segunda-feira, abril 23, 2018

Bay Windows e outros "lugares-janela" - Infohabitar 638

Infohabitar, Ano XIV, n.º 638


Artigo da Série “Habitar e Viver Melhor” n.º CXI

por António Baptista Coelho (texto e imagens)

Bay Windows e outros "lugares-janela"

Abordam-se, aqui, isoladamente as Bay-windows e o que se designa de outros "lugares-janela", por serem elementos fisicamente muito caracterizados, e que embora seja, ainda, talvez, pouco comuns na nossa tradição doméstica – designadamente no caso da bay-windows” –, estão habitualmente associados a interessantes aspectos de apropriação e de satisfação no interior das nossas casas.

Bay Windows

A bay window é uma janela construída de forma a projectar-se para fora da respectiva parede exterior, obtendo-se, assim, um quíntuplo resultado:
- uma vista exterior significativamente caracterizada e única e fortemente associável a espaços domésticos;
- uma vista interior que marca, significativamente, boa parte ou a totalidade de uma parede do respectivo compartimento;
- um potencial de vistas do interior sobre o exterior significativamente potenciados, designadamente, com vistas laterais, para além da vista frontal habitual;
- um potencial de tipos de envidraçados e de abertura de janelas bastante significativo, podendo associar panos envidraçados transparentes e outros translúcidos e diversos tipos de janelas de abrir, com as respectivas vantagens em termos do controlo da ventilação natural;
- e, naturalmente, por fim, mas não menos importante – antes pelo contrário – a definição/”construção” de um atraente – porque bem iluminado e configurado – “lugar janela”.
Salienta-se, desde já, quatro outros aspectos que se consideram muito importantes, em termos da capacidade de aplicação da bay window:
- A enorme capacidade de diversificação visual e tipológica no desenvolvimento de  bay windows; claramente não limitadas às suas configurações mais tradicionais.
- A clara capacidade de aplicação das bay windows em edifícios unifamiliares em banda cerrada e em grandes edifícios multifamiliares; portanto numa lógica de aplicação que ultrapassa muito a sua “tradicional” aplicação em grandes moradias isoladas.
- A grande versatilidade de “misturas” funcionais e visuais interiores oferecidas pelas bay Windows.
- A grande capacidade de conteúdo simbólico domesticamente associado, que é sempre oferecida pelas bay Windows , seja qual for a sua tipolgia de aplicação – ex., desde uma aplicação corrente numa fachada a uma aplicação menos corrente em galerias exteriores de acesso a fogos que integrem um grande edifício multifamiliar.
É interessante sublinhar aqui que as bay windows terão sido exportadas do oriente, onde existiam com a designação de "quiosques" e "moucharabiés", com funções específicas de privatização, ventilação e visulização estratégica da rua a partir do interior doméstico, para países do norte da Europa onde a sua utilização se associou a aspectos de potenciação da luz natural, pois acabam por proporcionar uma multiplicação das superfícies envidraçadas, em determinadas zonas da habitação, assim como o aproveitamento maximizado de tais zonas como espaços de lazer, estar, convívio e também com funções específicas, por exemplo, de leitura e de trabalho.
E entre oriente e norte da Europa pouco foram empregues nas nossas habitações portuguesas, a não ser sob a forma de algumas excelentes "marquises", feitas como tal numa perspectiva de "jardins de Inverno" e criando algmas soluções de evidente atractividade exterior e interior.
É interessante pensar a propósito na possibilidade de podermos "importar", com êxito, este e outros modelos/soluções de espaços habitacionais; afinal na tão divulgada sociedade global tal possibilidade acabará por ser bastante natural.


"Lugares-janela"

Embora a bay window possa ser considerada o exemplo típico de um afirmado “lugar janela”, muitos outros existem, até porque qualquer janela por pior configurada e integrada que esteja será sempre um “lugar janela”.
E esta afirmação liga-se à múltiplas características que podem ser oferecidas por uma janela:
- desde aspectos de luz natural contrastando no interior;
- à potencialidade de vistas sobre o exterior e de “transporte” de vistas exteriores para o interior (ex., vistas de árvores, vistas paisagísticas amplas);
- a toda uma série de capacidades de ocupação e apropriação espacial pormenorizadas que podem se oferecidas pelo “espaço contíguo e próximo do vão”;
- capacidades estas que, naturalmente, irão variar, seja com a respectiva configuração geral do vão (dimensionamento, orientação, altura ao solo, eventual contiguidade com varanda funda ou de assomar), seja com a tipologia básica da janela: de sacada, de “peito” baixo (janela “francesa”), ou de peito;
- e capacidades estas que irão variar, e muito, com a qualidade do respectivo projecto geral e pormenorizado de Arquitectura – e esta referência não é casual, pois, frequentemente, até bons projectos falham em grande parte quando chegam a este importante nível de desenho.   
Muito do que aqui se referiu caminha no sentido da constituição daquilo que podemos referir como "lugares-janela", sítios que muito provavelmente irão ser locais preferidos de apropriação pormenorizada e de uso diário, e sítios onde aquela ideia de que espaço a mais não é obrigatoriamente melhor espaço, fica bem provada, assim como fica evidenciada a grande relação que todos gostamos de ter, nos sítios que habitamos, com boas condições de iluminação natural.

Outros "lugares-janela" ou "sítios junto à janela"

As janelas sempre constituíram espaços que cativam actividades domésticas, sendo exemplo desta matéria os lugares para namorar, "as namoradeiras", habitualmente integradas aproveitando-se os encalços das espessa paredes antigas, e que poderão ser, eventualmente, retomadas e reinterpretadas, pro exemplo, através de uma simulação dessas espessuras utilizando-se os espaços assim criados para arrumações diversas.
Mas uma excelente forma de se aproveitarem os "lugares-janela" ou "sítios junto à janela" é para aproximar deles determinados pequenos conjuntos funcionais de mobiliário, habitualmente associados à construção de agradáveis e estimulantes cenários residenciais interiores, como é, por exemplo, o caso dos conjuntos "sofá ou cadeira de repouso, móvel de apoio e candeeiro" e "pequena mesa e duas cadeiras ou um cadeirão".

Mas os espaços na contiguidade das janelas podem ser, ainda, excelentes sítios de limiar e de transição entre a rua e o "verdadeiro" interior da habitação, sítio, frequentemente, "entre janela e cortinado", onde, sendo possível, se houver um peitoril largo e/ou se a parede for espessa (realmente ou de forma simulada), há lugar à integração de imagens da família, plantas e variados elementos de decoração/apropriação e identificação da habitação relativamente ao seu exterior.
Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XIV, n.º 638

Bay Windows e outros "lugares-janela" - Infohabitar 638

Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho
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Infohabitar, Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).
Editado nas instalações do Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT) do Departamento de Edifícios (DED) do LNEC.


Apoio à Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.

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