terça-feira, março 14, 2006

5ª Sessão do Grupo Habitar, em Évora - Os idosos e a cidade envelhecida - Infohabitar 74

 - Infohabitar 74

Infohabitar/Reportagem
5ª Sessão Técnica do Grupo Habitar

"Os idosos na cidade e a cidade envelhecida"

Universidade de Évora, Colégio.do.Espírito Santo, 23 de Fevereiro de 2006
Um agradecimento do Grupo Habitar à parceria organizativa desenvolvida para esta Sessão pela Câmara Municipal de Évora e à Comissão Instaladora dos Ensinos de Arquitectura da Universidade de Évora.
Agradece-se ainda o essencial apoio, desde a primeira hora, do Senhor.Vereador Eng. Manuel.Melgão e da Senhora.vereadora Drª Filomena.Araújo, e também o apoio das cooperativas de habitação de Évora na pessoa do senhor José.Caraça e, naturalmente, o excelente e vital trabalho da Dr. Maria.Helena.Guerra do Gabinete de Apoio à Vereação.
E naturalmente um sincero obrigado ao Senhor Presidente da Câmara Municipal de Évora, Dr. José Ernesto, que abriu a sessão com palavras de boas-vindas e também com um pequeno improviso sobre a matéria dos idosos na cidade e da cidade envelhecida.


Programa e notas
A temática dos idosos e das cidades é, hoje, crucial para todos nós e para os nossos próprios projectos de vida, mas também para a vida das nossas cidades, pois o envelhecimento da população e o envelhecimento do seu quadro de vida são processos que se influenciam, mútua e muito negativamente.
As cidades são feitas para os homens, e por isso se devem humanizar. Sendo assim está identificada a questão de para quem se deve construir um habitar e um bairro humanizados, para o cidadão comum, no pleno uso das suas condições físicas, ou para todos, e atente-se que esta totalidade é, cada vez mais, integrada pelo grande grupo dos cidadãos seniores.
Sendo assim há que por cobro à inadmissível selva de obstáculos e de péssimas condições de apoio físico e de orientação pedonal, que caracterizam os nossos espaços públicos. E tudo o que se fizer para melhoria destas condições favorece os cidadãos mais sensíveis, os idosos e as crianças.
As cidades amigas dos idosos e das crianças devem proporcionar, como aspectos básicos dessa amizade, nos seus espaços públicos, condições específicas e adequadas de segurança, acessibilidade, funcionalidade, conforto e beleza.
Em primeiro lugar o Doutor Paulo.Machado, sociólogo e investigador do LNEC fez uma apresentação geral da temática do “Idosos na cidade e da cidade envelhecida”.

Resenha da intervenção
Num quadro de profundas transformações demográficas, sociais, culturais, políticas e económicas, as cidades portuguesas acordam, a cada dia que passa, mais envelhecidas.
Causa e efeito dessas mesmas transformações, o envelhecimento urbano não surpreende mas faz pensar sobre:
  • a sustentabilidade dos tecidos urbanos num contexto de esgotamento intergeracional,
  • a capacidade de corresponder à satisfação das exigências técnicas (mais ligadas ao edifício e ao fogo), funcionais (de segurança, de mobilidade, de acessibilidade aos bens e serviços) e avaliativas (qualidade de vida auto-percepcionada) dos idosos residentes,
  • a humanização possível da cidade como património cultural/civilizacional.
A intervenção proposta procura situar a mudança social que induz as transformações, caracterizá-la no que em relação a Lisboa respeita, identificar alguns dos problemas já sinalizados e desafios sugeridos por essa mudança, discutindo soluções num quadro de reflexão técnico-científica alimentada pela intervenção cívica.
Depois, o Arq. António.Reis.Cabrita, que é membro da direcção do Grupo habitar, fez uma aproximação à temática específica da habitação tratando o tema “habitação para idosos, habitação para todos”.
Resenha da intervenção
Uma vez ultrapassados os desafios da quantidade que produziu poucos modelos de habitação para um tipo médio de família e satisfazendo essencialmente grandes carências e objectivos médios (ou mínimos) de necessidades, agora os novos desafios da habitação têm de ser orientadas essencialmente para qualificar mais (ou requalificar) essa habitação em todos os sentidos. Trata-se de adequá-la aos vários tipos de famílias e de necessidades que hoje existem, ainda que com menor expressão estatística cada uma, de humanizá-la e integrá-la e de dar-lhe maior durabilidade física funcional, bem como sustentabilidade material, ambiental, social e económica.
A habitação para o grupo sociodemográfico dos idosos, pela sua crescente expressão estatística e ainda pela debelidade sócio-económica em que naturalmente se encontra, justifica que sobre ela recaia, com alguma urgência, a principal preocupação oficial ou civil com fins de solidariedade social. Trata-se de promover um novo paradigma de habitação com múltiplas novas vertentes que se cruzam e conjugam consoante as novas necessidades programáticas, reunidas habitualmente em torno de grupos sociodemográficos da procura como é o caso dos idosos.
Temas como a acessibilidade, a inclusão, a humanização, a saúde pública, a flexibilidade, a gestão de proximidade, a integração social, a gestão comunitária, a segurança, são novos objectivos a convocar para este tema da habitação para os idosos, juntamente com o seu enquadramento pela requalificação urbana e pela gestão urbana municipal.
Em seguida o Doutor Arquitecto João Soares, professor na Universidade de Évora abordou essencialmente a temática dos espaços públicos de velhas urbes sob o título “Fotografias de lugares, Montemor-o-Velho, Idanha-a-Velha”.
Finalmente, o Arq. Fernando Pinto, Conselheiro de Obras Públicas, deu por concluído o conjunto das intervenções com a oportuna questão: Cidade idosa ou cidade envelhecida? , Questão esta que dinamizou um animado e participado debate final.
Segue-se uma pequena reportagem fotográfica que ilustra os trabalhos da sessão.



Lisboa e Encarnação/Olivais.Norte, 15 de Março de 2006
António.Baptista.Coelho

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