sexta-feira, dezembro 28, 2007

ALVALADE, DE FARIA DA COSTA. UMA CIDADE NA CIDADE - O MISTÉRIO DE ALVALADE - I - Infohabitar 176

 - Infohabitar 176

ALVALADE, DE FARIA DA COSTA. UMA CIDADE NA CIDADE - O MISTÉRIO DE ALVALADE


António Baptista Coelho
É editado no Infohabitar, nesta e nas próximas duas semanas um pequeno trabalho sobre o bairro de Alvalade, em Lisboa, originalmente realizado com o objectivo da sua apresentação numa palestra que decorreu ainda na Associação dos Arquitectos Portugueses (AAP), integrada nos ENCONTROS AAP – HABITAÇÃO: “CONSTRUIR CIDADE COM HABITAÇÃO”, na Sede da então AAP, hoje Ordem dos Arquitectos, em 8 de Maio de 1998. Este trabalho foi realizado com a cooperação de Nuno Teotónio Pereira.
Índice geral (e plano de edição):
1. O mistério de Alvalade (1.ª semana)
2. Um caso e a sua utilidade (1.ª semana)
3. Cronologia (2.ª semana)
4. Alvalade, um bairro integrado e integrador (2.ª semana)
5. Alvalade, como foi (3.ª semana)
6. Integração física, estrutura e imagem (3.ª semana)
7. Comentários finais (3.ª semana)
Bibliografia

1. O mistério de Alvalade (e os mistérios da cidade)

“Depois do investigador cinzento ter batido a asa para outra porta, fiquei a pensar no vazio deste bairro em que vivo há tantos anos. Não tem história, só comércio, vá lá, bombeiros e escolas para lhe dar alegria. Os jornais dizem que é uma das zonas de mais assaltos em Lisboa, mas não se vê nem sombra de polícia porque agora a Batalha de Alvalade já nem a Rainha Santa a salvava. Trava-se com brigadas de gatunos milagrosos em vez de rosas sagradas e se aparece um vigarista a dar música ao cidadão há logo que festejá-lo porque é um expedicionário à moda antiga que ainda dispara conversa em vez de apontar o facão.
E no entanto, à primeira vista tudo é ordem e paz - o mistério de Alvalade está aí” (1).
Mas haverá outros mistérios que ajudem a explicar Alvalade?
Tudo começa na identidade de cada bairro ou conjunto urbano significativo e no protagonismo do espaço público, socializador e realmente habitado, articulando edifícios e espaços exteriores em trechos de vida colectiva que dão coesão à cidade.
O mistério de fazer cidade passa por habitar realmente esses trechos de vida colectiva e obriga a uma arquitectura residencial urbana bem qualificada, dinamizadora do uso de espaços exteriores sem zonas residuais e geradoras de vizinhanças de proximidade com condições naturais de convívio e segurança, transições agradáveis entre os espaços domésticos e os vastos espaços públicos urbanos, integrando tipologias edificadas directamente relacionadas com o exterior, com dimensões sociais e físicas equilibradas e com imagens públicas que suscitem a apropriação e a identidade.

2. Alvalade: um caso e a sua utilidade

Hoje em dia é vital, para o tecido urbano, a luta contra soluções incompletas, descontinuadas e desqualificadas e para se fazer uma boa arquitectura urbana, é fundamental conhecer aprofundadamente conjuntos e bairros já com algumas histórias e o respectivo carácter, portanto com anos de vivência e de amadurecimento urbano. Naturalmente, a dimensão da área, a sua repartição em conjuntos com imagens e conteúdos próprios e, finalmente, a sua história de projecto reforçam o interesse destes exemplos.
Outro aspecto básico a procurar é o conteúdo vivo destes conjuntos urbanos, necessidade essencial para a intenção de “fazer cidade com habitação”, afinal apenas a síntese de uma verdade sempre provada, pois nunca houve cidade sem habitação.
E é, hoje em dia, uma questão de vida ou de morte do tecido urbano, a aplicação de um conhecimento urbanístico temporalmente sedimentado e validado pela experiência e a negação do uso de soluções incompletas, descontinuadas e desqualificadas. Quem decide e quem projecta o habitat tem de perceber que não basta fazer uma boa arquitectura, adequada aos seus prováveis futuros habitantes, é preciso saber fazer urbanismo e fazê-lo integrando variados espaços, imagens e funções e diversos grupos sociais.
Um conjunto residencial deve ser um tecido vivo, socialmente diversificado, funcional, ambientalmente agradável e harmonizado, prático e económico na sua manutenção, adaptável a variações de usos, apropriável e positivamente qualificado por quem lá mora e, também, um tecido estrutural e visualmente caracterizado e caracterizador: e tudo isto está presente no Bairro de Alvalade, em Lisboa.
É essa a razão que nos deve levar a olhar para o Bairro de Alvalade com “olhos de ver”, registando aspectos gerais e de pormenor, ponderando soluções, medindo aqui e ali, formulando e tentando responder, consecutivamente, a variadas teses sobre o seu corpo urbano e acrescentando sempre um pouco mais àquilo que pensamos serem certezas sobre como se pode/deve fazer cidade com habitação.
A qualificação globalmente positiva de Alvalade é, julgamos, consensual (e é essencial partir-se desta noção de consensualidade), ela fundamenta-se na concentração de muitos dos aspectos que foram sintetizados e que serão desenvolvidos neste trabalho; factores parciais do “mistério de Alvalade”. Há, no entanto, um outro tema de urbanismo, subjacente, ou paralelo, a todos esses factores, e que é essencial no estudo desse “mistério”, trata-se da presença natural da habitação, caracterizando e vitalizando ruas e praças, dando corpo edificado e público à noção de um “urbanismo amável”.
Afinal: “Ao projectar novos bairros para Lisboa, não se esqueçam de prever locais aprazíveis de reunião livre, tanto quanto possível ligados aos núcleos comerciais – pólos forçados de atracção. E deixem nesses locais lugar para certas actividades expontâneas. Excelente seria que os enobrecessem com algumas obras de arte... quanto aos problemas do trânsito, convirá que não pensem quase exclusivamente – como é prática habitual – nas soluções que o facilitam aos veículos. Os peões são muito mais numerosos e não basta destinar-lhes passeios estreitos ao longo das casas ... “ (F. Keil do Amaral, em “Lisboa, uma cidade em transformação”, p. 48).

2.1 Fazer cidade com habitação em Alvalade

A importância de se fazer cidade com habitação decorre da necessidade humana de uma fruição diária de um ambiente de vizinhança e de animação, espacial e funcionalmente diversificado, com uma mistura harmonizada de habitação e serviços, respondendo a diversas necessidades e aspirações.
Fazer cidade com habitação é também investir na identidade de cada bairro ou conjunto urbano significativo, identidade essa constituída pelas características de uma arquitectura urbana qualificada e atraente e equilibradamente variada, caracterizada por um adequado e bem integrado modelo, pela diversidade e viabilidade da composição populacional e, finalmente, pela redescoberta do espaço público como sítio privilegiado de (re)vitalização social.
O espaço público urbano deve ser um espaço habitado, para isso os espaços públicos residenciais devem constituir o ligante físico e social das edificações envolventes, articulando edifícios com espaços exteriores e edifícios com edifícios, em trechos de vida colectiva que dão coesão à cidade.
Fazer cidade com habitação é fazer habitação ao longo de espaços públicos viáveis e habitados, e obriga a uma arquitectura residencial urbana claramente muito bem qualificada logo ao nível do projecto.
Um dos mais importantes valores de uma habitação é a possibilidade de se poder usar plenamente o respectivo sítio e as suas adjacências, criando-se um ambiente de vida completo, baseado na dinamização do uso dos espaços exteriores, evitando-se zonas sem funções definidas, habitualmente geradoras de conflitos, e assegurando-se o conforto da vizinhança habitacional.
É essencial garantir condições naturais de convívio e segurança nas zonas de transição entre o espaço privado de cada habitação e os vastos espaços públicos urbanos, relacionando o uso recreativo e seguro do exterior na vizinhança habitacional, tanto com zonas bem vitalizadas e animadas, como com o sossego familiar doméstico, sem espaços residuais e abandonados e privilegiando tipologias edificadas que favoreçam vizinhanças próximas apropriáveis pelos seus habitantes, urbanas e geradoras de convívio local.
Edifícios com poucos fogos, caracterizados por acabamentos exteriores expressivamente duráveis e com uma imagem pública que suscite o agrado e a apropriação dos habitantes, são adequados para uma grande diversidade de grupos socioculturais e permitem um claro reforço do número de fogos mais relacionados com o exterior o que constitui, também, uma grande vantagem na adequação do edifício a pessoas com hábitos de vida intensamente exteriores.

2.2 Alvalade: um bairro dinâmico

Alvalade, ligado à cidade, tem sabido adaptar-se à sua dinâmica evoluçäo: ruas e passeios têm acolhido mudanças de traçado e de uso, misturas de actividades têm-se revelado importantes factores de animação e funcionalidade, Praças e Avenidas estão, já, bem caracterizadas e assumem um papel na cidade, conjuntos de equipamentos operam em perfeita continuidade urbana; e tudo isto a par da manutenção de belíssimas ruas e alamedas residenciais, sossegadas e intimistas

2.3 Alvalade: uma cidade de bairros e um bairro de pessoas

Alvalade teve uma ocupação humana inicial de 45000 pessoas, e tem actualmente um pouco menos de 35000. Considerando o período de 1955 a 1995 (cerca de 40 anos), parece ter havido uma boa rotação de gerações residentes.
Ocupação e tipos habitacionais: 31000 hab. em multifamiliares de renda económica + 2000 hab. em unifamiliares de renda económica (33000); 9500 hab. em multifamiliares de renda não limitada + 2500 hab. em unifamiliares de renda não limitada (12000).
Uma “mistura” social de cerca de 73% de habitantes de grupos sociais mais desfavorecidos com 27% de habitantes da pequena burguesia, que é apenas aparentemente semelhante a outras “misturas” sociais posteriores realizadas em novos bairros lisboetas (exº Olivais), pois a população das “Células” de habitação social de Alvalade (actualmente idosa) é “de origens modestas”, mas é frequentemente originária do centro de Lisboa e caracteriza-se por uma muito baixa taxa de iliteracia.(2)

2.4 Uma concentração de qualidades urbanas e habitacionais em Alvalade

(características de) Acessibilidade:
-Bairro compartimentado por arruamentos principais ligados à Cidade.
-Desde o início da ocupação a AR foi servida por autocarros, comboios e carros eléctricos; mais tarde estes últimos foram eliminados, mas entretanto o "Metro" foi abrindo várias estações na zona.
-Percursos cómodos, cuidadosamente distribuídos, pouco numerosos e pouco extensos (grandes extensões ritmadas por pólos e acidentes de percurso positivos), sendo os principais apenas cruzados no indispensável.
-Vias de acesso local com redução da faixa de rodagem, mas sem redução de largura entre edifícios.
-Células residenciais em trono de Escolas Primárias, com raio de influência máximo de 500.0m.
-Rêde de veredas pedonais através de logradouros.
-Impasses rodoviários, mas prolongados e inter-ligados por veredas pedonais.
-Boa parte dos Edifícios com acessos alternativos.
-Fogos com um mínimo de espaços desaproveitados, por rentabilização de Área útil e nomeadamente por ordenação das comunicações e redução de percursos no interior da Ha.
-Na estruturação da habitação realizou-se uma concentração de superfície livre (desimpedida após a instalação de mobiliário padrão) de modo a atingir-se cada recanto com o mínimo gasto de energia, para além de se obter um melhor ordenamento geral.
(características de) Comunicabibilidade:
-Com a Cidade por quatro fronteiras bem definidas e assinaladas por pólos de comunicabilidade/acessibilidade bem identificáveis.
-Com o comércio interno (vida interior do Bairro) em vias comerciais, conjugadas entre si e com o exterior, fortemente caracterizadas e muito pedonalmente fruíveis.
-Entre ruas muito animadas e ambientalmente diferenciadas (diversos espectáculos urbanos), através de interiores de quarteirões residenciais sossegados e ao longo de impasses rodoviários inter-ligados por veredas pedonais; é a lógica pura do "caminho secreto", mas seguro, aplicada e provada na prática.
-Com a envolvente do edifício por zonas frontais e de traseiras, adequadamente ocupadas e usáveis para actividades determinadas.
-No interior da habitação por zona social evidenciada e central.
-Entre interior da habitação e exterior por janelas de sacada e varandas com guardas "transparentes".
(características de) Espaciosidade:
-Basta dizer que ainda hoje funciona bem depois de várias adaptações viárias.
-Perfeitamente hierarquizada, ao nível exterior, desde os largos passeios comerciais até aos estreitos passeios dos impasses residenciais contíguos a quintais privados e às largas veredas pedonais nas traseiras dos edifícios.
-Mínima ao nível dos espaços comuns dos edifícios habitacionais.
-Mínima mas bem equilibrada nas habitações, onde se destacam os quartos de casal espaçosos e quadrangulares.
(características de) Capacidade:
-Em termos globais o Bairro tem cerca de 230 Ha, com uma densidade global ("bruta") de cerca de 200 habitantes/Ha (cerca de 46000 habitantes na totalidade), alojados em edifícios uni e multifamiliares, sendo grande parte destes de baixa altura.
-Em termos viários continua a funcionar com fluidez, ainda que com um número actual muito elevado de veículos (circulando e estacionando).
-Quanto à habitação foram considerados os posicionamentos dos móveis fundamentais e integrados armários na construção, sempre que possível.
(características de) Funcionalidade:
-Várias zonas bem evidenciadas e com serviços diferenciados muito próximas das habitações.
-Zonas pedonais úteis e com variadas atribuições funcionais, estrategicamente coordenadas com as zonas de veículos.
-Soluções práticas de harmonização do tráfego de veículos com o estacionamento de longa e curta duração.
-Ao nível da habitação há um máximo de aproveitamento da Au com um máximo de comodidade da vida doméstica, mediante características de boa afinidade geométrica e correlação entre os compartimentos do fogo.
-O reduzido número e a semelhança entre as soluções de fogo utilizadas em boa parte dos edifícios multifamiliares (12 soluções muito idênticas, entre si) permitiu a sua optimização funcional (e em termos de custos).
(características de) Agradabilidade:
-Sossego e abrigo (sombreamento, protecção eólica) das ruas e impasses residenciais; é interessante anotar que a simples possibilidade de opção entre os dois lados da mesma rua, com idênticas condições de espaciosidade e equipamento, é um excelente factor de agradabilidade no exterior público.
-Habitações rectangulares proporcionando luz e ventilação natural a todos os compartimentos, sem recantos sombrios e húmidos.
(características de) Durabilidade:
-Caminhos pedonais (veredas) bordejando quintais privados, assegurando-se, assim, o seu bom estado de manutenção; nos poucos casos em que estes caminhos não foram concretizados é bem evidente a deterioração do aspecto.
-Usufruto público de boa parte do "verde" privado, sem custos de manutenção pública; nas condições referidas na anterior característica.
-Edifícios não parecem exigir cuidados especiais de manutenção; e como a estrutura urbana define quarteirões, a boa aparência pública refere-se, na maioria dos casos, essencialmente, aos conjuntos de fachadas principais, constituindo ruas e impasses residenciais.
(características de) Segurança:
-Total controlo das ruas e interiores de quarteirão por estrutura urbana contínua, sem espaços "mortos" e com longos troços acompanhados ("vigiados") por estabelecimentos comerciais*.
-Cruzamentos viários ortogonais, com abundância de entroncamentos e ritmo intenso de passadeiras pedonais (obrigando a trânsito de veículos lento e atento).
(características de) Convivialidade:
- Bairro integrando fogos: “sociais”, de “renda limitada” e "de renda não limitada".
-Rejeição de segregações por fomento da coexistência de diferentes grupos sociais no interior de cada "célula" para cerca de 5000 habitantes.
-Manutenção de características de homogeneidade social em sub-células com cerca de 500 fogos.
-Diversos tipos de habitação social aplicados (uni e multifamiliares).
-Fogos não sociais e lojas financiando, em parte, as habitações sociais e acompanhando os principais eixos de tráfego e comércio do bairro.
-Simultaneidade entre conclusão de fogos “sociais”, habitações de renda livre e faixas comerciais (integradas nos edifícios residenciais com fogos de renda livre)*.
-Principais pontos de ligação à cidade realizados "à cabeça".
-Variados tipos de Transportes Públicos.
-Equipamentos e zonas para equipamentos perfeitamente integrados com a habitação e assegurando a continuidade urbana.
-Veredas pedonais contíguas a quintais privados e com excelentes relações visuais mútuas.
- Vizinhanças de proximidade claramente configuradas e limitadas, em ruas e impasses residenciais.
-Ruas comerciais vivas, ainda em progresso, quase meio século depois de construídas, irrigando, em grande proximidade, um máximo de ruas residenciais.
(características de) Privacidade:
-Existência de quintais privados.
-Privacidade relativa ("comum"/condominial) ao nível da vizinhança de proximidade; ruas e impasses residenciais sossegados e intimistas.
-Contrastes fortes e próximos entre vida urbana animada e calma intimidade residencial.
(características de) Adaptabilidade:
-Urbana extrema, tanto aos modos de vida, como à fortíssima pressão da evolução das exigências funcionais urbanas, ao longo do tempo.
-Na vizinhança de proximidade, proporcionando a junção de garagens individuais e de equipamentos colectivos no interior dos quarteirões (exº, campo de jogos iluminado e vedado).
-Ao nível da relação vizinhança de proximidade/edifício permitindo desde extensões de estabelecimentos comerciais sobre os passeios contíguos, até às conversões de fogos térreos em lojas.
-Das habitações, por existência de 3 categorias de espaciosidade, cada uma delas com 3 tipos gerais, conforme o número de quartos, mais algumas variantes (resultado de indecisões dos projectistas sobre quais as soluções a escolher); às várias categorias correspondem, não só, áreas diferentes, mas também diversos tipos de compartimentos (exº, escritórios e "quartos de criada").
(características de) Apropriação:
-Limites do Bairro suficientemente definidos e fundidos com a envolvente.
-Imagem geral forte e "Una".
-Estrutura urbana clara, constituída por duas vias fundamentais, mais outras complementares e uma grelha residencial pedonal que acompanha, mas extravasa a rêde para veículos; tudo isto rodeado por uma arquitectura com imagens perfeitamente integradas, mas continuamente variadas (diversidade na unidade).
-Continuidade urbana encaminhando principais percursos.
-Remates da estrutura urbana por praças e edifícios públicos assinaláveis.
-Vizinhanças de proximidade "personalizadas" em impasses, praças e pracetas residenciais equipados e marcados (exº, Torres de Relógio das Escolas).
-Quintais privados, mas com vista pública (basta ver o cuidado que é, ainda hoje (com a população muito envelhecida), investido no arranjo das sebes que delimitam os quintais.
-Floreiras integradas nos edifícios.
-Portas principais dos edifícios, sempre, evidenciadas e tratadas com especial atenção (mesmo nos casos de edifícios mais modestos).
-Elementos artísticos marcando algumas entradas de edifícios.
(características de) Atractividade:
-Soluções arquitectónicas muito dignas, simples e sóbrias.
-Doze tipos de edifícios com elementos de composição diferentes mas unificados, em termos de alturas e linguagens formais.
-Por vezes edifícios semelhantes, mas com pormenorizações diferenciadas.
-Coexistência de edifícios uni e multifamiliares.
- Edifícios com distinção forte entre frente e traseiras.
- Edifícios com remates ao solo e superiores bem marcados.
-Edifícios com acessos claramente evidenciados.
-Faixas de lojas marcando os pisos térreos.
(características de) Domesticidade:
-Vizinhanças de proximidade com escala humana, baixa, protegida e sossegada.
-Ruas comerciais largas, mas com escala humana marcada por faixas de lojas, socos e entradas marcadas e protectoras.
-Continuidade urbana protectora.
-Dominância de edifícios baixos; edifícios altos marcando zonas mais animadas ou de relação com o exterior do bairro.
-Chaminés acentuadas, vãos habitacionais muito tratados, coberturas em telhado evidenciadas, fachadas bem rematadas.
-Tons de côr naturais ou quentes.
-Presença protagonista das árvores de arruamento, criando verdadeiros "tectos" rebaixadores da escala urbana e amenizadores das zonas construídas.
(características de) Integração:
-Forte, do conjunto do Bairro na cidade.
-Forte, das diversas Células residenciais no conjunto do Bairro.
-Zonas comerciais constituindo como que a "espinha dorsal" estruturadora do Bairro e em total integração com a habitação; proporcionando zonas de comércio com características diversificadas e complementares em condições de grande proximidade mútua.
-Zonas industriais/artesanais em articulação cuidadosa com as zonas residenciais, mas totalmente integradas no conjunto do Bairro.
-Do peão e do veículo, gerais e seguras, dominando o peão, tanto porque são muito numerosas as passadeiras de atravessamento de vias para veículos, como porque existem troços pedonais complementares e em grande conjugação com o restante sistema de percursos; e no entanto o tráfego de veículos é habitualmente fluído.
-Dos grandes equipamentos na continuidade urbana "normal" do Bairro, sem quaisquer descontinuidades.
-Dos principais pólos urbanos, evidenciados ainda mais, porque basicamente integrados.
-Do verde urbano (essencialmente protagonizado pelas árvores de arruamento), na continuidade ambiental do Bairro, onde não existe um Parque ou um grande Jardim, nem se sente essa falta.
Notas:
(1) Cardoso Pires pp.101/2
(2) José Callado p. 225

Bibliografia sobre Alvalade

ASSOCIAÇÃO DOS ARQUITECTOS PORTUGUESES - “Guia Urbanístico e Arquitectónico de Lisboa (GUAL)”, AAP, Lisboa, 1987.
COELHO, António J. M. B. - “Análise e Avaliação da Qualidade Arquitectónica Residencial”, Tese, LNEC e FAUP, Lisboa, 1995.
CALLADO, José Carlos Pereira Lucas -“Interactivity in Housing Design - an Approach for a Model, a comparative analysis of the «Avenidas Novas», «Alvalade» and «Olivais Norte» Districts, Lisbon”, PhD Thesis, University of Newcastle upon Tyne.
CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA - “A Urbanização do Sítio de Alvalade”, CML, Lisboa, 1948.
PIRES, José C. - “A Cavalo no Diabo”, Publicações Dom Quixote, Lisboa, 1994.
FERNANDES, José Manuel - “Lisboa no Século XX”, O Livro de Lisboa, Coord. Irisalva Moita, Livros Horizonte, Lisboa, 1994.
FRANÇA, José-Augusto - “A Arte em Portugal no Século XX”, Livraria Bertrand, Lisboa, 1974.
FRANÇA, José-Augusto - “Os Anos 40 na Arte Portuguesa”, Arte Portuguesa, Anos Quarenta, , Fundação Calouste Gulbenkian, Catálogo, Lisboa, 1982.
GONÇALVES, Fernando - “A Mitologia da Habitação «Social», o Caso Português”, Cidade/Campo, Cadernos da Habitação ao Território Nº 1, 1978.
JACOBETTY, Miguel - “Estudo de Casas de Renda Económica”, Comunicação 1º Congresso Nacional de Arquitectura, Lisboa, 1948.
AMARAL, Francisco K. - “Lisboa, uma cidade em transformação”, Estudos e Documentos, Publicações Europa-América, Lisboa, 1969.
LAMAS, José M. Ressano Garcia - “Morfologia Urbana e Desenho da Cidade”, Textos Universitários de Ciências Sociais e Humanas, Fundação Calouste Gulbenkian e Junta Nacional de Investigação Científica e Tecnológica, Lisboa, 1993.
MIGUEL, Patrícia; LEAL, Jorge -“O Bairro de Alvalade”, trabalho realizado na Licenciatura em Arquitectura da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra.
PORTAS, Nuno - “A Evolução da Arquitectura Moderna em Portugal: uma interpretação”, História da Arquitectura Moderna de Bruno Zevi, 2º Volume, Editora Arcádia, Lisboa, 1973.
DIAS, Francisco da S. ; DIAS, Tiago da S. - “Lisboa, freguesia dos Olivais”, Guias Contexto, Contexto Editora, Lisboa, 1993.
PEREIRA, Nuno T. - “Esccritos (1947-1996, selecção)”, FAUP, Publicações, Série 2 - Argumentos, Nº 7, Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, Porto, 1996.
TOSTÕES, Ana -“O Bairro de Alvalade”, O Livro de Lisboa, Coord. Irisalva Moita, Livros Horizonte, Lisboa, 1994.
VALVERDE, Isabel - “Metodologias de Análise Espacial de Desenho Urbano”, trabalho de Prova Final da Licenciatura em Arquitectura da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, LNEC, Lisboa, 1997.
Lisboa, Encarnação – Olivais Norte
Editado por José Baptista Coelho, em 28 de Dezembro de 2007

quinta-feira, dezembro 20, 2007

O Grupo Habitar, primeiros quatro anos e um pouco de futuro - II - Infohabitar 175

 - Infohabitar 175

O Grupo Habitar, primeiros quatro anos e um pouco de futuro

Um relato de António Baptista Coelho

Esta semana e na semana passada marcando os primeiros quatro anos de vida e de iniciativas do Grupo Habitar (GH) editou-se e edita-se um relato informal do que o GH tem feito e algumas notas sobre o que queremos vir a fazer.

A apresentação geral refere-se às seguintes oito matérias, cinco das quais editadas na passada semana e naturalmente sempre disponíveis e outras três na presente semana (a bold):

. Apresentação geral do GH
. Composição do Grupo Habitar
. Temas disciplinares do Grupo Habitar
. Reuniões, Sessões e Conferências do GH
. Visitas Técnicas do GH

. Dinamização da revista Infohabitar
. Outras inciativas do GH
. Notas finais sobre a dinamização do GH

Nota: a ilustração desta parte do artigo é feita, informalmente, com recurso a imagens pouco divulgadas de uma grande diversidade de iniciativas do Grupo Habitar.

Dinamização da revista Infohabitar







Fig. 01: exemplo de um período de grande dinamização nas consultas da revista Infohabitar

Evolução das leituras do infohabitar ao longo dos anos de 2006/2007
Com mais de 14.000 consultas de artigos individuais, apenas durante Maio de 2007, o que se deseja no Infohabitar é, pelo menos, manter este tipo de nível de difusão, visando-se a diversificação dos autores e dos perfis dos artigos semanalmente editados. Sublinha-se, no entanto que já editaram no Infohabitar mais de 30 autores, e que as consultas estão a chegar já próximo do limiar das 100.000 consultas de artigos isolados (os chamados page-views, pois cada artigo tem uma “página” específica); e tudo isto em menos de três anos de edição (iniciada em Fevereiro de 2005).

Sublinha-se ainda a disponibilização, na margem do Infohabitar:
- De um catálogo interactivo, que é periodicamente actualizado, e onde constam, distribuídos por 18 temas, e em texto completo, os mais de 150 artigos já editados, que correspondem a cerca de 1500 páginas ilustradas.

- E de um amplo conjunto de listagens de links de sites ligados directa ou indirectamente às temáticas do habitar, organizados em diversas categorias – e estão já disponíveis mais de 100 links.

O que se pretende para o Infohabitar é que ele continue a assegurar a fundamental aliança com as actividades de discussão e informação do Grupo Habitar, seja publicitando, semanalmente, estas actividades, seja continuando a garantir, em alguns seus artigos, o relato técnico dos temas abordados nas sessões e visitas do GH.

Em termos de conteúdos, salienta-se que já se iniciou a edição no Infohabitar da análise e divulgação de boas práticas habitacionais e urbanas, e considera-se que esta actividade poderá vir a ser dinamizada, designadamente, através das contribuições de um amplo leque de colaboradores, que poderão desenvolver as suas análises sob diversas perspectivas temáticas.
Em termos de impacto pretende-se realizar a curto prazo um redesenho do próprio Infohabitar, dotando-o com uma imagem que se deseja mais coerente com o seu perfil de revista interactiva sobre as temáticas abordadas, de modo a que o leitor possa encontrar um cenário editorial e uma página ainda mais amigável e estimulante.






Fig. 02: a página de abertura do catálogo interactivo do Infohabitar, bem aqui na margem da revista.


Fig. 03: na margem, exemplo de uma das muitas listagens de links para organizações e instituições ligadas ao habitar.


Fig. 04: uma das Visitas Técnicas do GH, neste caso ao conjunto de realojamento municipal projectado por Paulo Tormenta Pinto na Travessa do Sargento Abílio em Lisboa.

Apontam-se, em seguida, os temas editoriais do Infohabitar:
. Memória
. Análise de casos habitacionais e urbanos de referência (novo)
. Investigação habitacional e urbana
.Grupo Habitar e Infohabitar
. Sustentabilidade no habitar
. Habitar de interesse social e habitar cooperativo
. Intervir e construir no construído
. Gestão da cidade habitada
. Escalas e tempos do habitar
. Humanidades e habitar
. Cidades amigas – conviviais, acessíveis, para todos, e seguras
. História(s) e tipologias do habitar
. Desenho e a humanização do habitar
. Integrar o habitar
. Natureza, tempo, cidade e lugar
. (Novas) formas/soluções de habitação
. Actualidades, comentários, notícias, informações

Aponta-se, ainda o crescente peso dos leitores brasileiros – uma distribuição de leituras que vai variando durante o ano e até com as horas do dia.






Fig. 05: repartição das leituras do Infohabitar: um exemplo de um período em que as leituras baseadas no Brasil foram praticamente metade de todas as leituras.


Outras inciativas do GH



Para além das já referidas actividades de realização de Sessões, Visitas e Conferências Alargadas e de edição do Infohabitar, pretende-se, ainda, apostar: (i) seja em actividades com um formato mais reduzido e circunscrito em termos de participantes, designadas como “Reuniões de discussão sobre temas específicos” e que poderão dar origem a documentos técnicos, que poderão ser depois devidamente encaminhados; (ii) seja em encontros mais alargados e com maior visibilidade, que poderão vir a ter uma periodicidade bienal e que poderão ser associados a outras iniciativas a definir.






Fig. 06: o GH conseguiu realizar acções técnicas de grande ligação e diálogo entre projectistas, promotores e técnicos e investigadores desde sempre ligados às áreas do habitar e espera-se desenvolver, proximamente, o aprofundamento e divulgação das matérias abordadas neste tipo de encontros; na imagem uma destas discussões técnicas na visita à cooperativa Caselcoop, no Bairro de Caselas em Lisboa, vendo-se o projectista Arq. Justino Morais, o Arq. Vasco Folha e o Presidente da cooperativa Carlos Coradinho.





Fig. 07: mas o GH deve também esforçar-se no sentido de promover encontros mais alargados e com maior visibilidade, onde seja possível conjugar a participação de diversas entidades, trazendo para o espírito prático e multidisciplinar de discussão das matérias do habitar, que nos caracteriza, um número gradual mas firmemente crescente de técnicos e outros responsáveis, com natural destaque para o universo das autarquias, como foi o caso em Coimbra num excelente encontro que marcou o início das actividades do GH em 2007.


Dinamização do GH – notas finais






Fig. 08: um gráfico que sintetiza o número de Sessões, Visitas, Assembleias e Conferências do GH realizadas, anualmente, pelo GH; note-se que o Grupo habitar iniciou formalmente as suas actividades em Janeiro de 2004, tendo conseguido realizar em 2007 um total de 12 iniciativas desse tipo o que corresponde à excelente “meta” de uma iniciativa em cada mês (sublinha-se que aos 11 eventos registados no gráfico em 2007 há que juntar a 2.ª Assembleia Geral Eleitoral que se realizou em 13 de Dezembro de 2007).


Terminada a fase de consolidação do GH, e na oportunidade de se aproximarem as nossas segundas eleições, há que privilegiar uma nova fase de crescimento, o mais possível sustentado, pois só assim será possível aproximarmo-nos do cumprimento dos objectivos que nos propusemos.

De certa forma o “segredo” da dinamização das actividades do Grupo Habitar está na replicação de actividades já desenvolvidas, realizando-as, segundo certas regras de boa prática, em parte já identificadas, em variados sítios do país, e segundo uma adequada distribuição temporal e territorial.

Pensa-se, por exemplo, na possibilidade de duplicar as actividades:
replicando as acções que mais êxito tiveram, por exemplo, associando, no mesmo dia, Visitas e Sessões Técnicas, realizadas em estreita parceria com um dado município.

- passando-se, assim, de uma promoção de cerca de 3 sessões/reuniões técnicas por ano, por exemplo, para cerca de 6;

- passando-se de cerca de 3 visitas técnicas por ano, também para cerca de 6;
provavelmente, associando-se ou alternando-se as sessões e as visitas de modo a cobrir-se o melhor possível todo o ano; e uma forma muito prática de assegurar esta actividade é distribuir responsabilidades específicas de organização dos diversos eventos, considerando-se que o seu enquadramento será assegurado pela direcção do GH e a sua divulgação feita com o apoio das nossas mailing lists e dos meios de divulgação dos parceiros com quem, em cada caso, unirmos esforços;

- e no que se refere ao Infohabitar o que mais importa é assegurar três aspectos: um deles é continuar a edição semanal; outro é diversificar o corpo redactorial (condição para a qual bastará um pequeno esforço de muitos potenciais “redactores”); e o terceiro disseminar intensamente a divulgação do Infohabitar, e este é um trabalho fácil de fazer se verdadeiramente desmultiplicado; e afinal basta manter a tendência actual de crescimento das leituras, hoje já praticamente em cima das 100.000 page views .

Palavras finais
Para terminar vale bem a pena lembrar o nosso nome, que começa pela palavra “grupo”: o que significa a nossa vontade básica de sermos uma associação activa e verdadeiramente colegial, assegurando actividades em conjunto, mas em que cada elemento do grupo traga um valor acrescido e específico a essas iniciativas, e assim aqui fica o desafio para que todos nós os que já integram o GH, sejam um pouco mais participantes, e para todos aqueles que se sintam motivado para estas actividades, connosco contactarem e poderem começar a participar com o GH nas suas actividades, que se desejam cada vez mais diversificadas, dinamizadas e estimulantes.

Por outro lado, mas também de forma estruturante, será muito importante que o GH possa tornar-se, cada vez mais, num grande sítio de encontro e de dinamização de muitas daquelas pessoas que ainda consideram ser possível ligar teoria e prática, ligar temas e disciplinas e ligar boas-vontades e desígnios que não sejam os ditados apenas por razões financeiras e os marcados por estratégias pessoais que pouco interessam à comunidade; queremos falar de problemas e de potencialidades e queremos divulgar ideias e caminhos de futuro e sempre fazendo-o num caminho triplo que harmonize ensinamentos de casos práticos, ideias estruturadoras e raciocínios disciplinares abertos entre si e totalmente sensíveis a quem habita e a um habitar totalmente aliado da cidade e de uma cidade amiga da cultura.
Termina-se, como se deve, com uma referência geral a todas as pessoas e instituições que têm apoiado o funcionamento do GH e com uma referência destacada de agradecimento:

- ao Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC);

- ao Instituto Nacional de Habitação (INH), hoje Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU);
- e à Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE).



Fig. 09: um dos diversos encontros técnicos do GH desenvolvidos em cooperação com o INH (hoje IHRU).


Quem tem apoiado o Grupo Habitar
O Grupo Habitar tem a sua sede no Núcleo de Arquitectura e Urbanismo (NAU) do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), em Lisboa, e tem merecido fundamentais apoios periódicos, designadamente, ao nível de aspectos organizativos e de acções conjuntas, do Instituto Nacional de Habitação (INH), da Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE) e do próprio LNEC.

Mas nesta matéria há que sublinhar que a Delegação no Porto do INH/IHRU, dirigida pelo Eng. Defensor de Castro, que é Vice-presidente do GH, tem cumprido sempre um papel, informal, de sede gémea do Grupo Habitar no norte do país; foi aliás um dos objectivos fundadores do GH, que este nunca fosse um grupo ligado a uma cidade e a um círculo tendencialmente fechado, mas sim uma associação ligada, tendencialmente, a todas as cidades e sítios de Portugal e que honre um conjunto de associados cujo alargamento apenas tem e terá como motivo a valia humana e profissional e naturalmente a concordância com a natureza e a razão de ser do Grupo Habitar, acima apontadas.




Fig. 10: um dos últimos encontros técnicos do GH realizado em cooperação com o Departamento de Arquitectura e Urbanismo do ISCTE.

E por isso se referem aqui algumas das entidades que connosco já colaboraram em diversos eventos e a quem o GH deve agradecimentos, numa ordem temporal apenas aproximada: Câmaras Municipais de Lisboa, Porto, Matosinhos, Évora, Faro, Tavira e Coimbra, Gebalis, SRU do Porto, CIN, Fundação Calouste Gulbenkian, Universidade de Évora, Grupo MCH Algarve, Universidade do Algarve, GAT de Faro, Cooperativas As Sete Bicas, Coobital e Caselcoop, Ordem dos Engenheiros – Região Centro, Gabinete para o Centro Histórico da CM de Coimbra, Inválidos do Comércio, Imperalum, e ADENE – Agência para a Energia.

E entre as muitas pessoas que connosco cooperaram há que sublinhar alguns, cujas intervenções foram fundamentais nas actividades do Grupo Habitar (igualmente, numa ordem cronológica apenas aproximada): Duarte Nuno Simões, Vasco Folha, Paulo Alzamora, Paulo Tormenta Pinto, Guilherme Vilaverde, José Teixeira Monteiro, António Madureira, José Coimbra, Luís Anglin, Carlos Coradinho, Justino de Morais, Gonçalo Ribeiro Telles, José Vasconcelos Paiva, Orlando Vargas, José Lopes da Costa, Rogério P. Inácio, José Brito, Nuno Teotónio Pereira, Alberto Soares, José Clemente Ricon, Manuel Correia Fernandes, A. Leça Coelho, António Santos, Carlos Coelho, Hermano Vicente, Paulo Machado, António Reis Cabrita, Duarte Nuno Gonçalves, Raúl Hestnes Ferreira, José Teixeira Trigo, João Soares, Fernando Pinto, Elisabete Arsénio, Luís Bramão, Amélia Santos, Manuela Rosa, Celestino Flórido Quaresma, João Bigotte de Almeida, Sidónio Simões, Leopoldo da Cunha Matos, Nuno Figueiral, António Azenha, Isabel Lucena, Maria Alexandra Nunes, Sílvia Soares, Maria João Freitas, Rui Loza, Fausto Simões, Pina dos Santos, Alexandre Fernandes e Jorge Ramos.




Fig. 11: o início da Visita Técnica na Gulbenkian com Gonçalo Ribeiro Telles.

E naturalmente há que registar o grupo, já extenso, cujas contribuições construíram o Infohabitar (em ordem referida à ordem de edição): Duarte Nuno Simões; Celeste d'Oliveira Ramos; Marilice Costi; Sheila Walbe Ornstein; José Walter Galvão; Maria João Eloy; António Reis Cabrita; Nuno Teotónio Pereira; Sara Eloy; António Baptista Coelho; Paulo Machado; João Carvalhosa; Guilherme Vilaverde; Maria Luiza Forneck; Khaled Ghoubar; José Coimbra; Pedro Baptista Coelho; Sidónio Simões; José L. M. Dias; Manuel Tereso; António Novais; Rita Abreu; Teresa Heitor; Ana Tomé; Fausto Simões; Carlos Pina dos Santos, João Cantero.

Mas aqui mal estaria o GH se não fizesse um agradecimento público e evidenciado à Arq.ª Paisagista Maria Celeste Ramos, cujos inúmeros e muito qualificados artigos têm contribuído fortemente para o dinamismo do nosso Infohabitar.

E deixa-se um sincero pedido de desculpas por algum “imperdoável” esquecimento, que provavelmente aconteceu mesmo.

Últimas acções do Grupo Habitar

Dia 11 de Outubro de 2007, o Encontro sobre “Promoção da qualidade do habitar”, em Coimbra, com o Gabinete para o Centro Histórico da Câmara Municipal de Coimbra e integrado na Quinzena da Habitação, realizada no âmbito da Presidência Portuguesa da União Europeia, e apoiada pela Secretaria de Estado do Ordenamento do Território e das Cidades, pelo Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana e pelo CECODHAS.P/ Comité Português de Coordenação da Habitação Social. Com intervenções do Arq. Manuel Correia Fernandes (FAUP), Eng. José Teixeira Trigo (LNEC), Arq. Paulo Tormenta Pinto (ISCTE), Eng. Sidónio Simões (GCH-CMC), Dr. Luís Ferreira da Silva (AECOPS)e Guilherme Vilaverde (FENACHE).

Dias 12 e 13 de Outubro de 2007, a 1.ª Visita Alargada do GH, sobre “o Habitar e a História” e a “Rota do Românico”, com a Câmara Municipal de Paços de Ferreira, e com a intervenção do Presidente da C.M. de Paços de Ferreira, Dr. Pedro Pinto e, entre outros, dos investigadores, doutora Lúcia Rosas e dos doutores Armando Coelho, Lino Tavares Dias e Mário Varela Gomes. No dia 12 im econtro técnico e uma visita comentada à Citânia de Sanfins, e no dia 13 a “Rota do Românico”.

A 12.ª Sessão Técnica do GH, em 15 de Novembro de 2007, com uma palestra de João Alberto Cantero, Arquiteto e Urbanista, Mestre pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo e Superintendente de Obras da COHAB-SP (Companhia Metropolitana de Habitação), que teve lugar no Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), também com apoios do Núcleo de Arquitectura e Urbanismo do LNEC e da Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE).

E no passado dia 13 de Dezembro de 2007, no recém inaugurado Auditório Dr, Barreiros Mateus, da sede da Nova Habitação Cooperativa (NHC), na Quinta do Património, Sacavém teve lugar a 2ª Assembleia Geral Eleitoral do Grupo Habitar que elegeu os seguintes corpos sociais:
Mesa da Assembleia Geral
Presidente: Duarte Nuno Gomes Simões (Arq.)
Vice-Presidente: Hermano Manuel da Silveira Vicente (Eng.)
Secretário: Manuel Ezequiel Vargas dos Santos (Gestor)

Direcção

Presidente: António Júlio Marques Baptista Coelho (Arq.)
Vice-Presidente: Defensor Fernando Gomes de Castro (Eng.)
Secretário: José Clemente Beira Peres Ricon de Oliveira (Arq.)
Tesoureiro: Jorge Amável da Silva Quintela (Econ.)
Vogal: António Manuel da Silva Rocha Reis Cabrita (Arq.)
Vogal: Manuel Correia Fernandes (Arq.)
Vogal: Bruno Armando Gomes Marques (Arq.)

Conselho FiscalPresidente: António Carlos de Oliveira Coelho (Arq.)
Vogal: Dâmaso Lopes de Sousa Silva (Geól.)
Vogal: Luís Filipe Ferreira da Silva (Gestor)

Contactos do GH

Sede do Grupo Habitar, Av. do Brasil 101, 1700 – 066 Lisboa.

Contactos: Lisboa: António Baptista Coelho, abc@lnec.pt e abc.infohabitar@gmail.com Tel. 218443679/Fax. 218443028, Tm. 914631004 Porto: José Clemente Ricon, mailto:jroliveira@inh.pt Tel. 226079670.

Para qualquer informação complementar bastará um contacto telefónico ou por e-mail. Notar que a adesão ao Grupo Habitar está prevista nos seus estatutos e depende de uma inscrição prévia a realizar em ficha própria, que pode ser enviada por mail ou solicitada na sede do GH. Posteriormente a Direcção do GH apreciará a proposta de inscrição.

Editado por José Romana Baptista Coelho, Encarnação e Olivais Norte, 20 de Dezembro de 2007

quinta-feira, dezembro 13, 2007

O Grupo Habitar, os primeiros quatro anos e um pouco de futuro - I - Infohabitar 174

 - Infohabitar 174

O Grupo Habitar, os primeiros quatro anos e um pouco de futuro

Esta semana e na próxima semana marcando os primeiros quatro anos de vida e de iniciativas do Grupo Habitar (GH) edita-se um relato informal do que o GH tem feito e algumas notas sobre o que queremos vir a fazer.


Fig. 00

A apresentação geral refere-se às seguintes oito matérias, cinco das quais editadas esta semana e outras três na próxima semana:

-Apresentação geral do GH
-Composição do Grupo Habitar
-Temas disciplinares do Grupo Habitar
-Reuniões, Sessões e Conferências do GH
-Visitas Técnicas do GH
-Dinamização da revista Infohabitar
-Outras inciativas do GH
-Notas finais sobre a dinamização do GH

Fig. 01: o símbolo do esboço de Luís Anglin à forma final

Apresentação geral do GH


Passados seis anos após a primeira reunião do Grupo Habitar (GH), a 28 de Junho de 2001 em Santo Tirso, e perto da conclusão do primeiro quadriénio após a fundação desta Associação (em Janeiro de 2004), o GH assegurou 34 eventos (estando mais dois em preparação), entre reuniões, assembleias, sessões e visitas técnicas (com entre cerca de 20 a 150 participantes), e em parcerias com diversas instituições.

Ainda neste seu período inicial o GH montou um site, alojado no site do LNEC, e assegura, desde há pouco mais de dois anos, a edição de uma revista na Internet, o Infohabitar, que semanalmente disponibiliza um novo artigo técnico sobre matérias que mantêm a actualidade, estando já facilmente disponíveis mais de 150 artigos e cerca de 1000 páginas ilustradas, cujos “picos” já várias vezes ultrapassaram as 600 consultas diárias; a média actual em dias úteis é de cerca de 200 consultas diárias.

A sede do Grupo Habitar é no Núcleo de Arquitectura e Urbanismo (NA) do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) – n.º 101 Av. do Brasil, Lisboa – e a chefia deste Núcleo cooperou na fundação e assegurou a primeira presidência da Direcção do GH.

Fig. 02: os picos de leitura do infohabitar durante Maio de 2007


O Grupo Habitar – Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional é uma associação técnica e científica, de direito privado e sem fins lucrativos, com natureza basicamente multidisciplinar, que nasceu do interesse de pessoas com diversas formações e diversas práticas profissionais, ligadas às temáticas da habitação, do urbanismo e da qualidade de vida. Um interesse direccionado seja para o estudo teórico e prático das mais diversas matérias do habitar (da habitação à cidade e do mundo físico ao mundo social), seja para uma acção de ligação entre a prática e a investigação, seja para a já referida perspectiva multidisciplinar e multiprofissional, seja para a melhor harmonização entre a acção técnica e a satisfação de quem habita a casa e a cidade. (ele)
Fig. 03: a fundação do Grupo Habitar


O GH visa a melhoria da qualidade da habitação e do espaço urbano através de variadas actividades, entre as quais se destacam a visita e a análise de conjuntos habitacionais e urbanos e o estudo, a discussão e a divulgação dos principais problemas e dos aspectos qualitativos que caracterizam as nossas habitações, os nossos bairros e as nossas cidades.

O GH actua, basicamente, em duas frentes de acção complementares:


(i) visa uma estimulante e fundamental variedade de aspectos da qualidade de vida, desde a integração paisagística e ambiental, à qualidade de desenho de arquitectura, desde a qualidade construtiva, a durabilidade e o equilíbrio de custos, à satisfação dos moradores e à preparação dos aspectos de gestão;

(ii) e privilegia acções conjuntas, disciplinarmente abertas e interactuantes, seja entre as diversas disciplinas e especialidades associadas, seja relativamente aos habitantes e à sua fundamental satisfação, considerando aqui, entre outros aspectos, as actuais tendências de mutação nos modos de vida e de uso das casas, dos conjuntos residenciais e da cidade.

Salienta-se que a vantagem organizativa e de planificação de conteúdos associada à dinâmica do Grupo Habitar (GH) radica, essencialmente, numa grande autonomia e flexibilidade de acção nas principais cidades do país e designadamente em Liboa, Porto, Faro, Matosinhos e Coimbra.

Fig. 04: visita em Vila Nova de Gaia

Composição do Grupo Habitar


Contando com cerca de 80 associados , dos quais quatro “de honra” (os engenheiros José Teixeira Trigo e José Vasconcelos Paiva, o arquitecto Nuno Teotónio Pereira e o paisagista Gonçalo Ribeiro Teles), o GH é basicamente multidisciplinar e tem, actualmente, a sequinte composição geral:

40% de arquitectos
25% de engenheiros
15% de economistas/gestores
15% de outras formações (ex., sociologia, geografia, antropologia, geologia, física)
5% de paisagistas

Sublinha-se ainda que os corpos sociais, estão igualmente repartidos entre Lisboa e Porto (6+6), mas também com uma representação de Faro; desta forma se pretendeu assegurar a implantação nacional do GH, que fica evidente na distribuição das suas acções.

Temas disciplinares do Grupo Habitar

São os seguintes os grandes temas disciplinares do GH:

-Estudar e discutir o habitar numa forma ampla, multidisciplinar e integrada, numa perspectiva teórico-prática que considere uma visão prospectiva fundamentada sobre o que deverá ser o espaço habitacional, em Portugal, neste novo século, assegurando-se a análise consistente do que já foi estudado e realizado, numa perspectiva que privilegie os casos português, europeu e da CPLP.

-Considerar o habitar nos seus diversos níveis físicos, do fogo ao conjunto habitacional, e nas suas grandes problemáticas: da constituição de continuidades urbanas vitalizadas à integração paisagística e ambiental, da qualidade de desenho de arquitectura à qualidade construtiva, da satisfação dos moradores à preparação dos aspectos de gestão e as especificidades da habitação apoiada e a custos controlados.

-Apoiar o desenvolvimento de um habitar condigno e de qualidade e promover, a nível nacional, o progresso e a difusão dos conhecimentos teórico-práticos sobre o habitar, designadamente, através da observação, do estudo e da discussão das realidades e da problemática habitacional.

Fig. 05: Sessão no INH em Lisboa

Reuniões, Assembleias e Sessões Técnicas do Grupo Habitar

Antes da fundação oficial do GH foram promovidas 6 Reuniões técnicas; e depois daquela fundação foram realizadas 6 Assembleias e 12 Sessões Técnicas.

Temas das reuniões e sessões realizadas
-Bairros de um futuro presente – o caso da BO01 uma perspectiva de síntese.
-Programa Especial de Realojamento (PER).
-Facetas mais e menos objectivas da qualidade do habitar (ex., segurança contra incêndio e iluminação natural).
-Sustentabilidade habitacional e urbana.
-Prática profissional e promoção de habitação .
-Idosos numa cidade e sociedade envelhecidas.
-Habitar o espaço público com sustentabilidade.
-Associação entre habitar e requalificar a cidade.
-Sustentabilidade ambiental, arquitectura e habitação.
-Casos recentes de habitação de interesse social em Portugal.
-Habitação de interesse social em São Paulo.


Fig. 06: Sessão em Coimbra

Listagem das Reuniões, Assembleias e Sessões Técnicas:

1.ª Reunião do GH, Reunião de Fundação do Grupo Habitar, na “Pedra do Couto”, em Santo Tirso, a 28 de Junho de 2001.

2.ª Reunião do GH, sobre a temática dos “Bairros do futuro presente – o caso da BO01 uma perspectiva de síntese”, Lisboa, LNEC, 17 de Outubro de 2001.

3.ª Reunião do GH, sobre a temática do Programa Especial de Realojamento (PER), com Vasco Folha, Lisboa, LNEC, 30 Janeiro, 2002.

4.ª Reunião do GH, sobre a temática da reabilitação habitacional e urbana, com Paulo Alzamora e Clemente Ricon, no Auditório Dr. Coutinho Pais, da Delegação do INH no Porto, em 10 de Julho de 2002.

5.ª Reunião do GH, sobre os novos conjuntos de realojamento da CM de Lisboa, com Paulo Tormenta Pinto e Manuel Abílio, no Lisbon Welcome Center, com apoio da CM de Lisboa e coordenação de Duarte Nuno Simões e João da Veiga Gomes, em 16 de Outubro de 2002.

6.ª Reunião do GH e Assembleia Constitutiva do Grupo Habitar (Acta n.º 1 do GH), em 24 de Janeiro de 2003, no LNEC, em Lisboa, seguindo-se o processo de legalização da Associação.

1.ª Assembleia-Geral e 1.ª Assembleia-Geral Eleitoral do Grupo Habitar (Acta n.º 2), associada a uma sessão sobre a temática “A qualidade no habitar”, com Teotónio Pereira e Ribeiro Telles, Lisboa, LNEC, 3 de Dezembro de 2003; nesta Assembleia foram designados quatro Membros de Honra do GH: arquitecto Nuno Teotónio Pereira, arquitecto paisagista Gonçalo Ribeiro Telles e engenheiros José Teixeira Trigo e José Vasconcelos Paiva.

2.ª Assembleia-Geral (Acta n.º 3) do GH, no Auditório Dr. Coutinho Pais, da Delegação do INH no Porto, em 31 de Março de 2004; não se fazem, em seguida, referências específicas às AG ordinárias que decorreram, depois, estatutariamente: (3.ª AG, Acta n.º4) em 29 de Março de 2005 no LNEC em Lisboa; (4.ª AG, Acta n.º 5) em 24 de Março de 2006 no auditório da Coobital em Faro; (5.ª AG, Acta n.º6) em 29 de Março de 2007, na Ordem dos Engenheiros, Coimbra.

1.ª Sessão Técnica: “Iluminação natural e segurança contra incêndio em edifícios de habitação”, Lisboa, LNEC, 5 de Março de 2005.

3.ª Assembleia Geral (Acta n.º 4), realizada em Lisboa, na Sala 2 do Centro de Congressos do LNEC, em 29 de Março de 2005.

2.ª Sessão Técnica: “Sustentabilidade habitacional e urbana; a inovação no conjunto da Norbiceta na Ponte da Pedra, Matosinhos e na reabilitação e completação da Bouça de Siza Vieira”, com Guilherme Vilaverde, José Coimbra e Carlos Coelho, Auditório da Cooperativa As Sete Bicas, 5 de Maio de 2005.

3.ª Sessão Técnica: “Idosos numa cidade e sociedade envelhecidas – enquadramento e novas formas de habitar”, com Paulo Machado, Reis Cabrita, Duarte Gonçalves e Guilherme Vilaverde, Lisboa, LNEC, 22 de Novembro, de 2005.

4.ª Sessão Técnica: “Prática profissional em projectos e reflexão para o futuro na promoção de habitação”, com Nuno Teotónio Pereira, Raúl Hestnes Ferreira e José Teixeira Trigo, Lisboa, INH, 24 de Janeiro de 2006.

5.ª Sessão Técnica: “Idosos numa cidade e sociedade envelhecidas – a ligação com a reabilitação e com novas formas de habitar”, com Paulo Machado, Reis Cabrita, João Soares e Fernando Pinto e ciom o apoio da CM de Évora e da Universidade de Évora, no Colégio do Espírito Santo da U. de Évora, 23 de Fevereiro de 2006.

4.ª Assembleia Geral (Acta n.º 5), realizada em Faro, na Sede da cooperativa Coobital e do Grupo MCH Algarve, em 24 de Março de 2006.

6.ª Sessão Técnica: “Idosos numa cidade e sociedade envelhecidas – outras perspectivas disciplinares”, com Paulo Machado, Celestino Flórido Quaresma (OE), Sidónio Simões (Dir. do Gabinete. Centro Histórico da CM de Coimbra), João Bigotte de Almeida (Escola Universitária das Artes de Coimbra), Leopoldo da Cunha Matos (Conselheiro da Ordem dos Engenheiros); e Nuno Figueiral e António Azenha do Serviço de Medicina Física e Reabilitação dos HUC, no Auditório da Associação Nacional de Municípios, com apoio da Ordem dos Engenheiros, 1 de Junho de 2006.

7.ª Sessão Técnica: “Idosos numa cidade e sociedade envelhecidas – a concepção arquitectónica e o habitar assistido”, com Paulo Machado, Duarte Nuno Simões, Guilherme Vilaverde, Isabel Lucena (Dir. Técnica dos Inválidos do Comércio) e as Arquitectas Maria Alexandra Nunes e Sílvia Soares, com a moderação da Doutora Maria João Freitas, Vogal do Conselho Directivo do INH Lisboa, INH, 22 de Junho de 2006.

8.ª Sessão Técnica: “Requalificar e habitar uma cidade amigável – I”, com Sidónio Simões, do Gabinete para o Centro Histórico da CM de Coimbra, e com Rui Loza, da SRU do Porto, Coimbra, Casa Municipal da Cultura de Coimbra, 11 de Janeiro de 2007.

9.ª Sessão Técnica: “Regulamentação térmica, sustentabilidade e qualidade habitacional”, com Fausto Simões, Pina dos Santos, Alexandre Fernandes (Dir. Geral da ADENE) e Jorge Ramos, Lisboa, INH, 15 de Fevereiro de 2007.

5.ª Assembleia-geral (Acta n.º 6), realizada em Coimbra, na Sede da Região Centro da Ordem dos Engenheiros, em 29 de Março de 2007.

10.ª Sessão Técnica: “Requalificar e habitar uma cidade amigável – II”, co Rui Loza, da SRU do Porto e com Sidónio Simões do GCH da CM de Coimbra, Porto, INH ou Casa do Infante, 28 de Junho de 2007.

11.ª Sessão Técnica: “Uma pequena viagem pelas últimas cinco edições do Prémio INH-IHRU”, no LNEC a 19 de Julho de 2007.

12ª Sessão Técnica do Grupo Habitar (GH), em 15 de Novembro de 2007, no ISCTE em Lisboa, integrando a Palestra de João Alberto Cantero, sobre a Habitação de Interesse Social em São Paulo; a sessão foi realizada em cooperação com o Departamento de Arquitectura e Urbanismo (DAU) do ISCTE e apoios e divulgação do NAU do LNEC, da FENACHE e do IHRU.


Fig. 07: Sessão em Évora

Comentários sobre alguns temas previstos do GH:


Como temas previstos apontam-se:

-Reabilitação urbana e habitacional
-Apresentação e discussão de casos residenciais de referência
-Prática profissional e promoção de habitação.
-As novas práticas no habitar
-Natureza, cidade e ordenamento paisagístico
-Bairros do futuro

Reabilitação urbana e habitacional – Foi desenvolvida uma sessão dupla, ao longo de todo o dia 28 de Junho de 2007 no Porto, para visita (matinal) e debate (à tarde), sendo a visita, a 11ª do GH, feita a obras de reabilitação no Centro Histórico do Porto, estruturada pelo Arq. Rui Loza (SRU do Porto), e o debate, que constituiu a 10ª Sessão do GH, realizado, pela parte da tarde, também com Rui Loza e após a apresentação do Eng.º Sidónio Simões sobre a experiência do Gabinete para o Centro Histórico da CM de Coimbra nas áreas da reabilitação urbana e habitacional. Entre outros aspectos, designadamente, processuais, pretendeu-se apresentar uma perspectiva de renovadas arquitecturas urbanas que aliem a humanização do habitar e a contribuição para a regeneração urbana local com soluções de desenho e funcionais inovadoras e bem fundamentadas nos desejos e hábitos habitacionais; pretendeu-se também privilegiar a apresentação das novas gerações de projectistas na área da habitação apoiada pelo Estado; pretende-se continuar esta linha de acção (visita e debate).

Apresentação e discussão de casos residenciais de referência – pretende-se desenvolver um espaço de apresentação e de comentários informais e multidisciplinares sobre vários tipos de soluções residenciais urbanas e de vizinhança, a partir da amostragem de imagens comentadas referidas a boas práticas habitacionais e citadinas; iniciou-se esta temática por uma selecção de conjuntos de Habitação a Custo Controlado premiados e mencionados nos últimos cinco anos do Prémio do Instituto Nacional de Habitação, incluindo-se o Prémio INH-IHRU 2007, cujos trabalhos terminaram em Junho de 2007. A Sessão, que foi a 11.ª do GH, foi no LNEC em Julho de 2007; pretende-se continuar esta linha de acção.

Prática profissional e promoção de habitação – Proporciona-se um tempo de reflexão sobre a prática profissional de projectistas considerados essenciais na intervenção no domínio do habitar e da construção, ao longo de um período temporal significativo. Visa-se uma reflexão fundamentada e prospectiva sobre o projecto e construção de habitação. A ideia é, assim, a propósito de exemplos meritórios de projectistas, debater aspectos e problemas que por eles sejam considerados como hoje em dia mais determinantes nos amplos domínios da arquitectura, do urbanismo habitacional e da construção, bem como as respectivas perspectivas de futuro, tudo isto com uma atenção específica à área da promoção da habitação apoiada pelo Estado.
As novas práticas profissionais no habitar – pretende-se apresentar uma perspectiva de novas arquitecturas urbanas que aliem a humanização do habitar e a contribuição para a regeneração urbana local com soluções de desenho e funcionais inovadoras e bem fundamentadas nos desejos e hábitos habitacionais; pretende-se também privilegiar a apresentação das novas gerações de projectistas habitacionais.

Natureza, cidade e ordenamento paisagístico – sessão dirigida para a importância global e urgente da previsão de espaços de natureza na cidade, para a suavizar e humanizar e porque o contacto com a natureza é vital . Parques, jardins e espaços urbanos ajardinados serão aqui tratados de uma forma genérica e numa perspectiva que privilegia a sua relação com a defesa de um fundamental ordenamento paisagístico nas nossas cidades de hoje.

Bairros do futuro – a propósito de alguns casos de novas soluções de vizinhança residencial e da adopção de um conjunto significativo de inovadoras tipologias residenciais, pretende-se suscitar a discussão sobre as novas formas humanizadas de viver a casa na cidade e articular esta apresentação com mais uma oportunidade de discutir as novas tipologias domésticas e de edifícios de habitação, naturalmente numa perspectiva de aprofundamento de um serviço habitacional humanizado, extremamente sensível e adaptável aos desejos e hábitos habitacionais, mas claramente influenciador de um habitar que alie o serviço da pessoa ao da cidade.


Fig. 08: a 1.ª Conferência Alargada, no Porto

Sobre as Conferências Alargadas do GH

Relembram-se os temas já tratados em duas conferências alargadas e aponta-se um novo tema a desenvolver e que já foi preliminarmente discutido com colegas do LNEC:

1.ª Conferência Alargada: “Requalificar a cidade com habitação”, com Manuel Correia Fernandes e a participação de técnicos da CM do Porto e da CM de Matosinhos, no Porto, Auditório da Biblioteca Almeida Garrett, 31 de Maio de 2004.

2.ª Conferência Alargada: “O espaço público sustentável”, com José Apolinário, Macário Correia, Elisabete Arsénio, Reis Cabrita, Orlando Vargas e especialistas da Universidade do Algarve, do GAT de Faro e do Grupo MCH Algarve, no Auditório do MCH Algarve e da Cooperativa Coobital, 25 de Março de 2006.

Peão ou automóvel, Cidade acolhedora ou cidade agreste: para aprofundar as acessibilidades suaves e do desenvolvimento de uma “âncora verde” nas acessibilidades e na promoção da qualidade, da vitalidade e do fundamental encadeamento dos espaços públicos urbanos.

As praças, pracetas e ruas citadinas são as salas e os corredores da cidade, locais que devem ser veículos da humanização e da segurança em meio urbano. Chega de uma cidade espartilhada e feita de parcelas autistas em que passar de uma para outra é difícil ou mesmo impossível, mas para avançar solidamente neste sentido é fundamental (re)constituir gradualmente motivadoras sequências urbanas que nos devem poder levar com prazer, a pé e em transportes públicos, da porta da nossa casa e do nosso espaço de vizinhança, passando pelo coração bem caracterizado do nosso bairro, até outros bairro da nossa cidade e, finalmente, ao coração bem caracterizado dessa cidade.

Fig. 09: em Faro

Acções conjuntas

Foram realizadas, entre 2005 e 2007, algumas outras acções conjuntas com outras entidades e designadamente com o INH/IHRU, a FENACHE, o LNEC, a Secretaria de Estado do Ordenamento do Território e das Cidades e o CECODHAS.P – Comité Português de Coordenação da Habitação Social.

A Direcção do Grupo Habitar cooperou com o INH e a FENACHE na realização do Encontro sobre “Sustentabilidade na Construção de Habitação”, que teve lugar no Auditório do INH em Lisboa, em 7 de Julho de 2005.

A Direcção do Grupo Habitar cooperou com o INH e a FENACHE na realização do Encontro sobre “Sustentabilidade na Habitação”, que teve lugar no Auditório Dr. Coutinho Pais, da Delegação do INH no Porto, em 9 de Novembro de 2005.

A Direcção do Grupo Habitar, através do Arq. António Reis Cabrita, cooperou, durante 2007, com a APSI - Associação para a Promoção da Segurança Infantil, no âmbito do Plano de Acção para a Segurança Infantil.

Palestra do Presidente do Grupo Habitar, no Pequeno Auditório do LNEC, em 18 de Junho de 2007, no âmbito do ciclo de palestras de entidades com sede no LNEC.

Workshop “promoção da qualidade do habitar”, promovido em Coimbra, a 11 de Outubro de 2007, na Sala Polivalente da Casa Municipal da Cultura, em cooperação com o Gabinete para o Centro Histórico (GCH) da Câmara Municipal de Coimbra, no âmbito da Presidência Portuguesa da UE e por iniciativa da Secretaria de Estado do Ordenamento do Território e das Cidades e do CECODHAS.P/ Comité Português de Coordenação da Habitação Social.

Fig. 10: Workshop “promoção da qualidade do habitar”, promovido em Coimbra, a 11 de Outubro de 2007

Visitas Técnicas do GH
Visitas realizadas
As visitas técnicas já realizadas pelo GH abordaram os seguintes temas específicos, numa ordem cronológica aproximada:

Bairros citadinos integrados – o bairro de Telheiras em Lisboa e as intervenções coordenadas pelo Arq. Duarte Nuno Simões

Requalificação e regeneração de conjuntos de habitação apoiada em Lisboa e Vila Nova de Gaia.

Boas práticas recentes do realojamento promovido pela Câmara Municipal de Lisboa, finais dos anos noventa e início do século XXI.

História dos primeiros bairros sociais lisboetas no período de 1918 a cerca de 1940.

Regeneração urbana e habitacional de um conjunto cooperativo – a requalificação e a conclusão do conjunto da Bouça no Porto, projecto de Siza Vieira.

Importância do verde urbano, a história de um jardim exemplar – o Jardim Gulbenkian.

Humanização dos espaços residenciais de iniciativa cooperativa, exemplos em Lisboa e Faro.

Reabilitação habitacional e urbana em centros históricos – o caso de Coimbra


Fig. 11: com a Gebalis em Lisboa

Visitas Técnicas a destacar:

Nas visitas técnicas destacam-se as seguintes:

1.ª Visita Técnica: Bairro de Telheiras, em Lisboa, com o Arq. Duarte Nuno Simões, 9 de Março de 2002.

2.ª Visita Técnica: Intervenções de requalificação urbana e habitacional de conjuntos de realojamento da CM de Vila Nova de Gaia, com os arquitectos Paulo Alzamora e Clemente Ricon, em 10 de Julho de 2002.

3.ª Visita Técnica: Conjuntos de referência do PER de Lisboa, com Paulo Tormenta Pinto, em 16 de Outubro de 2002.

4.ª Visita Técnica: Aos espaços exteriores requalificados de sete bairros de realojamento lisboetas, com o apoio da GEBALIS, Gestão dos Bairros Municipais de Lisboa – EM, durante todo o dia 20 de Abril de 2005.

5.ª Visita Técnica: Primeiros bairros sociais em Lisboa – Arco do Cego, Ajuda à Boa-Hora, Alvito e Encarnação – em 30 de Abril de 2005.

6.ª Visita Técnica: À inovadora intervenção cooperativa de regeneração urbana no bairro da Bouça, projecto de Siza Vieira, Porto, em 21 de Maio de 2005, com enquadramento de António Madureira, Guilherme Vilaverde e José Coimbra.

7.ª Visita Técnica: Primeiros bairros sociais em Lisboa – Restelo e Caselas – e apresentação do recente conjunto da Cooperativa Caselcoop, projecto de Justino de Morais, integrado no velho Bairro Social de Caselas, com apoio da Caselcoop e do seu Presidente Carlos Coradinho, em 9 de Julho de 2005.

8.ª Visita Técnica: Em 18 de Fevereiro de 2006, decorreu a 8.ª Visita Técnica do GH ao Jardim da Fundação Calouste Gulbenkian, que contou com a participação do Prof. Gonçalo Ribeiro Telles, que nos apresentou as bases de desenvolvimento do mesmo e nos acompanhou numa interessantíssima visita comentada.

9.ª Visita Técnica: A 25 de Março de 2006, desenvolveu-se a 9.ª Visita Técnica aos quarteirões residenciais da COOBITAL em Faro, projectos do Arq. José Lopes da Costa, do Arq. Rogério P. Inácio e do Arq. Pais. José Brito.

10ª Visita Técnica: Sob o tema “requalificar e habitar uma cidade amigável”, numa organização conjunta do GH e do Gabinete para o Centro Histórico da Câmara Municipal de Coimbra (GCH), dirigido pelo Eng. Sidónio Simões, decorreu no Centro Histórico de Coimbra (Baixa e Alta da cidade) em 11 de Janeiro de 2007.

11.ª Visita Técnica: Em 28 de Junho de 2007 a 11.ª Visita Técnica do GH, também sob o tema “requalificar e habitar uma cidade amigável”, numa organização conjunta do GH e do Arq. Rui Loza, da SRU do Porto, a obras de reabilitação no Centro Histórico do Porto.

1.ª Visita Alargada do Grupo Habitar - “O Habitar e a História: entre o habitar de hoje e as primeiras soluções de habitar” associada a um percurso pela Rota do Românico, 12 e 13 de Outubro de 2007, com o apoio da C.M. de Paços de Ferreira.


Fig. 12: no Jardim Gulbenkian

Novos temas de Visitas Técnicas
Pretende-se dinamizar visitas técnicas, ligadas a matérias do habitar, dirigidas para um leque relativamente amplo de profissionais ligados às matérias do habitar, embora com uma tónica específica nos temas da arquitectura e do urbanismo residencial e designadamente numa perspectiva de conhecimento directo de soluções urbanas e habitacionais que aliem a qualidade do desenho com objectivos específicos de humanização e satisfação residencial

Apontam-se em seguida novos temas para visitas de curta duração do GH, considerando, especificamente, aspectos de humanização do habitar.

Cidades na cidade – os bairros da vida urbana humanizada: A cidade viva, humana e atraente tem de ser uma cidade de bairros e conjuntos urbanos vivos e caracterizados, uma cidade feita de pequenas cidades. Os bons bairros citadinos, aqueles em que gostamos/gostaríamos de viver existem realmente, mais velhos, orgânicos e populares, ou mais recentes e planeados. Considerando-se isto pretende-se percorrer e comentar estas cidades na cidade, evidentemente, em várias visitas e desejavelmente com base em sessão/sessões de introdução geral ao tema.

Natureza e cidade: Privilegia-se, numa primeira linha, a aproximação à importância global e à actual urgência da previsão de espaços de natureza na cidade, para a suavizar e humanizar e porque o contacto com a natureza é vital . Parques, jardins e espaços urbanos ajardinados serão assim tratados, primeiro de uma forma genérica e naturalmente ligada à sua evolução histórica, deixando-se aberta uma desejável linha de visitas, reflexão e divulgação, por exemplo, de casos de referência.

Praças, pracetas e ruas citadinas, as salas e os corredores citadinos: Desejavelmente o cidadão deverá poder circular em continuidade através de um mundo urbano de surpresa, diversidade funcional adequada, humanização e atractividade. Toda esta matéria, tal como um grande edifício, tem as suas melhores fundações, no tecido urbano preexistente das praças, pracetas e ruas mais vivas e mais atraentes, associadas aos hoje vitais aspectos de convivialidade e de uso vitalizado do exterior; e sobre isto sublinha-se que há autores que se referem a estes espaços como verdadeiras salas da cidade. Simultaneamente há que intervir nas ligações mútuas entre estas parcelas de humanização e urbanidade, (re)constituindo gradualmente grandes e extremamente motivadoras sequências urbanas.

Contribuições para uma pequena história dos bairros sociais de Lisboa e do Porto – sequências de visitas: Quem conheça minimamente as respectivas soluções urbanas e habitacionais não tem dúvidas sobre o seu interesse para a reflexão teórico-prática sobre a importância e as várias facetas da humanização do habitar. Na sequência das visitas já realizadas em Lisboa até ao início da década iniciada em 1940, considera-se que as próximas visitas devem privilegiar as células sociais do Bairro de Alvalade e o Bairro de Olivais Norte/Encarnação. Será, no entanto, prioritário iniciar também as visitas aos primeiros bairros sociais no Porto e Matosinhos.


Intervenções de preenchimento urbano em Lisboa e no Porto – sequências de visitas: Uma primeira ronda de visitas e debates sobre velhas e novas soluções de integração física pormenorizada, preenchimento, densificação e enriquecimento funcional em espaços urbanos consolidados e sobre as perspectivas que daí se podem retirar, designadamente, para os objectivos de mistura social diversificada, de vitalização pontual de certas zonas da cidade e de melhoria das respectivas imagens urbanas, físicas e globais.

Cidade Nova de St. André – sessão técnica de apresentação seguida de visita: Trata-se de uma visita importante seja devido a se poder visitar uma grande intervenção urbana em que houve uma afirmada intenção de harmonização paisagística profunda e ampla, seja por se estar em presença de uma das poucas intervenções que, entre nós, se tentaram aproximar da fundação de uma nova cidade, de raiz e praticamente sem preexistências urbanas próprias. Considera-se que a associação de uma sessão técnica e de uma visita tem plena justificação sendo essencial garantir a cooperação de técnicos associados à concepção global e de pormenor desta cidade.

Prémio INH – um percurso e uma escola de boas práticas habitacionais e urbanas: Considerando a pequena história, já com mais de vinte anos, da Habitação de Custos Controlados (HCC) em Portugal, propõem-se visitas guiadas e comentadas por percursos marcados por conjuntos residenciais de HCC que se destacaram no âmbito das edições anuais dos Prémios do Instituto Nacional de Habitação (os Prémios INH), cuja história vai também já até 1989.

Exemplos de humanização e de sustentabilidade urbana no habitar cooperativo – uma sequência temporal: Propõem-se pequenas viagens por sequências de conjuntos urbanos habitacionais desenvolvidos pela promoção cooperativa e onde se visou criar um sentido funcional e ambiental de cidade completa, equilibrada e integrada, em termos paisagísticos, físicos, sociais e de equipamentos.



Fig. 13: no Porto

Estão também em preparação pequenas viagens técnicas (Visitas Técnicas de média duração), ligadas às matérias do habitar, com duração superior a um dia, dirigidas para um amplo leque de profissionais ligados às matérias do habitar, para conhecimento directo de soluções urbanas e de habitar que aliem a qualidade do desenho com objectivos específicos de humanização e satisfação. Cada viagem será organizada no respeito por uma temática “central”, abordada numa perspectiva completa, histórica e estratégica, mas acompanhada por um programa de encontros e de visitas que proporcione, complementarmente, o conhecimento e a vivência de elementos arquitectónicos, urbanos e culturais marcantes; pretende-se ainda que a organização de cada viagem privilegie o contacto com os cenários de habitar que marquem o dia-a-dia das respectivas populações. A primeira viagem está prevista para finais de Setembro de 2007 e terá como objectivo alguns casos na Galiza.

Fig. 14: a 1.ª Visita Alargada em Sanfins

Artigo de António Baptista Coelho


Contactos do GH
Sede: Grupo Habitar, Av. do Brasil 101, 1700 – 066 Lisboa. Contactos: Lisboa: António Baptista Coelho, abc@lnec.pt e abc.infohabitar@gmail.com Tel. 218443679/Fax. 218443028, Tm. 914631004 Porto: José Clemente Ricon, mailto:jroliveira@inh.pt Tel. 226079670. Para qualquer informação complementar bastará um contacto telefónico ou por e-mail. Notar que a adesão ao Grupo Habitar está prevista nos seus estatutos e depende de uma inscrição prévia a realizar em ficha própria, que pode ser enviada por mail ou solicitada na sede do GH. Posteriormente a Direcção do GH apreciará a proposta de inscrição.
Nota: como se referiu o artigo conclui na próxima semana
Editado por José Romana Baptista Coelho, Encarnação e Olivais Norte,
13 Dezembro de 2007

quinta-feira, dezembro 06, 2007

As cidades em crise são as cidades desejáveis - Infohabitar 173

 - Infohabitar 173

As cidades em crise são as cidades desejáveis

A propósito dos desafios citadinos de Adrian M. Joyce fala-se um pouco dos urgentes caminhos de uma ampla e fundamentada sustentabilidade urbana: Fazer pequeno, aprender com as realidades urbanas, dar carácter e vida à cidade

Artigo de António Baptista Coelho a partir de textos de Adrian M. Joyce


Ambientes mixed use que proporcionam repensar a cidade, revitalizar partes de uma cidade que se deseja viva, atraente, funcional e com valia cultural, formas de transformar cidades descaracterizadas e mortas em cidades feitas de grandes lugares humanizados e vitalizados, recuperar a biodiversidade na própria cidade, fazendo disso motivo de interesse geral e, por que não dizê-lo, procurar ir recuperando a (diver)cidade da cidade, uma diversidade no respeito de um uso humano globalmente positivo, marcado por ritmos e sequências com a escala/tempo do homem que além de circular, pára e está no espaço, e só assim pode entender, usar e amar esse espaço, reconquistar uma cidade estruturalmente convivial – uma convivialidade cuja importância um dia será reconhecida –, reconquistar uma cidade amiga da natureza e sede de um ambiente tendencialmente (re)equilibrado, agradável e estimulante.

Tudo isto mais a urgência da (re)humanização da forma de viver a cidade numa perspectiva coerente e eficaz, tudo isto é hoje urgente num mundo que é, cada vez mais, um mundo de cidades. Cidades que, embora cheias de problemas, continuam a ter um enorme potencial como sítios apetecíveis para viver, trabalhar e crescer humanística, cultural e economicamente.



Fig. 01

Sobre tudo isto e sobre muito do que a isto está ligado, é urgente reflectir e por isso houve a lembrança de voltar a revisitar e desenvolver, aqui, alguns comentários, que resultaram, numa primeira linha, de um conjunto de excelentes textos/desafios, que foram desenvolvidos, no início de 2005, por Adrian M. Joyce no âmbito de um grupo de trabalho do ARCHITECT’S Council of Europe, Conseil des Architectes d’Europe, da European Construction Technology Platform (ECTP).

Foi então editado no Infohabitar um artigo em que se fez a síntese de cada um dos desafios então apontados por Adrian M. Joyce, através da tradução de pequenas partes, consideradas estratégicas, do texto original daquele autor, que se considerou que resumiam razoavelmente a respectiva ideia, juntando-se, caso a caso, um comentário.

O que se faz, em seguida, é voltar à ponderação das referidas ideias, agora de uma forma bastante mais solta daquele texto-base, e, quem sabe, talvez um pouco mais aprofundada e relacionada com o subtítulo deste artigo – uma verdadeira e ampla sustentabilidade urbana e ambiental: Fazer pequeno, aprender com as realidades urbanas, dar carácter e vida à cidade –, mas também de uma forma mais imbricada, seja com os aspectos de misturas sociais e de actividades, que têm vindo a ser abordados em alguns artigos na imprensa diária, seja com os importantes aspectos associáveis à qualidade arquitectónica igualmente considerada de uma forma ampla e fundamentada.

Passemos então à sequência de temas/ideias de Adrian M. Joyce – referidas em pequenas citações entre aspas –, como forma de iniciar uma sincopada reflexão sobre o presente e o futuro das nossas cidades, considerados como sítios em crise, mas também como sítios muito, muito desejáveis; e chama-se a atenção, seja para o conteúdo naturalmente pessoal das reflexões realizadas sobre os textos de Joyce, sejaja para a informalidade da ilustração que foi escolhida.

(I) Sobre as cidades dinâmicas e as dinâmicas das cidades


A questão das “cidades dinâmicas” e do novo desafio das mega-cidades refere-se à consideração de ser a grande cidade um fenómeno recente como realidade muito disseminada. Durante alguns milénios a grande cidade foi uma realidade excepcional e se falarmos de mega-cidades então estamos a considerar um fenómeno com pouco mais do que 50 anos.

Desta forma e sublinhando-se também a questão da “constante mutação” é essencial que sejam privilegiadas acções que visem compreender melhor (ou ir compreendendo melhor) as tais “forças que dão forma” às cidades, como aponta Joyce, numa acção de análise que tem de ser praticamente coincidente com uma acção de enquadramento prático da mutação urbana, que tem de ter presente que há nesta matéria poucas certezas e que assim se tem de ir vivendo e que poderá provavelmente privilegiar a observação de boas práticas urbanas e residenciais, designadamente, aquelas que se liguem a partes de cidade positivamente consolidadas com algumas dezenas de anos, mas continuando bem vivas, por si próprias, e a contribuir positivamente para a vida da cidade em que se integram.



Fig. 02

(II) A importância da identidade das cidades


A questão da “identidade das cidades”, que é algo cuja importância é também cada vez mais económica é matéria que se liga ao desenvolvimento da identidade de partes coerentes e de conjuntos de partes coerentes da cidade (vizinhanças de proximidade e bairros) deveria ser natural ou, sendo difícil tal naturalidade, deveria ser um objectivo primário de qualquer intervenção.

A identidade urbana e residencial liga-se, por um lado, com o desenho da arquitectura urbana, e, por outro, com a afinidade e capacidade de apropriação que essa arquitectura urbana e residencial terá com os seus habitantes, em cada parte da cidade e em cada conjunto habitado. Um dos papéis do projectista é harmonizar essa necessidade de identidade com a qualidade do desenho de arquitectura e com a atractividade e capacidade de apropriação deste desenho relativamente a quem o irá habitar.



Fig. 03

(III) Sobre o espaço que a cidade ocupa e sobre a densidade urbana


Sobre o espaço, cada vez maior, ocupado pelas cidades num século XXI que será o século das cidades e sobre a influência ambiental destes “novos” mundos urbanos, Joyce aponta “a necessidade de estudar padrões de uso do solo e desenvolver estratégias de sustentabilidade para o futuro uso do solo.” Questões estas ligadas ao desenvolvimento de soluções de alta/média densidade e de média/baixa altura, e que exigem grande cuidado e investimento, seja pelas dificuldades projectuais levantadas, seja pelo potencial de riqueza imagética ligada a tais soluções.

Outra matéria que se liga a todos estes aspectos é o hoje crucial privilegiar do preenchimento e do cerzir do espaço urbano, em continuidades, com formas e actividades; e aqui há que lembrar o conceito do construir no construído (título de um excelente livro de Francisco de Gracia sobre o assunto).



Fig. 04

(IV) Sobre a cidade a caracterizar por uma boa arquitectura


É fundamental fazer uma arquitectura urbana muito qualificada, que conjugue bem todos os seus elementos constituintes, só assim se atinge a desejada boa caracterização da cidade e dos seus espaços urbanos. Adrian Joyce lembra que “as cidades são constituídas por edifícios, ruas, praças, jardins, e pelos espaços entre eles,” e que “as relações mútuas, ou a arquitectura, destes vários elementos dá carácter à cidade” e, consequentemente, conclui que “a qualidade da arquitectura tem um impacto fundamental no bem-estar daqueles que vivem e trabalham nas cidades.” Uma conclusão cuja crucial importância parece estar ainda, frequentemente, longe das preocupações de quem pode decidir nestas matérias.

E sobre um carácter conquistado pelo estudo e pela prática das relações ao nível da arquitectura urbana bem pormenorizada. Nesta matéria Joyce pormenoriza algo muito importante, quando refere que: “é necessário perceber melhor essas relações e as diversas formas em que os seus impactos são sentidos em situações urbanas.” E assim fica em relevo a necessidade de se desenvolver uma sistemática investigação teórico-prática na ampla temática da arquitectura urbana e acabar, de vez, seja com as ideias, sempre um pouco peregrinas, que a forma e o ambiente pouco ou nada influenciam o habitar, ou então que a forma vale por si e poucas contas tem a prestar a quem a habita.

E não se resiste a dizer que provavelmente tais recorrentes ideias têm a ver com a vontade de não desenvolver tais estudos, vontade que decorre de diversas causas, provavelmente afectadas por um excesso de especialização ou, quem sabe, até por algum autismo disciplinar, e sempre por algum fechar de olhos relativamente à realidade e aos seus casos de estudo práticos, que aí estão disponíveis.

Este desafio pode ser considerado “inteiro” no conceito que põe em relevo, trata-se da importância que é fulcral atribuir, hoje, nas nossas cidades, à arquitectura urbana ou, caso se queira, ao urbanismo de pormenor; é daqui que irá resultar o carácter identitário, a força de atractividade, o interesse da paisagem urbana; e é essencial sublinhar que isto só se faz com um verdadeiro saber fazer da relação entre edificado e espaço livre numa perspectiva que privilegie a continuidade urbana e uma dupla intenção de funcionalidade e visualidade do desenho (uma qualidade de desenho coerente com o local e com o habitante).

E toda esta importante matéria também se liga à crucial questão da variabilidade das situações e das soluções, uma qualidade sempre estratégica e da qual decorre, directamente, o interesse funcional e patrimonial dos recantos de vizinhança, das sequências urbanas, dos bairros e conjuntos e, finalmente, das próprias cidades assim compostas. E a propósito desta ideia Joyce foca a importante questão do como verter a síntese de tudo isto em instrumentos aplicáveis à regulação do urbano, regulação esta que é essencial, mas que não pode nunca cercear a tal variabilidade e a tal qualidade, mas que deveria, também, garanti-las, a bem da cidade e dos cidadãos.



Fig. 05

(V) Sobre uma vida citadina oxigenada por um sistema de acessibilidades


Diz Joyce que “O sangue vital das cidades é a mobilidade e os transportes e é a natureza e o desenho do ambiente construído que determina as necessidades de mobilidade e de infraestruturas de transporte,” e que a mobilidade citadina se deve caracterizar “por facilidade, confiança, segurança, rapidez razoável e acessibilidade por todas as pessoas e partes da sociedade.”

Neste texto, também muito claro, sublinha-se, por um lado, a importância que tem, hoje em dia, a boa acessibilidade urbana numa perspectiva de articulação entre vários tipos de tráfego – é muito provável que, até, meios existentes, desde que melhor coordenados possam produzir muito melhor serviço público – e, por outro, salienta-se a importância da atenção para com grupos sociais específicos nestas matérias da mobilidade urbana; mas considerando, quer a possível globalidade dos grupos socioculturais (ex., crianças, jovens, idosos) e não, apenas, alguns grupos específicos (ex., etnia cigana), quer uma perspectiva de mobilidade que considere, integradamente, o estar e os mecanismos de atracção e de relação que dinamizam essa mobilidade e que têm núcleos fundamentais nas vizinhanças residenciais, que devem ser, simultaneamente, pontos de lançamento de percursos e “santuários” de protecção e de apoio ao habitar.

Avançando um pouco mais há que considerar que a aliança entre os vários tipos de tráfego deve incluir e privilegiar a programação pormenorizada do tráfego pedonal (entre destinos/portas de edifícios), tem de considerar, objectivamente, a existência de tráfego pedonal funcional ou residencial e de lazer – são ambos fundamentais para a vida e para fruição da cidade – e tem de considerar, também objectivamente, a existência de grandes grupos sociais que têm exigências acrescidas, designadamente, idosos, crianças e mesmo mulheres (ex., circulando sós no período nocturno), grupos estes que são, hoje em dia, essenciais para a vitalidade urbana.



Fig. 06

(VI) Sobre a importância do desenhar a cidade


“O desenho/design da cidade tem um impacto crucial na concretização de uma sociedade equitativa. De forma a proporcionar-se aos cidadãos uma vivência autonomizada e, consequentemente, o desenvolvimento de vidas sociais e económicas activas, a concepção das cidades deve garantir segurança, acessibilidade e adaptabilidade. O desafio será encontrar caminhos para tornar as novas e as existentes áreas urbanas acessíveis e usáveis por todos os cidadãos, quaisquer que sejam as suas capacidades, o seu grupo social e a sua idade.”

O texto acima transcrito clarifica bem o respectivo desafio, trata-se de fazer e refazer cidades realmente inclusivas em termos sociais, cidades que, nas suas partes constituintes e naquilo que elas oferecem, sejam suportes para as mais variadas características e capacidades positivas do homem como ser individual, mas também como ser gregário; e fazer tudo isto de forma natural, sem imposições funcionais e num meio envolvente que favoreça esta perspectiva.

Passam por este desafio aspectos urbanos e humanos tão importantes como a integração social positiva, que apoie a individualidade e que não imponha presenças pouco desejadas, e como o adequado incentivo a variados níveis de convívio, desde a célula residencial, ao edifício e sua vizinhança próxima, ao bairro e finalmente a partes mais centrais/polarizadoras da cidade. Outro aspecto fundamental que há que considerar, especificamente, é a anulação de todos os aspectos de guetização, sejam ligados à concentração excessiva de grupos sociais pouco favorecidos, seja na sua marginalização física e funcional (afastamento de zonas urbanas vivas e ausência de equipamentos).

(VII) Sobre cidades desejadas


Diz Joyce que “as cidades e as áreas urbanas exercem uma forte atracção sobre as pessoas. Como centros de vida económica, social e educacional” e que “na União Europeia este fenómeno tornar-se-á ainda mais significativo nas décadas futuras.”

Como lidar com tais situações seja nos centros das cidades, seja nas suas periferias tantas vezes pouco vitalizadas e pouco acessíveis? Como lidar com uma cidade feita de cidades/culturas distintas e feita de muitas cidades sem uma verdadeira cultura urbana?

O que fazer para servir uma tal realidade sem com isso agredir a identidade da cidade, seja por actos seja pela sua ausência? E que caminhos trilhar para tentar transformar este potencial e grave problema numa potencial vantagem seja em imagens urbanas diversificadas, seja em apetecíveis leques de funcionalidades bem adequados, quer a uma cidade mais global, quer a cada um dos seus espaços constituintes em particular.

Sem dúvida há aqui muito trabalho a fazer em termos de uma arquitectura urbana pormenorizada e qualificada, e um trabalho que tem de ter uma efectiva componente cívica e, pelo menos, minimamente participada.



Fig. 07

(VIII) Sobre as cidades conhecidas e desejadas e sobre como melhor as conhecer para mais as desejar

Diz Joyce que “as cidades são melhor conhecidas por aqueles que as usam,” mas que “nem todas as secções da sociedade são capazes de exprimir os seus pontos de vista àcerca do lugar onde vivem.” E o autor comenta que “o desafio é inventar novos modelos de governância/…gestão…com o objectivo fundamental de criar os mais desejáveis locais para viver e para trabalhar.”

Trata-se aqui, entre outros aspectos talvez menos objectivos mas igualmente importantes e que terão de ficar para outras reflexões, trata-se aqui, dizia-se, de salientar os novos, necessários e potencialmente muito ricos e eficazes modelos de gestão e participação urbana; modelos estes que, provavelmente, irão funcionar num extenso mosaico de soluções encontradas à escala micro urbana. Modelos estes que privilegiam a gestão de proximidade, continuada e realizada numa perspectiva de grande fusão entre responsabilidades e delimitação de espaços – delimitação esta que não pode ser uma via para a transformação do mundo público num mundo de retalhos condominiais.

Soluções essas que poderão ser elas próprias indutoras de uma interessante diversidade de oferta de eventos mais ou menos correntes, bem como de cenários variantes e estimulantes; e que serão sem dúvida um meio privilegiado de incentivo ao trabalho local. Em tudo isto há que sublinhar a enorme importância que cada vez mais terá a gestão local e de proximidade, afinal a única que poderá ser garante da responsabilização do cidadão relativamente aos seus espaços urbanos e é fundamental esta afirmação de pertença, pois sem ela não há verdadeiro desejo urbano.
E, já agora, é bem interessante apontar a relação natural que tal tipo de gestão pode e deve ter com as novas soluções de segurança pública assentes também numa acção de proximidade responsabilizada e personalizada.

(IX) Sobre as cidades como grandes consumidoras


Sublinha Adrian Joyce, relativamente a este aspecto de uma cidade grande consumidora de recursos, que “o desafio é encontrar formas de as cidades e áreas urbanas poderem implantar-se de forma ligeira na terra, mantendo a sua vitalidade e viabilidade sem esgotamento de recursos de que dependam e sem acumulação de efeitos negativos no ambiente.”

Este desafio tem, sem dúvida, muito a ver com escolhas fundamentais que há que fazer urgentemente no que se refere a uma afirmada e privilegiada integração na cidade de zonas e elementos naturais (ex., parques, jardins, árvores de arruamento, sebes, cobertura verde de solo, planos de água, hortas e jardins privados e comuns, etc.), sendo todas estas zonas e elementos desenvolvidos numa perspectiva de máxima viabilidade – continuidades estruturantes, implantação e manutenção adequadas, etc.

Mas também no que se refere a uma sistemática adopção de soluções amigas do ambiente em todas as intervenções urbanas – ex., aplicação sistemática de pavimentos permeáveis, adequada gestão da água, uso de materiais recicláveis, etc.

E este desafio ganha-se só se for considerado como realmente é. Fundamental, e, portanto, necessariamente aplicado em todos os aspectos possíveis e mesmo com eventuais e ponderados sacrifícios em outros aspectos associados; pois de outra forma a influência destas acções reduz-se drasticamente, acabando por não ter expressão real – e o exemplo é dado por uma rua adequada e densamente arborizada e por uma outra apenas pretensamente arborizada, a primeira pode ser um verdadeiro jardim urbano, enquanto a segunda quase nada é, nem em funções ambientais, nem em imagem.



Fig. 08

(X) Sobre as cidades do amanhã, que já aí estão


“As cidades do amanhã estão já connosco em cerca de 80% dos seus edifícios e estruturas,” refere Joyce. Esta constatação aponta um desafio fundamental, que tem de ser equacionado numa perspectiva de um espaço citadino do futuro, que embora exista já em grande parte, tem de ser percebido como pleno de zonas residuais, de espaços vazios e inúteis e de elementos e espaços degradados.

E assim trata-se aqui de desenvolver com eficácia o conceito de construir no construído, aproveitando esta ideia, pela positiva, para melhorar o meio urbano existente, cerzindo-o, reconstruindo-o com qualidade, dinamizando-lhe as suas cruciais continuidades, preenchendo-o e desdensificando-o onde seja necessário e equipando-o estrategicamente.

E há que fazer isto ao mesmo tempo que também se ataca o problema da falta de integração social, seja no realojamento, seja nas zonas envelhecidas e periféricas da cidade, através de pequenos preenchimentos habitacionais que sejam, simultaneamente, pequenas acções de melhoria urbana local (ex., equipamentos, acessibilidades) e micro acções de (re)alojamento cuidadosamente acompanhadas.

(XI) Sobre as cidades como pólos de uma inovação motivadora


Adrian Joyce aponta que “as cidades do amanhã serão cidades com um grande grupo populacional criador e fortes funções de incubação de inovação, de novas pequenas empresas e de novas oportunidades de emprego.”
E defende que “o desafio será desenvolver uma concepção urbana que apoie esta nova situação em termos de densidade, mistura de funções e diversidade.”

Cá está a mistura funcional reforçada e intensificada, de certo modo rematando-se muitos dos inúmeros aspectos que foram dedicados à riqueza funcional e de imagens, ao micro urbanismo, à gestão local disseminada e personalizada e à própria identidade de vizinhanças e de bairros.

De certo modo pode também dizer-se que estará na massa do sangue da cidade tradicional esta sua faceta de centro de oportunidades e de pólo difusor e mesmo inovador de actividades. E para tal há que combater todos os aspectos que tenham a ver com soluções citadinas e residenciais monofuncionais e com conteúdos socioculturais e etários pouco diversificados e massificados.



Fig. 09

(XII) Sobre como sensibilizar os citadinos para as suas cidades


Defende Joyce que há que implementar todos estes objectivos/desafios na prática de trabalho, intervenção e projecto das diversas profissões ligadas à concepção da cidade, seja em perspectivas conceptuais específicas (ex., arquitectura), seja em perspectivas que privilegiem uma prática multidisciplinar (ex., arquitectura + paisagismo + engenharias).

Joyce defende algo de essencial nesta matéria que é a necessidade de se desenvolverem cursos de formação nestas áreas em currículos inovadores que desenvolvam e fundamentem uma verdadeira e aberta perspectiva multidisciplinar, sem fundamentalismos, digo eu, e sem perspectivas de dominação e de preponderância, atribuindo-se as matérias disciplinares específicas aos respectivos campos disciplinares, mas não se desistindo dos objectivos essenciais de como sensibilizar os citadinos para viverem as suas cidades e de como as qualificar para poderem ser plenamente vividas pelos seus habitantes, que, pelo seu lado, têm de ser objectivamente sensibilizados e informados sobre benefícios, direitos e deveres de uma cidadania mais efectiva e afectiva.

(XIII) Sobre as cidades como centros de excelência


“As cidades são os centros de excelência da nossa sociedade nas quais as universidades, as escolas e os centros de investigação, geralmente, estão sediados... O desafio será assegurar que isto assim se mantém … durante o período de grande mudança que se prevê.” Este é um objectivo/desafio, apontado por Joyce, talvez apenas aparentemente simples e que, sem dúvida, é de grande importância. De certa forma a cidade nasceu também devido a uma forte necessidade de formação e de troca de ideias (o que é/deveria ser a escola) e é importante que o papel da escola na sociedade possa ser reinventado e fortemente reforçado no (re)tecer das malhas da cidade.

Não é com certeza com o retirar de velhas universidades dos centros históricos que se desenvolve uma tal acção, nem se garante tal objectivo com a continuidade de standards que geram equipamentos com uma dimensão e falta de articulação urbana que resultam em situações de grave descontinuidade urbana; e sendo assim os elementos/pólos de equipamento, que deveriam gerar agregação, dinamização social e uma correspondente geração de novas actividades, acabam por ser elementos marginais da malha urbana, quando não elementos que provocam verdadeiras descontinuidades nessa mesma malha.



Fig. 10

(XIV) Sobre as cidades como pólos vitalizadores e estruturadores da sociedade


Defende Joyce que, por um lado, as cidades, através do uso optimizado de recursos e da maximização da qualidade de vida, podem funcionar como centros estruturadores de desenvolvimento de novos modelos de preservação, regeneração e gestão integrada, e que, por outro lado, e através de redes urbanas, as cidades podem estimular o desenvolvimento territorial sustentável numa crescente coesão territorial, dinamizada pela competitividade regional.
O desafio é o desenvolvimento de cidades que sejam pólos económicos, e de integração e sustentabilidade sociocultural.

E sobre esta matéria fazem-se, para já, apenas duas referências, um pouco paralelas, entre si, e relativamente ao referido desafio: a primeira sobre o importante papel ligado ao lazer que pode e deve ser cumprido pela cidade, na sua total amplitude física e de oferta muito diversificada, aspecto este que novamente nos leva para a importância das redes de acessibilidade e nestas para o papel fundamental da circulação pedonal, naturalmente em estreita relação com os outros tráfegos; e a segunda relativa à importância que tem/terá o renascer do tráfego ferroviário como meio privilegiado de ligação entre centros de cidades, afinal, entre centros de pólos de animação urbana.

Apontam-se, em seguida, algumas notas de remate a propósito da importância da diversidade e da riqueza de usos citadinos.

Ainda bem a propósito desta matéria da cidade em crise e da cidade desejável, lembra-se um artigo que saiu na imprensa diária, assinado por Inês Vilhena da Cunha e Catarina Selada (com colaboração INTELI – Inteligência em Inovação), que se intitula “repensar o ordenamento num ambiente mixed use,” e que apresenta num esquema sintético, com forma geral de “casa”, uma base ou fundação, que as autoras designam com os “pilares da cidade do conhecimento,” onde surge a qualidade de vida, a acessibilidade, a diversidade urbana, a escala urbana e a equidade social, confluindo para uma dupla base de conhecimento e económica, enquanto, mais acima, sobre uma tal fundação e no interior dessa grande casa/cidade do conhecimento, são registadas as “actividades da cidade do conhecimento,” e aqui se referem, em torno da “capacidade de organização”: a ”aplicação de conhecimento, a atracção de talentos, a criação de conhecimento e o desenvolvimento de novos clusters.”

E defendem finalmente “facilitar e estimular o desenvolvimento de uma cultura mixed use, ultrapassando a lógica monofuncional de distribuição disjunta de usos territoriais e passando a coordenar as dimensões horizontal, vertical e temporal no zonamento das funções urbanas.”

Pode-se afirmar que após o reconhecimento da importância que tem a mistura sociocultural no fazer de uma cidade eficaz, amigável e convivial, um reconhecimento, que é preciso dizê-lo não foi ainda nem de longe plenamente assumido, na sua fundamental importância, temos agora o reconhecimento da mistura ou combinação de usos diversificados no espaço e no tempo como elemento fulcral desse fazer uma cidade que vale a pena.

E nem é preciso ir muito longe para constatarmos a verdade de tais conclusões, podemos passear, por exemplo, nas diversificadas vizinhanças do Bairro de Alvalade, em Lisboa, e lembramos as respectivas misturas sociais tão bem feitas no final dos anos 40 do século passado, bem como as também tão bem feitas simultaneidades de obras e as ainda hoje bem evidentes e eficazes misturas de actividades, com grandes equipamentos culturais e escolares na continuidade urbana e com zonas de pequena indústria e de comércio claramente diversificado.



Fig. 11

Conclui-se este texto com uma ideia que tem vindo a ganhar importância, felizmente, ultimamente, que é alertar para o que parece ser uma confusão básica entre fazer cidade que, funcionalmente, aceite muitos, muitos milhares de veículos privados e uma cidade verdadeiramente amiga e motivadora das pessoas que a habitam, a fazem viver e nela encontram diversidade, interesse, vivacidade, conforto, segurança, dignidade e cultura.

E ninguém imagine que o autor destas últimas linhas é fundamentalista contra o tráfego de veículos privados na cidade intensa e central; nada disso! É sim um defensor, como tantos, de todas essas excelentes qualidades citadinas, qualidades que têm de ser servidas por uma rede funcional de acessibilidades, na qual se deverá integrar o transporte privado.

E também importa sublinhar que há muito mais no fazer uma cidade qualificada do que, “apenas”, estruturar as respectivas acessibilidades, pois ninguém quer ir a um sítio onde nada se passa, que não atrai, que não surpreende, que não agrada, que não dignifica.

Mas, infelizmente, deve-se sublinhar que, em muitos aspectos, seja em capacidade de atracção citadina verdadeiramente consistente, seja em apoios em termos de acessibilidades múltiplas, complementares e alternativas, aos – e entre os – mais diversos espaços citadinos estamos, hoje, em Portugal, frequentemente, a um nível ainda muito negativo; e sobre o que de bem feito cá, felizmente, se vai fazendo nestas matérias do habitar e da cidade continuamos a um nível incrivelmente negativo, devido à inexplicável ausência de uma adequada e intensa divulgação, uma divulgação que terá de ser muito mais ampla e profunda do que aquela que atinge meia dúzia de pessoas que, por acaso ou por motivos profissionais sabem que algo está a acontecer e que decidem pagar uma entrada, aliás, por vezes, não barata.

Dá vontade de dizer e aqui acabo estas reflexões informais, que uma tal perspectiva, julga-se que limitada, de divulgação do como fazer cidade habitada e culta tem sempre lugar, evidentemente, assim como as exposições de arte terão sempre lugar; mas o que mais precisamos, hoje, em termos do fazer melhor cidade e cidade habitada, e, complementarmente, em termos do como harmonizar cidade e campo, é de um verdadeiro desígnio nacional e um tal desígnio tanto passa pelos profissionais, como tem de passar, obrigatoriamente, por toda a gente, pelo menos temos de tentar que passe por toda a gente e não é como se tem feito que tal matéria pode vir a passar por toda a gente.

E não nos esqueçamos que o fundamental é ir fazendo pequeno, ir aprendendo com as realidades urbanas e assim ir dando carácter e vida à cidade, passo a passo, mas sem parar e sempre numa perspectiva de um conhecimento aditivo e cada vez mais divulgado e sentido como de toda a gente.

António Baptista Coelho
1ª Versão: Encarnação, Lisboa, 17/18 de Maio de 2005.
2ª Versão, reformulada e complementada, Encarnação, Lisboa, 6 de Dezembro de 2007.

Editado por José Romana Baptista Coelho em 6 de Dezembro de 2007.