domingo, dezembro 09, 2012

Arquitectura da paisagem e imagens do final de Outono (artigo Infohabitar); novidades do 2.º CIHEL - Infohabitar 419

Infohabitar, Ano VIII, n.º 419


Sobre o 2.º Congresso Internacional da Habitação no Espaço Lusófono

Tema: "Habitação, Cidade, Território e Desenvolvimento", no âmbito da lusofonia: 2.º CIHEL, LNEC, Lisboa, 13 a 15 de março de 2013 - http://2cihel.lnec.pt/2cihel.html

Nota ao leitor: um pouco mais abaixo, no Artigo n.º 418, encontrará um texto ilustrado e desenvolvido sobre a temática do Congresso e as condições do Centro de Congressos do LNEC

Tema e objectivo principal: O 2.º CIHEL irá tratar a temática da “Habitação, Cidade, Território e Desenvolvimento”, e visar a fundação de um fórum socio-técnico de caráter transnacional falado em português, dirigido para a construção de laços fortes e duráveis de cooperação técnica e económica na referida grande área temática.

Conclui-se esta breve síntese salientando que são agora importantes todos os apoios organizativos ao 2.º CIHEL cujas modalidades poderão ser consideradas em pormenor, como, por exemplo, inscrições no congresso, documentação e divulgação associada ao congresso e participação na referida exposição - aspetos estes facilmente tratados através da inscrição no Congresso, facilmente realizada no site - http://2cihel.lnec.pt/2cihel.html - ou através de um contato com a respetiva organização, em organizacao2cihel@lnec.pt.

Como importantes novidades a salientar há que fazer uma referência especial para o apoio da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) ao Congresso, que será presidido pelo respetivo Secretário Executivo.

O Conselho Internacional dos Arquitectos de Língua Portuguesa (CIALP) também já integrou o 2.º CIHEL e haverá, em breve, notícias relativas a novas e importantes parcerias na área da construção, da sustentabilidade ambiental e da tecnologia, desenvolvidas com entidades académicas.

Salienta-se ainda que a Ordem dos Arquitectos (OA), no âmbito do seu Conselho Regional de Admissão Sul, decidiu que a participação no 2.º CIHEL e no seu Workshop prévio contarão para a formação obrigatória em temáticas opcionais dos estágios de ingresso na O.A. e com um nº significativo de créditos (8 créditos); esta última matéria será em breve objeto de maior divulgação no Infohabitar e no site do Congresso, mas sublinha-se que as respetivas condições de inscrição (175 € incluindo IVA) são idênticas e pouco superiores às já existentes para as inscrições de estudantes no Congresso.

Já na semana que vem termos mais novidades e iremos iniciar uma maior divulgação das temáticas previstas e já entregues para apresentação no Congresso; deram já entrada mais de 120 comunicações completas.

Artigo Infohabitar semanal

Arquitectura da paisagem e imagens do final de Outono

António Baptista Coelho


“É fundamental, para fazer mexer a cidade, que nos instrumentos de planificação e de planeamento estratégico quer de escala menor, se inclua a noção de paisagem, que é cada vez mais importante... o arquitecto deveria ter na sua formação esta percepção, porque a paisagem é cada vez mais uma questão de arquitectura e uma questão de cidade. A noção de paisagem urbana é fundamental.”
Gonçalo Byrne (2004) (1)

Após esta citação que conclui com um treferência à paisagem urbana, e considerando-a numa perspectiva acertadamente ampla, associam-se neste artigo alguns textos retirados do estudo intitulado "Habitação Humanizada", editado pela Livraria do LNEC em 2007/2008, que acompanham um conjunto de imagens recolhidas num final de Outono em Olivais Norte e no jardim da Alameda Central da Encarnação em Lisboa.


A ideia deste artigo é salientar a importância da paisagem natural no espaço urbano e designadamente o espetáculo sempre mutante e sempre diverso e estimulante das estações, do seu próprio reflexo na natureza e do próprio tempo atmosférico como elementos que são, sempre, de grande atratividade, designadamente, quando se desenvolve uma verdadeira “arte do lugar”; e a arte do lugar ganha-se em Arquitecturas de bons autores, concretizadas por exemplo, em pequenas ruas, troços de rua e em edifícios com uma arquitectura sólida, sóbria, radicada e atraente, como as imagens ilustram, ao percorrerem, num final de Outono e, vboa parte delas, numa manhã de nevoeiro, algumas das tervenções bem desenhadas de exteriores e de edifícios (de habitação de interesse social) em Olivais Norte/Encarnação, Lisboa (realizados cerca de 1960).


Salienta-se, assim, direta e indiretamente, o interesse de uma perspectiva de intervenção urbanística ecológica e humana ampla, que considere e articule a actual grande importância que tem – e deve recuperar – o lugar, como sítio “único”, com identidade específica, e a também actual grande importância da protecção e do protagonismo da natureza e do verde urbano. Matérias que, provavelmente, nunca tiveram a oportunidade que hoje têm neste século das cidades e das megacidades.
Estas matérias devem, naturalmente, muito a Christian Norberg-Schulz, e por isso se lembra aqui um dos seus fundamentais conceitos (1968): “No passado os bandidos viviam fora das muralhas, hoje estão dentro. A cidade respira brutalidade e sentimos o desejo de fugir-lhe para encontrar a paz. Por isso procuramos proteger e conservar a natureza;... com o passar do tempo não poderemos fugir mais; o arquitecto moderno deve contribuir para sanar esta situação, criando um novo ordenamento e uma nova e significativa unidade entre a paisagem e a obra do homem.” (2)

Trata-se assim de reconcilar a paisagem e a obra do homem, e a cidade com a paisagem feita pelo homem, objectivo este muito importante para a cidade de hoje e crucial para a grande cidade de hoje e, afinal, tal como disse Maria Celeste Ramos, no âmbito dos trabalhos do Júri do Prémio INH 2006, “a árvore acrescenta beleza e não a tira”, e a beleza e a “frescura” do verde urbano são altamente necessárias na cidade de hoje.

O arquitecto moderno deve, assim, “contribuir para um novo ordenamento e uma nova e significativa unidade entre a paisagem e a obra do homem”, palavras sábias e antecipadoras de Norberg-Schulz, já em 1968, numa altura em que as novas grande cidades mundiais estavam, ainda, em início de “explosão”, e palavras que se julga poderem ser bem complementadas e reequacionadas, na actualidade e numa perspectiva prática e de capacidade de aplicação, que é a privilegiada neste trabalho, por uma opinião de Sidónio Pardal (2003): “No domínio do desenho urbano tudo depende do mérito do urbanista, da sua capacidade de conceber e projectar os espaços urbanos e também as paisagens agro-silvo-pastoris que constituem um desafio da maior relevância que tem sido desprezado. A educação nestes domínios deve alicerçar-se sobre os padrões de casos exemplares, o conhecimento científico, a erudição das artes e suas obras de referência, a memória histórica e o convívio com a tradição.”(3)


Sobre o verde urbano importa ter presente que ele ajuda a uniformizar alguns aspectos de uma paisagem comum, concretizando envolventes acolhedoras e representativas da diversidade da natureza e do próprio mundo; e para além deste aspecto suavizador e humanizador o verde urbano também é habitualmente associado ao lazer, situação/solução que é também muito útil na suavização dos múltiplos aspectos menos humanos da sociedade actual.


Provavelmente a identidade fortíssima que caracteriza cada elemento natural como único (presença marcante de uma natureza rica e sempre diferente e renovada) e, paralelamente, o agradável contraste entre esse elemento natural, ali humanizado, e a racionalidade da edificação citadina (por exemplo: fila de árvores ao longo das ruas, trepadeira sobre muro, vasos de plantas em janelas, etc.), produzem efeitos finais que muito contribuem para dar sentido e carácter aos lugares, verdadeiramente humanizando-os, ao mesmo tempo que se contribui para condições de estímulo e surpresa nos percursos e na paisagem urbana.

E para que não haja dúvidas, sublinha-se que não se está aqui a fazer uma qualquer defesa “cega” do chamado “verde urbano”, mas sim uma defesa, muito forte, de um urbanismo feito considerando a grande importância que tem, realmente, a cidade bem integrada no meio natural e os elementos da natureza bem integrados na cidade, que, desta forma, para além de ganhar em conforto, assim se humaniza e caracteriza.


E de certa forma e se atentarmos nas imagens que acompanham este texto, a qualidade de uma dada intervenção paisagística proporciona-nos uma intensificação da forma como sentimos a natureza, o que é extremamente interessante para todos e designadamente para pessoas que vivam muito a cidade.

E assim se considera o verde urbano concebido por uma Arquitectura Paisagista bem qualificada uma ferramenta cuja importância em termos de caracterização e de humanização da paisagem urbana continua a ser descurada, ainda que, felizmente, exemplos históricos e alguns, talvez poucos, novos exemplos demonstrem a potência arquitectónica real que pode ter, por exemplo, uma árvore de arruamento, um alinhamento arbóreo, uma composição de árvores e de edifícios, um caminho pedonal que passa quase sob um maciço arbóreo e um muro ou uma fachada cobertos por uma trepadeira.



Mas atenção, para se fazer isto bem, com respeito pela cultura que é a nossa e pelo sítio em que se actua, é necessário saber fazer arquitectura da edificação e da paisagem de uma forma simples, mas realmente sabedora, sem apêndices inúteis e sem excessos de conteúdo; com uma pormenorização muito rica, mas depurada e cuidadosa; afinal uma boa Arquitectura, tal com a dos edifícios, mas com as suas próprias regras, ferramentas e partes de técnica e de criatividade; uma matéria muito mais séria do que a de fazer simples e até dignos "espaços ajardinados".

E nestas matérias não se pode deixar de apontar, quer a necessidade desse aprofundamento de uma essencial criatividade na paisagem natural feita pelo homem, quer a igual necessidade de sobriedade e de radicação cultural, quer finalmente, a crítica necessidade de uma manutenção posterior dos espaços de jardim, que lhes respeite e desenvolva, cuidadosa e sensivelmente, formas, ambientes e pormenores e que não abastarde e, até, por vezes, destrua, essas mesmas formas e esses mesmos ambientes, tão criativamente criados por vezes há dezenas de anos e tão cuidadosamente desenvolvidos ao longo dessas dezenas de anos; e esta é uma matéria que deveria merecer o cuidado específico de técnicos, cidadãos e autarquias, não se deixando cometer verdadeiras barbaridades em nome de técnicas de jardinagem ditas normais e necessárias, e a culpa não é de quem maneja a radical serra mecânica, mas sim de quem não controla adequadamente estes trabalhadores.


Apenas como breves notas finais de reflexão sobre o tema da Arquitectura da Paisagem podemos sublinhar: (i) que a arquitectura da paisagem tem uma importância essencial, que é frequente e diversamente referida por projectistas, como ligada ao carácter/identidade dos sítios, e lembremos que Christian Norberg-Schulz defende que a caracterização é a verdadeira matéria da arquitectura; (ii) que a arquitectura da paisagem tem, naturalmente, uma importante perspectiva ecológica, ambiental e paisagística, que é e que será, cada vez mais, verdadeiramente determinante no projecto urbano e residencial; (iii) e por fim podemos ainda sublinhar que a arquitectura da paisagem tem também uma efectiva e variada importância porque proporciona o contacto frequente com a natureza, seja no dia-a-dia, seja em situações potencialmente agrestes que caracterizam a vida urbana actual.

Afinal a paisagem é cada vez mais uma questão de arquitectura e uma questão de cidade.

Notas:

(1) Inês Moreira dos Santos e Rui Barreiros Duarte (entrevistadores), “Estruturas de mudança - entrevista com Gonçalo Byrne”, Arquitectura e Vida, n.º 49, 2004, p. 51.
(2) Christian Norberg-Schulz, “A paisagem e a obra do homem”, Arquitectura, n.º 102, 1968, pp.52-58.
(3) Rui Barreiros Duarte (entrevistador), “Por um urbanismo de princípios – entrevista com Sidónio Pardal”, Arquitectura e Vida, n.º 43, 2003, pp.40-47.

Notas editoriais:
(i) A edição dos artigos no âmbito do blogger exige um conjunto de procedimentos que tornam difícil a revisão final editorial designadamente em termos de marcações a bold/negrito e em itálico; pelo que eventuais imperfeições editoriais deste tipo são, por regra, da responsabilidade da edição do Infohabitar, pois, designadamente, no caso de artigos longos uma edição mais perfeita exigiria um esforço editorial difícil de garantir considerando o ritmo semanal de edição do Infohabitar.
(ii) Por razões idênticas às que acabaram de ser referidas certas simbologias e certos pormenores editoriais têm de ser simplificados e/ou passados a texto corrido para edição no blogger.
(iii) Embora a edição dos artigos editados no Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico, as opiniões expressas nos artigos apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores.
(iv) Para ser possível a edição de imagens no Infohabitar, elas são obrigatoriamente depositadas num programa de imagens - é usado o Photobucket; onde, devido ao grande número de imagens, se torna difícil registar as respectivas autorias. Desta forma salienta-se que, caso se pretenda usar essas imagens, se consultem os artigos do Infohabitar onde, sistematicamente, as respectivas autorias são registadas. Sublinha-se, portanto, que os vários albuns do Photobucket que são geridos pelo editor do Infohabitar constituem bancos de dados do Infohabitar, sendo essas imagens de diversas autorias, apontadas nos artigos do Infohabitar, pelo que deve haver todo o cuidado no seu uso; havendo dúvidas um contacto com o editor será sempre esclarecedor abc@lnec.pt

Infohabitar a Revista do Grupo Habitar

Infohabitar, Ano VIII, n.º 419

Arquitectura da paisagem e imagens do final de Outono (artigo Infohabitar); novidades do 2.º CIHEL

Editor: António Baptista Coelho

Edição de José Baptista Coelho

Lisboa, Encarnação - Olivais Norte







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