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terça-feira, fevereiro 05, 2019

673 - Pequenos espaços exteriores e interiores/exteriores privados - Infohabitar 673

Infohabitar, Ano XV, n.º 673
Pequenos espaços exteriores e interiores/exteriores privados - Infohabitar 673
Artigo da Série “Habitar e Viver Melhor”

por António Baptista Coelho (texto e desenhos)
Sobre uma habitação feita mais por sítios específicos do que por espaços ditos de/para actividades e funções domésticas.
Aproveitando para lembrar, entre outros autores Arquitectos, o grande Christopher Alexander e a sua incontornável “linguagem de padrões”, que tanto influenciou tanta gente e é tão poucas vezes citada ou referenciada, podemos referir que uma habitação, um mundo doméstico que, para o ser, tem de integrar, potencialmente, os vários mundos domésticos específicos dos respectivos habitantes, mais o respectivo agregado comum e convivial, muito mais do que um “simples” complexo funcional – e ainda assim o número de funções é extenso – deveria ser constituído e constituível por uma potencial e muito extensa diversidade de “cantos”, “recantos” e “sítios” adequados a uma enorme variedade de misturas funcionais e apropriações pessoais e de grupo específicas e dinâmicas.
Sobre a previsão destes tipo de “cantos”, “recantos” e “sítios”  domésticos, que são, em boa parte, os grandes responsáveis pela criação de um grande mundo pessoal e familiar, destacam-se alguns aspectos muito variados e, designadamente, de agradabilidade e de conforto ambiental, de adaptabilidade, de funcionalidade com sentido lato e de adequada, rica e apropriável pormenorização arquitectónica, que, em seguida, muito brevemente se apontam – não exaustivamente (trata-se de um texto naturalmente dinâmico).

Sobre os pequenos espaços exteriores e interiores/exteriores privados – considerações estruturantes

Antes de passar a alguns, pouco, comentários específicos sobre a caracterização e a importância que podem ter alguns tipos de espaços privados exteriores e de relação interior/exterior, numa adequada vivência dos nossos espaços domésticos pessoais e familiares, importa abordá-los, resumidamente, de uma forma geral e introdutória àqueles comentários.
Em primeiro lugar um aviso, talvez desnecessário mas sempre útil, que não se irão apontar aqui aspectos sistemáticos de projecto destes espaços, mas sim considerá-los numa perspectiva de concepção muito aberta e estimulante de boas e renovadas formas de habitar os nossos espaços domésticos, sendo que a primeiríssima consideração a registar é que estes tipos de espaços de fruição directa do exterior e de afirmada (física) relação com o interior doméstico, têm de se constituir em verdadeiros elementos estruturantes dos respectivos projectos de Arquitecturas, marcando seja o carácter/qualificação dos seus interiores, seja o carácter/imagem da sua face pública. E tudo o que seja menos do que isto não deve chegar, pois será sempre referido a colagens, mais ou menos, postiças de tais elementos/espaços nas fachadas dos edifícios e no prolongamento “automático” dos respectivos interiores contíguos.
Tal condição é essencial e está provada/garantida em múltiplos testemunhos de grandes Mestres Arquitectos, que a ela se referem, sublinhando, por vezes, que a própria essência da Arquitectura é o “jogo” de relações entre espaços e, designadamente, entre espaços interiores, exteriores e de transição/graduação ou de aberturas visuais mútuas.
Naturalmente que esta condição será tanto mais importante, quanto mais “liberta” de condicionantes envolventes e de agregação estiver a solução arquitectónica residencial, sendo básica, por exemplo, na concepção de moradias unifamiliares isoladas; mas ela é, também, fundamental mesmo, por exemplo, como bem sabemos, em grandes edifícios multifamiliares integrados em centros urbanos densos, que podem basear boa parte do seu carácter arquitectónico próprio/único no manejar da sua vertente de, eventuais, “cascatas”, mais ou menos naturalizadas de grandes varandas domésticas.


Fig. 01: interpretação livre do conjunto residencial da Cooperativa UGTimo, no Zambujal - projecto do Arq.º José Alves Bicho 

Oito aspectos de concepção a ter em conta no desenvolvimento de pequenos espaços exteriores privados

Para além da consideração básica que acabou de ser apontada, existem, pelo menos, oito “famílias” de aspectos, igualmente estruturantes da concepção de pequenos espaços domésticos privados exteriores ou de transição interior/exterior, que importa aqui registar, de forma sintética: 

Exterior privado e janelas domésticas

Parece óbvio, mas tantas vezes excelentes pequenos espaços domésticos privados exteriores ou de transição interior/exterior têm a sua presença muito menorizada por soluções de vãos pouco adequadas em termos de más influências na funcionalidade dos espaços contíguos, pormenorização visual inadequada, pouca segurança contra intrusões, etc.
E tal condição é extremamente crítica, por exemplo, quando, por exemplo, se desenvolvem, de raiz, varandas envidraçadas; cuja caracterização arquitectónica pode variar entre a excelência e a extrema dissonância, mercê de soluções de vãos bem diferentes na sua pormenorização.

As vistas no exterior privado

Desenvolver qualquer pequeno espaços doméstico privados exterior ou de transição interior/exterior, implica programar e assegurar as respectivas estratégias de vistas: sobre o exterior público; sobre o interior privado, a partir deste último e através do exterior privado, etc.
E mesmo que tais vistas não existam ou seja muito condicionadas, como é, por exemplo, o caso de um pequeno pátio privativo, tais vistas têm de ser consideradas e devidamente trabalhadas, neste caso, no sentido de se proporcionar um interessante sentido intimista e protegido.  

A criatividade volumétrica e pormenorizada no exterior privado

A matéria, acima apontada, do papel estruturante que os pequenos espaços domésticos privados exteriores ou de transição interior/exterior assumem na concepção arquitectónica residência, liga-se a um aspecto, talvez mais “fino” na sua consideração, referido à grande criatividade volumétrica, multilateral e pormenorizadamente diversificada que pode e deve ser proporcionada por tais espaços.
Uma condição bem evidente na diferença que existe, por exemplo, entre varandas muito abertas e balcões expressivamente mais encerrados ou resguardados, e, naturalmente, entre a grande variedade que é possível seja entre varandas – desde a pequeníssima varanda apenas de assomar, à mais profunda e orgânica varanda/sala – e entre a expressiva diversidade tipológica e volumétrica que é possível no desenvolvimento de pequenos pátios privados, mais ou menos encerrados, mais ou menos tratados como pátio construído ou como pequeno jardim.

Usos reais do exterior privado

Evidentemente que condição de proporcionarem, ou não, usos reais, é marcante na caracterização e na adequada viabilidade dos pequenos espaços domésticos privados exteriores ou de transição interior/exterior.
Talvez basta apontar que um uso real pode ser “apenas” o proporcionar a possibilidade de “colocar os pés na rua”, de “estar cá fora”, em pequeníssimas varandas de assomar. Mas o uso real pode ser, por exemplo, proporcionar um variado conjunto de funções de estar, lazer e elaboração e toma de refeições  numa ampla e bem equipada varanda/sala. Talvez o que não faça qualquer sentido são as situações dimensionalmente “neutras” e inadequadas que proporcionem um pouco mais de espaço para estar “cá fora” em pé e nada mais, designadamente, quando em quadros habitacionais com controlo de custos.

Exterior privado e relação com aspectos de segurança

Não sendo, talvez, aqui o sítio para o desenvolvimento desta essencial matéria, que obriga a uma atenção específica e desenvolvida, não faria sentido não registar e sublinhar que a concepção global e pormenorizada dos espaços, equipamentos, elementos de pormenorização e soluções de manutenção dos pequenos espaços domésticos privados exteriores ou de transição interior/exterior têm de cumprir exigentes condições de segurança no uso, designadamente, em espaços elevados e no que se refere ao risco de queda dos habitantes, com natural destaque para crianças e idosos.
Outro aspecto de segurança a considerar tem a ver com a defesa relativamente a intrusões em espaços exteriores privados térreos ou próximos do nível térreo, pois, não existindo tais condições, originam-se, frequentemente, iniciativas dos habitantes procurando solucionar esta situação, frequentemente inadequadas em termos funcionais e de imagem pública.

Exterior privado e relação com o conforto

Naturalmente que o desenvolvimento de pequenos espaços domésticos privados exteriores ou de transição interior/exterior só faz sentido quando a respectiva orientação solar e eólica lhes proporcione adequadas condições de conforto ambiental; sendo que as respectivas condições de pormenorização poderão apoiar tais condições, designadamente, no seu controlo ao longo do dia e no decorrer das estações do ano.

Exterior privado e relação com a natureza

Evidentemente que os pequenos espaços domésticos privados exteriores ou de transição interior/exterior são locais estratégicos de integração de elementos naturais em soluções muito diversificadas e perfeitamente integradas na solução arquitectónica global, conseguindo-se efeitos globais muito interessantes, por sequências de imagens, com dois sentidos, entre verde público e verde privado e obtendo-se um muito importante factor de apropriação residencial e doméstica, através de um verde privado que cada morador poderá “manejar” e recriar a seu gosto.

Exterior privado, relação com a acessibilidade e caracterização tipológica

Um aspecto de grande interesse na geração de variadas tipologias de edifícios residenciais de baixa altura e/ou de transição entre o uni e o multifamiliar e, também, de importante relação com variados gostos e hábitos residenciais refere-se à possibilidade de pequenos espaços domésticos privados exteriores ou de transição interior/exterior proporcionarem acessos directos (devidamente controlados) entre os espaços privados e espaços públicos ou de uso público (ex., caminhos pedonais de vizinhança) ou entre espaços privados e espaços públicos (ex., galerias de acesso comum elevadas).

Fig. 02: interpretação livre de um conjunto residencial da Cooperativa COOHAFAL, Funchal, projecto coordenado pelo Arq.º João Francisco Caires.

Consideração complementar sobre o equilíbrio de aéreas domésticas interiores e exteriores

Tratando-se de uma matéria que, por si só, justificará cuidadosas reflexões, regista-se aqui, apenas, que não se considera poder-se concluir, basicamente, por uma tendência de anular os pequenos espaços domésticos privados exteriores ou de transição interior/exterior, quando se desenvolvem habitações com áreas e custos controlados.
Considera-se que, pelas razões acima apontadas, o papel destes espaços é de grande importância na qualificação de uma adequada habitabilidade residencial, embora, naturalmente, existam situações onde, por exemplo, é preciso optar entre um interior um pouco menos exíguo e a disponibilização de uma varanda razoável. Mas há muitas soluções possíveis e importa sempre ter em conta que quando os edifícios são baixos e o exterior residencial público é agradável e convidativo, será possível reduzir “estrategicamente” o exterior privado.
Em próximas edições serão abordadas algumas tipologias de pequenos espaços domésticos privados exteriores ou de transição interior/exterior.

Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XV, n.º 673
Pequenos espaços exteriores e interiores/exteriores privados - Infohabitar 673
Artigo da Série “Habitar e Viver Melhor”

Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho
abc.infohabitar@gmail.com

Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional Infohabitar,– Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).

Apoio à Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.

domingo, março 20, 2016

574 - Inovar no exterior privado – Infohabitar n.º 574

Inovar no exterior privado – Infohabitar n.º 574

António Baptista Coelho
Artigo XCI da Série habitar e viver melhor

Novidades e tendências nos espaços exteriores privados

Já falámos nesta série editorial e designadamente nos últimos artigos, de muitos aspectos associados a esta matéria dos novos caminhos no desenvolvimento de espaços exteriores privativos.

Importa, no entanto, fazer aqui mais algumas notas específicas para alguns aspectos que estão actualmente na primeira linha da atenção pública e por isso iremos comentar, brevemente, alguns aspectos ligados com a pormenorização da densificação urbana, associados à intensificação da naturalização do espaço urbano e ligados à integração doméstica de marquises/estufas – matérias abordadas no livro do LNEC, de minha autoria, intitulado “Do bairro e da vizinhança à habitação”.

Segundo Claude Lamure, o pátio faz aumentar a densidade e a intimidade do habitat unifamiliar proporcionando uma utilização múltipla (desde trabalhos ligados ao serviço doméstico, até horticultura e jardinagem limitadas e funções de estar e recreio); segundo o autor, as respectivas áreas mínimas variam entre 30 e 40m², devendo crescer sensivelmente nas habitações com maior número de quartos, caso contrário, defende o autor, produzem-se conflitos entre recreio de crianças e outras actividades (1).

Fig. 01:  pátio privado de habitação unifamiliar e/ou de habitação integrada em piso térreo de edifício multifamiliar  - exterior de habitações do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - Arquitetura: Henrik Haremst.~

Exterior privado construindo exterior público aliciante

O estar exterior exige, simultaneamente, insolação, abrigo dos ventos dominantes e uma ponderada e graduável intimidade (ponderada, porque, por exemplo, os idosos apreciam vistas de actividades).

A graduação da intimidade pode realizar-se, simplesmente, pela opção entre diferentes tipos e alturas de vedações, desde que com imagens públicas prévia e adequadamente coordenadas em termos de imagem urbana; diferentes tipos de sebes e de vedações podem proporcionar essas condições, para além de estimularem o convívio natural entre vizinhos ocupados na sua manutenção. Um outro processo simples de se conseguir essa diferenciação é a existência de uma marcada diferença de nível entre o espaço público e os terraços ou pátios privados contíguos.

Naturalmente que um projecto urbano e habitacional densificado, designadamente, através da introdução de pátios privados, exige um extremo cuidado de pormenorização, sendo possíveis estimulantes misturas tipológicas uni e multifamiliares, assim como a conjugação entre diversas tipologias habitacionais nos mesmos edifícios; não será um projecto ao alcance de quem conceba/desenhe menos bem, mas são soluções extremamente aliciantes pela aliança que nos oferecem entre privacidade e apropriação de cada “mundo” privado – onde por exemplo se entre através de um pequeno pátio murado e privativo – e potenciais agregações densificadas e orgânicas ou racionalizadas de elevados números de habitações, num acentuar de um “mundo” público também muito estimulante e, potencialmente, muito diversificado.

Quanto ao potencial de intensa naturalização do espaço urbano, por introdução de multifacetados elementos de verde urbano, numa estratégia de fixação de carbono, amenização climática, redução de poluição, apoio à apropriação dos diversos espaços e suavização do ambiente citadino, numa sintética referência às múltiplas vantagens do verde urbano, essa intensa naturalização encontra nos espaços exteriores privativos e comuns os seus locais de eleição, desde as estreitas jardinetas frontais, aos profundos quintais traseiros, às floreiras nas fachadas e às filas de vasos e floreiras em varandas e terraços; e isto para não falar nas coberturas “verdes”.

Tal como apontei, há alguns anos, no livro do LNEC “Do bairro e da vizinhança à habitação”, são muito variadas as formas que podem assumir as plantas nos edifícios (ex., floreiras mais ou menos salientes, pequenos jardins de cobertura, trepadeiras, vasos evidenciados, caramanchões, pérgulas protegendo zonas exteriores, etc.), e, naturalmente, os respectivos conteúdos de expressão, que contribuem para as imagens gerais dos edifícios onde se integram, são, pelo menos tão variados e sempre muito ricos, porque relativamente livres (uma planta nunca é igual a outra, quanto muito é idêntica).

De certo esta matéria corresponde a uma composição de arquitetura urbana com duas variáveis básicas: tipo de dispositivo de suporte da vegetação; e características formais e vegetativas das plantas usadas. Um interessante exemplo desta variedade de soluções é proporcionado pelas "floreiras interiores" ("internal closed window boxes") (2), que parecem ser capazes de produzir uma belíssima conjugação de planos contíguos, marcando a profundidade dos vãos.

Fig. 02: um projecto urbano e habitacional densificado, designadamente, através da introdução de pátios privados, exige um extremo cuidado de pormenorização, sendo possíveis estimulantes misturas tipológicas uni e multifamiliares - exterior de habitações do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - Arquitetura: Greger Dahlström.


O interesse da natureza no meio urbano

É também muito interessante verificar o importante efeito bilateral que podem ter, facilmente, as floreiras que rematam espaços exteriores privados e elevados: pelo lado privado, e ao nível das respectivas habitações, aumentam a segurança da varanda, "loggia" ou terraço e diminuem ou anulam possíveis efeitos de vertigem, para além de terem uma imagem envolvente que simula a contiguidade com um jardim (nas vistas a partir do interior do fogo); pelo lado público, fazem descer a vegetação sobre a rua, humanizando-a, em escala e em conteúdo residencial.

E tal como refere Cliff Tandy (3) "as plantas de interior (e as situadas no limiar exterior/interior) têm as seguintes funções: relacionar espaços interiores; ligar espaços interiores e exteriores; proporcionar privacidade, filtros e barreiras visuais; demarcar fronteiras; e complementar ou contrastar, formal, textural e cromaticamente materiais, superfícies e objectos contíguos ou próximos."

Há, portanto, um enorme leque de soluções de integração do verde nos edifícios habitacionais e suas envolventes. Não é “obrigatório” uma tal integração, mas não é possível fingir-se que não existem tais possibilidades e que uma tal integração tem inúmeras vantagens, tal como acima se salientou.

Fig. 03: o interesse, privado e público, da natureza no meio urbano, uma matéria que tem muito a desenvolver  - exterior de habitações do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - Arquitetura: Kai Wartiainem, Ingrid Reppen.

Marquises envidraçadas

Considerando, agora, o espaço “interior” doméstico, e segundo Luc Bourdeau (4), a existência de uma marquise envidraçada profunda, concebida de raiz como estufa/solário, é um elemento que contribui para a poupança energética no aquecimento da habitação, durante o tempo frio, e além disto está provado que fomenta a criação de plantas em casa e, cumulativamente, proporciona a prática de diversas actividades (como por exemplo, tomar refeições, repousar, realizar passatempos, trabalhar), num espaço exterior/interior, e portanto, em agradável contacto com o exterior ambiental, paisagístico e urbano; e salienta-se, ainda, que uma parte significativa destas actividades continuam a ser praticadas também, na estufa/solário, durante o Inverno, garantindo-se, assim, uma continuidade de relacionamentos com o exterior.

Para o bom funcionamento das estufas/solários ao longo de todo o ano, considerando a sua contribuição para uma boa temperatura interior, é necessário que nelas existam vãos exteriores e dispositivos de sombreamento reguláveis, e que sejam mantidos vãos envidraçados e controláveis entre elas e os compartimentos contíguos; o que permitirá aos habitantes a escolha, diária, entre o aproveitamento do calor acumulado na estufa, ou o seu bloqueio nesse espaço, seguido de simples operações de ventilação que o rejeitem para o exterior. Comenta-se, ainda, que esta opção de falar das marquises ou estufas como espaços exteriores privativos é, naturalmente, discutível, pois elas são, exactamente, espaços de limiar e de transição entre exterior e interior.

E conclui-se, nesta série editorial, esta matéria dos espaços exteriores privados, referindo que quem nunca teve o privilégio de habitar um jardim privado, ainda que pequeno, mas bem orientado e dimensionado, ou uma ampla varanda bem desenhada, dimensionada e orientada – recebendo o sol matinal e fresca ao final da tarde -, não sabe realmente as vantagens em termos de ambiente e de vivência que tais espaços do habitar nos proporcionam; uma matéria a desenvolver, sem dúvida!

Notas
(1) Claude Lamure, "Adaptation du Logement à la Vie Familiale", p. 210.
(2) Cliff Tandy (Ed.), "Handbook of Urban Landscape", p. 256.
(3) Cliff Tandy (Ed.), "Handbook of Urban Landscape", p. 252.
(4) Luc Bourdeau, "Satisfaction and Behavior of the Occupants of Buildings with Sunspaces, Influence on the Energy Savings", p. 107.

Nota importante sobre as imagens que ilustram o artigo:
As imagens que acompanham este artigo e que irão, também, acompanhar outros artigos desta mesma série editorial foram recolhidas pelo autor do artigo na visita que realizou à exposição habitacional "Bo01 City of Tomorrow", que teve lugar em Malmö em 2001.
Aproveita-se para lembrar o grande interesse desta exposição e para registar que a Bo01 foi organizada pelo “organismo de exposições habitacionais sueco” (Svensk Bostadsmässa), que integra o Conselho Nacional de Planeamento e Construção Habitacional (SABO), a Associação Sueca das Companhias Municipais de Habitação, a Associação Sueca das Autoridades Locais e quinze municípios suecos; salienta-se ainda que a Bo01 teve apoio financeiro da Comissão Europeia, designadamente, no que se refere ao desenvolvimento de soluções urbanas sustentáveis no campo da eficácia energética, bem como apoios técnicos por parte do da Administração Nacional Sueca da Energia e do Instituto de Ciência e Tecnologia de Lund.
A Bo01 foi o primeiro desenvolvimento/fase do novo bairro de  Malmö, designado como Västra Hamnen (O Porto Oeste) uma das principais áreas urbanas de desenvolvimento da cidade no futuro.
Mais se refere que, sempre que seja possível, as imagens recolhidas pelo autor do artigo na Bo01 serão referidas aos respetivos projetistas dos edifícios visitados; no entanto, o elevado número de imagens de interiores domésticos então recolhidas dificulta a identificação dos respetivos projetistas de Arquitetura, não havendo informação adequada sobre os respetivos designers de equipamento (mobiliário) e eventuais projetistas de arquitetura de interiores; situação pela qual se apresentam as devidas desculpas aos respetivos projetistas e designers, tendo-se em conta, quer as frequentes ausências de referências - que serão, infelizmente, regra em relação aos referidos designers -, quer os eventuais lapsos ou ausência de referências aos respetivos projetistas de arquitetura.
·        Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XII, n.º 574
Artigo XCI da Série habitar e viver melhor

Inovar no exterior privado – Infohabitar n.º 574


Editor: António Baptista Coelho – abc@ubi.pt, abc@lnec.pt e abc.infohabitar@gmail.com
GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional
Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.