quarta-feira, março 22, 2023

Importância da adaptabilidade na habitação para idosos – versão de trabalho e base documental – Infohabitar # 852

Ligação direta (clicar no link seguinte ou copiar para site de busca) para aceder à listagem interativa de 840 Artigos editados na Infohabitar – edição de janeiro de 2022 com links revistos em junho de 2022 (38 temas e mais de 100 autores):

https://docs.google.com/document/d/1WzJ3LfAmy4a7FRWMw5jFYJ9tjsuR4ll8/edit?usp=sharing&ouid=105588198309185023560&rtpof=true&sd=true


Importância da adaptabilidade na habitação para idosos – versão de trabalho e base documental – Infohabitar # 852

Artigo XXIX da série editorial da Infohabitar “PHAI3C – Programa de Habitação Adaptável e Intergeracional através de uma Cooperativa a Custo Controlado

Infohabitar, Ano XIX, n.º 852

Edição: quarta-feira, 22 de março de 2023

 

Caros leitores da Infohabitar,

Com o presente artigo continuamos a edição de mais um artigo integrado na série editorial dedicada ao Programa de Habitação Adaptável e Intergeracional através de uma Cooperativa a Custo Controlado (PHAI3C), prevendo-se que no final de 2023 consigamos chegar ao remate desta fase do estudo em que se pretende disponibilizar uma base de trabalho e documental extensa sobre os amplos aspetos de enquadramento associados às necessidades, aos gostos e às potencialidades sociais e urbanas de uma reflexão prática sobre os espaços residenciais dedicados a pessoas idosas e fragilizadas, mas sempre desejavelmente integrados em quadros intergeracionais, ativamente urbanos e dinamizados e convivializados por cooperativas de “habitação económica”.

Tal como tem sido divulgado este estudo, o PHAI3C, integra a Estratégia de Investigação e Inovação (E2I) do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC); e importa salientar que as referidas cooperativas portuguesas de “habitação económica”, associadas na Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE), apoiaram este estudo desde o seu início, na continuidade do seu importante papel, desempenhado desde o 25 de Abril, na promoção de habitação de interesse social, aliando a quantidade de habitações disponibilizadas a uma sua expressiva qualidade

Lembra-se que a edição destes artigos de conteúdo sobre o PHAI3C passou a uma estimada periodicidade quinzenal, pois a respetiva elaboração assim o obriga; alternando com estes artigos a Infohabitar irá procurar editar informações úteis sobre iniciativas, entidades e estudos dedicados às temáticas do habitat humano.

Recorda-se, como sempre, que serão sempre muito bem-vindas eventuais ideias comentadas sobre os artigos aqui editados e propostas de artigos (a enviar para abc.infohabitar@gmail.com).

Despeço-me, até à próxima semana, enviando saudações calorosas e desejos de força e de boa saúde para todos os caros leitores,     

Lisboa, em 22 de março de 2023

António Baptista Coelho

Editor da Infohabitar

 

Importância da adaptabilidade na habitação para idosos – versão de trabalho e base documental – Infohabitar # 852

António Baptista Coelho  – com base direta nos textos, ideias e opiniões dos autores referidos ao longo dos documentos que integram a respetiva listagem bibliográfica.

 

Breve descrição do estudo intitulado Programa de Habitação Adaptável Intergeracional desenvolvido num quadro Cooperativo e a Custos Controlados (PHAI3C)

Considerando-se o atual quadro demográfico e habitacional muito crítico, no que se refere ao crescimento do número das pessoas idosas e muito idosas, a viverem sozinhas e com frequentes necessidades de apoio, a atual diversificação dos modos de vida e dos desejos habitacionais, e a quase-ausência de oferta habitacional e urbana adequada a tais necessidades e desejos, foi ponderada o que se julga ser a oportunidade do estudo e da caracterização de um Programa de Habitação Adaptável Intergeracional (PHAI), adequado a tais necessidades e a uma proposta residencial naturalmente convivial, eficazmente gerida e participada e financeiramente sustentável, resultando daqui a proposta de uma Cooperativa a Custos Controlados (3C). O PHAI3C visa o estudo e a proposta de soluções urbanas e residenciais vocacionadas para a convivência intergeracional, adaptáveis a diversos modos de vida, adequadas para pessoas com eventuais fragilidade físicas e mentais, mas sem qualquer tipo de estigma institucional e de idadismo, funcionalmente mistas e com presença urbana estimulante. O PHAI3C irá procurar identificar e caracterizar tipos de soluções adequadas e sensíveis a uma integração habitacional e intergeracional dos mais frágeis num quadro urbano claramente positivo e em soluções edificadas que possam dar resposta, também, a outras novas e urgentes necessidades  habitacionais (ex., jovens e pessoas sós), num quadro residencial marcado por uma gestão participada e eficaz, pela convivialidade espontânea e social e financeiramente sustentável.

Responsável – António Baptista Coelho

 

Notas introdutórias ao presente conjunto de artigos sobre habitação intergeracional

O presente conjunto de artigos inclui-se numa série editorial dedicada a uma reflexão temática exploratória, que integra a fase preliminar e “de trabalho”, dedicada à preparação e estruturação de um amplo processo de investigação teórico-prático, intitulado Programa de Habitação Adaptável Intergeracional Cooperativa a Custos Controlados (PHAI3C); programa/estudo este que está a ser desenvolvido, pelo autor destes artigos, no Departamento de Edifícios do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), e que integra o Programa de Investigação e Inovação (P2I) do LNEC, sublinhando-se que as opiniões expressas nestes artigos são, apenas, dos seus autores – o autor dos artigos e promotor do PHAI3C e os numerosos autores neles amplamente citados.

Neste sentido salienta-se o papel visado para o presente conjunto de artigos, no sentido de se proporcionar uma divulgação que possa resultar numa desejável e construtiva discussão alargada sobre as muito urgentes e exigentes matérias da habitação mais adequada para idosos e pessoas fragilizadas, visando-se, não apenas as suas necessidades e gostos específicos, mas também o papel e a valia que têm numa sociedade ativa e integrada.

Nesta perspetiva e tendo-se em conta a fase preliminar e de trabalho da referida investigação, salienta-se que a forma e a extensão dos artigos agora listados reflete uma assumida apresentação comentada, minimamente estruturada, de opiniões e resultados de múltiplas pesquisas, de muitos autores, escolhidos pela sua perspetiva temática focada e por corresponderem a estudos razoavelmente recentes; forma esta que fica patente no significativo número de citações – salientadas em itálico –, algumas delas longas e quase todas incluídas na língua original.

Julga-se que não se poderia atuar de forma diversa quando se pretende, como é o caso, chegar, cuidadosamente, a resultados teórico-práticos funcionais e aplicáveis na prática, e não apenas a uma reflexão pessoal sobre uma matéria tão sensível e complexa como é a habitação intergeracional adaptável desenvolvida por uma cooperativa a custos controlados e em parte dedicada a pessoas fragilizadas.

Importância da adaptabilidade na habitação para idosos – versão de trabalho e base documental – Infohabitar # 852

Artigo XXIX da série editorial da Infohabitar “PHAI3C – Programa de Habitação Adaptável e Intergeracional através de uma Cooperativa a Custo Controlado

Resumo

Em mais um artigo dedicado à reflexão sobre a habitação para as pessoas mais idosas numa perspetiva integrada e intergeracional, abordamos, especificamente, a importância de uma adequada caraterização residencial em termos de adaptabilidade passiva e ativa quando se visa uma habitação intergeracional especificamente amigável para idosos e fragilizados .

Numa primeira parte do artigo faz-se uma introdução global à temática acima referida, passando-se, depois, para a abordagem do tema do interesse que tem o desenvolvimento de habitações, positivamente, à prova do futuro.

Em seguida desenvolve-se a temática da adaptabilidade das habitações, realizada no sentido da facilitação da vivência dos idosos e conclui-se o artigo com uma reflexão sobre o assunto específico da opção por se viver em várias (e entre) habitações quando envelhecemos ou quando por isso optamos.


Nota específica relativa às citações: tal como foi acima sublinhado nas “Notas introdutórias”, e tendo-se em conta a fase preliminar e de trabalho do presente estudo, ele inclui numerosas citações, todas salientadas em texto a itálico, reentrante e em tipo de letra “Arial Narrow”, algumas delas longas e quase todas apresentadas na respetiva língua original; em termos formais e tendo-se em conta essa grande frequência de citações, optou-se, por regra, pela respetiva indicação da fonte documental, respetivo título e autoria, no corpo de texto e em nota de pé de página ou de final de artigo (conforme a edição), seguindo-se a(s) respetiva(s) citação(ões) com a indicação, posterior, do(s) respetivo(s) número(s) de página(s) entre parêntesis – ex: (pg. 26) –, e, em alguns casos, mas não por regra, repetindo-se a indicação específica ao documento que “está a ser referido” e/ou à sua respetiva autoria.

Specific note regarding citations: as highlighted above in the “Introductory Notes”, and taking into account the preliminary and working phase of the present study, it includes numerous citations, all highlighted in italicized text, reentrant and in font type. letter “Arial Narrow”, some of them long and almost all presented in their original language; in formal terms and taking into account this high frequency of citations, we opted, as a rule, for the respective indication of the documentary source, respective title and authorship, in the body of the text and in a footnote or at the end of the article (according to the edition), followed by the respective citation(s) with the subsequent indication of the respective page number(s) in parentheses – ex: ( pg. 26) – and, in some cases, but not as a rule, repeating the specific indication of the document that “is being referred to” and/or its respective authorship.


Introdução à opção pela adaptabilidade residencial

A opção por caraterísticas afirmadas de adaptabilidade habitacional assegura uma resposta integrada aos desafios da habitação para pessoas fragilizadas e nela às questões diversas colocadas pela revolução grisalha, aos desafios colocados pela necessidade de oferta de renovadas formas de habitar para variadas necessidades e gostos residenciais e, também, potencialmente aos desafios “de escala” colocados pela renovada crise de falta de habitação.

Quando o objetivo de adaptabilidade residencial transborda para o edifício ou conjunto de arquitetura urbana, poderemos ter ainda maior potencial de diversificação de oferta numa base comum racionalizada e maximizada em termos financeiros, para além de se abrirem interessantes possibilidades de gestão e integração de espaços, equipamentos e serviços comuns muito diversificados e um pouco “à la carte”, que deverão abranger a respetiva vizinhança urbana com vantagens quer de integração social, quer sustentabilidade financeira.

Quando o objetivo da adaptabilidade residencial alastra à vizinhança poderemos, no limite, tender a harmonizar diversas tipologias residenciais edificadas a partir de uma base urbana comum e marcante, para além de podermos contar com elementos do espaço urbano exterior ou de transição exterior/interior como ricos elementos de valorização funcional e formal da solução geral (ex., pequenos pátios privados ajardinados, jardins comuns com aspetos naturais densificados/intensificados, etc., etc.).

1. Habitações à prova de futuro

Uma habitação “à prova de futuro” é um espaço residencial que se vai adaptando, o mais possível passivamente e portanto sem obras significativas, à evolução das necessidades dos seus habitantes, sejam elas consideradas como mais importantes (ex., em termos de mobilidade), sejam as numerosas outras “pequenas necessidades” que, no seu conjunto, caraterizam uma habitação como verdadeiramente acolhedora e mesmo dialogante (ex., mudanças periódicas nas disposições da mobília).

Mas infelizmente há muitas habitações que não aceitam qualquer futuro e, mais ainda, até pouco aceitam simples alternativas de disposição de mobiliário.

Esta ideia de uma habitação “à prova de futuro”, ou “para a vida” é algo muito adequado na sua aplicação a uma habitação que “envelheça”, positivamente, consoante os seus próprios habitantes vão também envelhecendo, e desejavelmente também de uma forma positiva; e neste caso, como já bem sabemos, em termos de um envelhecimento ativo.

Daria vontade de, desde já, sumarizar que o pretendido será, provavelmente, o desenvolvimento de novas ou renovadas habitações que sejam globalmente adaptáveis de modo passivo, portanto, sem grandes custos, e ao serviço do envelhecimento ativo dos seus habitantes. Esta possível dinâmica residencial vai compatibilizar-se com as preconizadas soluções residenciais intergeracionais, funcionalmente mistas e participadas (PHAI3C), essencialmente, ao nível dos fogos. 

No estudo oficial intitulado What can I do to make my home future proof? - Home Topics Housing for older people Question and answer  [1] avançam-se algumas respostas de pormenor para este desafio de uma habitação “à prova de futuro” ou “para a vida”, que foram devidamente consideradas como base direta de referência para se elaborar e salientar, em seguida, uma listagem de aspetos considerados estruturantes da solução ao nível da habitação, tendo-se em conta a sua futura adequação a mudanças de necessidades e mesmo de gostos habitacionais:

- Adequadas e simplificadas condições de segurança no controlo de acessos e na envolvente (ex. clareza e durabilidade na relação com o controlo de acessos comum em termos sonoros e visuais, excelente visibilidade e segurança no controlo de acesso ao espaço privado, adequadas proteções dos vãos exteriores, detetores de movimento exteriores ligados a luzes).

- Vãos exteriores bem configurados e dispostos tendo em consideração os diversos aspetos de conforto ambiental e vistas agradáveis sobre o exterior, possíveis a partir de posições sentadas diversas.

- Pavimentação global da habitação, desejavelmente, com continuidade superficial (sem ressaltos) e antiderrapante mesmo quando molhada.

- Controlos de vãos exteriores fáceis de manobrar, pelo interior, e ergonomicamente dispostos.

- Torneiras fáceis de usar com uma mão e, desejavelmente, com termostato.

- Arrumações feitas preferencialmente em gavetas e não em prateleiras, evitando-se arrumações baixas (posições do corpo dobradas) ou muito altas (exigindo recurso a escadote).

- Ergonomia, multifuncionalidade (ex., poder estar sentado a usar o plano de trabalho) e excelente iluminação natural e artificial nos planos de trabalho da cozinha e na zona potencialmente destinada a uma mesa de jantar.

- Contiguidade na relação entre um quarto de dormir e uma casa de banho.

- Escadas privadas seguras e ergonómicas, proporcionando instalação (que pode ser posterior) de corrimãos bilaterais.

As questões de dimensionamento regulamentar estão atualmente bem definidas, apontando-se, aqui, apenas, que uma habitação concebida para um futuro, sempre desconhecido, deveerá optar por um dimensionamento desafogado no que se refere a dimensões mínimas de circulações, larguras de compartimentos e vãos e “espaços livres” entre equipamentos fixos, sendo que eventuais futuros aproveitamentos desafogados para proporcionar a boa manobra de pessoas condicionadas na mobilidade, poderão ser, entretanto, aproveitados para uma mais diversificada e elaborada capacidade e adaptabilidade na integração de mobiliário (ex., corredor largo mobilável que, se necessário, futuramente poderá ser libertado desse mobiliário para facilitar a movimentação).

Continuando nesta matéria de uma qualificação residencial globalmente aplicável e que suporte, no futuro, adaptações o mais possível simplificadas e económicas dos espaços residenciais edificados e de vizinhança no sentido de que os seus habitantes, querendo,  possam aí envelhecer (aging in place), agradavelmente, em segurança e com toda a autonomia, vamos, em seguida, tentar aproveitar e comentar, minimamente, um conjunto de interessantes reflexões arquitetónicas de Judith Torrington sobre o assunto. [2]

Em termos de vizinhança Judith Torrington aponta um conjunto de aspetos que se refletem no próprio edificado e que se resumem em “identidade, bem-estar e sentido de pertença” (pg. 10) e que, em seguida, se referem de modo mais pormenorizado: (negrito nosso)

The home and neighbourhood are seen as having a crucial role in the well-being of older people. Peace et al. (2006), in their book Environment and Identity in Later Life, argue that the home and place in which people live are an essential element of their quality of life; the home cannot simply be viewed as a ‘setting’.

 The sense of belonging to a place is connected with identity; deterioration in a neighbourhood and fear of crime have a strong negative influence on well-being by limiting activity and engagement with the outside world. The book discusses the value people place on their relationship with the natural environment, although maintaining gardens can become a source of stress for some.

The emotional attachment to place is an aspect of identity… People who have lived in one place for many years and brought up their families there see their homes as an aspect of themselves, which makes them reluctant to move, and those who do move away from their homes experience a loss of autonomy and control. (pg. 10)

No entanto, uma nova promoção ativamente participada pode ser também uma forma de incentivar esta relação emocional com o nosso (novo) habitar, de certa forma “concentrando-a”; e se a nova localização estiver ligada vantagens em termos de centralidade e de relação com vida urbana, então a mudança talvez possa ser bem aceite.

Não perdendo esta eventual mudança para uma zona estrategicamente melhor colocada em termos urbanos, as questões ligadas a um natural aumento da solidão, quando envelhecemos, podem encontrar uma importante e bem direcionada suavização, pois, eventualmente, alguém que até se vai sentindo mais solitário no seu uso do tempo, poderá encontrar em tais situações urbanas, mais centrais e/ou melhor servidas de transportes para pólos urbanos, uma forma de lidar, positivamente, com parte dessa solidão, que acaba por ser vivida no meio da cidade mais animada (“sozinho” entre muitos) ou sozinho, mas em união com a natireza, por exemplo, ao passear por uma ampla zona verde e natural.

E tais possibilidades de experienciar uma solidão razoavelmente agradável, porque até eventualmente desejada, ligam-se à simultânea existência de adequadas possibilidades de um convívio verdadeiramente qualificado, que pode ser familiar ou entre amigos e colegas, mas que para bem ser desenvolvido tem de ter adequadas condições espaciais, funcionais e ambientais, tal como refere Judith Torrington:  

… older people become lonelier with time, and that the loss of a partner and ill health were associated with a greater increase in loneliness … Jong-Gierveld (1998) draws attention to the importance of the quality of relationships to the experience of loneliness. (pg. 10)

De certa forma e sumarizando os bons espaços de habitar adequados a idosos têm de propiciar condições específicas de privacidade e de convívio, nos espaços privados, nos espaços comuns e nos espaços públicos vizinhos.

Passando-se, agora ao espaço interior e doméstico, aponta-se que a questão de uma habitual subocupação das habitações de idosos é uma matéria que se julga dever ser um pouco reconsiderada – Judith Torrington refere-se a uma habitação onde exista mais do que um quarto do que os que são necessários –, porque, de certa forma, a habitação também acaba por ser uma pele e um repositório de vida e porque com o aumento da idade passamos a precisar de mais espaço para as diversas atividades domésticas – ex., desde mais quartos considerando a opção de um casal dormir em quartos separados, que pode ser adequada por diversas razões; até mais espaço para uma grande variedade de atividades e comportamentos domésticos, pois quando envelhecemos tendemos a ser mais “trapalhões” ou menos eficazes em muitas movimentações e, porque, no limite, podemos precisar de apoios específicos na movimentação (ex., canadianas e cadeiras de rodas) e mesmo de apoio de outras pessoas para diversas atividades; e cita-se, assim, Judith Torrington, a propósito desta temática específica:  

… Bathrooms and toilets should be capable of being converted to disabled standards and large enough to allow for carers to provide assistance by helping people to get onto the toilet and for bathing or showering. Converting bathrooms to wet rooms is one way of achieving this. (pg. 9)

Podemos generalizar este tipo de condições, salientando que todos os espaços domésticos e, muito especialmente, aqueles que integram instalações (ex., de água) e equipamentos (ex., mobiliário fixo) devem poder ser convertidos, com facilidade, ao seu uso por condicionados na mobilidade e na perceção, sendo que, complementarmente: há que prever uma capacidade de arrumação “acrescida”(pg. 9, d estudo que está a ser referido) e bem disseminada (arrumação específica e de mobiliário), para que possa “absorver” boa parte da nossa “história de vida”, sem obrigar a racionalizações sempre desagradáveis ou mesmo críticas para pessoas eventualmente fragilizadas; e é vital a existência de um espaço exterior privado (pg. 9), pelo menos, minimamente capaz de acolher muito positivamente uma pequena zona de estar/convívio.

Finalmente e utilizando, ainda, como base de reflexão, o referido estudo de Judith Torrington, salienta-se nos espaços de habitar muito dedicados a idosos há que dar importância acrescida aos aspetos: (i) de conforto ambiental e segurança no uso normal, na sua relação direta com o bem-estar e a saúde, isto porque a luz natural é vital no bem-estardoméstico e porque os idosos são extremamente sensíveis a negativas condições higrotérmicas e de ventilação; (ii) sensoriais, designadamente, em termos de visão e audição, porque os idosos tendem a ver e ouvir pior; e (iii) de relação com o frequente desenvolvimento de demências, tendo-se em conta o pouco que ainda se sabe e a necessária e urgente investigação sobre como os ambientes residenciais e urbanos de vizinhança e os ambientes domésticos podem ajudar a mitigar os problemas de vida diária levantados por essas demências.

Em seguida registam-se alguns aspetos de pormenor ligados a estas temáticas que conjugam problemas de saúde e deficientes condições habitacionais, que se influenciam e mutuamente e se agravam com o envelhecimento dos habitantes; aspetos estes citados do estudo de Judith Torrington que tem estado a ser referido: (negrito nosso) 

Poor-quality housing has been linked to poor health for at least 200 years. Lack of insulation, damp penetration, poor heating systems, unsafe stairs and low levels of daylight are associated with poor health. The greatest risk to health results from cold damp houses; there are 40,000 excessive winter deaths in England. Falls are the other major health risk, with falls from heights (i.e. falling down stairs) responsible for most serious injuries. The costs of these injuries to the NHS are estimated to be £600 million a year. (pg. 15)

[sobre a importância de um adequado apoio sensorial] Sensory support: vision and hearing …

Sight loss is a common condition in older people, and increasing longevity means that there are substantial numbers in the population living with some degree of sight loss.

Symptoms of sight loss vary according to the condition, but they include: sensitivity to glare, slower adaptation to changes from light to dark, reduced sensitivity to contrast, colour saturation and retinal illuminance, inability to focus and reduced ability to see blue light (Littlefair, 2010). Older people who do not have a serious visual impairment are still likely to have some degree of sight loss. (pg. 14)

on design for dementia is largely concerned with specialist accommodation and there is very little on normal housing, and that further research in this area is needed …

… people with dementia do go out but restrict themselves to familiar areas. The research identified six principles of a dementia-friendly environment: familiarity, legibility, distinctiveness, accessibility, safety and comfort. A checklist of recommendations for neighbourhood design based on this research is available (Mitchell et al., 2004). (pg. 14)

Salienta-se que há, assim, aqui já um conjunto de aspetos extremamente importantes a considerar em intervenções intergeracionais, que irão ser marcadas por condições muito adequadas aos seus habitantes mais fragilizados, mas, note-se, também extremamente interessantes para os restantes vizinhos.

Para além disto um conjunto significativo de intervenções intergeracionais que influenciem, desta forma, muito positivamente a saúde dos seus habitantes mais fragilizados, estará também a prestar um excelente serviço à sociedade e ao país.

2. Adaptar habitações para facilitarem a vivência dos idosos

Globalmente a adaptação de habitações visando-se facilitar a vivência dos idosos e mesmo a prestação de cuidados pessoais ao domicílio – atividade esta que provavelmente irá ter crescimento exponencial – depende: (i) quer de condições domésticas de adaptabilidade e multifuncionalidade passivas, isto é “embebidas” em dimensionamentos e soluções de pormenor capazes de aceitar facilmente variadas conversões funcionais e formais; (ii) quer de condições domésticas de integração fixa ou temporária de tecnologias de adaptação (adaptativas) a essas necessidades ligadas à vivência diária dos idosos e à prestação de cuidados pessoais ao domicílio.

Estas tecnologias adaptativas podem ser fixas ou portáteis e incluem as designadas “tecnologias assistivas” ou de “ajuda técnica”, referidas a todo um amplo leque de recursos, instrumentos, práticas e serviços destinados a proporcionar mais autonomia, independência e qualidade de vida aos seus utentes.

Já se salientou, anteriormente, que importa identificar e melhorar soluções-tipo eficazes e económicas de adaptação habitacional facilitadoras da vivência de pessoas fragilizadas, contribuindo-se, assim, seja para a sua integração, de raiz, em novos conjuntos residenciais, seja para a sua adoção em ações de adaptação de habitações preexistentes.

Nesta perspetiva cita-se e comenta-se, em seguida, o estudo de vários autores, intitulado Adapting the homes of older people: a case study of costs and savings [3], onde é possível consultar uma proposta de critérios de avaliação aplicáveis à importante e muito sensível decisão sobre manter ou não manter na sua habitação uma pessoa fragilizada:

The scope for an individual older person to remain in their own home depends on many issues, but the most relevant are concerned with the following:

- extent of their capacities, their needs and their view of those needs.

- how far these needs can be met through adapting the home and providing AT [Adaptive Technology] and other specialist equipment, and the cost.

- availability of formal and informal care.

- costs of formal care.

- acceptability of these solutions to older people.

- resulting quality of life for the individual. (pg. 469)

Importa comentar que, em primeiro lugar, não se contempla aqui  referida capacidade passiva de uma dada habitação no sentido de acolher novas necessidades dos seus habitantes e que, em segundo lugar, poderá existir um nível residencial “intermédio” e de uso tendencialmente comum, onde várias necessidades pessoais específicas poderão ser bem acolhidas e até e desejavelmente com um sentido expressivamente residencial e nada “hospitalar” (ex., gabinetes de apoio médico e de enfermagem, banho assistido, spa, sauna, pequena piscima hidrodinâmica, pequeno ginásio equipado, etc.); sentido residencial esse que é fundamental respeitar integralmente numa intervenção residencial intergeracional, conseguindo-se, assim, provavelmente, integrar e embeber variados cuidados “de saúde” numa solução global basicamente residencial, anulando-se estigmas e obtendo-se uma excelente integração social.

3. Viver em várias (e entre) habitações quando envelhecemos ou quando por isso optamos

Passamos, agora, a algumas rápidas reflexões sobre situações residenciais que são cada vez mais frequentes e que estão, realmente, a mudar de sentido e a ganhar importância na atual sociedade europeia, proporcionando, por vezes, outras mudanças residenciais direta e indiretamente associadas à questão da habitação dos mais idosos; isto porque realmente alguém que tenha uma excelente habitação fora da cidade poderá estar disponível para optar por uma habitação citadina mais contida em termos de espaciosidade, embora bem localizada e eventualmente associada a aspetos específicos de serviços de apoio, que, por exemplo, simplifiquem a manutenção doméstica.

Por outro lado e nestas matérias o teletrabalho revolucionou e revolucionará as opções residenciais; afinal há tanto tempo anunciado, porque associado à revolução informática pessoal, foi esquecido e só, recentemente e devido à pandemia foi adotado, criando rotinas que irão ficar, sem margem para dúvidas, num grande leque de profissões e atividades realizadas “à distância” e com autonomia, e que irão também marcar outras atividades menos autónomas, mas que também são possíveis à distância.

E assim temos/teremos desde “segundas habitações” que se tornaram e tornarão “primeiras habitações”, assim como temos e teremos postos de trabalho móveis entre variadas localizações mais profissionais, ou mais comuns, ou mais domésticas e também temos e teremos grupos socioculturais e etários que, muito mais cedo do que o habitual, optam pelo afastamento da cidade, de forma habitual, mas continuando a usar a cidade de forma periódica; e tudo isto tem e terá reflexo nas soluções habitacionais urbanas.

Abordam-se, aqui, matérias relativamente inovadoras ou recentes e que têm, sempre, influência nas novas ofertas habitacionais, designadamente intergeracionais, designadamente, referidas seja a uma duplicação do espaço doméstico, seja a uma diversificação dos níveis etários aposentados ou com atividades à distância e, portanto, podendo fundir atividades domésticas e profissionais.

Vários estudos e diversos autores abordam esta temática, que pede desenvolvimento específico, sublinhando-se, em seguida, e apenas de forma geral, alguns aspetos identificados a partir de um estudo desenvolvido por Francine Benguigui e um conjunto de outros autores, no âmbito do PUCA em 2009 e onde é feita referência a um anterior estudo de Philippe Bonnin e Roselyne de Villanova (1999). [4]

Tudo se refere a uma possível e provável mudança de estatuto (o termo é meu) de algumas residências secundárias, que deixaram de ser consideradas como habitação de turismo de final de semana e de férias, para se assumirem como “segundo lugar de vida, equiparado ao  da anteriormente designada “residência principal”; situação esta que, aquando da aposentação, talvez possa evoluir mesmo para uma mudança nessa hierarquia residencial, passando a anterior habitação secundária para “habitação principal”.

Julga-se que tais possibilidades decorrerão, também, da localização e acessibilidades entre os dois sítios de habitar, perdendo potencial quando a distância e/ou as acessibilidades são mais complicadas; sendo que esta possibilidade muito ganhou com a recente pandemia e o consequente regime de teletrabalho quase universal, sempre que possível; e isto poderá mesmo levar a uma reversão da casa mais urbana e anteriormente principal para uma habitação mais “manejável”, desde que especialmente cêntrica e vitalizadora, o que é muito harmonizável com a noção desenvolvida no âmbito do PHAI3C.

 

Bibliografia

BENGUIGUI, Francine (2009) -  Infelizmente não nos foi possível identificar, objetivamente, o estudo de Francine Benguigui e de um conjunto de outros autores, realizado, cerca de 2009, no âmbito do excelente Plan Urbanisme Construction et Architecture (PUCA), que tinha sido anteriormente consultado; mas, no entanto, preferiu-se realizar esta indicação genérica, pois fica evidente numa consulta ao nome da referida autora o grande leque de trabalhos realizados nesta e em outras temáticas habitacionais.   

Government of the Netherlands - What can I do to make my home future proof? - Home Topics Housing for older people question and answer.

LANSLEY, Peter; MCCREADIE, Claudine; TINKER, Anthea; FLANAGAN, Susan; GOODACRE, Kate; TURNER-SMITH, Alan, (2004) Adapting the homes of older people: a case study of costs and savings, Building Research & Information, 32:6, 468-483, DOI

TORRINGTON, Judith - What developments in the built environment will support the adaptation and ‘future proofing’ of homes and local neighbourhoods so that people can age well in place over the life course, stay safe and maintain independent lives? December 2014.

 

 

Notas bibliográficas:


[1] Government of the Netherlands - What can I do to make my home future proof? - Home Topics Housing for older people question and answer.

[2] Judith Torrington - What developments in the built environment will support the adaptation and ‘future proofing’ of homes and local neighbourhoods so that people can age well in place over the life course, stay safe and maintain independent lives? December 2014.

[3] Peter Lansley , Claudine McCreadie , Anthea Tinker , Susan Flanagan , Kate Goodacre & Alan Turner-Smith (2004) - Adapting the homes of older people: a case study of costs and savings, Building Research & Information, 32:6, 468-483, DOI

[4] Infelizmente não nos foi possível identificar, objetivamente, o estudo de Francine Benguigui e de um conjunto de outros autores, realizado, cerca de 2009, no âmbito do excelente Plan Urbanisme Construction et Architecture (PUCA), que tinha sido anteriormente consultado; mas, no entanto, preferiu-se realizar esta indicação genérica, pois fica evidente numa consulta ao nome da referida autora o grande leque de trabalhos realizados nesta e em outras temáticas habitacionais.   

 

Notas editoriais gerais:

(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.

(ii) No mesmo sentido, de natural responsabilização dos autores dos artigos, a utilização de quaisquer elementos de ilustração dos mesmos artigos, como , por exemplo, fotografias, desenhos, gráficos, etc., é, igualmente, da exclusiva responsabilidade dos respetivos autores – que deverão referir as respetivas fontes e obter as necessárias autorizações. 

(iii) Para se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

 

Etiquetas/palavras chave: habitação, habitação intergeracional, habitação para idosos, intergeracionalidade, espaços residenciais, PHAI3C, Programa de Habitação Adaptável e Intergeracional Cooperativa a Custos Controlados

Importância da adaptabilidade na habitação para idosos – versão de trabalho e base documental – Infohabitar # 852

Artigo XXIX da série editorial da Infohabitar “PHAI3C – Programa de Habitação Adaptável e Intergeracional através de uma Cooperativa a Custo Controlado

Infohabitar, Ano XIX, n.º 852

Edição: quarta-feira, 22 de março de 2023

Infohabitar

Editor: António Baptista Coelho, Investigador Principal do LNEC

abc.infohabitar@gmail.com, abc@lnec.pt

A Infohabitar é uma Revista do GHabitar Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional Infohabitar – Associação atualmente com sede na Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE) e anteriormente com sede no Núcleo de Arquitectura e Urbanismo do LNEC.

Apoio à Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.

quarta-feira, março 15, 2023

Idosos e espaços urbanos de vizinhança – versão de trabalho e base documental – Infohabitar # 851

Ligação direta (clicar no link seguinte ou copiar para site de busca) para aceder à listagem interativa de 840 Artigos editados na Infohabitar – edição de janeiro de 2022 com links revistos em junho de 2022 (38 temas e mais de 100 autores):

https://docs.google.com/document/d/1WzJ3LfAmy4a7FRWMw5jFYJ9tjsuR4ll8/edit?usp=sharing&ouid=105588198309185023560&rtpof=true&sd=true


Idosos e espaços urbanos de vizinhança – versão de trabalho e base documental – Infohabitar # 851

Artigo XXVIII da série editorial da Infohabitar “PHAI3C – Programa de Habitação Adaptável e Intergeracional através de uma Cooperativa a Custo Controlado

Infohabitar, Ano XIX, n.º 851

Edição: quarta-feira, 15 de março de 2023

 

Caros leitores da Infohabitar,

Com o presente artigo continuamos a edição de mais um artigo integrado na série editorial dedicada ao Programa de Habitação Adaptável e Intergeracional através de uma Cooperativa a Custo Controlado (PHAI3C), prevendo-se que durante 2023 consigamos chegar ao remate desta fase do estudo em que se pretende disponibilizar uma base de trabalho e bibliográfica extensa sobre os amplos aspetos de enquadramento associados às necessidades, aos gostos e às potencialidades sociais e urbanas de uma reflexão prática sobre os espaços residenciais dedicados a pessoas idosas e fragilizadas, mas sempre desejavelmente integrados em quadros intergeracionais, ativamente urbanos e dinamizados e convivializados por cooperativas de “habitação económica”.

Tal como tem sido divulgado este estudo, o PHAI3C, integra a Estratégia de Investigação e Inovação (E2I) 2013-2020” do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC); e importa salientar que as referidas cooperativas portuguesas de “habitação económica”, associadas na Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE), apoiaram este estudo desde o seu início, na continuidade do seu importante papel, desempenhado desde o 25 de Abril, na promoção de habitação de interesse social, aliando a quantidade de habitações disponibilizadas a uma sua expressiva qualidade

Lembra-se que a edição destes artigos de conteúdo sobre o PHAI3C passou a uma estimada periodicidade quinzenal, pois a respetiva elaboração assim o obriga; alternando com estes artigos a Infohabitar irá procurar editar informações úteis sobre iniciativas, entidades e estudos dedicados às temáticas do habitat humano.

Recorda-se, como sempre, que serão sempre muito bem-vindas eventuais ideias comentadas sobre os artigos aqui editados e propostas de artigos (a enviar para abc.infohabitar@gmail.com).

Despeço-me, até à próxima semana, enviando saudações calorosas e desejos de força e de boa saúde para todos os caros leitores,     

Lisboa, em 15 de março de 2023

António Baptista Coelho

Editor da Infohabitar

 

Idosos e espaços urbanos de vizinhança – versão de trabalho e base documental – Infohabitar # 851

António Baptista Coelho  – com base direta nos textos, ideias e opiniões dos autores referidos ao longo dos documentos que integram a listagem bibliográfica registada no final do artigo.

Breve descrição do estudo intitulado Programa de Habitação Adaptável Intergeracional desenvolvido num quadro Cooperativo e a Custos Controlados (PHAI3C)

Considerando-se o atual quadro demográfico e habitacional muito crítico, no que se refere ao crescimento do número das pessoas idosas e muito idosas, a viverem sozinhas e com frequentes necessidades de apoio, a actual diversificação dos modos de vida e dos desejos habitacionais, e a quase-ausência de oferta habitacional e urbana adequada a tais necessidades e desejos, foi ponderada o que se julga ser a oportunidade do estudo e da caracterização de um Programa de Habitação Adaptável Intergeracional (PHAI), adequado a tais necessidades e a uma proposta residencial naturalmente convivial, eficazmente gerida e participada e financeiramente sustentável, resultando daqui a proposta de uma Cooperativa a Custos Controlados (3C). O PHAI3C visa o estudo e a proposta de soluções urbanas e residenciais vocacionadas para a convivência intergeracional, adaptáveis a diversos modos de vida, adequadas para pessoas com eventuais fragilidade físicas e mentais, mas sem qualquer tipo de estigma institucional e de idadismo, funcionalmente mistas e com presença urbana estimulante. O PHAI3C irá procurar identificar e caracterizar tipos de soluções adequadas e sensíveis a uma integração habitacional e intergeracional dos mais frágeis num quadro urbano claramente positivo e em soluções edificadas que possam dar resposta, também, a outras novas e urgentes necessidades  habitacionais (ex., jovens e pessoas sós), num quadro residencial marcado por uma gestão participada e eficaz, pela convivialidade espontânea e social e financeiramente sustentável.

Responsável – António Baptista Coelho

 

Notas introdutórias ao presente conjunto de artigos sobre habitação intergeracional

O presente conjunto de artigos inclui-se numa série editorial dedicada a uma reflexão temática exploratória, que integra a fase preliminar e “de trabalho”, dedicada à preparação e estruturação de um amplo processo de investigação teórico-prático, intitulado Programa de Habitação Adaptável Intergeracional Cooperativa a Custos Controlados (PHAI3C); programa/estudo este que está a ser desenvolvido, pelo autor destes artigos, no Departamento de Edifícios do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), e que integra o Programa de Investigação e Inovação (P2I) do LNEC, sublinhando-se que as opiniões expressas nestes artigos são, apenas, dos seus autores – o autor dos artigos e promotor do PHAI3C e os numerosos autores neles amplamente citados.

Neste sentido salienta-se o papel visado para o presente conjunto de artigos, no sentido de se proporcionar uma divulgação que possa resultar numa desejável e construtiva discussão alargada sobre as muito urgentes e exigentes matérias da habitação mais adequada para idosos e pessoas fragilizadas, visando-se, não apenas as suas necessidades e gostos específicos, mas também o papel e a valia que têm numa sociedade ativa e integrada.

Nesta perspetiva e tendo-se em conta a fase preliminar e de trabalho da referida investigação, salienta-se que a forma e a extensão dos artigos agora listados reflete uma assumida apresentação comentada, minimamente estruturada, de opiniões e resultados de múltiplas pesquisas, de muitos autores, escolhidos pela sua perspetiva temática focada e por corresponderem a estudos razoavelmente recentes; forma esta que fica patente no significativo número de citações – salientadas em itálico –, algumas delas longas e quase todas incluídas na língua original.

Julga-se que não se poderia atuar de forma diversa quando se pretende, como é o caso, chegar, cuidadosamente, a resultados teórico-práticos funcionais e aplicáveis na prática, e não apenas a uma reflexão pessoal sobre uma matéria tão sensível e complexa como é a habitação intergeracional adaptável desenvolvida por uma cooperativa a custos controlados e em parte dedicada a pessoas fragilizadas.

Idosos e espaços urbanos de vizinhança – versão de trabalho e base documental – Infohabitar # 851

Artigo XXVIII da série editorial da Infohabitar “PHAI3C – Programa de Habitação Adaptável e Intergeracional através de uma Cooperativa a Custo Controlado

Resumo

Em mais um artigo dedicado à reflexão sobre a habitação para as pessoas mais idosas numa perspetiva integrada e intergeracional, abordamos, especificamente, os aspetos dedicados aos espaços urbanos das vizinhanças onde se integrem intervenções desse tipo.

Numa primeira parte do artigo desenvolve-se uma reflexão sobre como privilegiar vivências intensas nos espaços urbanos de vizinhança, avançando-se, depois, para a matéria da relação entre as caraterísticas da vizinhança mais adequadas a um envelhecimento ativo e concluindo-se com o apontamento de aspetos associados ao desenvolvimento de vizinhanças residenciais e urbanas concebidas para todas as idades, considerando-se a crise que vivemos no atual espaço urbano.

 

Nota específica relativa às citações: tal como foi acima sublinhado nas “Notas introdutórias”, e tendo-se em conta a fase preliminar e de trabalho do presente estudo, ele inclui numerosas citações, todas salientadas em texto a itálico, reentrante e em tipo de letra “Arial Narrow”, algumas delas longas e quase todas apresentadas na respetiva língua original; em termos formais e tendo-se em conta essa grande frequência de citações, optou-se, por regra, pela respetiva indicação da fonte documental, respetivo título e autoria, no corpo de texto e em nota de pé de página ou de final de artigo (conforme a edição), seguindo-se a(s) respetiva(s) citação(ões) com a indicação, posterior, do(s) respetivo(s) número(s) de página(s) entre parêntesis – ex: (pg. 26) –, e, em alguns casos, mas não por regra, repetindo-se a indicação específica ao documento que “está a ser referido” e/ou à sua respetiva autoria.

Specific note regarding citations: as highlighted above in the “Introductory Notes”, and taking into account the preliminary and working phase of the present study, it includes numerous citations, all highlighted in italicized text, reentrant and in font type. letter “Arial Narrow”, some of them long and almost all presented in their original language; in formal terms and taking into account this high frequency of citations, we opted, as a rule, for the respective indication of the documentary source, respective title and authorship, in the body of the text and in a footnote or at the end of the article (according to the edition), followed by the respective citation(s) with the subsequent indication of the respective page number(s) in parentheses – ex: ( pg. 26) – and, in some cases, but not as a rule, repeating the specific indication of the document that “is being referred to” and/or its respective authorship.

1. Vivências intensas dos espaços urbanos de vizinhança

Nesta reflexão global sobre como incentivar a vivência diversificada dos espaços de uso público pelos habitantes mais idosos e, paralelamente, aproveitar estes habitantes para a vitalização do espaço urbano, sobressai, naturalmente, o protagonismo dos espaços de vizinhança de proximidade como aqueles onde, provavelmente, se jogará, ao máximo, uma tal compatibilização de vivências, aproveitando-se e potenciando-se a proximidade ou mesmo contiguidade entre esses espaços e os espaços privados.

Uma ideia interessante seria promover o PHAI como solução de vida independente e bem personalizada e caracterizada “ao sítio”, mas que, pelas suas especificações exigentes possa servir, pelo menos, como fogos e minifogos para habitação assistida: seja uma habitação simplesmente assistida em termos de facilitação das tarefas domésticas e de disponibilização de serviços e equipamentos amigos dos espaços domésticos e de vizinhança (que interessam praticamente a todas as idades), seja uma habitação “especialmente assistida” no sentido de se apoiarem idosos e fragilizados no melhor exercício da sua vivência doméstica em segurança e especial agradabilidade – duplo conceito este de “habitação assistida” que se julga ter grande interesse e que, portanto, importará aprofundar e desenvolver.

E um caráter de assistência doméstica e vivencial que poderá até ter alguns aspectos evolutivos – em termos dos espaços e equipamentos privados e dos comuns – para uma franja significativa dos cuidados extra ou específicos; mas neste ultimo casos sem que esta condição comprometa o caracter/ambiente dos restantes espaços residenciais – e isto aqui é bem sensível.

Julga-se que se os “fogos” forem adequadamente projetados e construídos em termos de pormenorização (incluindo aqui aspectos vários e extremamente exigentes, por exemplo, de isolamento, ventilação etc) , flexibilidade específica Pormenorizada e adaptabilidade especial com sentido mains lato, e se os espaços comuns forem adequadamente funcionais, versáteis e adaptáveis sera possível cumprir tais ideias; sendo aqui importante que os restantes habitantes possam encarar a sua natural evolução de necessidades também de uma forma natural e sempre desejavelmente caldeada pela também natural e continua integração de novos residentes e de jovens residentes; daqui também a importância da intergeracionalidade.

Apenas como exemplo: um espaço para deambular em boas condições não serve apenas os doentes de Alzheimer; assim como um piso térreo cheio de referências domésticas/urbanas.

E para tal é também muito importante uma adequada e sustentável disponibilização de variadas formas de uso da habitação.

2. Vizinhança e envelhecimento activo

Se há “local” onde diversas manifestações do que designamos de “envelhecimento ativo” são mais prováveis e desejavelmente bem-vindas, a vizinhança próxima tem evidente protagonismo, seja pelo apoio direto que aí é possível com base nos espaços habitacionais privados, contíguos ou muito próximos, seja pelo conjunto de atividades associáveis a esse “envelhecimento ativo” que encontram a sua mais adequada localização nessa vizinhança, como é, por exemplo, o importante caso das múltiplas  práticas de jardinagem e de todo um amplo leque de atividades que encontram situação estratégica nos estimulantes espaços de transição entre interior e exterior e nos atraentes pequenos espaços de estadia, privados ou comuns, nesse exterior bem protegido e apropriável, porque contíguo ou próximo dos respetivos edifícios.

Começamos esta temática com a revisitação do conceito de envelhecimento ativo para, em seguida, abordar aspetos que na vizinhança o favorecem, e, que, afinal, ao dinamizarem a presença de idosos nos seus espaços urbanos de vizinhança, favorecem o uso global e intenso do espaço urbano de uso público com vantagens para todos, desde a vivência à gestão urbanas.

Liz Cairncross, no seu estudo intitulado Active Ageing and the Built Environment. Practice Briefing [1] aborda e aprofunda o conceito de envelhecimento ativo  e as suas claras vantagens para o bem-estar e a saúde dos idosos (negrito nosso).

The concept of active ageing encompasses both physical activity and wider social and community participation.

Physical activity provides many physical, social and mental health benefits for older adults, and is a recognized component in the management of many chronic diseases associated with ageing in older people. For example, physical activity appears to reduce the risk of mental disorders common in older age including depression, cognitive decline, and dementia.(pg. 1)

A autora avança no que considera ser a relação direta entre uma boa arquitetura urbana da vizinhança e o seu uso adequado em termos físicos e sociais; assim como a influência inversa que têm as más soluções de arquitetura urbana, bloqueando os relacionamentos domésticos e de vizinhança dos habitantes. (pg. 4)

Depois Liz Cairncross regista duas importantes definições: cidades amigas e vizinhanças para toda a vida. Definições onde ficam patentes as relações entre uma cidade amigável e a possibilidade de aí podermos viver um envelhecimento ativo e inclusivo, integrado por vizinhanças feitas “para a vida”, porque proporcionando qualidade de vida a habitantes de todas as idades. [2]

E por fim a autora aponta e desenvolve cinco aspetos que designa de ambientais e que influenciam particularmente a possibilidade de se ter um adequado envelhecimento ativo numa dada vizinhança urbana: (pg. 5 a 7)

- a respetiva e adequada infraestruturação pedonal, bem estruturada, bem ligada às continuidades urbanas locais e bem equipada – por exemplo boa iluminação, bons bancos em zonas bem mantidas;

- as respetivas condições de segurança no uso normal e pública – esta última frequentemente ligada a boas condições de segurança relativamente a veículos [3]  - por exemplo mais adequada temporização e sinalização nos semáforos pedonais e integração de comandos de semáforos e de controlos específicos nas passagens e cruzamentos, boas condições de manutenção do espaço público, boa iluminação, ausência de vandalismo e  ausência de habitações vagas em número significativo;

- a boa acessibilidade a equipamentos coletivos e serviços urbanos; destacando-se aqui a boa disponibilidade de transportes públicos, pois os idosos tendem a usá-los com frequência, sendo a sua ausência fator de segregação urbana e de isolamento – e aqui é importante a aplicação de medidas concretas em termos de limitação da velocidade da circulação motorizada, de redução do afastamento entre paragens de transportes públicos e respetivo e bem adequado equipamento pormenorizado (ex., bancos, abrigos, etc.);

- uma boa atratividade em termos de imagens da respetiva arquitetura urbana – e nesta atratividade a integração da natureza parece ser muito importante;

- e condições ambientais específicas, designadamente, em termos de conforto ambiental, limpeza, e proteção da poluição atmosférica e sonora nos espaços de uso público.

E aqui fica uma síntese de carta de intenções qualitativas para uma vizinhança especialmente amiga dos idosos, que poderá ser aplicada na escolha e no desenvolvimento de vizinhanças pormenorizadas para integração de conjuntos residenciais intergeracionais.

3. Perspetivas para as vizinhanças concebidas para todas as idades num espaço urbano em crise

Considerando-se a crise de usos e, consequentemente, de (in)segurança que continua, hoje em dia, nos espaços públicos urbanos,  , como perspetivar o desenvolvimento dos espaços de vizinhança residenciais e o seu equipamento ao serviço dos habitantes de todas as idades e com especial e natural cuidado daqueles mais fragilizados?

Um dos aspetos a ter em conta é a habitual ausência de tipologias residenciais qualificadas e desenvolvidas usando-se todos os elementos de composição e funcionalidade disponíveis, como é o caso dos espaços exteriores privados e comuns contíguos ao edificado e marcando, positivamente, quer a solução global térrea, quer a imagem urbana dos respetivos conjuntos residenciais.

Realmente é frequentemente pobre, e por vezes mesmo muito pobre, o “uso” que se faz do potencial dos espaços urbanos e naturais envolventes e integradores de edifícios de habitação, talvez porque exija muito mais em termos de conceção do que a “simples” projetação do edificado “puro e simples” e, sendo assim, acabou por “fazer escola” e mesmo consolidar-se na própria regulamentação, com diversas “desculpas”, muito associadas à dificuldade do controlo público de tais soluções integradoras de espaços exteriores privados e comuns, e ao perigo, que é, realmente, real de um uso excessivo e inapropriado de tais espaços pelos respetivos habitantes; e sendo assim é, atualmente, a própria regulamentação que dificulta tais soluções de arquitetura urbana. Mas esta é uma matéria específica que nos levaria muito longe.

E, por outro lado, é sempre complicado avançar para uma renovada qualificação dos espaços residenciais de uso público, numa perspetiva de acessibilidade e utilidade universais e num quadro de qualidade marcado pela criação de vizinhanças amigas dos idosos e feitas para “toda a vida”, quando muitos de tais espaços estão ainda “na idade da pedra” da qualificação dos respetivos espaços exteriores específicos e mesmo quando em outras casos nem sequer existem “espaços exteriores” minimamente dignos; no entanto este atraso pode ser convertido num atalhar de caminho, passando-se, desde já, para a referida ideia do espaço “universal” e “para a vida”.

Neste sentido e utilizando o artigo de Ed Harding intitulado  Weathering the downturn: What is the future for Lifetime Neighbourhoods? [4], podemos sublinhar alguns aspetos a privilegiar nos novos ou renovados espaços exteriores residenciais, entre os quais se salientam os seguintes aspetos: (pg. 21) (tradução aproximada e negrito nossos)

- considerar a referida conceção inclusiva e geracional (“para toda a vida”) como parte de uma aposta em vizinhanças sustentadas para todos os seus residentes;

- considerar esta reflexão como uma oportunidade para se desenvolver uma nova perspetiva sobre qualidade residencial;

- considerar o envelhecimento da população e mesmo as opiniões dos idosos como base para uma boa conceção residencial;

- ter em conta e procurar entender o impacto desigual de uma negativa conceção arquitetónica nos diferentes grupos socioculturais de idosos;

- assumir que uma boa conceção arquitetónica residencial é desenvolvida em três principais níveis de intervenção: o bairro ou vizinhança alargada (ex., infraestruturas, transportes, equipamentos coletivos); a vizinhança (ex., arquitetura urbana da rua, equipamentos de pormenor, acessibilidades); e o longo prazo (ex., manutenção e gestão).

Como comentário, julgado oportuno, há aqui um conjunto de ideias considerado extremamente rico para posterior discussão e aprofundamento; e a título de exemplo referimos a última em que são apontados três principais níveis de intervenção, sendo dois deles ligados à vizinhança e à arquitetura urbana e outro à manutenção/gestão, designado, significativamente, por “longo prazo”.

Finalmente e uma vez mais coloca-se a tónica na segurança pública e até, diferente disto, numa clara perceção de segurança pública e lembremo-nos que muitas das fontes consultadas se referem a realidades bastante mais problemáticas do as nossas no tocante a essa segurança pública nos espaços residenciais e designadamente naqueles associados a grandes conjuntos de habitação de interesse social.

E é muito interessante a afirmação, feita ainda no último artigo citado, e abaixo registada, de que se os idosos se sentirem bem nos espaços de uso público, toda a gente assim se sentirá. Sobre como acentuar o sentimento de segurança pública há sempre que referir as questões ligadas a uma estratégica e contínua visibilidade de segurança (em termos de uso de percursos e em termos de vistas envolventes sobre esses percursos) e à existência de uma presença securizadora, também abaixo apontada; no entanto há que moderar tais cuidados, para não serem intrusivos, tornando-os praticamente informais, ainda que quase constantes (ex., contiguidade entre passagens e lojas) e periódicos mas bem visíveis (zonas pedonais  mas episodicamente percorridas por veículos da polícia).  (negrito nosso)

Older people need to feel safe in streets and public spaces. Public and green spaces should prune back bushes and create clear sight lines. Staff also need to be present and visible to users. If older people feel comfortable using public spaces, other people will too, increasing use of public spaces makes them safer and ensures there are eyes on the street. (pg. 24)

Bibliografia (referências práticas)

CAIRNCROSS, Liz - Active Ageing and the Built Environment. Practice Briefing. Housing Learning & Improvement Network – Housinglin - www.housinglin.org.uk. 2026. Liz Cairncross, Head of Research at the Institute of Public Care, Oxford Brookes University

HARDING, Ed - Weathering the downturn: What is the future for Lifetime Neighbourhoods? - discussion paper. The International Longevity Centre - UK (ILC-UK). April 2009. www.ilcuk.org.uk - edharding@ilcuk.org.uk

 

Notas bibliográficas

[1] Liz Cairncross - Active Ageing and the Built Environment. Practice Briefing. Housing Learning & Improvement Network – Housinglin - www.housinglin.org.uk. 2026.

Liz Cairncross, Head of Research at the Institute of Public Care, Oxford Brookes University

[2] The World Health Organisation (WHO) has promoted the concepts of age-friendly cities and lifetime neighbourhoods through its Age-friendly Environments Programme.

WHO describes an age-friendly city as one that: ... is an inclusive and accessible urban environment that promotes active ageing … An age-friendly city adapts its structures and services to be accessible to and inclusive of older people with varying needs and capacities.

And a lifetime neighbourhood: … is a place where a person’s age doesn’t affect their chances of having a good quality of life. The people living there are happy to bring up children and to grow older – because the services, infrastructure, housing, and public spaces are designed to meet everyone’s needs, regardless of how old they are…” (pg. 4 do livro referido anteriormente).

[3] “Older people walk more slowly, making it more difficult to cross roads safely. This can be exacerbated by inadequate traffic signal times for crossing roads and reckless drivers. The risk of a fatality crossing the road increases more rapidly with age from the early 60s, and very rapidly from age 70. Older pedestrians express particular concern about fast traffic, busy roads, and crossing where several roads meet. “(pg. 6 do livro referido anteriormente).

[4] Ed Harding - Weathering the downturn: What is the future for Lifetime Neighbourhoods? - discussion paper. The International Longevity Centre - UK (ILC-UK). April 2009. www.ilcuk.org.uk - edharding@ilcuk.org.uk.

 

Notas editoriais gerais:

(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.

(ii) No mesmo sentido, de natural responsabilização dos autores dos artigos, a utilização de quaisquer elementos de ilustração dos mesmos artigos, como , por exemplo, fotografias, desenhos, gráficos, etc., é, igualmente, da exclusiva responsabilidade dos respetivos autores – que deverão referir as respetivas fontes e obter as necessárias autorizações. 

(iii) Para se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.


Etiquetas/palavras chave: habitação, habitação intergeracional, habitação para idosos, intergeracionalidade, espaços residenciais, PHAI3C, Programa de Habitação Adaptável e Intergeracional Cooperativa a Custos Controlados

Idosos e espaços urbanos de vizinhança – versão de trabalho e base documental – Infohabitar # 851

Artigo XXVIII da série editorial da Infohabitar “PHAI3C – Programa de Habitação Adaptável e Intergeracional através de uma Cooperativa a Custo Controlado

Infohabitar, Ano XIX, n.º 851

Edição: quarta-feira, 15 de março de 2023

Infohabitar

Editor: António Baptista Coelho, Investigador Principal do LNEC

abc.infohabitar@gmail.com, abc@lnec.pt

A Infohabitar é uma Revista do GHabitar Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional Infohabitar – Associação atualmente com sede na Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE) e anteriormente com sede no Núcleo de Arquitectura e Urbanismo do LNEC.

Apoio à Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.