quarta-feira, novembro 29, 2006

A propósito da iniciativa “Por um Território Sustentável” – reportagem de António Baptista Coelho - Infohabitar 115

 - Infohabitar 115

E a propósito de um dia de trabalho que associou um fórum de discussão à inauguração do primeiro empreendimento cooperativo de construção sustentável em Portugal, promovido pela cooperativa NORBICETA, na 2ª Fase do conjunto da Ponte da Pedra - Matosinhos


Uma iniciativa FENACHE – INH – C. M. DE MATOSINHOS
O Fórum “Por um Território Sustentável” teve lugar a 28 de Novembro de 2006 no Salão Nobre do Município de Matosinhos

Este texto serve essencialmente para acompanhar um conjunto de imagens que ilustram o que foi o dia de trabalho e de divulgação das temáticas da sustentabilidade urbana e residencial, assegurado por uma parceria entre a Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE), o Instituto Nacional de Habitação (INH) e a Câmara Municipal de Matosinhos, por ocasião da inauguração daquele que foi considerado o primeiro empreendimento cooperativo de construção sustentável em Portugal, promovido pela NORBICETA, UCRL (cooperativas Nortecoop, As Sete Bicas e Ceta), na 2ª Fase do conjunto da Ponde da Pedra em Matosinhos .


Com comentários muito reduzidos faz-se um pouco o programa ilustrado deste dia de trabalhos, abre-se o “apetite” para uma visita ao conjunto acabado e faz-se o link para o site do projecto europeu SHE, Sustainable Housing in Europe ( www.she.coop )
Finalmente, porque se julga que cada artigo deverá acrescentar sempre um pouco mais de matéria informativa/formativa, e com os devidos créditos à Newsletter 2 do projecto SHE, datada de Novembro de 2005, faz-se uma pequena resenha de citações sobre os aspectos técnicos de sustentabilidade que caracterizam cada um dos oito projectos-piloto SHE, entre os quais se integra este conjunto na Ponte da Pedra.

Lembra-se ainda que quem queira conhecer um pouco mais desta excelente iniciativa cooperativa na Ponte da Pedra pode facilmente continuar a ler o Infohabitar, pois imediatamente de seguida há um artigo pormenorizado sobre o que ela tem de inovação em termos de construção sustentável, da autoria de um dos seus principais responsáveis técnicos o Eng. José Coimbra.


Programa: sequência de temas/intervenções sob o tema, “por um Território Sustentável”:




(i) Intervenção de Guilherme Vilaverde, Presidente da Direcção da FENACHE – Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica, FCRL.

(ii) Intervenção do Eng. José Teixeira Monteiro, Presidente do Conselho Directivo do INH – Instituto Nacional de Habitação.

(iii) Intervenção do Vice-Presidente da Câmara Municipal de Matosinhos
E não seria possível deixar aqui de referir o que foi conseguido numa parceria estratégica entre as cooperativas de habitação associadas na FENACHE, o Instituto Nacional de Habitação e a Câmara Municipal de Matosinhos.
Conseguiu-se não só desenvolver um conjunto residencial onde se aplicam diversas soluções ambientalmente sustentáveis, mas também fazê-lo, ao mesmo tempo que se realizou um conjunto habitacional e urbano de habitação de interesse social, e isso, tal como foi sublinhado nestas intervenções é algo que fica para a história da habitação de interesse social portuguesa.




(iii) Intervenção intitulada “Projecto SHE (Sustainable Housing in Europe) – da Teoria à Prática”, por Alain Lusardi, Arq. Coordenador do Projecto SHE.
Foi uma intervenção que equacionou o projecto SHE no seu conjunto e nas suas potencialidade técnicas, sociais e de disseminação de uma nova forma de fazer pedaços positivos de cidade habitada; e havendo aqui lugar apenas a alguns comentários muito genéricos, confesso que entre as muitas coisas com muito interesse que Alain Lusardi referiu, gostaria aqui de sublinhar que, tal como ele disse, um dos objectivos do SHE foi procurar, ponderar e aplicar soluções de sustentabilidade verdadeiramente práticas, verdadeiramente possíveis de serem adoptadas no dia-a-dia da prática habitacional e residencial.




(iv) Intervenção intitulada “O Empreendimento da Ponte da Pedra – Por uma Cidade Sustentável”, pelo Arq. Carlos Coelho, Coordenador do Projecto do Empreendimento.
Também muito haveria aqui a referir sobre a intervenção de Carlos Coelho, mas fiquemos por algo de muito importante e que é a constatação de que muitos aspectos de verdadeira sustentabilidade urbana e residencial, associados, designadamente, à recuperação de uma zona antes ocupada por uma indústria poluente e degradada, e ao implementar de um conjunto de objectivos urbanos coesos, que visam o fazer cidade humanizada e vitalizada, estavam já premeditadamente garantidos ainda antes de se pensar aqui na Ponte da Pedra no projecto SHE, como elementos vitais a aplicar neste conjunto e que caracterizaram, logo, a 1ª fase desta Ponte da Pedra; e este é um ensinamento importante a retirar relativamente à eficácia de pequenos concursos de projecto bem enquadrados. E depois, depois foi associar estas ideias aos objectivos de sustentabilidade do SHE, ao mesmo tempo que se fez uma agradável pequena variação da imagem urbana (isto entre a 1ª e a 2ª fases).




(v) Intervenção intitulada “Novos Desafios para o Futuro das Cidades – A Perspectiva do Município”, pelo Arq. Luís Miranda, Director Municipal da Câmara Municipal de Matosinhos
Sobre esta interveção de um excelente projectista de habitação urbana, como é o caso do colega Luís Miranda, da CM de Matosinhos, nada é possível dizer, a não ser que foi exemplar, seja pelos conteúdos temáticos abordados, seja pela clareza e fluidez da apresentação, seja pelo interessantíssimo encadeamento de ideias; felizmente foi distribuído o respectivo texto integral, aliás, tal com aconteceu com as restantes intervenções técnicas.

Em seguida foi desenvolvido um longo e muito participado debate que cobriu, praticamente, todas as temáticas abordadas e que contou com a intervenção do Dr. Ricardo Bexiga, Vogal do Conselho Directivo do INH.




Pela parte da tarde seguiu-se a sessão de encerramento, com duas outras intervenções estruturantes:

do Dr. Guilherme Pinto, Presidente da Câmara Municipal de Matosinhos;


e, finalmente, do Prof. Dr. João Ferrão, Secretário de Estado do Ordenamento do Território e das Cidades

Iniciando-se a segunda parte da jornada de trabalho partiu-se para o empreendimento da PONTE DA PEDRA, em Leça do Balio, Matosinhos e procedeu-se à visita e à inauguração deste conjunto da PONTE DA PEDRA (2ª fase), o Primeiro Empreendimento Cooperativo de Construção Sustentável em Portugal, promovido pela NORBICETA, UCRL.

Sobre este empreendimento “as imagens falam” um pouco, mas recomenda-se uma visita; e vamos deixar as imagens da Ponte da Pedra falar enquanto, em seguida, e com os devidos créditos à Newsletter 2 do projecto SHE, datada de Novembro de 2005, se fazem, desta mesma Newsletter, citações dos aspectos técnicos de sustentabilidade que caracterizam cada um dos oito projectos-piloto SHE, entre os quais se integra este conjunto na Ponte da Pedra.

Consórcio Cooperativo - CCICASA, Teramo, Projecto Teramo, 60 eco – residências:sistemas solares activos (fotovoltaico e térmico);
- alvenaria com elevada inércia e alto isolamento térmico;
- isolamento acústico;
- uso de materiais naturais e não-tóxicos;
- redução de campos eléctricos e electromagnéticos;
- ventilação natural nocturna;
- aquecimento central radiante com caldeira de elevada eficiência;
- reutilização e reciclagem de água;
- iluminação com reduzido consumo de energia.



Consórcio Cooperativo-COIPES, Veneza., Projecto Preganziol , 70 eco – residências:
orientação dos edifícios;
- sistemas solares activos (fotovoltaico e térmico);
- refrigeração centralizada também com energia geotérmica e sistemas radiantes a baixa temperatura;
- optimização de fluxos de energia com o ambiente por concepção arquitectónica (arq. bioclimática);
- isolamento acústico;
- ausência de viaturas em espaços comuns; vias pedonais e vias para bicicletas distintas e uso de terra compactada em vez de asfalto nos pavimentos para circulação de viaturas;
- reciclagem de água e filtro de depuração de água não potável;
- redireccionamento e utilização de um pequeno curso de água para arrefecimento interior no Verão.






Consórcio Cooperativo - COPALC, Bolonha, Projecto Ozzano, 12 eco – residências:- sistemas solares activos (fotovoltaico e térmico);
- alvenaria com elevada inércia e alto isolamento térmico;
isolamento acústico;
- uso de materiais naturais e não-tóxicos;
- redução de campos eléctricos e electromagnéticos;
- ventilação natural e ventilação nocturna;
- aquecimento central radiante com caldeira de elevada eficiência;
- reutilização e reciclagem de água;
- iluminação com reduzido consumo de energia;
- protecção solar muito eficaz;
- contadores de consumo de energia térmica em cada habitação.



Organização de Habitação Social – RINGGAARDEN, Aarhus, Projecto Aarhus, 130 eco-residências:- objectivo energético: consumo inferior a 30kw/m2/ano;
- condições de iluminação natural optimizadas sem problemas de sobreaquecimento;
- varanda interior como zona térmica tampão;
- sistema de armazenamento térmico (material de mudança de fase);
- ventilação natural intensificada com torres de vento;
- materiais renováveis e ambientalmente optimizados;
- utilização de todos os sistemas conhecidos para poupança de água.



Consórcio Cooperativo - COPES, Pesaro, Projecto Villa Fastiggi, 130 eco-residências:

- apoio ao desenvolvimento da nova legislação local sobre arquitectura bioclimática;
- vias pedonais e vias para bicicletas independentes;
- melhoramento das ligações entre vias interiores e exteriores;
- isolamento acústico do edifício e da zona habitacional;
- redução dos campos electromagnéticos;
- gestão do ciclo da água à escala da chuva e da redução de níveis de consumo doméstico;
- controlo do impacto solar: ganhos solares no Inverno e estratégias passivas de arrefecimento para o Verão, dispositivos de sombreamento, ventilação natural, elevada inércia térmica e bom isolamento térmico;
- novo parque urbano que respeita as características da zona envolvente e as hortas familiares;
- evitar níveis de iluminação exterior excessivos e melhorar a iluminação natural no interior dos edifícios;
- sistemas centralizados de aquecimento a baixa temperatura com caldeiras de alta eficiência e com apoio de colectores solares térmicos.






Consórcio Cooperativo-CONSEDI, Brescia, Projecto Mazzano 40 eco – residências:
- sistemas solares activos (fotovoltaico e térmico);
- alvenaria com elevada inércia e alto isolamento térmico;
- isolamento acústico;
- uso de materiais naturais e não-tóxicos;
- redução de campos eléctricos e electromagnéticos;
- aquecimento central radiante com caldeira de elevada eficiência;
reutilização e reciclagem de água;
- iluminação com reduzido consumo de energia.






Consórcio de Cooperativas – NORBICETA, Porto, Matosinhos, 101 eco-residências:- sistemas solares térmicos activos;
- alvenaria com elevada inércia térmica;
- uso de materiais naturais e não-tóxicos;
- tratamento optimizado da envolvente para minimizar pontes térmicas;
isolamento acústico;
- reutilização e reciclagem de água;
- controlo de resíduos resultantes da construção e processo de recolha selectiva;
- sistemas de poupança de água: dupla descarga de 3/6 litros, redutor de fluxo e colector de água da chuva na cobertura e nos jardins;
- gestão de resíduos com dispositivos de recolha selectiva de lixo produzido prelos habitantes;
- renovação do ar interior por extracção centralizada controlada.
iluminação com reduzido consumo de energia.



Organização de Habitação Social - OPAC38, Grenoble, Projecto Bourgoin-Jallieu, 61 eco-residências:
- relação harmoniosa entre o edifício e a envolvente;
- controlo de resíduos resultantes da construção e processo de recolha selectiva;
- alvenaria com forte inércia térmica, uso de tijolo de argila;
- criação de “estufas” dentro da habitação para captação de energia solar passiva;
- 60m2 de painéis solares térmicos e 20m2 de painéis fotovoltaicos;
- água quente fornecida por sistema centralizado a gás natural;
- ventilação de exaustão controlada;
- sistemas de poupança de energia para área públicas e privadas;
- sistemas de poupança de água: dupla descarga de 3/6 litros, redutor de fluxo e colector de água da chuva na cobertura;
- gestão central de reparação e manutenção;
- gestão de resíduos com dispositivos de recolha selectiva de lixo produzido pelos habitantes;
- conforto visual: iluminação natural em habitações e áreas comuns.

Relembra-se que estes textos-resumo, com citações dos aspectos técnicos de sustentabilidade que caracterizam cada um dos oito projectos-piloto SHE, foram retirados da Newsletter 2 do projecto SHE, de Novembro de 2005.




Os comentários finais e ponderados sobre esta jornada e sobre o interesse deste caminho residencial e urbano cooperativo marcado pela sustentabilidade e pelo controlo de qualidade e de custos, terão de ficar para um outro artigo, que já aqui se promete; fica a soberba beleza da imagem da arte e da arquitectura ligadas, também uma marca evidente de sustentabilidade social e cultural.

Lisboa e Encarnação/Olivais-Norte, 29 de Novembro de 2006

António Baptista Coelho

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