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segunda-feira, setembro 11, 2017

609 - Relações entre Vizinhança Urbana e Edifício Habitacional – Infohabitar 609

Infohabitar, Ano XIII, n.º 609

Relações entre Vizinhança Urbana e Edifício Habitacional 

por António Baptista Coelho

Tal como foi anteriormente divulgado, a Infohabitar está a retomar as suas edições regulares, procurando disponibilizar um novo artigo em cada semana e preferencialmente à segunda-feira, aproveitando-se para, mais uma vez, enviar um amigável desafio aos leitores no sentido de poderem enviar para o editor (mail referido no final do artigo) propostas de artigos para edição.

Considerando que, durante já um número muito significativo de semanas a Infohabitar tem editado artigos integrados no âmbito da série designada “Habitar e Viver Melhor”, tendo em conta o elevado número de artigos editados e porque estamos numa altura de reinício das atividades regulares da nossa revista, lembrámo-nos de proporcionar uma “revisão da matéria dada”, antes de prosseguirmos na edição desta série.

Neste sentido apresentam-se, em seguida, os títulos interativos dos artigos da série, que abordam temáticas da natureza do habitar e da relação do sítio que habitamos e das suas caraterísticas com a qualidade habitacional atingida, neste caso, sob o título geral: “Relações entre Vizinhança Urbana e Edifício Habitacional” e aproveitando-se para acrescentar, no final do artigo, uma muito pequena e informal nota de reflexão sobres estas apaixonantes e tão atuais matérias.

Em próximos artigos iremos disponibilizar reflexões sobre a estruturação de um edifício habitacional e dos seus espaços comuns e, sequencialmente, entraremos nos diversos espaços habitacionais privados.

Lembra-se que bastará ao leitor “clicar” no título do artigo que lhe interessa para o poder consultar.

Lembra-se, ainda, que por motivos alheios à Infohabitar, que muito lamentamos e que já apontámos, na Infohabitar, a maior parte dos artigos desta série editorial não conta, neste momento, com as respetivas ilustrações; estando, no entanto, disponíveis todos os seus textos, que se caraterizam por expressiva autonomia relativamente às referidas imagens.
Finalmente regista-se que o processo editorial da Infohabitar, revista ligada à ação da GHabitar - Associação Portuguesa de Promoção da Qualidade Habitacional (GHabitar APPQH) – associação que tem a sede na Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE) –, voltou a estar, desde o princípio de setembro de 2017, em boa parte, sediado no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e nos seus Departamento de Edifícios e Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT); aproveitando-se para se agradecer todos os essenciais apoios disponibilizados por estas entidades.




São os seguintes os 12 artigos disponibilizados sobre o tema: Relações entre Vizinhança Urbana e Edifício Habitacional” (e que podem ser consultados, simplesmente, clicando no respetivo título)

É muito interessante considerar estas matérias associadas às “Relações entre Vizinhança Urbana e Edifício Habitacional” como elementos que caraterizam cada intervenção urbana e residencial, em muitos aspetos de qualificação arquitetónica, como, por exemplo, a acessibilidade, a agradabilidade/conforto ambiental, a comunicabilidade/permeabilidade, a privacidade e convivialidade, a eventual domesticidade e a sempre essencial integração, entre outras matérias, visando-se a geração de um perfil urbano-residencial bem identificável, numa opção que, embora infelizmente ainda pouco generalizada, é subatancialmente conhecida e aplicada.

Mas será pelo menos tão interessante e muito mais inovador e estimulante considerar estas diversificadas matérias associadas às “Relações entre Vizinhança Urbana e Edifício Habitacional”, que aqui foram apenas muito globalmente apontadase de modo nada exaustivo, como elementos diretamente protagonistas e geradores do “jogo” tipológico urbano-residencial ou de um renovado “jogo” tipológico urbano-residencial, cujo desenvolvimento é bem urgente, seja na resposta às atualmente muito renovadas e diversifidadas novas formas de habitar cidade e “casa”, seja face às “novas” necessidades habitacionais – com destaque para os pequenos agregados familiares, pessoas sós e idosos – seja, considerando-se o excelente e rico potencial que muitas dessas “novas” tipologias urbano-habitacionais têm no que se refere à igualmente urgente revitalização/reanimação de centros urbanos históricos e periféricos, apostando-se naquilo que é já desiganada de “densificação doce/suave”, tipologicamente cuidada e funcionalmente diversificada e vitalizada/vitalizadora.

E fica ainda um terceiro aspeto que muito se liga aos anteriores e que se resume no papel que pode e deve ter este renovado labor tipológico na cuidada, mas expressiva, melhoria das imagens urbanas preexistentes, numa opção, naturalmente, associada à criação de uma imagem urbana plenamente viva e “utilizável” em “profundidade”, pelo peão.

e a estas matérias voltaremos …

Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XIII, n.º 609
“Relações entre Vizinhança Urbana e Edifício Habitacional” – 12 artigos sobre o tema
Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho
abc.infohabitar@gmail.com
GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional

Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.

quinta-feira, outubro 04, 2012

410 - JOGO DAS RELAÇÕES URBANAS: ATRAVÉS DAS PAREDES - I - Infohabitar 410


Infohabitar Ano VIII, N.º 410






Breve nota da organização do 2.º Congresso Internacional da Habitação no Espaço Lusófono - 2.º CIHEL: avisam-se os interessados que as fichas de inscrição no Congresso estarão muito em breve disponíveis no site do Congresso para download e serão, também, dentro de poucos dias, enviadas a todos os autores de resumos de comunicações aceites, salientando-se ser fundamental que o envio das comunicações completas seja acompanhado da respectiva inscrição do autor e apresentador.

A Comissão Organizadora do 2.º CIHEL

  (artigo da semana)


O JOGO DAS RELAÇÕES URBANAS:

ATRAVÉS DAS PAREDES - I
(ARTIGO XX DA SÉRIE HABITAR E VIVER MELHOR)

António Baptista Coelho




Inicia-se este artigo com a definição que Claire e Michel Duplay deram de “franja do Edifício": "a zona que o envolve desde o solo, à cobertura, passando pela fachada e o “lugar de expressão construtiva, de adaptação climática e de refúgio do imaginário" (1).


E comenta-se que as matérias do ambiente constituem, aqui, talvez, cerca de um terço da totalidade da matéria, que se desenvolve, igualmente, pela “expressão construtiva” e pelo “refúgio do imaginário” – e sobrarão ainda outras facetas arquitectónicas nesta franja entre interior e exterior, lugar estratégico das relações que são, afinal, a própria matéria-base da Arquitectura.





Fig. 01



Vários grandes projectistas têm insistido em que a Arquitectura é, essencialmente, um jogo de relações; por exemplo, Álvaro Siza referiu-o explicitamente e houve mesmo obras teórico-práticas que foram feitas exactamente nesta perspectiva da abordagem da franja entre edificado e espaço exterior.

Este é o caso do excelente “À Travers le mur”, de Jean-Charles Depaule (2), que trata em boa parte das tipologias associadas à casa urbana árabe, embora em constante relação com soluções europeias, e podemos referir com todas as paredes e tipologias urbanas e residenciais do mundo - embora sob "versões" extremamente diversificadas e ricas.






Fig. 02: E este jogo do "através das paredes" - ou "da parede!" -, também se joga através do verde urbano, por exemplo, e naturalmente através de muitos outros espaços e "dispositivos" de transição e limiar.


E neste jogo do “através das paredes” há muito potencial de satisfação/alegria e, naturalmente, de insatisfação e desgosto/depressão; pois muitos dos ganhos em termos de relações e caracterizações visuais do interior doméstico sobre o exterior público, e vice-versa, se conquistam neste através das paredes, nestes limiares, nestas transições de privacidades e de publicidades, e nestes enquadramentos estratégicos de vistas.

E é ainda neste jogo do “através das paredes” que se apontam e desenvolvem, se desperdiçam, muitas das possíveis vantagens ambientais, designadamente, em termos de estratégias de sombreamento, insolação, ventilação e iluminação natural também se podem ganhar neste ricos limiares arquitectónicos.


Nestas matérias importa ter presente que é, por vezes, pequena a distância/diferença entre uma relação urbana de proximidade, estimulante, humanizada e pitorescamente “escavada” e uma relação urbana concentracionária e, até, por vezes claustrofóbica, e, portanto, há que actuar com todos os cuidados.


Toni Marí Muñoz descreve este jogo da seguinte maneira:


"Dois âmbitos, o privado e o público, que se contrapõem. Dois espaços que se complementam. Dois egos com duas linguagens. Interior, exterior. Privacidade, publicidade. O meu, o de todos. Eu e os outros. O interior que mantém as ilusões frente ao realismo do exterior.... A ilusão de manter incólume a entidade/identidade através da inscrição em todo o lugar doméstico. A escrita do interior que consolida a memória da história pessoal: fotografias, ofertas, a viagem à Grécia, a cómoda da Avó. Memória do eu através das coisas e do afecto das coisas, inscrito na segunda pele, santo dos santos do domicílio particular" (3)





Fig. 03


Neste e jogo e nestas matérias, que são campo inesgotável de arquitecturas e designadamente de domesticidades e urbanidades arquitectónicas parece ser, realmente, muito interessante o duplo conceito proposto por Cullen de "paisagem interior” e de compartimento exterior" (4).

Nesta dupla, mas unificada, ideia parece estar muito do possível conteúdo da domesticidade interior e exterior, numa ideia de mundo de cada um em sua casa e de mundo residencial comum.


Muito do sentido de “casa no mundo”, protegida mas bem relacionada (e por isso melhor protegida), e o sentido de rua ou praceta “nossa”, onde também estamos verdadeiramente em casa, agradavelmente protegidos, identificados e bem próximos dos nosos sítios mais íntimos.


Mas para que tais ideias de projecto e de vida se concretizem é fundamental que elas joguem e bem o jogo arquitectónico das relações, dos limiares, das transições, das marcações; e tal jogo não está, decididamente, ao alcance de maus jogadores.


Notas:


(1) Claire e Michel Duplay, "Methode Ilustrée de Création Architecturale", pp. 138, 139 e 143.


(2) Éditions du Centre Georges Pompidou, Paris, Col. Alors; n.º 9, 1985.


(3) Toni Marí Muñoz, "Vivir en la Ciudad. El Exilio y el Reino", in Habitat, 4, p. 5.


(4) Gordon Cullen, "Paisagem Urbana", p. 30.



Notas editoriais:

(i) A edição dos artigos no âmbito do blogger exige um conjunto de procedimentos que tornam difícil a revisão final editorial designadamente em termos de marcações a bold/negrito e em itálico; pelo que eventuais imperfeições editoriais deste tipo são, por regra, da responsabilidade da edição do Infohabitar, pois, designadamente, no caso de artigos longos uma edição mais perfeita exigiria um esforço editorial difícil de garantir considerando o ritmo semanal de edição do Infohabitar.


(ii) Por razões idênticas às que acabaram de ser referidas certas simbologias e certos pormenores editoriais têm de ser simplificados e/ou passados a texto corrido para edição no blogger.


(iii) Embora a edição dos artigos editados no Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico, as opiniões expressas nos artigos apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores.


Infohabitar a Revista do Grupo Habitar

Infohabitar, Ano VIII, n.º 410

Sobre o jogo das relações urbanas: através das paredes - I

Editor: António Baptista Coelho

Edição de José Baptista Coelho

Lisboa, Encarnação - Olivais Norte