domingo, março 23, 2008

Arquitectura, Ciências Humanas e Habitar - Infohabitar 189

 - Infohabitar 189

3.ªConferência Alargada do Grupo Habitar, 31 de Março de 2008 na UNL

"O diálogo entre Arquitectura e Ciências Sociais Humanas na construção do Habitar - I"



APRESENTAÇÃO E CONVITE



No dia 31 de Março de 2008, segunda-feira, na Universidade Nova de Lisboa, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas – FCSH, decorrerá, desde as 18h.00, a 3.ª Conferência Alargada do Grupo Habitar sobre "O diálogo entre Arquitectura e Ciências Sociais Humanas na construção do Habitar", conferência esta que é aberta a todos aqueles que nela queiram participar, não sendo necessária inscrição prévia.

Universidade Nova de Lisboa, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas: Avª de Berna 26-C, Auditório 2, situado no Bloco 2 – Torre B – 3,º andar (a U.Nova de Lisboa encontra-se praticamente em frente à Igreja de Fátima).

A ideia para a qual o convidamos é estar algum tempo connosco ouvindo, numa primeira parte da Conferência, algumas perspectivas disciplinares e pessoais sobre o tema da relação entre o habitar projectado e o habitar sentido, que é também o tema da relação entre a arquitectura do habitar, a "filosofia" do habitar e a vivência do habitar (a casa e a cidade), considerando a sua verdadeira adequação mas sem se perder a sua dimensão urbana e cultural; e depois o convite é que a conversa passe para toda a sala.

A sessão será iniciada às 18h e concluída, obrigatoriamente, antes das 20h.

Para apontar algumas ideias teremos diversas opiniões de projectistas e de estudiosos e especialistas na matéria e mesmo algumas imagens de soluções habitacionais marcadas pela adequação ao modo de vida.

Encontra neste documento o perfil dos colegas que farão as intervenções iniciais.

O Grupo Habitar regista, aqui, um agradecimento público à Comissão Científica do Departamento de Sociologia da FCSH da Universidade Nova de Lisboa pelo apoio disponibilizado.
A Direcção do Grupo Habitar




“Há alguma coisa nessa actividade, que é o filosofar, que tem alguma afinidade com o caminhar …”[Eduardo Prado Coelho (1)]


Um pequeno texto de introdução à temática da procura da relação entre o habitar projectado e o habitar sentido



Em torno e acerca dos espaços de habitar que fazem viver quer as cidades, quer os pequenos aglomerados, muitas disciplinas têm vindo a desenvolver, designadamente, nas últimas dezenas de anos, os seus conhecimentos e modos de actuação, assistindo-se, hoje em dia, e cada vez mais, a um esforço de concentração multidisciplinar em temáticas urbanas e residenciais que ainda não há muito tempo eram praticamente exclusivas da formação em arquitectura.

Afinal e tal como disse Fernando Gil (2): “Aquilo a que hoje se chama pluridisciplinaridade não é uma metodologia, é a única metodologia possível para se perceber seja o que for. E essa é a razão pela qual é necessário estar-se aberto para fora de um certo limite.”
Uma nota especial deve ser endereçada para a necessidade de se irem definindo e articulando, mutuamente, os conceitos empregues nestas amplas áreas do habitar, criando-se, por um lado, uma crescente e gradualmente consolidada plataforma multidisciplinar de discussão e cooperação técnica, enquanto, por outro lado, se deverão ir traduzindo tais conceitos numa linguagem a todos acessível e apoiada, sempre que possível, em exemplos práticos perfeitamente ilustrativos desses mesmos conceitos.

Afinal, esta matéria das humanidades nos mundos do habitar tem a ver muito directamente com o eterno e matizado confronto entre quem habita e quem é responsável pelas soluções habitacionais e urbanas.

Há, assim, que desenvolver as matérias disciplinares e mesmo os procedimentos que possibilitem a melhor harmonização de tais esforços de todos os profissionais da cidade e do habitar.

O problema chega bem para todos e para os esforços conjuntos de todos, desde que cada especialização tenha a capacidade de contribuir com aquilo que realmente vai conhecendo melhor, e numa fundamental atitude de respeito duplo pelo bem-estar amplo do habitante e pelo hoje crucial constante desenvolvimento de uma mais-valia cultural, que tanta falta faz e fará.

Historiadores, engenheiros com diversas especializações, urbanistas, psicólogos, sociólogos, antropólogos, economistas, gestores, médicos, juristas, filósofos e geógrafos, tratam cada vez mais os temas urbanos e residenciais e assiste-se, também, a uma eclosão prática de novas especializações geradas pela fusão de diversos conhecimentos profissionais e académicos e/ou pela especialização objectiva na temática global do habitat urbano ou em algumas das suas sub-temáticas.

Será deste caldear de conhecimentos e de uma fundamental clarificação dos objectivos a perseguir, que poderão resultar adequadas intervenções habitacionais de raiz e de requalificação. E nesses objectivos as perspectivas da gradual constituição de um património urbano vivo e valioso e de uma afirmada aproximação à satisfação de quem habita são aspectos a privilegiar, considerando, ainda, as condições específicas e agravadas ligadas aos actuais e candentes problemas urbanos e sociais.

Entre exemplos recentes desta crucial confluência de especialidades recorda-se um trabalho coordenado por Panerai, sobre análise urbana, que trata da história da cidade numa assumida perspectiva multidisciplinar, que associa a história, a geografia, a cartografia, a análise arquitectónica, o desenho, a observação construtiva e a análise dos modos de vida.

Em Portugal, lembra-se, por exemplo, a ainda recente criação, em Janeiro de 2004, do Grupo Habitar – Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional, como sinal dessa perspectiva de urgente concentração multidisciplinar na temática do habitar; de certa forma construindo um novo pólo temático em torno do qual o estudo e o aprofundamento da cidade habitada assume contornos mais específicos e razoavelmente autónomos, concentrando esforços de um amplo leque de formações.


3.ªConferência Alargada do Grupo Habitar, 31 de Março de 2008 na UNL
"O diálogo entre Arquitectura e Ciências Sociais Humanas na construção do Habitar - I"



Intervenções iniciais de :

António Baptista Coelho, arquitecto (ESBAL), doutor em Arquitectura (FAUP), Investigador Principal com Habilitação e chefe do Núcleo de Arquitectura e Urbanismo (NAU) do LNEC, Vice-presidente da Nova Habitação Cooperativa, fundador e Presidente da Direcção do Grupo Habitar.

António Pedro Dores, doutorado em Sociologia (1996) com agregação em Sociologia (2004) pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), Coordenador de Mestrados sobre Sociologia da Instabilidade ou Instituições e Justiça Social, Gestão e Desenvolvimento, docente no ISCTE, investigador no Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES, no ISCTE).

António Reis Cabrita, arquitecto (ESBAL), Investigador Coordenador ap. e Especialista do LNEC, Professor Catedrático Convidado e Coordenador da Licenciatura em Arquitectura do Pólo de Viseu da Universidade Católica Portuguesa, fundador e Vogal da Direcção do Grupo Habitar.

Bruno Marques, arquitecto (Univ. Lusíada-Porto), mestre em Planeamento e Projecto do Ambiente Urbano (FAUP), doutorando (FEUP), Docente na Escola Superior Artística do Porto (ESAP), autor de diversos projectos de realojamento, técnico na C. M. de Santa Maria da Feira, recebeu o Prémio do Instituto Nacional de Habitação em 2000 e Menção Honrosa em 2001 (Prémio INH), fundador e Vogal da Direcção do Grupo Habitar e do NAAV - Núcleo de Arquitectos de Aveiro.

Defensor Gomes de Castro, engenheiro civil, iniciou a sua carreira nas áreas do habitar no Fundo de Fomento da Habitação, foi Director da delegação no Porto do Instituto Nacional de Habitação desde a sua criação em 1984, foi um dos mentores do Prémio INH, ao longo dos seus 18 anos de desenvolvimento, é actualmente coordenador da Delegação no Porto do Instituto da Habitação e da Reabilitação urbana (IHRU) e é fundador Vice-presidente da Direcção do Grupo Habitar.

Guilherme Vilaverde, Dirigente e Gestor Cooperativo, Presidente da Cooperativa As Sete Bicas, Presidente da Direcção da FENACHE - Federação Nacional das Cooperativas de Habitação Económica, Director Nacional da CONFECOOP - Confederação Cooperativa Portuguesa, Autarca e fundador do Grupo Habitar.

João Lutas Craveiro, sociólogo, mestre em Sociologia Urbana e Rural (ISCTE), doutor em Sociologia do Desenvolvimento e da Mudança Social pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa onde é docente convidado na licenciatura e mestrado em Sociologia, Investigador Auxiliar no Núcleo de Ecologia Social (NESO) do LNEC, e membro do Grupo Habitar.

Informações: António Baptista Coelho, abc@lnec.pt , abc.infohabitar@gmail.com , www.infohabitar.blogspot.com e 914 631 004


(1) Eduardo Prado Coelho, “O inabsorvível”, Público - opinião, 17 Janeiro 2004.
(2) Fernando Gil ao Expresso de 10/12/93.

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