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quarta-feira, novembro 17, 2021

Problemas e potencialidades da sala-comum doméstica – infohabitar # 798

 Ligação direta (clicar) para:  760 Artigos Interactivos, edição revista, ilustrada e comentada em janeiro de 2021- 38 temas e mais de 100 autores

 

Problemas e potencialidades da sala-comum doméstica - infohabitar # 798

Infohabitar, Ano XVII, n.º 798

Edição: quarta-feira, 17 de novembro de 2021

 

Artigo integrado na série editorial da Infohabitar “Habitar e viver melhor”

 

Caros leitores da Infohabitar,

Com o presente artigo damos continuidade à série editorial da Infohabitar especificamente dedicada a uma viagem sistemática pelos diversos espaços do habitar, que iniciámos na vizinhança, avançando, depois para os edifícios e seus espaços comuns (disponível no catálogo interativo da Infohabitar, no seu tema 6 intitulado “Série habitar e viver melhor”) e “terminando”, no presente e em futuros artigos, numa reflexão sobre os diversos tipos de organizações, opções e espaços domésticos.

Reflexão esta que esta semana continua dedicada à, designada, sala-comum doméstica; matéria que nos ocupou desde há duas semanas e que concluímos (naturalmente, sempre de uma forma provisória) na presente semana; isto devido à evidente importância da sala-comum na estruturação e na vivência das nossas habitações.

Lembra-se, novamente, que serão sempre muito bem-vindas eventuais ideias comentadas sobre os artigos aqui editados e propostas de novos artigos (a enviar para abc.infohabitar@gmail.com , ao meu cuidado).

Considerando a evolução da pandemia, continuamos a reforçar a grande importância de cumprir com rigor os protocolos de vacina (n.º de doses e períodos temporais posteriores às mesmas) e de continuar com os cuidados de proteção próprios e dos outros, designadamente, em termos de limpeza de mãos, uso de máscara e distância social.

Despeço-me, até à próxima semana, enviando saudações calorosas e desejos de força e de boa saúde para todos os estimados leitores,    

 

Lisboa, em 17 de novembro de 2021

António Baptista Coelho

Editor da Infohabitar


Problemas e potencialidades da sala-comum doméstica - infohabitar # 798

António Baptista Coelho

(texto e fotografias)

Resumo

Neste artigo, dedicado à temática global da sala-comum doméstica e a uma reflexão específica sobre os seus mais correntes e/ou mais importantes problemas e potencialidades, faz-se, de início, um enquadramento global sobre a respetiva caraterização global e problemática funcional, espacial e ambiental, seguindo-se uma reflexão sequencial sobre as seguintes matérias específicas: problemas considerados correntes na estruturação e vivência da sala-comum; questões dimensionais e de outro tipo que aí são habitualmente levantadas; novidades, dúvidas, potencialidades e tendências que marcam o desenvolvimento da sala-comum doméstica; e, finalmente, algumas notas sobre a sua pormenorização.


1. Breve enquadramento sobre a caraterização global e sobre a problemática funcional, espacial e ambiental da sala-comum

Tal como se abordou atrás a sala-comum pode e deve ser um sítio da habitação expressivamente estimulante do seu uso, e  indiretamente do uso de toda a habitação, ultrapassando, claramente os seus “marcos” funcionais, seja em termos espaciais e funcionais de suporte e incentivo a um muito amplo leque de atividades, seja em termos ambientais e de verdadeiro “cenário” doméstico caraterizador e muito apropriável pelos seus habitantes.

Acabou, então, de se referir que a sala-comum e, eventualmente, outros espaços da habitação ligados ao estar, ao lazer, ao convívio e a atividades diversificadas, acabam por ser elementos caraterizadores da globalidade das respetivas soluções domésticas, ganhando, assim, uma importância muito especial na respetiva conceção global e pormenorizada. De certa forma podemos afirmar que o “novelo” dos espaços mais sociais da habitação, que se concentram, em boa parte, na sala-comum e na cozinha convivial tradicional, acabam por se poder constituir como que no coração funcional e caraterizador da habitação, o seu motor vital e o sítio privilegiado do seu carisma e identidade; e neste sentido é interessante ter em conta que em algumas excelentes soluções a sala-comum é mesmo o elemento “central” e distribuidor da vida da habitação, perdendo-se algum sentido hierárquico e de gradação de privacidades, mas ganhando-se em caráter e em força de vida doméstica.

Sendo assim podemos considerar que se a sala-comum e outros espaços com ela relacionados apresentam problemas espaciais, funcionais e ambientais significativos, acaba por ser toda a respetiva habitação a sofrê-los e a ser com eles identificada.

E consequentemente, uma sala espacialmente exígua, ou uma sala muito estreita, ou uma sala muito escura ou uma sala mal localizada ou uma sala mal ventilada, são atributos que acabam por ser generalizados à totalidade das respetivas habitações, o que releva a importância que devemos atribuir à conceção da sala-comum.

E não tenhamos dúvidas de que uma sala-comum com elevada qualidade espacial, funcional e ambiental, mesmo que não seja especialmente espaçosa, acaba por atribuir à respetiva habitação uma qualidade global que, por vezes, faz reduzir a importância de outros seus aspetos menos qualificados, como, por exemplo, um ou mais quartos significativamente mínimos e um espaço de cozinha pouco desafogado e integrado na referida sala-comum, desde que muito bem pormenorizado nos seus subespaços e no seu relacionamento com a zona de refeições. 

Nos últimos anos algumas inovações trouxeram especiais tensões à conceção da sala-comum, que continuou regrada por áreas e dimensões muito datadas: pensamos, entre outros aspetos ligados a novas formas de habitar, na integração de grandes aparelhos e écrans de TV, por vezes panorâmicos, e na proliferação de computadores pessoais e tablets; elementos estes que podem revolucionar a estruturação da “tradicional” sala-comum desenvolvida numa área razoavelmente ilimitada e distribuída por zona de refeições e zona de estar, pois uma TV panorâmica, se couber numa dada sala apenas razoavelmente espaçosa, tende a marcá-la e a prejudicar boa parte das restantes atividades, enquanto a proliferação das tecnologias de informação e comunicação pessoais (computadores, tablets e celulares) acabam por exigir mais espaço inter-pessoal para poderem coexistir numa mesma sala-comum (ex., lugares sentados mais espaçosos e/ou mais separados e mais lugares sentados).

Como tudo isto se harmoniza com áreas razoavelmente próximas de mínimos e com dimensões próximas de mínimos? É claramente difícil, para não dizer impossível, ficando, frequentemente, os respetivos compartimentos cheios de mobília e equipamentos e quase sem espaços para os habitantes.

Possíveis respostas para tais problemas talvez se encontrem na revisão de algumas das áreas máximas para habitação de interesse social, designadamente, associadas a espaços sem equipamentos e instalações (portanto, construtivamente menos dispendiosos), como é o caso da sala-comum, e privilegiando-se esta sala relativamente aos espaços de quarto, mas também a resposta terá de passar, obrigatoriamente, por excelentes condições de conforto ambiental nesses espaços mais sociais (ex., luz natural, controlo da insolação, isolamento acústico, boas vistas, etc.), que, de algum modo, acabam por reduzir os efeitos negativos da menor espaciosidade; e, naturalmente, tudo isto obriga a excelentes projetos de Arquitetura, que acabam por conseguir fazer pequenas “maravilhas” de diversidade funcional e de capacidade de apropriação em espaços razoavelmente bastante contidos. 


Fig. 01: Sala espacialmente estimulante em termos de sub-espaços e relações com outras zonas domésticas  de uma habitação do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - H 21 24, Arquitetura: Mario Campi, Arne Jönsson, Jan Telving.


2. Sala-comum: problemas correntes

Tal como se apontou acima, de forma sintética, os mais frequentes problemas nas zonas de estar ligam-se com a exiguidade espacial, seja global, seja por existência de dimensões muito reduzidas, levando à dificuldade de instalação e de vivência de diversas atividades (por exemplo, refeições, estar, ler, ver TV, trabalhar).

Estes problemas podem originar que a sala-comum acabe por se reduzir a uma zona de estar, ou a uma zona de refeições ou, frequentemente, a uma zona muito pouco útil porque atravancada por muito mobiliário.

Uma solução eficaz para este problema pode ser dada pela contiguidade entre a sala-comum e um quarto, condição esta que proporciona a eventual criação ou vivência episódica de uma sala maior, designadamente, através de uma compartimentação versátil.

Os problemas são mais frequentes em habitações com maior número de habitantes porque as soluções habitacionais tendem a não se caracterizar por uma relação adequada entre mais quartos e um suplemento de área significativo na sala-comum e na cozinha.

Os referidos problemas de exiguidade espacial na sala de estar ou comum decorrem, quer de possíveis condições de reduzido desafogo espacial, quer pelo uso de mobiliário excessivamente dimensionado, não tendo as pessoas, habitualmente, a noção do espaço necessário para a respetiva instalação e para que possa ser usado de uma forma agradável; sendo este um problema genérico mas que afeta especialmente salas e zonas de refeições, que são os espaços mais divulgados nos meios de comunicação e onde a maioria das pessoas tenta investir de uma forma expressiva.


3. Sala-comum: questões habitualmente levantadas (dimensionais e outras)

As questões levantadas no desenvolvimento e na vivência dos espaços associados à sala-comum são de ordem mais geral ou de maior pormenor.

Em termos mais gerais é possível refletir sobre a eventual inexistência de uma sala-comum “corrente”, que poderá ser substituída por um espaço amplo de estar, refeições e cozinha, caracterizado por uma forte fusão entre estas funções, embora, conforme a opção de projeto, possa haver uma dominância formal de alguma(s) delas.

Ainda globalmente a sala-comum pode ser substituída por um compartimento multifuncional do tipo "grande quarto", que os habitantes poderão  usar na medida das suas necessidades e desejos, devendo, neste caso, haver uma ampla cozinha convivial.

Em termos mais particularizados destaca-se a frequente dificuldade de instalar um adequado espaço de estar, com sofás e mesas de apoio, bem como a também frequente dificuldade de articular este espaço com as necessidades funcionais colocadas pelo uso da TV, situação esta ainda tornada mais complexa, quer pelo crescimento dimensional dos monitores de TV, quer pela sua articulação com outros elementos eventualmente protagonistas numa sala-comum, como é o caso de uma lareira ou de um outro dispositivo com idênticas funções e conotações simbólicas de centralidade e de reunião.

Um razoável remédio para tais questões estará essencialmente na aplicação de dimensões relativamente desafogadas, capazes de aceitarem diversas configurações de conjuntos de mobiliário e de equipamento.

E haverá ainda que considerar a integração de um local para instalação de uma aparelhagem de som e, por exemplo, de apoio ao estudo e ao trabalho profissional em casa, funções estas que poderão ser eventualmente integradas, numa zona reduzida, considerando-se a atual miniaturização das referidas aparelhagens e a constatação de que o ouvir música e o trabalhar são funções que provavelmente terão de acontecer em alternativa ao ver/ouvir TV, designadamente, quando as condições de espaciosidade da sala-comum não permitirem uma maior convivência de atividades através da distância entre as mesmas; isto se não se optar por soluções “paliativas” como, por exemplo, o uso de auscultadores.

Mas, de qualquer forma, nesta problemática considera-se que a previsão de uma espaciosidade razoavelmente suplementar, capaz de proporcionar essencialmente mais espaço interpessoal, portanto um pouco mais de distanciamento entre os utentes da sala-comum, assim como o uso de lugares sentados mais espaços (o que acaba por ajudar a produzir o mesmo efeito), será uma medida a privilegiar e que terá influências diretas na previsão de dimensões mínimas mais folgadas e versáteis em termos da respetiva ocupação por mobiliário.

Finalmente, há que sublinhar que a sala-comum deve ser, mais do que um espaço de convívio e atividade doméstica diversificada, um espaço de receção de amigos e eventualmente de outras pessoas relativamente às quais se possa até fazer alguma cerimónia, e um espaço de suporte de atividades culturais e de aprofundamento do mundo pessoal de cada habitante, por exemplo, através da criação de boas condições para a leitura, para a audição de música e para a prática de passatempos diversos, que podem ir dos jogos de vídeo aos jogos de cartas.


Fig. 02: Sala espacial e funcionalmente inovadora  de uma habitação do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - H 21 24, Arquitetura: Mario Campi, Arne Jönsson, Jan Telving.


4. Sala-comum: novidades, dúvidas, potencialidades e tendências (ex., trabalho em casa; idosos, etc.)

Tudo o que atrás se referiu leva à consideração da sala-comum como um espaço doméstico que deve ser concebido com um elevado grau de exigência, e considerando uma expressiva adaptabilidade, aspetos estes que nada têm a ver com o tipo de atenção estereotipada que leva a produzir salas-comuns que suportam, e mal, apenas uma exígua zona de estar e uma reduzida zona de refeições ditas formais.

E não se imagine que o que não se pode fazer na sala-comum se fará nos quartos, não só porque é fundamental oferecer condições para estar em grupo, “em companhia”, desempenhando as mesmas ou diversas atividades, mas também porque em condições de reduzida espaciosidade os quartos sofrem sempre bastante.

De forma mais geral podemos considerar que as tendências de uso e apropriação em salas-comuns domésticas parecem privilegiar uma crescente multifuncionalidade, mas harmonizada com uma afirmada caracterização formal e simbólica deste espaço como verdadeira “montra” familiar e pessoal, mas uma “montra” que tem de ser bem viva e usável. E se na casa viver apenas uma única pessoa, então a sala acaba por ser um seu cartão de identidade.

O estar doméstico constitui, hoje em dia, provavelmente, em conjunto com o “cenário” espacial, funcional e ambiental da cozinha, um par de aspetos domésticos profundamente valorizados pela sociedade; e considerando esta perspetiva tanto se definem condições de caracterização destes espaços como verdadeiras "montras" para visitas, e pouco úteis no dia-a-dia, como estes espaços terão de ser intensamente usados como verdadeiros núcleos do habitar diário.

Para o espaço de estar e considerando estas possibilidades e também a grande diversidade e a potencial simultaneidade dos usos aí frequentes, a principal “receita” parece ser espaço suficiente, dimensões adaptáveis e uma estratégica separação, mas muito cuidada e sensível, do resto da habitação de forma a que se reduzam os potencias conflitos por geração de ruídos e por falta de privacidade e de autonomização do uso da casa pelos seus diversos habitantes, isoladamente e em grupos, mas mantendo-se excelentes pontes espaciais e funcionais entre a zona mais social e a zona mais privada da habitação, no sentido de se permitirem até estratégicas fusões espaciais, que podem ser apenas fugazes, mas que podem proporcionar excelentes condições para pontuais convívios mais alargados, atribuindo-se, assim, à habitação uma outra escala de importância e um conteúdo funcional e social mais amplo e adequado.


5. Breves notas, julgadas a propósito, sobre a pormenorização da sala-comum

Trata-se, aqui, apenas de “algumas notas”, muito curtas, sobre a importância de uma adequada pormenorização dos espaços da sala-comum e dos restantes espaços domésticos a eles associados, sublinhando-se, aliás, tal como já foi apontado, que importa desenvolver-se um excelente projeto de pormenor, que alie: sentido de agradabilidade doméstico; capacidade de apropriação desses espaços e reforço do seu papel identitário; mas também grande capacidade funcional na aceitação de mobiliário e outros elementos de apropriação; e grande capacidade em termos de durabilidade a usos correntes e eventuais (ex., convívio mais alargado) e de facilidade de manutenção.

Como pormenorizar arquitetonicamente de modo a ampliar a capacidade de receção de variadas soluções de mobiliário e mesmo de opções de decoração? E tendo-se em conta, por um lado, o papel representativo e, por outro, o essencial papel multifuncional da sala-comum nos dias de hoje e, designadamente, em situações de habitação com controlo de custos? É algo que nos levará, naturalmente, longe, mas que, basicamente, depende de um bom projeto de arquitectura de interiores, provavelmente marcado por opções de estratégica mas não excessiva neutralidade formal.




Notas:

(1) Sven Thiberg (Sven Thiberg, Ed., "Housing Research and Design in Sweden", p. 195) defende que uma sala basicamente com uma planta quadrada e dimensionada de acordo com uma dimensão base, mínima, de largura de cerca de 4.30/4.50m permite um arranjo flexível de zonas de estar, embora não permitindo a integração, no seu interior, de uma zona de refeições. Relativamente a este assunto e tal como referi num estudo anterior, é importante proporcionar uma grande variedade de possibilidades de integração na zona de estar de diversos tipos e grupos de elementos de mobiliário, porque diversos estudos têm já revelado uma forte discrepância entre os modelos de mobiliário previstos pelos projectistas e a realidade desenvolvida pelos ocupantes.

 

Notas editoriais ao artigo:

O presente artigo corresponde a uma edição muito ampliada e modificada do artigo que foi editado na Infohabitar, em 22/02/2015, com o n.º 521.

 

Nota importante sobre as imagens que ilustram o artigo:

As imagens que acompanham este artigo e que irão, também, acompanhar outros artigos desta mesma série editorial foram recolhidas pelo autor do artigo na visita que realizou à exposição habitacional "Bo01 City of Tomorrow", que teve lugar em Malmö em 2001.

Aproveita-se para lembrar o grande interesse desta exposição e para registar que a Bo01 foi organizada pelo “organismo de exposições habitacionais sueco” (Svensk Bostadsmässa), que integra o Conselho Nacional de Planeamento e Construção Habitacional (SABO), a Associação Sueca das Companhias Municipais de Habitação, a Associação Sueca das Autoridades Locais e quinze municípios suecos; salienta-se ainda que a Bo01 teve apoio financeiro da Comissão Europeia, designadamente, no que se refere ao desenvolvimento de soluções urbanas sustentáveis no campo da eficácia energética, bem como apoios técnicos por parte do da Administração Nacional Sueca da Energia e do Instituto de Ciência e Tecnologia de Lund.

A Bo01 foi o primeiro desenvolvimento/fase do novo bairro de  Malmö, designado como Västra Hamnen (O Porto Oeste) uma das principais áreas urbanas de desenvolvimento da cidade no futuro.

Mais se refere que, sempre que seja possível, as imagens recolhidas pelo autor do artigo na Bo01 serão referidas aos respetivos projetistas dos edifícios visitados; no entanto, o elevado número de imagens de interiores domésticos então recolhidas dificulta a identificação dos respetivos projetistas de Arquitetura, não havendo informação adequada sobre os respetivos designers de equipamento (mobiliário) e eventuais projetistas de arquitetura de interiores; situação pela qual se apresentam as devidas desculpas aos respetivos projetistas e designers, tendo-se em conta, quer as frequentes ausências de referências - que serão, infelizmente, regra em relação aos referidos designers -, quer os eventuais lapsos ou ausência de referências aos respetivos projetistas de arquitetura.


Notas editoriais gerais:

(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.

(ii) No mesmo sentido, de natural responsabilização dos autores dos artigos, a utilização de quaisquer elementos de ilustração dos mesmos artigos, como , por exemplo, fotografias, desenhos, gráficos, etc., é, igualmente, da exclusiva responsabilidade dos respetivos autores – que deverão referir as respetivas fontes e obter as necessárias autorizações.

(iii) Para se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

 

Problemas e potencialidades da sala-comum doméstica - infohabitar # 798

Infohabitar

Editor: António Baptista Coelho

Arquitecto/ESBAL – Escola Superior de Belas Artes de Lisboa –, doutor em Arquitectura/FAUP – Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto –, Investigador Principal com Habilitação em Arquitectura e Urbanismo no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), em Lisboa.

abc.infohabitar@gmail.com

abc@lnec.pt

Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional Infohabitar – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE).


domingo, junho 14, 2015

537 - Versatilidade da arrumação doméstica - Infohabitar 537


Atenção às inscrições no 3.º CIHEL - 3.º Congresso Internacional da Habitação no Espaço Lusófono, em setembro de 2015, São paulo, Brasil.

A importância e a versatilidade da arrumação doméstica 

Artigo LXXXI da Série habitar e viver melhor
Infohabitar, Ano XI, n.º 537
António Baptista Coelho

Continuamos, em seguida, a Série editorial sobre "habitar e viver melhor", na qual temos acompanhado uma sequência espacial desde a vizinhança de proximidade urbana e habitacional até ao edifício multifamiliar.
Estamos agora a abordar , com algum detalhe, os espaços que constituem os nossos “pequenos” mundos domésticos e privativos, refletindo sobre as diversas facetas que os qualificam; e continuamos hoje a desenv«volver uma reflexão sobre os espaços de arrumação domésticos.

Arrumar muita coisa e apoiar todas as outras funções habitacionais 



Arrumar bem, é essencial para se ter uma boa casa


A capacidade de arrumação doméstica, propriamente dita, porque associada aos múltiplos e inúmeros objectos de que precisamos e que gostamos de ter nas nossas casas é uma qualidade do habitar que pode existir:

- ou de forma claramente suficiente, proporcionando uma significativa facilidade e um significativo desafogo nos diversos tipos de arrumação que são necessários;


- ou de forma, pelo menos, minimamente estratégica em determinados pontos-chave domésticos como será o caso da cozinha, da casa de banho, dos quartos e da principal zona de tratamento de roupas.


E desde já se refere que na ausência de uma tal capacidade mínima, já razoavelmente estudada em termos funcionais por diversos autores, os habitantes terão uma qualidade de vida claramente diminuída pois na sua casa haverá uma significativa tendência para ficarem aparentes, rapidamente, atitudes menos sistemáticas de arrumação e, naturalmente, os reflexos, em termos de menor arrumação, produzidos por modos de vida mais informais.



Quando há capacidade de arrumação, há, sempre, pelo menos, o recurso a uma arrumação aparente que pouco mais é do que esconder a desarrumação; mas em modos de vida que são, na prática, pouco domésticos, pois são caracterizados por uma reduzida permanência em casa, esta é uma possibilidade estratégica e oportuna, nem que seja pela possibilidade que oferece de adiar a verdadeira arrumação para alturas mais adequadas, por exemplo no final da semana.

A importância básica da arrumação - para lá dos aspetos funcionais

E é importante ter presente que, praticamente, ninguém aprecia conviver com uma desarrumação aparente.
O arrumar de tudo o resto que, para além do mobiliário, preenche as nossas casas exige um cuidado especial pois, na prática, há diversos tipos de arrumação a considerar, desde a dos elementos necessários ao dia-a-dia doméstico, aos elementos ligados à vivência semana-a-semana, e mesmo a elementos específicos associados a uma arrumação personalizada e especializada. 
Simplificando esta matéria há que pensar, na cozinha, em arrumar tudo aquilo de que se necessita para cozinhar e para apoiar as refeições, mas aqui temos grande ajuda de toda uma indústria funcional-decorativa que nos propõe até verdadeiros sonhos de cozinhas cujos únicos problemas são o preço e o espaço que ocupam; e vale a pena sublinhar que é possível ser económico e proporcionar tudo aquilo que além de necessário proporciona um óptimo ambiente de vida.


Fig. 01: Uma cozinha cuja capacidade de arrumação constitui claro fator de atratividade e apropriação - interior de habitação do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - H 4, Arquitetura: Jan Christer Ahlbäck.

Da cozinha que nos serve à montra-cozinha

E há, até, que ter cuidado em não se transformar um espaço que será potencialmente muito usado numa espécie de montra para visitas que depois acaba por ser mais uma dor de cabeça em termos de exageros de limpeza e arrumação, acabando, tantas vezes, por deixar de ser um espaço de convívio – daí tantas vezes se fazerem segundas cozinhas, que são as verdadeiras, sempre que se pode (por exemplo em moradias).
E na cozinha há que ter especialmente cuidado com a arrumação dos alimentos e dos mais diversos produtos e objectos usados nas lides da casa, sendo naturalmente conveniente uma adequada separação entre uns e outros e algum desafogo que permita arrumar os habituais grandes avios semanais ou mesmo mensais; e atenção se a casa é grande e serve uma família grande tais espaços terão de ser especialmente bem dimensionados.
Um outro aspecto a ter em conta nesta última matéria da arrumação de géneros e apetrechos para cozinhar liga-se a um hábito que parece estar em crescendo e que é a prática do cozinhar como segunda actividade ou passa-tempo, numa passagem de modos de viver a casa entre a cozinha que era o espaço de quem cozinhava, praticamente, como profissão, para a cozinha de quem cozinha, periódica ou eventualmente como paixão e como gosto específico; uma situação que deixa totalmente de lado aquela “cozinha laboratório” onde tantas vezes a empregada, que hoje não existe, se “desenrascava”, e uma situação que acaba por revestir a nova cozinha de uma nova necessidade de funcionalidades bem ligadas a um amplo, estratégico e atraente leque e arrumações – um pouco como se tratando de um grande “brinquedo”.
Ainda associado à cozinha outro aspecto a considerar é o apoio simplificado e adequado a arrumações de géneros alimentares em quantidades mais significativas – por exemplo uma saca de batatas – e o apoio especializado à arrumação de géneros com arrumação potencialmente prolongada, mas que sejam periodicamente manuseados – por exemplo queijos e vinhos.
Referem-se especificamente estes aspectos pois considera-se que tais possibilidades integram, expressivamente, o gosto de habitar e viver a casa de muitas pessoas e, assim, deverão ser devidamente considerados em termos da concepção dos seus espaços domésticos, proporcionando-se, assim, mais gosto no habitar diário da casa e nas suas múltiplas facetas.

Arrumação nas casas de banho

Passando, agora, às arrumações nas casas de banho a ideia mais importante é que elas são fundamentais seja para apoiarem naquilo que é funcionalmente adequado e que deve ali estar “à mão”, seja para conferirem às casas de banho um verdadeiro sentido de “casas de banho”, agradável, envolvente e caloroso, bem distinto do sentido frio, duro, impessoal, maquinal e quase “de jazigo”, associado a tantas “instalações sanitárias”, que mais não são do que um repositório “de catálogo” de peças sanitárias.

Arrumações nos quartos

Sobre as arrumações nos quartos elas estão associadas, essencialmente, a artigos de vestuário e a um amplo leque de objectos pessoais, sendo aqui interessante referir que há, sempre, um aproveitamento muito mais integral do espaço de arrumação quando se conta com roupeiros encastrados, desde que estes sejam úteis no máximo da altura disponível no quarto e desde que, interiormente, sejam funcionalmente organizados em diversas valências de arrumação – pendurar vestuário, prateleiras e gavetas; a diferença em capacidade de arrumação entre um roupeiro assim desenvolvido e outro sem este tipo de condições é, frequentemente, muito significativa e o respectivo investimento pode ser muito minimizado.
Roupeiros encastrados úteis como os referidos oferecem uma capacidade de arrumação muito superior à que está associada aos tradicionais roupeiros móveis e podem ter um acabamento que ou fica “camuflado” com as cores e texturas aplicadas, globalmente, no quarto, ou assume um acabamento em madeira aparente igual ao eventualmente utilizado em rodapés e portas interiores; soluções estas compatíveis com os diversos tipos de arranjos de mobiliário usados nos quartos.

Arrumações em espaços de circulação

As arrumações nos espaços de circulação seguem, basicamente, o que acabou de ser referido para as arrumações com roupeiros encastrados nos quartos, referindo-se, apenas, que se trata de uma valência de arrumação muito útil para os mais diversos fins e objectivos de arrumação, o que pode levar a uma diversificação cuidada dos tipos pormenorizados de arrumação que são aqui oferecidos. Anota-se, ainda, que poderá haver interesse em deixar espaços de circulação “desimpedidos” de roupeiros ou armários embutidos, designadamente, em locais estratégicos para se posicionarem elementos de mobiliário especiais e mais cuidados, por exemplo, numa parede bem visível logo quando se entra em casa.
Um espaço de circulação que merece um tratamento específico em termos de capacidade de arrumação é a zona de entrada doméstica, onde será interessante a existência de um roupeiro embutido, para apoio a diversos tipos de arrumações associadas à relação com o exterior, mas onde é especialmente importante a referida possibilidade de integração de elementos de mobiliário especiais e mais cuidados.


Fig. 02: Novas formas de arrumação em zonas de estar - interior de habitação do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - H 4, Arquitetura: Jan Christer Ahlbäck.

Arrumações nas salas

Sobre as arrumações nas salas há que referir não se tratar de uma opção frequente, até pela situação de se evitarem eventuais incompatibilidades formais com a escolha de mobiliário para a sala-comum, no entanto, havendo os cuidados de harmonização acima apontados, e considerando-se uma posição estratégica e sóbria de um armário embutido, um elemento deste tipo poderá revelar-se de grande utilidade na sala-comum, designadamente, no apoio à diversificação funcional desde principal espaço social doméstico, proporcionando, por exemplo, a arrumação prática e integral de elementos de apoio a actividades profissionais realizadas em casa.
Ainda nesta matéria das arrumações embutidas na sala-comum é interessante apontar as virtualidades que tais arrumações oferecem, quer em condições de reduzida espaciosidade global, substituindo, com vantagens práticas de muito maior capacidade de arrumação, os tradicionais aparadores ou mesmo estantes móveis, quer em soluções de articulação entre vários tipos de espaços, em que estes armários embutidos servem, também, de tabiques de separação entre diversos a sala-comum e outro compartimento ou espaço de circulação; e neste caso estes armários embutidos poderão ser usados nas suas duas frentes. E atente-se, finalmente, que sendo a sala-comum, basicamente, um espaço social não haverá nestas soluções quaisquer problemas de privacidade.


Fig. 03: pormenor de arrumação em interior de habitação do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - H 4, Arquitetura: Jan Christer Ahlbäck.

Arrumações em escritórios

Os escritórios ou saletas-escritório integrados em habitações podem ou devem ser considerados como variações adaptativas de quartos – de certa forma também se poderá considerar exactamente a ideia oposta, a adaptabilidade doméstica só fica a ganhar –, e assim a existência de um roupeiro ou armário embutido deverá seguir os aspectos acima apontados para os quartos. No entanto e como será natural a existência de um quarto mais pequeno e, tendencialmente, mais associável a esta função de escritório ou de saleta de recepção e de estar em sossego, neste compartimento poderá não existir um armário embutido ou então este poderá ter uma dimensão especialmente reduzida, de modo a ser possível realizar aqui um arranjo de mobiliário mais caracterizado e identificável.

Despensa geral

Será, ainda, interessante a criação de um pequeno compartimento especializado para arrumações, uma despensa geral, tanto mais útil, quanto mais tradicionais forem os modos de habitar e quanto maior for o agregado familiar; e num tal compartimento é fundamental uma adequada integração de prateleiras ergonómicas, seja no seu dimensionamento, seja no seu espaço de utilização.

Arrumações fora da habitação

E, finalmente, sobre as arrumações fora dos espaços habitacionais específicos, portanto situadas nas garagens comuns ou em outros sítios, a regra a aplicar é idêntica à apontada para a despensa geral, considerando-se, no entanto, que estas arrumações poderão ser mais espaçosas e funcionalmente diversificadas, de forma a poderem acolher seja arrumações “sujas”, como por exemplo alguma lenha, seja a arrumação funcional de bicicletas.
Conclui-se esta pequena viagem pela arrumação doméstica com a dúvida de como apoiar a arrumação funcional de bicicletas, quando não existe o referido compartimento de arrumações fora da habitação ou outro espaço adequado e protegido em espaços exteriores privativos; uma solução será a previsão de um compartimento ou espaço comum, devidamente controlado, com este tipo de função.

Fig. 03: interior de habitação do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - H 4, Arquitetura: Jan Christer Ahlbäck.

References/Referências/notas


Nota importante sobre as imagens que ilustram o artigo:

As imagens que acompanham este artigo e que irão, também, acompanhar outros artigos desta mesma série editorial foram recolhidas pelo autor do artigo na visita que realizou à exposição habitacional "Bo01 City of Tomorrow", que teve lugar em Malmö em 2001.

Aproveita-se para lembrar o grande interesse desta exposição e para registar que a Bo01 foi organizada pelo “organismo de exposições habitacionais sueco” (Svensk Bostadsmässa), que integra o Conselho Nacional de Planeamento e Construção Habitacional (SABO), a Associação Sueca das Companhias Municipais de Habitação, a Associação Sueca das Autoridades Locais e quinze municípios suecos; salienta-se ainda que a Bo01 teve apoio financeiro da Comissão Europeia, designadamente, no que se refere ao desenvolvimento de soluções urbanas sustentáveis no campo da eficácia energética, bem como apoios técnicos por parte do da Administração Nacional Sueca da Energia e do Instituto de Ciência e Tecnologia de Lund.

A Bo01 foi o primeiro desenvolvimento/fase do novo bairro de  Malmö, designado como Västra Hamnen (O Porto Oeste) uma das principais áreas urbanas de desenvolvimento da cidade no futuro.

Mais se refere que, sempre que seja possível, as imagens recolhidas pelo autor do artigo na Bo01 serão referidas aos respetivos projetistas dos edifícios visitados; no entanto, o elevado número de imagens de interiores domésticos então recolhidas dificulta a identificação dos respetivos projetistas de Arquitetura, não havendo informação adequada sobre os respetivos designers de equipamento (mobiliário) e eventuais projetistas de arquitetura de interiores; situação pela qual se apresentam as devidas desculpas aos respetivos projetistas e designers, tendo-se em conta, quer as frequentes ausências de referências - que serão, infelizmente, regra em relação aos referidos designers -, quer os eventuais lapsos ou ausência de referências aos respetivos projetistas de arquitetura.

Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.


Infohabitar, Ano XI, n.º 537
Artigo LXXXI da Série habitar e viver melhor
A importância e a versatilidade da arrumação doméstica - Infohabitar n.º 537

Editor: António Baptista Coelho 
abc@lnec.pt e abc.infohabitar@gmail.com
GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional

Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.