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terça-feira, janeiro 19, 2021

Sobre a oferta de diversas propostas organizativas para as zonas domésticas – Infohabitar # 761

Importante: ligação direta (clicar) para:  760 Artigos Interactivos, edição revista, ilustrada e comentada em janeiro de 2021- 38 temas e mais de 100 autores

 

Infohabitar, Ano XVII, n.º 761

Edição: terça-feira, 19 de janeiro de 2021

 

 Caros leitores da Infohabitar,

A viagem pelos espaços do habitar e designadamente pelos espaços domésticos continua e continuará a ser feita na Infohabitar, integrando uma série editorial já com assinalável extensão na nossa revista.

Avisam-se, no entanto, os leitores que a edição desta série irá, provavelmente, ser interrompida durante algumas semanas, pois está, atualmente, em preparação uma nova série editorial muito focada nos aspetos mais desejáveis a desenvolver, especificamente, na promoção de habitação de interesse social .

Lembra-se, novamente, que serão sempre muito bem-vindas eventuais ideias comentadas sobre os artigos aqui editados e propostas de novos artigos (a enviar para abc.infohabitar@gmail.com , ao meu cuidado).

Considerando a atual e muito crítica evolução da pandemia, sublinha-se a vital importância do máximo confinamento e do distanciamento social, conseguidos, designadamente, através do teletrabalho, bem como do respeito por todas as medidas de higiene e proteção amplamente divulgadas.

Não tenhamos dúvida de que boa parte do combate ao vírus passa pelos nossos esforços sistemáticos, pessoais e familiares, que terão de se enraizar nos nossos hábitos diários, mesmo quando temos já entre nós as vacinas, mas quando simultaneamente a pandemia está numa fase muito dura.

Despeço-me, até à próxima semana, enviando saudações calorosas e desejos de força e de boa saúde para todos os caros leitores e seus familiares,    

 

Lisboa, Encarnação, em 18 de janeiro de 2021

António Baptista Coelho

Editor da Infohabitar


Sobre a oferta de diversas propostas organizativas para as zonas domésticas – Infohabitar # 761

António Baptista Coelho

(texto e imagem)

Resumo

No artigo desenvolve-se uma reflexão, de certa forma, introdutória sobre o interesse da exploração e do subsequente aprofundamento de uma razoável variedade de propostas organizativas para as zonas e subzonas  da habitação, numa perspetiva que encara criticamente uma, ainda preponderante, preocupação essencialmente funcional, e que visa a melhor adequação a necessidades e desejos habitacionais específicos num quadro de expressiva qualidade arquitectónica.


Sobre a oferta de diversas propostas organizativas para as zonas domésticas – Infohabitar # 761

1. Para lá das principais propostas domésticas organizativas e funcionalistas

Provavelmente, há alguns anos, esta temática, associada globalmente aos aspetos de organização funcional doméstica, seria das mais importantes em termos de um apoio prático ao desenvolvimento de melhores soluções habitacionais.

Tratava-se, então, afinal, de um relativo culminar de toda uma tradição de uma aplicação prática e afinada ao longo de decénios, de zonamentos funcionais ou funcionalistas, zonamentos estes que, infelizmente, ajudaram a destruir bairros de cidades e a uniformizar a globalidade dos “novos” espaços domésticos no sentido do serviço a uma pessoa “média” e a uma família “média”; provavelmente a tal que deseja a habitação do “Tipo 3” (com 3 quratos “de dormir”, o conhecido T3), mas que acaba por se contentar com uma habitação do Tipo 2, incluindo uma pequena cozinha, quartos dimensionados para “mobílias completas”, mas mínimas, e uma “sala-comum” – teoricamente integrando funções de estar e de refeições formais – mas onde, freqientemente, quase nem há espaço para encaixar um catálogo mínimo de mobiliário, quanto mais para aceitar toda uma vida doméstica que aí se deveria poder concentrar de uma forma, pelo menos, minimamente adequada a todos os respetivos intervenientes.

A culpa não foi apenas de quem promoveu estes espaços, mas também do encarar , frequentemente, a regulamentação mínima como regulamentação básica e corrente, e de um frequente manejar de tais mínimos regulamentares espaciais e funcionais por projetistas com reduzida capacidade para ultrapassar tais condições mínimas através de excelentes projetos de Arquitetura habitacional.

2. Notas sobre a importância de uma “regulamentação” essencial

Em primeiro lugar há que justificar o apontar, no título deste item, de regulamentação entre aspas, pois com esta designaçãoo pretende-se incluir não só a clássica prática regulamentar, mas também práticas recomendativas e de projeto e apreciação habitacional, privilegiando-se, aqui, naturalmente, a habitação de interesse social, por ser a mais condicionada e obrigar à aplicação de financiamentos públicos.

Nas áreas habitacionais, tal como em muitas outras áreas temáticas, há, evidentemente, matérias que têm de ser rigorosamente regulamentadas, destacando-se, evidentemente, os aspetos ligados à segurança e nestes, sublinhando-se, os associados à segurança no uso corrente da habitação, e tendo-se em conta, especificamente, o uso por pessoas com diversos condicionamentos – etários, de mobilidade, de perceção, em termos de hábitos socioculturais, etc.

E estes aspetos de segurança no uso normal deverão abranger cuidados de segurança em termos de saúde e bem-estar físico e psicológico; matérias estas de elevada exigência, complexidade e diversidade temática – integrando, designadamente, desde as conhecidas mas ainda pouco respeitadas exigências de múltiplo conforto ambiental, às matérias vitais da qualidade do ar, da ausência de produtos nocivos para a saúde, de redução de acidentes domésticos, e da vital ligação com as exigências de sustentabilidade ambiental.

Mas as preocupações regulamentares ainda atualmente mais praticadas são as “simplesmente dimensionais”, ainda por cima mal associadas a áreas mínimas consideradas como áreas a aplicar (tal como acima se referiu), pouco ou nada articuladas com as essenciais dimensões mais versáteis em termos de habitabilidade, que não são, evidentemente, as “mínimas regulamentares” e, muitas vezes, criticamente associadas a organizações funcionais domésticas rigidamente “monofuncionalistas”, criticamente hierarquizadas e, portanto, muito pouco adaptáveis a diversas necessidades domésticas e muito menos a diversos modos e desejo de habitar a casa de cada um e de cada agregado familiar.

Acresce, ainda, a esta situação a realidade de quanto menores as áreas disponíveis maior a complexidade projetual, evidentemente, no sentido de se obter uma adequadamente versátil solução doméstica; uma situação que deveria obrigar a elevadas exigências na escolha dos projetistas de habitação de interesse social, e que deveria passar por um exigente e amplo crivo de apreciação dos respetivos projetos, numa análise muito mais elaborada e qualificada do que a que é simplesmente baseada nos referidos critérios de áreas mínimas/razoáveis e de mais alguns aspetos já constantes de alguns corpos recomendativos, como é o caso das Recomendações Técnicas para Habitação Social (RTHS), que marcaram a sua época e tiveram excelente influência na melhoria da qualidade da Habitação de Interesse Social.

Parece haver, portanto, aqui uma quádrupla frente de intervenção:

·      na melhoria regulamentar do que é essencial, designadamente, em termos de ampla segurança no uso corrente;

·      de melhoria recomendativa em termos de um habitar mais versátil, mais adaptável e mais apropriável;

·      de um privilegiar de projetos com assinalável qualidade arquitectónica – incluindo variadas facetas, entre as quais a da racionalidade construtiva e económica e a da adequada e valorizadora integração local –, designadamente, quando estejam “em jogo” fundos públicos e assinaláveis condicionalismos projetuais;

·      e do desenvolvimento de uma melhorada capacidade de apreciação e validação da referida adequação e qualidade arquitetónica residencial, designadamente, quando estejam “em jogo” fundos públicos e assinaláveis condicionalismos projetuais.

3. Do funcional ao pessoal e familiar na habitação

O título deste item também poderia ser: “há mais habitação para lá do espaço e da função!”, sempre houve, designadamente, naquelas habitações onde dá realmente gosto habitar

Se considerarmos que os amplos aspetos de segurança e de adequação em termos de versatilidade e  adaptabilidade estão garantidos, então parece que  à matéria da qualidade arquitectónica, nas suas variadas facetas, poderia/deveria ser dada  ampla liberdade criativa, designadamente, numa sensível conformação dos espaços interiores habitacionais.

Afinal a função tem de se harmonizar com a forma e vice-versa, mas a “forma” pode inovar, pode variar e deve induzir interesse e atratividade, mas também apropriação e afinidade; e por isso acima se referiu o desenvolvimento de uma “sensível” conformação dos espaços interiores habitacionais; sensibilidade esta que, evidentemente, depende da qualidade arquitectónica do respetivo projeto, necessariamente validada pela sua respetiva apreciação (pois “de boas intençoes ...”)

Tudo isto tem a ver com estarmos, agora, em pleno “mundo” privado, um mundo onde o que há a regulamentar pode/deve estar “automaticamente” embebido na respetiva pormenorização de divisórias, instalações, vãos, equipamentos e acabamentos, proporcionando-se, para lá de todo esse pequeno/grande mundo do detalhe, variadas espacialidades formais, diversas relações entre variados espaços/ambientes e uma afirmada potencialidade evolutiva e/ou natural versatilidade dos espaços e seus mútuos relacionamentos.

E, assim, a ideia que se perfilha, aqui, no interior doméstico é a de um muito amplo leque de soluções espaciais, funcionais e formais, verdadeiramente versáteis e positivamente caraterizadoras de cada solução, para lá de todo um necessário conjunto de soluções “embebidas”, ligadas a aspectos essenciais de funcionalidade, acessibilidade, segurança, saúde e higiene, aspectos estes muito concentrados em “zonas de água” (bancadas de cozinha, espaços de tratamento de roupa e casas de banho) e nas zonas de relação entre diversos ambientes (ex., interior/exterior, comum/privado, etc.).

Quanto aos “velhos” aspectos de organização dita “funcional” da casa, tal como ainda são considerados, designadamente, no “mercado habitacional”, como por exemplo as “clássicas” “zonas íntimas” e outras zonas mais ou menos funcionais, julga-se que a estruturação doméstica será tanto mais negativa, no que se refere à sua assimilação por diversas famílias, quanto mais “hierarquizada”, "rígida" e “em árvore” for a respectiva organização.

O resto, e o resto que é quase tudo no espaço doméstico, deveria ser deixado a uma ampla liberdade de concepção, embora tal liberdade seja, como sabemos, uma condição gémea de uma muito apertada exigência de qualidade de Arquitectura.

Fig. 1: entre preocupações de funcionalidade, segurança, versatilidade, apropriação e até alguma domesticidade se vão construindo os ambientes habitacionais  positivamente mais marcantes.

4. Ideias de organização da habitação

Dito isto, que será um tema geral orientador desta reflexão sobre habitações que possam influenciar, realmente, uma vida doméstica mais feliz, apontam-se e comentam-se, brevemente, em seguida, algumas ideias de organização da habitação que podem informar as diversas soluções de organização domésticas, mesmo quando consideradas apenas a título de quadros organizativos genéricos – e regista-se que boa parte destas referências estão apontadas no meu estudo intitulado “Do bairro e da vizinhança à habitação”, editado pelo LNEC (ITA 2), e foram baseadas, frequentemente, nas opiniões de de um amplo leque de autores.

·      Espaços tipologicamente distintos em termos de socialização, privacidade e funcionalidade geral.

Matéria que, interessantemente ,conjuga aspetos que por vezes são considerados de forma desagregada, provocando “organizações” domésticas muito discutíveis ou mesmo muito negativas; de certa forma há que tê-los em conta, mas, subsequentemente, reinterpretá-los, fundi-los, quase apagar (aparentemente) um ou outro, recriar “novos” espaços a partir de elementos bem conhecidos, reinterpretar velhas tipologias, etc., etc.

·      Habitações “divididas” pela barreira entre usos essencialmente noturnos ou diurnos.

Matéria que parece que não deve ser considerada “à letra”, em termos da referida “divisão”, mas sim numa aproximação a estruturações domésticas que salvaguardem aspetos essenciais de conforto e de privacidade, assim como alguma estimulante diversidade de arranjos e de ambientes gerais, que são proporcionados – contrariamente a quadros domésticos monótonos, repetitivos e sem capacidade de atração e de apropriação.

·      Zonas mais formais e mais informais da habitação – ou domínios das crianças, domínios dos adultos e domínios comuns.

Esta matéria é muito ampla e proporciona inúmeros desenvolvimentos específicos e combinações entre eles; a  questão da boa aceitação doméstica, em termos de estruturação e pormenorização, a modos de vida mais formais ou mais informais poderá ser  essencial quando se pretende dotar a habitação de uma boa capacidade em termos de adaptabilidade e de apropriação.

·      Habitação que se vai adaptando à evolução etária e da composição da família e dos respetivos usos e desejos domésticos.

Uma habitação que se possa ir razoavelmente adaptando, em termos de processos mais passivos ou mais ativos, à evolução etária e da composição da família e dos respetivos usos e desejos domésticos, é uma qualidade essencial, seja na máxima valia de cada habitação relativamente a diversos grupos de utentes e de agregados familiares que a usem ao longo de gerações, seja na sua versatilidade de resposta ao uso pela mesma família ao longo dos anos e designadamente por pessoas que vão envelhecendo, mas que devem poder continuar a contar com a “sua” habitação.

·      Influência da ocupação habitacional no dimensionamento doméstico.

As questões ligadas à ocupação tendencial específica de um dado espaço doméstico, por exemplo, por uma família com crianças, por um jovem sozinho, ou por um casal de idosos, pode/deve influenciar a “tipologia” do respetivo dimensionamento (ex., maior ou menor espaciosidade) e, naturalmente, a sua estruturação e os seus conteúdos funcionais.

·      Hierarquização espacial e funcional.

Embora a bem conhecida hierarquização espacial e funcional seja criticável, designadamente, quando aplicada de forma rígida e pouco sensível a aspetos de adaptabilidade e multifuncionalidade domésticos, ela pode continuar a ter aspetos positivos muito associados a exigências e desejos de privacidade e/ou sossego e mesmo algum isolamento, pelo que será sempre uma ideia de organizaç\ão habitacional a considerar e aplicar. 

·      Microzonamento doméstico.

De certa forma numa recuperação parcial, particularizada e muito diversificada da criticada ideia de expressivo zonamento doméstico em diversas áreas de atividade, podemos avançar no que se poderá designar de microzonamento doméstico, numa perspetiva que passa para espaço/compartimento a possibilidade/capacidade de integrar umconjunto de pequenas, diversificadas, interpenetráveis e temporalmente mutantes “micro” áreas funcionais ou de atividade(s).

·      Importância da socialização na estruturação e na espaciosidade domésticas.

Finalmente, nesta pequena súmula de aspetos que influenciam as propostas organizativas para as zonas domésticas, salienta-se a importância que sempre deverá ter o apoio ao convívio/socialização na respetiva estruturação e espaciosidade domésticas; uma matéria, frequentemente, esquecida ou criticamente menorizada por estarmos a tratar do designado “espaço privado”.

 

Nota final:

Num próximo texto serão um pouco mais desenvolvidas estas matérias, mas desde já se aponta a sua importância, designadamente, quando aplicadas a soluções habitacionais espacialmente muito condicionadas, como é o caso das soluções de habitação de interesse social.


O presente artigo corresponde a uma edição ampliada, modificada e revista do artigo que foi editado na Infohabitar, em 21/07/2014, com o n.º 492.

Notas editoriais:

(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.

(ii) No mesmo sentido, de natural responsabilização dos autores dos artigos, a utilização de quaisquer elementos de ilustração dos mesmos artigos, como , por exemplo, fotografias, desenhos, gráficos, etc., é, igualmente, da exclusiva responsabilidade dos respetivos autores – que deverão referir as respetivas fontes e obter as necessárias autorizações.

(iii) Para se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.


Infohabitar, Ano XVII, n.º 761

 

Sobre a oferta de diversas propostas organizativas para as zonas domésticas – Infohabitar # 761

 

Infohabitar

Editor: António Baptista Coelho

Arquitecto/ESBAL – Escola Superior de Belas Artes de Lisboa –, doutor em Arquitectura/FAUP – Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto –, Investigador Principal com Habilitação em Arquitectura e Urbanismo no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), em Lisboa.

 

abc.infohabitar@gmail.com

abc@lnec.pt

 

Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional Infohabitar – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE).

 

segunda-feira, outubro 02, 2017

612 - Organizar os espaços habitacionais - Infohabitar 612

Infohabitar, Ano XIII, n.º 612

“Organizar os espaços habitacionais” – sete artigos sobre o tema mais um novo texto

por António Baptista Coelho

Tal como foi anteriormente divulgado, a Infohabitar retomou as suas edições regulares, através da edição de um novo artigo em cada semana, preferencialmente, logo à segunda-feira, aproveitando-se para, mais uma vez, enviar um amigável desafio aos leitores no sentido de poderem enviar para o editor (mail referido no final do artigo) propostas de artigos para edição.

Considerando que, durante já um número muito significativo de semanas a Infohabitar tem editado artigos integrados no âmbito da série designada “Habitar e Viver Melhor”, lembrámo-nos de proporcionar uma “revisão da matéria dada”, antes de prosseguirmos na edição desta série.

Neste sentido e neste artigo apresentam-se, em seguida, os títulos interativos dos artigos da série “Habitar e Viver Melhor”, que abordam temáticas relativas a uma adequada e diversificada organização dos espaços habitacionais, aproveitando-se para acrescentar, no final do artigo, uma nova nota de reflexão sobres estas apaixonantes e tão atuais matérias; e salienta-se que todos os quatro artigos aqui editados, desde início de Setembro de 2017, integram, logo a seguir à listagem interactiva dos artigos, novos textos de reflexão sobre a envolvente habitacional, as novas tipologias residenciais e a estrututação dos respectivos edifícios.

Em próximos artigos iremos disponibilizar reflexões sobre a estruturação e os conteúdos possíveis ds diversos espaços habitacionais mais comuns, ou mais privados e personalizados.

Lembra-se que bastará ao leitor “clicar” no título do artigo que lhe interessa para o poder consultar.

Lembra-se, ainda, que por motivos alheios à Infohabitar, que muito lamentamos e que já apontámos, na Infohabitar, a maior parte dos artigos desta série editorial não conta, neste momento, com as respetivas ilustrações; estando, no entanto, disponíveis todos os seus textos, que se caraterizam por expressiva autonomia relativamente às referidas imagens.
Finalmente regista-se que o processo editorial da Infohabitar, revista ligada à ação da GHabitar - Associação Portuguesa de Promoção da Qualidade Habitacional (GHabitar APPQH) – associação que tem a sede na Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE) –, voltou a estar, desde o princípio de setembro de 2017, em boa parte, sediado no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e nos seus Departamento de Edifícios e Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT); aproveitando-se para se agradecer todos os essenciais apoios disponibilizados por estas entidades.

São os seguintes os sete (7) artigos disponibilizados sobre o tema da organização dos espaços habitacionais":


Zonas domésticas:propostas organizativas

Diversas opções para os espaços da habitação

Equilíbrios dimensionais e de privacidade na habitação

Opções de compartimentação na habitação

“Libertar” a habitação das instalações

Oferta diversificada de espaços domésticos específicos I 

Oferta diversificada de espaços domésticos específicos II 

Sobre as temáticas associadas e associáveis à matéria geral de uma adequada e diversificada  “organização dos espaços habitacionais” muito há a dizer e sublinha-se que o que a seguir se aponta, em alguns parágrafos temáticos, corresponde, apenas, a uma informal reflexão sobre estes urgentes e importantes assuntos.

Tal como já se apontou em diversos textos desta série, pensar-se que uma habitação pode ser estruturada segundo diversos “partidos” organizativos é uma opção deveras salutar, pois:

- não só é tempo de olharmos as propostas organizativas domésticas funcionalistas tal como elas podem e devem ser olhadas/vividas, numa perspectiva expressivamente “funcional”, ainda que fazendo-a, sempre, passar por um crivo não “maquinal” e de estruturação rígida das tarefas domésticas, a não ser que estejamos em presença de um programa exactamente deste tipo, por exemplo, marcado por actividades realizadas por empregados e/ou serviços domésticos realizados fora da esfera do respectivo agregado familiar;

- como parece ser tempo de se abrirem as novas e renovadas organizações domésticas a uma expressiva diversidade de necessidades, modos e gostos de habitar a “casa” de cada um e de cada agregado familiar; seja numa opção por organizações domésticas básicas com um elevado potencial de adaptabilidade passiva – através de espaços e relações espaciais que propiciem e apoiem, especificamente, variadas formas de apropriação e diversos usos -, seja numa opção por organizações domésticas com elevado potencial de adaptabilidade activa, que propiciem expressivas readaptações e conversões de espaços, equipamentos e instalações a diversos “mundos” domésticos pessoais e grupais (do respectivo agregado familiar) – como pode acontecer com variadas fusões e separações de espaços, recriações de alguns espaços (previamente preparadas) e variadas forma de reequipamento e reinstalação de elementos associados à vida doméstica;

- e parece ser, já, tempo de se pensar a “casa potencialmente para a vida”, proporcionando-se à habitação e, designadamente, aos seus espaços de circulação e de apoio funcional diversificado a capacidade para “envelhecerem”, positivamente, acompanhando a mutação das necessidades funcionais e ambientais dos seus habitantes, enquanto estes envelhecem – também esta uma matéria com expressiva relação com aspectos de mutação e adaptação de funcionalidades e “agradabilidades” – e uma matéria que é tão urgente como apaixonante.





Realmente parece ser altura de se anular, de uma vez, a “tirania” funcionalista das gradações de privacidade, que transformam muitas habitações em verdadeiros espaços “sem saída” e rigidamente “zonados”, sem capacidade de mudança funcional expressiva; e isto não quer dizer, evidentemente, que tais ofertas domésticas não continuem a ser disponibilizadas, mas não de forma quase única e desejavelmente contendo sempre algumas opções de adaptabilidade.

Tendo-se em conta o que acabou de ser apontado, uma forma relativamente fácil de avançar com habitações mais adaptáveis/úteis ou mais versáteis na sua apropriação pelos variados “tipos” de habitantes, é estruturar a habitação de modo a que espacial e relacionalmente os diversos espaços do fogo tenham diversas opções e capacidades de usos e de apropriações pormenorizadas; uma matéria que muito se joga com a disponibilização de alternativas de acesso e com a consideração da organização habitacional de uma forma, talvez, pouco compartimentada através de espaços de circulação que sejam, apenas e exclusivamente, espaços de circulação; ainda uma outra forma de avançar nesta perspectiva é proporcionar uma excelente capacidade de arrumação (em quantidade e em distribuição) e, eventualmente, alternativas de instalação para algumas máquinas domésticas, arrumando-as de forma a que o seu ruído e outros dos seus aspectos funcionais não inviabilizem certos usos domésticos (ex., tomar refeições na cozinha sem a incómoda vizinhança de algumas máquinas).

Outras matérias bem importantes para uma adequada e diversificada organização habitacional é o desenvolvimento de um equilíbrio dimensional nas zonas mais sociais e mais privadas, proporcionando, nas primeiras, o desenvolvimento, eventual, de reuniões familiares alargadas, inclusive, considerando mudanças provisórias de mobiliário e disponibilizando, nas zonas potencialmente mais privadas a (re)criação de subespaços muito apropriáveis e identificadores dos respectivos habitantes, subespaços estes que também devem pontuar zonas sociais e que, tendencialmente, surgem em privilegiada relação com vãos exteriores.

Um outro aspecto que nunca é excessivo sublinhar nestas matérias de equilíbrios dimensionais diz respeito a que mais do áreas mínimas ou “médias”/razoáveis há que ter em conta e aplicar as dimensões mais versáteis e multifuncionais, e por vezes 10 cm farão uma grande diferença funcional/formal/ambiental, não sendo, eventualmente, significativos em termos de custos de construção.

A questão da compartimentação da habitação é uma matéria importante na sua caracterização e no seu uso, podendo variar, teoricamente e na prática, entre opções quase de “planta livre”, com um mínimo de paredes, e outras extremamente repartidas, inclusivamente, no que se refere a zonas de cisrculação e distribuição domésticas. Já se referiu, atrás, que um dos mais interessantes potenciais de adaptabilidade doméstica se joga em “simples” opções de fusão/união entre compartimentos contíguos e de separação/compartimentação de grandes compartimentos, mas importa apontar que para além destas opções outras há que proporcionam uma gestão fácil de separação ou ligação entre espaços, como é o caso das grandes portas de correr e há tratamentos “ambientais”, ao nível da arquitectura de interiores, que caracterizam determinados espaços como “prolongamentos” de outros e há uma essencial ligação entre todos estes aspectos e uma fenestração exterior que os acolha positivamente; havendo ainda aspectos associados a instalações que podem facilitar ou dificultar as referidas opções de fusão/separação de espaços.

E aqui há uma nota que tem de ser feita relativamente à necessária compatibilização regulamentar de algumas destas opções, designadamente, quando elas se relacionem com aspectos de segurança no suso normal e contra risco de incêndio.

Chegamos, agora, a uma matéria que podemos designar como de adequada previsão dos principais núcleos de instalações domésticas, nos seus aspectos de serviço directo e nos seus traçados, de modo a que para além de não dificultarem as referidas opções e dinâmicas de adaptabilidade, as possam mesmo apoiar. Matérias com alguma complexidade e crítica relação com custos de construção e adaptação e com aspectos de segurança no suo e contra risco de incêndio, mas que podem ter respostas tão simples como aquelas associadas à criação de núcleos de instalações concentrados, estrategicamente localizados e com traçados adequadamente estruturados e bem conhecidos, numa perspectiva que, no limite, se pode associar a uma espécie de “libertação” da dinâmica adaptável da habitação relativamente às suas instalações. Mas, desde já, aqui se aponta que uma tal dinâmica pode ter importantes reflexos nas questões de privacidade ou de uso privatizado de certas instações (ex., casas de banho privativas), havendo que reflectir sobre estes assuntos e tomar decisões específicas nestas matérias.

Finalmente, mas tendo bem presente que de forma alguma aqui se realizou uma reflexão sistemática sobre as matérias associáveis a uma adequada organização doméstica (esta reflexão é, naturalmente, mais desenvolvida nos artigos de que se faz, acima, referência e link directo), aponta-se a grande importância que tem a disponibilização, em cada solução de fogo, de uma oferta diversificada e cuidadosa de múltiplos espaços e subespaços domésticos específicos e bem identificáveis; esta é, naturalmente, uma matéria de base de uma adequada arquitectura doméstica, pois uma habitação deve poder ser um verdadeiro “mundo doméstico”, funcional, apropriado, único, atraente, envolvente e versátil e para tal não pode ser uma simples “máquina” doméstica mal caracterizada por espaços “áridos”, monótonos e sem carácter próprio e capacidade de aceitação do carácter que lhe pode e deve ser atribuído por cada habitante e agregado familiar. Basta lembrar Alexander e a sua “linguagem de padrões”; uma “habitação” tem ser composta por múltiplos e ricos espaços e subespaços bem adaptáveis e atraentes, desde os “lugares janela”, aos recantos de estar, desde os “sítios de entrada” aos espaços pontuados pela luz, desde as zonas mais interiorizadas e envolventes às ligadas às vistas exteriores; e isto é possível e desejável desde a habitação de autor para um dado agregado familiar à habitação mais económica, naturalmente, com limites nesse quadro de riqueza formal e funcional, sendo que, quanto maiores forem as limitações económicas mais a qualidade arquitectónica tem de marcar a solução.

e a estas matérias voltaremos …

Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XIII, n.º 612
“Organizar os espaços habitacionais” – sete artigos sobre o tema mais um novo texto
Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho
abc.infohabitar@gmail.com
Editado nas instalações do Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT) do Departamento de Edifícios (DED) do LNEC; Infohabitar, Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).

Apoio à Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.

domingo, julho 27, 2014

493 - Diversas opções para os espaços da habitação - Infohabitar 493

Artigo LV da Série habitar e viver melhor
Infohabitar, Ano X, n.º 493

Diversas opções para os espaços da habitação ou

Zonas domésticas: propostas organizativas – II

António Baptista Coelho

Em seguida e na sequência do artigo editado na passada semana desenvolvem-se, um pouco mais, as matérias associadas a um leque de propostas organizativas para as zonas domésticas, sob o ponto de vista de diversos autores especialistas nestas matérias, apontando-se, desde já, a importância deste tipo de reflexões, designadamente, quando aplicadas a soluções habitacionais espacialmente muito condicionadas, como é o caso das soluções de habitação de interesse social.

Espaços tipologicamente distintos em termos de socialização, privacidade e funcionalidade geral.

Harald Deilmann distingue cinco tipos de espaços domésticos e, sequencialmente define cinco zonas domésticas distintas (1):
·      espaços de socialização e comunicação;
·      espaços individuais;
·      espaços sanitários;
·      espaços de preparação de refeições;
·      espaços de circulação.
Fica, de certa forma, a fragmentação funcional totalmente consumada.

Habitações “divididas” pela barreira entre usos essencialmente noturnos ou diurnos.

Vamos agora à “última fronteira” funcional a da barreira entre noite e dia, a famosa definição de “zona de quartos” e zona de entrada e recepção.
E nesta matéria e na perspectiva de Claude Lamure, essa distinção “clássica” entre espaços "de noite" e "de dia" terá perdido boa parte da sua razão de ser, porque a falta de espaço obriga crianças e por vezes adultos a passarem parte do dia nos seus quartos "de dormir"; e Lamure propõe que talvez a distinção possa ter mais a ver com as diversas características de privacidade e de convencionalidade no uso e no arranjo dos espaços, que marcam zonas domésticas mais formais ou mais informais. (2)

Espaços mais formais e mais informais da habitação – ou domínios das crianças, domínios dos adultos e domínios comuns.

Ficamos, então, com formalidade e informalidade, matérias que pouco serão aplicáveis nas áreas limitadas da habitação de interesse social, onde, provavelmente, não haveria espaço para a formalidade, mas, como ela subsiste, então as pessoas acabam, por vezes, por se acumularem em partes da habitação para poderem continuar a ser formais noutros espaços da mesma habitação.
Alexander defende que numa habitação para uma família com filhos devem existir dois domínios próprios, especificamente, dos pais e dos filhos, relacionados entre si através de um terceiro domínio, o domínio comum. (3)
.  O domínio implica isolamento visual e acústico, e, como as crianças correm toda a casa, uma relação directa com uma casa de banho. (4)
.  O domínio das crianças deve considerá-las nos seus momentos de maior energia, evitando-se, que os espaços dos adultos estejam no meio da confusão, protegendo-se os quartos dos adultos e os locais de maior sossego ou com mais fortes exigências de formalidade. (5)
Teremos aqui os domínios das crianças, dos adultos e comum aos dois grupos; uma exigência que parece obrigar a condições especiais de espaciosidade.


Fig. 1

Habitação que se adapta à evolução etária e da composição da família e dos respetivos usos e desejos domésticos

Harald Deilmann (6), que estudou um muito amplo leque de casos práticos, desenvolveu, um pouco mais, esta perspectiva de uma organização doméstica associada a uma evolução da idade da família e chegou às seguintes conclusões: quando existam crianças pequenas, a habitação deve caracterizar-se por um forte relacionamento mútuo entre os seus diversos espaços.

Quando existam crianças e adolescentes, a habitação deve caracterizar-se por um equilíbrio entre o referido relacionamento mútuo entre os diversos espaços e outros espaços onde seja possível alguma privacidade e autonomia vivencial; quando existam adolescentes e jovens adultos, a habitação deve caracterizar-se por um equilíbrio entre os referidos aspectos de relacionamento mútuo entre os diversos espaços e de existência de outros espaços onde seja possível alguma privacidade e autonomia vivencial e, ainda, outros espaços domésticos com afirmada privacidade e autonomia; quando existam jovens adultos, a habitação deve caracterizar-se pela existência de espaços com forte privacidade e autonomia.
As notas relativas às conclusões de Deilmann acabaram, mas é possível juntar que, quando existam adultos talvez seja de favorecer para além dos espaços com forte privacidade e autonomia, outros espaços com um amplo e adaptável leque de aptidões funcionais e de forte caracterização formal; e quando existirem velhos adultos então, talvez seja a altura de “voltar” a uma certa adaptabilidade e indiferenciação.
Deste registo dos estudos de Deilmann fica uma perspectiva de uma sequência evolutiva da habitação acompanhando o envelhecimento da família.

Influência da ocupação habitacional no dimensionamento doméstico

Segundo M. Imbert, em habitações fortemente ocupadas e dimensionalmente limitadas não faz sentido incentivar as crianças a permanecerem nos seus quartos, e o resultado é que a sala-comum será por elas apropriada. (7)

As crianças precisam de mais espaço doméstico do que os adultos para as suas diversas actividades, devido à sua grande necessidade de movimento e à sua capacidade limitada de concentração. Por estas razões as famílias com crianças precisam de mais espaço, em geral e, nomeadamente, em vários espaços da casa (sala, quartos ou quarto e casa de banho, para banho assistido).
Desta reflexão de Imbert fica a noção que as maiores tipologias domésticas devem ter áreas funcionais substancialmente acrescidas e que as áreas sociais da habitação (cozinha e sala-comum) deverão oferecer alternativas para diversas actividades de lazer e convívio.

Importância da socialização na estruturação e na espaciosidade domésticas

Finalmente, regista-se a noção do Arq.º Prieur (8) no que se refere a considerar que a principal actividade da família, toda junta, é a conversa por ocasião das refeições, o que faria destacar a importância da localização e das características de conforto e agradabilidade da zona de refeições. Sem se negar a justeza do raciocínio importa comentar que, hoje em dia, talvez a par desta espaço de refeições, que há que defender como pólo convivial doméstico, não é possível deixar de referir a zona onde se vê televisão, igualmente, como pólo de convívio da habitação.

Destas notas retira-se que é fundamental que a organização e o espaço disponível na habitação proporcione a evidenciada instalação de uma mesa de refeições e de um espaço de estar, ambos com excelentes condições para estímulo do convívio e do lazer em casa; se tais espaços não forem possíveis as pessoas irão “fugir”, rapidamente, para os seus quartos ou para fora de casa.

Abordaram-se vários “temas” de organização doméstica, mas há que ter a noção de que nesta(s) matéria(s) cada bom projectista terá os seus “segredos”, no sentido de ir preferindo certas soluções e experimentando outras, e em todas estas matérias tudo se ganha com o estudo e a visita cuidadosa ao leque mais alargado possível de soluções.

Em próximos artigos desta série editorial iremos aprofundar um pouco dessa rica e importante/fundamentada diversidade que deve marcar uma renovada e adaptável estruturação doméstica.

Notas:

(1) Harald Deilmann; J. Kirschenmann; H. Pfeiffer, "The Dwelling / Dwelling-types, Building-types", p. 39.
(2) Claude Lamure, "Adaptation du Logement à la Vie Familiale", p. 106.
(3) Christopher Alexander; Sara Ishikawa; Murray Silverstein; et al, "A Pattern Language/Un Lenguaje de Patrones", p. 350.
(4) Christopher Alexander; Sara Ishikawa; Murray Silverstein; et al, "A Pattern Language/Un Lenguaje de Patrones", pp. 577 e 578.
(5) Christopher Alexander; Sara Ishikawa; Murray Silverstein; et al, "A Pattern Language/Un Lenguaje de Patrones", pp. 581 e 582.
(6) Harald Deilmann; J. Kirschenmann; H. Pfeiffer, "The Dwelling / Dwelling-types, Building-types", pp. 25 e 30.
(7) M. Imbert, "Mission d'Études de la Ville Nouvelle du Vaudreil", p. 13.
(8) P. H. Chombart de Lauwe, et al, "Famille et Habitation I, Sciences Humaines et Conceptions de l'Habitation", pp. 175, 176 e 177.

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INFOHABITAR Ano X, nº 493
Editor: António Baptista Coelho - abc@lnec.pt
GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional, 

Zonas domésticas: propostas organizativas – II

Artigo LV da Série habitar e viver melhor


Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.