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segunda-feira, outubro 02, 2017

612 - Organizar os espaços habitacionais - Infohabitar 612

Infohabitar, Ano XIII, n.º 612

“Organizar os espaços habitacionais” – sete artigos sobre o tema mais um novo texto

por António Baptista Coelho

Tal como foi anteriormente divulgado, a Infohabitar retomou as suas edições regulares, através da edição de um novo artigo em cada semana, preferencialmente, logo à segunda-feira, aproveitando-se para, mais uma vez, enviar um amigável desafio aos leitores no sentido de poderem enviar para o editor (mail referido no final do artigo) propostas de artigos para edição.

Considerando que, durante já um número muito significativo de semanas a Infohabitar tem editado artigos integrados no âmbito da série designada “Habitar e Viver Melhor”, lembrámo-nos de proporcionar uma “revisão da matéria dada”, antes de prosseguirmos na edição desta série.

Neste sentido e neste artigo apresentam-se, em seguida, os títulos interativos dos artigos da série “Habitar e Viver Melhor”, que abordam temáticas relativas a uma adequada e diversificada organização dos espaços habitacionais, aproveitando-se para acrescentar, no final do artigo, uma nova nota de reflexão sobres estas apaixonantes e tão atuais matérias; e salienta-se que todos os quatro artigos aqui editados, desde início de Setembro de 2017, integram, logo a seguir à listagem interactiva dos artigos, novos textos de reflexão sobre a envolvente habitacional, as novas tipologias residenciais e a estrututação dos respectivos edifícios.

Em próximos artigos iremos disponibilizar reflexões sobre a estruturação e os conteúdos possíveis ds diversos espaços habitacionais mais comuns, ou mais privados e personalizados.

Lembra-se que bastará ao leitor “clicar” no título do artigo que lhe interessa para o poder consultar.

Lembra-se, ainda, que por motivos alheios à Infohabitar, que muito lamentamos e que já apontámos, na Infohabitar, a maior parte dos artigos desta série editorial não conta, neste momento, com as respetivas ilustrações; estando, no entanto, disponíveis todos os seus textos, que se caraterizam por expressiva autonomia relativamente às referidas imagens.
Finalmente regista-se que o processo editorial da Infohabitar, revista ligada à ação da GHabitar - Associação Portuguesa de Promoção da Qualidade Habitacional (GHabitar APPQH) – associação que tem a sede na Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE) –, voltou a estar, desde o princípio de setembro de 2017, em boa parte, sediado no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e nos seus Departamento de Edifícios e Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT); aproveitando-se para se agradecer todos os essenciais apoios disponibilizados por estas entidades.

São os seguintes os sete (7) artigos disponibilizados sobre o tema da organização dos espaços habitacionais":


Zonas domésticas:propostas organizativas

Diversas opções para os espaços da habitação

Equilíbrios dimensionais e de privacidade na habitação

Opções de compartimentação na habitação

“Libertar” a habitação das instalações

Oferta diversificada de espaços domésticos específicos I 

Oferta diversificada de espaços domésticos específicos II 

Sobre as temáticas associadas e associáveis à matéria geral de uma adequada e diversificada  “organização dos espaços habitacionais” muito há a dizer e sublinha-se que o que a seguir se aponta, em alguns parágrafos temáticos, corresponde, apenas, a uma informal reflexão sobre estes urgentes e importantes assuntos.

Tal como já se apontou em diversos textos desta série, pensar-se que uma habitação pode ser estruturada segundo diversos “partidos” organizativos é uma opção deveras salutar, pois:

- não só é tempo de olharmos as propostas organizativas domésticas funcionalistas tal como elas podem e devem ser olhadas/vividas, numa perspectiva expressivamente “funcional”, ainda que fazendo-a, sempre, passar por um crivo não “maquinal” e de estruturação rígida das tarefas domésticas, a não ser que estejamos em presença de um programa exactamente deste tipo, por exemplo, marcado por actividades realizadas por empregados e/ou serviços domésticos realizados fora da esfera do respectivo agregado familiar;

- como parece ser tempo de se abrirem as novas e renovadas organizações domésticas a uma expressiva diversidade de necessidades, modos e gostos de habitar a “casa” de cada um e de cada agregado familiar; seja numa opção por organizações domésticas básicas com um elevado potencial de adaptabilidade passiva – através de espaços e relações espaciais que propiciem e apoiem, especificamente, variadas formas de apropriação e diversos usos -, seja numa opção por organizações domésticas com elevado potencial de adaptabilidade activa, que propiciem expressivas readaptações e conversões de espaços, equipamentos e instalações a diversos “mundos” domésticos pessoais e grupais (do respectivo agregado familiar) – como pode acontecer com variadas fusões e separações de espaços, recriações de alguns espaços (previamente preparadas) e variadas forma de reequipamento e reinstalação de elementos associados à vida doméstica;

- e parece ser, já, tempo de se pensar a “casa potencialmente para a vida”, proporcionando-se à habitação e, designadamente, aos seus espaços de circulação e de apoio funcional diversificado a capacidade para “envelhecerem”, positivamente, acompanhando a mutação das necessidades funcionais e ambientais dos seus habitantes, enquanto estes envelhecem – também esta uma matéria com expressiva relação com aspectos de mutação e adaptação de funcionalidades e “agradabilidades” – e uma matéria que é tão urgente como apaixonante.





Realmente parece ser altura de se anular, de uma vez, a “tirania” funcionalista das gradações de privacidade, que transformam muitas habitações em verdadeiros espaços “sem saída” e rigidamente “zonados”, sem capacidade de mudança funcional expressiva; e isto não quer dizer, evidentemente, que tais ofertas domésticas não continuem a ser disponibilizadas, mas não de forma quase única e desejavelmente contendo sempre algumas opções de adaptabilidade.

Tendo-se em conta o que acabou de ser apontado, uma forma relativamente fácil de avançar com habitações mais adaptáveis/úteis ou mais versáteis na sua apropriação pelos variados “tipos” de habitantes, é estruturar a habitação de modo a que espacial e relacionalmente os diversos espaços do fogo tenham diversas opções e capacidades de usos e de apropriações pormenorizadas; uma matéria que muito se joga com a disponibilização de alternativas de acesso e com a consideração da organização habitacional de uma forma, talvez, pouco compartimentada através de espaços de circulação que sejam, apenas e exclusivamente, espaços de circulação; ainda uma outra forma de avançar nesta perspectiva é proporcionar uma excelente capacidade de arrumação (em quantidade e em distribuição) e, eventualmente, alternativas de instalação para algumas máquinas domésticas, arrumando-as de forma a que o seu ruído e outros dos seus aspectos funcionais não inviabilizem certos usos domésticos (ex., tomar refeições na cozinha sem a incómoda vizinhança de algumas máquinas).

Outras matérias bem importantes para uma adequada e diversificada organização habitacional é o desenvolvimento de um equilíbrio dimensional nas zonas mais sociais e mais privadas, proporcionando, nas primeiras, o desenvolvimento, eventual, de reuniões familiares alargadas, inclusive, considerando mudanças provisórias de mobiliário e disponibilizando, nas zonas potencialmente mais privadas a (re)criação de subespaços muito apropriáveis e identificadores dos respectivos habitantes, subespaços estes que também devem pontuar zonas sociais e que, tendencialmente, surgem em privilegiada relação com vãos exteriores.

Um outro aspecto que nunca é excessivo sublinhar nestas matérias de equilíbrios dimensionais diz respeito a que mais do áreas mínimas ou “médias”/razoáveis há que ter em conta e aplicar as dimensões mais versáteis e multifuncionais, e por vezes 10 cm farão uma grande diferença funcional/formal/ambiental, não sendo, eventualmente, significativos em termos de custos de construção.

A questão da compartimentação da habitação é uma matéria importante na sua caracterização e no seu uso, podendo variar, teoricamente e na prática, entre opções quase de “planta livre”, com um mínimo de paredes, e outras extremamente repartidas, inclusivamente, no que se refere a zonas de cisrculação e distribuição domésticas. Já se referiu, atrás, que um dos mais interessantes potenciais de adaptabilidade doméstica se joga em “simples” opções de fusão/união entre compartimentos contíguos e de separação/compartimentação de grandes compartimentos, mas importa apontar que para além destas opções outras há que proporcionam uma gestão fácil de separação ou ligação entre espaços, como é o caso das grandes portas de correr e há tratamentos “ambientais”, ao nível da arquitectura de interiores, que caracterizam determinados espaços como “prolongamentos” de outros e há uma essencial ligação entre todos estes aspectos e uma fenestração exterior que os acolha positivamente; havendo ainda aspectos associados a instalações que podem facilitar ou dificultar as referidas opções de fusão/separação de espaços.

E aqui há uma nota que tem de ser feita relativamente à necessária compatibilização regulamentar de algumas destas opções, designadamente, quando elas se relacionem com aspectos de segurança no suso normal e contra risco de incêndio.

Chegamos, agora, a uma matéria que podemos designar como de adequada previsão dos principais núcleos de instalações domésticas, nos seus aspectos de serviço directo e nos seus traçados, de modo a que para além de não dificultarem as referidas opções e dinâmicas de adaptabilidade, as possam mesmo apoiar. Matérias com alguma complexidade e crítica relação com custos de construção e adaptação e com aspectos de segurança no suo e contra risco de incêndio, mas que podem ter respostas tão simples como aquelas associadas à criação de núcleos de instalações concentrados, estrategicamente localizados e com traçados adequadamente estruturados e bem conhecidos, numa perspectiva que, no limite, se pode associar a uma espécie de “libertação” da dinâmica adaptável da habitação relativamente às suas instalações. Mas, desde já, aqui se aponta que uma tal dinâmica pode ter importantes reflexos nas questões de privacidade ou de uso privatizado de certas instações (ex., casas de banho privativas), havendo que reflectir sobre estes assuntos e tomar decisões específicas nestas matérias.

Finalmente, mas tendo bem presente que de forma alguma aqui se realizou uma reflexão sistemática sobre as matérias associáveis a uma adequada organização doméstica (esta reflexão é, naturalmente, mais desenvolvida nos artigos de que se faz, acima, referência e link directo), aponta-se a grande importância que tem a disponibilização, em cada solução de fogo, de uma oferta diversificada e cuidadosa de múltiplos espaços e subespaços domésticos específicos e bem identificáveis; esta é, naturalmente, uma matéria de base de uma adequada arquitectura doméstica, pois uma habitação deve poder ser um verdadeiro “mundo doméstico”, funcional, apropriado, único, atraente, envolvente e versátil e para tal não pode ser uma simples “máquina” doméstica mal caracterizada por espaços “áridos”, monótonos e sem carácter próprio e capacidade de aceitação do carácter que lhe pode e deve ser atribuído por cada habitante e agregado familiar. Basta lembrar Alexander e a sua “linguagem de padrões”; uma “habitação” tem ser composta por múltiplos e ricos espaços e subespaços bem adaptáveis e atraentes, desde os “lugares janela”, aos recantos de estar, desde os “sítios de entrada” aos espaços pontuados pela luz, desde as zonas mais interiorizadas e envolventes às ligadas às vistas exteriores; e isto é possível e desejável desde a habitação de autor para um dado agregado familiar à habitação mais económica, naturalmente, com limites nesse quadro de riqueza formal e funcional, sendo que, quanto maiores forem as limitações económicas mais a qualidade arquitectónica tem de marcar a solução.

e a estas matérias voltaremos …

Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XIII, n.º 612
“Organizar os espaços habitacionais” – sete artigos sobre o tema mais um novo texto
Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho
abc.infohabitar@gmail.com
Editado nas instalações do Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT) do Departamento de Edifícios (DED) do LNEC; Infohabitar, Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).

Apoio à Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.

domingo, junho 05, 2016

585 - Trabalhar em casa, escritório doméstico, home office (I) - Infohabitar n.º 585

Infohabitar, Ano XII, n.º 585

Trabalhar em casa, escritório doméstico, home office (I) - Infohabitar n.º 585

António Baptista Coelho
Artigo CII da Série habitar e viver melhor

Atualidade:

(4.º CIHEL, lançado aqui na Infohabitar, na próxima semana)
4.º Congresso Internacional da Habitação no Espaço Lusófono, desta vez associado a uma série de atividades, e a diversas cidades, decorrerá novamente em Portugal, entre 5 e 10 de março de 2017; na próxima semana, aqui na Infohabitar, terá início o lançamento do 4.º CIHEL.



Neste artigo da “Série habitar e viver melhor”, abordamos a atual realidade, em tantas habitações e ainda tantas vezes pouco ou nada considerada, do trabalho em casa – numa perspetiva de trabalho muito associado a um posto de trabalho “em mesa” e atualmente muito informatizado; portanto o que podemos designar por escritório doméstico – em inglês home office (matéria que já proporcionou teses de arquitetura).
E dá vontade de dizer, desde já, que sendo embora uma realidade atualmente presente em grande número de famílias e habitações não encontrou ainda força programática específica – afinal, o programa funcionalista da “máquina de habitar” acaba por ser frequentemente muito rígido e pouco favorável às necessárias atualizações; ou será esta uma situação que carateriza uma parte significativa e menos sensível/atualizada da oferta habitacional?

Escritórios e espaços de trabalho profissional em casa

Esta temática do trabalho profissional ou não-doméstico em casa – habitual e globalmente designado por home-office – poderia inaugurar um outro grande capítulo desta série editorial, o que não se pretende, pensando-se no tema numa perspectiva suplementar às actividades mais directamente ligadas à habitação.

Os espaços para trabalho profissional ou não-doméstico em casa devem ser razoavelmente separados dos restantes espaços da casa e estarem próximos do vestíbulo de entrada, tanto porque podem apoiar actividades que exigem algum sossego e isolamento (escrita, estudo e leitura) ou porque podem ser pouco compatíveis com a habitação (produzem ruídos e lixos), ou porque essas actividades podem incluir a recepção de estranhos à família.

Considera-se ainda que uma opção por uma habitação que integra um pequeno espaço de home-office pode inverte-se em situações em que a actividade profissional assume uma importância determinante, e que se ligam a interessantes formas específicas de habitar e de viver. Lembra-se, por exemplo, o habitar e trabalhar de algumas pessoas idosas e com deficiências físicas ou sensoriais, mas ainda profissionalmente activas, e que transformam a sua habitação num espaço quase unificado em que vivem, descansam, convivem e trabalham, conjugando um máximo de actividades num único grande espaço multifuncional – uma situação que muito ganhará com a possibilidade de se desenvolver um amplo espaço vivencial, muito agradável, funcional e que seja usável com autonomia relativamente a outras zonas domésticas.

E, naturalmente, haverá, sempre, o exemplo, “clássico”, do profissional que integra o seu espaço de trabalho na sua habitação e que, nesse sentido, tentará, na medida do possível separar, ao máximo, as duas funções, para que qualquer delas possa ser desempenhada com a máxima autonomia e eficácia – e neste caso é clara a necessidade de uma acessibilidade o mais possível autónoma relativamente aos espaços comuns ou públicos e de um apoio o mais possível autónomo em termos de serviços sanitários.

De qualquer forma não parece ser fácil a integração de espaços profissionais em habitações rigidamente hierarquizadas em zonas chamadas “funcionais”, de estar e de quartos, assim como não parece ser fácil a integração de espaços profissionais em habitações cujas dimensões estão directamente associadas a um reduzido leque de ocupações habitacionais próximas de áreas e dimensões consideradas mínimas. Podemos mesmo sublinhar a grande dificuldade de integração de um home-office numa pequena habitação em que se entra directa ou quase directamente para uma pequena sala-comum e desta sala se passa para uma rígida zona de quartos – e sublinha-se o potencial de adaptabilidade e de apropriação e liberdade doméstica que se perde com tais opções.


Fig. 01: o espaço de trabalho profissional doméstico exige condições específicas, seja integrado com outras funções domésticas (como é o caso na imagem), seja com condições de localização, espaciais e de certa autonomia particularizadas; e não tenhamos dúvidas de que muitas dessas condições dependem de um bom projeto de arquitetura, que as propicie, mesmo em condições de espaciosidade mínimas, como acontece na imagem   – habitação integrada no conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - Arquitetura: Tina Wik.

Escritório doméstico, home office - associações interessantes

A associação mais corrente é assegurada entre zonas de trabalho e zonas de entrada na habitação, uma solução que proporciona o funcionamento praticamente independente da referida zona de trabalho, um funcionamento que se caracteriza por total autonomia caso esta zona tenha uma casa de banho privativa ou muito próxima.

As associações mais interessantes são feitas entre as zonas de trabalho e as zonas de estar, seja numa perspectiva de forte associação em continuidade espacial, seja numa associação que permita o funcionamento dos espaços de estar e de trabalho independentemente ou de forma unificada.

Escritório doméstico, home office - hábitos interessantes


As zonas para trabalho não doméstico e para recreio podem ser muito variadas, apontando-se as seguintes:
·        Salas, saletas e quartos de trabalho e/ou de lazer e recreio.
·        Varandas e anexos (variados tipos de trabalhos manuais e oficinais).
·        Quintal ou pátio privado (especialmente para horticultura e floricultura).
·        Quartos de trabalho e escritórios, que são quartos específicos e relativamente especializados, ou, pelo menos, autonomizados nos seus acessos.
·        Sítios para trabalhar
·        Sítios para ler, para ouvir música, para ver televisão
·        Associação de conjuntos de pequenos espaços ou sítios, como os que acabaram de ser referidos, em "suites", compostas por diversos desses espaços, além das zonas de dormir/repousar  e dos apoios em casas de banho; uma solução muito ligada a casais e pessoas isoladas que queiram conciliar a convivência familiar com a manutenção e o desenvolvimento dos seus "universos pessoais" – uma possibilidade associada aos mais diversos grupos etários, embora com evidente aplicação no caso da habitação de pessoas idosas e de jovens adultos. No limite esta solução poderá dispor de acesso independente e mesmo de alguns apoios mínimos para preparação de refeições, numa solução que dá à habitação um enorme potencial de adaptabilidade e versatilidade. Naturalmente que esta solução deve ser adequadamente tratada em termos de privacidade visual e acústica relativamente ao resto da habitação, bem como da sua máxima autonomização em termos de acesso ao exterior da habitação.


Escritório doméstico, home office - aspectos motivadores

As zonas de trabalho são marcadas, idealmente, por uma forte apropriação seja em termos de ocupação por mobiliário, seja em termos de elementos funcionais.


Escritório doméstico, home office - problemas correntes

Os principais problemas referem-se, frequentemente, a intrusões mútuas, em termos de ruído e de privacidade, entre as zonas de estar e as zonas de trabalho em casa.
E esta é matéria que exige muito trabalho de investigação teórico-prático e urgente.


Escritório doméstico, home office - questões levantadas (dimensionais e outras)

As questões levantadas com mais frequência terão a ver, como se referiu, com aspectos de isolamento ou separação relativamente aos ruídos domésticos e de privacidade relativamente às actividades que se desenrolam em casa. No entanto é fundamental a existência de condições adequadas ao desenrolar das várias actividades com destaque para os outros aspectos de conforto ambiental, e designadamente com aspectos de iluminação natural, ventilação e temperatura.

Os aspectos dimensionais parecem não levantar problemas críticos, acontecendo, frequentemente, que os espaços para trabalho profissional ou não-doméstico em casa decorrem em pequenos compartimentos, recantos e partes de compartimentos espacialmente exíguas. (1)


Notas:


(1) Alexander refere que um recanto para trabalho deve ter um mínimo de 6m2 de área e ser encerrado por paredes e janelas ao longo de 50% a 75% do seu perímetro; a posição ideal para trabalho deve permitir vistas para fora do recanto, frontais ou laterais – Christopher Alexander; Sara Ishikawa; Murray Silverstein; et al, "A Pattern Language/Un Lenguaje de Patrones", pp. 744 a 747.

·         Nota importante sobre as imagens que ilustram o artigo:
As imagens que acompanham este artigo e que irão, também, acompanhar outros artigos desta mesma série editorial foram recolhidas pelo autor do artigo na visita que realizou à exposição habitacional "Bo01 City of Tomorrow", que teve lugar em Malmö em 2001.
Aproveita-se para lembrar o grande interesse desta exposição e para registar que a Bo01 foi organizada pelo “organismo de exposições habitacionais sueco” (Svensk Bostadsmässa), que integra o Conselho Nacional de Planeamento e Construção Habitacional (SABO), a Associação Sueca das Companhias Municipais de Habitação, a Associação Sueca das Autoridades Locais e quinze municípios suecos; salienta-se ainda que a Bo01 teve apoio financeiro da Comissão Europeia, designadamente, no que se refere ao desenvolvimento de soluções urbanas sustentáveis no campo da eficácia energética, bem como apoios técnicos por parte do da Administração Nacional Sueca da Energia e do Instituto de Ciência e Tecnologia de Lund.
A Bo01 foi o primeiro desenvolvimento/fase do novo bairro de  Malmö, designado como Västra Hamnen (O Porto Oeste) uma das principais áreas urbanas de desenvolvimento da cidade no futuro.
Mais se refere que, sempre que seja possível, as imagens recolhidas pelo autor do artigo na Bo01 serão referidas aos respetivos projetistas dos edifícios visitados; no entanto, o elevado número de imagens de interiores domésticos então recolhidas dificulta a identificação dos respetivos projetistas de Arquitetura, não havendo informação adequada sobre os respetivos designers de equipamento (mobiliário) e eventuais projetistas de arquitetura de interiores; situação pela qual se apresentam as devidas desculpas aos respetivos projetistas e designers, tendo-se em conta, quer as frequentes ausências de referências - que serão, infelizmente, regra em relação aos referidos designers -, quer os eventuais lapsos ou ausência de referências aos respetivos projetistas de arquitetura.
·        Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XII, n.º 585
Artigo CII da Série habitar e viver melhor

Trabalhar em casa, escritório doméstico, home office (I) - Infohabitar n.º 585

Editor: António Baptista Coelho – abc@ubi.pt, abc@lnec.pt e abc.infohabitar@gmail.com
GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional, Mestrado Integrado em Arquitectura da Universidade da Beira Interior - MIAUBI
Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.



domingo, maio 08, 2016

581 - Inovar no projeto de quartos I - Infohabitar n.º 581


Infohabitar, Ano XII, n.º 581


Inovar no projeto de quartos I - Infohabitar n.º 581

António Baptista Coelho
Artigo XCVIII da Série habitar e viver melhor

Continuando a abordar a temática do projeto arquitetónico dos quartos domésticos, abordamos, esta semana, e concluiremos na próxima, uma pequena reflexão sobre a possível e necessária inovação na conceção dos mesmos.


Dinamizar o uso dos quartos

Considerando as dimensões dos quartos estas não devem impor, de forma geral e sistemática, determinados posicionamentos das camas, sendo muito recomendável que, por regra, seja possível o posicionamento alternativo de camas perpendiculares ou encostadas às paredes, pois, se assim acontecer, a ocupação do quarto ganha grande versatilidade; uma ideia que, no entanto, não deve anular situações de excepção em quartos mais pequenos.


Inovar na conhecida tipologia dos “quartos de dormir”

Ainda nesta perspectiva sobressai a possibilidade de os quartos deixarem de ser estruturados por uma espécie de burocracia que os distribui com maiores e de casal ou individuais e relativamente exíguos, quando utilizados por mais de uma pessoa. Uma tal possibilidade, baseada numa regularidade de dimensões que garante adaptabilidade a diversas utilizações, pode esbater, também, as fronteiras entre quartos e salas, proporcionando que a habitação seja vivida de formas muito distintas pelas diversas famílias e pessoas. Neste sentido e no limite, apenas as sub-zonas com instalações associadas a águas e esgotos teriam uma localização e um tratamento específicos, em termos de acabamentos e de localização relativa. 
Um aspecto estruturante na concepção dos quartos é que estes não tenham a sua ocupação praticamente esgotada pela ocupação da cama, condição que, naturalmente, tem uma importante condicionante espacial, em termos quantitativos, mas que ultrapassa claramente esta matéria, pois a questão dimensional e a disponibilização de dimensões mais adaptativas, por um lado, e a questão de gradabilidade, por adequação ao conforto ambiental, em termos de vãos exteriores bem dispostos, assumem uma importância determinante nesta matéria.


Quartos ambientalmente atraentes

É muito importante que os espaços domésticos dos quartos sejam extremamente cuidados, no sentido de serem muito atraentes em termos ambientais – térmica, ventilação, acústica, luz natural – e mesmo “ambienciais”, no que se refere a uma estimulante privacidade, a uma caracterização de um identidade específica daquele espaço – marcada por aspectos básicos “construtivos” e pela adaptabilidade na aceitação de elementos de mobiliário – e em agradáveis e/ou curiosas relações visuais com o exterior.


Um verdadeiro “segundo” nível de habitabilidade doméstica

Será, assim, possível desenvolver no espaço dos quartos de uma dada habitação um verdadeiro “segundo” nível de habitabilidade doméstica, mais íntimo e privado, que por si só será muito estimulante e que em aliança com o nível mais social da habitação resultará num efeito conjunto muito estimulante e rico, de certa forma como se fosse um mundo familiar e pessoal constituído por diversas camadas de vivência e não um pobre refúgio ambientalmente unificado embora repartido em diversos subespaços rígida e, tantas vezes, absurdamente hierarquizados.

Fig. 01: com o devido cuidado arquitetónico e razoável espaciosidade é possível e desejável desenvolver no espaço dos quartos de uma dada habitação um verdadeiro “segundo” nível de habitabilidade doméstica, mais íntimo e privado; espaço aos "pés da cama" de quarto de dormir  – habitação integrada no conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - Arquitetura: Bengt Hidemark.


Fig. 02: o mesmo quarto visto a partir do terraço – habitação integrada no conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - Arquitetura: Bengt Hidemark.


Quartos bem integrados na habitação

Os quartos devem poder ser encerrados, mas não estando degredados/segregados da restante vida doméstica e devem possuir ambientes calmos e isolados dos ruídos da rua e interiores.
Quartos muito funcionais
Os quartos devem permitir grande funcionalidade nas actividades, diárias, de "fazer e abrir" as camas e de limpeza e arejamento matinal, mas não devem fazer transparecer estes aspectos, de forma a que se caracterizem por um sentido de envolvência, domesticidade e identidade.


Quartos desafogados – “pequenos reinos da apropriação e da individualidade”

O desafogo e a multifuncionalidade dos quartos proporciona-lhes excelente capacidade para funcionarem como espaços de apropriação pessoal e de identificação do habitante com o “seu” quarto e, indiretamente, com a sua habitação.
Os quartos devem ter configurações globalmente desafogadas, proporcionando a definição de recantos e sub-zonas funcionais e ambientais, mas sempre com excelente capacidade de integração de mobiliário e equipamentos (recanto da cama, zona de entrada, zona de vestir, "canto" de estar e leitura, zona de trabalho, etc.); e há múltiplas e preciosas indicações de diversos autores sobre estas matérias; indicações estas que iremos abordar no artigo da Infohabitar a editar na próxima semana.

·         Nota importante sobre as imagens que ilustram o artigo:
As imagens que acompanham este artigo e que irão, também, acompanhar outros artigos desta mesma série editorial foram recolhidas pelo autor do artigo na visita que realizou à exposição habitacional "Bo01 City of Tomorrow", que teve lugar em Malmö em 2001.
Aproveita-se para lembrar o grande interesse desta exposição e para registar que a Bo01 foi organizada pelo “organismo de exposições habitacionais sueco” (Svensk Bostadsmässa), que integra o Conselho Nacional de Planeamento e Construção Habitacional (SABO), a Associação Sueca das Companhias Municipais de Habitação, a Associação Sueca das Autoridades Locais e quinze municípios suecos; salienta-se ainda que a Bo01 teve apoio financeiro da Comissão Europeia, designadamente, no que se refere ao desenvolvimento de soluções urbanas sustentáveis no campo da eficácia energética, bem como apoios técnicos por parte do da Administração Nacional Sueca da Energia e do Instituto de Ciência e Tecnologia de Lund.
A Bo01 foi o primeiro desenvolvimento/fase do novo bairro de  Malmö, designado como Västra Hamnen (O Porto Oeste) uma das principais áreas urbanas de desenvolvimento da cidade no futuro.
Mais se refere que, sempre que seja possível, as imagens recolhidas pelo autor do artigo na Bo01 serão referidas aos respetivos projetistas dos edifícios visitados; no entanto, o elevado número de imagens de interiores domésticos então recolhidas dificulta a identificação dos respetivos projetistas de Arquitetura, não havendo informação adequada sobre os respetivos designers de equipamento (mobiliário) e eventuais projetistas de arquitetura de interiores; situação pela qual se apresentam as devidas desculpas aos respetivos projetistas e designers, tendo-se em conta, quer as frequentes ausências de referências - que serão, infelizmente, regra em relação aos referidos designers -, quer os eventuais lapsos ou ausência de referências aos respetivos projetistas de arquitetura.
·        Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XII, n.º 581
Artigo XCVIII da Série habitar e viver melhor

Inovar no projeto de quartos I - Infohabitar n.º 581

Editor: António Baptista Coelho – abc@ubi.pt, abc@lnec.pt e abc.infohabitar@gmail.com
GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional, Mestrado Integrado em Arquitectura da Universidade da Beira Interior - MIAUBI
Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.