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quarta-feira, agosto 17, 2022

Programa de Habitação Adaptável e Intergeracional Cooperativa a Custos Controlados (PHAI3C) - lista interativa dos primeiros 13 artigos em 19 edições semanais # 827 Infohabitar

Programa de Habitação Adaptável e Intergeracional Cooperativa a Custos Controlados (PHAI3C) - lista interativa dos primeiros 13 artigos em 19 edições semanais # 827 Infohabitar

Ligação direta (clicar no link seguinte) para aceder à listagem interativa de 800 Artigos editados na Infohabitar – edição de janeiro de 2022 com links revistos em junho de 2022 (38 temas e mais de 100 autores):


https://docs.google.com/document/d/1WzJ3LfAmy4a7FRWMw5jFYJ9tjsuR4ll8/edit?usp=sharing&ouid=105588198309185023560&rtpof=true&sd=true



Programa de Habitação Adaptável e Intergeracional Cooperativa a Custos Controlados (PHAI3C) - lista interativa dos  primeiros 13 artigos em 19 edições semanais # 827 Infohabitar


Infohabitar, Ano XVIII, n.º 827 



Edição: quarta-feira, 17 de agosto de 2022



Caros leitores da Infohabitar,


Com o presente artigo damos continuidade à série editorial da Infohabitar especificamente dedicada a uma abordagem global e bibliográfica dos amplos, sensíveis e urgentes aspetos associados às necessidades, aos gostos e às potencialidades sociais e urbanas de uma reflexão prática sobre os espaços residenciais dedicados a pessoas idosas e fragilizadas, desejavelmente integrados em quadros intergeracionais, ativamente urbanos e dinamizados e convivializados pelas cooperativas que estão, desde há dezenas de anos, dedicadas à promoção de habitação de interesse social com expressiva qualidade e frequentemente associada a um amplo leque de variadas e vitais atividades vicinais e urbanas – as Cooperativas associadas à Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE).


No presente artigo e tendo-se em conta a grande extensão do referido estudo e o seu, já, significativo desenvolvimento editorial aqui na Infohabitar, edita-se uma listagem interactiva com os primeiros 13 artigos que têm sido aqui divulgados em 19 edições semanais,  desde Fevereiro do presente ano.


Lembra-se, como sempre, que serão sempre muito bem-vindas eventuais ideias comentadas sobre os artigos aqui editados e propostas de artigos (a enviar para abc.infohabitar@gmail.com).


Despeço-me, até à próxima semana, enviando saudações calorosas e desejos de força e de boa saúde para todos os caros leitores,     



Lisboa, em 17 de agosto de 2022


António Baptista Coelho


Editor da Infohabitar



Nota introdutória à temática do Programa de Habitação Adaptável Intergeracional – Cooperativa a Custos Controlados (PHAI3C)


Considerando-se o atual quadro demográfico e habitacional muito crítico, no que se refere ao crescimento do número das pessoas idosas e muito idosas, a viverem sozinhas e com frequentes necessidades de apoio, a actual diversificação dos modos de vida e dos desejos habitacionais, e a quase-ausência de oferta habitacional e urbana adequada a tais necessidades e desejos, foi ponderada o que se julga ser a oportunidade do estudo e da caracterização de um Programa de Habitação Adaptável Intergeracional (PHAI), adequado a tais necessidades e a uma proposta residencial naturalmente convivial, eficazmente gerida e participada e financeiramente sustentável, resultando daqui a proposta de uma Cooperativa a Custos Controlados (3C).


O PHAI3C visa o estudo e a proposta de soluções urbanas e residenciais vocacionadas para a convivência intergeracional, adaptáveis a diversos modos de vida, adequadas para pessoas com eventuais fragilidade físicas e mentais, mas sem qualquer tipo de estigma institucional e de idadismo, funcionalmente mistas e com presença urbana estimulante. O PHAI3C irá procurar identificar e caracterizar tipos de soluções adequadas e sensíveis a uma integração habitacional e intergeracional dos mais frágeis num quadro urbano claramente positivo e em soluções edificadas que possam dar resposta, também, a outras novas e urgentes necessidades habitacionais (ex., jovens e pessoas sós), num quadro residencial marcado por uma gestão participada e eficaz, pela convivialidade espontânea e social e financeiramente sustentável.


Trata-se, tal como se aponta no título do artigo, de uma “versão de trabalho e base bibliográfica” e, portanto, de um artigo cujos conteúdos serão, ainda, substancialmente revistos até se atingir uma versão estabilizada da temática referida no título; no entanto, em virtude da metodologia usada, que se considera bastante sólida, marcada pelo recurso a abundantes referências de fontes, devidamente apontadas e sistematicamente comentadas no sentido da respetiva aplicação ao PHAI3C, e tendo-se em conta a utilidade de se poder colocar à discussão os muitos aspetos registados no sentido da sua possível aplicação prática no PHAI3C, considerou-se ser interessante a divulgação desta temática/problemática nesta fase de “versão de trabalho”, que, no entanto, foi já razoavelmente clarificada – como exemplo do posterior tratamento para passagem a uma versão mais estável teremos, provavelmente, referências bibliográficas mais reduzidas e boa parte delas em português, assim como comentários mais desenvolvidos; mas mesmo este desenvolvimento irá sendo influenciado pelo(s) caminho(s) concreto(s) tomado(s) pelos diversos temas e artigos que integram, desde já, a estrutura pensada para o designado documento-base do PHAI3C, que surgirá, em boa parte, da ligação razoavelmente sequencial entre os diversos temas abordados em variados artigos.


Ainda um outro aspeto que se sublinha marcar, desde o início, o teor do referido documento-base do PHAI3C (a partir do qual serão gerados vários documentos específicos: mais de enquadramento e mais práticos) é o sentido teórico-prático que privilegia uma abordagem mais integrada e exemplificada da temática global da habitação intergeracional adaptável e cooperativa, apontando-se exemplos e ideias concretas logo desde as partes mais de enquadramento da abordagem da temática como as que se desenvolvem neste artigo.


Programa de Habitação Adaptável e Intergeracional Cooperativa a Custos Controlados (PHAI3C) - lista interativa dos  primeiros 13 artigos em 19 edições semanais # 827 Infohabitar


Notas sobre o enquadramento da qualidade de vida e residencial especialmente dirigida para idosos e pessoas fragilizadas - versão de trabalho e base bibliográfica # 805 Infohabitar


Notas sobre qualidade de vida e qualidade arquitetónica e urbana na habitação para idosos e intergeracional - versão de trabalho e base bibliográfica # 806 Infohabitar


Qualidade de vida e qualidade pormenorizada na habitação para idosos e intergeracional “I” - versão de trabalho e base bibliográfica – Infohabitar # 807


Qualidade na habitação para idosos e intergeracional “II” - versão de trabalho e base bibliográfica – Infohabitar # 808


Sobre as necessidades habitacionais mais específicas dos idosos “I” - versão de trabalho e base bibliográfica – Infohabitar # 810


Sobre as necessidades habitacionais mais específicas dos idosos “II” - versão de trabalho e base bibliográfica – Infohabitar # 811


Acessibilidade residencial e habitantes fragilizados “I” - versão de trabalho e base bibliográfica – Infohabitar # 813


Acessibilidade residencial e habitantes fragilizados “II” - versão de trabalho e base bibliográfica – Infohabitar # 814


Atratividade, identidade e integração na habitação para idosos – Parte I - versão de trabalho e base bibliográfica – Infohabitar # 815


Atratividade, identidade e integração na habitação para idosos II - versão de trabalho e base bibliográfica – Infohabitar # 816


Lazer, arte, aprendizagem e envelhecimento - versão de trabalho e base bibliográfica –  Infohabitar # 817


Espacialidade e conforto residencial no envelhecimento - versão de trabalho e base bibliográfica – Infohabitar # 818


Privacidade e convívio em ambientes residenciais adequados para idosos - versão de trabalho e base bibliográfica – Infohabitar # 819


Domesticidade e terceira idade - versão de trabalho e base bibliográfica – Infohabitar # 820


Segurança na habitação para idosos - versão de trabalho e base bibliográfica – Infohabitar # 821


Habitação intergeracional: da adaptabilidade à participação num adequado quadro arquitetónico I – versão de trabalho e base bibliográfica – infohabitar # 822


Habitação intergeracional: da adaptabilidade à participação num adequado quadro arquitetónico II – versão de trabalho e base bibliográfica – infohabitar # 823


Velhice e solidão ou convívio no habitar I – versão de trabalho e base documental – Infohabitar # 825


Velhice e solidão ou convívio no habitar II – versão de trabalho e base documental – Infohabitar # 826



Notas editoriais gerais:


(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.


(ii) No mesmo sentido, de natural responsabilização dos autores dos artigos, a utilização de quaisquer elementos de ilustração dos mesmos artigos, como , por exemplo, fotografias, desenhos, gráficos, etc., é, igualmente, da exclusiva responsabilidade dos respetivos autores – que deverão referir as respetivas fontes e obter as necessárias autorizações. 


(iii) Para se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.



Programa de Habitação Adaptável e Intergeracional Cooperativa a Custos Controlados (PHAI3C) - lista interativa dos  primeiros 13 artigos em 19 edições semanais # 827 Infohabitar


Infohabitar, Ano XVIII, n.º 827


Edição: quarta-feira, 17 de agosto de 2022


Artigo integrado na série editorial da Infohabitar “PHAI3C – Programa de Habitação Adaptável e Intergeracional através de uma Cooperativa a Custo Controlado”


Infohabitar – a revista da GHabitar


Editor: António Baptista Coelho


Arquitecto/ESBAL – Escola Superior de Belas Artes de Lisboa –, doutor em Arquitectura/FAUP – Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto –, Investigador Principal com Habilitação em Arquitectura e Urbanismo no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), em Lisboa



abc.infohabitar@gmail.com


abc@lnec.pt



Revista da GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional Infohabitar – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE).



 

domingo, julho 06, 2008

204 - Novas soluções habitacionais (III) – artigo de António Baptista Coelho - Infohabitar 204

 - Infohabitar 204

Vitalizar a cidade e oferecer novas formas de habitar (II) – desenvolvimento dos aspectos urbanos e arquitectónicos de enquadramento para pequenas unidades residenciais

Continua-se neste artigo uma proposta informal de apresentação e de desejável discussão útil sobre o as características urbanas e arquitectónicas de enquadramento para pequenas unidades residenciais para pessoas sós ou para pequenos agregados, que se defende posam ser integradas em zonas urbanas vitalizadas e “centrais”. Volta a sublinhar-se que esses grupos sociais têm, cada vez mais, uma presença significativa na nossa sociedade e continuam a não ter uma oferta adequada em termos de condições residenciais, seja na perspectiva da sua constituição funcional e do seu carácter vivencial específicos, seja relativamente às suas condições de integração na cidade e de potencialidades para a respectiva animação local.

Aborda-se, assim, o tema das unidades residenciais compostas por pequenos fogos ou estúdios e por um conjunto diversificado de serviços comuns, privativos dos respectivos residentes e/ou abertos para o serviço a toda a comunidade local.


Volta a salientar-se que a ordem de abordagem desta matéria, nesta série de artigos tem e terá grande flexibilidade, podendo voltar-se, em artigos futuros, a aspectos de enquadramento julgados fundamentais e avançando-se, neste artigo, com uma reflexão sobre os tipos de pequenos fogos que se podem considerar, com destaque para as opiniões de diversos autores, pois não faz qualquer sentido estar, ciclicamente, a reinventar soluções idênticas.


E julga-se ser bem a propósito, desta inútil reinvenção de soluções, a ilustração deste artigo com algumas imagens dos pequeníssimos fogos que foram promovidos (provavelmente em meados do século XIX), em Hamburgo, por uma antiga associação de beneficência ou de ajuda mútua para dar habitação condigna a viúvas de trabalhadores – nesta matéria o autor apresenta as devidas desculpas por não poder incluir, aqui, os respectivos elementos de identificação, que não foram recolhidos na altura da visita.






Fig. 01


Vitalizar a cidade com novas formas de habitar (III): Unidades residenciais -

António Baptista Coelho

Artigo de António Baptista Coelho

Já, acima, se referiu e aqui se sublinha que o objectivo do desenvolvimento de agregados de pequenos fogos, muito limitados em termos funcionais e espaciais privativos, e compensados em termos de espaços e serviços comuns, deve ser, sempre, um objectivo duplo, que tem a ver, quer com a referida disponibilização de condições habitacionais o mais possível adequadas para pessoas sós e pequenas famílias, quer com a perspectiva de se contribuir, estrategicamente, para a vitalização da cidade com novos habitantes e, especialmente, com habitantes muito disponíveis para participar nessa vitalização, até porque serão pessoas que irão encontrar nesse meio urbano “concentrado” condições adequadas para a manutenção ou a redescoberta do interesse, da riqueza e da vitalidade e funcionalidade na vida diária citadina.

Como também já se referiu, num artigo desta série, no caso dos seniores o resultado será a contribuição para a manutenção da vitalidade individual, em termos físicos e mentais – e mesmo com excelentes efeitos na sua saúde (está provado a relação directa entre ausência de interacção social, no caso das pessoas idosas, e aumento significativo de problemas de saúde graves), enquanto no caso dos jovens o resultado centra-se na disponibilização de uma plataforma facilitada de dinamização do tão desejado convívio e de apoio à sua introdução e início de vivência autónoma nesse mundo, com excelentes facilidades em termos dos cuidados de manutenção doméstica.


Misturar, ou não, estes grupos sociais é uma decisão que se julga dever ser tomada caso a caso, consoante a dimensão, a localização e o carácter de cada intervenção, no entanto julga-se que uma mistura desse tipo é sempre socialmente positiva, desde que muito cuidada em termos de organização espacial e funcional, de isolamento acústico entre unidades residenciais e entre estas e os espaços comuns, e em termos de uma gestão local não intrusiva, mas muito rigorosa e transparente.

Vamos então passar em revista o que alguns autores nos têm a dizer sobre estas matérias do desenvolvimento de pequenas habitações ou “unidades residenciais”, quer em termos mais amplos e teóricos, quer em termos mais práticos, associados a aspectos estruturantes dessas soluções.

Claude Lamure sublinha alguns aspectos, que considera caracterizadores daquilo que ele define como uma tipologia família-habitação (1):


- Pequenos fogos, essencialmente, adequados para casais jovens, com espaços "super-funcionais" para os trabalhos domésticos, abundância de diversos tipos de arrumações, feitas de raiz, e um relacionamento geral entre espaços, que assegure a vigilância das crianças pequenas.


- Pequenos fogos para pessoas sós ou casais sem filhos em coabitação, com equipamentos domésticos menos elaborados e completos, nomeadamente, para se disponibilizarem espaços para a instalação de mobiliário patrimonial, e dispondo de um quarto de dormir bem isolado do resto da casa, que seja suficientemente espaçoso para integrar duas camas individuais e certas zonas específicas (ex., sofá perto de janela); o fogo deve ser globalmente espaçoso e ter circulações facilitadas, tanto entre cozinha e sala, como entre a sala e o quarto (pensa-se na funcionalidade do uso por idosos).


- Grandes fogos para famílias "maduras" com diversos filhos de diferentes idades, com um quarto relativamente autónomo que pode servir para um filho mais velho, para escritório ou para um parente idoso, e, ainda, com um quarto de casal acentuadamente isolado do resto da casa.





Fig. 02


John Noble e Barbara Adams referem diversos tipos de fogos, que podem ter interessados muito específicos (2):


- jovens longe de casa, em pequenos estúdios mobilados;


- casais jovens em pequenos fogos;


- famílias com crianças em fogos espaçosos com espaços exteriores privados;


- casais idosos e activos continuando nas habitações grandes onde criaram os filhos e onde, agora, têm espaços adequados às numerosas actividades a que se dedicam em casa;


- idosos pouco activos em pequenos fogos "super-funcionais" e espaçosos que lhes poupem e facilitem o trabalho doméstico e as próprias deslocações interiores.


Em seguida, apresenta-se a definição de um leque de tipos de espaços habitacionais considerados adequados para pessoas sós, conforme um estudo realizado pela Taylor University of York (3):


- "Alojamento auto-suficiente" ou unidade de alojamento, provida de porta de acesso, cozinha, casa de banho completa; uma habitação pode ser uma unidade de alojamento ou conter várias unidades desse tipo.


- "Alojamento compartilhado", unidade habitacional onde vivem várias pessoas, cada uma com um "espaço particular", mas compartilhando uma zona de estar, cozinha e casa de banho completa.


- "Espaço particular", quarto individual dentro de um alojamento compartilhado, usado essencialmente como espaço para dormir, mas também como zona de estar e para guardar bens pessoais. E junta-se, a título de comentário, que pode haver uma evolução deste "espaço particular", anexando-lhe instalações sanitárias que podem ser mínima e/ou pequena zona de estar, que pode resumir-se a um espaço para um pequeno sofá e uma mesa de trabalho


- "Quarto completo", como o "espaço particular", mas com pequena zona de estar mais desenvolvida e incluindo lavabo e pequena cozinha; há que compartilhar a retrete e o banho.


- "Espaço comum ou colectivo, compartilhado"; pode incluir casa de banho, cozinha, estar, arrumações, etc.


Nestas matérias é importante considerar que a habitação para um casal (quarto comum) é muito semelhante à habitação para uma pessoa só; conquanto se trate de um casal de adultos, nem jovens, nem idosos, porque nestes casos exigiriam, em princípio, zonas mais amplas e diferenciadas (4); e é interessante atentar, assim, nesta semelhança de condições funcionais que parece caracterizar jovens e idosos.





Fig. 03


Comenta-se, ainda, e terá de ficar para posteriores desenvolvimentos, que há dois tipos de unidade habitacional mínima, aquelas que têm um quarto e uma sala "clássicas", e as que são constituídas por dois quartos individuais, para duas pessoas que vivem juntas, mas cada uma com o seu espaço privado e independente ("LAT", "Living Apart Together") (5). Mas desde já se regista que uma solução deste tipo poderá ser muito vantajosa em variadas situações, uma vantagem que tanto é económica, pois este tipo de habitações poderão ser facilmente convertíveis a partir de fogos correntes, como é uma vantahem social e convivial pois poderá proporcionar um adequado “meio termo” entre a vida individualizada e a vida “impessoal”, servindo também a situações de ajuda mútua quer na lide da casa, quer no próprio apoio pessoal mútuo. É, assim, um tema a que voltaremos em próximos artigos até porque se considera que a agregação de, apenas, dois quartos talvez não seja a mais adequada.


A modos de conclusão parcial, que avança já em aspectos de configuração, e segundo Christopher Alexander, a habitação, em princípio, destinada a uma pessoa só deve ser um espaço com grande capacidade de individualização/apropriação, podendo caracterizar-se por um amplo espaço central e multifuncional, rodeado por recantos ou sub-espaços com diversas atribuições funcionais (6).


E tendo em conta diversas fontes considera-se que entre 30 e 40m² (específicos da unidade residencial) permitirão dimensões e configurações adequadas, designadamente, para uma pessoa só e em condições associadas, por exemplo, a estadias temporárias; embora este intervalo de 10m2 proporcione alguma flexibilidade para a instalação de um casal.





Fig. 04


Considerando-se, agora, especificamente as pessoas idosas e as suas condições físicas e psicológicas específicas e visando-se o conjunto dos espaços que integram a vizinhança de proximidade e o edifício residencial, estes espaços, segundo Claude Lamure, deverão responder positivamente no que se refere à previsão dos seguintes tipos de cuidados:


- o conforto nas deslocações e no uso dos espaços.


- e o relacionamento social e a comunicação com o meio exterior envolvente, próximo e distante, nomeadamente, por: proximidade a transportes colectivos;

proximidade a equipamentos comerciais; proximidade relativamente a amigos, familiares e conhecidos; conhecimento da envolvente urbana; existência, no edifício, de espaços de condomínio equipados e vivos.

De notar, ainda, que a Vizinhança Próxima é o espaço ideal, em termos de potencial de acessibilidade física e de segurança nas deslocações e nas estadias, para o uso diário e intenso por idosos, propiciando e motivando saídas frequentes das respectivas habitações, com evidentes vantagens, tanto ao nível da saúde física e psíquica destes habitantes (andar a pé, “flanar”, estar ao ar livre, conviver), como ao nível do aumento da animação e da convivialidade diária global das respectivas Vizinhanças Próximas e Alargadas, até porque, sendo pessoas que, frequentemente, não cumprem horários de trabalho, são elementos sempre disponíveis para essa “vivência de rua e de café”.


Muito do que se referiu para os idosos é também aplicável na Vizinhança Próxima para os restantes grupos etários, sendo verdade que boas condições de agradabilidade e segurança na vizinhança de proximidade são factores de intensificação do uso global dos exteriores e designadamente da permanência no exterior de idosos e de jovens. E uma continuidade de gerações, numa mesma vizinhança de proximidade, assegura todo um amplo leque de vantagens sociais e práticas.





Fig. 05


“Entrando” agora no que poderá ser um conjunto edificado que agregue algumas dezenas de unidades residenciais do tipo estudio e/ou T0 (com capacidade para 1 ou 2 individuos), apontam-se alguns aspectos que se consideram importantes no respectivo projecto:


- O espaço e o acabamento de cada unidade deverá proporcionar um ambiente apropriado, quer para as actividades residenciais, quer para o estudo e o trabalho profissional.


- O espaço e o acabamento de cada unidade deverá proporcionar um leque, o mais possível, amplo de possibilidades de arranjos interiores pormenorizados, quer mais estruturantes – tais como ligação e separação de espaços –, quer mais complementares – tais como disposição de mobiliário, integração de outros elementos de arquitectura de interiores (ex., sítios para quadros/cartazes, pequenos espaços apropriáveis) – de forma a privilegiar-se a capacidade de identificação e de apropriação de cada unidade, mas com uma expressiva economia de meios.


- O espaço e o acabamento de cada unidade deverá proporcionar um ambiente interior que associe a privacidade – isolamento visual e acústico – e a máxima apropriação e identificação de cada unidade residencial com condições comuns estimulantes, ambientalmente agradáveis – bem acompanhadas pela luz natural – e caracterizadamente dignas e asssociáveis a um amplo espaço residencial.


- O conjunto edificado deverá proporcionar as melhores condições de conforto ambiental, com destaque para a iluminação natural e para o conforto acústico, e de ambiente dignificado e apropriado nos respectivos espaços comuns.


- O conjunto edificado deverá proporcionar oportunidades espaciais e ambientais para a interacção social, quer no interior do edifício, quer nos espaços exteriores contíguos.


- O conjunto edificado deverá proporcionar condições maximizadas de privacidade e sossego nos espaços em que se habita em grande proximidade e nas condições de partilha de equipamentos.


- O conjunto edificado deverá proporcionar condições espaciais e de equipamento adequadas a estadias curtas.


- O conjunto edificado deverá proporcionar condições de gestão local que facilitem as funções domésticas e o uso dos equipamentos disponíveis.


- No conjunto edificado deverão ser totalmente anuladas imagens massificadas e anónimas e deverão ser privilegiados os aspectos de apropriação, identidade e partilha de objectivos residenciais e sociais comuns.


- O conjunto da intervenção deverá privilegiar os aspectos de integração local, serviço à comunidade envolvente, relação optimizada entre espaços interiores e exteriores e integração de elemento naturais com destaque para as múliplas soluções de verde urbano.


- O conjunto da intervenção deverá associar à implementação desta nova forma de habitar a experiência de uma arquitectura muito qualificada, designadamente, em termos ambientais, funcionais e formais.


Finalmente, há que destacar a eficácia a convergência de objectivos proporcionadas pelas cooperativas de habitação na programação e na gestão corrente de unidades deste tipo, associando ao apoio dos serviços do habitar, mais específicos, todo um outro conjunto facultativo de aspectos muito diversificados e ligados ao convívio natural e à dinamização de iniciativas socioculturais.


(1) Claude Lamure, "Adaptation du Logement à la Vie Familiale", p. 15.

(2) John Noble; Barbara Adams, "Housing. Home in its Setting", p. 514.
(3) Direccion General de Arquitectura y Vivienda; Ministerio de Obras Publicas y Urbanismo (MOPU), "Individuo y Vivienda", p. 86.
(4) Direccion General de Arquitectura y Vivienda; Ministerio de Obras Publicas y Urbanismo (MOPU), "Individuo y Vivienda", p. 46.
(5) Direccion General de Arquitectura y Vivienda; Ministerio de Obras Publicas y Urbanismo (MOPU), "Individuo y Vivienda", p. 79.
(6) Christopher Alexander; Sara Ishikawa; Murray Silverstein; et al, "A Pattern Language/Un Lenguaje de Patrones", p. 356.
(7) Claude Lamure, "Adaptation du Logement à la Vie Familiale", pp. 151 a 153 e 215.
5 de Julho de 2008, Casais de Baixo – Azambuja.Editado no Infohabitar, Encarnação – Olivais Norte, Lisboa
em 6 de Julho de 2008, por José Baptista Coelho

domingo, junho 08, 2008

200 - Novas formas de habitar (II): Unidades residenciais - António Baptista Coelho - Infohabitar 200

 - Infohabitar 200


Vitalizar a cidade e oferecer novas formas de habitar (II) – desenvolvimento dos aspectos urbanos e arquitectónicos de enquadramento para pequenas unidades residenciais


Artigo de António Baptista Coelho


Continua-se neste artigo uma proposta informal de apresentação e de desejável discussão útil sobre o as características urbanas e arquitectónicas de enquadramento para pequenas unidades residenciais para pessoas sós ou para pequenos agregados, que se defende posam ser integradas em zonas urbanas vitalizadas e “centrais”. Sublinha-se que esses grupos sociais têm, cada vez mais, uma presença significativa na nossa sociedade e continuam a não ter uma oferta adequada em termos de condições residenciais, seja na perspectiva da sua constituição funcional e do seu carácter vivencial específicos, seja relativamente às suas condições de integração na cidade e de potencialidades para a respectiva animação local. Aborda-se, assim, o tema das unidades residenciais compostas por pequenos fogos ou estúdios e por um conjunto diversificado de serviços comuns, privativos dos respectivos residentes e/ou abertos para o serviço a toda a comunidade local, considerando-o nas suas urgências e potencialidades, cada vez mais evidentes, seja do ponto de vista dos seus principais utentes, seja na perspectiva do seu evidente e importante papel como elementos de vitalização da cidade.


Volta a salientar-se que a ordem de abordagem desta matéria, neste artigo tem e terá alguma flexibilidade, podendo voltar-se em textos futuros a aspectos de enquadramento julgados fundamentais e avançando-se, desde já, com algumas considerações mais objectivas.






Fig. 01: Alvalade, Lisboa

Fig. 02: Alvalade, Lisboa

Grande parte do segredo de uma cidade viva e sensível relativamente aos seus habitantes está num tecido urbano com continuidades afirmadas, atraentemente diferenciado, mas não especializado e que leve a cidade até à porta de muitas casas, enquanto também proporciona remansos “domésticos” bem dentro das zonas citadinas mais animadas; e esta é uma matéria muito importante para a criação de pequenas unidades residenciais urbanisticamente bem integradas, pois, desta forma, a cidade irá ao encontro delas em termos de acessibilidade e imagens e a cidade oferecerá, no seu seio, condições complementares de estadia, de convívio e mesmo de relativa privacidade, no meio da animação urbana, relativamente às condições afins que as próprias unidades residenciais possam disponibilizar.

E somos cada vez mais idosos com preparação e gostos diversificados, capazes de uma assinalável dinamização de múltiplas actividades urbanas e culturais e, por outro lado, mas confluindo numa perspectiva de dinamização citadina, cada vez mais é maior o número de pessoas ligadas a uma grande diversidade de nichos e sub-niclos de actividades que encontram num meio urbano física e socialmente denso o melhor conjunto de locais para a respectiva implantação; e neste segundo grupo de citadinos há, naturalmente, uma assinalável fatia de jovens que vivem a cidade com autonomia.




Fig. 03: Alfama


De certa forma poderemos voltar a pensar na “cidade central” como ela foi, uma espécie de grande casa, que associava as casas de habitar e as casas de trabalho dos cidadãos; embora esta recorrência tenha, naturalmente, muito a ver com um conjunto de actividades diversificadas, sim, mas razoavelmente unificadas em termos de uma cultura urbana que está com a cidade específica em que se situa e mesmo com um dado bairro específico dessa cidade, mas que está, também, naturalmente, com a nossa cultura global que hoje está bem presente um pouco por todo o lado e, designadamente, bem ao nosso lado, bem próxima, no sítio de trabalho e no sítio de residir.


Há, assim, que sublinhar que a animação e a vitalidade urbanas estrategicamente dinamizadas, reguladas e disseminadas constituem um elemento fundamental para o melhor habitar de todos nós e são aspectos determinantes para uma vivência estimulante da cidade por parte de pessoas sós e pequenos agregados familiares, constituindo estes grupos de habitantes, reciprocamente, uma faixa de utentes privilegiadamente protagonista de muitas das actividades animadas e desejavelmente criativas daquelas cidades que, hoje em dia, se desejam criativas.




Fig. 04: Cooperativa Coobital, Alto de Santo António, Faro, 1991, Arq. José Lopes da Costa, Arq. Pais. José Brito


De certa forma o que podemos aqui ir concretizando é o interesse que terá um reconformar de partes da nossa cidade num sentido de uma maior humanização, uma humanização que não desfaça o sentido urbano e, até, eventual e pontualmente, cosmopolita da cidade, mas que a aproxime de um sentido de “casa comum”, onde cada pessoa, cada peão, use a rua e praça num natural e relativo prolongamento das suas condições domésticas. Uma condição que terá, sempre, excelentes consequências em termos da hoje tão necessária reconviviliazação entre quem habita a cidade e uma condição que hoje encontra naturais alianças em múltiplos aspectos que vão até ao privilegiar de meios de deslocação amigos do ambiente e ao apoio coerente a um turismo com qualidade e verdadeiramente amigo dos locais e da sua caracterização e vivência.


E tenhamos presente que tudo isto tem tudo a ver com os grupos socioculturais que, como aqueles de que acima se falou, têm mais tempo para a cidade e/ou mais fazem da cidade o seu sítio de habitar integrado (trabalho e residência); e a esta matéria do habitar integrado voltaremos mais à frente e em outros artigos da série, pois ela muito tem a ver com o motivo prático que aqui nos concentra, que é a integração de pequenas unidades residenciais em meios urbanos vitalizados.

Um outro aspecto que merece uma atenção específica nesta matéria, que no primeiro artigo foi apenas abordada de forma ligeira e cujo adequado desenvolvimento terá ainda de ficar para futuros textos, é a questão das essenciais acessibilidades urbanas diversificadas e bem qualificadas, que devem caracterizar qualquer zona residencial, mas que devem ser altamente eficazes e desejavelmente melhoradas em termos de conforto no uso em zonas que sirvam unidades residenciais e especificamente quando estas unidades residenciais tenham uma vocação especial para estudantes e especificamente para idosos; é que se tal não acontecer estão a criar-se verdadeiros guetos, ainda que, eventualmente, luxuosos em termos de condições residenciais específicas.

Um outro aspecto importa ter em conta, de forma específica, quando nos dedicamos a estas matérias das unidades residenciais, é que para habitar a cidade com relativa intensidade é evidente que temos de facilitar, ao máximo, e mesmo de nos “libertar”, um pouco, de muitas tarefas domésticas mais “mecânicas” ou repetitivas e, ao fazê-lo, acabamos por estar a disponibilizar actividades para outras pessoas encontrarem os seus nichos de actividade e de trabalho, o que é também uma consequência positiva em termos sociais, até porque tais actividades podem, assim, adquirir uma perspectiva cada vez mais profissional e dignificada – pensa-se em todas as actividades de apoio ao funcionamento de uma habitação e que possam ser prestadas, num regime de “menu” de oferta e em opção de total liberdade de escolha, nas unidades residenciais. E é evidente o interesse que tais ofertas poderão ter quando dirigidas para jovens e idosos vivendo sós.




Fig. 05: Residência de estudantes, Universidade de Aveiro, Arq. Adalberto Dias.


Ainda um outro aspecto que nunca será excessivo salientar é a oportunidade, que não pode ser perdida, por parte destas “novas” estruturas de residencialidade, que agregam um número significativo de pequenos fogos e estúdios mínimos, e que, portanto, congregam um número significativo de moradores, de associarem ao habitar – considerado numa perspectiva limitada de abrigo em condições funcionais positivas, quer domésticas, quer urbanas, como atrás se defendeu – outras valências que realmente qualifiquem o habitar como algo que possa enriquecer os seus habitantes, designadamente, em termos conviviais e culturais.


Já no passado artigo se falou, um pouco destas matérias, que se julgam muito importantes, e que têm, simplesmente, a ver: quer com uma oferta de condições disponibilizadoras de oportunidades de convívio comum, entre os moradores de cada unidade, e alargado, considerando a já defendida e afirmada integração da unidade na sua parte de cidade respectiva; quer com o aproveitamento da gestão comum da unidade para, além da disponibilização de um menu de serviços funcionais e de apoio doméstico, poder-se disponibilizar um menu de actividades de cariz cultural, actividades estas naturalmente alargadas a muitas outras pessoas que não apenas os residentes, mas que poderão nestes encontrar um interessante núcleo-base de dinamização.


Já se referiu e volta a indicar-se que nada disto tem a ver com qualquer tipo de tendência para qualquer tipo de indicações relativas a participações com carácter “obrigatório”, mas apenas a disponibilização de condições e de serviços que podem vir a estimular relações de convívio entre residentes e entre residentes e outras pessoas (ex., um ginásio com gestão autonomizada, uma biblioteca municipal com uma zona de estar/”café”e , mesmo, um simples “café de esquina” que poderá ter uma esplanada) e oportunidades de vivência cultural, que, por vezes, não sucedem por falta de informação e/ou de estímulo humano (ex., oferta regular de guias/agendas culturais e de actividades e eventuais serviços que periodicamente disponibilizem visitas diversificadas e minimamente organizadas, serviços estes que poderão aproveitar e mesmo ajudar a rentabilizar a respectiva estrutura de gestão local).


Naturalmente, se entre os habitantes de uma dada unidade residencial houver interesse no desenvolvimento de outros serviços comuns, mais activos, deverá haver alguma flexibilidade espacial e funcional para o respectivo apoio, e não deverá acontecer que não se possam aprofundar tais possibilidades, apenas, por manifesta impossibilidade física.



Fig. 06: uma intervenção da C. M do Funchal, no Caminho da Penteada, 2001, com projecto coordenado pela Arq.ª Susana Fernandes, em que uma antiga moradia com reconvertida e equipada, em termos de acessibilidades, para uma unidade residencial com oito pequenos fogos/estúdios T0, cada um deles com um único grande compartimento para estar, dormir e cozinhar, e, naturalmente, com casa de banho privativa, tendo havido ainda cuidados específicos com a mobilidade/funcionalidade no interior de cada fogo.


Em outros artigos desta série se falará, um pouco mais, sobre a articulação destas “novas” formas de habitar com as formas de habitar mais correntes e com a cidade, que desejamos, equilibradamente densificada e atraente em termos de imagens e de actividades; e se falará, também, do eventual protagonismo que estas “novas” formas de habitar poderão começar a ter nas nossas mega-cidades e, também, mesmo, sobre a “novidade” destas formas de habitar, mas, para já, e tal como prometido, vamos apenas avançar, um pouco mais, nos aspectos arquitectónicos que as caracterizam conjuntos integrados de pequenas unidades residenciais em zonas urbanas centrais, e que, de algum modo, são responsáveis por boa parte dessa “novidade” (a ordem de apresentação é, ainda, um pouco arbitrária):

. No que se refere à caracterização dos respectivos habitantes, já se referiu julgar-se que estes poderão ser juniores e seniores, nos mesmos conjuntos ou em conjuntos distintos ou em zonas distintas dos mesmos conjuntos; há, nesta matéria, uma tendência para uma relativa especialização, no entanto tudo o que faça estas unidades distintas de uma normal mistura social citadina tem riscos, embora também haja riscos nesta integração. Portanto, talvez uma opção por uma integração “graduada” e muito bem gerida seja a opção, e, naturalmente, quanto menor for cada unidade, quanto mais simples será a sua normal integração urbana “ao longo da rua”.


. A importância de uma positiva integração que contribua para a continuidade e caracterização urbana da vizinhança em que se situa; integração esta que se deverá articular, sempre que possível, com a associação de equipamentos colectivos que sirvam toda a comunidade local/vizinhança urbana, sendo importante que estes se abram, claramente, à cidade/vizinhança, articulando-se com os respectivos espaços públicos.
. O interesse de se poderem associar em cada programa, e de acordo com as características de cada local, valências de uso de espaços exteriores contíguos ao edificado; de certa forma esta é uma condição que vale por si, naturalmente, pois podermos habitar o exterior residencial é algo de positivo (ex., pequeno jardim, esplanada, etc.), mas vale também numa perspectiva de maior animação urbana local e de maior visibilidade dessa mesma animação, associada seja à entrada da unidade, seja aos seus eventuais equipamentos associados.

. No que se refere à imagem urbana que caracterize a unidade, ela tem de se caracterizar por total integração, dignidade, alguma representatividade e sentido residencial/doméstico. E havendo equipamentos que interessem à “cidade” eles têm de ser devidamente mostrados à “cidade” e não parecerem como que escondidos e com uma caracterização ambígua em termos do seu uso. Nestas matérias a questão da aparência da escala da nova intervenção poderá mesmo levar a uma sua partição aparente de modo a conjugar-se melhor com a envolvente.


. No que se refere a uma opção por mínimos de habitabilidade na concepção das células residenciais, a ideia é que essa deve ser uma preocupação, desde que confluente com outras e designadamente ligadas a funcionalidade, conforto ambiental (ex., luz natural, ausência de ruído, ausência de humidade) e capacidade de apropriação. A ideia é que uma célula de unidade residencial poderá ser espacialmente mínima se for funcional, agradável e apropriável; e, por vezes, até em espaços desafogados não há essas outras qualidades.



Fig. 07: espaços comuns com agradável luz natural num conjunto habitacional cooperativo da Caselcoop, Caselas, Lisboa, Arq. Justino Morais.



Fig. 08: apropriação nas entradas dos fogos do mesmo conjunto em Caselas.

. No que tem a ver com o desenvolvimento dos espaços comuns, chama-se a atenção para a importância da agradabilidade ambiental e de redução, ao máximo, de quaisquer aspectos de constrangimento entre vizinhos. Nestas matérias a disponibilização de luz natural e de adequada ventilação, a equilibrada espaciosidade e a possibilidade de uma relativa apropriação ou marcação das zonas contíguas às portas privadas, são aspectos a salientar.


. Ainda no que se refere aos espaços comuns importa sublinhar o interesse e a sensibilidade que deverão revestir o seu tratamento, designadamente, em termos de carácter residencial, dignidade e consenso relativamente aos diversos gostos dos habitantes.

. Nestas matérias de caracterização dos espaços comuns há que tratar muito bem a zona de recepção e entrada, conciliando o interesse de uma centralização de serviços e de uma eventual presença de serviços de recepção e gestão com um máximo de privatização e autonomia das entradas/saídas na unidade residencial, com excelentes condições de dignidade e agradabilidade e com a disponibilidade de opções conviviais expressivamente facultativas.


. Globalmente, salienta-se o que se poderá referir como uma equilibrada capacidade de naturalização, seja por relação com espaços e elementos “verdes” (vegetação), previstos em termos globais, seja com a capacidade de integração de elementos “verdes” (vegetação), pelos habitantes, constitui um importante factor de identidade, apropriação e mesmo de atractividade e satisfação.


. Interesse na disponibilização e disseminação estratégica de alguns espaços comuns minimamente equipados, capazes de apoiarem o convívio informal, mas não intrusivos da circulação corrente no edifício e da privacidade no acesso aos fogos/estúdios. Está a pensar-se, não em salas de convívio, mas em recantos de paragem e estadia eventual, por exemplo, num alargamento de um patim de escada.. Consideração de equipamentos comuns exclusivos dos residentes numa base que privilegie os mais desejados pela maioria e os menos intrusivos da vivência privada de cada célula habitacional; esta previsão poderá ser realizada, seja com recurso a espaços e equipamentos próprios da unidade residencial, seja por centralização, na unidade, de serviços exteriores à unidade (ex., lavandaria e engomadoria).. Desenvolvimento de condições que apoiem uma máxima flexibilidade na afectação de um amplo leque de potenciais serviços comuns à sua utilização privada.. Deve visar-se um sentido de apropriação e de identidade de cada célula/habitação no conjunto da intervenção.

. Deve ser privilegiada a diversidade de células habitacionais, seja em termos dimensionais, seja em termos de funcionalidade, seja em termos de capacidade de apropriação interior e de disposição de mobiliário.


. A entrada de cada fogo/estúdio deve caracterizar-se, quer por condições de identificação, no uso dos espaços comuns, quer por condições de privacidade interior na relação com esses espaços comuns.


. Cada célula/habitação deve caracterizar-se, interiormente, por uma máxima capacidade funcional, propiciando diversidade e facilidade de tarefas domésticas, bem como a disponibilidade de algum espaço expressivamente livre.


. Considerando as frequentes características organizativas e dimensionais (ex., um único espaço habitável) das pequenas células residenciais é fundamental que elas sejam concebidas considerando-se condições muito exigentes em termos de conforto ambiental e designadamente: condições especiais de isolamento acústico entre células habitacionais e no interior de cada célula habitacional; condições de luz natural, insolação e sombreamento; condições higrotérmicas e de ventilação contínua.


. Considerando as frequentes características organizativas e dimensionais (ex., um único espaço habitável) das pequenas células residenciais é fundamental que elas sejam concebidas considerando-se condições muito exigentes em termos de uso e designadamente: a máxima capacidade de apropriação de cada célula/habitação por cada habitante ou agregado familiar; o equilíbrio entre a referida capacidade de apropriação e existência de um número significativo de equipamentos e elementos fixos de mobiliário pré-instalados; a consideração objectiva de boas condições para o trabalho em casa (não doméstico); e a existência de condições adequadas de arrumação (diversificada e estratégica), no interior do fogo (que poderá ser articulada com condições de arrumação fora do fogo).


Fig. 9: o “arrumar” de uma zona de trabalho “aos pés” da cama.

Fig. 10: o “arrumar” de uma zona de quarto.


. Importa dirigir uma atenção específica a um desenho arquitectónico da célula residencial de tal forma cuidado que harmonize áreas reduzidas, com adequada disponibilidade de áreas livres, capacidade/flexibilidade de mobilar/decorar e diversidade de usos dos espaços criados. A ideia é que a solução ofereça, simultaneamente, três capacidades: uma apropriação adequada com um mínimo de “móveis” introduzidos pelos habitantes; a possibilidade da introdução de alguns elementos de mobiliário e outros elementos de decoração fortemente apropriadores e em locais estratégicos do fogo; e uma boa possibilidade de mutação de tipos de arranjos de mobiliário. Com este tipo de objectivos será conseguida uma maior adequação e apropriação de cada arranjo doméstico.


Fig. 11: uma pequena mas cuidada cozinha.

. Um outro aspecto que é de grande importância é a capacidade da solução em termos da oferta ou do acolhimento de opções de arranjo interior muito cuidadas e atraentes, que, de certa forma, amenizem ou compensem a “falta de espaço” com o desenvolvimento de um muito agradável, “envolvente” e caracterizado ambiente doméstico; e aqui há um problema potencial a considerar que é a eventual falta de capacidade económica dos moradores para contribuírem para uma solução deste tipo, e aqui haverá caminhos a fazer em termos de pré-equipamento e de enquadramento de formas simples de arrano pelos moradores (ex., algum equipamento fixo e paredes onde seja simples realizar uma composição “dinâmica” com cartazes que se vão colocando e periodicamente substituindo).

. Pode ser ainda considerado o interesse no desenvolvimento de uma estrutura de projecto que possibilite a associação ou separação de células habitacionais, conforme a evolução das necessidades habitacionais; proporcionando-se a maior fragmentação com unidades mais pequenas ou a sua associação em unidades maiores.


. Quanto aos espaços com uso alargado eles deverão cumprir as respectivas exigências de programa, embora possa desenvolver-se uma atenção específica na sua relação com a unidade residencial.


. Quanto aos espaços comuns da unidade residencial que sejam desenvolvidos com valências específicas (ex., estar, reunir, jogar, trabalho não doméstico, apoio a trabalhos domésticos, gestão local, etc.), eles dependerão muito do programa que se adopte em cada solução, no entanto há aspectos fundamentais a considerar que têm a ver com a existência de condições dimensionais, visuais, de equipamento e de acesso adequadas a essas actividades:
- seja na relação autonomizada, mas bem articulada, com a estrutura dos acessos aos fogos/estúdios;
- seja na compatibilização das actividades previstas entre si; seja na possibilidade, que se julga positiva, de tais actividades poderem acolher pessoas exteriores à unidade;
- seja, finalmente, na possibilidade desse leque de actividades poder ser escolhido em interacção com os próprios habitantes, uma condição que implicará flexibilidade e adaptabilidade espacial.

Poderemos ter, assim, portanto, um amplo leque de possibilidades, mas há três aspectos que, desde já, se salientam nesta matéria, sendo um deles a certeza que terá de haver grande realismo financeiro e de gestão nestas previsões, sendo o outro que não haverá qualquer actividade comum se não existirem espaços e equipamentos adequados, e o último aspecto tem muito a ver com isto e refere-se à certeza de que os habitantes só tenderão a frequentar espaços comuns muito bem posicionados, dimensionados e equipados, caso contrário irão sempre preferir a privacidade da sua célula, mais ou menos, à frente do seu televisor ou monitor.


Muitas outras matérias decorrerão do programa específico de cada intervenção (ex., maior ou menor desenvolvimento dos serviços comuns e dos serviços abertos à comunidade), ou serão tratadas de forma idêntica a qualquer intervenção residencial (ex., garagem colectiva).Para concluir este artigo sublinha-se, novamente, o verdadeiro potencial que as cooperativas de habitação proporcionam na programação e na gestão corrente de unidades deste tipo, associando, suplementarmente, aos serviços do habitar, mais específicos, todo um outro conjunto de aspectos muito diversificados e ligados ao convívio natural e à dinamização de iniciativas culturais.
8 de Junho de 2008, Encarnação – Olivais Norte, LisboaEditado no Infohabitar, em 8 de Junho de 2008, por José Baptista Coelho