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quarta-feira, março 16, 2005

Por uma cidade habitada - Infohabitar 15

 - Infohabitar 15

Na sequência do desenvolvimento do 1º Congresso de Habitação Social” promovido pelo Comité Português de Coordenação da Habitação Social (Cecodhas.P), em Tomar em 14 e 15 de Março de 2005, e que aí reuniu um impressionante número de participantes, provavelmente na casa das seis centenas, tema a que voltaremos provavelmente noutros textos do infohabitar, junta-se, em seguida, a parte final de uma das intervenções aí apresentadas sobre a temática do património.

Por uma cidade habitada

A cidade deve proporcionar um complemento funcional mas também um verdadeiro suplemento de alma ao habitante, tal como diz Jorge Silva Melo (num artigo saído no Jornal Público de 22 de Janeiro de 2005): “um café aqui, um apartamento em cima, a rua larga, o Tejo ao fundo, passeios, gente que se encontra, gente que se salva, que se reencontra …”
A cidade precisa da vitalidade da habitação, que precisa da vida citadina para que o habitante possa ter verdadeira qualidade de vida urbana. É assim que deve ser, e para tal temos de enfrentar, rapidamente, os actuais problemas de falta de vida urbana em determinados bairros e de falta de bairros vivos em determinadas zonas da cidade.

Neste sentido propõem-se cinco ideias fundamentais:

A primeira é que a cidade, para ser cativante e emocionante tem de ter bairros e conjuntos habitados, vivos e caracterizados, marcados por redes de vizinhança e sentimentos de pertença.

A segunda, é que em qualquer conjunto residencial, por mais pequeno que seja, deve ser configurada uma vizinhança de proximidade e bem ponderada a integração de equipamentos conviviais.

A terceira ideia é privilegiar a qualificação e o potencial de convívio do exterior residencial de proximidade, pois escadas, galerias, passeios, pracetas, lojas e cafés fazem parte do espaço residencial, enriquecendo-o e proporcionando até eventuais compensações. E sublinha-se que foi a vizinhança de proximidade que entrou em crise, seja no centro seja nas periferias da cidade.
E neste espaço publico das vizinhanças de proximidade há que ter atenção muito especial para com os grupos de habitantes mais jovens e mais idosos, que são os mais sensíveis mas também os mais activos no espaço público; e há que controlar os veículos, pois a cidade não foi feita para eles mas para as pessoas, os veículos devem ser elementos funcionais dinamizadores, e não intrusos geradores de insegurança.

A quarta ideia, que é fundamental, é associar, sistematicamente, a resolução dos problemas de carência habitacional à resolução dos problemas de falta de qualidade e de vitalidade urbanas. E isto faz-se através da introdução cuidadosa de conjuntos residenciais de interesse social que actuem como elementos duráveis, vitalizadores e enriquecedores dos respectivos contextos paisagísticos, funcionais, arquitectónicos e sociais, seja nos centros urbanos, seja nas periferias. E aqui fica clara a ligação directa e dinâmica que se propõe entre a promoção habitacional e a requalificação urbana.


No Bairro do Telheiro, S. Mamede de Infesta, num conjunto residencial de realojamento da Câmara Municipal de Matosinhos, projectado pelo Arq. Manuel Correia Fernandes, concretizou-se uma solução positivamente desenhada desde o nível urbano ao do pormenor, e que integra escala humana e urbana, adequação a quem aí habita e revitalização da zona envolvente.
A quinta e última ideia é dar a devida importância aos aspectos de qualidade arquitectónica e urbanística, considerando neles, especificamente, a integração do verde urbano, porque são aspectos fundamentais para a qualidade e felicidade do habitar, e, afinal, são aspectos que resultam de simples perguntas e respostas, tais como aquelas que em seguida servem de exemplo, referidas por Jorge Silva Melo ao pequeno conjunto comercial e residencial projectado por Chorão Ramalho para o Bairro do Restelo em Lisboa.

“Porque é que esta rua é tão humana? Porque é que a dimensão destes prédios, esta descida , tem esta luz? Porque é que esta rua é uma promessa, porque me promete ela uma cidade límpida, prática, espaçosa, calma, modesta, moderna, desinibida, visível, clara como a luz do dia,…?” Afinal não basta ordenar o espaço para se criar um ambiente interessante e motivador; o habitante também necessita de emoção na relação afectiva com o espaço urbano.

Concluindo, e citando Manuel Correia Fernandes, sublinha-se que “o modo mais natural de fazer cidade é (fazê-la) com habitação. Aliás. Cidade sem habitação não faz sentido. E quando faz, é certo estarmos a falar de cidades «únicas» e talvez nem sequer estejamos a falar da cidade dos homens. Não são essas cidades que agora nos interessam. As que nos interessam são as cidades onde vivem os homens e onde podemos ler a sua história.”

E temos de ter bem presente que “o problema da habitação se tornou o problema da cidade … um problema urbano, … de cidadania e político. Precisamos de mais arquitectura; mas, acima de tudo, precisamos de mais cidade.” (Luís Fernández-Galiano, no editorial “Vivienda sin ciudad”, saído há pouco tempo, no último número da revista espanhola “Arquitectura Viva”, centrado na temática “Piezas residenciales”)

Lisboa e Encarnação em 16 de Março de 2005

António Baptista Coelho


Redactor: José Romana Baptista Coelho
Posted by Hello

quarta-feira, fevereiro 23, 2005

1º Congresso de Habitação Social, sobre o tema geral "Habitação Social: que futuro? - Infohabitar 6

 - Infohabitar 6

Em Tomar, nos próximos dias 14 e 15 de Março de 2005, Segunda e Terça-feira, no Hotel dos Templários terá lugar o

1º Congresso de Habitação Social, sobre o tema geral "Habitação Social: que futuro?


O Congresso é organizado pelo CECODHAS.P - Comité Europeu de Coordenação da Habitação Social, com o inestimável trabalho do Vice-Presidente da Fenache, Dr. Barreiros Mateus, tem o Alto Patrocínio da Presidência da República e conta com o apoio de diversas instituições, com destaque para o Instituto Nacional de Habitação, o IGAPHE, a Federação nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE), a Gebalis (EM-CML)e o Instituto de Habitação da Madeira (IHM).
Entre os temas a tratar e os técnicos e personalidades que irão participar nos trabalhos salientam-se os seguintes:

Abertura: Presidente do CECODHAS.P, Dr. António Paiva/Presidente CM Tomar, Senhor Primeiro-Ministro.

Habitação Social – stricto sensu ou lato sensu? - Vereadora Drª M. Helena Lopes da Costa/CML, Padre Vítor Melícias/União das Misericórdias Portuguesas, Dr. João Zbyszewski/IGAPHE.

Habitação Social - uma cada para a vida? (Prof. Sidónio Pardal, Dr. Edmundo Martinho U. Mutualidades Portuguesas).

Construção social ou guetização? - Arq. Elias Gonçalves, Eng. Fialho de Almeida/Espaço Municipal UPAL, Dr. Moura Carvalho/UPAL.

Acompanhamento Social: qual a proximidade necessária? -Doutora Maria João Freitas/ LNEC, Drª Graça Faria/F. Silva Leal, Dr.ª Zélia Amorim/Gebalis.

Financiamento à construção de Habitação Social - Dr. Jorge Morgado/INH, Dr. Francisco Silva/BPG, Eng. Costa Alemão/AFIImobiliário.

A conservação do edificado - Dr.ª M. Luz Rosinha/Presidente CMVFXira, Eng. José Coimbra/Cooperativa “As Sete Bicas”.

Gestão de conflitos na Habitação Social - Dr. Paulo Sousa/Bragahabit, Vereador Marco Almeida/CMSintra, Dr. Daniel Zaidan/Associação “Mediar”.

Gestão financeira, equilíbrio e solidez - Prof. Dr. Paulo Morais/CMPorto, Dr. Paulo Atouguia Aveiro/Investimentos Habitacionais da MadeiraIHM, Dr. José Mateus/Nova Habitação CooperativaNHC.

Discussão/workshop “Novos desafios da Habitação Social” - Eng. Vieira da Luz/EMGHA Cascais, Dr.ª Margarida Rodrigues/CML, Eng. José ferreira/EMHM Porto.

Qualidade residencial e sustentabilidade – neste tema serão realizadas intervenções sobre: "Para além do fogo - o bairro como um todo”, Arq. Luís de Castro, Gebalis; "A qualidade em cooperativa”, Guilherme Vilaverde/Presidente da FENACHE; "A cidade faz-se com habitação mas não basta habitação para fazer cidade", António Baptista Coelho LNEC/Grupo Habitar/NHC; intervenção do Prof. Vítor Abrantes/FEUP.

Boas práticas na intervenção social - Dr.ª Teresa Jambujo/Presidente CMOeiras, Dr. Pedro do Ó Ramos/INH, Dr. Manuel Correia/SCMFundão.

Administração financeira - Dr. José Calixto/HabÉvora, Dr. Bento Morais/SCMEspinho, Eng. Canto Moniz/FundaçãoDPedroV).

Nacional versus local: Qual o modelo? - Eng. Albuquerque Sousa/IGAPHE, M. Emília Sousa/Presidente CMAlmada, Eng. Macário Correia/Presidente CMTavira.

Conclusões e encerramento: Ministro da Habitação Social, Vice-presidente do CECODHAS; D. Maria José Ritta.

Nota-se que a organização refere haver ainda alguns oradores por confirmar.

Contactos:
eventos.org
Tlm 918 168 451
Fax 214 198 183

info@habitacaosocial.pt
www.habitacaosocial.pt

Será assim com certeza uma jornada com grande interesse, designadamente, pelo amplo leque de temáticas a tratar.

Faz-se notar que há alguns dias havia já cerca de 200 inscrições, o que promete muito para a participação na discussão de um conjunto tão motivador de temas sobre o habitar. Sendo assim não haverá tempo a perder para quem também quiser estar em Tomar.


António Baptista Coelho

Lisboa, Encarnação, 23 de Fevereiro de 2005


PS: faz-se notar que não será este o teor normal das intervenções escritas aqui no *infohabitar, *mas considerou-se que haveria todo o interesse em apoiar a divulgação desta iniciativa.