terça-feira, fevereiro 26, 2019

O cromatismo residencial - Infohabitar 676

Infohabitar, Ano XV, n.º 676
O cromatismo residencial - Infohabitar 676
Artigo da Série “Habitar e Viver Melhor”
por António Baptista Coelho (texto e imagem)
Sobre uma habitação feita mais por sítios específicos do que por espaços ditos de/para actividades e funções domésticas.
Aproveitando para lembrar, entre outros autores Arquitectos, o grande Christopher Alexander e a sua incontornável “linguagem de padrões”, que tanto influenciou tanta gente e é tão poucas vezes citada ou referenciada, podemos referir que uma habitação, um mundo doméstico que, para o ser, tem de integrar, potencialmente, os vários mundos domésticos específicos dos respectivos habitantes, mais o respectivo agregado comum e convivial, muito mais do que um “simples” complexo funcional – e ainda assim o número de funções é extenso – deveria ser constituído e constituível por uma potencial e muito extensa diversidade de “cantos”, “recantos” e “sítios” adequados a uma enorme variedade de misturas funcionais e apropriações pessoais e de grupo específicas e dinâmicas.
Sobre a previsão destes tipo de “cantos”, “recantos” e “sítios”  domésticos, que são, em boa parte, os grandes responsáveis pela criação de um grande mundo pessoal e familiar, destacam-se alguns aspectos muito variados e, designadamente, de agradabilidade e de conforto ambiental, de adaptabilidade, de funcionalidade com sentido lato e de adequada, rica e apropriável pormenorização arquitectónica, que, em seguida, muito brevemente se apontam – não exaustivamente (trata-se de um texto naturalmente dinâmico).

Sobre o comatismo residencial – algumas notas

O cromatismo residencial tem uma importância que, desde já se sublinha, não será adequadamente considerada neste texto, exigindo abordagens muito específicas e amplamente pormenorizadas e debatidas, considerando-se as diversas opiniões especializadas e os variados estudos existentes.
A cor doméstica constitui-se como um verdadeiro pequeno mundo de cenários que poderão dar leituras aparentemente mais amplas ou mais reduzidas dos espaços onde são aplicadas, consoante os tons sejam mais claros ou mais escuros e consoante haja boas ou más condições de luza natural, proporcionadas pelos respectivos vãos exteriores.



(Fig. 01) Sem título.

Principais tons de cor usados no interior doméstico

Segundo Christopher Alexander, os principais tons de cor usados no interior doméstico devem ser naturais e quentes, referindo o autor, especificamente, os tons vermelhos, amarelos, laranjas e, castanhos/ocres; estes tons podem resultar, apenas, de matizes sobre bases dominante brancas, ou sugerirem directamente a natureza com verdes e azuis.
E, desde já, se aponta que esta estimulante opinião, que se partilha, entra um pouco em colisão com ideias muito generalizadas e respeitáveis, por exemplo entre muitos arquitectos, da importância de se caracterizar um ambiente doméstico com tons de cor pouco “expressivos”, ou intensos, visando-se, designadamente brancos “sujos”, cremes, sépias claros, etc.
Voltando às opiniões de Alexander, este defende, ainda, que a escolha da cor deve considerar:
- se a luz natural recebida num dado compartimento é mais "quente", porque recebida dos quadrantes Este (início da manhã), Sul (meio-dia) e Oeste (final da tarde) ou mais "fria", porque recebida do quadrante Norte;
- e qual a função desse compartimento (por exemplo mais "funcional" ou para trabalho em casa, ou para repousar e dormir, ou para estar e conviver), de modo a que se equilibre, reduza ou acentue, pela cor escolhida, o efeito da luz recebida, ponderando-se, também, as consequências e os conteúdos mais ou menos repousantes ou estimulantes dos diversos efeitos cromáticos e texturais - cores vivas ou neutrais, brilhantes ou "mate", lisas ou texturadas. (1)

Relação entre os tons de cor e a orientação solar dos compartimentos

A propósito dessa importante relação entre os tons de cor e a orientação solar dos respectivos compartimentos onde elas se aplicam, o investigador do LNEC e saudoso amigo Licínio Cantarino de Carvalho (2), defende, num importante e pioneiro estudo português sobre iluminação natural – matéria esta que exige urgente aprofundamento na sua relação com o projecto de Arquitectura – , que importa aumentar a reflexão da luz natural nas superfícies interiores, adoptando para elas cores claras, em particular na zona envolvente dos vãos exteriores envidraçados; reduzindo-se o contraste com a luz directa desses vãos, responsável por condições incómodas de encandeamento; matéria esta, que, por si só, nos levaria longe nas suas implicações em termos de cromatismo e arquitectura de interiores.
A cor doméstica pode/deve, assim,  ligar-se/conjugar-se com as orientações dos diversos compartimentos domésticos, sendo interessante, por exemplo, poder dormir a Nascente e ter uma janela perto da cama, e poder despertar naturalmente (período de sonolência) com os ciclos naturais, suave mas firmemente, em sítio donde se veja a luz, mas sem o Sol directo; "ver o tempo que faz" e acompanhar, logo ao acordar, os ciclos naturais; e talvez acentuar os tons do amanhecer com tons de cor específicos nas paredes dos quartos.
E, complementarmente, não tenhamos dúvida de que a luz filtrada por cortinas, estores e, até, folhas de árvores é maravilhosa, porque evita a luz directa criadora de sombras marcadas e imagens duras com fortes contrastes (3), e porque os padrões luminosos com pequenas escalas são sensualmente agradáveis e estimulantes; e, de certa forma, tudo isto também acaba por ser um tipo muito estimulante de quase-cor dinâmica.

A desejável agradabilidade dos acabamentos interiores

Ainda segundo Christopher Alexander, as paredes interiores e os tectos, quando aparentemente muito duros, frios e maciços tornam-se desagradáveis ao tacto, provocam mais reverberação e impossibilitam ou dificultam muito a sua decoração; o contrário sucederá com acabamentos de gesso e revestimentos com texturas naturais, como a madeira. (4)
Alexander recomenda, ainda, (5) o uso de materiais de qualidade, disponíveis em elementos com escala pequena, que sejam fáceis de preparar em obra e de trabalhar; e sendo, consequentemente, fáceis de adaptar e fazer variar, mas suficientemente pesados e sólidos para serem duráveis e de fácil conservação e manutenção; e defende que estes materiais devem ser ecologicamente convenientes e bio-degradáveis, o que se liga, por um lado, ao desenvolvimento, defendido pelo citado autor, de paredes brandas e de texturas naturais (uso de materiais com as suas texturas naturais) e, por outro lado, à envolvência dos habitantes por ambientes basicamente relacionados com a natureza (cores e texturas naturais, elementos envelhecendo com naturalidade); que parecem ter importantes influências apaziguadoras e calmantes.


(Fig. 02) Sem título.

Algumas observações sobre as cargas emocionais das cores

Naturalmente que todas as cores têm cargas emocionais latentes dependendo do contexto, da situação cultural, da personalidade do sujeito e da sua atitude (disposição) no momento; todos estes factores influenciando um "código" que cada pessoa usa  (6). E, a este propósito Ken Kern fala-nos dos conteúdos das cores e das tonalidades: (7)
- “O azul escuro e o negro têm factores de reflexão baixos.  O amarelo e o branco altos.  A quantidade de luz reflectida por várias cores é a seguinte: branco de 80 a 90%; pastel pálido (amarelo, rosado) 80%; pastel pálido ("bege", lilás) 70%; cores frias (azul, pastéis verdes) 70 a 75%; amarelo intenso 35%; castanho 25%; azul e verde de 20 a 30%; negro 10%.
- O verde, o azul e o violeta dão a sensação de frio (peso, passividade e afastamento), enquanto o amarelo, o alaranjado e o vermelho parecem quentes (luminosidade, actividade e movimento de aproximação).
- Devem usar-se cores quentes em compartimentos expostos ao Norte ou que recebam pouca luz natural, enquanto se devem usar as cores frias em compartimentos expostos ao Sul ou cheios de luz do Sol.
- As cores brilhantes e fortes podem dar a sensação de expansão a compartimentos pequenos, enquanto os contrastes de tonalidades pouco intensos podem tornar os compartimentos grandes mais sóbrios.
- O vermelho é excitante, o azul é calmante e apaziguador, o verde reduz o nervosismo e a tensão muscular, e o amarelo produz uma sensação de jovialidade que se comunica ao metabolismo humano".
Considerando-se, agora, embora de forma muito sumária, a relação entre cores e clima e lembrando Victor Olgyay, no seu conhecido estudo "Design With Climate", recomenda-se para uma região climaticamente temperada alguns aspectos a considerar no desenho residencial e de que seleccionámos os seguintes dados: (8) superfícies ao Sol com cores médias, superfícies reentrantes podem ser escuras se forem sombreadas no Verão, cores claras em coberturas.

O cromatismo e a fruição espacial

Sobre a função do cromatismo como elemento de estruturação da capacidade de deleite oferecida por dados elementos e embientes residenciais importa referir que a cor ocupa um importante papel na arquitectura, nomeadamente, através da valorização da percepção do espaço (9). Claire e Michel Duplay consideram, sobre este assunto, os seguintes aspectos (10) (apurados apenas os aplicáveis ao interior doméstico):

- os modernos usaram cores primárias simples associadas ao verde e ao branco, expressas em pintura e não em matéria, e justapostas ao cinzento do betão;
- a prática corrente usa tons "previamente sujos", de modo a esconder a sujidade, "tudo já está previamente sujo";
- a cor deve ser um meio de exprimir e sublinhar os volumes, os planos diferenciados e, designadamente, a espessura de um edifício;
- as cores devem ser, preferencialmente,"integradas na massa" dos materiais de construção, mas quando estes materiais são pobres, é preferível a cor/tinta "em vez da tristeza sob o pretexto do purismo";
- o jogo cromático segue um conjunto de oposições de cor: do material, natural/por pintura, artificial; de fundo/de guarnecimento de vãos; na estrutura da edificação/nos seus preenchimentos;
- uma regra simples considera que deve existir uma harmonia cromática entre as: paredes; caixilharias; cobertura(s); e elementos mais efémeros (tais como estores).

Breves notas de remate sobre a cor doméstica

Aponta-se, finalmente, que sendo  o adequado cromatismo doméstico um assunto que nada tem a ver com mais despesas, mas apenas com a boa escolha dos tons usados, e sendo esta matéria directamente associável a uma positiva ou negativa influência no agrado ou desagrado com o uso dos espaços domésticos privados ela deveria merecer um cuidado aprofundado e a respectiva divulgação aos habitantes e designadamente junto daqueles que terão menos acesso a este tipos de informações.


Notas:
(1) Christopher Alexander; Sara Ishikawa; Murray Silverstein; et al, "A Pattern Language/Un Lenguaje de Patrones", p. 1003.
(2) Licínio Cantarino de Carvalho, "Iluminação Natural no Projecto dos Edifícios", pp. 21 a 26
(3) Reduz o contraste abrupto entre a luz directa do vão e a parede que o rodeia e, assim, permite uma melhor percepção dessa parede.
(4) Christopher Alexander; Sara Ishikawa; Murray Silverstein; et al, "A Pattern Language/Un Lenguaje de Patrones", pp. 954 e 955.
(5) Christopher Alexander, Sara Ishikawa, Murray Silverstein, et al,"A Pattern Language/ Un Lenguaje de Patrones”, pp. 839 e 840,
(6) Sven Hesselgren, "Architectural Semiotics", em "Architectural Psychology Lund Conference".
(7) Ken Kern, "La Casa Autoconstruida", pp. 360 a 363.
(8) Victor Olgyay, "Design with Climate", pp. 155 e 156, 161 e 162, 167 e 168.
(9) Alfonso Stocchetti, "Spazi Per la Vita degli Uomini, Architettura Parametri", pp. 163 a 172.
(10) Claire e Michel Duplay, "Methode Illustrée de Création Architecturale", pp. 103 e 104.

Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XV, n.º 676
O cromatismo residencial - Infohabitar 676
Artigo da Série “Habitar e Viver Melhor”

Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho
abc.infohabitar@gmail.com

Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional Infohabitar,– Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).

Apoio à Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.

terça-feira, fevereiro 19, 2019

Convocatória da 5.ª Assembleia Geral da GHabitar-APPQH - Infohabitar 675

Infohabitar, Ano XV, n.º 675
Convocatória da 5.ª Assembleia Geral da GHabitar-APPQH - Infohabitar 675


Esta edição da Infohabitar é dedicada à edição da Convocatória da 5.ª Assembleia Geral da GHabitar-APPQH e do respectivo Relatório de Actividades em 2018.


 
GHabitar - Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional
Rua Armandinho, nº3 – Loja A, 1950-446, Lisboa (Freguesia de Marvila) N.I.P.C. n.º –  513 040 625
Importante: solicita-se que seja enviado recibo de leitura desta convocatória ao remetente (o Gmail deixou de ter esta funcionalidade automática)
Convocatória da 5.ª Assembleia Geral da GHabitar-APPQH
5.ª Assembleia-geral ordinária da GHabitar – APPQH , a realizar na quinta-feira, dia 28 de Março de 2019, em Lisboa, na Sala n.º 352 do Edifício Arantes e Oliveira (edifício principal) do Laboratório Nacional de Engenharia Civil, Avenida do Brasil, 101, 1700-066 Lisboa (sala do Arq.º António Baptista Coelho).
Em cumprimento do disposto nos artigos 18º e 23º a 30 dos Estatutos da GHabitar, convoca-se a 5.ª Assembleia-geral, em sessão ordinária, para reunir pelas 12h.00, na Sala n.º 352 do Edifício Arantes e Oliveira (edifício principal) do Laboratório Nacional de Engenharia Civil, Avenida do Brasil, 101, 1700-066 Lisboa (sala do Arq.º António Baptista Coelho).
A 5.ª Assembleia-geral da GHabitar-APPQH decorrerá na morada e hora acima indicadas, com a seguinte Ordem de Trabalhos:
1. Apreciação e aprovação das contas de 2018.
2. Reflexão geral sobre as atividades da GHabitar, registadas no respectivo “Relatório de Atividade em 2018 da GHabitar” (que se anexa a esta convocatória), com destaque para a respectiva dinamização e para a continuidade da dinâmica do CIHEL – Congresso internacional da Habitação no Espaço Lusófono.
3. Informações.
Se à hora marcada não estiverem presentes metade dos associados, a Assembleia reunirá meia hora depois, pelas 12h.30, com os membros presentes, de Acordo com o disposto no n.º 2 do art. 30.º dos mesmos Estatutos.
Lisboa, Sede da GHabitar e Sede da FENACHE, 15 de fevereiro de 2018                                                  
O Presidente da Mesa da Assembleia-geral
Duarte Nuno Simões
Notas Importantes:
Tal como é disposto no Artigo 29º dos Estatutos, esta convocatória é enviada por mail, com solicitação de envio de recibo, a todos os associados da GHabitar e será editada no Blog/Revista Infohabitar, Ano XV, N.º 675, Revista na WWW da GHabitar-APPQH, com edição prevista para 19 de Fevereiro de 2019  - a Infohabitar é uma revista com edição semanal, habitualmente divulgada na mailing list da GHabitar e que conta com mais de 1.000.000 consultas/page-views.  http://infohabitar.blogspot.pt/


GHabitar - Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional
Rua Armandinho, nº3 – Loja A, 1950-446, Lisboa (Freguesia de Marvila)
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Relatório de Atividade em 2018 da GHabitar - Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional – APPQH
(associação anteriormente designada: Grupo Habitar -  APPQH)
As atividades da GHabitar em 2018 sintetizam-se nas tarefas que são, em seguida, registadas:
Realização, em 9 de março de 2018, em Matosinhos, numa sala da Sede da Cooperativa de Habitação Económica As Sete Bicas, situada na Rua António Porto, n.º 42, 4460-353 Senhora da Hora, Matosinhos, da 4.ª Assembleia-geral ordinária e, simultaneamente, 1.ª Assembleia-geral Eleitoral da GHabitar – APPQH; com eleição dos corpos sociais para o quadriénio de 2018 a 2021.
Realização, em 9 de março de 2018, em Matosinhos, com apoio da FENACHE e da Câmara Municipal de Matosinhos, de um almoço de convívio, seguido de uma visita guiada à Casa da Arquitectura.
Continuidade das edições da revista semanal na WWW Infohabitar, publicação ligada ao GH e agora à GHabitar, encontrando-se, atualmente, no seu 15.º ano editorial, sempre com a publicação de matérias nas áreas temáticas de atuação do GH/GHabitar. Salienta-se que, à data do presente relatório de atividades: (i) estão editados 674 artigos; (ii) dos quais 49 editados em 2018; (iii) atualmente a Infohabitar contabiliza mais de 1.099.900 page-views/consultas, disseminadas por todo o mundo lusófono – com algum destaque em Portugal e no Brasil.
Trabalhos exploratórios e preparatórios de lançamento do 5.º Congresso Internacional da Habitação no Espaço Lusófono (5.º CIHEL) – à data de conclusão deste relatório de actividades não havia, ainda, novidades significativas  relativas a este assunto.
Tentativa de resolução de um problema levantado relativamente à obrigatoriedade, referida pela Autoridade Tributária e Aduaneira, cerca de junho de 2018, de a GHabitar-APPPQH ter um endereço de mail específico de caixa postal Via CTT; relativamente a este assunto foi, de imediato, realizada a respectiva inscrição na Via CTT e solicitada, por requerimento fundamentado e dirigido à ATA a não aplicação da respectiva coima – situação que se julga estar, actualmente, regularizada.
Importa sublinhar a essencial continuidade do apoio da Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE) ao funcionamento da GHabitar, seja proporcionando a instalação da Sede da associação na Sede da FENACHE, seja por diversos e vitais apoios à vida diária da associação, entre os quais se destaca o apoio na estruturação e oficialização das contas da GHabitar e a realização das acções referidas e relativas a 9 de março de 2018.
Finalmente, importa também sublinhar a continuidade do apoio do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) ao funcionamento corrente da GHabitar, agora de modo informal, proporcionando-se eventuais e pequenas reuniões na Sala ocupada pelo Arq.º António Baptista Coelho e, relativamente a esta matéria, lembra-se que desde a sua fundação cerca de 2001 até 2014 foi no LNEC a sede do Grupo Habitar – hoje GHabitar –, sede que desde esse último ano foi mudada para a Sede da FENACHE (devido à ausência prolongada do Arq.º ABCoelho do LNEC entre 2014 e 20017).
Lisboa, Sede da GHabitar e Sede da FENACHE, 15 de fevereiro de 2019
António Baptista Coelho
Presidente da Direção da GHabitar-APPQH
Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XV, n.º 675
Convocatória da 5.ª Assembleia Geral da GHabitar-APPQH - Infohabitar 675

Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho
abc.infohabitar@gmail.com

Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional Infohabitar,– Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).
Apoio à Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.

terça-feira, fevereiro 12, 2019

Tipologia dos pequenos espaços exteriores e interiores/exteriores privados - Infohabitar 674

Infohabitar, Ano XV, n.º 674
Tipologia dos pequenos espaços exteriores e interiores/exteriores privados - Infohabitar 674
Artigo da Série “Habitar e Viver Melhor”
por António Baptista Coelho (texto e imagens)
Sobre uma habitação feita mais por sítios específicos do que por espaços ditos de/para actividades e funções domésticas.
Aproveitando para lembrar, entre outros autores Arquitectos, o grande Christopher Alexander e a sua incontornável “linguagem de padrões”, que tanto influenciou tanta gente e é tão poucas vezes citada ou referenciada, podemos referir que uma habitação, um mundo doméstico que, para o ser, tem de integrar, potencialmente, os vários mundos domésticos específicos dos respectivos habitantes, mais o respectivo agregado comum e convivial, muito mais do que um “simples” complexo funcional – e ainda assim o número de funções é extenso – deveria ser constituído e constituível por uma potencial e muito extensa diversidade de “cantos”, “recantos” e “sítios” adequados a uma enorme variedade de misturas funcionais e apropriações pessoais e de grupo específicas e dinâmicas.
Sobre a previsão destes tipo de “cantos”, “recantos” e “sítios”  domésticos, que são, em boa parte, os grandes responsáveis pela criação de um grande mundo pessoal e familiar, destacam-se alguns aspectos muito variados e, designadamente, de agradabilidade e de conforto ambiental, de adaptabilidade, de funcionalidade com sentido lato e de adequada, rica e apropriável pormenorização arquitectónica, que, em seguida, muito brevemente se apontam – não exaustivamente (trata-se de um texto naturalmente dinâmico).

Pequena tipologia dos pequenos espaços exteriores e interiores/exteriores privados

Nota preliminar

Depois de se ter desenvolvido um quadro de caracterização e qualificação do que pode e deve ser a grande diversidade de pequenos espaços exteriores e interiores/exteriores privados, considerando-se, designadamente, os seguintes aspectos:
. relação com as janelas domésticas,
. relação com as vistas,
. criatividade volumétrica e pormenorizada,
. usos reais,
. aspectos de segurança,
. relação com o conforto,
. relação com a natureza,
. relação com a acessibilidade,
. e equilíbrio de aéreas domésticas interiores e exteriores,
Avança-se, em seguida, para o que se pode designar como de uma pequena tipologia desses pequenos espaços exteriores e interiores/exteriores privados, sublinhando-se alguns tipos mais correntes destes espaços e apontando-se, em cada caso, algumas das suas características consideradas mais significativas.

Fig. 01: importância dos espaços exteriores privados

Realidade e importância da grande diversidade tipológica dos pequenos espaços exteriores e interiores/exteriores privados

Antes de avançar numa reflexão exploratória sobre o grande leque tipológico que caracteriza, de facto, a extensa família de pequenos espaços exteriores e interiores/exteriores privados, importa referir:
(i) que esta diversidade é extremamente ampla e dificilmente “capturável” neste e em qualquer outro elenco tipológico, pois remete, basicamente, para a dimensão da criatividade do projecto e, portanto, para a fundamentada e potencialmente muito rica imaginação do respectivo projectista;
(ii) que esta mesma extensa e imaginativa diversidade, aplicada aos pequenos espaços exteriores e interiores/exteriores privados, pode e deve ser elemento crucial e estruturador de uma grande variedade de tipologias de habitações, de edifícios habitacionais e mistos e mesmo de vizinhanças habitacionais e mistas;
(iii) que esta diversidade é ferramenta privilegiada no desenvolvimento de soluções de vizinhança próxima e de edifícios caracterizadamente privatizadas e/ou conviviais; e recomenda-se, vivamente, sibre esta matéria a consulta da essencial obra de Serge Chermayeff e Christopher Alexander, intitulada “Community and Privacy: Toward a New Architecture of Humanism”; onde fica evidenciado o papel dos pequenos e médios espaços privados exteriores na configuração volumétrica de tipologias de vizinhança, edicadas e de habitações bem marcadas por tais aspectos de comunidade/convívio e privacidade;
(iv) que esta diversidade tipos de pequenos espaços exteriores e interiores/exteriores privados, assumindo o também referido potencial gerador de variadas tipologias de vizinhança, edifícios e fogos, o faça no fundamental respeito das melhores condições de integração local e de respeito e valorização da respectiva paisagem urbana e natural;
(v) e, finalmente, que este mesmo potencial de grande diversidade de tipos de pequenos espaços exteriores e interiores/exteriores privados, se prolonga e é desmultiplicada por uma respectiva grande diversidade de espaços e elementos pormenorizados, sendo, globalmente, este grande potencial de diversidade – dimensional, visual, funcional, etc. – no desenvolvimento de  exteriores e interiores/exteriores privados, elemento fulcral da capacidade de apropriação que cada habitação pode e deve proporcionar aos seus habitantes específicos e mesmo a grupos de habitantes agregados em vizinhanças específicas e bem caracterizadas.

Fig. 02: variedade de espaços exteriores privados

Proposta introdutória para uma pequena tipologia dos pequenos espaços exteriores e interiores/exteriores privados (os títulos optados no texto são seguidos das suas designações mais correntes)

Sítios-floreira

Floreiras

Provavelmente, a menor tipologia que pode ser considerada como integrando esta família dos pequenos espaços exteriores e interiores/exteriores privados, é a que poderá designar-se como “sítios-floreira”; espaços mínima ou razoavelmente dimensionados e pormenorizados no sentido de poderem integrar plantas, directamente, ou em vasos.
Os sítios-floreira têm, naturalmente, inúmeras configurações, mas, quando adequadamente projectados, integrando a imagem pública dos respectivos edifícios, são, sempre, elementos muito enriquecedores dessa imagem, gerando-se, frequentemente, soluções com expressivo carácter doméstico e/ou de integração entre natureza e edifício/construção.
Frequentemente os sítios-floreira associam-se aos sítios-varanda e aos sítios-alpendre na criação e configuração pormenorizada de várias subzonas de estar e com diversas funcionalidades; sendo, ainda, elementos protagonistas e muito expressivos nas respectivas imagens exteriores conjuntas.
Aspectos fundamentais e que têm de estar sempre presentes na concepção destes “sítios-floreira” são: a sua funcionalidade em termos do crescimento de plantas; a sua adequada impermeabilização, tendo em conta as regas frequentes; e a segurança contra queda no uso/manutenção corrente das plantas aí existentes – aspectos estes que condicionam totalmente a sua viabilidade.  


Fig. 03: variedade de tipos de varandas.

Sítios-varanda

Varandas

Os sítios-varanda para o serem ou são pequenos espaços, pouco mais do que janelas de sacada onde se pode ir lá fora, por exemplo para ver a rua, em plenitude, ou então devem ser sítios onde se pode estar sentado, em sossego e a conviver; espaços intermediários entre estas duas situações-limite e onde não é possível "estar" são realmente pouco úteis.
Os sítios-varanda podem ter inúmeras configurações, sendo estas, estruturantes das respectivas soluções domésticas e edificadas, quando estamos a considerar uma adequada solução de Arquitectura; pois nunca será de mais sublinhar que uma varanda não é um “adereço” que se junta ao projecto do edifício, é algo que o integra plenamente e que pode ser, mesmo, elemento fundamental da sua caracterização pública.
Globalmente e como é bem sabido há duas grandes “famílias” de varandas: as mais abertas e talvez possamos dizer convexas e abertas à paisagem, porque nela entrando; e as mais fechadas e talvez possamos dizer côncavas e “retiradas” da paisagem, porque entrando no corpo do edifício, habitualmente designadas de “balcões”; isto, embora, esta designação de “balcão”, também se possa referir a um tratamento mais aberto ou mais fechado da relação/separação entre o espaço habitável da varanda e o espaço “vazio”/paisagístico que lhe é contíguo.
Os usos possíveis das varandas são múltiplos, mas naturalmente favorecendo o estar e o lazer no exterior ou em espaços de transição interior/exterior; e mesmo as questões de conforto ambiental poderão ter adequado tratamento, caso se opte por uma adequada valorização de um uso intenso e prolongado do exterior doméstico proporcionado pelas varandas.
Um aspecto frequentemente mal considerado no desenvolvimento de varandas domésticas, refere-se à respectiva solução de fenestração não permitindo adequadas condições de uso integrado da varanda e do compartimento doméstico contíguo.
Outro aspecto frequentemente mal considerado no desenvolvimento de varandas domésticas, refere-se à sua reduzida contribuição para o conforto ambiental da respectiva habitação (ex., ventilação natural, sombreamento, aproveitamento solar passivo, etc.)
Ainda outro aspecto que é muito sensível no desenvolvimento de varandas domésticas, refere-se à sua frequente vandalização, através de instalação de marquises inexistentes no projecto original e, por regra, aplicadas sem qualquer harmonização em cada edifício e, também por regra, totalmente dissonantes e destruidoras da respectiva imagem pública.  
Finalmente e rematando esta pequena reflexão sobre os sítios-varanda sublinha-se a essencial/vital questão da solução de relação/separação entre o espaço habitável da varanda e o espaço “vazio”/paisagístico que lhe é contíguo, em termos de segurança contra quedas, designadamente, de crianças; uma matéria que se liga, designadamente, com a configuração pormenorizada de guardas (ex., altura, espaçamento de elementos verticais, ausência de elementos que possibilitem o escalamento, etc.) e que exige atenção específica e urgente.
Mas esta matéria dos sítios-varanda é, naturalmente, merecedora de outros desenvolvimentos.

Sítios-jardim de Inverno

Jardim de Inverno

Os sítios-jardim de Inverno correspondem, essencialmente, ao que tem de ser um adequado desenvolvimento, de raiz, de grandes marquises envidraçadas e bem estruturadas em termos de ventilação natural e protecção da radiação solar, de modo a que para além de proporcionarem a criação de pequenos jardins de Inverno, muito adequados a diversas actividades domésticas possam ser utilizadas numa estratégia de aproveitamento passivo da energia solar, em termos da climatização da restante habitação, considerando as condições de conforto de Verão e de Inverno.

Sítios-alpendre

Alpendres

Os sítios-alpendre correspondem, habitualmente, aos espaços que poderiam ser de amplas varandas, mas prolongando ou sequenciando os espaços domésticos térreos de edifícios unifamiliares.
Neste sentido eles integram, naturalmente, todos os conteúdos funcionais e imagéticos das grandes varandas domésticas e, designadamente, daquelas mais “profundas” e imbricadas na orgânica do respectivos lar, mas juntando-lhes factores de espaciosidade, adaptabilidade e liberdade de usos que se ligam à sua posição térrea e num espaço privado frequente e relativamente amplo, podendo haver, assim, aqui, integração de outros usos mais complexos de associar em varandas (ex., grelhadores, diversificados espaços de estar, etc.).
Um outro aspecto que importa ter em conta no adequado desenvolvimento dos sítios-alpendre é a sua relação ambivalente ou multilateral, tanto com o interior doméstico, como com a continuidade do espaço exterior privado; qualidade esta que é, habitualmente, garante de um adequado projecto global e que vive, naturalmente, tanto de aspectos globais de estruturação, como de uma adequada e sensível pormenorização.
Ainda um outro aspecto crucial no desenvolvimento dos sítios-alpendre é, naturalmente, o seu expressivo protagonismo na criação de excelentes espaços de transição entre interior e exterior.

Pequenos pátios interiores ou "poços" de luz natural

Pátios interiores

 Os pequenos pátios interiores ou "poços" de luz natural são elementos polarizadores e estratégicos na organização de uma habitação, levando luz natural inopinadamente a sítios onde ela não é expectável e criando verdadeiras atmosferas em que a respectiva interiorização é ainda acentuada por essas pontuais e marcantes presenças da realidade exterior; numa marcação que pode ser acentuada por plantas que povoem esses pequenos pátios interiores.
Mais do que lugares, estes pequenos pátios interiores criam lugares domésticos nas suas envolventes e por contraste nos compartimentos que pontuam e perfuram.

Sítios-pátio

Pátios

Os sítios-pátio, podem e devem ser verdadeiros compartimentos domésticos exteriores, plena e intensamente vividos durante boa parte do dia e do ano, proporcionando uma qualidade vivência únicas, seja nos seus próprios espaços, seja nas suas envolventes.
Podem ser mais ou menos naturalizados e pouco têm a ver com a sua posição no edifício pois podem integrar-se tanto junto ao nível térreo, estruturando e expandindo os respectivo embasamentos em zonas muradas e com acessos alternativos ao espaço público, como podem desenvolver-se nos pisos sobre este nível térreo em soluções muito encerradas ou parcilamente abertas em terraços, e também nos níveis superiores junto à cobertura.
Os sítios-pátio são elementos fundamentais na aproximação das habitações em edifícios multifamiliares a uma caracterização unifamiliar; associando-se vantagens de uma e outra tipologia e proporcionando-se grande diversidade de soluções edificadas formais e funcionais.
Podem por vezes caracterizar expressivamente tipologias densas e de baixa altura proporcionando como que uma geminação entre bandas edificadas e bandas de pátios expressivamente murados (muros altos e atraentes).

Sítios-jardim ou sítios-horta

Jardins e hortas

Os sítios-jardim podem ser considerados, quer como uma opção a desenvolver nos sítios-pátio, quer como soluções específicas de jardins privados marcando essencialmente as envolventes dos pisos térreos, ou, mediante condições especiais, em outros níveis dos edifícios.
Os sítios-jardim são também elementos fundamentais na aproximação das habitações em edifícios multifamiliares a uma caracterização unifamiliar; associando-se vantagens de uma e outra tipologia e proporcionando-se grande diversidade de soluções edificadas formais e funcionais.
Quanto aos jardins/hortas ou mesmo a espaços exclusivamente dedicados à horticultura, importa considerar que a sua visibilidade pública deverá ser especialmente cuidada, em termos da sua localização e tipo de vedação, podendo optar-se, mesmo por muros ou outras vedações visualmente bem cuidadas e opacas até à altura da vista pedonal contígua; uma solução que procura equilibrar e reservar vistas sobre espaços hortícolas que poderão estar, frequentemente, com aparência menos agradável. No entanto pode haver mesmo interesse estratégico em proporcionar continuidades de vistas sobre sequências significativas de talhões de pequenas hortas com uso privado, constituindo estas vistas elementos protagonistas de desejáveis extensos percursos pedonais estruturadores de vizinhanças.

Sítios-arrumação

Arrumações

Os sítios-arrumação no exterior são, por um lado, frequentemente, responsáveis pela funcionalidade desse mesmo exterior, no sentido de lhe proporcionarem a arrumação rápida de uma grande diversidade de elementos de apoio ao recreio, lazer e a trabalhos vários (desde passatempos mais “sujos” aos frequentes trabalhos de jardinagem e horticultura); e, são, também, infeliz e frequentemente, responsáveis pelo desenvolvimento de imagens e ambientes muito desagradáveis, porque expressivamente desarrumados e tantas vezes dissonantes, isto sempre que não há o cuidado de assegurar uma prévia e adequada harmonização das suas arquitecturas pormenorizadas – que podem ter, frequentemente, um carácter relativamente provisório (ex., construções em madeira), mas que nem por isso devem deixar de ser marcadas por uma adequada integração e dignidade de imagens.    

“Sítios-porta” e “sítios-vedação”

Portas e vedações

Talvez não fosse necessário fazer, aqui, esta referência específica aos “sítios-porta” e aos “sítios-vedação”, quando se aborda esta matéria dos pequenos espaços exteriores e interiores/exteriores privados, isto porque a respectiva pormenorização deveria ser algo extremamente cuidado no respectivo projecto de arquitectura.
No entanto, porque tal por vezes não acontece, dando-se um pouco a ideia (errada) que é matéria pouco importante para ser adequadamente considerada, aqui se regista esta necessidade, lembrando-se que a sua boa e bem pormenorizada Arquitectura será responsável por grande parte do impacto visual térreo, diariamente sentido pelos respectivos habitantes, e lembrando-se, ainda, que há aqui que harmonizar aspectos expressivamente distintos e, portanto complexos na sua integração, como são as questões de: segurança, vista exterior mais pública, vista interior mais doméstica, privacidade em determinadas zonas e convivialidade noutras, aberturas visuais mais profundas ou mais fechadas do interior sobre o exterior, e relacionamentos entre natureza e interior doméstico.

Notas editoriais:
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Infohabitar, Ano XV, n.º 674
Tipologia dos pequenos espaços exteriores e interiores/exteriores privados - Infohabitar 674
Artigo da Série “Habitar e Viver Melhor”

Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho
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Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional Infohabitar,– Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).

Apoio à Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.