2007/0907):
Na sequência da edição deste seu artigo o colega Fausto Simões enviou à edição do Infohabitar um pequeno e interessante texto sobre zonas pedonais, texto feito na sequência da sua leitura do artigo "Cidade do peão ou do automóvel I"; naturalmente, a edição agradece mais esta colaboração e anexa-a na sequência do referido artigo, que está facilmente acessível ma margem do Infohabitar - foi editado há poucas semanas.
É sempre com um gosto muito especial que acolhemos, aqui no Infohabitar, um novo cooperador nesta estimulante aventura de ir enriquecendo uma revista na www, que, ao longo de pouco mais de dois anos de edição semanal, proporciona já cerca de 150 artigos em diferentes temáticas, referidos a mais de 1500 páginas ilustradas. Artigos estes que são directamente acessíveis a partir do simples clicar no respectivo catálogo interactivo, catálogos este que foi muito recentemente actualizado e que se encontra facilmente no início da margem direita da nossa revista.

Esta semana temos, assim, a satisfação de editar um texto do Arq.º Fausto Simões, um colega que já participou activamente com o Grupo Habitar e o então Instituto Nacional de Habitação – hoje Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana – , no início de 2007, na 9ª Sessão Técnica do Grupo Habitar, em Lisboa, onde se abordou a “regulamentação térmica e a sustentabilidade na construção nova e na reabilitação da habitação com controlo de qualidade e custos”, tendo então o colega Fausto Simões apresentado uma interessante perspectiva da arquitectura e do urbanismo de proximidade na introdução das preocupações de conforto ambiental e de sustentabilidade em intervenções habitacionais e urbanas.

Hoje, aqui no nosso Infohabitar, Fausto Simões fala-nos, um pouco, sobre Leiria, e também sobre as perspectivas mais sensíveis e oportunas nas vitais e muito urgentes acções de reabilitação urbana.

António Baptista Coelho (coordenador da edição do Infohabitar)



A PENSAR EM LEIRIA

Fausto Simões


A pedonalização da Rua Fulton em Fresno, na Califórnia (US), foi projectada nos anos sessenta pelo arquitecto que concebeu o primeiro centro comercial climatizado (“shopping mall”): Victor Gruen.

Ele apresenta-a como exemplo do que se pode fazer para converter num oásis convivencial, a baixa congestionada pelo trânsito motorizado, sem pôr em causa a automobilização da cidade.

Não mais do que um eixo de peões, isolado do resto da cidade por um mar de carros estacionados à sua volta, cintados por um anel rodoviário.

Foi aliás o esquema drástico a que chegou o Relatório Buchanan, produzido nos mesmos anos sessenta e que visava defender, contra a invasão do automóvel, a vida nos centros urbanos do Reino Unido.

Quarenta anos depois. O que aconteceu?

Aconteceu que no ano passado (2006), foi lançada a discussão pública sobre a reanimação da Rua Fulton! Correm imagens de uma rua devolvida ao peão mas deserta, sobretudo durante a noite. Ganha adeptos a reintrodução do trânsito motorizado para a reanimar.




Fig. 1: A Rua Fulton, segundo V. Gruen: fonte, Gruen, V. The Heart of Our Cities. Thames and Hudson, 1965.




Fig. 2: A Rua Fulton hoje: fonte, autoria Joe Moore , originalmente editado em http://www.fresnofamous.com/node/6456.

Figuras 1 e 2: A Rua Fulton, do projecto à realidade actual

Mas será solução? Será que ela é um deserto porque foi pedonalizada?

A explicação para mim mais convincente e mais importante para Leiria é esta que encontrei num blog (http://www.fresnofamous.com/node/6456): A Rua Fulton pedonalizada, significativamente designada por Fulton Mall, lutava contra a decadência do centro de Fresno, incapaz de concorrer com os centros comerciais “suburbanos”. Remava contra a maré, seguindo afinal o modelo "shopping mall" de Victor Gruen... Ele que remava contra o estilo de vida suburbana dos US!

E eu pergunto. Numa cidade que graças ao automóvel se dispersa por uma vasta região "suburbana", não será inevitável a emergência de centros de serviços no meio das vastas áreas residenciais, os quais concorrem vantajosamente com o centro urbano?

Centros comerciais na sociedade de “consumo conspícuo” no dizer fundamentado do sociólogo Thorstein Veblen, mas que poderão também aproveitar centros urbanos de aglomerados existentes, o que talvez seja pouco frequente nos US e mais comum na Europa.

Mas, qual a sustentabilidade social e ambiental deste sistema autodependente, em que se vai de carro comprar um pacote de manteiga, canalizado numa custosa rede rodoviária e apoiado em recursos fósseis exógenos cada vez menos abundantes e baratos: petróleo e gás natural?

A solução salvífica dos "supercarros" teima em não descolar! E será ela mesmo a solução?

A esta luz, afiguram-se mais sustentáveis os centros urbanos europeus progressivamente pedonalizados, com espaços públicos plenos de urbanidade , hoje convidativos e vibrantes como o de Copenhaga.

Porque Copenhaga é uma cidade que aposta na multimodalidade dos transportes, numa rede hierarquizada que prioriza o peão e a bicicleta sem excluir radicalmente o automóvel, quer nas áreas centrais quer nas residenciais: as “Woonerfs” na Flandres e "Homezones" no UK, à escala do homem e não da máquina. Iniciativas dos cidadãos apoiadas pela administração pública.

É bem visível um esforço nesse sentido, em “cidades globais” deliberadamente policêntricas como Londres, mas em que persiste bem vivo o seu centro principal.

Deve-se dizer que era isso que o Relatório Buchanan pretendia alcançar com o seu princípio das "áreas ambientais" servidas por uma rede rodoviária, hierarquizada em vias
de distribuição e de acesso. Mas não o conseguiu, a meu ver, precisamente pela
sua excessiva submissão ao primado do veículo particular.

Como parecem provar fracassos como os de Fresno!

Leiria deveria por os olhos nas cidades da Europa como Copenhaga. Os cidadãos têm que se mobilizar, não no sentido de aumentar a velocidade e a utilização do automóvel, mas no de converter Leiria numa cidade atrativa em que dê gosto viver, capaz de concorrer favoravelmente no campeonato das “cidades médias” europeias.

Enquanto é tempo. É, em última instância, uma questão de sobrevivência.

Fontes das imagens;
Fig. 1 – a Rua Fulton segundo V. Gruen: Gruen, V. The Heart of Our Cities. Thames and Hudson, 1965;
Fig. 2 – a Rua Fulton hoje: segundo http://www.fresnofamous.com/node/6456

Edição no Infohabitar por José Baptista Coelho: Lisboa, Encarnação – Olivais Norte, 2 de Agosto de 2007.

quinta-feira, março 01, 2007

128 - Regulamentação térmica e sustentabilidade na habitação – artigo de António Baptista Coelho, Fausto Simões e Pina dos Santos - Infohabitar 128

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Regulamentação térmica e sustentabilidade na habitação – artigo de António Baptista Coelho, Fausto Simões e Pina dos Santos

Durante a tarde do passado dia 15 de Fevereiro, no Auditório do Edifício Sede do INH, em Lisboa, decorreu mais um Encontro técnico desenvolvido através da colaboração entre o Instituto Nacional de Habitação (INH) e o Grupo Habitar (GH).

Este Encontro correspondeu à 9.ª Sessão Técnica do GH e abordou, de forma geral, as temáticas da “regulamentação térmica e da sustentabilidade na habitação a custos controlados”.

Neste artigo faz-se uma reportagem, informal, desta tarde de trabalho, através da indicação dos seus principais intervenientes e das temáticas por eles tratadas, mas, desde já, se sublinha que esta foi uma primeira ocasião de reflexão e debate sobre uma problemática que obrigará a outras sessões deste tipo e num futuro próximo; sessões estas para as quais se conta com as muito interessantes intervenções que, em seguida, se apontam e, muito brevemente, se sumariam.

Concluindo o artigo e proporcionando-lhe um adequado conteúdo técnico, apresentam-se dois textos, em que dois dos intervenientes no Encontro, o Arq. Fausto Simões e o Eng. Pina dos Santos, fazem o enquadramento geral das respectivas intervenções.

O Encontro foi aberto pelo Senhor Eng. Teixeira Monteiro, Presidente do INH e pelo Presidente do GH, que deram as boas-vindas aos presentes e apresentaram o programa de trabalhos previsto.




Ainda numa fase inicial dos trabalhos foi feita uma referência destacada à recente atribuição, no início de Fevereiro de 2007, do Prémio Europeu de Energia Sustentável 2007 a um projecto europeu, o projecto SHE – Sustainable Housing in Europe, no qual se integra e salienta, porque corresponde a uma obra acabada bem dentro dos prazos previstos, um conjunto de habitação apoiada pelo Estado português, portanto financiado pelo INH, e promovido por um conjunto de cooperativas de habitação económica que integram a Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE), localizado na Ponte da pedra, Leça do Balio, Matosinhos.

Trata-se do primeiro empreendimento cooperativo de construção sustentável em Portugal, promovido pela NORBICETA – cooperativas Nortecoop, As Sete Bicas e Ceta, sob a direcção técnica do Eng. José Coimbra e sob coordenação global do Presidente da FENACHE Guilherme Vilaverde.
Mais informações sobre este conjunto estão disponíveis em diversos artigos já editados no Infohabitar.

Passando ao conteúdo técnico do encontro, este integrou os seguintes temas e intervenientes:




1.ª Intervenção: Objectivos de conforto e de sustentabilidade ambiental em intervenções habitacionais, pelo Arq.º. Fausto Simões

autor de projectos de arquitectura e de trabalhos de divulgação e estudos publicados sobre arquitectura climática.

Como se anexa um pequeno texto, da autoria do próprio Arq.º Fausto Simões, sobre esta temática apenas se refere aqui que se tratou de uma intervenção com grande riqueza de conteúdos técnicos e forte interesse expositivo, que abordou os diversos níveis físicos urbanos e residenciais, assim como as suas fundamentais interacções e elementos constitutivos que têm influência num conforto ambiental mais sustentável e mais efectivo, seja no exterior citadino, seja em nossas casas, seja no Inverno, seja no Verão.

E chama-se, assim, a atenção para o texto do Senhor Arq.º Fausto Simões, que integra este artigo, intitulado “Arquitectura conforto e ambiente – Da caixa hermética à “vida entre os edifícios”, onde se faz o enquadramento genérico desta apaixonante e hoje crucial temática.




Refere-se, ainda, que o Arq.º Fausto Simões é autor de projectos de arquitectura climática com resultados registados e publicados: Casas Solares Passivas de Vale Rosal e do Casal do Cónego, Casa do Telheiro, Casa do Padrão, Escritórios da Taxa de Porto. Fausto Simões desenvolveu, também, obras de iniciação à arquitectura climática e sustentável: Clicon – Método de Concepção para Projectar como Clima; A Green Vutruvius - Princípios e Práticas de Projecto para uma Arquitectura Sustentável (revisão da versão original e supervisão da versão portuguesa); um livro que está disponível nas livrarias e que vivamente se recomenda.



2.ª Intervenção: Características e aplicações do novo Regulamento das Características de Comportamento Térmico dos Edifí­cios (RCCTE), considerando a habitação a custos controlados, pelo Engº. Pina dos Santos

Investigador do Laboratório Nacional de Engenharia Civil.

Como se anexa um pequeno texto, da autoria do próprio Eng.º Pina dos Santos, sobre esta temática apenas se refere aqui que se tratou de uma intervenção cujo interesse e oportunidade nos levariam muito mais além do tempo de apresentação previsto; situação esta que Pina dos Santos soube contornar através de um salientar estratégico dos aspectos por ele considerados mais importantes e oportunos.



O Senhor Eng.º. Pina dos Santos é Investigador do Núcleo de Revestimentos e Isolamentos (NRI) do Departamento de Edifícios do LNEC e esteve, desde sempre, ligado às temáticas do conforto térmico em edifícios.




3.ª Intervenção: Sistema Nacional de Certificação Energética e da Qualidade do Ar Interior nos Edifícios (SCE) e Água Quente Solar, pelo Dr. Alexandre Fernandes

Director Geral da ADENE – Agência para a Energia.

Nesta intervenção foram desenvolvidos os seguintes temas, que aqui se citam da respectiva apresentação do Senhor Dr. Alexandre Fernandes: intensidade energética em crescimento; o desafio de cumprir Quioto; consumo de energia primária (tipos de fontes energéticas); consumo de energia final (por sectores de actividade); evolução da legislação aplicável, destacando-se o novo pacote legislativo de 4 de Abril de 2006; integração das peças legislativas; regulamentação específica para edifícios residenciais, considerando edifícios novos e existentes; sistema de certificação (da verificação da aplicação dos requisitos regulamentares à classificação e emissão de certificado); perfil do “Perito Qualificado”; intervenções no SCE, considerando o RCCTE e o RSECE, ao longo das etapas da vida de um dado edifício (do respectivo projecto à sua utilização) e visando a emissão de Declaração de Conformidade Regulamentar e de Certificados Energéticos; verificação de requisitos relativamente ao RCCTE e ao RSECE; classificação energética (habitação e serviços); Classes energéticas residenciais; processo de certificação.




Esta intervenção Dr. Alexandre Fernandes, igualmente de grande interesse e que iria motivar um animado debate final, foi rematada com as seguintes temáticas: apresentação do Portal ADENE/SCE, actualmente em conclusão; Certificado Energético e Certificado Energético e Solar; entrada em vigor do RCCTE, do RSECE e do SCE e respectivas implicações actuais e futuras; enquadramento geral geográfico da temática do aproveitamento Solar Térmico; dados sobre o aproveitamento Solar Térmico na União Europeia; diagnóstico geral do aproveitamento Solar Térmico em Portugal; e evolução expectável do aproveitamento solar térmico entre 2007 e 2010.




4.ª Intervenção: A responsabilidade e intervenção das empresas de materiais na sustentabilidade ambiental, pelo Engº. Jorge Ramos

da Empresa Imperalum.

Nesta intervenção foram desenvolvidos os seguintes temas, que aqui se citam, de forma muito sintética, a partir da respectiva apresentação do Senhor Eng. Jorge Ramos: caracterização ambiental da indústria da construção, com relevo nos respectivos impactes negativos; caracterização ambiental da indústria da Imperalum, com destaque para a fabricação de membranas betuminosas de impermeabilização e emulsões; Certificação Ambiental; contributos possíveis para a qualidade de vida nas edificações e para a sua sustentabilidade.

Salienta-se que o Eng. Jorge Ramos assegurou uma sequência natural e estimulante na abordagem da temática geral da sustentabilidade na construção de habitação, concluindo as apresentações da tarde num registo muito ligado à prática, mas uma prática claramente comprometida com a qualidade ambiental.





Apresentam-se, em seguida, os textos de enquadramento que foram, na altura, disponibilizados aos presentes, pelo Arq.º Fausto Simões e pelo Eng.º Pina dos Santos, textos estes que, em conjunto com as apresentações em Power Point dos restantes intervenientes, constituíram uma bem organizada documentação fornecida pelo excelente secretariado do Encontro aos seus mais de 100 participantes.



Arquitectura conforto e ambienteDa caixa hermética à “vida entre os edifícios”- texto de Fausto Simões

http://www.orbis.t2u.com/

O sector da edificação confronta-se hoje com uma nova Regulamentação Energética que é dominada pela Térmica. A QAI (Qualidade do Ar Interior) e a Iluminação são tratadas na perspectiva das instalações de AVAC (Aquecimento, Arrefecimento e Ar Condicionado). O edifício também, tendo em vista, sobretudo, reduzir o consumo de energia comercial dos equipamentos activos. De facto são estes e não os edifícios que consomem energia comercial.

Em Portugal, a importância energético-ambiental dos edifícios é relativamente pequena, mas tenderá a agravar-se na medida em que remetemos para as instalações especiais problemas que poderiam ser melhor resolvidos pelos edifícios, ou nem sequer existir. Neste sentido, há cada vez mais edifícios que só são habitáveis graças á “máquina”. Falta robustez ambiental ao nosso património edificado, o que se tornará mais crítico se considerarmos o desenraizamento e o envelhecimento da população face aos efeitos das alterações climáticas.

Consequentemente, a resposta da arquitectura aos problemas energetico-ambientais não se pode divorciar dos problemas sociais e, portanto, não se deve circunscrever ao detalhe dos isolamentos térmicos e dos acabamentos interiores não poluentes. Isso é o que pede aos arquitectos a concepção do edifício como uma caixa hermética mecanicamente ventilada (Figura 1), seguindo o modelo da Passiv Haus que "vem do frio", da Europa não mediterrânea. Esta concepção tem uma forte presença na articulação da Regulamentação Energética.




Figura 1 Da “caixa hermética” aos “espaços entre os edifícios”

A concepção que tenho vindo a defender é menos linear e centra-se mais nas nossas relações com o clima e a sociedade, mediadas pelos edifícios. No nosso clima moderado e misto, o isolamento térmico que se integra sobretudo nas estratégias de conservação do calor, têm que se conjugar, não só com o solar passivo no Inverno, mas também com o leque de estratégias para o Verão, tendencialmente mais importantes, nas quais o isolamento térmico tem uma posição mais discreta; a térmica tem que se conjugar com a iluminação natural com a acústica e outras componentes ambientais, considerando um conforto adaptativo, mais complexo, com interessantes reflexos nos consumos de energia... E o "ambiente" tem que se conjugar com a urbanidade.

Chegamos assim a formas edificadas que não podem caber no modelo da caixa hermética e em que ganham importância os "espaços intermédios" .

A incorporação destas preocupações na arquitectura implica a revisão em profundidade dos currícula, na perspectiva "sustentável" da arquitectura enquanto "arte aplicada" e da participação pró-activa dos arquitectos em equipas pluridisciplinares, ao nível do projecto dos edifícios e das suas agregações urbanas, com uma especial atenção aos "espaços entre os edificios" (Figura 1), nomeadamente nos Planos de Pormenor. Note-se que é ao nivel da cidade e do primeiro esquisso que são tomadas as principais decisões, as quais condicionarão irrevogavelmente o projecto, a construção e a utilização do meio edificado e, portanto, ditarão o seu impacte energetico-ambiental.

No que concerne à prática profissional, parece óbvio que o velho método separativo em que o engenheiro mecânico fica à espera que o arquitecto lhe entregue a "estrutura" definitiva para introduzir os dados nos seus cálculos sobre os equipamentos, deverá ser substituído por um processo iterativo ao longo do projecto e desde o primeiro esquisso, designadamente nos maiores projectos. Este processo interactivo não requer apenas novas competências de parte a parte, mas também métodos de cálculo que permitam que ambos progridam concertadamente em detalhe do programa base até ao projecto de execução.

E depois do projecto de execução, vem ao caso salientar, torna-se pertinente não só dar uma efectiva assistência à obra, mas também acompanhar a sua utilização. O acompanhamento da utilização pelo projectista durante um ou dois anos, traz inestimáveis ensinamentos que podem vir a ser aplicados in loco e em futuros projectos.

Tudo isto envolve significativas alterações na prática profissional e custos adicionais que estão expostos de forma sistematizada no "A Green Vitruvius", um "primer" sobre "princípios e práticas de projecto para uma arquitectura sustentável" editado pela Associação dos Arquitectos Portugueses, actual Ordem dos Arquitectos que ainda não o aproveitou para despoletar a discussão desta matéria em português.

Texto de Carlos Pina dos Santos

pina.santos@lnec.pt

O Decreto-Lei nº 80/2006 de 4 de Abril revoga o anterior RCCTE (Decreto-Lei nº 40/90 de 6 de Fevereiro, o qual pela primeira vez tinha introduzido, por via regulamentar, requisitos térmicos no projecto de novos edifícios e de grandes remodelações.

Apesar do duvidoso cumprimento sistemático das exigências regulamentares impostas pelo “velho” RCCTE, é indiscutível que esse documento legal contribuiu para introduzir alterações significativas nas práticas construtivas adoptadas na edificação corrente.

As paredes exteriores, nas quais se generalizou a adopção da parede dupla, passaram com alguma frequência a incluir um mínimo de isolamento térmico. As coberturas, em terraço ou inclinadas, também passaram a receber com regularidade um tratamento térmico, embora nem sempre adequado.

Todavia surgiram alguns problemas, mais ou menos graves, involuntariamente criados pelo RCCTE. Podem referir-se, a título de exemplo, as inadequadas soluções de “correcção” das pontes térmicas e o descuramento de outros aspectos do desempenho dos elementos da envolvente, nomeadamente, em termos de segurança contra incêndio. Sem esquecer a fraca qualidade de execução das soluções de isolamento térmico, geralmente observada na construção corrente.

Por outro lado verificou-se nos últimos anos um acréscimo (mais ou menos sazonal) da aquisição e da instalação de sistemas energéticos de aquecimento e de refrigeração, embora com frequência usados com moderação, por razões de ordem económica.

Mas nesses últimos anos o consumo de energia no nosso País apresentou acréscimos associados, quer à aquisição e uso intensivo de variados equipamentos domésticos e profissionais, nos edifícios, quer à utilização dos meios de transporte .individuais.

Por último, uma sociedade próspera tende a esquecer rapidamente a necessidade de adoptar algumas práticas ética e socialmente responsáveis. As atitudes e os aspectos comportamentais face à utilização racional dos recursos disponíveis afectam, drasticamente, os resultados de quaisquer políticas ou medidas que se pretendam implementar.

O novo RCCTE, aprovado como se referiu passados dezasseis anos após o primeiro regulamento térmico, surge no contexto da evolução social, económica e energética entretanto registada no País e “transpõe em parte” a Directiva nº 2002/91/CE, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 16 de Dezembro (publicada em 4 de Janeiro de 2003), relativa ao desempenho energético dos edifícios.

Esta Directiva, entre outros requisitos, impõe (transcrevendo o preâmbulo do novo RCCTE) “aos Estados membros o estabelecimento e actualização periódica de regulamentos para melhorar o comportamento térmico dos edifícios novos e reabilitados, obrigando-os a exigir, nestes casos, com poucas excepções, a implementação de todas as medidas pertinentes com viabilidade técnica e económica.

A directiva adopta ainda a obrigatoriedade da contabilização das necessidades de energia para preparação das águas quentes sanitárias, numa óptica de consideração de todos os consumos de energia importantes, sobretudo, neste caso, na habitação, com um objectivo específico de favorecimento da penetração dos sistemas de colectores solares ou outras alternativas renováveis”.

Para além da obrigatoriedade da instalação de colectores solares térmicos, salvo justificação fundamentada em contrário, o novo RCCTE introduz novos aspectos que visam a melhor quantificação dos consumos potenciais de energia para aquecimento, arrefecimento e preparação de águas quentes sanitárias.

A maior complexidade no tratamento dado a algumas das matérias relevantes (ganhos solares, pontes térmicas, ventilação) traduzir-se-á na necessidade de adopção de soluções passivas ou activas menos comuns na prática corrente.

Embora as condições de referência adoptadas possam ser consideradas apenas simplificações de cálculo (e não recomendações para serem cegamente cumpridas), e os consumos nominais de energia útil estimados se possam afastar significativamente da realidade, o novo RCCTE pretende criar uma base convencional de comparação entre edifícios com vista à respectiva Certificação Energética que entrará em vigor ainda este ano.

Como o próprio preâmbulo do novo RCCTE também refere “para maior flexibilidade de actualização destes objectivos em função dos progressos técnicos e dos contextos económicos e sociais este Regulamento é estruturado por forma a permitir a actualização dos valores dos requisitos específicos, fixados de forma periódica pelos ministérios que tutelam o sector”.




Finalmente houve lugar a um animado debate, gerido por uma mesa composta pelos intervenientes e pelo moderador Arq.º Vasco Folha do INH.

Ficou vontade de se ter mais tempo, seja para as apresentações, seja para o debate das temáticas e das questões levantadas pelas apresentações. Talvez que numa possível réplica deste Encontro, provavelmente no Porto e, também provavelmente, no Auditório da Delegação do INH no Porto, seja possível proporcionar um pouco mais de tempo para se ouvir falar e para se discutirem estas fundamentais matérias da “regulamentação térmica e da sustentabilidade na habitação a custos controlados”; e talvez que então seja possível, pelo menos, introduzir numa tal apresentação e discussão a problemática da reabilitação habitacional associada a essas temáticas.

Aproveitando-se este artigo faz-se aqui um agradecimento público, em nome do Grupo Habitar, aos principais intervenientes neste Encontro, Dr. Alexandre Fernandes, Arq.º Fausto Simões, Eng. Jorge Ramos e Eng.º Pina dos Santos, pelas excelentes intervenções, ao Arq.º Vasco Folha pela motivada moderação do debate e a todos os que estiveram connosco na tarde de 15 de Fevereiro de 2007 no INH em Lisboa.




E naturalmente o Grupo Habitar deixa aqui bem expresso o agradecimento ao INH, na pessoa do seu Presidente Eng. Teixeira Monteiro e do seu Conselho Directivo, por mais esta jornada técnica e de colaboração com o GH. Um agradecimento que deve ser estendido ao excelente secretariado do Encontro, coordenado, como sempre com grande eficácia, pela Dr.ª Teresa Machado, e, naturalmente, a uma das almas do INH e do GH, o Eng.º Hermano Vicente, que, desde início e até ao fim, ajudou a organizar e dinamizou esta tarde de trabalho.