segunda-feira, abril 30, 2018

Pequenos sítios domésticos I: dos lugares de sentar e mesa aos (re)cantos “activos” – Infohabitar 639

Infohabitar, Ano XIV, n.º 639

Artigo da Série “Habitar e Viver Melhor” n.º CXII


por António Baptista Coelho (texto e imagens)

Introdução sobre os pequenos sítios domésticos

(Nota prévia: por uma questão de autonomia de leitura a introdução será repetida nos vários artigos sobre esta temática dos pequenos sítios domésticos)
Para além dos habituais espaços domésticos globalmente associados a compartimentos mais de estar ou mais de circulação e/ou recepção e que bem conhecemos, uma boa habitação, que nos “diga” realmente algo, para além de, simplesmente, nos abrigar, deve integrar, de forma muito natural, diversos tipos de sítios domésticos, entre os quais se contam os “lugares janela”, já desenvolvidos, mas cuja variedade dependerá da capacidade de quem bem projecta e de quem bem habita esse espaço doméstico.
Mas não tenhamos quaisquer dúvidas de que essa capacidade de adequada e estimulante integração de múltiplos pequenos sítios domésticos, propícios a variadas conjugações de microfunções e microapropriações depende em boa parte de um adequado, pormenorizado e rico/imaginativo projecto de Arquitectura, que facilitará e até incentivará tais condições, enquanto, se não existir esse projecto bem qualificado, quando o mundo doméstico é “manejado” de forma “maquinal” e rigidamente “unificada”, os resultados no uso e apropriação da habitação tenderão a ser muito “áridos” e funcional e formalmente muito pobres.
De certa forma aquilo que se aplica/acontece ao nível urbano e relativo aos aspectos de localização/integração, que têm enorme importância na satisfação dos habitantes – resumindo-se, por vezes, na ideia de que o que interesse primeiro é o sítio, depois o sítio e ainda depois o sítio … -  é algo que acontecerá, depois, ao nível do edifício, quando ele integra habitações com a riqueza da conjugação de variados sítios domésticos, e, depois, ao próprio nível doméstico, considerado, e bem, como a conjugação de variados e ricos pequenos sítios que nos servem, marcam e que apropriamos.
Em seguida iremos comentar diversos “pequenos sítios domésticos”, sem a ambição de os esgotarmos a todos, naturalmente; pois a sua diversidade está apenas dependente da sensibilidade e da imaginação de quem os projecta e de quem os habita – mas mesmo a este último nível é de grande importância o desenvolvimento da reflexão dos projectistas sobre estas matérias, reflexões estas que naturalmente, sendo feitas de forma clara/acessível, irão municiar/influenciar uma grande e adequada riqueza nessa apropriação pelos habitantes.


Lugares de sentar suplementares e agradáveis

Praticamente tão importante como criar determinadas quantidades de espaço interior doméstico é criar espaços que integrem naturalmente sítios onde, depois de se introduzirem os elementos de mobiliário correntes se possam colocar lugares de sentar suplementares e agradáveis, porque, por exemplo, perto de uma janela ou de uma mesa, ou bem orientados relativamente à televisão.
A suplementaridade destes lugares de sentar deve ser considerada em relação com o programa funcional corrente numa dada habitação, pois considera-se que deve haver uma disponibilização constante destes lugares de sentar e, inclusivamente, um seu cuidadoso tratamento, que os torne aliciantes.
Uma outra possibilidade bastante versátil é proporcionada por cadeiras dobráveis, que sejam usadas apenas quando necessárias, mas para tal é importante haver espaço para as arrumar de forma a que estejam sempre "à mão".

Lugares-mesa

Tal como referiu o arquitecto Hermann Hertzberger, numa palestra no LNEC em Maio de 2010, na concepção arquitectónica interior é fundamental proporcionar os mais diversos tipos de condições de integração de mesas dos mais diversos tipos. Afinal, as mesas são parceiras essenciais na dinamização e apoio ao desenvolvimento das mais diversas actividades, desde as refeições, às lides domésticas, ao trabalho profissional, ao lazer e à leitura.
De certa forma as mesas nunca serão de mais numa habitação, mas há que as integrar de forma adequada e elas consomem realmente espaço, mesmo quando escamoteáveis.
E os lugares-mesa obrigam naturalmente a cadeiras ou bancos de apoio, que eventualmente se poderão recolher debaixo das respectivas mesas.
Os conjuntos mesa/cadeiras escamoteáveis são, provavelmente, dos mais antigos elementos de mobiliário criados no apoio a uma vida doméstica que era marcada pelo nomadismo.

(Re)cantos "activos"

Por (re)cantos activos pretende-se definir um conceito de subespaços domésticos, que se integram noutros espaços ou compartimentos de maior dimensão, e cujas dimensões, configuração e proximidades específicas, designadamente, a determinadas zonas de actividades e a vãos de janela, lhes confere excelentes potencialidades para o exercício de variados usos funcionais ou de lazer, produzindo-se, em consequência, um evidente enriquecimentos do conjunto de actividades realizado nesse espaço ou compartimento em que o (re)canto se integra.
Salienta-se que estas condições não obrigam, nem a uma subdivisão do espaço principal, nem à demarcação física do (re)canto, que deverá ser marcado, essencialmente, pelo conjunto de elementos de mobiliário que o integram e por um determinado sentido de "cenário" funcional e/ou ambiental mais adequado à sua caracterização.
Assim se aplica, naturalmente, o referido fazer “de cada casa ... uma porção de lugares", objectivo que, aqui, será fazer de cada compartimento e espaço doméstico uma porção de lugares, bem conjugados, mas individualmente caracterizados e sempre carregados de sentido doméstico. E não tenhamos dúvida de que uma habitação constituída por espaços, cada um deles, integrados por uma "porção de lugares", será uma verdadeira habitação/cidade, adequada a cada um dos elementos do agregado, mas também à sua totalidade e às suas ampliações periódicas, com outros familiares e amigos.
A existência de (re)cantos em espaços e compartimentos, pode ser adequadamente fundamentada, nomeadamente, por critérios: funcionais (ex., desenvolvimento de actividades de apoio a usos estruturantes, como é o caso da instalação de uma pequena mesa de apoio a uma biblioteca) ; ambientais (ex., condições específicas de ventilação, insolação e iluminação natural, extremamente adequadas para determinados tipos de actividades); formais (ex., poder integrar mobiliário de família ou antiguidades); e paisagísticos (ex., proporcionar determinadas vistas, muito "dirigidas" e/ou "enquadradas" sobre o exterior próximo ou longínquo).
A adequada fundamentação, aqui considerada, para os (re)cantos domésticos, pode e deve ser reforçada por acumulações/concentrações desses critérios, acumulações estas que muito reforçam a imagem e o carácter de certos elementos/(re)cantos, o exemplo disto é dado pelas "bay-windows" que são justificáveis "à luz" de todos os tipos de critérios, que foram acima referidos.
Segundo Alexander conseguem-se ambientes atraentes e espaços muito íntimos, quando se faz variar a alturas do tecto, proporcionando-se arrumações sob zonas elevadas e sobre zonas rebaixadas (ex., criação de recantos de estar com um tecto falso bem rebaixado, aproveitando-se o desvão assim criado para arrumações e prateleiras - a altura útil conseguida nesses desvãos, para um pé-direito corrente, é de cerca de 0.60m - e previsão de zonas com pés-direitos muito altos, onde seja possível desenvolver zonas em galeria).
E não devemos esquecer que, tal como apontam Claire e Michel Duplay, o próprio mobiliário, quando atingindo grandes dimensões, pode criar "nichos" bem interessantes; uma possibilidade que é, actualmente, mais usada na concepção de espaços para crianças. ...
Finalmente sublinha-se que o emprego do termo (re)canto não significa que tais espaços tenham de ser desenvolvidos em zonas reentrantes dos compartimentos, referindo-se, assim, esse termo a uma sub-zona dimensionalmente reduzida e que não tem existência doméstica autonomizada do funcionamento do compartimento ou espaço principal em que se integra.
Notas:
(1) Christopher Alexander; Sara Ishikawa; Murray Silverstein; et al, "A Pattern Language/Un Lenguaje de Patrones", pp. 770 a 772.
(2) Claire e Michel Duplay, "Methode Ilustrée de Création Architecturale", p. 136.
Notas editoriais:

(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XIV, n.º 639

Pequenos sítios domésticos I: dos lugares de sentar e mesa aos (re)cantos “activos” – Infohabitar 639

Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho
abc.infohabitar@gmail.com
abc@lnec.pt

Infohabitar, Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).
Editado nas instalações do Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT) do Departamento de Edifícios (DED) do LNEC.
Apoio à Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.



segunda-feira, abril 23, 2018

Bay Windows e outros "lugares-janela" - Infohabitar 638

Infohabitar, Ano XIV, n.º 638


Artigo da Série “Habitar e Viver Melhor” n.º CXI

por António Baptista Coelho (texto e imagens)

Bay Windows e outros "lugares-janela"

Abordam-se, aqui, isoladamente as Bay-windows e o que se designa de outros "lugares-janela", por serem elementos fisicamente muito caracterizados, e que embora seja, ainda, talvez, pouco comuns na nossa tradição doméstica – designadamente no caso da bay-windows” –, estão habitualmente associados a interessantes aspectos de apropriação e de satisfação no interior das nossas casas.

Bay Windows

A bay window é uma janela construída de forma a projectar-se para fora da respectiva parede exterior, obtendo-se, assim, um quíntuplo resultado:
- uma vista exterior significativamente caracterizada e única e fortemente associável a espaços domésticos;
- uma vista interior que marca, significativamente, boa parte ou a totalidade de uma parede do respectivo compartimento;
- um potencial de vistas do interior sobre o exterior significativamente potenciados, designadamente, com vistas laterais, para além da vista frontal habitual;
- um potencial de tipos de envidraçados e de abertura de janelas bastante significativo, podendo associar panos envidraçados transparentes e outros translúcidos e diversos tipos de janelas de abrir, com as respectivas vantagens em termos do controlo da ventilação natural;
- e, naturalmente, por fim, mas não menos importante – antes pelo contrário – a definição/”construção” de um atraente – porque bem iluminado e configurado – “lugar janela”.
Salienta-se, desde já, quatro outros aspectos que se consideram muito importantes, em termos da capacidade de aplicação da bay window:
- A enorme capacidade de diversificação visual e tipológica no desenvolvimento de  bay windows; claramente não limitadas às suas configurações mais tradicionais.
- A clara capacidade de aplicação das bay windows em edifícios unifamiliares em banda cerrada e em grandes edifícios multifamiliares; portanto numa lógica de aplicação que ultrapassa muito a sua “tradicional” aplicação em grandes moradias isoladas.
- A grande versatilidade de “misturas” funcionais e visuais interiores oferecidas pelas bay Windows.
- A grande capacidade de conteúdo simbólico domesticamente associado, que é sempre oferecida pelas bay Windows , seja qual for a sua tipolgia de aplicação – ex., desde uma aplicação corrente numa fachada a uma aplicação menos corrente em galerias exteriores de acesso a fogos que integrem um grande edifício multifamiliar.
É interessante sublinhar aqui que as bay windows terão sido exportadas do oriente, onde existiam com a designação de "quiosques" e "moucharabiés", com funções específicas de privatização, ventilação e visulização estratégica da rua a partir do interior doméstico, para países do norte da Europa onde a sua utilização se associou a aspectos de potenciação da luz natural, pois acabam por proporcionar uma multiplicação das superfícies envidraçadas, em determinadas zonas da habitação, assim como o aproveitamento maximizado de tais zonas como espaços de lazer, estar, convívio e também com funções específicas, por exemplo, de leitura e de trabalho.
E entre oriente e norte da Europa pouco foram empregues nas nossas habitações portuguesas, a não ser sob a forma de algumas excelentes "marquises", feitas como tal numa perspectiva de "jardins de Inverno" e criando algmas soluções de evidente atractividade exterior e interior.
É interessante pensar a propósito na possibilidade de podermos "importar", com êxito, este e outros modelos/soluções de espaços habitacionais; afinal na tão divulgada sociedade global tal possibilidade acabará por ser bastante natural.


"Lugares-janela"

Embora a bay window possa ser considerada o exemplo típico de um afirmado “lugar janela”, muitos outros existem, até porque qualquer janela por pior configurada e integrada que esteja será sempre um “lugar janela”.
E esta afirmação liga-se à múltiplas características que podem ser oferecidas por uma janela:
- desde aspectos de luz natural contrastando no interior;
- à potencialidade de vistas sobre o exterior e de “transporte” de vistas exteriores para o interior (ex., vistas de árvores, vistas paisagísticas amplas);
- a toda uma série de capacidades de ocupação e apropriação espacial pormenorizadas que podem se oferecidas pelo “espaço contíguo e próximo do vão”;
- capacidades estas que, naturalmente, irão variar, seja com a respectiva configuração geral do vão (dimensionamento, orientação, altura ao solo, eventual contiguidade com varanda funda ou de assomar), seja com a tipologia básica da janela: de sacada, de “peito” baixo (janela “francesa”), ou de peito;
- e capacidades estas que irão variar, e muito, com a qualidade do respectivo projecto geral e pormenorizado de Arquitectura – e esta referência não é casual, pois, frequentemente, até bons projectos falham em grande parte quando chegam a este importante nível de desenho.   
Muito do que aqui se referiu caminha no sentido da constituição daquilo que podemos referir como "lugares-janela", sítios que muito provavelmente irão ser locais preferidos de apropriação pormenorizada e de uso diário, e sítios onde aquela ideia de que espaço a mais não é obrigatoriamente melhor espaço, fica bem provada, assim como fica evidenciada a grande relação que todos gostamos de ter, nos sítios que habitamos, com boas condições de iluminação natural.

Outros "lugares-janela" ou "sítios junto à janela"

As janelas sempre constituíram espaços que cativam actividades domésticas, sendo exemplo desta matéria os lugares para namorar, "as namoradeiras", habitualmente integradas aproveitando-se os encalços das espessa paredes antigas, e que poderão ser, eventualmente, retomadas e reinterpretadas, pro exemplo, através de uma simulação dessas espessuras utilizando-se os espaços assim criados para arrumações diversas.
Mas uma excelente forma de se aproveitarem os "lugares-janela" ou "sítios junto à janela" é para aproximar deles determinados pequenos conjuntos funcionais de mobiliário, habitualmente associados à construção de agradáveis e estimulantes cenários residenciais interiores, como é, por exemplo, o caso dos conjuntos "sofá ou cadeira de repouso, móvel de apoio e candeeiro" e "pequena mesa e duas cadeiras ou um cadeirão".

Mas os espaços na contiguidade das janelas podem ser, ainda, excelentes sítios de limiar e de transição entre a rua e o "verdadeiro" interior da habitação, sítio, frequentemente, "entre janela e cortinado", onde, sendo possível, se houver um peitoril largo e/ou se a parede for espessa (realmente ou de forma simulada), há lugar à integração de imagens da família, plantas e variados elementos de decoração/apropriação e identificação da habitação relativamente ao seu exterior.
Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XIV, n.º 638

Bay Windows e outros "lugares-janela" - Infohabitar 638

Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho
abc.infohabitar@gmail.com
abc@lnec.pt

Infohabitar, Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).
Editado nas instalações do Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT) do Departamento de Edifícios (DED) do LNEC.


Apoio à Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.

segunda-feira, abril 16, 2018

Caracterização geral dos vãos exteriores II - Infohabitar 637



Infohabitar, Ano XIV, n.º 637


Artigo da Série “Habitar e Viver Melhor” n.º CX



Caracterização geral dos vãos exteriores  II


por António Baptista Coelho (texto e imagens)

Segurança contra quedas a partir de vãos e de guardas de pisos elevados

Esta é uma matéria que nem deveria ser aqui apontada, pois é evidente que este tipo de segurança, contra quedas a partir de vãos exteriores e varandas/terraços, deveria ser acautelada, ao máximo, por disposições específicas sobre a alturas dos peitoris e sobre a pormenorização e constituição da parte dos vãos inferior a esses peitoris, ou, em alternativa, mecanismos legais que acautelem as situações de responsabilidade civil associadas às quedas de altura que podem, infelizmente, ocorrer -  pensa-se, por exemplo, e se tal for legalmente possível, na existência de uma declaração assinada por quem assuma gostar de viver em determinadas condições, que podem ser arriscadas no que se refere a quedas.

Não faz, evidentemente, qualquer sentido desenharem-se vãos e guardas que não tenham em conta a protecção contra quedas, mas também fazem pouco sentido normas que obriguem a soluções únicas. Será portanto necessário identificar soluções que garantam, o mais possível, essa segurança, mas contribuindo para a qualidade arquitectónica da solução global e não desperdiçando as potencialidades de vistas e de conforto ambiental desses vão e espaços elevados; e haverá, aqui, matéria para posteriores desenvolvimentos, designadamente, em termos de simples e úteis colectâneas de soluções pormenorizadas.


Segurança contra intrusões físicas e visuais em vãos exteriores térreos ou pouco elevados.

A questão da segurança contra intrusões em vãos exteriores térreos ou pouco elevados é uma matéria que tem de ser considerada, à partida, na solução de fenestração de um dado edifício, pois não faz sentido "esquecer" que essa será logo uma das preocupações dos respectivos habitantes. E atente-se que haverá, com certeza, uma associação entre estes aspectos de segurança contra intrusão e os de protecção da privacidade doméstica.

Não faz sentido que assim não aconteça pois a segurança contra intrusões tem de ser bem acautelada, em pisos térreos ou acessíveis directamente do exterior ou através de galerias comuns, através da consideração de vários aspectos entre os quais se salientam: a altura de janelas, muros e vedações; a visibilidade a partir de sítios muito usados; e a previsão de gradeamentos, gelosias, portadas e fechaduras de segurança.

Naturalmente não faz qualquer sentido que tais cuidados nãos sejam integrados com as respectivas exigências de privacidade visual e de agradabilidade, caso contrário a habitação transforma-se num fortim ...

E, evidentemente, tais cuidados de segurança e privacidade têm de ser integrados no projecto da habitação e do edifício, e desejavelmente devem contribuir para a sua qualidade global, pois são aspectos indissociáveis de boas condições habitacionais.




Vãos exteriores "estanques" e com abertura controlada

É fundamental que os vãos exteriores sejam estanques ao ar, à água da chuva e ao ruído (janelas de peito e de sacada, portas, respectivos peitoris, soleiras e ligações aos quadros dos vãos).

Esta é uma exigência básica, seja considerando todos os aspectos de relação visual e de conforto ambiental (isolamento térmico e impermeabilização), seja considerando o bem-estar doméstico, que tudo tem a ganhar com a possibilidade de nos podermos isolar de ruídos exteriores desagradáveis e incómodos (por exemplo o ruído do tráfego intenso, do vento e da chuva).

Mas é igualmente fundamental que os vãos exteriores não desperdicem a possibilidade de serem elementos de captação de luz, sol e ar renovado e fresco, e para tal é fundamental que existam elementos de controlo dessa luz, dessa radiação solar e desse ar, e que tais dispositivos sejam realmente eficazes e fáceis de usar.

E é também muito importante que os vãos exteriores envidraçados tenham uma manutenção e uma limpeza simplificadas, pois caso contrário os benefícios de uma boa fenestração ficarão muito diminuídos; e não tenhamos dúvida que o projecto tem de prever tais condições de manutenção e limpeza.

As janelas peito e de sacada podem ser de variados tipos funcionais e dimensionais, apresentarem diferentes características gerais de aspecto, disposição e configuração e estarem conjugadas com diversos tipos de elementos complementares (ex., bandeiras superiores ou laterais manobráveis). Não faz qualquer sentido é considerar-se "um vão" como um simples "buraco envidraçado", sem se contemplar a sua solução de funcionamento, seja em termos de controlo de luz e de capacidade de ventilação, seja considerando a sua manutenção e limpeza.

Tal como já se referiu uma janela não é apenas um vão transparente, é também o seu aproveitamento e controlo em termos de luz, insolação, ventilação, vistas exteriores, privacidade interior e segurança no uso e contra intrusões; só janelas em que todas estas facetas estejam adequadamente solucionadas, em termos funcionais e de imagem arquitectónica, serão janelas bem projectadas, e não é fácil.


Escolha e enquadramento da vistas sobre o exterior.

Tal como apontou Charles Moore: "As vistas existem já, a única habilidade está na sua captura através de janelas (quadros), a partir do interior. As vistas de exteriores assemelham-se às perspectivas que podemos apreciar em quadros pendurados nas paredes, mas mudam com as estações do ano e constantemente (estão vivas)...permitem a entrada do habitante na perspectiva exterior...". (1)

E esta é uma frase fundamental, que associa aos aspectos de conforto ambiental, assegurados pelos vãos exteriores, uma outra carga conceptual com idêntica importância: a captura, o enquadramento e a valorização de vistas exteriores, proporcionando a sua fruição pelos habitantes. Mas, infelizmente, todos conhecemos casos de janelas ou de "não-janelas" que, nem proporcionam "sol, luz e ar", nem nos facultam vistas e estimulantes; e há ainda aquelas famigeradas grandes paredes "cegas", que tão bem ficam nos desenhos de projecto e que, por acaso, são contíguas a vistas excepcionais, e ainda por cima a orientação de tais janelas seria óptima - tal não se compreende e não se deveria aceitar.

Considerando agora um certo carácter mais formal que pode existir no desenvolvimento dos vãos domésticos gostaria de referir que o único limite ao seu desenvolvimento deveria ser a boa mobilaridade do interior; mas aqui até há situações contrárias, em que o ritmo de uma dada solução de fachada/janelas produz compartimentos domésticos quase inúteis - enfim!

Sobre o partido formal da fenestração ele já foi aproximado nos aspectos da apropriação através do interessante povoamento de vãos profundos e amplos com variados objectos, numa opção que tanto identifica o interior doméstico, como o projecta um pouco sobre a respectiva vizinhança. Quanto a outras matérias formais e construtivas associadas ao tratamento exterior. e também interior, dos vãos elas são de grande importância arquitectónica, mas ligam-se essencialmente ao muno da concepção de cada solução, pelo que não serão aqui comentadas.


Gradação e melhor reflexão da luz no interior

Segundo Christopher Alexander, os vãos de janelas com arestas interiores ortogonais e aguçadas produzem desagradáveis (encandeantes) contrastes de luz (muito brilho/linha de escuridão) (2); e este autor considera que vãos de janela "fundos", cerca de 0.25/0.30m de profundidade e não ortogonais (ângulos de 50/60º com os planos das paredes interiores), proporcionam zonas de luz natural com intensidades intermédias, que reduzem os contrastes bruscos de luz e aumentam a reflexão da luz natural, tornando o espaço interior mais agradavelmente visível nos seus pormenores.

E cá estamos na aproximação aos referidos e tão apropriáveis vãos fundos, e salienta-se que, ultimamente, com as crescentes exigências de isolamento térmico, tais profundidades voltaram a poder ser correntes; e então nas áreas da reabilitação elas são casos correntes.


Sobre a racionalidade ou a subdivisão das zonas envidraçadas

Segundo Christopher Alexander as janelas amplas e com grandes chapas de vidro contínuas proporcionam vistas uniformes, enquanto várias janelas relativamente estreitas e verticais oferecem vistas diferentes.

Embora esta reflexão seja interessante, julga-se que ela pode ser tomada numa perspectiva ampla, direccionada para uma orgânica previsão da fenestração exterior, que também tem de levar em conta o custo inicial e de eventual substituição de grandes superfícies envidraçadas, assim como os custos iniciais de protecção (contra intempéries e contra intrusão) dos grandes vãos envidraçados.

Notas:

(1) Charles Moore; Gerard Allen; Donlyn Lyndon, "La Casa: Forma y Diseño", p. 101.

(2) Christopher Alexander; Sara Ishikawa; Murray Silverstein; et al, "A Pattern Language/Un Lenguaje de Patrones", pp. 913 e 914.


Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XIV, n.º 637

Caracterização geral dos vãos exteriores II


Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho
abc.infohabitar@gmail.com
abc@lnec.pt

Infohabitar, Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).
Editado nas instalações do Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT) do Departamento de Edifícios (DED) do LNEC.

Apoio à Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.

segunda-feira, abril 09, 2018

Caracterização geral dos vãos exteriores I - Infohabitar 636


Infohabitar, Ano XIV, n.º 636


Artigo da Série “Habitar e Viver Melhor” n.º CIX


por António Baptista Coelho (texto e imagens)

Caracterização geral dos vãos exteriores I
Sobre a caracterizaçação dos vãos exteriores importa referir, essencialmente, que eles têm uma enorme importância em termos de conforto ambiental doméstico, em termos de luz, insolação, ventilação, isolamento acústico e abertura de vistas exteriores, e que, portanto, têm de ser muio bem concebidos em termos dimensionais e funcionais ao serviço de todos esses fundamentais objectivos de melhor habitabilidade e vivência doméstica- e para tal há uma enorme variedade de tipos de tipos gerais de janelas (1): levantável, giratório, rebatível, basculante, pivotante, de guilhotina; e de correr.
Não faz, portanto, qualquer sentido que o vão exterior seja considerado apenas como elemento de composição da fachada, há que harmonizar a sua dupla função e, sendo necessário, haverá que privilegiar a sua função "interior", não havendo qualquer dúvida de que uma boa janela exige um apurado cuidado de concepção.
Pormenorização geral dos vãos exteriores
Os vãos exteriores de peito e de sacada são, muito provavelmente, tão importantes na satisfação doméstica, quanto o espaço interior em que se conjugam; e haverá, muito provavelmente, "mecanismos" de compensação que acabam por funcionar e que põem em relevo o enrme problema criado por projectos de habitações dimensionalmente exíguas, gloabelmente mal dimensionadas e mal orientadas, mas para além de tuso isto, mal servidas por janelas exíguas, mal orientadas e pobremente desenhadas em todos aqueles aspectos associados às matérias do conforto ambiental (luz natural abundante, controlo de luz e de temperatura, ventilação e isolamento sonoro) e ao desenvolvimento de verdadeiros "lugares-janela".
Os vão exteriores são fundamentais na criação de um espaço doméstico que associe funcionalidade, segurança, conforto ambiental e essenciais aspectos de comunicabilidade com o exterior e de apropriação; uma importância claramente subalternizada coma excepção das boas arquitecturas.



Não é fácil fazer um adequado mapa "global" de possíveis vãos exteriores, pois as janelas - de peito e de sacada - têm de garantir condições que são, por vezes, antagónicas como é o caso da segurança contra quedas e contra intrusões, a possibilidade de obscurecimento do interior doméstico e o seu eficaz isolamento em termos de temperatura e contra o ruído exterior, e os referidos aspectos de grande relação com o exterior natural e urbano, aspectos estes também associados ao uso intenso dos espaços exteriores privativos e dos riquíssimos limares de transição interior/exterior que muito ficarão a dever  ao desenvolvimento de boas soluções de janelas e janelões; e com tudo isto há que harmonizar os custos, tradicionalmente elevados nesta parte da obra.
Podemos dizer que uma (muito) boa janela é um verdadeiro "tratado", pois assegura vistas e outras relações humanas entre interior e exterior, isolamento térmico e contra os ruídos do exterior, ganhos térmicos e ganhos de insolação controlados e bem distintos no Inverno e no Verão, ventilação controlada do respectivo espaço doméstico, considerando que este assume um papel específico na necessária solução global de ventilação da habitação, e também assegura adequadas condições de segurança contra riscos de queda e intrusões e, finalmente, assegura um importantíssimo papel seja na funcionalidade e na apropriação do respectivo espaços doméstico que integra, seja mesmo no nível de atractividade e de identidade que caracteriza o respectivo edifício. E, naturalmente, uma "má janela", como se pode concluir é quase como um falhanço crítico na qualidade global do projecto e na sua influência na satisfação dos respectivos habitantes; e, infelizmente, não é pouco frequente seja a associação crítica entre maus projectos gerais e de janelas, seja a não valorização de um bom projecto geral, ou mesmo o seu muito sensível empobrecimento através de más soluções de janelas.
As janelas domésticas e os seus elementos de regulação devem ter, assim, designadamente, as seguintes características:

- proporcionarem abundante luz natural e radiação solar equilibrada manobra;

- isolarem do ruído e do calor do Verão;

- terem limpeza funcional e seguras e protecções reguláveis do interior e com facilidade;

- terem "bandeiras" de ventilação bem posicionadas e reguláveis, proporcionando ventilação cruzada entre compartimentos e o encaminhamento do ar mais para o tecto (para "varrer" o ar quente que aí se pode acumular), ou mais para baixo (refrescando directamente os habitantes);

- proporcionarem vistas exteriores agradáveis;

- poderem ser encerradas para proporcionarem segurança, privacidade e regulação da luz natural;

- participarem, activamente, seja na boa capacidade mobilável do respectivo compartimento, seja nas boas capacidades funcionais - luz natural e posicionamento relativo - das actividades aí potencialmente mais frequentes e mesmo na respectiva capacidade de apropriação e de atractividade, designadamente, pela expressão reforçada das suas margens - o exemplo desta capacidade é-nos proporcionado por muitas excelentes janelas de tantas habitações mais antigas;

- serem seguras na sua utilização habitual, considerando-se, designadamente, o seu uso por crianças;

- e, naturalmente, estarem, perfeitamente integradas no equilíbrio visual e no partido arquitectónico do respectivo projecto - condição básica e que poderia estar, aqui, ausente, pois trata-se de matéria realmente essencial e primária num bom projecto.
  
Todos reconhecemos a capacidade de atractividade interior e exterior dos vãos exteriores, uma capacidade que, no entanto, está pouco expressa na prática corrente e, nestas matérias há "segredos" importantes entre os quais e segundo Alexander se saçienta o reforço do tratamento das margens dos vãos, e nomeadamente dos exteriores, que  corresponde à evidenciação do natural reforço que se tem de aplicar em torno de uma certa zona de um pano de parede que se pretende abrir e tratar como janela ou porta; de certo modo correspondendo a um desvio e a uma concentração de linhas de força, tal como refere Alexander. (2)
De certa forma quando nos concentramos nos vãos exteriores há que considerar reforços de visibilidade, de profundidades e de transparências.
A profundidade aparente de um vão exterior é muito importante, criando-se com os seus elementos de enquadramento e com outros elementos suplementares, como os encalços e mesmo as cortinas, "um pequeno mundo intermédio ou de limiar", entre o exterior público e o nosso "santuário" doméstico interior, que fica bem destacado, afastado e protegido.
Tal como se refere num estudo do LNEC já aqui, várias vezes, citado (ITA 2), desde que exista algum espaço nesse limiar, ele pode ser povoado e habitado, por plantas e objectos pessoais e domésticos (ex., molduras com fotografias da família), situação esta que proporciona transições e ligações entre espaços interiores e exteriores (ex., vários planos de plantas, interiores e exteriores, privadas ou públicas) e constitui uma barreira psicológica de protecção do nosso espaço doméstico; outra função básica destes espaços é a marcação doméstica das fachadas, para além da sua, natural, marcação pessoal (ex., aquela janela igual às outras, mas com uma planta bem identificável, uma determinada cor nas cortinas e uma resma de livros, é a nossa janela).
E há que sublinhar que, naturalmente, nada disto acontece em janelas simplesmente recortadas e "chapadas" nas paredes, interior e exteriormente, que são meros intervalos ou "ocos" da construção; desta forma perde-se todo um importantíssimo mundo de escalas reduzidas que marcam limiares e buffers que, tanto protegem, até termicamente, como marcam e que podem ser excelentes locais de identidade e apropriação, pois têm alguma, mitigada, visibilidade pública, estando em pisos pouco elevados - assunto este que merecerá posterior e específico desenvolvimento - e porque são assumidos com naturalidade como espaços positivamente "residuais"; e nesta matéria pode-se comentar que se trata de espaços hoje construtivamente sem sentido, o que é verdade, mas não deixando de ser verdade que aquelas excelentes funções de protecção e identificação marginal continuam a fazer todo o sentido, podendo justificar a sua "reconstituição" essencialmente formal, e independente dos aspectos construtivos.
Importa sublinhar que a fenestração do habitar deve adequar-se à altura a que é aplicada no edifício, tanto porque quanto mais abaixo estiver maior área envidraçada é necessária para se obterem os mesmos níveis de luz natural interior, como porque são diversas as relações visuais que caracterizam a relação do interior sobre o exterior, conforme o nível em que se está; e estes aspectos de desenho pormenorizado são elementos estratégicos na caracterização da solução, salientando-se que aqui não se defende a sistemática divesificação da fenestração, conforme os seus níveis de aplicação, apenas que se tenha em atenção o que acabou de ser referido, até, eventualmente, no estudo que se fala de um vão-tipo optimizado e aplicável de forma muito generalizada. FIG
A fenestração térrea habitacional e próxima do nível térreo exige uma concepção específica cuidada de modo a que se harmonizem boas condições de iluminação natural e vistas com aspectos de segurança contra intrusões e de privacidade visual, sendo muito provável o interesse de se desenvolverem desníveis e interposições de espaços e elementos estratégicos, assim como um "espessar" do vão, ele próprio elemento de primeira linha na protecção visual que proporciona ao interior doméstico. E não tenhamos dúvidas que todos estes cuidados são elementos que reforçam a força de embasamento e o carácter do respectivo edifício.

Na próxima semana avançaremos para aspectos mais específicos do "desenho" dos vãos exteriores.
Notas:
(1)  Ernest Neufert, "Arte de Projetar em Arquitetura", p. 111.

(2)   Christopher Alexander; Sara Ishikawa; Murray Silverstein; et al, "A Pattern Language/Un Lenguaje de Patrones", pp. 919 e 920.
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Infohabitar, Ano XIV, n.º 636

Caracterização geral dos vãos exteriores I


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