segunda-feira, outubro 23, 2017

Infohabitar, Ano XIII, n.º 615

Algumas ideias sobre a sala-comum – 3 artigos sobre o tema e um novo texto

por António Baptista Coelho


No início de setembro a Infohabitar retomou as suas edições regulares, através da edição de um novo artigo em cada semana, logo à segunda-feira, aproveitando-se para, mais uma vez, enviar um amigável desafio aos leitores no sentido de poderem enviar para o editor (mail referido no final do artigo) propostas de artigos para edição.

Considerando que, durante um número muito significativo de semanas a Infohabitar tem editado artigos integrados no âmbito da série designada “Habitar e Viver Melhor”, lembrámo-nos de proporcionar uma desenvolvida e comentada revisão desta matéria, antes de prosseguirmos na edição desta série; uma revisão que inclui, sublinha-se, sistematicamente, novos textos de síntese de comentário sobre cada uma das matérias específicas tratadas em cada edição.

(Parte do texto, em seguida, incluído: "Uma ideia que importa sempre considerar é a possibilidade de se disponibilizar uma sala-comum em dois espaços, situação que, desde que associado a uma adequada espaciosidade de cada um desses espaços, poderá dinamizar a capacidade de adaptabilidade ...")

Neste sentido e neste artigo apresentam-se, em seguida, os títulos interativos dos artigos da série “Habitar e Viver Melhor”, que abordam as temáticas do interior da habitação e, designadamente, dos seus espaços de entrada, circulação e zonas mais sociais, aproveitando-se para acrescentar, no final do artigo, uma nova reflexão sobres estas apaixonantes e tão atuais matérias; e salienta-se que todos os artigos qui editados, desde início de Setembro de 2017, integram, logo a seguir à listagem interactiva dos artigos, novos textos de reflexão sobre a envolvente habitacional, as novas tipologias residenciais, a estrututação dos respectivos edifícios e a organização e estruturação habitacional.

Em próximos artigos iremos disponibilizar reflexões sobre outros tipos de espaços e subespaços habitacionais e domésticos, mais comuns, ou mais privados e personalizados, que integram e caraterizam cada fogo/habitação.

Lembra-se que bastará ao leitor “clicar” no título do artigo que lhe interessa para o poder consultar.

Lembra-se, ainda, que por motivos alheios à Infohabitar, que muito lamentamos e que já apontámos, na Infohabitar, a maior parte dos artigos desta série editorial não conta, neste momento, com as respetivas ilustrações; estando, no entanto, disponíveis todos os seus textos, que se caraterizam por expressiva autonomia relativamente às referidas imagens.
Finalmente regista-se que o processo editorial da Infohabitar, revista ligada à ação da GHabitar - Associação Portuguesa de Promoção da Qualidade Habitacional (GHabitar APPQH) – associação que tem a sede na Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE) –, voltou a estar, desde o princípio de setembro de 2017, em boa parte, sediado no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e nos seus Departamento de Edifícios e Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT); aproveitando-se para se agradecer todos os essenciais apoios disponibilizados por estas entidades.

São os seguintes os três (3) artigos disponibilizados sobre o tema “Algumas ideias sobre a sala-comum”:

A sala-comum multifuncional

A sala-comum: diversos hábitos e usos

A sala-comum: problemas, potencialidades e inovações


Sobre as temáticas associadas e associáveis à matéria geral do interior da habitação e, designadamente, das suas zonas mais sociais e associadas a um espaço ou conjunto de espaços habitualmente designados de sala-comum muito há a dizer e sublinha-se que o que a seguir se aponta, em alguns parágrafos temáticos, corresponde, apenas, a uma informal reflexão sobre estes estimulantes assuntos, que está, naturalmente, desenvolvida nos três artigos acima apontados e devidamente “linkados”.

A ilustração escolhida para acompanhar este texto diz muito, julga-se, sobre a riqueza da temática associada à reflexão sobre as diversas formas de usar, configurar, preencher e conceber os espaços da sala-comum: uma vista de uma parte de mesa de jantar sobre a porta de entrada de uma habitação, proporcionando-se para além do receber/estar à mesa as boas-vindas a quem entra e logo é convidado a sentar-se e partilhar, provavelmente, dentro em pouco, uma bebida ou uma pequena refeição de boas-vindas.

E assim logo aqui associámos, na sala-comum: receber e estar, associando o entrar na habitação a o estar e conviver e a refeições eventuais; uma condição que, naturalmente, estará mais associada a uma situação em habitação unifamiliar, mas que, na prática, é fortemente associada a uma ligação com o exterior – tal como fica patente na ilustração –, uma ligação que pode também acontecer, em soluções multifamiliaraes, em situações habitacionais térreas e em situações habitacionais servidas por galerias comuns, mas desde que, em qualuer um destes últimos caso multifamiliares, estejam devidamente consideradas e resolvidas as questões de privacidade relativamente a vistas exteriores e não desejadas.


O que daqui também se retira é o grande potencial da sala-comum, seja como “pólo” (ou charneira) de relacionamento da habitação com o seu exterior (privado, comum ou público), seja, consequentemente, como verdadeiro “pólo” (ou charneira) gerador da própria estruturação da habitação.

Importa agora, no entanto, considerar que, quando a sala-comum está hieráquica e funcionalmente separada da entrada na habitação através de um átrio/hall de entrada bem compartimentado, essa sua capacidade geradora da estruturação do espaço doméstico, parece perder-se um pouco, remetendo-se a sala-comum para um papel de certa forma idêntico ao de um grande quarto funcionalmente indiferenciado; uma situação que não é aqui apontada, negativamente, apenas constatando-se tal qualidade, uma qualidade que, aliás, terá vantagens em termos da adaptabilidade doméstica (ex., sala que pode tornar-se num grande quarto e, reciprocamente, poderá haver um grande quarto que possa tornar-se sala-comum).

Uma ideia que importa sempre considerar é a possibilidade de se disponibilizar uma sala-comum em dois espaços, situação que, desde que associado a uma adequada espaciosidade de cada um desses espaços, poderá dinamizar a capacidade de adaptabilidade de uma tal sala-comum; que pode gerar “pares” funcionais mais ou menos habituais como os seguintes: zona de estar e zona de refeições formais; zona de estar e zona de trabalho; zona de estar e zona de quarto (mais ou menos versátil); zona de refeições e zona de jogos de crianças, etc.

Uma outra relação potencialmente privilegiada que pode ser gerada numa habitação, através de uma adequada configuração e de um estratégico posicionamento da sala-comum, consiste na relação entre uma sala-comum mais ligada ao estar, embora integrando uma mesa escamoteável para refeições formais e uma cozinha convivial onde seja possível desenvolver, habitualmente, as refeições domésticas.

Ainda uma relação privilegiada da sala-comum pode ser estabelecida com espaços de entrada e/ou de circulação doméstica que possam ser “anexados” pela sala-comum em situações especiais, ampliando-se a sala-comum nessas ocasiões e sendo que na vivência habitual e corrente da habitação tais espaços de entrada e circulação podem estar mais “compartimentados”, proporcionando relações de privacidade mais efetivos – uma relação de privacidade que pode ser , naturalmente, anulado em situações de alargado convívio familiar.

Uma outra habitual e interessante relação funcional/ambiental da sala-comum desenvolve-se com espaços exteriores privados, proporcionando-se melhorias ambientais na sala-comum (ex., sombreamento, ventilação, vizinhança com elementos de vegetação) e potencial de desenvolvimento funcional pela extensão das funções da sala-comum sobre esse exterior privado.

Consideraram-se, assim, diversos aspectos associáveis ao sentido da sala-comum como espaço multifuncional, “multiambiental”, estruturalmente importante na organização da habitação e na imagem que dessa organização pode/deve ser passada a quem nos visita e espaço capaz de se “vestir” de múltiplos ambientes e funções; uma capacidade que será sempre muito desmultiplicada quando entre a sala-comum e as restantes zonas domésticas existem alternantivas de circulação. 

Também se apontaram para a sala-comum diversos hábitos e usos que aí são possíveis, seja num respeito “clássico” das suas velhas funções, entre as quais haverá, sempre, que considerar a ideia da sala como “montra” familiar relativa ao que queremos divulgar a quem nos visita, seja numa abertura a novas formas de habitar e mesmo a formas de habitar específicas de determinados grupos socio-culturais; e esta funcionalidade de “montra” poderá brigar um pouco com a interessante capacidade de apropriação que sempre deve caraterizar a sala-comu – uma capacidade de apropriação que obriga, por exemplo, a que a sala-comum possua, semprem uma excelente capacidade de integração de mobiliário e de elementos de decoração doméstica (ex., quadrosnas paredes).

E finalmente talvez seja interessante considerar que a sala-comum pode ser um dos sítios da habitação onde poderá ser mais visível a sua capacidade em termos de inovação, um pouco num sentido oposto ao da referida “montra” familiar, sempre relativamente estática; e esta dualidade é mais um dos aspectos caracterizadores da sala-comum, que, no limite, e em situações de pequenas habitações (T0 ou T0/T1) pode constituir-se como totalidade doméstica, matéria que obrigará a futura abordagem específica nesta série de artigos.

e a estas matérias relativas à sala-comum e às variadas formas da sua apropriação por diversas categorias de habitantes, voltaremos …

Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XIII, n.º 615
Algumas ideias sobre a sala-comum – 3 artigos sobre o tema e um novo texto
Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho
abc.infohabitar@gmail.com
Editado nas instalações do Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT) do Departamento de Edifícios (DED) do LNEC; Infohabitar, Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).

Apoio à Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.

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