segunda-feira, novembro 06, 2017

Arrumações e máquinas domésticas: da adequação à inovação - Infohabitar 617


 Infohabitar, Ano XIII, n.º 617

Inovar na arrumação doméstica – 5 artigos sobre o tema e um novo texto

por António Baptista Coelho

No início de setembro de 2017 a Infohabitar retomou as suas edições regulares, através da edição de um novo artigo em cada semana, logo à segunda-feira, aproveitando-se para, mais uma vez, enviar um amigável desafio aos leitores no sentido de poderem enviar para o editor (mail referido no final do artigo) propostas de artigos para edição (a enviar para abc@lnec.pt).

Considerando que, durante um número muito significativo de semanas a Infohabitar editou artigos integrados no âmbito da série designada “Habitar e Viver Melhor”, lembrámo-nos de proporcionar uma desenvolvida e comentada revisão desta matéria, antes de prosseguirmos na edição desta série; uma revisão que inclui, sublinha-se, sistematicamente, novos textos de síntese de comentário sobre cada uma das matérias específicas tratadas em cada edição.

Neste sentido e neste artigo apresentam-se, em seguida, os títulos interactivos dos artigos da série “Habitar e Viver Melhor”, que abordam as temáticas do interior da habitação e, designadamente, de uma adequada inovação nos espaços de arrumação e instalação de máquinas domésticas, aproveitando-se para acrescentar, no final do artigo, uma nova nota de reflexão sobres estas matérias; e salienta-se que todos os artigos qui editados, desde início de Setembro de 2017, integram, logo a seguir à listagem interactiva dos artigos, novos textos de reflexão sobre a envolvente habitacional, as novas tipologias residenciais, a estrututação dos respectivos edifícios e a organização e estruturação habitacional.

Em próximos artigos iremos continuar a disponibilizar reflexões sobre os diversos tipos de espaços habitacionais e domésticos, mais comuns, ou mais privados e personalizados, que integram e caracterizam cada fogo/habitação, através de artigos nunca editados.

Lembra-se que bastará ao leitor “clicar” no título do artigo que lhe interessa para o poder consultar.

Lembra-se, ainda, que por motivos totalmente alheios à Infohabitar, que muito lamentamos e que já apontámos, na Infohabitar, a maior parte dos artigos desta série editorial não conta, neste momento, com as respectivas ilustrações; estando, no entanto, disponíveis todos os seus textos, que se caracterizam por expressiva autonomia relativamente às referidas imagens; em tempo procuraremos ir repondo as referidas ilustrações, agora através de uma ferramenta integrada no próprio processo editorial do nosso blog/revista.

Finalmente regista-se que o processo editorial da Infohabitar, revista ligada à ação da GHabitar - Associação Portuguesa de Promoção da Qualidade Habitacional (GHabitar APPQH) – associação que tem a sede na Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE) –, voltou a estar, desde o princípio de setembro de 2017, em boa parte, sedeado no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e nos seus Departamento de Edifícios e Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT); aproveitando-se para se agradecer todos os essenciais apoios disponibilizados por estas entidades.

São os seguintes os cinco (5) artigos disponibilizados sobre o tema “inovar na arrumação doméstica:

Arrumação domésticas: aspetos gerais

Versatilidade da arrumação doméstica

As máquinas domésticas

Arrumações domésticas: aspetos inovadores

Lavandaria doméstica


Sobre as temáticas associadas e associáveis à matéria geral do interior da habitação e, designadamente, sobre a matéria específica associada às arrumações e máquinas domésticas, sua adequação e inovação uma primeira reflexão está associada ao “partido” que pode/deve ser seguido quando se desenvolve a capacidade doméstica nos seus aspectos ligados às necessidades de arrumação e de integração de máquina domésticas; e, desde já, se sugere que esse “partido” deva privilegiar o subjugar das respectivas funcionalidades, em termos visuais e de expressão/presença na habitação, a uma caracterização dos respectivos espaços e pormenores como sítios de habitar de uma pessoa e/ou de uma família, bem humanizados, marcados por um sentido de habitar “não maquinal” e por variados aspectos associáveis à identidade desses locais/elementos e à sua expressiva apropriação como espaços “únicos”, verdadeiramente amigáveis, envolventes, aprazíveis e veículos da identidade de cada um de nós e dos nossos agregados familiares.


Esta atitude ou opção não significa que não possamos optar por uma arquitectura de interiores fortemente minimalista e racionalizada, e eventualmente pontuada por algumas elaboradas peças de mobiliário e por peças/máquinas domésticas marcadas igualmente por idêntico minimalismo ou racionalismo, sendo esta uma entre múltiplas opções possíveis, mas sendo aqui este carácter “limpo” ou racional tomado como uma forma específica e própria de se entender e viver a referida “domesticidade”, e sendo esta uma opção totalmente distinta de intervenções em que espaços e elementos de arrumação e soluções de integração de máquinas domésticas são, claramente, desenvolvidos como elementos “colados”, suplementarmente, aos respectivos espaços domésticos, sem um mínimo de cuidados de boa integração, visual e até por vezes funcional, e bem longe de serem considerados como elementos verdadeiramente integradores da respectiva proposta arquitectónica.

Um outro aspecto, ou um outro novelo de aspectos, liga-se à(s) natureza(s) da “arrumação” e da capacidade de arrumação, sendo importante considerar que ela se deve subdividir e disseminar, estrategicamente, pela habitação e, depois e também estrategicamente em cada compartimento e espaço específico habitacional; uma matéria que tem sido, longamente, desenvolvida por muitos estudos funcionais.

É, no entanto, oportuno ter bem em conta a estruturação da arrumação doméstica em quatro grandes categorias, que são, em seguida, relembradas:

(i) A capacidade de mobilar os diversos compartimentos e espaços, associada, designadamente, à expressiva disponibilização de paredes para encostar mobiliário, mas também associada a questões de dimensionamentos versáteis, que proporcionem, por exemplo, mobilar e circular, e ainda associada a adequadas relações geométricas entre paredes e vãos de janela e de porta, proporcionando a sua manobra mas também a boa integração de mobiliário (ex., aproveitando bem os cantos dos compartimentos).

(ii) A capacidade para arrumações “especializadas” em equipamentos domésticos específicos como são os roupeiros embutidos e os armários fixos, equipando, designadamente, quartos, cozinhas e casas de banho; trata-se, na prática, de uma espécie de “mobiliário fixo”, sendo, por isso importante considerar, adequadamente, a sua capacidade e versatilidade de associação com elementos de mobiliário escolhidos pelos habitantes e que devem poder marcar a apropriação e identificação de todos os espaços da habitação; e esta categoria de arrumação doméstica leva-nos longe nas suas subcategorias mais ligadas às cozinhas e à tradicional despensa de apoio à cozinha, aos quartos, aos corredores, etc.

(iii) A capacidade para a boa integração de um expressivo leque de maquinarias domésticas, habitualmente instaladas em forte integração com os armários de cozinha, mas que poderão ser, também, em parte, instaladas, positivamente, em outros espaços da habitação, como acontece com as máquinas associadas ao tratamento de roupas, que poderão ser eventualmente integradas em espaços próprios de lavandaria ou mesmo em armários de grandes casas de banho, com a vantagem no sentido de se separarem estas funções das de preparação de refeições.

(iv) E ainda a capacidade de arrumação geral doméstica, por sua vez repartível no apoio ao interior ou ao exterior da habitação; uma capacidade que pode ter expressiva diversidade e especialidades.

De uma forma geral há que sublinhar a grande importância da boa disponibilização de uma boa capacidade de arrumação para a boa vivência funcional e ambiental do conjunto dos espaços da habitação, municiando as diversas funções domésticas, em cada sítio, com os respectivos apoios funcionais e libertando os espaços domésticos para a sua adequada e variada fruição de uma forma “solta” da convivência com uma enorme quantidade de elementos e objectos que vamos acumulando, praticamente de forma involuntária nas nossas habitações.

Estas matérias evidenciam a importância da versatilidade da arrumação doméstica, sendo que uma tal versatilidade deve ser sempre marcada por uma expressiva ergonomia nos seus aspectos mais gerais e de pormenor.

De certa forma e mesmo que se defenda uma vida doméstica o mais possível racionalizada e liberta de muitos objectos e elementos acessórios há que ter em conta que eles vão existir, uns mais necessários e outros menos, e que, à medida que envelhecermos iremos juntar mais outros elementos desses vários tipos e se não existir capacidade de arrumação e mesmo potencial para um gradual aumento dessa capacidade tenderemos, frequentemente, para espaços domésticos excessivamente preenchidos e consequentemente pouco funcionais e mesmo difíceis de habitar e harmonizar, designadamente, com situações em que os habitantes tenham dificuldades de movimentação e de manuseio.

Chegámos, assim, a uma matéria que exige abordagem específica e que corresponde às características espaciais e funcionais domésticas mais adequadas para pessoas idosas ou condicionadas na sua movimentação; uma matéria que encontra na capacidade de arrumação doméstica um tema crítico: seja pela importância que tem um ambiente doméstico bem arrumado e desafogado para a boa vivência de pessoas com tais condicionalismos; seja porque estes habitantes têm exigências específicas no manusear dos mais diversos elementos de arrumação (ex., alturas para aceder a prateleiras e usar máquinas), e dos associados planos de trabalho (ex., bancadas de cozinha e de casa de banho); seja porque podem existir necessidades específicas para mobilar compartimentos e outros espaços domésticos (ex., camas articuladas). E em tudo isto importa considerar que uma adequada funcionalidade para pessoas com movimentação condicionada corresponde, por regra, a uma excelente funcionalidade para todos.

Finalmente faz-se uma nota específica para a necessidade de se harmonizar toda esta desejavelmente excelente, diversificada e versátil capacidade de arrumação doméstica, com uma igualmente excelente capacidade de apropriação doméstica, um equilíbrio que pode ter múltiplas respostas (ex., casos-limite de grandes extensões de parede falsa que na prática correspondem a longas baterias de armários altos, visualmente escondidos), mas que, na prática não deve obrigar, a partir de opções formais muito expressivas, a leques apertados de opções formais em termos de mobiliário e elementos de decoração a escolher pelos moradores; defendendo-se, assim, um partido neutral e muito sóbrio nas escolhas arquitectónicas associadas a elementos de “mobiliário fixo”, ou, opcionalmente, à escolha dos habitantes entre um dado leque de opções apresentadas pelo projectista; e, sempre, uma adequada e ampla disponibilização de “boas paredes” potencialmente mobiláveis e apropriáveis.

e a estas matérias relativas às arrumações, apropriações e máquinas domésticas, voltaremos (mas nos artigos acima disponibilizados encontrarão, desde já, um amplo conjunto de reflexões).

Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XIII, n.º 617
Inovar na arrumação doméstica – 5 artigos sobre o tema e um novo texto
Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho
abc.infohabitar@gmail.com
Editado nas instalações do Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT) do Departamento de Edifícios (DED) do LNEC; Infohabitar, Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).
Apoio à Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.

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