domingo, julho 12, 2015

541 - As máquinas domésticas - Infohabitar n.º 541

As máquinas domésticas - Infohabitar n.º 541
António Baptista Coelho
Artigo LXXXII da Série habitar e viver melhor


Continuamos, em seguida, a Série editorial sobre "habitar e viver melhor", na qual temos acompanhado uma sequência espacial desde a vizinhança de proximidade urbana e habitacional até ao edifício multifamiliar.
Estamos agora a abordar , com algum detalhe, os espaços que constituem os nossos “pequenos” mundos domésticos e privativos, refletindo sobre as diversas facetas que os qualificam; e continuamos a desenvolver uma reflexão sobre os espaços de arrumação domésticos, seja no sentido do "arrumar" das máquinas domésticas, seja no que se refere à arrumação específica associada à lavandaria doméstica.

O arrumar as máquinas domésticas

Sobre o arrumar das máquinas domésticas já falámos um pouco, quando lembrámos o interesse que tem para agradabilidade da vivência na cozinha que não haja aqui significativas perturbações em termos de ruído.
Realmente há aqui uma dupla necessidade: que as maquinas de lavar roupa e louça e, eventualmente, de secar roupa estejam em locais “super-funcionais”, relativamente às suas diversas funções e que elas possam estar ligadas sem perturbarem o conforto acústico na cozinha e naturalmente em outros espaços domésticos de estadia e convívio.
Já se referiu que uma das soluções está na escolha de máquinas pouco ruidosas, e nesta matéria parece ser urgente que além da classificação relativa ao consumo energético seja facultada uma clara classificação relativa ao respectivo nível de ruído.
Outra solução será a arrumação das máquinas associadas ao tratamento de roupas num espaço próprio e acusticamente isolável da continuidade dos espaços associados à cozinha; condição esta que se julga ser até conveniente no sentido de se desenvolver um espaço específico de tratamento de roupas, bem distinto, tal como deve ser, do espaço de preparação de refeições, mas atenção que, sendo um espaço para instalação de máquinas, ele deve cumprir exigências rigorosas também em termos de isolamento relativamente ao exterior.

Fig. 01: pormenor de habitação do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - H 13 - 14, Arquitetura: Moore, Ruble, Yudell, Bertil Ohrström.

O frigorífico é uma outra grande máquina  doméstica cuja importância funcional, e até quase simbólica, bem como o seu muito significativo dimensionamento, exige um cuidado na respectiva integração na cozinha, muito pouco conseguido em casos habitacionais correntes. Realmente o frigorífico é, habitualmente, um verdadeiro grande armário, com importância crucial no funcionamento diário da cozinha, e até da própria vivência diária na habitação, cuja localização relativa é, habitualmente, fonte de más consequências na vivência da cozinha, tantas vezes atravancando o espaço de movimentação, ou prejudicando gravemente a possibilidade da cozinha ser também um espaço de refeições ou mesmo de estar, agradável para além de funcional, ou ainda constituindo, por vezes, uma barreira à entrada da luz natural no coração da cozinha.
A solução para esta situação, que é infelizmente frequente, até porque os frigoríficos têm sido cada vez maiores – lembremo-nos dos primeiros modelos à altura do ombro, habitualmente decorados/rematados por um urso polar em louça, e façamos uma comparação com os actuais “armários” frigoríficos com a altura de portas – tem a ver com uma adequada previsão da integração do frigorífico considerando a sua utilidade:
(i) na arrumação de alimentos;
(ii) no apoio directo à preparação de refeições;
e (iii) no apoio de serviço eventual a toda a habitação e designadamente ao funcionamento convivial da sala-comum.
Mas o frigorífico também deve ser considerado no que se refere ao seu aspecto visual, tendo em conta o seu volume muito significativo.
Considerando-se estes aspectos na estruturação pormenorizada da própria cozinha, de forma a harmonizar, claramente, a sua presença relativamente às várias actividades que se podem e devem desenrolar nas cozinhas – a ideia aqui é até que o frigorífico constitua um elemento de atractividade visual da própria cozinha, de certa forma aliando-se o que está, naturalmente, na vontade dos habitantes – evidenciando-se um grande electrodoméstico – com um sentido funcional e “ambiental” doméstico aprofundado.





Fig. 02: pormenor de habitação do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - H 13 - 14, Arquitetura: Moore, Ruble, Yudell, Bertil Ohrström.

O “arrumar” dos apoios ao tratamento da roupa e da própria roupa a secar

Outro esquecimento é frequente na estruturação dos espaços de serviço de uma habitação, referimo-nos aos espaços, ainda significativos, que são sistemática e semanalmente necessários para assegurar os diversos passos do tratamento das roupas domésticas.
Tal como acontece com outras funcionalidades domésticas estes espaços crescem, directamente, com a dimensão da família, e é racional, que, por exemplo, em habitações mínimas – com um quarto ou mesmo sem um espaço específico para quarto – estes espaços de tratamento de roupas possam até não existir, considerando-se que as pessoas que vivem sozinhas ou em casais, em zonas urbanas densas, poderão optar por fazer o seu tratamento de roupas fora de casa.
Será, no entanto, prudente que, mesmo nestes casos tal função seja pelo menos minimamente prevista – por exemplo, com espaço adequado para a instalação de uma máquina de lavar e secar roupa (exige pequena abertura própria para o exterior), até associada, por exemplo, a outros espaços funcionais.
Numa situação corrente é fundamental que haja uma previsão funcional, quer para o espaço de arrumação da roupa para levar, quer de um outro espaço relativamente desafogado para a montagem periódica de uma tábua para passar a ferro, quer de espaços específicos para arrumação de apoio de roupa já tratada, quer, naturalmente, de um espaço específico para colocar a roupa a secar no exterior. E há que sublinhar que todos estes espaços são funcionalmente exigentes e não são muito compatíveis com a preparação de refeições, exigindo, assim, cuidados específicos de previsão e de integração na habitação.
Naturalmente que uma cozinha espaçosa e funcionalmente desafogada pode acolher quase todas estas necessidades, com natural exclusão do espaço de estendal, numa base de funcionamento periódico, mas há que prever os espaços de arrumação de apoio e, sublinha-se, que quando não se verifica uma verdadeira espaciosidade o resultado será sempre a periódica geração de situações de atravancamento e de mistura entre roupas e cozinha, que parece ser sempre de evitar.
Quanto à previsão do estendal exterior é, como sabemos, um tema recorrente, com defensores da roupa a secar à vista de todos, porque é tradicional e é funcional e sustentável o aproveitamento do sol e do vento, e com detratores desta solução, procurando esconder estendais por considerarem menos adequada a sua exposição “pública”.
Entre uma e outra posição a ideia que parece ficar é que há soluções práticas, pouco dispendiosas, que proporcionam o secar exterior da roupa com eficácia – é mais o vento que seca a roupa do que o sol – e de forma pouco evidenciada ou até “camuflada” em termos de vistas públicas. Há ainda soluções de desmultiplicação do tratamento de roupas com a utilização do espaço de cobertura em terraço, dividido em pequenas parcelas “boxes” individualizadas, destinadas essencialmente à secagem de roupa.
Naturalmente, haverá a possibilidade de desenvolver soluções comuns de lavagem de roupa, designadamente, em conjuntos de pequenas habitações.
A ideia que fica, relativamente a estas soluções com diversas facetas de partilha de espaços e equipamentos comuns, é que elas não são, habitualmente, muito apreciadas, talvez pelo “convívio” obrigatório a que sempre obrigam; e, assim, a opção talvez mais viável de tratamento de roupa fora de casa é o que é realizado em serviços próprios, assegurados por firmas especializadas, e que, eventualmente, até poderão ter uma pequena delegação associada a um serviço diversificado de condomínio.
Sobre o arrumar de tudo o resto, de todos “os pequenos nadas” funcionais e não-funcionais, se falará, com algum pormenor, em outros artigos desta série editorial.

References/Referências/notas


Nota importante sobre as imagens que ilustram o artigo:

As imagens que acompanham este artigo e que irão, também, acompanhar outros artigos desta mesma série editorial foram recolhidas pelo autor do artigo na visita que realizou à exposição habitacional "Bo01 City of Tomorrow", que teve lugar em Malmö em 2001.

Aproveita-se para lembrar o grande interesse desta exposição e para registar que a Bo01 foi organizada pelo “organismo de exposições habitacionais sueco” (Svensk Bostadsmässa), que integra o Conselho Nacional de Planeamento e Construção Habitacional (SABO), a Associação Sueca das Companhias Municipais de Habitação, a Associação Sueca das Autoridades Locais e quinze municípios suecos; salienta-se ainda que a Bo01 teve apoio financeiro da Comissão Europeia, designadamente, no que se refere ao desenvolvimento de soluções urbanas sustentáveis no campo da eficácia energética, bem como apoios técnicos por parte do da Administração Nacional Sueca da Energia e do Instituto de Ciência e Tecnologia de Lund.

A Bo01 foi o primeiro desenvolvimento/fase do novo bairro de  Malmö, designado como Västra Hamnen (O Porto Oeste) uma das principais áreas urbanas de desenvolvimento da cidade no futuro.

Mais se refere que, sempre que seja possível, as imagens recolhidas pelo autor do artigo na Bo01 serão referidas aos respetivos projetistas dos edifícios visitados; no entanto, o elevado número de imagens de interiores domésticos então recolhidas dificulta a identificação dos respetivos projetistas de Arquitetura, não havendo informação adequada sobre os respetivos designers de equipamento (mobiliário) e eventuais projetistas de arquitetura de interiores; situação pela qual se apresentam as devidas desculpas aos respetivos projetistas e designers, tendo-se em conta, quer as frequentes ausências de referências - que serão, infelizmente, regra em relação aos referidos designers -, quer os eventuais lapsos ou ausência de referências aos respetivos projetistas de arquitetura.

Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XI, n.º 541
Artigo LXXXII da Série habitar e viver melhor
As máquinas domésticas - Infohabitar n.º 541

Editor: António Baptista Coelho –abc@lnec.pt e abc.infohabitar@gmail.com
GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional

Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.



domingo, julho 05, 2015

540 - Alguns apontamentos comentados sobre paisagens

Infohabitar,
Ano XI, n.º 540

A INFOHABITAR ULTRAPASSOU AS 700.000 PAGE-VIEWS/CONSULTAS

Alguns apontamentos comentados sobre paisagens
António Baptista Coelho

Apresentam-se, em seguida, alguns apontamentos/desenhos realizados sobre a temática da(s) paisagem(ens) mais urbanas, mais amplas, mais naturais, mais históricas, etc., etc.
A grande maioria destes desenhos foram realizados, no próprio local, em Olivais Norte - Encarnação, Lisboa e na Covilhã (o esboço rápido foi feito no local e o acabamento, por vezes, realizado posteriormente).
Em cada um deles fazem-se alguns comentários curtos e práticos, por vezes, abordando o "desenho" e também, pro vezes, matérias de urbanismo e habitat humano.

A cidade aquática e histórica

Desenho 1: há todo um sentido de paisagem pormenorizada e viva, e de uma verdadeira cidade aquática, ou fluvial, vivida entre terra e água numa verdadeira constelação de barcos dos mais diversos tamanhos, feitios e tipos, nesta vista de Manaus, há muitos anos, feita com base numa velha fotografia a preto/branco; procurou-se uma expressão específica de esquisso colorido e livre e tentou-se algum diálogo entre as "planícies" aquática, de campo e de céu.

A cidade e a natureza pormenorizada



Desenho 2: é interessante ensaiar técnicas de desenho diferentes em temas/"modelos" bem conhecidos, e é realmente interessante repetir, constantemente, embora graficamente de forma diferente, enquadramentos que conhecemos quase "de cor", pois desta forma a relação com o modelo é simplificada e podemos tentar dominar aspetos vários, como a proporção e o sentido de diversos planos; o urbanismo é sempre o excelente e "modernista" dos Olivais Norte - Encarnação em Lisboa - o do verde urbano tão protagonista como o edificado com que se liga. 

O verde urbano que continua o edificado

Desenho 3: a natureza planeada e tratada pelo homem e que pode fazer praticamente as vezes do edificado, continuando-o, de certa forma, em termos de contenção espacial dos espaços públicos contíguos, mas fazendo-os vibrar de forma mais orgânica pois são "paredes" diferentes - o edifício e a árvore; graficamente tenta-se apontar com liberdade o sentido do edifício inerte, embora habitado, e da árvore viva e que mexe, tornando vento e brisas mais sentidas.

A imagem e o verde urbanos do nosso bairro modernista de referência - Olivais Norte



Desenho 4: prolongando-se o anterior comentário, este apontamento (realizado de forma talvez mais livre) procura atribuir protagonismo ao verde urbano modernista, em extensão, "completo", "naturalizado". Olivais Norte/Encarnação é um bairro que importa conhecer e que deveria ser urgentemente objeto de um programa municipal efetivo de reabilitação gradual e apoiada das suas caraterísticas de imagem urbana originais, pois com isso ganharia Lisboa e a cultura arquitetónica portuguesa.

O nosso bairro modernista de referência - Olivais Norte



Desenho 5: Olivais Norte/Encarnação, em Lisboa é um bairro a conhecer - facilmente visitável a partir da estação de Metro da Encarnação (situada bem a meio do bairro) - onde arquitetura modernista, verde urbano bem escolhido e, essencialmente, um excelente modelo de "convívio" entre peões e veículos, são matérias bem evidenciadas/visíveis, para além de uma modelar conjugação entre modernismo e vivência urbana "de bairro"; quanto ao apontamento gráfico ele procurou captar o equilíbrio  geral das formas edificadas e a sua disposição relativa e relativamente ao ponto de vista do observador/desenhador, contrastando-se os verdes urbanos.

A magia das ruínas


Desenho 6: temas recorrentes da arquitetura: ruínas e o Fórum Romano. É muito interessante tentar interiorizar a razão desta atração "gráfica" pelos edifícios e espaços urbanos históricos e em ruínas. O esquisso a preto foi muito rápido, e a partir de uma fotografia, e o tratamento cromático mais demorado

A magia dos telhados



Desenho 7: também tema recorrente, agora de desenhadores e pintores, as coberturas e telhados de cidades e povoações; aqui a parte alta da cidade da Covilhã, com a Cova da Beira ao fundo e quem sabe ainda alguns montes de Espanha; em termos gráficos procurou-se um cromatismo naturalmente contrastado entre tons de vermelhos e de verdes/azuis, numa relação que procura marcar diversos planos de vistas.

Infohabitar, Ano XI, n.º 540
Alguns apontamentos comentados sobre paisagens
Editor: António Baptista Coelho 
abc@lnec.pt e abc.infohabitar@gmail.com
GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional

Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.



domingo, junho 28, 2015

539 - Alguns desenhos comentados sobre cidade e natureza humanizada - Innfohabitar 539




O 3.º CIHEL recebeu 118 artigos.

Infohabitar, Ano XI, n.º 539

Alguns desenhos comentados sobre cidade e natureza humanizada
António Baptista Coelho

Apresentam-se, em seguida, alguns desenhos realizados sobre a temática a natureza e da cidade, ou da natureza, em pleno, na cidade e o seu interesse e força de expressão.
Todos estes desenhos foram realizados, no próprio local, em Olivais Norte - Encarnação, Lisboa (o esboço rápido foi feito no local e o acabamento, por vezes, realizado posteriormente).
Em cada um deles fazem-se alguns comentários curtos e práticos, por vezes, abordando o "desenho" e matérias de urbanismo.

A cidade e a natureza



Desenho 1: há um certo sentido de paisagem pormenorizada e viva, em jardins animados por pequenos animais, e quanto mais completo for o ambiente natural maior será a biodiversidade.

A cidade e a natureza pormenorizada


Desenho 2: é interessante ensaiar técnicas de desenho diferentes em temas/"modelos" bem conhecidos, da flora e da fauna; e as aguadas com uma base monocromática permitem uma certa liberdade de expressão. 

O verde urbano que se aproxima da natureza não artificial

Desenho 3: a natureza planeada e tratada pelo homem - trata-se de um pormenor do jardim que rodeia a Igreja de Santo Eugénio na Encarnação -, quando bem estruturada/acompanhada e com algumas dezenas de anos, aproxima-se muito do que poderá ser um bosque "natural", proporcionando uma experiência de "frescura", de profundidade, algum "mistério", e contínua diversidade de espetáculo, ao longo do dia e ao longo do ano, extremamente rica para todos, para todas as idades e muito especificamente para o "homo-urbanus".

O verde urbano como espetáculo e fonte de bem-estar e inspiração


Desenho 4: prolongando-se o anterior comentário, este apontamento (realizado de forma muito mais livre e em que se procurou aproximar o que se desenhou de uma sensação que pareceu marcar o local), exemplifica a ideia, bem real, de que o verde urbano, quando razoavelmente completo e dimensionado (atenção para não se fazerem minúsculas e ridículas "ilhas" de natureza que servem para muito pouco; mais vale planear e tratar bem boas árvores de arruamento), proporciona descontração, reflexão natural e agradável, afastamento estratégico à cidade (pois ela está próxima e no entanto "bem longe"), e muitos outros aspetos mentais e físicos de bem-estar e de saúde.

O verde urbano como fonte de inspiração e inovação


Desenho 5: prolongando-se o anterior comentário, o verde urbano, quando razoavelmente completo e minimamente extenso, conseguindo simular a natureza mais "selvagem" em composições bem perto de nós, é verdadeiramente "libertador"; e aqui procurou-se uma experiência de desenho mais livre em cores e formas.

A cidade e a natureza viva


Desenho 6: tal como se referiu no início deste artigo, há um certo sentido de paisagem pormenorizada e viva, em jardins animados por pequenos animais, e quanto mais completo e cuidado for o ambiente natural maior será a biodiversidade.

Infohabitar, Ano XI, n.º 539
Alguns desenhos comentados sobre cidade e natureza humanizada
Editor: António Baptista Coelho 
abc@lnec.pt e abc.infohabitar@gmail.com
GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional


Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.

domingo, junho 21, 2015

538 - Alguns desenhos comentados sobre cidade e campo


http://labhab.fau.usp.br/3cihel/ 
O 3.º CIHEL recebeu 118 propostas de artigos.

Infohabitar, Ano XI, n.º 538

Alguns desenhos comentados sobre cidade e campo
António Baptista Coelho

Apresentam-se, em seguida, alguns desenhos realizados sobre a temática da cidade e do campo e de suas possíveis e positivas misturas.
Alguns destes desenhos foram realizados, no próprio local, em Olivais Norte - Encarnação, Lisboa (o esboço rápido foi feito no local e o acabamento realizado posteriormente); outros desenhos foram realizados, à mão livre, a partir de imagens de fotografias do autor ou por vezes recolhidas na imprensa.
Em cada um deles fazem-se alguns comentários curtos e práticos, por vezes, abordando o "desenho" e matérias de urbanismo.

A cidade densa, habitada pelos elétricos


Desenho 1: a cidade densa, "tradicional", "habitada" / marcada pelos elétricos e seus percursos, foi e será sempre motivo de desenho, de certa forma temos elementos muito expressivos e que se deslocam quase sem ruído, como se fossem "pequenos edifícios móveis", que para além de tudo o resto são imagens "vivas" de uma história relativamente recente, mas que já é expressivamente diversa em termos de visualidade dos próprios veículos, embora mantendo-se atual ma sua utilidade.


Elétricos como pequenos "edifícios dinâmicos"



Desenho 2: novamente a cidade densa, "tradicional", "habitada" / marcada pelos elétricos e seus percursos; agora tentando-se um apontamento, mais rápido em termos de execução e simultaneamente mais dinâmico em termos da própria expressão desenhada, e a cor, onde se joga como "amarelo" e as sombras interiores; que nos dão as interioridades destes veículos, que são como pequenos "edifícios dinâmicos".  


A natureza salientada por preexistências construídas


Desenho 3: a natureza salientada por preexistências construídas, trata-se de uma memória construída de um pequeno aqueduto, ligado a um poço, existente em Olivais-Norte/Encarnação, criando-se um quadro em que a natureza é sublinhada pelo enquadramento fortíssimo que faz desta quase ruína, em que o tempo "parou" e que ali ficou a lembrar uma memória bem diversa da realidade dos edifícios bem altos que rodeiam esta "ilha" natural e que aqui foram premeditadamente omitidos no desenho.


Novamente os elétricos como marcas dinâmicas de uma recente história urbana


Desenho 4: Novamente os elétricos como marcas dinâmicas de uma recente história urbana, agora num registo gráfico mais realista e demorado, sendo, julga-se, interessante a comparação com os registos mais rápidos e expressivos acima editados; e aqui fica talvez evidenciada a questão da escala humana que é evidenciada pela sóbria, mas bem cadenciada, circulação dos elétricos e naturalmente também pela sua cor muito viva  e contrastante.


Edifícios integrados na natureza



Desenho 5: esta sóbria integração entre edifícios e natureza, ou este diálogo mudo mas forte entre uma arquitetura racional e depurada e uma natureza humanamente planeada e que joga em contraponto formal e cromático, orgânico e mutante, com essa racionalidade formal bem projetada, só é possível com bom urbanismo e com boa arquitetura, como acontece em Olivais Norte - Encarnação, Lisboa. O apontamento desenhado, na sua expressiva liberdade de traços e manchas, procura captar essa falsa facilidade de "casamento", que apenas foi possível com qualidade de projeto de edifícios e idêntca qualidade de projeto paisagístico - numa das primeiras intervenções urbanas de arquitetos paisagistas em forte aliança com o projeto urbano de pormenor.


Desenhar a natureza, desenhar árvores



Desenho 6: e novamente a natureza na sua força orgânica e mesmo pitoresca - não tenhamos medo da palavra -, que nos oferece espetáculo urbano (trata-se de um jardim de bairro) gratuito, diário e mutante ao longo de todo o ano; o protagonismo das árvores e das de folha caduca em particular é assunto chave, e há que estudar "coberturas de solo" adequadas ao nosso clima, marcado por períodos quentes e sem chuva; e, já agora, pensar mais em árvores e arbustos regionalmente caraterísticos. E as árvores são um tema de desenho sempre renovado, vamos sempre redesenhando árvores de modo diverso, sempre descobrindo novas formas de as representar, na sua complexidade e formas gerais.


Infohabitar, Ano XI, n.º 538
Alguns desenhos comentados sobre cidade e campo
Editor: António Baptista Coelho 
abc@lnec.pt e abc.infohabitar@gmail.com
GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional

Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.


domingo, junho 14, 2015

537 - Versatilidade da arrumação doméstica - Infohabitar 537


Atenção às inscrições no 3.º CIHEL - 3.º Congresso Internacional da Habitação no Espaço Lusófono, em setembro de 2015, São paulo, Brasil.

A importância e a versatilidade da arrumação doméstica 

Artigo LXXXI da Série habitar e viver melhor
Infohabitar, Ano XI, n.º 537
António Baptista Coelho

Continuamos, em seguida, a Série editorial sobre "habitar e viver melhor", na qual temos acompanhado uma sequência espacial desde a vizinhança de proximidade urbana e habitacional até ao edifício multifamiliar.
Estamos agora a abordar , com algum detalhe, os espaços que constituem os nossos “pequenos” mundos domésticos e privativos, refletindo sobre as diversas facetas que os qualificam; e continuamos hoje a desenv«volver uma reflexão sobre os espaços de arrumação domésticos.

Arrumar muita coisa e apoiar todas as outras funções habitacionais 



Arrumar bem, é essencial para se ter uma boa casa


A capacidade de arrumação doméstica, propriamente dita, porque associada aos múltiplos e inúmeros objectos de que precisamos e que gostamos de ter nas nossas casas é uma qualidade do habitar que pode existir:

- ou de forma claramente suficiente, proporcionando uma significativa facilidade e um significativo desafogo nos diversos tipos de arrumação que são necessários;


- ou de forma, pelo menos, minimamente estratégica em determinados pontos-chave domésticos como será o caso da cozinha, da casa de banho, dos quartos e da principal zona de tratamento de roupas.


E desde já se refere que na ausência de uma tal capacidade mínima, já razoavelmente estudada em termos funcionais por diversos autores, os habitantes terão uma qualidade de vida claramente diminuída pois na sua casa haverá uma significativa tendência para ficarem aparentes, rapidamente, atitudes menos sistemáticas de arrumação e, naturalmente, os reflexos, em termos de menor arrumação, produzidos por modos de vida mais informais.



Quando há capacidade de arrumação, há, sempre, pelo menos, o recurso a uma arrumação aparente que pouco mais é do que esconder a desarrumação; mas em modos de vida que são, na prática, pouco domésticos, pois são caracterizados por uma reduzida permanência em casa, esta é uma possibilidade estratégica e oportuna, nem que seja pela possibilidade que oferece de adiar a verdadeira arrumação para alturas mais adequadas, por exemplo no final da semana.

A importância básica da arrumação - para lá dos aspetos funcionais

E é importante ter presente que, praticamente, ninguém aprecia conviver com uma desarrumação aparente.
O arrumar de tudo o resto que, para além do mobiliário, preenche as nossas casas exige um cuidado especial pois, na prática, há diversos tipos de arrumação a considerar, desde a dos elementos necessários ao dia-a-dia doméstico, aos elementos ligados à vivência semana-a-semana, e mesmo a elementos específicos associados a uma arrumação personalizada e especializada. 
Simplificando esta matéria há que pensar, na cozinha, em arrumar tudo aquilo de que se necessita para cozinhar e para apoiar as refeições, mas aqui temos grande ajuda de toda uma indústria funcional-decorativa que nos propõe até verdadeiros sonhos de cozinhas cujos únicos problemas são o preço e o espaço que ocupam; e vale a pena sublinhar que é possível ser económico e proporcionar tudo aquilo que além de necessário proporciona um óptimo ambiente de vida.


Fig. 01: Uma cozinha cuja capacidade de arrumação constitui claro fator de atratividade e apropriação - interior de habitação do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - H 4, Arquitetura: Jan Christer Ahlbäck.

Da cozinha que nos serve à montra-cozinha

E há, até, que ter cuidado em não se transformar um espaço que será potencialmente muito usado numa espécie de montra para visitas que depois acaba por ser mais uma dor de cabeça em termos de exageros de limpeza e arrumação, acabando, tantas vezes, por deixar de ser um espaço de convívio – daí tantas vezes se fazerem segundas cozinhas, que são as verdadeiras, sempre que se pode (por exemplo em moradias).
E na cozinha há que ter especialmente cuidado com a arrumação dos alimentos e dos mais diversos produtos e objectos usados nas lides da casa, sendo naturalmente conveniente uma adequada separação entre uns e outros e algum desafogo que permita arrumar os habituais grandes avios semanais ou mesmo mensais; e atenção se a casa é grande e serve uma família grande tais espaços terão de ser especialmente bem dimensionados.
Um outro aspecto a ter em conta nesta última matéria da arrumação de géneros e apetrechos para cozinhar liga-se a um hábito que parece estar em crescendo e que é a prática do cozinhar como segunda actividade ou passa-tempo, numa passagem de modos de viver a casa entre a cozinha que era o espaço de quem cozinhava, praticamente, como profissão, para a cozinha de quem cozinha, periódica ou eventualmente como paixão e como gosto específico; uma situação que deixa totalmente de lado aquela “cozinha laboratório” onde tantas vezes a empregada, que hoje não existe, se “desenrascava”, e uma situação que acaba por revestir a nova cozinha de uma nova necessidade de funcionalidades bem ligadas a um amplo, estratégico e atraente leque e arrumações – um pouco como se tratando de um grande “brinquedo”.
Ainda associado à cozinha outro aspecto a considerar é o apoio simplificado e adequado a arrumações de géneros alimentares em quantidades mais significativas – por exemplo uma saca de batatas – e o apoio especializado à arrumação de géneros com arrumação potencialmente prolongada, mas que sejam periodicamente manuseados – por exemplo queijos e vinhos.
Referem-se especificamente estes aspectos pois considera-se que tais possibilidades integram, expressivamente, o gosto de habitar e viver a casa de muitas pessoas e, assim, deverão ser devidamente considerados em termos da concepção dos seus espaços domésticos, proporcionando-se, assim, mais gosto no habitar diário da casa e nas suas múltiplas facetas.

Arrumação nas casas de banho

Passando, agora, às arrumações nas casas de banho a ideia mais importante é que elas são fundamentais seja para apoiarem naquilo que é funcionalmente adequado e que deve ali estar “à mão”, seja para conferirem às casas de banho um verdadeiro sentido de “casas de banho”, agradável, envolvente e caloroso, bem distinto do sentido frio, duro, impessoal, maquinal e quase “de jazigo”, associado a tantas “instalações sanitárias”, que mais não são do que um repositório “de catálogo” de peças sanitárias.

Arrumações nos quartos

Sobre as arrumações nos quartos elas estão associadas, essencialmente, a artigos de vestuário e a um amplo leque de objectos pessoais, sendo aqui interessante referir que há, sempre, um aproveitamento muito mais integral do espaço de arrumação quando se conta com roupeiros encastrados, desde que estes sejam úteis no máximo da altura disponível no quarto e desde que, interiormente, sejam funcionalmente organizados em diversas valências de arrumação – pendurar vestuário, prateleiras e gavetas; a diferença em capacidade de arrumação entre um roupeiro assim desenvolvido e outro sem este tipo de condições é, frequentemente, muito significativa e o respectivo investimento pode ser muito minimizado.
Roupeiros encastrados úteis como os referidos oferecem uma capacidade de arrumação muito superior à que está associada aos tradicionais roupeiros móveis e podem ter um acabamento que ou fica “camuflado” com as cores e texturas aplicadas, globalmente, no quarto, ou assume um acabamento em madeira aparente igual ao eventualmente utilizado em rodapés e portas interiores; soluções estas compatíveis com os diversos tipos de arranjos de mobiliário usados nos quartos.

Arrumações em espaços de circulação

As arrumações nos espaços de circulação seguem, basicamente, o que acabou de ser referido para as arrumações com roupeiros encastrados nos quartos, referindo-se, apenas, que se trata de uma valência de arrumação muito útil para os mais diversos fins e objectivos de arrumação, o que pode levar a uma diversificação cuidada dos tipos pormenorizados de arrumação que são aqui oferecidos. Anota-se, ainda, que poderá haver interesse em deixar espaços de circulação “desimpedidos” de roupeiros ou armários embutidos, designadamente, em locais estratégicos para se posicionarem elementos de mobiliário especiais e mais cuidados, por exemplo, numa parede bem visível logo quando se entra em casa.
Um espaço de circulação que merece um tratamento específico em termos de capacidade de arrumação é a zona de entrada doméstica, onde será interessante a existência de um roupeiro embutido, para apoio a diversos tipos de arrumações associadas à relação com o exterior, mas onde é especialmente importante a referida possibilidade de integração de elementos de mobiliário especiais e mais cuidados.


Fig. 02: Novas formas de arrumação em zonas de estar - interior de habitação do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - H 4, Arquitetura: Jan Christer Ahlbäck.

Arrumações nas salas

Sobre as arrumações nas salas há que referir não se tratar de uma opção frequente, até pela situação de se evitarem eventuais incompatibilidades formais com a escolha de mobiliário para a sala-comum, no entanto, havendo os cuidados de harmonização acima apontados, e considerando-se uma posição estratégica e sóbria de um armário embutido, um elemento deste tipo poderá revelar-se de grande utilidade na sala-comum, designadamente, no apoio à diversificação funcional desde principal espaço social doméstico, proporcionando, por exemplo, a arrumação prática e integral de elementos de apoio a actividades profissionais realizadas em casa.
Ainda nesta matéria das arrumações embutidas na sala-comum é interessante apontar as virtualidades que tais arrumações oferecem, quer em condições de reduzida espaciosidade global, substituindo, com vantagens práticas de muito maior capacidade de arrumação, os tradicionais aparadores ou mesmo estantes móveis, quer em soluções de articulação entre vários tipos de espaços, em que estes armários embutidos servem, também, de tabiques de separação entre diversos a sala-comum e outro compartimento ou espaço de circulação; e neste caso estes armários embutidos poderão ser usados nas suas duas frentes. E atente-se, finalmente, que sendo a sala-comum, basicamente, um espaço social não haverá nestas soluções quaisquer problemas de privacidade.


Fig. 03: pormenor de arrumação em interior de habitação do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - H 4, Arquitetura: Jan Christer Ahlbäck.

Arrumações em escritórios

Os escritórios ou saletas-escritório integrados em habitações podem ou devem ser considerados como variações adaptativas de quartos – de certa forma também se poderá considerar exactamente a ideia oposta, a adaptabilidade doméstica só fica a ganhar –, e assim a existência de um roupeiro ou armário embutido deverá seguir os aspectos acima apontados para os quartos. No entanto e como será natural a existência de um quarto mais pequeno e, tendencialmente, mais associável a esta função de escritório ou de saleta de recepção e de estar em sossego, neste compartimento poderá não existir um armário embutido ou então este poderá ter uma dimensão especialmente reduzida, de modo a ser possível realizar aqui um arranjo de mobiliário mais caracterizado e identificável.

Despensa geral

Será, ainda, interessante a criação de um pequeno compartimento especializado para arrumações, uma despensa geral, tanto mais útil, quanto mais tradicionais forem os modos de habitar e quanto maior for o agregado familiar; e num tal compartimento é fundamental uma adequada integração de prateleiras ergonómicas, seja no seu dimensionamento, seja no seu espaço de utilização.

Arrumações fora da habitação

E, finalmente, sobre as arrumações fora dos espaços habitacionais específicos, portanto situadas nas garagens comuns ou em outros sítios, a regra a aplicar é idêntica à apontada para a despensa geral, considerando-se, no entanto, que estas arrumações poderão ser mais espaçosas e funcionalmente diversificadas, de forma a poderem acolher seja arrumações “sujas”, como por exemplo alguma lenha, seja a arrumação funcional de bicicletas.
Conclui-se esta pequena viagem pela arrumação doméstica com a dúvida de como apoiar a arrumação funcional de bicicletas, quando não existe o referido compartimento de arrumações fora da habitação ou outro espaço adequado e protegido em espaços exteriores privativos; uma solução será a previsão de um compartimento ou espaço comum, devidamente controlado, com este tipo de função.

Fig. 03: interior de habitação do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - H 4, Arquitetura: Jan Christer Ahlbäck.

References/Referências/notas


Nota importante sobre as imagens que ilustram o artigo:

As imagens que acompanham este artigo e que irão, também, acompanhar outros artigos desta mesma série editorial foram recolhidas pelo autor do artigo na visita que realizou à exposição habitacional "Bo01 City of Tomorrow", que teve lugar em Malmö em 2001.

Aproveita-se para lembrar o grande interesse desta exposição e para registar que a Bo01 foi organizada pelo “organismo de exposições habitacionais sueco” (Svensk Bostadsmässa), que integra o Conselho Nacional de Planeamento e Construção Habitacional (SABO), a Associação Sueca das Companhias Municipais de Habitação, a Associação Sueca das Autoridades Locais e quinze municípios suecos; salienta-se ainda que a Bo01 teve apoio financeiro da Comissão Europeia, designadamente, no que se refere ao desenvolvimento de soluções urbanas sustentáveis no campo da eficácia energética, bem como apoios técnicos por parte do da Administração Nacional Sueca da Energia e do Instituto de Ciência e Tecnologia de Lund.

A Bo01 foi o primeiro desenvolvimento/fase do novo bairro de  Malmö, designado como Västra Hamnen (O Porto Oeste) uma das principais áreas urbanas de desenvolvimento da cidade no futuro.

Mais se refere que, sempre que seja possível, as imagens recolhidas pelo autor do artigo na Bo01 serão referidas aos respetivos projetistas dos edifícios visitados; no entanto, o elevado número de imagens de interiores domésticos então recolhidas dificulta a identificação dos respetivos projetistas de Arquitetura, não havendo informação adequada sobre os respetivos designers de equipamento (mobiliário) e eventuais projetistas de arquitetura de interiores; situação pela qual se apresentam as devidas desculpas aos respetivos projetistas e designers, tendo-se em conta, quer as frequentes ausências de referências - que serão, infelizmente, regra em relação aos referidos designers -, quer os eventuais lapsos ou ausência de referências aos respetivos projetistas de arquitetura.

Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.


Infohabitar, Ano XI, n.º 537
Artigo LXXXI da Série habitar e viver melhor
A importância e a versatilidade da arrumação doméstica - Infohabitar n.º 537

Editor: António Baptista Coelho 
abc@lnec.pt e abc.infohabitar@gmail.com
GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional

Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.



segunda-feira, junho 08, 2015

536 - Desenhos rápidos em Olivais Norte - Infohabitar 536

O 3.º CIHEL recebeu 118 propostas de artigos.

Infohabitar, Ano XI, n.º 536

Desenhos rápidos em Olivais Norte

António Baptista Coelho

Apresentam-se, em seguida, desenhos rápidos realizados, no local, em Olivais Norte - Encarnação, Lisboa; o esboço rápido foi feito no local e o acabamento realizado posteriormente. Em cada um deles fazem-se alguns comentários práticos, por vezes, abordando o "desenho" e matérias de urbanismo.

 Contraste entre edificado e meio natural 


Desenho 1: é sempre interessante o contraste entre o edificado e o meio natural, que propicia tratamentos expressivos de um e de outro; em termos urbanísticos é excelente a solução de integração entre as duas malhas urbanas contíguas e bem distintas de Olivais Norte (pequenos edifícios multifamiliares modernistas) e Encarnação (pequenas moradias "tradicionais"), assegurada por um pequeno pinhal alongado, que constitui uma óptimo espaço de passeio.

O bem-estar na envolvente da habitação



Desenho 2: um gato esboçado no local e acabado, depois, em casa; é interessante considerar que quando nos sentimos bem em determinadas vizinhanças e soluções urbanas e naturais, esse sentido de bem-estar alarga-se a todos os seres vivos que aí vivem.

Biodiversidade no espaço urbano




Desenho 3: um par de melros esboçados no local e acabados, depois, em casa, com alguma tentativa de cor; a ligação adequada entre edifícios e zonas "verdes", com reforço destas últimas, é essencial para a dinamização da biodiversidade local (matéria de sustentabilidade ambiental).

Veículos positivamente "camuflados" pelo verde urbano e sob prioridade pedonal


Desenho 4: de vez em quando apetece voltar aos desenhos monocromáticos com base no azul, "a cor da sombra", traçado a caneta e livremente marcado com aguada, ainda no local, trata-se de um meio simples e que por vezes resulta em apontamentos expressivos; o modernismo urbano exemplar de Olivais Norte adequados exemplos de mistura entre zonas verdes e vias para veículos, que resultam numa excelente "camuflagem" dos mesmos - apenas se lamenta que não se comece a introduzir, sistematicamente, e de forma intensa, barreiras físicas à velocidade dos veículos motorizados em todas as zonas dominantemente residenciais (aqui em Olivais Norte elas foram já muito bem introduzidas junto a escolas, mas precisamos de mais).

A natureza na proximidade estratégica dos espaços residenciais


Desenho 5: é interessante experimentar a fusão cromática entre o azul, "básico", e o verde natural, sentimos, por vezes, que se trata, afinal de cores com grande afinidade; é essencial proporcionar a fruição de espaços "intensos" de natureza na proximidade estratégica dos espaços residenciais.

Azul, "a cor da sombra"


Desenho 6: e novamente um apontamento a azul e a amigabilidade do verde urbano, das árvores urbanas, na harmonização de um conteúdo rodoviário, que em Olivais Norte foi muito bem estruturado e geometrizado, procurando-se, sempre, que o peão tenha as melhores condições de movimentação e de uso intenso do exterior.

Infohabitar, Ano XI, n.º 535
Desenhos rápidos em Olivais Norte
Editor: António Baptista Coelho 
abc@lnec.pt e abc.infohabitar@gmail.com
GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional

Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.