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segunda-feira, março 12, 2018

Reflexão geral sobre os subespaços da habitação - Infohabitar 634

Uma reflexão geral sobre os subespaços da habitação



Infohabitar, Ano XIV, n.º 634


Artigo da Série “Habitar e Viver Melhor” n.º CVII


por António Baptista Coelho (texto e imagens)

Importância da previsão de cantos e recantos domésticos

Os cantos e recantos domésticos na sua muito rica variedade formal e funcional, constituem elementos identificadores e apropriáveis/apropriadores do uso/satisfação dos moradores:
- para além de serem elementos básicos de adaptabilidade global e pormenorizada de uma dada habitação a uma dada família e, mesmo, e bem importante, de adaptabilidade individual a cada um dos diversos habitantes que integram essa família;
- constituem, eles próprios, factores dinamizadores de associações, mais ou menos inovadoras, entre diversas funções e entre diversas actividades da habitação; condição esta que vai marcar a caracterização dessa habitação, fazendo-a, desejavelmente, participar num grande leque de oferta habitacional que se deseja possa vir a ser, agradavelmente, diversificado e tornado expressivamente estimulante.
Importa, ainda, referir que as novidades nesta área associada a um adequado desenvolvimento de pequenos subespaços domésticos (cantos e recantos ou partes de compartimentos), apenas deveriam ter, como limite, a imaginação e a capacidade de apropriação das famílias e das pessoas individualmente, mas dependem, evidentemente, de espaços de habitar que tenham, embebidas, as potencialidades para o apoio a essa quase infinidade de possibilidades de uso, o que talvez até nem seja especialmente difícil, mas apenas quando consideramos soluções domésticas arquitectonicamente bem qualificadas.
Esta expressiva dependência arquitectónica deve reflectir-se, tanto na disponibilização de soluções habitacionais “de base” que sejam extremamente versáteis e ricas na sua posterior e diversificada pormenorização e ocupação, como na, também importante e conjugada, disponibilização de muito diversificadas situações de pormenorização e ocupação “de referência”, que possam ser muito adequadamente “sobrepostas” às referidas soluções habitacionais “de base”.
Um tal processo ou “jogo” de pormenorização e ocupação habitacional depende, essencialmente, seja de um dimensionamento adaptável a diversas ocupações, seja de uma pormenorização cuidada, em termos de uma presença/imagem adequada a diversos tipos de ocupação e apropriação dos compartimentos, o que se obtém com soluções que “jogam” bem com diversas ocupações e que proporcionam uma grande e diversificada capacidade de recepção “pequenos usos” complementares e até muito “pessoais”; como é, por exemplo, o caso de vãos de janelas fundos, muito adequados a receberem os mais diversos tipos muito pormenorizados e apropriados de utilização.
E nunca será excessivo registar que numa situação oposta, marcada por espaços muito pouco apropriáveis em termos de subespaços (partes de compartimentos), há soluções de arquitectura doméstica cujos compartimentos apenas aceitam uma apropriação extremamente reduzida (ou quase nula) e funcionalmente muito limitada.

Habitação como sítio de expressão de identidade e de apropriação

Estrategicamente, e como ponte de ligação à reflexão que há que fazer, subsequentemente, sobre os aspectos associados ao detalhe doméstico, vale a pena referir que se julga que o mundo doméstico deve ser, cada vez mais, um sítio de expressão de modos de vida específicos e de identidades.
De certa forma é usar a habitação como sítio de uma máxima liberdade, mas para tal há que investir numa possibilidade de repartição estratégica do espaço doméstico, afeiçoando-o a uma partilha de diversos hábitos de vida em espaços contíguos, num desenvolvimento que também se harmoniza com as situações frequentes de convivência familiar entre adultos e jovens adultos durante longos períodos de tempo.
Esta perspectiva tem ou deve ter reflexos directos, seja na organização doméstica, suscitando soluções com um máximo de autonomias de vivência e, sempre que possível, de acessibilidade, seja numa espaciosidade que se deve afastar claramente dos limiares mínimos e que tem de favorecer dimensionamentos muito versáteis em termos de ocupação por mobiliário e que propiciem bons panos de paredes bem apropriáveis – por exemplo, através da ocupação desses panos de parede com estantes e com variados elementos artísticos e gráficos (quadros, gravuras, etc.).
Por outro lado, este caminho é também estratégico no sentido de poder favorecer conversões domésticas significativas em resposta a modos de vida de pessoas que desejem grande funcionalidade e facilidade na execução das lides domésticas e condições especiais e muito versáteis de mobilidade e funcionalidade doméstica – e aqui não se está a pensar, especificamente, em condicionados na mobilidade críticos, mas sim numa ampla franja de habitantes, idosos e jovens, que muito ganham com tais condições.
De certa forma estamos na altura de passar das soluções domésticas estereotipadas, rigidamente hierarquizadas em termos funcionais e ambientais e monotonamente caracterizadas em termos de pormenores e de acabamentos, para uma família muito alargada de soluções domésticas diversificadas e adaptáveis, estruturadas não em torno de uma família-tipo teórica, que, “maquinalmente”, realizaria as mesmas actividades nas mesmas horas e nos mesmos espaços, mas sim em torno de "indivíduos", que irão desenvolvendo a sua personalidade e os seus desejos e gostos/hábitos domésticos razoavelmente específicos, distintos e mutantes, mas mantendo, naturalmente, sítios de convívio e estadia comum no espaço doméstico; uma opção que é, naturalmente, incompatível com as referidas estruturas domésticas rigidamente hierarquizadas.

Do “núcleo/célula” habitacional individual (ou do casal) ao edifício sem passar pela habitação

E esta diversificação profunda do núcleo de concepção do espaço doméstico também pode e deve marcar a própria organização do edifício multifamiliar e a estruturação e o desenvolvimento, equipamento e pormenorização dos seus espaços comuns; será este o desafio de “escala maior”, mas que deve decorrer, directamente, desta reflexão.
Realmente, o adequado desenvolvimento, num espaço relativamente contido de um espaço doméstico “individualizado” – para uma pessoa só ou para um casal – e devida e ricamente subespacializado, tal como se tem vindo a apontar neste texto, é condição de base muito adequada para que se possa fazer um “salto” dimensional desta célula para a sua integração num edifício com espaços e equipamentos de uso comum, sem se passar, obrigatoriamente, pelo nível da habitação.
Pensa-se, como é evidente, em verdadeiros edifícios de “habitação colectiva” e talvez, aqui, sim, possa ser devidamente utilizado este conceito, onde um determinado número de unidades para pessoas sós e para casais, que podem ser diversificadas em termos dimensionais e funcionais, partilham um leque, também muito diversificado de espaços e equipamentos de uso comum, e mesmo interessantes equipamentos de uso público (ex., lavandaria, restaurante, biblioteca e centro de documentação, espaços de trabalho profissional, ginásio, etc., etc.).
Esta é uma matéria que justifica desenvolvimento específico, e, portanto, nesta reflexão apenas se sublinha que talvez o principal aspecto verdadeiramente viabilizador deste tipo de intervenções e referido à própria caracterização dessas “células individuais”, seja exactamente a riqueza subespacial e subfuncional das mesmas, uma riqueza que terá de ser, necessariamente, servida por um excelente projecto arquitectónico e muito bem pormenorizado.
Não seria necessário dizê-lo: mas as situações contrárias, de produção de “células individuais” monofuncionais e arquitectonicamente pobres, irão gerar pouco mais do que dormitórios.

É, ainda, oportuno referir, desde já, que outros dos principais aspectos verdadeiramente viabilizadores deste tipo de intervenções de “habitação colectiva” se referem à sua adequada e “central” integração urbana e à sua natural abertura à comunidade local. 

Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XIV, n.º 634

Uma reflexão geral sobre os subespaços da habitação

Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho
abc.infohabitar@gmail.com
abc@lnec.pt

Infohabitar, Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).
Editado nas instalações do Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT) do Departamento de Edifícios (DED) do LNEC.

Apoio à Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.
  

segunda-feira, fevereiro 26, 2018

Microfunções e microespaços domésticos: uma abordagem geral – Infohabitar 632

Infohabitar, Ano XIV, n.º 632
Artigo da Série “Habitar e Viver Melhor” n.º CV

Microfunções e microespaços domésticos: uma abordagem geral 

por António Baptista Coelho


Uma nova microfuncionalidade doméstica

Quando se colocam em causa “regras” domésticas árida e cegamente funcionalistas e rigidamente hierarquizadas, num tempo marcado por tanta diversidade nos modos e desejos e necessidades habitacionais e por tantas novidades tecnológicas aplicáveis ao espaço doméstico, estamos, provavelmente, também em tempo de fazer “descer” a estruturação funcional da habitação das grandes funções (ex., dormir, estar, cozinhar, tomar refeições) para uma densa e muito variada rede de microfunções aplicáveis a um espaço doméstico e de trabalho, pessoal e familiar, que assim se definirá, muito positivamente, em termos da harmonização entre essenciais aspectos funcionais e igualmente essenciais aspectos de identidade e apropriação domésticas, numa nova mistura formal e funcional, que, sendo bem desenvolvida, enriquecerá a experiência da respectiva vida diária e poderá, até, incrementar o valor global desse espaço doméstico, que passa a ser um espaço positivamente caracterizado e expressivamente “único”.



“Novos casulos” domésticos

Generalizando, podemos considerar que haverá algumas acções domésticas que poderão “libertar-se” das respectivas e mais correntes “prisões” espaciais e funcionais, reconvertendo-se em termos da sua caracterização própria e dos seu relacionamentos mútuos mais correntes em microfunções associáveis a pequenos espaços tendencialmente agregáveis em alguns espaços maiores (ex. “clássico”, recanto de preparação de refeições associável a grande cozinha multifuncional ou a sala-comum). E será interessante, embora não seja aqui feito, imaginar uma rede de microfunções disseminadas na habitação, embora se alerte para um reviver de uma nova rigidez, agora microfuncional, que provavelmente poderá ser bem combatida por uma reflexão sobre as relações microfuncionais que se considerem específica e mutuamente incompatíveis, designadamente, por questões associadas a aspectos de segurança e de sanidade.


Desta forma o novo habitar, aqui mais confinado à escala doméstica e privativa, poderá caracterizar-se, seja por uma relativamente habitual estrutura espacial, marcada por espaços conhecidos e aos quais atribuímos usos correntes e habituais, seja por uma outra camada de dispositivos espaciais e funcionais e/ou de virtualidades espaciais e funcionais que irão associar-se, diversamente e até inesperada ou inusitadamente àquela estrutura espacio-funcional mais “clássica”, reconvertendo-a em soluções domésticas extremamente marcadas por gostos, desejos e até “manias” ou idiossincrasias que, afinal, irão transformar um espaço antes impessoal numa verdadeira e própria casca de caracol bem à medida das nossas necessidades pessoais mais íntimas e dos nossos sonhos: uma casca de caracol que caracteriza bem o que também poderemos referir como “novos casulos” domésticos.


Naturalmente que uma tal opção “espacio-funcional-formal-caracterizadora” obrigará a um espaço doméstico bem marcado por uma ampla adaptabilidade, mas desde que esta função de adaptabilidade doméstica possa exercer-se sem influenciar potencial e significativamente a saúde e o bem-estar dos habitantes, num caminho que parece poder ser extremamente positivo e enriquecedor por proporcionar casas muito mais ligadas à identidade e ao gosto de cada um; mas atenção que esta perspectiva parece influenciar, mais fortemente, as habitações com menor número de quartos, e, portanto, mais ligadas a uma ocupação humana mais reduzida.


Seguem-se pequenos textos de comentário breves sobre alguns micoespaços domésticos tendencialmente privativos e diferenciados, que podem marcar e enriquecer funcional e espacialmente os espaços comuns domésticos – proporcionando-se estar razoavelmente “sozinho/à parte”, mas potencialmente em companhia. Mas salienta-se que, de nenhuma forma, os espaços em seguida apontados esgotam o amplo e rico leque potencial de microespaços domésticos, um leque que foi, aliás, extensamente abordado, já há muitos anos, na magistral “Linguagem de Padrões” de Alexander et. Al – uma obra que é sempre importante revisitar. 


Alcovas

Uma alcova ou recanto de dormir/repousar pode integrar-se bem num espaço amplo com características potencialmente conviviais, proporcionando quer o maior desafogo no convívio, quer a possibilidade de se realizar uma actividade individualizada, mas numa situação de companhia mútua, o que pode ser muito apreciado por pessoas que, por exemplo, tenham dificuldade de concentração quando isoladas; e na prática corresponde, sempre, a uma positiva alternativa para desenvolvimento das mais diversas actividades, para além de enriquecer espacialmente o espaço maior onde se integra.


Regulamentarmente impossíveis ou, pelo menos, bastante difíceis as alcovas podem ter inúmeras apropriações, para além de serem os espaços/cama que as caracterizam, sendo possível integrarem pequenos e intimistas espaços de trabalho e/ou lazer pessoal, grandes “recantos” estratégicos para a arrumação e exposição de colecções, recantos de leitura bem povoados por livros e quadros nas paredes, etc.


Trata-se, aqui, de uma matéria doméstica e arquitectónica de grande importância histórica e que pode e deve ter um adequado reaproveitamento numa urgente revisão dos aspectos exigenciais que devem estruturar a concepção habitacional, visando-se, designadamente, a geração de soluções mais diversificadas, adaptáveis e versáteis a diversos modos de habitar e à respectiva mutação de gostos e necessidades habitacionais.



Vestíbulo ou corredor pessoal

Caso os espaços de vestíbulo ou corredor que sirvam determinados espaços domésticos mais privados sejam adequadamente dimensionados e estruturados, eles podem agregar às respectivas funções de circulação e recepção, outros aspectos/funções variados e estimulantes, como aqueles associados a uma adequada apropriação e identificação dessa zona da habitação, mas também outros aspectos tão identificadores como funcionais, como é o caso de alguns tipos de arrumações, designadamente, de livros, elementos decorativos diversos, colecções, etc.


Não tenhamos dúvida de que o resultado será excelente, seja porque, assim, se consolida a coerência/fluidez de todo o espaço interior doméstico – reforçando-se funcional e ambientalmente as zonas de ligação entre espaços principais –, mas também porque haverá mais espaços específicos e diversificados para usos específicos e diversificados, mais apropriação do espaço doméstico e um maior potencial funcional, designadamente, associados a uma mais expressiva repartição/disseminação dos variados perfis de arrumação doméstica.


Ainda um aspecto interessante nesta perspectiva é o resultado global que pode ser trazido ao espaço doméstico que agregue microespaços domésticos deste tipo – em que há quase uma marcação de aproximação e um expressiva identificação/apropriação –, que pode resultar numa marcação global muito rica, quase de uma grande habitação formada de outras quase “pequenas habitações”.  


Parece ser, ainda, interessante anotar que no caso contrário, de existência de significativos espaços de acesso doméstico “privativos” e funcionalmente limitados ao seu uso como circulação, tais espaços acabam por poder constituir-se como relativos bloqueios funcionais/ambientais na desejável fluidez do espaço doméstico. 


Marquise ou varanda

Antes de abordar esta matéria há que salientar que a “marquização selvagem”, clandestina e desregrada das varandas habitacionais é, realmente, uma verdadeira praga responsável pela crítica deterioração da imagem urbana e residencial de muitos dos nossos bairros e cidades, e que deveria ser energeticamente combatida e regenerada, de forma estratégica e designadamente em vizinhanças e bairros expressivamente patrimoniais, com é, por exemplo o caso de Alvalade, Campo de Ourique e Olivais Norte, em Lisboa.


No entanto, a concepção, de origem (quando da concepção da solução habitacional) de espaços de marquise, adequadamente encerrados e programados em termos de conforto ambiental, pode permitir excelentes espaços de transição, quer entre um interior mais “protegido”/recatado e o exterior caracterizadamente público, quer entre espaços exteriores e interiores bem marcados; podendo ser muito interessantes os usos domésticos, mais privatizados ou mais comuns, destes espaços e sendo, ainda, interessantes as vistas que eles poderão permitir, do lado do espaço público, sobre os interiores habitacionais – um pouco como “olhadelas”  fugazes sobre aspectos caracterizadores de interiores domésticos mais “divulgáveis”. Mas salienta-se, novamente, que apenas é de aceitar a marquise/”jardim de Inverno” adequadamente projectada em total sintonia com o respectivo edifício.


Lugar-janela ou janela-lugar

Embora esta matéria da associação entre recantos domésticos e vãos exteriores com vista e /ou luz natural, seja retomada mais à frente, nesta série editorial, não poderíamos deixar de a apontar aqui, ainda que sumariamente, e por duas ordens de razões.


A primeira razão, que parece óbvia, mas que não deve ser descurada, tem a ver com o resgate de uma negativa concepção habitacional que tendia a considerar a geração do espaço interior, pelo menos, um pouco separada da geração dos respectivos vãos exteriores – e quem o negue está a fugir à verdade, julga-se, pelo menos quando não estamos a tratar de arquitectura de qualidade.


A segunda razão refere-se à enorme força expressiva e ao fortíssimo conteúdo de imagem/função que estão associados à geração de “lugares-janelas” – que associam pequenos espaços, bem caracterizados, à contiguidade de vãos exteriores – e de “janelas-lugares” – vãos exteriores que, pela sua força expressiva, amplitude e adequada pormenorização se acabam por constituir em verdadeiros pequenos mas importantes subespaços domésticos; e nesta categoria há que salientar o grande interesse das bay-windows, vãos exteriores com variadas tipologias de pormenor e que, de certo modo, fazem expandir pontual/localmente o espaço interior doméstico sobre o exterior contíguo, proporcionando estar, um pouco, lá fora, mas também no agradável interior da habitação e, simultaneamente acabam por marcar esse exterior urbano de vizinhanças e pequenas ruas citadinas com pontuais, mas estimulantes e rítmicos sinais domésticos.


Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XIV, n.º 632

Microfunções e microespaços domésticos: uma abordagem geral 

Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho

Infohabitar, Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).
Editado nas instalações do Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT) do Departamento de Edifícios (DED) do LNEC.

Apoio à Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.

segunda-feira, abril 25, 2016

Espaços domésticos privados - Infohabitar n.º 579


Infohabitar, Ano XII, n.º 579

Espaços domésticos privados - Infohabitar n.º 579

Artigo XCVI da Série habitar e viver melhor
António Baptista Coelho

Nas próximas semanas, aqui nesta série editorial, viajaremos, mais um pouco, pelos espaços domésticos privativos e pessoais, portanto aqueles mais amigos de um uso individual, ou muito ligado ao casal, e onde, também não há que excluir os outros, mas sim acolhê-los marcando, aqui, ainda mais fortemente, aspectos de identidade e de abrigo.

O que pode ajudar a caracterizar a nossa casa como um sítio diferente de um simples espaço de estadia/abrigo é, exactamente, a associação entre as actividades correntes da habitação e inúmeras outras actividades ligadas, quer ao trabalho diversificado, quer ao lazer, quer ao colecionismo (nas sua mais variadas formas), quer a características e modos de habitar específicos e bem distintos dessas actividades referidas como correntes e que se associam, frequentemente, a tipos específicos de compartimentos (sala/estar, quartos/dormir, casa de banho/higiene pessoal, vestíbulo/entrar, etc.).

Realmente, o que poderá ajudar a identificar positivamente uma dada habitação será a capacidade por ela oferecida para que em cada um dos seus espaços, mais correntes, possam ser realizadas muitas outras actividades diferentes daquelas que, habitualmente, aí são realizáveis.

Cumulativamente, uma tal diversidade de potenciais identificações numa dada habitação também dependerá da capacidade, por ela oferecida, para se “transmutar” ou converter no “reino” doméstico mais apropriado para as mais distintas e específicas formas de habitar.

E o que apetece comentar sobre isto é que esta perspectiva é sem dúvida muito mais aliciante do que a que é pobremente oferecida por habitações “unifuncionais” e mesmo “uniformais”, onde em cada um dos seus espaços dificilmente é possível desenvolver outras actividades do que aquelas consideradas correntes pela “família tipo” da “cultura dominante”, e com formas idênticas.

São os seguintes os diversos tipos de espaços domésticos pessoais de que aqui “falaremos”, caso a caso, nas próximas semanas:

- Quartos
- Espaço de lazer/trabalho
- Pequenos escritórios e espaços de trabalho profissional em casa
- Outros espaços privativos e diferenciados
- Recantos vários
- Alcovas em espaços domésticos comuns

Mas para fazer avançar, desde já, um pouco uma matéria que se julga bem aliciante, apontam-se em seguida, exploratoriamente, alguns aspetos gerais sobre alguns desses espaços e recantos domésticos.

Quartos não apenas para dormir, espaços de apropiação, intimidade e sossego
O quarto pode ser o quarto de dormir clássico, praticamente estruturado pelo espaço/cama, sem grandes ambientes/actividades complementares ou paralelas, ou pode constituir um conjunto de zonas de actividade entre as quais as associadas ao espaço/cama terão algumas preponderâncias, mas proporcionando pequenas áreas de lazer, estar e trabalho.
Durante anos e ainda hoje, muita da promoção habitacional "comercial", propôs uma “zona íntima” doméstica, onde se agregavam muitas vezes com carácter quase segregado do resto da habitação, todos os quartos da habitação, um sítio quase isolado, onde afinal acabava por se desenvolver uma espécie de desprivatização ou proximidade excessiva, muitas vezes associada a um exíguo corredor ou vestíbulo interior para o qual dão todos os quartos e as principais casas de banho.

Escritórios e espaços de trabalho profissional em casa

Esta temática do trabalho profissional ou não-doméstico em casa – habitual e globalmente designado por home-office – poderia inaugurar um outro grande tema desta série editorial, o que não se pretende, pensando-se no tema numa perspectiva suplementar às actividades mais directamente ligadas à habitação.

Os espaços para trabalho profissional ou não-doméstico em casa devem ser razoavelmente separados dos restantes espaços da casa e estarem próximos do vestíbulo de entrada, tanto porque podem apoiar actividades que exigem algum sossego e isolamento (escrita, estudo e leitura) ou porque podem ser pouco compatíveis com a habitação (produzem ruídos e lixos), ou porque essas actividades podem incluir a recepção de estranhos à família.

Espaços de lazer domésticos que sejam atraentes e estimulantes
O que se referiu para os espaços de trabalho em casa aplica-se, em boa parte, aos espaços de lazer domésticos, até porque frequentemente serão ténues as fronteiras entre trabalho e lazer em casa, havendo, por exemplo, passatempos que sendo acções de lazer exigem verdadeiros espaços especializados e, frequentemente, oficinais.

Casas de banho e espaços de banho privativos

Importa sublinhar a possibilidade de desenvolvimento da “figura” do espaço de banho com um sentido caracterizador e caracterizado por determinadas formas de viver a habitação. Situação que poderá ligar-se ao desenvolvimento de associações entre espaços de banho e outros espaços de estar, dormir e lazer com forte carácter identitário e relativamente privativo, embora espacialmente pouco controlado em termos dimensionais. O exemplo de um tal espaço é o sítio de banho de uma das grandes casas projetadas pelo Arq.º Charles Moore, que se integra num espaço de estar e assume mesmo uma posição destacada neste espaço.

Os pequenos grandes mundos do pormenor doméstico
O que se irá comentar sobre o detalhe doméstico serão, essencialmente, matérias suplementares, ou melhor dito, paralelas, às já referidas sobre os espaços da habitação,  e praticamente não dedicadas aos aspectos funcionais, já amplamente visados em diversos estudos, mas privilegiando determinadas notas associadas às opções de Arquitectura interior e ao seu diálogo com os habitantes ao serviço das opções gerais apontadas nas respectivas soluções domésticas.

·         Nota importante sobre as imagens que ilustram o artigo:
As imagens que acompanham este artigo e que irão, também, acompanhar outros artigos desta mesma série editorial foram recolhidas pelo autor do artigo na visita que realizou à exposição habitacional "Bo01 City of Tomorrow", que teve lugar em Malmö em 2001.
Aproveita-se para lembrar o grande interesse desta exposição e para registar que a Bo01 foi organizada pelo “organismo de exposições habitacionais sueco” (Svensk Bostadsmässa), que integra o Conselho Nacional de Planeamento e Construção Habitacional (SABO), a Associação Sueca das Companhias Municipais de Habitação, a Associação Sueca das Autoridades Locais e quinze municípios suecos; salienta-se ainda que a Bo01 teve apoio financeiro da Comissão Europeia, designadamente, no que se refere ao desenvolvimento de soluções urbanas sustentáveis no campo da eficácia energética, bem como apoios técnicos por parte do da Administração Nacional Sueca da Energia e do Instituto de Ciência e Tecnologia de Lund.
A Bo01 foi o primeiro desenvolvimento/fase do novo bairro de  Malmö, designado como Västra Hamnen (O Porto Oeste) uma das principais áreas urbanas de desenvolvimento da cidade no futuro.
Mais se refere que, sempre que seja possível, as imagens recolhidas pelo autor do artigo na Bo01 serão referidas aos respetivos projetistas dos edifícios visitados; no entanto, o elevado número de imagens de interiores domésticos então recolhidas dificulta a identificação dos respetivos projetistas de Arquitetura, não havendo informação adequada sobre os respetivos designers de equipamento (mobiliário) e eventuais projetistas de arquitetura de interiores; situação pela qual se apresentam as devidas desculpas aos respetivos projetistas e designers, tendo-se em conta, quer as frequentes ausências de referências - que serão, infelizmente, regra em relação aos referidos designers -, quer os eventuais lapsos ou ausência de referências aos respetivos projetistas de arquitetura.
·        Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Espaços domésticos privados

Infohabitar, Ano XII, n.º 579
Artigo XCVI da Série habitar e viver melhor

- Infohabitar n.º 579

Editor: António Baptista Coelho – abc@ubi.pt, abc@lnec.pt e abc.infohabitar@gmail.com
GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional
Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.



domingo, maio 03, 2015

Projeto de cozinhas, algumas questões - Infohabitar 531



O 3.º CIHEL recebeu 118 propostas de artigos, estamos todos de parabéns.

Infohabitar, Ano XI, n.º 531

Cozinha: algumas questões de projeto

Artigo LXXIII da Série habitar e viver melhor

António Baptista Coelho



Continuamos, em seguida, a Série editorial sobre "habitar e viver melhor", na qual temos acompanhado uma sequência espacial desde a vizinhança de proximidade urbana e habitacional até ao edifício multifamiliar, e neste os seus espaços comuns. Estamos agora a abordar , com algum detalhe, os espaços que constituem os nossos “pequenos” mundos domésticos e privativos, refletindo sobre as diversas facetas que os qualificam; e continuamos com alguns aspetos sobre e algumas questões que aí se colocam.


Orientação preferencial das cozinhas


Um outro espeto relativo às cozinhas e que é, constantemente, motivo de dúvida na fase inicial da conceção residencial, tem a ver com a sua orientação preferencial, que é, habitualmente, referida aos quadrantes mais a Norte.
Esta é uma matéria sobre a qual há, no entanto, ma reflexão a fazer que tem a ver, designadamente, com os seguintes dois tipos de aspetos:
com a situação de ter de haver compartimentos expostos a esses quadrantes, quando se consideram habitações com ventilação cruzada e duas frentes, sendo uma delas mais a Sul – condição esta que parece ser a ideal –, e com a preferência que nestes casos deve ser dada aos quartos e salas na orientação mais a Sul, pois estes compartimentos e, designadamente, os quartos muito ganharão ao serem naturalmente aquecidos, no Inverno, durante o dia, para depois serem usados ao final da tarde e à noite;
não podemos esquecer que na quase totalidade dos casos são os próprios habitantes a usarem a cozinha para prepararem as suas refeições e assim há que ter em conta o seu conforto nesses espaços, não sendo, de todo adequado, que eles sejam concebidos como sendo destinados a alguém que ali estaria a realizar uma função “maquinal” e “de serviço”; hoje em dia tal não faz qualquer sentido, pois mesmo em situações de "cozinhas-laboratório" ou de recantos de cozinha, tais espaços devem ser expressivamente confortáveis, para além de serem funcionais e seguros na sua utilização.

Fig. 01: Cozinha de habitação do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - H29 - H31, Arquitetura: Gert Wingardh, Monica Riton.

Portanto, o que haverá a concluir desta questão?
Talvez que a cozinha deva poder ser, tendencialmente, associada às condições ambientais que caracterizam a zona de estar doméstica, por exemplo, desenvolvendo-se na sua contiguidade, desde que tal condição não seja significativamente responsável pela disposição dos quartos orientados, de forma expressiva, a quadrantes Norte.
Por outras palavras, se há algum espaço a “sacrificar” a essa orientação mais a Norte, a cozinha deverá ser o primeiro, até porque durante o Verão essa mesma disposição será um fator específico de conforto no seu uso próprio e da sua boa influência ambiental no resto da casa, pois será um espaço tendencialmente fresco, com vantagens seja para a conservação dos alimentos, seja para o desenvolvimento da preparação de refeições, com uso do fogão – uso este que, afinal, será, também um fator de equilíbrio ambiental da vivência da cozinha em tempo frio.
Uma outra questão ambiental a considerar na conceção do espaço de cozinha liga-se com o erro, frequente, de se considerar que esta zona doméstica se deve ligar ao exterior de forma diversa do que acontece nas restantes zonas de estar – afinal, como tem ficado claro o espaço de cozinha deverá ser, sempre, e também uma zona de estar.


Fig. 02: Sala de habitação do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - H29 - H31, Arquitetura: Gert Wingardh, Monica Riton - o tipo de fenestração é idêntico na sala e na cozinha.

Na prática faz muito pouco sentido tratar as janelas das zonas de cozinha apenas como sendo vãos funcionais, por exemplo, de acesso a estendais de roupa, assim como não faz qualquer sentido “enclausurar” o espaço de cozinha “atrás” de um espaço de tratamento de roupas (lavar e secar), interiorizando-o e prejudicando fortemente as suas condições de conforto ambiental (ventilação e iluminação natural), e mesmo “entristecendo-o” de forma crítica.

Iluminação natural de cozinhas 

Em termos de segurança e eficácia nas tarefas do cozinhar é fundamental que elas se desenvolvam em espaços e bancadas muito bem iluminados naturalmente, e, além disto, e porque somos nós os habitantes que estamos no espaço de cozinha a cozinhar e em outras atividades associadas, também será bem interessante que aí possamos ter boas vistas sobre o exterior.
E atente-se a que este tipo de cuidados podem e devem ser determinantes na estruturação doméstica e ajudam, até, por exemplo, na fundamental autonomização do tratamento de roupas relativamente à preparação de refeições; atividades estas (cozinhar e tratar a roupa), que afinal nada têm em comum em termos funcionais e ambientais, apenas eram, habitualmente, realizadas pelas mesmas pessoas: as “donas de casa” e as empregadas; mas esta é uma situação que parece ter mudado radicalmente.



Fig. 03: Pormenor de cozinha de habitação do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - H29 - H31, Arquitetura: Gert Wingardh, Monica Riton.


Condições de conforto ambiental em cozinhas

E finalmente uma última questão ambiental: é essencial que as cozinhas tenham excelentes condições de luz e de ventilação naturais (janelas de abrir) ou "forçada" (grelhas de entrada e saída de ar).
E nesta matéria há que sublinhar que, sem dúvida, são preferenciais as condições de iluminação e ventilação naturais, aliás com importância claramente acentuada numa altura em que se procura uma maior sustentabilidade ambiental habitacional; e aqui há que sublinhar que, por vezes, se faz o mais complicado nestas matérias da sustentabilidade ambiental e se esquece o mais simples e igualmente importante como é o caso.
E, ainda nesta matéria, há que salientar que, muitas vezes, a famosa ventilação forçada é claramente deficiente ou corresponde a sistemas cuja eficácia de ventilação é claramente duvidosa ou que obrigam, mesmo, a soluções mecânicas que gastam energia para a resolução de uma situação que pode e deve ter uma resolução “natural”.

References

Referências/notas


Nota importante sobre as imagens que ilustram o artigo:

As imagens que acompanham este artigo e que irão, também, acompanhar outros artigos desta mesma série editorial foram recolhidas pelo autor do artigo na visita que realizou à exposição habitacional "Bo01 City of Tomorrow", que teve lugar em Malmö em 2001.

Aproveita-se para lembrar o grande interesse desta exposição e para registar que a Bo01 foi organizada pelo “organismo de exposições habitacionais sueco” (Svensk Bostadsmässa), que integra o Conselho Nacional de Planeamento e Construção Habitacional (SABO), a Associação Sueca das Companhias Municipais de Habitação, a Associação Sueca das Autoridades Locais e quinze municípios suecos; salienta-se ainda que a Bo01 teve apoio financeiro da Comissão Europeia, designadamente, no que se refere ao desenvolvimento de soluções urbanas sustentáveis no campo da eficácia energética, bem como apoios técnicos por parte do da Administração Nacional Sueca da Energia e do Instituto de Ciência e Tecnologia de Lund.

A Bo01 foi o primeiro desenvolvimento/fase do novo bairro de  Malmö, designado como Västra Hamnen (O Porto Oeste) uma das principais áreas urbanas de desenvolvimento da cidade no futuro.

Mais se refere que, sempre que seja possível, as imagens recolhidas pelo autor do artigo na Bo01 serão referidas aos respetivos projetistas dos edifícios visitados; no entanto, o elevado número de imagens de interiores domésticos então recolhidas dificulta a identificação dos respetivos projetistas de Arquitetura, não havendo informação adequada sobre os respetivos designers de equipamento (mobiliário) e eventuais projetistas de arquitetura de interiores; situação pela qual se apresentam as devidas desculpas aos respetivos projetistas e designers, tendo-se em conta, quer as frequentes ausências de referências - que serão, infelizmente, regra em relação aos referidos designers -, quer os eventuais lapsos ou ausência de referências aos respetivos projetistas de arquitetura.

Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.
(iii) Para proporcionar a edição de imagens na Infohabitar, elas são obrigatoriamente depositadas num programa de imagens, sendo usado o Photobucket; onde devido ao grande número de imagens se torna muito difícil registar as respectivas autorias. Desta forma refere-se que, caso haja interesse no uso dessas imagens se consultem os artigos da Infohabitar onde, sistematicamente, as autorias das imagens são devidamente registadas e salientadas. Sublinha-se, portanto, que os vários albuns do Photobucket que são geridos pelo editor da Infohabitar constituem bancos de dados da Infohabitar, sendo essas imagens de diversas autorias, apontadas nos artigos da Infohabitar, pelo que deve haver todo o cuidado no seu uso; havendo dúvidas um contacto com o editor será sempre esclarecedor.

Infohabitar, Ano XI, n.º 531
Artigo LXXIII da Série habitar e viver melhor

Cozinha: algumas questões de projeto

Editor: António Baptista Coelho 
abc@lnec.pt e abc.infohabitar@gmail.com
GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional

Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.



domingo, abril 26, 2015

Cozinha: aspetos motivadores e problemas a considerar - Infohabitar 530


http://labhab.fau.usp.br/3cihel/ 



Últimas notícias: o 3.º CIHEL recebeu 118 propostas de artigos, estamos portanto todos de parabéns, designadamente os organizadores diretos.

Infohabitar, Ano XI, n.º 530

A cozinha: aspetos motivadores e problemas a considerar

Artigo LXXII da Série habitar e viver melhor

António Baptista Coelho



Continuamos, em seguida, a Série editorial sobre "habitar e viver melhor", na qual temos acompanhado uma sequência espacial desde a vizinhança de proximidade urbana e habitacional até ao edifício multifamiliar, e neste os seus espaços comuns. Estamos agora a abordar , com algum detalhe, os espaços que constituem os nossos “pequenos” mundos domésticos e privativos, refletindo sobre as diversas facetas que os qualificam; e continuamos com alguns aspetos sobre o espaço de cozinha e sobre todo o seu potencial.

Cozinha: aspetos motivadores e a explorar


Tal como se apontou num estudo editado no LNEC em 1998, intitulado “Do bairro e da vizinhança à habitação” (ITA 2), entre as características mais desejáveis nas cozinhas tradicionais, ou nas zonas de cozinha, para preparação de refeições salientam-se as seguintes:

·        Estarem razoavelmente próximas das zonas de refeições.
·        Possibilitarem vistas sobre o exterior a partir das principais zonas de trabalho.
·        Apoiarem, o melhor possível, a sequência de: receção e armazenagem de produtos alimentares; preparação de cozinhados; transportes para as (e a partir das) zonas de refeições; lavagens e arrumações.
·        Facilitarem o uso funcional da "bancada" e dos armários de cozinha, bem como de todos os equipamentos e aparelhos eletrodomésticos de apoio e terem, preferencialmente, uma "bancada" de trabalho comprida e sem interrupções (em U ou em L).
·        Terem relação direta com a despensa ou os armários para arrumação de produtos alimentares.
·        Serem fáceis de limpar e duráveis, e não provocarem ruídos, fumos e cheiros desagradáveis no resto da casa e em espaços de circulação comuns e contíguos.
·        Terem equipamento adequado: lava-louças com escorredouro; bancadas de trabalho espaçosas, resistentes e laváveis; espaços preparados e equipados para o fogão, frigorífico e máquina de lavar louça; e sítio próprio para o esquentador. As cozinhas devem ter, ainda, espaços válidos para instalar equipamentos suplementares (por exemplo, arcas frigoríficas e pequenos fornos).
·        Integrarem uma zona de refeições correntes.
·        E serem equipadas com mobiliário fixo que associe facilidade de limpeza, durabilidade, atratividade e, especificamente, uma cuidada ergonomia, seja nas valências de arrumações diversificadas, seja nas valências de uso de planos de trabalho, equipamentos e instalações; ergonomia esta que deverá estar intimamente associada a condições maximizadas de conforto ambiental (designadamente no que se refere à iluminação natural e artificial e à ventilação) .

Fig. 01: Recanto de cozinha de habitação do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - H7, Arquitetura: Lars Asklund, Asklund & Jansson Arkitekter.

Cozinha: problemas correntes

Pela sua “densidade” de equipamentos a cozinha é um dos principais protagonistas de um espaço doméstico, mas é importante ter-se bem presente, que ela existe para nos servir e para nos proporcionar uma vida diária, agradável, estimulante e convivial; e não para que nós a “adoremos” como se fosse um espaço quase de “culto”, recheado de gadgets e onde o homem é, praticamente, um intruso, que se movimenta, de certa forma, nas margens das máquinas domésticas.

E refere-se esta observação porque é frequente encontrarem-se cozinhas com um evidente excesso de funcionalidades e de “maquinalidade” e com um evidente deficit de humanização e de sentido gregário, e desde sempre as cozinhas foram o centro da casa, aqui ardia, em continuidade o fogo do lar e aqui se passava quase tudo o que se passava em casa; evidentemente o tempo foi passando, mas está na altura de se recuperar, plenamente, o capital de convivialidade e de atratividade das cozinhas como sítios da família, como sítios do centro da vida doméstica, sem discriminações de tarefas e de espaços, e até é útil esta possibilidade no sentido em que os restantes espaços da casa ficam mais disponíveis para os novos usos domésticos.

Tal como aponta Sven Thiberg (1), as deficiências mais comuns detetadas em cozinhas relacionam-se muito mais com a organização da sequência de trabalho e a disposição relativa de elementos de mobiliário e equipamento do que com a quantidade de espaço livre disponível. Os aspetos negativos frequentemente apontados são os seguintes: portas abrindo para dentro da cozinha, passagens livres muito estreitas, portas de frigoríficos abrindo na direção errada, colisões entre portas de acesso e de armários, colisão entre portas de acesso e fogões, fornos e bacias de lavagem e, finalmente, a falta de espaço livre em torno da mesa de cozinha são, todos, aspetos negativos frequentemente apontados.

Tal como refere o citado autor, chama-se aqui a atenção para um problema de projeto conhecido, mas pouco evidenciado, é que os bons projetos de Arquitetura cuidam do desenho das cozinhas e proporcionam espaços realmente satisfatórios e motivadores. Dá trabalho mas os resultados são extremamente significativos e, como em tudo, nem todos conseguem atingir um adequado nível de qualidade, designadamente, quando, como é o caso, se estão a integrar tantos elementos e com tantos objetivos vivenciais.

E em termos de problemas correntes nas cozinhas há que destacar dois, que por sinal são dois dos aspetos mais críticos no que se refere à, sempre estimulante, maior integração da cozinha num espaço doméstico do tipo “planta livre” – por exemplo numa espaçosas e convivial cozinha-sala de família e de estar que dê acesso a quartos: o problema dos cheiros e vapores originados nas ações de preparação de refeições, que poderá ser em boa parte ultrapassado através de uma cuidadosa solução da respetiva ventilação; e o problema dos ruídos produzidos, designadamente, por máquinas associadas, habitualmente, ao espaço de cozinha – caso das máquinas de lavar e mesmo dos equipamentos de ventilação –, que poderá ter solução seja pela escolha de modelos caracterizadamente silenciosos, seja pelo desenvolvimento de um pequeno compartimento, isolado, para instalação das máquinas, uma solução muito eficaz e que foi utilizada, em Portugal, em soluções de habitação de interesse social, ganhando-se, assim, a cozinha como um agradável espaço de convívio e para diversas atividades domésticas.

Fig. 02: Zona de cozinha aberta sobre sala de uma habitação do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - H 8-12, Arquitetura: Kim Dalgaard, Tue Traerup Madsen.

Cozinha: questões levantadas (dimensionais e outras)

A situação, cada vez mais frequente, de ambos os elementos do casal trabalharem fora de casa, o crescimento de hábitos de abastecimentos periódicos e em grandes quantidades e a disponibilização cada vez mais alargada de equipamentos para simplificação das tarefas culinárias obriga a cuidados extremos na sistematização funcional das zonas de preparação de refeições e no seu relacionamento com os respetivos espaços de arrumação; e tal como atrás se disse não é um dado adquirido que se façam bons projetos de cozinhas, antes pelo contrário, pois esta pormenorização, quando existe, é considerada, mais como uma oportunidade de vender elementos vistosos.

A cozinha, mesmo sendo um espaço convivial, tem de ser um espaço extremamente funcional no apoio á preparação de refeições.

Claude Lamure ("Adaptation du Logement à la Vie Familiale", pp. 177 e 178) considera os seguintes factores estruturantes da organização das cozinhas:

·       Os três postos principais, lava-louças, posto de preparação de alimentos e posto de fogão, são indissociáveis. Nenhum obstáculo deve interpor-se nos percursos entre eles, e, particularmente, nenhuma outra circulação deve interferir com a circulação entre esses três postos.
·         Dois elementos complementares, posto de instalação de frigorífico e posto de serviço ou "descarga", devem ser igualmente acessíveis a partir dos três postos principais.
·         Cada equipamento necessita de um plano de "descarga" contíguo.
·         A organização preferencial (para não canhotos) será constituída por uma sequência, da esquerda para a direita, incluindo lava-louças, preparação, fogão (porque se poderá usar a mão direita no fogão, enquanto que com a esquerda se usam diversos utensílios).
·         As arrumações devem estar adequadamente distribuídas por diversos sítios, de acordo com o princípio de se disponibilizarem os elementos necessários no seu primeiro ou no seu último sítio de utilização.
·         A máquina de lavar louça deve ser colocada perto de um armário para louça ou de uma mesa de refeições.
·         O balde do lixo, (ou o acesso à conduta de lixos) deve ser preferencialmente localizado num sítio bem ventilado, mas muito próximo da cozinha.
·         O acesso a um forno deve ser desimpedido numa profundidade mínima de 1.20m, medida a partir da abertura do forno.

Tal como refere Claude Lamure (2), as pessoas tomam, muito frequentemente, as refeições na cozinha, logo quando a área desta é superior a 9m² - o que até é uma dimensão bastante “económica”;  e continua-se a tomar aí refeições, quando a área desce para cerca de 6m². Mas quando as cozinhas são razoavelmente espaçosas, quando a sua área é superior a 11m², diz Lamure, que quase toda a gente toma as refeições exclusivamente aí e começam a surgir, de forma significativa, o recreio e o trabalho de crianças e mesmo o estar ocasional dos adultos. E é importante que as áreas das cozinhas cresçam na proporção em que aumente o número de quartos na habitação; condição esta que infelizmente não se verifica como regra, pois as cozinhas são habitualmente consideradas como tratando-se de uma espécie de grandes casas de banho, imutáveis, seja a casa pequena ou grande.

Mas a dimensão geral não é tudo, sendo essencial a existência de uma largura adequada, e segundo o Institut de Tecnologia de la Construcción de Catalunya (3) , o processo de composição da largura-tipo de uma cozinha deve considerar os seguintes elementos): largura de bancada, 0.60m; largura da circulação e espaço de actividade, 1.10m (1,20 noutros estudos); largura de mesa para refeições, de 0.90m a 1.10m. Teremos, assim, uma dimensão de referência entre 2,60 a 2,90m, bem diferente da da nossa dimensão mínima regulamentar. (4)

Ainda segundo Lamure, em cozinhas espaçosas, são preferíveis as disposições de bancada em L e em U, porque economizam deslocações e espaço de circulação, permitem movimentos mais cómodos (menos bruscos, com mudanças de direção mais suaves) e definem zonas livres de circulação e atravessamento; no caso das bancadas em L é de referir que estas se integram bem com uma mesa suplementar (multifuncional) (5).

As cozinhas em U são ótimas, seja em situações de grande disponibilidade espacial, seja em situações de extrema exiguidade (zona de cozinha ligada a sala, onde basta rodar sobre si próprio para chegar às diversas superfícies de bancada).

E ainda novamente segundo Claude Lamure a altura da bancada de cozinha poderá variar ligeiramente com as diversas funções a executar, ou, parecendo ser uma melhor solução, poderá ser previsto um plano de trabalho específico ou uma mesa de cozinha que permita a execução de certos trabalhos a partir da posição de sentado (6); condição esta que é, também, muito rica em termos de potencial de projeto e de criatividade, mais uma vez numa estratégica aliança entre função e forma.

References


Referências/notas

(1) Condiciones Minimas d'Habitabilitat i de Construcción dels Edificis a Contemplar en les Ordenances d'Edificació, p. 42.
(2) A dimensão mínima, definida pelo "Regulamento Geral das Edificações Urbanas", Artº 69, é apenas de 1.70m.
(3) Condiciones Minimas d'Habitabilitat i de Construcción dels Edificis a Contemplar en les Ordenances d'Edificació, p. 42.
(4) A dimensão mínima, definida pelo "Regulamento Geral das Edificações Urbanas", Artº 69, é apenas de 1.70m.
(5) Claude Lamure, "Adaptation du Logement à la Vie Familiale", p. 180.
(6) Claude Lamure, "Adaptation du Logement à la Vie Familiale", p. 183.

Nota importante sobre as imagens que ilustram o artigo:

As imagens que acompanham este artigo e que irão, também, acompanhar outros artigos desta mesma série editorial foram recolhidas pelo autor do artigo na visita que realizou à exposição habitacional "Bo01 City of Tomorrow", que teve lugar em Malmö em 2001.

Aproveita-se para lembrar o grande interesse desta exposição e para registar que a Bo01 foi organizada pelo “organismo de exposições habitacionais sueco” (Svensk Bostadsmässa), que integra o Conselho Nacional de Planeamento e Construção Habitacional (SABO), a Associação Sueca das Companhias Municipais de Habitação, a Associação Sueca das Autoridades Locais e quinze municípios suecos; salienta-se ainda que a Bo01 teve apoio financeiro da Comissão Europeia, designadamente, no que se refere ao desenvolvimento de soluções urbanas sustentáveis no campo da eficácia energética, bem como apoios técnicos por parte do da Administração Nacional Sueca da Energia e do Instituto de Ciência e Tecnologia de Lund.

A Bo01 foi o primeiro desenvolvimento/fase do novo bairro de  Malmö, designado como Västra Hamnen (O Porto Oeste) uma das principais áreas urbanas de desenvolvimento da cidade no futuro.

Mais se refere que, sempre que seja possível, as imagens recolhidas pelo autor do artigo na Bo01 serão referidas aos respetivos projetistas dos edifícios visitados; no entanto, o elevado número de imagens de interiores domésticos então recolhidas dificulta a identificação dos respetivos projetistas de Arquitetura, não havendo informação adequada sobre os respetivos designers de equipamento (mobiliário) e eventuais projetistas de arquitetura de interiores; situação pela qual se apresentam as devidas desculpas aos respetivos projetistas e designers, tendo-se em conta, quer as frequentes ausências de referências - que serão, infelizmente, regra em relação aos referidos designers -, quer os eventuais lapsos ou ausência de referências aos respetivos projetistas de arquitetura.

Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.
(iii) Para proporcionar a edição de imagens na Infohabitar, elas são obrigatoriamente depositadas num programa de imagens, sendo usado o Photobucket; onde devido ao grande número de imagens se torna muito difícil registar as respectivas autorias. Desta forma refere-se que, caso haja interesse no uso dessas imagens se consultem os artigos da Infohabitar onde, sistematicamente, as autorias das imagens são devidamente registadas e salientadas. Sublinha-se, portanto, que os vários albuns do Photobucket que são geridos pelo editor da Infohabitar constituem bancos de dados da Infohabitar, sendo essas imagens de diversas autorias, apontadas nos artigos da Infohabitar, pelo que deve haver todo o cuidado no seu uso; havendo dúvidas um contacto com o editor será sempre esclarecedor.

Infohabitar, Ano XI, n.º 530
Artigo LXXII da Série habitar e viver melhor

A cozinha: aspetos motivadores e problemas a considerar

Editor: António Baptista Coelho 
abc@lnec.pt e abc.infohabitar@gmail.com
GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional

Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.