domingo, setembro 26, 2010

HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL NO BAIRRO DE ALVALADE - Infohabitar 313

Artigo de António Carvalho
Infohabitar, Ano VI, n.º 313

Nota inicial:


O 1.º Congresso Habitação no Espaço Lusófono, o 1.º CIHEL, decorreu com pleno êxito, nos passados dias 22 e 24 de Setembro, no Grande Auditório do ISCTE-IUL, em Lisboa, nas próximas semanas e logo que tenhamos oportunidade, iremos dedicar alguns artigos a este grande evento, no entanto e desde já gostaríamos de sublinhar que estiveram presentes, praticamente, todos os países de língua portuguesa e que foi já anunciado que o 2.º CIHEL terá lugar, também, em Lisboa, no sentido de se reforçar e alargar a base de enquadramento e estruturação do Congresso, e que decorrerá num período de cerca de dois anos, portanto no final de 2012, no Centro de Congressos do Laboratório Nacional de Engenharia Civil.Os organizadores do 1.º CIHEL querem, desde já, fazer e deixar, aqui, um agradecimento público a todos os participantes no 1.º CIHEL, conferencistas, palestrantes, membros de mesas, alunos que apoiaram a organização e todos os inscritos, assim como às entidades que apoiaram o 1.º CIHEL, com um destaque muito especial para o ISCTE-IUL, a Câmara Municipal de Lisboa, o Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana e a Fundação para a Ciência e Tecnologia.
As Actas do 1.º CIHEL poderão ser adquiridas em diversas livrarias, estando desde já disponíveis na Livraria A+A junto à Ordem dos Arquitectos em Lisboa http://www.livrariaamaisa.pt/
Segue-se o artigo da semana do Infohabitar.
HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL NO BAIRRO DE ALVALADE
Artigo de António Carvalho
O Bairro de Alvalade constitui em Lisboa e no país um verdadeiro estudo de caso enquanto exemplo do sucesso de um plano de urbanização que de modo raro soube de facto propor, construir e consolidar cidade no século XX, numa área territorial de dimensão muito significativa.





Fig. 01: Plano de Alvalade – vista geral com as diversas células de intervenção

O sucesso de um plano de urbanização não se pode porém avaliar de modo rápido e muito menos no instante pós-projecto: como tudo o que é cidade, necessita de tempo. Nas cidades os ciclos de vida sucedem-se, geração após geração — na verdade, a população muda (por vezes dentro de uma mesma geração) enquanto a maioria dos edifícios permanece e é nesse confronto de novas ou diferentes pessoas habitando ou usando os mesmos edifícios que a qualidade de um plano é também posta à prova.

Isto é válido para qualquer tipo de plano, desenho urbano, edifício ou população e o Bairro de Alvalade contém na sua génese a correcta mistura de ingredientes, oferecendo a Lisboa soluções diferenciadas para problemas diversos, entendidos de modo global e integrado no projecto, na obra e no tempo.

Estou convicto que foi esta visão global integrada e integradora que permitiu o sucesso urbanístico e social desta vasta área de Lisboa, ao ponto de, seis décadas após a sua construção, os “edifícios de rendas económicas” se terem fundido perfeitamente no tecido urbano e social do bairro.

Bairro: eis uma palavra que caiu em desuso no léxico dos urbanistas e planeadores da segunda metade do século XX, mais preocupados com questões de inovação funcional, formal e tipológica, para quem este conceito de “bairro” teria eventualmente demasiadas reminiscências tradicionalistas. E no entanto o conceito de bairro é altamente complexo e integrador para quem o habita. Pertencer a um bairro é, desde logo, uma âncora de identidade, de pertença a um lugar, a uma comunidade, a uma rede complexa e rica de relações sociais e espaciais que extravasam claramente o simples edifício ou apartamento que se habita. Penso que em grande parte é isto que acontece no Bairro de Alvalade desde a sua origem.

Habitar ou trabalhar em Alvalade é pertencer e apropriar-se deste bairro modernista de Lisboa, onde a cidade soube oferecer à sua população — em simultâneo! — espaços novos, modernos, higienizados e funcionais, de acordo com os melhores padrões técnicos e teóricos, quer em termos de edifícios quer de espaços públicos totalmente infraestruturados e ajardinados, conjugados com diferentes estratos sociais e económicos sabiamente distribuídos no tecido urbano.




Fig. 02: Av. da Igreja – zona poente; Av. da Igreja – zona nascente

A sensibilidade e sabedoria de implantar os edifícios de habitação económica de modo subtilmente diferenciado ao longo de uma nova artéria estruturante do bairro, a Avenida da Igreja, equivaleu a uma visão integradora da sociedade (por muito estranho e polémico que tal possa parecer atendendo à época e regime político). A opção urbanística de oferecer “frente de rua” às habitações económicas no troço poente da Av. da Igreja, entre o Campo Grande e a Av. de Roma, recuando-as apenas ligeiramente no troço Nascente, entre a Av. de Roma e a Av. Rio de Janeiro (para dar lugar a comércio térreo e habitações maiores nos pisos superiores), promoveu desde a origem um equilibrado convívio entre classes sociais. Ao ponto de actualmente tal distinção social já não ser perceptível — ou pura e simplesmente não existir.




Fig. 03: Zona Poente - os edifícios de habitação social formam gaveto com a Av. da Igreja; Zona Nascente - a habitação social recua e o gaveto com a Av. da Igreja é formado por habitação média-alta.

Todo o enquadramento urbanístico feito até este ponto do texto reside na minha convicção pessoal e profissional de que a habitação (dita social ou não) não pode ser projectada de modo isolado, abstracto, como “belas peças arquitectónicas” pousadas sobre carpetes relvadas ou empedradas. Se esses edifícios se destinam a ser habitados por pessoas reais, os seus moradores não viverão exclusivamente dentro das belas paredes do seu apartamento — a não ser que nada mais que isso lhes seja oferecido em termos de qualidade espacial e vivencial. Pessoas reais têm necessidades normais de sair do seu edifício e poder caminhar com conforto e segurança, fazer as pequenas compras do quotidiano ou as “compras de montra” (o “window-shopping” dos americanos que faz o sucesso de qualquer centro comercial...), levar os filhos à escola ou permitir que o façam sozinhos, na segurança do habitat natural do seu bairro.




Fig. 04: Zona poente da Av. da Igreja: exclusivamente habitacional — os edifícios de habitação social fazem a frente urbana; Zona nascente da Av. da Igreja: intensamente comercial — a calçada ocupa a totalidade dos passeios até às montras.

Tudo isto foi oferecido no Bairro de Alvalade desde a sua origem, a todos os seus moradores sem excepção: desde as avenidas comerciais (mas fortemente habitacionais!) como a Av. de Roma, a Av. da Igreja ou a Av. do Brasil, até às escolas primárias, preparatórias e secundárias equilibradamente distribuídas pelos diferentes sectores residenciais do bairro e perfeitamente integradas no coração da malha urbana, até aos equipamentos públicos de outro tipo (bombeiros, centro cultural, mercado, cinemas, piscinas), por regra integrados nos quarteirões numa lógica de continuidade, afirmando-se no entanto como edifícios públicos de referência — os edifícios urbanos marcantes, de “auxílio à navegação” urbana.




Fig. 05: Transversal da Av. da Igreja na zona poente, com equipamento público ao fundo da rua; Rua Marquesa de Alorna na zona nascente da Av. da Igreja, com Liceu Rainha D. Leonor ao fundo

Sou um morador do Bairro de Alvalade, mais propriamente da Av. Estados Unidos da América e habitei provisoriamente durante seis meses num apartamento de habitação social ou de “rendas económicas” na Rua Marquesa de Alorna, enquanto fazia obras no meu apartamento. Foram seis meses agradáveis. Pese embora a dimensão reduzida dos compartimentos (o que não permitiu encaixar a totalidade do meu mobiliário...), revelou-se muito confortável habitar aquela zona do bairro.

Em vários aspectos da qualidade de vida urbana quotidiana, tinha até mais conforto que a Av. EUA: o privilégio de poder sair à rua e comprar pão quente na padaria da esquina para o pequeno-almoço diário, poder atravessar a Av. da Igreja e de imediato alugar um filme no clube de video quando apetecia, poder comprar o frango na churrasqueira da Av. da Igreja (que ali existe há décadas e onde ainda hoje vou) ou as “faltas de mercearia” na charcutaria do lado, poder ir a pé à missa na igreja de S. João de Brito, poder ir a pé ao cinema Alvalade (agora felizmente renascido como Citycine Alvalade) — tudo isto ao alcance do peão! Aliás a total ausência de estacionamento (resolvida através da integral ocupação selvagem dos passeios das ruas pelos residentes...) era o pesadelo do fim de dia, no regresso a casa. Mas até esse problema poderia (poderá?) ser minimizado através de estudos equivalentes ao plano do Arq. Paisagista Ribeiro Teles, que propôs em 1999 uma inteligente ocupação de certos interiores de quarteirão semi-abandonados cujos logradouros poderiam ser transformados em parques de estacionamento para os moradores do bairro.




Fig. 06: Logradouro das habitações sociais na zona poente; Logradouro na R. Marquesa de Alorna

Viver naquele apartamento T3 de rés-do-chão equivaleu a conhecer melhor e explorar intensamente aqueles quarteirões do bairro. Descobrir os percursos de peões que criam uma sub-malha de atalhos entre ruas e quarteirões — que só quem vive (ou consegue projectar) a rua nas suas diversas valências aprecia pela sua utilidade para o peão —, sentir o pulsar da vida comercial da Av. da Igreja e de todos os quarteirões a ela adjacentes no lado Norte (ainda hoje um verdadeiro “centro comercial ao ar livre” com um curioso e equilibrado ecossistema de estacionamento em segunda fila...), caminhar até ao parque desportivo do Inatel, ter um logradouro fechado e exclusivo do prédio para as crianças brincarem em segurança, tudo isto habitando um edifício de “habitação social”!?

Na verdade poucas pessoas restam (por razões de longevidade) das que originalmente inauguraram estes quarteirões destinados a população com menores recursos económicos. Todas estas dezenas de edifícios, albergando várias centenas de apartamentos, permitiram uma equilibrada assimilação e ascenção social dos seus residentes, cujos filhos frequentaram os mesmos estabelecimentos escolares que os vizinhos das “classes sociais superiores” residentes na Av. da Igreja, Av. de Roma, moradias das ruas dos escritores, etc, enquanto os pais frequentavam os mesmos cafés e pastelarias, lojas, ou simplesmente os mesmos transportes públicos, passeios e praças, formando ao longo do tempo uma verdadeira comunidade social heterogénea, complementar e integrada. As diferentes classes sociais co-habitavam o espaço urbano, co-utilizavam os equipamentos, reconheciam-se, aprenderam a respeitar-se, construíram um verdadeiro tecido social.

Estas casas de rendas económicas do Bairro de Alvalade são pequenas e apertadas, sobretudo para os padrões de conforto actuais (tal como já demonstrado pelos estudos de João Branco Pedro, no LNEC). No entanto elas são actualmente disputadas no mercado imobiliário e facilmente vendidas a um estrato socio-cultural claramente médio, médio-alto. Porquê? Porque na minha opinião, elas possuem uma mais-valia que excede as paredes do edifício: a sua localização na cidade. E elas oferecem aos moradores todo um bairro de elevados standards urbanos, com quase tudo o que a vida contemporânea privilegia, ao alcance do caminhar!
Suspeito que seja esse o segredo da “fórmula mágica” das habitações sociais do Bairro de Alvalade — daí que, contrariamente a muitos outros bairros sociais que se degradam e desvalorizam, aqui se tenha verificado uma permanente valorização e prestígio.

Breves notas do editor:O autor do artigo, António Carvalho, é Arquitecto e Professor, membro fundador do Grupo Habitar, está a cooperar em matérias de investigação do Núcleo de Arquitectura e Urbanismo (NAU) do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), e frequenta, actualmente, o Programa de Doutoramento em Arquitectura e Desenho Urbano do DECA do IST.

Este programa de doutoramento em Arquitectura é participado pelo LNEC e específicamente e sistematicamente pelos doutorados do seu Núcleo de Arquitectura e Urbanismo (NAU), com participações do seu Núcleo de Ecologia Social (NESO).




Advertência ao leitor
Nota da edição: embora os artigos editados na revista Infohabitar sejam previamente avaliados e editorialmente trabalhados pela edição da revista, eles respeitam, ao máximo, o aspecto formal e o conteúdo que são propostos, inicialmente pelos respectivos autores, sublinhando-se que as matérias editadas se referem, apenas, aos pontos de vista, perspectivas e mesmo opiniões específicas dos respectivos autores sobre essas temáticas, não correspondendo a qualquer tomada de posição da edição da revista sobre esses assuntos.

Infohabitar, Ano VI, n.º 313
Infohabitar a Revista do Grupo Habitar
Editor: António Baptista Coelho
Edição de José Baptista Coelho
Lisboa, Encarnação - Olivais Norte, 26 de Setembro de 2010





domingo, setembro 19, 2010

Apresentação do 1.º CIHEL - Infohabitar 312

Infohabitar, Ano VI, n.º 312

Estamos já na véspera do 1.º Congresso Habitação no Espaço Lusófono, o 1.º CIHEL, que decorrerá entre 22 e 24 de Setembro próximos, no Grande Auditório do ISCTE-IUL, em Lisboa, por isso voltamos a divulgar a sua matéria e o seu programa.



Fig. 01: o cartaz do 1.º CIHEL, com o seu logótipo realizado no âmbito do Curso de design Gráfico da Escola Secundária de Sacavém

Fazem-se, em seguida, umas brevíssimas reflexões sobre a importância da temática deste congresso e sobre a sua razão de ser e evidente potencial de continuidade.

Em primeiro lugar, sublinha-se que as matérias que deram origem ao 1.º CIHEL foram exactamente as mesmas que motivaram a criação do Grupo Habitar, que nasceu em 2001, devido à vontade de muitas pessoas com diversas formações e práticas profissionais, discutirem e divulgarem matérias da habitação, do urbanismo e da qualidade de vida, abordando alguns dos principais problemas e dos aspectos qualitativos que caracterizam as nossas habitações, os nossos bairros e as nossas cidades, e foi isso que fizemos, desde então, em mais de 50 eventos técnicos e na nossa revista semanal na www, o Infohabitar, onde já editámos mais de 300 artigos.
Passando agora, especificamente, à temática do 1.º CIHEL gostaria de sublinhar que já é tempo de se considerar que, por regra, o direito à habitação não é cumprido num qualquer alojamento mínimo, concretizado, por exemplo, num apartamento de um edifício sem qualidade arquitectónica e situado numa zona sem espaços públicos e vida urbana; porque o verdadeiro direito à habitação só é cumprido, em termos de um espaço habitacional verdadeiramente adequado, em termos quantitativos e qualitativos, considerando que, tanto se habita com agrado o espaço doméstico, como a vizinhança, o espaço público e a própria cidade. E não tenhamos dúvidas de que só assim se garante que não surgirão mais “bairros críticos” ou, julgo que melhor definidos, socialmente sensíveis.

Esta consideração, sobre o tema de um habitar que deve ser proporcionado numa perspectiva quantitativa e qualitativa muito cuidadosa, assume especial pertinência numa altura em que se desenvolvem planos para enormes números de habitações em vários dos países da lusofonia, e nesta ocasião julga-se que até proporcionar algo tão simples e eventualmente tão oportuno, como a divulgação, numa mesma língua comum, do que foram os maus exemplos de habitar e de habitação de interesse social e, preferencialmente, das características das boas ideias e experiências de habitação, vizinhança e cidade, são aspectos que podem ajudar, de forma determinante, a escolher bons caminhos em termos de um habitar mais adequado às pessoas, aos modos de vida específicos e ao fazer de povoações mais humanas, e e a evitar as más soluções, o que sem dúvida poderá significar uma vida melhor para muitas famílias e uma enorme poupança para o investimento público.

Será assim importante alargar o debate sobre a habitação e o habitar, em sentido amplo, a outras realidades sociais fisicamente distantes e marcadas por problemas distintos e específicos, mas realidades relativamente às quais temos uma sensibilidade especial, não só em termos de uma língua e cultura comuns, mas também em termos afectivos e culturais.

E considera-se que a referida diversidade de problemas e contextos, que é muito marcante nas diversas regiões, bem distintas, que caracterizam o interior de grandes países como Angola, Brasil e Moçambique, mas também, por exemplo, nas diversas ilhas de Cabo Verde, não será um obstáculo significativo numa sociedade cada vez mais mundial, multicultural e instantaneamente servida por redes de informação; usemos, então, estas redes e, especialmente, esta nossa língua e cultura comuns, num sentido sistemático e positivo disseminando as acções de referência nestas matérias do melhor habitar para o maior número e do retomar do problema da habitação num século em que habitação e cidade têm de aprender a conviver de forma mutuamente favorável e mesmo necessariamente estimulante, numa aprendizagem que é inovadora, porque o homem tem quase 10.000 anos de pequenas cidades e talvez apenas pouco mais de 50 anos de megacidades, mas uma aprendizagem que pode e tem de trazer suplementos económicos, culturais e conviviais aos velhos e novos citadinos; pois afinal e tal como disse um poeta: "Chegarás sempre a esta cidade; Não esperes outra ..."


António Baptista Coelho - da Direcção do 1.º CIHEL


Fig 02: o cartaz da Conferência do Arqt. João Filgueiras Lima (LELÉ), a realizar na abertura do 1.º CIHEL.

Em seguida edita-se o programa do 1.º CIHEL
Presidente do Congresso: Arq.ª Helena Roseta, Vereadora da Habitação da Câmara Municipal de Lisboa
Comissão de Honra: Dr. António Costa, Presidente da Câmara Municipal de Lisboa; Dr. Domingos Simões Pereira, secretário-executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP); Arq. João Rodeia, Presidente da Ordem dos Arquitectos; Eng.º Carlos Matias Ramos, Bastonário da Ordem dos Engenheiros; Prof. Luís Reto, Presidente do ISCTE-IUL; Presidente do Conselho Directivo do IHRU, Dr. António José Mendes Baptista; Presidente do Conselho Directivo do LNEC, Eng.º Carlos Pina; Presidente do CIALP, Arq.º António Gameiro.
Direcção: António Baptista Coelho - Grupo Habitar - GH e NAU/LNEC; Paulo Tormenta Pinto - ISCTE-IUL e CIAAM
Comissão Científica: Prof. Arq.º António Reis Cabrita (coord.) - GH e LNEC ap.; Prof.ª Arq.ª Ana Vaz Milheiro - ISCTE-IUL e CIAAM; Eng.º Defensor de Castro - GH e CidadeGaia – SRU; Prof. Arq.º José António Bandeirinha - UC e CES; Investigador Coordenador, Eng.º José Vasconcelos Paiva - GH e LNEC ap.; Prof. Arq.º Manuel Correia Fernandes - GH e FAUP; Prof. Arq.º Manuel Correia Guedes - DECA/IST; Prof.ª Arq.ª Sheila Walbe Ornstein - FAU/USP.
Comissão Organizadora: Teresa Madeira da Silva - ISCTE-IUL, CIAAM; Vasco Moreira Rato - ISCTE-IUL, CIAAM; .

Fig. 03: Imagens do edifício e do auditório onde se realizará o 1.º CIHEL,
A autoria das imagens é de João Morgado e elas foram retiradas do respectivo site, http://www.photo.joaomorgado.com/portfolio/isctecomplex/

DIA 22 – ABERTURA DO CONGRESSO

14.30h/16.30h – Inscrições e entrega de documentação, balcão da entrada (Edifício II)
16.30h/18h – Grande Auditório: Sessão de Boas Vindas e apresentação do Congresso: Prof. Doutor Luís Reto (Reitor do ISCTE-IUL); Arquitecto Vasco Moreira Rato (Presidente do DAU do ISCTE-IUL); Arquitecto António Baptista Coelho (Presidente do Grupo Habitar e Ch. NAU do LNEC).
Sessão de Abertura - por membros da Comissão de Honra (a definir)
Abertura formal do Congresso – Arquitecta Helena Roseta (Veradora da Habitação da Câmara Municipal de Lisboa, Presidente do 1.º CIHEL)
18h/19h – Grande Auditório
Palestra Magistral proferida pelo Arqt. João Filgueiras Lima (LELÉ)
Apresentação: Prof. Doutor Arq.º Paulo Tormenta Pinto (Presidente do CIAAM)

19/20h – cocktail
DIA 23 – TEMAS A e B
9h/9.30h – Inscrições e entrega de documentação, balcão da entrada (Edifício II)
Sessão/tema A – Políticas e programas – considerando situações de escala relativamente reduzida e a importância da reabilitação.

9.30h/11h – Grande Auditório
Mesa: Presidente, a convidar; Moderador, membro da Comissão Científica.
Conferência de Abertura do tema A – Políticas e programas: Arquitecto António Gameiro, “O actual desenvolvimento urbano e habitacional em Angola”.

Comunicações:
Margareth Matiko Uemura e Lizete Maria de Rubano - “Política Urbana e Habitacional e Gestão da Cidade “.
João Pedro e José Jorge Boueri – “Exigências de espaço aplicáveis à construção de habitação de interesse social: comparação entre Portugal e Município de São Paulo”.

11h/11.30h – Intervalo
Maria Tavares - “Habitações Económicas - Federação das Caixas de Previdência: uma Perspectiva Estratégica [nos anos 50 e 60 em Portugal]“.
Marluci Menezes e Álvaro Pereira – “O Problema Social da Habitação: Princípios para um Programa de Investigação-Acção”.

12.30h/13.00h – Debate
13.00h/14.30h – Almoço (livre)
Sessão/tema B – Infra-estruturas e equipamentos – considerando perfis de habitabilidade, papel do espaço público e serviços urbanos e sociais.
14.30h/16h – Grande Auditório
Mesa: Presidente, a convidar; Moderador, membro da Comissão Científica.
Conferência de Abertura do tema B – Infra-estruturas e equipamentos: Arquitecto Anselmo Cani, sobre “A problemática habitacional em Moçambique”.

Comunicações:
Lizete Maria Rubano, Luiz António Recamán Barros e Lucas Fehr – “Uma Ação na Cidade: Urbanização em Áreas Urbanas Críticas”. David Manuel Leite Santos Viana – “A Habitação low-cost [in]formal entre a Infra-Estrutura e a Super-Estrutura”.
16h/16.30h – Intervalo
Nirce S. Medvedovski, Lígia Chiarelli, Sara Roester e Mateus Coswing - “Inserção urbana e terciarização da gestão nos projectos de empreendimento PAR”. Izabela Naves Coelho Teobaldo – “A Morfologia Urbana como Instrumento de Análise do Espaço Construído e Vivenciado”. Dina de Paoli – “O Desenho Urbano na Visão dos Moradores de Conjuntos Habitacionais de Interesse Social: Projeto INOVAHABIS e o Relatório ‘Sense of Place’”.
17.30h/18.00h – Debate

DIA 24 – TEMAS C e D

Sessão/tema C – Soluções habitacionais e modos de vida – considerando velhas e novas formas de habitar, desejos e necessidades. 9h/11h – Grande Auditório
Mesa: Presidente, a convidar; Moderador, membro da Comissão Científica.
Conferência de Abertura do tema c - Arquitecto Estanislau da Silva Ferreira “A problemática da habitação sob o ponto de vista social na Guiné-Bissau”.
Comunicações:
Marta Cruz – “Configurações Espaciais e Familiares na Habitação Unifamiliar Contemporânea. O Caso da Cooperativa de Habitação Económica O Lar do Trabalhador”. Mário Márcio Santos Queiroz e Tatiana Leal Andrade – “A Participação Acadêmica na Formulação de Proposta de Requalificação Técnica de Áreas Urbanas e Edificações em Comunidades Subnormais, com Prerrogativas da Lei Federal Nº 11.888/08″.
Walter José Ferreira Galvão e Sheila Walbe Ornstein - “Edifícios de Apartamentos da Década de 50 no Centro da Cidade de São Paulo, Brasil. Perspectivas de Adequação aos Modos de Vida Contemporânea”.

11h/11.30h – Intervalo

Paula Petiz – “Sobre a “Noção” de Espaço Intermédio em Contexto de Realojamento – Algumas Reflexões. Conjunto Habitacional de Monte Espinho”. Simone Barbosa Villa – “A APO como Elemento Norteador de Práticas de Projeto de HIS. O Caso do Projeto (Mora)”.

12.30h/13.00h – Debate
13.30h/14.30h – Almoço
Sessão/tema D – Materiais e tecnologias – considerando aspectos de escassez de recursos e ligados às diversas facetas da sustentabilidade.
14.30h/16h – Grande Auditório
Mesa: Presidente, a convidar; Moderador, membro da Comissão Científica.
Conferência de Abertura do tema d – Arquitecto José Dias, “Pensar a habitação a partir da experiência de habitação social em Macau”.
Comunicações:
Ricardo Caetano de Freitas - “Tectónica e técnica em projecto e construção do habitar” Ilídio Daio - "A “Célula Urbana” - Estratégia de Urbanização dos Bairros Informais nas Metrópoles Africanas: Luanda-Angola".
16h/16.30h – Intervalo
Rachel Falcão Costa – “Projecto HABITA VIDA: a Aliança entre o RESGATE DE Técnicas Construtivas Tradicionais, a Utilização de Recursos Disponíveis e Tecnologia Social Específica como um dos Caminhos possíveis para a Melhoria da Qualidade da Habitação Popular e do Espaço Quotidiano”.
Vasco Granadeiro, Deborah Benrós, José Pinto Duarte e Terry Knight - "Integrated Design and Building System for the Provision of Customized Housing: the Case of Post-Earthquake Haiti ".
Maria Fernanda da Silva Rodrigues, José Cardoso Teixeira e José Claudino Cardoso - “Estado de Conservação de Edifícios de Habitação a Custos Controlados”.

17.30h/18.00h – Debate
Sessão de encerramento do Congresso 18.00h/19.00h – Grande Auditório
Mesa: Presidente, a convidar; Moderador, membro da Comissão Científica.
Palavras finais – Arquitecto António Reis Cabrita, Presidente da Comissão Científica do 1.º CIHEL.



Fig. 04: como chegar ao ISCTE-IUL

Para informações e inscrição no 1.º CIHEL basta aceder ao site: http://cihel01.wordpress.com/datas-para-lembrar/

Informações complementares serão prestadas no Secretariado do 1.º CIHEL : Departamento de Arquitectura e Urbanismo ISCTE – IUL, Ala Autónoma, Sala 335, Avenida das Forças Armadas, 1649-026 Lisboa, tel. (+351) 21 7903060, extensão interna – 713351, sendo de privilegiar o contacto para o mail geral: cihel01@gmail.com ou para o secretariado do DAU do ISCTE ao cuidado de Alice Espada: alice.espada@iscte.pt

Informações sobre o Departamento de Arquitectura e Urbanismo do ISCTE-IUL e imagens do local de realização do 1.º CIHEL estão disponíveis em http://dau.iscte.pt/ ; a forma de chegar ao 1.º CIHEL está em http://iscte.pt/localizacao.jsp

Outros contactos relativos ao 1.º CIHEL serão possíveis com os organizadores do Congresso e designadamente com: Prof. Doutor Arqº. Vasco Moreira Rato, Presidente do Departamento de Arquitectura e Urbanismo ISCTE/IUL, vasco.rato@iscte.pt ; Prof. Doutor Arqº. Paulo Tormenta Pinto, paulo.tormenta@iscte.pt ; Doutor Arqº. Investigador do LNEC António Baptista Coelho abc@lnec.pt – aconselhando-se o contacto múltiplo para os três mails referidos.


Fig. 05: as entidas organizadoras

Advertência ao leitor
Nota da edição: embora os artigos editados na revista Infohabitar sejam previamente avaliados e editorialmente trabalhados pela edição da revista, eles respeitam, ao máximo, o aspecto formal e o conteúdo que são propostos, inicialmente pelos respectivos autores, sublinhando-se que as matérias editadas se referem, apenas, aos pontos de vista, perspectivas e mesmo opiniões específicas dos respectivos autores sobre essas temáticas, não correspondendo a qualquer tomada de posição da edição da revista sobre esses assuntos.

Infohabitar, Ano VI, n.º 312
Infohabitar a Revista do Grupo Habitar
Editor: António Baptista Coelho
Edição de José Baptista Coelho
Lisboa, Encarnação - Olivais Norte, 19 de Setembro de 2010


domingo, setembro 12, 2010

UM CASO DE ESTUDO – BAIRRO LUTA PELA CASA - CARNAXIDE - Infohabitar 311

Infohabitar, Ano VI, n.º 311
Artigo da semana por João Rainha Castro

Estamos já na contagem decrescente para o 1.º Congresso Habitação no Espaço Lusófono, o 1.º CIHEL, que decorrerá entre 22 e 24 de Setembro próximos, no Grande Auditório do ISCTE-IUL, em Lisboa, por isso continuamos a insistir na divulgação deste grande evento sobre as matérias do habitar falado em português, mas continuamos, nesta edição, logo após esta divulgação, a publicação do artigo semanal do Infohabitar.



Fig. 00: o logo do 1.º CIHEL - realizado no âmbito do Curso de design Gráfico da Escola Secundária de Sacavém

O tema do 1.º CIHEL é o desenho e realização de bairros e agrupamentos residenciais para populações com baixos rendimentos, tema que será abordado em 5 conferências, 20 palestras e mais cerca de outras 30 comunicações, constantes do CD de Actas, por oradores provenientes de diversos países da lusofonia.

As intervenções estão organizadas em quatro temáticas: Políticas e programas – considerando situações de escala relativamente reduzida e a importância da reabilitação; Infraestruturas e equipamentos – considerando perfis de habitabilidade, papel do espaço público e serviços urbanos e sociais; Soluções habitacionais e modos de vida – considerando velhas e novas formas de habitar, desejos e necessidades; e Materiais e tecnologias – considerando aspectos de escassez de recursos e ligados às diversas facetas da sustentabilidade.

O site do 1.º CIHEL é o http://cihel01.wordpress.com/about/ e nele poderá realizar desde já a sua inscrição; e tenham, por favor, em atenção que há já um número significativo de inscrições.

Julgamos que bem a propósito se edita, esta semana, no Infohabitar um artigo sobre um excelente pequeno bairro ou agrupamento residencial para pessoas com baixos rendimentos: o BAIRRO LUTA PELA CASA - em CARNAXIDE.

UM CASO DE ESTUDO – BAIRRO LUTA PELA CASA - CARNAXIDEJoão Rainha Castro

Situado no limite Noroeste da Vila de Carnaxide, o Bairro de interesse Social “Luta pela Casa” é um exemplo real de integração de um equipamento de habitação social na malha edificada e consolidada de Carnaxide.



Fig. 01

Uma ampla mancha construída onde edifícios de 3 pisos (r/c + 2), moradias geminadas e 3 blocos de 5 pisos, num total de 100 habitações, se agrupam, harmonizam e organizam entre si criando variados espaços, ora mais contidos e semiprivados ora mais descomprimidos e públicos, definindo hierarquias de usos e ocupação.

Ao deambular como que perdido por entre os blocos construídos, subindo as escadas, atravessando pátios, descendo rampas, por entre sombras criadas pelas copas das árvores frondosas que pontuam os espaços livres deixados entre blocos, somos levados a perceber que o que tem nome de “Bairro” tem realmente vida de Bairro e que, ao caminhar, somos cumprimentados com vigorosos e nada desconfiados “bom dia” ou “boa tarde”.



Fig. 02

O bairro tem vida para além da patente no interior das habitações. No “ringue” de jogos e parque infantil as crianças lançam bolas e jogam ao berlinde enquanto os familiares mais velhos se sentam nos bancos dispostos na periferia destes espaços.



Fig. 03

Há, ainda, vários cafés, a esteticista, um espaço de escritórios, a escola básica e o pavilhão desportivo, todos estes serviços interligados por uma única via rodoviária (artéria motorizada do bairro). Interessante constatar que o bairro foi desenhado com largas circulações e atravessamentos pedonais que vencem desníveis, distâncias e que são hoje amplamente utilizados.

Pela forma como podemos vivenciar e experienciar o “ Bairro Luta pela Casa” é fácil perceber que este reúne em si um enorme rol de qualidades arquitectónicas habitacionais.



Fig. 04

Interessante, porém, é focar uma característica fundamental presente no exemplo retratado, que resulta da apropriação dos utilizadores, sendo por isso uma qualidade que não é mensurável no projecto – Apropriação.

Esta qualidade encontra-se amplamente manifestada, sendo traduzida na forma como cada um aceitou o seu espaço e o tornou seu, apropriando-se deste e tornando-o singular. É muito interessante perceber que esta marcação, mais ou menos ténue, foi e é praticada das mais variadas formas, e onde nuns locais vemos um grelhador com a casota do cão, num outro vemos uma pequena horta muito bem tratada e verdejante e num outro ainda vemos um jardim semiprivado já que todos podemos vislumbrar e até tocar e cheirar.



Fig. 05

Este apropriar será certamente consequência da adaptabilidade - outra das qualidades arquitectónica patentes no empreendimento. Adaptabilidade urbana como marca territorial perceptível que resulta na densificação urbana cuidadosa entre os edifícios diferenciados e os seus espaços exteriores de usos diversos e positivamente apropriados e bem responsabilizados.

Todas as qualidades arquitectónicas habitacionais acrescentam valor aos empreendimentos. Mas no exemplo do “Bairro Luta pela Casa”, a apropriação é lapidar onde o exterior urbano, a sua clareza e orientação, a forma como os seus espaços são definidos e diferenciados se traduzem na geração e identificação de momentos fortes de surpresa e variabilidade.



Fig. 06

Notas sobre a operação e o projecto arquitectónico do “Bairro Luta pela Casa”:O projecto teve origem na associação de moradores: A LUTA PELA CASA, a operação, com a dimensão de 100 habitações, foi iniciada em Julho de 1975 e a obra teve início em Maio de 1977.
O projecto foi realizado no âmbito do Serviço de Apoio Ambulatório Local (SAAL), serviço SAAL/Lisboa e Centro/Sul, com coordenação do Arq.º Manuel Madruga, e Brigada Técnica constituída por vários técnicos e designadamente por Dante Pinto Macedo e Fernando Machado Menezes.

Breves notas do editor:O autor, João Rainha Castro, é Arquitecto Partner do Gabinete QUADRANTE Arquitectura, licenciado em Arquitectura em 98-2003 no Instituto Superior Técnico (IST), frequenta, actualmente, o Programa de Doutoramento em Arquitectura e Desenho Urbano do DECA do Instituto Superior Técnico.
Este programa de doutoramento em Arquitectura é participado pelo LNEC e específica e sistematicamente pelos doutorados do seu Núcleo de Arquitectura e Urbanismo (NAU), com participações do seu Núcleo de Ecologia Social (NESO).

Advertência ao leitor
Nota da edição: embora os artigos editados na revista Infohabitar sejam previamente avaliados e editorialmente trabalhados pela edição da revista, eles respeitam, ao máximo, o aspecto formal e o conteúdo que são propostos, inicialmente pelos respectivos autores, sublinhando-se que as matérias editadas se referem, apenas, aos pontos de vista, perspectivas e mesmo opiniões específicas dos respectivos autores sobre essas temáticas, não correspondendo a qualquer tomada de posição da edição da revista sobre esses assuntos.

Infohabitar, Ano VI, n.º 311
Infohabitar a Revista do Grupo Habitar
Editor: António Baptista Coelho
Edição de José Baptista Coelho
Lisboa, Encarnação - Olivais Norte, 12 de Setembro de 2010

sexta-feira, setembro 03, 2010

Cruzamento da Av. EUA/Av. Roma: adaptabilidade e atractividade - Infohabitar 310

Infohabitar, Ano VI, n.º 310
Divulgação do 1.º CIHEL e artigo de António Carvalho

Estamos já a cerca de três semanas do 1.º Congresso Habitação no Espaço Lusófono, o 1.º CIHEL, que decorrerá entre 22 e 24 de Setembro próximos, no Grande Auditório do ISCTE-IUL, em Lisboa, por isso continuamos a insistir na divulgação deste grande evento sobre as matérias do habitar falado em português, mas retomamos, nesta edição, logo após esta divulção, a publicação do artigo semanal do Infohabitar.



Fig. 00: o logo do 1.º CIHEL

O tema do 1.º CIHEL é o desenho e realização de bairros e agrupamentos residenciais para populações com baixos rendimentos, tema que srá abordado em 5 conferências, 20 palestras pouco extensas e mais cerca de outras 30 comunicações, constantes do CD de Actas, por oradores provenientes de diversos países da lusofonia, sendo as intervenções organizadas em quatro temáticas: Políticas e programas – considerando situações de escala relativamente reduzida e a importância da reabilitação; Infraestruturas e equipamentos – considerando perfis de habitabilidade, papel do espaço público e serviços urbanos e sociais; Soluções habitacionais e modos de vida – considerando velhas e novas formas de habitar, desejos e necessidades; e Materiais e tecnologias – considerando aspectos de escassez de recursos e ligados às diversas facetas da sustentabilidade.

O site do 1.º CIHEL é o http://cihel01.wordpress.com/about/ e nele poderá realizar desde já a sua inscrição.

Artigo da semana:Cruzamento da Av. EUA/Av. Roma: adaptabilidade e atractividadepor António Carvalho

O Bairro de Alvalade tem revelado no seu conjunto uma notável capacidade de adaptação a novos usos e utentes, ao longo das suas seis décadas de existência, sem perder significativamente as suas qualidades ambientais de bairro residencial misto.

Alguns dos seus edifícios têm suportado violentas intervenções individuais por parte dos habitantes ou utentes das fracções que os constituem, sem com isso perderem o essencial da sua identidade e atractividade. Considero como exemplo claro dessa adaptabilidade os quatro edifícios-torre do cruzamento Av. de Roma / Av. EUA, obras ímpares no contexto urbano de Lisboa e mesmo nacional.

Creio que parte do segredo do sucesso da sua adaptatividade reside na formidável qualidade plástica destes quatro edifícios, diversos mas com matriz composicional comum (diferentemente posicionados no espaço, transformando um simples cruzamento de vias num verdadeiro “landmark” urbano, como se uma verdadeira praça fosse — que não é).


Fig. 01: vista geral (fonte Google-maps)

De facto a implantação dos edifícios, aparentemente simétricos e paralelos dois a dois, corresponde a um remate urbano altamente complexo e sofisticado de quatro quarteirões totalmente diferentes, cuja irregularidade só a fotografia aérea (ou a planta na fase de projecto...) permite avaliar.

Em termos de desenho urbano, trata-se de uma solução extremamente engenhosa de como resolver um cruzamento não ortogonal, recorrendo ao paralelismos das diagonais.


Fig. 02: vista parcial do conjunto dos quatro edifícios “formando praça”.

Nos edifícios, o recurso à simplicidade do impacto da dupla cor branco/bordeaux, associado à sábia utilização da composição de fachada em retículas de diferentes dimensões e escalas, constituídas por diferentes elementos geradores de volumes e sombras (desde floreiras balançadas sobre a fachada, passando pelos pilares e vigas ou lajes de pavimento, até às grelhas das varandas), conseguem absorver e quase anular elementos intrusos (como sejam caixilharias de marquises clandestinas, toldos ou anúncios publicitários) que em edifícios mais frágeis teriam um efeito totalmente destrutivo.


Fig. 03: (esq) edifício do quadrante nordeste (“Caixa Geral de Depósitos”); (dir.) edifício do quadrante sudeste (“Luanda”).

De igual modo a requintada composição de fachada tripartida em piso térreo/embasamento comercial, pisos superiores habitacionais (elegantemente interrompidos por um piso corrido recuado) e último piso (de apartamentos-estúdio com volumetria caprichosamente diferenciada em cada torre) confere aos quatro edifícios uma fortíssima personalidade, encimando a colina da Av. Estados Unidos da América, numa atractividade de longo alcance.

Assim se prova que os edifícios — tal como as pessoas de grande beleza interior e personalidade forte —, aguentam as rugas do tempo, mantendo o sex-appeal mesmo sem operações plásticas... será essa a verdadeira atractividade da adaptabilidade em arquitectura.


Fig. 04: (esq.) edifício do quadrante sudoeste (“Correios”); (dir.) edifício do quadrante noroeste (“Vá-Vá”).

Por último há ainda a realçar como qualidade arquitectónica, urbanística e vivencial o facto de cada um destes edifícios ser conhecido no bairro por “nome próprio”, decorrente da identificação do seu uso pelos moradores: ele é o da Caixa, o Luanda, o dos Correios e o Vá-Vá!


Breves notas do editor:

O autor do artigo, António Carvalho, é arquitecto e professor de Arquitectura, membro fundador do Grupo Habitar, está a cooperar em matérias de investigação do Núcleo de Arquitectura e Urbanismo (NAU) do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), e frequenta, actualmente, o Programa de Doutoramento em Arquitectura e Desenho Urbano do DECA do IST.
Este programa de doutoramento em Arquitectura é participado pelo LNEC e específicamente e sistematicamente pelos doutorados do seu Núcleo de Arquitectura e Urbanismo (NAU), com participações do seu Núcleo de Ecologia Social (NESO).
Advertência ao leitor

Embora os artigos editados na revista Infohabitar sejam previamente avaliados e editorialmente trabalhados pela edição da revista, eles respeitam, ao máximo, o aspecto formal e o conteúdo que são propostos, inicialmente pelos respectivos autores, sublinhando-se que as matérias editadas se referem, apenas, aos pontos de vista, perspectivas e mesmo opiniões específicas dos respectivos autores sobre essas temáticas, não correspondendo a qualquer tomada de posição da edição da revista sobre esses assuntos.

Infohabitar, Ano VI, n.º 310Infohabitar a Revista do Grupo Habitar
Editor: António Baptista Coelho
Edição de José Baptista Coelho
Lisboa, Encarnação - Olivais Norte, 3 de Setembro de 2010