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quinta-feira, setembro 01, 2011

360 - Habitação Cooperativa na Ponte da Pedra - Infohabitar 360

Infohabitar, Ano VII, n.º 360

Casos de Referência dos primeiros 5 anos do Prémio IHRU – IV:
Habitação Cooperativa na Ponte da Pedra

Nota editorial:


Com o presente artigo tem continuidade uma nova série editorial no Infohabitar, que à semelhança de outras séries da nossa revista, terá uma edição alternada por outros artigos tematicamente autónomos ou também integrados em séries editoriais específicas.


Iremos editar “Casos de Referência dos primeiros 5 anos do Prémio IHRU” – Prémio Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana –, numa iniciativa que irá divulgar imagens e comentários técnicos de descrição e análise sumária de alguns dos candidatos às primeiras cinco edições daquele Prémio e que se fundamenta no interesse que sempre teve, tem e terá a divulgação de boas práticas de habitat (num sentido lato e verdadeiro de habitat), neste caso associadas a quatro grandes linhas de actividade específicas e que são, em seguida, apontadas:


(i) Promoção de novos conjuntos de habitação de interesse social - numa faceta de actividade em que o Estado e os seus parceiros têm de continuar activos, embora numa perspectiva mais delimitada e provavelmente cada vez mais atenta à adequação das soluções específicas aplicadas e sua qualidade arquitectónica.


(ii) Reabilitação de velhos edifícios e de conjuntos edificados, também com o objectivo específico de disponibilização de habitação de interesse social – um objectivo cujo interesse aqui se sublinha de forma bem evidenciada – ou de outras categorias habitacionais; estas acções de reabilitação habitacional estão e devem estar estrategicamente integradas em centros históricos e em outras malhas urbanas carentes de vitalização e melhoria física, numa faceta de actuação que, hoje em dia, assume importância estratégica e multifacetada, seja para os respectivos habitantes, seja para a cidade que se quer urgentemente mais e melhor habitada.


(iii) Reabilitação de velhos edifícios não-habitacionais para melhoria das suas condições de uso e de conforto no uso, considerando a manutenção das suas funcionalidades básicas ou a respectiva reconversão, total ou parcial, a novos usos; uma faceta de actuação também vital numa perspectiva de melhoria consolidada e durável da globalidade do tecido urbano.


(iv) (e finalmente) Reabilitação de espaços exteriores públicos ou de uso público, numa faceta de actuação com uma importância igualmente estratégica e ainda não devidamente considerada na sua urgência, no seu interesse e nas suas exigências específicas de projecto, obra e manutenção/gestão; afinal, será de uma adequada redinamização do uso dos nossos espaços públicos urbanos, em termos de frequência e intensidade de uso, que decorrerá boa parte da vitalização urbana dessas áreas e não bastam arranjos “de aspecto” para assegurar o êxito destas operações.


Em termos informativos refere-se que o Júri do Prémio IHRU integra representantes das seguintes instituições: Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana, Laboratório Nacional de Engenharia Civil, Associação Portuguesa dos Arquitectos Paisagistas, Ordem dos Arquitectos e Ordem dos Engenheiros. Em 2007 e porque este Prémio constituiu uma edição única do Prémio INH/IHRU (o Instituto Nacional de Habitação deu lugar ao IHRU no decurso do Prémio), o Júri integrou, ainda, representantes ANMP, da AECOP, da ANEOP e da FENACHE.


Numa primeira reunião do Prémio IHRU é feita uma pré-selecção dos empreendimentos a visitar e é elaborado um programa de visitas. Na última reunião, efectuada após as deslocações aos empreendimentos seleccionados, e após a revisão comentada das respectivas visitas (imagens projectadas) e de uma natural e sistemática discussão técnica o Júri atribui os respectivos Prémios e Menções.


Mais se esclarece que os candidatos aos Prémio IHRU, um prémio exclusivamente honorífico, concorrem nas variantes Construção ou Reabilitação: sendo que na primeira variante (Construção), há várias vertentes/categorias de concurso - Promoção Municipal e Regional, Promoção Cooperativa e Promoção Privada – enquanto na variante Reabilitação há, actualmente (à data da escrita deste artigo), há também várias vertentes de concurso - Reabilitação Isolada de Imóveis, Reabilitação ou Qualificação de Espaço Público e Reabilitação Integrada de Conjuntos Urbanos.


Sublinha-se, no entanto e desde já, que a apresentação dos casos de referência de candidatos ao Prémio IHRU, que irá sendo assegurada pelo Infohabitar, não dará importância significativa a estas vertentes “oficiais” do Prémio, preferindo salientar as quatro grandes linhas de actividade específicas acima apontadas, bem como aspectos específicos e interessantes de cada intervenção e optando por divulgar de forma não sistemática, não exaustiva, temporalmente não ordenada, e “em pé de igualdade” entre casos que obtiveram Prémios, outros que mereceram Menções Honrosas e ainda outros que não tiveram destaque especial no Prémio, mas que o autor destas linhas considera serem também casos com muito interesse e que, portanto, terá utilidade a sua divulgação; pois, afinal, a própria divulgação de casos de referência muito diversificados tem uma utilidade própria e, como bem sabemos, a cidade não se faz apenas de exemplos excepcionais, mas também de casos de referência com aspectos específicos e meritórios cuja divulgação é importante.


E de certa forma o Prémio IHRU tem a sua existência específica, que se vai cumprindo anualmente, e aqui no Infohabitar estamos num outro contexto de divulgação bem distinto e naturalmente mais flexível, até porque os comentários que acompanham as imagens dos conjuntos, edifícios e espaços que irão sendo divulgados, são apenas e naturalmente da responsabilidade do autor do artigo – com a excepção referida às citações das respectivas actas do Júri e/ou dos textos de apresentação dos respectivos catálogos do Prémio (devidamente assinaladas), que são anualmente ditados pelo IHRU.


Salienta-se, finalmente, que será fortemente privilegiada uma componente de ilustração e de imagens dos casos de referência editados, reduzindo-se os textos de comentário e reflexão ao máximo e caracterizando-os por uma perspectiva informal “de visitante” interessado da respectiva intervenção; e que se convidam os respectivos autores, promotores e habitantes a complementarem e a comentarem as respectivas obras e/ou os próprios comentários do Infohabitar, através de simples envios via e-mail à edição do Infohabitar, que, depois e logo que seja possível integrará os respectivos textos e, eventuais, imagens, nos respectivos artigos, ou, e em alternativa (casos de contribuições com dimensão e interesse significativos), poderá decidir pela sua edição autonomizada, se o respectivo autor autorizar esta possibilidade.


Considerando-se que não decorreu, ainda, a cerimónia de entrega dos Prémios IHRU 2011, não serão editados no Infohabitar até essa data candidaturas respeitantes a este anos de 2011.


Casos de Referência dos primeiros 5 anos do Prémio IHRU – IV:
Habitação Cooperativa na Ponte da Pedra

António Baptista Coelho




Fig. 01

“101 fogos em Ponte da Pedra, em Leça do Balio, Matosinhos, promovidos pela União de Cooperativas de Habitação NORBICETA (cooperativas Nortecoop, As Sete Bicas e Ceta), construídos pela empresa J.Gomes, S.A., com projecto coordenado pelo arquitecto António Carlos de Oliveira Coelho.

“Este empreendimento destacou-se pela sua preocupação de sustentabilidade com instalação de equipamentos para o aproveitamento de energia solar, para reciclagem e consumo racional de água, além da selecção dos resíduos sólidos, enquadrando-se no programa europeu Sustainable Housing in Europe. Estes aspectos são implementados num projecto equilibrado, dotado de espaços exteriores verdes, abundantes relativamente à massa edificada e ao número de habitantes a acolher.


“Estes espaços são também valorizados com intervenções de arte urbana e parterre d’ eau que complementam os elementos de natureza viva implantados no espaço público, orientando-se também pelo conceito de circuito fechado com vista ao tratamento e economia de água.


“Numa perspectiva de futuro, é um exemplo pioneiro a seguir por todos os promotores de habitação de interesse social.

Foi uma citação integral do texto de apresentação do catálogo do Prémio INH/IHRU 19.ª Edição; salienta-se que este texto de apresentação integra a acta do júri do respectivo Prémio, tendo sido, portanto, elaborado, conjuntamente, pelo respectivo Júri.









Fig. 02

O conjunto urbano e habitacional cooperativo na Ponte da Pedra, Matosinhos constituiu a primeira intervenção residencial portuguesa a “custos controlados” em que se aplicou um conjunto coeso de soluções ambientais e construtivas com características de sustentabilidade ambiental, tendo-se integrado no projecto internacional da Comissão Europeia designado Sustainable Housing in Europe (SHE), e cujo lema – “from the extraordinary to the ordinary”, numa perspectiva de inovação fundamentada e bem ligada à prática.

Quando se iniciou a Ponte da Pedra da Norbiceta não se imaginava que a sua segunda fase pudesse vir a ser desenvolvida num quadro de sustentabilidade ambiental, mas já então se optou pelo máximo apuramento da sua qualidade em termos de arquitectura urbana, o que é, como sabemos, uma outra e importante faceta de uma fundamental sustentabilidade global; e é um facto que tais cuidados ao nível da qualidade arquitectónica ajudaram fortemente na aplicação e na potenciação dos aspectos de sustentabilidade ambiental e construtiva, pois os espaços estavam lá, a estrutura pedonal eficaz já lá estava também, a organização funcional provou, e havia como que um quadro residencial e urbano cujo sinal claramente positivo era o mais indicado para se desenvolverem todas as iniciativas, sinergias e associações de vontades e de capacidades que levaram a bom termo e rapidamente esta excelente obra.

Fiquemos então com uma breve súmula dos aspectos de qualidade arquitectónica que constituíram boa parte dos critérios de apreciação da solução de arquitectura urbana que, no final de 1998, foi escolhida para o conjunto residencial da cooperativa Norbiceta na Ponte da Pedra.

Ao nível do conjunto urbano: localização e integração dos equipamentos; concentração e capacidade de manutenção dos espaços exteriores ajardinados e pedonais; consideração do conforto ambiental no exterior; integração na envolvente; concentração do equipamento e respectiva capacidade de animação urbana; existência de elementos temáticos identificadores; desenvolvimento de continuidades urbanas com escala humana e espaços exteriores qualificados; e existência de sequências de zonas exteriores com usos reais, de percursos para passear a pé e chegar às paragens de transportes públicos e de zonas comerciais de uso diário.

Ao nível da Vizinhança Próxima dos edifícios: criação de núcleos de Vizinhança caracterizados; acessibilidade de veículos harmonizada com a circulação prioritária do peão; zonas para peões bem definidas, motivadoras e marcadas pelo verde urbano; espaços para recreio infantil em segurança.

Ao nível do Edifício, privilegiou-se: a sua imagem e legibilidade; a privacidade dos fogos; e a orientação solar e a ventilação cruzada das habitações.

E ao nível da Habitação considerou-se: a capacidade de integrar arranjos de mobiliário e a não existência de dimensões mínimas; o equilíbrio na distribuição das áreas e das respectivas funções, destacando-se os aspectos de privacidade e de adaptabilidade dos espaços domésticos a diversos usos e apropriações; e o conforto ambiental das diversas zonas da habitação.

No aprofundamento da análise utilizaram-se elementos complementares de apreciação, também ligados a características de sustentabilidade urbana, considerando-se, assim, designadamente: o desenvolvimento de uma boa solução de colmatação urbana, que crie âncoras de valorização do local, cerzindo a malha urbana; o desenvolvimento de uma solução com imagens de arquitectura urbana positivamente caracterizadas, sem espaços residuais e dinamizada por sequências espaciais e recortes evocativos, pontuados por elementos estratégicos; a criação de uma relação harmonizada entre espaço público, edifícios e espaços de transição, marcada por acessibilidades claras e pela segurança geral no exterior; a não criação de um local de passagem, mas sim de abrigo, permanência e convívio natural, vitalizado por espaços de encontro e equipamentos articulados com a continuidade urbana envolvente; e a criação de um equilíbrio entre diversidade e identidade espacial, em boa relação com a envolvente preexistente e com uma leitura residencial sóbria, representativa e à escala humana.

Salienta-se que há em muitos destes aspectos qualitativos conteúdos técnicos directa e indirectamente ligados aos tão actuais objectivos de sustentabilidade, que tem de ser ambiental, paisagística, urbana, económica, funcional, residencial, social e cultural.

E há ainda que referir, especificamente, a “recuperação” da integração da arte na arquitectura, que, exemplarmente, aqui se retoma na Ponte da Pedra da Norbiceta, e que constitui mais um factor de valia e sustentabilidade cultural, porque é mais uma faceta de cidadania e da hoje tão vital necessidade de expressão de elementos de afectividade no espaço público.





Fig. 03

Considerando-se, agora, a obra concluída, dois aspectos merecem, desde logo, um relevo muito especial, no que se refere à sustentabilidade global desta intervenção habitacional e urbana na Ponte da Pedra, Matosinhos: o período que marcou a sua execução – entre o desenvolvimento da ideia urbana e residencial (Setembro de 1998) e a conclusão da primeira fase da obra (Maio de 2004) contaram-se, apenas, 6 anos; e a situação de a construção do empreendimento ter substituído uma indústria de curtumes deteriorada, valorizando o local de implantação, na medida em que, para além da operação habitacional, se procedeu a uma acção de regeneração ambiental e urbana.

O conjunto residencial, na sua globalidade, proporciona a criação de núcleos de vizinhança, espaços de lazer e convívio, estabelecendo simultaneamente uma adequada e valorativa ligação com o meio envolvente.

A primeira fase do empreendimento conta com 6 Blocos que contemplam 150 habitações, um equipamento educativo e cultural a norte do novo arruamento e um equipamento desportivo a meio da área habitacional.






Fig. 04

A segunda fase do empreendimento é constituída por 2 blocos (Bloco 7 e Bloco 8 – 101 habitações, tipologia T2 e T3), incluindo ainda a criação de um equipamento infantil, um pequeno parque público e espelho de água e zonas ajardinadas e vias pedonais.

Esta segunda fase assegurou a participação portuguesa no Projecto SHE (Sustainable Housing in Europe), que contou com a participação de várias instituições de 4 países europeus – Itália, Dinamarca, França e Portugal - e que visa demonstrar a viabilidade real da habitação sustentável do ponto de vista económico, ambiental, social e cultural, utilizando, para tal, construções cooperativas europeias como projectos piloto de disseminação de um novo modelo construtivo que se quer ver adoptado em construções futuras.

Foram aliados fundamentais nesta segunda fase de obra: a União de Cooperativas NORBICETA, promotora do conjunto; a FENACHE (Federação das Cooperativas de Habitação Económica) e o seu Presidente Guilherme Vilaverde; o Instituto Nacional de Habitação (INH); a Câmara Municipal de Matosinhos; o gabinete projectista do Arq.º Carlos Coelho; o Director Técnico da Obra Eng.º Coimbra; a empresa construtora; e um conjunto de parceiros académicos com destaque para o Prof. Eduardo Maldonado, da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e a Prof. Manuela Almeida, da Universidade do Minho. Regista-se, ainda, a cooperação pontual do Núcleo de Arquitectura e Urbanismo do LNEC e do Grupo Habitar no apoio ao lançamento e desenvolvimento deste conjunto.




Fig. 05: imagem de um painel de apresentação do conjunto, realizado pela equipa projectista

Nota editorial: a parte do artigo que se segue é, em grande parte, extraída do artigo editado no Infohabitar em 2007, que consta da bibliografia.

Esta 2ª fase foi iniciada em Fevereiro de 2005 e concluída em finais de 2006, mantém as características construtivas da 1ª fase, com acompanhamento técnico da construção por entidade externa e consequente emissão de Apólice de Seguro Decenal (que protege a habitação contra eventuais defeitos de estrutura que surjam durante o período de 10 anos), controlo de higiene, segurança e saúde no estaleiro por entidade externa certificada, fiscalização da construção dirigida por um Engenheiro da NORBICETA no local e orientada pela Direcção Técnica da Cooperativa e cujo modelo de gestão do empreendimento obedece às normas NP EN ISO 9001:2000, uma vez que o Sistema de Gestão da Qualidade implementado numa das Cooperativas que constituem a União (CHE As Sete Bicas, C.R.L.) foi estendido à União promotora do conjunto.

À excepção destes indicadores temos um conjunto de características na 2ª fase do Empreendimento que marcam realmente a diferença e que lhe permitem atribuir o título de 1º Empreendimento Cooperativo de Construção Sustentável em Portugal, não deixando, contudo, de ser uma construção cooperativa a custos controlados aprovada e subsidiada pelo Instituto Nacional da Habitação (INH). Trata-se, obviamente, das normas de sustentabilidade na Habitação, de acordo com o Projecto SHE e que se organizam nos seguintes âmbitos de intervenção:





Fig. 06

I – Envolvimento dos vários intervenientes

O envolvimento dos vários intervenientes nas diversas fases de desenvolvimento do Empreendimento, nomeadamente as autoridades locais, a União de Cooperativas de Habitação, o Empreiteiro, o Projectista, Técnicos, Moradores e futuros utilizadores, cumprindo o objectivo de coesão social, através da participação activa desses intervenientes numa Estratégia Integrada de Desenvolvimento Sustentável:

(i) Reuniões semanais com representantes do Projecto, da empresa construtora e da Cooperativa de Habitação;

(ii) Sessões abertas de apresentação e discussão do Projecto do Empreendimento;

(iii) Dossiers de Apoio aos principais momentos de disseminação e acompanhamento do Empreendimento;

(iv) Manual do Cooperador Proprietário de Uso e Manutenção do Imóvel;

(v) Edição de um Boletim trimestral que actualiza os desenvolvimentos da actividade da Cooperativa promotora.

II – Integração do Empreendimento

A integração do Empreendimento no local de implantação de forma valorativa, respeitando as condicionantes de ordenamento do território e os ecossistemas existentes, promovendo a biodiversidade. O Conjunto Habitacional de Ponte da Pedra revela importantes indicadores a este nível, tendo em conta que substitui uma área degradada por uma importante iniciativa de construção e regeneração, que respeita a orientação solar, aproveita a linha de água existente no local e cuja proximidade a transportes públicos desincentiva a utilização de transporte próprio, diminuindo assim, potencialmente, o impacte da mobilidade dos moradores.

III – Selecção de materiais de construção do Edifício

A selecção de materiais de construção do Edifício que respeitam e protegem o meio ambiente, seja pela sua reduzida intensidade, proveniência de fontes locais e reduzida necessidade de manutenção, seja pelo facto de serem duráveis, reciclados, recicláveis ou reutilizáveis. O nosso Empreendimento apostou na escolha prioritária de materiais produzidos regional ou nacionalmente e com reduzido ou quase nula necessidade de manutenção (como é o caso do tijolo de fachada), dado o atraso claro do nosso país relativamente à utilização de materiais com rótulo ecológico ou com análise do ciclo de vida;





Fig. 07

IV – Respeito pelo ciclo de água existente e redução/racionalização do consumo de água potável

O respeito pelo ciclo de água existente e a redução / racionalização do consumo de água potável, através da utilização de tecnologias e equipamentos que permitam poupar água e através da redução da perda de água infiltrada:

(i) Chuveiros com válvulas termostáticas para controlo de temperatura;

(ii) Rega de jardins mediante sensor de humidade;

(iii) Utilização da água nas sanitas dos fogos com fluxo normal (6 litros) e fluxo reduzido (3 litros);

(iv) Construção de uma cisterna subterrânea de recuperação e armazenamento de águas pluviais para abastecimento das sanitas dos fogos e para assegurar a rega da totalidade dos jardins da urbanização.

V - Gestão adequada de resíduos nas fases de construção e operação
A gestão adequada de resíduos nas fases de construção e operação, reduzindo, separando e reutilizando os resíduos:

(i) Contentores para separação e recolha de lixos durante a construção, com o apoio dos serviços urbanos;

(ii) Criação de eco pontos exteriores de separação de resíduos durante o período de operação para reciclagem posterior;

(iii) Colocação de baldes de lixo diferenciado no interior de cada habitação.





Fig. 08

VI – Construção de um edifício energicamente eficiente

A construção de um edifício energicamente eficiente, actuando, para tal, a vários níveis: a maximização do potencial solar passivo (orientação do edifício), a minimização dos consumos, o uso de tecnologias de energia renovável, a instalação de equipamentos energicamente eficientes, a selecção de materiais e equipamentos com reduzido nível de energia incorporada e a informação aos utilizadores sobre as melhores práticas de redução das necessidades energéticas (através do Manual do Cooperador Proprietário com informações de relevo sobre a utilização e manutenção do Imóvel). Foram implementadas soluções construtivas que asseguram a limitação das necessidades de aquecimento, das necessidades de arrefecimento e das necessidades de energia para aquecimento de águas sanitárias com vista à certificação energética do Edifício:


(i) Estudo de orientação solar do Edifício, aproveitando o potencial solar passivo e limitando as necessidades de aquecimento das habitações;

(ii) Desenvolvimento de sistemas de isolamento térmico da envolvente que elimine totalmente as pontes térmicas e que considere um k=0.35 para elementos da envolvente em contacto com o exterior;

(iii) Reforço dos isolamentos térmicos de acordo com o novo RCCTE;

(iv) Instalação de painéis solares na cobertura do Edifício, aproveitando uma fonte de energia renovável para aquecimento de águas sanitárias, utilizando aparelhos de queima individuais para completar o aquecimento das águas em caso de sobreutilização do sistema, minimizando assim o recurso a outras fontes de energia como o gás natural ou a electricidade;

(v) Utilização de lâmpadas e sistemas electrónicos de baixo consumo em todas as zonas comuns, sendo accionadas por células solares no exterior;

(vi) Instalação de detectores de movimento em compartimentos principais, escadas e corredores;

(vii) Adopção de técnicas de ventilação transversal nas habitações, sendo preferencialmente ventilação natural como importante factor de conforto ambiental com vista a limitar as necessidades de arrefecimento;

(viii) Produção de uma construção com eficiência energética classe A.

VII – Gestão da iluminação natural

A gestão da iluminação natural, respeitando as especificações legais quanto aos níveis de iluminação natural e artificial a assegurar, executando uma articulação eficiente entre ambas e garantindo uma percentagem elevada dos espaços com iluminação natural:

(i) O Empreendimento respeita as especificações legais quanto aos níveis de iluminação a assegurar dentro das habitações;

(ii) No caso da iluminação artificial, utilizam-se equipamentos e dispositivos que asseguram a poupança energética (tal como o exposto no capítulo de Gestão Energética).

VIII – O conforto acústico do Edifício

O conforto acústico do Edifício, controlando eficazmente o ruído no interior do edifício e do exterior para o interior do edifício:

(i) Plantação de uma cortina arbórea na envolvente do Edifício que funciona como barreira à propagação de ruído de fonte exterior – em estudo;

(ii) Introdução de isolamentos nos elementos construtivos horizontais e verticais do Edifício, entre fogos e entre estes e zonas comuns.

IX – Monitorização energética, ambiental, social e económica do Edifício, prevista para decorrer durante um ano após a ocupação das habitações.

Salienta-se que as principais dificuldades de concretização dos princípios do Projecto SHE estiveram associadas a dois factores principais: o défice cultural da sociedade relativamente à importância prioritária dos conceitos de sustentabilidade ambiental e o desafio de gestão que a construção sustentável exige para evitar custos excessivos.





Fig. 09

Rematando de forma muito positiva este processo a 2.ª fase do conjunto cooperativo habitacional na Ponte da Pedra mereceu, depois, o Prémio Europeu de Energia Sustentável 2007, que foi atribuído ao projecto europeu, SHE – Sustainable Housing in Europe - http://www.she.coop/

Nota: junta-se, em seguida, parte do relatório do Júri do prémio Sustainable Energy Europe Awards 2007 (Prémio Europeu de Energia Sustentável 2007): o Projecto SHE obteve o prémio de melhor projecto na categoria “Parcerias público-privadas” por permitir a poupança de energia em habitações.

“O projecto SHE representa um brilhante exemplo de uma parceira público-privada, na qual as Cooperativas de Habitação Económica conseguiram demonstrar, ao nível local, regional e europeu, e juntamente com empresas de construção, instituições científicas e organizações técnicas, a viabilidade da habitação e de comunidades sustentáveis.


"O projecto SHE realça a importância da sensibilização e consciencialização dos utilizadores finais e procurar melhorar o nível de vida dos cidadãos oferecendo ambientes saudáveis e sustentáveis. A parceria está a levar a cabo uma abordagem integrada do desenvolvimento e construção de habitação sustentável, tornando a excepção regra.

"No final deste projecto, 600 famílias na Dinamarca, França, Itália e Portugal estarão a viver em habitações sustentáveis. O projecto SHE desenvolverá um guia de boas práticas para que estas habitações sustentáveis sejam replicadas noutras.”


"Partindo deste discurso, considero mesmo que a atribuição do prémio realça o facto de:


A habitação social ser um elemento chave no desenvolvimento urbano sustentável integrado;


A acção pioneira das Cooperativas de Habitação estar a desbravar o caminho para que haja cada vez mais casas ecológicas em cada vez mais comunidades sustentáveis;


O nosso projecto ser agora considerado como melhor prática, pelo que será um grande impulsionador para outros promotores habitacionais, bem como para clientes privados e municipais.


“Estamos extremamente contentes pelo facto de o Consórcio SHE ter recebido este novo e prestigiado prémio dedicado a um uso mais inteligente da energia sustentável na Europa com o objectivo de sensibilizar e mudar o panorama energético.


"Estamos verdadeiramente convencidos de que este feedback positivo é um reconhecimento significativo dos nossos esforços para acelerar a integração dos temas de sustentabilidade no sector habitacional e para criar cidades dinâmicas e amigas do ambiente.


...


“Alain Lusardi


Arianna Braccioni


Charlotte Pedersen


Notas finais:

A 2.ª fase da intervenção na Ponte da Pedra recebeu o Prémio INH/IHRU 2007



Bibliografia:

COIMBRA, José; COELHO, António Baptista - Prémio Europeu de Energia Sustentável 2007 para projecto europeu SHE e conjunto residencial cooperativo na Ponte da Pedra – Infohabitar, 8 de Fevereiro de 2007

http://infohabitar.blogspot.com/2007/02/prmio-europeu-de-energia-sustentvel.html

PAMPULHA, Rogério; PEREIRA, Teresa; FORJAZ, Isabel - Prémio INH/IHRU 2007- 19.ª Edição. Lisboa, Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana, 2007 (Dep. Legal 261148/07)

Infohabitar, Ano VII, n.º 360

01 de Setembro de 2011

Editor: António Baptista Coelho


Edição de José Baptista Coelho


Lisboa, Encarnação - Olivais Norte





segunda-feira, outubro 27, 2008

219 - Arquitectura Sustentável, 3 e 4 de Outubro 2008: Relato II - Infohabitar 219

Infohabitar 219


Arquitectura Sustentável 

Com uma apresentação mínima, pois os textos editados são longos, edita-se, em seguida, a segunda e última parte do LIVRO DE CURRICULUM VITAE E RESUMOS do Congresso “Arquitectura Sustentável – Futuro Com()passado”, que teve lugar no Auditório da Reitoria da Universidade de Aveiro nos passados dias 3 e 4 de Outubro de 2008, com uma grande adesão, tal como é evidente nas imagens que acompamham esta colectânea.

Esta é uma edição dos autores das palestras cujos resumos aqui se juntam, bem como do Núcleo de Arquitectos de Aveiro - NAAV e do Grupo Habitar - GH que cooperaram na organização deste grande evento , que manteve a sla do Auditório da Reitoria de Aveiro praticamente cheio até às 19h de uma sexta-feira e de um sábado, um facto que há que realçar.

Aproveita-se a oportunidade para agradecer, publicamente, o apoio da Universidade de Aveiro, da empresa CIN e das restantes organizações que viabilizaram este evento e sublinha-se a exemplar participação havida entre este Núcleo e o GH na realização do Congresso, uma participação que, sem dúvida, será renovada em futuros eventos.
E finalmente agradece-se, também, aqui, aos palestrantes, cuja elevada qualidade dos estudos apresentados foi responsável pelo grande interesse e elevada participação que marcaram todas as sessões do Congresso; muito obrigado por isso e por terem dedicado uma parte das vossas carregadas agendas à intervenção neste Congresso e esperamos poder contar convosco em futuros eventos participados pelo GH.

E finalmente uma referência específica ao incansável trabalho do amigo e colega do GH Bruno Marques e da Inês de Carvalho do NAAV.


A Direcção do Grupo Habitar

Notas explicativas:

Segue-se a edição da 2.ª e última parte do LIVRO DE CURRICULUM VITAE E RESUMOS do Congresso “Arquitectura Sustentável – Futuro Com()passado”, com reduzidas alterações relativamente à edição distribuída no Congresso; retiraram-se, apenas, algumas ilustrações integradas no texto e que são difíceis de editar no blog e juntaram-se imagens dos trabalhos – Esta edição do Infohabitar corresponde às intervenções que tiveram lugar em 4 de Outubro de 2008.





Fig. 01: cartaz do Congresso

Estrutura dos trabalhos do Workshop e Congresso:
Segunda-feira, 29 de Setembro de 2008: início do Workshop com visita guiada à Reitoria da Universidade de Aveiro, e palestras dos arquitectos Gonçalo Byrne e Nuno Portas.

Segunda-feira a Quinta-feira: Workshop

Sexta, 3 de Outubro 2008

Abertura:
Vice-reitor da Universidade de Aveiro Prof. Doutor
Presidente da Ordem dos Arquitectos, Arq. João Belo Rodeia
Presidente do NAAV, Arq. Ricardo Vieira de Melo
Presidente da Dir. Do Grupo Habitar, Arq. António Baptista Coelho
Arq. Bruno Marques (NAAV e Grupo Habitar)

Manhã

Arq. Mário Varela Gomes (FCSH, UNL)
Arq. António Baptista Coelho (LNEC e Grupo Habitar)
Arq. Luís Pinto de Faria (U.F.P.)
Arq. Maria Fernandes (FCT-UC)

Tarde:

Eng. Humberto Varum (UA)
Arq. Márcio Buson (FAU Univ. Brasília)
Arq. Laura Costa (UTAD)
Arq. Bruno Marques (NAAV)
Arq. Sara Eloy e Arq. Isabel Plácido (L.N.E.C.)


Sábado, 4 de Outubro 2008
Manhã:

Eng. Manuel Duarte Pinheiro (IST)
Arq. Nadir Bonnacorso
Arq. Carlos Coelho

Apresentação dos trabalhos desenvolvidos pelas equipas integradas no Workshop, realizado com o apoio dos seguintes tutores: engenheiro Humberto Varum e arquitectos José Gigante, Laura Costa, Miguel Veríssimo e Nadir Bonaccorso.

Tarde:

Arq. Paula Cadima (EACI)
Arq. Fausto Simões
Arq. José Luís Saldanha (ISCTE)
Arq. Manuel Correia Fernandes (FAUP)
Encerramento:


Arq. Bruno Marques (NAAV)
Dr. Dâmaso Silva (CIN)
Arq. Ricardo Vieira de Melo (NAAV)
Arq. António Baptista Coelho (LNEC e Grupo Habitar)


Eng. Manuel Duarte Pinheiro (IST)
“Certificação ambiental da construção sustentável – Sistema Líder A”

CV_Prof. Manuel Duarte Pinheiro, Licenciado em Engenharia do Ambiente pela FCT/UNL (1985), Doutorado pelo IST com a tese sobre Sistemas de Gestão Ambiental para a Construção Sustentável (2008) é Professor no Grupo de Disciplinas de Ambiente dos quadros da Secção de Hidráulica, Recursos Hídricos e Ambiente do Departamento de Engenharia Civil e Arquitectura do IST, é responsável pelas disciplinas Ambiente e Construção Sustentável do Diploma de Formação Avançada em Gestão das Tecnologias de Águas e Resíduos, de Espaços Construídos e Impactes Ambientais (Construção Sustentável) para o Mestrado de Arquitectura, de Impacte Ambiental para o Mestrado de Engª de Gestão Industrial, de Sistemas de Gestão do Ambiente para os Mestrados de Engª do Ambiente e Engª Química.

Tem desenvolvido nos últimos anos investigação e aplicações na área dos Sistemas de Avaliação e Gestão da Construção Sustentável, incluindo o desenvolvimento de um sistema de avaliação e certificação da construção sustentável para aplicação a nível nacional, denominado de LiderA – Sistema de Avaliação da Sustentabilidade, que se encontra registada com uma marca nacional.

É autor de várias publicações entre as quais se encontro o livro sobre ambiente e construção sustentável publicado pela Agência Portuguesa do Ambiente. Trabalha como consultor, sendo Director da IPA – Inovação e Projectos e Ambiente, Lda. É assessor certificado do sistema do Reino Unido, CEEQUAL – Civil Engineering Environmental Quality and Assessment Scheme, desde Julho de 2005.





Fig. 02: a primeira mesa de Sábado

RESUMO_ Certificação ambiental da construção sustentável – Sistema LiderA

A comunicação “Certificação ambiental da construção sustentável – Sistema LiderA” dispõe de três partes. Na primeira parte aborda-se como enquadramento a importância da sustentabilidade na construção e como o conceito é interpretado em termos de construção sustentável e a necessidade de dispor de formas de orientação, avaliação e certificação da sustentabilidade na construção.

Na segunda parte particulariza-se as propostas do sistema LiderA (www.lidera.info), explicando como foi desenvolvido, seus princípios para avaliação da sustentabilidade.

Na terceira parte desenvolve-se e aborda-se a questão do modo de aplicação e certificação, nomeadamente as formas de utilização do sistema no desenvolvimento de projectos e empreendimentos (novos ou existentes), níveis de desempenho e certificação (da Classe C à Classe A++), colocando a questão se a abordagem proposta pelo sistema LiderA é mais onerosa e/ou eficiente.

Conclui-se com o ponto de situação referenciando a aplicação do LiderA em dezenas de desenvolvimentos efectuados, sete certificações, dezenas de teses, apresentações, acções de formação, publicações e assessores existentes, bem como a importância e contributo das abordagens que permitam liderar para a sustentabilidade e as perspectivas que pode abrir.





Fig. 03


RESUMO_ Projectar com princípios sustentáveis
Resumo não disponível

Arq. António Carlos Coelho
“O primeiro empreendimento cooperativo de construção sustentável em Portugal – Ponte da Pedra”

CV_António Carlos Coelho, como arquitecto tem elaborado projectos em diversas áreas, desde parques de estacionamento a plataformas logísticas, mas com especial relevância na habitação de custos controlados, que lhe renderam o ano passado o prémio INH/IRHU aexequo com o Arq. Álvaro Siza Vieira e o prémio europeu de arquitectura sustentável atribuído pela União Europeia no âmbito do programa SHE – Sustainable Housing in Europe.

Como urbanista assumiu responsabilidades na elaboração de alguns processos de revisão de Planos Directores Municipais, desigandamente os do Porto, Valongo e Castelo de Paiva. Por força dos trabalhos desenvolvidos tem participado em diversas acções para promover a qualidade do meio urbano e da habitação.

Coordenou a organização do 1º Congresso dos Urbanistas Portugueses, é membro da AUP - Associação dos Urbanistas Portugueses, da ULI - Urban Land Institute e sócio fundador do Grupo Habitar, onde desempenha o cargo de presidente do Conselho Fiscal.

RESUMO_O primeiro empreendimento cooperativo de construção sustentável em Portugal – Ponte da Pedra
Resumo não disponível






Fig. 04

Arq. Nadir Bonaccorso
“Projectar com princípios sustentáveis”

CV_Nadir Bonaccorso nasce em Milão a 1967 _ Licenciado pelo Politécnico de Milão em 1993. Colabora no atelier do Arquitecto João Luís Carrilho da Graça de 1993 a 1996. Em 1997 abre atelier próprio (nbAA) em Lisboa.
Trabalha na integração das técnicas solares passivas estendendo a sua área de trabalho à cenografia, espaços expositivos e design.

Convidado a apresentar os seus trabalhos entre outros: trabalhos recentes em aulas de projecto na Universidade Lusíada, U.A.L e I.A.D.E.; Faculdade de Arquitectura King Saud, Riyd, Arábia Saudita; no âmbito da exposição “arquitectos italianos em Portugal”, Lisboa, Matosinhos, Faro; na Academia de Belas Artes Brescia Santa Giulia, Itália; no âmbito do fórum UNESCO em S. André, Portugal; no âmbito do seminário “Arquitectura Sustentável” FAUTL, 2006; no âmbito da V semana de Arquitectura no Instituto Técnico de Lisboa, 2006; no âmbito do workshop “abitare à paesaggio no Politécnico de Milão, Facoltá d’Architettura, 2006.

Convidado recentemente como Tutor para o Workshop “Fareturismo” em Salermo, Março 2007.
O projecto da Casa Casulo em Lisboa é mencionado no prémio residência singular CSCAE 04 (Espanha), 2004.
No mesmo ano ganha uma menção honrosa no concurso internacional “Saudi House, sustainability and affordability” e é convidado para o Simpósio em Riyad. Recebe com Sónia Silva a Menção especial no Prémio Internacional de Arquitectura Sustentável “Fassa Bortolo” 3ª edição, (Itália) 2006 com o projecto do Jardim de Infância no Cacém.

RESUMO_ Projectar com princípios sustentáveis: Resumo não disponível



Fig. 05

Seguiu-se a apresentação dos trabalhos desenvolvidos pelas equipas integradas no Workshop, realizado com o apoio dos seguintes tutores: engenheiro Humberto Varum e arquitectos José Gigante, Laura Costa, Miguel Veríssimo e Nadir Bonaccorso.




Fig. 06


Arq. Paula Cadima (EACI)
“Projectos Europeus desafiam barreiras para uma maior Eficiência Energética”

CV_Paula Cadima licenciou-se em Arquitectura pela Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa em 1985.

A sua tese de doutoramento “Transitional Spaces: the potential of semi-outdoor spaces as a means for environmental control with special reference to Portugal” foi realizada na Architectural Association Graduate School em Londres, onde também leccionou no Curso de Mestrado “Environment & Energy Studies Programme” durante vários anos.

É Professora na Faculdade de Arquitectura da UTL desde 2001, onde montou e coordenou o Mestrado em Arquitectura Bioclimática desde 2003. Actualmente orienta várias teses de Doutoramento na área da Arquitectura Sustentável. Conciliou o ensino e as actividades de investigação com a prática profissional e consultoria na área do conforto e sustentabilidade ambiental.

Tem trabalho de investigação na área dos microclimas urbanos, edifícios solares passivos e técnicas de arrefecimento natural e publicou diversos trabalhos e artigos em Portugal e no estrangeiro.

Em Set. 2005 mudou-se para Bruxelas para trabalhar temporariamente na EACI – Agência de Execução para a Competitividade e Inovação da Comissão Europeia onde promove a eficiência energética e o uso de energias renováveis e coordena projectos Europeus na área dos edifícios.

Desde Jan. 2006 é Vice-Presidente da PLEA (Passive Low Energy Architecture).

Bruxelas, Set. 2008





Fig. 07

RESUMO_ Projectos Europeus desafiam barreiras para uma maior Eficiência EnergéticaO contexto actual em matéria de políticas energéticas na Europa, em geral, e em Portugal, em particular, oferece um enorme potencial para o sector dos edifícios no que diz respeito à melhoria da qualidade da construção, a economias de energia e a uma maior informação junto do consumidor. O programa Energia Inteligente Europa oferece oportunidades, sobretudo às pequenas e médias empresas, para que contribuam de uma forma construtiva neste grande desafio na luta contra as alterações climáticas, com ideias atractivas para acções concretizáveis, que tendo uma dimensão Europeia, terão acima de tudo, um impacto a nível global.

Esta comunicação aborda a temática da eficiência energética nos edifícios e estrutura-se em 3 partes.

A primeira inclui uma breve introdução ao contexto político na área da energia na Europa, nomeadamente no que diz respeito aos edifícios e ao ambiente urbano.

A segunda parte explica os objectivos e prioridades do Programa Energia Inteligente Europa.

A terceira parte contém exemplos de várias acções financiadas por este programa no âmbito da eficiência energética.

Os exemplos apresentados incluem acções que contribuem para remover barreiras existentes (económicas, sociais, culturais, legais, institucionais, etc.) para melhorar a performance ambiental dos edifícios novos e existentes, incluindo aspectos ligados à integração de fontes de energia renováveis, à adopção de padrões inteligentes na utilização de energia nos edifícios e à implementação e monitorização da Directiva Europeia para o Desempenho Energético nos Edifícios (EPBD), entre outros.





Fig. 08: um dos exemplos de Fausto Simões

Arq. Fausto Simões
“Princípios e práticas de projecto para uma arquitectura sustentável”



CV_Fausto Simões, Licenciado em Arquitectura pela ESBAL; Actividade profissional, em regime de profissão liberal. Quadro superior da Administração do Porto de Lisboa entre 1977 e 1994. Casado, com dois filhos, residindo actualmente em Lisboa.

Actividade Profissional: Entre os planos regionais e urbanos e projectos de edifícios de habitação e de serviços efectuados, destacam-se dois estudos, não pelo seu porte, mas pela sua decisiva contribuição, a dois níveis, para a consciencialização da intima relação entre o homem e o “ambiente”:
Ao nível regional, o Plano Director da Corimba, Luanda, 1977,realizado com Manuel Laginha e A. Viana Barreto. O plano visou respeitar as aptidões do meio biofísico face ás necessidades humanas em presença, seguindo a concepção e o método de Ian McHarg (Design with Climate, Doubleday,1971).
Ao nível local, o projecto da Casa do Telheiro, Leiria. Realizado em 1977 e parcialmente construío, este projecto explora o princípio da Casa Autónoma, As suas instrutivas vicissitudes estão sumariadas na Comunicação “Habitação e Conservação de Energia” (Actas do “Encontro sobre Aplicações Térmicas da Energia Solar”, Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, 1981).

Trabalhos de I&D sobre Arquitectura Energia e “Ambiente”, de que se destacam os seguintes Estudos e Projectos:

Casa Solar Passiva do Casal do Cónego, Leiria, 1982. Projecto experimental em que foi acompanhada a construção e a utilização durante dois anos. Concepção, construção, previsão e resultados constam de documentação publicada pelo CSOPT (“Encontro sobre Arquitectura Passiva e Activa”, Lisboa, 1982) e das actas das 1ªs Jornadas de Física e Tecnologia dos Edifícios (IST,Lisboa, 1984);

Casa Solar Passiva de Vale Rosal, Almada, 1985. Projecto experimental em que foi acompanhada a construção e a utilização durante dois anos. Concepção, construção, previsão e resultados constam das seguintes publicações: “Passive Solar Techniques for Energy Conservation in Buildings” (CIB/LNEC, Lisboa, 1986), “Energy and Buildings for Temperate Climates, PLEA88 (Pergamon Press, 1989) e “Edifícios Solares Passivos em Portugal (INETI/Altener, Lisboa, 1997);

Escritórios da Taxa de Porto , Lisboa, 1985-1988. Projecto em que se procurou conjugar a satisfação de exigências ambientais, a conservação de energia e a conservação do património. Foram acompanhadas a construção e a utilização durante dois anos;

Casa do Padrão , Leiria, 2002. Projecto corrente em que foi aplicada a concepção bioclimática. Foi cuidadosamente acompanhada a construção e está a ser acompanhada a utilização;

CLICON – Método de Concepção para desenhar com o clima. A sua descrição consta da publicação “Energia Solar e Qualidade de Vida”- VIII Congresso Ibérico de Energia Solar (ISES/SPES, Porto, 1997);

Estudo de um sistema integrando o sol a lenha e o gás para o aquecimento ambiente e de águas domésticas em habitações unifamiliares. A sua evolução consta das actas do VI Congresso Ibérico de Energia Solar (SPES/ISES, Lisboa, 1993);

Estudos sobre aptidão climática e acesso ao sol que constam das seguintes publicações: “Energias Límpias en Progresso” (AEES/ISES, Vigo, 1994) e “Environmentally Friendly Cities – Proceedings of PLEA98 (JamesXJames, London,1998);

Estudo sobre habitações escalonadas em encostas declivosas, cujos primeiros resultados foram apresentados no “Pre-Regional Conference Meeting of The Commission on Climatology" e cujo sumário consta da publicação “Climate and Environmental Change” ( Ed. Colibri, Lisboa, 1998).

Contribuições para a valorização objectiva da qualidade térmica da terra crua na 7ª Conferência Internacional sobre o Estudo e a Conservação da Arquitectura de Terra, DGMN 1993 e em: Terra em Seminário (pgs 279-280, Escola Superior Gallaecia/Edições Argumentum 2005) e Houses and Cities built with earth (pgs 52- 54, Edições Argumentum 2006).





Fig. 09: a intervenção de Fausto Simões





Fig. 10: os exemplos de Fausto Simões

Formação e Divulgação

Participação em acções de formação na ex-AAP (Ordem dos Arquitectos), em estabelecimentos do ensino superior e noutras instituições, quer na sua organização quer como docente;
Participação em acções de divulgação na ex-AAP (Ordem dos Arquitectos), em escolas secundárias e outras instituições, no continente e na Madeira;

Comunicações e artigos publicados em jornais e revistas e actas de congressos da Associação dos Arquitectos Portugueses e da Ordem dos Arquitectos. Destacam-se os artigos: “Os arquitectos e o ambiente”, Revista “Energia”, Out./Nov./Dez. 1999, Lealgo, Lisboa; "Arquitectura e Natureza", Revista "Casas de Portugal", Setembro- Outubro 2000, Novembro-Dezembro 2000, Maio-Junho 2001 e Abril 2002 (as duas ultimas com o Eng Cruz Costa), Edições Expansão Económica Lda, Barcarena; "Desenhar para a sobrevivência", Revista "Arquitectura e Vida", Julho 2003.

Participação como "perito em energia" na revisão da obra "A Green Vitruvius" (ACE/UE DGXVII) e responsável pela sua versão portuguesa. (OA, 2001)

Afiliações especiais
Membro da Comissão de Estudos sobre Gestão de Energia nos Edifícios/MOPT (1985-1988);
Membro da Sociedade Portuguesa de Energia Solar;
Membro fundador do Nucleo Orbis para a promoção da “arquitectura bioclimática”;
Representante da OA na Subcomissão de Revisão da Regulamentação de
Eficiência Energética em Edifícios.

RESUMO_ Princípios e práticas de projecto para uma arquitectura sustentável
Resumo não disponível.

Faz-se, no entanto, a referência para um artigo de Fausto Simões disponível também no Infohabitar, intitulado "Arquitectura conforto e ambiente, da caixa hermética à «vida entre os edifícios»”



Fig. 11






Fig. 12: José Luís Saldanha

Arq. José Luís de Saldanha (ISCTE)
“Relações entre espaço urbano e espaço rural baseado numa visão alargada do conceito de território”

CV_José Luís Possolo de Saldanha nasceu em Lisboa a 10/9/1966. Concluiu a licenciatura em Arquitectura na Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa no ano lectivo de 1988/89, com a informação final de catorze valores e a qualificação de Bom.

Foi de Outubro de 1999 a Julho de 2002 bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian para a realização da Tese de Doutoramento, defendida na Escola Técnica Superior de Arquitectura (ETSA) da Universidade de Sevilha (US), tendo por tese "Arquitectura Habitacional Dispersa no Olival do Alentejo Interior. «Montes» com Lagar na Província Trastagana", de que realizou defesa pública no Departamento de Teoría, História e Composição Arquitectónica da referida instituição, com atribuição da classificação máxima de “aprovado cum laudae por unanimidade”.
A referida tese acha-se registada no Registo Nacional de Títulos de Espanha sob o nº2005/074019, e no Registo Universitário de Títulos de Sevilha sob o nº 000123357. Encontra-se disponível à consulta pública na Biblioteca da Escola Técnica Superior de Arquitectura (ETSA) da Universidade de Sevilha, e em exemplar na língua portuguesa na Biblioteca Nacional de Lisboa. Possui registo nº5/06 no Instituto Superior das Ciências e do Trabalho na Empresa (ISCTE), em Lisboa, com a data de 25 de Outubro de 2006.
Da tese doutoral, foi produzida em Dezembro de 2003, sob formato de «álbum», uma edição adaptada de 1.100 exemplares sob o nome Azeites e Olivais no Alentejo. «Montes» com Lagar na Província Transtagana, com patrocínio da Caixa Agrícola de Crédito e do Grupo Sovena/Azeites Oliveira da Serra.

Em Junho de 1989, e em simultâneo com a execução do trabalho final de Projecto V na Faculdade de Arquitectura, foi admitido à frequência do curso de “Patologia, Reabilitação e Manutenção de Estruturas e Edifícios” pela Associação para o Desenvolvimento do Instituto Superior Técnico, que concluiu com aproveitamento no final desse ano.

Estagiou em 1990 pelo período de seis meses na Construtora Wysling Gomes Ltda., em São Paulo, associada em Portugal de Assumpção, Montefort e Wysling Lda. Ainda no Brasil, practicou mais brevemente na Construtora Isdralit, de Porto Alegre, Rio Grande do Sul.

Actividade Docente

É desde 2004 docente na Escola Superior de Ciências e Tecnologia do Centro Regional das Beiras da Universidade Católica Portuguesa, onde leccionou diversas Unidades Curriculares na área do Urbanismo e do Projecto Urbano, sendo na actualidade docente nesta Instituição da cadeiras de Urbanismo I.

Ingressou em Novembro de 2006, na categoria de professor-auxiliar, no corpo docente do Instituto Superior das Ciências e do Trabalho na Empresa (ISCTE) em Lisboa, sendo membro do Conselho Executivo do Departamento de Arquitectura e Urbanismo para o biénio 2007/09.

Escritos Editados
Editor ISBN 972-9039, inscrito na
Associação Portuguesa de Editores e Livreiros – Agência Nacional de I.S.B.N.

• Borba. Cidade e Periferia. Intervenção na Freguesia de São Bartolomeu, em "Arquitecturas na Raia/Arquitecturas en la Raya '98" pps. 60 a 69. Editor Arco Aguero S.L.
• Porfírio Pardal Monteiro e a Reitoria da Universidade Clássica. Revista Espaço&Design, nº 27 pags. 84 a 89. Agosto/Setembro de 2002.
• Fernando Silva. O Cinema S. Jorge e Apocoppolípse Já! Revista Espaço&Design, nº 28 pags. 84 a 89. Outubro/Novembro de 2002.
• Os Processos de Extracção do Azeite e a sua Evolução (em co-autoria com José Manuel Baptista de Gouveia); Olivicultura no Mundo Rural Romano; O Olival na Paisagem Portuguesa in “O Azeite em Portugal”. Dir. José Manuel Baptista de Gouveia. Edições Inapa. Lisboa, 2002.
• Raúl Lino e o Cinema Tivoli. Revista Espaço&Design, nº 29 pags. 80 a 85. Dezembro de 2002/Janeiro de 2003.
• Ventura Terra. Teatro Politeama. Revista Espaço&Design, nº 30 pags. 100 a 105. Fevereiro/Março de 2003.
• Raúl Rodrigues Lima. Cinearte de Santos. Revista Espaço&Design, nº 31 pags. 98 a 103. Abril/Maio de 2003.
• O «Capitólio» de Luís Cristino da Silva. Revista Espaço&Design, nº 34 pags. 88 a 93. Outubro/Novembro de 2003.
• Azeites e Olivais no Alentejo. «Montes» com Lagar na Província Transtagana. Dezembro de 2003.
• Pancho Guedes em Viseu. Revista Entre Aspas, pags. 42 e 43. Associação Académica de Viseu da Universidade Católica Portuguesa. Viseu, Maio de 2005.
• São Petersburgo, A Capital do Neva. Revista Espaço&Design, nº 43 pags. 96 a 101. Junho/Julho de 2005.
• A Arquitectura Beirã no Século XXI. «Apontamentos da Católica», Jornal do Centro. 30 de Março de 2006.
• Catalunha e Portugal: Gémeos Ibéricos. «Site» do Curso de Arquitectura da Universidade Católica Portuguesa. Junho de 2006. http://www.arquitectura-ucp.com/diacurso/images/barcelona/Catalunha-JFSaldanha.pdf.
• Reflexão: Viagem de Estudo ao Norte do País. Nau Newsletter nº2. Núcleo de Arquitectura e Urbanismo do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE). Lisboa, Dezembro de 2007.

Actividade Projectual Síntese – Clientes Institucionais

1º. Classificado em Concurso Público Limitado na Câmara Municipal de Cascais, para Escola Básica do 1º.Ciclo e Estabelecimento de Ensino Pré-Escolar de Manique, freguesia de Alcabideche (executado).
1º. Classificado em Concurso Público Limitado na Câmara Municipal de Cascais, para Centro de Dia na Torre/Cruz da Guia (executado).
Projecto da Créche Rainha Sílvia da Suécia para a Fundação Princesa D. Maria Amélia no Funchal, Ilha da Madeira (executado).
Projecto de Ampliação da Residência do Capelão do Hospício Princesa Dona Maria Amélia para a Fundação Princesa Dona Maria Amélia no Funchal, Ilha da Madeira (em construção).
Estudo Prévio de Reformulação da Baixa de Cascais para o Departamento de Planeamento Estratégico da Câmara Municipal de Cascais.
Projecto da Sede de Agritex Consultoria e Investimentos em Agricultura Ldª, Vila de Mourão (em projecto).
Ampliação e remodelação do Lar de Idosos do Hospício Princesa Dona Maria Amélia para Fundação Princesa Dona Maria Amélia no Funchal, Ilha da Madeira (em projecto).





Fig. 13

RESUMO_Relações entre espaço urbano e espaço rural baseado numa visão alargada do conceito de território. Um Retrato Sucessivo no Arco Mediterrânico.
“Sistemas de Povoamento e Aproveitamento Territorial “

Explora-se a relação equilibrada entre Homem e Natureza no mundo mediterrânico, desde o Império Romano ao Século XX. Aborda-se uma visão «solidária» da cidade e do campo no período Imperial no que se refere à sistematização do povoamento territorial, à estrutura fundiária da propriedade, à exploração dos recursos naturais e à relação mútua de mercado urbano de consumo e espaço rural de produção agrícola.

Releva-se por um lado a estruturação de uma paisagem e de uma agri-cultura (o «latifúndio») de grande escala, que se irá difundir por toda a bacia mediterrânica, instalando-se solidamente no quotidiano e no imaginário do Mundo Clássico, sem por isso perder um vincado cunho ecológico na ocupação e transformação do território; por outro lado, assinalam-se os emergentes problemas de infra-estruturação das urbes, todavia no Mundo Romano, com ênfase no tratamento de resíduos sólidos.

Subsequentemente, caracteriza-se a arquitectura rural no «arco mediterrânico», desde o período Clássico até à globalização da Economia, evidenciando o seu cariz eminentemente utilitário e bem adaptado à função produtiva, às circunstâncias económicas e ao conforto ambiental.





Fig. 14

Arq. Manuel Correia Fernandes (FAUP)
“Perspectiva crítica/positiva da sustentabilidade e do projecto de arquitectura”

CV_Manuel Correia Fernandes, nasce em 1941, é diplomado em Arquitectura pela Escola Superior Belas Artes do Porto (ESBAP) em 1966, e inicia em 1972, na mesma escola, a carreira docente que exerce ininterruptamente, até ao presente.
É Professor Catedrático da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP).
Foi membro e presidente eleito dos Conselhos Directivo, Científico e Pedagógico e da Assembleia de Representantes da ESBAP e da FAUP, assim como do Senado e da Assembleia da Universidade do Porto à qual ainda pertence.
É Director do Curso de Mestrado em Metodologias de Intervenção no Património Arquitectónico da FAUP.

É Professor de Cursos de pós-graduação nas Faculdades de Engenharia e de Economia da Universidade do Porto.
Foi Coordenador dos Cursos de Verão da Associação das Universidades da Região Norte (AURN).
É consultor e perito em organismos e instituições públicas e privadas.

Foi dirigente da Associação e da Ordem dos Arquitectos Portugueses, sendo, actualmente, Presidente do respectivo Conselho Nacional de Disciplina.
Participa regularmente em exposições, conferências, colóquios e debates em Portugal e no estrangeiro.

Participa activamente na vida cívica, social e política da cidade e do país
É autor de trabalhos publicados em livros, revistas e jornais da especialidade e colaborador regular da imprensa diária.

Foi membro da Comissão Executiva do Conselho de Administração da Sociedade Porto 2001 até Novembro/99, sendo responsável pelo Programa de Revitalização e Requalificação Urbana da Baixa do Porto.
Foi nomeado para o Prémio de Arquitectura na III Exposição de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian de 1986.

Recebeu os seguintes prémios:
Prémio Nacional de Arquitectura da Associação dos Arquitectos Portugueses em 1987.
Nomeado pelo júri para o prémio Secil da Arquitectura em 1992.
Prémio Nacional do Instituto Nacional de Habitação em 1993.
Menção Honrosa do Prémio Nacional do Instituto Nacional de Habitação (INH) em 2002.
Prémio Nacional do Instituto Nacional de Habitação em 2003.
Prémio Extraordinário Fernando Belaunde Terry – IV Bienal Ibero-Americana de Arquitectura – Lima – Peru, 2004.
Foi, ainda, premiado em diversos concursos públicos de arquitectura.
Grande Oficial da Ordem da Instrução Pública (2005).
Exerce, no Porto e ininterruptamente desde 1966, a profissão de arquitecto, em regime livre.





Fig. 15: Manuel Correia Fernandes na última intervenção ao Congresso

RESUMO_“Perspectiva crítica/positiva da sustentabilidade e do projecto de arquitectura”
Em 1995, fui convidado a participar num “colóquio” realizado em Estrasburgo, dedicado ao tema da sustentabilidade e intitulado “Pour um Habitat Soutenable…”. Entre os 27 participantes e na mesma sessão em que apresentei a minha comunicação, interveio também Paul Chemetov que tratou a questão, discorrendo sobre “O Território do Arquitecto”. Fê-lo, depois da intervenção de Hans Eek, arquitecto sueco, que havia tratado o tema das “As construções ecológicas e o baixo consumo de energia na Suécia”, recorrendo a um estudo em que analisava o gasto energético da casa duma família de seis pessoas e o gasto energético anual de uma das pessoas, incluindo as suas viagens de avião, para concluir que a economia de energia da casa, mesmo que diminuísse 50%, era uma economia insignificante em relação ao consumo de energia da totalidade do sistema. Paul Chemetov, afirmou, então, que preferia falar desse sistema global que lha parecia mais decisivo e, por isso, ia falar da cidade já que, numa perspectiva politicamente empenhada, “… o único consumo zero de energia que conheço, é a morte – sistema perfeito”!

A sustentabilidade não é um somatório de “pequenas sustentabilidades” nem uma questão de fé mas, antes, uma questão de sistema, uma questão de escolha entre possibilidades e, portanto, uma questão eminentemente política. A arquitectura e, portanto, o projecto de arquitectura não são nem técnica nem politicamente neutros. A dimensão ética tem, por isso, de regressar às mesas de trabalho dos “construtores de cidades” de hoje. A sustentabilidade começa aí.

Editado no Infohabitar em 26 de outubro de 2008, por José Baptista Coelho
Lisboa, Encarnação – Olivais Norte