domingo, dezembro 16, 2012

420 - Novidades do 2.º CIHEL e "EU AMO, EU CUIDO!" artigo de Marilice Costi - Infohabitar 420

Infohabitar, Ano VIII, n.º 420

Depois de uma síntese sobre o 2.º CIHEL, feita três meses antes do Congresso, temos todo o gosto de retomar o contato com a colega Marilice Costi, uma das primeiras redatoras do Infohabitar, editora da Revista o Cuidador, que se recomenda e cujo link se anexa no final desta edição, e que nos enviou um artigo sobre a sua cidade, Porto Alegre, intitulado "Eu amo, eu cuido!

À colega Marilice um muito obrigado por mais esta participação e a todos os leitores do Infohabitar o pedido de uma atenção muito especial a este 2.º CIHEL, que promete, em termos de temas a tratar e de reforço de uma fundamental ideia de fórum sociotécnico e,

os desejos de um Natal com muita Paz e Alegria e de um Bom 2013.

A edição do Infohabitar e a Comissão Organizadora do 2.º CIHEL




A NÃO PERDER: O 2.º CONGRESSO INTERNACIONAL DA HABITAÇÃO NO ESPAÇO
LUSÓFONO - 2.º CIHEL - DE 13 A 15 DE MARÇO DE 2013, NO LNEC EM LISBOA

O cuidado com o território, a cidade e a promoção habitacional numa perspetiva de desenvolvimento coerente e sustentado e no âmbito da lusofonia, são os grandes temas a discutir no 2.º CIHEL,um congresso internacional, organizado pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), em Lisboa, de 13 a 15 de março de 2013, associado a outras atividades, entre as quais um Workshop em 12 e 13 de março. Enriquecendo-se o leque temático e a dinâmica organizativa deste evento, a ele se associou o 1.º Congresso CRSEEL - Construção e Reabilitação Sustentável de Edifícios no Espaço Lusófono, promovido pelo Departamento de Engenharia Civil da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa.

O 2.º CIHEL tem o Alto Patrocínio de Sua Excelência o Presidente da República, é presidido pelo Secretário Executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e conta já com importantes apoios, designadamente, de Portugal, de Angola e do Brasil, bem como de associações profissionais da lusofonia; apoios constantes no artigo: http://infohabitar.blogspot.pt/2012/12/2-cihel-habitacao-cidade-territorio-e.html

O 2.º Congresso Internacional da Habitação no Espaço Lusófono - 2.º CIHEL - vai reunir no Centro de Congressos do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), um conjunto alargado de congressistas dos nove países lusófonos e um importante leque de conferencistas, empresários e responsáveis institucionais, com o objectivo de divulgar e discutir conhecimentos, e também de se constituir um fórum sociotécnico transnacional e falado em português, dirigido para a construção de laços fortes e duráveis de cooperação técnica e económica na respetiva grande área temática, seja pela realização em outros países da CPLP dos próximos congressos, seja pelo desenvolvimento continuado de outras atividades com forte caráter prático e utilidade socioeconómica.

São os seguintes os temas a tratar no 2.º CIHEL em 125 comunicações já entregues: a)programas e políticas urbanas e habitacionais; b) cidade habitada, território e ambiente; c) da urbanidade no espaço público à cidade informal; d) o habitar nas comunidades rurais; e) da habitação de interesse social à diversificação tipológica; f) integrar a reabilitação urbana e habitacional; g) sistemas, processos, tecnologias e materiais de construção; h) práticas de investigação e intervenção urbana e habitacional.

Salientam-se as seguintes atividades associadas ao Congresso e realizadas na mesma semana de 11 a 16 de março de 2013:

. 1.ª reunião AICEP/CECP/CIHEL/IT (com um grupo de empresários lusófonos e inscrições por convite);
. 1.º Workshop CIHEL, apoiado pela AICEP, pela SECP e pelo Instituto do Território/IT (inscrições em conjunto com Congresso);
. Exposição de entidades e empresas em pequenos stands disponíveis no átrio do Centro de Congressos do LNEC;
. inauguração de um portal informático lusófono, desenvolvido pelo Instituto do Território e pelo LNEC sobre os temas do congresso;
. reunião técnica promovida pelo Conselho Internacional dos Arquitectos de Língua Portuguesa (CIALP) no pós-congresso (em estudo).
. visitas técnicas na zona de Lisboa (em estudo).




Por tudo isto julga-se que para muitos técnicos, industriais, investigadores, empresários, e outros decisores será importante a participação no 2.º CIHEL, com inscrições abertas no site do Congresso, em: http://2cihel.lnec.pt/2cihel.html

A frequência conjunta do workshop e do Congresso tem condições especiais para estudantes e salienta-se ainda que a Ordem dos Arquitectos (OA), no âmbito do seu Conselho Regional de Admissão Sul, decidiu que a participação no 2.º CIHEL e no seu Workshop prévio contarão para a formação obrigatória em temáticas opcionais dos estágios de ingresso na O.A. com 8 créditos, sendo as respetivas condições de inscrição (175 € incluindo IVA) idênticas às já existentes para as inscrições de estudantes apenas no Congresso.

Conclui-se esta breve síntese salientando que são agora importantes todos os apoios organizativos ao 2.º CIHEL cujas modalidades poderão ser consideradas em pormenor, como, por exemplo, inscrições no congresso, documentação e divulgação associada ao congresso e participação na referida exposição - aspetos estes facilmente tratados através da inscrição no Congresso, facilmente realizda no site - http://2cihel.lnec.pt/2cihel.html - ou através de um contato com a respetiva organização, em organizacao2cihel@lnec.pt.

Muito em breve aqui no Infohabitar e através das mailing lists do Grupo Habitar iremos desenvolver uma maior divulgação das temáticas previstas e já entregues para apresentação no Congresso; deram já entrada mais de 120 comunicações completas.

LISBOA E LNEC, DEZEMBRO DE 2012, a Comissão Organizadora e a Comissão Científica do 2.º CIHEL

Informações, correspondência e pedidos de esclarecimento dirigidos a: LNEC Apoio à Organização de Reuniões - Av. de Brasil 101 1700-066 LISBOA
Tel.: 21 844 34 83   Fax: 21 844 30 14 organizacao2cihel@lnec.pt





Artigo Infohabitar semanal - Artigo Infohabitar semanal - Artigo Infohabitar semanal

EU AMO, EU CUIDO!

Marilice Costi

(Artigo sobre a cidade de Porto Alegre, publicado no livro PRESENÇA LITERÁRIA 2012 - Porto Alegre: Academia Literária Feminina do RS, 2012. p.55-57, imagens de Marilicie Costi)

Sábado. Primeiro cuidar de si. Ao seguir para a academia, percebo o meu bairro, considerado como o Bom Fim - os bairro de Bem Viver - em uma das reuniões coordenadas pela UNESCO com vistas ao V Congresso da Cidade de Porto Alegre. Sou do bairro Farroupilha há quase quarenta anos. Orgulhosa de ser, decido assumir a minha parte no meu lugar, o espaço ao qual nos vinculamos afetivamente.

Ontem, ventou e choveu, mais ventou. Há galhos de árvores pelas ruas e, à minha frente, estão sacos de lixo cheios e vazios que foram trazidos pelo vento e que seguirão para os bueiros. Lastimo não ter trazido uma sacola de casa. Junto dois deles retirando-os da boca-de-lobo e os cheios que foram colocados na calçada defronte a um condomínio da década de setenta. Meu cérebro linka com a palestra do Prefeito de Bogotá, a questão da cidadania. Sou portoalegrense e preciso fazer minha parte.


Fig. 1

Estou sem luvas, mas decido tirar aquilo da calçada. E percebo que há matéria orgânica misturada com material reciclável. No peso! Aqui e ali, amasso as caixas de leite com os pés e coloco os volumes diminuídos nas pequenas lixeiras colocadas ali perto no ano passado. Olho para o céu e percebo uma peça despencando da fiação. Páro, como faria meu pai, e procuro alguém por perto. Uma moça! Deve ser moradora. Ela me diz que cansou de pedir. Que eles vêm, amarram com arames mas estes logo se rompem. E tudo se repete. Observo que aquilo deve ser de uma das múltiplas redes que poluem a paisagem, as NETs. Um lixo no ar? Mas reclame novamente, pedi. Isto poderá cair na nossa cabeça.

Já vi tudo? Catadores dentro dos novos containers, moradores de rua futricando em busca de latinhas...e comentários: tem gente dormindo dentro e é por isso que as ruas estão ficando vazias! O caminhão os leva! E quem vai se dar conta deles? O imaginário urbano? Respiro fundo e entro na farmácia onde conto minhas peripécias aos atendentes. Ganhei interessados no V Congresso?

Atravesso a rua e comento com um vizinho com quem nunca me comuniquei. Ele está desalentado: o caminhão recolhe o lixo seco dos vizinhos e não leva o seu!... Daí, os moradores de rua estraçalham os sacos na minha calçada e tenho que limpar! Por isso, misturo tudo e coloco dentro do container. Mas senhor Alexandre, ligue para 156. Faça sua queixa! Não adianta, arguiu, cansei deles. A credibilidade pública! Repito e nada de convencê-lo. E ele ainda diz: Veja, o container está na frente do bueiro, não deveria! Olha ali, empurraram para cá, colocaram lá!

Fig. 2

Mais adiante, há latas de tintas enferrujadas (as mesmas há anos!) na esquina. A falta de fiscalização foi apontada naquela reunião! Fazer cumprir a legislação! Adiantaria punir?

O meu andar vai ficando quixotesco. Um homem mexe em muitos sacos de lixo na nossa pracinha. Vou até ele e lhe pergunto se colocou aquele saco no meio do canteiro gramado. Não fui! Sentiu medo. Ali há uns quatro quilos de ossos, provavelmente retirados durante a busca na grande lixeira, um chamariz aos cães. Não levo o assunto adiante e coloco-o dentro do container. Acho bom que, ao levantar a tampa, há um sistema hidráulico que reduz o esforço para abri-lo. E começo a amar essas coisas que limpam meu bairro! E acredito que tudo foi escolha de cabeça muito bem pensada! Quem não produz lixo?

Lembrei de minha infância em Passo Fundo e de meu pai a dizer: Falta educação no povo! As escolas! Como é importante estimular o sentimento de pertença! Amo este lugar, estou aqui!



Fig. 3

Tive vontade de conversar com todos os vizinhos, de bater de porta em porta... Quem me acompanharia? Afinal, ser cidadão não é esperar que os outros façam tudo!

E eu iria longe com o encadeamento de estímulos urbanos à minha memória. Tão importante mexer com os neurônios! Corro para a academia. Quase fechando. Mas estou feliz. Afinal, cuidar da cidade é também cuidar de mim!

Marilice Costi, Urbanista

editora da revista O CUIDADOR - orgulho de ser
FACILMENTE ACESSÍVEL EM www.ocuidador.com.br
SANAARTE Produtos Culturais e Serviços Ltda.
55 - 51 -30287667 Cx. Postal 9.034 - 90.040-971- Porto Alegre/RS - Brasil

Notas editoriais:
(i) A edição dos artigos no âmbito do blogger exige um conjunto de procedimentos que tornam difícil a revisão final editorial designadamente em termos de marcações a bold/negrito e em itálico; pelo que eventuais imperfeições editoriais deste tipo são, por regra, da responsabilidade da edição do Infohabitar, pois, designadamente, no caso de artigos longos uma edição mais perfeita exigiria um esforço editorial difícil de garantir considerando o ritmo semanal de edição do Infohabitar.
(ii) Por razões idênticas às que acabaram de ser referidas certas simbologias e certos pormenores editoriais têm de ser simplificados e/ou passados a texto corrido para edição no blogger.
(iii) Embora a edição dos artigos editados no Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico, as opiniões expressas nos artigos apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores.

Infohabitar a Revista do Grupo Habitar

Infohabitar, Ano VIII, n.º 420


EU AMO, EU CUIDO! artigo de Marilice Costi


Editor: António Baptista Coelho


Edição de José Baptista Coelho


Lisboa, Encarnação - Olivais Norte










domingo, dezembro 09, 2012

419 - Arquitectura da paisagem e imagens do final de Outono (artigo Infohabitar); novidades do 2.º CIHEL - Infohabitar 419

Infohabitar, Ano VIII, n.º 419



Sobre o 2.º Congresso Internacional da Habitação no Espaço Lusófono

Tema: "Habitação, Cidade, Território e Desenvolvimento", no âmbito da lusofonia: 2.º CIHEL, LNEC, Lisboa, 13 a 15 de março de 2013 - http://2cihel.lnec.pt/2cihel.html

Nota ao leitor: um pouco mais abaixo, no Artigo n.º 418, encontrará um texto ilustrado e desenvolvido sobre a temática do Congresso e as condições do Centro de Congressos do LNEC

Tema e objectivo principal: O 2.º CIHEL irá tratar a temática da “Habitação, Cidade, Território e Desenvolvimento”, e visar a fundação de um fórum socio-técnico de caráter transnacional falado em português, dirigido para a construção de laços fortes e duráveis de cooperação técnica e económica na referida grande área temática.

Conclui-se esta breve síntese salientando que são agora importantes todos os apoios organizativos ao 2.º CIHEL cujas modalidades poderão ser consideradas em pormenor, como, por exemplo, inscrições no congresso, documentação e divulgação associada ao congresso e participação na referida exposição - aspetos estes facilmente tratados através da inscrição no Congresso, facilmente realizada no site - http://2cihel.lnec.pt/2cihel.html - ou através de um contato com a respetiva organização, em organizacao2cihel@lnec.pt.

Como importantes novidades a salientar há que fazer uma referência especial para o apoio da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) ao Congresso, que será presidido pelo respetivo Secretário Executivo.

O Conselho Internacional dos Arquitectos de Língua Portuguesa (CIALP) também já integrou o 2.º CIHEL e haverá, em breve, notícias relativas a novas e importantes parcerias na área da construção, da sustentabilidade ambiental e da tecnologia, desenvolvidas com entidades académicas.

Salienta-se ainda que a Ordem dos Arquitectos (OA), no âmbito do seu Conselho Regional de Admissão Sul, decidiu que a participação no 2.º CIHEL e no seu Workshop prévio contarão para a formação obrigatória em temáticas opcionais dos estágios de ingresso na O.A. e com um nº significativo de créditos (8 créditos); esta última matéria será em breve objeto de maior divulgação no Infohabitar e no site do Congresso, mas sublinha-se que as respetivas condições de inscrição (175 € incluindo IVA) são idênticas e pouco superiores às já existentes para as inscrições de estudantes no Congresso.

Já na semana que vem termos mais novidades e iremos iniciar uma maior divulgação das temáticas previstas e já entregues para apresentação no Congresso; deram já entrada mais de 120 comunicações completas.

Artigo Infohabitar semanal

Arquitectura da paisagem e imagens do final de Outono

António Baptista Coelho


Fig. 1

“É fundamental, para fazer mexer a cidade, que nos instrumentos de planificação e de planeamento estratégico quer de escala menor, se inclua a noção de paisagem, que é cada vez mais importante... o arquitecto deveria ter na sua formação esta percepção, porque a paisagem é cada vez mais uma questão de arquitectura e uma questão de cidade. A noção de paisagem urbana é fundamental.”
Gonçalo Byrne (2004) (1)

Após esta citação que conclui com um treferência à paisagem urbana, e considerando-a numa perspectiva acertadamente ampla, associam-se neste artigo alguns textos retirados do estudo intitulado "Habitação Humanizada", editado pela Livraria do LNEC em 2007/2008, que acompanham um conjunto de imagens recolhidas num final de Outono em Olivais Norte e no jardim da Alameda Central da Encarnação em Lisboa.

Fig. 2

A ideia deste artigo é salientar a importância da paisagem natural no espaço urbano e designadamente o espetáculo sempre mutante e sempre diverso e estimulante das estações, do seu próprio reflexo na natureza e do próprio tempo atmosférico como elementos que são, sempre, de grande atratividade, designadamente, quando se desenvolve uma verdadeira “arte do lugar”; e a arte do lugar ganha-se em Arquitecturas de bons autores, concretizadas por exemplo, em pequenas ruas, troços de rua e em edifícios com uma arquitectura sólida, sóbria, radicada e atraente, como as imagens ilustram, ao percorrerem, num final de Outono e, vboa parte delas, numa manhã de nevoeiro, algumas das tervenções bem desenhadas de exteriores e de edifícios (de habitação de interesse social) em Olivais Norte/Encarnação, Lisboa (realizados cerca de 1960).


Fig. 3

Salienta-se, assim, direta e indiretamente, o interesse de uma perspectiva de intervenção urbanística ecológica e humana ampla, que considere e articule a actual grande importância que tem – e deve recuperar – o lugar, como sítio “único”, com identidade específica, e a também actual grande importância da protecção e do protagonismo da natureza e do verde urbano. Matérias que, provavelmente, nunca tiveram a oportunidade que hoje têm neste século das cidades e das megacidades.
Estas matérias devem, naturalmente, muito a Christian Norberg-Schulz, e por isso se lembra aqui um dos seus fundamentais conceitos (1968): “No passado os bandidos viviam fora das muralhas, hoje estão dentro. A cidade respira brutalidade e sentimos o desejo de fugir-lhe para encontrar a paz. Por isso procuramos proteger e conservar a natureza;... com o passar do tempo não poderemos fugir mais; o arquitecto moderno deve contribuir para sanar esta situação, criando um novo ordenamento e uma nova e significativa unidade entre a paisagem e a obra do homem.” (2)

Trata-se assim de reconcilar a paisagem e a obra do homem, e a cidade com a paisagem feita pelo homem, objectivo este muito importante para a cidade de hoje e crucial para a grande cidade de hoje e, afinal, tal como disse Maria Celeste Ramos, no âmbito dos trabalhos do Júri do Prémio INH 2006, “a árvore acrescenta beleza e não a tira”, e a beleza e a “frescura” do verde urbano são altamente necessárias na cidade de hoje.


Fig. 4

O arquitecto moderno deve, assim, “contribuir para um novo ordenamento e uma nova e significativa unidade entre a paisagem e a obra do homem”, palavras sábias e antecipadoras de Norberg-Schulz, já em 1968, numa altura em que as novas grande cidades mundiais estavam, ainda, em início de “explosão”, e palavras que se julga poderem ser bem complementadas e reequacionadas, na actualidade e numa perspectiva prática e de capacidade de aplicação, que é a privilegiada neste trabalho, por uma opinião de Sidónio Pardal (2003): “No domínio do desenho urbano tudo depende do mérito do urbanista, da sua capacidade de conceber e projectar os espaços urbanos e também as paisagens agro-silvo-pastoris que constituem um desafio da maior relevância que tem sido desprezado. A educação nestes domínios deve alicerçar-se sobre os padrões de casos exemplares, o conhecimento científico, a erudição das artes e suas obras de referência, a memória histórica e o convívio com a tradição.”(3)


Fig. 5

Sobre o verde urbano importa ter presente que ele ajuda a uniformizar alguns aspectos de uma paisagem comum, concretizando envolventes acolhedoras e representativas da diversidade da natureza e do próprio mundo; e para além deste aspecto suavizador e humanizador o verde urbano também é habitualmente associado ao lazer, situação/solução que é também muito útil na suavização dos múltiplos aspectos menos humanos da sociedade actual.


Fig. 6

Provavelmente a identidade fortíssima que caracteriza cada elemento natural como único (presença marcante de uma natureza rica e sempre diferente e renovada) e, paralelamente, o agradável contraste entre esse elemento natural, ali humanizado, e a racionalidade da edificação citadina (por exemplo: fila de árvores ao longo das ruas, trepadeira sobre muro, vasos de plantas em janelas, etc.), produzem efeitos finais que muito contribuem para dar sentido e carácter aos lugares, verdadeiramente humanizando-os, ao mesmo tempo que se contribui para condições de estímulo e surpresa nos percursos e na paisagem urbana.

E para que não haja dúvidas, sublinha-se que não se está aqui a fazer uma qualquer defesa “cega” do chamado “verde urbano”, mas sim uma defesa, muito forte, de um urbanismo feito considerando a grande importância que tem, realmente, a cidade bem integrada no meio natural e os elementos da natureza bem integrados na cidade, que, desta forma, para além de ganhar em conforto, assim se humaniza e caracteriza.



Fig. 7

E de certa forma e se atentarmos nas imagens que acompanham este texto, a qualidade de uma dada intervenção paisagística proporciona-nos uma intensificação da forma como sentimos a natureza, o que é extremamente interessante para todos e designadamente para pessoas que vivam muito a cidade.

E assim se considera o verde urbano concebido por uma Arquitectura Paisagista bem qualificada uma ferramenta cuja importância em termos de caracterização e de humanização da paisagem urbana continua a ser descurada, ainda que, felizmente, exemplos históricos e alguns, talvez poucos, novos exemplos demonstrem a potência arquitectónica real que pode ter, por exemplo, uma árvore de arruamento, um alinhamento arbóreo, uma composição de árvores e de edifícios, um caminho pedonal que passa quase sob um maciço arbóreo e um muro ou uma fachada cobertos por uma trepadeira.



Fig. 8

Mas atenção, para se fazer isto bem, com respeito pela cultura que é a nossa e pelo sítio em que se actua, é necessário saber fazer arquitectura da edificação e da paisagem de uma forma simples, mas realmente sabedora, sem apêndices inúteis e sem excessos de conteúdo; com uma pormenorização muito rica, mas depurada e cuidadosa; afinal uma boa Arquitectura, tal com a dos edifícios, mas com as suas próprias regras, ferramentas e partes de técnica e de criatividade; uma matéria muito mais séria do que a de fazer simples e até dignos "espaços ajardinados".

E nestas matérias não se pode deixar de apontar, quer a necessidade desse aprofundamento de uma essencial criatividade na paisagem natural feita pelo homem, quer a igual necessidade de sobriedade e de radicação cultural, quer finalmente, a crítica necessidade de uma manutenção posterior dos espaços de jardim, que lhes respeite e desenvolva, cuidadosa e sensivelmente, formas, ambientes e pormenores e que não abastarde e, até, por vezes, destrua, essas mesmas formas e esses mesmos ambientes, tão criativamente criados por vezes há dezenas de anos e tão cuidadosamente desenvolvidos ao longo dessas dezenas de anos; e esta é uma matéria que deveria merecer o cuidado específico de técnicos, cidadãos e autarquias, não se deixando cometer verdadeiras barbaridades em nome de técnicas de jardinagem ditas normais e necessárias, e a culpa não é de quem maneja a radical serra mecânica, mas sim de quem não controla adequadamente estes trabalhadores.



Fig. 9

Apenas como breves notas finais de reflexão sobre o tema da Arquitectura da Paisagem podemos sublinhar: (i) que a arquitectura da paisagem tem uma importância essencial, que é frequente e diversamente referida por projectistas, como ligada ao carácter/identidade dos sítios, e lembremos que Christian Norberg-Schulz defende que a caracterização é a verdadeira matéria da arquitectura; (ii) que a arquitectura da paisagem tem, naturalmente, uma importante perspectiva ecológica, ambiental e paisagística, que é e que será, cada vez mais, verdadeiramente determinante no projecto urbano e residencial; (iii) e por fim podemos ainda sublinhar que a arquitectura da paisagem tem também uma efectiva e variada importância porque proporciona o contacto frequente com a natureza, seja no dia-a-dia, seja em situações potencialmente agrestes que caracterizam a vida urbana actual.

Afinal a paisagem é cada vez mais uma questão de arquitectura e uma questão de cidade.

Notas:

(1) Inês Moreira dos Santos e Rui Barreiros Duarte (entrevistadores), “Estruturas de mudança - entrevista com Gonçalo Byrne”, Arquitectura e Vida, n.º 49, 2004, p. 51.
(2) Christian Norberg-Schulz, “A paisagem e a obra do homem”, Arquitectura, n.º 102, 1968, pp.52-58.
(3) Rui Barreiros Duarte (entrevistador), “Por um urbanismo de princípios – entrevista com Sidónio Pardal”, Arquitectura e Vida, n.º 43, 2003, pp.40-47.

Notas editoriais:
(i) A edição dos artigos no âmbito do blogger exige um conjunto de procedimentos que tornam difícil a revisão final editorial designadamente em termos de marcações a bold/negrito e em itálico; pelo que eventuais imperfeições editoriais deste tipo são, por regra, da responsabilidade da edição do Infohabitar, pois, designadamente, no caso de artigos longos uma edição mais perfeita exigiria um esforço editorial difícil de garantir considerando o ritmo semanal de edição do Infohabitar.
(ii) Por razões idênticas às que acabaram de ser referidas certas simbologias e certos pormenores editoriais têm de ser simplificados e/ou passados a texto corrido para edição no blogger.
(iii) Embora a edição dos artigos editados no Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico, as opiniões expressas nos artigos apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores.

Infohabitar a Revista do Grupo Habitar


Infohabitar, Ano VIII, n.º 419

Arquitectura da paisagem e imagens do final de Outono (artigo Infohabitar); novidades do 2.º CIHEL

Editor: António Baptista Coelho

Edição de José Baptista Coelho

Lisboa, Encarnação - Olivais Norte







domingo, dezembro 02, 2012

418 - 2.º CIHEL - "Habitação, Cidade, Território e Desenvolvimento", no âmbito da lusofonia: 2.º CIHEL, LNEC, Lisboa, 13 a 15 de março de 2013 - Infohabitar 418

Infohabitar, Ano VIII, n.º 418


2.º CIHEL - 2.º Congresso Internacional da Habitação no Espaço Lusófono, sobre a ampla temática da "Habitação, Cidade, Território e do Desenvolvimento, no âmbito da lusofonia , organizado pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil - LNEC -, em Lisboa, de 13 a 15 de março de 2013: em 12 e 13 de março será realizado um workshop sobre o mesmo tema.
 


Enriquecendo-se o leque temático e a dinâmica organizativa deste evento, a ele se associou o 1.º Congresso CRSEEL - Construção e Reabilitação Sustentável de Edifícios no Espaço Lusófono, promovido pelo Departamento de Engenharia Civil da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa.

 







Tema e objectivo principal:
O 2.º Congresso Internacional da Habitação no Espaço Lusófono 2:º CIHEL, irá tratar a temática da “Habitação, Cidade, Território e Desenvolvimento”, e visar a fundação de um fórum socio-técnico de caráter transnacional falado em português, dirigido para a construção de laços fortes e duráveis de cooperação técnica e económica na referida grande área temática.

Organização geral:

Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), com o apoio de outras entidades,






Localização:O 2.º CIHEL será realizado no Centro de Congressos do LNEC, na Av.ª do Brasil, em Lisboa, estando mobilizado todo este Centro, com dois grandes auditórios e mais cinco outros de diferentes dimensões, para além de um amplo átrio de exposições.

O Campus do LNEC está estrategicamente colocado à entrada de Lisboa, próximo do aeroporto e possui excelentes conidições de estacionamento e acessibilidade em Transportes Públicos.






 
Apoios institucionais:


O 2.º CIHEL tem o Alto Patrocínio de Sua Excelência o Presidente da República e é presidido pelo Secretário Executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), entidade que apoia o Congresso.

Em termos de apoios oficiais há, desde já, a realçar, entre outras entidades constantes do site do Congresso - http://2cihel.lnec.pt/2cihel.html: em Portugal, os patrocínios institucionais do Ministério da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território, da Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas, da Câmara Municipal de Lisboa , da AICEP Portugal Global, do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana, do CIAUD, do ISCTE-IUL, da FCT, da Universidade Nova de Lisboa, da Ordem dos Arquitectos e do Instituto do Território (IT); em Angola, o Ministério da Construção, o Ministério do Urbanismo e da Habitação e o Laboratório de Engenharia de Angola; no Brasil, a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo; conta-se, ainda, com o apoio ativo do Conselho Internacional dos Arquitectos de Língua Portuguesa (CIALP) e estão muito avançados outros contatos, designadamente, com diversas entidades em Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Guiné Bissau.









Outros apoios:Para a melhor concretização do 2.º CIHEL em termos da sua importância como fórum sociotécnico, é importante a adesão de empresas e instituições que podem apoiar das mais diversas formas: desde o apoio directo, à presença na exposição prevista, e à inscrição de congressistas, forma esta de apoio que se considera essencial.



Fig.: o grande auditório do LNEC



Programa geral previsto:
Para além do Congresso serão realizadas, também na mesma semana de março de 2013 e no Centro de Congressos do LNEC:

(i) uma 1.ª reunião AICEP/CECP/CIHEL, tendo por base um grupo de empresários lusófonos (inscrições por convite); para esta fase dos trabalhos – que inclui visitas a entidades várias e recepções - foram já estabelecidos contactos com a AICEP (que está a estruturar o evento), a CECP e a CPLP. Trata-se de um evento a realizar em dia e meio.


(ii) o 1.º Workshop CIHEL, apoiado pela AICEP e pela SECP (inscrições abertas em conjunto com o Congresso); trata-se de um evento que ocupa um dia (tarde de dia 12 e manhã de dia 13).


(iii) uma Exposição de entidades e empresas associadas às temáticas do Congresso e a realizações em curso no mundo da lusofonia, patente em pequenos stands montados no átrio do Centro de Congressos.


Também no átrio do LNEC mas em espaços diferenciados poderá haver algumas exposições temáticas; a título de exemplo e ainda não confirmada refere-se a Exposição do Património Lusófono de Origem Portuguesa do Sec.XX, que esteve em Tóquio.


As exposições estarão ativas toda a semana, de terça-feira a sexta-feira.


(iv) a inauguração no início do Congresso, após a sua abertura oficial, de um portal informático, desenvolvido pelo LNEC e pelo IT, para concentração e sistematização de contatos, entidades e procedimentos ligados à habitação, à cidade, ao território e ao desenvolvimento no mundo lusófono; ouras entidades já foram contactadas para aderirem à constituição do Portal.


(v) o próprio Congresso que contará;


. com as respectivas intervenções institucionais a abrir e a fechar (a definir com a intervenção activa da CPLP e de outros apoiantes); desejando-se que possa ser aberto pelas principais entidades que apoiam o Congresso.


. havendo depois lugar a cerca de 120 a 150 comunicações em sessões simultâneas; em 29 de Novembro de 2012 contava-se já com 121 textos/trabalhos completos já entregues;


. 6 a 9 conferências, ainda em fase de convite e em breve a divulgar.


(vi) Finalmente no sábado seguinte, dia 16 de março, haverá, provavelmente, a possibilidade de se realizarem visitas técnicas em Lisboa de manhã e é também provável que o Conselho Internacional dos Arquitectos de Língua Portuguesa (CIALP) promova um seminário técnico sobre uma área temática a definir.


Faz-se notar que as inscrições para participação no Congresso estão abertas, sendo possíveis com um custo especial até 15 de janeiro de 2013 - boletim de inscrição disponível no site do Congresso - http://2cihel.lnec.pt/2cihel.html





Fig.: o conjunto de auditórios e de outros espaços do Centro de Congressos do LNEC


Fig.: imagem dos trabalhos do 1.º CIHEL, no ISCTE-IUL, em 2010

Conteúdo tecnico-científico: temas em discussão


As cerca de 150 comunicações (com mais de 10 pp. cada) que serão provavelmente entregues distribuem-se pelos seguintes oito (8) temas a discutir de forma equilibrada proporcionando interessantes sessões temáticas:


a) Programas e políticas urbanas e habitacionais


b) Cidade habitada, território e ambiente


c) Da urbanidade no espaço público à cidade informal


d) O habitar nas comunidades rurais


e) Da habitação de interesse social à diversificação tipológica


f) Integrar a reabilitação urbana e habitacional


g) Sistemas, processos, tecnologias e materiais de construção


h) Práticas de investigação e intervenção urbana e habitacional







Fig.: o arquitecto João Filguieras Lima - Lelé - no 1.º CIHEL, no ISCTE-IUL, em 2010



No pós-congresso várias iniciativas poderão ser desenvolvidas e estão já previstas:

. Uma ação continuada do secretariado permamente do CIHEL, proporcionando que os temas sejam tratados de forma prática e em continuidade entre congressos e designadamente no ano que medeia entre os congressos.


. A edição de várias publicações - "Cadernos Edifícios" - temáticas por parte do LNEC, apurando-se matérias interessantes e oportunas, entre aquelas apresentadas no 2.º CIHEL; a dimensão destes livros corresponde a 10 a 15 comunicações e prevê-se portanto a possibilidade de haver a edição de dois ou três cadernos, que, depois, poderão ser devidamente lançados no âmbito de acções específicas.



O objetivo é a constituição de um fórum sociotécnico dinâmico e com afirmada continuidade temporal, que possa ter uma utilidade clara e crescente nas referidas áreas temáticas no mundo da lusofonia, visando-se a dinamização de um processo que assegure, numa base de realizações itinerantes, os próximos Congressos e atividades intercalares com forte caráter prático e utilidade socioeconómica.



Fig.: imagem dos trabalhos do 1.º CIHEL, no ISCTE-IUL, em 2010



Conclui-se esta síntese salientando-se que são agora importantes todos os apoios organizativos ao 2.º CIHEL cujas modalidades poderão ser consideradas em pormenor, como, por exemplo, inscrições no congresso, documentação e divulgação associada ao congresso e participação na referida exposição - aspetos estes facilmente tratados através da inscrição no Congresso, facilmente realizda no site do Congresso - http://2cihel.lnec.pt/2cihel.html - ou através de um contato com a respetiva organização, em organizacao2cihel@lnec.pt.

E é também agora estratégica a divulgação do Congresso, proporcionando-se uma adequada e evidenciada visibilidade a esta iniciativa, e visando-se a sua concretização e utilidade como um importante fórum sociotécnico.


Agradecem-se, portanto e desde já, todos os apoios em termos de divulgação, inscrição no 2.º CIHEL e apoios organizativos.


                                                As Comissões responsáveis pela organização do 2.º CIHEL



Fig.: o logotipo do 2.º CIHEL foi concretizado foi realizado, tal como no caso do 1.º CIHEL, no âmbito das atividades do Curso Profissional de Técnico de Design Gráfico da Escola Secundária de Sacavém – uma ES que integra, habitualmente, muitos alunos ligados a vários países da lusofonia.




Infohabitar a Revista do Grupo Habitar


Infohabitar, Ano VIII, n.º 418


"Habitação, Cidade, Território e Desenvolvimento", no âmbito da lusofonia: 2.º CIHEL, LNEC, Lisboa, 13 a 15 de março de 2013


Editor: António Baptista Coelho


Edição de José Baptista Coelho


Lisboa, Encarnação - Olivais Norte