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terça-feira, agosto 11, 2020

Seminário internacional NUTAU 2020 International Seminar – Infohabitar # 742

Ligação direta (clicar) para:  725 Artigos Interactivos, edição revista, ilustrada e comentada - 38 temas e mais de 100 autores.

 

Infohabitar, Ano XVI, n.º 742

Edição: terça-feira, 11 de agosto de 2020

Seminário internacional NUTAU 2020    International Seminar – Infohabitar # 742

13º Seminário Internacional NUTAU 2020 – Valorização de resíduos da arborização urbana – potencial para pesquisas e projetos de urbanismo, arquitetura e design

Editorial:

Muito estimados leitores da nossa Infohabitar,

Este número da nossa revista semanal cumpre uma missão de divulgação que proporciona um agrado muito especial ao autor destas linhas e, posso dizê-lo, a muitos dos amigos e colegas que têm participado com a Infohabitar desde o seu início, pois estamos a cooperar na divulgação de mais uma edição do seminário internacional do NUTAU – Núcleo de Pesquisa em Tecnologia da Arquitetura, do Urbanismo e do Design da Universidade de São Paulo.

O NUTAU e o seu seminário internacional, ligados à bem conhecida Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo – FAUUSP, acrescentam à grande importância que a FAUUSP tem, desde sempre, nos domínios da pequisa em Arquitetura e Urbanismo, uma já longa, afirmada e sempre consolidada tradição de inovação e grande qualidade de uma investigação multidisciplinar, teoricamente bem baseada e bem aplicada e uma abordagem multifacetada, tão dirigida para a atualidade do grande Brasil, como para as temáticas, as experiências e os debates internacionais mais necessários, estimulantes e atuais ; e nunca será excessivo salientar a falta que fazem mais iniciativas deste tipo e com este elevado nível de qualidade no âmbito da investigação em Arquitetura, Urbanismo e Habitat Humano.

Fiquem, então, caros leitores, com a divulgação pormenorizada do 13º Seminário Internacional NUTAU 2020 – Valorização de resíduos da arborização urbana – potencial para pesquisas e projetos de urbanismo, arquitetura e designa realizar online em 17 e 18 de novembro de 2020, salientando-se que a chamada para artigos decorrerá até 14 de setembro próximo.

A Infohabitar e o seu editor  registam aqui saudações calorosas e desejos de pleno êxito a todos os organizadores desta 13.ª edição do NUTAU e à Professora Cyntia Santos Malaguti de Sousa, coordenadora da Comissão Organizadora do evento, acrescentando um abraço saudoso à grande amiga Professora Sheila Walbe Ornstein, que também coopera nesta iniciativa.

 

Lisboa, Encarnação, em 10 de agosto de 2020

António Baptista Coelho

Editor da Infohabitar

 

 

 

13 Seminário internacional International Seminar

NUTAU 2020

Apresentação

O Núcleo de Pesquisa em Tecnologia da Arquitetura, do Urbanismo e do Design da Universidade de São Paulo - NUTAUUSP, vinculado à Faculdade de Arquitetura e Urbanismo - FAUUSP, dedica-se ao desenvolvimento, coordenação e difusão de investigação científica e multidisciplinar nas diversas áreas abrangidas pela tecnologia da arquitetura, do urbanismo e do design, focadas no contexto e em demandas do país, buscando também constante diálogo com a experiência internacional. Como parte de suas atividades regulares, desde 1996 o NUTAU vem organizando seminários internacionais bienais,abordandotemas emergentes e significativos para o avanço do conhecimento em suas áreas de atuação.


Neste ano, o 13º Seminário Internacional NUTAU 2020, programado para o mês de novembro, será realizado inteiramente on-line, tendo como tema central a “Valorização de resíduos da arborização urbana”, procurando discutir seu potencial para pesquisas e projetos em suas áreas de atuação. Fundamenta esta escolha o reconhecimento da importância da arborização urbana para as cidades, tanto por razões ambientais quanto estéticas. Ela propicia inúmeros benefícios às condições locais, purificando o ar, reduzindo o ruído, tornando o solo urbano mais permeável, mitigando a formação de “ilhas de calor” e protegendo a fauna; além disso promove efeitos significativos no paisagismo, criando maior beleza cênica, zonas de sombra, ambientes para descanso e contemplação. Por outro lado, seu planejamento e sua gestão envolvem um conjunto de atividades complexas, onerosas e diversas interações, muitas vezes conflituosas, com a infraestrutura urbana, com agentes públicos e privados. 


Entre estas atividades, será dado destaque àquelas relacionadas ao manejo arbóreo, poda, remoção de árvores e destinação desses resíduos, com o objetivo de explorar e divulgar iniciativas e estudos promissores, da perspectiva da sustentabilidade, da economia circular e da abordagem sistêmica. O manejo de tais resíduos, que abrangem não apenas folhas, sementes e pequenos galhos secos, mas também seções maiores e troncos inteiros, representam, para diversas cidades brasileiras, volumes e custos consideráveis. Grande parte deles ainda é descartada em lixões e aterros; em poucos locais seu destino é a compostagem ou a geração de energia pela queima. Ainda que as duas últimas alternativas propiciem uma destinação ambientalmente adequada destes resíduos e formas de aproveitamento, não exploram o melhor potencial de boa parte deles como matéria-prima, na perspectiva do uso em cascata, preconizado pela economia circular. Existem experiências internacionais muito relevantes nesta direção, inclusive com geração de renda, integração de diferentes elos da cadeia produtiva, agentes públicos, privados e comunidade científica; entretanto o Brasil ainda está muito distante de uma abordagem mais sistêmica do problema. 


Mais recentemente o assunto tem despertado o interesse de pesquisadores de diferentes universidades brasileiras, evidenciando o potencial do emprego destes materiais em diferentes configurações e combinações, seja no espaço urbano, na arquitetura ou no design, como elemento construtivo, mobiliário urbano, móveis, pequenos objetos de madeira, auxílio a barreiras acústicas, entre outras aplicações. Da mesma forma, designers e arquitetos empreendedores têm desenvolvido projetos empregando estes materiais de forma inovadora, abrindo nichos de mercado promissores, embora de forma ainda tímida e empírica, manifestando dificuldade de acesso à informação científica sistematizada sobre o tema. 


Assim, considerando a lacuna identificada, a importância do assunto no contexto urbano, o crescente interesse pelo tema no país, e acreditando no potencial da USP na articulação dos diferentes atores envolvidos, em prol do avanço, da articulação e da disseminação da pesquisa científica aplicada ao urbanismo, à arquitetura e ao design, é que surgiu a proposta deste evento.

 

Eixos de abordagem


1.      Planejamento e manejo da arborização urbana; reflexos na geração de resíduos

Reflexões e análises voltadas ao planejamento, implantação, monitoramento e avaliação dos efeitos urbanísticos, sociais e ambientais da arborização urbana; espécies utilizadas, inventário arbóreo, condições de vida da vegetação, interações com a infraestrutura urbana, atores intervenientes e conflitos; sistema de manejo incluindo poda, remoção e destinação dos resíduos arbóreos. 


2.      Projetos e experiências de valorização dos resíduos arbóreos urbanos

Relatos e avaliações de experiências e seus resultados, no âmbito do setor público ou privado, abrangendo resíduos arbóreos e sua utilização na forma de madeira serrada, painéis, componentes construtivos, equipamento ou mobiliário urbano, jogos ou objetos lúdicos, pequenos objetos de madeira (POM) ou outros subprodutos; promoção/divulgação de coleções de objetos criados a partir desses resíduos. Podem ainda envolver capacitação de pessoas, geração de emprego e renda nestas atividades.


3.      Requisitos técnicos e rotas tecnológicas para desenvolvimento de componentes e produtos 

Pesquisas e experimentos científicos voltados a sistemas de identificação, classificação e caracterização de resíduos arbóreos; ensaios para identificação de propriedades, trabalhabilidade; preparação, tratamento, recuperação e beneficiamento; desenvolvimento e aplicação de resíduos da arborização em diferentes configurações, combinações, contextos e funções, assim como a definição de requisitos técnicos e de possibilidades tecnológicas de aproveitamento. Pode abranger estudos prospectivos, comparativos e revisão sistemática de literatura sobre o tema.


4.      Estratégias para gestão dos resíduos da arborização urbana em cascata

Estudos e planos de gestão dos resíduos da arborização urbana, inclusive formas de sua institucionalização, abrangendo sistemas de utilização em cascata, envolvimento e articulação de diferentes elos da cadeia de coleta, classificação, beneficiamento, produção e distribuição; relações entre agentes públicos e privados; bases de dados, sistemas de informação e capacitação; rastreamento, regulamentação e certificação de materiais e produtos.

 

Público-alvo

Academia

Faculdades de Arquitetura e Urbanismo, Design, Engenharia Civil, Engenharia de Materiais, Engenharia Florestal, Engenharia Sanitária e Ambiental, Direito Ambiental, Gestão Pública

Setor público e serviços terceirizados

Órgãos ambientais, serviços relativos à arborização urbana, empresas de saneamento, empresas distribuidoras de energia, prestadores de serviço de limpeza urbana, municipalidades e subprefeituras, 

Profissionais

Associações, profissionais e empresas de urbanismo, arquitetura e design.

 

Submissão de artigos

Os trabalhos submetidos devem ser artigos completos, desenvolvidas por até três autores e direcionados a um dos quatro eixos de abordagem do evento, contemplando resultados de pesquisas avançadas ou já concluídas e contendo entre 3.000 e 4.000 palavras no total. A versão em word do templatepara envio de artigos está disponível em: https://www.even3.com.br/nutau2020/, plataforma online de inscrição e submissão de trabalhos. Os artigos devem ser submetidos até 14/09, sem identificação dos autores no corpo do texto nem no nome do arquivo, para que possam ser objeto de avaliação cega pelo Comitê Científico. 


Para submissão de artigos é necessário criar uma conta gratuita no sistema, o que pode ser feito a partir de uma conta do Facebook ou com inserção de e-mail e criação de uma senha. É neste ambiente e através do e-mail informado que serão realizados o envio dos arquivos, a divulgação dos resultados, a inscrição nos módulos do evento, disponibilização de cartas de aceite, certificados etc.

 

  

 Prazos e valores

Submissão de artigos (português ou inglês)

até 14/09

 

gratuita

Resultado avaliações

até 13/10

 

 

Envio artigos finais (português ou inglês)

até 26/10

estudantes e professores da USP

R$ 100,00

 

 

Profissionais e professores externos

R$ 200,00

Envio apresentações (bilíngue)

até 13/11

 

 

Inscrição no evento

até 16/11

por módulos 1, 2, 3, 4

gratuita

 


Estrutura do evento – Programa


Dia 17 de novembro

Manhã

 

 

8h45 às 9h00

abertura

Planejamento e manejo da arborização urbana; reflexos na geração de resíduos

9h00 às 10h00

sessão temática 1

6 apresentações de 5 min + 5 min para debates cada

10h00 às 10h15

 

intervalo

10h15 às 11h45

mesa redonda 1

4 apresentações de 20 min + 10 min para debates

11h45 às 12h00

 

intervalo

12h00 às 13h00

conferência internacional 1

1 palestra de 45 min + 15 min para debates

Tarde

 

Projetos e experiências de valorização dos resíduos arbóreos urbanos

14h00 às 15h00

sessão temática 2

6 apresentações de 5 min + 5 min para debates cada

15h00 às 15h15

 

intervalo

15h15 às 16h45

mesa redonda 2

4 apresentações de 20 min + 10 min para debates

16h45 às 17h00

 

intervalo

17h00 às 18h00

conferência internacional 2

1 palestra de 45 min + 15 min para debates

 


Dia 18 de novembro

Manhã

 

Requisitos técnicos e rotas tecnológicas para desenvolvimento de componentes e produtos

9h00 às 10h00

sessão temática 3

6 apresentações de 5 min + 5 min para debates cada

10h00 às 10h15

 

intervalo

10h15 às 11h45

mesa redonda 3

4 apresentações de 20 min + 10 min para debates

11h45 às 12h00

 

intervalo

12h00 às 13h00

conferência internacional 3

1 palestra de 45 min + 15 min para debates

Tarde

 

Estratégias para gestão dos resíduos da arborização urbana em cascata

14h00 às 15h00

sessão temática 4

6 apresentações de 5 min + 5 min para debates cada

15h00 às 15h15

 

intervalo

15h15 às 16h45

mesa redonda 4

4 apresentações de 20 min + 10 min para debates

16h45 às 17h00

 

intervalo

17h00 às 18h00

conferência internacional 4

1 palestra de 45 min + 15 min para debates

18h00 às 18h15

Encerramento

 

 

 

NUTAU

Conselho Deliberativo

Prof. Dra. Ranny Loureiro Xavier Nascimento Michalski (FAUUSP) - Presidência

Prof. Dra. Cyntia Santos Malaguti de Sousa (FAUUSP) – Coordenação Científica

Prof. Dr. André Leme Fleury (EPUSP)

Prof. Dr. Bruno Roberto Padovano (FAUUSP)

Prof. Dr. Gilson Schwartz (ECAUSP)

Prof. Dr. João Carlos de Oliveira Cesar (FAUUSP)

Prof. Dra. Sheila Walbe Ornstein (FAUUSP)

Prof. Dr. Silvio Burrattino Melhado (EPUSP)

 

Comitê organizador

Prof. Dra. Cyntia Santos Malaguti de Sousa (FAUUSP) - Coordenação

Prof. Dra. Alessandra Rodrigues Prata Shimomura (FAUUSP)

Prof. Dr. André Leme Fleury (EPUSP)

Prof. Dra. Ranny Loureiro Xavier Nascimento Michalski (FAUUSP)

Prof. Dra. Sheila Walbe Ornstein (FAUUSP)

Prof. Dr. Tomás Queiroz Ferreira Barata (FAUUSP)

Caio Dutra Profírio de Souza (mestrando do PPG-Design FAUUSP)

Clara Bartholomeu (aluna do curso de graduação em design FAUUSP/POLIMI)

Bruno Novaes (aluno do PPG-Design UNESP)

 

Informações e contato

site institucionalhttp://www.usp.br/nutau2020/

 

inscrição/submissãohttps://www.even3.com.br/nutau2020/


facebookhttps://www.facebook.com/nutau2020


instagramhttps://www.instagram.com/nutau.usp/

 

e-mailnutau2020@usp.br

 

 

Agosto de 2020

 

A Coordenação da Comissão Organizadora do NUTAU 2020

 

 

Notas editoriais:

(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.

(ii) No mesmo sentido, de natural responsabilização dos autores dos artigos, a utilização de quaisquer elementos de ilustração dos mesmos artigos, como , por exemplo, fotografias, desenhos, gráficos, etc., é, igualmente, da exclusiva responsabilidade dos respetivos autores – que deverão referir as respetivas fontes e obter as necessárias autorizações. 

(iii) Para se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

 

 

Infohabitar, Ano XVI, n.º 742

Edição: terça-feira, 11 de agosto de 2020


Seminário internacional NUTAU 2020    International Seminar – Infohabitar # 742

13º Seminário Internacional NUTAU 2020 – Valorização de resíduos da arborização urbana – potencial para pesquisas e projetos de urbanismo, arquitetura e design

 

Infohabitar

Editor: António Baptista Coelho

Arquitecto/ESBAL – Escola Superior de Belas Artes de Lisboa –, doutor em Arquitectura/FAUP – Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto –, Investigador Principal com Habilitação em Arquitectura e Urbanismo no Laboratório Nacional de Engenharia Civil(LNEC), em Lisboa.

 

abc.infohabitar@gmail.com

abc@lnec.pt

 

Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional Infohabitar – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE).

 

quarta-feira, setembro 12, 2012

407 - A natureza num jogo urbano humanizado (artigo); e notícias do 2.º CIHEL - Infohabitar 407


Infohabitar Ano VIII, N.º 407

Notícias do 2.º Congresso Internacional da Habitação no Espaço Lusófono – 2.º CIHEL - http://2cihel.lnec.pt/2cihel.html

Esta pequena notícia marca o final da informação aos autores relativamente à submissão de artigos ao 2.º CIHEL; todas as respostas já seguiram endereçadas aos e-mails remetentes dos respectivos resumos de artigos.

O próximo prazo corresponde à entrega das comunicações completas e elementos complementares e é 22 de Outubro de 2012.

Agradece-se a contribuição já proporcionada e solicita-se o máximo respeito deste prazo e das indicações/instruções enviadas integradas no template que acompanhou a apreciação das comunicações.

Salienta-se que, em breve, serão abertas as inscrições no Congresso, e devidamente divulgadas: seja pelo site do Congresso; seja aqui no Infohabitar; seja por e-mails aos autores de comunicações e aos muitos outros potenciais interessados em participar nos trabalhos.

Aproxima-se, assim, a data de envio das comunicações completas, EXCLUSIVAMENTE, para o seguinte endereço eletrónico, Email: comunicacoes2cihel@lnec.pt
Próximas datas a reter:
  • Abertura das inscrições no Congresso: a divulgar brevemente.
  • Inscrição dos comunicantes, e envio do texto das comunicações e dos dados complementares até 22 de outubro de 2012.
  • Eventual solicitação de revisões de algumas comunicações até 30 novembro de 2012.
  • Entrega da revisão final (quando aplicável): até 15 dezembro de 2012.

ARTIGO DA SEMANA - ARTIGO DA SEMANA - ARTIGO DA SEMANA
Na presente edição do Infohabitar continua-se a publicação corrente da série habitar e viver melhor; com o artigo n.º XVIII desta série, intitulado:
A NATUREZA NUM JOGO URBANO HUMANIZADO
António Baptista Coelho

Sidónio Pardal escreveu que "a vegetação é elemento amenizador do meio urbano, unificador, suporte de continuidades"; e a presença ou a ausência evidenciadas de "verde urbano" são situações que caracterizam verdadeiramente os lugares.

Há, assim portanto duas facetas fundamentais na integração do verde urbano, uma delas directamente associada a uma melhoria das condições de conforto ambiental no exterior e nos próprios edifícios, e uma outra faceta mais de desenho ou concepção e que tem a ver com opções de projecto.


Fig. 01

Realmente o verde urbano é fundamental e incontornável numa perspectiva de amenização do meio urbano, de melhoria das condições de conforto ambiental na cidade (temperatura, humidade) e é responsável por uma significativa parcela da fixação do CO2 – Al Gore, no âmbito do seu filme, recentemente exibido, “An Inconvenient Truth”, refere que uma árvore consome, em média, ao longo da sua vida, uma tonelada de CO2; e só não se entende é a razão de não haver uma política sistemática de plantação de árvores nos espaços urbanos, pois para além do referido é impressionante o conjunto das suas vantagens, tal como fica evidente com a longa citação de um exemplar documento da London Tree Officers Association (LTOA), cujo site se recomenda (http://www.ltoa.org.uk/ ).

Apontam-se, assim, em seguida, as múltiplas vantagens da introdução de árvores na cidade (entre aspas citações da LTOA).

Nas áreas da saúde e do bem-estar: as árvores reduzem o risco de cancro na pele através do sombreamento; “os níveis de stress e de doença são, frequentemente, mais baixos na presença de árvores”; “as árvores contribuem para níveis reduzidos de ruído e de poeiras”; e “à medida que as árvores se desenvolvem e envelhecem elas proporcionam carácter e sentido de lugar e de permanência, enquanto libertam cheiros e aromas que provocam uma resposta emocional positiva”.

Em termos de influência no clima local: “as árvores, para além de absorverem dióxido de carbono (o principal gás gerador do efeito de estufa), e de produzirem oxigénio, filtram, absorvem e reduzem os gases poluidores” (alguns deles produzidos pelos veículos), “incluindo o ozono, dióxido de enxofre, monóxido de carbono e dióxido de nitrogénio”; “suavizam, localmente, picos extremos de temperaturas, refrescando no Verão e aquecendo no Inverno”; “árvores com copas grandes e de grandes folhas acolhem a chuva, amortecendo a progressão da água entre o céu e o solo, ajudando a reduzir o risco de enxurradas”.

Em termos aspectos sociais e ambientais: as árvores constituem “pontos focais comunitários que incluam árvores proporcionam amenidade, valia estética e continuidade histórica”; “as árvores proporcionam … um apreciável acréscimo de amenidades às famílias e às comunidades”; “as árvores marcam a mudança das estações do ano com alterações nas folhas e mudanças na floração” – e é fundamental que o ciclo das estações seja sentido por todos e especialmente pelos urbanitas - ; “As árvores oferecem habitats para um amplo leque de espécies de vida bravia ao longo de todo o ano” – as árvores são, assim, elementos fundamentais no apoio à biodiversidade, com uma utilidade que alia aspectos intrínsecos de manutenção das espécies, com aspectos igualmente importantes de espectáculo biológico oferecido aos urbanitas.

E no que se refere a vantagens económicas: “a presença de árvores pode fazer aumentar o valor de propriedades residenciais e comerciais entre 5% e 18%, enquanto o valor do terreno não infraestruturado, que integre árvores adultas, pode aumentar até cerca de 27%” (valores londrinos); “quando as árvores são plantadas estrategicamente podem reduzir emissões de combustível fóssil, através da redução dos custos de combustível para aquecimento e arrefecimento dos edifícios”; “as árvores proporcionam a criação de emprego nos mais variados ramos de actividade (ex., jardinagem)”; “as árvores proporcionam uma fonte sustentada de “composto”, feito de folhas, assim como biocombustível produzido de aparas de madeira”.

E como importante suplemento a todas estas vantagens regista-se que o verde urbano tem uma importância tão vital como impossível de quantificar, pois, como nos diz Daniel Filipe, se refere a uma fundamental dimensão afectiva: o jardim “é um pequeno mundo a três dimensões sentimentais.” (1)

A pergunta que aqui se deixa é que se está provado o tão grande interesse da arborização urbana não se entende a razão de uma tal medida não avançar e com carácter de urgência. E, provavelmente, a melhor resposta nesta matéria estará na aplicação de espécies arbóreas muito duradouras, pouco exigentes em manutenção e que suportem bem a poluição urbana, aliás, como tem sido feito, nos últimos anos, em grandes cidades nipónicas e norte-americanas.

Na temática de um habitar gerador de satisfação e agrado, o verde urbano pode ser elemento fulcral. Julga-se que isto terá ficado bem justificado com as longas citações da LTOA, e fica, também, evidenciado em frequentes acções de reabilitação urbana e habitacional em que ao nível citadino a acção preponderante corresponde a uma profunda renaturalização da zona intervencionada; e estes casos, que foram frequentes em França, são, frequentemente, designados de acções de “residencialização”, o que faz pensar: Naturalizar para residencializar, não é?

  

Fig. 02

Considerando que os benefícios ambientais do verde urbano ficaram aqui já razoavelmente apontados, circunscrevemo-nos, agora, às matérias da contribuição do verde urbano para as questões de desenho e a propósito lembra-se uma frase de Purini:"O jardim é um tema censurado, e por muitas razões, pela moderna cultura arquitectónica,... lugar do imprevisível, do fantástico, do mistério, o jardim representa a instabilidade e a contínua metamorfose do mundo (2)..."

Uma ideia que é reforçada pela seguinte afirmação de Sidónio Pardal e Costa Lobo:"As alamedas, os passeios arborizados, os jardins e os parques, enquanto espaços arquitectónicos, trazem uma carga simbólica do «natural» para o espaço construído" (3).

E os mesmos autores (4) apontam que, os jardins urbanos começaram por ser espaços de encontro social e elementos representativos da cidade, mas hoje em dia eles respondem também a outras necessidades, entre as quais se destaca o contacto com a natureza, que é proporcionado a citadinos bem enraizados e habitando edifícios em altura (que são reinos de interioridade); e numa tal perspectiva os jardins de hoje têm de suprir ou compensar essa crítica ausência da natureza no meio urbano, chegando-se ao habitar e podendo associar, estrategicamente, valências ambientais específicas de sossego e quietude, pois "as alamedas, os passeios arborizados, os jardins e os parques, enquanto espaços arquitectónicos, trazem uma carga simbólica do «natural» para o espaço construído".(5)

Tudo isto se liga a uma matéria de estruturação urbana de pequena escala, ou de pormenor, que tem muito a ver com os jogos urbanos e de entradas de habitações. Realmente quando nos aproximamos de casa, quando saímos de casa e quando circulamos perto da nossa habitação, estamos naturalmente mais predispostos para apreciar o pormenor e a razão de ser desse pormenor, e nesta perspectiva a razão de ser de muitos elementos do verde urbano ficará bem evidenciada, designadamente, em termos de interesse e diversidade visual, afectividade em relação a elementos naturais, suporte de uma estimulante biodiversidade, relação com o equilíbrio ambiental, acção em termos de filtro da poluição atmosférica e acústica e protagonismo efectivo na suavização e na integração dos edifícios e outros elementos construídos.


Fig. 03

Se aliarmos a todo este potencial, uma outra fundamental perspectiva, que vê o verde urbano a partir do interior de cada habitação, poderemos ainda juntar a esses aspectos, outros ligados à melhoria da privacidade do interior doméstico e ao importante exercício da apropriação e da identidade de cada pátio ou quintal privados, mas também de cada terraço, de cada varanda e, mesmo, naturalmente, de cada vão de janela ou de porta; assim tais apropriações sejam facilitadas pela concepção de Arquitectura.

E nesta estreita, e por vezes íntima, relação entre verde e edifício, não podemos deixar de voltar a sublinhar o papel da natureza na amenização ambiental dos espaços interiores que lhe são contíguos; e ninguém tem dúvida que, por exemplo, a significativa redução de temperatura que caracteriza os espaços sombreados pelas árvores é uma benesse que vai poder ser aproveitada pelos quartos e outros compartimentos contíguos, bastando, quase sempre, um simples abrir de janela.

A ideia que fica, para já, pois a estas matérias voltaremos, noutras perspectivas, nesta série editorial, é que para um agradável jogo urbano do pormenor é fundamental a participação, extremamente diversificada, das relações com a natureza e, especificamente, dos variadíssimos elementos de verde urbano; naturalmente que nestas matérias as árvores são verdadeiros protagonistas, pela sua escala e pelo seu potencial como verdadeiros jardins verticais, mas há uma riquíssima disponibilidade de soluções, opções e elementos capazes de participar, muito activamente, na criação de uma habitação mais agradável e estimulante, porque amenizada pela natureza, habitada pela natureza e por ela humanamente caracterizada.


Fig. 04

E fiquemos com uma imagem escrita: "Além dos parques, são de extrema utilidade as pequenas jardinetas, refúgios de tranquilidade e de convívio espalhados pela cidade; mas melhor ainda é os edifícios no meio do verde (6)..."; e assim rematamos este tema com uma estratégica nostalgia de um verdadeiro racionalismo, aliás numa perspectiva em parte recuperada com as actuais preocupações de sustentabilidade ambiental.

Notas:

(1) Daniel Filipe, “Discurso sobre a cidade”, Lisboa, Editorial Presença, Colecção Forma n.º 8, 1977, p. 77 (1ªed. 1956).
(2) Franco Purini, "La Arquitectura Didactica", p. 231.
(3) Sidónio Pardal; P. Correia; M. Costa Lobo, "Normas Urbanísticas, Vol. II", p. 113.
(4) Sidónio Pardal; P. Correia; M. Costa Lobo, "Normas Urbanísticas, Vol. II", p. 117.
(5) Sidónio Pardal; P. Correia; M. Costa Lobo, "Normas Urbanísticas, Vol. II", p. 113.
(6) Francisco Keil Amaral, "Lisboa uma Cidade em Transformação", p. 57.


Notas editoriais:

 (i) A edição dos artigos no âmbito do blogger exige um conjunto de procedimentos que tornam difícil a revisão final editorial designadamente em termos de marcações a bold/negrito e em itálico; pelo que eventuais imperfeições editoriais deste tipo são, por regra, da responsabilidade da edição do Infohabitar, pois, designadamente, no caso de artigos longos uma edição mais perfeita exigiria um esforço editorial difícil de garantir considerando o ritmo semanal de edição do Infohabitar.

 (ii) Por razões idênticas às que acabaram de ser referidas certas simbologias e certos pormenores editoriais têm de ser simplificados e/ou passados a texto corrido para edição no blogger.

 (iii) Embora a edição dos artigos editados no Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico, as opiniões expressas nos artigos apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores.



Infohabitar a Revista do Grupo Habitar

Infohabitar, Ano VIII, n.º 407

Editor: António Baptista Coelho

Edição de José Baptista Coelho

Lisboa, Encarnação - Olivais Norte