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terça-feira, maio 28, 2019

688 - Sobre o conforto ambiental e a qualidade arquitectónica interior doméstica – Infohabitar 688

Infohabitar, Ano XV, n.º 688                      
Artigo da Série “Habitar e Viver Melhor”

Sobre o conforto ambiental e a qualidade arquitectónica interior doméstica – Infohabitar 688

por António Baptista Coelho (texto e imagens)

Sequem-se algumas notas gerais sobre a relação entre os isolamentos e outros cuidados ambientais e a qualidade de uso e arquitectónica do interior doméstico.


Integrar arquitectonicamente isolamentos e outros cuidados ambientais

Não iremos aqui tratar dos diversos aspectos técnicos do conforto ambiental associados ao isolamento higrotérmico e acústico, à adequação relativamente à ventilação natural, e à adequação/protecção relativamente à insolação e à luz natural dos espaços domésticos, pois tais aspectos estão bem desenvolvidos noutros trabalhos de índole técnica específica e, cada uma dessas temáticas, levar-nos-ia muito longe e bem fora do perfil de reflexão informal, que foi adoptado neste texto.
Dedicamos, sim, alguma atenção à ideia de que o espaço doméstico, a habitação privada: (i) deve ser um espaço bem protegido e que exprima e evidencie tal protecção; (ii) e que esteja estrategicamente aberto/condicionado relativamente às diversas condições naturais de conforto ambiental aplicáveis (higrotérmicas e sonoras, de ventilação e luz natural, e de insolação); e atenção que, tal como sabemos, todas estas matérias interagem umas com as outras quando se projecta um espaço doméstico.
Tais objectivos de protecção e adequada integração no ambiente natural devem marcar, sistemática e cuidadosamente, os espaços domésticos, tornando-os ambientalmente agradáveis e sustentáveis, mas numa perspectiva formal/funcional muito integrada no respectivo partido arquitectónico interior e exterior (as vistas exteriores respectivas), poderíamos até dizer, muito “natural”, nada “imposta”, perfeitamente harmonizada em termos de solução geral e de pormenorização e muito amigável e racional em termos das respectivas condições de controlo funcional corrente e de manutenção.
Julga-se que não se trata de um “lugar comum” ou de uma afirmação óbvia e desnecessária, pois são muito frequentes os casos de “esquecimento” destes aspectos no projecto geral e de pormenorização, um esquecimento que pode ser, infelizmente, muito global e crítico, ou parcial e “infeliz”, caracterizando “soluções” em que os cuidados de conforto ambiental são considerados e aplicados como algo separado da concepção arquitectónica, um pouco como quem aplica um remédio para curar uma doença que poderia ser evitada com um leque natural de cuidados prévios.
Poderíamos ainda referir que, de forma global, os isolamentos e os outros cuidados ambientais naturais que devem integrar as soluções domésticas, nos devem proporcionar a possibilidade de gozar os espaços da nossa habitação em condições, quer de forte separação/isolamento, quer de expressivo aproveitamento relativamente às condições ambientais naturais existentes no exterior – higrotérmicas, sonoras, de ventilação (e qualidade do ar) e de luz naturais, e de insolação.
E poderíamos ainda dizer um pouco mais, defendendo que tais soluções de adequada integração e aproveitamento doméstico das condições de conforto ambiental existentes no sítio da intervenção, podem marcar positivamente a respectiva solução arquitectónica global e pormenorizada.



Fig. 01


Um espaço doméstico que deve ser agradável, que nos deve fazer sentir bem e que nos faz bem à saúde, mas cujo desenvolvimento exige grandes cuidados

Tais exigências, que deveriam ser consideradas como básicas e naturais, proporcionam o desenvolvimento de um espaço doméstico extremamente adequado em termos de condições de luz natural e insolação bem controladas e direccionadas, conforto higrotérmico expressivo e bem controlado, ventilação constante e tão eficaz como pouco perceptível e bem controlável, eficaz e contínua ausência de cheiros e odores menos agradáveis ou intensos, e expressivo e global sossego acústico/sonoro.
E entenda-se que nada nestas condições se refere a um especial acréscimo de custos, mas somente depende de um projecto mais completo e adequado; e sendo que, a prazo, tais condições vão reflectir-se muito positivamente no bem-estar global e na saúde dos respectivos habitantes, com evidentes reflexos muito acrescidos em pessoas mais jovens, mais idosas e com problemas de saúde.
Salienta-se, no entanto, que o cumprimentos de tais exigências básicas de conforto ambiental doméstico obriga a uma formação específica e ao estudo cuidadoso das respectivas matérias, sendo que há problemas críticos a considerar: (i) seja no frequente e já referido pouco cuidado da concepção arquitectónica nestes assuntos; (ii) seja na frequente e deficiente formação que estas matérias, ainda, merecem ao nível universitário; (iii) seja na também, ainda, frequente ausência de documentação adequada e directamente dirigida para a relação entre estas matérias e a concepção arquitectónica, e , já agora, na reduzida divulgação das melhores obras existentes.
E o que dizer da própria capacidade projectual de integrar, muito positivamente, todas estas exigências de conforto ambiental num partido arquitectónico adequado e interessante: no mínimo, há que reconhecer que não é fácil, até porque esses aspectos devem ser harmonizados com outros importantes aspectos de projecto – tais como as vistas exteriores e interiores, a segurança no uso corrente, a espaciosidade funcional, a versatilidade doméstica, a privacidade e o convívio – mas trata-se de algo que tem de ser adequadamente desenvolvido e que, quando cumprido, é elemento muito valorizador e caracterizador da respectiva solução.


Fig. 02

Um interior doméstico, tipo "concha de caracol", mas equilibrado

Ainda um outro aspecto que importa ter em conta nesta ampla matéria da relação íntima entre o mundo do conforto ambiental doméstico e o mundo da respectiva apropriação espaço-funcional é que devemos poder gozar um interior doméstico, tipo "concha de caracol", portanto, extremamente adequado ao modo como o vivemos pessoalmente em grupo, nas mais diversas ocasiões, um mundo doméstico que nos protege e acompanha quase como uma segunda pele e que também até nos caracteriza, exactamente, como sendo uma segunda pele; mas, no entanto, esse mesmo mundo doméstico também deve ser algo que “vive por si”, com equilíbrios próprios e adequados, um pouco como um nosso grande aliado, mas que também, um outro dia será aliado de outro(s), ganhando, assim, uma espécie de interessante identidade urbana e doméstica própria e desejavelmente estimulante – e nestes sentidos o mundo doméstico também ganhará com um relativo distanciamento em termos da sua possível “personalização” e, nesta matéria, parece que o seu conteúdo “mais técnico” (embora bem domesticado) pode ser um bom aliado neste objectivo de concepção.

Sobre as diversas dimensões do conforto ambiental doméstico: algumas (poucas) notas complementares

O isolamento/condicionamento higrotérmico está minimamente garantido em termos regulamentares designadamente no que refere à nova construção, mas há, frequentemente, uma tendência para o condicionamento mecânico do ar, em detrimento de soluções mais naturais e positivamente passivas.
A questão da ventilação natural e da respectiva estratégia não é um dado adquirido, embora dependa de aspectos tão óbvios como fazer janelas estanques ao ar, mas integrando dispositivos de ventilação específicos e que tenham, depois, “seguimento”, em percursos de ar no interior da habitação (ex., bandeiras de iluminação e ventilação sobre portas).
Quanto ao isolamento sonoro ele depende tanto de cuidados construtivos específicos e nada especiais na constituição de determinadas paredes, das lajes e dos vãos exteriores, como de uma estratégia de distribuição das zonas funcionais do edifício que não faça vizinhos espaços ruidosos de outros onde o sossego seja fundamental (exemplo ascensores e quartos) e que tenha cuidado com os sítios onde passam as instalações de águas e esgotos, numa mesma lógica de os afastar e/ou isolar relativamente a espaços mais sossegados da habitação. E, naturalmente, que terá de haver, também, uma estratégia adequada de vizinhanças dos diversos espaços domésticos relativamente aos espaços exteriores contíguos, mais e menos ruidosos
Relativamente à recepção da radiação solar de forma equilibrada, ela depende, também, de uma adequada estratégia organizativa da habitação, que faça que os compartimentos a recebam, tendencialmente, mais nas horas e nas estações onde ela é bem-vinda, e aqui é possível orientar os diversos tipos de compartimentos consoante a sua utilização preferencial, por exemplo, com os quartos de dormir mais a nascente, salas mais a sul, cozinhas a norte e casas de banho a poente, sendo que há, também, a possibilidade de tratar o exterior do edifício com pequenas palas (ou outros elementos funcionais) que produzam sombra no Verão e não no Inverno, e nada disto é mais caro do que fazer mal, não ligando a estes aspectos; só que dá um pouco mais de trabalho em fase de projecto, e, naturalmente, numa cidade nunca será possível orientar as habitações todas da mesma maneira – até porque as próprias ruas urbanas também ganham com uma adequada estratégia de sombreamento.
Mas grandes a janelas a poente, impossíveis de serem protegidas no Verão, habitações apenas com janelas numa parede (sem ventilação cruzada entre duas paredes opostas), casas de banho interiores e janelas sem vãos específicos de ventilação, isso, por favor, nunca mais, quando se trata de nova habitação.
Destaca-se, ainda, a questão da fundamental abundância de luz natural, que deveria ser uma condição básica em qualquer habitação, mas infelizmente tal não acontece, parecendo que estamos ainda na altura em que quaisquer 5 centímetros a mais na largura das janelas era condição de fracasso financeiro da operação.
E finalmente há que referir que palas verdadeiramente úteis (bem salientes e desenhadas com cuidado, (por exemplo, no pormenor do lacrimal), são elementos fundamentais para a conjugação de aspectos de agradabilidade e, já agora, de alguma cuidadosa atractividade no respectivo projecto de arquitectura.

Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XV, n.º 688

Sobre o conforto ambiental e a qualidade arquitectónica interior doméstica – Infohabitar 688


Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho
Arquitecto/ESBAL, doutor em Arquitectura/FAUP – Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, Investigador Principal com Habilitação em Arquitectura e Urbanismo/LNEC – Laboratório Nacional de Engenharia Civil



Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional Infohabitar – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).

segunda-feira, outubro 16, 2017

614 - Avaliação de Desempenho de Tecnologias Construtivas Inovadoras – apresentação da Série INOVATEC da ANTAC – Infohabitar 614

Infohabitar, Ano XIII, n.º 614

Avaliação de Desempenho de Tecnologias Construtivas Inovadoras – apresentação da Série INOVATEC da ANTAC – Infohabitar 614


Notas breves do editor da Infohabitar
Depois de se ter tomado conhecimento da excelente iniciativa editorial desenvolvida no conjunto de três livros editados pela rede de pesquisa INOVATEC, apoiada pela FINEP: Inovação e Pesquisa, dirigida para a temática da Avaliação de Desempenho de Tecnologias Construtivas Inovadoras e sendo possível e muito desejável a sua respectiva divulgação, ela é, em seguida, assegurada, a partir de citações dos respectivos textos iniciais e links para os textos completos das respectivas publicações.
Trata-se de mais uma importante iniciativa da ANTAC (Associação Nacional de Tecnologia do Ambiente Construído), do Brasil, que, em seguida se apresenta , também, através de citações de textos elaborados pelos seus responsáveis.
Faz-se, ainda, uma essencial referência à Editora Scienza, que foi responsável pela revisão, editoriação e produção dos respectivos livros eletrônicos.
Desde já se alertam os leitores para o grande interesse dos três livros que se apresentam neste artigo e que tratam, sequencialmente, os seguintes temas:

- Avaliação de Desempenho de Tecnologias Construtivas Inovadoras: Manutenção e Percepção dos Usuários

- Avaliação de Desempenho de Tecnologias Construtivas Inovadoras: Materiais e Sustentabilidade

- Avaliação de Desempenho de Tecnologias Construtivas Inovadoras: Conforto Ambiental, Durabilidade e Pós-Ocupação

Agradece-se à grande amiga Professora da FAU-USP, Sheila Walbe Ornstein, pela oportuna informação relativa a esta excelente iniciativa editorial e enviam-se os sinceros parabéns aos respectivos promotores, editores, organizadores e autores dos respectivos capítulos.
E uma saudação e um agradecimento especiais aos colegas cujos textos são parcialmente citados, em seguida, com o objectivo de se procurar assegurar o enquadramento e a apresentação sucintas desta excelente série editorial.

Bem-hajam todos,
E aos leitores da Infohabitar, desejam-se excelentes leituras,
António Baptista Coelho
Editor da Infohabitar, Coordenador do CIHEL, Investigador do LNEC

(seguem-se citações retiradas das páginas iniciais dos livros aqui divulgados, acompanhadas pelos respectivos links para os textos completos)

“Apresentação da ANTAC Gestão 2015-2016
Fundada em 1987, a ANTAC (Associação Nacional de Tecnologia do Ambiente Construído) é uma associação técnico-científica, de caráter multidisciplinar, que reúne pesquisadores e técnicos envolvidos com a produção e transferência de conhecimentos na área de tecnologia do ambiente construído. Esta área integra profissionais das mais diversas especialidades, tais como Engenheiros, Arquitetos, Físicos, Químicos e Sociólogos, que atuam em Construção Civil, Tecnologia de Arquitetura e Habitação.
Embora constituída majoritariamente por pesquisadores e docentes vinculados a universidades e institutos de pesquisa, a Associação conta também com inúmeros associados vinculados a órgãos públicos e empresas privadas. Para acompanhar e contribuir no desenvolvimento científico e tecnológico da construção civil, a ANTAC congrega seus associados em grupos de trabalho (GTs), que organizam discussões mais aprofundadas e específicas de cada área.
Seus membros promovem publicações e participam de workshops, encontros, projetos e revisões de normas. A ANTAC executa atividades como: a publicação da Revista Ambiente Constru- ído integrada a biblioteca eletrônica de periódicos científicos Scielo; a participação nos fóruns de discussão sobre o tema da Ciência, Tecnologia & Inovação (C,T&I) no Ambiente Construído nas instâncias governamentais e junto às entidades ligadas aos agentes privados da cadeia produtiva; a discussão e formulação políticas de C,T&I para o Ambiente Construído com tais agentes; o estabelecimento de formas de interação com as agências de fomento à pesquisa em tecnologia do ambiente construído; aproximações temáticas e busca de atuações conjuntas com Associações afins; a promoção de eventos direcionados à comunidade de C,T&I e Apresentação da ANTAC Gestão 2015-2016 com impacto nos setores produtivos da construção civil e finalmente a moderniza- ção das relações da entidade com seus grupos de trabalho, em particular para a realização dos eventos e edição de livros.
Os livros que compõem a Coleção ANTAC são uma iniciativa da associação no âmbito da edição de livro compilando contribuições científicas de Redes Cooperativas de Pesquisa coordenadas e/ou com a participação de pesquisadores associados. Assim como a edição de livros de conteúdos acadêmicos desenvolvidos por pesquisadores ativos nos grupos de trabalho da ANTAC na área de tecnologia do ambiente construído.
[…]”
ANTAC Gestão 2015-2016
Regina C. Ruschel, UNICAMP, Presidente ANTAC
José de Paula Barros Neto, UFC, Vice-presidente ANTAC
Eduardo Luis Isatto, UFRGS, Diretor Financeiro ANTAC
Paulo Roberto Pereira Andery, UFMG, Diretor Administrativo ANTAC
Alex Abiko, USP, Diretor de Relações Inter-institucionais ANTAC
Aldomar Pedrini, UFRN, Diretor de Divulgação ANTAC.

“Apresentação da ANTAC Gestão 2017-2018
Fundada em 1987, a ANTAC (Associação Nacional de Tecnologia do Ambiente Construído) é uma associação técnico-científica de caráter multidisciplinar que reúne pesquisadores e técnicos envolvidos com a produção e transferência de conhecimentos na área de tecnologia do ambiente construído. Essa área integra profissionais das mais diversas especialidades, tais como engenheiros, arquitetos, físicos, químicos e sociólogos, que atuam em Construção Civil, Tecnologia de Arquitetura e Habitação. Embora constituída majoritariamente por pesquisadores e docentes vinculados a universidades e institutos de pesquisa, a Associação conta também com inúmeros associados ligados a órgãos públicos e empresas privadas.
Para acompanhar e contribuir com o desenvolvimento científico e tecnológico da construção civil, a ANTAC congrega seus associados em grupos de trabalho (GTs), que organizam discussões mais aprofundadas e específicas de cada área. Seus membros promovem publicações e participam de workshops, encontros, projetos e revisões de normas.
A ANTAC executa atividades como: a publicação da Revista Ambiente Construído, integrada à biblioteca eletrônica de periódicos científicos Scielo; a participação em fóruns de discussão sobre o tema da Ciência, Tecnologia & Inovação (C,T&I) no Ambiente Construído nas instâncias governamentais e junto às entidades ligadas aos agentes privados da cadeia produtiva; a interação com as agências de fomento à pesquisa em tecnologia do ambiente construído; a promoção de eventos científicos direcionados à comunidade de C,T&I com impacto na atividade de construção civil; e finalmente o desenvolvimento de ações de modernização e difusão de conhecimentos junto ao setor de construção civil, em particular por meio da realização de eventos e edição de livros. Os volumes que compõem a Coleção ANTAC são uma iniciativa da associação no âmbito da edição de livros que promovam uma compilação das contribuições científicas de Redes Cooperativas de Pesquisa coordenadas e/ou com a participação de pesquisadores associados, assim como a edição de livros de conteúdos acadêmicos desenvolvidos por pesquisadores ativos nos grupos de trabalho da ANTAC na área de tecnologia do ambiente construído. O livro em questão – Coleção ANTAC: Rede Cooperativa de Pesquisa INOVATEC/Finep – trata do terceiro volume de apresentação dos resultados de pesquisa da Rede Cooperativa, que aborda o desempenho e a avaliação de desempenho em sistemas construtivos inovadores no Âmbito do SiNAT – Sistema Nacional de Avaliação Técnica de Sistemas Inovadores e Convencionais.”
ANTAC Gestão 2017-2018
José de Paula Barros Neto – UFC Presidente ANTAC
Paulo Roberto Pereira Andery – UFMG Vice-Presidente ANTAC
Eduardo Luis Isatto – UFRGS Diretor Financeiro ANTAC
Roberta Vieira Gonçalves de Souza – UFMG Diretor Administrativo ANTAC
Silvio Burratino Melhado – USP Diretor de Relações Inter-institucionais
ANTAC Mônica Batista Leite – UEFS Diretora de Divulgação ANTAC

(Livro 1)

Avaliação de Desempenho de Tecnologias Construtivas Inovadoras: Manutenção e Percepção dos Usuários

Márcio Minto Fabricio
Rosaria Ono
(organizadores)
Segue-se link para o texto completo da obra:

Texto de apresentação retirado do Prefácio do livro,
elaborado por Luis Carlos Bonin
“[…]
Esta publicação apresenta uma parte dos resultados obtidos por uma rede de pesquisa que envolveu a participação de dez instituições tecnológicas brasileiras selecionadas no edital 07/2009 da Finep – Inovação e Pesquisa – com o objetivo de aprofundar o conhecimento sobre critérios de desempenho e desenvolver novos métodos de avaliação que possam ser utilizados no aperfei- çoamento da NBR 15575 e subsidiar a elaboração de novas diretrizes de avaliação de produtos de construção inovadores no SiNAT.
Alguns dos capítulos desta publicação apresentam e discutem ferramentas de trabalho elaboradas para imediata utilização na avaliação de produtos de construção inovadores no âmbito do SiNAT.
Sua divulgação numa versão resumida nesta publicação e em maiores detalhes nos relatórios de resultados disponibilizados no site da rede INOVATEC, representa uma efetiva contribuição para superar o desafio citado. Outros capítulos propõem uma reflexão consistentemente embasada sobre temas relacionados ao conteúdo da NBR 15575 ou da documentação de referência do SiNAT, ampliando o domínio destes temas e preparando o caminho para seu futuro aperfeiçoamento.
[…]”

(Livro 2)

Avaliação de Desempenho de Tecnologias Construtivas Inovadoras: Materiais e Sustentabilidade

Claudio de Souza Kazmierczak
Márcio Minto Fabricio
(organizadores)
Segue-se link para o texto completo da obra:

Texto de apresentação retirado do Prefácio do livro,
elaborado por Luis Carlos Bonin
“Esta publicação apresenta a segunda parte dos resultados obtidos por
uma rede de pesquisa que envolveu a participação de dez instituições
tecnológicas brasileiras selecionadas no edital 07/2009 da Finep –
Inovação e Pesquisa – com os objetivos de aprofundar o conhecimento
sobre critérios de desempenho e desenvolver novos métodos de avaliação
que possam ser utilizados no aperfeiçoamento da NBR 15575 e subsidiar
a elaboração de diretrizes de avaliação de produtos de construção
inovadores no Sistema Nacional de Avaliação Técnica – SiNAT. O primeiro
conjunto de artigos foi publicado em 2015 e está disponível no site da
rede INOVATEC.
O conjunto de artigos agora publicado aborda métodos e parâmetros
para a avaliação da durabilidade e da adequação ambiental de produtos
de construção. Estes temas foram escolhidos para comporem a rede de
pesquisa em razão de apresentarem importantes lacunas de conhecimento
que limitam a plena utilização da NBR 15575 e a operação do SiNAT. Cabe
lembrar, todavia, que nas atividades de pesquisa realizadas pela rede
INOVATEC não existe a pretensão de preencher todas estas lacunas de
conhecimento, mas contribuir topicamente para a superação de algumas
das limitações ora existentes.
[…]”

(Livro 3)

Avaliação de Desempenho de Tecnologias Construtivas Inovadoras: Conforto Ambiental, Durabilidade e Pós-Ocupação

Márcio M. Fabricio
Adriana C. Brito
Fúlvio Vittorino
(organizadores)
Segue-se link para o texto completo da obra:

Textos de apresentação retirados do Prefácio do livro,
elaborado por Luis Carlos Bonin
“Esta publicação apresenta resultados obtidos pela rede de pesquisa INOVATEC que envolveu a participação de dez instituições tecnológicas brasileiras selecionadas na Chamada Pública MCT/MCidades/Finep/Ação Transversal Saneamento Ambiental e Habitação 07/2009, Área Habitação, com o Tema Prioritário de desenvolvimento de métodos de ensaio e metodologias para avaliação de desempenho de tecnologias inovadoras no âmbito do Sistema Nacional de Avaliação Técnica de Sistemas Inovadores e Convencionais – SINAT, com ênfase em durabilidade, vida útil e custos ao longo do ciclo de vida no segmento da habitação de interesse social, bem como em estudos para identificação de gargalos e recomendação de aperfeiçoamento de normas técnicas de avaliação de desempenho de edifícios habitacionais.
Na estruturação da rede o Tema Prioritário foi desdobrado em cinco subprojetos, envolvendo a definição de critérios e métodos para a avaliação da durabilidade, do desempenho ambiental, do desempenho estrutural, da manutenibilidade e da percepção dos usuários sobre sistemas construtivos inovadores.
[...]
Mantendo o título geral Avaliação de Desempenho de Tecnologias Construtivas Inovadoras, foram publicadas três coleções de artigos, cada uma organizada a partir de um tema específico: a primeira, publicada em 2015, incluiu artigos relacionados com Manutenção e Percepção dos Usuários; a segunda, publicada em 2016, contém artigos relativos a Materiais e Sustentabilidade; a terceira, finalmente, publicada agora em 2017, reúne artigos referentes ao Conforto Ambiental, Durabilidade e Pós-Ocupação. A programação dessas publicações foi definida, de certa forma, pela conclusão das atividades dos subprojetos da rede.
[...]”
Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XIII, n.º 614
Avaliação de Desempenho de Tecnologias Construtivas Inovadoras – apresentação da Série INOVATEC da ANTAC – Infohabitar 614
Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho
abc.infohabitar@gmail.com
Editado nas instalações do Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT) do Departamento de Edifícios (DED) do LNEC; Infohabitar, Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).
Apoio à Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.



domingo, novembro 07, 2010

319 - Habitação e Arquitectura VII: a Agradabilidade Residencial - Infohabitar 319

Infohabitar, Ano VI, n.º 319
Novos comentários sobre a qualidade arquitectónica residencial
Melhor Habitação com Melhor Arquitectura VII:
a Agradabilidade Arquitectónica Residencial
Artigo de António Baptista Coelho


Nota prévia: retomando uma edição cujo último “capítulo”, sobre a capacidade arquitectónica residencial, foi editado com o n.º 318 deste Infohabitar, há apenas uma semana, publicam-se agora algumas reflexões sobre a matéria da agradabilidade arquitectónica residencial.

Introdução geralNas páginas seguintes apontam-se alguns aspectos que têm sido constante e sistematicamente ponderados, na sequência da aplicação dos conceitos ligados aos diversos rumos de qualidade arquitectónica residencial. Não se trata, assim, da sua respectiva e clarificada estruturação, mas apenas da sua ponderação cuidada, considerando os anos de prática de análise, que já decorreram desde a sua formulação inicial.

É sempre possível entrar no Infohabitar e aceder, de imediato, ao respectivo catálogo interactivo, onde uma das categorias agrupa todos os artigos dedicados à temática da Melhor Habitação com Melhor Arquitectura (no total serão cerca de 18, sendo 15 sobre as 15 qualidade qualidades consideradas, um de introdução, um de conclusão genérica e outro de conclusão sintetizada e de temas de continuidade).
Regista-se, em seguida, o plano editorial previsto no Infohabitar, que, repete-se, será, descontínuo, alternado por outras edições e realizado à medida da elaboração dos respectivos artigos (a bold os temas já editados):

Infohabitar n.º 290 - Melhor Habitação com Melhor Arquitectura I: IntroduçãoA matéria da relação e do contacto entre espaços e ambientes é tratada em termos de aspectos de:

Infohabitar n.º 291 - Melhor Habitação com Melhor Arquitectura II: Acessibilidade - facilidade na aproximação ou no trato e desenvolvimento de continuidades naturais por prolongamentos e múltiplas ligações.

Infohabitar n.º 295 - Melhor Habitação com Melhor Arquitectura III: Comunicabilidade - a qualidade daquilo que está ligado ou que tem correspondência ou contacto físico ou visual.

A matéria da caracterização adequação de espaços e ambientes é tratada em termos de aspectos de:
Infohabitar n.º 297 - Melhor Habitação com Melhor Arquitectura IV: Espaciosidade – referida, tanto aos espaços que são extensos e amplos como aos que apresentam desafogo nas suas envolventes.

Infohabitar n.º 316 - Melhor Habitação com Melhor Arquitectura V: Capacidade – que designa e qualifica o âmbito interior (dentro dos limites) ou a aptidão geral, espacial e ambiental, de qualquer elemento residencial.

Infohabitar n.º 318 - Melhor Habitação com Melhor Arquitectura VI: Funcionalidade – referida ao adequado desempenho das várias funções e actividades residenciais.

A matéria do conforto espacial e ambiental é tratada em termos de aspectos de:

Infohabitar n.º 319 - Melhor Habitação com Melhor Arquitectura VII: Agradabilidade – referida ao desenvolvimento de condições de conforto, bem-estar e comodidade, nos espaços e ambientes residenciais.

Infohabitar n.º xxx - Melhor Habitação com Melhor Arquitectura VIII: Durabilidade – qualidade do que dura muito ou, melhor, do que pode durar muito e em excelentes condições de manutenção.

Infohabitar n.º xxx - Melhor Habitação com Melhor Arquitectura IX: Segurança – o acto ou efeito de tornar seguro, prevenir perigos, (tranquilizar).

A matéria da interacção social e da expressão individual é tratada em termos de aspectos de:
Infohabitar n.º xxx - Melhor Habitação com Melhor Arquitectura X: Convivialidade – referida ao viver em comum, ao ter familiaridade e camaradagem, à entreajuda natural ou sociabilidade entre vizinhos.

Infohabitar n.º xxx - Melhor Habitação com Melhor Arquitectura XI: Privacidade – referida à intimidade e capacidade de privança oferecida por um dado espaço num dado ambiente.

A matéria da participação, identificação e regulação é tratada em termos de aspectos de:
Infohabitar n.º xxx - Melhor Habitação com Melhor Arquitectura XII: Adaptabilidade – referida à versatilidade e ao que se pode acomodar e consequentemente apropriar.
Infohabitar n.º xxx - Melhor Habitação com Melhor Arquitectura XIII: Apropriação – referida à capacidade de identificação, à acção de "tomar de propriedade", tornando próprio e a si adaptado.

A matéria do “aspecto” e da coerência espacial e ambiental é tratada em termos de aspectos de:
Infohabitar n.º xxx - Melhor Habitação com Melhor Arquitectura XIV: Atractividade - a capacidade de dinamizar e polarizar a atenção.
Infohabitar n.º xxx - Melhor Habitação com Melhor Arquitectura XV: Domesticidade – referida à expressão mais pública ou doméstica do carácter residencial.
Infohabitar n.º xxx - Melhor Habitação com Melhor Arquitectura XVI: Integração – que é a integração ou integridade de um contexto, e de uma totalidade onde não falta nem um elemento de conteúdo e de relação.




Fig. 01: capa da edição do LNEC " Qualidade Arquitectónica Residencial - Rumos e factores de análise" - ITA 8, da Livraria do LNEC, referindo-se, em seguida, o respectivo link para a Livraria do LNEC
http://livraria.lnec.pt/php/livro_ficha.php?cod_edicao=52319.php

Salienta-se ser possível aprofundar estas matérias num estudo editado pela livraria do LNEC - intitulado " Qualidade Arquitectónica Residencial - Rumos e factores de análise" - n.º 8 da colecção Informação Técnica Arquitectura, ITA 8 - que contém um desenvolvimento sistemático dos rumos e factores gerais de análise da qualidade arquitectónica residencial, que se devem constituir em objectivos de programa e que correspondem à definição de características funcionais, ambientais, sociais e de aspecto geral a satisfazer para que se atinja um elevado nível de qualidade nos espaços exteriores e interiores do habitat humano.
Sublinha-se, no entanto, que a abordagem que se continua a fazer, em seguida, às matérias da espaciosidade, enquanto qualidade arquitectónica residencial, corresponde ao revisitar do tema, passados cerca de 15 anos do seu primeiro desenvolvimento, e numa perspectiva autónoma, diversificada e muito provavelmente suplementar, relativamente a essa primeira abordagem.




Fig. 02: uma ilustração/símbolo que acompanhou o estudo original

Apresentação: a Agradabilidade Arquitectónica ResidencialA agradabilidade arquitectónica residencial refere-se à multiplicidade de condições naturais de conforto ambiental e de comodidade, responsáveis por “pontes” com matérias mais específicas responsáveis pelo desenvolvimento de meios residenciais aprazíveis e confortáveis.

1. Introdução à agradabilidade arquitectónica residencialA agradabilidade arquitectónica residencial liga-se à importância que tem o desenvolvimento de meios residenciais expressivamente aprazíveis e confortáveis, que proporcionem verdadeiro bem-estar e conforto ambiental aos habitantes, tanto nos seus espaços domésticos, como nas suas vizinhanças e nas sequências espaciais que estruturam estes espaços.
Considerar-se aqui esta ideia de “agradabilidade” arquitectónica residencial destacada da sua base de múltiplo conforto ambiental apenas quer sublinhar que as soluções técnicas ligadas a este conforto têm de basear as próprias soluções de arquitectura ou nelas estarem totalmente embebidas ou integradas.

Sobre esta matéria da relação entre concepção arquitectónica residencial e confortos (térmico, ventilação, visual/iluminação natural e artificial e acústico), há que sublinhar que apenas fará sentido actuar nestas áreas aposteriori, em termos correctivos, quando esta for a única opção possível, sendo que a regra deverá ser a de considerar todos os aspectos de conforto ambiental – luz natural e insolação/sombreamento, higrotérmica, ventilação, acústica e qualidade do ar – de forma integrada, na fase de início de concepção de todas as iniciativas associadas à promoção habitacional e ao verdadeiro habitar do espaço urbano.

De certa forma a base da concepção arquitectónica residencial, do espaço doméstico e dos mundos de vizinhança de proximidade, tem de embeber, com naturalidade e exigência essse tipo de preocupações e objectivos, e isso deverá influenciar uma provável reforma do próprio ensino superior da Arquitectura; reforma essa que deverá ser “irmã” de um (re)descobrir das bases verdadeiramente humanas do fazer dessa Arquitectura.




Fig. 03: ilustrações que acompanharam o estudo original

2. Alguns aspectos estruturadores da agradabilidadeOs aspectos referidos a uma estruturação da agradabilidade arquitectónica residencial, ou do bem-estar dos habitantes nos seus espaços domésticos e nas vizinhanças que habitam, caracterizam-se por uma grande diversidade de matérias que, tal como se acabou de apontar, se devem integrar e embeber na respectiva solução arquitectónica, mas que estabelecem pontes estratégicas com um amplo leque de especialidades, entre as quais se referem as seguintes (numa ordem aleatória):

(i) Adequação climática global: através de um urbanismo “solar”, estruturado pelos aspectos climáticos e microclimáticos do local de intervenção, numa estratégia de aplicação de densidades do edificado, proximidades entre edifícios, perfurações e organizações internas desses edifícios e aplicação de elementos de protecção e harmonização climática, seja nos edifícios, seja em espaços exteriores que se deseja possam ser intensa e longamente usados. De certa forma a arquitectura urbana, que tem de associar edifícios e exteriores citadinos, deve ser cuidadosamente pormenorizada, também, em termos de adequação climática.

(ii) Abundante iluminação natural e insolação estratégica e controlada: pela qualificação e orientação favorável de diversos espaços e compartimentos, bem como pela sua protecção relativamente a luz e sol excessivos, através de elementos específicos e controláveis; no exterior há questões de proximidade e difusão. No que se refere à iluminação artificial ela liga-se a outros tipos de aspectos de concepção, aqui não abordados, mas aproveita-se para sublinhar a sua grande importância em termos conceptuais, visando-se a satisfação doméstica e residencial aprofundadas, bem como aspectos hoje essenciais de funcionalidade e segurança – e não será execessivo apontar a grande relação que importa estabelecer entre iluminação artificial e natural e, também, a essencial relação entre elas e os zonamentos funcionais residenciais.

(iii) Sentido de abertura paisagística: a questão de poder haver uma abertura paisagística adequada tem a ver com condições mínimas de um certo sentido de abertura, ainda que sendo uma abertura a uma paisagem de vizinhança de grande proximidade e amigabilidade.

(iv) Bem estar geral e saúde: descanso/descontracção, cor e aspectos psicológicos da cor , eventual toxicidade dos diversos elementos e materiais usados nos acabamentos domésticos e residenciais.

(v) Adequação, conforto e isolamento sonoro: da estratégia urbana, à edificada e à da organização do fogo e aos aspectos construtivos.

(vi) Circulação do ar/ventilação constante e adequada: da estratégia urbana, à edificada e à da organização do fogo e aos aspectos construtivos.

(vii) Conforto higrotérmico, temperatura dentro dos parâmetros de conforto: afectação de espaços exteriores e disposição de vãos e compartimentos específicos.

(viii) Conforto ergonómico básico: antropometria, ergonomia e funcionalidade.

(ix) Contacto com elementos naturais e designadamente com plantas e árvores: aspectos de apropriação, estímulo, segurança, etc.

(x) Aproveitamento da energia solar passiva: relações entre edifícios e orientação.

(xi) Aproveitamento de outros recursos naturais do local de implantação, por exemplo, em termos de sombreamento, ventos dominantes e brisas, vegetação, água, vistas, etc.

(xii) Desenvolvimento de ambientes interiores e exteriores fáceis e agradáveis de usar, ergonómicos e estimulantes: afinal, será sempre bem diferente um espaço residencial provado ou público simplesmente funcional de um outro extremamente bem concebido nos seus aspectos funcionais pormenorizados e de relação mútua entre elementos distintos, e boa parte de um bom projecto estará sempre nesse “suplemento” de agradabilidade e estímulo no uso, que se pode designar de funcionalidade acrescida ou então chamar-se criatividade ou ainda uma outra designação – e não tenhamos dúvidas de que esta matéria também questiona as questões básicas da funcionalidade restrita/restritiva.




Fig. 04

3. A agradabilidade, da habitação, à vizinhança e ao bairro
O conceito de agradabilidade residencial pretende sintetizar o desenvolvimento de diversas condições de conforto ambiental e de bem estar material, comodidade e prazer ou agrado nos diversos espaços e ambientes residenciais.

Trata-se de desenvolver arquitecturas residenciais harmonizadas com as diversas condições de conforto ambiental mais consolidadas (térmico-higrométrico e de insolação/sombreamento, acústico, de ventilação e de iluminação natural e artificial) e, na medida e na escala próprias, integrando, ainda, preocupações de higiene, pureza do ar e até aspectos determinantes na área da ergonomia. De forma geral, podemos referir que terão aqui lugar o eco-urbanismo e a eco-arquitectura.

Este parece ser, por um lado, um objectivo óbvio, mas parece não o ser na medida em que são muito raros os exemplos práticos da sua concretização, e, por outro lado, é, sem dúvida, um objectivo primordial quando se quer atingir uma adequada satisfação de quem habita

4. Estratégias de agradabilidadeSão as matérias indicadas nos 12 aspectos de estruturação atrás apontados. De certa forma podemos considerar aqueles caminhos como estratégias de aprofundamento e desenvolvimento da agradabilidade doméstica e residencial (vizinhanças domésticas) de uma dada solução.

4.1. A agradabilidade arquitectónica residencial ao nível urbano: um mundo de relações que é, afinal, matéria de base da concepção
Pensar a agradabilidade urbana e residencial ao nível urbano é matéria que, por si só, merece vaários livros, pois trata-se de abordar a cidade e a micro-cidade numa perspectiva de zonas sombreadas e insoladas, corredores de ventilação, zonas húmidas que importa sanear, zonas ventosas que há que proteger e zonas abrigadas e estrategicamente “climatizadas” que podem devem constituir uma verdadeira espinha dorsal, seja das principais acessibilidades pedonais na zona em estudo, seja das suas principais ruas, ruelas e pracetas onde se pretende que ocorra uma estadia intensa e ariculada com variadas actividades.

No entanto, se as preocupações com a relação forte entre espaço doméstico e natureza são ainda matéria de discussão, o que dizer quando tais preocupações se estendem, como tem de ser, ao espaço urbano das vizinhanças residenciais? O panorama de estudos e de elementos concretos aplicáveis é ainda muito desolador, e no entanto trata-se, afinal, de uma matéria muito provavelmente vital para a garantia da vitalização urbana e habitada de muitos espaços citadinos, pois não tenhamos dúvidas que ninguém permanece em zonas desabrigadas, desconfortáveis e inóspitas, e o peão, elemento imprescindível da vitalização e humanização urbanas está inteiramente dependente da definição de continuidades urbanas e residenciais agradáveis ao longo de todo o ano e o mais possível ao longo de todo o dia, e se essas boas condições não existirem não vai andar a pé e não vai vitalizar a sua vizinhança e o seu bairro.

4.2. A agradabilidade nos espaços públicos versus a agradabilidade nos espaços edificadosNaturalmente a agradabilidade é relacional, exterior e interior, afecta a fruição dos espaços públicos ao ar-livre, bem como o interior dos edifícios e das habitações, não esquecendo as vitais zonas de relação entre interior e exterior, que são frequentemente essenciais, por exemplo, para boas condições de iluminação natural, ventilação e temperatura nos espaços mais interiorizados (ex. espaço comum com triplo pé-direito dos edifícios da Caselcoop, do Arq.º Justino de Morais).

Hoje em dia domina-se bem o conforto no interior do edificado, embora tal conhecimento não seja aplicado como regra e começamos a estudar o conforto no exterior público, embora aí seja crítica a falta de elementos de enquadramento das diversas variáveis de conforto para desenvolvimento de uma adequada concepção arquitectónica – e nesta matéria considera-se urgente a recuperação e “tradução” arquitectónica dos fundamentais trabalhos sobre insolação/sombreamento de Cavaleiro e Silva e João Malato, editados no LNEC já nos anos 70 do século passado.

4.3. A agradabilidade nos espaços públicosFazer habitação não se pode limitar ao espaço que fica da soleira da porta de entrada para dentro, sendo essenciais as condições de habitabilidade e de conforto proporcionadas pelo sítio onde habitamos, e nas quais se destacam:
. quer a máxima protecção relativamente às diversas fontes de poluição, incluíndo as fontes de ruído, e aos perigos e incómodos associados à circulação de veículos motorizados;
. quer a existência de espaços exteriores e equipamentos que sejam verdadeiramente convidativos para uma intensa estadia no exterior em actividades de lazer, recreio e convívio, num contacto estimulante com a natureza e num meio especialmente amigável para crianças e idosos.

Afastar dos ruídos incómodos e criar santuários de sossego residencial, abrigar dos ventos e proporcionar zonas de estadia com brisas frescas, sombrear e insolar nas estações certas, distribuir a luz durante todo o dia de uma forma agradável e estratégica, evitar ou reduzir a contaminação do ar na proximidade de residências, proporcionar adequadas condições de limpeza do espaço público e conceber espaços públicos globalmente ergonómicos são preocupações que têm componentes especializadas e outras que devem ser passadas sob a forma de ferramentas práticas para aplicação no projecto.

E em tudo isto é fundamental o relativo protagonismo da vegetação nas suas diversas formas.

Os jardins e os espaços ajardinados na envolvente da habitação proporcionam satisfação, bem-estar e inúmeras vantagens para a saúde física e psíquica, sendo a introdução do verde a única solução capaz de recuperar e humanizar muitos dos nossos espaços urbanos e residenciais. Os jardins urbanos proporcionam emoções únicas e a relação com a natureza é essencial para o bem-estar humano.

Bons espaços para peões, agradáveis e seguros, envolvendo a habitação, são fundamentais para a saúde das pessoas mais sensíveis, para o crescimento das crianças e para o lazer dos idosos, motivando o uso intenso do exterior, com vantagens: directas para a saúde física e psíquica dos habitantes; e indirectas por aumento da animação, do convívio e, consequentemente, da segurança. E o nosso clima permite, durante grande parte do ano, longas permanências no exterior.

A temática do equilíbrio paisagístico e ambiental e da cuidada naturalização do espaço urbano tem toda a ligação com a que acabámos de apontar, mas configura aspectos específicos e urgentes. Um destes aspectos tem a ver com a importância do desenvolvimento do verde urbano e designadamente da plantação de árvores como factor de redução do CO2 – e a propósito refere-se que uma árvore consome, em média, ao longo da sua vida, uma tonelada de CO2. Mas além desta vantagem as árvores urbanas são excelentes aliados de uma ampla sustentabilidade pois, tal como é referido pela London Tree Officers Association (LTOA) têm múltiplas vantagens:
. Nas áreas da saúde e do bem-estar as árvores “reduzem o risco de cancro na pele, os níveis de stress e de doença e os níveis de ruído e de poeiras”; e quando envelhecem “proporcionam carácter e sentido de lugar e de permanência”.
. Em termos de influência no clima local: “as árvores absorvem dióxido de carbono, produzem oxigénio, filtram, absorvem e reduzem os gases poluidores, suavizam temperaturas, e reduzem o risco de enxurradas” (retendo a água da chuva).
. Em termos aspectos sociais e ambientais: as árvores proporcionam amenidade, valia estética e continuidade histórica; marcam a mudança das estações; e são fundamentais no apoio a uma biodiversidade que é também verdadeiro espectáculo biológico.
. No que se refere a vantagens várias ... : “as árvores fazem aumentar o valor de propriedades residenciais e comerciais entre 5% e 18% e o valor do terreno não infraestruturado até cerca de 27%” (referências londrinas); “quando plantadas estrategicamente reduzem custos de aquecimento e arrefecimento dos edifícios”; e proporcionam fonte sustentada de “composto”.

4.4. A agradabilidade na vizinhança de proximidade e na relação desta com os edifícios
Boas condições de conforto na vizinhança valem por si próprias, no estímulo que exercem para na estadia no exterior e em tudo o que lhe está associado, bem como na influência já referida sobre boas condições de conforto no interior dos edifícios.

As cidades não são, hoje em dia, por natureza, sustentáveis, designadamente, em termos ambientais. Mas se quisermos avançar nesta matéria há que tentar tudo fazer para se reduzirem as influências ambientalmente negativas das cidades e para o fazer há que privilegiar, sistematicamente, intervenções integradas e consistentes, designadamente, nos seguintes tipos de aspectos:
. estruturar o novo espaço urbano tendo em conta a geometria da insolação em edifícios e espaços públicos;
. ter em conta o conforto acústico e a protecção acústica;
. maximizar a permeabilidade dos espaços exteriores relativamente à água das chuvas;
. desenvolver o aproveitamento local maximizado do ciclo da água ;
. considerar um verdadeiro e positivo verde urbano;
. fomentar os usos pedonais funcionais e recreativos;
. apoiar o uso de bicicletas e outros meios de acessibilidade amigos do ambiente;
. dinamizar o convívio vicinal;
. estimular o uso de transportes públicos;
. e considerar as características de composição e de reutilização dos materiais usados nos espaços exteriores, favorecendo aqueles que sejam mais amigos do ambiente.

O principal fio condutor deste conjunto de objectivos deve ser um verdadeiro protagonismo do espaço público e da imagem urbana,

4.5. A agradabilidade nos espaços edificadosAo nível do espaço edificado as estratégias e sistemas de isolamento acústico mútuo e de ventilação, a geometria da insolação e iluminação natural, as técnicas de isolamento térmico e a pormenorização ergonómica estratégica de certos elementos (ex. escadas) são já bastante conhecidas, embora também pouco traduzidas em termos de ferramentas de apoio ao projecto e raramente aplicadas, até em aspectos que correspondem a simples soluções de boa consciência e de boa prática, como é o caso de um desenho específico de vãos considerando as suas várias funções e designadamente a ventilação. Note-se, ainda, que o que se aplica tem, frequentemente, razão regulamentar (ex. térmica).
É fundamental considerar outros aspectos, além dos ambientais, quando o objectivo é o desenvolvimento de partes de cidade mais humanizadas e sustentáveis. Temos um excelente paralelismo para esta ideia na definição que Claire e Michel Duplay deram de “franja do Edifício: a zona que o envolve desde o solo, à cobertura, passando pela fachada e o “lugar de expressão construtiva, de adaptação climática e de refúgio do imaginário" (1) - as matérias do ambiente constituem, aqui, e, globalmente, na concepção arquitectónica, directa e indirectamente, talvez, cerca de um terço da totalidade da matéria, que se desenvolve, igualmente, pela “expressão construtiva” e pelo “refúgio do imaginário”, igualmente matérias-base da Arquitectura.




Fig. 05

5. A agradabilidade nas habitações
O bem-estar na habitação depende quer de boas condições de conforto ambiental, associadas, designadamente, à redução do "stress", quer de uma espaciosidade tolerante relativamente a diversos usos.

O conforto é garantido pelo sossego – por boa organização doméstica e isolamento sonoro –, por adequada iluminação natural e artificial, por boa orientação solar e adequação climática no Inverno e no Verão, pela existência de vistas agradáveis sobre a envolvente, pela facilidade de limpeza e pela qualidade dos materiais.

O bem-estar doméstico deve ser servido por uma espaciosidade e organização adequadas, que garantam a privacidade e a capacidade de apropriação no uso da habitação, e que tenham em conta, especificamente, a agradabilidade e a segurança, num sentido amplo de profundo bem-estar, de crianças, idosos e doentes, pois espaços que respeitem as condições genéricas de movimentação, concentração e percepção de pessoas com diversos problemas ou deficiências nessas áreas, serão excelentes espaços para o habitante/utente comum.

Visando-se o bem-estar dos habitantes mais sensíveis há que privilegiar na habitação: níveis melhorados de espaciosidade e de conforto térmico, uma organização interna e acabamentos que proporcionem uma boa percepção espacial, cuidados acrescidos de sanidade ambiental e de funcionalidade nas lides domésticas e no uso corrente de equipamentos, fácil controlo das condições de temperatura e de ventilação, condições acrescidas de sossego acústico, de insolação e de vistas, forte penetração da luz natural no interior doméstico, e, finalmente, condições acrescidas de segurança e de comunicações de emergência no uso normal e em relação a visitantes e a intrusões.

Estas condições que favorecem o bem-estar doméstico de crianças, idosos e doentes são igualmente favoráveis para uma vivência mais versátil do utilizador corrente, o que é excelente quando se visa a maior adequação a diversos modos de habitar.

A existência, na habitação, de condições funcionais, de conforto ambiental (temperatura, luz natural, sossego) e de espaciosidade melhoradas são aspectos que determinam a redução dos acidentes domésticos (e por exemplo, o excesso de ocupação aumenta o risco de acidentes).

Para o apoio de adequadas condições de saúde é essencial que o descanso e o sono sejam bem apoiados nas nossas casas.

É também importante ter em conta os aspectos específicos de conforto ambiental de cada localização regional e as condições específicas de conforto dos espaços exteriores domésticos.

O conforto térmico é essencial para o bem-estar no interior do edifício, está ligado à adequada exposição solar, ao sombreamento das janelas habitacionais e à eficácia do isolamento e da ventilação do respectivo espaço interior. E há uma relação directa entre a mortalidade nas alturas do ano mais frias e mais quentes e os grupos sociais mais vulneráveis a tais condições - uma vulnerabilidade crítica quando habitações desconfortáveis são habitadas por pessoas com reduzidos meios económicos.

Uma boa capacidade de ventilação natural, com janelas feitas com essa finalidade e com dispositivos próprios de ventilação permanente é importante, quer para o melhor conforto de Verão, quer para uma boa qualidade do ar interior com um mínimo de elementos contaminantes, destacando-se a importância da ventilação “cruzada”, atravessando muitas zonas da habitação, entre duas paredes exteriores opostas.

Um problema directamente ligado com a ventilação e muito negativo para a saúde é a existência de habitações húmidas, propícias ao crescimento de fungos e bolores e à infestação por alguns insectos. A humidade excessiva liga-se, quer a problemas na organização e pormenorização doméstica, quer a problemas de condensação, frequentemente associados a condições de pobreza, pois acontecem, regularmente, em habitações mal aquecidas, mal isoladas, mal ventiladas e sombrias.

Entre as principais causas de insatisfação com a habitação salienta-se, frequentemente, a insuficiência de luz natural e a falta de insolação. É, assim, fundamental prever boas janelas, que integrem dispositivos de ventilação, e é necessário ter em conta que a orientação Sul é muito favorável, a orientação Norte é excelente no Verão mas negativa no Inverno, e as orientações Nascente e Poente são especialmente desfavoráveis no Verão; havendo aqui que harmonizar a orientação dos diversos espaços domésticos.

Globalmente é de evitar, a todo o custo, a exposição unilateral de uma habitação -. portanto uma habitação apenas com uma parede exterior - e importa favorecer as soluções interiores que façam a luz natural e a radiação solar penetrar ao máximo na habitação, com a reflexão da luz natural no interior através de cores claras; condições estas que proporcionam um melhor equilíbrio fisiológico e uma positiva ligação ao mundo exterior. E atenção que a clausura e o silêncio, quando indesejadas, podem perturbar tanto como a devassidão visual e o ruído.

As janelas da habitação devem proporcionar boas condições de iluminação, arejamento e vistas exteriores, integrando soluções que permitam a penetração da radiação solar no Inverno, impedindo-a no Verão, de acordo com a respectiva orientação.

É essencial considerar as influências críticas do ruído no sono, no sossego, na privacidade e na concentração (por exemplo, necessária ao trabalho e ao estudo); o que sublinha a importância dos cuidados a ter, quer em soluções de isolamento do ruído, quer na disposição e organização relativa dos diversos compartimentos e respectivas vizinhanças.

Salienta-se, ainda, que no interior habitacional é muito importante para a saúde o contacto com a natureza e com o espaço público, bem como a mudança da luz natural ao longo das horas do dia. Sol, ar fresco e plantas verdes proporcionam impressões favoráveis tanto em períodos de actividade criadora como de repouso. E mesmo os habitantes que usam pouco os espaços exteriores, apreciam as suas vistas, a proximidade com zonas verdes e a possibilidade de poderem usar exteriores privados (como quintais, varandas e terraços).




Fig. 06

6. Carácter e importância específica da agradabilidadeA agradabilidade arquitectónica e residencial é uma qualidade residencial que se refere, essencialmente, ao desenvolvimento de condições de conforto, bem estar material, consolação (consolo), comodidade e prazer ou agrado nos diversos espaços e ambientes residenciais.

Com esta qualidade pretende-se suscitar a "inclinação" ou o prazer tanto por um certo espaço ou ambiente específicos, como idênticos sentimentos referidos à globalidade de cada nível físico residencial e mesmo a toda a área residencial ou conjunto coerente de habitações.

A agradabilidade é a qualidade do que é aprazível, do que causa deleite e delícia, do que proporciona prazer íntimo, do que dá gosto e até recreia, diverte e alegra.

Da matéria específica que trata a agradabilidade arquitectónica residencial, importa para já realçar que nem se refere apenas a aspectos de conforto ambiental, nem lhes é de modo algum alheio; assim, esta qualidade tem importantíssimas "pontes" de contacto com características de insolação, luminosidade, efeitos acústicos, harmonia higro-térmica e ventilação, mas não se esgota nestas características que são, afinal, campos específicos dos extensos estudos de conforto ambiental, nas suas diversas parcelas científicas.

Os variados campos da agradabilidade residencial prendem-se, essencialmente, tanto com as relações entre conforto ambiental e outras qualidades arquitectónicas residenciais, tais como a funcionalidade, a capacidade, a privacidade e a acessibilidade (para citar apenas talvez as mais evidentes), como com aspectos de ordem psicológica (ex., conteúdos psicológicos das cores) e sociológicos ou de modo de vida (ex., tradição/hábito de usar o exterior).

7. Notas de reflexão e para desenvolvimento sobre a agradabilidade arquitectónica residencialEm termos de reflexão geral apuram-se, para já, os seguintes aspectos.

A agradabilidade, ao sintetizar todo um leque de variáveis físicas específicas e objectivas relacionadas com o conforto ambiental e o bem-estar físico, pretende constituir-se numa ponte de passagem e interpretação de toda essa informação especializada para a prática de uma arquitectura urbana e residencial corrente, mais informada e ambientalmente fundamentada.

Esta natureza da agradabilidade configura um rumo qualitativo objectivo e de primeira linha, não sendo de admirar que as referências críticas dos moradores sejam frequentemente dirigidas para os aspectos de ausência de conforto ambiental.

Em termos dos desenvolvimentos considerados mais interessantes nestas matérias da agradabilidade urbana e residencial, salientam-se os seguintes temas de estudo.

Fazer uma arquitectura urbana e edificada com sensibilidade ao conforto ambiental e ao bem-estar, aspectos estes que, frequentemente, resultam de poderosas conjugações entre características arquitectónicas do edifício e da sua vizinhança próxima, deveria ser uma condição subjacente a qualquer acto de concepção arquitectónica, mas é, ainda, difícil uma tal opção devido, por vezes, à ausência de pontes técnicas clarificadas e fáceis de aplicar entre as diversas especialidades e o projecto de arquitectura (quase só em edifícios especiais), mas há que construir tais pontes urgentemente e, entretanto, agir com bom senso, ponderando exigentemente estes factores e divulgando-os de forma apelativa.

Afinal e como referiram Nuno Portas e Gonçalo Byrne, num evento sobre Arquitectura e sustentabilidade, as questões da sustentabilidade começam no território, antes da Arquitectura, o edifício tem autonomia, mas há sempre a estratégia urbana e paisagística. E os mesmos autores concordaram, então, na importância da exequibilidade de uma sustentabilidade arquitectónica que não seja excessivamente ambiental, por ser também social e económica e marcada por uma urbanidade ampla, não limitada aos centros das cidades e uma sustentabilidade arquitectónica em que a expressiva maioria dos aspectos projectuais a ter em conta se referem aos factores de localização e orientação, sucedendo-se, numa sequencial redução de importância, os aspectos ligados ao aproveitamento e controlo de energias passivas e, finalmente, numa escala mais reduzida os designados sistemas activos.

Uma casa deve ser termicamente equilibrada – fresca no Verão e cálida no Inverno – e isto foi possível, desde há muitos anos, através de uma construção bem desenvolvida em termos de uma adequada orientação solar, de uma cuidada pormenorização, e de uma construção que isola e proporciona uma ventilação estratégica; afinal objectivos que desde há milhares de anos estão connosco, só que, muitas vezes, esquecidos.

Os cuidados de boa orientação solar e de boa ventilação marcaram, desde sempre, a Arquitectura, e o desenvolvimento de uma construção adequada tem encontrado, nos últimos anos, um leque cada vez maior e mais versátil de soluções, que proporcionam máximas condições de isolamento com um mínimo de ocupação espacial e uma maximização da facilidade da construção, condições estas que também têm caracterizado, por exemplo, quer os vãos domésticos, em que, cada vez mais é possível aliar o máximo de luz a um máximo de condições de controlo da luz e de outros aspectos associáveis, quer as diversas instalações associadas a aspectos de conforto e de funcionalidade. Mas é salutar ter presente que há milhares de anos já se praticavam estes objectivos de bem-viver a casa, embora, frequentemente, para poucos (os mais favorecidos).

Se avançarmos nas áreas do consumo de energia e de água as lições são idênticas, pois é igualmente salutar lembrar que desde há milhares de anos se usa a força do vento e dos cursos de água para múltiplos fins; isto apenas para dar um exemplo. É evidente que a escala das necessidades aumentou de forma quase incontrolável, mas é importante termos presente que deixámos de usar, por exemplo, moinhos eólicos para regar hortas, há poucas dezenas de anos, e na mesma altura deixámos de usar fogões a lenha, e, nas cidades, reconvertemos muitas linhas de eléctricos a autocarros, enquanto inventámos regulamentos que dão, em princípio, mais luz natural às habitações, mas tornam as ruas menos abrigadas do sol, do vento e da chuva; e hoje em dia, talvez possamos vir a recuperar algumas dessas soluções, designadamente, no que se refere a uma estratégica densificação urbana.

Se tentarmos discriminar, sinteticamente, as principais facetas de um amplo leque de matérias ligadas a uma verdadeira sustentabilidade residencial com reflexos nas áreas da Arquitectura teremos aspectos de: integração paisagística; redução do consumo de recursos não renováveis; equilibrada densificação urbana; adequada luz natural e insolação no interior dos edifícios (e não esqueçamos o contributo da boa luz natural para a satisfação com o habitar); eficácia do isolamento térmico e da ventilação natural; adequado isolamento acústico (e não esqueçamos o contributo da falta de isolamento acústico para as más relações entre vizinhos); e disponibilização de um leque de materiais, acabamentos e instalações amigos da saúde humana e do ambiente.

Nestas matérias é ainda muito importante que certos aspectos sejam objecto de um máximo esclarecimento em termos dos equilíbrios ou desequilíbrios custo-benefício que certas soluções proporcionam, contabilizando-se os benefícios numa perspectiva verdadeira e portanto ampla (ex., benefícios físicos e piscológicos da luz natural e da relação com a natureza) – e é fundamental apontar que, muito provavelmente, um bom isolamento térmico e acústico caracterizando uma habitação bem orientada relativamente ao Sol e com muita luz natural caracteriza uma solução muito mais positiva e “sustentável” do que outra sem essas características, mas “compensada” pelos mais variados gadgets mais ou menos tecnológicos.

Notas:(1) Claire e Michel Duplay, "Methode Ilustrée de Création Architecturale", pp. 138, 139 e 143.

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Infohabitar a Revista do Grupo Habitar
Editor: António Baptista Coelho
Edição de José Baptista Coelho
Lisboa, Encarnação - Olivais Norte
Infohabitar n.º 319, 07 de Novembro de 2010