domingo, maio 20, 2012

394 - Habitar vizinhanças urbanas, por António Baptista BCoelho e Notícias do 2.º CIHEL - Infohabitar 394


Infohabitar, Ano VIII, n.º 394

Aos leitores do Infohabitar,
Editam-se, em seguida, notícias do 2.º CIHEL, seguidas do artigo da semana, que corresponde ao Artigo XIII, da série habitar e viver melhor.

Notícias do 2.º CIHEL
Notas breves sobre o 2.º CIHEL - 2.º Congresso Internacional da Habitação no Espaço Lusófono, que terá lugar no LNEC em março de 2013 sobre o tema "Habitação, Cidade, Território e Desenvolvimento":
(i) Continuam a ser recebidos os resumos das propostas de comunicações.
(ii) O site do 2.º CIHEL estará activo muito brevemente.
(iii) As diversas Comissões de enquadramento e apoio ao 2.º CIHEL estão quase concluídas.
(iv) Há importantes apoios institucionais, que serão oportunamente divulgados.
(v)  Há inciativas associadas ao 2.º CIHEL que serão oportunamente apresentadas.
(vi) A prevista  actualização  do logótipo do CIHEL  foi já concluída, e será em breve divulgada aqui no Infohabitar - foi concretizada no âmbito das actividades lectivas do Curso Profissional de Técnico de Design Gráfico da Escola Secundária de Sacavém.

E remetem-se os leitores para o recente artigo nesta revista onde se faz a apresentação pormenorizada do Congresso e dos respectivos contactos:


direcção do 2.º CIHEL:
António Baptista Coelho, António Reis Cabrita e Jorge Grandão Lopes
O Presidente da Comissão Científica do 2.º CIHEL:
Paulo Tormenta Pinto


ARTIGO DA SEMANA - ARTIGO DA SEMANA - ARTIGO DA SEMANA
Habitar vizinhanças urbanas e paisagens de proximidade Artigo XIII, da série habitar e viver melhorAntónio Baptista Coelho

Introdução à caracterização de paisagens de proximidade e de vizinhança

As matérias associadas às paisagens urbanas ou urbanizadas de proximidade e especificamente à constituição de vizinhanças que nos estimulem positivamente e que suscitem afinidade e apropriação são as temáticas que nos preocupam neste artigo e, muito provavelmente, em próximos artigos desta série.
Voltamos a lembrar que estamos a lidar, basicamente, com paisagem urbana, ainda que, eventualmente, possa ser ruralizada, e sem uma objectiva preocupação "quantitativa" ou "planeadora" de dimensão espacial, pois considera-se que toda a relação entre um edifício e o seu passeio contíguo é já paisagem de proximidade ou pode ser "verdadeira" paisagem de proximidade positiva, quando bem concebida e construída; ficam assim desde já de fora aquilo que aqui, pelo menos, se considera serem as "não paisagens" e as "não vizinhanças", porque são espaços sem criatividade e sem coerência cultural, formal, funcional e construtiva.
Esclarece-se, também, que o que aqui se propõe como ideia de vizinhança é, de certo modo, a constituição de soluções de agrupamento de edifícios e de espaços exteriores públicos que proporcionem a possibilidade de se constituírem relações de vizinhança naturais, não “impostas”, entre quem usa/habita aí e na respectiva envolvente; é isto que se tem em mente e não qualquer ideia de uma convivialidade obrigatória ou concentracionária, através de acessos obrigatórios por determinados “pontos”, e por espaços de circulação em que as pessoas até eventualmente se "acotovelem" ou sejam "obrigadas" a constantes relações "olhos nos olhos" – e acredita-se mesmo que estas últimas condições terão, até, como consequência frequente a ausência de uma vizinhança positivamente efectiva e eventualmente afectiva, podendo mesmo resultar em conflitos frequentes entre utentes.

Fig.01: privilegiar uma arquitectura urbana que crie e consolide vizinhanças de proximidade

Vizinhanças urbanas agradáveis e únicas

As paisagens de proximidade devem caracterizar conjuntos urbanos e residenciais com dimensão diversificada, associados à definição de vizinhanças de proximidade, que sejam verdadeiros espaços de transição entre o edifício e a cidade, onde ainda seja possível algum conhecimento mútuo, mas também já algum convívio informal e espontâneo, num rico duplo sentido de última extensão do espaço doméstico e de guarda avançada do espaço urbano animado.
Ninguém está a pensar na criação de soluções de convizinhança “obrigatória”, espaços estes que nunca funcionaram, mas apenas em proporcionar possibilidade, quer de algum convívio geral a quem seja sensível a essa possibilidade, naturalmente, pensando-se nos grupos etários que, como as crianças, os jovens e os idosos, têm mais disponibilidade diária para o recreio e esse convívio potencial, quer de um convívio "urbano" mais específico, que possa acontecer numa estratégica relação de sinergia e eventualmente de compensação seja com determinadas condições sociais e físicas especificamente domésticase/ ou urbanas.
Um aspecto fundamental, a salientar, é que a vizinhança de proximidade deve constituir-se e caracterizar-se, sempre, como um verdadeiro santuário do peão, onde ele se sinta seguro, confortável, abrigado e, praticamente, em casa; condições estas que devem visar especificamente os vizinhos mais sensíveis, as crianças e os idosos, que, como se referiu, são os utentes mais frequentes  desses espaços e os seus principais animadores.
Mas atenção que a condição de ser "santuário do peão" não pode fazer reduzir as condições de funcionalidade e de eficácia estratégica no uso da vizinhança pelos veículos privados e de serviços, caso contrário teremos críticos problemas de rejeição da solução.

Fig. 02: a vizinhança de proximidade como "santuário do peão".
A vizinhança de proximidade, o tal sítio entre o edifício e a cidade, é o lugar estratégico para tais potencialidades, proporcionando um agradável afastamento, seja do anonimato citadino, seja da “cerimónia” e da privacidade que marca a vivência num edifício multifamiliar, e, por isso, aqui dedicamos algumas considerações ao papel desta vizinhança na construção de um habitar capaz de nos proporcionar mais satisfação e mais alegria no dia-a-dia, anotando-se que parte dos aspectos que estão a ser aqui apontados e comentados, se encontram desenvolvidos num estudo realizado e editado no LNEC e que se encontra disponível na respectiva Livraria - “Do bairro e da vizinhança à habitação”, Lisboa, LNEC, ITA 2, 1998.
Como já se referiu, sob diversas perspectivas, o principal segredo de um habitar verdadeiramente satisfatório é podermos viver a nossa casa, o nosso bairro e a nossa cidade. E, tal como se acabou de apontar, será na quase contiguidade da porta da nossa casa, mas já em pleno meio urbano, que encontraremos excelentes condições para um intensa fruição da paisagem urbana.
Afinal, o espaço de vizinhança é complemento e também agradável contraponto ao espaço doméstico, sítio onde podemos encontrar condições de espaciosidade, relação com a natureza e convivialidade que não existam no nosso espaço doméstico.

A vizinhança que tanto ainda é (a nossa) "habitação", como já é "cidade" (nossa e de todos)

E assim, e tal como sublinham diversos especialistas, o espaço de vizinhança de proximidade constitui um nível intermédio e de transição entre espaço público e espaço privado, equilibrando sentimentos de apropriação, identidade e orientação; e deste modo podemos concluir que a sua existência é fundamental para se proporcionarem adequadas condições de satisfação residencial e consequentemente de atenuação de eventuais comportamentos menos adequados e, eventualmente, agressivos.
A vizinhança de proximidade oferece, assim, condições específicas só aí possíveis, como será o caso das relações de convívio e de estada no exterior na proximidade de alguma animação urbana e condições de complementaridade, por exemplo, a eventuais situações de menor espaciosidade que caracterizem o espaço doméstico. Para além de tudo isto a vizinhança é o sítio estratégico de vivência diária de alguns grupos específicos de habitantes como é o caso das crianças brincando, jovens e adultos praticando desporto, idosos passeando e permanecendo em pólos de estadia. E há que sublinhar que uma adequada vizinhança de proximidade aproveita, ao máximo, a relativa amenidade do clima em Portugal.
A vizinhança de proximidade define-se no limiar entre o espaço que se deseja público, razoavelmente anónimo e animado e o espaço que se deseja privado, apropriado e sossegado. E há que destacar ser muito difícil construir esse limiar dentro das limitadas paredes do edifício, porque isso implicaria sempre grandes investimentos em espaços comuns interiores ou semi-interiores e dificilmente atingiria o desejado estado de equilíbrio e de vitalizado relacionamento entre espaços mais públicos e mais privados, numa interessante e útil animação urbana "à porta de casa"; afinal, uma animação que é um dos factores de satisfação para com a cidade e que encontra o seu mundo privilegiado no exterior residencial e nas suas margens equipadas e conviviais (ex., lojas, cafés e esplanadas).
Isto faz salientar a importância fundamental de se considerar o exterior residencial também como espaço que deve poder ser intensamente "habitado", uma intensidade de habitar que assume, naturalmente, um potencial e notável protagonismo a este nível da vizinhança de proximidade, porque na contiguidade com os respectivos edifícios residenciais e, naturalmente, desde que esta “dimensão” de vivência e de respectivo projecto tenha sido, objectivamente, prevista através de aspectos específicos de configuração e espaciosidade, alternativas de acesso, caracterização de limiares de transição entre os grandes espaços públicos e as células domésticas e de individualização de pequenas unidades residenciais (conjuntos de fogos).

Fig. 03: vizinhanças exteriores intensamente habitadas

Micro-intervenções vicinais naturalmente bem controláveis

Considerando-se, agora, uma perspectiva de aproximação ao que pode ser o dimensionamento mais desejável de uma vizinhança de proximidade e tendo em conta o muito que se conhece de cerca de três dezenas de anos de promoção habitacional de interesse social em Portugal, destaca-se o interesse de conjuntos residenciais criadores de vizinhanças efectivas até cerca de um máximo de 50 fogos, constituindo-se, assim, um conjunto que alia uma dimensão muito humanizada ao reconhecimento mútuo entre um número não excessivo de vizinhos e à geração de grupos de recreio infantil do mesmo nível etário, isto segundo Christopher Alexander. Naturalmente que tais possibilidades terão tudo a ver com a solução de Arquitectura e designadamente com um espaço exterior agradavelmente protagonista, com forma, função e carácter, e nunca com um espaço sobrante.
Para se atingir esse protagonismo há que anular tudo o que contribua para o desenvolvimento de espaços e recantos residuais, maximizando-se a coesão entre todos os sub-espaços e usos previstos, favorecendo-se as relações funcionais, visuais e ambientais entre os recintos exteriores e os edifícios vizinhos, evitando-se o “esmagamento” visual e o isolamento no espaço público por uma massa edificada excessivamente alta (torna-se difícil comunicar entre o nível do solo e uma habitação acima do 5ºandar, sendo praticamente impossível a partir do 7º), mas também se evitando uma excessiva espaciosidade exterior, tornada, tantas vezes, ainda mais crítica pela ausência de uma forma urbana coerente e ao serviço da vital continuidade urbana.
As dimensões que foram referidas como desejáveis na criação de vizinhanças de proximidade também constituem limiares práticos abaixo dos quais se torna mais possível a introdução na cidade de conjuntos residenciais que possam assegurar, também, o importante papel de preenchimento e de revitalização urbana, sendo, igualmente, uma dimensão de intervenção que permite o seu adequado controlo em termos das respectivas actividades e imagens urbanas; e, afinal, é também muito menos grave e potencialmente muito mais corrigível um eventual “erro” numa nova proposta de solução residencial e urbana numa intervenção com duas dúzias de habitações e lojas, do que numa com duas ou mais centenas.
Alia-se, assim, a possibilidade de se fazer melhor uma dada intervenção urbana e residencial, porque mais adequada a quem habitará aquela vizinhança, à possibilidade de a fazer melhor porque mais adequada àquela situação urbana específica; e a cidade faz-se e refaz-se, positivamente, através deste tipo de micro-intervenções bem controladas e controláveis em termos de solução projectada e de inserção e de gestão local, fortemente replicáveis e pormenorizada e faseadamente reconfiguradas em termos sociais, formais e funcionais.

Fig. 04: micro-intervenções vicinais bem controláveis
Finalmente, sobre a matéria da criação de vizinhanças urbanas marcadas pela identidade e pela agradabilidade, importa dizer que é aqui que se joga boa parte da viabilidade e de positiva visibilidade de um dado conjunto residencial e urbano, pois uma sua efectiva, afectiva e cuidada presença pode, até, fazer transbordar, positivamente, o conteúdo e o mundo doméstico para o exterior residencial, contribuindo decisivamente para o mútuo equilíbrio entre necessidades espaciais e sociais que se façam sentir em casa e na rua, e despoletando o gradual desenvolvimento de sólidos laços de convívio e amizade entre vizinhos; de certa forma será ultrapassar a presença da vizinhança em cada edifício, deixando-a, agradavelmente, “na sombra”, com fundamentais vantagens para a privacidade nas habitações, marcando, sim, a vizinhança a um nível de proximidade, no limiar activo da cidade, mas onde estamos ainda sob o guarda-chuva protector do nosso espaço doméstico, para onde podemos “retirar” a qualquer momento.
E não é possível deixar de comentar que assim se entende que situações de ausência bem pressentida, de forte descaracterização e de falta de coesão de vizinhanças de proximidade, poderão resultar em reacções de insatisfação, instigadoras de sentimentos de rejeição e mesmo de revolta. Pois, afinal, assim não se tem uma das dimensões da cidade, temos apenas uma espécie de "alojamento" funcional e mínimo em termos das condições de habitar proporcionadas.
Notas editoriais:
(i) A edição dos artigos no âmbito do blogger exige um conjunto de procedimentos que tornam difícil a revisão final editorial designadamente em termos de marcações a bold/negrito e em itálico; pelo que eventuais imperfeições editoriais deste tipo são, por regra, da responsabilidade da edição do Infohabitar, pois, designadamente, no caso de artigos longos uma edição mais perfeita exigiria um esforço editorial difícil de garantir considerando o ritmo semanal de edição do Infohabitar.
(ii) Por razões idênticas às que acabaram de ser referidas certas simbologias e certos pormenores editoriais têm de ser simplificados e/ou passados a texto corrido para edição no blogger.
(iii) Embora a edição dos artigos editados no Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico, as opiniões expressas nos artigos apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores.


Infohabitar a Revista do Grupo Habitar
Infohabitar, Ano VIII, n.º 394
Editor: António Baptista Coelho
Edição de José Baptista Coelho
Lisboa, Encarnação - Olivais Norte

domingo, maio 13, 2012

393 - Importância do verde urbano - artigo de Arno Rieder; Notícias do 2.º CIHEL; Revista Brasileira de Gestão Urbana - Infohabitar 393

Infohabitar, Ano VIII, n.º 393

Aos leitores do Infohabitar,

Editam-se, em seguida, notícias do 2.º CIHEL, seguidas da divulgação de uma inciativa editorial académica brasileira, e, depois, publica-se um artigo do Prof. Arno Rieder, sobre a importância do verde urbano, um tema de grande actualidade.

Arno Rieder é Professor Extensionista e Pesquisador, Doutor em Saúde e Ambiente na Universidade do Estado de Mato Grosso / Empresa Matogrossense de Pesquisa - Unemat/Empaer - MT, Cáceres Mato Grosso (MT).

O Infohabitar e o Grupo habitar agradecem ao Prof. Arno Rieder esta contribuição e é com grande satisfação que o acolhemos no conjunto de colegas colaboradores da nossa revista, um grupo que já ultrapassou os 50 participantes neste processo editorial que está a aproximar-se da edição n.º 400 e que, diariamente tem cerca de 300 leitores.

O editor do Infohabitar

António Baptista Coelho



Notícias do 2.º CIHEL

Notas breves sobre o 2.º CIHEL - 2.º Congresso Internacional da Habitação no Espaço Lusófono, que terá lugar no LNEC em março de 2013 sobre o tema "Habitação, Cidade, Território e Desenvolvimento":

(i) Foram já recebidos os primeiros resumos propostos para comunicações.

(ii) O site do 2.º CIHEL, que está a ser desenvolvido pelos respectivos serviços do LNEC, estará, em breve, activo.

(iii) As diversas Comissões de enquadramento e apoio ao 2.º CIHEL já quase concluídas e a respectiva Comissão Científica será em breve divulgada.

(iv) Há novos e importantes apoios institucionais, que serão oportunamente divulgados.

(v) Há novas inciativas associadas ao 2.º CIHEL que serão oportunamente apresentadas.

(vi) A prevista actualização do logótipo do CIHEL, para aplicação neste 2.º Congresso está já a ser concretizada no âmbito das actividades lectivas do Curso Profissional de Técnico de Design Gráfico da Escola Secundária de Sacavém; e será objecto de um artigo específico de apresentação.


E remetem-se os leitores para o recente artigo nesta revista onde se faz a apresentação pormenorizada do Congresso e dos respectivos contactos:
http://infohabitar.blogspot.pt/2012/04/2-cihel-lisboa-lnec-marco-2013.html


A direção do 2.º CIHEL:
António Baptista Coelho, António Reis Cabrita e Jorge Grandão Lopes
O Presidente da Comissão Científica do 2.º CIHEL:
Paulo Tormenta Pinto


Divulga-se a chamada de trabalhos para a Revista Brasileira de Gestão Urbana - URBE

http://www2.pucpr.br/reol/index.php/urbe

Revista Brasileira de Gestão Urbana - Brazilian Journal of Urban Management; da Pós-graduação em Gestão Urbana - Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR).
(Programa de pós-graduação em Gestão Urbana: mestrado e doutorado)

Tema/SEÇÃO ESPECIAL: CIRCULAÇÃO DE IDEIAS URBANAS NO MUNDO LUSÓFONO - editores convidados: Clovis Ultramari e Fábio Duarte.

Quem esteja interessado saber mais pormenores e em participar basta clicar: http://www2.pucpr.br/reol/public/23/archive/CFP_lusofilia.pdf
Como se pode ver uma temática que tudo tem a ver com a do CIHEL, e aproveita-se para saudar o colega Clovis Ultramari, que foi um dos participantes no 1.º CIHEL, e com o qual contamos para divulgar e participar no 2.º CIHEL, em março de 2013, no LNEC em Lisboa.


ARTIGO DA SEMANA - ARTIGO DA SEMANA - ARTIGO DA SEMANA Importância do verde urbano (1)

Arno Rieder (2)

Um dos lugares ecologicamente mais incorretos provocado pelo homem é, em geral, no Brasil, o ambiente urbano. Embora o homem urbano seja o mais crítico sobre desflorestamentos no meio rural, ao mesmo tempo em que é o maior consumidor de produtos resultantes das produções destas áreas. Por exemplo, é contra a cultura de soja, do algodão, mas é fiel consumidor de óleo de soja em suas refeições assim como usuário de roupa de fio de algodão.

Contudo, o ambiente urbano é o lugar onde se concentram moradias, serviços e obras coletivas, em geral, ecologicamente mal planejadas. O meio urbano tem elevada densidade populacional. As pessoas que o compõem geralmente entram em conflito e em competição com a maior parte dos elementos naturais que ali existem ou existiam. Esta insana urbanização pode atingir níveis de remoção drástica dos elementos que ali estavam em equilíbrio natural, negando-lhes espaço para continuarem ali e que poderiam, em planejamento mais racional, configurar, junto com a intrusão adensada do homem, um meio urbano mais saudável.

Os projetos de ampliação de ocupação urbana, na maior parte dos municípios brasileiros, são executados de modo a agredirem e desrespeitarem profundamente a natureza, desconhecendo o papel que poderia proporcionar aos que ali querem chegar.

Ilustra-se isto com os programas “Minha Casa Minha Vida” e de outros conjuntos habitacionais: removem inicialmente a vegetação; depois a camada superficial do solo, no mínimo, no eixo das estradas, levando este solo para fora e longe; na base da casa alteram tudo drasticamente; instalam casas de concreto ou similar; implantam rede de esgoto no novo residencial, mas levando os conteúdos para serem lançados em outros residenciais mais antigos e menos adensados, até mesmo jogando em quintais de outros moradores, nem tão próximo (até 2-6 Km). O poder público não podia deixar isto acontecer, mas deixa, faz de conta que nada tem a haver com esta situação.



Fig 1- Ipê, Cáceres (MT), Brasil, 06 out.; 2007. Foto: A. Rieder

Os ambientes urbanos futuros deveriam se instalar em ambientes naturalmente já bastante equilibrados e receberem os novos integrantes progressivamente, até um limite suportável e em ritmo que propiciasse as adaptações e mobilizações para alcance de novos estágios de equilíbrio. Uma primeira condição seria remover o mínimo os elementos naturais do lugar, em especial a vegetação.

Os ambientes já urbanizados deveriam sofrer avaliações profundas sobre a qualidade de vida que proporcionam e qual a tendência disto, em face de sua situação atual de composição e distribuição de elementos naturais, em especial referentes à flora.

As plantas ajudam a infiltração da água no solo, assim como podem purificar ambientes contaminados ou evitar a contaminação se disseminar; captam, absorvem, filtram a radiação solar, ajudando a reduzir os danos da radiação nociva e, assim ajudam até reduzir incidência de doenças como de câncer.

Há municípios no Brasil que já taxam com IPTU menor lotes que reduzem áreas concretizadas ou calçadas substituindo isto por espaços arborizados, em face do serviço que isto presta de aumentar a infiltração no solo de águas de chuvas, evitando desastres com enchentes.

O verde urbano estabelece um microclima mais ameno e estável e, de microclima em microclima se pode chegar a um macroclima mais estável e saudável. São vários os componentes de clima que são afetados pela vegetação, e funcionam como regulador tampão de: temperaturas, umidade, ventos, irradiação solar, evapotranspiração, luminosidade, etc.

As plantas oferecem sombra, extremamente importante em regiões tropicais e subtropicais.

A ausência ou pouca vegetação em meio urbano faz a condição local se aproximar a ambiente desértico.



Fig. 2 – Vitória Régias, Margens de Cáceres (MT), Brasil, 27 mar. 2008. Foto: A. Rieder

O ambiente urbano vegetado ajuda a reciclagem de nutrientes no solo e a retenção destes, assim como a produção de madeira, lenha, material para artesões, frutos, flores, fontes para néctar, pólen e resinas para abelhas.

O cultivo de vegetais em meio urbano ajuda a amenizar o gasto com compras de alimentos (verduras, frutas, raízes, etc.), complementando a renda familiar. As mangueiras, cajueiros, seriguelas, bocaiúvas e outras espécies em ambiente público ajudam a alimentar muitas famílias e crianças carentes neste Brasil tropical.

A indústria natural “verde vegetal” seqüestra carbono, despoluindo, diante da alta emissão e concentração de carbono no meio urbano (emissão desde o que é emitido por cada pessoa até pela indústria e pela combustão de automóveis); em troca ainda libera-nos o oxigênio. Logo o verde urbano também propicia mais um serviço de alto valor: a despoluição e oxigenação do ambiente.

As plantas ornamentam o ambiente. Estimulam criatividades de arranjos florísticos, seja para jardins particulares como públicos.

O verde urbano abriga um ambiente saudável, harmonicamente sonoro (ex.: pássaros cantando) e aromatizado (ex.: pelas flores) para o exercício físico do amanhecer ou do entardecer; a caminhada neste ambiente é um dos melhores remédios para desestressar e se re-energizar de bons fluídos.

O ato de cultivar plantas e passear entre elas é um potentíssimo elixir da longa e saudável vida, e este exercício além de gerar uma interação de energização positiva entre homem-planta, abre caminhos à comunicação com o bem e com Deus.

Quanto a composição da vegetação urbana esta preferencialmente deve ser bastante diversa, constituída de espécies que precisam ser preservadas, que possam produzir coisas de alto valor como: frutas, flores, madeiras, lenha; enraizar pivotantemente; atrair predadores de pragas; ter alta capacidade de despoluir e de oxigenar; disponibilizar substâncias e compostos medicamentosos para trato da saúde (plantas medicinais), etc.



Fig. 3 - Itajaí, SC, Brasil, 20 out 2010. Foto: A. Rieder

O verde urbano atrai e possibilita a re-instalação da diversidade biológica animal também, assim como o estabelecimento de um controle natural sobre animais-pragas, evitando explosão populacional

O verde vegetal é uma dádiva divina para propiciar a vida neste nosso planeta. É a indústria do princípio de tudo, pois daí origina-se a produção primária de biomassa: alimento; matéria prima para abrigos, instrumentos, acomodações, decorações, comunicação (ex.: papel) energia; medicamentos, etc.

Organizações de saúde (OMS) mundialmente respeitadas recomendam por volta 12 m2 de área verde por habitante. O novo código florestal prestes a ser implantado no Brasil indica que deve haver 20 m2 em média, bem distribuídos, por habitante brasileiro. Isto é um grande avanço, e quem não puder ter isto pode pagar por serviços ambientais a outros que tem sobrando.

Um grande desafio, que se tem é convencer cada cidadão atual para dar sua contribuição a implantação do verde urbano requerido, enquanto as futuras gerações adultas devem ser convencidas principalmente pelas escolas, através do processo formal de ensino-aprendizagem, complementado por ações e informações desde familiares, de associações e até da mídia massiva.

Professore(a)s: temos uma desafiadora e bela tarefa pela frente, de educar para um verde urbano planejado, implantado e mantido, oferecido para as atuais e futuras gerações, que se sucedem.


(1) Parte de uma palestra sobre o “verde urbano” em escolas de Cáceres (MT); Articulação: Grupo Pesq. - FLOBIO, PRAGADU, e pela Assessoria de Extensão da Coord. Do Campus Universitário de Cáceres, Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT).
(2) Prof./Extensionista/Pesquisador; Dr. em Saúde e Ambiente: Unemat/Empaer-MT, Cáceres (MT), 2 de abril 2012.

Notas editoriais:
(i) A edição dos artigos no âmbito do blogger exige um conjunto de procedimentos que tornam difícil a revisão final editorial designadamente em termos de marcações a bold/negrito e em itálico; pelo que eventuais imperfeições editoriais deste tipo são, por regra, da responsabilidade da edição do Infohabitar, pois, designadamente, no caso de artigos longos uma edição mais perfeita exigiria um esforço editorial difícil de garantir considerando o ritmo semanal de edição do Infohabitar.
(ii) Por razões idênticas às que acabaram de ser referidas certas simbologias e certos pormenores editoriais têm de ser simplificados e/ou passados a texto corrido para edição no blogger.
(iii) Embora a edição dos artigos editados no Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico, as opiniões expressas nos artigos apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores.


Infohabitar a Revista do Grupo Habitar
Infohabitar, Ano VIII, n.º 393
Editor: António Baptista Coelho
Edição de José Baptista Coelho
Lisboa, Encarnação - Olivais Norte



domingo, maio 06, 2012

392 - Habitar a cidade e as paisagens de proximidade (artigo); e Notícias do 2.º CIHEL - Infohabitar 392


Infohabitar, Ano VIII, n.º 392
Artigo da semana: Habitar a cidade e as paisagens de proximidade - Artigo XII, da série habitar e viver melhor
Notícias do 2.º CIHEL


Notícias do 2.º CIHEL
Notas breves sobre o 2.º CIHEL - 2.º Congresso Internacional da Habitação no Espaço Lusófono, que terá lugar no LNEC em março de 2013 sobre o tema "Habitação, Cidade, Território e Desenvolvimento":

(i) Foram já recebidos os primeiros resumos propostos para comunicações.
(ii) O site do 2.º CIHEL, que está a ser desenvolvido pelos respectivos serviços do LNEC, estará, em breve, activo.
(iii) As diversas Comissões de enquadramento e apoio ao 2.º CIHEL estão em fase muito adiantada de desenvolvimento.
(iv) Há novos e importantes apoios institucionais que serão oportunamente divulgados.
(v) Há novas inciativas associadas ao 2.º CIHEL que serão oportunamente apresentadas.
(vi) A prevista actualização do logótipo do CIHEL, para aplicação neste 2.º Congresso está já a ser concretizada no âmbito das actividades lectivas do Curso Profissional de Técnico de Design Gráfico da Escola Secundária de Sacavém; e será objecto de um artigo específico de apresentação.

E remetem-se, desde já, os leitores para o recente artigo nesta revista onde se faz a apresentação pormenorizada do Congresso e dos respectivos contactos:
http://infohabitar.blogspot.pt/2012/04/2-cihel-lisboa-lnec-marco-2013.html




A direção do 2.º CIHEL:
António Baptista Coelho, António reis Cabrita e Jorge Grandão Lopes
O Presidente da Comissão Científica do 2.º CIHEL:
Paulo Tormenta Pinto






Habitar a cidade e as paisagens de proximidade
Artigo XII, da série habitar e viver melhor
António Baptista Coelho

No presente artigo desenvolve-se uma reflexão sobre um habitar expandido para lá das paredes da habitação de cada um e, designadamente, para os "terceiros" espaços, ou terceiro "sítios", um conceito desenvolvido por Ray Oldenburg (1) e que este autor liga, de forma destacada, designadamente, ao café da esquina, à livraria, ao bar, ao cabeleireiro; terceiros sítios, pois estão para além dos outros dois sítios principais, na vida de cada um, o sítio de trabalho e o sítio doméstico, e espaços que, podem e devem ser “sítios de estadia no coração da comunidade”, como refere Oldenburg, e não é possível deixar de salientar aqui o grande número de casos, nas nossas cidade e povoações, em que ou nem há espaços/sítios desse tipo, ou eles são desenvolvidos sem quaisquer cuidados de funcionalidade e de sensibilidade, esta última essencial para se poderem criar verdadeiros "sítios" de vivência hurmana e urbana de proximidade.

Esta reflexão inicia-se com a perspectiva da urgente recuperaçao de um uso intenso do exterior na cidade e no habitar e desenvolve-se, depois, numa abordagem mais focada da essencial e associada criação de verdadeiras paisagens de proximidade.






Recuperar um uso intenso do exterior na cidade e no habitar

No espaço privado do habitar é fundamental assumir cada vez mais a habitação como várias habitações, e considerar a habitação também como lugar de trabalho (no “den”) e de recreio, a habitação como espaço que deve responder a um amplo leque de necessidades e desejos, simultâneos e sequenciais, aprofundando-se, assim, os aspectos de adaptabilidade e de redução/anulação das hierarquias funcionais domésticas, assim como os aspectos de apoio a diversos modos de vida, desde os mais jovens e conviviais aos mais recatados e assistidos, como poderá acontecer no caso dos idosos.

E importa pensar o habitar para além dos compartimentos interiores, libertando-nos de limitações sem sentido e avançando, seja na recuperação de novos/velhos modos de ligar o espaço privado ao espaço público, directa ou indirectamente, através de estimulantes espaços de transição e de limiar, seja na própria utilização do exterior coberto e descoberto como espaço próprio dos nossos mundos habitacionais privados (re)ganhando uma outra dimensão para as nossas habitações.

Fora do espaço habitacional privado uma fundamentada inovação no habitar parece dever centrar-se nas soluções de vizinhança, numa tendência que se julga ter grande potencial. Estão neste caso quer misturas tipológicas variadas e razoavelmente compactas, criando ruas, pracetas residenciais e vizinhanças afirmadas, servidas por diversas tipologias de acesso e edifícios fortemente articulados com espaços exteriores públicos, embora, por vezes, com um carácter de fruição aparentemente limitado às respectivas vizinhanças, quer um uso específico dos espaços exteriores à porta de casa e dos equipamentos mais próximos como verdadeiras extensões dos nossos mundos domésticos, uma condição que exige elevada capacidade e sensibilidade de concepção.

E aqui, nas ruas e pracetas de uma cidade que se quer habitada, é essencial a sua devolução à estima e ao intenso uso públicos, pois, como defende Jan Gehl (2), enquanto, antigamente, uma casa cheia de gente era uma pequena cidade, hoje em dia os que vivem sós, ou em pequenos grupos, precisam, criticamente, da vida urbana, e de uma vida urbana de vizinhança e de centralidade, para viverem com diversidade e estímulo; é, portanto, crucial que o habitar invada as vizinhanças urbanas e a própria cidade central.

Em tudo isto há que ter, naturalmente, em conta o sítio que se habita, mas no nosso País as possibilidades estarão entre zonas em que há uma muito razoável possibilidade de uso do exterior, durante todo o ano e outras zonas onde tal possibilidade é intensa durante todo o ano, ganhando-se, assim, tendencialmente muito espaço habitável com um custo baixo, pois trata-se, em muitos casos, de espaços só pavimentados, ou pavimentados e parcialmente cobertos, ou cobertos com elementos vegetais ou simples dispositivos de sombreamento.

Naturalmente que estas opções têm influência directa numa busca de soluções tipológicas diferentes dos habituais apartamentos do designado tipo “esquerdo/direito”, mas desta forma acabam por ser mais uma razão para se avançar numa tal inovação.

Tudo isto se baseia numa expressiva diversidade de soluções urbanas e residenciais, que devem ser feitas especificamente para cada situação, caracterizando positivamente cada sítio, com pontes claras de adequação ou adaptáveis a hábitos e gostos específicos e com um forte sentido de identidade urbana, alargando o habitar à cidade habitada, com vantagens duplas: para quem assim tem um habitar muito mais amplo e diversificado; e para uma cidade que assim irá respirar num tecido verdadeiramente habitado e sentido.

Fica, assim, a esperança de que habitar a vizinhança, o pequeno bairro e a cidade possa voltar a ser bastante mais do que habitar a casa de cada um de uma forma mais ou menos “doentia”, num isolamento tirano e tornado crítico, não com as novas tecnologias, porque estas criam laços complementares, mas por uma forma de estar na sociedade em que parece que praticamente só o indivíduo conta.





Criação de verdadeiras paisagens de proximidade

Naturalmente que a recuperação de um uso intenso do exterior na cidade e no habitar, que acabou de ser abordada e defendida, terá tudo a ver com uma adequada (re)criação de verdadeiras paisagens de proximidade, e sobre esta estimulante e urgente matéria, crucial num contexto de crítica deterioração das nossas paisagens urbanas, há que referir, em primeiro lugar, dois aspectos que se julga serem determinantes.

Um primeiro aspecto é que a construção de verdadeiras paisagens de proximidade, adequadas, mas, para além de adequadas, projectadas com qualidade arquitectónica e com verdadeira caracterização local e/ou específica, é um assunto essencial da Arquitectura, pois toda a obra resulta em boa parte dessa relação com o local e nessa relação adquire boa parte do seu carácter; um aspecto que numa linguagem mais corrente tem a ver com a possibilidade de se criarem sítios relativamente únicos e atraentes, excelentes contentores de uma identidade paisagística local, ou de imagem urbana local, que seja um claro elemento aditivo de construção de uma paisagem urbana rica e diversificada.

Um segundo aspecto tem a ver com ser fundamental trabalhar a proximidade, nos seus aspectos de pormenorização, de cuidada diferenciação e de adaptação às inúmeras circunstâncias locais, quando se projecta a escala urbana da vizinhança, pois este é um nível urbano, fundamentalmente usado a pé e com relativo vagar, em que todos dirigimos um máximo de atenção para os aspectos do pormenor, e se ele não existir (como por vezes/tantas vezes não existe) ou se ele for deficiente (como tantas vezes acontece), dificilmente poderá desenvolver-se a fundamental estima para com estes espaços de proximidade.





Há ainda um terceiro aspecto, menos palpável, mas igualmente interessante, que se poderá definir como a capacidade activa de uma paisagem de proximidade para a construção de um sentimento local específico, muito efectivo e afectivo de forte interiorização residencial, um sentimento que poderá marcar os residentes de uma dada vizinhança, com dimensões flexíveis, mas nunca excessivas, e que se caracteriza, frequentemente, por aspectos específicos ou conjugados ligados a um sentido de sítio único e por vezes agradavelmente misterioso, a um sentimento de lugar protector e de sossego, e mesmo a um agradável e ambíguo sentido de imersão na natureza, mas em forte integração urbana.

Tudo isto nunca será possível quando encaramos o habitar como da porta da casa para dentro, pois tudo isto tem a ver com a integração ampla desse habitar e com as formas como ele se relaciona com o seu meio urbano e paisagístico, seja em aspectos de acessibilidade funcional, seja nas fundamentais matérias das visibilidades mútuas e da criação de percursos estratégicos e agradáveis.

E remata-se este pequeno “ponto” sobre as paisagens de proximidade referindo que estamos a tratar de paisagem urbana, ainda que, eventualmente, possa ser ruralizada, e estamos a tratar de sequências e enfiamentos, de vistas de referência e de elementos de surpresa, e tudo isto estamos a tratar sem uma objectiva preocupação de dimensão espacial, pois a relação entre um edifício e o seu passeio contíguo é já paisagem de proximidade, numa diversificação de possibilidades que encontra nas sequências citadinas, de muitas épocas, um inesgotável manancial de referências. Aassim haja a capacidade, a criatividade e a honestidade intelectual para as construir e pormenorizar com uma coerência que tem de ser formal/cultural/sentimental, funcional e construtiva.

Notas bibliográficas:

(1) O conceito dos "terceiros espaços" no habitar - 1.º espaço, a habitação; 2.º espaço, o trabalho; 3.º espaço, o espaço "livre" do lazer, do convívio e também eventualmente do trabalho, mas realizado nos sítios mais diversos - foi introduzido por Ray Oldenburg em “The Great Good Place : Cafes, coffee shops, bookstores, bars, hair salons and other hangouts at the heart of a community”, 1999 (1989).
(2) Jan GEHL,«A Changing Street Life in a Changing Society» in http://repositories.cdlib.org/ced/places/vol6/iss1/JanGehl/, consultado em 13.02.2009.

Notas editoriais:
(i) A edição dos artigos no âmbito do blogger exige um conjunto de procedimentos que tornam difícil a revisão final editorial designadamente em termos de marcações a bold/negrito e em itálico; pelo que eventuais imperfeições editoriais deste tipo são, por regra, da responsabilidade da edição do Infohabitar, pois, designadamente, no caso de artigos longos uma edição mais perfeita exigiria um esforço editorial difícil de garantir considerando o ritmo semanal de edição do Infohabitar.
(ii) Por razões idênticas às que acabaram de ser referidas certas simbologias e certos pormenores editoriais têm de ser simplificados e/ou passados a texto corrido para edição no blogger.
(iii) Embora a edição dos artigos editados no Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico, as opiniões expressas nos artigos apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores.


Infohabitar a Revista do Grupo Habitar

Editor: António Baptista Coelho
Edição de José Baptista Coelho
Lisboa, Encarnação - Olivais Norte
Infohabitar n.º 392



domingo, abril 29, 2012

391 - A Árvore das Ruas - a propósito de um poema, algumas imagens; divulgação das Jornadas de Investigação e Inovação do LNEC; e o 2.º Congresso Internacional da Habitação no Espaço Lusófono - Infohabitar 391

Infohabitar, Ano VIII, n.º 391

A presente edição do Infohabitar inicia-se (i) com a primeira divulgação da segunda Jornada de Investigação e Inovação do LNEC, intitulada “Cidades e Desenvolvimento”, (ii) continua com uma secção, que iremos manter em continuidade, sobre a preparação do 2.º Congresso Internacional da Habitação no Espaço Lusófono e (iii) edita, depois, o artigo da semana, que rouba o seu título a um poema de Yves Bonnefoy, " A árvore das ruas/L'arbre des rues", ilustrado, primeiro, pela sua própria imagem parisiense, através da pintura mural de Pierre Alechinsky onde se integra o referido poema, e, associado, depois, a um pequeno conjunto de excelentes árvores das nossas ruas.

O editor do Infohabitar
António Baptista Coelho



Fig.01: Jornadas de Investigação e Inovação do LNEC: "“Cidades e Desenvolvimento”, a realizar no Centro de Congressos do LNEC de 18 a 20 de junho de 2012

Jornadas de Investigação e Inovação do LNEC:
"Cidades e Desenvolvimento”

A atividade de investigação científica e técnica do LNEC, com alcance estratégico, é realizada numa perspetiva multidisciplinar, de modo a contribuir de forma relevante para o desenvolvimento sustentável da sociedade.

O LNEC organiza durante o ano de 2012 um ciclo de três Jornadas dedicadas à investigação e inovação, cobrindo as várias áreas dos setores da construção e do ambiente. Com estas Jornadas pretende-se promover uma reflexão sobre os temas de investigação que vêm sendo desenvolvidos, visando colocar a atividade de investigação ao serviço da comunidade e aliando-lhe a inovação e o desenvolvimento. Pretende-se também fortalecer e estimular as redes de conhecimento a uma escala global, fomentando a participação de outras instituições de ciência e tecnologia e do tecido empresarial, nos domínios relacionados com a Engenharia Civil.

A segunda jornada deste ciclo, intitulada “Cidades e Desenvolvimento”, abordará as temáticas da conservação e reabilitação , do risco e segurança, do desempenho dos materiais e das construções, das infraestruturas urbanas e do ambiente e habitabilidade no espaço urbano.

Carlos Pina
Presidente do Conselho Diretivo do LNEC



Fig.2 : Jornadas de Investigação e Inovação do LNEC: “Cidades e Desenvolvimento”

Os leitores facilmente poderão ter todas as informações sobre esta iniciativa do LNEC, clicando em: http://jornadas2012.lnec.pt/site_2_Cidades_e_Desenvolvimento/index.html

São os seguintes os temas da Jornada sobre “Cidades e Desenvolvimento”, a realizar de 18 a 20 de junho de 2012, integrada nas Jornadas Investigação e Inovação do LNEC:
  • Conservação e reabilitação do património edificado
  • Risco e segurança no espaço urbano
  • Desempenho dos materiais e das construções
  • Infraestruturas urbanas
  • Ordenamento, ambiente e habitabilidade


O 2.º Congresso Internacional da Habitação no Espaço Lusófono (2.º CIHEL) está a receber resumos para propostas de comunicações sobre o tema geral "Habitação, Cidade, Território e Desenvolvimento”.

O 2.º CIHEL é uma organização do LNEC e terá lugar em Lisboa, no Centro de Congressos deste Laboratório Nacional, de 13 a 15 de Março de 2013.

Remetem-se os leitores para o artigo 389 do Infohabitar, facilmente acessível ao correr das páginas da nossa revista, onde se faz a apresentação geral e prática do 2.º Congresso Internacional da Habitação no Espaço Lusófono, que decorrerá em Lisboa, no Laboratório Nacional de Engenharia Civil, em Março de 2013: de 11a 12 de Março de 2013 realiza-se um Workshop; de 13 a 15 decorrerá o Congresso, com abertura oficial e palestra inaugural na tarde de 13 de Março de 2013.

Pretende-se com este 2.º CIHEL desenvolver uma abordagem ampla e multifacetada da temática “Habitação, Cidade, Território e Desenvolvimento”, considerada de grande oportunidade, numa altura em que se desenvolvem planos para elevados números de habitações e para a reurbanização de extensas áreas em vários dos países da lusofonia que se debatem com críticas carências habitacionais e de ordenamento urbanístico, e privilegiando-se a abordagem do habitar, num sentido amplo e correcto, que considere as suas facetas quantitativas, qualitativas, urbanas, territoriais e ambientais, e o seu papel como meio vital de desenvolvimento socioeconómico dos respetivos países.

Lembra-se que está já aberta a recepção de propostas de comunicações, sob a forma de resumos, até ao dia 1 de Julho de 2012, EXCLUSIVAMENTE, para o seguinte endereço electrónico do 2.º CIHEL: comunicacoes2cihel@lnec.pt

Os temas para envio de comunicações são os seguintes, encontrando-se minimamente comentados no Infohabitar n.º 389: a) Programas e políticas urbanas e habitacionais; b) Cidade habitada, território e ambiente; c) Da urbanidade no espaço público à cidade informal; d) O habitar nas comunidades rurais; e) Da habitação de interesse social à diversificação tipológica; f) Integrar a reabilitação urbana e habitacional; g) Sistemas, processos, tecnologias e materiais de construção; e h) Práticas de investigação e intervenção urbana e habitacional.

Outros aspectos práticos e informativos sobre o 2.º CIHEL estão editados no artigo nº 389 desta revista.

O editor do Infohabitar
António Baptista Coelho




Fig.01  A árvore das ruas/L'arbre des rues, Rue René Descartes - Paris

A árvore das ruas/L'arbre des rues

Uma pintura mural de Pierre Alechinsky
com um poema de Yves Bonnefoy

(nota do editor: esta é também a árvore da cidade, ou a árvore das ruas da cidade)

Ao lado da pintura pode ler-se este poema de Yves Bonnefoy :

Passant,

regarde ce grand arbre

et à travers lui

il peut suffire.

Car même déchiré, souillé,

l'arbre des rues,

c'est toute la nature,

tout le ciel,

l'oiseau s'y pose,

le vent y bouge, le soleil

y dit le même espoir malgré

la mort.

Philosophe,

as-tu chance d'avoir l'arbre

dans ta rue,

tes pensées seront moins ardues,

tes yeux plus libres,

tes mains plus désireuses

de moins de nuit.

Yves Bonnefoy




Fig.02  A árvore das ruas/L'arbre des rues, com um poema de Yves Bonnefoy

Passante,

olha para esta grande árvore

e através dela

pode ser suficiente.

Pois mesmo rasgada, suja,

a árvore da ruas

é toda a natureza,

todo o céu,

o pássaro pousa nela,

o vento nela move, o sol

aí fala da mesma esperança, apesar

da morte.

Filósofo,

tens tu a sorte de ter a árvore

na tua rua,

os teus pensamentos serão menos árduos,

os teus olhos mais livres,

as tuas mãos mais desejosas

de menos noite.

 Yves Bonnefoy
(nota: o editor apresenta as suas desculpas por uma tradução, que foi, apenas, a possível)

E, em seguida, algumas árvores das nossas ruas:




Fig:03 uma árvore das ruas



Fig:04 uma árvore das ruas


Fig:05 uma árvore das ruas


Fig:06 uma árvore das ruas


Fig:07 uma árvore das ruas


Fig:08 uma árvore das ruas

Notas editoriais:

(i) A edição dos artigos no âmbito do blogger exige um conjunto de procedimentos que tornam difícil a revisão final editorial designadamente em termos de marcações a bold/negrito e em itálico; pelo que eventuais imperfeições editoriais deste tipo são, por regra, da responsabilidade da edição do Infohabitar, pois, designadamente, no caso de artigos longos uma edição mais perfeita exigiria um esforço editorial difícil de garantir considerando o ritmo semanal de edição do Infohabitar.

(ii) Por razões idênticas às que acabaram de ser referidas certas simbologias e certos pormenores editoriais têm de ser simplificados e/ou passados a texto corrido para edição no blogger.

(iii) Embora a edição dos artigos editados no Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico, as opiniões expressas nos artigos apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores.


Infohabitar a Revista do Grupo Habitar

Editor: António Baptista Coelho

Edição de José Baptista Coelho

Lisboa, Encarnação - Olivais Norte

Infohabitar n.º 391



domingo, abril 22, 2012

390 - 2.º Congresso Internacional da Habitação no Espaço Lusófono sobre o tema "Habitação, Cidade, Território e Desenvolvimento”, no LNEC, Lisboa, Portugal, 13 a 15 de Março 2013 - Infohabitar 390

Infohabitar n.º 390: a presente edição é dedicada ao reforço do lançamento, na semana passada, do 2.º Congresso Internacional da Habitação no Espaço Lusófono e da respetiva chamada de trabalhos/comunicações, salientando-se que, durante toda a semana passada, o Infohabitar atingiu níveis muito altos de leitura.





Remetem-se os leitores para o artigo 389 do Infohabitar, facilmente acessível ao correr desta página, onde se faz a apresentação geral e prática do 2.º Congresso Internacional da Habitação no Espaço Lusófono, que decorrerá em Lisboa, no Laboratório Nacional de Engenharia Civil, em Março de 2013: de 11a 12 de Março de 2013 realiza-se um Workshop; de 13 a 15 decorrerá o Congresso, com abertura oficial e palestra inaugural na tarde de 13 de Março de 2013.

Pretende-se com este 2.º CIHEL desenvolver uma abordagem ampla e multifacetada da temática “Habitação, Cidade, Território e Desenvolvimento”, considerada de grande oportunidade, numa altura em que se desenvolvem planos para elevados números de habitações e para a reurbanização de extensas áreas em vários dos países da lusofonia que se debatem com críticas carências habitacionais e de ordenamento urbanístico, e privilegiando-se a abordagem do habitar, num sentido amplo e correcto, que considere as suas facetas quantitativas, qualitativas, urbanas, territoriais e ambientais, e o seu papel como meio vital de desenvolvimento socioeconómico dos respetivos países.

Lembra-se que está já aberta a recepção de propostas de comunicações, sob a forma de resumos, até ao dia 1 de Julho de 2012, EXCLUSIVAMENTE, para o seguinte endereço electrónico do 2.º CIHEL: comunicacoes2cihel@lnec.pt

Os temas para envio de comunicações são os seguintes, encontrando-se minimamente comentados no Infohabitar n.º 389: a) Programas e políticas urbanas e habitacionais; b) Cidade habitada, território e ambiente; c) Da urbanidade no espaço público à cidade informal; d) O habitar nas comunidades rurais; e) Da habitação de interesse social à diversificação tipológica; f) Integrar a reabilitação urbana e habitacional; g) Sistemas, processos, tecnologias e materiais de construção; e h) Práticas de investigação e intervenção urbana e habitacional.

Outros aspectos práticos e informativos sobre o 2.º CIHEL estão já editados no artigo nº 389 desta revista e podem ser, assim, consultados de imediato, correndo-se esta página.

Com as melhores saudações e apelando à participação directa neste 2.º CIHEL e à sua divulgação
O editor do Infohabitar
António Baptista Coelho