domingo, fevereiro 14, 2010

SILACC 2010: Cidade e Cultura: novas espacialidades e territorialidades urbanas - Infohabitar 285

Infohabitar, Ano VI, n.º 285
É com grande satisfação que o Infohabitar coopera na divulgação do "SILACC 2010 – Simpósio Ibero-Americano Cidade e Cultura: Novas Espacialidades e Territorialidades Urbanas”, que decorrerá na "cidade universitária" de São Carlos, próxima da grande São Paulo; e a definição "cidade universitária" é do autor destas linhas, que já participou em eventos em São Carlos e apenas quer fazer sublinhar a forte presença universitária e o ambiente muito agradável que aí se respira, que são sempre condições muito estimulantes para a reflexão e a discussão.



Fig. 00

Um dos dinamizadores do SILACC 2010 é o colega Prof. Manoel Rodrigues Alves, que esteve há pouco tempo no Grupo Habitar e no Núcleo de Arquitectura e Urbanismo do LNEC, para conversarmos um pouco sobre o SILACC e matérias associadas, ocasião em que houve a ideia de se fazer esta divulgação, de uma forma que, mais do que cooperar no conhecimento do Simpósio, possa constitui um elemento de pré-divulgação dos temas que aí se pretende apresentar e discutir.

E a propósito da visita do colega Manoel Alves refere-se que este tem estado numa missão de estudo junto à Universidad Internacional de Anadalucía, tendo aí desenvolvido variadas temáticas, designadamente, na área dos "processos socioespaciais", em parceria com diversos colegas entre os quais se refere o Arq.º Prof. Carlos Tapia Martín, da Escuela Técnica Superior de Arquitectura da Universidad de Sevilla, que integra a Comissão Científica do SILACC.

Outros colegas que iremos também rever no SILACC 2010 são o Prof. Arq.º Miguel Buzzar, do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Escola de Engenharia de São Carlos, responsável pela excelente revista RISCO (http://www.arquitetura.eesc.usp.br/revista_risco/), que tem de ser visitada e à qual voltaremos num próximo artigo, e o Prof. Arq.º Miguel Vitale da Facultad de Arquitectura, Diseño y Urbanismo, da Universidad Nacional del Litoral, Santa Fe, Argentina; e este último colega deu-nos já a satisfação de ter realizado uma palestra, em Lisboa, há alguns meses, no Departamento de Arquitectura e Urbanismo do ISCTE – IUL, numa iniciativa conjunta deste departamento com o Grupo Habitar e o NAU do LNEC.

E refiro todos estes colegas, com as devidas desculpas para os não referidos e também associados à organização do SILACC, porque o Grupo Habitar partilha, inteiramente, um dos objectivos do SILACC, que é desenvolver um novo e amplo espaço de debate das matérias da cidade e do habitar com "um escopo ibero-americano, ratificando a convicção de que é possível e necessário construir espaços adequados de reflexão e debate sobre os temas da cultura e da cidade contemporânea, suas continuidades e transformações em curso bem como de que esse debate pode e deve ganhar continuidade e aprofundamento."

Julgamos, realmente, que é possível, necessário e mesmo urgente debater estas matérias da cultura e da cidade contemporânea entre colegas de diversas disciplinas e que se entendem, muito bem, nas línguas que usam, num universo ibero-americano, que, naturalmente, se poderá e deverá estender aos restantes países que na África e em outras regiões do mundo falam português e espanhol; somos muitos nessas condições e há urgentes problemas associados a essas matérias nos nossos países, e o Grupo Habitar está também a avançar nesse sentido, no espaço da lusofonia com a organização do CIHEL 01, 1.º Congresso Internacional sobre Habitação no Espaço Lusófono.



Fig. 01

Mas voltando ao SILACC 2010 – Simpósio Ibero-Americano Cidade e Cultura: Novas Espacialidades e Territorialidades Urbanas”, que decorrerá, de 29 de Agosto a 01 de Setembro próximo, no campus de São Carlos da Universidade de São Paulo, salienta-se que a sua organização está associada ao Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo e o Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo.

O SILACC foi pensado com periodicidade bienal, e terá uma sua terceira edição, agora com âmbito ibero-americano, numa perspectiva que ” ratifica a convicção de que é possível construir espaços adequados de reflexão e debate sobre práticas e representações que constituem o momento presente, fomentando a produção de conhecimento relativo a processos que impactam a cidade, em distintos campos do saber e buscando estabelecer bases para uma cooperação acadêmica mais efetiva que trabalhe problemáticas da cultura e da espacialidade da cidade, suas continuidades e transformações em curso. Nesse sentido, o SILACC 2010 representa a consolidação da construção desse espaço de reflexão e debate, uma vez que dá continuidade às duas primeiras edições do Simpósio Cultura: dimensões contemporâneas”.

E, a título informativo, apontam-se os temas tratados nas duas anteriores edições do SILACC:

O SILACC 2007: Cidade e Cultura, dimensoes contemporâneas, foi realizado em Sao Carlos e estruturou-se nas seguintes sessões temáticas: Conflitos e Consensos na Conformação da Cidade Contemporânea; Espacialidades Urbanas Contemporâneas; e Projeto, Cultura e Projetualidade na Cidade Contemporânea.

O SILACC 2008: Cidade e Cultura, reflexoes e projetualidade hoje, foi realizado em Santa Fe, Argentina e compreendeu tres sessões temáticas: Urbanidade, Obscuridade e Iluminações sobre a Cidade Hoje; Textualidade. Espacializações Urbanas Coetâneas; e Projetualidade. O Projeto na Cidade Contemporânea.

O SILACC 2010 – “Cidade e Cultura: novas espacialidades e territorialidades urbanas” estrutura-se em três sessões temáticas, que são desenvolvidas na parte final do artigo, mas que aqui se apontam:
Sessão temática 1: Espacialidades e Territórios Híbridos da(na) Contemporaneidade.
Sessão temática 2: Tensões, Relações e Liminaridades na Cidade Contemporânea.
Sessão temática 3: Produção da Cidade e Produção da Habitação: cidade, cultura e política.

(nota: este texto foi realizado tendo como base diversos documentos do SILACC)

O editor do Infohabitar
António Baptista Coelho

Edita-se, em seguida, o texto de apresentação e divulgação do SILACC 2010



Fig. 02


SILACC 2010: Cidade e Cultura:

novas espacialidades e territorialidades urbanas
EESC-USP
São Carlos, 29 de agosto - 01 setembro 2010
PARTICIPE! Informações em www.arquitetura.eesc.usp.br/silacc2010

De 29 de agosto a 01 de setembro próximo, no campus de São Carlos da Universidade de São Paulo, será realizado o Simpósio Ibero-Americano “Cidade e Cultura: novas espacialidades e territorialidades urbanas” (SILACC 2010). A proposta para o SILACC 2010, terceiro evento realizado sob esse título, abarca um escopo ibero-americano, ratificando a convicção de que é possível e necessário construir espaços adequados de reflexão e debate sobre os temas da cultura e da cidade contemporânea, suas continuidades e transformações em curso bem como de que esse debate pode e deve ganhar continuidade e aprofundamento.

A cidade e suas novas manifestações, suas espacialidades distintas ou seus padrões diferenciados de expansão territorial, oferecem um conjunto de fragmentações reais e aparentes, crescimentos não harmônicos, deslocamentos e desdobramentos de centralidades, entre outros elementos ainda pouco conhecidos e explicados. Nesse cenário, novos elementos e configurações do meio urbano e de sua paisagem relacionam-se na conformação de dimensões, vivências e espacialidades decorrentes de uma nova escala dos entornos vivenciais e de suas infra-estruturas habitáveis.

Aventurar-se pelo urbano hoje implica, por um lado, experimentar as várias faces da transformação da noção tradicional de cidade, como entidade e imagem unificada, em um conjunto de situações espaciais e sociais conflitivas e aparentemente desconexas. As territorialidades urbanas contemporâneas nos desafiam nas tensões entre domínios, legalidades, usos e práticas urbanas, ao mesmo tempo em que aportam novos questionamentos na relação entre morfologias urbanas, tecidos sociais, comportamentos e construções conceituais para além dos modelos e conceitos instituídos, constatando-se a necessidade de investigação de formas de urbanidade e de suas complexidades sócio-culturais.

Essas manifestações inéditas fazem pensar, em um extremo, no fim da cidade planificável – seja em suas atribuições de civilidade, sociabilidade, governabilidade e gestão – e, em outro, no restabelecimento das entropias e sinergias necessárias aos estados híbridos de situações urbanas hoje detetáveis.

Quer no âmbito da cidade como artefato quer no âmbito da cidade vivida, ou do urbano vivenciado, é preciso pensar o presente, seus processos de territorialização e desterritorialização, a constituição e a destituição de cenários e atores urbanos, como amplificação e/ou como contraponto às concepções clássicas de conformação e configuração do espaço urbano.

A cidade e o urbano requerem tanto uma reflexão das condições dos universos referenciais hoje culturalmente instalados quanto a formulação de argumentos que permitam a análise de situações espaciais concretas condicionadas por dimensões heterodoxas, de natureza múltipla e bastante diversificada, nas quais se constata a superposição de possibilidades e atividades ao seu funcionamento, da experienciação da paisagem em contraponto a uma dimensão imagética dilatada, plural, mutante, virtual, midiática.

Diante desse quadro, os enfoques estritamente arquitetônicos seriam, então, redutores dos fenômenos que se constituem como alvos da elaboração empírica e conceitual de novas espacialidades e territorialidades. Assim, a presença de múltiplos olhares e enfoques se apresenta como pertinente ao afloramento de um pensamento conceitual apto ao enfrentamento do mundo contemporâneo – em oposição a um pensamento calcado em leis, normas e efeitos imagéticos.


O SILACC 2010 tem como objetivo possibilitar a reflexão conjunta a partir da diversidade de campos do conhecimento que não se restringem à Arquitetura e ao Urbanismo, objetivando gerar debates, críticas, reflexão sobre práticas culturais e urbanas, de projeto ou de intervenção, fomentando a geração de conhecimentos que dêem conta dos processos e transformações atuais observáveis na relação cultura – cidade contemporânea. Com isso pretende-se iluminar formas emergentes de urbanidade em suas dimensões sócio-culturais, correlacionando suas especificidades territoriais, ambientais, sociais e públicas, seus processos de transformação e suas permanências, seus elementos estruturantes e suas linhas de força.

O SILACC 2010 representa a consolidação da construção de um espaço institucional de reflexão que possibilite o desenvolvimento de quadro referencial teórico relativo a inter-relação entre arquitetura, cultura e o meio-ambiente na (e da) cidade contemporânea. Em assim sendo, dá continuidade às suas duas primeiras edições: em 2007, em São Carlos, com a temática “Cidade e Cultura: dimensões contemporâneas”; em 2008, na cidade de Santa Fé, abordou o tema de “Cidade e Cultura: reflexões e projetualidade hoje”.

É objetivo do Simpósio, promover o desenvolvimento de abordagens teóricas inovadoras sobre a relação entre as dimensões socioculturais e as dimensões espaciais do espaço urbano contemporâneo contemplando, para tanto, a adoção de novas perspectivas técnico-metodológicas que se apóiem em diagnósticos sócio-espaciais dinâmicos contemporâneos, buscando a identificação e elaboração de marcos conceituais que possam contribuir no desenvolvimento da reflexão e pesquisa sobre o ambiente urbano contemporâneo. Constrói-se, assim, o SILACC 2010, na linha de continuidade de outras perspectivas que abordam o território da arquitetura contemporânea a partir de um marco cultural ampliado, no qual a problemática territorial é também enfocada desde uma perspectiva sócio-espacial.

O prazo para o encaminhamento de propostas de trabalhos é de 22 de março de 2010. Todas as informações do SILACC 2010 (normas de envio e seleção de trabalhos, programação, inscrições e outras) encontram-se disponíveis na página do evento em

www.arquitetura.eesc.usp.br/silacc2010




Fig. 03


Para o desenvolvimento de sua problemática o SILACC 2010 “Cidade e Cultura: novas espacialidades e territorialidades urbanas” estrutura-se em três sessões temáticas, a saber:


Sessão Temática 1: Espacialidades e Territórios Híbridos da(na) Contemporaneidade

Essa sessão temática quer discutir temas que dizem respeito às transformações dos espaços e esferas contemporâneas, rompendo limites, estabelecendo porosidades, mesclando dimensões anteriormente separadas por clivagens mais ou menos nítidas, quer no âmbito conceitual, quer como separações e delimitações espaciais. Desse modo, essa sessão busca discutir permanências, redefinições ou mesclas conceituais que possam problematizar os fenômenos urbanos do presente que, inseridos na tendência contemporânea de criação de espaços e territorialidades distintas, dispersas, dissociadas e fragmentadas no território urbano, requerem outras chaves de leitura e aproximações desde diferentes práticas e saberes culturais.

Na contemporaneidade de realidades dispares, embaralhadas e híbridas, as intervencões sobre a cidade contemporânea constituem uma extensa casuística de acertos e desacertos que coexisten com intenções conceituais e operativos para governar a complexidade. Espaços e territórios que não se pode mais classificar como públicos ou privados, como publicizados ou privatizados, que nos colocam os processos híbridos ou hibridizados como questão a ser pensada não apenas do ponto de vista de sua produção, mas do ponto de vista de sua recepção e contínua elaboração; espaços e territórios da heterogeneidade social que criam novas contiguidades, simultaneamente promovidas e achatadas pela justaposição da coexistência, que avizinham o que é diverso e explicitam outras paisagens materiais e políticas, econômicas e étnicas. Trata-se de indagar as espacialidades e territorialidades urbanas contemporâneas observando questões relativas ao espaço público e a condição pública de sua espacialidade, a relação entre arte pública e espaço urbano, a banalização e mercantilização dos espaços urbanos, novas relações entre imaginários sociais, lugares urbanos e impactos da cultura da imagem, dentre outras.

Sessão Temática 2: Tensões, Relações e Liminaridades na Cidade Contemporânea

Consenso e conflito são duas figurações fundamentais das distintas concepções de espaço e esferas públicas, de dimensões da constituição ou destituição das elaborações publicizantes e privatizantes que constituem a gramática clássica da vida urbana, embaralhadas no momento contemporâneo.

Hoje as dimensões que mesclam o virtual e o real permitem que se considere uma zona de indiferenciação que compromete a existência autônoma de qualquer uma dessas esferas. Por outro lado, cabe também apontar que as porosidades e liminaridades entre legal e ilegal, formal e informal, moderno e contemporâneo, estrangeiros e cidadãos, elementos arcaizantes e modernizantes, populações criminalizadas e sem direitos se hibridizaram. As dimensões que compõem essas zonas cinzentas, as zonas de indistinção, a impossibilidade de distinguir sujeitos ou atores, natureza e cultura, centros e periferias, culturas autóctones e dimensões midiáticas, territórios que se constituem como liminares. Que questões são assim colocadas?

Diante do que permanece e do que se rompe, diante de redefinições, deslizamentos e mesclas, algumas dimensões de conflito, poros, novas mediações, novos e velhos usos de práticas e de valores parecem redesenhar as relações espaciais e sociais e seus vínculos, quer com a cidade, quer com o urbano. Quais são os eixos de tensão e de disputa? Quais os atores e suas mediações culturais e políticas? Quais são os fatores que estruturam as relações entre tensões, conflitos, consensos e territórios?

Sessão Temática 3: Produção da Cidade e Produção da Habitação:

cidade, cultura e política
Essa sessão tem por objetivo a discussão de aspectos relativos aos cruzamentos e intersecções entre as dimensões e aspectos urbanos, as políticas urbanas e habitacionais e as questões relativas a valores e práticas que se estabelecem nas mediações culturais das formas de uso da cidade e da moradia. Aqui também pretende-se detectar e discutir redefinições, permanências e transformações recentes que caracterizam os processos em curso nesses âmbitos de apreensão e reflexão nas múltiplas dimensões da cidade contemporânea.

É possível identificar algumas pistas que parecem indicar uma transformação nos vínculos entre cidade, processos produtivos, formas de intervenção do Estado e, nessa medida, cidade e regulação, cidade e política, tal como se evidenciam nas cidades, contemporaneamente.

Algumas dessas formas dizem respeito a novos atores que se acoplam e/ou agenciam formas de intervenção nas esferas do ambiente urbano. Quais as formas, processos e atores que constituem novas tessituras urbanas e de inserção produtiva? Algumas pistas parecem indicar transformações anteriormente apenas anunciadas que vêm ganhando novo corpo, novas densidades. Assim, talvez seja possível perceber a constituição de novos modos de intervir, de organização e de visualização dos sentidos dessas intervenções.



Fig. 04

Este texto é da responsabilidade da Comissão Organizadora do SILACC 2010, e foi enviado pelo colega Prof. Manoel Rodrigues Alves, a quem o Infohabitar agradece e deseja os maiores êxitos para o Simpósio, que abordará uma temática extremamente actual, vital e ainda tão pouco debatida,
A edição do Infohabitar
Nota editorial: embora a edição dos artigos editados no Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico, as opiniões expressas nos artigos apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores.

Infohabitar, Ano VI, n.º 285
Infohabitar a Revista do Grupo Habitar
Editor: António Baptista Coelho
Edição de José Baptista Coelho
Lisboa, Encarnação - Olivais Norte, 14 de Fevereiro de 2010

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