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terça-feira, setembro 17, 2019

702 - Esboços recentes de árvores - Infohabitar 702


Infohabitar, Ano XV, n.º 702                     

Esboços recentes de árvores e edifícios II – Infohabitar 702


por António Baptista Coelho (imagens e textos)

Nota prévia:
A Série “Habitar e Viver Melhor”, assim como outras temáticas teórico-práticas nas áreas específicas da “arquitectura do habitar” - matéria, como sabemos, “central” na edição da Infohabitar - serão retomadas dentro de algumas semanas, salientando-se que, por agora, a nossa revista continuará a desicar-se a uma edição "multicomentada" de esquissos/desenhos, seja numa perspectiva da própria prática do desenho livre, seja considerando os aspectos de arquitectura e de habitar que estejam, eventualmente, associados a cada tema desenhado.


O editor da Infohabitar


Retomando-se o que é já uma tradição da Infohabitar continua-se a edição de alguns esboços recentes, associando-se, por regra, sintéticos comentários informais, julgados oportunos, seja numa perspetiva de Arquitectura/habitar (quando adequado), seja considerando notas informais no sentido do próprio fazer do esboço/desenho, aqui, sublinha-se, numa perspetiva de clara informalidade e sentido prático - eventualmente útil a quem, como o autor, continua a desenhar numa base diária, procurando, sempre, alguma melhoria (ainda que esta, sendo sempre relativa, exige muita paciência e obrigaria a muitas mais horas de prática).

Salienta-se que boa parte dos esboços aguarelados que se seguem foram realizados na zona central e "verde", do bairro de Olivais Norte em Lisboa, um bairro modernista exemplar (de cerca de 1955/1965, considerando o respetivo projeto), e talvez "o bairro" modernista exemplar português, que é urgente requalificar e dar a conhecer pois alia a uma excelente qualidade de vida e a uma arquitetura urbana original e extremamente qualificada, uma evidente atualidade nas suas preocupações de sustentabilidade ambiental  - ex., intervenções multidisciplinares integrando arquitetos paisagistas integração expressiva de verde urbano em grande "manchas" mais simples de manter, orientação dos edifícios segundo o movimento aparente do Sol de modo a "rentabilizar" a respetiva insolação dos espaços das habitações.




Fig. 01: Como um "teatro" a primeira fila de grandes árvores prepara e enquadra a "cena" de sequências bem "coladas" de espaços verdes e edificados, espaços estes onde as árvores são já mais pequenas e existem também grandes arbustos. Fotografou-se todo o caderno para se ter uma ideia da versatilidade associado ao desenho num caderno A6, que desdobrado, como é o caso, permite desenhos A5 (já razoáveis em termos dimensionais); cabe num bolso e numa pequena bolsa, vai connosco para todo o lado sem problemas e guarda os desenhos em segurança - atenção que nem todos os desenhos que têm sido aqui apresentados foram realizados neste formato, havendo uma variação entre o A6 e o A3 (menos frequentes).




Fig. 02: É aqui bem patente a mistura orgânica. "natural" e visualmente estimulante de diferentes espécies de verde urbano (árvores maiores e menores, grandes e pequenos arbustos e cobertura de solo). O esboço/desenhoprocurou usar, com alguma naturalidade, os negros nas sombras próprias e projetadas; e conseguiu-se neste esboço uma tonalidade global julgada interessante, entre os verdes e so castanhos rosados. 



Fig. 03: O, já referido, "entremear" entre grandes blocos duplos  -  fundidos por extensas galerias comuns com acessibilidade alternativa (é também possível aceder aos fogos por comunicações verticais) - e conjuntos de árvores e grandes arbustos que propiciam uma estimulante paisagem de proximidade ás habitações contíguas. No esboço procurou-se jogar com um estimulante contraste entre traços bem "negros" e zonas texturadas com tais traços (mais em primeiro plano) e manchas de cor razoavelmente uniformes, sendo tal uniformidade mais marcante nas paredes dos edifícios - a construção é naturalmente muito mais uniforme nas suas cores do que os elementos da natureza.



Fig. 04: sendo embora este artigo dedicado ao tema da  relação entre árvores e edifícios, esta imagem quer relevar o interesse da existência de paisagens "naturais" humanizadas e parcialmente "construídas", em que a escala de uso e de imagem é muito dada pelos bancos de jardim e mesmo pela dimensão do perfil dos respetivos caminhos. O desenho, premeditadamente, muito livre e "simplificado", procurou apostar nos contrastes naturais entre algumas manchas e o traçar em primeiro plano, neste caso servido pelo uso de "marcadores". 



Fig. 05: é extremamente interessante proporcionar num meio urbano consolidado a possibilidade de deambular,  prazenteiramente, por caminhos cujos meandros construídos nos fazem lembrar percursos mais naturais, numa natureza "reforçada", projetualmente (arquitetura pisagista) em termos de cores e de texturas distintas; e o desenho investe nestes aspetos, desde a procura do evidenciar do "caminho", que nos leva a mergulhar no desenho, à perspetiva tentada com tal caminho, com as árvores e com a maior nitidez em primeiro plano e menor no fundo, e ainda com o aproveitar das texturas pormenorizadas e expressivas e as cores quentes em primeiro plano.




Fig. 06: trata-se aqui de um apontamento muito livre (faltam as pequenas vias de acesso local) dedicado aos impasses residenciais que envolvem o coração "circular" de Olivais Norte, constituídos por alongadas e muito humanizadas bandas de edifícios arquitetonicamente despojados, mas que se "casam" perfeitamente com uma extensa mancha de pinhal. Árvores e edifícios numa integração que se procurou apontar neste esquisso aguarelado.



Fig. 07: árvores e edifícios, dando-se primazia àquelas no coração/pulmão "verde" do Bairro de Olivais Norte, num ensinamento ainda hoje bem vivo e excelente em termos de qualidade de vida diária que, infelizmente, pouca "escola" fez. O desenho procurou sublinhar o espetáculo sazonal e diário das estações, estando os velhos  ainda atrasados na sua folhagem no início da Primavera; o desenho apostou nos traços negros e acentuados que procuram seguir as expressivas verticais livremente ramificadas dos altos e velhos choupos.


Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XV, n.º 702

Esboços recentes de árvores e edifícios II – Infohabitar 702


Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho
Arquitecto/ESBAL, doutor em Arquitectura/FAUP – Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, Investigador Principal com Habilitação em Arquitectura e Urbanismo no LNEC
Laboratório Nacional de Engenharia Civil, em Lisboa


Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional Infohabitar – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).


terça-feira, agosto 06, 2019

697 - Esboços recentes de árvores – Infohabitar 697

Infohabitar, Ano XV, n.º 697

Esboços recentes de árvores – Infohabitar 697

Por António Baptista Coelho (imagens e textos)

(nota prévia: a Série “Habitar e Viver Melhor” será retomada  dentro de algumas semanas)
Retomando-se o que é já uma tradição da Infohabitar continua-se a edição de alguns esboços recentes, associando-se, por regra, sintéticos comentários informais, julgados oportunos, seja numa perspetiva de Arquitectura/Habitar (quando adequado), seja considerando notas informais no sentido do próprio fazer do esboço/desenho, aqui, sublinha-se, numa perspetiva de clara informalidade e sentido prático - eventualmente útil a quem, como o autor, continua a desenhar numa base diária, procurando, sempre, alguma melhoria –ainda que esta, sendo sempre relativa, discutível e sensível, exigisse bastante mais paciência, calmo sentido de observação prévia e de “projeto” do próprio esboço, e isto tudo, naturalmente, obrigasse a muitas mais horas de prática (sempre agradável, há que confessar).
Salienta-se que boa parte dos esboços aguarelados que se seguem foram realizados na zona central e "verde", do bairro de Olivais Norte em Lisboa, um bairro modernista exemplar (de cerca de 1955/1965, considerando o respetivo projeto), e talvez "o bairro" modernista exemplar português, que é urgente requalificar e dar a conhecer pois alia a uma excelente qualidade de vida e a uma arquitetura urbana original e extremamente qualificada, uma evidente atualidade nas suas preocupações de sustentabilidade ambiental  - ex., intervenções multidisciplinares incluindo (à data, lembra-se) arquitetos paisagistas integração expressiva de verde urbano em grande "manchas" mais simples de manter, e orientação dos edifícios segundo o movimento aparente do Sol de modo a "rentabilizar" a respetiva insolação dos espaços das habitações.

Nota específica ao presente artigo:
Todas as árvores que são, em seguida, apresentadas em esboço foram apontadas na referida zona central e "verde" de Olivais Norte, em Lisboa, um bairro fácil e utilmente visitável, saindo-se na estação de Metro da Encarnação (Metro de Lisboa), que abre em pleno coração de Olivais Norte.
Ao contrário do que tem acontecido em últimos artigos desta "série esboçada", não há grandes comentários urbanísticos, e mesmo os comentários aos esboços são muito contidos.


Fig. 01: árvore muito esboçada e acentuada no seu eixo central.


Fig. 02: um esboço que tenta fazer salientar a ligação entre natureza e urbanidade, ou a presença global de uma natureza "humanizada", pela referência desenhada do murete de tijolos; em termos do próprio esboço procurou-se marcar, equilibradamente, a presença dos variados volumes da copa da árvore.

 
Fig. 03: em termos do esboço salienta-se a esquematização da árvore/modelo e o reforço da sua presença a traços negros no seu contorno e na sua sombra projectada; noutra perspectiva de esboço ensaiou-se uma marcação de enquadramento a traço livre, que pode sublinhar a presença do elemento desenhado e os espaços restantes "vazios" (ideia esta que se usou em outros esboços deste artigo). 


Fig. 04: em termos do esboço houve uma procura de transparências e de múltipla presença, ou presença simultânea, do tronco principal e dos volumes de pequenos troncos e folhagem, reforçando-se, ainda, alguns contornos e sombras, ainda que "intermitentemente".

 
Fig. 05: pouco mais a dizer, a não ser a tentativa mais evidente de se jogar com as transparências entre troncos e volumes de folhagem; ideia que ajuda claramente à noção de profundidade/perspectiva.


Fig. 06: em vez de uma, duas árvores e uma "brincadeira" com os tons de verde e azul. 

 
Fig. 07: um apontamento muito esquemático aliado ao tal "jogo" de "encaixe" numa espécie de moldura apenas apontada.


Fig. 08: e uma grande árvore que acaba por se prolongar e, quase, continuar na própria moldura esquemática do esboço.

Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.
Infohabitar, Ano XV, n.º 697

Esboços recentes de árvores – Infohabitar 697


Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho
Arquitecto/ESBAL, doutor em Arquitectura/FAUP – Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, Investigador Principal com Habilitação em Arquitectura e Urbanismo no
Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) –, em Lisboa



Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional Infohabitar – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).

domingo, setembro 27, 2015

551 - Verde Urbano Desenhado - V - Infohabitar 551


Infohabitar, Ano XI, n.º 551

Verde Urbano Desenhado - V
António Baptista Coelho

Apresentam-se, em seguida, alguns apontamentos/desenhos livres realizados sobre a temática do verde urbano.
Todos este desenhos foram realizados, no próprio local, em Olivais Norte - Encarnação, Lisboa.
Fazem-se, em alguns casos, comentários curtos e práticos, abordando o "desenho" e também, por vezes, matérias de urbanismo e habitat humano.

Edifícios e verde urbano em continuidade

Desenho 1: interessante como o verde urbano simulando maciços naturais pode harmonizar-se e dar continuidade a edifícios relativamente altos (Olivais Norte).



Ruas mistas de peões e veículos

Desenho 2: as soluções de ruas mistas de peões e veículos que foram pioneiras em Olivais Norte e depois muito pouco retomadas, oferecem imagens muito adequadas a uma forte ligação entre edifícios e verde urbano.


Olivais Norte o bairro modernista português

 Desenho 3: Olivais Norte/Encarnação, em Lisboa é um bairro a conhecer - facilmente visitável a partir da estação de Metro da Encarnação (situada bem a meio do bairro) - onde arquitetura modernista, verde urbano bem escolhido e, essencialmente, um excelente modelo de "convívio" entre peões e veículos, são matérias bem evidenciadas/visíveis.


O nosso bairro modernista de referência - Olivais Norte
Desenho 4: desenhar o "verde", desenhar um meio natural "civilizado", é uma experiência agradável, que nos permite experiências muito sensíveis e diversas ao longo de todo o ano, pois não tenhamos dúvida de que quando desenhamos vemos melhor, e conquistamos uma certa calma de observação e criação (do esquisso que fazemos). 

Edifícios agradavelmente contrastados no verde urbano

Desenho 5: a Igreja de Santo Eugénio na Encarnação, como uma grande "cabana" na pequena floresta urbana bem arrumada e agradável do jardim que a envolve.

O verde urbano como elemento de camuflagem

Desenho 6: o verde urbano faz "perdoar" muito aos edifícios com os quais se conjuga; o verde urbano é assim elemento fundamental em acções de requalificação de espaços de cidade.


Infohabitar, Ano XI, n.º 551
Verde Urbano Desenhado - V
Editor: António Baptista Coelho 
abc@lnec.pt e abc.infohabitar@gmail.com
GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional


Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.

domingo, junho 21, 2015

538 - Alguns desenhos comentados sobre cidade e campo


http://labhab.fau.usp.br/3cihel/ 
O 3.º CIHEL recebeu 118 propostas de artigos.

Infohabitar, Ano XI, n.º 538

Alguns desenhos comentados sobre cidade e campo
António Baptista Coelho

Apresentam-se, em seguida, alguns desenhos realizados sobre a temática da cidade e do campo e de suas possíveis e positivas misturas.
Alguns destes desenhos foram realizados, no próprio local, em Olivais Norte - Encarnação, Lisboa (o esboço rápido foi feito no local e o acabamento realizado posteriormente); outros desenhos foram realizados, à mão livre, a partir de imagens de fotografias do autor ou por vezes recolhidas na imprensa.
Em cada um deles fazem-se alguns comentários curtos e práticos, por vezes, abordando o "desenho" e matérias de urbanismo.

A cidade densa, habitada pelos elétricos


Desenho 1: a cidade densa, "tradicional", "habitada" / marcada pelos elétricos e seus percursos, foi e será sempre motivo de desenho, de certa forma temos elementos muito expressivos e que se deslocam quase sem ruído, como se fossem "pequenos edifícios móveis", que para além de tudo o resto são imagens "vivas" de uma história relativamente recente, mas que já é expressivamente diversa em termos de visualidade dos próprios veículos, embora mantendo-se atual ma sua utilidade.


Elétricos como pequenos "edifícios dinâmicos"



Desenho 2: novamente a cidade densa, "tradicional", "habitada" / marcada pelos elétricos e seus percursos; agora tentando-se um apontamento, mais rápido em termos de execução e simultaneamente mais dinâmico em termos da própria expressão desenhada, e a cor, onde se joga como "amarelo" e as sombras interiores; que nos dão as interioridades destes veículos, que são como pequenos "edifícios dinâmicos".  


A natureza salientada por preexistências construídas


Desenho 3: a natureza salientada por preexistências construídas, trata-se de uma memória construída de um pequeno aqueduto, ligado a um poço, existente em Olivais-Norte/Encarnação, criando-se um quadro em que a natureza é sublinhada pelo enquadramento fortíssimo que faz desta quase ruína, em que o tempo "parou" e que ali ficou a lembrar uma memória bem diversa da realidade dos edifícios bem altos que rodeiam esta "ilha" natural e que aqui foram premeditadamente omitidos no desenho.


Novamente os elétricos como marcas dinâmicas de uma recente história urbana


Desenho 4: Novamente os elétricos como marcas dinâmicas de uma recente história urbana, agora num registo gráfico mais realista e demorado, sendo, julga-se, interessante a comparação com os registos mais rápidos e expressivos acima editados; e aqui fica talvez evidenciada a questão da escala humana que é evidenciada pela sóbria, mas bem cadenciada, circulação dos elétricos e naturalmente também pela sua cor muito viva  e contrastante.


Edifícios integrados na natureza



Desenho 5: esta sóbria integração entre edifícios e natureza, ou este diálogo mudo mas forte entre uma arquitetura racional e depurada e uma natureza humanamente planeada e que joga em contraponto formal e cromático, orgânico e mutante, com essa racionalidade formal bem projetada, só é possível com bom urbanismo e com boa arquitetura, como acontece em Olivais Norte - Encarnação, Lisboa. O apontamento desenhado, na sua expressiva liberdade de traços e manchas, procura captar essa falsa facilidade de "casamento", que apenas foi possível com qualidade de projeto de edifícios e idêntca qualidade de projeto paisagístico - numa das primeiras intervenções urbanas de arquitetos paisagistas em forte aliança com o projeto urbano de pormenor.


Desenhar a natureza, desenhar árvores



Desenho 6: e novamente a natureza na sua força orgânica e mesmo pitoresca - não tenhamos medo da palavra -, que nos oferece espetáculo urbano (trata-se de um jardim de bairro) gratuito, diário e mutante ao longo de todo o ano; o protagonismo das árvores e das de folha caduca em particular é assunto chave, e há que estudar "coberturas de solo" adequadas ao nosso clima, marcado por períodos quentes e sem chuva; e, já agora, pensar mais em árvores e arbustos regionalmente caraterísticos. E as árvores são um tema de desenho sempre renovado, vamos sempre redesenhando árvores de modo diverso, sempre descobrindo novas formas de as representar, na sua complexidade e formas gerais.


Infohabitar, Ano XI, n.º 538
Alguns desenhos comentados sobre cidade e campo
Editor: António Baptista Coelho 
abc@lnec.pt e abc.infohabitar@gmail.com
GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional

Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.


domingo, maio 17, 2015

533 - Do desenho ao espaço urbano I




O 3.º CIHEL recebeu 118 propostas de artigos.
Infohabitar, Ano XI, n.º 533

Do desenho ao espaço urbano

Artigo I da Série "Do desenho ao espaço urbano"

por António Baptista Coelho

Apresentam-se, em seguida, alguns apontamentos desenhados realizados, no local, a partir da observação de elementos naturais que caraterizam o Bairro de Olivais Norte em Lisboa. Estes desenhos rápidos são dedicados aos meus alunos do 1.º ano de Desenho do Mestrado Integrado em Arquitetura da Universidade da Beira Interior.
Acompanham-se os apontamentos desenhados com breves apontamentos escritos sobre diversas matérias, quer relativas à elaboração dos desenhos, quer sobre aspetos a propósito, relacionados com o urbanismo e o habitat humano.
Inicia-se, assim, uma nova série editorial, intitulada "Do desenho ao espaço urbano".



Desenhos de árvores

Desenhos de árvores, aproveitando estarem ainda sem folhas ou com poucas folhas; a respetiva estrutura fica bem aparente, mais desenhável, e conseguimos atentar mais no sentido orgânico e na expressividade das formas, contando com alguma textura e especialmente com as sombras.



Caminhos entre as árvores

Os caminhos entre as árvores propiciam desenhar com um estimulante sentido de profundidade e de perspetiva natural e muito livre; acaba por ser um exercício que alia a libertação sempre dada pelo desenho de elementos naturais a uma aproximação à matéria do ordenamento urbano e paisagístico.

Os caminhos entre as árvores permitem-nos libertar o pensamento enquanto por eles passeamos, uma possibilidade excelente quando eles se "embebem" em meios urbanos.






Relação entre edifícios e natureza

Em termos de exercício de desenho é excelente associarmos o desenho de elementos naturais e edificados, pois tanto se referenciam mutuamente em termos dimensionais, como o seu diverso tratamento desenhado permite-nos uma experiência livre e expressiva, acentuando-se os aspetos caratetísticos de uns e outros.

Aliar natureza e espaço urbano  foi sempre um dos principais objetivos de muitos projetistas, talvez também pela razão acima referida (mais "plástica"), mas esencialmente pelos benefícios que daí resultam para o habitante; é apenas necessário que de tal conjugação nenhum dos elementos resulte menorizado, o que acontece claramente em Olivais-Norte, Lisboa. 





Relação entre edifícios e natureza

Os comentários feitos acima aqui se repetem, mas nesta vizinhança bem expressiva eles assumem especial interesse, tanto plástica como urbanisticamente.
E é muito interessante termos aqui uma natureza sabiamente projetada com um sentido quase "bravio", que é em boa parte cercada/contida por grandes e excelentes edifícios modernistas sobre pilares; o que propicia toda uma transparência ao nível térreo.




Natureza e biodiversidade na cidade

A imagem foi real e todos os dias se repete com infinitas variações, pois termos amplas zonas naturalizadas corresponde a termos um apoio forte à biodiversidade.

E em termos de prática de desenho é óptimo tentarmos "fixar" cenas completas como esta, que duram alguns instantes mas que podemos tentar fixar e colocar rapidamente no papel (a aguada fica para depois).





"Verde" urbano como espetáculo cromático

Ao longo do ano o verde urbano vai-nos oferecendo um verdadeiro espetáculo de formas, de cores e de cheiros; matéria tão importante para quem desenha como para quem habita estes espaços.
E reforça-se, aqui, o enorme interesse que há em desenharmos "repetidamente" os mesmos temas e os "mesmos" enquadramentos, uma técnica que nos faz desenhar cada vez com mais naturalidade e liberdade criativa.


O espetáculo das árvores

As árvores são espetáculo formal geral, de perspetiva e de tons de luz e cor.
Matérias que tanto interessam ao desenhador como ao projetista e, muito mais, ao habitante.



A natureza é contraponto da edificação

Desenhamos a natureza quase sem nos lembrarmos de fazer linhas direitas, quase que deixando o lápis ou a caneta desenharem sozinhos, com o objetivo de captar a forma geral do nosso modelo.

De certa maneira aqui fica a justificação do grande interesse da ligação entre natureza e espaço urbano, pois aquela suaviza, naturaliza e esbate a frequente "dureza" e forte geometria dos espaços construídos e edificados.



Infohabitar, Ano XI, n.º 533

Artigo I da Série "Do desenho ao espaço urbano"

Editor: António Baptista Coelho –
abc@lnec.pt e abc.infohabitar@gmail.com
GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional


Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.