domingo, junho 29, 2014

Bons espaços e ambientes domésticos II - Infohabitar 489

Infohabitar, Ano X, n.º 489

Artigo LIII da Série habitar e viver melhor

Nota prévia do editor da Infohabitar:

Há cerca de duas semanas foi editado um primeiro artigo sobre a formação em Arquitetura na Universidade da Beira Interior (UBI), na Covilhã, uma escola de Arquitetura que ajudei a criar, há cerca de 10 anos, e à qual estou atualmente ligado, como coordenador do respetivo Mestrado Integrado, e para ajudar a estruturar um novo Centro de Investigação, que abranja as áreas da Arquitetura e do Urbanismo, e apoiar no desenvolvimento de um renovado Doutoramento em Arquitetura.
Outros artigos serão aqui editados, visando a divulgação da formação em arquitetura da UBI, que, em breve, estará associada a um novo Departamento de Arquitetura, desenvolvendo-se, assim, uma natural autonomização, capaz de dinamizar excelentes relações com as engenharias e com outras faculdades da UBI e de outras Universidades, seja no âmbito formativo, seja no quadro do previsto novo Centro de Investigação, no qual estão previstas parcerias com Centros de outros pólos de ensino superior, numa dinâmica que estimule um amplo conjunto de ações e eventos formativos, informativos, técnicos e científicos, que tirem todo o partido das excelentes condições humanas e de instalações existentes na UBI, na Covilhã, bem como do agradável e estimulante ambiente académico, urbano e social que ali se vive.

O Editor da Infohabitar, António Baptista Coelho
Professor catedrático convidado (UBI), investigador principal com habilitação (LNEC), doutor em Arquitectura (FAUP), arquitecto (ESBAL)


Bons espaços e ambientes domésticos II

António Baptista Coelho

Na semana passada iniciámos uma reflexão sobre os aspetos que caraterizam "bons espaços e ambientes domésticos", abordando as matérias da relação com a natureza e da previsão de boas condições de conforto ambiental, e de como uma habitação pode ser verdadeiramente agradável e estimulante, baseando-se em como as crianças a sentem e vivem.
Reflectimos, assim, um pouco, sobre a importância do conforto ambiental e da força imaginativa dos nossos mundos domésticos, numa dupla perspectiva que nos garantiria uma habitação agradável e imaginativa. Passemos, agora, a outros aspectos, mas ainda não aos que podem ser considerados como específica e "exclusivamente" funcionais. 
Fig. 01: é sempre essencial considerar a importância que tem a relação com o "exterior habitacional", ou de vizinhança próxima, ou exterior mais diretamente "habitável"; nunca é excessivo chamar a atenção para este condicionalismo, que pode constituir um dos aspetos "chave" na qualificação positiva de uma da intervenção de construção nova ou de reabilitação urbana e habitacional.

Relação com os espaços exteriores envolventes

Uma outra reflexão sobre o que pode ajudar a caracterizar um bom espaço doméstico é a sua relação com os espaços exteriores envolventes. De certa forma trata-se aqui de um aspecto duplo, pois tem a ver, quer com o aproveitamento arquitectónico doméstico das relações entre espaços interiores e exteriores, e a este tema voltaremos pois a sua importância é tal que pode fundamentar boa parte da qualidade de uma dada solução residencial (ex., espaços de transição, pátios, varandas, janelas estratégicas, etc., etc.), quer com o aspecto, associado, de aproveitamento doméstico da variedade e do interesse visual e funcional das vistas sobre o exterior (ex., poder acompanhar com a vista uma criança a brincar na rua, assistir ao movimento urbano junto a uma paragem de autocarro, ver o automóvel estacionado, desfrutar, ao máximo, as vistas urbanas e paisagísticas disponíveis no local etc.).


Fig. 02: sobre as questões associadas à espaciosidade doméstica muito se escreveu, mas talvez falte ainda pensar bastante, designadamente, sobre os aspetos de verdadeira adequação dos diversos sub-espaços da habitação às suas diversas sub-funções e sobre como isto tudo tem a ver com um projeto de arquitetura verdadeiramente qualificado e sensível aos modos como habitualmente se habitam, ocupam e apropriam os espaços domésticos; e talvez em tudo isto a questão mais "objetiva" das áreas perca, eventualmente, um pouco da sua importância, em favor das questões ligadas aos dimensionamentos, à flexibilidade de uso das diversas zonas e à adaptabilidade geral da habitação. 

Espaciosidade doméstica e desafogo espacial
Depois do conforto ambiental, da imaginação na organização doméstica e da relação entre interior e exterior passemos a um primeiro aspecto mais objectivo: a espaciosidade, aqui considerada na sua perspectiva de desafogo espacial, um aspecto que, como sabemos, está sempre presente na apreciação que toda a gente faz de uma habitação: a casa é espaçosa, a sala é espaçosa, etc.
A esta matéria voltaremos nesta série editorial, mais à frente, quando pensarmos mais um pouco sobre como fazer quartos, salas e outros espaços domésticos mais agradáveis, para já importa ter a noção de que:
·      há limiares de espaciosidade que são fundamentais na própria apreciação que se faz dessa espaciosidade – quando há compartimentos com áreas iguais ou superiores a cerca de 25m² a respectiva habitação é considerada espaçosa; (7)
·      há dimensões e configurações interiores cuja incoerência funcional e de imagem anulam até as suas eventuais boas condições de espaciosidade (ex., salas alongadas e estreitas, quartos pequenos e altos, etc.);
·      que a existência de desníveis (de pavimento e diferenças de alturas nos tectos dos compartimentos) contribui para uma leitura atraente do espaço interior, produzindo uma impressão de espaço alargado/dilatado e apoiando a sua diversificação funcional e ambiental (8) (embora possa ser, por vezes, pouco funcional);
·      e que, pelo contrário, a distribuição de uma habitação em vários níveis distintos (ex., duplex) pode reduzir o sentimento de desafogo espacial.


Fig. 03: as "velhas" questões da(s) funcionalidade(s) doméstica pode ter (i) uma consideração básica associada a entender-se serem ainda raras as situações em que há uma previsão verdadeiramente eficaz de tais funcionalidades e não numa perspetiva de uma funcionalidade "parada no tempo" e muitas vezes ligada aos estudos funcionais rígidos e incompletos do passado século, e (ii) deve ter uma "nova" consideração, flexível e "aberta", devidamente harmonizada com novos modos de vida e de relação entre casa e trabalho; isto para lá dos aspetos associados à exigência de um excelente projeto de arquitetura como único elemento que poderá verdadeiramente validar uma organização doméstica muito marcada pela funcionalidade.
   
Funcionalidades domésticas
E chegamos, finalmente, à área das funcionalidades domésticas, mas, mesmo aqui não iremos fazer uma abordagem corrente dos diversos espaços pois concorda-se com Julienne Loic, quando esta afirma que "a organização da habitação pouco se modificou, enquanto a intrusão do telefone, do computador pessoal (ou doméstico) e, essencialmente, da televisão provocam a justaposição do espaço denso das comunicações directas no espaço de estar familiar.
Esta situação, não sendo traduzida na estrutura e na composição do fogo, pode contribuir para o enfraquecimento da coesão do grupo familiar". (9)
Segundo o referido autor, o novo factor na harmonização entre casa e modo de vida é o tempo-livre, que pode ser gozado em casa, actualmente, de variadíssimos modos; e assim lá ficamos nós com a ideia que, talvez, para servir a criação de espaços domésticos mais indutores de felicidade devamos organizar habitações estruturadas no sentido do lazer doméstico e, assim, podemos ultrapassar boa parte da estrutura doméstica funcional que se pode considerar “clássica”e que tem sido tão escalpelizada em muitos estudos.
E se juntarmos a esta perspectiva de uma habitação desenvolvida como centro de lazer doméstico, a ideia, igualmente coerente e exigente de uma habitação sede de vários tipos de trabalho não doméstico, teremos as tradicionais funções da habitação a retirarem-se para uma expressão minimizada, isto desde que estejamos numa lógica espacial equilibrada, em que devamos harmonizar e distribuir com parcimónia uma totalidade de metros quadrados.


Novas funcionalidades habitacionais
Naturalmente que novas funções residentes no espaço doméstico obrigarão a um acréscimo de compartimentos, ou, em alguns casos, a um acréscimo de zonas e recantos específicos no leque corrente dos espaços domésticos, gerando-se soluções habitacionais que se poderão caracterizar, objectivamente, por tipologias intermédias (ex., sala que se prolonga por um espaçoso recanto, relativamente autónomo, com cerca de 6m²); estaríamos, assim, em presença, por exemplo, de um T3+.
E sublinha-se que esta possibilidade teria grande interesse na diversificação da oferta de soluções domésticas, pois este tipo de incremento poderia recair na sala, na cozinha, em um dos quartos, numa varanda que assim se transformaria em terraço e, até, numa casa de banho que assim seria promovida ao estatuto de uma verdadeira “sala de banhos”; e nada disto é criticável pois poderemos assim aproximarmo-nos muito mais fielmente do modo de querer habitar de muitas pessoas.

Funcionalidade doméstica básica e facilidade de manutenção
E nesta pequena viagem pelo modo de fazer melhores habitações, mais diversificadas e adequadas a mais pessoas, deixámos para o fim algumas referências à funcionalidade e à segurança nos espaços domésticos; e deixámos estas notas para o final, porque consideramos que há já muitos estudos sobre estas matérias e porque, existindo tais estudos, e sendo os seus aspectos fácil e, por vezes, obrigatoriamente implementados não faria sentido estar aqui a fazer qualquer síntese de tais assuntos.
Segundo Claude Lamure, a facilidade de manutenção deveria estruturar, tanto a disposição relativa entre paredes e equipamentos, deixando livres espaços mínimos para que a limpeza se faça com facilidade, como a escolha dos tipos específicos de pavimentos e revestimentos, de acordo com critérios de facilidade de limpeza e de não evidenciação da sujidade (ex., uma má solução é a escolha de um revestimento de piso com acabamento "branco brilhante" para "zonas húmidas" e/ou muito usadas, porque têm sempre uma aparência suja e, mais tarde, “riscada” devido à frequência das limpezas e tipo de acabamento superficial). (10)
Já escrevi este último parágrafo há alguns anos (“Do bairro e da vizinhança à habitação”, LNEC, ITA 2) e ele continua a encerrar todo um conjunto de ideias fundamentais para podermos ter habitações que verdadeiramente nos satisfazem, porque são simples de usar. Mas devo fazer aqui uma referência para a necessidade imperiosa de, nos dias de hoje, conceber habitações em que as funções domésticas “obrigatórias” (cozinhar, tratar a roupa, limpar e arrumar a casa) possam ser realizadas com um mínimo de esforço e com uma eficácia máxima durante uma vida útil da habitação que seja muito extensa; isto é, hoje em dia, fundamental e não pode haver quaisquer transigências nesta matéria, pois não há desculpas para um técnico não conhecer todo o completo compêndio de soluções e de alternativas de soluções que descrevem, pormenorizadamente, como cumprir este pacote de exigências funcionais; quando muito, entre o corpo regulamentar e recomendativo e o mundo de informação editado em papel e disponível na www, a relativa dificuldade estará na escolha da melhor informação.

Acessibilidade doméstica

Outras duas matérias obrigarão a uma atitude técnica em boa parte idêntica à que acabou de ser referida para os aspectos funcionais, mas são merecedoras, já de seguida, de uma atenção específica: trata-se dos aspectos de acessibilidade e uso doméstico por pessoas condicionadas na sua mobilidade e dos aspectos de segurança.
No que se refere à previsão das condições domésticas específicas para pessoas condicionadas na sua mobilidade elas estão regulamentadas, mas poderão ser desenvolvidas de uma forma mais elaborada:
Seja em todos os aspectos que facilitem as condições de melhor funcionalidade doméstica, para todos nós e especificamente para idosos com eventuais deficiências na respectiva autonomia, tal como foram acima apontadas (super-eficácia no conjunto de funções “obrigatórias”) …
Seja em habitações e intervenções habitacionais concebidas objectivamente para pessoas com problemas de mobilidade, ou outros problemas (ex., mentais), e onde será possível levar a concepção a um apuro de pormenor capaz de poder fazer um pouco mais felizes as pessoas que têm a infelicidade de serem portadoras dessas deficiências; dimensões, tipos de mobiliário e de equipamentos, texturas, capacidade de limpeza rápida, cores, vistas interiores e exteriores estratégicas, nível de “inteligência” e de automatismo na gestão do interior doméstico e nas tecnologias de comunicação, são todas áreas onde é possível intervir para fazer melhores habitações para muitas pessoas.

Segurança doméstica

Finalmente, no que se refere aos aspectos de segurança doméstica e utilizando, em boa parte, um conjunto de notas elaboradas para um trabalho do LNEC, há que contemplar as seguintes áreas de trabalho:
·      Segurança contra riscos de incêndio no interior da habitação; por previsão da sua evacuação (segundo a regulamentação existente).
·      Segurança relativamente aos riscos de queda através dos vãos exteriores e em espaços exteriores privados e elevados; utilizando bases de referência existentes na documentação e no corpo regulamentar de diversos países europeus.
·      Segurança contra intrusões, sem que se converta a imagem da habitação na de uma fortaleza, fechada e gradeada; o que seria uma situação muito pouco congruente com a índole acolhedora e firmemente selectiva, mas aberta, que deve caracterizar o aspecto exterior de uma habitação. É de considerar, ainda, que os pisos térreos, sendo aqueles que têm de ser mais protegidos, são os mais directamente observados por grande número de habitantes; e logo, uma sua imagem gradeada ou entaipada afectará muita gente.
·      Segurança doméstica por boa adequação funcional aos vários tipos de utentes. É importante considerar que os cuidados de espaciosidade suplementar, de clarificação e facilitação funcional e de segurança suplementar com as crianças têm também utilidade para os adultos com deficiências físicas e psicológicas e para os idosos; que também têm dificuldade em alcançar e levantar objectos, tendência para escorregar em escadas, etc. Por outro lado os idosos também exigem, em princípio, espaço suplementar e zonas amplas e desimpedidas, de certo modo para substituir as faculdades de reacção mais rápidas e o vigor que foram perdendo. E nesta matérias é importante ter em conta que tais cuidados devem ir até um elevado nível de pormenor (ex., a simples mudança de cor de um pavimento pode constituir uma barreira traiçoeira para uma pessoa com deficiência na visão, que pode julgar que se trata de uma diferença de nível).
Mas, repete-se, que estes tipos de matérias estão devidamente apresentados em estudos e em regulamentos específicos, cuja consulta e cumprimento são, naturalmente, essenciais para quem projecta habitação.
Aqui, a ideia é apenas registar a sua existência, pois aqui estamos concentrados nas muitas matérias que se têm deixado, essencialmente, ao livre arbítrio e á maior ou menor capacidade de projectar Arquitectura de quem tem a responsabilidade de conceber uma dada habitação.
E afinal não se trata apenas de tratar um pouco daquilo que poucos têm tratado, mas também, tal como aponta Gilles Barbey, "de prestar mais atenção aos aspectos menos evidentes e mais afectivos da habitação, porque eles podem incluir os significados mais profundos e as influências mais fortes sobre o nosso comportamento". (11)

Algumas notas pré-conclusivas

Pensou-se, assim, um pouco, sobre a importância do conforto ambiental e da força imaginativa dos nossos mundos domésticos, numa dupla perspectiva que nos poderá garantir uma habitação agradável e imaginativa. Na próxima semana continuaremos a desenvolver os aspetos que caraterizam "bons espaços e ambientes domésticos", não nos limitando aos que se podem caraterizar como específica e "exclusivamente" funcionais, que serão, sempre, afinal, aqueles mais fáceis de considerar - pois podemos já imaginar ferramentas informáticas de apoio ao projeto de arquitetura em que estas matérias estritamente funcionais/dimensionais, eventualmente associadas a matérias regulamentares ligadas, por exemplo, a aspetos de acessibilidade e segurança, possam ser já contempladas de forma relativamente "automatizada".
O que será sempre difícil e estimulante é associar tais aspetos de "funcionalidade" e "espaciosidade" aos outros múltiplos aspetos de conceção arquitectónica, visando-se a satisfação ampla de quem habita e usa os espaços projetados.

Notas:
(7) Jacqueline Palmade; Manuel Perianez, "Des HLM à la Conquete de l'Espace", pp. 46 e 47.
(8) Claire e Michel Duplay, "Methode Ilustrée de Création Architecturale", pp. 141 e 142.
(9) Julienne Loic, "Du Logement Consolidé à d'autres Habitats", p. 43.
(10) Claude Lamure, "Adaptation du Logement à la Vie Familiale", pp. 194 e 195.
(11) Gilles F. Barbey, "Man-Environment Interactions, Evaluations and Applications-Part3, Anthropological Analysis of the Home Concept: Some Considerations Based on the Intrepretations of  Childrens' Drawings", p. 149.

Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.
(iii) Para proporcionar a edição de imagens na Infohabitar, elas são obrigatoriamente depositadas num programa de imagens, sendo usado o Photobucket; onde devido ao grande número de imagens se torna muito difícil registar as respectivas autorias. Desta forma refere-se que, caso haja interesse no uso dessas imagens se consultem os artigos da Infohabitar onde, sistematicamente, as autorias das imagens são devidamente registadas e salientadas. Sublinha-se, portanto, que os vários albuns do Photobucket que são geridos pelo editor da Infohabitar constituem bancos de dados da Infohabitar, sendo essas imagens de diversas autorias, apontadas nos artigos da Infohabitar, pelo que deve haver todo o cuidado no seu uso; havendo dúvidas um contacto com o editor será sempre esclarecedor.


INFOHABITAR Ano X, nº 489
Editor: António Baptista Coelho - abc@lnec.pt
Universidade da Beira Interior (UBI), Secção Autónoma de Arquitetura (SAA), Departamento de Engenharia Civil e Arquitectura (DECA) 
GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional
Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), NUT
BONS ESPAÇOS E AMBIENTES DOMÉSTICOS II
Artigo LIII da Série habitar e viver melhor

Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.

domingo, junho 22, 2014

Bons espaços e ambientes domésticos I - Infohabitar 488

Infohabitar, Ano X, n.º 488

Artigo LII da Série Habitar e Viver Melhor 



Nota prévia do editor da Infohabitar:


Na semana passada foi editado um primeiro artigo sobre a formação em Arquitetura na Universidade da Beira Interior (UBI), na Covilhã, uma escola de Arquitetura que ajudei a criar, há cerca de 10 anos, e à qual estou atualmente ligado, como coordenador do respetivo Mestrado Integrado, para ajudar a estruturar um novo Centro de Investigação, que abranja as áreas da Arquitetura e do Urbanismo, e apoiar no desenvolvimento de um renovado Doutoramento em Arquitetura.

Outros artigos serão aqui editados, visando a divulgação da formação em arquitetura da UBI, que, em breve, se espera, estará associada a um novo Departamento de Arquitetura, desenvolvendo-se, assim, uma natural autonomização, capaz de dinamizar excelentes relações com as engenharias e com outras faculdades da UBI e de outras Universidades, seja no âmbito formativo, seja no quadro do previsto novo Centro de Investigação, no qual estão previstas parcerias com Centros de outros pólos de ensino superior, numa dinâmica que estimule um amplo conjunto de ações e eventos formativos, informativos, técnicos e científicos, que tirem todo o partido das excelentes condições humanas e de instalações existentes na UBI, na Covilhã, bem como do agradável e estimulante ambiente académico, urbano e social que ali se vive.


O Editor da Infohabitar, António Baptista Coelho

Professor catedrático convidado (UBI), investigador principal com habilitação (LNEC), doutor em Arquitectura (FAUP), arquitecto (ESBAL)


Bons espaços e ambientes domésticos I

António Baptista Coelho

Em primeiro lugar: respeitar a relação com a natureza

Para oferecer bons espaços e ambientes domésticos há, em primeiro lugar, que respeitar a relação com a natureza e, designadamente, com o movimento aparente do Sol.
Escreveu Ken Kern que: "as relações com as horas do dia, as estações e a orientação solar formam uma parte inconsciente da experiência do homem, do mesmo modo que a necessidade de isolamento e de sociabilidade.... Uma casa de vidro, por exemplo, com a sua acessibilidade e transparência, conduziria à satisfação do aspecto social e extrovertido da natureza humana e da sua ânsia de expansão. A natureza introvertida do homem, por outro lado, pode procurar os confins das suas origens cavernículas... em espaços obscuros e misteriosos. De qualquer modo, o encerramento de um espaço não deve entrar em conflito com a expansividade de outro. Ambos são igualmente necessários e essenciais....O espaço não tem de ser necessariamente restringido pelos seis planos de um compartimento desenhado e construído de maneira convencional. O espaço pode ser ilimitado ou pode estar apenas parcialmente confinado". (1)
A importância da insolação na satisfação e mesmo na alegria de se habitar uma dada casa é algo de fundamental e nesta matéria Rodríguez Villasante refere (2) que num extenso conjunto de empreendimentos de habitação social à volta de Madrid, não se detectaram manifestações de insatisfação para com os espaços/fogo, nem transferência para eles da culpa por condições de existência menos boas; como única excepção destacam-se queixas de habitantes que reclamavam por falta de luz e sol nas suas habitações, que estavam orientadas a Norte. (3)

Fig. 01: um espaço habitacional (i) que tem de ser concebido em aliança com o espaço naturalizado envolvente e devidamente intervencionado em termos paisagísticos e (ii) tendo em conta os diversos aspetos de conforto ambiental que esse espaço envolvente proporciona diretamente e nas habitações contíguas e próximas.


Importância determinante do conforto ambiental

A ideia que se quer aqui sublinhar é a importância determinante do conforto ambiental, com destaques específicos para a insolação, a luz natural, a ventilação (4), o isolamento de ruídos e o isolamento térmico, para uma verdadeira satisfação com o espaço doméstico. De certa maneira podemos dizer que tudo o resto se constrói sobre esta base de adequado conforto ambiental de que se conhecem já, bem, os respectivos aspectos técnicos.
São os seguintes os aspectos fundamentais para um adequado conforto ambiental doméstico:


Máxima insolação e iluminação natural abundante e geral.

Chama-se a atenção para a influência que têm estas condições no bem-estar físico e psicológico e na alegria de viver, e basta lembrar os dias cinzentos que a muitos deprimem para imaginar a influência que tem uma casa em que mal se veja o Sol e onde se tenha de estar, quase sempre, de luz acesa.
Naturalmente que a luz e a radiação solar não poderão ser em excesso e para isso importa trabalhar, seja em aspetos básicos de orientação e dimensionamento dos vãos exteriores, seja na sua adequada configuração e eventual proteção (ex., palas de sombreamento).


Diversas zonas e compartimentos bem orientados.

Esta orientação deve ser desenvolvida relativamente ao movimento aparente do Sol, respeitando, sempre que possível, a velha e boa estratégia do acordar com o Sol nascente, das cozinhas mais frescas e protegidas e da protecção do Sol poente; e há muito escrito sobre a importância que tem poder-se viver um dia-a-dia marcado pelos ritmos naturais.


Ventilação cruzada eficiente e "positiva".

Esta ventilação deve ser assegurada, nomeadamente, pela localização da cozinha e instalações sanitárias "exteriores" a sotavento (proporcionando que os gases e cheiros nocivos ou desagradáveis sejam estratégica e rapidamente evacuados pelos vãos exteriores, não invadindo a casa); e nesta ventilação é fundamental que ela seja estrategicamente considerada “varrendo” o máximo do volume interno da habitação; uma condição que, por exemplo, no Verão é fundamental para um bem-estar que muito ultrapassa os aspectos apenas físicos.
E naturalmente que esta estratégia de ventilação terá de ser devidamente suportada por vãos exteriores e interiores bem configurados e equipados (ex., "bandeiras" específicas de ventilação, dispositivos de ventilação integrados nos vãos, etc.).


Ausência de continuidades e contiguidades perturbadoras em termos acústicos

Nesta matéria Dreyfuss e Tribel consideram que o isolamento razoável entre duas partes da mesma habitação só é possível mediante a separação por duas portas, ou por uma parede suficientemente espessa e pesada, por exemplo, entre a sala e um quarto contíguo e que certas contiguidades não devem ser permitidas (5); e há que sublinhar que a ausência de ruído é uma condição básica da satisfação residencial, provada em muitos estudos.
Mas a estratégia de proteção acústica tem de ser muito ampla, associada seja: (i) aos ruídos produzidos no interior da habitação; (ii) aos ruídos produzidos em habitações vizinhas e em espaços e equipamentos comuns do edifício; (iii) e aos ruídos exteriores mais diversos. 


Conforto higro-térmico

O conforto higro-térmico tem relações diretas e indiretas com quase todos os aspetos que acabaram de ser apontados e depende de matérias específicas construtivas e de pormenor, com natural destaque para os aspetos de isolamento; sendo importante referir que este conforto tem quadros específicos e bem distintos no inverno e no verão, que muitas vezes não são globalmente considerados, e constitui matéria crítica no bem-estar e na saúde dos habitantes, mas com especial incidência naqueles mais sensíveis - crianças, idosos e doentes.


Nota breve sobre a grande importância específica e da integração dos diversos aspetos do conforto ambiental doméstico

Muito brevemente aqui se registam dois aspetos:
O primeiro refere-se à vital importância específica que têm os diversos aspetos do conforto ambiental doméstico, que foram aqui apenas muito sinteticamente apontados, com o objetivo de se disponibilizar uma reflexão de síntese e relacionada com as outras matérias em seguida abordadas.
O segundo tem a ver com a importância destes aspetos de conforto ambiental doméstico serem considerados de forma integrada, nas suas diversas matérias (insolação, higro-térmica, iluminação natural, ventilação, acústica), seja no que se refere ao interior doméstico, seja no que tem a ver com a relação entre este interior e o exterior envolvente, e ainda com a própria vivência estimulante deste exterior; esta matéria parece óbvia, mas não o é, infelizmente, e o projeto de arquitetura tem tudo a ver com tal integração.


Fig. 02: um espaço habitacional (i) que tem de ser concebido em aliança com os diversos aspetos do conforto ambiental e que (ii) é (tem de ser) muito mais do que um espaço de estritas funcionalidades e de "frios" dimensionamentos físicos.
  

Uma habitação verdadeiramente agradável e estimulante - a partir de como as crianças a sentem e vivem (segundo Gilles Barbey)

Vamos, então, em frente neste pequeno mundo doméstico e pensemos, um pouco, globalmente, sobre o que poderá ser o caminho de uma verdadeira satisfação, que ultrapasse os referidos aspectos ambientais. E nesta perspectiva podemos recorrer e generalizar, algumas conclusões de um estudo de Gilles Barbey sobre como as crianças imaginam e lêem as casas: (6)


Uso dinâmico do espaço

Barbey salienta o que refere ser um uso dinâmico do espaço, expresso em dimensões de habitações, que embora muito grandes não são monumentais: os quartos individuais têm aspecto agradável e estão ligados e atravessados por túneis e corredores, sugerindo itinerários e direcções, capazes de proporcionarem condições exploratórias e aventurosas nas habitações; e a casa é considerada como um labirinto reconfortante, embora não perdendo alguns aspectos que produzem receios.

Desenvolve-se, assim, uma integração ponderada entre espaços de circulação e outros compartimentos e favorece-se, assim, uma estruturação que joga na surpresa e nas alternativas de ligações entre espaços, assim como na forte caracterização de alguns desses espaços.

Julga-se que esta forma de desenvolver uma habitação é um excelente caminho de positiva subjugação dos aspectos funcionais a valores de caracterização doméstica fundamentais e que têm também a ver com um certo sentido lúdico, estimulante do próprio prazer de usar uma casa que seja um cenário de vida estimulante e curioso, mesmo depois de muitos anos de vivência. Uma condição que, tal como tem sido apontado, também há que favorecer ao nível do micro-urbanismo de vizinhança e que, naturalmente, deverá transparecer, de forma atraente nas relações entre esses mundos mais domésticos  e estes mundos mais públicos, mas ainda muito íntimos.


Habitações caracterizadas por uma ambivalência básica

Gilles Barbey aponta, também, que as crianças imaginam casas caracterizadas por uma ambivalência básica, como elemento vertical que se ergue do solo, ou corpo concentrado, que é lugar de lançamento da pessoa na sociedade e concha de abrigo, independência e protecção. Portanto, uma casa que é simultaneamente concha protectora e elemento de relacionamento urbano. E cá temos, novamente, matéria fundamental para uma reflexão prática que sublinha o interesse de uma conjugação maximizada entre um sentido de integração de cada casa na continuidade urbana protectora e sinais sóbrios, mas claros, de identidade e de apropriação de cada sítio que se habita em casa, no café, no jardim de vizinhança, etc.


Habitações que suscitam sentimentos de permanência e relações de afetividade

E, finalmente, o referido Gilles Barbey evidencia, na imaginação doméstica infantil, as ideias de permanência e de afectividade relacionadas com a de eficácia, porque as casas vernáculas proporcionam um sentimento agradável e seguro de permanência, relacionado tanto com os valores socioculturais, como com as características locais, topográficas, geológicas e climáticas; e aqui os desenhos referem-se a imagens tradicionais confirmando que as crianças procuram, naturalmente, a permanência e a duração encontradas na natureza e nas casas vernáculas. E aqui pergunta-se, não será que todos nós não nos sentimos melhor em habitações e espaços residenciais marcados por tais aspectos de agradabilidade e de permanência?

Algumas notas pré-conclusivas
Pensou-se, assim, um pouco, sobre a importância do conforto ambiental e da força imaginativa dos nossos mundos domésticos, numa dupla perspectiva que nos poderá garantir uma habitação agradável e imaginativa. Na próxima semana continuaremos a desenvolver os aspetos que caraterizam "bons espaços e ambientes domésticos", não nos limitando aos que se podem caraterizar como "simples", específica e quase "exclusivamente" funcionais.

Notas:
(1) Ken Kern, "La Casa Autoconstruida", p. 113.
(2) Tomáz Rodríguez Villasante, et al, "Retrato de Chabolista con Piso", p. 135.
(3) Em Portugal recomenda-se que os fogos tenham dupla exposição, sendo uma das fachadas orientada entre E-SE e SW (quartos orientados entre E-SE e S-SE, sala entre S-SE e SW); aceitam-se fogos com exposição simples, desde que a fachada não esteja orientada entre NE e SW (Ministério do Equipamento Social, "Recomendações Técnicas para Habitação Social", Artº 4.2.1.5); no entanto continuam a acontecer situações de não cumprimento desta condição.
(4) "Deverá ficar assegurada a ventilação transversal do conjunto de cada habitação, em regra por meio de janelas dispostas em duas fachadas opostas"; assim se regista no Artº 72, "Regulamento Geral das Edificações Urbanas", e no entanto continuamos a visitar casos de mono-orientação.
(5)  Dreyfuss e Tribel consideram que certas contiguidades não devem ser permitidas: canalizações de água ao longo de paredes de quartos e salas; equipamentos hidráulicos encostados a paredes de quartos; cozinhas sobrepostas a quartos; quartos contíguos a salas de fogos vizinhos e a escadas e galerias comuns. (D. Dreyfuss; J. Tribel, "La Cellule-Logement", p. 25).
(6) Gilles F. Barbey, "Man-Environment Interactions, Evaluations and Applications-Part3, Anthropological Analysis of the Home Concept: Some Considerations Based on the Intrepretations of  Childrens' Drawings", pp. 146 a 149.

Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.
(iii) Para proporcionar a edição de imagens na Infohabitar, elas são obrigatoriamente depositadas num programa de imagens, sendo usado o Photobucket; onde devido ao grande número de imagens se torna muito difícil registar as respectivas autorias. Desta forma refere-se que, caso haja interesse no uso dessas imagens se consultem os artigos da Infohabitar onde, sistematicamente, as autorias das imagens são devidamente registadas e salientadas. Sublinha-se, portanto, que os vários albuns do Photobucket que são geridos pelo editor da Infohabitar constituem bancos de dados da Infohabitar, sendo essas imagens de diversas autorias, apontadas nos artigos da Infohabitar, pelo que deve haver todo o cuidado no seu uso; havendo dúvidas um contacto com o editor será sempre esclarecedor.


INFOHABITAR Ano X, nº 488
BONS ESPAÇOS E AMBIENTES DOMÉSTICOS I
Artigo LII da Série habitar e viver melhor
Editor: António Baptista Coelho - abc@lnec.pt

Universidade da Beira Interior (UBI), Secção Autónoma de Arquitetura (SAA), Departamento de Engenharia Civil e Arquitectura (DECA) 

GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional

Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT)

Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.

domingo, junho 08, 2014

UBI - Mestrado Integrado em Arquitetura 2014-2015 - Universidade da Beira Interior (UBI) Covilhã - Infohabitar 487

Infohabitar, Ano X, n.º 487

UBI - Arquitetura

Mestrado Integrado em Arquitetura 2014-2015 - Universidade da Beira Interior (UBI) Covilhã


Caros leitores da Infohabitar,


É com natural emoção que edito este primeiro artigo sobre a formação em Arquitetura na Universidade da Beira Interior (UBI), na Covilhã, uma escola de Arquitetura que ajudei a criar, há cerca de 10 anos, e à qual estou atualmente ligado, na sequência do convite que me foi dirigido pelo Reitor daquela universidade pública, o Senhor Professor António Fidalgo, para aí coordenar a formação em Arquitetura, no âmbito do respetivo Mestrado Integrado, ajudar a estruturar um novo Centro de Investigação, que abranja as áreas da Arquitetura e do Urbanismo, e apoiar no desenvolvimento de um renovado Doutoramento em Arquitetura.

Foi um convite irrecusável, pois refere-se a um conjunto de tarefas que, baseadas numa já existente e muito bem qualificada formação em arquitetura, devida a excelentes corpos docente e discente, poderão levar-nos ao desenvolvimento de um motivador conjunto de ações e eventos formativos, informativos, técnicos e científicos, que tirem todo o partido das excelentes condições humanas e de instalações existentes na UBI, na Covilhã, bem como do óptimo ambiente académico, urbano e social que ali se vive.

Quero, assim, marcar com este artigo uma passagem que me levará, a partir de setembro de 2014, do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), a minha "casa" desde há mais de 30 anos, para a Arquitetura da Universidade da Beira Interior (UBI), que espero poder também chamar de "casa" durante bastantes anos, uma nova "casa", onde espero possa até encontrar condições para uma sempre bem-vinda dinamização de diversas atividades técnicas e científicas e designadamente das atividades editoriais, das quais a Infohabitar é exemplo semanal.

Podem, assim, continuar a contar com esta revista semanal, talvez agora com uma redação eventualmente renovada e mais focada nas amplas áreas de uma Arquitetura que se deseja cada vez mais ligada aos seus "habitantes" e territórios.

E, desta forma, se inicia uma série de artigos sobre a formação em Arquitetura na UBI e sobre as excelentes instalações da Universidade da Beira Interior, que na presente semana procura sintetizar o âmbito do respetivo Mestrado Integrado em Arquitetura.


O Editor da Infohabitar, António Baptista Coelho

Professor catedrático convidado (UBI), investigador principal com habilitação (LNEC), doutor em Arquitectura (FAUP), arquitecto (ESBAL)


PS: por razões editoriais a Infohabitar não será publicada na próxima semana 

  

Fig. 01: a Arquitetura da UBI


Preparando-se o próximo ano letivo de 2014-2015, o Mestrado Integrado em Arquitetura da UBI:

(i)  está a ser reforçado em termos de corpo docente e de apoios ao ensino/aprendizagem,
(ii) enquanto se iniciou, já, a criação de um novo Centro de Investigação com valências nas áreas da Arquitetura e do Urbanismo, que irá apoiar e estruturar nas dissertações finais a realizar pelos alunos e candidatos a Arquitetos;
e (iii) se está a iniciar a preparação de um novo programa de doutoramento em Arquitetura na UBI.
Fig. 02: a Universidade da Beira Interior (UBI), na Covilhã


Objetivos Gerais da formação em Arquitetura na UBI (Caracterização):

§  metodologia de ensino/aprendizagem dinâmica, com seminários de investigação e acompanhamento de docentes-tutores;
§  informação sobre técnicas e materiais de materiais de construção inovadores e tradicionais;
§  componente prática experimental da arquitectura, desde o esquiço até ao projecto final, articulando as diversas disciplinas com o projeto;
§  formação abrangente, com todas as áreas cientificas e técnicas que integram o trabalho do arquiteto;
§  valorização do património e da memória de cada local;
§  abertura ao exterior, serviço à sociedade e humanização das intervenções.


Fig. 03: a Universidade da Beira Interior (UBI), na Covilhã
https://www.ubi.pt/

Competências dos Mestres em Arquitetura


Os Mestres em Arquitectura da UBI serão responsáveis pela integração harmoniosa das atividades humanas no território, valorizando o património construído e o ambiente e estarão aptos a trabalhar em empresas de Arquitectura, construção e reabilitação, instituições ligadas ao património, centros de investigação e de ensino, autarquias locais, e em regime profissão liberal, nos seguintes domínios:
§  Edificação, urbanismo, concepção e desenho do quadro espacial da vida da população.
  • Estudos, projectos, planos e actividades de consultoria.
  • Gestão e direcção de obras.
  • Planificação, coordenação e avaliação de projectos de arquitectura.
  • Participação em concursos de arquitectura.
Fig. 04: a UBI, marca a cidade da Covilhã


Algumas das disciplinas do Curso

(para a listagem completa, consultar o site da UBI)

§  Desenho
§  História da Arte
§  Projeto de Arquitectura e de Urbanismo (I a V)
§  Teoria da Arquitectura
§  História da Arquitectura
§  Materiais
§  Antropologia
§  Construção
§  Estática e Resistência de Materiais
§  Geotecnia
§  Geografia Humana
§  Redes e Instalações
§  Desenho Urbano
§  Sistemas de Informação Geográfica
§  Planeamento Urbano
§  Domótica
§  Habitat Rural
§  Construção Sustentável
§  Ordenamento e Ambiente

Fig. 05: o moderno Edifício II das Engenharias, onde está instalada parte da Arquitetura da UBI


Contatos do Mestrado Integrado em Arquitetura

Mestrado Integrado em Arquitetura
Edifício II das Engenharias, Calçada Fonte do Lameiro
6200-001 Covilhã
Tel. 275 329 722

Coordenador: António Baptista Coelho
Diretora de Curso: Ana Maria Tavares Martins

Provas de Ingresso:
Uma das seguintes provas: 03 Desenho; 10 Geometria Descritiva; 16 Matemática.
Vagas: 65

Candidaturas:
1.ª fase - 17 de julho a 8 de agosto
2.ª fase - de 8 a 19 de setembro


Nota:
As fotografias que ilustram este artigo são de Ana Maria Tavares Martins
Design postal: Isabel Romana

Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.
(iii) Para proporcionar a edição de imagens na Infohabitar, elas são obrigatoriamente depositadas num programa de imagens, sendo usado o Photobucket; onde devido ao grande número de imagens se torna muito difícil registar as respectivas autorias. Desta forma refere-se que, caso haja interesse no uso dessas imagens se consultem os artigos da Infohabitar onde, sistematicamente, as autorias das imagens são devidamente registadas e salientadas. Sublinha-se, portanto, que os vários albuns do Photobucket que são geridos pelo editor da Infohabitar constituem bancos de dados da Infohabitar, sendo essas imagens de diversas autorias, apontadas nos artigos da Infohabitar, pelo que deve haver todo o cuidado no seu uso; havendo dúvidas um contacto com o editor será sempre esclarecedor.

Editor: António Baptista Coelho - abc@lnec.pt
INFOHABITAR Ano X, nº 487
UBI Arquitetura - Mestrado Integrado em Arquitetura 2014-2015 Universidade da Beira Interior (UBI) Covilhã
GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional

Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte