quarta-feira, novembro 29, 2006

A propósito da iniciativa “Por um Território Sustentável” – reportagem de António Baptista Coelho - Infohabitar 115

 - Infohabitar 115

E a propósito de um dia de trabalho que associou um fórum de discussão à inauguração do primeiro empreendimento cooperativo de construção sustentável em Portugal, promovido pela cooperativa NORBICETA, na 2ª Fase do conjunto da Ponte da Pedra - Matosinhos


Uma iniciativa FENACHE – INH – C. M. DE MATOSINHOS
O Fórum “Por um Território Sustentável” teve lugar a 28 de Novembro de 2006 no Salão Nobre do Município de Matosinhos

Este texto serve essencialmente para acompanhar um conjunto de imagens que ilustram o que foi o dia de trabalho e de divulgação das temáticas da sustentabilidade urbana e residencial, assegurado por uma parceria entre a Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE), o Instituto Nacional de Habitação (INH) e a Câmara Municipal de Matosinhos, por ocasião da inauguração daquele que foi considerado o primeiro empreendimento cooperativo de construção sustentável em Portugal, promovido pela NORBICETA, UCRL (cooperativas Nortecoop, As Sete Bicas e Ceta), na 2ª Fase do conjunto da Ponde da Pedra em Matosinhos .


Com comentários muito reduzidos faz-se um pouco o programa ilustrado deste dia de trabalhos, abre-se o “apetite” para uma visita ao conjunto acabado e faz-se o link para o site do projecto europeu SHE, Sustainable Housing in Europe ( www.she.coop )
Finalmente, porque se julga que cada artigo deverá acrescentar sempre um pouco mais de matéria informativa/formativa, e com os devidos créditos à Newsletter 2 do projecto SHE, datada de Novembro de 2005, faz-se uma pequena resenha de citações sobre os aspectos técnicos de sustentabilidade que caracterizam cada um dos oito projectos-piloto SHE, entre os quais se integra este conjunto na Ponte da Pedra.

Lembra-se ainda que quem queira conhecer um pouco mais desta excelente iniciativa cooperativa na Ponte da Pedra pode facilmente continuar a ler o Infohabitar, pois imediatamente de seguida há um artigo pormenorizado sobre o que ela tem de inovação em termos de construção sustentável, da autoria de um dos seus principais responsáveis técnicos o Eng. José Coimbra.


Programa: sequência de temas/intervenções sob o tema, “por um Território Sustentável”:




(i) Intervenção de Guilherme Vilaverde, Presidente da Direcção da FENACHE – Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica, FCRL.

(ii) Intervenção do Eng. José Teixeira Monteiro, Presidente do Conselho Directivo do INH – Instituto Nacional de Habitação.

(iii) Intervenção do Vice-Presidente da Câmara Municipal de Matosinhos
E não seria possível deixar aqui de referir o que foi conseguido numa parceria estratégica entre as cooperativas de habitação associadas na FENACHE, o Instituto Nacional de Habitação e a Câmara Municipal de Matosinhos.
Conseguiu-se não só desenvolver um conjunto residencial onde se aplicam diversas soluções ambientalmente sustentáveis, mas também fazê-lo, ao mesmo tempo que se realizou um conjunto habitacional e urbano de habitação de interesse social, e isso, tal como foi sublinhado nestas intervenções é algo que fica para a história da habitação de interesse social portuguesa.




(iii) Intervenção intitulada “Projecto SHE (Sustainable Housing in Europe) – da Teoria à Prática”, por Alain Lusardi, Arq. Coordenador do Projecto SHE.
Foi uma intervenção que equacionou o projecto SHE no seu conjunto e nas suas potencialidade técnicas, sociais e de disseminação de uma nova forma de fazer pedaços positivos de cidade habitada; e havendo aqui lugar apenas a alguns comentários muito genéricos, confesso que entre as muitas coisas com muito interesse que Alain Lusardi referiu, gostaria aqui de sublinhar que, tal como ele disse, um dos objectivos do SHE foi procurar, ponderar e aplicar soluções de sustentabilidade verdadeiramente práticas, verdadeiramente possíveis de serem adoptadas no dia-a-dia da prática habitacional e residencial.




(iv) Intervenção intitulada “O Empreendimento da Ponte da Pedra – Por uma Cidade Sustentável”, pelo Arq. Carlos Coelho, Coordenador do Projecto do Empreendimento.
Também muito haveria aqui a referir sobre a intervenção de Carlos Coelho, mas fiquemos por algo de muito importante e que é a constatação de que muitos aspectos de verdadeira sustentabilidade urbana e residencial, associados, designadamente, à recuperação de uma zona antes ocupada por uma indústria poluente e degradada, e ao implementar de um conjunto de objectivos urbanos coesos, que visam o fazer cidade humanizada e vitalizada, estavam já premeditadamente garantidos ainda antes de se pensar aqui na Ponte da Pedra no projecto SHE, como elementos vitais a aplicar neste conjunto e que caracterizaram, logo, a 1ª fase desta Ponte da Pedra; e este é um ensinamento importante a retirar relativamente à eficácia de pequenos concursos de projecto bem enquadrados. E depois, depois foi associar estas ideias aos objectivos de sustentabilidade do SHE, ao mesmo tempo que se fez uma agradável pequena variação da imagem urbana (isto entre a 1ª e a 2ª fases).




(v) Intervenção intitulada “Novos Desafios para o Futuro das Cidades – A Perspectiva do Município”, pelo Arq. Luís Miranda, Director Municipal da Câmara Municipal de Matosinhos
Sobre esta interveção de um excelente projectista de habitação urbana, como é o caso do colega Luís Miranda, da CM de Matosinhos, nada é possível dizer, a não ser que foi exemplar, seja pelos conteúdos temáticos abordados, seja pela clareza e fluidez da apresentação, seja pelo interessantíssimo encadeamento de ideias; felizmente foi distribuído o respectivo texto integral, aliás, tal com aconteceu com as restantes intervenções técnicas.

Em seguida foi desenvolvido um longo e muito participado debate que cobriu, praticamente, todas as temáticas abordadas e que contou com a intervenção do Dr. Ricardo Bexiga, Vogal do Conselho Directivo do INH.




Pela parte da tarde seguiu-se a sessão de encerramento, com duas outras intervenções estruturantes:

do Dr. Guilherme Pinto, Presidente da Câmara Municipal de Matosinhos;


e, finalmente, do Prof. Dr. João Ferrão, Secretário de Estado do Ordenamento do Território e das Cidades

Iniciando-se a segunda parte da jornada de trabalho partiu-se para o empreendimento da PONTE DA PEDRA, em Leça do Balio, Matosinhos e procedeu-se à visita e à inauguração deste conjunto da PONTE DA PEDRA (2ª fase), o Primeiro Empreendimento Cooperativo de Construção Sustentável em Portugal, promovido pela NORBICETA, UCRL.

Sobre este empreendimento “as imagens falam” um pouco, mas recomenda-se uma visita; e vamos deixar as imagens da Ponte da Pedra falar enquanto, em seguida, e com os devidos créditos à Newsletter 2 do projecto SHE, datada de Novembro de 2005, se fazem, desta mesma Newsletter, citações dos aspectos técnicos de sustentabilidade que caracterizam cada um dos oito projectos-piloto SHE, entre os quais se integra este conjunto na Ponte da Pedra.

Consórcio Cooperativo - CCICASA, Teramo, Projecto Teramo, 60 eco – residências:sistemas solares activos (fotovoltaico e térmico);
- alvenaria com elevada inércia e alto isolamento térmico;
- isolamento acústico;
- uso de materiais naturais e não-tóxicos;
- redução de campos eléctricos e electromagnéticos;
- ventilação natural nocturna;
- aquecimento central radiante com caldeira de elevada eficiência;
- reutilização e reciclagem de água;
- iluminação com reduzido consumo de energia.



Consórcio Cooperativo-COIPES, Veneza., Projecto Preganziol , 70 eco – residências:
orientação dos edifícios;
- sistemas solares activos (fotovoltaico e térmico);
- refrigeração centralizada também com energia geotérmica e sistemas radiantes a baixa temperatura;
- optimização de fluxos de energia com o ambiente por concepção arquitectónica (arq. bioclimática);
- isolamento acústico;
- ausência de viaturas em espaços comuns; vias pedonais e vias para bicicletas distintas e uso de terra compactada em vez de asfalto nos pavimentos para circulação de viaturas;
- reciclagem de água e filtro de depuração de água não potável;
- redireccionamento e utilização de um pequeno curso de água para arrefecimento interior no Verão.






Consórcio Cooperativo - COPALC, Bolonha, Projecto Ozzano, 12 eco – residências:- sistemas solares activos (fotovoltaico e térmico);
- alvenaria com elevada inércia e alto isolamento térmico;
isolamento acústico;
- uso de materiais naturais e não-tóxicos;
- redução de campos eléctricos e electromagnéticos;
- ventilação natural e ventilação nocturna;
- aquecimento central radiante com caldeira de elevada eficiência;
- reutilização e reciclagem de água;
- iluminação com reduzido consumo de energia;
- protecção solar muito eficaz;
- contadores de consumo de energia térmica em cada habitação.



Organização de Habitação Social – RINGGAARDEN, Aarhus, Projecto Aarhus, 130 eco-residências:- objectivo energético: consumo inferior a 30kw/m2/ano;
- condições de iluminação natural optimizadas sem problemas de sobreaquecimento;
- varanda interior como zona térmica tampão;
- sistema de armazenamento térmico (material de mudança de fase);
- ventilação natural intensificada com torres de vento;
- materiais renováveis e ambientalmente optimizados;
- utilização de todos os sistemas conhecidos para poupança de água.



Consórcio Cooperativo - COPES, Pesaro, Projecto Villa Fastiggi, 130 eco-residências:

- apoio ao desenvolvimento da nova legislação local sobre arquitectura bioclimática;
- vias pedonais e vias para bicicletas independentes;
- melhoramento das ligações entre vias interiores e exteriores;
- isolamento acústico do edifício e da zona habitacional;
- redução dos campos electromagnéticos;
- gestão do ciclo da água à escala da chuva e da redução de níveis de consumo doméstico;
- controlo do impacto solar: ganhos solares no Inverno e estratégias passivas de arrefecimento para o Verão, dispositivos de sombreamento, ventilação natural, elevada inércia térmica e bom isolamento térmico;
- novo parque urbano que respeita as características da zona envolvente e as hortas familiares;
- evitar níveis de iluminação exterior excessivos e melhorar a iluminação natural no interior dos edifícios;
- sistemas centralizados de aquecimento a baixa temperatura com caldeiras de alta eficiência e com apoio de colectores solares térmicos.






Consórcio Cooperativo-CONSEDI, Brescia, Projecto Mazzano 40 eco – residências:
- sistemas solares activos (fotovoltaico e térmico);
- alvenaria com elevada inércia e alto isolamento térmico;
- isolamento acústico;
- uso de materiais naturais e não-tóxicos;
- redução de campos eléctricos e electromagnéticos;
- aquecimento central radiante com caldeira de elevada eficiência;
reutilização e reciclagem de água;
- iluminação com reduzido consumo de energia.






Consórcio de Cooperativas – NORBICETA, Porto, Matosinhos, 101 eco-residências:- sistemas solares térmicos activos;
- alvenaria com elevada inércia térmica;
- uso de materiais naturais e não-tóxicos;
- tratamento optimizado da envolvente para minimizar pontes térmicas;
isolamento acústico;
- reutilização e reciclagem de água;
- controlo de resíduos resultantes da construção e processo de recolha selectiva;
- sistemas de poupança de água: dupla descarga de 3/6 litros, redutor de fluxo e colector de água da chuva na cobertura e nos jardins;
- gestão de resíduos com dispositivos de recolha selectiva de lixo produzido prelos habitantes;
- renovação do ar interior por extracção centralizada controlada.
iluminação com reduzido consumo de energia.



Organização de Habitação Social - OPAC38, Grenoble, Projecto Bourgoin-Jallieu, 61 eco-residências:
- relação harmoniosa entre o edifício e a envolvente;
- controlo de resíduos resultantes da construção e processo de recolha selectiva;
- alvenaria com forte inércia térmica, uso de tijolo de argila;
- criação de “estufas” dentro da habitação para captação de energia solar passiva;
- 60m2 de painéis solares térmicos e 20m2 de painéis fotovoltaicos;
- água quente fornecida por sistema centralizado a gás natural;
- ventilação de exaustão controlada;
- sistemas de poupança de energia para área públicas e privadas;
- sistemas de poupança de água: dupla descarga de 3/6 litros, redutor de fluxo e colector de água da chuva na cobertura;
- gestão central de reparação e manutenção;
- gestão de resíduos com dispositivos de recolha selectiva de lixo produzido pelos habitantes;
- conforto visual: iluminação natural em habitações e áreas comuns.

Relembra-se que estes textos-resumo, com citações dos aspectos técnicos de sustentabilidade que caracterizam cada um dos oito projectos-piloto SHE, foram retirados da Newsletter 2 do projecto SHE, de Novembro de 2005.




Os comentários finais e ponderados sobre esta jornada e sobre o interesse deste caminho residencial e urbano cooperativo marcado pela sustentabilidade e pelo controlo de qualidade e de custos, terão de ficar para um outro artigo, que já aqui se promete; fica a soberba beleza da imagem da arte e da arquitectura ligadas, também uma marca evidente de sustentabilidade social e cultural.

Lisboa e Encarnação/Olivais-Norte, 29 de Novembro de 2006

António Baptista Coelho

quinta-feira, novembro 23, 2006

Ponte da Pedra 2ª Fase: o primeiro empreendimento cooperativo de construção sustentável em Portugal – artigo de José Coimbra - Infohabitar 114

 - Infohabitar 114

( sustentabilidade , cooperativas , habitação , ambiente , inovação , habitação social, Sustainable Housing in Europe , SHE , Matosinhos , Ponte da Pedra )




NORBICETA – União de Cooperativas de Habitação, UCRL

Ponte da Pedra 2ª Fase: o primeiro empreendimento cooperativo de construção sustentável em Portugal


O Projecto de Ponte da Pedra surgiu de um concurso de ideias, o que é, logo à partida, um bom indicador de qualidade arquitectónica e residencial das intervenções habitacionais de Ponte da Pedra. Entre o desenvolvimento da ideia urbana e residencial (Setembro de 1998) e a conclusão da Obra (Maio de 2004) contaram-se 6 anos, um período de cruzeiro.

A construção do Empreendimento substituiu uma indústria de curtumes deteriorada, valorizando o local de implantação, na medida em que, para além da operação habitacional, se procedeu a uma acção de regeneração ambiental e urbana.

A primeira fase do Empreendimento conta com 6 Blocos que contemplam 150 habitações, um equipamento educativo e cultural a norte do novo arruamento e um equipamento desportivo a meio da área habitacional.

A segunda fase do Empreendimento, constituída por 2 blocos (Bloco 7 e Bloco 8 – 101 habitações, tipologia T2 e T3), prevê ainda a criação de um equipamento infantil, parque público e espelho de água, com zonas ajardinadas e vias pedonais em todo o Empreendimento.

O conjunto residencial proporciona a criação de núcleos de vizinhança, espaços de lazer e convívio, estabelecendo simultaneamente uma adequada e valorativa ligação com o meio envolvente.

Desde o Presidente da União de Cooperativas, passando pelo arquitecto responsável pelo Projecto, Arq.º Carlos Coelho, e pelo Director Técnico da Obra, até à empresa construtora, todos estes agentes têm sido peças principais no desenvolvimento e sucesso desta iniciativa pioneira em Portugal que tem contado ainda com o apoio académico do Prof. Eduardo Maldonado, da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e da Prof. Manuela Almeida, da Universidade do Minho.




Esta segunda fase representa a participação portuguesa no Projecto SHE - Sustainable Housing in Europe - e surge na sequência da candidatura da nossa 2ª fase a esse Projecto.
O Projecto SHE conta com a participação de várias instituições de 4 países europeus – Itália, Dinamarca, França e Portugal, e visa demonstrar a viabilidade real da habitação sustentável do ponto de vista económico, ambiental, social e cultural, utilizando, para tal, construções cooperativas europeias como projectos piloto de disseminação de um novo modelo construtivo que se quer ver adoptado em construções futuras.

A 2ª Fase, com início em Fevereiro de 2005, deverá estar concluída no 2º Semestre de 2006 e é um Empreendimento de 9.216.160,00 €, co-financiado pelo Projecto SHE e com apoio institucional da FENACHE (Federação das Cooperativas de Habitação Económica, F.C.R.L.) e da FEUP (Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto).




Esta 2ª Fase mantém as características construtivas da 1ª fase, com acompanhamento técnico da construção por entidade externa e consequente emissão de Apólice de Seguro Decenal (que protege a habitação contra eventuais defeitos de estrutura que surjam durante o período de 10 anos), controlo de higiene, segurança e saúde no estaleiro por entidade externa certificada, fiscalização da construção dirigida por um Engenheiro da NORBICETA no local e orientada pela Direcção Técnica da Cooperativa e cujo modelo de gestão do empreendimento obedece às normas NP EN ISO 9001:2000, uma vez que o Sistema de Gestão da Qualidade implementado numa das Cooperativas que constituem a União (CHE As Sete Bicas, C.R.L.) foi estendido à União.

À excepção destes indicadores temos um conjunto de características na 2ª fase do Empreendimento que marcam realmente a diferença e que lhe permitem atribuir o título de 1º Empreendimento Cooperativo de Construção Sustentável em Portugal, não deixando, contudo, de ser uma construção cooperativa a custos controlados aprovada e subsidiada pelo Instituto Nacional da Habitação (INH). Trata-se, obviamente, das normas de sustentabilidade na Habitação, de acordo com o Projecto SHE e que se organizam nos seguintes âmbitos de intervenção:

I – Envolvimento dos vários intervenientesO envolvimento dos vários intervenientes nas diversas fases de desenvolvimento do Empreendimento, nomeadamente as autoridades locais, a União de Cooperativas de Habitação, o Empreiteiro, o Projectista, Técnicos, Moradores e futuros utilizadores, cumprindo o objectivo de coesão social, através da participação activa desses intervenientes numa Estratégia Integrada de Desenvolvimento Sustentável:

(i) Reuniões semanais com representantes do Projecto, da empresa construtora e da Cooperativa de Habitação;

(ii) Sessões abertas de apresentação e discussão do Projecto do Empreendimento;

(iii) Dossiers de Apoio aos principais momentos de disseminação e acompanhamento do Empreendimento;

(iv) Manual do Cooperador Proprietário de Uso e Manutenção do Imóvel;

(v) Edição de um Boletim trimestral que actualiza os desenvolvimentos da actividade da Cooperativa promotora.

II – Integração do Empreendimento
A integração do Empreendimento no local de implantação de forma valorativa, respeitando as condicionantes de ordenamento do território e os ecossistemas existentes, promovendo a biodiversidade. O Conjunto Habitacional de Ponte da Pedra revela importantes indicadores a este nível, tendo em conta que substitui uma área degradada por uma importante iniciativa de construção e regeneração, que respeita a orientação solar, aproveita a linha de água existente no local e cuja proximidade a transportes públicos desincentiva a utilização de transporte próprio, diminuindo assim, potencialmente, o impacte da mobilidade dos moradores.



III – Selecção de materiais de construção do Edifício
A selecção de materiais de construção do Edifício que respeitam e protegem o meio ambiente, seja pela sua reduzida intensidade, proveniência de fontes locais e reduzida necessidade de manutenção, seja pelo facto de serem duráveis, reciclados, recicláveis ou reutilizáveis. O nosso Empreendimento apostou na escolha prioritária de materiais produzidos regional ou nacionalmente e com reduzido ou quase nula necessidade de manutenção (como é o caso do tijolo de fachada), dado o atraso claro do nosso país relativamente à utilização de materiais com rótulo ecológico ou com análise do ciclo de vida;


IV – Respeito pelo ciclo de água existente e redução/racionalização do consumo de água potável
O respeito pelo ciclo de água existente e a redução / racionalização do consumo de água potável, através da utilização de tecnologias e equipamentos que permitam poupar água e através da redução da perda de água infiltrada:




(i) Chuveiros com válvulas termostáticas para controlo de temperatura;

(ii) Rega de jardins mediante sensor de humidade;

(iii) Utilização da água nas sanitas dos fogos com fluxo normal (6 litros) e fluxo reduzido (3 litros);




(iv) Construção de uma cisterna subterrânea de recuperação e armazenamento de águas pluviais para abastecimento das sanitas dos fogos e para assegurar a rega da totalidade dos jardins da urbanização.
V - Gestão adequada de resíduos nas fases de construção e operaçãoA gestão adequada de resíduos nas fases de construção e operação, reduzindo, separando e reutilizando os resíduos:

(i) Contentores para separação e recolha de lixos durante a construção, com o apoio dos serviços urbanos;



(ii) Criação de eco pontos exteriores de separação de resíduos durante o período de operação para reciclagem posterior;




(iii) Colocação de baldes de lixo diferenciado no interior de cada habitação.
VI – Construção de um edifício energicamente eficienteA construção de um edifício energicamente eficiente, actuando, para tal, a vários níveis: a maximização do potencial solar passivo (orientação do edifício), a minimização dos consumos, o uso de tecnologias de energia renovável, a instalação de equipamentos energicamente eficientes, a selecção de materiais e equipamentos com reduzido nível de energia incorporada e a informação aos utilizadores sobre as melhores práticas de redução das necessidades energéticas (através do Manual do Cooperador Proprietário com informações de relevo sobre a utilização e manutenção do Imóvel). Serão implementadas soluções construtivas que assegurem a limitação das necessidades de aquecimento, das necessidades de arrefecimento e das necessidades de energia para aquecimento de águas sanitárias com vista à certificação energética do Edifício:

(i) Estudo de orientação solar do Edifício, aproveitando o potencial solar passivo e limitando as necessidades de aquecimento das habitações;

(ii) Desenvolvimento de sistemas de isolamento térmico da envolvente que elimine totalmente as pontes térmicas e que considere um k=0.35 para elementos da envolvente em contacto com o exterior;



(iii) Reforço dos isolamentos térmicos de acordo com o novo RCCTE;






(iv) Instalação de painéis solares na cobertura do Edifício, aproveitando uma fonte de energia renovável para aquecimento de águas sanitárias, utilizando aparelhos de queima individuais para completar o aquecimento das águas em caso de sobreutilização do sistema, minimizando assim o recurso a outras fontes de energia como o gás natural ou a electricidade;




(v) Utilização de lâmpadas e sistemas electrónicos de baixo consumo em todas as zonas comuns, sendo accionadas por células solares no exterior;




(vi) Instalação de detectores de movimento em compartimentos principais, escadas e corredores;

(vii) Adopção de técnicas de ventilação transversal nas habitações, sendo preferencialmente ventilação natural como importante factor de conforto ambiental com vista a limitar as necessidades de arrefecimento;

(viii) Produção de uma construção com eficiência energética classe A.

VII – Gestão da iluminação natural
A gestão da iluminação natural, respeitando as especificações legais quanto aos níveis de iluminação natural e artificial a assegurar, executando uma articulação eficiente entre ambas e garantindo uma percentagem elevada dos espaços com iluminação natural:

(i) O Empreendimento respeita as especificações legais quanto aos níveis de iluminação a assegurar dentro das habitações;

(ii) No caso da iluminação artificial, utilizam-se equipamentos e dispositivos que asseguram a poupança energética (tal como o exposto no capítulo de Gestão Energética).
VIII – O conforto acústico do EdifícioO conforto acústico do Edifício, controlando eficazmente o ruído no interior do edifício e do exterior para o interior do edifício:

(i) Plantação de uma cortina arbórea na envolvente do Edifício que funciona como barreira à propagação de ruído de fonte exterior – em estudo;

(ii) Introdução de isolamentos nos elementos construtivos horizontais e verticais do Edifício, entre fogos e entre estes e zonas comuns.










IX – Monitorização energética, ambiental, social e económica do EdifícioA monitorização energética, ambiental, social e económica do Edifício, que decorrerá durante um ano após a ocupação das habitações e que permitirá avaliar o desempenho do edifício de construção sustentável. Nesta fase será possível apurar o benefício social de uma Construção Sustentável, essencial para motivar o surgimento de incentivos financeiros provenientes de autoridades locais, regionais e/ou nacionais que estimulem as práticas de construção sustentável.

As vantagens deste tipo de construção são óbvias a vários níveis, de tal forma que os futuros empreendimentos cooperativos levados a cabo pela NORBICETA continuarão a respeitar e a considerar todos os princípios aprendidos com a nossa participação no Projecto SHE e os resultados do desempenho do Empreendimento da 2ª fase certamente que serão motivadores e encorajadores.

As principais dificuldades de concretização dos princípios do Projecto SHE prendem-se com dois factores principais: o défice cultural da sociedade relativamente à importância prioritária dos conceitos de sustentabilidade ambiental e o desafio de gestão que a construção sustentável exige para evitar custos excessivos.

Muitas têm sido as iniciativas de disseminação levadas a cabo para desmistificar o conceito de habitação sustentável, envolvendo e convencendo todos aqueles que têm tido contacto com esta nova realidade construtiva. As mais diversas entidades nacionais (Ordem dos Engenheiros, Instituto Nacional de Habitação, Municípios locais, Laboratório Nacional de Engenharia Civil, Euro Info Center Algarve) e internacionais (Centre for Renewable Energy Sources, International Society of Indoor Air Quality and Climate, República Popular de Angola, entre outros) têm solicitado apresentação do nosso exemplo pioneiro, ao que temos respondido com toda a prontidão.

E os resultados já estão aí. Apenas três exemplos: os regulamentos da Urbanização e Edificação do Concelho de Matosinhos de 2005 já revelam claramente preocupações com os vários conceitos e princípios introduzidos (importante factor de sucesso na promoção de empreendimentos sustentáveis); a FENACHE já procedeu também à adopção da Carta da Qualidade da Habitação Cooperativa que assume claramente os princípios da sustentabilidade da construção como itens que distinguem a Habitação de Qualidade; o presidente do Instituto Nacional de Habitação, José Teixeira Monteiro, reconheceu, numa recente entrevista dada à Imprensa, que as prioridades de actuação do momento são a reabilitação e a habitação sustentável, sendo que esta última resultará na criação de incentivos, devidamente legislados, que estimulem esta prática construtiva.

X - Ficha técnica

Ficha técnica da segunda fase do conjunto da Ponte da Pedra, em Matosinhos:
Intervenientes:
Promotor: NORBICETA – União de Cooperativas de Habitação, U.C.R.L. (Nortecoope, As Sete Bicas, Seta).
Projecto: Carlos Coelho – Consultores, Lda.
Controlo Técnico: CPV, Controle e Prevenção de Riscos, S.A.
Construção: J. GOMES Sociedade de Construções do Cávado, S.A.
Coordenação de Higiene, Segurança e Saúde: SOPSEC Sociedade de Prestação de Serviços de Engenharia Civil, Lda.
Financiamento da Construção: Instituto Nacional de Habitação – INH
Projecto – piloto comunitário, subsidiado e apoiado pelo Projecto SHE, Sustainable Housing in Europe
Dados gerais:Área de implantação: 3105 m2
Área bruta de construção: 14.852,40 m2 (101 fogos)
O Eng. José Coimbra, que hoje, pela segunda vez, aqui assina um excelente artigo tem, entre outras funções, importantes responsabilidades técnicas na Cooperativa de Habitação As Sete Bicas e na Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE) e foi um dos elementos-chave no incentivo e no levar à prática de uma pioneira intervenção de habitação de interesse social ambientalmente sustentável, assegurada pela promoção cooperativa e apoiada pelo Instituto Nacional de Habitação; um exemplo que, sem dúvida, ajudará a marcar um novo e essencial caminho na promoção habitacional em Portugal.

José Coimbra é licenciado em Engenharia Civil pela FEU, pós-graduado em Gestão Imobiliária, pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto e docente contratado da Universidade Fernando Pessoa. É Director Técnico da Cooperativa de Habitação Económica As Sete Bicas, bem como das Uniões dirigidas por esta, é gestor e responsável nacional do projecto-piloto europeu SHE “Sustainable Housing in Europe” tendo sido o responsável técnico pela implementação deste projecto na 2ª Fase do empreendimento habitacional de Ponte da Pedra, foi ainda coordenador técnico da “Carta da Qualidade da Habitação Cooperativa”, conjunto de normas, voluntariamente adoptadas pela FENACHE, que pretendem incrementar a qualidade e a sustentabilidade da construção de habitação.


Nota-se, finalmente, que este artigo do Infohabitar sai nas vésperas da inauguração desta 2.ª Fase da Ponte da Pedra, e como não se devem dar os parabéns antecipadamente e se conta poder dá-los com alguns fortes abraços no próximo dia 28 de Novembro de 2006, em Matosinhos; manda-se daqui da edição do Infohabitar, desde já, uma mensagem de muito apreço e de muita amizade para os amigos Guilherme Vilaverde, Carlos Coelho e José Coimbra, para o trabalho da Câmara Municipal de Matosinhos e para a dinâmica do Instituto Nacional de Habitação, a propósito de mais esta pioneira e excelente realização habitacional e técnica; e deseja-se que ela seja a primeira de uma série de bem fundamentadas realizações habitacionais cooperativas, que para além de serem amigas dos habitantes, como sempre foram as iniciativas cooperativas ligadas à Fenache, sejam também assumidamente amigas da cidade e do ambiente.

António Baptista Coelho e edição do Infohabitar

quinta-feira, novembro 16, 2006

Cidade relógio de horas, artigo de Maria Celeste Ramos - Infohabitar 113

 - Infohabitar 113

Cidade relógio de horas

Artigo de Maria Celeste Ramos
Imagens de A. B. Coelho

Calendários, tantos que o mundo teve durante milénios como o calendário Maia que se baseava em ciclos de 26 mil anos e em que estará dentro em pouco a acabar mais um, ou Egípcio, para "dividir" o tempo marcado pelos ritmos cósmicos e as estações do ano, estas porém diferentes em latitude e longitude, mas igualmente marcadas havendo ainda em vigor o Calendário Chinês (calendário lunar) e o Calendário Cristão (calendário solar) do mundo ocidental e do resto do mundo.

Esta ansiedade milenar conduziu o homem à edificação de construções tão fantásticas que tornaram os locais míticos, tendo sido erigido no nosso mundo ocidental um dos mais extraordinários como Stonehenge, para "medir equinócios e solstícios" com exactidão e tornado local sagrado, bem como outros construídos para determinar a exactidão das fases da Lua como certos monumentos Aztecas de que restam ruínas da sua evidência, para além dos monumentos Maia como a Pirâmide do Sol e a Pirâmide da Lua no México, local de fascínio nos arredores de Mexico City e de intenso turismo internacional.

Tempo, cuja noção mais próxima e objectiva nos é dada pelo dia que nasce com o Sol que vem de leste e que se detém cor de oiro e sem sombras quando a pino, que depois cai por detrás da montanha ou mergulha no mar lá para ocidente em espasmos de luz, marcando o nosso ritmo interior e exterior mais importante de viver, estudar, trabalhar, brincar e descansar, fazendo o que somos, sendo parte da perpetuação de toda a vida que também transmigramos através da formação do grupo familiar.



Tempo primordial e também Bíblico, marcado pelo Sol e pela Lua, igualmente anunciado pela estrela da manhã matutina, a mesma estrela da tarde, vespertina, como se fora mais um relógio.

Tempos de Lua de nascermos, tempo de marés e sementeiras, tempos de Sol de amadurecer e crescer de consciência mais desperta.

Tempos de Lua e de silêncios, tempos de Sol e de risos.

De noche, el oro
es plata
Plata muda el silencio
de oro de mi alma


(Prémio Nobel-Juan Ramón Jimenez-Antologia poética-ed.1970)

Tempo definido por Einstein em termos relacionais por e=mvt – em que o espaço percorrido é função da massa do corpo que se desloca, a velocidade e o tempo de deslocação que, se calhar, não existindo para o universo, tem de ser tornado pragmático para os homens para que possam, melhor, entender o TEMPO que por nós passa e nos vai fazendo descobrir os espaços e a vida que levamos, por mais misterioso que seja olhar uma estrela, e saber, que o que o que o nosso olhar detecta tão depressa está a milhões de anos-LUZ de distância, como se fosse semelhante ao olhar cá em baixo o tempo de atravessar uma rua e tal que se por outro lado o planeta Neptuno é impossível de enxergar a olho nu, pode no entanto com a maior naturalidade ser olhado num simples atlas.

Evolução imparável a do homem perguntar e perguntar-se e, depois, como se tivesse sido óbvio e simples, dividir o globo terrestre com risquinhos imaginários horizontais, as latitudes, e em 12 risquinhos curvilíneos como gomos de uma laranja, as longitudes (fusos horários), para que nos pudéssemos situar no nosso planeta e poder viajar para a cidade no local certo no tempo pré-determinado que se tornou tão rotineiro que já não se lhe dá valor nem sabe a origem.

A encantatória Volta ao Mundo em 80 dias de Júlio Verne que todos lemos em meninos, passou da ficção para uma verdade concretizada e realizável em menos de 24 horas exactamente no ano de 2005, com mais uma maravilha construída pelo homem, em que espaço e tempo continuam a interligar-se, fique-se ou não com a cabeça azamboada ao mudar de longitude e contrariar o percurso natural do Sol a que estamos sujeitos e habituados quotidianamente e preparados geneticamente, como estão, igualmente, todas as plantas e animais e mesmo as FLORES.

Como se o macro e o micro com que vivemos conjuntamente sem sequer nos apercebermos, pudesse sempre ser resumido por poder ser medido através desse último e magnífico objecto que usamos para não nos atrasarmos para o que temos de fazer em cada dia incluindo lançar um satélite espacial.

Relógio sideral – Relógio de Sol – relógio de Água – relógio "suíço."

Cidade-Relógio-de-Horas é o espaço físico onde todos podemos ter consciência do tempo, não apenas através dos monumentos que contam a história da história e da arte dos homens da cidade reavivando a MEMÓRIA e os saberes nela contidos e aprendidos para nos orientarmos no tempo e no espaço, mas que tem também outros relógios de horas da natureza dos outros seres vivos, e de rigor cósmico, de que não nos damos bem conta e até alguns homens desprezam, porque hoje só há "time is money."

A natureza viva dentro da cidade permite manter a vitalidade física e psíquica e espiritual, não apenas por haver flores e frutos, cor e perfumes e magia, diferenciando-se nas quatro estações do ano, mas porque é também memória dos nossos sentidos e memória celular que, mesmo sem sabermos, nos ligam à vida do céu e da terra com seu relógio do Sol e da Lua.

A cidade não é apenas o espaço físico do viver em que se é obrigado a olhar o palacete Bragança que apesar de belo abrigou a PIDE, falando assim do mal que homens infligiram a outros em passado ainda recente e que lamentavelmente está previsto ser abatido para dar lugar a mais um betão, apagando história e memória, ou o marco que assinala o assassínio dos Távora que igualmente reaviva consciência ao olhá-lo, como não é também só o reavivar da grandeza como a da Torre de Belém ou da luminosa Basílica da Estrela, porque nem só do tempo-pedras vive a cidade edificada.

Ela contém ainda elementos de suporte de outro tipo de memória, ainda mais rigorosos, mas tão escondidos que nos passam ao lado e, talvez por isso, os "construtores da cidade não lhe dêem tanta importância", e referimo-nos aos ritmos biológicos da natureza manifestadas na fauna mas sobretudo na flora, cuja reprodução e formas de vida, e por espécie, obedecem ao rigor do tempo sideral, natureza parcamente representada dentro da cidade e assim despojando os habitantes da observação e ligação quotidiana com a vida global e os seus ciclos diferenciados e específicos.

Como se o essencial nos passasse despercebido por ter perdido importância e se pudesse justificar ter vida cada vez mais superficial e artificial e, sobretudo, a correr – porque o "relógio não pára."


Cidade não é apenas Livro de história das coisas e do homem, mas também livro de todas as memórias manifestadas em 24 horas de todos os dias do ano e de todos os anos, que determinam comportamentos na fauna e na flora e também nos homens, mas cuja inteligência evolutiva se tornou separatista dos fenómenos iniciais que seria bom fazer redespertar na cidade como acto de revitalização da qualidade do habitar e de se ser mais saudável e mais consciente dos seus direitos e deveres de cidadania.

Ao nascer do Sol a cidade levanta-se com os homens que vão à sua vida, mas mais madrugadores são os pássaros que sabem que a sua vida começa com os primeiros raios de sol, recolhendo sempre também ao mesmo lugar de acordo com a hora certa do pôr-do-sol, da mesma forma que em tempo de migrações há um momento exacto para todos os animais, em cada lugar do planeta, para a iniciarem, sob pena de não sobreviverem, pois que irão a caminho ou da época de hibernação ou da reprodução da sua espécie como as andorinhas que aqui chegam na Primavera, mesmo fria, anunciando-a.

Também foi estudado o comportamento das cigarras numa cidade dos USA, cujo nome me escapa, que há alguns anos por elas foi invadida em quantidades invulgares, ficando-se a saber que os ovos são postos em árvore velha da qual se alimentam durante o seu estado larvar que dura 17 anos passando todas à mesma hora ao estado de crisálida.

Igualmente os caranguejos que se vêem na maré baixa e que correm para se enterrarem no areal à procura de alimento duas vezes por dia, sabem que não tardará a maré-alta para os proteger, calendário lunar cujo ciclo nas suas quatro fases marca ritmos maiores.

E se um cãozinho tem 250 mil vezes mais olfacto do que o homem e por isso é aproveitado para prestar tantos serviços que por sua vez fazem desenvolver a sua inteligência, também o usa para encontrar o dono que o abandonou, sendo igualmente um dos primeiros animais a sentir ondas sísmicas como se de verdadeiro sismógrafo natural se tratasse, bem como o elefante ou o golfinho "ouvem", a quilómetros de distância, sons de frequência impossíveis de detectar pelo homem sendo verdadeiros sonares naturais.

Os relógios da natureza da vida no reino animal, fora e dentro da cidade, foram esquecidos pelo homem urbano que deles se afasta cada vez mais e que até já esqueceu, também porque os seus alimentos já não são nem cultivados nem comercializados de acordo com o ritmo das estações e derivados das sementeiras de Primavera e de Outono porque a indústria do frio "guarda" os produtos para mais tarde os vender muito mais onerosos, para além de serem cultivados em regime de "forçagem" em estufa utilizando-se excesso de hormonas de crescimento e de adubos químicos, que lhe retiram toda a qualidade original na forma e cor, perfumes e sabores que os cidadãos mais jovens nem sequer alguma vez conheceram, mas que "constam" da memória dos seus sentidos – por isso renasce novo movimento de agricultura biológica, ainda tão incipiente, porque a SAÚDE humana está em grande risco.

Ao que se acresce a diminuição de espécies da fauna cinegética porque é utilizada, mesmo em anos de ser dizimada pelo fogo e outras catástrofes, para o simples prazer do desporto evitando e atrasando "repovoamento", como se fosse necessário insistir a dizer que serve para regular as populações, como se a natureza não soubesse regular-se a si própria, se lhe for permitido e, para tanto, lembro aqui o bom exemplo de projecto da responsabilidade da CM de Vila Nova de Paiva (2005) feito de acordo com os caçadores, que pararam de caçar um ano inteiro para que todas as espécies autóctones e migratórias se desenvolvessem, ao que a natureza deu resposta imediata e quase inesperada, sendo que é a partir deste novo equilíbrio, recuperado, que a caça passa a ser possível com regras a cumprir por quem gosta ou precisa de caçar como suplemento alimentar.

Santarém, cidade de origem celta e considerada capital do gótico é, igualmente, uma vez por ano no verão, a capital da gastronomia tradicional portuguesa na grande feira anual de agricultura para guardar a qualidade e a tradição de um dos patrimónios mais ricos do país que gera grandes movimentos turísticos.

Também aldeias e cidades que não querem morrer, festejam, com o ritmo das estações os produtos naturais da região, de que é exemplo o festival do chocolate (Óbidos), o festival dos fumeiros (Trás-os-Montes) ou o festival da castanha (e do vinho novo), manifestação de iniciativa rural que arrasta consigo o reavivar dos artefactos e artesanato e da música, dos cantares e dançares do campo e que provoca grandes movimentos turísticos do homem urbano nacional e mesmo de outros lugares da Europa. Quanto à fauna cinegética criada em áreas de caça turística, tipo aviário, também não se sabe que consequências terá na saúde de quem procura restaurante na cidade em que vive.

Como se todos os alimentos não tivessem maior qualidade se continuassem a ser produzidos com os ritmos "anteriores", independentemente da ajuda que pode resultar de novos instrumentos para tornar o trabalho menos penoso e adquirir maior rendibilidade.

O mesmo se passa com as plantas relativamente aos seus ciclos, sobretudo as flores, abrindo umas pelos primeiros raios de sol, outras só ao meio-dia e, outras ainda, abrem as suas pétalas logo que a luz do sol desaparece, permitindo assim que haja a imensa variedade de insectos que as visitam para lhe colher o néctar para seu alimento, dando em troca o trabalho de polinização de mais flores.

Será que os ritmos humanos e a qualidade da saúde não serão afectados pela artificialização de tantos actos naturais que deixaram de o ser? Para além da corrida pela cidade poluída e engarrafada, o trabalho diário de muitas horas de luz artificial feito sempre sentado ou sempre de pé, com utilização de máquinas ruidosas ou outras não menos danosas como o computador, sendo que as crianças desde a idade em que saem para os colégios entram neste ritmo infernal a que a cidade obriga e não há como mudar, excepto mudando para aglomerados mais pequenos onde o ritmo de vida é mais próximo do ritmo biológico do homem, independentemente de se poder ter mais dias de férias.

Já se sabe que sim, que há doenças novas na cidade que se designou genericamente stress, como há novas debilidades biológicas e psíquicas nos habitantes devido à crescente falta de qualidade do ambiente porque os ritmos naturais humanos foram forçados.

O produtivismo que contaminou não só os bens alimentares mas todo o tipo de necessidade diária de bens essenciais não teria levado a que transvazasse para o produtivismo habitacional com maior afastamento do que é "natural"? Já que sempre a construção tanto de monumentos como de habitação sempre foi ecológica? Ou pelo menos havia uma varanda ou um parapeito na janela para ter um vaso de flores.

As matas ou jardins que a cidade com tanta facilidade destrói são os espaços em que durante 24 horas tudo o que é vivo se comporta durante o período solar e/ou lunar com a mesma exactidão e tal que, de dia, os comportamentos dos seres viventes e perfumes, e sons de comunicação são ciclicamente diferentes de dia e de noite.

Ao visitar-se um jardim durante o dia colhe-se informação muito diferente da que se pode colher à noite pois que mesmo descansando há agitação de vida sobretudo das espécies da fauna, da mesma forma que o homem, ao dormir, tem também diferentes tempos e fases de profundidade de sono, sem os quais o seu equilíbrio total não é readquirido, sendo o relógio humano o do Sol e da Lua como de todas as coisas vivas.

Que importante se torna assim que a cidade, ao expandir-se para o campo, não destrua "nichos de natureza" que não só contribuiriam para que água e clima fossem respeitados, mas também todas estas memórias que contêm e fazem falta ao homem, senão não se assistiria à "debandada da cidade em fim-de-semana" para a procura da natureza, o que não é acessível à maioria dos habitantes urbanos e como as cidades são cada vez mais extensas, há que abrigar nela, também, a natureza selvagem.


A esta situação acrescentar-se-ia a dimensão subtil da beleza da natureza que também faz parte da memória dos sentidos e, as cidades, estando a tornar-se mal arrumadas e feias, de materiais e cores artificiais e deslocadas do espírito do lugar, acrescido a tudo de mais artificial que se usa para lavar o chão e a roupa, o próprio vestuário sintético bem como os alimentos transgénicos ou de cultura intensiva, fazem aumentar o deficit de natureza que está, relativamente ao que existe e é feito, a fechar um ciclo de todo o tipo de poluição, seja do solo e do ar e água, até porque também os lixos industriais mesmo altamente tóxicos, ou escórias de minas mal cuidadas, são lançados aos "espaços despovoados" como parques naturais ou linhas de água, passando pela espalhamento das lamas resultantes dos lixos urbanos e industriais tratados.

O tratamento dos lixos que exige alta tecnologia e conhecimento superior adquirido na cidade, da forma como ainda hoje é feito, fecha o ciclo porque deveriam, pela sua diferença qualitativa, ser tratados separadamente, os lixos urbanos dos industriais, e nem sequer há levantamento das quantidades e cartografia dos locais da sua produção e dos locais de vazamento, nem informação da percentagem reciclada e tratada, excepto o seu enterramento em aterros sanitários, sem tratamento e que são grandes volumes que não só alteram o ciclo hidrológico das águas profundas e sub-superficiais, para além da sua fermentação destruir a protecção de plástico cuja poluição vai directa para as toalhas freáticas e linhas de água, como se se tratasse de atitude de "apenas acumular o máximo e esconder bem fundo."

Esta atitude dos homens educados na cidade, não informa que as lamas que resultam do tratamento conjunto, contêm a maior concentração de metais pesados, que posteriormente se espalham como "fertilizante para as áreas agrícolas", pondo toda a vida em risco porque a terra ao chover ou ser regada, recebe as componentes das lamas que arrasta para as toalhas freáticas e linhas de água e litoral marítimo, pelo que devemos perguntar, e com direito a saber, como se recicla o quê e onde, quais os produtos finais reciclados, se quisermos ser cidadãos informados e evoluídos, e co-responsáveis pela qualidade da vida colectiva, já que o que se come provém de terra com cada vez maior grau de poluição, seja cultura de estação seja de estufa.

A cidade não sabe quase nada da cidade e quem devia pelo menos informar não o faz nem pouco nem muito, e muito menos em verdade total, como se a cidade marcasse outro tempo em que a palavra se esvaziou e não servisse como via fundamental de transporte de informação e de ideais.

É como se a CIDADE não soubesse LER.

É como se a cidade patenteasse o seu elevado grau de iliteracia.

Não será esta modernidade outro tipo de violência?

No nosso viver há que andar a correr mudando todos os ritmos naturais e humanos, tendo cada vez menos tempo para as pequenas coisas dos prazeres quotidianos, porque a cidade passou a marcar as horas de viver de forma desumanizante como se também o homem interviesse nesse ritmo solar e anual e fizesse tudo acelerar sem haver mais tempo para parar e pensar, e recusar tais ritmos.

E as andorinhas, embora há pouco tempo ainda, já não poisam na minha janela, as folhas das árvores da minha rua começam a secar antes do Outono e já não têm pássaros, e até os pombos foram banidos do espaço urbano para não sujarem os edifícios e lá desaparece mais uma manifestação de vida urbana tão tipicamente urbana como se o homem urbano devorasse os aspectos mais imperativos da vida e se julgasse mais e mais evoluído.

Bastou apenas um ano para que a minha rua passasse a ser uma "rua moribunda" e sempre, e mais uma vez, a natureza é indicadora da qualidade de vida do ambiente em que o homem se movimenta.

A Cidade abriga os homens mas desabriga-os dos saberes e da verdade quanto ao conforto a que todos têm direito não apenas por nascimento e condição de seres vivos mas também pela lei humana que o reconheceu (artigo 66 da Constituição Portuguesa - direito ao ambiente) bem como dos seus direitos à Habitação (artigo 65 da Constituição), mas como se a alienação tão recente tivesse tornado a letra-de-lei letra também morta e quando se pensa, muito actualmente, em revitalizar os espaços públicos, e a cidade envelhecida nas suas pedras e monumentos referenciais que definem um tempo histórico-social, também agora este esvaziar da essência da "palavra" reflecte o esvaziamento da mente-humana-urbana, essa que mais precisa de ser revitalizada antes que o "paraíso perdido" seja revelador da capacidade humana de se auto-destruir.

A cidade tornou autistas os seus habitantes – até a escola, mesmo universitária, não ensinou, não FORMOU cidadãos para o direito à idade, o direito à vida com qualidade urbana.


A cidade tem de recuperar-se e revitalizar-se com mais parques e pequenos jardins para reaver a qualidade do ambiente para haver mais terra e mais água e ter melhor clima, mais relvados para serem filtros da poluição do ar, mais árvores para haver menos poluição do som e maior infiltração da chuva e regulação das enxurradas e produção de oxigénio, mais flores anuais para recortar melhor o ciclo das estações e dar cor e perfume e nos encantar pelo menos o olhar, mesmo quando se corre, e para poder haver mais pássaros e os seus cantos, como sempre teve antes de se ter tornado cidade-país e se ter desagregado em guetos habitacionais diferenciando e distanciando cada vez mais as classes socio-económicas, independentemente da segregação social, para que se possa viver nela e deixar de ser um ecossistema humano cada vez mais artificial e insalubre, robotizado e infeliz.

No entanto, é também na cidade que habitam os cientistas com o seu reservatório de ideias e capacidades, que avaliam tudo o que o homem faz de nefasto para a sua própria vida e da vida da natureza e avaliam formas de minimização de tais situações ou encontram mesmo, alternativas.

A cidade ainda marca o tempo de ir para a escola e para ir para o trabalho.
Ainda marca o tempo de férias.
Marca o tempo de evolução e de destruição.
Cidade relógio de horas da vida e da morte de todas as coisas inertes e vivas.

É preciso fazer um "regresso" à natureza dentro e fora da cidade e, dentro e fora do homem por mais estranho que pareça, porque é na cidade que a decisão é tomada, mesmo sem a participação e consciencialização do cidadão que tarda em ter consciência colectiva dos valores da terra e da natureza, dos valores patrimoniais colectivos, sejam materiais ou imateriais.

Para voltar a marcar o tempo dos sentidos e do descanso e do prazer de nela viver e passear, para que não cresça o descontentamento e violência, que é também na cidade que se gera quando não cumpre a sua função global – HABITAR.

É na cidade que se gera o futuro e o desenvolvimento do colectivo, ou a sua degradação. Na cidade não há mais relógios para além das badaladas de nascer e de morrer dos "sinos da Igreja."

A Cidade adormeceu como se vivesse toda adormecida – parou o "relógio."


Acabei

Maria Celeste d'Oliveira Ramos
arquitecta-paisagista

Lisboa – Bairro de Santo Amaro


Texto:
i: 1ª versão – 11 de Novembro de 2005
Dia de São Martinho – vai à adega e prova o vinho.
ii: revisto pela autora em 31 de Março de 2006
iii: revisto para edição em 11 de Novembro de 2006 (um ano depois da 1ª versão)


Nota final: as imagens introduzidas no texto são de António Baptista Coelho.

quinta-feira, novembro 09, 2006

A investigação em arquitectura e urbanismo e em ecologia social no LNEC, parte I - Infohabitar 112

 - Infohabitar 112

António Baptista Coelho (*) e Marluci Menezes (**)


As edições do Núcleo de Arquitectura e Urbanismo (NAU) e do Núcleo de Ecologia Social (NESO) do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) – uma pequena apresentação

O infohabitar associa-se às comemorações dos 60 anos do
Laboratório Nacional de Engenharia Civil

(*) arquitecto, investigador do Núcleo de arquitectura e urbanismo do LNEC
(**) geógrafa/antropóloga, Investigadora do Núcleo de Ecologia Social do LNEC

O presente artigo constitui um relato de apresentação sumária, feito com base directa em textos desenvolvidos por diversos membros do NAU e do NESO, das áreas de estudo e de actuação destas duas unidades de investigação do LNEC, e, designadamente, dos livros e publicações relativos à investigação em arquitectura e urbanismo e em ecologia social, que estão, actualmente, disponíveis na livraria do LNEC.

Ainda antes de passar aos referidos relatos e às respectivas listagens importa salientar três aspectos, que têm a ver, directamente, com a ideia que esteve na base deste artigo.

  • a livraria do LNEC existe e recomenda-se;
  • a colaboração entre o NAU e o NESO existiu, existe e recomenda-se;
  • e a pertinência de se dar a máxima divulgação a esta actividade por se tratar de um exemplo que, não sendo único, constitui a expressão, hoje bem viva, de uma actividade de estudo e de ligação às práticas nestas matérias da arqutectura, do urbanismo , da ecologia social e, afinal, do habitar, com um bom sentido amplo, que continua a ser um caso pouco frequente tanto em Portugal como fora do nosso País.

O Núcleo de Arquitectura e Urbanismo

Site do NAU
Herdeiro de uma rica tradição de investigação em arquitectura, iniciada após 1960 com a coordenação de Nuno Portas, e continuada por Reis Cabrita entre 1976 e 2001, o Núcleo de Arquitectura e Urbanismo (NAU) do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), criado em 1969, foi, desde então, responsável pelo desenvolvimento e pela edição em Relatórios e Notas Técnicas do LNEC, de 347 estudos na área da arquitectura e do urbanismo, concluídos entre 1969 e 2006, parte deles realizados no âmbito de trabalhos por contrato com diversas entidades.
E é bem interessante destacar que ainda antes da criação oficial do Núcleo de Arquitectura, e designadamente de 1963 a 1968, a investigação na área da arquitectura habitacional, desenvolvida no LNEC, tinha já dado origem à publicação de 18 Relatórios, provavelmente, numa altura em que este tipo de estudos estavam longe dos objectivos de trabalho noutros sectores de actividade “gémeos”, como é o caso dos estudos universitários; aliás, uma situação que se manteve por muitos anos e que ainda hoje, em parte, se verifica.
Entre os estudos concluídos no NAU 63 foram editados para divulgação alargada e estão hoje disponíveis na Livraria do LNEC (anexando-se a respectiva listagem); salienta-se que as datas de edição vão desde 1969 a 2006: desde as bem conhecidas “Funções e exigências de áreas de habitação” aos Cadernos Edifícios 4, uma colectânea monográfica intitulada “Humanização e vitalização do espaço público”, com lançamento público a 5 de Julho deste ano, aliás integrando uma palestra de Nuno Portas sobre a temática.
O NAU do LNEC, ao longo dos quase 38 anos decorridos desde a sua criação, acolheu e orientou um número significativo de estágios realizados por licenciados em Arquitectura, portugueses e estrangeiros, e proporcionou acolhimento e orientação técnica e científica à preparação de múltiplas dissertações de mestrado e doutoramento. A esta actividade acresce naturalmente a formação dos seus próprios investigadores, especializados nos domínios da arquitectura e do urbanismo.
Os estágios integram-se normalmente no quadro mais geral dos trabalhos de I&D programados pelo LNEC, sem prejuízo do seu conteúdo se ajustar também, em cada caso, aos objectivos e interesses do estagiário e às finalidades próprias que justificam a realização de cada estágio. Os estagiários, mestrandos e doutorandos, são inseridos no ambiente geral de investigação e formação do LNEC, dele beneficiando quer do ponto de vista da aquisição e aperfeiçoamento dos conhecimentos disciplinares quer do ponto de vista da aquisição de métodos de trabalho sistemáticos e responsáveis.
O perfil dos estudos no NAU foi marcado pelas rápidas transformações verificadas nas tecnologias construtivas, na prática de projecto, na promoção de habitação apoiada, na requalificação de zonas antigas e nos estudos urbanos, mas também pela cooperação com técnicos de outras instituições, e, a título individual, pelo NAU passaram grandes nomes da arquitectura contemporânea em Portugal. Ao Núcleo de Arquitectura e Urbanismo cabe realizar estudos nos seguintes domínios:

- Organização espacial de edifícios e áreas edificadas e relações com os utentes;
- Habitação em geral e habitação apoiada pelo Estado;
- Urbanismo e gestão urbanística;
- Processo de projecto, incluindo tecnologias de informação e comunicação;
- Segurança contra incêndios, na vertente correspondente ao seu campo de acção;
- Conservação do património arquitectónico e urbano, na vertente correspondente ao seu campo de acção;
- Direito do urbanismo e da construção.
Os estudos sobre habitação evoluíram das análises do uso e funcionais até à análise da qualidade arquitectónica, em edifícios e espaços exteriores, para metodologias de análise geral da qualidade habitacional e para várias facetas da habitação do futuro – tipologias e tecnologias de comunicação e de sustentabilidade energética (trata-se de um recente estudo que foi desenvolvido no NAU para a Fundação de Ciência e Tecnologia).
Nesta área da habitação, que, desde sempre, constituiu um tema estruturador da actividade do NAU, destaca-se a recente conclusão do livro realizado para o INH e intitulado “Instituto Nacional de Habitação 1984-2004, 20 anos a promover a construção de habitação social”, que apresenta, individualmente, mais de 250 conjuntos residenciais e que faz uma retrospectiva genérica do que tem sido esta modalidade habitacional entre nós. Trabalho este que está disponível no próprio INH.
E há ainda que registar o grande envolvimento do NAU em diversas recentes e importantes ferramentas de dinamização da qualidade habitacional, destacando-se a elaboração da Ficha Técnica da Habitação e a bem recente preparação do método de avaliação do estado de conservação dos edifícios de habitação, cuja aplicação é fundamental no urgente e crítico processo de actualização das rendas habitacionais.
Desde há 20 anos o NAU participou no envolvimento do LNEC na área da conservação e reabilitação do património arquitectónico e urbano. Mais recentemente, o NAU integrou a temática geral da segurança contra incêndios em edifícios, abrindo-se a uma maior articulação com as engenharias da construção e das instalações. A área dos estudos urbanos desenvolveu-se continuamente até ao presente.
Nestas áreas merece relevo a recentíssima conclusão de um grande trabalho multidisciplinar, realizado também para o INH, desenvolvido pelo LNEC com forte intervenção do NAU e que sistematiza e aprofunda todo o amplo leque de processos de requalificação de edifícios de habitação.
Outras áreas constituem, hoje em dia, novos caminhos de estudo do NAU e nelas se destacam, quer as ligadas a um papel de coordenação da elaboração de recomendações técnicas para várias valências de equipamentos sociais, quer a consultadoria no desenvolvimento de outros tipos de equipamentos, quer a área da segurança contra incêndio, que tem, desde há bastantes anos, um aprofundado desenvolvimento no NAU.
Conclui-se esta pequeníssima apresentação, referindo-se que os membros do NAU realizaram múltiplas acções de formação e publicaram centenas de comunicações, artigos e livros em Portugal e no estrangeiro e desenvolveram úteis acções de cooperação com organismos estatais de vários Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, com destaque para as acções ligadas à regulamentação da construção, e ao apoio à habitação popular evolutiva e por auto-construção em Cabo Verde.
No que se refere à cooperação internacional há ainda que referir, com destaque, e entre varias acções, os estudos conjuntos, nas áreas da qualidade residencial, com o Laboratoire de Sociologie Urbaine Génerative do Centre Scientifique et Technique du Bâtiment (CSTB), de Paris e com Núcleo de Pesquisa em Tecnologia da Arquitetura (NUTAU) da Universidade de São Paulo.
E naturalmente que não poderia deixar de ser salientada a estreita colaboração, que, numa eficaz relação de multidisciplinaridade, desde sempre se tem assegurado entre o NAU e todos os outros Núcleos do departamento de Edifícios do LNEC, vários dos trabalhos acima apontados assim foram desenvolvidos e o desenvolvimento, em tempo útil, de três grandes “campanhas” de análise retrospectiva habitacional, abrangendo década e meia da promoção financiada pelo INH, e vários milhares de fogos, são a prova inequívoca do interesse que tem, para a melhoria da qualidade residencial, esta colaboração prática entre antropólogos, arquitectos, físicos, engenheiros, geógrafos e sociólogos.
Quase todos os actuais membros do NAU realizaram dissertações de doutoramento em diversas universidades portuguesas, com destaque para a Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto e, desde sempre, o NAU alimentou universidades e outras entidades públicas com professores e dirigentes, que aqui fizeram boa parte da sua preparação superior.
Temos assim uma tradição de 37 anos de trabalhos continuados de investigação teórico-práticos em arquitectura e urbanismo, a que neste texto se pretendeu fazer singela justiça. Quem conheça a realidade nacional e internacional nestes domínios entenderá que se trata de um património único, e um património que nos dá vontade acrescida de continuar a trabalhar como até aqui.

O site da Livraria do LNEC

O Núcleo de Ecologia Social do LNEC (NESO)

Site do NESO
http://www.lnec.pt/ecologiasocial

O embrião do Núcleo de Ecologia Social (NESO) nasceu no Laboratório Nacional de Engenharia Civil em 1985, desenvolvendo um projecto de investigação denominado "Estudo do impacte das condições de habitação na dinâmica familiar e no desenvolvimento infantil". Este estudo visava a avaliação das condições de habitação na dinâmica das famílias, no estabelecimento de redes sociais, incluindo as de vizinhança, na participação social local e no desenvolvimento emocional e cognitivo das crianças residentes em áreas degradadas da cidade de Lisboa.
Grande parte da actividade desenvolvida nos últimos anos tem consistido no aprofundamento teórico e metodológico do trabalho de pesquisa em meio urbano que se iniciou em 1985.
Concomitantemente, o NESO (ex-GES) alargou os horizontes da sua actividade científica, quer no âmbito da investigação programada do LNEC - participando em projectos com outros núcleos de investigação - quer através da investigação por contrato, respondendo a solicitações advindas da comunidade nacional e participando em projectos internacionais, procurando contribuir para a qualificação territorial e ambiental do país e do espaço europeu.
Do seu enquadramento legal (Portaria n.º 507/2002, de 30 de Abril.) resulta que ao “Núcleo de Ecologia Social cabe realizar estudos nos seguintes domínios:
a) Ecologia social do habitat urbano, nomeadamente em relação com a qualidade do habitat, os problemas sociais em áreas degradadas, os grupos sociais de risco e os projectos de intervenção no âmbito do desenvolvimento social local;
b) Ecologia social relacionada com o ambiente, nomeadamente em relação com a avaliação de impactes sociais de grandes empreendimentos de engenharia e a percepção de riscos tecnológicos e naturais.”
O projecto de investigação que merecerá prioridade do NESO no quadro de programação quadrienal do LNEC (2000-2004) reunirá estes dois domínios e designa-se: "Ecologia Social: Habitat, Ambiente, Processos e Quadros de Acção".

Domínios de Investigação:

Satisfação Residencial, Modelos de HABITAR e Qualidade de Vida

  • Participação e Cidadania
  • Uso, apropriação e representação do espaço habitado
  • Processos, Trajectórias e Estatutos Sócio-Espaciais de Desfavorecimento e Exclusão
  • Criminalidades e (In)segurança em Espaços de Uso Público
  • Sociabilidades, Estruturas de Organização Identitária e Representações Sociais
  • Sensibilidades Ecológicas, Novos Movimentos Sociais e Recomposição Territoriais
  • Percepção de Riscos Naturais e Tecnológicos
  • Avaliação de Impactes Sociais na Construção e Utilização de Infra-Estruturas
  • Desenvolvimento e Inovação de Instrumentos da Apoio a Processos de Decisão
  • Metodologia e Instrumentos de Investigação e Intervenção na Área das Ciências Sociais
  • Segurança Rodoviária
  • Segurança em Estaleiros de Construção.


  • Projectos de investigação programada em curso:
    • Território e ambiente – Quadros e Processos de acção.
    • Factores sócio-cognitivos da construção e gestão da identidade social nas relações inter-étnicas.
    • Envelhecimento e velhice em meio urbano.
    • Factores sociais, económicos e de planeamento urbanístico na gestão integrada da zona costeira.
    • Percepção e modelos de gestão de riscos naturais e tecnológicos.
    • Práticas de uso e apropriação e representações do espaço público urbano.

    Projectos de investigação por contrato:
    • Avaliação do PER/Cascais.
    • Estudos dass condições ambientais no estuário do Guadiana e zonas adjacentes.
    • Reabilitação de redes de distribuição de água.
    • Sistema de apoio à tomada de decisão sobre reabilitação de drenagem de águas residuais.
    • Neighbourhood and Governance.
    • Preparação de uma re-candidadtura nacional aos fundos EFTA – “Velhos Ghettos, novas centralidades.”
    • Colaboração na definição de dimensões de estudos para a revisão do PDM da CMLisboa.
    • Avaliação e acompanhamento do projecto “Todos por um” no concelho de Cascais.
    • Participação na definição de indicadores sobre “Immediate Residential Environment” (OMS).
    • Imigrantes do Leste Europeu: estratégias de mobilidade residencial, modelos de habitar e porocessos de inserção social.
    • (Dossier “Segurança em Estaleiros2)
    • (Dossier “Segurança Rodoviária”)


    Publicações de antigos e actuais membros do Núcleo de Arquitectura e Urbanismo – NAU – disponíveis na Livraria do LNEC:
    António Baptista Coelho
    2005. COELHO, A. Baptista (coord.) «Humanização e vitalização do espaço público» Lisboa, 2005. 270 p. Cadernos Edifícios nº4, 270 p.
    2003. COELHO, A. Baptista; CABRITA, Reis «Habitação evolutiva e adaptável» Lisboa, 322 p. ITA 9.
    2000. COELHO, A. Baptista «Qualidade arquitectónica residencial. Rumos e factores de análise» Lisboa, 500 p. ITA 8.
    1999. COELHO, A. Baptista; CABRITA, Reis «Espaços exteriores em novas áreas residenciais» Lisboa, 154 p. ITA 3.
    1998. COELHO, A. Baptista; PEDRO, João Branco; CABRITA, Reis «Três conjuntos residenciais meritórios de habitação de custos controlados - 1991» Lisboa, 102 p. CED 6.
    1998. COELHO, A. Baptista; PEDRO, João Branco «Do bairro e da vizinhança à habitação. Tipologias e caracterização dos níveis físicos residenciais» Lisboa, 546 p. ITA 2.
    1988. COELHO, A. Baptista; CABRITA, Reis «Estudos sobre espaços exteriores em novas áreas residenciais. Documento-Base 5. Exigências e critérios para projecto» Lisboa, 128 p. DIT 23.
    1985. COELHO, A. Baptista; CABRITA, Reis «Estudos sobre espaços exteriores em novas áreas residenciais. Documento-Base 1. Elementos e factores que estruturam uma nova área residencial» Lisboa, 110 p. DIT 16.
    1985. COELHO, A. Baptista; CABRITA, Reis «Estudos sobre espaços exteriores em novas áreas residenciais. Documento-Base 2. Os espaços exteriores de uma nova área residencial e o comportamento humano» Lisboa, 158 p. DIT 17.

    António Leça Coelho
    2001. COELHO, A. Leça (coord.) «Segurança contra incêndio em edifícios» Lisboa, 2002. 182 p. CAD 1.
    2001. COELHO, A. Leça «Segurança contra risco de incêndio em áreas urbanas antigas. Princípios gerais de intervenção» Lisboa, 14 p. COM 87.
    2001. COELHO, A. Leça «Modelação matemática da evacuação de edifícios sujeitos à acção de um incêndio» Lisboa, 20 p. COM 86.
    1995. COELHO, A. Leça «Segurança contra incêndio em edifícios de habitação. Grelha de análise para edifícios unifamiliares» Lisboa, 32 p. ITE 37.

    António Reis Cabrita
    1995 - CABRITA, Reis «O Homem e a casa. Definição individual e social da qualidade de habitação» Lisboa, 1995. 196 p. CED 2.
    1988. CABRITA, Reis; COSTA, José Portela da; ALHO, Carlos «Monografia portuguesa sobre inovação e reabilitação de edifícios. A situação portuguesa» Lisboa, 62 p. ITE 20.
    1988. CABRITA, Reis; AGUIAR, José «Monografia portuguesa sobre inovação e reabilitação de edifícios» Lisboa, 88 p. ITE 17.
    1987. CABRITA, Reis; ALHO, Carlos «Reabilitação de edifícios de habitação. Doc. 1 - Critérios para a definição de níveis de qualidade» Lisboa, 50 p. ITE 18.
    1974. CABRITA, Reis «Regras para elaboração de projectos» Lisboa, 264 p. ITE 6.
    Fernando Gonçalves
    1979. GONÇALVES, Fernando «Plano Director do Município. Seu lugar entre os planos de urbanização e os planos de ordenamento do território» Lisboa, 26 p. M 514.
    1981. GONÇALVES, Fernando «O município como suporte da regionalização em Portugal» Lisboa, 26 p. M 553.
    1981. GONÇALVES, Fernando «Propostas para a revisão da legislação urbanística portuguesa» Lisboa, 438 p. NS 24.
    1982. GONÇALVES, Fernando «Plano Director do Município. Recentes vicissitudes da sua não-regulamentação» Lisboa, 28 p. M 569.
    1984. GONÇALVES, Fernando «O lugar do município num sistema de planeamento descentralizado» Lisboa, 24 p. M 623.
    1989. GONÇALVES, Fernando «Evolução histórica do direito do urbanismo em Portugal (1851 - 1988)» Lisboa, 76 p. INCGURPLAM 1.

    Isabel Plácido
    1997. PLÁCIDO, Isabel «Comunicação e informação no projecto de arquitectura. Um modelo suportado pelas novas tecnologias» Lisboa, 140 p. ITA 1.
    1990. PLÁCIDO, Isabel «Utilização da computação gráfica em projecto de edifícios» Lisboa, 60 p. ITE 26.
    1987. PLÁCIDO, Isabel «A utilização da computação gráfica em projectos de edifícios. Exploração do "AutoCad"» Lisboa, 48 p. DIT 22.

    João Branco Pedro
    2003. PEDRO, João Branco «Definição e avaliação da qualidade arquitectónica habitacional» Lisboa, 398 p. TPI 26.
    1999. PEDRO, João Branco «Programa habitacional. Espaços e compartimentos» Lisboa, 270 p. ITA 4.
    1999. PEDRO, João Branco «Programa habitacional. Habitação» Lisboa, 270 p. ITA 5.
    1999. PEDRO, João Branco «Programa habitacional. Edifício» Lisboa, 226 p. ITA 6.
    1999. PEDRO, João Branco «Programa habitacional. Vizinhança próxima» Lisboa, 174 p. ITA 7.
    2005. PEDRO, João Branco «Definição e avaliação da qualidade arquitectónica habitacional. Apresentação do programa habitacional e do método de avaliação» Lisboa, 62 p. COM 111.

    José Aguiar
    1993. AGUIAR, José; CABRITA, Reis; APPLETON, João «Guião de apoio à reabilitação de edifícios habitacionais (2 vols)» Lisboa, 504 p. NS 78.
    2002. VEIGA, Maria do Rosário; AGUIAR, José (coord.) «Revestimentos de paredes em edifícios antigos» Lisboa, 208 p. CAD 2.
    2002. VEIGA, Maria do Rosário; AGUIAR, José; SILVA, A. Santos; CARVALHO, Fernanda «Methodologies for characterisation and repair of mortars for ancient buildings» Lisboa, 20 p. COM 91.
    2004. VEIGA, Maria do Rosário; AGUIAR, José; SILVA, A. Santos; CARVALHO, Fernanda «Conservação e renovação de revestimentos de paredes de edifícios antigos» Lisboa, 138 p. CED 9.

    José Pinto Duarte
    1995. DUARTE, J. Pinto «Tipo e módulo. Abordagem ao processo de produção de habitação» Lisboa, 176 p. CED 3.
    1995. DUARTE, J. Pinto; PAIVA, J. Vasconcelos «Normas técnicas para projecto de edifícios de habitação» Lisboa, 88 p. NS 73.

    Maria Amélia Corrêa Gago
    1990. GAGO, M. Amélia Corrêa; PEREIRA, L. Valente «Informação sócio-económica para planeamento municipal. A perspectiva de algumas municipalidades sobre a promoção do desenvolvimento local» Lisboa, 82 p. INCGURPLAM 1.

    Maria da Luz Valente Pereira
    1995. PEREIRA, L. Valente «Comunicação e discussão públicas no planeamento da reabilitação de áreas urbanas» Lisboa, 52 p. INCGURPLAM 13.
    1994. PEREIRA, L. Valente «Leitura da imagem de uma área urbana como preparação para o planeamento/acção da sua reabilitação» Lisboa, 120 p. INCGURPLAM 12.
    1991. PEREIRA, L. Valente «Metodologia de planeamento da reabilitação de áreas urbanas» Lisboa, 44 p. Memória 769
    1991. PEREIRA, L. Valente «Metodologia de planeamento da reabilitação de áreas urbanas» Lisboa, 80 p. INCGURPLAM 4.
    1990. PEREIRA, L. Valente «A utilização da cidade. Um estudo sobre a cidade de Lisboa» Lisboa, 328 p. INCGURPLAM 2.
    1987. PEREIRA, L. Valente «Método de apoio técnico à acção de desenvolvimento sócio-urbanístico de uma área urbana de intervenção. Metodologia. Planeamento e programação das intervenções a curto prazo. (2 vols)» Lisboa, 80 p. ITE 13.
    1987. PEREIRA, L. Valente «Método de apoio técnico à acção de desenvolvimento sócio-urbanístico de uma área urbana de intervenção. Metodologia. Planeamento e programação das intervenções a curto prazo. (2 vols)» Lisboa, 80 p. ITE 13.
    1987. PEREIRA, L. Valente «Reabilitar o urbano ou como restituir a cidade à estima pública» Lisboa, 30 p. ITE 16.
    1987. PEREIRA, L. Valente «Arquitectura urbana. Métodos e critérios de projecto» Lisboa, 32 p. NS 47.
    1986. PEREIRA, L. Valente «Planeamento municipal e exercício da acção política local» Lisboa, 42 p, ITE 10.
    1984. PEREIRA, L. Valente; GAGO, M. Amélia Corrêa «Inquérito à habitação urbana. (2 vols)» Lisboa, 686 p. DIT 12.
    1984. PEREIRA, L. Valente «Planeamento municipal» Lisboa, 78 p. DIT 11.
    1983. PEREIRA, L. Valente; GAGO, M. Amélia Corrêa «O uso do espaço na habitação» Lisboa, 92 p. NS 37.
    1983. PEREIRA, L. Valente «Os equipamentos colectivos e a transformação urbano-rural» Lisboa, 22 p. Memória 586
    1983. PEREIRA, L. Valente «Metodologia dos inquéritos à habitação urbana» Lisboa, 78 p. Memória 602.
    1974. PEREIRA, L. Valente «Modelo do sistema urbano à escala de zona urbana» Lisboa, 1974. 50 p. Memória 570.

    Nuno Portas
    PORTAS, Nuno «Funções e exigências de áreas da habitação» Lisboa, 1969. 90 p. - ITE 4.
    Vítor Campos
    1992. CAMPOS, Vitor «Estratégias de intervenção urbanística num contexto de recursos muito escassos» Lisboa, 24 p. M 777
    1992. CAMPOS, Vitor «A concepção e redacção dos regulamentos de urbanismo» Lisboa, 34 p. INCGURPLAM 6.
    1992. CAMPOS, Vitor «Orientações metodológicas para início da elaboração de um plano de pormenor» Lisboa, 24 p. INCGURPLAM 7.
    1992. CAMPOS, Vitor «Regulamentação da prática urbanística e licenciamento municipal» Lisboa, 38 p. INCGURPLAM 10.
    1992. CAMPOS, Vitor «Bibliografia de referência para a elaboração de regulamentos municipais no domínio da urbanização» Lisboa, 40 p. INCGURPLAM 11.

    Co-autoria de membros do NAU
    1986. COELHO, Helder; CABRITA, Reis; SOBRAL, Rúben «Missão sobre edifícios inteligentes eMemóriaFrança» Lisboa, 58 p. ITI 71.

    Publicações de antigos e actuais membros do Núcleo de Ecologia Social – NESO – disponíveis na Livraria do LNEC:


    Álvaro Pereira
    1999. PEREIRA, Álvaro Pires; SILVA, Delta Sousa e «Os sem-abrigo da cidade de Lisboa. Riscos de viver (n)a cidade» Lisboa, 1999. ISBN 972-49-1772-X, 84 p., ITECS 30.
    Delta Silva
    2005. SILVA, Delta Sousa e «Risco de cheia: vias para a sua mitigação» Lisboa, 2005. ISBN 972-49-2047-X, 28 p., COM 114.
    Hortense Lopes Maia
    1992. MAIA, Hortense Lopes; FREITAS, Maria João; FAÍSCA, Luís «Para um estudo das representações sociais da pobreza em meio urbano» Lisboa, 1992. ISBN 972-49-1578-6 , 176 p., ITECS 18.
    João Lutas Craveiro
    2002. CRAVEIRO, João Lutas «As dimensões motivacionais e estruturais de incêndios florestais» Lisboa, 2002. ISBN 972-49-1909-9, 126 p., ITECS 33.
    2002. CRAVEIRO, João Lutas «As dimensões motivacionais e estruturais de incêndios florestais» Lisboa, 2002. ISBN 972-49-1909-9, 126 p., ITECS 33.
    2000. CRAVEIRO, João Lutas; SILVA, Paula Antão da «Ambiente, ciência e utopia para um desenvolvimento sustentável?» Lisboa, 2000. ISBN 972-49-1843-2, 20 p., COM 66.
    2000. CRAVEIRO, João Lutas «A ecologia social e a sociologia do ambiente. Contributos para uma ciência com consciência» Lisboa, 2000. ISBN 972-49-1853-X, 16 p., COM 70.
    1996. CRAVEIRO, João Lutas «Estudos de impacte ambiental. Uma contribuição sociológica - A emergência do público nas audiências» Lisboa, 1996. ISBN 972-49-1695-2, 90 p., ITECS 27.
    1993. CRAVEIRO, João Lutas «Estudos de impacte ambiental. Uma contribuição sociológica» Lisboa, 1993. ISBN 972-49-1581-6, 62 p., ITECS 20.
    1993. CRAVEIRO, João Lutas «Estudos de impacte ambiental. Uma contribuição sociológica» Lisboa, 1993. ISBN 972-49-1581-6, 62 p., ITECS 20.
    1992. CRAVEIRO, João Lutas; FERREIRA, J. Caetano; ALMEIDA, J. Manuel «Estudo sobre a área do plano de salvaguarda de Ajuda/Belém. Transformações socio-urbanísticas e ambientais induzidas pelo Centro Cultural de Belém» Lisboa, 1992. ISBN 972-49-1562-X, 76 p., ITECS 16.

    Lília Militão
    2000. MILITÃO, Lília; MENEZES, Marluci «A mulher, o trabalho e o cuidado no bairro da Mouraria» Lisboa, 2000. ISBN 972-49-1828-9, 16 p., COM 58.

    Luís Soczka
    1990. SOCZKA, Luís; MACHADO, Paulo; FREITAS, Maria João «Bairros degradados da cidade de Lisboa» Lisboa, 1990. ISBN 972-49-1326-0, 40 p. M 751.
    1990. SOCZKA, Luís; MACHADO, Paulo «Os trajectos escolares das crianças de um bairro degradado de Lisboa. Contributos para uma leitura sócio-ecológica das respostas escolares da Musgueira Sul» Lisboa, 1990, ISBN 972-49-1373-2, 134 p., INCECS 2.
    1989. SOCZKA, Luís «Representações sociais, relações intergrupos e identidades profissionais dos psicólogos» Lisboa, 1989, 60 p. INCECS 1.
    1983. SOCZKA, Luís «Annoyability, noise annoyance and personality» Lisboa, 1983. ISBN 972-49-0704-X, 24 p. M 601.
    Margarida Rebelo
    2005. REBELO, Margarida; GUERRA, Rita; MONTEIRO, M. Benedicta «Generalizing positive intergroup relations in realistic settings. A comparison among recategorization, decategorization and dual identity models» Lisboa, 2005. ISBN 972-49-2057-7, 16 p., COM 118.
    1999. REBELO, Margarida; MONTEIRO, M. Benedicta; SANTOS, Ana Filipa «Crianças em risco. Programa de prevenção do insucesso escolar num contexto socio-ecológico desfavorecido» Lisboa, 1999. ISBN 972-49-1799-1, 134 p., ITECS 31.
    M. Benedicta Monteiro
    1999. MONTEIRO, M. Benedicta; SANTOS, Ana Filipa; REBELO, Margarida «Crianças em risco. Uma intervenção educativa utilizando as novas tecnologias de informação» Lisboa, 1999. ISBN 972-49-1800-9, 140 p., ITECS 32.
    1996. MONTEIRO, M. Benedicta; REBELO, Margarida; CASTRO, Paula; FAÍSCA, Luís «Crianças em risco. Abordagem longitudinal dos cenários de desenvolvimento e da resposta escolar de crianças de áreas degradadas da cidade de Lisboa [Ano IV]» Lisboa, 1996. ISBN 972-49-1715-0, 178 p., ITECS 29.
    1994. MONTEIRO, M. Benedicta; REBELO, Margarida; CASTRO, Paula; FAÍSCA, Luís «Crianças em risco. Abordagem longitudinal da resposta escolar de crianças de áreas degradadas da cidade de Lisboa [Ano III]»
    1992. MONTEIRO, M. Benedicta; REBELO, Margarida; CASTRO, Paula «Crianças em risco. Análise longitudinal dos cenários de desenvolvimento e da resposta escolar das crianças em processos de transição [Ano II]» Lisboa, 1992. ISBN 972-49-1564-6, 96 p., ITECS 19.
    Maria João Freitas
    1990. FREITAS, Maria João «Satisfação residencial e atitudes face ao realojamento. Estudo de uma amostra de indivíduos residentes no bairro do Relógio» Lisboa, 1990. ISBN 972-49-1381-3 , 148 p., ITECS 4.

    Maria Luísa Lima
    1990. LIMA, Maria Luísa «Contributos para o estudo da representação do risco» Lisboa, 1990. ISBN 972-49-1509-3, 112 p., ITECS 2.

    Marluci Menezes
    Lisboa, 1994. ISBN 972-49-1616-2, 220 p., ITECS 21.
    2006. MENEZES, Marluci; ALMEIDA, Ana «Direito à cidade. Reflexão em torno da incidência do termo mistura social nas políticas habitacionais e urbanas portuguesas» Lisboa, 2006. ISBN 972-49-2084-4, COM 125 (no prelo).
    2006. MENEZES, Marluci «Significados e sentidos da inscrição de determinados contextos sócio-espaciais urbanos no mapa social da cidade mais abrangente. O caso de alguns bairros da cidade de Lisboa» Lisboa, 2006. ISBN 972-49-2074-7, 22 p., COM 124.
    2005. MENEZES, Marluci «De uma metodologia de projecto interactivo à invenção de um projecto social de cidade. Tópicos de reflexão» Lisboa 2005. ISBN 972-49-2051-8, 18 p., COM 116.
    2004. MENEZES, Marluci; TAVARES, Martha Lins «Salvaguarda da imagem da cidade histórica e dinamização do património urbano. Discutindo algumas questões» Lisboa, 2004. ISBN 972-49-2014-3, 20 p., COM 106.
    2004. MENEZES, Marluci «Levantamento social para projectos de reabilitação urbana. Das formas e modos de olhar, registar, analisar e interpretar os contextos sócio-espaciais aos projectos de intervenção» Lisboa, 2004. ISBN 972-49-2015-1, 16 p., COM 107.
    2003. MENEZES, Marluci «Mouraria: entre o mito da Severa e o Martim Moniz. Estudo antropológico sobre o campo de significações imaginárias de um bairro típico de Lisboa» Lisboa, 2003. ISBN 972-49-1945-5, 458 p., TPI 23.
    2002. MENEZES, Marluci «Repensando a ideia de "recriação de valores urbanos tradicionais" a partir das dinâmicas de uso e apropriação do espaço público urbano» Lisboa, 2002. ISBN 972-49-1932-3, 24 p., COM 95.
    2002. MENEZES, Marluci «Espaço. Manutenção, mudança e representação na Madragoa» Lisboa, 2002. ISBN 972-49-1939-0, 157 p., ITECS 34.
    2000. MENEZES, Marluci «Tentando uma antropologia do habitat residencial urbano (fazendo antropologia numa instituição de engenharia civil)» Lisboa, 2000. ISBN 972-49-1827-0, 10 p., COM 57.
    2000. MENEZES, Marluci «Proximidades e distâncias. Redefinindo posições em meio urbano» Lisboa, 2000. ISBN 972-49-1829-7, 16 p., COM 59.
    2000. MENEZES, Marluci «Das lógicas do saber às lógicas do fazer. Tópicos para a reflexão sobre a necessidade da implementação de políticas de desenvolvimento sociocultural» Lisboa, 2000. ISBN 972-49-1837-8,12 p., COM 62.
    2000. MENEZES, Marluci «Da construção social do espaço à prevenção socio-urbanística. Tópicos para uma reflexão» Lisboa, 2000. ISBN 972-49-1847-5, 12 p., COM 68.
    2000. MENEZES, Marluci «A satisfação residencial. Tópicos de reflexão acerca do estudo de análise» Lisboa, 2000. ISBN 972-49-1832-7, 14 p., COM 56.
    1999. MENEZES, Marluci «Espaço, cultura e recuperação do património. Estudo de caso. Bairro da Madragoa» Lisboa, 1999. ISBN 972-49-1822-X ,12 p., COM 53.
    1999. MENEZES, Marluci «Da cultura da memória à cultura do projecto. Tópicos para reflexão» Lisboa, 1999. ISBN 972-49-1818-1, 10 p., COM 51.
    1999. MENEZES, Marluci «Centro histórico. Mito ou realidade efémera?» Lisboa, 1999. ISBN 972-49-1819-X, 12 p., COM 52.
    1994. MENEZES, Marluci «Ecologia social e reabilitação urbana» Lisboa, 1994. ISBN 972-49-1644-8, 54 p., ITECS 26.
    1993. MENEZES, Marluci «Espaço. Cultura e arquitectura. Dissertação sobre a perspectiva interdisciplinar entre ciências sociais e arquitectura» Lisboa, 1993. ISBN 972-49-1598-0, 158 p., ITECS 22.
    1992. MENEZES, Marluci; REBELO, Margarida; CRAVEIRO, João Lutas «Bairro Casal Ventoso. Elementos para uma caracterização socio-ecológica» Lisboa, 1992. ISBN 972-49-1588-3, 200 p., ITECS 17.

    Paula Castro
    1996. CASTRO, Paula; MONTEIRO, M. Benedicta «Crianças em risco. Microssistemas familiar e de pares e desenvolvimento cognitivo e social das crianças» Lisboa, 1996. ISBN 972-49-1708-8, 132 p., ITECS 28.
    1992. LIMA, M. Luísa; FAÍSCA, Luís «Contribuição das ciências sociais para o estudo dos impactes das cheias» Lisboa, 1992. ISBN 972-49-1554-9, 88 p., ITECS 13.
    1992. CASTRO, Paula; REBELO, Margarida; MONTEIRO, M. Benedicta «Crianças em risco. Análise longitudinal dos cenários de desenvolvimento e da resposta escolar das crianças em processos de transição [ano I]» Lisboa, 1992. ISBN 972-49-1482-8, 156 p., ITECS 12.
    1991. CASTRO, Paula; FREITAS, Maria João «Contributos para o estudo de grupos étnicos residentes na cidade de Lisboa» Lisboa, 1991. ISBN 972-49-1413-5, 186 p., ITECS 9.
    1991. CASTRO, Paula «Transição escolar, identidade e comparação social em dois grupos de crianças de um bairro degradado» Lisboa, 1991. ISBN 972-49-1398-8, 86 p., ITECS 8.
    1991. CASTRO, Paula «Identidade e relação intergrupos num contexto escolar» Lisboa, 1991. ISBN 972-49-1397-X, 66 p., ITECS 7.

    Paulo Machado
    1992. MACHADO, Paulo; CRAVEIRO, João Lutas; MENEZES, Marluci «Contributos para o estudo de um bairro degradado da cidade de Lisboa. Análise socio-ecológica da Quinta da Casquilha» Lisboa, 1992. ISBN 972-49-1474-7, 64 p., ITECS 10.
    1991. MACHADO, Paulo; FREITAS, Maria João; SOCZKA, Luís «Ecologia social da Musgueira 3. Análise sociológica e da evolução socio-demográfica e habitacional na Musgueira Sul [1981-1987]» Lisboa, 1991. ISBN 972-49-1394-5, 198 p., ITECS 6.
    1990. MACHADO, Paulo «Vieillissement et vieillesse. Contribution à l étude de l impact de la transformation sociodemographique dans la famille» Lisboa, 1990. ISBN 972-49-1347-3, 46 p., ITECS 3.
    S. Pereira Bastos
    1990. BASTOS, S. Pereira «A comunidade hindu da Quinta da Holandesa. Um estudo antropológico sobre a organização sócio-espacial da casa» Lisboa, 1990. ISBN 972-49-1365-1, 102 p., ITECS 5.

    REUNIÕES NACIONAIS E INTERNACIONAIS1991. Vários autores, Colóquio Viver (n)a Cidade. Lisboa. 1991, 492 p., RNI 35.

    A aquisição dos diversos livros (Informações Técnicas e Científicas, Teses e Programas de Investigação), Memórias e Comunicações referidos pode ser feita junto da Livraria do LNEC ou por encomenda (Avenida do Brasil, 101, 1700-066 Lisboa: Tel. 21 844 3000).
    O catálogo geral das publicações do LNEC está disponível em:http://www.lnec.pt/livraria/catalogo_edicoes