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segunda-feira, outubro 05, 2009

266 - Vivências e vivendas II - Infohabitar 266

Infohabitar, Ano V, n.º 266

Vivências e vivendas IIartigo de António Baptista Coelho

Como foi referido no primeiro artigo desta série a ideia de escrever sobre "a vivenda", em termos gerais, mas essencialmente sobre os aspectos de humanização do habitar suscitados pela ideia de "vivenda", decorreu, directamente, de um pequeno e belíssimo artigo de Miguel Esteves Cardoso, intitulado “Vivenda Boa Esperança” e que foi editado no Público. (1)

Lembrei-me, depois, de associar às palavras a editar sobre este assunto, algumas ideias com as quais abri, há poucos anos, um estudo realizado, publicado e disponível no LNEC sobre o título “habitação humanizada” (2), para o qual se poderão dirigir aqueles que queiram aprofundar estas temáticas.

Ainda antes de apontar mais algumas ideias sobre os caminhos da observação e da concepção de verdadeiras "vivendas", daquelas que nem têm de ser especialmente caras, inovadoras e "únicas"/exclusivas para nos ampararem e darem força e até alguma alegria no dia-a-dia e ao longo das nossas histórias de vida, quero fazer uma brevíssima referência a um novo livro, recém-editado (o lançamento teve lugar na Sociedade Nacional de Belas Artes em 2 de Outubro de 2009), e que tudo tem a ver com estas matérias. Trata-se da "Casa dos sentidos - crónicas de arquitectura", da autoria do Arq.º Sérgio Fazenda Rodrigues, editado pela ARQCOOP (www.arqcoop.com e atc.publicacoesol.pt), e onde entre diversos textos, agradavelmente intercalados por desenhos, vamos viajando por muitos sítios que marcam a verdadeira vivência que é desejável e possível numa cidade viva e humanizada, daquelas cidades que vão até à casa de cada um e daquelas casas que, por vezes, até estão mesmo no meio da cidade; no seu livro Sérgio Fazenda Rodrigues guia-nos nos olhares, nos usos, nas passagens e nos afectos,entre muitos sítios verdadeiramente citadinos e os espaços sentidos dos habitares mais íntimos, dos "cafés" aos espaços particularizados domésticos. É, portanto, um daqueles livros para ler e reler, ao sabor da vontade e enquanto, desejavelmente, vivenciamos espaços como esses.



Fig. 01

Lembrando, agora, o que aqui se abordou no primeiro artigo desta série sobre "vivências e vivendas", introduziu-se uma proposta de discussão e de aprofundamento de uma ideia considerada fundamental: pensar o habitar como verdadeiro espaço vivencial, como força integradora da vida do homem, como espaço/ambiente naturalmente interactivo e capaz de influenciar positivamente (ou negativamente) o dia-a-dia e os caminhos de vida e os objectivos dos seus habitantes; e note-se, aqui, uma tónica já um pouco mais prospectiva que aponta os meios do habitar como albergando um potencial claramente influenciador de linhas de vida individuais e familiares.

Naturalmente que a ideia do habitar como espaço vivencial e força integradora da vida do homem, marcou directa e indirectamente, pela positiva e pela negativa, toda a história humana desde a revolução neolítica, pois, afinal e tal como afirmou Christian Norberg-Schulz:

“Durante a maior parte da história a cidade foi a civitas , o mundo conhecido e seguro no meio de uma envolvente desconhecida. As suas qualidades primárias são a singularidade e identificabilidade... e dentro da cidade a casa realmente representa a necessidade básica de «estar num dado sítio.» Esta é a função essencial do habitar, e a casa continua a ser o espaço central da existência humana, o sítio onde a criança se desenvolve e começa a conhecer o seu próprio ser e a sua posição no mundo e o lugar do qual o homem parte e ao qual ele retorna.“ (3)

E o habitar num sentido de vivência que atravesse e marque, positivamente, a casa, a vizinhança e a cidade, pode e deve ser motivo de criação e recriação de uma tal caracterização e humanização, pois a cidade tem de ser um enorme, mas sensível e diversificado, espaço de vivências e de vivendas, a tal cidade feita de muitas cidades afectivas e efectivas; um amplo e rico espaço feito de cidades íntimas, mutuamente articuladas, e de cidades públicas, onde o anonimato e uma culta atractividade são qualidades que se harmonizam com segredos só gradualmente conhecidos, e sempre redescobertos, pelos seus mais experimentados habitantes.


Fig. 02

Nestas matérias é de extrema importância a ampla divulgação de textos e de opiniões, de descrições, de relatos e de testemunhos, de sentimentos e de análises, que abordem e comentem estas formas essenciais de poder habitar, com uma máxima qualidade de vida, "vivendas" (habitações amigáveis e estimulantes), vizinhanças (vivendas de proximidade), partes de cidades (cidades/bairros intensamente vivenciados) e cidades centrais. E é igualmente importante que esses textos sejam claros e possam chegar a um máximo de pessoas, muito para além dos "especialistas" nessas áreas e dos muitos que, não sendo especialistas, tenham e sintam ter muito a ver com tais assuntos. É portanto necessário divulgar amplamente a importância que tem, para cada um de nós e para a sociedade local e global, a possibilidade de podermos viver melhor as nossas casas, vizinhanças, partes de cidades e cidades centrais; e neste caminho, como em muitos outros, são fundamentais os exemplos e os "fazedores de opinião".

Em Portugal, a obra construída e escrita, bem como a própria vida, de Nuno Teotónio Pereira constituem o exemplo claro da importância e da grande oportunidade desta temática da ligação forte entre a Arquitectura e o habitar, entre o desenho e a satisfação de quem vive depois esse "desenho", entre as bases da concepção arquitectónica e um verdadeiro serviço ao homem habitante e à cidade habitada, e, portanto à sociedade. Não é por acaso que o livro de síntese da obra de Nuno Teotónio se intitula “Arquitectura e Cidadania - atelier Nuno Teotónio pereira” (Quimera Editores, 2004, www.quimera-editores.com) e também não é por acaso que em cada um dos seus novos artigos está sempre presente a matéria da humanização do habitar nas suas mais diversas e coerentes formas, visando sempre uma “habitação para a vida.”

No que se refere aos "fazedores de opinião" em Portugal há, felizmente, muitos escritos de gente que não é, profissionalmente, da arquitectura e do habitar, mas que dela fala com grande acuidade, interpretando as fundamentais preocupações de uma vida humanizada. São muitos os escritores, comentadores e cronistas que aqui mereceriam ser nomeados; alguns, infelizmente, já falecidos, mas, naturalmente, bem presentes no seu pensamento. E fazem-se, em seguida, sem qualquer ordem de importância, apenas breves referências às colectâneas de António Pinto Ribeiro (4), a muitos dos livros de Mário de Carvalho, a muitas das extraordinárias “Casas encantadas” de João Bénard da Costa, a muitas das crónicas de Eduardo Prado Coelho, aos inspiradores artigos e textos curtos de Jorge Silva Melo, José Saramago, António Lobo Antunes, José Eduardo Agualusa e Miguel Sousa Tavares; como atrás se disse, entre outros.

Assim se destaca a importância e a riqueza destas verdadeiras pontes entre o sentir as boas casas e as boas cidades, nestes pequenos/grandes textos lidos por muitos, e o urgente caminho de humanização e clara e positiva qualificação do habitar casas e cidades em Portugal. E, assim, através destes textos e de muitas outras colaborações, designadamente de jornalistas, é possível perceber que a preocupação profunda com uma qualidade do habitar verdadeiramente humanizada, afectiva e integrada começa, talvez, a cruzar mais intensa e frequentemente a sociedade (espera-se e deseja-se); o que constitui um sinal de esperança embora apenas e infelizmente um sinal que é urgente intensificar - e bem a propósito regista-se que as crónicas de Sérgio Fazenda Rodrigues (acima referido) se reportam a uma colaboração regular do respectivo autor no jornal "Açoriano Oriental, e nesta linha há toda a oportunidade no sublinhar dos magistrais, embora infelizmente raros, artigos de Nuno Portas na imprensa diária e, naturalmente, da colaboração regular de Arq. Manuel Correia Fernandes no Jornal de Notícias com crónicas extremamente actuais e que ligam matérias da Arquitectura e da Cidadania - e apresentam-se, desde já, sinceras desculpas para com um registo que não se pretendeu exaustivo, mas que mesmo assim esqueceu, sem dúvida, outras "nossos" (em língua portuguesa) artigos e crónicas que estabeleçam conjugações fundamentais entre a Arquitectura e o bem-viver a casa e a cidade, e aqui há, com toda certeza, um excelente manancial, que desconheço, por exemplo, no grande Brasil.


Fig. 03

Considera-se que é, assim, muito importante recolher e suscitar, sempre que possível, quer as opiniões de não arquitectos e de não especialistas do habitar sobre os "mistérios" de uma melhor "vivenda" e de como poderá ser uma cidade melhor vivenciada, quer as opiniões de especialistas nessas matérias, mas vestindo o "fato" de cidadãos bem informados que, "de fora", opinam sobre tais assuntos. Trata-se de uma maneira estratégica de se aprofundarem verdadeiras ligações privilegiadas entre o que se poderá desenhar e os rumos que estruturam a satisfação dos moradores.

Pois, afinal, não deve haver barreiras, e muito menos barreiras estanques, entre matérias ou facetas da arquitectura do habitar e o seu impacto - leitura e vivência - no viver habitações e cidades vivas, isto desde que essa arquitectura do habitar seja considerada como uma disciplina basicamente humana e humanizadora; que nascida e sempre renascida de fundamentais consensos, apoiados em boas práticas, possa ir criando um sentido de casa comum envolvente e significante: casa comum que envolva casas privadas agradáveis e estimulantes e envolvida por uma "casa comum" citadina também agradável e estimulante - naturalmente em proporções diversas e distintas de agradabilidade e de estímulo.

Um exemplo desta perspectiva integradora, que se defende, entre a concepção do habitar e um verdadeiro serviço à sociedade, está também expresso nos três principais objectivos estatutários do Grupo Habitar (GH) - Associação Portuguesa Para a Promoção da Qualidade Habitacional, uma associação de natureza técnica e científica, que tem sede no LNEC e criada em Janeiro de 2004; citam-se então esses objectivos:

(i) Estudar e discutir o habitar numa visão ampla, multidisciplinar e integrada, numa perspectiva teórico-prática que considere uma visão prospectiva fundamentada sobre o que poderá/deverá ser o espaço habitacional, em Portugal, neste novo século, assegurando-se a análise consistente do que já foi estudado e realizado, numa perspectiva que privilegie os casos português, europeu e da CPLP.

(ii) Tratar o habitar no respeito pelos seus diversos níveis físicos, da célula/fogo aos bairros na cidade, e pelos aspectos ligados quer à constituição de continuidades urbanas vitalizadas e à integração paisagística e ambiental, quer à qualidade de desenho de arquitectura, quer à qualidade construtiva, considerando durabilidade e equilíbrio de custos, quer à satisfação dos moradores e à preparação dos aspectos de gestão, quer às especificidades da habitação apoiada e a custos controlados.

(iii) Promover a nível nacional, o progresso e a difusão dos conhecimentos teórico-práticos sobre o habitar, designadamente, através da observação, do estudo e da discussão das realidades e da problemática habitacional, participar no aprofundamento de uma política habitacional adequada, apoiar iniciativas que contribuam para a resolução dos problemas existentes nos domínios da habitação, do urbanismo residencial, do ambiente urbano habitacional e da construção residencial, e colaborar com organismos e associações congéneres e suscitar a participação portuguesa em programas internacionais, no domínio da habitação, com interesse para o País.

Estas matérias, hoje fundamentais, de procurar, a todo o custo, pontes de compatibilização entre a "moradia" que se desenha e a "moradia" que nos satisfaz, encontram uma outra linha de aprofundamento prático e teórico na constatação da urgente actualidade da relação entre o habitar e a cidade, incluindo-se, aqui, seja os problemas de um habitar, frequentemente, inadequado a velhos e novos usos e desejos de "moradia", seja os problemas de uma cidade em crescimento crítico e que se debate com problemas que nunca conheceu antes.


Fig. 04

Esta relação fica bem evidenciada num texto de Luís Fernández–Galiano, que a seguir se cita, e que constituiu um dos seus excelentes editoriais, na também excelente revista madrilena Arquitectura Viva (nº 97, 2004); editorial intitulado “O problema da habitação tornou-se o problema da cidade.”

“Durante el siglo XX, la transformación urbana provocada por la mecanización de la agricultura y los flujos migratorios del campo a la ciudad suscitó el llamado ‘problema de la vivienda’. Los países pioneros de la industrialización lo conocieron antes, y el hacinamiento insalubre del proletariado urbano fue el telón de fondo de la promesa higienista de la arquitectura moderna, que se alimentó del mismo espíritu regeneracionista y la misma indignación moral que los proyectos del socialismo utópico o las denuncias del marxismo revolucionario en el siglo anterior.
En los primeros compases del XXI, y en el marco del mundo desarrollado, el alojamiento no es ya una preocupación cuantitativa o sanitaria, sino cualitativa y ambiental: garantizadas las dimensiones mínimas, la ventilación eficaz y el soleamiento salutífero, la vivienda contemporánea adolece de mediocridad visual, programas rutinarios y entornos anoréxicos... el resto de la población urbana de Occidente no se enfrenta a dilemas dramáticos en el terreno de la vivienda. La burbuja imobiliaria, es cierto, ha arrojado a los jóvenes a las periferias más inhóspitas, y la creciente fragmentación de los grupos familiares –sumada a la pujanza imparable de la residencia individual – multiplica la demanda de viviendas cada vez más pequeñas.

Esta hipertrofia amorfa de las ciudades con ‘urbanismo basura’, para formar una Babel horizontal de barrios anónimos y urbanizaciones exánimes – semejantes en su estructura morfológica a metástasis celulares o a cultivos bacterianos –, es el desafío más significativo al que se enfrenta la voluntad política o ciudadana de diseñar una geografía voluntaria que exprese en el paisaje físico la genuina naturaleza del cuerpo social. Es inevitable pensar que, independientemente de nuestros deseos, la degradación formal de la ciudad contemporánea es una fiel representación del deterioro del organismo colectivo:
La vivienda no es hoy un problema que reclame experimentos estéticos o innovaciones estilísticas; es un problema urbano, de la civitas o la polis, es decir, ciudadano y político. Necesitamos más arquitectura; pero, sobre todo, necesitamos más ciudad.”
E é também por esta urgente necessidade de uma cidade mais arquitectada e, simultaneamente, mais habitada, que aqui se defende que a abordagem do habitar e da concepção da "boa-vivenda" é um caminho que tem de seguir, quer percursos mais objectivados e associados a preocupações exigenciais e programáticas, quer percursos que considerem as boas práticas e que visem ambientes marcados pelo homem e especificamente pelo espírito humano.

De certa forma as “tipologias (d)e caracterização dos níveis físicos residenciais”, que integram o livro "Do bairro e da vizinhança à habitação", LNEC, ITA 2, seguidas dos “Rumos e factores de análise da qualidade arquitectónica residencial” (LNEC, ITA 8), livros estes que realizei e editei no LNEC entre 1998 e 2000, baseados no enquadramento disciplinar de António Reis Cabrita - no livro "O Homem e a Casa", editado também no LNEC em 1995 -, integram uma perspectiva que já se aproxima claramente destas matérias da humanização do habitar, contrapondo-se, assim, positiva e complementarmente, a uma aproximação "mais objectiva" da qualidade residencial - via esta também desenvolvida e editada no LNEC, recentemente, através do Programa Habitacional" de João Branco Pedro.

Procura-se, assim, dar corpo efectivo a um aprofundamento qualitativo e abrangente, ligado por um lado à paisagem e, por outro, aos aspectos emocionais, identificadores e socializadores que marcam de facto a vida do homem urbano e que, hoje em dia, numa sociedade repetitiva e globalizadora, estão cada vez mais na ordem do dia, pois uma boa "vivenda", bem integrada numa cidade agradável e viva, será, sem dúvida, fundamental, quer para que o homem aguente todas as pressões a que hoje em dia está submetido, quer para que possa "dar a volta" a tais pressões e possa profundar os aspectos fundamentais da sua humanidade e civilidade.

A nota que se fez sobre diversos livros disponíveis na Livraria do LNEC e que versam exactamente estes assuntos, é que é importante tomar certos estudos como bases estratégicas, para depois se avançar profundamente nestes temas, sem dúvida complexos mas sempre apixonantes, da necessária aliança entre concepção e satisfação residencial, e havendo resultados publicados de estudos específicos, sobre esta temática, feitos no Núcleo de Arquitetura e Urbanismo (NAU) do LNEC, então fará todo o sentido aproveitá-los ao máximo, para se conseguir chegar mais longe nesta área; foi sempre esta a "filosofia" de trabalho do NAU do LNEC, desde Nuno Portas, e por isso aqui se faz esta referência.

Ainda numa perspectiva de divulgar bases de referência nestas matérias, designadamente, no espaço da lusofonia, salientam-se os trabalhos e livros disponíveis na Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP) e na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAUUSP), sendo urgente e extremamente apelativa a constituição de uma plataforma de divulgação e de apoio a estudos nestas áreas que poderia ter a ver com estas entidades e com outras onde tais preocupações estão, actualmente, em claro desenvolvimento.


Fig. 05

Com esta perspectiva salientam-se, aqui, ainda e desde já, entre outras entidades cujos trabalhos sem dúvida desconhecerei (e às quais apresento as minhas prévias desculpas pela ausência de referência), os trabalhos e estudos desenvolvidos e editados, em Portugal: no Departamento de Arquitectura e Urbanismo do ISCTE-IUL; no âmbito da formação em Arquitectura e no recente Doutoramento em Arquitectura do Intituto Superior Técnico; e na formação em Arquitectura proporcionada pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra.

No Brasil devo referir os excelentes estudos desenvolvidos em São Carlos - São Paulo e julgo que igualmente ligados à FAUUSP, os trabalhos realizados na Universidade Federal do Rio de Janeiro e os estudos sobre o bom habitar e a "boa vivenda" desenvolvidos na Universidade Federal de Pernambuco; e aqui também, com certeza fui muito injusto, para com muitos estimados colegas e excelentes grupos de trabalho e instituições, mas fala-se do que se conhece e naturalmente tentarei remediar tal situação à medida que for conhecendo os trabalhos realizados e divulgados nestas áreas por outros centros de estudo da lusofonia.


Fig. 06

O segundo artigo desta série sobre os aspectos de humanização do habitar suscitados pela ideia ampla de "vivenda" termina aqui, mas não antes de se lançar o tema que corresponderá ao terceiro e, para já, último texto da série e que abrirá a porta ao aprofundamento dos significados, formas e relações que desde sempre têm conformado os espaços habitados, assuntos estes estimulantemente desenvolvidos num ainda recente estudo de Simon Unwin (5), e um assunto que, de certa forma se debaterá, entre o facto de estarmos a experimentar, actualmente, uma serena revolução de formas de habitar e de conteúdos vivenciáveis, que estão a marcar e irão estruturar este novo século, e a impossibilidade de habitarmos a ficção ou a realidade virtual, embora esta aí esteja, bem presente no nosso dia-a-dia; pois, afinal, e tal como refere Luís Fernández – Galiano, “os corpos físicos não podem ainda habitar espaços virtuais”:

“Los cuerpos físicos no pueden aún habitar espacios virtuales, por más que las nuevas élites cinéticas aspiren a la misma deslocalización incorpórea de la información o el dinero, permanentemente en tránsito por las redes de un mundo enmadejado de flujos. En los sueños domésticos reside la capacidad de la arquitectura para alimentar la promesa de una vida mejor. Esta promesa, sin embargo, es hoy en buena medida ficticia: las fantasías domiciliadas en la casa están en irónica contradicción con la multiplicación caudalosa de las promociones residenciales que consumen el territorio con su metástasis implacable, devastando a la vez la ilusión de una arcadia campestre y el mito elusivo de la casa individual.” (6)

Notas:(1) Miguel Esteves Cardoso, “Vivenda Boa Esperança”, Jornal Público, 16 de Setembro, 2009.
(2) António Baptista Coelho, Habitação Humanizada – TPI 46, LNEC, Lisboa, Julho de 2006, 577 p., 121 fig; e Habitação Humanizada: Uma apresentação geral – Memória 836, LNEC, Lisboa, 2007, 40 p., 19 fig.
(3) Christian Norberg-Schulz, Meaning in western architecture, Londres, Studio Vista, 1984 (1974), p. 224.
(4) RIBEIRO, António Pinto, Abrigos: condições das cidades e energia da cultura, Lisboa, Edições Cotovia, 2004, 223p.
(5) UNWIN, Simon, Analysing Architecture , 2002, 49p. 1254 vcii http://www.cf.ac.uk/archi/unwins/aawebs/aahome.html (22-10-2004)
(6) Luís Fernández – Galiano, Arquitectura Viva, nº Número 73 DOMICILIOS , El paisaje privado doce casos de casas,I, 2000

Nota editorial: embora a edição dos artigos editados no Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico, as opiniões expressas nos artigos apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores.

Infohabitar, Ano V, n.º 266
Lisboa, Encarnação – Olivais Norte, 5 de Outubro de 2009
Edição de José Baptista Coelho
Label: habitação, vivenda, habitação humanizada

domingo, setembro 20, 2009

264 - Vivências e vivendas I - Infohabitar 264

Infohabitar, Ano V, n.º 264
Vivências e vivendas Iartigo de António Baptista Coelho

A ideia de escrever sobre a vivenda, em termos gerais, mas essencialmente sobre os aspectos de humanização do habitar suscitados pela ideia de "vivenda", decorreu, directamente, de um belíssimo artigo de Miguel Esteves Cardoso, intitulado “Vivenda Boa Esperança” e que foi editado no Público. (1)

Lembrei-me, depois, de associar às palavras a editar sobre este assunto, algumas ideias com as quais abri, há poucos anos, um estudo realizado, publicado e disponível no LNEC sobre o título “habitação humanizada” (2), para o qual se poderão dirigir aqueles que queiram aprofundar estas temáticas, e depois surgiu, ainda, a ideia de editar aqui um pequeno ensaio, já com alguns anos, que escrevi sobre uma casa do futuro ou imaginária, e, finalmente, acompanhar as palavras com imagens de pormenores de casas que nos falam à alma. De tantas ideias fica, para já, o texto que se segue e que terá, muito provavelmente, continuação.

“(Hestnes Ferreira) – Aquela ideia da casa, muito ligada até aos românticos, e sei lá, ao Thoreau, o tipo que vai para a floresta, corta a árvore, arranja as pranchas, faz a sua casa e ali, ali é a sua casa, é uma ideia que continua, a estar presente, culturalmente ...

(Manuel Vicente) – Afinal uma casa é boa para uma família quando for boa para todas, não é? Mas isto não é o elogio do anónimo mas antes da extrema qualidade, a universalidade pela qualidade e não a universalidade pelo «éffacement», pelo apagar.
(Bravo Ferreira) – O neutro ... o neutro é chato em qualquer situação, é sempre cinzento...
(Manuel Vicente) – Do neutro ninguém se apropria... uma pessoa só se apropria daquilo que ama. Uma pessoa não pode amar uma coisa que não seja nada.
(Hestnes Ferreira) – E quando visitamos uma casa do século passado e ficamos deslumbrados com certo tipo de espaços e gostamos mesmo de ir para lá, isso é mesmo um sintoma de que aquilo transcendeu a família para quem foi feito, continua a sugerir e se calhar já foi utilizada de mil e uma formas, já teve mil e uma jarras diferentes em mil e uma mesas diferentes.
(Bravo Ferreira) – Restou-lhe sempre a qualidade, e essa é que está sempre.” (3)





Fig. 1: o habitar doméstico é feito de um sem-fim de pormenores e de sítios para esses pormenores.
Falamos então aqui de “casas” no sentido de espaços domésticos que nos envolvem e satisfazem e com os quais nos vamos identificando, ao longo do tempo, de formas gradualmente sempre um pouco mutantes, mas também sempre um pouco constantes, num sensível (re)densificar de afectos e de identidades, numa dinâmica que vai criando laços mais profundos com determinados espaços.

Estamos portanto a falar aqui de casas que são “algo”, física e espiritualmente, que formam as “conchas” das nossas vidas, como dizia Amália, mas que nos ligam ou devem ligar, às outras vidas através da cidade. E estamos aqui a falar de casas com qualidade, afinal, porque são isso tudo e não são “cinzentas”, nem “frias”, nem simplesmente maquinais, nem descaracterizadas, e cujas formas de terem sido feitas têm histórias que merecem ser contadas, histórias que integram exemplos, autores e ideias, tal como se quis sublinhar no texto que acabou de se citar, e que, portanto, nunca poderão ser reduzidas à mera fabricação de um produto de consumo, pois a casa, a habitação, é espaço de vida, espaço que marca a nossa vida e sítio de testemunho da vida do homem.

Neste sentido, no artigo referido no início deste texto, Miguel Esteves Cardoso defende o uso para casas como estas da palavra “vivenda” e cita o seu pai que dizia que “moradia ... é onde se mora” ... e “vivenda é onde se vive, como fazenda é onde se faz.”

Esta ideia de vivenda como sítio onde se vive, realmente, nas múltiplas dimensões do viver, desde o sentido de identidade e de autonomia, ligado aos nossos espaços e objectos pessoais, aos ambientes e espaços "de companhia" e de relação com as paisagens, que podem ser muito próximas e particulares/pormenorizadas ou mais afastadas, é um daqueles supostos “lugares comuns” bem falsos, pois é evidente, infelizmente, a enorme quantidade de habitações e de sítios de habitar onde até o simples morar funcionalista é difícil, pelas mais diversas razões mensuráveis e quantificáveis, quanto mais viver numa aproximação a uma vida de plenitude que pode e deve ser o desejo de cada um de nós e que se liga, inteiramente, a essas capacidades de viver o mundo doméstico, como pequeno em dimensão física, mas enorme numa perspectiva de identidade, afectividade e apropriação individual e de grupo.


Fig. 02: o habitar doméstico tem de fazer-se, ganhando-se para essa vivência a enorme riqueza da relação exterior-interior-exterior.

Realmente habitar uma habitação, viver uma vivenda (casa ou "apartamento"), pode e deve ser incomensuravelmente mais do que uma colecção de aspectos funcionais associados ao "acto" de habitar, e esta possibilidade, que não se esgota no espaço especificamente doméstico, mas que tem de transcender para o espaço citadino, é aquela qualidade responsável pelo papel do habitar numa vida diária verdadeiramente satisfatória e positiva em termos das histórias e dos percursos de vida de cada habitante. E é neste fazer bem o habitar que se vê também a qualidade do respectivo projecto, e a diferença entre o simples "produto habitacional" e o verdadeiro habitar, o verdadeiro espaço de vivência humana, as verdadeiras vivendas, espaços de vida diária que nos servem no dia-a-dia, enquanto nos apoiam nas nossas linhas de vida e são espaços privilegiados de registo das nossas histórias de vida.

Viver uma habitação, uma vivenda, com esse fundamental objectivo de uma vivência o mais possível plena e variada, que marca interiores, exteriores e limiares, é, naturalmente, matéria-base da arquitectura, mas num constante diálogo com as outras humanidades, numa viagem temática referenciada pelas ricas e essenciais matérias “nas margens”, entre a arquitectura e outras disciplinas. Uma viagem onde têm lugar cativo aqueles autores e projectistas que sempre se preocuparam com os objectivos da humanização do habitar, e assim, muito naturalmente ou de forma premeditada sempre destilaram e embeberam essas humanidades na grande matéria da arquitectura do habitar, seja em textos, seja em casas.

E sublinha-se que no universo das humanidades aplicadas ao habitar, se considera pertinente incluir, a par das clássicas humanidades, as matérias relativas ao bem estar habitacional e urbano – da segurança urbana ao conforto ambiental e à saúde – pois se considera que elas concorrem para o objectivo de um habitar positivamente qualificado e humanizado, mas sempre, sublinha-se, a partir de uma base duplamente residencial e arquitectónica.

Tal associação entre aspectos que vão beber directamente à filosofia, por exemplo, e que influenciam na concepção de um espaço urbano habitável, com aspectos que se podem considerar mais técnicos do urbanismo, como acontece, por exemplo, com as referidas matérias da segurança pública em meio urbano, com as matérias da perspectiva pediátrica associada à importância do meio urbano no crescimento equilibrado da criança e ainda com as matérias associadas ao relevo que tem o conforto ambiental e ergonómico no espaço público – só para referir alguns aspectos mais técnicos e de primeira linha nesta problemática – , tal como se disse, esta associação justifica-se, porque todos estes aspectos influenciam conjuntamente, e sublinha-se o conjuntamente, na concepção de um mundo urbano habitado que se deseja possa ser globalmente positivo e dinamizador da vida diária e da cultura.


Fig. 03: o sentido simbólico e filosófico dos espaços e mundos do habitar marca, desde sempre as acções e as ideias humanas - uma caixa/casa.

E tudo isto, todas estas matérias vivenciais e, nestes casos, também urbanas, têm uma sede básica, um ponto de concentração estratégico, que é, naturalmente, a habitação de cada um e as habitações que vamos vivendo, que vamos vivenciando, ao longos das nossas vidas, pois elas funcionam, na prática, como "pontos centrais" onde todas as principais relações pessoais, familiares, de vizinhança e urbanas se complexificam e são vividas com mais intensidade; é a partir de nossas casas que vamos experimentando a cidade, e é daí que para a cidade partimos, diariamente, e é para elas para essas nossas "vivendas", que todos os dias voltamos e é nelas que nos reconstituímos para novos dias, e é nelas, e nas boas relações que elas podem estabelecer com a cidade, que podemos encontrar boa parte da alegria de viver e de interesse de continuar a viver, vivendo-as e às suas vizinhanças e cidades, dia-a-dia, com interesse e curiosidade, que devem ser, sempre, renovados e se possível intensificados.



E atenção que as palavras que aqui se estão a usar não são palavras quaisquer, mais ou menos bonitas, pois decorrem de casos conhecidos e vividos, habitações e vizinhanças citadinas, que parecem ser, naturalmente, capazes de "empurrar" positivamente, em cada dia, a vivência dos seus habitantes, e evidentemente lembramo-nos de exemplos em bairros históricos ou bem consolidados e de exemplos de habitações que nos falam à alma.

Em muitas partes do trabalho que foi atrás referido - Habitação Humanizada(2) - são indicados alguns dos autores e das obras que se julga poderem orientar, hoje em dia, o pensamento sobre estas matérias da humanização do habitar, que se julga ser o assunto "central" nas preocupações que têm sido apontadas neste artigo pois afinal o habitar é o lugar comum do espaço existencial e do espaço arquitectónico, e assim pode-se considerar que, deignadamente, nos livros de Christian Norberg-Schulz se encontram muitas das chaves para a humanização do habitar, bem como uma utilíssima leitura “de arquitecto”, comentada e desenvolvida, que ele faz de conceitos essenciais para estas matérias, designadamente os de Heidegger.


Podemos assim dispor, no caso dos estudos Norberg-Schulz, de uma ponte utilíssima que nos facilita a entrada num amplo e fundamental campo disciplinar em que o habitar é considerado tanto pelo ângulo da arquitectura, pois o referido autor era arquitecto, pelo ângulo da filosofia, um ângulo com que muito temos a ganhar e que parece que tem sido um pouco esquecido.

Já o tenho referido várias vezes que tive a sorte de encontrar um dos principais livros de Norberg-Schulz no início do curso de Arquitectura, em 1974 - o "Existência, Espaço e Arquitectura" (3) -, “perdido” na então pequena prateleira sobre Arquitectura da Livraria Bertrand da Baixa de Lisboa. Desde então a ele sempre voltei e aqui junto, desde já, uma pequena síntese de alguns dos aspectos, dele retirados, que convém ter em mente quando se procura aprofundar o que é a humanização no habitar, aspectos estes que tudo têm a ver com a essencial transformação do espçao de habitar em espaço de vivência positiva e estimulante:

- Heidegger foi o primeiro a defender: uma “existência é espacial”, que “não se pode dissociar o homem do espaço”, que “não podemos colocar o homem e o espaço um ao lado do outro”, que “o espaço não é nem um objecto externo nem uma experiência interna” (p. 39).

- “Bachelard (na sua «Poética do Espaço») descreve a casa com «uma das grandes forças integradoras da vida do homem», na casa o homem encontra a sua identidade, e liberdade pressupõe segurança e esta só é possível mediante a identidade humana, na qual o espaço existencial é um aspecto. Esta é a essência da «habitação ou residência»” (p. 45).

- “O nível urbano distingue-se pela sua concentração e densidade. Os homens reúnem-se na cidade e a sua identidade depende dessa coexistência. A casa, no entanto, exprime um certo isolamento, um mundo privado que pode ser fechado se quiser” (p.114).

- “As grandes unidades tão correntes hoje em dia não só destroem a escala humana como impedem a rua de preservar a variada continuidade que constitui a sua essência” (p.101).




Fig. 04: naturalmente, também se habita, ou se deve habitar, intensa e afectivamente uma cidade humanizada - aqui uma vista do Porto.
E continuando, agora num outro livro do mesmo Norberg-Schulz: (4)

- “Durante a maior parte da história a cidade foi a civitas , o mundo conhecido e seguro no meio de uma envolvente desconhecida. As suas qualidades primárias são a singularidade e identificabilidade... e dentro da cidade a casa realmente representa a necessidade básica de «estar num dado sítio.» Esta é a função essencial do habitar, e a casa continua a ser o espaço central da existência humana, o sítio onde a criança se desenvolve e começa a conhecer o seu próprio ser e a sua posição no mundo e o lugar do qual o homem parte e ao qual ele retorna “ (p.224).

- “Pode dizer-se (referindo Lynch) que a organização elementar tem a ver com o estabelecimento de centros ou lugares (proximidade), direcções ou caminhos (continuidade) e áreas ou domínios (encerramento). Para se orientar o homem precisa acima de tudo de ter estas relações, enquanto as estruturas geométricas se desenvolvem em segunda linha para servir objectivos mais aprofundados... De acordo com Lynch o homem precisa de um ambiente urbano que facilite a sua própria geração de imagens: precisa de bairros com um carácter especial, percursos que levem a algum lado e pólos/nós que sejam «lugares distintos e inesquecíveis» (pp. 223 e 224).

- “Através do conceito de carácter, os conceitos de níveis ambientais de paisagem, implantação e casa foram tornados mais concretos. Estes caracteres constituem o verdadeiro assunto material da arquitectura, e a tarefa do arquitecto é criar sítios com um carácter particular e significante, porque sem a dimensão do carácter todos esses níveis seriam apenas meras abstracções, tal como um país ou uma cidade que apenas conhecemos de um mapa” (p. 225).

- “Uma obra de arquitectura está sempre relacionada com uma situação específica, mas também tem de transcender essa situação e surgir como parte de um todo mais legível e significante. Mesmo nos estágios mais antigos da edificação, a escolha de uma situação e de um enquadramento natural implicava avaliação de alternativas, isto é reconhecimento de semelhanças, diferenças e relações. Escolha feita para satisfazer necessidades humanas e assim relacionada com acções e intenções humanas. Na arquitectura vernácula, de facto, os sítios eram cuidadosamente escolhidos para diferentes funções e tais funções satisfeitas por tipos de edifícios específicos” (p.225).


Fig. 05: da cidade à "casa" e desta à cidade, num manancial de imagens de vivências que nos preenchem os dias.

E assim se introduziu, de forma explícita, na linha editorial do Infohabitar uma proposta de discussão e de aprofundamento de uma matéria daquelas que foram as mais importantes na ideia que fez germinar o Grupo Habitar e a sua revista: pensar o habitar como verdadeiro espaço vivencial, força integradora da vida do homem, capaz de influenciar positivamente os seus habitantes, pois "não se pode dissociar o homem do espaço" e este tem de ser vivenciado entre a casa que "continua a ser o espaço central da existência humana" e o espaço da cidade, que é onde os homens se reúnem, mas onde é essencial salvaguardar a escala humana, porque "o homem precisa de um ambiente urbano que facilite a sua própria geração de imagens" e deve viver em sítios com carácter particular, embora integrados num todo legível e significante.

E o habitar num sentido de vivência que atravesse e marque, positivamente, a casa, a vizinhança e a cidade, pode e deve ser motivo de criação e recriação de uma tal caracterização e humanização, pois a cidade tem de ser um enorme, mas sensível e diversificado espaço de vivências e de vivendas.

Notas:(1) Miguel Esteves Cardoso, “Vivenda Boa Esperança”, Jornal Público, 16 de Setembro, 2009.
(2) António Baptista Coelho, Habitação Humanizada – TPI 46, LNEC, Lisboa, Julho de 2006, 577 p., 121 fig; e Habitação Humanizada: Uma apresentação geral – Memória 836, LNEC, Lisboa, 2007, 40 p., 19 fig.
(3) Christian Norberg-Schulz, Existencia, Espacio y Arquitectura, Barcelona, Editorial Blume, trad. Adrian Margarit, 1975.
(4) Christian Norberg-Schulz, Meaning in western architecture, Londres, Studio Vista, 1984 (1974).

Nota editorial: embora a edição dos artigos editados no Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico, as opiniões expressas nos artigos apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores.Infohabitar, Ano V, n.º 264Lisboa, Encarnação –

Olivais Norte, 20 de Setembro de 2009
Edição de José Baptista Coelho
Label: habitação, vivenda, habitação humanizada