segunda-feira, abril 16, 2012

389 - 2.º CIHEL: Lisboa, LNEC, março 2013, discutir a habitação, a cidade, o território e o desenvolvimento no espaço da lusofonia - Infohabitar 389

Infohabitar n.º 389

Nota introdutória:
O nosso artigo de hoje é especial pois marca a abertura da chamada de trabalhos/comunicações para o 2.º CIHEL, enquanto corresponde também ao apontamento e a uma apresentação "mínima" das amplas matérias que nele se pretende discutir e divulgar em março de 2013.
A ideia deste artigo é que os leitores possam desde já agendar a vossa participação neste segundo grande congresso sobre as relações entre o habitar, a cidade, o território e o desenvolvimento no espaço lusófono ou da lusofonia.
Sublinha-se ainda que as diversas comissões de enquadramento do 2.º CIHEL estão em constituição, sendo em breve devidamente divulgadas, e que aqui, no Infohabitar, iremos tentar, a propósito do 2.º CIHEL, promover a divulgação de artigos sobre os temas do Congresso, ao longo do próximo ano.

A edição do Infohabitar

2.º Congresso Internacional da Habitação no Espaço Lusófono - 2.º CIHEL:
Discutir e divulgar, em português, as melhores soluções habitacionais, urbanas e territoriais, no Laboratório Nacional de Engenharia Civil, LNEC, em Lisboa, de 13 a 15 de março de 2013



Fig. 00: 2.º Congresso Internacional da Habitação no Espaço Lusófono

2.º CIHEL: Congresso, 13 a 15 de março de 2013
Workshop, 11e 12 de março

1. Introdução e tema geral do 2.º CIHEL

Discutir e divulgar, em português, as melhores soluções habitacionais, urbanas e territoriais, sob a ampla temática geral “Habitação, Cidade, Território e Desenvolvimento”, é o objectivo do 2.º Congresso Internacional da Habitação no Espaço Lusófono, que será realizado no Laboratório Nacional de Engenharia Civil - LNEC -, em Lisboa, Portugal, de 13 a 15 de março de 2013.

Hoje, Segunda-feira, 16 de Abril, faz-se a primeira "chamada de trabalhos/comunicações" para apresentação no 2.º CIHEL, solicitando-se a todos os interessados em participar neste evento o envio de resumos de comunicações, até à Segunda-feira 2 de Julho de 2012, portanto, exactamente daqui a dois meses e meio, exclusivamente, para o endereço: comunicacoes2cihel@lnec.pt


Fig. 01: o LNEC organiza o 2.º CIHEL

O 2.º CIHEL será, muito em breve, objecto de ampla divulgação, em termos da sua 1.ª Circular informativa e no âmbito do seu site, em conclusão no LNEC, mas é fundamental apontar, desde já, o seu perfil temático e organizativo geral e os oito temas em que serão enquadradas as comunicações ao Congresso, de modo a que os interessados em aderir a esta fase de relançamento do CIHEL possam desde já agendar a respectiva participação e, eventualmente, preparar o envio dos seus trabalhos.

O 2.º CIHEL abordará o tema “Habitação, Cidade, Território e Desenvolvimento”, nas suas amplas facetas quantitativas, qualitativas, urbanas, territoriais e ambientais, considerando o seu papel como meio de desenvolvimento socioeconómico dos respetivos países e quando está previstas ações de desenvolvimento de elevados números de habitações e de reurbanização de extensas áreas em vários países da lusofonia que se debatem com críticas carências habitacionais e de ordenamento urbanístico.

2. Organização geral

O Congresso é promovido e organizado pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) em conjunto com o Grupo Habitar (GH) - associação técnica e científica com sede no Núcleo de Arquitetura e Urbanismo (NAU) do LNEC e conta com o apoio de um amplo conjunto de individualidades e entidades , oficiais e privadas, que serão em breve divulgadas.

Entre as entidades que apoiam e se associam ao 2.º CIHEL registam-se, desde já, o Fundo para o Desenvolvimento das Ciências da Construção - FUNDCIC - o Departamento de Arquitectura e Urbanismo do ISCTE-IUL, o Centro de Investigação em Arquitectura e Áreas Metropolitanas - CIAAM - e a Rede Portuguesa para o Desenvolvimento do Território - Instituto do Território.


Fig. 02: entidades que estão a organizar e a apoiar o 2.º CIHEL - apresentadas num quadro dinâmico que será, gradualmente, atualizado e estruturado em termos dos diversos tipos de associações e participações desenvolvidas.

A Direcção do 2.º CIHEL é assegurada pelo Arq.º António Baptista Coelho (LNEC e Grupo Habitar/GH), pelo Arq.º António Reis Cabrita (GH e LNEC) e pelo Eng.º Jorge Grandão Lopes (LNEC). A Comissão Científica do 2.º CIHEL está em constituição e é presidida pelo Arq.º Paulo Tormenta Pinto (ISCTE-IUL e GH), será multidisciplinar e integrará pessoas de diversas entidades e nacionalidades. O 2.º CIHEL será apoiado pelo Secretariado Permanente do CIHEL, constituído quando da conclusão do 1.º Congresso. Aorganização do 2.º CIHEL contará ainda com uma Comissão de Honra, uma Comissão Consultiva, uma Comissão Organizadora Internacional, uma Comissão Organizadora e um Secretariado Geral. A constituição destas comissões será em breve divulgada.


Fig. 03: o Centro de Congressos do Laboratório Nacional de Engenharia Civil

O 2.º Congresso Internacional da Habitação no Espaço Lusófono decorrerá em Lisboa, no Centro de Congressos do Laboratório Nacional de Engenharia Civil:

  • De 11a 12 de Março de 2013 realiza-se um Workshop sobre algumas das temáticas do Congresso; com docência assegurada por especialistas do LNEC e convidados e incluindo uma visita técnica na zona de Lisboa.
  • De 13 a 15 decorrerá o Congresso, com abertura oficial e palestra inaugural na tarde de 13 de Março de 2013; os trabalhos incluirão palestras por especialistas convidados, realizadas em plenário, e apresentação de comunicações.
  • Durante o Workshop e o Congresso terá lugar, no grande átrio do Centro de Congressos do LNEC, uma exposição de entidades, serviços e produtos ligados às temáticas do Congresso.
  • Estão também previstas visitas pós-congresso, a realizar no sábado (16 de Março).
O programa do 2.º CIHEL será em breve divulgado.

O 2.º Congresso Internacional da Habitação no Espaço Lusófono (2.º CIHEL) será realizado no Campus do LNEC e no seu Centro de Congressos, estrategicamente localizado em Lisboa, local de muitos fóruns técnicos e científicos, desde há dezenas de anos, e que continua a ser um dos melhores espaços para realização deste tipo de eventos em Lisboa, seja pela sua localização e excelentes condições de acessibilidade, seja pela possibilidade de contacto com a própria actividade do LNEC, seja por um ambiente arquitectónico único e de elevada qualidade.

Teremos, assim, as melhores condições para a realização deste 2.º CIHEL numa excelente integração num ambiente de investigação, proporcionado pelo Campus do LNEC, e numa das mais agradáveis e animadas zonas urbanas lisboetas, que é o Bairro de Alvalade - e faremos uma visita guiada ao referido Campus e a algumas ruas de Alvalade em futuros artigos de divulgação do 2.º CIHEL.

3. Sobre a razão e a utilidade de se discutir o tema “Habitação, Cidade, Território e Desenvolvimento” em Março de 2013

As matérias que deram origem ao Congresso Internacional Habitação no Espaço Lusófono - CIHEL - foram, globalmente, as que motivaram a criação do Grupo Habitar, em 2001: vontade de discutir e divulgar em termos multidisciplinares, matérias da habitação, do urbanismo e da qualidade de vida, abordando alguns dos principais problemas e dos aspectos quantitativos e qualitativos que caracterizam as nossas habitações, os nossos bairros e as nossas cidades.

Depois de um 1.º CIHEL de lançamento desta ideia, numa associação com o Departamento de Arquitectura e Urbanismo do ISCTE-IUL, e onde se focaram matérias associadas ao“Desenho e realização de bairros para populações com baixos rendimentos”, pretende-se com este 2.º CIHEL, organizado pelo LNEC, desenvolver uma abordagem ampla e multifacetada da temática “Habitação, Cidade, Território e Desenvolvimento”, considerada de grande oportunidade, numa altura em que se desenvolvem planos para elevados números de habitações e para a reurbanização de extensas áreas em vários países da lusofonia que se debatem com críticas carências habitacionais e de ordenamento urbanístico, e privilegiando-se a abordagem do habitar, num sentido amplo e correcto, que considere as suas facetas quantitativas, qualitativas, urbanas, territoriais e ambientais, e o seu papel como meio vital de desenvolvimento socioeconómico dos respectivos países.

Fig. 04: imagem do 1.º CIHEL, no ISCTE-IUL

Tal como se apontou, quando do 1.º CIHEL, é tempo de se considerar que, por regra, o direito à habitação não é cumprido num qualquer alojamento mínimo, concretizado, por exemplo, num apartamento de um edifício sem qualidade arquitectónica e situado numa zona sem espaços públicos e vida urbana; porque o verdadeiro direito à habitação só é cumprido, em termos de um espaço habitacional verdadeiramente adequado, em termos quantitativos e qualitativos, considerando que, tanto se habita com agrado o espaço doméstico, como a vizinhança, o espaço público e a própria cidade. E não tenhamos dúvidas de que só assim caminharemos para a anulação dos bairros e conjuntos socialmente sensíveis.

Julga-se que estas considerações são oportunas quando, como já se apontou neste texto, há que desenvolver políticas e planos para elevados números de habitações em vários dos países da lusofonia, quando nestes países importa, simultaneamente, avançar na reurbanização de grandes zonas de habitação informal, e quando, de forma muito generalizada, se torna urgente acorrer, sistematicamente, à reabilitação e revitalização de grandes áreas construídas e de enormes extensões de espaços públicos situadas em centros urbanos criticamente envelhecidos e em periferias e mesmo zonas rurais descaracterizadas e sem vida. E em todas estas problemáticas não faz qualquer sentido não conhecer as melhores metodologias e os casos de referência mais adequados, de modo a que as novas intervenções não repitam erros passados e possam fazer avançar um conhecimento sedimentado e validado nas amplas áreas do habitar e no amplo espaço da lusofonia.

E, naturalmente, que está aqui sempre presente a constatação da fortíssima capacidade da dinâmica da construção/reabilitação habitacional e do crescimento urbano no desenvolvimento de um país, assim como está presente a idéia de que esta potente ferramenta de crescimento económico tem obrigatoriamente de ser bem dirigida para que esse desenvolvimento se possa fazer em caminhos social e culturalmente válidos, potenciados e adequados a cada contexto nacional, regional e local.

Os organizadores deste 2.º CIHEL sabem que a discussão das questões que acabaram e ser apontadas não se esgotará neste congresso, assim como continuam a ter a noção de que as problemáticas e as potencialidades que, nestas matérias, caracterizam o espaço da lusofonia são muito diversificadas. No entanto, e tal como se concluiu no 1.º CIHEL, em 2010, tais razões não podem ser desculpa para não se divulgarem e para não se discutirem urgentemente esses assuntos; porque, afinal, mesmo dentro de cada país do espaço da lusofonia tais questões são também muito diversificadas, e porque se revelou ser adequado divulgar e discutir, numa mesma língua comum, sobre tantos desses assuntos, desde, por exemplo, o que foram maus e bons exemplos de habitar e de habitação de interesse social às recentes experiências de reurbanização da cidade informal.

Fig. 05: o decorrer dos trabalhos do 1.º CIHEL

No primeiro congresso ficou, ainda, evidente a semelhança de situações habitacionais em contexto de baixos recursos e de grande carência de alojamento, pois há problemas habitacionais recorrentes nos vários países do espaço da lusofonia e em muitos outros países do mundo, para os quais importa apontar soluções mais recomendáveis, designadamente, em termos de: condições mínimas de habitabilidade; escolhas tipológicas habitacionais adequadas; reabilitação habitacional e urbana; qualidade do projecto; espaço público agradável; positivas soluções construtivas e de conforto ambiental; adequados cuidados sociais prévios e de gestão posterior; participação dos habitantes e acessibilidade dos mesmos aos programas habitacionais desenvolvidos.

E sublinha-se que, por exemplo, no que se refere à promoção habitacional, incluindo aquela destinada a ações de realojamento, não faz qualquer sentido repetir, agora, em determinadas realidades nacionais e geográficas, as más soluções que já terão sido desenvolvidas noutros países e regiões, assim como nunca fará sentido não dar a devida divulgação às boas práticas de intervenção residencial e urbana já desenvolvidas.

Fig. 06: no 1.º CIHEL, em primeiro plano João Filgueiras Lima (Lelé), rubrica um livro.

Afinal, tal como referiu António Reis Cabrita nas conclusões do primeiro congresso: “As realidades nos diferentes países são bem distintas mas a dimensão ontológica e universal da habitação e a similitude de muitas carências justificam a utilidade de uma aprendizagem mútua. Além disso, ela é feita neste caso sob a capa de uma língua comum e de alguma fraternidade cultural que a língua propicia.”

Neste sentido o 2.º CIHEL poderá contribuir para a identificação de aspectos fundamentais – conceptuais, processuais e organizacionais – na escolha de bons caminhos em termos de processos de desenvolvimento de soluções de habitar e espaço urbano mais adequadas a diversos modos de vida, contextos, necessidades e urgências específicas.

O 1.º CIHEL teve um perfil exploratório e centrado, estrategicamente, num determinado conjunto de temáticas habitacionais e urbanas, pretendendo-se, agora, com este 2.º CIHEL, cujo título significativamente abre o leque da matéria em discussão, para o grande tema “Habitação, Cidade, Território e Desenvolvimento”, uma abordagem mais ampla e diversificada dessas temáticas, seja nas suas bases constituintes, seja na sua influência, desejavelmente positiva, num desenvolvimento equilibrado, mas expressivo, dos respectivos países.


Fig. 07: duas imagens do 1.º CIHEL, no ISCTE-IUL

E considerando que o 1.º CIHEL aconteceu no final de 2010, fazermos o 2.º Congresso no primeiro trimestre de 2013, aproxima-nos do objectivo estratégico de um CIHEL a cada dois anos, marcando-se, assim, um ritmo adequado no desenvolvimento do Congresso.

4. Discutir o habitar e a cidade habitada no espaço e no âmbito   da lusofonia

Desenvolvendo, agora, um pouco mais o perfil das matérias a tratar no Congresso e voltando a citar Reis Cabrita podemos salientar que no 1.º CIHEL “foi feita uma frequente justaposição entre fazer habitação e fazer cidade que está correcta. Para tal a habitação deverá ser um factor de integração na cidade e, consequentemente, devemos lutar contra o facto de que ela esteja a ser com frequência mais um factor de exclusão do que de integração, afectando o desejado desenvolvimento social solidário.”

Parece ser, portanto, agora, no 2.º CIHEL, a altura de se aprofundar essa aliança fundamental entre habitação/habitar, cidade e território/ambiente, nessa perspectiva de desenvolvimento social solidário.

E termina-se esta primeira reflexão sobre a oportunidade do 2.º Congresso Internacional da Habitação no Espaço Lusófono e do seu tema “Habitação, Cidade, Território e Desenvolvimento”, lembrando que Manuel Correia Fernandes se referiu ao 1.º CIHEL como "um primeiro passo de uma «caminhada» que, em boa verdade, a dita «lusofonia» - e, sobretudo, Portugal – já devia ter iniciado há muito tempo", tentaremos, assim, a partir de agora, ao longo deste ano de 2012 de preparação do Congresso e em Março de 2013, com o vital contributo das muitas personalidades e entidades que estão a aderir às diversas comissões de organização, apoio e enquadramento do 2.º CIHEL e com a essencial adesão de todos aqueles que queiram estar connosco neste segundo Congresso, dar um segundo passo e, se possível, um passo maior nesta caminhada, preparando o Congresso para o que desejamos possa ser uma longa e útil viagem de divulgação, discussão e promoção de um melhor habitar, em melhores cidades e territórios, que sejam agentes do desenvolvimento bem fundamentado dos respectivos países.

Vamos então, agora, no LNEC, partir para o segundo passo desta «caminhada», desejavelmente bienal, que esperamos possa ser um passo ainda mais significativo do que o primeiro, proporcionando sinergias e desenvolvimentos úteis na grande e crucial área do habitar e do espaço urbano, e, quem sabe, preparando, talvez, a migração do CIHEL para outros territórios da lusofonia.


Fig. 08: o grande Auditório do LNEC

5. Os temas a desenvolver no 2.º CIHEL

Propõem-se os oito temas referidos, em seguida, de a) a h). Cada um dos temas poderá ser abordado, em termos de comunicação, em uma ou várias das seguintes facetas: (i) apresentação de avanços e aspectos relevantes nas teorias, conceitos e práticas; (ii) divulgar estratégias e metodologias de intervenção (planeamento, análise e diagnóstico, projecto, obra); (iii) discutir as questões económicas e as ligadas à garantia de qualidade e ao enquadramento legal, administrativo e financeiro; (iv) apresentar, analisar e discutir casos de estudo e boas práticas.

a) Programas e políticas urbanas e habitacionais
Apresentar e discutir programas e políticas urbanas e habitacionais associadas à temática do congresso, considerando as políticas públicas e sectoriais e a importância da reabilitação e da gestão, considerando uma realidade marcada, frequentemente, por necessidades críticas e por reduzidos meios de ação, e tendo em conta uma perspectiva associada ao desenvolvimento da sociedade e aos objetivos de sustentabilidade.

b) Cidade habitada, território e ambiente
Desenvolver ligações entre ambiente, acessibilidades numa perspetiva multimodal, território, paisagem e uma cidade viva, que se deseja possa ser dinamizadora de um desenvolvimento sustentável, coerente e integrado e aliado da paisagem natural. A investigação e a formação sobre a cidade e a evolução do habitat humano, tendo em conta o "novo" mundo urbano, de megacidades e megaperiferias. Considerar a cidade como espaço de vida, de cultura, de vitalização territorial, para a competitividade e coesão social e territorial. Ter em conta os equilíbrios: cidade-campo; cidade habitada - cidade industriosa; e mundo urbano dinâmico - ambiente adequado, considerando também as estratégias de adaptação e mitigação face a riscos naturais e tecnológicos.

c) Da urbanidade no espaço público à cidade informal
Aprofundar as perspetivas de humanização do mundo urbano, como espaço bem habitado e equipado, tendo em conta dibersos perfis de infraestruturação e as potencialidades do espaço público e dos serviços urbanos e sociais. Desenvolver os aspectos de análise, reorganização, acupunctura urbana e preenchimento positivo da cidade, atendendo a fatores de segurança. Considerar formas mais adequadas de reabitar o centro e reordenar periferias. Apresentar e discutir processos e ações de intervenção e reurbanização na "cidade informal", a promoção de um sentimento de pertença e a prevenção contra a criminalidade e as incivilidades.

d) O habitar nas comunidades rurais
A caracterização do habitar nas comunidades rurais, considerado como padrão urbano determinante e vitalizador na organização das sociedades em desenvolvimento,e como processo emergente em contextos já mais estruturados, mas marcados por uma crescente sensibilidade sobre o ambiente e pela reinterpretação de velhos modos de vida e pela perspetiva do “regresso ao campo”.

e) Da habitação de interesse social à diversificação tipológica
Visar a discussão do direito, do acesso e do apoio à habitação e as práticas mais adequadas aos diversos atores sociais, institucionais e económicos associados à promoção habitacional. Perspetivar uma diversificação e adequação estratégica das soluções habitacionais (da habitação à vizinhança). Discutir as opções de realojamento mais adequadas. Considerar a relação entre soluções habitacionais, modos de vida e exigências funcionais e de conforto – tendo em conta velhas e novas formas de habitar, desejos e necessidades e relações entre família e vizinhança e entre vizinhança e cidade. Ter em conta as inovações nos modos de vida e o papel e a integração das novas tecnologias na cidade e no espaço doméstico.

f) Integrar a reabilitação urbana e habitacional
Visar a relação entre habitar e reabilitar, considerando a múltipla importância do construir no construído e do preenchimento e da densificação no incremento de uma ampla sustentabilidade urbana, abrangendo ainda a questão dos vazios urbanos. Considerar as principais ferramentas da reabilitação urbana e habitacional com destaque para as análises de habitabilidade. Perspectivar uma reabilitação urbana e habitacional vitalizadora, socialmente integradora, funcionalmente diversificada e valorizadora.

g) Sistemas, processos, tecnologias e materiais de construção
Apresentar e discutir sistemas, processos, tecnologias e materiais direcionados para a construção nova e para a reabilitação habitacional e urbana, considerando aspectos ligados à relação custo-benefício e, designadamente, à escassez de recursos, às técnicas e meios localmente disponíveis e à adequação em termos de conforto ambiental; considerar a ligação destas matérias às diversas facetas da sustentabilidade – ambiental, económica e sociocultural.

h) Práticas de investigação e intervenção urbana e habitacional
Adaptação das comunidades e dos habitantes às propostas urbanísticas e arqutetónicas; o desgaste das soluções construtivas e a quantificação do investimento na manutenção; a evolução de usos e necessidades urbanas e domésticas; a relação com os moradores e a respetiva participação; a aplicação de diversos processos de análise da satisfação, com destaque para Avaliação Pós-Ocupação (APO). A multidisciplinaridade na intervenção urbana e habitacional.


Fig. 09: imagens do Centro de Congressos do Campus do LNEC

6. Envio das comunicações ao 2.º CIHEL, inscrições e custos

Principais datas para envio de comunicações:

. Envio de resumos de propostas de comunicações até: 2 julho de 2012 (Segunda-feira).

. Comunicação da aceitação das propostas até: 30 julho de 2012

. Envio do texto final das comunicações e dados complementares até 15 outubro de 2012.

. Selecção final das comunicações a apresentar até 30 Outubro, com eventual solicitação de revisões.

. Entrega da revisão final (quando aplicável): até 30 Novembro de 2012.

Os resumos devem ser enviados em português, em formato [.doc], destacando o tema em que se insere o trabalho (Tema A a H). Importante: Devem ser seguidas as regras de edição do resumo a disponibilizar, muito em breve, no site da Conferência.

Nota importante: no site do 2.º CIHEL serão, em breve, divulgadas, sob a forma de modelos muito simples de usar (templates), as normas para o envio: (i) dos resumos; e (ii) do texto final das comunicações.

Enquanto o site não estiver activo os interessados poderão, desde já, elaborar resumos com um máximo de cerca de 600 palavras (1 pg. A4); e anexar ao mesmo resumo uma pequena nota biográfica (com um máximo de 150 palavras).

E relembra-se que hoje, Segunda-feira, 16 de Abril, se faz a primeira "chamada de trabalhos/comunicações" para apresentação no 2.º CIHEL, solicitando-se a todos os interessados em participar neste evento o envio de resumos de comunicações, até à Segunda-feira 2 de Julho de 2012, portanto, exactamente daqui a dois meses e meio, exclusivamente, para o endereço: comunicacoes2cihel@lnec.pt


A inscrição no 2.º CIHEL e nas suas atividades complementares será oportunamente disponibilizada. Os custos de inscrição serão, em breve, pormenorizados, considerando-se condições especiais, designadamente, para estudantes, membros do GH e eventuais entidades associadas ou patrocinadoras.

Registam-se, no entanto e desde já, os custos calculados (com IVA) para o Workshop e o Congresso, para não estudantes e para as primeiras inscrições (realizadas até uma data a definir em breve): (i) Workshop, 120 euros; (ii) Congresso, 330 euros; (i e ii) Conjunto Workshop e Congresso, 400 euros; a visita pós-congresso dependerá de um número mínimo de inscritos e terá custos a definir oportunamente.

7. Síntese sobre o 2.º CIHEL

Pretende-se com este 2.º CIHEL desenvolver uma abordagem ampla e multifacetada da temática “Habitação, Cidade, Território e Desenvolvimento”, numa altura em que se desenvolvem planos para elevados números de habitações e para a reurbanização de extensas áreas em vários dos países da lusofonia, tendo presente a influência da construção/reabilitação habitacional e do crescimento urbano no desenvolvimento de um país, assim como a necessidade de se dirigir esta ferramenta de crescimento económico para caminhos social e culturalmente adequados a cada contexto nacional, regional e local.



Fig. 10: o 2.º CIHEL quer ser um fórum de dinamização de contatos, parcerias e discussão e transferência de conhecimentos.

O Congresso está associado a um workshop de especialização e uma exposição técnica, disponibilizando-se, assim, um fórum de dinamização de contatos, parcerias e discussão e transferência de conhecimentos, entre responsáveis por entidades oficiais e privadas, técnicos, promotores, investigadores, projetistas, construtores e industriais ligados ao setor.

Dado o interesse que julgamos poderá ter este Congresso, apelamos, assim, à participação de todos neste evento e ao apoio na divulgação desta iniciativa, antecipando, desde já, o muito gosto que teremos em os acolher no LNEC.

A Direção e a coordenação do Conselho Científico do 2.º CIHEL

António Baptista Coelho
António Reis Cabrita
Jorge Grandão Lopes
Paulo Tormenta Pinto



Informações sobre o 2.º CIHEL

LNEC, Apoio à Organização de Reuniões
Secretariado Geral do 2.º CIHEL
Telefone: +351 218 443 483
Fax: +351 218 443 014
LNEC, Av. do Brasil, n.º 101, 1700-066 Lisboa,
Email: organizacao2cihel@lnec.pt

domingo, abril 08, 2012

388 - O HOMEM QUE NÃO MORREU, um conto de Adriano Rosa - Infohabitar 388

Infohabitar, Ano VIII, n.º 388

Desejando que todos os leitores do Infohabitar estejam a passar uma Páscoa feliz e em paz, entre familiares e amigos, edita-se, na nossa revista, mais um conto do nosso colaborador Adriano Rosa, ao qual aproveitamos para agradecer estas agradáveis e oportunas pequenas mudanças no conteúdo das nossas edições; e afinal, nestes seus contos sente-se, também, muito o sentido profundo de um "habitar", referido ao positivo "marcar" de pessoas e de espaços.
E avisam-se os leitores que na edição da próxima semana teremos notícias sobre a realização do 2.º Congresso Internacional da Habitação no Espaço Lusófono, o 2.º CIHEL.

Com as melhores saudações,
O editor
António Baptista Coelho


O HOMEM QUE NÃO MORREU

Naquele tempo era perigoso contrariar o mandato dos céus, e o deus que havia protegia os mais fortes. A religião dos homens e a lei dos poderosos eram defendidas por velhos sacerdotes e severos juízes.

Bastava uma palavra infeliz, um acto qualquer incompreendido e a justiça haveria de encontrar um criminoso. O homem que tinha sido julgado, sem dúvida cometera uma ofensa grave mas não podia recordar-se do seu crime.

Um outro deus era o seu, mas esse outro amaldiçoara-o a cumprir um calvário de sangue. Nenhum deus ama a liberdade, pois o que está escrito tem que ser seguido. Também o seu deus tinha fracassado e parecia agora um velho embevecido com um espelho, nos confins do universo, mirando a sua imagem e semelhança. O homem que tinha sido condenado deixara de acreditar no seu deus, e apenas lamentava o tempo perdido dos que o tinham escutado. Homens e mulheres comuns que seriam perseguidos por causa da sua palavra.

O homem que tinha sido condenado sabia de mais e via para além do seu deus. A vaidade corrompe os deuses, e também os homens, é verdade. Mas nada disso interessava já, nem o tempo em que este infeliz condenado procurou o sentido da festa. Cedo de mais tinha julgado o seu deus diferente, e a humanidade disponível para a alegria. Cedo de mais,repetia para si. Qual tinha sido o seu primeiro milagre, o seu primeiro erro? Agora estava morto ou consideravam-no morto. A injúria dos homens é irreparável. Para quê regressar? O corpo foi entregue a José que o cobriu com um lençol fino que comprara, e trataram-no como a um morto.

Também o centurião certificou a sua palidez, e convenceu-se estar perante um cadáver.

Acordou naquela manhã envolto em ligas e o rosto coberto por um sudário.

Apenas podia mexer as mãos, e foi assim que se sentiu vivo. Enjoado com o lento despertar numa gruta fria, o homem que não morreu contemplou outros corpos enfaixados e inertes a seu lado. (A morte é uma coisa estranha, uma rigidez suprema, e silêncios sem memória). Por fim aceitou a consciência de que estava vivo, lá fora a luz do sol brilhava e pressentia que outra vida o esperava. Mover a pesada pedra estava fora das suas possibilidades, o homem que tinha sido condenado rastejou para a fresta e assim regressou ao mundo e à realidade dos vivos, escavando com tempo o seu triunfo inútil. Voltou ainda a questionar a sensatez de um regresso. Quem quererá morrer duas vezes?

Entre arbustos próximos retirou as ligas que o apertavam, cobriam as nódoas de sangue e o suor. O homem sentiu o sol percorrer a nudez, e reparou como eram horrorosas as suas chagas. Como viver uma vida honrada, ser apenas um homem mais e sem divinos mistérios? Estranhou a sensação da água num riacho próximo, um outro baptismo de vida! Não podia arriscar-se a ser descoberto. Regressou cauteloso, como se não conhecesse mais mundo que o espaço para onde tinha rastejado. Fazer a viagem da morte para a vida é uma oportunidade única, e não conseguiu dormir na noite após a sua ressurreição. Contemplou um amanhecer pela primeira vez, sem alguma missão especial a cumprir. Não podia ocultar-se eternamente. Arrepiava-se diante daquela palavra… Eternidade!

Estava perdido nestes pensamentos, quando um grupo de mancebos desviou a pedra da entrada para roubar os panos de linho aos cadáveres. Não se moveu, porque não é crime roubar a quem não precisa. Além disso, nunca se interessou pelas questões da lei ou não tivesse violado o sábado ao

curar enfermos e a colher espigas diante dos fariseus. Recordava-se agora dos seus pecados. Enquanto os mancebos disputavam o linho, o homem que tinha sido condenado pensou como o amanhecer é belo, e olhou para a estrada e as anémonas cor de púrpura por onde os mancebos escapavam,atravessando depois os loureiros bravos.

O homem que tinha saudado a luz de um novo dia notou então que três mulheres se aproximavam, silenciosas como se viessem chorar a morte de alguém. Custava-lhe ainda enfrentar a luz de um novo dia, mas reconheceu Madalena. Atrás seguiam a mãe de Tiago e Salomé. Não quis falar-lhes,pois tinha que desabituar-se de transmitir esperanças. Era melhor que a morte fosse tida como o elo entre os homens e os deuses (sem a morte, a arte e todas as religiões seriam improváveis como coisas humanas). O seu corpo não estava na gruta, na verdade ele estava vivo e não podia contrariar a sua ressurreição. Não queria voltar a morrer para fazer a vontade aos homens e ao seu deus, mas não sabia como viver. O filho de deus não sabia para que servia a vida! Apenas não queria ser descoberto pelos soldados, nem pelos discípulos. (Poderia falar com Madalena, pedir auxílio e um esconderijo temporário mais seguro que uns arbustos). As três mulheres repararam na pedra movida e no lugar vago deixado pelo seu corpo. Mas o homem que não morreu tinha que manter o mistério do seu desaparecimento, ninguém o encontraria. Apenas Madalena, a beleza que o surpreendeu junto a um poço de água. Deveria, pois, saciar a sua sede? O filho de deus saberia amar? Suportaria, durante o resto da sua vida,conhecer o amor e o remorso de desejar uma mulher? O deus que fora o seu nada sabia do sofrimento humano porque lhe ordenara que morresse na cruz por um amor sem substância e sem fim.

Deveria agora esgueirar-se por caminhos sombrios. Amar é o maior perigo que pode acontecer a um homem!

Madalena estava só na sua tenda, queria libertar-se da memória daquele homem solitário que a tinha olhado de maneira diferente. Entre o mistério e o pranto aguardava sem saber. O homem que não morreu entrou sem alarde, e olhou para Madalena como quem desperta de um sono profundo. Sou apenas um homem, disse-lhe. Madalena reconheceu-o e voltou a tratar-lhe das feridas. Beijou lentamente os pés de Madalena,abraçou-se às suas delicadas coxas e permaneceram calados durante muito tempo enquanto Madalena lhe afagava os cabelos. O amor não precisa de palavras nem de orações. Sentiu o sangue latejar quando se deitou com Madalena. As mãos percorreram os rostos, descobriu por que os humanos fazem amor conservando mútuo o olhar. Dar a outra face significa partilhar os afectos. O homem que não morreu encontrou, finalmente,tempo para chorar. De alegria.

Adriano Rosa

Notas editoriais:


(i) A edição dos artigos no âmbito do blogger exige um conjunto de procedimentos que tornam difícil a revisão final editorial designadamente em termos de marcações a bold/negrito e em itálico; pelo que eventuais imperfeições editoriais deste tipo são, por regra, da responsabilidade da edição do Infohabitar, pois, designadamente, no caso de artigos longos uma edição mais perfeita exigiria um esforço editorial difícil de garantir considerando o ritmo semanal de edição do Infohabitar.

(ii) Por razões idênticas às que acabaram de ser referidas certas simbologias e certos pormenores editoriais têm de ser simplificados e/ou passados a texto corrido para edição no blogger.
(iii) Embora a edição dos artigos editados no Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico, as opiniões expressas nos artigos apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores.


Infohabitar a Revista do Grupo Habitar
Editor: António Baptista Coelho
Edição de José Baptista Coelho
Lisboa, Encarnação - Olivais Norte
Infohabitar n.º 388
Páscoa de 2012

domingo, abril 01, 2012

387 - Notas gerais sobre as origens da cidade (ii): quando a rua desceu dos tectos das casas que faziam uma cidade densa - Infohabitar 387

Infohabitar Ano VIII, n.º 387

Notas gerais sobre as origens da cidade (ii): quando a rua desceu dos tectos das casas que faziam uma cidade densa
António Baptista Coelho

Notas prévias
Neste segundo artigo, que aborda as origens da cidade, perspectivando a relação dessa origem com a construção de uma cidade densificada e quase sem ruas, ou com “pequenas” ruas, ou humanizados espaços públicos (matéria esta a desenvolver em outros artigos desta série), faz-se, como nota prévia, a referência ao reduzido conhecimento que o autor destas linhas tem sobre estas matérias, testemunhando-se que muito do que aqui se refere estará muito melhor apontado e justificado em obras especializadas de pré-historiadores e arqueólogos.

E desde já e considerando-se o que acabou de ser apontado, se apresentam desculpas aos leitores por eventuais imperfeições e mesmo erros que possam constar ou decorrer das reflexões feitas nos artigos desta série. Vamos tentar, naturalmente, evitá-los ao máximo, sendo que os objectivos fundamentais destes textos são dois: despertar o interesse por uma matéria verdadeiramente apaixonante e ainda em claro desenvolvimento e que se refere ao perceber melhor a “invenção da cidade”; e procurar retirar, cuidadosamente, destas reflexões algumas ideias úteis e oportunas para o novo século das grandes cidades, dos centros urbanos multiétnicos e da vital redescoberta de uma (re)densificação vitalizadora e potencialmente responsável pelo resgate de um renovado interesse habitacional, funcional, cultural e lúdico com que podemos e devemos reinvestir os nossos espaços urbanos.

Ainda como nota prévia sublinha-se que, mais do que discutir a noção de “invenção” da cidade, talvez fizesse mais sentido referirmo-nos ao estudo do desenvolvimento da idéia de povoado, referido, por exemplo, à excelente definição de “sítio em que habita gente” (retirado do “Novo Dicionário da Língua Portuguêsa – para os estudantes e para o povo”, de Francisco Torrinha, Domingos Barreira Editor, Livraria Simões Lopes, Porto, 1945).

Mas, afinal, a discussão do sentido de “cidade” e de como ele se desenvolve, tem ela própria uma vibração especial, que sintetiza muitos dos aspectos que nos movem nestas reflexões, designadamente, a consideração da relação entre espaços domésticos e públicos e aprópria natureza destes últimos, tendo em conta que as povoações terão nascido, provavelmente, de grupos de famílias alargadas e mutuamente ligadas, sendo que, assim, se poderá considerar que o próprio espaço exterior aos mundos domésticos teria essencialmente um sentido de espaço comum; pelo menos até que a povoação atingisse uma dimensão urbana mais significativa.


 Fig. 01
 
Alguns aspectos a considerar na origem da cidade e do "habitar em companhia"
Voltando um pouco atrás nestas reflexões e para tentar fundamentá-las melhor e perspectivas eventuais evoluções domésticas e urbanas alternativas, referem-se, em seguida, sinteticamente, alguns aspectos considerados importantes nas matérias ligadas a uma possível sequência de acontecimentos e desenvolvimentos que parecem ter estado na origem da cidade e do habitar em companhia/grupo:
  • A melhoria das condições climáticas, que aconteceu depois de uma última pequena glaciação, proporcionou excelentes capacidades de crescimento de ricas e diversificadas flora e fauna, designadamente, no chamado “Crescente Fértil”, uma ampla região que se estendia do delta do Nilo ao actual Kuwait, no Golgo Pérsico, atravessando os actuais Israel, Palestina, Jordânia, Síria, Sul da Turquia, Iraque e parte do Irão.
  • Esta situação terá proporcionado o desenvolvimento de uma tendência de sedentarização por acréscimo de recursos e de alimentação na proximidade das famílias alargadas, reduzindo-lhes a necessidade de se deslocarem quase em continuidade, como acontecia até então, para se ir renovando o cenário de sustento natural em termos de caça/pesca, recolecção e mesmo primeiros aproveitamentos agrícolas das “versões”/selvagens de alguns cereais e gramíneas comestíveis.
  • A tendência de sedentarização parece ter surgido, assim, não directamente, ou pelo menos exclusivamente, associada à designada invenção neolítica da agricultura e à associada domesticação e criação de animais, situação que é reforçada pela recente descoberta de um extraordinário “santuário” megalítico, cujas funções específicas se desconhecem, mas que parece poder ter congregado reuniões de uma grande população de caçadores/recolectores.
  • Este edifício/construção, foi encontrado na actual Síria, em Göbekli Tepe, e terá cerca de 11.000 anos (7000 anos anterior a Stonehenge), e é actualmente considerado como o primeiro verdadeiro “edifício público” da história humana – e já agora e a título meramente suplementar não é possível deixar de referir que esta extraordinária infraestrutura não terá, tido, provavelmente um objectivo estritamente funcional.
  • Sublinha-se que este “santuário” tem uma estrutura construtiva extremamente elaborada, conplexa e com grande extensão, integrando enorme pedras talhadas em “T”, com três a cinco metros de altura, várias toneladas de peso e marcadas por belíssimos relevos esculpidos de animais, constituindo uma obra que terá demorado várias gerações humanas a ser concçuída e que obrigou ao esforço conjunto de cerca de 500 pessoas – os tais caçadores e recolectores nómadas.
    E continuando a nossa reflexão temos assim um primeiro “edifício” humano que não está associado a nenhuma povoação específica que tenha sido encontrada nesse local até agora, e que antecedeu em cerca de 1000 anos o desenvolvimento dos primeiros povoados mais significativos (até agora conhecidos).
  • Uma possibilidade será que a sedentarização tenha começado a ocorrer, ainda em conjugação com a caça/pesca e a apanha de frutas e plantas diversas, naturalmente, a partir do referido acréscimo de fertilidade da natureza envolvente, e que, sequencialmente, a própria fixação das pessoas e o associado crescimento demográfico – era difícil haver muitas crianças quando as famílias estavam em constante movimento –, tenha levado a um crescimento das necessidades de alimentação e outras associadas à vida diária; e, portanto, que este contexto diversificado (ambiental, social e mesmo de engenho humano), tenha levado à referida “invenção” de uma actividade agrícola e de pastorícia gradualmente mais organizadas e dinamizadas.
  • E assim se inicia, de certa forma, um ciclo sem fim: (i) de necessidades, gradual e naturalmente acrescidas/enriquecidas; e (ii) de trabalho, gradualmente mais intenso, para satisfazer essas necessidades. Um ciclo que, por sua vez, ia gerando necessidades de mais mão-de-obra e, portanto, de maior concentração/densificação e cooperação humana, numa perspectiva de desenvolvimento socioeconómico e proto-urbano que o próprio engenho humano logo se terá encarregado de fazer crescer.
  • De certa forma podemos dizer que o homem, levado pela própria riqueza da natureza, terá, assim, terminado um seu estádio de algum equilíbrio entre necessidades diárias e formas de as satisfazer (quem sabe simbolizadas um pouco na figura do Paraíso), e inventou um processo sem-fim de mais necessidades, mais produção, mais exigências, mais excedentes, maior diversificação de actividades, maior criatividade, mais problemas ou novos problemas, etc., etc.

Fig. 02

  • Naturalmente que a tecnologia da construção de abrigos/casas foi acompanhando a evolução referida, e, assim, provavelmente, (i) dos primeiros agrupamentos de famílias alargadas abrigadas em casas/cabanas redondas ou ovais feitas de madeira e/ou terra batida, e dispondo, frequentemente, de embasamentos em pedra, passa-se, a certa altura, (ii) para edifícios com plantas rectangulares, tornados possíveis pela invenção de estruturas de alvenaria portante com cantos ortogonais reforçados.
  • Estas novas casas rectangulares são mais adequadas do que as anteriores arrendondadas, tanto em termos de subdivisão interna, como considerando a sua agregação urbana. Em termos da sua divisão interna as casas rectangulares e realizadas em pequenos elementos de terra argilosa seca ao sol, proporcionam a sua divisão em espaços relativamente modulados (normalmente a partir da dimensão normal dos troncos de árvores usados na construção das coberturas); em termos de agregação proporcionam a sua associação mútua em conjuntos coesos, densos e imbricados de pequenos edifícios, alguns até já com dois pisos. E assim se desenvolveram as ferramentas para constituição de povoados com alguma concentração e dimensão.
  • Voltando à questão da designada “invenção” neolítica da agricultura (selecção/domesticação de plantas encontradas na natureza, como o trigo) e da domesticação e criação de animais (o cão, a cabra), os especialistas consideram, actualmente, que ela poderá ter sido posterior à própria sedentarização, e, quem sabe, possa talvez ter-se desenvolvido numa reacção de procura dos meios de sobrevivência acrescidos, que são necessários a maiores concentrações humanas. Uma situação que poderá ajudar a explicar que a “invenção” da rua terá sido posterior à do conglomerado de habitações e outros edifícios que integram as primeiras grandes povoações conhecidas; pois enquanto o homem se deslocava, com relativa facilidade, através dos terraços/coberturas dos conjuntos imbricados das primeiras povoações, podendo, a partir desses terraços, aceder por escadas ao interior das habitações; não havia já essa facilidade, seja no transporte das mais diversas mercadorias e instrumentos associados à agricultura, seja na circulação e na guarda dos primeiros pequenos rebanhos.
  • No entanto, outros pré-historiadores e arqueólogos referem um outro caminho alternativo e racional no processo de sedentarização/urbanização, apontando que teria sido o próprio desenvolvimento da agricultura e as suas exigentes necessidades de transporte de bens e utensílios (ex., grandes cestos e recipientes de barro cheios de sementes), que terão levado os nossos antepassados a fixarem-se mais na vizinhança dos respectivos campos, levando ao desenvolvimento dos primeiros espaços ditos urbanos.
  • Provavelmente a verdade estará numa mistura de relações de causa-efeito, associadas a situações locais e regionais específicas. E sobre esta matéria é interessante lembrar que, por exemplo, a evolução neolítica na Europa foi bastante distinta e muito tardia relativamente ao que aconteceu no Crescente Fértil; uma zona do mundo que, na prática, marcou tanto nas primeiras povoações, como depois, passados cerca de 4.000 ou mesmo 5.000 anos, na promoção, concepção e desenvolvimento das primeiras verdadeiras cidades.
Mas interessa ainda aqui comentar que, por essa altura, há cerca de 10.000 anos, na parte do mundo cujo clima e fertilidade ajudaram nesta primeira revolução civilizacional, tínhamos então algumas pequenas “cidades” super-densificadas, ou até povoados onde a densidade não tinha propriamente razão de ser considerada, pois, na prática, haveria apenas uma “grande casa” feita de casas e abrigos privados, rodeada de eventuais florestas e de alguns campos e orlas de cultivo e pastorícia, espaços estes que talvez cumprissem, em parte, a função de espaço partilhado e público; sendo “a cidade feita apenas de casas” uma espécie de reinvenção humana do próprio cenário denso, multiforme e natural/selvagem da “floresta” (termo que é aqui referido, essencialmente, à ideia de espaço natural desconhecido ou pelo menos pouco conhecido e sempre perigoso).


Fig. 03

E foi assim que, nesta fase inicial da história do habitar e da cidade, neste conglomerado orgânico e relativamente caótico de pequenas casas, a circulação comum ou pública se fez pelas respectivas coberturas em terraços, numa solução natural, quando associada a um quadro físico de edifícios mútua, multilateral e densamente encostados e mesmo imbricados uns nos outros. Uma solução espontânea de agregação e de acessibilidades, também excelente em termos de segurança face ao exterior ainda provavelmente muito bravio e desconhecido, pois facilmente as escadas móveis de acesso eram retiradas ou colocadas, consoante as necessidades do momento (ex., acesso rápido, bloqueio de acesso). E é interessante registar que por esta altura, talvez há cerca de 10.000 anos, até a religião, ou o sagrado e o mistério, “morava” nestas casas acedidas por cima, pela cobertura, e “morava” em perquenas casas como as outras, sendo apenas o recheio específico da actividade de “culto” (culto cuja natureza naturalmente é muito difícil de conhecer), e até os familiares mortos continuavam a habitar com os vivos nas suas velhas casas – e assim foi em Çatal Huyuk, na actual Turquia, talvez durante mais de 1000 anos. E é bem interesante sublinhar que as casas de Çatal Huyuk e de outras primeiras povoações tinham pinturas nas paredes, não sendo portanto apenas abrigos funcionais.

Podemos então considerar que, no princípio da invenção do espaço urbano, referido a um conjunto de casas/fogos/famílias, acontecia que, de certa forma, a casa de cada um era a unidade básica e exclusiva da povoação, sendo o espaço de uso comum ou público provavelmente residual; e, numa primeira fase da vida urbana, “em companhia”, este espaço talvez mais comum do que público, estava, em boa parte, sobreposto aos espaços domésticos, como que numa leitura dupla do agregado urbano primordial e no que podemos comentar ter sido uma “modernidade” nunca verdadeiramente igualada no futuro das cidades.

Retomando a nossa principal sequência de reflexão, neste texto, podemos salientar que, provavelmente, ao longo de muitas centenas de anos e de inúmeros ciclos de construção e reconstrução, terá provavelmente acontecido que, no estrato superior e relativamente contínuo constituído pelas coberturas dessa “cidade feita apenas de casas”, a troca e o convívio terão transbordado os muros e os compartimentos domésticos (casas constituídas, frequentemente, por um único espaço amplo) e passado a ter uma faceta mais comum e, talvez, tanto mais “pública” e espacialmente exigente, quanto maior era a povoação.

Caberá ainda aqui considerar que a essa referida e relativa continuidade de coberturas, ao serviço de usos comuns/públicos, se terão associado, gradual e naturalmente, alguns outros terraços e, provavelmente, alguns outros espaços (residuais?), que foram sendo deixados entre os edifícios e construções.

Nesta perspectiva, um outro aspecto que convém ter em conta refere-se ao uso nas habitações de uma tecnologia construtiva que obrigaria, devido ao seu carácter pouco durável – elementos de terra cota portantes, estruturas de madeira e outros elementos com origem natural (vimes e folhas) - a frequentes acções de reabilitação e mesmo de reconstrução, numa sequência de desenvolvimento da massa edificada urbana que, naturalmente, iria proporcionando evoluções em extensão, criação de espaços vazios residuais ou estratégicos (deixados por exemplo pelo abandono ou colapso de determinados edifícios), e a estruturação de novas relações de acessibilidade.

Ciando-se, assim, um processo de desenvolvimento urbano que, associado às referidas novas/emergentes necessidades de trânsito de mercadorias e animais domésticos, terá começado a gerar continuidades de espaços comuns/públicos térreos mais eficazes, estruturadas com as acessibilidades ao exterior destas primeiras povoações e, simultânea e gradualmente, marcadas por preocupações de controlo do acesso a partir do exterior do povoado – um povado que, imagina-se, estaria a ficar gradualmente mais próspero e, portanto, sujeito a maior cobiça por parte de pessoas estranhas e exteriores à respectiva comunidade.

Esta é uma evolução sempre difícil de acompanhar pois as muitas centenas de anos passadas não deixaram grandes vestígios na alvenaria de terra/tijolo seca ao Sol, mas uma evolução do espaço de convívio, ou pelo menos do espaço partilhado e comum, que podemos imaginar terá começado ela própria a solicitar o maior desenvolvimento desses primeiros espaços de uso público, talvez também por conta de crescentes exigências comerciais e industriais associadas ao próprio desenvolvimento de actividades agrícolas e de pastorícia mais estruturadas, assim como ligadas à circulação de forasteiros comerciantes e ao gradual e natural desenvolvimento dos primeiros mercados.


Fig. 04

De certa forma o convívio e a troca tarão, assim, transbordado do mundo doméstico para um mundo comum/público, primeiro, quase inexistente, forçando, provavelmente ao crescimento específico deste último mundo, que acabou, talvez, por ir convivendo “entre” espaços específicos do habitar, numa natural descida ao plano térreo do povoado, que talvez tenha razões funcionais e decorra do espaço a mais que vai sendo conquistado à envolvente natural e que se vai sedimentando entre crescimentos de novos edifícios, talvez eles próprios gradualmente mais especializados.

E lembra-se que o outro aspecto a considerar em tudo isto, poderá referir-se ao uso de animais domesticados e talvez, gradualmente, de maior dimensão, associados, primeiro, simplesmente à pastorícia,mas também, depois, gradualmente ao transporte de bens, ao comércio e à viagem; quem sabe numa primeira revolução urbana dos transportes, que terá trazido a vida das povoações para o solo e terá dado origem à abertura das primeiras continuidades de espaços públicos nas primeiras agregações multiformes e densas de casas, muros e outras construções.

E aqui alvez tenha nascido a primeira vontade de ordenar/urbanizar, numa reacção natural ao mais que provável desordenamento da “jovem cidade”, caracterizada, provavelmente, por uma desordem ou “caos” inicial, revelado pouco funcional e gerador de novos problemas (por exemplo de saúde e de insegurança, associados a maiores concentrações humanas em espaços tendenciamente reduzidos e mesmo mais “fechados”).

E já que se referiu um relativo “caos” urbano inicial, que é matéria interessante a abordar noutras oportunidades, importa entreabrir, apenas, uma nova frente de reflexão ligada à arte, a arte que os nossos antepassados traziam consigo há mais de vinte mil anos, e com a qual “habitaram/marcaram” as cavernas e, depois, as paredes das primeiras casas, numa necessidade ou numa vontade de expressão que muito ultrapassa as razões funcionais e que, provavelmente, foi ferramenta básica da posterior reflexão sobre o tão jovem espaço urbano, prestes a ser (re)ordenado pela primeira vez na história do homem.

Perdoem-me os especialistas nestas áreas, mas parece ser uma evolução racional/sentimental, e uma evolução na qual o papel da cerâmica decorada/marcada terá tido provavelmente grande importância, talvez quase num sentido de possível representação e miniaturização daquela nova realidade urbana; matérias de grande interesse e que foram já abordadas por muitos autores.

Retomando o passar, aqui tão sintetizado, de muitos séculos na sequência deste desenvolvimento habitacional e urbano primordial, podemos considerar que depois, depois provavelmente talvez se tenham desenvolvido iniciativas de “ordenamento”, que talvez não devam ser restringidas aos últimos milénios da história humana, pois quem em Chauvet pintava e desenhava ao mais alto nível da técnica e da concepção, teria sem dúvida a capacidade e o suplemento de alma adequados ao desenvolvimento de uma ideia de cidade, que tinha então de passar, como vários milénios depois, pelo desafogar do espaço de uso colectivo ou público, um desafogar até facilitado pela própria autonomia unitária e exterior/interior da casa pátio, que desde sempre integrou boa parte das grandes cidades orientais e norte-africanas.


Fig. 05

E assim se terão criado as bases primordiais dos impasses/becos, das ruelas e das ruas, mais os seus respectivos alargamentos em “largos”, pracetas e praças...

E assim chegamos à cidade que vive, basicamente, das/nas suas ruas e restantes espaços públicos, e vários autores urbanistas referem mesmo que a rua decorre teórica e directamente da escala física e funcional do homem e das suas actividades urbanas correntes, retomando-se, assim, a origem da rua e da cidade.

E assim se pode redescobrir e dar sentido profundo à forma histórica de se fazer cidade, tal como aponta Rudolf Arnheim (1), quando defende que «… o desfiladeiro da rua é o reino da presença ampliada do homem, sendo por isso apreendido como forma …», citando, depois, Heide Berndt, quando esta autora aponta que «… a rede de ruas, estreita e relativamente confusa, era funcionalmente apropriada a ruas que só serviam para dar acesso aos edifícios. Poucas ruas eram largas o suficiente para permitir a passagem de veículos. O elemento básico de uma planta urbana não era a rua ou estrada, mas as unidades de habitação e as praças públicas. As estreitas vielas eram determinadas pelo arranjo espacial das portas de entrada.. .» Mas «… na era industrial a relação espacial entre edifícios e ruas altera-se. Com as crescentes exigências dos sistemas de transportes, as ruas tornam-se mais importantes que a disposição dos edifícios na determinação do plano geral da cidade e do centro desta.»

E ficamos, para já, neste série editorial, sobre as origens da cidade e a introdução à cidade densa e quase sem ruas, nesta fase do desenvolvimento urbano, em que muitas ruas se “autonomizaram”, de certa forma, da sua promordial relação com os respectivos edifícios, num esquecimento talvez crítico de uma fundamental necessidade do homem urbano, sintetizada por Elias Canetti, quando refere que (2) : «para nos sentirmos confiantes numa cidade estranha precisamos de um espaço fechado sobre o qual exerçamos um certo direito e onde possamos estar sós... . Nada, como desaparecer num beco sem saída, nada como ficar parado diante de um portão, do qual guardamos a chave no bolso... . Entramos na frescura da casa. Fechamos o portão atrás de nós. Está escuro e por instantes nada vemos... . Mas rapidamente recuperamos a visão. Avistamos então as escadas de pedra que conduzem ao andar de cima, e onde encontramos um gato. Gato que incarna o silêncio pelo qual ansiávamos. E ficamos-lhe gratos por estar assim tão silenciosamente vivo.”

Nota complementar e Páscoas Felizes:
E será, muito provavelmente, com esta mesma citação que retomaremos esta série editorial sobre a origem das cidades, após a Páscoa.

E aproveita-se para desejar uma Páscoa Feliz e em família a todos os leitores, da parte do Grupo Habitar, da edição do Infohabitar e do Núcleo de Arquitectura e Urbanismo do LNEC.
E desde já se refere que no próprio Domingo de Páscoa o Infohabitar editará, com todo o gosto, mais um conto do seu colaborador Adriano Rosa, intitulado "O homem que não morreu".

Notas do artigo:

(1) Rudolf Arnheim, “A dinâmica da forma arquitetónica”, trad. Wanda Ramos, 1987 (1977), p. 70.

(2) Citação de Elias Canetti, em “As vozes de Marraquexe – Notas de uma viagem”, Lisboa, Publicações Dom Quixote, trad. Isabel Ramalho, 1991 (1988), p. 43 e 44

Bibliografia básica do artigo e da série editorial (e em desenvolvimento):

. AAVV - Les Cahiers de Science & Vie - Les Racines du Monde: Aux Origines du Sacré et des dieux, n.º 124 Aout-Septembre 2011.

. D. I. Loizos - Human Prehistory: An Exhibition, em: http://users.hol.gr/~dilos/prehis/prerm5.htm

. Leonardo Benevolo; Benno Albrecht – As Origens da Arquitectura. Lisboa, Edições 70, col. Arte & Comunicação, n.º 82, 2003 (2002).

. The Friends of Çatalhöyük and the Çatalhöyük Research Project - Çatalhöyük Excavations of a Neolithic Anatolian Höyük", Londres, University College, Institute of Archaeology, Catalhoyuk Research Project, em


. V. Gordon Childe – A Pré-história da Sociedade Europeia. Mem Martins, Publicações Europa-América, colecção SABER, n.º 43, 1974 (1957).

. V. Gordon Childe – Introdução à Arqueologia. Lisboa, Publicações Europa-América, colecção SABER, n.º 48, 1961.

 . W.J.Kowalski - Stone Age Habitats". 1997, em:


Notas editoriais:

(i) A edição dos artigos no âmbito do blogger exige um conjunto de procedimentos que tornam difícil a revisão final editorial designadamente em termos de marcações a bold/negrito e em itálico; pelo que eventuais imperfeições editoriais deste tipo são, por regra, da responsabilidade da edição do Infohabitar, pois, designadamente, no caso de artigos longos uma edição mais perfeita exigiria um esforço editorial difícil de garantir considerando o ritmo semanal de edição do Infohabitar.

(ii) Por razões idênticas às que acabaram de ser referidas certas simbologias e certos pormenores editoriais têm de ser simplificados e/ou passados a texto corrido para edição no blogger.

(iii) Embora a edição dos artigos editados no Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico, as opiniões expressas nos artigos apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores.


Infohabitar a Revista do Grupo Habitar

Editor: António Baptista Coelho

Edição de José Baptista Coelho

Lisboa, Encarnação - Olivais Norte

Infohabitar n.º 387

domingo, março 25, 2012

386 - Artigo sobre dimensões no espaço doméstico; Sessão LNEC sobre habitação e envelhecimento; seminário ANCORIM, sobre gestão dos riscos costeiros - Infohabitar 386

Infohabitar - Ano VIII - N.º 386
25 de Março de 2012

Nota editorial:
A presente edição do Infohabitar integra, sequencialmente:

(i) Uma última divulgação da Sessão Técnica do LNEC sobre a temática das "Questões habitacionais num país em envelhecimento" no Centro de Congressos do LNEC, no dia 29 de Março de 2012 entre as 9h30 e as 13h00.

(ii) Divulga-se a próxima realização do seminário nacional do Projecto "ANCORIM - Rede Atlântica para a gestão dos riscos costeiros", que terá lugar no Porto, na Faculdade de Engenharia da UP, no próximo dia 30 de Março

(iii) O artigo da semana do Infohabitar intitulado "As dimensões do mobiliário e do equipamento utilizado na habitação", de João Branco Pedro, Leonor Vasconcelos, Mara Monteiro, Catarina Jerónimo.

E relembra-se aos associados do GH que a convocatória para a 12.ª Assembleia-geral do Grupo Habitar está disponível no n.º 384 do Infohabitar - a assembleia decorrerá em 30 de Março de 2012 em Matosinhos na Sede da Cooperativa As Sete Bicas pelas 15h.00, Rua António Porto, n.º 42, 4460-353 Senhora da Hora, Matosinhos.

Com as melhores saudações,

António Baptista Coelho

Editor do Infohabitar

abc@lnec.pt


Fig.01: a temática das "Questões habitacionais num país em envelhecimento" em discussão no LNEC na manhã do próximo dia 29 de Março.

(i) Sessão Técnica do LNEC sobre a temática das "Questões habitacionais num país em envelhecimento"

Ainda é possível a inscrição na Sessão Técnica do LNEC sobre a temática das "Questões habitacionais num país em envelhecimento" - sessão esta que foi devidamente divulgada no Infohabitar n.º 384 e que terá lugar no LNEC, em Lisboa, em 29 de Marçode 2012, no Centro de Congressos do LNEC, no dia 29 de Março de 2012 entre as 9h30 e as 13h00.com informações disponíveis em: http://www.lnec.pt/congressos/eventos/pdfs/STE07.pdf

Fig.02: seminário nacional do Projecto "ANCORIM - Rede Atlântica para a gestão dos riscos costeiros"

(ii) Seminário nacional do Projecto "ANCORIM - Rede Atlântica para a gestão dos riscos costeiros"

Divulga-se a próxima realização do seminário nacional do Projecto "ANCORIM - Rede Atlântica para a gestão dos riscos costeiros", que terá lugar no Porto, na Faculdade de Engenharia da UP, no próximo dia 30 de Março. Este seminário interessa a técnicos com responsabilidades na gestão costeira, bem como a membros de agências, organizações e instituições, inclusivamente de ensino, intervenientes no litoral.

Os interessados poderão inscrever-se, sem custos (mas inscrição obrigatória), através do email: lpneves@fe.up.pt

Mais informações sobre o projecto, poderão ser encontradas em:
http://ancorim.aquitaine.fr/
Nota: em anexo, no final desta edição, encontará o programa completo deste evento.


(ii) Artigo da semana do Infohabitar: "As dimensões do mobiliário e do equipamento utilizado na habitação"


João Branco Pedro, Leonor Vasconcelos, Mara Monteiro, Catarina Jerónimo


Fig.03: Capa da publicação n.º 10 da série «Informação Técnica Arquitetura

As dimensões do mobiliário e do equipamento utilizado na habitação

João Branco Pedro, Leonor Vasconcelos, Mara Monteiro, Catarina Jerónimo

Laboratório Nacional de Engenharia Civil, Av. do Brasil, n.º 101, 1700-066 Lisboa, Portugal.

Autor para correspondência: jpedro@lnec.pt

1. Introdução

De modo a promover o bem-estar dos moradores, as habitações devem adequar-se às necessidades das famílias ou agregados que previsivelmente as utilizarão. As habitações devem portanto proporcionar um ambiente seguro, com condições de higiene e conforto, adequado aos usos dos moradores e que seja motivador de satisfação estética.

Para que as habitações sejam adequadas ao uso devem conter espaços com área, dimensões e equipamentos que permitam o desenvolvimento das funções domésticas, bem como possibilitar o acesso conveniente aos espaços que as constituem. A área e as dimensões de cada espaço das habitações devem ser determinadas tendo em consideração a composição do mobiliário e do equipamento que previsivelmente serão necessários ao desenvolvimento das funções domésticas (Pedro, 2009).

Neste contexto, as dimensões do mobiliário e do equipamento utilizado na habitação são informação técnica essencial para a análise e para a elaboração de projetos de edifícios habitacionais. Atendendo a este facto, foi desenvolvido um estudo que visou determinar as dimensões do mobiliário e do equipamento atualmente disponível no mercado português.

2. Estado da arte

As dimensões do mobiliário e do equipamento são definidas em publicações editadas em diversos países ao longo das últimas décadas. Estas publicações podem ser agrupadas nos seguintes conjuntos consoante o seu tipo:

1) estudos sobre o dimensionamento da habitação (Dybbroe e Meyer, 1959; McCullough, 1962; MHLG, 1963; NBA, 1965; Portas, 1969; Thiberg, 1970; Svennar, 1975; Lamure, 1976; Herbert et al., 1978; Drake e Pheasant, 1984; Pedro, 1999a; Palermo, 2009; Design for London, 2010);

2) manuais de apoio ao projeto em que os edifícios de habitação são um dos tipos de edifícios considerados (Griffini, 1948; Neufert, 1970; Benevolo, 1977; Tutt e Adler, 1979; Menghi, 1992; Chiara et al., 1995);

3) documentos regulamentares e normativos que enquadram a construção de habitação (MOPU, 1978; ITCC, 1983; Portugal, 1985; Swedish Standard, 1994; CEF, 2002; ABNT, 2007);

4) estudos específicos sobre o dimensionamento do mobiliário e do equipamento (BR, 1957; Noble, 1982; Boueri et al., 2004; Boueri, 2005; Boueri, 2008);

5) manuais de ergonomia (Panero e Zelnik, 1979).

Em Portugal, nos anos 60 do século XX, o "Estudo das funções e da exigência de áreas da habitação" desenvolvido no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) constituiu um marco importante na investigação sobe o tema (Portas, 1969). Neste estudo foram abordadas, para cada função de uso da habitação, as exigências de mobiliário e equipamento, área e dimensão, e articulação. As exigências de mobiliário e de equipamento contêm as respetivas dimensões. Estas dimensões foram obtidas pela síntese de informação técnica contida em bibliografia.

Posteriormente, entre 1995 e 1998, foi realizado de novo no LNEC um estudo sobre as exigências e especificações que a habitação deve satisfazer para assegurar a satisfação das necessidades dos utentes (Pedro, 1999a e 1999b). Para definir as especificações de uso foram analisadas a área e a dimensão dos espaços funcionais da habitação, utilizando como base as dimensões do mobiliário e do equipamento. Tal como no estudo anteriormente realizado no LNEC, as dimensões do mobiliário e do equipamento foram definidas com base na síntese de informação técnica contida em bibliografia.

Verificou-se, assim, que embora existissem estudos em Portugal que abordam estabelecem as dimensões do mobiliário e do equipamento utilizado na habitação, não tinha ainda sido realizado um levantamento das dimensões do mobiliário e do equipamento disponível no mercado português. Não estava portanto garantida a adequação das dimensões definidas nestes estudos à realidade portuguesa contemporânea.

3. Metodologia

Para determinar as dimensões do mobiliário e do equipamento atualmente disponível no mercado português foram realizadas as seguintes atividades:

1) Levantamento de informação – foram levantados catálogos, impressos ou disponíveis na Internet, com mobiliário e equipamento comercializado em Portugal entre novembro 2005 e setembro de 2006; foi realizada uma pesquisa de bibliografia portuguesa e estrangeira que contenha especificações sobre as dimensões de mobiliário e de equipamento utilizado na habitação.

2) Análise e síntese – para cada elemento de mobiliário e de equipamento foi constituída uma amostra retirada dos catálogos; a amostra foi ordenada por ordem crescente das dimensões e segmentada por percentis; as dimensões obtidas para cada percentil foram aferidas com as dimensões definidas na bibliografia; as dimensões obtidas no estudo foram comparadas com as dimensões estabelecidas em estudos anteriores.

3) Operacionalização – as dimensões obtidas foram utilizadas para desenhar blocos paramétricos no programa Autocad da Autodesk e esquemas explicativos.

Parte da metodologia seguida é idêntica à de estudos anteriores realizados no Brasil (Boueri, 2005).

4. Resultados

Como resultado do estudo foram determinadas as dimensões de 256 elementos de mobiliário e de equipamento frequentemente utilizados na habitação. Incluíram-se também alguns elementos construtivos (i.e., portas, escadas) e veículos (i.e., bicicletas, motociclos e automóveis), que se consideraram importantes para o dimensionamento dos espaços da habitação.

Para determinar as dimensões dos elementos de mobiliário e de equipamento foram levantados mais de 6.000 modelos comercializados em Portugal. Em média, a amostra de cada elemento de mobiliário ou de equipamento foi constituída por 32 modelos (para os elementos construtivos não foi realizado um levantamento).

De modo a facilitar a consulta, os elementos de mobiliário e equipamento foram organizados segundo as seguintes funções de uso da habitação seguintes (Pedro, 1999a): 1. dormir/descanso, 2. preparação de refeições, 3. refeições, 4. estar/reunir, 5. diversão/estudo/trabalho, 6. tratamento de roupa, 7. higiene pessoal/saúde, 8. circulação, 9. gestão doméstica, 10. permanência no exterior privado e 11. estacionamento privado.

Para cada elemento de mobiliário e equipamento foram indicadas as dimensões do elemento em si (i.e., dimensões físicas) e da zona livre existente junto do elemento para permitir a sua utilização (i.e., dimensões de uso). As dimensões foram definidas segundo três níveis de desempenho. No caso das dimensões físicas o significado de cada nível é o seguinte:

1) nível mínimo – permite colocar um elemento de entre 50% dos elementos mais pequenos da amostra;

2) nível recomendável – a possibilidade de escolha alarga-se para 75% dos elementos mais pequenos da amostra;

3) nível ótimo – a possibilidade de escolha alarga-se para 87% dos elementos mais pequenos da amostra.

As dimensões de uso também aumentam com o nível de desempenho, proporcionando maior desafogo na utilização de cada elemento de mobiliário ou equipamento. A determinação das dimensões de uso não teve em consideração as necessidades especiais de pessoas com mobilidade condicionada (e.g., pessoas em cadeira de rodas).

Com base nas dimensões obtidas para cada elemento de mobiliário e equipamento foram elaborados «blocos paramétricos» no programa Autocad da Autodesk. Os «blocos» são representações dos elementos de mobiliário e equipamento às quais estão associados nomes, sendo paramétricos porque a sua geometria e aspeto variam com a alteração de parâmetros (e.g., nível de desempenho). Os «blocos paramétricos» podem ser utilizados como objetos virtuais, facilmente manipuláveis, para testar a utilização de espaços funcionais.

5. Notas finais

O estudo permitiu complementar a síntese de informação técnica contida em bibliografia com uma análise do mobiliário e do equipamento comercializado em Portugal. Como resultado, foram definidas as dimensões de novos elementos de mobiliário e equipamento, foram atualizadas as dimensões do mobiliário e do equipamento definidas em estudos anteriores do LNEC, e aumentou a adequação das dimensões estabelecidas à realidade portuguesa contemporânea. Atendendo ao interesse que os resultados podem ter para o meio técnico, eles foram publicados no número 10 da série «Informação Técnica Arquitetura» (Pedro et al., 2011), cuja capa é apresentada na figura 1. Os blocos paramétricos podem ser descarregados gratuitamente no sítio na Internet (Pedro et al., 2006):

http://www-ext.lnec.pt/LNEC/DED/NA/pessoal/jpedro/Research/Mob/Por_mob.htm

Os resultados constituem informação técnica atualizada que se considera útil para adequar a forma e o dimensionamento dos espaços das habitações às necessidades dos moradores. Esta informação pode ser utilizada para analisar projetos de habitação e para conceber novos projetos de habitação.

Referências bibliográficas

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Tutt, Patricia; Adler, David (Ed.) – New metric handbook, planning and designing data. Oxford: Butterworth Heinemann, 1979.



Anexo

Programa do seminário nacional do Projecto "ANCORIM - Rede Atlântica para a gestão dos riscos costeiros",

Seminário Nacional, 30 de Março de 2012

Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto

Edifício B, Auditório B032

14h00m Registo de participantes e distribuição de documentação

Registration

14h30m – 16h00m

Abertura

Welcoming address


Sessão 1: Gestão de riscos costeiros

Coastal risks management

• A Rede Atlântica para a Gestão de Riscos Costeiros (ANCORIM)

The Atlantic Network for Coastal Risks Management (ANCORIM)

Prof. Fernando Veloso Gomes, Universidade do Porto

• Decision-makers’ needs at national and European scales

Decision-makers’ needs at national and European scales

Dr-Eng Luciana das Neves, Universidade do Porto


Sessão 2: Resultados do projeto ANCORIM

ANCORIM project outcomes

• Tool 1 – Guia educacional geral (e escolar) for raising awareness of coastal risks

Kit de sensibilização e de informações sobre os riscos costeiros

Prof. António Campar de Almeida, Universidade de Coimbra

• Tool 2 – Natural infrastructures and soft coastal protection solutions

Panorama das soluções leves de proteção costeira

• Tool 3 – ANCORIM Website and multimedia communication tool

O sítio e as ferramentas multimédia do projeto ANCORIM

Dr. Francisco Sancho, Laboratório Nacional de Engenharia Civil

• Tool 4 – Decision Making and Coastal Risks: A Good Practice Guide

Tomada de decisão e riscos costeiros: guia de boas práticas

Dr. Kevin Lynch, NUI Galway

16h00m Coffee Break


16h30m – 18h30m

Sessão 3: Experiências e boas práticas – casos de estudo

Coastal risks management

• Mobilidade da linha de costa, definição do potencial para a proteção de frentes

urbanas costeiras, Esmoriz e Cortegaça - Portugal

Shoreline mobility defining potential for coastal protection of the urban seafronts,

Esmoriz and Cortegaça - Portugal

Prof. Fernando Veloso Gomes, Universidade do Porto

• Desenvolvendo a capacidade de planeamento para combater riscos costeiros:

avaliação de campo no Condado de Mayo - Irlanda

Development Planning and coastal risks: field evaluation from County Mayo - Ireland

Dr Kevin Lynch, NUI Galway

• Plano de Ordenamento da Orla Costeira – Centro

Coastal Zone Management Plan - Centre

Prof. Fátima Alves, Universidade de Aveiro

Discussão

Discussion


18h30m Encerramento

Project website is http://ancorim.aquitaine.fr/
A ENTRADA É LIVRE MAS ESTÁ SUJEITA A INSCRIÇÃO PRÉVIA PARA O E-MAIL: lpneves@fe.up.pt


Notas editoriais:

(i) A edição dos artigos no âmbito do blogger exige um conjunto de procedimentos que tornam difícil a revisão final editorial designadamente em termos de marcações a bold/negrito e em itálico; pelo que eventuais imperfeições editoriais deste tipo são, por regra, da responsabilidade da edição do Infohabitar, pois, designadamente, no caso de artigos longos uma edição mais perfeita exigiria um esforço editorial difícil de garantir considerando o ritmo semanal de edição do Infohabitar.


(ii) Por razões idênticas às que acabaram de ser referidas certas simbologias e certos pormenores editoriais têm de ser simplificados e/ou passados a texto corrido para edição no blogger.


(iii) Embora a edição dos artigos editados no Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico, as opiniões expressas nos artigos apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores.



Infohabitar - Ano VIII - N.º 386 - 25 de Março de 2012


Infohabitar a Revista do Grupo Habitar


Editor: António Baptista Coelho

Edição de José Baptista Coelho

Lisboa, Encarnação - Olivais Norte