segunda-feira, outubro 02, 2017

Organizar os espaços habitacionais - Infohabitar 612

Infohabitar, Ano XIII, n.º 612

“Organizar os espaços habitacionais” – sete artigos sobre o tema mais um novo texto

por António Baptista Coelho

Tal como foi anteriormente divulgado, a Infohabitar retomou as suas edições regulares, através da edição de um novo artigo em cada semana, preferencialmente, logo à segunda-feira, aproveitando-se para, mais uma vez, enviar um amigável desafio aos leitores no sentido de poderem enviar para o editor (mail referido no final do artigo) propostas de artigos para edição.

Considerando que, durante já um número muito significativo de semanas a Infohabitar tem editado artigos integrados no âmbito da série designada “Habitar e Viver Melhor”, lembrámo-nos de proporcionar uma “revisão da matéria dada”, antes de prosseguirmos na edição desta série.

Neste sentido e neste artigo apresentam-se, em seguida, os títulos interativos dos artigos da série “Habitar e Viver Melhor”, que abordam temáticas relativas a uma adequada e diversificada organização dos espaços habitacionais, aproveitando-se para acrescentar, no final do artigo, uma nova nota de reflexão sobres estas apaixonantes e tão atuais matérias; e salienta-se que todos os quatro artigos aqui editados, desde início de Setembro de 2017, integram, logo a seguir à listagem interactiva dos artigos, novos textos de reflexão sobre a envolvente habitacional, as novas tipologias residenciais e a estrututação dos respectivos edifícios.

Em próximos artigos iremos disponibilizar reflexões sobre a estruturação e os conteúdos possíveis ds diversos espaços habitacionais mais comuns, ou mais privados e personalizados.

Lembra-se que bastará ao leitor “clicar” no título do artigo que lhe interessa para o poder consultar.

Lembra-se, ainda, que por motivos alheios à Infohabitar, que muito lamentamos e que já apontámos, na Infohabitar, a maior parte dos artigos desta série editorial não conta, neste momento, com as respetivas ilustrações; estando, no entanto, disponíveis todos os seus textos, que se caraterizam por expressiva autonomia relativamente às referidas imagens.
Finalmente regista-se que o processo editorial da Infohabitar, revista ligada à ação da GHabitar - Associação Portuguesa de Promoção da Qualidade Habitacional (GHabitar APPQH) – associação que tem a sede na Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE) –, voltou a estar, desde o princípio de setembro de 2017, em boa parte, sediado no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e nos seus Departamento de Edifícios e Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT); aproveitando-se para se agradecer todos os essenciais apoios disponibilizados por estas entidades.

São os seguintes os sete (7) artigos disponibilizados sobre o tema da organização dos espaços habitacionais":


Zonas domésticas:propostas organizativas

Diversas opções para os espaços da habitação

Equilíbrios dimensionais e de privacidade na habitação

Opções de compartimentação na habitação

“Libertar” a habitação das instalações

Oferta diversificada de espaços domésticos específicos I 

Oferta diversificada de espaços domésticos específicos II 

Sobre as temáticas associadas e associáveis à matéria geral de uma adequada e diversificada  “organização dos espaços habitacionais” muito há a dizer e sublinha-se que o que a seguir se aponta, em alguns parágrafos temáticos, corresponde, apenas, a uma informal reflexão sobre estes urgentes e importantes assuntos.

Tal como já se apontou em diversos textos desta série, pensar-se que uma habitação pode ser estruturada segundo diversos “partidos” organizativos é uma opção deveras salutar, pois:

- não só é tempo de olharmos as propostas organizativas domésticas funcionalistas tal como elas podem e devem ser olhadas/vividas, numa perspectiva expressivamente “funcional”, ainda que fazendo-a, sempre, passar por um crivo não “maquinal” e de estruturação rígida das tarefas domésticas, a não ser que estejamos em presença de um programa exactamente deste tipo, por exemplo, marcado por actividades realizadas por empregados e/ou serviços domésticos realizados fora da esfera do respectivo agregado familiar;

- como parece ser tempo de se abrirem as novas e renovadas organizações domésticas a uma expressiva diversidade de necessidades, modos e gostos de habitar a “casa” de cada um e de cada agregado familiar; seja numa opção por organizações domésticas básicas com um elevado potencial de adaptabilidade passiva – através de espaços e relações espaciais que propiciem e apoiem, especificamente, variadas formas de apropriação e diversos usos -, seja numa opção por organizações domésticas com elevado potencial de adaptabilidade activa, que propiciem expressivas readaptações e conversões de espaços, equipamentos e instalações a diversos “mundos” domésticos pessoais e grupais (do respectivo agregado familiar) – como pode acontecer com variadas fusões e separações de espaços, recriações de alguns espaços (previamente preparadas) e variadas forma de reequipamento e reinstalação de elementos associados à vida doméstica;

- e parece ser, já, tempo de se pensar a “casa potencialmente para a vida”, proporcionando-se à habitação e, designadamente, aos seus espaços de circulação e de apoio funcional diversificado a capacidade para “envelhecerem”, positivamente, acompanhando a mutação das necessidades funcionais e ambientais dos seus habitantes, enquanto estes envelhecem – também esta uma matéria com expressiva relação com aspectos de mutação e adaptação de funcionalidades e “agradabilidades” – e uma matéria que é tão urgente como apaixonante.





Realmente parece ser altura de se anular, de uma vez, a “tirania” funcionalista das gradações de privacidade, que transformam muitas habitações em verdadeiros espaços “sem saída” e rigidamente “zonados”, sem capacidade de mudança funcional expressiva; e isto não quer dizer, evidentemente, que tais ofertas domésticas não continuem a ser disponibilizadas, mas não de forma quase única e desejavelmente contendo sempre algumas opções de adaptabilidade.

Tendo-se em conta o que acabou de ser apontado, uma forma relativamente fácil de avançar com habitações mais adaptáveis/úteis ou mais versáteis na sua apropriação pelos variados “tipos” de habitantes, é estruturar a habitação de modo a que espacial e relacionalmente os diversos espaços do fogo tenham diversas opções e capacidades de usos e de apropriações pormenorizadas; uma matéria que muito se joga com a disponibilização de alternativas de acesso e com a consideração da organização habitacional de uma forma, talvez, pouco compartimentada através de espaços de circulação que sejam, apenas e exclusivamente, espaços de circulação; ainda uma outra forma de avançar nesta perspectiva é proporcionar uma excelente capacidade de arrumação (em quantidade e em distribuição) e, eventualmente, alternativas de instalação para algumas máquinas domésticas, arrumando-as de forma a que o seu ruído e outros dos seus aspectos funcionais não inviabilizem certos usos domésticos (ex., tomar refeições na cozinha sem a incómoda vizinhança de algumas máquinas).

Outras matérias bem importantes para uma adequada e diversificada organização habitacional é o desenvolvimento de um equilíbrio dimensional nas zonas mais sociais e mais privadas, proporcionando, nas primeiras, o desenvolvimento, eventual, de reuniões familiares alargadas, inclusive, considerando mudanças provisórias de mobiliário e disponibilizando, nas zonas potencialmente mais privadas a (re)criação de subespaços muito apropriáveis e identificadores dos respectivos habitantes, subespaços estes que também devem pontuar zonas sociais e que, tendencialmente, surgem em privilegiada relação com vãos exteriores.

Um outro aspecto que nunca é excessivo sublinhar nestas matérias de equilíbrios dimensionais diz respeito a que mais do áreas mínimas ou “médias”/razoáveis há que ter em conta e aplicar as dimensões mais versáteis e multifuncionais, e por vezes 10 cm farão uma grande diferença funcional/formal/ambiental, não sendo, eventualmente, significativos em termos de custos de construção.

A questão da compartimentação da habitação é uma matéria importante na sua caracterização e no seu uso, podendo variar, teoricamente e na prática, entre opções quase de “planta livre”, com um mínimo de paredes, e outras extremamente repartidas, inclusivamente, no que se refere a zonas de cisrculação e distribuição domésticas. Já se referiu, atrás, que um dos mais interessantes potenciais de adaptabilidade doméstica se joga em “simples” opções de fusão/união entre compartimentos contíguos e de separação/compartimentação de grandes compartimentos, mas importa apontar que para além destas opções outras há que proporcionam uma gestão fácil de separação ou ligação entre espaços, como é o caso das grandes portas de correr e há tratamentos “ambientais”, ao nível da arquitectura de interiores, que caracterizam determinados espaços como “prolongamentos” de outros e há uma essencial ligação entre todos estes aspectos e uma fenestração exterior que os acolha positivamente; havendo ainda aspectos associados a instalações que podem facilitar ou dificultar as referidas opções de fusão/separação de espaços.

E aqui há uma nota que tem de ser feita relativamente à necessária compatibilização regulamentar de algumas destas opções, designadamente, quando elas se relacionem com aspectos de segurança no suso normal e contra risco de incêndio.

Chegamos, agora, a uma matéria que podemos designar como de adequada previsão dos principais núcleos de instalações domésticas, nos seus aspectos de serviço directo e nos seus traçados, de modo a que para além de não dificultarem as referidas opções e dinâmicas de adaptabilidade, as possam mesmo apoiar. Matérias com alguma complexidade e crítica relação com custos de construção e adaptação e com aspectos de segurança no suo e contra risco de incêndio, mas que podem ter respostas tão simples como aquelas associadas à criação de núcleos de instalações concentrados, estrategicamente localizados e com traçados adequadamente estruturados e bem conhecidos, numa perspectiva que, no limite, se pode associar a uma espécie de “libertação” da dinâmica adaptável da habitação relativamente às suas instalações. Mas, desde já, aqui se aponta que uma tal dinâmica pode ter importantes reflexos nas questões de privacidade ou de uso privatizado de certas instações (ex., casas de banho privativas), havendo que reflectir sobre estes assuntos e tomar decisões específicas nestas matérias.

Finalmente, mas tendo bem presente que de forma alguma aqui se realizou uma reflexão sistemática sobre as matérias associáveis a uma adequada organização doméstica (esta reflexão é, naturalmente, mais desenvolvida nos artigos de que se faz, acima, referência e link directo), aponta-se a grande importância que tem a disponibilização, em cada solução de fogo, de uma oferta diversificada e cuidadosa de múltiplos espaços e subespaços domésticos específicos e bem identificáveis; esta é, naturalmente, uma matéria de base de uma adequada arquitectura doméstica, pois uma habitação deve poder ser um verdadeiro “mundo doméstico”, funcional, apropriado, único, atraente, envolvente e versátil e para tal não pode ser uma simples “máquina” doméstica mal caracterizada por espaços “áridos”, monótonos e sem carácter próprio e capacidade de aceitação do carácter que lhe pode e deve ser atribuído por cada habitante e agregado familiar. Basta lembrar Alexander e a sua “linguagem de padrões”; uma “habitação” tem ser composta por múltiplos e ricos espaços e subespaços bem adaptáveis e atraentes, desde os “lugares janela”, aos recantos de estar, desde os “sítios de entrada” aos espaços pontuados pela luz, desde as zonas mais interiorizadas e envolventes às ligadas às vistas exteriores; e isto é possível e desejável desde a habitação de autor para um dado agregado familiar à habitação mais económica, naturalmente, com limites nesse quadro de riqueza formal e funcional, sendo que, quanto maiores forem as limitações económicas mais a qualidade arquitectónica tem de marcar a solução.

e a estas matérias voltaremos …

Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XIII, n.º 612
“Organizar os espaços habitacionais” – sete artigos sobre o tema mais um novo texto
Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho
abc.infohabitar@gmail.com
Editado nas instalações do Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT) do Departamento de Edifícios (DED) do LNEC; Infohabitar, Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).

Apoio à Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.

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