segunda-feira, setembro 25, 2017

611 - Adaptabilidade nas habitações - Infohabitar 611

Infohabitar, Ano XIII, n.º 611

“Sobre a Desejável Adaptabilidade das Habitações” – 11 artigos sobre o tema

por António Baptista Coelho

Tal como foi anteriormente divulgado, a Infohabitar retomou as suas edições regulares, através da edição de um novo artigo em cada semana, preferencialmente, logo à segunda-feira, aproveitando-se para, mais uma vez, enviar um amigável desafio aos leitores no sentido de poderem enviar para o editor (mail referido no final do artigo) propostas de artigos para edição.

Considerando que, durante já um número muito significativo de semanas a Infohabitar tem editado artigos integrados no âmbito da série designada “Habitar e Viver Melhor”, lembrámo-nos de proporcionar uma “revisão da matéria dada”, antes de prosseguirmos na edição desta série.

Neste sentido e neste artigo apresentam-se, em seguida, os títulos interativos dos artigos da série “Habitar e Viver Melhor”, que abordam temáticas relativas ao elevado potencial de adaptabilidade que pode ser proporcionado pelas nossas habitações ou “mundos Domésticos”, e aproveitando-se para acrescentar, no final do artigo, uma muito pequena e informal nota de reflexão sobres estas apaixonantes e tão atuais matérias.

Em próximos artigos iremos disponibilizar reflexões sobre a estruturação e os conteúdos possíveis e desejáveis nos espaços comuns das habitações e, sequencialmente, nos diversos espaços habitacionais mais privados e personalizados.

Lembra-se que bastará ao leitor “clicar” no título do artigo que lhe interessa para o poder consultar.

Lembra-se, ainda, que por motivos alheios à Infohabitar, que muito lamentamos e que já apontámos, na Infohabitar, a maior parte dos artigos desta série editorial não conta, neste momento, com as respetivas ilustrações; estando, no entanto, disponíveis todos os seus textos, que se caraterizam por expressiva autonomia relativamente às referidas imagens.

Finalmente regista-se que o processo editorial da Infohabitar, revista ligada à ação da GHabitar - Associação Portuguesa de Promoção da Qualidade Habitacional (GHabitar APPQH) – associação que tem a sede na Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE) –, voltou a estar, desde o princípio de setembro de 2017, em boa parte, sediado no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e nos seus Departamento de Edifícios e Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT); aproveitando-se para se agradecer todos os essenciais apoios disponibilizados por estas entidades.

São os seguintes os 11 artigos disponibilizados sobre o tema da Desejável Adaptabilidade das Habitações” (“mundos domésticos”):

Os nossos pequenos mundos domésticos e pessoais: introdução

Mundos domésticos e pessoais: habitação e espaços da habitação, temas de desenvolvimento

Novas formas de habitar

Diversidade na organização habitacional

Algumas reflexões gerais sobre a adaptabilidade doméstica

Adaptabilidade e habitação

Adaptabilidade/flexibilidade e tipologia habitacional

Bons espaços e ambientes domésticos I

Bons espaços e ambientes domésticos II

Viver ao nível térreo I

Viver ao nível térreo II

Sobre as temáticas associadas e associáveis à matéria geral da “Adaptabilidade das Habitações ou «Mundos Domésticos»” muito há a dizer e sublinha-se que o que a seguir se aponta, em alguns parágrafos temáticos, corresponde, apenas, a uma informal reflexão sobre estes urgentes e importantes assuntos.

Considerando-se que a racionalidade construtiva e, sequencialmente, de custos tem a ver, muito mais, com muitos outros aspectos do que com aqueles associados às características organizativas e formais/funcionais das habitações que nos envolvem, servem e enriquecem em termos de dia-a-dia; e lembrando que os actuais modos de projeto/obra proporcionam uma elevadíssima fiabilidade na execução final das intervenções e uma elevada versatilidade numa concepção doméstiva capaz de se aproximar de muitos gostos e necessidades habitacionais, harmonizando estas variadas soluções no quadro de um mesmo edifício; e lembrando, finalmente, que já seria altura de se desenvolver uma adequada revisão e fusão regulamentar em todos os aspectos que possam ser hoje considerados como desactualizados ou criticamente aplicáveis.


Ficamos um pouco com a ideia de que, hoje em dia, cada vez mais poucas desculpas existem para não se desenvolverem excelentes projectos/obras habitacionais, positivamente inovadores, designadamente, na versatilidade formal e funcional das soluções oferecidas e, consequentemente, numa mais íntima ligação aos desejos habitacionais dos moradores, condição esta bem distinta das opções quase “monofuncionais”, organizativa e hierarquicamente rígidas, que marcaram, positivamente, o então inovador funcionalismo/racionalismo arquitectónico, cujas primeiras e mais marcantes obras estarão a aproximar-se de fazer cerca de um século, mas cuja excessiva e mal informada utilização marcou, de forma muito negativa e ampla, o habitat humano, designadamente, no período que se seguiu à 2.ª Guerra Mundial.

Uma excessiva e mal informada utilização do “funcionalismo urbano e habitacional”, desenvolvida, seja em intervenções “oficiais”, seja em tantas promoções privadas, que encontraram nos “preceitos” urbanos e habitacionais racionalistas uma quase desculpa para a produção massiva, sem escala humana, repetida por vezes doentiamente, de soluções habitacionais extremamente idênticas (em termos organizativos, hierárquicos, “ambientais”, etc.), que, tantas vezes, apenas se distinguiam pelo número de “quartos de dormir” que integravam/integram; situação esta que gerou, depois, até a sua respectiva e “maquinal” designação por T0, T1, T2 , T3, etc., consosante o respectivo número de quartos de dormir.

No artigo aqui editado na passada semana já fizemos uma ponte para a possibilidade de se desenvolverem edifícios funcionalmente mistos e formal e funcionalmente diversificados, em termos de variados aspectos com relevo para as soluções de acessibilidade oferecidas e para a própria dimensão do edifício; e é neste sentido, que, esta semana, se aborda, aqui na Infohabitar, a habitação, o “mundo doméstico” de cada um de nós, o ambiente formal e funcional que nos deverá apoiar e enriquecer no dia-a-dia, também numa perspectiva de potencial diversidade e adaptabilidade das soluções formais e funcionais disponibilizadas, seja em termos de novas necessidades e grupos socioculturais e etários a servir (por exemplo: numerosos idosos, pessoas que vivam sós, cais jovens, condicionados na mobilidade e na percepção, minorias étnicas , etc.), seja em termos da “simples” possibilidade de cada família e cada habitante poder ter “uma casa” realmente mais próxima dos seus sonhos e preferências de habitar.

E há que acreditar ser este um tema tão inovador como rico, pois, globalmente, podemos e devemos “refazer” a nossa própria forma de pensar a concepção habitacional, desde a vizinhança, passando pelos espaços comuns do edifício, até ao “nosso” mundo doméstico, de formas diversificadas e, há que dizê-lo, positivamente surpreendentes em termos formais e funcionais. Tal não é fácil, pois boa parte da nossa formação (designadamente dos arquitectos e engenheiros civis) teve por base a “cartilha” funcionalista, aliás, bem reforçada na própria base regulamentar; mas é urgente e essencial repensar as possibilidades de concepção do habitat humano, naturalmente, centradas na elaboração dos espaços habitacionais, usando um máximo de referências históricas e de casos de referência, entre as quais as funcionalistas mas não de forma exclusiva, integrando os novos meios tecnológicos, considerando as novas necessidades e os novos problemas e procurando gerar positivas propostas de soluções, que depois deverão ser adequadamente estudadas em termos de análises pós-ocupação.

Importa, assim, abordar um amplo leque de formas/soluções habitacionais, considerando, em cada uma delas, uma adequada diversidade organizacional e de ambiente geral.
Nestas matérias a adaptabilidade doméstica é assunto incontornável, seja numa base passiva, em termos de condições habitacionais capazes de servir bem muitos gostos e necessidades de vida diária, seja numa base razoavelmente activa de proporcionarem boa capacidade para adequadas e fáceis conversões a desejos de base e a mudanças de desejos e necessidades residenciais.

Importa, urgentemente, recuperar uma reflexão sobre o espaço doméstico em que o seu adequado desenvolvimento funcional se harmonize, em pé de igualdadade, com o seu adequado e bem apropriado desenvolvimento formal/”ambiental”; pois a nossa “casa”, essencialmente, não pode ser uma máquina, tem de ser um espaço “envolvente” e amplamente agradável, em termos espaciais e ambientais, que enriqueça, realmente, a nossa vida diária, e que, complementarmente, seja um espaço funcionalmente bem estruturado e equipado.

E em todos estes aspectos importa considerar, de forma específica, o potencial e a caracterização específica que corresponde à opção de se viver ao nível térreo; uma opção que pode e deve ter os seus positivos reflexos, seja a nível doméstico, seja a nível urbano; o tratamento dos pisos térreos habitacionais e funcionalmente mistos tem de ser especificamente considerada nas suas condicionantes e potencialidades.

e a estas matérias voltaremos …

Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XIII, n.º 611
“Sobre a Desejável Adaptabilidade das Habitações” – 11 artigos sobre o tema
Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho
abc.infohabitar@gmail.com
Editado nas instalações do Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT) do Departamento de Edifícios (DED) do LNEC; Infohabitar, Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).

Apoio à Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.

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