quinta-feira, julho 27, 2006

Lisboa palco de beleza; ... cidade, no rio… a caminho do mar: artigo duplo, sobre a Tall Ships’ Races 2006, Celeste Ramos e M. João Eloy - Infohabitar 96

 - Infohabitar 96


LISBOA CIDADE - PALCO DE BELEZA

Maria Celeste d'Oliveira Ramos - arqtª-paisagista
Como é bela a velha cidade que parece mais feliz quando algo de novo e grandioso nela se manifesta e faz com que todos os seus habitantes desçam colina a colina quais regatos que desaguam no grande rio a ver o que nele acontece de fantástico e do rio, mais uma vez, se enamorem.
Feliz é a cidade que se situa à beira de estuário de Rio, matéria-primordial de Civilização, como foi a do Nilo que deu origem a uma das mais inteligentes e perturbadoras das civilizações antigas, dela perdurando até nós fábulas, não apenas de Cleópatra, mas essencialmente das suas pedras transtornadas-arte-religião-cultura-história-saberes-mistério, hoje continuando a ser, não apenas local mítico, mas permitindo, ainda agora, desenterrar do mar esfinges após esfinges, quais "MonaLisa" do passado, pedras sagradas da sabedoria da beira-do-deserto e tal que a sua grandeza nunca se apagou, sendo hoje local de peregrinação-turística na demanda de saberes antigos e de mistério nunca desvendado.
Fig.1
Fig. 2
Feliz Lisboa do lendário rei de Ítaca que a baptizou e onde, para além do número sagrado - o sete - o número das suas colinas, mora gente que ama a sua cidade e o seu rio e o veneram tão só para, inocentemente e alheados da história, pescarem o mais humilde peixinho ou assistirem ao grandioso espectáculo dado pelos mais belos e gigantescos veleiros – nas Tall Ships’ Races 2006 - engalanando o Rio e a Cidade que forneceu, para agradecer a sua visita, o clima mais esplendoroso e até o vento necessário e a Luz, sempre a luz desta "Lusitânia" para que pudessem brilhar mais neste estuário maior da Europa, de água sempre corrente e sem gêlo e de imensa biodiversidade, parte da Rede Natura do continente e património do mundo, porque este mundo moderno que somos "partiu daqui."
Figg. 3, 4
Bela a cidade com o rio como paisagem, com escala para ser detectado pelas lentes inquisidoras dos satélites mundiais, paisagem única e mítica de onde partem e onde aportam constantemente todos os navios do mundo.
Feliz o habitante que pode olhar o rio da janela de sua casa ou da rua do seu bairro ou que, em dia de descanso, desce até à beira rio e, sem saber, procura "as Tágides minhas" que o poeta desencantou dando ao país memória eterna e eternizada porque, também ele, um dia daí partiu para longe e regressou com palavras-escritas da sua epopeia que se confunde com a epopeia do país de marinheiros e é raíz, na sua forma-renascentista-original, que continua a ser essência lusitana.
Feliz a Cidade-palco de beleza e de história de toda a humanidade, para sempre a capital do primeiro gesto que tornou o mundo global e redondo ao desbravá-lo, correndo mares fora e dando identidade a continentes até aí desconhecidos.

Como que reavivando essas memórias, mais uma vez, pelas águas foi agora materializado esse passado comum com o esplendor exibido pelos Veleiros mais belos do mundo lembrando aos homens que é a PAZ entre eles que é preciso anunciar a todas as gerações para serem mais humanos e felizes, porque já todos os mares foram desbravados e conquistados como que anunciando que falta apenas conquistar o Homem-Global.

Feliz o Rio que tal "mensagem" transporta hoje, como transportou nas brancas velas pandas com a Cruz de Cristo, Ele, que veio à Terra anunciar o Amor e a Paz.

Fig. 5

Fig. 6
E assim se fez e continua a fazer cidade-cidadania-global, nas águas do rio que corre doce e tranquilo para o mar.
Mítica Cidade de mítico Rio e de gente que um dia sonhou abrir as estradas do mar para homens e continentes e semear aquilo em que acreditava.

PS – Um lisboeta entrevistado hoje, à beira rio, para o noticiário televisivo das 20:00, disse que estava, por um lado, maravilhado com o que via mas que, por outro, lamentava olhar os Veleiros e nada saber deles e muito menos da história do país do tempo dos descobridores.
Fica aqui esta "nota triste" de uma cidade que esteve "feliz" por alguns dias de emaravilhamento pela beleza dos "visitantes" do seu Rio.
Maria Celeste d'Oliveira Ramos
Lisboa, bairro de Santo Amaro, 23 julho 2006

Fotos 1 a 6 - M.J.Eloy – Tall Ships’ Races 2006, Tejo – Lisboa
1. Doca de Alcântara e Navio Escola ‘Sagres’, 2006.07.21
2. ‘Sagres’ , Tejo, Lisboa
3. ‘Europa’ - detalhe
4. ‘Amerigo Vespucci’ - detalhe e Ponte 25 de Abril
5. ‘J. S. De Elcano’, Tejo, Lisboa
6. ‘Stravos S Niarchos’, Tejo, Lisboa


TAMBÉM ASSIM SE FAZ CIDADE, NO RIO… A CAMINHO DO MAR

Maria João Eloy - arquitecta

Fig. 7

Fig. 8

Fig. 9

Fig. 10

Fig. 11

Fig. 12
Uma doca de acessos controlados,
de seguranças discretamente armados,
pede cartões na suspeita de identidades.
O festival transborda o rio para o cais,
num deslumbre de objectos pesados,
etereamente flutuantes.
A água plena de utilidade.
O Sol explicando-se melhor.
A escala ignorada todo o ano.
Nós sufucando de crise e inanição.
Eles inchados de soberba e precisão.
Governados humilde e habilmente.
Emprestados ao bulício citadino.
Ignorantes da sua administração.
Tradições de antanho, perícias tamanhas.
Azuis, brancos, pretos e amarelos.
Solidariedade intergeracional.
Proposta para prémio da paz.
108 metros, 100, 50, 10 e tais.
Velas, mastros, cordames.
Um arrepio ao desfilar da Sagres.
Um não sei quê de brio.
Que bem vão em formatura.
Da proa à popa que longe fomos.
Hoje deslumbrados restamos.
A guerra já aqui tão perto.
Eles afinados, emproados.
Nós preocupados com o chaço velho.
A cidade engalanada, mascarada.
Bem usada e abusada.
Vida, cultura, desporto.
Foguetório, homenagens.
Faça turismo por cá.
Dividendos vários.
Dentro de dois anos, mais haverá.

Também assim se faz cidade,
no rio… a caminho do mar.
Trata-se do 50º aniversário
da Regata dos Grandes Veleiros.
Prontos a zarpar, que se faz tarde.


Maria João Eloy
Lisboa, 23 Julho 2006

Fotos 7 a 12 - M.J.Eloy – Tall Ships’ Races 2006, Tejo – Lisboa
7. Largada no Tejo da Regata dos Grandes Veleiros, 2006.07.23
8. ‘Amerigo Vespucci’, Lisboa e Ponte 25 de Abril
9. ‘Christian Radich’, Tejo, Lisboa
10. ‘Europa’ – detalhe
11. ‘Dar Mlodziezy’, Tejo, Lisboa
12. Acesso ao cais da Tall Ships’ Races na Doca de Alcântara e ‘Sagres’

domingo, julho 23, 2006

Ambiente e construção sustentável numa promoção cooperativa na Ponte da Pedra, Matosinhos - um artigo de José Coimbra - Infohabitar 95


 - Infohabitar 95


Notas iniciais:
É com grande satisfação que o Infohabitar acentua, com este artigo, a sua vertente tecnológica, caminho este que se pretende harmonizar, nas futuras edições da nossa revista/blog, com a continuidade das temáticas que têm merecido a nossa atenção.
O Eng. José Coimbra, que hoje, pela primeira vez, aqui assina um excelente artigo tem, entre outras funções, importantes responsabilidades técnicas na Cooperativa de Habitação As Sete Bicas e na Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE) e foi um dos elementos-chave no incentivo e no levar à prática de uma pioneira intervenção de habitação de interesse social ambientalmente sustentável, assegurada pela promoção cooperativa e apoiada pelo Instituto Nacional de Habitação; um exemplo, actualmente em acabamento, e que, sem dúvida, ajudará a marcar um novo e essencial caminho na promoção habitacional em Portugal.
O texto que se segue é da autoria do Eng. José Coimbra, refere-se à segunda fase do indicado conjunto da Ponte da Pedra, em Matosinhos, e será integrado numa publicação subordinada ao tema “Ambiente e Construção Sustentável”, desenvolvida em colaboração com o Instituto do Ambiente e que já integra uma primeira avaliação do referido conjunto, à qual se seguirão outras análises e avaliações mais completas e detalhadas.

A edição



Ficha técnica da segunda fase do conjunto da Ponte da Pedra, em Matosinhos:
Intervenientes: Promotor: NORBICETA – União de Cooperativas de Habitação, U.C.R.L. (Nortecoope, As Sete Bicas, Seta).
Projecto: Carlos Coelho – Consultores, Lda.
Controlo Técnico: CPV, Controle e Prevenção de Riscos, S.A.
Construção: J. GOMES Sociedade de Construções do Cávado, S.A.
Coordenação de Higiene, Segurança e Saúde: SOPSEC Sociedade de Prestação de Serviços de Engenharia Civil, Lda.
Financiamento da Construção: Instituto Nacional de Habitação – INH
Projecto – piloto comunitário, subsidiado e apoiado pelo Projecto SHE, Sustainable Housing in Europe



Dados gerais:
Área de implantação: 3105 m2
Área bruta de construção: 14.852,40 m2 (101 fogos)
O Conjunto residencial da Ponte da Pedra, promovido pela NORBICETA – União de Cooperativas de Habitação, U.C.R.L., situado em Matosinhos, substituiu uma zona industrial degradada, valorizando o local de implantação, na medida em que, para além da operação habitacional, se procedeu a uma acção de regeneração ambiental e urbana.
Este Conjunto Residencial é constituído por uma primeira fase que conta com 6 Blocos, os quais contemplam 150 habitações, um equipamento educativo e cultural a norte do novo arruamento e um equipamento desportivo a meio da área habitacional.
A segunda fase do Empreendimento, constituída por 2 blocos (Bloco 7 e Bloco 8 – 101 habitações, tipologia T2 e T3), prevê ainda a criação de um equipamento infantil, parque público e espelho de água, peça escultórica, com zonas ajardinadas e vias pedonais em todo o Empreendimento.
Esta segunda fase, ainda em construção e com data de conclusão prevista para Setembro (Lote 7) e Novembro (Lote 8) de 2006, representa a participação portuguesa no Projecto SHE (Sustainable Housing in Europe) e surge na sequência da candidatura desta fase a esse mesmo Projecto.
O Projecto SHE é um projecto-piloto desenvolvido a nível europeu, co-financiado pela UE, incluindo-se no Eixo nº 4 – Cidades do Futuro e Herança Cultural, do 5º Programa Quadro de Investigação: Ambiente e Desenvolvimento Sustentável.
O Projecto tem como objectivo demonstrar a viabilidade da Habitação Sustentável do ponto de vista económico, ambiental, social e cultural, utilizando, para tal, construções cooperativas europeias.
Durante o uso das habitações, serão desenvolvidas acções de monitorização a esses níveis com o propósito de demonstrar, com resultados concretos, a viabilidade, importância e vantagem da construção sustentável. Em Portugal, o Projecto foi desenvolvido em parceria pela NORBICETA – União das Cooperativas de Construção, U.C.R.L., pelo Departamento de Engenharia Mecânica e Gestão Industrial da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e pela Federação Nacional das Cooperativas de Habitação Económica, U.C.R.L, dando assim origem ao Primeiro Empreendimento Cooperativo de Construção Sustentável em Portugal.

De seguida, são apresentadas as medidas aplicadas no projecto SHE de Ponte da Pedra, de acordo com os critérios do Sistema " Líder A ".




Local e Integração:

O projecto da Ponte da Pedra 2ª Fase demonstra preocupações na análise do local e das suas características, nomeadamente através do levantamento prévio das especificidades do local e da sua integração no projecto, destacando-se a procura de gestão de águas locais, assegurando as funções ecológicas do solo (C2).
Para além deste aspecto, é ainda relevante o facto de o empreendimento se localizar numa antiga zona industrial, tendo recuperado uma zona degradada, o que constitui um factor de destaque no que respeita à selecção do local – análise macro e planeamento (C1).
Existem também nas proximidades ao local várias amenidades (farmácia, banco, lojas de comida, etc.) e acesso a transportes públicos.

Recursos:

As medidas aplicadas demonstram uma efectiva preocupação na adequada gestão energética, que passam pela utilização de medidas solares passivas, melhorando o desempenho energético passivo do edifício (C10), e activas que permitirão reduzir o consumo de electricidade (C11) e de gás, aproveitando energia solar para AQS, ou seja, recorrendo a formas de energia renovável (C14).
Existem também medidas que permitem uma adequada gestão da água no interior das habitações (chuveiros com válvulas termostáticas para controlo de temperatura, autoclismos com dupla descarga de 3 e 6 litros, aproveitamento de águas pluviais para a sanita, etc.), contribuindo, desta forma, para a redução do consumo de água para abastecimento doméstico (C16).
No exterior dos apartamentos são também aplicadas medidas para reduzir os consumos de água em espaços comuns e exteriores (C17), nomeadamente através do aproveitamento de águas recuperadas para rega da totalidade dos jardins da urbanização e da introdução de sensores de humidade que permitem detectar a necessidade de rega.
O facto de se ter implementado um sistema de recolha e armazenamento das águas pluviais, de escorrência superficial na área do empreendimento e de infiltração nas garagens, depois utilizadas, como referido, nas sanitas e rega de jardins, contribui efectivamente para a gestão de águas localmente (C20).
Verificou-se uma preocupação na utilização de materiais locais (C22) preferencialmente localizados na zona centro norte, num raio de aproximadamente 100 km, apresentando certificados de qualidade.

Ambiente Interior:

Relativamente ao ambiente interior, é evidente a introdução de medidas para a redução de ruído, através do reforço do isolamento acústico (C42), quer nas paredes exteriores, quer nas zonas interiores mais sensíveis (quartos).
A adequada ventilação e contributo natural (C36) das habitações, associada à ausência de aparelhos de ar condicionado, irá permitir estabelecer padrões adequados de qualidade de ar interior, nomeadamente no que respeita à prevenção de micro contaminações (C38), por exemplo legionella.
As medidas aplicadas para reforçar o isolamento térmico, bem como as medidas solares passivas e activas referidas, permitirão obter valores de conforto térmico (C39) adequados no interior das habitações.
Pelo que se pode observar na visita ao local, os níveis de iluminação (C40) deverão também ser bastante confortáveis, nomeadamente através do aproveitamento da iluminação natural (C41) considerada no dimensionamento das janelas.

Gestão Ambiental e Inovação:

A sensibilização dos futuros moradores é assegurada nos vários momentos de desenvolvimento e de apresentação do Empreendimento (encontros conjuntos que reúnem promotor, construtor, projectista e autarquia e que são apoiados pela emissão de Dossiers actualizados sobre o Empreendimento).
As acções de sensibilização culminam com a edição do Manual do Cooperador Proprietário de Uso e de Manutenção do Imóvel, distribuído aquando da entrega das habitações, documento este que divulga informação ambiental (C48) relevante sobre o edifício e sua adequada utilização.
Para além deste aspecto é ainda de referir que será desenvolvida uma monitorização energética e ambiental, social e económica (implicadas pelo projecto SHE), que permitirá acompanhar e controlar o desempenho do edifício.

Notas complementares:
O Instituto Superior Técnico, sob a orientação do Professor Manuel Pinheiro da Secção de Hidráulica e Recursos Hídricos e Ambientais, e ao abrigo do Sistema Líder A (Sistema Ambiental de Reconhecimento da construção sustentável), irá proceder à avaliação ambiental do Empreendimento da Ponte da Pedra 2ª Fase, promovido pela NORBICETA – União de Cooperativas de Habitação, U.C.R.L.
O referido grupo de investigação do IST está agora a desenvolver os critérios segundo os quais será possível proceder à avaliação e certificação ambiental de empreendimentos, e à identificação dos “casos de estudo“ considerados mais significativos a este nível.
Julho de 2006
José Coimbra
Nota do editor: a este importante exemplo de aliança entre promoção de habitação de interesse social e construção que integra critérios práticos de sustentabilidade, voltaremos, designadamente, por ocasião da sua próxima inauguração.

sexta-feira, julho 21, 2006

Seis cantos contra a guerra - Infohabitar 94

 - Infohabitar 94

Disse-me o grande amigo e membro do Grupo Habitar, Khaled Ghoubar: “é o melhor que eu posso fazer contra esse absurdo no Líbano, e eu acho que eles podem ser muito úteis porque não pretendem ser parciais.”
E assim, sem mais comentários a não ser uma imagem, que ofereço ao Khaled, e com a qual partilho a intenção dos cantos, editam-se,

“Seis cantos contra a guerra.”

António Baptista Coelho




1/6
Quando ansiava pela paz,
me anunciaram a guerra.

Já gastei no passado quase todo o meu ódio,
hoje eu o conservo em pequenas garrafas,
como perfume.

Bateram à minha porta
com armas de fogo e armas brancas,
sem nenhuma bandeira branca...

Disse-lhes que eu saí
que a minha alma foi penar
onde as mães penam seus filhos mortos,
onde os filhos perdidos procuram suas mães,
onde o sangue não alimenta nada.

Disse-lhes que eu ali
era só um corpo inútil, desalmado
e que poderiam levá-lo para a guerra,
para aumentar as penas
das mães e dos filhos,
ambos perdidos nos escombros
que produzirei.

Me carregaram em regozijo,
me carregaram morto-vivo,
eu que só queria parar
para chorar todos os mortos.

Khaled Ghoubar 19 07 2006


2/6
Já viram a mãe muçulmana
no quadro de Guernica?

Já identificaram a criança judia
no quadro de Guernica?

Já sentiram o cheiro
de carne humana dilacerada,
soterrada, carbonizada?
Dizem que começa com um cheiro doce...
que depois atrai os abutres!

Guernica, de guerreiros carniceiros,
que escória é essa gente
que chamamos de humanos?

Não são judeus, nem são muçulmanos!

Khaled Ghoubar 19 07 2006


3/6
Antes que sobre só estupidez
e rancor dilacerante,
faço meu testamento de fé:

De nada adianta matar o corpo
se a alma é imortal;
De nada adianta castigar
o mal com o mal
que nunca nascerá o bem;
De nada adianta me ofender,
serão sempre injustos;
De nada adianta queimar minha casa,
sei reconstrui-la com cinzas;
De nada adianta me expulsar,
a memória dos meus pés me trará de volta;
De nada adianta me acusar,
eu sou uma peça de dominó;
Eu só queria a ingenuidade honesta
de uma paz definitiva;
Não quero flores,
choros e tiros para o ar,
só quero o silêncio dos campos arados;
Eu quero que eles atravessem a fronteira
para apararem no peito
as balas que eles desferiram;
Não haverá nem céu, nem inferno,
só um eterno murmúrio de lamento.

Khaled Ghoubar 19 07 2006



4/6
Não vai dar certo!
Eles gostam de fogo
e eu do vento...

Eles gostam de brincar de policial
e me tratarem como bandido...

Eles não querem ver
que “beith” muçulmano
é o mesmo “beith” judeu...

Todas as mortes para eles
são muito divertidas,
do outro lado da fronteira...

O TodoPoderoso
os castigará com a simetria,
eles que são ignorantes
da Geometria Divina,
são filhos do Caos.

Eu sou simplesmente
um homem preocupado,
ajudando os salmões
a subirem os rios.

Khaled Ghoubar 19 07 2006
5/6
Enquanto a guerra não acaba,
no Vale do Anhangabau
o PCC montou um telão
que de 5 em 5 minutos
dá o escore da guerra,
enquanto escrotos fazem apostas.

Quantas mortes faz uma vitória?
Quantas vitórias faz um campeão?
Quem é o demente juiz
desse jogo macabro e absurdo?

Khaled Ghoubar 19 07 2006


6/6
Antes que tudo volte ao normal,
como é normal...

Antes que as orações
sepultem para sempre
os corações expostos
pela bala ou pela dor.

Antes que as fronteiras se abram
para recolher e trocar seus mortos.

Antes que uma mãe
em desespero grite em hebreu
e uma criança
em pânico responda em árabe.

Antes que se esqueçam da barbárie
que é lavar a Terra Santa
dos muçulmanos e judeus
com o sangue de inocentes iludidos,
enlouquecidos, e enraivecidos,
judeus e muçulmanos.

Antes que se esqueçam
do enxofre e da prata
nessas terras enterrados.

Antes que se esqueçam...

Khaled Ghoubar 19 07 2006

sexta-feira, julho 14, 2006

A CIDADE QUE SOU E TENHO EM MIM – Maria Celeste Ramos ; REGRA DE OURO: HABITAR – Maria João Eloy - Infohabitar 93

 - Infohabitar 93

Artigo duplo
Introdução
Das propostas do PNPOT (1) destacamos o tema “Portugal: os grandes problemas para o Ordenamento do Território” (2), elegendo o domínio que incide na “Expansão urbana desordenada e correspondentes efeitos na fragmentação e desqualificação do tecido urbano e dos espaços envolventes” para, numa abordagem não institucional, empreendermos uma reflexão sobre o acto de ‘habitar’, a pretexto das louváveis intenções das alíneas seguintes:
Degradação da qualidade de muitas áreas residenciais, sobretudo nas periferias e nos centros históricos das cidades, e persistência de importantes segmentos de população sem acesso condigno à habitação, agravando as disparidades sociais intra-urbanas”; “Insuficiência das políticas públicas e da cultura cívica no acolhimento e integração dos imigrantes, acentuando a segregação espacial e a exclusão social nas áreas urbanas”.
(1) No dia 27 de Abril de 2006, foi publicada em Diário da República a Resolução do Conselho de Ministros que aprova para discussão pública a proposta técnica do Programa Nacional da Política de Ordenamento do Território, PNPOT. O período de discussão pública ocorre de 17 de Maio a 9 de Agosto de 2006.
(2) http://www.territorioportugal.pt/Proposta.aspx

A CIDADE QUE SOU E TENHO EM MIM

Maria Celeste Ramos
A cidade é como a vida – está dentro de mim e sou dela pertença.
Ao atravessá-la a caminho da escola ou do local de trabalhar ou, simplesmente, de ir daqui para acolá, recolhem-se imagens codificadas que vão para uma zona do cérebro, arquivo da memória imagética, como vão as imagens de qualquer outra vivência no espaço familiar.
A vida é um processo de acumulação de imagens (3) anexando a respectiva emoção que, frequente e tardiamente, já não é uma memória mas uma recordação, baralhando o "tempo" cronológico mas deixando uma sucessão de "pegadas."
A cidade educa e eleva, ensina e informa estabelecendo um relacionamento eu-cidade-espaço-acontecimento, transmite alegria e/ou dor, nem que seja a provocada pelas enxurradas e pelo fogo, porque a cidade não é apenas o espaço físico impessoal e impessoalizado, mas sim o que nele se vive e se troca.
A Cidade como a Casa é palco de-vida-acontecer e tal que, ao viajar-se para longe se traz, igualmente, a memória do lugar habitado por outrém, colhida emocional e culturalmente e vivida como se o homem e o espaço fossem impossíveis de dissociar, tornando-nos mais ricos e conscientes ao adquirir mais experiência vivencial e matéria de troca, porque viajar é por si só aprender.
Uma cidade abandonada pelos habitantes é uma cidade fantasma que o vento e o tempo devoram ficando só ruínas, ou nem isso.
A cidade vive porque nela se habita com-a-vida-toda e será sempre o espelho multi-facetado das vivências humanas e das estações do tempo.
A cidade é o espaço de crescimento e desenvolvimento do ser humano que vai construindo memória colectiva como herança de cada geração, para a legar às gerações que vão nascendo.
Lisboa é a minha Cidade - é a cidade que eu tenho cá dentro – porque a gente pertence às cidade e às vilas e a cidade pertence à gente numa interacção constante.
Como as pegadas que deixamos na vida dos outros, a cidade deixa em nós matéria de identificação do que somos e que transborda para não importa que habitante urbano ou rural.
Lugar que pode ser também cidade do ESQUECIMENTO - cidade que esquece os velhos porque os DESACTIVA, ou não valoriza os que, sendo portadores de handicap, são também cidadãos activos, criativos e produtivos
E porque a cidade é o espaço de abrigo que fornece habitação, cultura, religião, serviços, jardins e bem estar, é também o lugar que dá prioridade ao automóvel sobre o peão – que se limita a fornecer espaços lúdicos só para os teenager e não para os velhos, num ambiente que se torna progressivamente hostil e incomunicável com o habitante, perdendo o sentido de cidade e das funções para que foi contruída – as funções dos cidadãos.
Esta Cidade de hoje é a cidade onde MORA o quê ?? A alienação ? O esquecimento da origem da sua função ?? O esquecimento da criação de lugares com "espírito do lugar" e espírito de criar condições de vizinhança, de bem estar e de alegria e de um orgulho de pertença de nela habitar.
(3) Na esteira de George Steiner: “Não é o passado literal que nos governa, excepto, talvez, muma acepção biológica. São imagens do passado: com frequência tão intensamente estruturadas e tão imperativas como os mitos. As imagens e as construçõs simbólicas do passado encontram-se impressas, quase à maneira de informações genéticas, na nossa sensibilidade. (…)” – “No Castelo do Barba Azul – Algumas Notas para a Redefinição da Cultura” (1971), Relógio d’Água, 1992, p 13
Maria Celeste d’Oliveira Ramos, 4 junho 2006
Fotos: ‘O Rio como Paisagem’, Doca de Santo Amaro, Lisboa, 2006 – MCOR.


REGRA DE OURO: HABITAR

Maria João Eloy
A utilização do termo ‘habitar’ traduz tradições e pressupostos contraditórios, reveladores do estatuto dos habitantes de lugares em regime de paz, que é irreconciliável com o dos que sobrevivem nos lugares em guerra; pensar na qualidade do ‘habitar’, releva o significado de pertencer ou não a uma comunidade, de ser ou não reconhecido como habitante, de viver como deslocado e emigrante ou de, paulatinamente, permanecer há gerações no mesmo território.
Além destas situações, em que os envolvidos se empenham na sua cidadania, sempre se puderam encontrar, no ‘habitar’, os sintomas de não pertencer e não acreditar, reflexo das singularidades da vida nua que ignora o implacável poder soberano da cidade, “a coisa mais universal, a coisa mais partilhada (...)” porque “com a cidade temos a impressão de descobrir o mundo tal qual ele é, ‘em directo’, de sermos actor e observador, exploradores de uma selva viva que constitui o próprio corpo da sociedade.”(4)
Reflectindo sobre a esperança daqueles a quem restam tentativas reiteradas de aceder a condições precárias de ‘habitar’, recorrerei à noção de irreparável de Agamben, que não retira nobreza a esse modo de ‘existir’: “O irreparável não é nem uma essência, nem uma existência, nem uma substância, nem uma qualidade, nem um possível, nem um necessário. Não é propriamente uma modalidade do ser, mas é o ser que se dá desde logo na modalidade, é as suas modalidades. Não é assim, mas é o seu assim.” (5)
À necessidade de transmissão, no mundo civilizado, das regras de ouro de ‘habitar’ – aparentemente ausentes do ‘habitar’ precário de todo o tipo de desalojados – tem-se vindo a contrapor uma valorização do papel da intuição, do imaginário, da sensibilidade e do corpo, numa autoregulação indomável que lança uma disparidade de desafios à pesquisa dos conceitos normalizados para projectar habitação; através de persistentes e trangressoras reconfigurações das regras do ordenamento territorial, do urbanismo e da arquitectura, assiste-se à tentativa de “combater o niilismo do mundo moderno: o abstracto lugar onde não há lugar da metrópole, a destruição do mundo interior do espírito e a impossibilidade de morar de um modo autêntico, no sentido heideggeriano do termo”, como o entende M. Cacciari (6).
É neste sentido que, ao reproduzir a lamentação de Gabriel o Pensador em “O resto do mundo” (7), pretendo ir além da invocação do folclore urbano das metrópoles, interrogando-me sobre o valor dos recursos criativos de grande parte da humanidade; de ‘gente’ que, vivendo fora dos limiares do ‘habitar’ regulamentado dos prósperos centros urbanos, se confronta com a linguagem estrangeira da cidadania participativa, sem lhe poder retorquir, senão através do discurso musical e poético – entre outras formas, das menos violentas, do discurso de ‘existir’:
O resto do mundo
Eu queria morar numa favela (...)
O meu sonho é morar numa favela
Eu me chamo de chêroso como alguém me chamou
Mas pode me chamar do que quiser seu dotô
Eu num tenho nome
Eu num tenho identidade
Eu num tenho nem certeza se eu sou gente de verdade (...)
Eu sou o resto O resto do mundo
Eu sou mendigo um indigente um indigesto um vagabundo
Eu sou... Eu num sou ninguém (...)
Eu sou sujo eu sou feio eu sou anti-social
Eu num posso aparecer na foto do cartão postal
Porque pro rico e pro turista eu sou poluição
Sei que sou um brasileiro Mas eu não sou cidadão
Eu não tenho dignidade ou um teto pra morar (...)
Eu sei que a maioria do Brasil é pobre
Mas eu num chego a ser pobre eu sou podre!
Um fracassado Mas não fui eu que fracassei
Porque eu num pude tentar
Então que culpa eu terei
Quando eu me revoltar quebrar queimar matar
Não tenho nada a perder Meu dia vai chegar
Será que vai chegar? (...)
Eu num sou registrado Eu num sou batizado
Eu num sou civilizado eu num sou filho do Senhor
Eu num sou computado eu num sou consultado
Eu num sou vacinado Contribuinte eu num sou
Eu num sou comemorado eu num sou considerado
Evitando alongar esta interrogação, onde não cabe uma conclusão, escolheria o topos ou clichê que é conhecido na tradição como locus amoenus (lugar ameno, recanto aprazível) para, tentando não-entender e não-classificar os lugares de ‘habitar’ atrás exemplificados, perscrutar neles o ameno, o aprazível e o belo …
(4) Portzamparc, C. de - Prefácio a “ Vers la troisième ville ? ”, Mongin, Olivier; Hachette, 1995 pp. 8, 9.
(5) Agamben, Giorgio – “A comunidade que vem” (1991) - ed.Presença 1993, p 73.
(6) Cacciari, Massimo – “Architecture & Nihilism: on the philosophy of modern architecture”, London, Yale University Press, 1995.
(7) Excertos do texto da faixa 10 “O resto do mundo”, Gabriel o Pensador - CD, Chaos, 1993.
Maria João Eloy, Junho 2006
Fotos:
‘Um rectângulo de ouro no Rio de Janeiro’, 2003 – Vera Eloy.
‘Ordenamento do território entre Pemba e a ilha do Ibo’, Moçambique, 2005 – Margarida Nicolau.
‘O Resto do Abandono’, Ilha do Ibo, Moçambique, 2005 – Margarida Nicolau.

domingo, julho 09, 2006

Outros destaques no Prémio INH 2006 - Infohabitar 92

 - Infohabitar 92

Outros destaques no Prémio INH 2006

António Baptista Coelho

(INH, Prémio, habitação, habitação social, urbanismo, conjuntos residenciais, exemplos)
No presente artigo do Infohabitar editam-se algumas breves apreciações sobre outros conjuntos residenciais e urbanos candidatos na 18ª edição do Prémio INH, em 2006 e que na opinião do autor deste artigo, também merecem significativos destaques aqui no Infohabitar, essencialmente na área da arquitectura e do urbanismo, de forma a que determinados aspectos positivos de experiências residenciais e urbanas de habitação de interesse social não fiquem sem registo.
Depois destas notas e, de certa forma, também como conclusão desta longa série de artigos sobre o Prémio INH 2006, tecem-se mais alguns comentários sobre a riquíssima experiência do Prémio, apontando-se um leque de conclusões práticas, muito centradas nos aspectos ligados ao tipo preferencial de dimensão da intervenção residencial, conclusões estas julgadas úteis, na área de uma promoção habitacional de interesse social que faça com a cidade viva e humanizada um compromisso solene e de futuro.
Nota: os projectistas referidos, neste e nos artigos precedentes, são os projectistas coordenadores dos respectivos empreendimentos, tal como foram indicados nas candidaturas ao Prémio INH.

O Prémio INH 2006, mais alguns destaques entre os concorrentes.

Promoção cooperativa (Habitação a Custos Controlados):

- GUIMARÃESCOOPE Cooperativa de Habitação C.R.L., construtor, NVE – Engenharias, Lda. Guimarães, Fermentões, 16 fogos, Arq.ª Maria Fernanda Martins.

Neste conjunto salienta-se a grande qualidade patente no desenvolvimento espacial e no acabamento dos espaços domésticos, com destaques para as excelentes cozinhas e para o bom dimensionamento das circulações.

Promoção cooperativa (Estatuto Fiscal Cooperativo):

- MAIACOOPE Cooperativa de Habitação C.R.L., construtor, Mozinho, Construção Civil e Obras públicas S.A. – Maia, Gueifães, R. 5 Out, 28 fogos, Arq.ª Sandra Couto.

Este empreendimento, cujas características urbanas estão, ainda, em desenvolvimento, salienta-se, desde já, pelos excelentes acabamentos, bem visíveis nos seus alçados. Interiormente, e para além dos excelentes acabamentos, destaca-se a interessante solução espacial aplicada na varanda, que sendo comum à sala e à cozinha aproveita mais profundidade útil na zona que “prolonga” a sala, e também se refere a muito versátil solução de sala em dois espaços, ligados por gola e por porta de correr, que proporciona uma grande diversidade de apropriações.

Promoção municipal:

- C. M. de CasteloBranco – C.Branco, Bº Horta d`Alva, 32fogos, Arq.º CassianoNeves e Arq.º Gonçalo MarçalGrilo, construtor Contrope Lda.


Neste conjunto destaca-se o aspecto depurado e racional patente no desenho dos alçados, racionalidade esta que também é positivamente aplicada na organização dos fogos, e o cuidado investido na manutenção das árvores preexistentes.

- C. M. doPorto –Porto, Parceria e Antunes, 54fogos, Arq. Cancelliere & Costa, construtor Constructora SanJose, S.A.


Este é um belo conjunto ao nível dos aspectos urbanos e de integração local pormenorizada, aplicando-se uma interessante solução de grande garagem comum, apenas semi-enterrada, e que se conjuga com as pequenas “alas” residenciais, criando agradáveis pequenas vizinhanças de proximidade, muito apropriadas a usos pedonais. O desenho de arquitectura é exteriormente depurado e muito atraente e foram visitadas excelentes soluções domésticas, em termos de equilíbrio de espaços e de capacidade de apropriação. Não é possível deixar de sublinhar que é esta a opção mais correcta de introduzir no centro da cidade pequenos conjuntos de habitação de interesse social caracterizados por uma grande capacidade de integração local e por um desenho de arquitectura muito atraente.

Promoção privada – Contratos de Desenvolvimento de Habitação:

- EFIMÓVEIS Imobiliária S.A., construtor, EDINORTE Edificações Nortenhas S.A. – SantoTirso, S. Martinho doCampo, Lugarde Leiras do Ribeiro, 72fogos, Arq.º J.Bragança e Arq.º M.Marques.


Este é um excelente conjunto, seja pela sua escala (equilibrado número de fogos) e imagem gerais, seja pela qualidade evidente da sua construção, seja pela atractividade de alguns dos seus pormenores, importantes para a sua apropriação pelos moradores – “pormenores” de grande escala como o atraente jardim público frontal e de pequena escala marcando as entradas dos edifícios – , seja pela excelente ideia que foi criar uma verdadeira vizinhança de proximidade e de convivialidade, desenvolvendo uma espécie de grande “L” edificado, um agradável espaço urbano côncavo, vitalizado pelos acessos aos edifícios e dinamizado por um pequeno “café”, que rapidamente se tornará o pólo de vitalidade desta vizinhança. Nos edifícios salientam-se as agradáveis escadas comuns e nos fogos um merecido destaque para a dotação com pequenos terraços das habitações menos elevadas.

- EFIMÓVEIS Imobiliária S.A., construtor, Ferreira Construções S.A. – Gondomar, RioTinto,Areias, 94fogos, Arq.º J.Bragança e Arq.º M.Marques.

Sublinha-se neste conjunto a muito interessante praceta residencial, com grande utilidade para recreio e desporto e bem hierarquizada e separada da via contígua, proporcionando-se, assim, melhores condições de segurança e uma agradável marcação da respectiva vizinhança de proximidade.

- Construtora.do Távora Lda. – Trancoso, Bº, Sr.ª dosAflitos, 11fogos, Arq.º Aires Almeida e Arq.ª Sofia Jacob


Neste conjunto fazem-se três merecidos destaques, um deles para uma imagem global na envolvente muito bem harmonizada com uma predominância local de edifícios unifamiliares, outro, no edifício, para a funcional relação entre cada fogo e a sua respectiva garagem privativa, e o último, ao nível doméstico, para a agradável e funcional organização da habitação, marcada por belíssimas cozinhas, verdadeiras salas de família, pelo seu espaço e pelos seus acabamentos – condição esta que pode possibilitar o uso da “sala-comum” apenas como sala de estar.

- EUROHORIZONTE Lda., construtor, FDO- Construções S.A. – Aveiro, Aradas, Magustão, 63fogos, Arq. Jorge Matias.


Neste conjunto destaca-se a atraente imagem geral, marcada pelas agradáveis entradas dos edifícios, que marcam ritmicamente um longo e amplo passeio arborizado. Refere-se também, a nível urbano, o cuidado investido no equipamento de recreio e desporto, e, a nível doméstico, o desenho dos vãos e as amplas cozinhas.

- EUROHORIZONTE Lda., construtor, FDO- Construções S.A. – Trofa, S.Martinho Bougado - Mosteiró, 85fogos, Arq.º Ricardo Alarcão.


Sublinha-se a agradável imagem geral, marcada por uma volumetria orgânica desenvolvida por um amplo conjunto de elementos, desde os edifícios, a muretes e a grandes e contínuas floreiras bem associadas aos edifícios; e tudo isto numa atraente relação com as árvores de arruamento, plantadas já com a dimensão certa. Outros destaques seja para a generosidade, tão adequada, de uma grande amplitude de espaços de recreio e desporto bem equipados, seja para a solução funcional de estacionamentos cobertos sob os edifícios, aproveitando os desníveis do terreno.

- HABIMARANTE Sociedade de Construções S.A. – Cabeceiras de Basto, Arco.de Baúlhe, 21 fogos, Arq.º Hugo Maia.


Destacam-se especialmente quatro aspectos neste conjunto: a coragem de se continuar a usar uma tipologia em galeria exterior que tem os seus problemas, mas também tem as suas vantagens; a variedade de tipos de fogos; a excelente zona de estacionamento e de garagem que marca todo o amplo espaço inferior do conjunto, uma solução que transformou uma parte do problema de implantação numa solução funcionalmente vantajosa; e a integração com a habitação de um equipamento colectivo de apoio infantil (julgo que do tipo “Actividades de Tempos Livres”).

- Hagen Imobiliária S.A., construtor, Sociedade de Construção Hagen, S.A.– Sines, Qt. dosPassarinhos, 128fogos, Arq. MiguelRocha e Arq. Miguel Saraiva.


Este é também um agradável conjunto que merece um destaque muito específico e amplo: relativamente à imagem urbana geral, marcada pela atractividade e dignidade; ao nível das excelentes pracetas pedonais com uma agradável escala geral e um interessante equipamento; relativamente a soluções pouco frequentes, mas muito interessantes, de articulação de vias de acesso com “impasses” residenciais muito bem pedonalizados (este aspecto é visível em uma das imagens); ao nível de soluções de edifícios em que se desenvolvem pequenas galerias comuns interiores de distribuição, mas com iluminação natural; e finalmente, quanto aos fogos, destaca-se a muito agradável distribuição doméstica, a associação entre arrumações e definição de espaços e privacidades, e a definição de espaçosas cozinhas e salas (concentrando-se, aqui, um máximo de área).

Algumas, sempre poucas, notas conclusivas

O Júri do Prémio embora anualmente renovado, garantiu a manutenção de um núcleo de aspectos de observação e análise, que asseguraram, genericamente, o acompanhamento da mais recente habitação de interesse social em Portugal, possibilitando, assim, uma muito útil e interessante noção da evolução qualitativa dessa habitação e das suas diversas modalidades de promoção ao longo de quase duas décadas.
Mas um aspecto deve ser aqui salientado, pois é, de certa forma, uma conquista deste período de promoção habitacional com o apoio do INH, que, embora não se possa considerar, ainda, como reflexo de uma guerra ganha, é uma conquista muito significativa no apoio a uma habitação de interesse social bem integrada, física e socialmente, e ligada a uma arquitectura urbana bem qualificada; esta conquista é a “pequena” escala e a diversidade das intervenções, que:
- favorece a participação dos habitantes, a identidade local, o desenvolvimento comunitário, e o controlo local
- facilita o equilíbrio ecológico de cada conjunto.
- privilegia o peão e favorece uma rede de espaços públicos conviviais
- proporciona diversidade de soluções de edifícios habitacionais e mistos.
- favorece uma ampla gama de usos e actividades.
- pode e deve privilegiar o verde urbano em todas as suas formas.
- e assegura o desenvolvimento de pequenos conjuntos urbanos, controláveis, fáceis de gerir, capazes de funcionarem como elementos positivos de qualificação e requalificação urbana; o que é muito importante.

Encarnação – OlivaisN, Lisboa
António Baptista Coelho

segunda-feira, julho 03, 2006

Premiados e mencionados no Prémio INH 2006 - Infohabitar 91

 - Infohabitar 91

Premiados e mencionados no Prémio INH 2006

António Baptista Coelho e Maria Celeste Ramos

Uma das iniciativas que o INH assegurou ao longo dos seus 22 anos foi o Prémio INH, desenvolvido anualmente e que foi promovido, sem interrupções, ao longo de 18 edições anuais, entre 1989 e 2006; o Prémio de 2006 teve a sua cerimónia pública a 30 de Junho no Salão Nobre da Sociedade de Geografia de Lisboa.

O prémio INH integra a ponderação da qualidade arquitectónica, numa perspectiva muito ampla, mas também a apreciação do processo de promoção, da qualidade da construção e da apropriação pelos habitantes; e desenvolve essa apreciação sobre o que é visto realmente nos locais, espaços exteriores, edifícios e habitações, e não apenas em projectos e fotografias.

O Prémio INH integra ainda um outro aspecto fundamental, que são as sistemáticas sessões de análise e discussão sobre as características de cada empreendimento candidato, realizadas em cada local, com a presença do Júri multidisciplinar e dos promotores, construtores e projectistas de cada empreendimento; uma acção formativa e informativa que assegurou, ao longo das suas 18 edições anuais, o muito significativo número de 568 acções de dinamização da qualidade residencial. No final do artigo divulga-se a constituição do Júri do Prémio INH 2006.

E, de imediato, se faz a apresentação sumária dos conjuntos residenciais premiados e mencionados em 2006, utilizando-se os textos de síntese que correspondem à respectiva apreciação pelo Júri do Prémio e que constam da respectiva acta. No entanto e considerando o objectivo de divulgação que marca este artigo, associaram-se, por vezes, a esses textos, muito breves comentários complementares e relativamente informais, desenvolvidos pelos autores deste artigo e que, apenas para melhor esclarecimento, das respectivas autorias, foram escritos em itálico.

Prémio INH 2006 de Promoção Municipal foi atribuído ao empreendimento de 108 fogos em MonteEspinho, Leça daPalmeira, promovido pelo Município de Matosinhos, construído pela empresa FDO - Construções, S.A, com um projecto coordenado pela arquitecta Paula Petiz.

É um conjunto, constituído por habitação e equipamentos, com expressiva escala humana e grande rigor formal, que se relaciona, muito positivamente, com a comunidade envolvente, através de uma estrutura viária aberta e de equipamentos sociais, contribuindo, ainda, pela sua significativa qualidade urbana arquitectónica, para a valorização da zona de implantação. As habitações apresentam organização e dimensionamento exemplar, complementadas com espaços exteriores que têm em conta as duas escalas, a doméstica e a colectiva. Destacam-se, ainda, as escadas de exterior, que para além da função, são componente de valor estético e cromático e de valorização do clima urbano e determinam espaços exteriores suplementares, a usufruir, em segurança, por todas as classes etárias. Todos estes atributos são valorizados por uma construção muito bem executada, que foi desenvolvida, com grande eficácia, durante um período de obra muito curto. O conjunto atinge uma notável unidade de paisagem urbana e de pormenorização com evidente e muito positiva qualidade, constituindo-se num marco urbano e vicinal valorizador e regenerador da envolvente onde se integra e que ajuda a integrar; é aqui conseguido o difícil objectivo de fazer habitação de interesse social, que se distingue claramente pela positiva e que, assim, é, também, um elemento urbanao regenerador.


O Prémio INH 2006 de Promoção por Entidade Pública Empresarial foi atribuído ao empreendimento de 25 fogos em Jardim daSerra, Câmara deLobos, promovido pelo IHM – Investimentos Habitacionais daMadeira, EPE, construído pela empresa FDO – Construções, SA, com o projecto coordenado pelo arquitecto Carlos Gonçalves.

Neste empreendimento realça-se o muito adequado ajustamento do programa tipológico à população a que se dirige, o exemplar enraizamento dos edifícios num terreno particularmente difícil, desenhando-se com o relevo, a valorização da paisagem local e do sítio, numa verdadeira acção de requalificação ambiental, e a harmonização das construções em relação ao clima de altitude. Todos os espaços interiores das habitações dialogam com um amplo leque de espaços exteriores privados. A adaptabilidade natural deste projecto a moradores , com limitações de locomoção, sublinha as potencialidades desta solução de arquitectura, aliás expressivamente marcada por uma fortíssima e positiva apropriação pelos respectivos moradores, perfazendo uma solução de habitar que contribui para a dignificação das famílias. O nível de agrado com a casa e de apropriação da mesma, designadamente, em espaços e elementos com importante vista pública, atinge aqui características muito positivas e pouco frequentes, o que se considera ser um aspecto muito relevante e que também se liga ao referido e cuidadoso arquitectar de espaços domésticos, que, sendo dimensionalmente limitados, encontram no “jogo” interior exterior uma eficaz dimensão.

O Prémio INH 2006 de Promoção Privada foi atribuído ao empreendimento de 81 fogos em Gala, Figueira.daFoz, promovido pela empresa Efimóveis Imobiliária, SA, construído pela empresa Ferreira Construções, SA, com o projecto coordenado pelos arquitectos Duarte Nuno Simões, Nuno Simões e Joana Barbosa e pelo Eng.º Artur PintoMartins.

Uma concepção conjunta de arquitectura e estabilidade, caracteriza uma construção rigorosa, de imagem clara e de grande economia, atributos realçados por uma coloração apelativa que fazem destacar, positivamente, o novo conjunto na sua envolvente. Os azuis e cinza dos edifícios contrapõem-se com o verde dos generosos espaços exteriores pedonais e recreativos ajudando a criar um ambiente geral marcado pela dignidade, mas também pela alegria e por uma equilibrada diversidade. A solução geral do edifício proporciona uma positiva associação entre imagens e usos das tipologias uni e multifamiliares. As habitações oferecem organizações diversificadas, com uma relação espaço / luz muito interessante. Realça-se o equilíbrio entre um desenho de arquitectura sóbrio e depurado e uma imagem atraente e apropriável pelos seus habitantes, aspectos estes que levam a que este conjunto de habitação de interesse social, tenha uma presença claramente positiva e com influência regeneradora na zona urbana envolvente, marcando um verdadeiro espírito do lugar, muito humanizado e numa íntima relação com a natureza. Sublinha-se a cuidadosa e estimulante utilização de uma tipologia de galerias exteriores (tantas vezes considerada menos adequada), mas que surge com uma imagem associada seja ao unifamiliar seja à tradicional e apropriável varanda corrida.

O Prémio INH 2006 de Promoção Cooperativa no âmbito da Habitação a Custos Controlados foi atribuído ao empreendimento de 45 fogos no Bº da Senhora.daSaúde, Évora, promovido pela cooperativa CHC – Construção de Habitação Cooperativa, CRL, construído pela empresa AntónioMelro Rodrigues, Construção Civil e Obras Públicas, Lda, com o projecto coordenado pelo arquitecto Rui SilvaRusso.

Um pequeno programa urbano, na continuidade do edificado existente, muito bem integrado, em que se atingiu uma excelente ligação entre objectivos sociais, formais e funcionais, evidenciados no elevado grau de satisfação encontrado nos seus moradores. É de realçar a preocupação de oferecer à comunidade um espaço exterior generoso, no interior do quarteirão, claramente caracterizado por uma concepção funcional e por um equipamento muito cuidadosos e estratégicos, desenvolvidos com o objectivo de criação de um exterior de vizinhança com uso real, bem compatibilizado com a contiguidade das janelas dos fogos, de grande atractividade e com condições para poder ser usufruído por todas as classes etárias e em segurança. A imagem do conjunto é harmoniosa e geradora de equilíbrio, formal e visual, factor positivo na integração destas famílias. Realça-se, ainda, o próprio processo de promoção e de gestão urbana baseado numa eficaz colaboração entre a cooperativa e o município.

Menção Honrosa para 6 fogos em Salir, Loulé, promovidos pelo Município de Loulé e construídos pela empresa António Poucochinho, Lda, com o projecto coordenado pelo arquitecto MarceloSantos.

Projecto concebido para realojar uma pequena comunidade cigana, tendo em conta os modos de vida específicos desta população. Os espaços das habitações são complementados com espaços exteriores de escala doméstica, pequenos pátios privatizados, acolhedores e íntimos, frontais e posteriores, que propiciam actividades domésticas, ao ar livre, com grande mobilidade de relação interior-exterior. Todo o conjunto se harmoniza com o meio rural de grande valor ecológico onde se insere. Sublinha-se o grande interesse que tem a continuidade de experiências deste tipo, em que se tenta, na prática, o desenvolvimento de soluções tipológicas que sirvam, simultaneamente, modos de vida específicos e a manutenção de uma imagem urbana digna e atraente; e anota-se a importância que terá o acompanhamento da ocupação destas casas de forma a ajuizar da sua adequação.

Menção Honrosa para 30 fogos em Barroca, Murça, promovidos pelo Município de Murça, construídos pela empresa Manuel JoaquimCaldeira, Lda, com o projecto coordenado pelo arquitecto João Avelino de Sousa.

Neste empreendimento realça-se uma excelente adequação da edificação à pendente acentuada do terreno e uma interessante relação entre os edifícios que definem acessibilidades pedonais atractivas e muito amigáveis. As habitações de áreas bem dimensionadas, complementadas por espaços exteriores de escala doméstica, têm proporcionado positivas acções de apropriação pelos moradores. Neste conjunto sublinham-se pequenos mas importantes pormenores, seja ao nível do reforço da identidade e da apropriação, como é o caso dos pequenos pátios frontais, portas bem desenhadas e volumes e cores gerais que transmitem imagens de alegria, seja ao nível de aspectos funcionais positivos entre os quais se destacam as cozinhas espaçosas.

Menção Honrosa para 68 fogos em Gulpilhares, Vila Nova de Gaia, promovidos pela empresa Efimóveis, SA, construídos pela empresa FerreiraConstruções, SA, com o projecto coordenado pelos arquitectos J. Bragança e M. Marques.

Um projecto inovador que usa pequenos edifícios bifamiliares em bandas, agradavelmente seccionadas e é caracterizado pela organização das habitações em meios pisos procurando assim uma melhor adequação da construção à pendente acentuada do terreno. O desenho, no seu todo, é muito cuidado, de grande simplicidade e beleza formal e a procura de soluções para obter iluminação natural em todos os espaços é uma das particularidades a realçar neste projecto. A construção apresenta um elevado nível de execução, acentuando-se ainda a correcta implantação, relativamente à riquíssima e bela paisagem rural. Sublinha-se, ainda, seja a muito equilibrada solução que harmoniza, pelas suas características gerais de desenho urbano, a referida paisagem rural com uma agradável e bem caracterizada frente urbana, de bandas densificadas e repartidas, entre as quais se incluem pequenos espaços de enquadramento e de recreio. Salientam-se finalmente dois aspectos distintos: a opção global, que é realmente a mais indicada, de aplicar uma tipologia de certa forma amiga da paisagem e que nela se integra muito positivamente; e o sensível e aturado cuidado investido em toda a pormenorização de arquitectura, designadamente, no exterior público.

Menção Honrosa para 181 fogos em S.António, Faro, promovidos pela cooperativa CUPH – Urbanização Janelas.de Faro I, CRL, construídos pela empresa Varcril – Construções, SA e Edifer, SA, com o projecto coordenado pela arquitecta Jennifer Silva Pereira, pelo arquitecto Rogério Paulo Inácio e pelo arquitecto paisagista José Brito.
É um empreendimento urbano que guarda as memórias rurais do lugar, usando, positivamente, estas preexistências para estruturar e qualificar o conjunto edificado. A imagem urbana e residencial do conjunto é atraente, marcada por excelente solução de arquitectura urbana e de espaços públicos, que privilegia o peão e um desenho sóbrio realçado pela qualidade construtiva. Salienta-se, ainda, a muito agradável paleta cromática. Este é um belíssimo conjunto residencial e urbano, marcado, em termos de concepção, por uma rara e muito bem conseguida aliança entre arquitectura e arquitectura paisagista, caracterizado por uma rara atitude de “dar a volta” a uma zona ambientalmente degradada (as traseiras de uma frente urbana) recuperando-a com uma frente de boxes de estacionamento, aplicando uma rara solução de revestimento dos espaços exteriores que privilegia a infiltração da água da chuva nas amplas zonas verdes e pedonais, onde existe um raro estacionamento arborizado, que salvaguarda árvores preexistentes, e que estrutura toda a intervenção em torno e ao longo de um agradável e estimulante eixo pedonal e naturalizado, que tem uma extensão maximizada e se prolonga por atraentes pracetas pedonais. Nas habitações há que sublinhar a existência de cozinhas que são verdadeiras “salas de família.”

Menção Honrosa para 24 fogos em Colina., Ferreira.do Alentejo, promovidos pela Cooperativa de Habitação Económica Lar ParaTodos, CRL., construídos pela empresa António Jorge, Lda, com projecto coordenado pelo arquitecto AnteroFerreira.
É um empreendimento muito bem integrado, que tem em conta a pendente do terreno e apresenta como referência a arquitectura local tradicional. Os espaços interiores estão bem organizados e dimensionados, articulando-se com espaços exteriores privados, em pátios, com uma escala intimista e possibilitando grande diversidade de usos domésticos. O especial interesse desta intervenção refere-se a dois aspectos distintos: um deles é a capacidade de grande integração numa envolvente basicamente unifamiliar e ruralizada, aplicando-se, claramente, uma imagem térrea; e o outro o desenvolvimento de uma solução edificada em que se tenta, de certa forma, associar à vivência do unifamiliar todas as potencialidades que podem caracterizar o uso de um orgânico conjunto de espaços interiores, exteriores, de transição, mais e menos repartidos e delimitados por muros e servidos por acessos principais e de serviço, e tudo isto respeitando ao máximo uma imagem pública consistente e sóbria, com reduzido impacto visual.

Segue-se a indicação da constituição do Júri do Prémio INH 2006 (indicam-se todos os participantes nos trabalhos de análise, incluindo os elementos suplentes).

Eng.º José TeixeiraMonteiro, Presidente do Conselho Directivo do INH e Presidente do Júri.
Dr. JorgeMorgado e Eng.º PauloReis, do Instituto Nacional de Habitação (DCS)
Eng.ª Teresa Nunes, do Instituto Nacional de Habitação (DCN).
Arq.º Rogério de Oliveira Pampulha, do Instituto Nacional de Habitação (INH).
Arq.º Armindo AlvesCosta, da Associação Nacional dos Municípios Portugueses (ANMP).
Arq.º António Baptista Coelho, do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC).
Dr. LuísFerreira daSilva e Eng.ª TeresaNogueira Simões, da Associação de Empresas de Construção e Obras Públicas (AECOPS).
Eng.ª Cristina Cardoso e Eng.ª Joana Vaz, da Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas (AICCOPN).
Eng.ª Maria João Surrécio e Eng.º Manuel Agria, da Associação Nacional de Empreiteiros de Obras Públicas (ANEOP).
Sr. Carlos Alberto da CruzCoradinho, da Federação Nacional das Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE).
Arq.ª Paisagista Maria CelesteRamos, da Associação Portuguesa dos Arquitectos Paisagistas (APAP).
Eng.º Manuel Cenrada Guinapo, da Ordem dos Engenheiros (OE).

No Próximo artigo do Infohabitar tecem-se mais alguns comentários sobre a experiência do Prémio INH e, a propósito, e com toda a naturalidade, editam-se algumas apreciações, muito breves, sobre outros conjuntos candidatos nesta edição de 2006 e que na opinião de quem irá assinar esse artigo, também merecem pequenos, mas significativos destaques, aqui no Infohabitar, de forma a que alguns aspectos positivos de experiências residenciais e urbanas de habitação de interesse social não fiquem sem registo.

Lisboa, Encarnação- Olivais Norte e Bairro de Santo Amaro

António Baptista Coelho
Maria Celeste Ramos

Edição: José Baptista Coelho

2 de Julho de 2006