domingo, fevereiro 10, 2013

426 - Sobre o 2.º CIHEL, e artigo: O Prémio IHRU reabilitação para os espaços públicos do Bairro do Lagarteiro no Porto - Infohabitar 426


Infohabitar, Ano IX, nº426





Importante: Considerando a proximidade do 2.º Congresso Internacional Habitação no Espaço Lusófono (2.º CIHEL) e 1.º Congresso CRSEEL evidenciam-se, já de seguida, os principais artigos/links sobre este evento:

Site do 2.º CIHEL; com acesso a ficha de inscrição e quadro de apoios

Temas do 2.º CIHEL e do 1.º Congresso CRSEEL - as 137 comunicações já entregues sobre: habitação, cidade, território e desenvolvimento - António Baptista Coelho e Anabela Manteigas (n.º 421, 31 Dez. 12, 14 págs., 10 figs.).

2.º CIHEL - "Habitação, Cidade, Território e Desenvolvimento", no âmbito da lusofonia: 2.º CIHEL, LNEC, Lisboa, 13 a 15 de março de 2013 - Comissões do 2.º CIHEL (n.º 418, 2 Dez. 12, 9 págs., 12 figs.).

2nd CIHEL - International Congress on Housing in the Lusophone Territory - António Baptista Coelho e Elisabete Arsénio (n.º 403, 23 Jul. 12, 6 págs., 5 figs.).

E lembra-se que é ainda possível realizar a inscrição no Congresso a preço reduzido até 15 de fevereiro de 2013.

Participante não estudante:
- Congresso: 290 euros
- Conjunto Congresso e Workshop: 350 euros

Participante estudante - 1º e 2º ciclos
- Congresso: 120 euros
- Conjunto Congresso e Workshop: 150 euros

A frequência conjunta do workshop e do Congresso tem condições especiais para estudantes; incluindo-se os arquitectos recém-licenciados e a realizarem a formação obrigatória - o conjunto Workshop e Congresso representa um total de 8 créditos de Formação em Temáticas Opcionais de ingresso na O.A.
Consideram-se como estudantes os estudantes do 1.º e 2.º Ciclos de estudos (licenciatura e mestrados), neste caso o custo de incrição compreende a participação nas sessões do encontro, coffee-breaks, documentação de apoio e certificado de participação; não inclui almoços nem programa social; deverá ser anexada à ficha de inscrição comprovativo de matrícula atualizado.


Artigo: O Prémio IHRU reabilitação para os espaços públicos do Bairro do Lagarteiro no Porto
António Baptista Coelho

Breve introdução ao Prémio IHRU e seus antecedentes

No dia 6 de fevereiro de 2013 foram entrregues os Prémios IHRU Construção e Reabilitação 2012, na habitual cerimónia pública promovida pelo Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU).

O Prémio IHRU é herdeiro do Prémio INH (Instituto Nacional de Habitação), embora seja realizado num quadro diferente de premiação e de análise das candidaturas, e correponde a uma "tradição técnica" que se considera como extremamente importante pois corresponde a um acompanhamento das intervenções de construção nova de habitação de interesse social e de reabilitação habitacional e urbana com um historial global já com 24 anos de atividade contínua e que, em seguida, se sintetiza.

O Prémio INH para a construção nova de habitação de interesse social apoiada pelo Estado teve a sua primeira edição em 1989 (Prémio INH), seguindo-se 18 anos de Prémio INH, um (1) ano de Prémio INH/IHRU em 2007 e cinco (5) anos de Prémio IHRU; portanto os referidos 24 anos de premiação e acompanhamento ou observatório da promoção de habitação de interesse social ou a "Custos Controlados".

O Prémio IHRU para a reabilitação teve a sua origem no Prémio RECRIA, que foi gerido primeiro pelo IGAPHE e depois pelo INH e que teve edições entre 1999 e o início do Prémio IHRU em 2008 (último Prémio RECRIA em 2007).

Lembra-se, ainda, que o carácter do Prémio INH sempre foi exclusivamente honorífico, enquanto o Prémio RECRIA atribuía um valor pecuniário correspondente a determinadas percentagens da comparticipação total concedida pelo Instituto; e salienta-se que o "novo" Prémio IHRU, atribuído desde 2008, em várias modalidades de construção nova e de reabilitação, é também um Prémio exclusivamente honorífico.



Fig. 01

O Prémio IHRU reabilitação para os espaços públicos do Bairro do Lagarteiro no Porto: ficha técnica

Tendo referido, com grande brevidade, o quadro em que são entregues os Prémios IHRU, faz-se em seguida um, também breve, comentário ao projecto e obra de reabilitação dos espaços públicos do Bairro do Lagarteiro, no Porto, uma promoção que foi destacada com o Prémio IHRU 2012 na vertente "Reabilitação e Qualificação de Espaço Público".

E referimo-nos à natureza de "comentário" deste pequeno texto, pois será, sem dúvida, importante voltar a uma análise desta intervenção de uma forma mais alongada e pormenorizada em outras oportunidades.

Como ficha técnica desta intervenção, sublinha-se que foi promovida pela Câmara Municipal do Porto (CMP) - Gestão de Obras Públicas da CMP, E. M., e que foi realizada com apoio financeiro do IHRU, com projeto coordenado pelo Arq.º Paulo Tormenta Pinto e pelo Arq.º Paisagista João Ferreira Nunes - Proap, Lda. e construção da empresa Construtora da Huíla - Irmãos Neves, Lda.



Fig. 02
Sobre a intervenção nos espaços públicos do Bairro do Lagarteiro no Porto: alguns comentários

Em primeiro lugar importa referir que o Bairro Lagarteiro é uma unidade urbana e habitacional socialmente sensível e que qualquer intervenção aí realizada é complexa e igualmente sensível, seja nos "partidos" escolhidos em termos de linhas de atuação, seja nos esperados "diálogos" entre novas soluções urbanas e "habitáveis" aplicadas e as suas respetivas formas de apropriação pelos habitantes.

Importa ainda referir que a intervenção nos espaços públicos tem de ser acompanhada ou até antecipada pela melhoria das condições funcionais e de imagem dos respetivos edifícios, uma condição que terá sido já cumprida em boa parte do Bairro e que é crucial para o êxito da intervenção.

Há ainda que registar a importância da intervenção "paralela" na revitalização e melhoria dos equipamentos colectivos locais e na sua maximizada fusão com a estrutura habitacional e urbana do Bairro; uma condição também já em boa parte assegurada, seja no interior do Bairro, seja na sua vizinhança de proximidade.

E finalmente e como remate destas notas de enquadramento importa sublinhar, quer a importância do diálogo social continuado com os habitantes, seja a sua participação direta e/ou indireta na própria gestão local do Bairro, seja a continuidade e efetividade da presença municipal no apoio ao desenvolvimento da intervenção; todas estas condições que se julga estarem presentes na atual vida do Bairro


Fig. 03

O Prémio IHRU reabilitação para os espaços públicos do Bairro do Lagarteiro no Porto: alguns comentários

Passa-se, agora, a alguns comentários de maior pormenor sobre a tipologia da intervenção nos espaços públicos do Lagarteiro; notas estas desenvolvidas na sequência de pequenos textos retirados da respetiva apreciação desenvolvida pelo Júri do Prémio IHRU 2012.

Na ata do Júri do Prémio referiu-se ser este um "Projeto estruturado num conceito claro e ajustado à realidade do bairro, que qualifica o espaço público de uma maneira sustentável e ambientalmente correta, marcada por uma adequada e extensa intervenção paisagísitica e estruturada por uma opção de conceção arquitetónica com expressiva qualidade e sobriedade."

Por vezes o espaço público é "redesenhado" negativamente, com base na aplicação de soluções gerais até menos adequadas do que as originais, considerando-se que o estado de frequente desajuste e de infuncionalidade a que se chegou decorre de erros de conceção e não, como por vezes acontece, de "simples" problemas de gestão ou mesmo da própria ausência de uma gestão, pelo menos, mínima. Outras vezes o espaço público, ao ser "redesenhado", é abordado de forma "superficial", não havendo talvez a coragem de se avançar numa verdadeira reconversão de acessibilidades, funcionalidades e conteúdos/imagens, reconversão esta que evidentemente exige aprofundada sensibilidade na sua identificação e na respetiva escolha de novas soluções, quando estas são claramente necessárias.

O que se julga ter acontecido, e bem, no Lagarteiro, foi o assumir quer da importância da gestão corrente e de proximidade e dos seus necessários reflexos na própria estruturação da solução de redesenho, quer a coragem de se assumir um verdadeiro redesenho em termos gerais e de pormenor, e neste redesenho ter-se assumido também a importância de um verdadeiro "verde urbano" atuante e sustentável e de adequadas condições de durabilidade e de facilidade de manutenção, e até de "dificultação" de determinadas ações de vandalismo (ex., pinturas em paredes e muros).

Fig. 04

Depois, a ata do Júri salientou "o sensível cuidado dirigido para uma pormenorização que, além de servir a conceção global, é marcada por uma adequada atratividade e durabilidade."

Já se referiram aqui os aspetos associados ao que se julga ser a adequada pormenorização pública no renovado Lagarteiro, importa talvez apontar a forma subtil, mas bem forte, com que dos pormenores duráveis resulta uma imagem global tão impressiva, como sóbria e também atraente; e já agora a forma como pormenores "duros"/construídos se ligam com um verde urbano bem aplicado e durável, e a forma como tudo isto se harmoniza com a imagem agradável e sobriamente renovada do edificado.

E, finalmente, o Júri realçou "as condições de acessibilidade e mobilidade em todo o espaço público e em relação à sua envolvente (do Bairro), integrando-se, deste modo, esta área habitacional no tecido urbano da cidade do Porto."

De certa forma ficou para o final o que deveria ser, mas nem sempre é, bem evidente: que os conjuntos urbanos, todos eles e não apenas os "de interesse social", vivem, em boa parte, do modo como se ligam à continuidade urbana, do modo como são acessíveis a partir "da cidade" e do modo como com ela dialogam em termos de vias e, essencialmente, de ruas. E não tenhamos dúvidas de que os conjuntos urbanos aos quais apenas vai quem lá vive são meios privilegiados para se aprofundarem diferenças socioculturais. E, naturalmente, no renovado Lagarteiro tudo se fez para se abrir o Bairro à sua envolvente e à relação com a cidade, numa opção bem diferente daquela que marcava a solução preexistente - solução esta que, é também preciso dizê-lo, estava bem influenciada por uma dada "escola" de urbanismo, que teve o seu tempo de experimentação.


Fig. 05

Algumas (poucas) palavras de remate

Como se disse na abertura deste pequeno artigo, foram estas, apenas, algumas notas de comentário sobre uma intervenção de requalificação urbanística e habitacional, que se julga estar marcada por uma sóbria e efetiva qualidade em termos de conceção arquitectónica (geral e paisagística), mas uma conceção que, para além disso, parece conseguir construir pontes tão subtis como verdadeiramente expressivas com a respetiva e desejada apropriação e satisfação pelos habitantes.

Naturalmente, tal ideia de harmonização entre qualidade de "desenho" e satisfação residencial e urbana só poderá ser devidamente verificada com mais algum tempo de vivência do renovado Bairro, mas sente-se a existência de uma perspetiva com claro sinal positivo, na forma como a intervenção parece estar a ser vivida e usada.

Um outro aspeto importante e ainda mais sensível parece ser a possível aliança que aqui se avançou entre uma intervenção bem (re)desenhada e um "partido" em que não se nega um estimulante sentido de atratividade, embora dignamente marcado pela sobriedade e urbanidade das soluções.

E tudo isto pode, sem dúvida, ser útil em termos do replicar de soluções de intervenção em outros conjuntos de habitação de interesse social carecidos de requalificação no seu edificado e nos seus espaços públicos.

Em tudo isto um outro aspeto que importa apontar é a tranquila e positiva "revolução" que tem vindo a acontecer nos bairros de interesse social geridos pela Câmara Municipal do Porto (CMP), onde se renovam sóbria e funcionalmente os edifícios e espaços envolventes, dotando-os de adequadas condições de conforto e de agradabilidade das respetivas imagens públicas, e uma "revolução" que se pode considerar ela própria exemplar. E nesta matéria quer as Menções Honrosas do Prémio IHRU a operações de reabilitação de conjuntos da CMP em anos anteriores - Bairro Pio XII em 2008, Bairro do Lordelo do Ouro em 2011 -, quer esta atribuição do Prémio IHRU à intervenção no Bairro do Lagarteiro, são provas claras da qualidade e continuidade/vitalidade desta ação.
Há no entanto que referir aqui a grande importância que tem a integração entre a intervenção de requalificação nos espaços públicos e nos edifícios; uma situação que à data da visita do Júri do Prémio IHRU 2012 ao conjunto não estava ainda assegurada.


Fig. 06

Terminou-se já esta pequena reflexão sobre a excelente intervenção nos espaços públicos do Bairro do Lagarteiro, mas aproveita-se a oportunidade de se tratar este assunto da requalificação de conjuntos de habitação de interesse social para se lançar uma matéria que se julga ser interessante e oportuna.

Trata-se de um aspeto que se refere ao apontar de um possível quadro de intervenções de requalificação urbana em que a implantação original dos edifícios não seja matéria "intocável", propondo-se, sim, a possibilidade de se realizarem algumas (re)densificações e alguns preenchimentos pontuais e estratégicos, que possam reforçar, quer a fundamental continuidade urbanística e de sequências de imagens, quer o próprio equilíbrio económico da intervenção, quer ainda a melhoria do seu equipamento urbano (ex., novos edifícios com lojas térreas). Repete-se e sublinha-se que esta apreciação nada tem a ver especificamente com o que foi feito, e bem, no Lagarteiro, mas sim com o quadro global que tem marcado, em Portugal, a reabilitação de conjuntos de habitação de interesse social e onde a redensificação é considerada como praticamente "impossível", numa perspetiva bem diferente daquela que tem marcado operações com alguma identidade, realizadas em outros países da Europa.

Mas este aspeto é algo que deve ficar para outras reflexões, lembrando-se o que se julga ser o grande equilíbrio de projeto de requalificação aplicado no renovado Lagarteiro e cujos resultados práticos procuraremos revisitar em outras oporunidades.

Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados no Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico, as opiniões expressas nos artigos apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores.


Editor: António Baptista Coelho
Ano IX, nº426
Sobre o 2.º CIHEL, e artigo: O Prémios IHRU para os espaços públicos do Bairro do Lagarteiro no Porto
Edição de José Baptista Coelho
Lisboa, Encarnação - Olivais Norte



domingo, fevereiro 03, 2013

425 - Sobre o 2.º CIHEL: temas, organização e continuidade - Infohabitar 425


Infohabitar, Ano IX,  nº425

Importante: Considerando a proximidade do 2.º Congresso Internacional Habitação no Espaço Lusófono (2.º CIHEL) e 1.º Congresso CRSEEL evidenciam-se, já de seguida, os principais artigos/links sobre este evento:

Site do 2.º CIHEL; com acesso a ficha de inscrição e quadro de apoios
2.º CIHEL - "Habitação, Cidade, Território e Desenvolvimento", no âmbito da lusofonia: 2.º CIHEL, LNEC, Lisboa, 13 a 15 de março de 2013 - Comissões do 2.º CIHEL (n.º 418, 2 Dez. 12, 9 págs., 12 figs.).
2nd CIHEL - International Congress on Housing in the Lusophone Territory - António Baptista Coelho e Elisabete Arsénio (n.º 403, 23 Jul. 12, 6 págs., 5 figs.).


Sobre o 2.º CIHEL e 1.º CCRSEEL: temas, organização e desejada continuidade

António Baptista Coelho

Salienta-se que ao 2.º CIHEL em boa hora se aliou o 1.º Congresso Construção e Reabilitação Sustentável de Edifícios no Espaço Lusófono (1.º CCRSEEL), desenvolvido pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (FCT-UNL).

Grandes temas do 2.º CIHEL e 1.º CCRSEEL

São oito as temáticas do 2.º CIHEL e 1.º CCRSEEL, referidas, de a) a h).  Refere-se a seguir ao título do tema o número de trabalhos a apresentar e já recebidos, registando-se, depois, uma síntese "mínima" de cada tema.
a) Programas e políticas urbanas e habitacionais - 25 comunicações
Apresentar e discutir programas e políticas urbanas e habitacionais associadas à temática do congresso, considerando as políticas públicas e sectoriais e a importância da reabilitação e da gestão, considerando uma realidade marcada, frequentemente, por necessidades críticas e por reduzidos meios de ação, e tendo em conta uma perspetiva associada ao desenvolvimento da sociedade e aos amplos objetivos de sustentabilidade.
b) Cidade habitada, território e ambiente - 23 comunicações
Desenvolver ligações entre ambiente, acessibilidades numa perspetiva multimodal, território, paisagem e uma cidade viva, que se deseja possa ser dinamizadora de um desenvolvimento sustentável, coerente e integrado e aliado da paisagem natural. A investigação e a formação sobre a cidade e a evolução do habitat humano, tendo em conta o "novo" mundo urbano, de megacidades e megaperiferias. Considerar a cidade como espaço de vida, de cultura, de vitalização territorial, para a competitividade e coesão social e territorial. Ter em conta os equilíbrios: cidade-campo; cidade habitada e cidade industriosa; mundo urbano dinâmico –ambiente adequado, considerando também as estratégias de adaptação e mitigação face a riscos naturais e tecnológicos.
c) Da urbanidade no espaço público à cidade informal -10 comunicações
Aprofundar as perspetivas de humanização do mundo urbano, como espaço bem habitado e equipado, tendo em conta diversos perfis de infraestruturação e as potencialidades do espaço público e dos serviços urbanos e sociais. Desenvolver os aspetos de análise, reorganização, acupuntura urbana e preenchimento positivo da cidade, atendendo a fatores de segurança. Considerar formas mais adequadas de reabitar o centro e reordenar periferias. Apresentar e discutir processos e ações de intervenção e reurbanização na "cidade informal", a promoção de um sentimento de pertença e a prevenção contra a criminalidade e as incivilidades.
d) O habitar nas comunidades rurais - 2 comunicações
A caracterização do habitar nas comunidades rurais, considerado como padrão urbano determinante e vitalizador na organização das sociedades em desenvolvimento,e como processo emergente em contextos já mais estruturados, mas marcados por uma crescente sensibilidade sobre o ambiente e pela reinterpretação de velhos modos de vida e pela perspetiva do “regresso ao campo”.
e) Da habitação de interesse social à diversificação tipológica - 17 comunicações
Visar a discussão do direito, do acesso e do apoio à habitação e as práticas mais adequadas aos diversos atores sociais, institucionais e económicos associados à promoção habitacional. Perspetivar uma diversificação e adequação estratégica das soluções habitacionais (da habitação à vizinhança). Discutir opções de realojamento adequadas. Considerar a relação entre soluções habitacionais, modos de vida e exigências funcionais e de conforto, tendo em conta velhas e novas formas de habitar, desejos e necessidades e relações entre família e vizinhança e entre vizinhança e cidade.Ter em conta as inovações nos modos de vida e o papel da integração das novas tecnologias na cidade e no espaço doméstico.
f)  Integrar a reabilitação urbana e habitacional - 11 comunicações
Visar a relação entre habitar e reabilitar, considerando a múltipla importância do construir no construído e do preenchimento e da densificação no incremento de uma ampla sustentabilidade urbana, abrangendo ainda a questão dos vazios urbanos. Considerar as principais ferramentas da reabilitação urbana e habitacional com destaque para as análises de habitabilidade. Perspetivar uma reabilitação urbana e habitacional vitalizadora, socialmente integradora, funcionalmente diversificada e valorizadora.
g) Sistemas, processos, tecnologias e materiais de construção - 31 comunicações
Apresentar e discutir sistemas, processos, tecnologias e materiais direcionados para a construção nova e para a  reabilitação habitacional e urbana, considerando aspetos ligados à relação custo-benefício e, designadamente, à escassez de recursos, às técnicas e meios localmente disponíveis e à adequação em termos de conforto ambiental; considerar a ligação destas matérias às diversas facetas da sustentabilidade – ambiental, económica e sociocultural.
h) Práticas de investigação e intervenção urbana e habitacional - 22 comunicações
Adaptação das comunidades e dos habitantes às propostas urbanísticas e arqutetónicas; o desgaste das soluções construtivas e a quantificação do investimento na manutenção; a evolução de usos e necessidades urbanas e domésticas; a relação com os moradores e a respetiva participação; a aplicação de diversos processos de análise da satisfação, com destaque para Avaliação Pós-Ocupação (APO). A multidisciplinaridade na intervenção urbana e habitacional.



Pequena síntese organizativa do 2.º CIHEL e 1.º CCRSEEL
Em termos organizativos a apresentação das mais de 140 comunicações entregues é assegurada nas manhãs dos dias 14 e 15 de março em sessões simultâneas, que decorrerão em sete salas do Centro de Congressos, tendo-se tentado realizar uma distribuição cuidadosa dos conteúdos das comunicações, tanto por tema e por sala, como por subtemática tratada; de modo a que quem participa no Congresso possa ter apresentações focadas em temáticas afins. Naturalmente que este processo terá, sem dúvida, muitas imperfeições, mas na prática tentou-se realmente esta estratégia, o que levou até à conjugação de comunicações de vários temas numa mesma sala/sessão, quando há assuntos com afinidade e, naturalmente, porque o número diferente de comunicações em cada tema assim obriga.
Outro cuidado havido refere-se à provável edição do livro do Congresso cumprindo esta mesma lógica, na sua parte editada em papel, que segue exatamente a divisão por temas e salas acima indicada, de modo a facilitar-se a escolha e o acompanhamento das diversas comunicações e sessões.
A edição dos textos completos das comunicações no CD seguirá, muito provavelmente, uma ordem simples de consulta referida ao n.º de ordem com que as comunicações foram chegando ao secretariado (ex., A001 a A025; C001 a C010); isto porque se considera que o acesso ao CD será feito habitualmente com o objetivo de consulta de uma dada comunicação, sendo neste caso essencial uma forma simples de acesso à mesma (ex., N.º de ordem geral tal como indicado, título do trabalho, autores do trabalho).
Nas tardes dos dias 13, 14 e 15 de março os trabalhos decorrerão sempre em plenário, centrados nas cerca de 12 intervenções convidadas.
Prevê-se ainda que nos intervalos da manhã e da tarde dos dias 14 e 15 se realizem breves intervenções de apresentação de livros, junto às respetivas editoras.




Algumas notas sobre o 2.º CIHEL e sobre o CIHEL   
O principal objetivo deste 2.º CIHEL e 1.º CCRSEEL e das suas atividades associadas é a constituição de um fórum sociotécnico do mundo da lusofonia e com afirmada continuidade temporal, que possa ter uma utilidade clara e crescente na grande área temática “da habitação, cidade, território e desenvolvimento", visando-se a dinamização de um processo que assegure, numa base de realizações itinerantes, os próximos Congressos e atividades intercalares com forte caráter prático e de utilidade socioeconómica.
Neste sentido espera-se que seja aliciante o programa previsto, onde se destacam: as cerca de 12 intervenções convidadas e as 140 comunicações a apresentar no Centro de Congressos do LNEC, em sete salas, de 13 a 15 de março de 2013; a pequena "feira do livro" técnico que se espera poder assegurar no átrio do Centro de Congressos; as exposições previstas, com destaque para a que vai ser organizada pelo CIALP, sobre património de origem portuguesa no âmbito da lusofonia; o workshop que antecede o Congresso; e a visita técnica que está em estudo.
Do 1.º para o 2.º CIHEL e 1.º CCRSEEL, estamos a passar de 5 para cerca de 12 intervenções convidadas, e de 50 para mais de 140 comunicações, tendo crescido fortemente na promoção de atividades associadas; esperemos, então, que o 3.º CIHEL e, quem sabe, outras atividades intercalares, possam aprofundar a utilidade desta iniciativa no apoio ao bem-estar das populações e nos amplos territórios onde se fala português. 
E como nada se pode fazer sem ser num grupo coeso, julga-se que é de grande oportunidade a operacionalização do Secretariado Permanente do CIHEL, que foi esboçado no final do 1.º Congresso, mas que deveria, agora, assumir uma atividade continuada e estratégica - designadamente através da criação de uma Comissão Coordenadora -, no lançamento e enquadramento dos próximos Congressos e outras tipologias de eventos e instrumentos de discussão, formação, divulgação e partilha de informação, nesta grande área dos habitares no espaço lusófono; habitares estes que, tal como se aponta neste 2.º CIHEL e 1.º CCRSEEL, têm a ver com o ambiente, o território, a cidade e um desenvolvimento adequado e sustentado.



Regista-se também o interesse, por parte das pessoas e entidades que apoiaram na realização do 1.º e 2.º CIHEL e 1.º CCRSEEL, de se desenvolver e aprofundar a cooperação com outras pessoas e entidades que visem o mesmo leque de objectivos, associados a um melhor habitar no mundo de língua portuguesa.

Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados no Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico, as opiniões expressas nos artigos apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores.


Editor: António Baptista Coelho
Ano IX,  nº425
Notas sobre os temas, a organização e a continuidade do 2.º CIHEL,
Edição de José Baptista Coelho
Lisboa, Encarnação - Olivais Norte, SEM DATA (em actualização periódica)

domingo, janeiro 27, 2013

424 - Notas sobre a criação e os objetivos do CIHEL - Infohabitar 424

Infohabitar, Ano IX, nº424




Importante: Considerando a proximidade do 2.º Congresso Internacional Habitação no Espaço Lusófono (2.º CIHEL) e 1.º Congresso CRSEEL evidenciam-se, já de seguida, os principais artigos/links sobre este evento:

Site do 2.º CIHEL; com acesso a ficha de inscrição e quadro de apoios

Temas do 2.º CIHEL e do 1.º Congresso CRSEEL - as 137 comunicações já entregues sobre: habitação, cidade, território e desenvolvimento - António Baptista Coelho e Anabela Manteigas (n.º 421, 31 Dez. 12, 14 págs., 10 figs.).
2.º CIHEL - "Habitação, Cidade, Território e Desenvolvimento", no âmbito da lusofonia: 2.º CIHEL, LNEC, Lisboa, 13 a 15 de março de 2013 - Comissões do 2.º CIHEL (n.º 418, 2 Dez. 12, 9 págs., 12 figs.).
2nd CIHEL - International Congress on Housing in the Lusophone Territory - António Baptista Coelho e Elisabete Arsénio (n.º 403, 23 Jul. 12, 6 págs., 5 figs.).

E lembra-se que há pouco mais de duas semanas ultrapassámos as 300.000 consultas de artigos, com médias que ultrapassam, frequentemente, as 400 consultas diárias, comemorando com a edição da última edição do nosso catálogo interactivo, aqui bem à mão em







Notas sobre a criação e os objetivos do CIHEL

António Baptista Coelho

a) Da ideia e do tema do 1.º Congresso Internacional da Habitação no Espaço Lusófono ao 2.º Congresso

O "Congresso Internacional da Habitação no Espaço Lusófono", teve a sua designação de "CIHEL" atribuída, julga-se, com felicidade, pela colega Ana Vaz Milheiro, numa das primeiras reuniões organizativas, que teve lugar cerca de Abril de 2010 no gabinete da chefia do Núcleo de Arquitectura e Urbanismo do LNEC e sede do Grupo Habitar.

É interessante lembrar que muitos amigos e colegas acharam então difícil, se não impossível, falarmos, em português, e com utilidade, das matérias de um habitar que no mundo da lusofonia tem inúmeras realidades específicas; no entanto, no 1.º Congresso, que teve lugar em Setembro de 2010 no ISCTE-IUL, uma das conclusões mais evidentes é que sim, é possível e é útil fazê-lo, quer porque a massa crítica da reflexão que podemos realizar em português é, realmente, muito significativa e rica, quer porque as questões associadas à diferenciação das situações, problemáticas e meios disponíveis, é, naturalmente, real entre os diversos países da lusofonia, mas é real, também, dentro de cada um de todos esses países onde se fala esta língua, uma situação que é extremamente significativa seja nos países muito grandes, seja até em países relativamente pequenos, mas geograficamente muito distribuídos e caracterizados por problemas e meios locais muito distintos.

E, assim, a ideia foi lançada e bem acolhida por um grupo amplo de colegas associados a várias entidades com diversas naturezas, e entre 22 e 24 de setembro de 2010, no Centro de Congressos do ISCTE-IUL, em Lisboa, reunimo-nos, procurando associar todos aqueles que tiveram a possibilidade de estarem informados desta iniciativa e que a consideraram suficientemente interessante para nela participarem; e refere-se esta questão associada à divulgação, pois considera-se ser ela determinante em termos da dinamização do Congresso, fazendo-se, desde já, a confissão de não termos, ainda, conseguido a capacidade de divulgação adequada, embora, como se verá, julgarmos ter avançado nesta matéria entre o 1.º e o 2.º Congressos.

O 1.º Congresso Internacional Habitação no Espaço Lusófono - 1.º CIHEL-, debruçou-se sobre a qualidade do habitat residencial promovido para populações com baixos rendimentos e mobilizando portanto recursos modestos. O campo de aplicação de tal objectivo tanto se referiu às pequenas comunidades urbanas periféricas da Europa, nomeadamente mediterrânicas, que lutam com problemas de isolamento e escassez de recursos, como a todas as comunidades urbanas dos países em desenvolvimento; afinal, as presentes e futuras exigências de sustentabilidade ambiental, social e económica aproximam cada vez mais estes dois grupos de populações. Estes desafios têm diversas vertentes disciplinares, científicas, sociais, políticas, económicas, mas entre elas avulta a da concretização de um habitar tão adequado aos cada vez mais variados modos de vida, como consistente na concretização de vizinhanças e bairros.

Retomando, de certa forma, ideias lançadas no 1.º CIHEL, salienta-se a importância de de se considerar que a qualidade e o bem-estar de quem "habita" (da habitação à cidade), não é cumprida num qualquer alojamento mínimo, concretizado, por exemplo, num apartamento de um edifício sem qualidade arquitectónica e situado numa zona sem espaços públicos e vida urbana; isto porque o "bem habitar", em termos quantitativos e qualitativos, vive-se tanto no espaço doméstico, como na vizinhança, no espaço público, na cidade e no próprio território onde esta se insere.

Esta consideração, sobre o tema de um habitar que deve ser proporcionado numa perspectiva quantitativa e qualitativa muito cuidadosa, assume especial pertinência numa altura em que se continuam a desenvolver planos e ações habitacionais e de realojamento, associadas a elevados números de habitações em vários dos países onde se fala português.

E, assim, nesta ocasião, e à semelhança do que aconteceu em 2010, no 1.º Congresso, julga-se que até proporcionar algo tão simples e eventualmente tão oportuno, como a divulgação, numa mesma língua comum, do que foram os maus exemplos de habitar e de habitação de interesse social e, preferencialmente, das características das boas ideias e experiências de habitação, vizinhança, cidade e oredenamento territorial, são aspetos que podem ajudar, de forma determinante, a escolher bons caminhos em termos de boas práticas, com reflexos no bem-estar das famílias, numa bem informada poupança no investimento público , numa boa ligação entre resolução de problemas sociais e dinamização da economia e numa nova retoma do problema da habitação num século em que habitação e cidade têm de aprender a conviver de forma mutuamente favorável e mesmo estimulante.

E nunca será excessivo lembrar, por exemplo, os problemas críticos que são continuamente criados por: condições mínimas de habitabilidade do espaço doméstico, bem abaixo de quaisquer níveis e condições razoáveis; por escolhas tipológicas habitacionais sem qualquer sentido, fazendo-se edifícios altos quando seria preferível soluções de baixa ou média altura altura e com adequada continuidade urbana; pela doentia repetição de projectos-tipo que não servem nem populações específicas nem locais específicos; pelo esquecimento do papel fundamental de um exterior residencial agradável; pela opção por soluções construtivas mal fundamentadas e sem qualidade; e pela ausência de cuidados sociais prévios e de gestão posterior. E como se terá notado não nos afastámos muito e "só" da matéria habitacional específica.

Um aspecto muito importante em tudo isto é que devemos aproveitar, divulgar e discutir a experiência adquirida, em termos positivos e negativos, no que se refere às intervenções habitacionais, citadinas e territoriais, não fazendo sentido irmos repetir, sem cuidados específicos, em determinadas realidades nacionais e geográficas, as soluções problemáticas ou mesmo muito negativas, que já foram ensaiadas em outras realidades nacionais e geográficas, onde se fala a mesma língua e onde haverá, no mínimo, uma base cultural comum significativa.

b) Sobre o 2.º CIHEL: alguns apoios organizativos e alianças estratégicas

O 2. CIHEL é promovido e organizado pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e pelo FUNDCIC, a partir da iniciativa do Grupo Habitar (GH) – associação técnica e científica sem fins lucrativos com sede no Núcleo de Arquitetura e Urbanismo (NAU) do LNEC. A estrutura promotora e divulgação e organização do Congresso inclui uma Comissão de Honra, uma Direção, um Secretariado Permanente do CIHEL, uma Comissão Consultiva, uma Comissão Científica, uma Comissão Dinamizadora Internacional, e uma Comissão Organizadora, associada a um Secretariado Geral.

Salienta-se, ainda, que ao 2.º CIHEL em boa hora se aliou o 1.º Congresso Construção e Reabilitação Sustentável de Edifícios no Espaço Lusófono (1.º CCRSEEL), desenvolvido pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (FCT-UNL).

Em primeiro lugar, neste 2.º CIHEL e 1.º CCRSEEL, há que agradecer o Alto Patrocínio do Senhor Presidente da República, a aceitação da presidência do Congresso por parte do Senhor Secretário Executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, e os apoios institucionais do Ministério da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território, e do Ministério dos Negócios Estrangeiros, através da Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas.

No 2.º CIHEL importa sublinhar a importância assumida pela Comissão Científica e o seu Presidente, o Prof. Paulo Tormenta Pinto, num diálogo e num trabalho comum marcados pelo objetivo de se fazer o melhor possível, mesmo quando há realmente muito pouco tempo disponível para tal.

Neste Congresso há ainda que salientar a importância da Comissão Dinamizadora Internacional e do seu Presidente, o Prof. António Gameiro, igualmente num diálogo óptimo e num apoio à divulgação do 2.º CIHEL que foi determinante para a grande adesão em termos de comunicações - com o número de 141 trabalhos recebidos - e de inscrições no Congresso.

c) Sobre o 2.º CIHEL e 1.º CCRSEEL: principais objetivos

Pretende-se com este 2.º CIHEL e 1.º CCRSEEL desenvolver uma abordagem ampla e multifacetada da temática “Habitação, Cidade, Território e Desenvolvimento”, considerada de grande oportunidade, numa altura em que se desenvolvem planos para elevados números de habitações e para a reurbanização de extensas áreas em vários dos países da lusofonia que se debatem com críticas carências habitacionais e de ordenamento urbanístico, e privilegiando-se a abordagem do habitar, num sentido amplo e correto, que considere as suas facetas quantitativas, qualitativas, urbanas, territoriais e ambientais, e o seu papel como meio vital de desenvolvimento socioeconómico dos respetivos países.

Nesta perspetiva está sempre presente a constatação da fortíssima capacidade da dinâmica da construção/reabilitação habitacional e do crescimento urbano no desenvolvimento de um país, assim como está presente a idéia de que esta potente ferramenta de crescimento económico tem obrigatoriamente de ser bem dirigida para que esse desenvolvimento se possa fazer em caminhos social e culturalmente válidos e adequados a cada contexto nacional, regional e local.

O amigo Khaled Ghoubar, Prof. da FAU-USP, escreveu sobre o 2.º CIHEL e sobre o próprio “CIHEL” que «…a discussão da questão habitacional será muito bem vinda, ainda mais quando tratada dentro de um território transnacional … Esse caráter transnacional, unificado pela cultura portuguesa ... é a pedra fundamental na construção de laços mais fortes e duráveis de cooperação técnica e econômica de todos os tipos, não só a habitacional que aqui nos interessa como assunto central. Mas esta centralidade do tema habitacional do CIHEL jamais será exclusiva, pois o projeto habitacional envolve toda a gama de agentes sociais, políticos e econômicos para a sua concepção, execução e consumo …». Palavras que definem este 2.º CIHEL em termos de fórum sociotécnico dinâmico que se deseja poder vir a ser de elevada utilidade para os seus participantes.

Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados no Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico, as opiniões expressas nos artigos apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores.


Editor: António Baptista Coelho
Ano IX, nº424
Notas sobre a criação e os objetivos do CIHEL,
Edição de José Baptista Coelho
Lisboa, Encarnação - Olivais Norte

domingo, janeiro 20, 2013

423 - O prémio INH/IHRU, um processo de referência - Infohabitar 423

Infohabitar, Ano IX, nº423




Importante: Considerando a proximidade do 2.º Congresso Internacional Habitação no Espaço Lusófono (2.º CIHEL) e 1.º Congresso CRSEEL evidenciam-se, já de seguida, os principais artigos/links sobre este evento, salientando-se que até 31 de janeiro as inscrições têm custo reduzido:
Temas do 2.º CIHEL e do 1.º Congresso CRSEEL - as 137 comunicações já entregues sobre: habitação, cidade, território e desenvolvimento - António Baptista Coelho e Anabela Manteigas (n.º 421, 31 Dez. 12, 14 págs., 10 figs.).
2.º CIHEL - "Habitação, Cidade, Território e Desenvolvimento", no âmbito da lusofonia: 2.º CIHEL, LNEC, Lisboa, 13 a 15 de março de 2013 - Comissões do 2.º CIHEL (n.º 418, 2 Dez. 12, 9 págs., 12 figs.).
2nd CIHEL - International Congress on Housing in the Lusophone Territory - António Baptista Coelho e Elisabete Arsénio (n.º 403, 23 Jul. 12, 6 págs., 5 figs.).

E lembra-se que há pouco mais de uma semana ultrapassámos as 300.000 consultas de artigos, com médias que ultrapassam, frequentemente, as 400 consultas diárias, comemorando com a edição da última edição do nosso catálogo interactivo, aqui bem à mão em:
http://infohabitar.blogspot.pt/2013/01/420-artigos-catalogo-interactivo-300000.html


O PRÉMIO INH/IHRU, UM PROCESSO DE REFERÊNCIA
António Baptista Coelho

Nota prévia: O Prémio do Instituto Nacional de Habitação, o Prémio INH, realizou-se, anualmente, entre os anos de 1989 e 2006, portanto ao longo de 18 edições, tendo havido uma edição final em 2007 que foi designada de Prémio INH/IHRU, devido à transição que então aconteceu entre o INH - Instituto Nacional de Habitação - e o atual Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana - IHRU -, que continuou a assegurar a realização do Prémio, embora com um regulamento e metodologia significativamente diferentes.

Mais se refere que boa parte do conteúdo deste artigo foi retirado e adaptado do livro "Habitação de Interesse Social em Portugal: 1988 – 2005", editado há poucos anos pela editora Livros Horizonte, e onde se faz uma apresentação sistemática e ilustrada dos empreendimentos habitacionais visitados ao longo de 18 anos de Prémio INH.

INTRODUÇÃO AOS 18 ANOS DE PRÉMIO INH

Neste artigo faz-se uma apresentação sintética do que foi o Prémio do Instituto Nacional de Habitação - o Prémio INH -, nos seus aspectos mais caracterizadores do que se julga ter sido a "Escola do Prémio".
“Instituído em 1989, com âmbito nacional, o Prémio INH procura incentivar os intervenientes mais directos na realização de habitação a custos controlados: promotores, projectistas e construtores, valorizando e reconhecendo, em cada ano, os melhores empreendimentos. Estes empreendimentos distribuem-se por todo o território nacional e contribuem de uma maneira muito significativa para a caracterização da paisagem urbana, com reflexo directo na renovação, completamento e expansão de áreas habitacionais.” Início do texto intitulado “Prémio INH 1989”, editado no boletim informativo do INH, “Notícias do INH”, nº1, de Março/Abril de 1990.

A decisão de criação do INH, Instituto Nacional de Habitação, foi tomada em 1984 - dez anos depois da revulução de Abril de 1974 - , no âmbito do governo de coligação do Bloco Central (coligação entre o Partido Socialista e o Partido Social Democrata).

Mostrando o seu dinamismo, logo nos primeiros dois anos de actividade, o INH contratou financiamentos para quase 10.000 fogos de habitação social a realizar por todo o país e promovidos por municípios, cooperativas de habitação e empresas privadas. No arranque da actividade do INH há ainda que referir o apoio financeiro da United States Agency for the International Development (US AID), apoio este com carácter humanitário.

Visou-se a promoção de habitações que, mais do que apenas de custos controlados, sejam habitações com qualidade e custos controlados, aprofundando-se e actualizando-se as muito meritórias recomendações de qualidade que integram as Recomendações Técnicas para Habitação Social – que enquadram este tipo de promoção habitacional, privilegiando-se, designadamente, os seguintes quatro tipos de aspectos:

- Assegurar uma verdadeira qualidade e coesão de objectivos na sequência que vai do projecto global e de execução, à realização da obra e à respectiva gestão posterior de edifícios e espaços exteriores.

- Harmonizar os aspectos da qualidade arquitectónica e da satisfação residencial, garantindo-se uma positiva ligação entre projecto, habitantes e promotores; e nesta matéria há que reforçar o registo e a pesquisa tipológica.

- Privilegiar o desenvolvimento de conjuntos residenciais bem integrados na cidade e na paisagem, completos, arquitectonicamente qualificados e motivadores.

- Programar e apoiar a durabilidade física, e a durabilidade e vitalidade social e económica, inicial e a longo prazo, desses mesmos conjuntos.

Marcando esta nova fase da produção de habitação de interesse social em Portugal, o Prémio do Instituto Nacional de Habitação (Prémio INH) , que teve uma primeira edição, experimental, em 1989, proporcionou, depois, ao longo das 18 edições decorridas, até 2007, uma aproximação anual sistemática entre promotores, projectistas e construtores de mais de 500 conjuntos habitacionais, disseminados por todo o País, e os membros dos respectivos júris de avaliação.

Tal aproximação, entre promotores, projectistas e construtores, concretizada em mais de 500 sessões de debate - podemos referir serca de 1000 como iremos ver, faz parte da metodologia do Prémio, que desde sempre quis ser uma ferramenta de melhoria da qualidade habitacional dos conjuntos residenciais desenvolvidos com apoio do Estado.

Com este objectivo central o Prémio aborda, de forma integrada, os aspectos de qualidade da promoção, da qualidade arquitectónica e da qualidade construtiva dos conjuntos residenciais, tentando, também, considerar a satisfação dos respectivos moradores. Salienta-se ainda que, sendo uma instituição dinâmica, a metodologia do Prémio tem vindo a ser actualizada, destacando-se, nos últimos anos do Pémio, a partir de 2004, a junção de um novo critério de análise ligado à integração e valorização paisagística.

Foi uma oportunidade única de conhecer a mais recente fase da habitação apoiada pelo Estado em Portugal, por visita directa a cerca de um terço de toda a promoção realizada.
Salientam-se, em seguida, primeiro, os critérios de análise do Prémio (retirados do respectivo Regulamento), e depois os principais aspectos da metodologia aplicada e as suas reais potencialidades em termos de ferramenta de melhoria da qualidade do habitar, antecedendo a ilustração sintética do que tem sido esta dinâmica fase da habitação apoiada em Portugal.

Fig. 01: Catálogos do Prémio INH

O prémio INH não foi (só?!) um prémio de arquitectura!
“Como critérios de selecção e valorização estabelecem-se os relevantes na optimização global da relação custo/qualidade da habitação (esta avaliada como um processo integrado que envolve a urbanização, a edificação, o alojamento e considere os aspectos de promoção, concepção, construção e utilização pela população), procurando soluções que melhor conduzam à realização de uma habitação condigna.” Sendo “especialmente ponderados o desenvolvimento do empreendimento em termos de programação, prazos, custos e estrutura de financiamento, incluindo:

- a salvaguarda e valorização da qualidade da paisagem global;
- o modelo e a integração urbanística com a compreensão da aptidão dos espaços e dos valores naturais e culturais existentes;
- a imagem e a organização arquitectónica;
- as técnicas e a racionalidade construtiva, integrando valores de caracterização local e aplicando soluções, tecnologias e materiais amigos do ambiente que reduzam o consumo de energia;
- a compatibilização das instalações e equipamentos;
- a integração, quando for caso disso, de equipamento de exterior de desporto e de lazer atendendo a todas as classes etárias;
- a apropriação pelos utilizadores, quer no interior quer no exterior dos edifícios.”

Salienta-se, ainda, que os parâmetros de avaliação adoptados no Prémio foram os estabelecidos nas Recomendações Técnicas (RTHS), o documento que em Portugal enquadrou as mais de 130.000 habitações de interesse social realizadas ao longo da ação do INH.

Mas nos parâmetros de avalaiação do Prémio consideram-se, ainda, “as propostas de inovação no domínio da concepção e das novas tecnologias, designadamente as que correspondem a uma melhor satisfação das exigências de conforto, segurança, habitabilidade, e durabilidade, de racionalidade construtiva e redução de custos”, ponderando-se “não só o investimento inicial, como também os custos inerentes à conservação, utilização, reposição e a sua correcta repartição numa estrutura global de custos.”

E o Regulamento do Prémio INH salienta ainda que “todos estes factores serão considerados globalmente, de tal modo que será sobre sua harmonização e equilíbrio que incidirá a avaliação final tendo em conta a maior premência de acréscimo de qualidade global do ambiente e das paisagens humanizadas.”

Considerando esta multiplicidade, desejavelmente integrada, de critérios, o Prémio torna-se, assim, motivo de intensa discussão, entre as diversas formações que integram o Júri, discussão centrada num equilíbrio de diversos factores, a saber: a satisfação dos habitantes; uma arquitectura enriquecedora do património urbano, paisagístico e ambiental; a qualidade da construção numa perspectiva ampla e que inclui preocupações de sustentabilidade; e um processo de promoção eficaz. E uma discussão sobre o que é visto nos locais, espaços exteriores, edifícios e habitações, e não apenas em projectos e fotografias.

O prémio integra ainda um outro aspecto fundamental que se concretizou, ao longo das suas 18 edições, em mais de 500 acções de dinamização da qualidade residencial: as sistemáticas reuniões de análise e discussão sobre as características de cada empreendimento candidato, realizadas em cada local, com a presença do Júri e dos promotores, construtores e projectistas de cada empreendimento.

Tratou-se de uma excelente oportunidade de ouvir e ser ouvido por muitos promotores, construtores e projectistas, com importantes experiências na promoção habitacional, actuando-se, não isoladamente, mas numa equipa que integra um conjunto diversificado de áreas de conhecimento e de práticas profissionais, unificadas pelo grande tema do habitar.

Todos os anos o INH convidou para se candidatarem ao Prémio os empreendimentos concluídos no ano anterior, e os candidatos correspondem habitualmente a cerca de 30% da promoção financiada nesse ano.
Esses cerca de 500 conjuntos habitacionais que participaram no Prémio INH constituem, assim, uma amostra extremamente representativa da promoção de nova habitação apoiada pelo Estado em Portugal.

a) Correspondendo directamente a cerca de 50.000 fogos, considerando-se uma média de 100 habitações por empreendimento e, indirectamente, a um universo de habitação apoiada, financiado pelo INH, que ultrapassa os 100.000 fogos.

b) Proporcionando uma ideia sobre a evolução qualitativa da habitação apoiada pelo Estado num período de vinte anos, salientando-se a importância deste período temporal em cerca de oitenta anos de produção de habitação dita “social” em Portugal; estamos assim a tratar de cerca de 1/4 desta produção.

c) E permitindo uma apreciação da evolução dos três tipos de promoção de habitação apoiada pelo Estado: privada por empresas (em Contratos de Desenvolvimento de Habitação); municipal; e cooperativa.

O Júri do Prémio embora anualmente renovado, garantiu a manutenção de um núcleo mínimo de jurados (cerca de 10 a 20%), bem como a manutenção da quase totalidade dos aspectos de observação e análise considerados no regulamento, numa ação que, na prática, assegurou: (i) para além da prática do Prémio anual; (ii) o acompanhamento da promoção de Habitação a Custo Controlado em Portugal ao longo de 18 anos; e (iii) o desenvolvimento de uma verdadeira acção didáctica nas matérias associadas à qualidade habitacional e urbana ligadas à habitação com apoio do Estado, mas também sobre a qualidade do habitat em geral.

Realmente, com esta continuidade de análise é possível ter uma noção da evolução qualitativa da Habitação a Custo Controlado, salientando-se, desde já, a grande mudança entre os primeiros anos da década de 90, marcados ainda pela luta contra o não acabamento do espaço público residencial e os anos mais recentes, onde as discussões abordaram a importância relativa da qualidade arquitectónica e dos outros aspectos em apreciação – desde a qualidade construtiva à apropriação pelos moradorese mesmo à introdução de aspetos de sustentabilidade ambiental.

Fig. 02: Imagem do início do processo de trabalho; neste caso do Prémio IHRU 2012, mas referido a uma reunião idêntica às do Prémio INH, e destinada à apresentação geral das candidaturas, através dos respetivos painéis.

O PRÉMIO INH: UMA EXPERIÊNCIA ÚNICA
São os seguintes os aspectos que se considere terem feito a diferença, a identidade e a utlidade pública e social do Prémio INH:

• Visitar longamente conjuntos residenciais integrando equipas multidisciplinares compostas por técnicos ligados à promoção habitacional nas suas diversas facetas é uma oportunidade enriquecedora.
• Associar a tais visitas sessões de discussão das respectivas soluções urbanas, arquitectónicas, construtivas e processuais com os respectivos promotores, projectistas e construtores, aumenta muito significativamente o interesse destas acções.
• Realizar tais visitas não de uma forma ocasional, mas sim numa sequência de casos representativos da promoção de habitação de interesse social realizada ao longo de um ano em Portugal, aumenta, novamente, o interesse da iniciativa e dos potenciais resultados de análise obtidos.
• Participar numa iniciativa anual desse tipo, continuamente, ao longo de cerca de 18 anos constitui uma oportunidade única, que pode ser caracterizada como uma “escola” de aprendizagem mútua e de constante e actualizada informação.
• Naturalmente, que a maior parte dos jurados do Prémio do Instituto Nacional de Habitação, Prémio INH, foram mudando, mas o perfil do Prémio associou tais mudanças à manutenção de um núcleo de jurados ao longo de todos os anos do Prémio e mesmo à manutenção de muitos jurados ao longo de vários anos consecutivos, ganhando-se, assim, um quadro analítico gradualmente mais amplo e referenciado, embora, naturalmente, a análise se tenha, em cada ano, circunscrito ao universo de candidatos da respectiva edição.
• Por tudo isto e porque para além das mais de 500 acções formativas e informativas (cerca de 600 ações), realizadas entre o Júri do Prémio e os responsáveis por cada conjunto residencial, há que contar com as outras centenas de horas de discussão e de confronto, que aconteceram aproveitando-se as viagens feitas por todo o País, a caminho de todos os conjuntos candidatos; por tudo isto se fala aqui da “escola do Prémio INH”.

ASPETOS ESSENCIAIS DO PRÉMIO INH
Antes de passar a uma apresentação genérica da metodologia do Prémio INH salientam-se, em seguida, os seus principais aspectos caracterizadores:

- O Prémio INH e as respectivas Menções Honrosas e de Júri foram atribuídos, na grande maioria dos casos, a três modalidades de promoção de habitação de interesse social: municipal, cooperativa e privada.

- O convite anual para candidatura ao Prémio é feito a todos os promotores de conjuntos habitacionais de HCC concluídos no ano anterior; sem qualquer tipo de pré-selecção. A opção pela candidatura é da responsabilidade do respectivo promotor.

- A composição do Júri é multidisciplinar e multisectorial, integra técnicos ligados à promoção habitacional e a respectiva escolha é, anualmente, da responsabilidade das entidades convidadas para integrarem o Júri, que foram, sistematicamente, as mesmas ao longo dos 18 anos do Prémio (com algumas excepções pontuais).

- A apreciação do Júri, que se desenvolveu, habitualmente, ao longo de cerca de 10 dias úteis (em anos médios de análise a cerca de 30 a 40 intervenções), é feita com base em:

(i) elementos gráficos e escritos enviados por todos os candidatos;
(ii) sessão de apresentação inicial das candidaturas e de programação das visitas do Júri; uma sessão em que o Júri tem opotunidade de fazer um ponderado reconhecimento de todos os empreendimentos candidatos, através dos respectivos painéis expositivos.
(iii) visitas a todos os conjuntos candidatos;
(iv) sessões de apresentação dos conjuntos candidatos pelos respectivos promotores, projectistas e construtores, em cada local;
(v) sessões de análise e de debate, de cada conjunto candidato, realizadas, em cada local, com a participação do Júri e dos respectivos promotores, projectistas e construtores;
(vi) fornecimento, pelo INH, de dossiers de síntese técnica dos conjuntos candidatos;
(vii) esclarecimento do Júri pelos técnicos do INH mais ligados ao acompanhamento técnico de cada conjunto candidato;
(viii) apresentação de imagens de todos os conjuntos candidatos ao Júri, precedendo a sessão final de discussão e apreciação final;
(ix) sessão final de discussão e apreciação final.

- Os referidos 10 dias úteis foram, por regra, distribuídos ao longo de um período de 3 a 4 semanas de modo a harmonizar esta atividade com as restantes obrigações profissionais dos membros do Júri.

- Sequencialmente foi realizada, sempre numa data idêntica, uma sessão pública de divulgação e atribuição dos Prémios e Menções onde há lugar a intervenções de representantes dos promotores, projectistas e membros do Júri.

- Nesta mesma sessão é feita a exposição pública de todos os premiados e mencionados e distribuído o catálogo do Prémio do ano, uma publicação de ampla divulgação mas com características técnicas.

- Os Prémios INH são, exclusivamente, honoríficos e constam de troféus e diplomas, a atribuir aos promotores, projectistas e construtores, no decurso da referida sessão.

- Posteriormente foram fornecidas aos promotores do conjuntos residenciais premiados placas de material imperecível a colocar nos respectivos empreendimentos; o que pode constituir mais uma importante oportunidade de divulgação de aspectos de qualidade e fica, para sempre, como testemunho do referido destaque em termos de obra de referência.

- Apenas em duas das 18 edições e devido a um número muito elevado de candidaturas – cerca de 60 para uma média de cerca de 30 –, se optou por uma pré-selecção, que foi assegurada por uma comissão restrita, designada na primeira reunião do Júri, que desenvolveu uma primeira ronda de visitas e que, sequencialmente, propôs ao Júri o conjunto de candidatos a visitar pela totalidade do Júri. De qualquer forma esta possibilidade está prevista no regulamento do Prémio que indica que a referida comissão será constituída pelo Coordenador do Prémio, por parte do INH e pelos representantes do LNEC e da OA.

- Salienta-se, ainda, que o PINH teve uma primeira edição, que se pode considerar experimental, em 1989 e que foi de grande utilidade para a afinação dos seus procedimentos.

Fig. 03: Imagem das reuniões locais de análise e discussão do Prémio INH.

SOBRE A COMPOSIÇÃO DO JÚRI DO PINH

A composição do Júri do Prémio INH cumpriu, desde o início desta iniciativa, uma fundamental e ampla perspectiva multidisciplinar e multisectorial, que, tão bem e tão longamente marcou a “escola do Prémio”, e nesta perspectiva cabe já aqui a referência à vontade de se recolherem e discutirem as opiniões de quatro “frentes” disciplinares específicas:

(i) a representação, para além do Conselho Directivo do INH, do seu próprio corpo técnico, numa perspectiva multidisciplinar de arquitectos e engenheiros e respeitando a distribuição funcional do Instituto entre Lisboa e Porto, com as respectivas áreas de actuação - e aproveitando esta iniciativa para aprofundar a formação destes técnicos do quadro do INH;

(ii) a representação das Ordens profissionais: de arquitectos; engenheiros; e arquitectos paisagistas (a partir de cerca do ano 2000);

(iii) a representação dos vários sectores sociais de actividade ligados à promoção habitacional: as diversas Associações de empreiteiros e empresas (com âmbito regional e nacional) de obras públicas, relacionadas portanto com a promoção privada; a Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica, portanto a promoção cooperativa e a Associação Nacional dos Municípios Portugueses, portanto a promoção municipal de habitação apoiada pelo Estado;

(iv) e, finalmente, a frente técnico-científica consubstanciada num representante do Laboratório Nacional de Engenharia Civil, instituição que, na prática, sempre cooperou tecnicamente com o INH e os organismos que o antecederam no apoio à habitação de interesse social em Portugal – o Fundo de Fomento da Habitação e as Habitações Económicas da Federação das Caixas de Previdência.

Constitui-se, assim, um Júri composto por cerca de 10 técnicos, que, em cada local, se reunia, frequentemente com cinco a 10 representantes de cada intervenção.

SOBRE A METODOLOGIA DO PINH

O Prémio do Instituto Nacional de Habitação (Prémio INH) destinou-se a apurar e a divulgar, em cada ano, os melhores conjuntos de habitação de interesse social realizados em Portugal nas três modalidades genéricas de promoção que são possíveis: municipal, cooperativa e privada.

O Prémio INH foi um prémio honorífico, que proporcionou ao longo das suas 18 edições, uma aproximação anual sistemática entre promotores, projectistas e construtores de cerca de 600 conjuntos habitacionais de todo o País, e os membros dos respectivos júris de avaliação, caracterizados por uma composição multidisciplinar e multi-institucional; uma tal aproximação, concretizada em cerca de 600 análises que integram, sistematicamente, sessões de debate, faz parte da metodologia do Prémio, que desde sempre quis ser uma ferramenta prática de melhoria da qualidade habitacional, não se limitando, portanto, a uma importante acção de realce e divulgação das melhores intervenções habitacionais do ano – pela atribuição de Prémios e Menções com divulgação em cerimónias próprias e nos excelentes catálogos anuais do Prémio –, mas também actuando, directamente, em cada intervenção candidata ao Prémio, tanto para evidenciar o que estva "bem" ou "muito bem", como para indicar o que se julgava estar mal ou precisar de correcção.

Com este objectivo central o Prémio abordou, de forma integrada, os aspectos de qualidade da promoção, da qualidade arquitectónica e da qualidade construtiva dos conjuntos residenciais, tentando, também, considerar a satisfação dos respectivos moradores.

Salienta-se ainda que, sendo uma instituição dinâmica, a metodologia do Prémio foi sendo actualizada, destacando-se, em 2004, a junção de novos critérios de análise ligados à integração e valorização paisagística.

Foi, na realidade, uma oportunidade única de conhecer a mais recente fase da habitação apoiada pelo Estado em Portugal, por visita directa a cerca de um terço de toda a promoção realizada.
Salientam-se, em seguida, primeiro, os critérios de análise do Prémio (retirados do respectivo Regulamento), e depois os principais aspectos da metodologia aplicada e as suas reais potencialidades em termos de ferramenta de melhoria da qualidade do habitar.

Fig. 04: Imagem das reuniões locais de análise e discussão do Prémio INH.

Síntese dos critérios de análise do Prémio INH (retirados do respectivo Regulamento)

“Como critérios de selecção e valorização estabelecem-se os relevantes na optimização global da relação custo/qualidade da habitação (esta avaliada como um processo integrado que envolve a urbanização, a edificação, o alojamento e considere os aspectos de promoção, concepção, construção e utilização pela população), procurando soluções que melhor conduzam à realização de uma habitação condigna.” Sendo “especialmente ponderados o desenvolvimento do empreendimento em termos de programação, prazos, custos e estrutura de financiamento, incluindo:

- a salvaguarda e valorização da qualidade da paisagem global;
- o modelo e a integração urbanística com a compreensão da aptidão dos espaços e dos valores naturais e culturais existentes;
- a imagem e a organização arquitectónica;
- as técnicas e a racionalidade construtiva, integrando valores de caracterização local e aplicando soluções, tecnologias e materiais amigos do ambiente que reduzam o consumo de energia;
- a compatibilização das instalações e equipamentos;
- a integração, quando for caso disso, de equipamento de exterior de desporto e de lazer atendendo a todas as classes etárias;
- a apropriação pelos utilizadores, quer no interior quer no exterior dos edifícios.”

Salienta-se, ainda, que os parâmetros de avaliação adoptados no Prémio são os estabelecidos nas Recomendações Técnicas (RTHS), acima referidas, considerando-se ainda “as propostas de inovação no domínio da concepção e das novas tecnologias, designadamente as que correspondem a uma melhor satisfação das exigências de conforto, segurança, habitabilidade, e durabilidade, de racionalidade construtiva e redução de custos”, ponderando-se “não só o investimento inicial ..., como também os custos inerentes à conservação, utilização, reposição e a sua correcta repartição numa estrutura global de custos.”

E o Regulamento do Prémio INH salienta ainda que “todos estes factores ... serão considerados globalmente, de tal modo que será sobre sua harmonização e equilíbrio no conjunto que incidirá a avaliação final tendo em conta a maior premência de acréscimo de qualidade global do ambiente e das paisagens humanizadas.”

Regista-se que os textos entre aspas foram retirados do Regulamento do Prémio INH e que se sublinharam as alterações incluídas já na edição de 2004, que demonstram o dinamismo e o crescendo de exigência do Prémio INH.

O PINH como uma grande amostra representativa

Todos os anos o INH convidou para se candidatarem ao Prémio os empreendimentos concluídos no ano transacto, e os candidatos correspondem habitualmente a cerca de 30% da promoção de habitação de interesse social financiada nesse ano em Portugal.

Os cerca de 600 conjuntos habitacionais que participaram no Prémio INH constituem, assim, uma amostra extremamente representativa da promoção de nova habitação apoiada pelo Estado em Portugal:

a) Correspondendo directamente a cerca de 50.000 fogos, considerando-se uma média de 100 habitações por empreendimento e, indirectamente, a um universo de habitação apoiada, financiado pelo INH, que ultrapassou os 100.000 fogos.

b) Proporcionando uma ideia sobre a evolução qualitativa da habitação apoiada pelo Estado num período de cerca de vinte anos, salientando-se a importância deste período temporal em cerca de oitenta anos de produção de habitação dita “social” em Portugal; pois estamos assim a tratar de cerca de 1/4 desta produção.

c) E permitindo o acompanhamento da evolução dos três tipos de promoção de habitação apoiada pelo Estado: privada por empresas (em Contratos de Desenvolvimento de Habitação); municipal; e cooperativa.

Fig. 05: Imagem das reuniões locais de análise e discussão do Prémio INH.

O PINH como fórum de discussão e divulgação da qualidade residencial

Considerando a referida multiplicidade, desejavelmente integrada, de critérios, o Prémio foi, assim, motivo de intensa discussão, entre as diversas formações que integraram o Júri, discussão centrada num equilíbrio de diversos factores, a saber: a satisfação dos habitantes; uma arquitectura enriquecedora do património urbano, paisagístico e ambiental; a qualidade da construção numa perspectiva ampla e que inclui preocupações de sustentabilidade; e um processo de promoção eficaz.

E uma discussão sobre o que foi sistematicamente visto nos locais, espaços exteriores, edifícios e habitações, e não apenas em projectos e fotografias.

O Prémio INH integrou ainda um outro aspecto fundamental que se concretizou, tal como já foi apontado, ao longo das suas 18 edições, em cerca de 600 acções de dinamização da qualidade residencial, referimo-nos às sistemáticas reuniões de análise e discussão sobre as características de cada empreendimento candidato, realizadas em cada local, com a presença do Júri e dos promotores, construtores e projectistas de cada empreendimento.

Tratou-se de uma excelente oportunidade de ouvir, e ser ouvido por, muitos promotores, construtores e projectistas, com importantes experiências na promoção habitacional, actuando-se, não isoladamente, mas numa equipa que integra um conjunto diversificado de áreas de conhecimento e de práticas profissionais, unificadas pelo grande tema do habitar.

O Catálogo do PINH como elemento de divulgação da qualidade residencial

Finalmente, uma outra faceta do Prémio, que integrou e com destaque a sua metodologia na área de divulgação de boas práticas residenciais, foi a edição anual do respectivo Catálogo do Prémio, uma edição sempre cuidada e realizada com critérios técnicos de divulgação, sempre dirigida pelo Arq. Rogério Pampulha, que foi o Coordenador do Prémio INH ao longo dos seus 18 anos, bem como da sua continuidade como Prémio INH/IHRU e como Prémio IHRU.

E não é excessivo sublinhar a importância desta edição anual, realizada num número significativo de exemplares e distribuída gratuitamente, isto num panorama editorial português que até há poucos anos era muito pobre em termos de edições nesta área, assumindo-se o Catálogo do PINH como uma das poucas “revistas” sobre habitação existentes em Portugal.

Ainda nesta área de divulgação documental, directamente alimentada pelas candidaturas ao Prémio INH, há que referir, também a distribuição gratuita:

• das fichas de “Casos de Referência”, que atingiram o número 12;
• e o livro “INH 20 anos de promoção de habitação social”, editado em 2006 e onde se apresentaram 266 casos residenciais julgados com interesse.

E nesta perspectiva regista-se que, a cada período de cinco anos, foi realizado um ponto de situação técnico do que era apurado anualmente no Prémio, sendo que, paralelamente, o Instituto patrocinava estudos tecnico-científicos pormenorizados sobre a evolução da promoção habitacional financiada; estudos estes para os quais foi sempre estratégico, como base de partida, o conhecimento global apurado nas edições anuais do Prémio.

Fig. 06: Imagem das reuniões locais de análise e discussão do Prémio INH.

O QUE PARECE PODER FICAR DO PRÉMIO INH

Entre muitos outros aspectos, salienta-se que:

- do Prémio INH ficou o interesse e a coerência do próprio processo do Prémio, como forma de se estar atento, com cuidado, ao que de melhor se vai fazendo na habitação de interesse social, proporcionando-se visibilidade técnica aos casos considerados “de referência”, na totalidade ou em parte do seu perfil qualitativo.

- do Prémio INH ficou o modelo formativo e informativo seguido pela “Escola do Prémio”, que sempre trabalhou no âmbito multidisciplinar e multi-institucional do conjunto dos seus jurados, e sempre num diálogo técnico com os responsáveis por cada conjunto candidato, privilegiando-se, simultaneamente, o trabalho de escolha do Júri, mas, também, a referida acção formativa e informativa sobre qualidade residencial e urbana, e isto ao longo de 18 anos e de cerca de 600 acções locais de a análise e de discussão “em directo” e “sem rede”.

- do Prémio INH ficou um informal, mas verdadeiro, observatório do desenvolvimento, mutação e caracterização das diversas modalidades de habitação de interesse social financiadas e enquadradas em Portugal ao longo de cerca de duas décadas.

- do Prémio INH ficou a certeza de que este observatório informal, mas sistemático, da evolução da habitação de interesse social portuguesa e a referida “Escola do Prémio” foram intensamente participados, ao longo de 18 anos, por muitos técnicos, promotores, construtores, autarcas e responsáveis institucionais.

- do Prémio INH ficou a ideia de que, não sendo o Prémio INH “apenas” um prémio de Arquitectura, pois considera, entre outros aspectos, a promoção, a construção e a apropriação pelos moradores (e muitos destes aspectos podem ser igualmente integrados na noção ampla de Arquitectura), a Escola do Prémio nas suas muitas centenas de sessões e discussões terá, sem dúvida, contribuído para se avançar, significativamente, na consideração da qualidade arquitectónica residencial como um elemento fundamental para as pessoas deste novo século e para as cidades deste novo século.

- do Prémio INH ficou também a noção de que a maioridade da habitação de interesse social portuguesa foi sendo atingida, ao longo destes cerca de vinte últimos anos (23 anos de trabalho do INH e 18 anos de Prémio de 1989 a 2007), uma maioridade que traz a responsabilidade de evitar ao máximo repetir erros, que traz a grande virtude de uma rica e estimulante diversidade de soluções, e que traz a marca de aspectos qualitativos solidamente adquiridos, como são os da pequena dimensão e da clara qualidade geral e máxima integração das intervenções, mas que deixa ainda importantes pistas de aprofundamento, como são os aspectos de maior adequação aos velhos e novos modos de vida e a aliança, fundamental, com aspectos de reabilitação e regeneração urbana.

Finalmente, do Prémio INH ficou também a importância real da experiência da “escola do Prémio”, a importância de uma transdiciplinaridade e transinstitucionalidade bem integradas e com um forte cariz prático, muito associado ao trabalho com casos de referência, e à ligação entre o conhecimento e o benefeciário final desse mesmo conhecimento, provavelmente o único processo de, hoje em dia, se abordarem as questões mais complexas com alguma eficácia e com a necessária fundamentação.

E, naturalmente, do Prémio INH ficou a noção de que se trata de uma acção formativa e informativa sobre qualidade residencial e arquitectónica a que importa dar continuidade global.
Bibliografia de referência:

Documentos gerais:

COELHO, António Baptista; COELHO, Pedro Baptista - Habitação de Interesse Social em Portugal: 1988 – 2005. Livros Horizonte, Horizonte Arquitectura Lisboa, 2009.

COELHO, António Baptista – Instituto Nacional de Habitação, 1984 – 2004: 20 anos a promover a construção de habitação social, Lisboa, INH, LNEC, 2006 (456 pp., muito ilustrado) – disponível por consulta ao IHRU.

Catálogos
  • INSTITUTO NACIONAL DE HABITAÇÃO; Prémio INH 1989 - Apresentação dos empreendimentos. Lisboa: INH, Gabinete de Estudos Habitacionais, 1989, 29 pág.
  • INSTITUTO NACIONAL DE HABITAÇÃO; Prémio INH 1990 - Apresentação dos empreendimentos. Lisboa: INH, Gabinete de Estudos Habitacionais e Gabinete de Marketing, 1990, 24 pág.
  • INSTITUTO NACIONAL DE HABITAÇÃO; Prémio INH 1991 - Apresentação dos empreendimentos. Lisboa: INH, Departamento de Análise de Projectos e Gabinete de Relações Públicas e Documentação, 1991, 24 pág.
  • INSTITUTO NACIONAL DE HABITAÇÃO; Prémio INH 1992 - Apresentação dos empreendimentos. Lisboa: INH, Departamento de Análise de Projectos e Gabinete de Relações Públicas e Documentação, 1992, 41 pág.
  • INSTITUTO NACIONAL DE HABITAÇÃO; Prémio INH 1993 - Apresentação dos empreendimentos. Lisboa: INH, Departamento de Qualidade de Custos e Assistência Técnica e Gabinete de Relações Públicas e Documentação, 1993, 41 pág.
  • INSTITUTO NACIONAL DE HABITAÇÃO; Prémio INH 1994 - Instituto Nacional de Habitação. Lisboa: INH, 1994, 36 pág.
  • INSTITUTO NACIONAL DE HABITAÇÃO; INH - Instituto Nacional de Habitação - Prémio 1995. Lisboa: INH, 19954, 48 pág.
  • INSTITUTO NACIONAL DE HABITAÇÃO; Prémio INH 1996. Lisboa: INH, 1996, 39 pág.
  • INSTITUTO NACIONAL DE HABITAÇÃO; Prémio INH 1997. Lisboa: INH, 1997, 32 pág.
  • INSTITUTO NACIONAL DE HABITAÇÃO; coord. Rogério Pampulha e Fernanda Teixeira - Prémio INH 1998. Lisboa: INH, 1998, 40 pág.
  • INSTITUTO NACIONAL DE HABITAÇÃO; coord. Rogério Pampulha e Fernanda Teixeira - Prémio INH 1999. Lisboa: INH, 1999, 48 pág.
  • INSTITUTO NACIONAL DE HABITAÇÃO; coord. Rogério Pampulha e Fernanda Teixeira - Prémio INH 2000. Lisboa: INH, 2000, 48 pág.
  • INSTITUTO NACIONAL DE HABITAÇÃO; coord. Rogério Pampulha, Fernanda Teixeira e Teresa Machado; fotografias de António Baptista Coelho e Clemente Ricon – Prémio INH 2001. Lisboa: INH, 2001, 44 pág.
  • INSTITUTO NACIONAL DE HABITAÇÃO; coord. Rogério Pampulha, Fernanda Teixeira e Teresa Machado; fotografias dos Projectistas e de Clemente Ricon e António Baptista Coelho – Prémio INH 2003. Lisboa: INH, 2003, 32 pág.
  • INSTITUTO NACIONAL DE HABITAÇÃO; coord. Rogério Pampulha, Fernanda Teixeira e Teresa Machado – Prémio INH 2004, 16ª Edição. Lisboa: INH, 2004, 37 pág.
  • INSTITUTO NACIONAL DE HABITAÇÃO; coord. Rogério Pampulha, Fernanda Teixeira e Teresa Machado; fotografias de António Baptista Coelho e Projectistas – Prémio INH 2005, 17ª Edição. Lisboa: INH, 2004, 39 pág.
  • INSTITUTO NACIONAL DE HABITAÇÃO; coord. Rogério Pampulha, Fernanda Teixeira e Teresa Machado; fotografias de António Baptista Coelho e Projectistas – Prémio INH 2006, 18ª Edição. Lisboa: INH, 2006, 40 pág.
  • INSTITUTO DA HABITAÇÃO E DA REABILITAÇÃO URBANA; coord. Rogério Pampulha, Teresa Pereira e Isabel Forjaz, fotografias de António Baptista Coelho, José Ricon e Promotores – Prémio INH/IHRU 2007, 19ª Edição. Lisboa: IHRU, 2007, 40 pág.
Projectos de Referência
  • INSTITUTO NACIONAL DE HABITAÇÃO; coord. Rogério Pampulha – Habitação a Custos Controlados, Projecto de Referência: 70 fogos em Conceição/Tavira. Lisboa: INH, Projecto de Referência n.º 1, Março 2001, 4p.
  • INSTITUTO NACIONAL DE HABITAÇÃO; coord. Rogério Pampulha; colab. António Baptista Coelho e Sofia Correia – Habitação a Custos Controlados, Projecto de Referência: 35 fogos em Caselas . Lisboa: INH, Projecto de Referência n.º 2, Maio 2001, 4p.
  • INSTITUTO NACIONAL DE HABITAÇÃO; coord. Rogério Pampulha; colab. António Baptista Coelho e Sofia Correia – Habitação a Custos Controlados, Projecto de Referência: 112 fogos em Azenha de Cima/Matosinhos. Lisboa: INH, Projecto de Referência n.º 3, Julho 2001, 4p.
  • INSTITUTO NACIONAL DE HABITAÇÃO; coord. Rogério Pampulha; colab. António Baptista Coelho e Sofia Correia – Habitação a Custos Controlados, Projecto de Referência: 111 fogos em Chinicato/Lagos. Lisboa: INH, Projecto de Referência n.º 4, Setembro 2001, 4p.
  • INSTITUTO NACIONAL DE HABITAÇÃO; coord. Rogério Pampulha; colab. António Baptista Coelho – Habitação a Custos Controlados, Projecto de Referência:144 fogos em Laveiras/Oeiras. Lisboa: INH, Projecto de Referência n.º5 , Novembro 2001, 4p.
  • INSTITUTO NACIONAL DE HABITAÇÃO; coord. Rogério Pampulha; colab. António Baptista Coelho e Clemente Ricon – Habitação a Custos Controlados, Projecto de Referência: 129 fogos em Aldoar/Porto . Lisboa: INH, Projecto de Referência n.º 6, Janeiro 2003, 4p.
  • INSTITUTO NACIONAL DE HABITAÇÃO; coord. Rogério Pampulha; colab. António Baptista Coelho – Habitação a Custos Controlados, Projecto de Referência: 38 fogos em Salvaterra de Magos. Lisboa: INH, Projecto de Referência n.º 7, Junho 2003, 4p.
  • INSTITUTO NACIONAL DE HABITAÇÃO; coord. Rogério Pampulha; colab. Ana Teresa Costa, Luís Castro – Habitação a Custos Controlados, Projecto de Referência:18 fogos em Barrela/Santa Maria da Feira. Lisboa: INH, Projecto de Referência n.º 8, Abril 2004, 4p.
  • INSTITUTO NACIONAL DE HABITAÇÃO; coord. Rogério Pampulha; colab. Ana Teresa Costa, Luís Castro – Habitação a Custos Controlados, Projecto de Referência:32 fogos em Gondifelos – Vila Nova de Famalicão. Lisboa: INH, Projecto de Referência n.º 9, Novembro 2004, 4p.
  • INSTITUTO NACIONAL DE HABITAÇÃO; coord. Rogério Pampulha; colab. Ana Teresa Costa, Luís Castro – Habitação a Custos Controlados, Projecto de Referência: 12 fogos em S. Pedro de Rates – Póvoa de Varzim. Lisboa: INH, Projecto de Referência n.º 10, Novembro 2004, 4p.
  • INSTITUTO NACIONAL DE HABITAÇÃO; coord. Rogério Pampulha; colab. Ana Teresa Costa, Luís Castro – Habitação a Custos Controlados, Projecto de Referência: 112 fogos em Albufeira. Lisboa: INH, Projecto de Referência n.º 11, Julho 2005, 4p.
  • INSTITUTO NACIONAL DE HABITAÇÃO; coord. Rogério Pampulha; colab. Ana Teresa Costa, Luís Castro – Habitação a Custos Controlados, Projecto de Referência: 8 fogos em Alvarenga. Lisboa: INH, Projecto de Referência n.º 12, Dezembro 2005, 4p.

Nota final: o autor deste artigo foi representante do Laboratório Nacional de Engenharia Civil nos júris do Prémio INH e do Prémio IHRU, entre 1990 e 2012.
Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados no Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico, as opiniões expressas nos artigos apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores.

Editor: António Baptista Coelho
Ano IX, nº423
O prémio INH/IHRU, um processo de referência
Edição de José Baptista Coelho
Lisboa, Encarnação - Olivais Norte, SEM DATA (em actualização periódica)