segunda-feira, maio 04, 2009

Qualidade arquitectónica e satisfação residencial II - Infohabitar 245

Infohabitar, Ano V, n.º 245

Qualidade arquitectónica e satisfação residencial II
António Baptista Coelho

Índice:Parte I
. Entre qualidade arquitectónica e satisfação
. Rumos de estudo da qualidade arquitectónica residencial
. As avaliações pós-ocupação habitacionais
Parte II
. O objectivo é a vida e o sítio estratégico é a cidade
. Um espaço urbano e habitacional convidativo
. Notas finais

. Notas bibliográficas


Nota: na semana anterior foi editada e está disponível a parte I deste artigo
O objectivo é a vida e o sítio estratégico é a cidade

Como se viu há que profundar a matéria disciplinar da arquitectura – o tal leque qualitativo -, enquanto, através da pós-ocupação se vai melhorando o conhecimento sobre o que mais satisfaz em termos residenciais. Mas vamos fazer tudo isto com que objectivo básico?

O que se pretende é proporcionar a gradual constituição de arquitecturas habitacionais simultaneamente bem qualificadas na sua arquitectura e bem vivas e amadas pelos seus habitantes. Como diz Oscar Niemeyer: “não é a arquitectura que vai mudar a vida, a vida é que pode mudar a arquitectura” (das “Conversas de Amigos” entre e José Carlos Süssekind).

E tudo se liga à necessidade de não repetir mais, os mesmos erros, já os repetimos vezes sem conta. E para isso é essencial estabelecer consensos básicos e redefinir um conceito de arquitectura claramente aberto e sensível à vida e ao mundo.


Fig. 11

Yves Lyon, arqº ligado à escola de arquitectura de Marne-la-Vallee, designada, bem a propósito, “da cidade e dos territórios”, refere que “depois do período dos grandes projectos há que assumir a arquitectura como abertura ao mundo, desenvolvendo-se as valências do saber ver o real e do adequado conhecimento do concreto numa clara abertura à vida, bem distinta de clausuras disciplinares.”

Lyon defende “uma nova actividade de arquitecto feita da atenção para com os lugares” e que privilegie “não mais a criação de objectos isolados, mas sim a integração, a conjugação e o desenvolvimento de ligações entre sítios, entre pessoas e entre exigências e necessidades frequentemente antagonistas entre si.”

Afinal, e como também diz o Arqº Manuel Salgado, parece que “já não faz sentido continuar a olhar para a cidade à luz dos mesmos padrões com que nós os arquitectos fomos formados”; hoje em dia “desenhar a cidade é antes de mais saber lê-la”.

E é neste processo empenhado e consistente, que há lugar cativo para o sensível “diálogo” com o nível mais profundo dos aspectos que baseiam a concepção arquitectónica.

Aqui, como refere Klas Tham, têm lugar próprio as ricas temáticas do exótico e do desconhecido, da complexidade, do cromatismo, da luz, dos ritmos, das grandes proporções, dos signos e símbolos, da geometria e do contacto com a natureza. Aqui acontece o mergulho disciplinar profundo naquilo que move a concepção arquitectónica.

Mas atenção, não são estas últimas as qualidades que integram a desejada plataforma de acordo entre projectistas e habitantes; há, sem dúvida grandes zonas de sobreposição, mas, e só para dar um exemplo, a capacidade de atracção pode ou não existir num dado edifício residencial, não se estando a entrar na apreciação formal desse edifício. Ficamos aquém de tal apreciação, construindo plataformas de qualidade arquitectónica residencial que visem uma habitação bem qualificada e viva, mas que proporcionem sempre ao arquitecto uma ampla margem para a interpretação e o moldar da realidade.


Fig. 12

Recordemos agora a ideia-base: “a vida pode mudar a arquitectura”. Tal exige que a arquitectura seja sensível à vida, aberta ao mundo, e que seja construtora da “casa dos homens”, defendida pelo Arquitecto e Prémio Valmor Duarte Nuno Simões. Uma arquitectura que garanta uma aproximação qualitativa, disciplinar e global, arquitectónica no sentido estrito do termo, mas também percebida e aceite pelos habitantes.

Lança-se, agora, neste artigo um último tema estruturante na procura de uma qualidade arquitectónica residencial, fundamentada e percebida. Saliento, assim, que uma excelente solução de edifício residencial se anula, quando não se integra numa excelente solução urbana. Até aqui todos de acordo, julga-se. No entanto será que projectistas e habitantes têm em mente as mesmas boas soluções urbanas?

O Centre Scientifique et Technique du Bâtiment mostrou a habitantes muitas dezenas de imagens claramente associáveis a diversos ambientes urbanizados, e a imagem paradigma que os habitantes associaram, mais frequentemente, a um ambiente urbano foi uma pequena rua orgânica, ladeada de pequenas casas e muros e fortemente pontuada pela vegetação. Será que é esse o meio urbano super-humanizado onde muitos desejam viver?

Não se defende, naturalmente, a via única da “cidade verde”, mas sim a da cidade humana. Defende-se, sim, que, se queremos ter soluções residenciais vitalizadas e bem qualificadas, é urgente estabelecer plataformas de acordo entre projectistas e habitantes, pelo menos, ao nível urbano, e, assim, temos de procurar perceber e assegurar as linhas de força de um tal espaço urbano, que poderá ser designado como super-humanizado.

Uma dessas linhas de força refere-se ao desenvolvimento de uma caracterização residencial marcada: ambientalmente, pela escala humana, pelo verde suavizador e apropriável e por discretos elementos de identificação; marcada funcionalmente, pela expressiva presença do peão e pela dominância do carácter residencial; e marcada afectivamente, pelo sossego e por uma envolvência protectora, ligada à proximidade das portas das casas juntas em pequenos grupos.

Outra das linhas de força de um tal espaço urbano super-humanizado passa pela garantia de uma vizinhança exterior muito positivamente qualificada, que proporcione um ambiente de expansão protegida do ambiente doméstico, de identificação com o “sítio” e de ligação estratégica com a cidade, porto seguro no combate contra o anonimato e a massificação e ligado à cuidada gestão de cada metro quadrado de exterior.

Como diz John Ruble, “o mais importante valor de uma casa reflecte-se no uso pleno do sítio e das suas adjacências para criar um ambiente de vida; cada aspecto do planeamento de pormenor do local - vistas, jardins, a localização do jogo e do recreio, a sequência de chegada - acrescenta uma dimensão vital à vivência e contribui para o sucesso ou fracasso da criação de um sítio de comunidade”.


Fig. 13

Outra das linhas de força de um espaço urbano residencial super-humanizado é um urbanismo baseado em ricas sequências urbanas motivadoras do “deambular sem destino definido ao longo das avenidas e das ruas até ao coração dos quarteirões, redescobrindo-se o prazer tipicamente urbano do passeante que erra, que encontra um sítio desconhecido, que se deixa surpreender por pracetas intimistas, pela diversidade da pormenorização e, de repente, pela animação de uma grande avenida”.

Outra linha de estudos a desenvolver refere-se à melhoria das ferramentas de avaliação pós-ocupação e designadamente as ligadas à capacidade de observação.

Aqui salienta-se que tudo começa pelo olhar, por uma observação sistemática e exaustiva, ao serviço de objectivos e integrando um processo de análise completo. Olhar e registar: situações físicas problemáticas ou inseguras, elementos incoerentes, más influências mútuas, ausências, excessiva complexidade, sinais de vandalismo, situações de negligência e de abandono, locais não usados, etc., etc – mas, também, todos aqueles aspectos que possam ser positivamente potenciados; tudo há que registar.

Nesta matéria é essencial o aprofundamento da multidisciplinaridade. Dos engenheiros com diversas especializações aos filósofos, dos pediatras aos juristas, muitas profissões e novas especializações tratam, cada vez, mais estes temas, sendo urgente propor plataformas de conciliação e participação entre todas as disciplinas ligadas ao habitar.

Outra tendência de trabalho refere-se ao privilegiar um aprofundamento disciplinar na área do habitar, que sirva quem habita e que valorize o património urbano, prestando-se um duplo serviço à comunidade. E nesta matéria há que ter a humildade de o fazer como acto de gradual contribuição para o bem-estar e para a riqueza patrimonial da comunidade, mas considerando-se o importante papel que tem um tal aprofundamento nos domínios da ecologia humana e urbana.

Ainda outra tendência de trabalho refere-se à dinamização e ao enquadramento da concepção arquitectónica através de um diálogo técnico com o projectista; diálogo exigente e que abranja desde a fase inicial da concepção até ao acompanhamento da casa habitada. Os regulamentos e as normas não chegam, é necessário criar mecanismos afinados e flexíveis para enquadramento e análise dos projectos, tais como: políticas locais específicas visando a qualidade da arquitectura, Programas de Qualidade pormenorizados, processos de grande rigor e exigência na escolha dos projectistas, e acções encadeadas de projecto, análise e diálogo técnico.


Fig. 14

Ainda outra tendência de trabalho refere-se à desejável pequena dimensão das intervenções habitacionais. Como diz Charles Moore “temos que desenvolver a energia e o conhecimento necessários para aplicar em grandes conjuntos urbanos a qualidade que conseguimos assegurar isoladamente, ou em pequenos grupos; o que é naturalmente muito difícil”. Julgo mesmo que será quase impossível ultrapassar certos limites quantitativos e de concentração e continuar a ter um mínimo que seja de qualidade residencial.

Uma última tendência de trabalho para o aprofundamento da qualidade arquitectónica e da satisfação de quem habita decorre exactamente dessa estratégica afirmação de Moore sobre a necessidade de se aprender a fazer numa escala maior aquilo que já se sabe fazer no edifício residencial. Talvez baste, como diz o Arqº Manuel Salgado, “cozer e cerzir malhas diferentes, procurar ligar partes dando-lhes um sentido e tornando-as mais visíveis”. Trata-se, afinal, de fazer, quando estritamente necessário, uma escala maior, com base num urbanismo de pormenor bem humanizado, com elementos unificados por um espaço público culturalmente enriquecedor, atraente, funcional, bem equipado e vivo.

Cada vez mais julgo que nem é só na passagem da pequena escala urbana para a maior escala urbana que se detectam frequentemente muitos problemas, mas é também, por exemplo, na simples passagem da escala da moradia para a do edifício multifamiliar que surgem, frequentemente, falhas ou deficiências de concepção, na abrangência de consideração, de interpretação e de pormenorização dos vários aspectos de desenho e de serviço a quem habita.

Mas esta crítica mas fundamental passagem de escala, é fulcral no salto entre edifício e espaço urbano, e fulcral quer pela dificuldade que caracteriza este passo, em termos de vectores de projecto, quer porque é na pequena escala bem pormenorizada da sempre grande escala urbana que se tem de actuar, hoje em dia, em termos de tipologias de habitar que possam responder a muitos dos desafios actuais.

Afinal, tal como diz Jörg Kirschenmann (na introdução ao seu livro “Habitação e espaço público”): “habitar sem espaço exterior, viver sem espaço público é uma visão ameaçadora e infelizmente muito actual ... existe o perigo de que a cidade seja, cada vez mais, constituída por espaços interiores que cubram todas as necessidades e exigências designadamente através de meios de comunicação”. E termina referindo que há que privilegiar “projectos residenciais em que o carácter arquitectónico e social do exterior esteja em primeiro plano”.


Fig. 15

Para respeitar tal perspectiva há que encarar o espaço exterior residencial com tanta atenção como aquela que dedicamos aos seus edifícios, embora considerando características específicas de escala e de uso. E importa salientar, tal como diz Yves Lyon, “que quando se destaca o tema do espaço público encontramos virtudes, energias e motivos fundadores, ideias de civilização, ideias de colectivo. É tempo do colectivo voltar. O combate para reencontrar uma consciência colectiva parece ser mais importante que o da ortodoxia urbana e do respeito pelas grandes tradições”.

E chegamos, assim, à última parte desta intervenção que, quer fazer sublinhar a importância que tem para a satisfação dos habitantes e para a qualidade arquitectónica o desenvolvimento de um espaço habitacional diversificado, que seja também um espaço urbano convidativo.

Um espaço urbano e habitacional convidativo

Lembremos que estudar a habitação é estudar a cidade e o modo como fazer cidade viva pois, como diz Manuel Correia Fernandes, “o modo mais natural de fazer cidade é (fazê-la) com habitação” e a “cidade sem habitação não faz sentido...” (5)

Os modos de vida mudaram e diversificaram-se, é portanto necessário flexibilizar a oferta de soluções urbanas e residenciais e assumir cada vez mais a habitação como vários espaços de habitar: dos interiores apropriados às ruas e pracetas citadinas agradavelmente animadas.

E nas ruas e pracetas citadinas, que bordejam os nossos diversificados edifícios de habitação é essencial a sua devolução à estima e ao intenso uso públicos, pois, como defende Jan Gehl, enquanto antigamente uma casa cheia de gente era uma pequena cidade, hoje em dia os que vivem sós, ou em pequenos grupos, precisam da vida urbana para viverem com diversidade e estímulo.

E quando pensamos nas vizinhanças urbanas, que são as células de uma cidade, elas devem integrar, além das habitações, pequenos equipamentos adequados ao serviço das diversas necessidades dos habitantes, mas também ao estímulo do convívio natural e mesmo de uma verdadeira extensão do habitar para além das paredes da casa de cada um.

São, por exemplo, os pequenos cafés e restaurantes estrategicamente situados em esquinas e passagens, que se tornam verdadeiros prolongamentos das nossas casas, e também todo um leque de outros equipamentos de proximidade e de acessibilidade que tornam a cidade circunvizinha mais habitável e amigável. Uma cidade de vizinhanças caracterizadas por imagens enriquecidas por uma estimulante diversidade de soluções habitacionais, que correspondam a necessidades e gostos específicos, bem como a diversos objectivos urbanos.

E para podermos gozar espaços urbanos motivadores importa não esquecer o sentido lúdico que deve marcar as conjugações de acessos a habitações, equipamentos e espaços urbanos, sendo o predomínio estratégico do peão em espaços mais segmentados e variados a condição para uma cidade mais viva e amiga do habitante. A introdução ou a reintrodução de habitação deve ser, assim, aliada à vitalização e qualificação urbana pormenorizadas, ganhando-se, simultaneamente, melhores espaços de habitar e de cidade – um habitar mais vivo e uma cidade mais habitada.

Actuar desta forma exige, como se referiu, uma arquitectura urbana pormenorizada, caracterizada por uma pequena escala civicamente enriquecedora e muito humana, sem repetições de soluções e com intervenções feitas para cada sítio e marcadas pela qualidade arquitectónica.

Uma reflexão bem referida à afirmação de Fernandez Galiano sobre já não se fazer arquitectura no interior da habitação, mas essencialmente nas soluções de relação com o exterior, na formação de edifícios e no reflectir da aplicação de novas técnicas.

O objectivo urgente é fazer uma cidade bem desenhada, que seja também claramente amigável e, portanto, humanizada. Uma cidade de que nos orgulhemos pela sua valia cultural, mas também uma cidade onde aconteçam coisas e onde “de vez em quando” apeteça ir “por uma dessas ruazinhas que não se sabe onde irão acabar, deixando correr o tempo ao sabor dos passos erradios…”, tal como escreveu Daniel Filipe (6). Uma cidade culta e amigável depende de soluções integradas que maximizem as vantagens de dois mundos: o urbano e o doméstico; exterior e o interior; em vizinhanças que conjuguem as nossas casas com os cenários vivos da nossa cidade e com a paisagem; em soluções feitas especificamente para cada situação, adaptáveis a diversos hábitos e bem identificáveis e envolventes.


Fig. 16

Uma vida citadina densa e animada é triplamente importante: seja na oferta de ambientes socioculturais estimulantes e que não existem, infelizmente, em muitas famílias; seja para complementar a vida doméstica solitária de tantas pessoas, e somos cada vez mais aqueles que vivem sós; seja para se proporcionar um verdadeiro suplemento de alma, convivial e estimulante ao habitar urbano. Mas para criar uma verdadeira vida pública, tal como defende Jan Gehl (7), há que privilegiar o verdadeiro estar prolongado em ruas, pracetas e galerias.

E na sociedade actual, marcada pelo egoísmo e pelo isolamento individual, mais do que nunca precisamos de uma cidade amigável e generosa, que se oponha à banalização do espaço urbano e à monótona repetição de soluções sem carácter. E é grande a importância deste amplo sentido urbano e humanizado de habitar quando os habitantes são pessoas com deficientes condições socioculturais e económicas, que assim passam a ter a possibilidade de se integrarem numa intensa e contínua vida urbana. E num recente estudo espanhol sobre a habitação de interesse social (8) sublinha-se a importância das “propostas que melhor se adaptam à sua localização na cidade, às suas características de morfologia urbana e que introduzem melhorias nas respectivas envolventes”, num aprofundamento dos valores de proximidade, que tudo tem a ver com uma cidade mais amigável.

Uma cidade mais generosa e humanizada tem de ser também sítio de uma intensa mistura de actividades e ambientes, que nada tem a ver com o “velho” zonamento da cidade moderna, e servida por um urbanismo multisensorial, verdadeiramente lúdico, marcado pela diversidade de sequências e imagens urbanas pormenorizadas, condição essencial na vivência de uma cidade da proximidade, da surpresa, da identidade e da escala humana; usaram-se noções dos arquitectos François Ascher (9).

Em todas estas matérias nunca é demais salientar a importância de se aprofundar a diversidade, mas também a coesão e a coerência dos meios urbanos, pois, afinal e tal como refere o arq. Herman Hertzberger, nas suas Lições de Arquitectura (10), é fundamental fazer “de cada casa e de cada cidade uma porção de lugares, pois uma casa é uma cidade em miniatura e uma cidade é uma casa enorme” – e esta ideia de criação de muitos lugares bem interligados é fundamental numa cidade coesa e humanizada.

Notas finais

Talvez que o tema comum numa cidade mais viva e numa habitação com verdadeiro interesse social, e, portanto mais urbana e coesa, mas que não perca o sentido básico do abrigo, do sossego e da apropriação, e da convivialidade entre vários grupos socioculturais, seja uma caracterização humanizada do habitar, um habitar à pequena escala, um habitar de vizinhanças bem conjugadas, um habitar que tanto embebe a escala humana e bem amigável desse sossego, dessa protecção e dessa apropriação, como está disponível, mercê de simples e diversificadas associações, para participar activamente na construção das escalas maiores das vizinhanças mais alargadas, dos bairros e das partes de cidade.

E em tudo isto não tenhamos qualquer dúvida que humanizar implica pensar bem para lá dos aspectos quantitativos, e pensar Arquitectura ao mesmo tempo que pensamos um habitar intenso e naturalmente adaptativo.

Disse Burle Marx (11), que existem “duas paisagens: uma natural e dada, a outra humanizada e, portanto, construída” e que “além das implicações decorrentes das exigências económicas”, não podemos esquecer de que “a paisagem também se define por uma exigência estética, que não é nem luxo nem desperdício, mas uma necessidade absoluta para a vida humana e sem a qual a própria civilização perderia a sua razão de ser.”

Está na nossa mão harmonizar estas duas paisagens, criando uma cidade bem habitada, amigável e culturalmente valiosa, e não tenhamos dúvida que uma tal cidade se tem de fazer por acrescentos parcelares e teimosos de novas vizinhanças convidativas e bem desenhadas.

Notas bibliográficas

(1) Leonardo BENEVOLO e Benno ALBRETCH, As Origens da Arquitectura, Lisboa, Edições 70,2004 (2002), pp.10-13.
(2) António Baptista COELHO, Qualidade arquitectónica residencial: rumos e factores de análise, Lisboa, LNEC, ITA 8, 2000.
(3) António Baptista COELHO, Habitação humanizada – uma apresentação geral, Lisboa, LNEC, Memória 836, 2007.
(4) António Baptista COELHO, Instituto Nacional de Habitação, 1984 – 2004: 20 anos a promover a construção de habitação social, Lisboa, INH, LNEC, 2006.
(5) Manuel Correia FERNANDES, «Anos 80 As Cooperativas de Habitação e o Desenho da Cidade, a Senhora da Hora em Matosinhos» in Encontros AAP Habitação, 1.º Encontro: fazer cidade com habitação, Lisboa, Sede Nacional da AAP, 8 de Maio de 1998, p. 1.
(6) Daniel Filipe, Discurso sobre a cidade, Lisboa, Editorial Presença, Colecção Forma n.º 8, 1977 (1956), p.51e p.70.
(7) Jan GEHL,«A Changing Street Life in a Changing Society» in http://repositories.cdlib.org/ced/places/vol6/iss1/JanGehl/, consultado em 13.02.2009.
(8) Josep Maria MONTANER e Zaida Muxí MARTÌNEZ (dir.), Habitar el presente, Vivienda en España: sociedad, ciudad, tecnologia y recursos, Madrid, Ministerio de Vivienda, 2006, p. 32.
(9) François ASCHER, Les nouveaux principes de l’urbanisme, La Tour d’Aigues, Éditions de l’Aube, 2004 (2001), pp. 94 e 95.
(10) Herman Hertzberger, Lições de Arquitetura, São Paulo, Martins Fontes, 1996 (1991),p.193.
(11) Jacques LEENHARDT (entrevistador), Nos Jardins de Burle Marx, São Paulo, Editora Perspectiva, 2000 (1994), pp. 62 e 47.

Edição Infohabitar, 3 de Maio de 2009
Lisboa, Encarnação - Olivais Norte
Edição de José Baptista Coelho

Sem comentários :