terça-feira, julho 14, 2020

Requalificar a cidade: imagem urbana e habitação – Infohabitar # 738

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Infohabitar, Ano XVI, n.º 738

Requalificar a cidade: imagem urbana e habitação – Infohabitar # 738

por António Baptista Coelho (texto e imagens)

 

Edição: terça-feira, 14 de julho de 2020


Editorial

Caros leitores da Infohabitar, estimados amigos,

Na sequência dos últimos artigos, aqui editados, em que refletimos sobre uma paisagem urbana bem pormenorizada com base em misturas diversificadas de tipologias edificadas e respetivas estratégias de acessibilidade,

abordamos neste artigo as áreas da imagem urbana de proximidade e os seus essenciais contornos relativos aos aspetos de identidade, apropriação e escala humana, que devem estar bem presentes e marcar os espaços que habitamos interior e exteriormente.

Esperando que estes artigos agradem aos nossos estimados leitores e lembrando-se, sempre, que serão muito bem-vindas eventuais ideias comentadas a propósito destes artigos e propostas de novos artigos (a enviar para abc.infohabitar@gmail.com ao meu cuidado),

despeço-me, até à próxima semana, com saudações calorosas e desejos de muita força e de boa saúde,

Lisboa, Encarnação, em 6 de julho de 2020

António Baptista Coelho

Editor da Infohabitar

 

Requalificar a cidade: imagem urbana e habitação – Infohabitar # 738

 António Baptista Coelho


Cidade reabitada e requalificada

As intervenções na cidade central e na cidade periférica são, evidentemente, distintas na respetiva natureza, mas podem e devem estar unificadas por um objetivo geral que concilie o reabitar e o reimaginar dos espaços urbanos.

Num tempo em que obrigatoriamente descobrimos as virtudes de um uso mais intenso dos nossos espaços domésticos, e que, de tal forma, também pusemos a nu muitas das suas deficiências, deveremos, também, aproveitar para repensar como tudo fazer para podermos viver a cidade mais intensa e prolongadamente, e assim reconquistaremos as três dimensões do habitar – do espaço doméstico ao espaço bem urbano e de permeio o espaço da vizinhança de proximidade.

Uma tal perspetiva faz realçar, entre tantos outros aspetos, a ideia de que “a cidade”, no sentido do espaço urbano global, ter de ser, cada vez mais, de pequena escala, isto é um espaço urbano feito de continuidades e sequências, bem cadenciadas, de outros mais pequenos espaços urbanos; e assim, sucessivamente, até às soleiras e aos peitoris das janelas e das portas domésticas ou para-domésticas.

Tal perspetiva vive, evidentemente, de uma excelente pormenorização, muito bem qualificada no seu desenho de arquitectura e muito sensível aos respectivos habitantes/utentes e aos próprios sítios que são habitados, preenchendo-se e reconstruindo-se continuidades urbanas, densificando-se estrategicamente para melhor vitalizar, mas também abrindo-se espaço público quando tal é aconselhável, e resgatando-se e recuperando-se uma atraente e motivadora imagem urbana, que passa por uma bem fundamentada escolha tipológica de conjuntos de edifícios e espaços públicos.

E desta forma, cumprindo-se um tal processo, que, repete-se, só é possível com excelente e humanamente empenhada Arquitectura, poderemos (re)construir um espaço urbano tão útil e tão globalmente sustentável, como visualmente estimulante e lúdico, pois de tal sorte as ferramentas de criação formais e funcionais terão enorme variedade em si mesmas e nas múltiplas possíveis e inesperadas combinações possíveis. 

E em tudo isto fica evidenciado o grande interesse e a oportunidade do refazer cidade, reabitando-a e reimaginando-a nas suas imagens e funções.

 

 

Fig. 01: os variados, estimulantes e sempre excelentes ambientes urbanos e residenciais de Alvalade, em Lisboa – urbanismo (verdadeira Arquitectura urbana) de Faria da Costa; uma malha tão citadina quanto residencial e que se reinventa, continuamente, com novos habitantes/utentes e até novas atividades.

Passear numa cidade de proximidades e vizinhanças

Fazer cidade ou refazer cidade tem tudo a ver com a “tentação de andar só mais cem metros, e depois mais outros cem”, devido ao encanto inesperado de edifícios históricos, mas também de simples lojas em esquinas e pracetas acolhedoras; escreveu-o Edmund White sobre Paris (1), mas podia tê-lo feito sobre qualquer cidade viva e à escala do homem, pois uma cidade deve proporcionar um complemento funcional mas também um verdadeiro suplemento de alma ao habitante.

Para além de ser funcional, no respeito de variados processos urbanísticos essenciais e muito ligados aos fluxos urbanos e de transportes públicos, a cidade deve estimular o passeio, a pé, pausado e agradável por sequências urbanas amigáveis, vivas, estimulantes e culturalmente enriquecedoras, e para tal há que saber fazer ou, frequentemente, refazer tais qualidades urbanas; e evidentemente tais aspectos dependem de uma verdadeira qualidade arquitectónica e urbanística, uma qualidade que vá além do desenho e que toque as pessoas, o que não é fácil, mas é hoje em dia essencial, neste século das cidades.

Interessa, já agora, referir aqui que uma tal aliança entre funcionalidade global urbana e uma respetiva, profunda  e global humanização pedonal não é mais do que harmonizar duas faces de uma mesma moeda, que têm estado, por sistema, apartadas: a funcionalidade urbana, tantas vezes mal servida por um planeamento muito pouco ligado a uma verdadeira satisfação dos habitantes/utentes, em que os equipamentos são previstos em termos de m2/habitante, sem se considerarem, quase por regra, vitais aspetos de continuidade e densidade urbanas; e uma visualidade limitada e apenas “turística”, onde se reconhecem e sobrevivem, à conta essencialmente dos chamados bairros históricos, aspetos de verdadeiro desenho urbano ou de arquitetura urbana considerados e tantas vezes criticados como “pitorescos”.

Mas não tenhamos dúvida de que uma boa cidade é tão funcional como visual, tão eficaz como estimulante e tão prática como passeável; e isto desde o centro às vizinhanças residenciais mais ou menos “secretas”, porque estrategicamente aproximadas dos pólos urbanos.

E é importante sublinhar que esta ampla e fundamental perspectiva de qualidade arquitectónica urbana e residencial – funcional e visual, funcional e formal – é frequentemente encontrada em muitos dos nossos bairros históricos e patrimoniais, mais coerentes e estimulantes.

Na prática, não tenhamos qualquer dúvida de que necessitamos de uma cidade, de bairros, de vizinhanças e de ruas mais passeáveis, mais amigáveis, mais habitáveis; e tudo isto tem a ver com a possibilidade que o habitante a pé tenha de viver intensa e prolongadamente esses espaços urbanos, usando e gozando a cidade em paz e com tempo, a pé, num quadro de base que promove, entre outros aspetos, uma fundamental calma no viver, a relação com a natureza e ocasiões e cenários mais conviviais e mais positivos em termos de segurança pública.

Uma cidade cujos remansos habilitem uma sua fruição prática e fluída, ou gostosa e vagarosa, ficando a opção para o habitante; e uma cidade que se ofereça ao seu habitante/utente com variadas opções de uso de proximidades e de sequências, proporcionando variados “estares” perto de casa, a uma escala quase doméstica ou pré-urbana, que serão extremamente úteis no equilibrar tanto do uso doméstico como do urbano.

E esta sempre libertadora opção pela cidade do vagar, evidentemente, não é inimiga, mas sim aliada de uma adequada estrutura de transportes públicos e de pólos de estacionamento, encontra bons modelos na cidade histórica e bem planeada (Alvalade/Areeiro está sempre presente) e liga-se a uma fundamental cidade diferenciada e de usos mistos, pontuada por bairros e pequenas vizinhanças que apetece habitar e que, para além desse prazer de habitar são verdadeiras fontes de vitalidade urbana.

(fig. 02) Um exterior de uso público para todos e bem vivo, que estimule a permanência e o vagar no seu uso e bem adequado aos habitantes mais sensíveis às condições de conforto – tão adequada como urbanamente sóbria reabilitação de uma rua do Porto; uma base “cinza” sobre a qual se evidenciam variados exemplares de simples e boa Arquitectura urbana.

Cidade do pormenor e da imagem urbana

Por variadas razões, a cidade tem de se reconciliar com a escala humana e com os usos pedonais, seja porque precisamos de reduzir as emissões de CO2, seja porque é urgente reconquistarmos o uso individual e convivial de ruas e pracetas. Não por qualquer razão nostálgica e eventualmente turística de se recuperar e eventualmente reinterpretar um espaço urbano marcado pelo arranjo espacial das portas de entrada e dos outros vãos e dos estimulantes espaços de transição entre interior e exterior; mas sim por ser desejável que a cidade volte “a ter como medidas de planeamento o peão e o utente do transporte público. Tal corresponderia, segundo penso, a uma ligação mais epidérmica com o espaço, à possibilidade de se instalar durabilidade” (e talvez verdadeira sustentabilidade) “no tempo de gozo da cidade” – escreveu-o António Pinto Ribeiro. (2)

Isto é possível em cidades e em espaços urbanos que associem nos mesmos espaços de proximidade diversas atividades compatíveis, que se ativem mutuamente – habitação, comércio, serviços e lazer – e cujos espaços urbanos se caraterizem por imagens estimulantes e que sirvam uma cidade do vagar e do pormenor, para além de cumprirem, naturalmente, os respetivos aspetos de funcionalidade e acessibilidade.

Misturas funcionais estas que atualmente serão cada vez mais possíveis e estimulantes com os mundos da virtualidade e da comunicação, com a livre e estimulante dimensão do trabalho em casa ou fora do escritório, com a variada disponibilidade de novos meios e plataformas de transporte urbano “individualizados”, com a libertação das entregas dos mais variados bens ao domicílio, com as mais variadas e imaginativas misturas funcionais em termos de pequenos equipamentos conviviais e, afinal, com o desenvolvimento da sociedade do lazer e da cultura. Tudo isto harmonizando-se muito bem com uma cidade da imagem urbana e, potencialmente (opcionalmente) do vagar e muito mal com a crua megacidade das zonas funcionais quase estanques e descaraterizadas.

Esta é uma das ideias-base defendidas neste texto: há critérios básicos de funcionalidade, acessibilidade e segurança que têm de ser cumpridos nas intervenções de construção e reabilitação de espaços públicos urbanos, mas a qualidade de uso global destes espaços depende não só destes aspetos mas de todo um outro conjunto de matérias de projeto, ligadas à humanização e qualificação dos respetivos usos e imagens urbanas, que são verdadeiramente vitais para o êxito destas intervenções; num verdadeiro “resgate” da importância vital que tem a boa “imagem urbana”, ou a verdadeira Arquitectura Urbana – e nesta matéria nunca será de mais lembrar o incontornável Gordon Cullen e o seu essencial livro “A Paisagem Urbana - Tratado de Estética Urbanística” (tradução do título, bem adequado, da edição espanhola de 1974, pela Editorial Blume).

E chegamos assim ao que se julga ser o atual interesse estratégico no desenvolvimento de uma boa imagem urbana, matéria que passa pela boa prática do desenho urbano ou de uma verdadeira Arquitectura Urbana, sensível, bem qualificada/dirigida e adequadamente pormenorizada; uma Arquitectura Urbana que, julga-se, obrigaria a uma adequada revisão curricular de algumas escolas de Arquitectura.

 

(Fig. 03) Uma boa intervenção numa vizinhança residencial bem viva no Centro Histórico de Tavira; e até nem parece difícil desenhar ou redesenhar um espaço público verdadeiramente habitável; que apetece habitar tanto quanto fotografar. E valeria a pena elaborar um pouco sobre esta imagem, por exemplo, onde se pressente um exterior abrigado e quase ao mesmo nível dos interiores contíguos, exteriores estes que, em conjunto com o teto arbóreo, definem um verdadeiro e grande, mas não “enorme”, “compartimento” exterior de vizinhança.

Imagem urbana, paisagem urbana

No entanto, e tal como escreveu Dina De Paoli, “o desenho urbano é pouco valorizado no cotidiano das pessoas, que apenas o valorizam quando percebem a sua ausência, uma vez que já tenham vivenciado espaços de qualidade. [e] Até mesmo os profissionais responsáveis por projetar e construir espaços, por vezes, o ignoram, sem reconhecer que o desenho urbano, além de agregar valor financeiro, agrega sustentabilidade e valores sociais, culturais e ambientais.” (3)

As matérias associadas ao desenho urbanos são múltiplas - espaciais, temporais, sociais, funcionais, estéticas e perceptivas – e, temos de o reconhecer, são de difícil aplicação, porque não é possível reduzi-las a regras e a regulamentos, e isso é difícil pois obriga a que as intervenções sejam fortemente baseadas em termos culturais e sociais, para além de dependerem de uma sensibilidade e qualidade projectuais que não estão ao alcance de todos e que se melhora claramente com uma prática continuada de intervenções.

E voltamos a citar Dina De Paoli, quando esta arquiteta salienta que Gordon Cullen (1961) não tinha a intenção de ditar regras para as cidades, mas sim manipulá-la dentro de certo grau de tolerância e, para isso, buscou novos valores e novos padrões. Propôs três maneiras de trazer vida ao ambiente construído. A primeira é o movimento através dos espaços (visão serial); a segunda, a percepção do lugar; e por fim, a terceira diz respeito à morfologia e ao conteúdo da cidade”, desenvolvendo-se “a constante atenção do ser humano sobre sua posição no espaço, seu sentimento de pertencimento ao lugar e a sua identidade, junto com a percepção de outros lugares.” (4)

E a mesma autora salienta que assim se evidencia “o objetivo de manipular, jogar com os elementos da cidade para que exerçam sobre as pessoas um impacto de ordem emocional, uma vez que o cérebro humano reage ao contraste, à diferença entre coisas, e, ao ser estimulado por duas imagens, ele percebe a existência desse contraste. Assim, a cidade torna-se visível num sentido mais profundo, animada de vida pelo vigor e drama dos seus contrastes, quando isso não acontece, ela passa despercebida, é uma cidade amorfa. Ao se desenhar a cidade segundo a ótica da pessoa que se desloca (pedestre ou de carro), a cidade passará a ser uma experiência eminentemente plástica.” (5)

Afinal, como escreveu Kevin Lynch, “a paisagem urbana é, para além de outras coisas, algo para ser apreciado, lembrando e contemplado” (LYNCH, 1960, p.09); e, podemos juntar: algo para nos emocionar, que dinamize a identidade e a apropriação em relação aos espaços urbanos que mais usamos ou que visitamos.

Naturalmente que todo este leque de potencialidades da imagem urbana, em termos da sua capacidade de moldar a paisagem da cidade tem aplicações diretas e muito efetivas nas intervenções de reabilitação de velhos espaços públicos mal-usados e arruinados, mas que integram em si excelentes qualidades de Arquitetura Urbana, por vezes realizada com relativa espontaneidade, mas sempre numa estreita relação com a cultura e a cidade, ao longo de séculos, e de outros espaços urbanos recentes e descaraterizados, que foram concebidos, praticamente, na ignorância desta disciplina urbanística, sem pontes de ligação quer com a cidade, quer com as suas próprias habitações e os seus próprios equipamentos – feitos estes no respeito de regras estritamente funcionalistas.

  

(fig. 04): A excelente intervenção de reabilitação urbana e de espaços públicos, integrada no Programa POLIS, no centro de Castelo Branco; este Programa tem, sem dúvida, interessantes intervenções ao nível dos espaços públicos disseminadas por Portugal e que se julga nunca terem sido devidamente “avaliadas” no sentido de bem percebidas e divulgadas nos seus diversos aspetos; e importa sublinhar que fazer intervenções como estas, em que o espaço público é verdadeiramente o “sujeito” evidenciado, é ainda matéria a salientar em Portugal.

Melhorar a urbanidade de espaços atualmente ditos “urbanos”

Atuar de tal forma correponde ao desenvolvimento de uma reabilitação urbana com influência direta na qualificação da cidade, designadamente, se uma tal intervenção em termos de imagem urbana estiver aliada a ações sustentadas de re-habitação e revitalização das zonas intervencionadas.

Visando-se uma cidade mais estimulante e habitada, uma cidade integrada por vizinhanças cuja imagem urbana seja requalificada ao serviço de uma melhor habitabilidade local e relacional, em espaços públicos que sejam, naturalmente, mais: defensáveis; conviviais e privatizados; eficazmente geridos; apropriáveis e verdadeiramente humanizados ou amistosos.

 

 

Fig. 05: Um bom exemplo de introdução de um moderno pequeno edifício de habitação de interesse social de promoção municipal num velho bairro de Lisboa, junto ao Largo do Conde Barão, edifício com projeto de Eugénio Castro caldas e Nuno Távora (2005).

Cidade e Habitação Apoiadas

Um aspeto que importa sublinhar é que recuperar a cidade para o cidadão a pé é assegurar boa parte do re-habitar da cidade; a outra parte refere-se à re-introdução estratégica, ao longo dessas desejáveis continuidades de espaços urbanos, de unidades residenciais diversificadas e de pequenos equipamentos conviviais.

De certa forma é uma opção por viver em habitação apoiada pela cidade e em habitação que apoia a cidade, e esta é, também e complementarmente, uma forma de desmistificar a “habitação social que é (a mais) apoiada”, abrindo lugar para a sua total integração com a restante habitação e com a cidade.

Nesta perspectiva e para além dos grupos sociais economicamente desfavorecidos há que pensar, especificamente, nos idosos, favorecendo-lhes a continuidade da boa vivência da sua cidade, mas também em novos habitantes especialmente disponíveis para participar na vitalização urbana local, como é o caso de jovens adultos e pequenos agregados familiares; e há que pensar seja nos apoios funcionais destas pessoas em termos de acessibilidades e equipamentos, seja no estímulo da sua vivência direta do exterior contíguo às suas habitações.

E as escolhas tipológicas dos novos e renovados edifícios pode privilegiar a mistura cuidadosa de vários tipos de níveis etários e de agregados familiares e pessoas sós, de vários tipos de soluções de acessibilidade, de vários tipos de fogos, de vários tipos de conjuntos de fogos e mesmo de vários tipos de pequenos quarteirões; e sempre numa adequada e dupla perspectiva de espaços edificados e exteriores.

Pois, afinal, será, em boa parte, nos espaços de transição entre habitação e cidade que se irão encontrar soluções estimulantes marcadas pela escala humana e que atuam, duplamente, seja no edificado que fica mais próximo e caraterizado pela vida da cidade, seja nos espaços públicos de proximidade, que se tornam mais sensíveis a um conteúdo que para além de urbano é residencial.

E aqui encontramos outro nível de intervenção da reabilitação urbana, que integra a intervenção nos espaços exteriores públicos com a melhoria, mais ou menos radical, dos respetivos edifícios envolventes, em ações integradas que maximizem as vantagens do mundo doméstico e urbano, do interior e exterior, estendendo o sentido de habitar para além da porta de entrada de cada habitação, mas garantindo, no exterior, segurança, conforto, legibilidade e identidade; afinal caraterísticas muito associadas ao interior e que assim se prolongam pelo exterior.

 

(Fig. 06) A ainda relativamente recente e excelente intervenção de pedonalização e reabilitação dos espaços públicos urbanos promovida pela Câmara Municipal de Lisboa no eixo da Av.ª Duque de Ávila, em Lisboa; agora estrategicamente estendida por outras microzonas contíguas da cidade de Lisboa.

Muito breves e sempre relativas conclusões

Conclui-se então esta reflexão com duas “préideias” básicas:

As ações de reabilitação dos espaços citadinos devem privilegiar boas soluções de imagem urbana, marcadas por continuidades afirmadas, atraentemente diferenciadas, funcionalmente mistas, que levem a cidade até à porta de muitas casas; e nestas continuidades urbanas há que integrar uma estimulante diversidade de oferta habitacional e de equipamentos conviviais.


Notas:

(1) Edmund White – “O Flâneur – Um passeio pelos Paradoxos de Paris. São Paulo, Companhia das Letras, Colecção “O Escritor e a Cidade”, 2001. O excerto foi retirado do artigo de Andréia Azevedo Soares, intitulado “O Flâneur – Um passeio pelos Paradoxos de Paris – Passear por uma Paris menos óbvia”, saído no suplemento “Fugas” do jornal “ Público” de 2002/09/28. Este mesmo livro foi, entretanto, editado entre nós pela editora ASA na Colecção “O Escritor e a Cidade.”

(2) António Pinto Ribeiro, “Abrigos: condições das cidades e energia das culturas”, 2004, p. 18.

(3) Dina De Paoli, “O Valor do desenho urbano na construção de bairros habitacionais e comunidades”, Tese de Doutoramento em Arquitetura, apresentada e discutida/aprovada na Universidade Estadual de Campinas- Unicamp, Campinas, SP, Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo, 2014, pp. 22 e 23.

(4) Ibid. p. 27.

(5) Ibid. p. 28.

Nota final: a versão inicial deste artigo correspondeu a uma das intervenções do autor no âmbito da Semana da Reabilitação Urbana Lisboa 2014, e designadamente nos Workshops Reabilitação e Conservação do Espaço Construído, que tiveram lugar no Cntro de Congressos do Laboratório Nacional de Engenharia Civil - LNEC - em 26 de março de 2014. Em 30 de março de 2014 esta versão foi publicada no n.º 478 da Infohabitar.

O presente artigo corresponde a uma versão profundamente revista e aumentada do referido

 

Notas editoriais:

(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.

(ii) No mesmo sentido, de natural responsabilização dos autores dos artigos, a utilização de quaisquer elementos de ilustração dos mesmos artigos, como , por exemplo, fotografias, desenhos, gráficos, etc., é, igualmente, da exclusiva responsabilidade dos respetivos autores – que deverão referir as respetivas fontes e obter as necessárias autorizações.

(iii) Para se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

 

 

Infohabitar, Ano XVI, n.º 738 


Requalificar a cidade: imagem urbana e habitação – Infohabitar # 738

Infohabitar

Editor: António Baptista Coelho

Arquitecto/ESBAL – Escola Superior de Belas Artes de Lisboa –, doutor em Arquitectura/FAUP – Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto –, Investigador Principal com Habilitação em Arquitectura e Urbanismo no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), em Lisboa.

 

abc.infohabitar@gmail.com

abc@lnec.pt

 

Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional Infohabitar – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).


terça-feira, julho 07, 2020

Apresentação do Volume 15, n.º 2 da Gestão & Tecnologia de Projetos – Infohabitar # 737

Ligação direta (clicar) para:  725 Artigos Interactivos, edição revista, ilustrada e comentada - 38 temas e mais de 100 autores.

Infohabitar, Ano XVI, n.º 737

Apresentação do Volume 15, n.º 2 da Gestão & Tecnologia de Projetos – Infohabitar # 737

Por António Baptista Coelho (texto e imagens)

 

Edição: terça-feira, 7 de julho de 2020

 

Editorial # 737

Caros leitores da Infohabitar,

Este número da nossa Infohabitar é especialmente dedicado à apresentação pormenorizada de uma recente e excelente revista científica e técnica, o Volume 15, n. 2 (2020) da revista Gestão & Tecnologia de Projetos, do IAU-USP, aproveitando-se, ainda, a oportunidade para se divulgar um próximo Webinar da FAU Mack sobre temáticas bem atuais.

É, assim, com todo o gosto que divulgamos, com algum pormenor, neste número da Infohabitar, o Volume 15, n. 2 (2020) da revista Gestão & Tecnologia de Projetos, que “oferece acesso livre imediato ao seu conteúdo, seguindo o princípio de que disponibilizar gratuitamente o conhecimento científico ao público proporciona maior democratização mundial do conhecimento” (citação de texto da própria revista).

A excelente Gestão e Tecnologia de Projetos tem periodicidade é editada pelo Instituto de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo [IAU-USP] de São Carlos - SP, Brasil, e tem como editores os professores da USP, Sheila W. Ornstein e Márcio M. Fabricio, que aqui saudamos.

Neste número da nossa Infohabitar divulga-se o sumário deste número da Gestão & Tecnologia de Projetos, e, sequencialmente, o respetivo editorial, no qual os respetivos editores desenvolvem uma apresentação comentada do conteúdo dos diversos artigos.

No entanto não podemos deixar de sublinhar, desde já, o interesse deste importante meio de divulgação técnica e científica, que proporciona, sob o objetivo comum da investigação sobre a melhoria do habitat humano, num sentido amplo, teórico e aplicado (a Gestão & Tecnologia de Projetos), a apresentação de pesquisas temáticas distintas ou específicas nas sua bases disciplinares, numa partilha de conhecimentos entre diversas disciplinas científicas e técnicas que é sempre de louvar e sublinhar no importante papel que tem esta perspetiva para um expressivo e aplicado  avanço do conhecimento em termos da satisfação humana com o seu habitat.

O link para o Volume 15, n. 2 (2020) da revista Gestão & Tecnologia de Projetos é o seguinte:

http://www.revistas.usp.br/gestaodeprojetos/issue/view/11522/V15%20N2

Aproveitando-se, ainda, esta oportunidade de divulgação leva-se ao conhecimento dos interessados a realização do 3º Webinar FAU+ D Mackenzie, com o Projeto em Debate: “Enfrentamentos da COVID-19 em territórios vulneráveis”, data 09/07/2020 (quinta-feira próxima) pelas 18h00 (naturalmente horário do Brasil) .

Do que se irá tratar neste webinar: Debate sobre distintas experiências de enfrentamento da COVID-19 em territórios vulneráveis, compostas por atividades de monitoramento, análises, prototipagem de ações piloto, construção de arranjos institucionais e formas de governança. Essas experiências partem da interpretação das especificidades de cada contexto socioterritorial com foco ao subsídio à formulação de ações efetivas de forma colaborativa entre comunidades, universidades, instituições do terceiro setor e governo; Expositoras: Renata Maria Pinto Moreira (UFABC); Danielle Cavalcanti Klintowitz(Instituto Pólis); Mariana Neubern de Souza Almeida (Fundação Tide Setubal); Debate: Fernando de Mello Franco (Fau Mackenzie); Moderadora: Ana Paula Calvo ( Fau Mackenzie).

Canal: YouTube FAU Mackenzie 

https://bit.ly/2VjJQoR ( acesso livre)

Com as melhores saudações,

António Baptista Coelho

Editor da Infohabitar

Lisboa, Encarnação, em 6 de julho de 2020

 

SUMÁRIO do Volume 15, n. 2 (2020) da revista Gestão & Tecnologia de Projetos

 

Editorial

Sheila W. Ornstein, Márcio M. Fabricio


Alta Tecnologia e Reúso de materiais descartados: desenvolvimento de um painel decorativo para a melhoria do desempenho térmico em edificações

HIGH TECHNOLOGY AND REUSE OF WASTE MATERIALS: DEVELOPING ADECORATIVE PANEL FOR IMPROVEMENT OF THERMAL PERFORMANCE

Maikol Yoshie Yabuki, Caio Gomide Otoni, Maria Gabriela Caffarena Celani

 

Operacionalização da aplicação de parâmetros de projeto através do Enriquecimento Semântico de Modelagem de Informação de Construção no estágio de concepção social

OPERATIONALIZATION OF DESIGN PARAMETERS THROUGH SEMANTICENRICHMENT IN BIM MODELS OF SOCIAL HOUSING

Giovanna Tomczinski Novellini Brígitte, Regina Coeli Ruschel

 

Como você mora: sistema interativo de avaliação pós-ocupação em meios digitais

HOW DO YOU LIVE: POST-OCCUPANCY EVALUATIONINTERACTIVE SYSTEM IN DIGITAL MEDIA

Simone Barbosa Villa, Dominique Cunha Bruno, Ana Luísa Trevisan dos Santos, Camila Ribeiro Leão

 

Tecnologias assistivas destinadas a orientação espacial, identificação de obstáculos e guiamento de pessoas com deficiência visual

ASSISTIVE TECHNOLOGIES FOR PERCEPTION AND SPACE ORIENTATION OF PEOPLE WITH VISUAL DISABILITY

Bianca Maria Vasconcelos, Bruno de Sousa Teti, Amanda de Morais AlvesFigueira, Lorena Maria da Silva Gonçalves

 

Integrando simulações de iluminação natural no processo de projeto: análises comparativas entre duas plataformas computacionais

INTEGRATING DAYLIGHT SIMULATION ON DESIGN PROCESS: COMPARATIVE ANALYSIS BETWEEN TWO COMPUTATIONAL PLATFORMS

Marina da Silva Garcia, Roberta Vieira Gonçalves de Souza, Maíra Louise Martins, Ana Carolina de Oliveira Veloso

 

Lógica algorítmica-paramétrica e urbanismo: uma revisão teórica e de modelos computacionais para projetos urbanos

ALGORITHMIC-PARAMETRIC LOGIC AND URBANISM: A THEORETICAL AND A COMPUTATIONAL MODEL REVIEW FOR URBAN DESIGN

Fernando Lima, Frederico Ribeiro Costa, Ashiley Rosa

 

Diretrizes para projeto de ambiente construído inclusivo (pessoas com deficiência auditiva) : revisão sistemática

DESIGN GUIDELINES FOR INCLUSIVE BUILT ENVIRONMENT (HEARING IMPAIRED PEOPLE): SYSTEMATIC REVIEW

Bianca Maria Vasconcelos, Vanessa Santana Oliveira


Fig. 01: Capa da Gestão & Tecnologia de Projetos, Volume 15 N.º 2 (2020)


Editorial da Gestão & Tecnologia de Projetos, Volume 15 Número 2 (2020)

É com satisfação que os editores da Gestão & Tecnologia de Projetos apre sentam a segunda edição de 2020. Esta edição da GTP, contempla um conjunto de artigos com destaque para as interfaces entre arquitetura, urbanismo, engenharia e design, os procedimentos das Revisões Sistemáticas de Literatura, as simulações e modelagens computacionais e os ensaios tecnológicos, com diversos desdobramentos atuais e futuros possíveis em termos de pesquisa e inovação.

Esta cobertura de temas de largo espectro é próprio das linhas de pesquisa abrangidas pela Revista e evidenciam, cada vez, mais a relevância das temáticas interdisciplinares.

 

O artigo, “Alta Tecnologia e Reúso de materiais descartados: desenvolvimento de um painel decorativo para a melhoria do desempenho térmico em edificações”, de M.Y.Yabuki, C. Otoni, M.G. C. Celani, é destacada a expressiva  geração de resíduos sólidos que são devolvidos a natureza, sem tratamento ou reutilização. E nesta mesma direção, destaca também a importância das cooperativas de reciclagem para a seleção de materiais reciclados e sua reinserção no ciclo produtivo da construção civil. Para tanto, os autores adotam as premissas do Design Science Research, com características interdisciplinares para a criação de um artefato produzido com materiais descartados, na forma de um componente arquitetônico e ornamental de acabamento.

Neste experimento, adotou-se o polietireno para o desenvolvimento de placas de acabamento especificadas para forros. Na modulação do painel foram utilizados modelos paramétricos digitais mediante o uso de impressora 3D.

Como resultado, o plástico mostrou-se útil para a reciclagem e o artefato decorrente com potencial para redução de consumo energético associados a incrementos de conforto térmico, atributos esses que poderão agregar valor na sua fabricação.

 

Em sequência, o artigo “Operacionalização da aplicação de parâmetros de projeto através do Enriquecimento Semântico de Modelagem de Informação de Construção no estágio de concepção social”, de G.T.N. Brígitte, R. C. Ruschel destacam a importância da utilização do BIM na concepção de projetos através do Enriquecimento Semântico para o caso da Habitação Social.

Para tanto, as autoras partem da linguagem de padrões definidas há décadas atrás por Alexander et al. (1977) e desenvolvem algoritmos de parâmetros de projeto por meio de programação visual em BIM. São adotados 74 parâmetros de projeto (baseados em Barros, 2008) nas escalas da urbanidade e da habitabilidade. Para a chamada algoritmização de cada um desses parâmetros, são identificadas as variáveis como atributos para se atingir a modelagem BIM e explicadas as rotinas de automação. As autoras constataram a relevância do Enriquecimento Semântico de BIM para a avaliação de projeto em suas etapas iniciais (concepção), particularmente no caso do programa de necessidades das Habitações Sociais, otimizando, desta feita, as tomadas de decisão nas etapas preliminares de projeto.

 

O terceiro artigo desta edição, “Tecnologias assistivas destinadas a orientação espacial, identificação de obstáculos e guiamento de pessoas com deficiência visual”, de B. M. Vasconcelos, B. de S. Teti, A. de M. A. Figueira e L.M. das S. Gonçalves, tem como objetivo central a Revisão Sistemática da Literatura a partir de procedimentos metodológicos do PRISMA, utilizando, com muita acuracidade, palavras-chave e descritores booleanos para a seleção de artigos nacionais e internacionais, especialmente a partir de 2009 e explora o uso de tecnologias assistivas com vistas a ambientes externos e internos aos edifícios. O estudo abrange também tecnologias apoiadas em dispositivos como smart phones, tablets e computadores. A pesquisa aponta, ao final o potencial das tecnologias assistivas para a redução, de modo seguro, de percursos realizados por pessoas com deficiência visual, no caso de ambientes externos. Porém enfatiza que as limitações impostas pelo sinal de GPS e de GIS em ambientes internos, impede, até o momento, a integração plena dessas tecnologias assistivas, reduzindo, deste modo, a sua eficácia.

 

O trabalho, “Integrando simulações de iluminação natural no processo de projeto: análises comparativas entre duas plataformas computacionais”, de M. S. Garcia, R.V.G. de Souza, M.L.M. de Freitas e A.C. de O. Veloso, parte de consistente Revisão Sistemática da Literatura sobre plataformas computacionais (simulações) existentes que visam integrar a iluminação natural com o projeto, especialmente com o uso do BIM. Nesta perspectiva, foram comparadas as plataformas computacionais Insight 360 e DIVA, tendo Belo Horizonte como estudo de caso. Na comparação foram adotados critérios de modelagem como geometria, localização, propriedades óticas dos materiais e outros. O artigo conclui pela importância da predição da iluminação natural para as áreas de conforto e de eficiência energética, buscando sempre a integração com o BIM. Por outro lado, expõe as vantagens e as desvantagens das duas plataformas no caso do processo de projeto de arquitetura e a necessidade de realização de medições in situ, para validação dos resultados apresentados.

 

O artigo, “Lógica algorítmica-paramétrica e urbanismo: uma revisão teórica e de modelos computacionais para projetos urbanos”, F. Lima, F.R.Costa e A. Rosa exploram, a partir de uma ampla revisão bibliográfica, as potencialidades e as limitações sobre o uso de modelos computacionais para a definição de cenários relativos a projetos urbanos. Para tanto, apresentam diversas ferramentas e finalizam com uma análise comparativa entre modelos e concluem pela necessidade de ampliação dos estudos científicos sobre essas modelagens com vistas a apoiar as decisões dos planejadores urbanos.

 

O sétimo artigo desta edição, “Como você mora: sistema interativo de avaliação pós-ocupação em meios digitais” de autoria de S. B. Villa, D. C. Bruno, A. L. Trevisan e C. R. Leão utilizam a avaliação pós-ocupação para  discutir e aprimorar a qualidade da moradia. O trabalho faz parte de uma ampla: “[COMO VOCÊ MORA] Sistema interativo de APO da qualidade do habitar em meios digitais” e a artigo avalia o desempenho do aplicativo CVM em testes realizados na cidade de Uberlândia, MG e utiliza como método a “Verbalização de Procedimentos”.

 

No oitavo artigo, “Diretrizes para projeto de ambiente construído inclusivo (pessoas com deficiência auditiva) : revisão sistemática”, B.M. Vasconcelos e V.S.Oliveira, são adotados os procedimentos do PRISMA para a revisão sistemática da literatura. Foi possível evidenciar que no contexto do Desenho Universal, existem poucos estudos voltados a diretrizes de projeto com vistas a autonomia de pessoas com deficiência auditiva. Assim, as autoras buscaram definir, a partir dos preceitos do DeafSpace, diretrizes de acessibilidade específicas para pessoas com deficiência auditiva, tais como alcance sensorial, acústica e interferências eletromagnéticas, luz e cor, espaço e proximidade, mobilidade e proximidade e outras. Ao fim, as autoras indicam a necessidade de validação futura das diretrizes elencadas por meio de um experimento num ambiente construído adaptado.

 

Desejamos a todos uma ótima leitura!

Sheila W. Ornstein

Márcio M. Fabricio

Editores da Revista Gestão & Tecnologia de Projetos

 

Notas editoriais:

(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.

(ii) No mesmo sentido, de natural responsabilização dos autores dos artigos, a utilização de quaisquer elementos de ilustração dos mesmos artigos, como , por exemplo, fotografias, desenhos, gráficos, etc., é, igualmente, da exclusiva responsabilidade dos respetivos autores – que deverão referir as respetivas fontes e obter as necessárias autorizações.

(iii) Para se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

 

 

Infohabitar, Ano XVI, n.º 737

Apresentação do Volume 15, n.º 2 da Gestão & Tecnologia de Projetos – Infohabitar # 737

Infohabitar

Editor: António Baptista Coelho

Arquitecto/ESBAL – Escola Superior de Belas Artes de Lisboa –, doutor em Arquitectura/FAUP – Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto –, Investigador Principal com Habilitação em Arquitectura e Urbanismo no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), em Lisboa.

 

abc.infohabitar@gmail.com

abc@lnec.pt

 

Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional Infohabitar – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).


terça-feira, junho 30, 2020

Espaço público e identidade urbana – Infohabitar # 736

Ligação direta (clicar) para:  725 Artigos Interactivos, edição revista, ilustrada e comentada - 38 temas e mais de 100 autores.


Infohabitar, Ano XVI, n.º 736


Notícias:

Encontro, na WWW, sobre "Questões éticas na pesquisa em Arquitetura e Urbanismo: reflexões em tempo de pendemia" - na FAU-USP

Caros leitores,

É com todo o gosto que se divulga o convite para uma conferência virtual na grande FAU-USP de São Paulo, na tarde do próximo dia 1 de julho, pela Prof.ª Gleice Azambuja Elali, com moderação da amiga Prof.ª Sheila Ornstein, que tem estado sempre connosco desde o início das edições da Infohabitar, solicitando-se, ainda, que a divulguem entre os vossos contatos,
e chamando-se a atenção, para os colegas portugueses, para a diferença de horas entre Brasil e Portugal, as 14h do Brasil (início do encontro) são as 18h de Portugal.

Com um abraço forte e desejos de muita saúde e força,

O editor da Infohabitar,

Links de compartilhamento do FAU ENCONTROS:

YouTube da FAU

https://youtu.be/OuP9SPTyo90

Esse evento será transmitido via YouTube e aberto ao público, entretanto para envio de perguntas pelo Chat da transmissão é necessário fazer login no YouTube.

Meet

https://stream.meet.google.com/stream/80eb39dc-5c93-4d23-b3f7-08f6fe223a46





Espaço público e identidade urbana

Qualificação do espaço público como fator de identidade e apropriação coletiva do espaço construído – Infohabitar # 736

 

Por António Baptista Coelho (texto e imagens)

 

Edição: terça-feira, 30 de junho de 2020

 

espaços da casa, espaços da habitação, funções da habitação, microfunções domésticas, habitações térreas, viver no rés do chão, habitação ao nível da rua, viver de novo junto da rua

 

Notas prévias:

Caros leitores da Infohabitar, estimados amigos,

Esperamos que estejam todos de saúde e aproveitamos para reforçar que temos de continuar com um máximo de cuidados em termos de distanciamento social, proteção própria e dos outros e higiene geral, pois a epidemia continua ativa.

No que se refere à Infohabitar e antes de continuamos com uma abordagem relativamente sistematizada dos espaços domésticos, feita tendo por base alguns artigos já aqui editados, há alguns anos, e que foram e serão, naturalmente, extensamente revistos, desenvolvidos e “recomentados”, para esta nova ocasião editorial,

e na sequência dos últimos artigos, aqui editados, em que refletimos sobre uma paisagem urbana bem pormenorizada com base em misturas diversificadas de tipologias edificadas e respetivas estratégias de acessibilidade,

abordamos neste artigo e no próximo as áreas da imagem urbana de proximidade e os seus essenciais contornos relativos aos aspetos de identidade, apropriação e escala humana, que devem estar bem presentes e marcar os espaços que habitamos interior e exteriormente.

Esperando que estes artigos agradem aos nossos estimados leitores e lembrando-se, sempre, que serão muito bem-vindas eventuais ideias comentadas a propósito destes artigos e propostas de novos artigos (a enviar para abc.infohabitar@gmail.com ao meu cuidado),

despeço-me, até à próxima semana, com saudações calorosas e desejos de muita força e de boa saúde,

Lisboa, Encarnação, em 29 de junho de 2020

António Baptista Coelho

Editor da Infohabitar

 

Espaço público e identidade urbana

Qualificação do espaço público como fator de identidade e apropriação coletiva do espaço construído – Infohabitar # 736

 António Baptista Coelho

Construir no construído

Qualificamos e requalificamos o espaço público para que este seja mais e melhor habitado – mais intensa e prolongadamente –, e, neste sentido, pensamos num re-habitar da cidade, através de um desejado e evidenciado reforço do uso dos espaços urbanos – no sentido de a podermos ter mais viva e estimulante, num círculo virtuoso gerador de inúmeros benefícios – desde a saúde e prosperidade dos habitantes à respetiva segurança pública.

Para tal, para se visar uma cidade com espaços exteriores mais intensa e prolongadamente habitados/usados, tal como refere Jan Gehl, há que privilegiar um diálogo com o espaço contruído (mais horizontal ou mais vertical) marcado pelo “construir no construído”, ou , se quisermos e tendo em conta também novas intervenções (cada vez mais raras) o construir numa ligação total e simbiótica com a envolvente da intervenção e tendo em conta a máxima dinamização dos desejáveis fluxos e relacionamentos entre exteriores e edifícios.

A ideia do “construir no construído” foi defendida e lançada por Francisco de Gracia (1), e refere-se a uma perspetiva de intervenção urbana que se baseia numa reconstrução da coesão urbana marcada pela escala e uso humanos, pelo desenvolvimento de adequados estímulos visuais e funcionais e por uma cuidadosa e vitalizada densificação; estando todos estes aspetos integrados num objetivo de verdadeira reabilitação – ou habilitação, acrescenta-se – da paisagem urbana local, que há que preservar e (re)construir, designadamente, nos seus aspetos orgânicos e ligados ao respetivo caráter do lugar.

Avançando-se, assim, num sentido de (re)construção da paisagem urbana de vizinhança e não numa truncada intervenção que se limite, praticamente, ao edificado, tratando-se os exteriores, mais ou menos envolventes, essencialmente, como espaços de enquadramento; e nem assim acontece frequentemente, pois como bem sabemos muitas vezes os exteriores são reduzidos a espaços sobrantes.

Naturalmente que uma tal perspetiva obriga a um verdadeiro Projecto de Arquitetura Urbana bem fundamentado e valorizador de cada lugar, e muito bem qualificado, seguindo metodologias estrategicamente diversificadas e adequadas a cada situação, extremamente “dúcteis”, porque verdadeiramente (re)inventoras de um espaço urbano bem pormenorizado e à escala humana e urbana; existente, entre nós, em algumas ações de referência, que depois de dezenas e dezenas de anos de vivência estão, por vezes, melhores e mais vivas do que quando foram desenvolvidas, e que é essencial divulgar e visitar/viver local e demoradamente, pois só assim as poderemos conhecer com a profundidade necessária a uma sua sempre parcial e relativa reaplicação em outras situações.


Fig. 01: um verdadeiro Projecto de Arquitetura Urbana bem fundamentado e valorizador de cada lugar, e muito bem qualificado, seguindo metodologias estrategicamente diversificadas e adequadas a cada situação, extremamente “dúcteis”, porque verdadeiramente (re)inventoras de um espaço urbano bem pormenorizado e à escala humana e urbana.

 

Sobre a cidade do pormenor e do vagar

Nesta matéria o arq.º Yves Lyon, faz uma síntese, quando refere que “depois do período dos grandes projetos há que assumir a arquitectura como abertura ao mundo ... numa clara abertura à vida, bem distinta de clausuras disciplinares”; defendendo, assim, “uma nova atividade de arquiteto feita da atenção para com os lugares” e que privilegie “não mais a criação de objetos isolados, mas sim a integração, a conjugação e o desenvolvimento de ligações entre sítios, entre pessoas e entre exigências e necessidades.”

Continuamos, deste modo, na referida perspetiva do “construir no construído”, ligada à reconstrução ou recriação da coesão urbana marcada pela escala e uso humanos, pelo desenvolvimento de adequados estímulos visuais e funcionais e por uma cuidadosa e vitalizada densificação.

Uma recriação à escala humana, com o sentido mais amplo possível desta “escala”, concretizada seja na requalificação do próprio espaço exterior público, seja na relação que nele se deverá desenvolver com os vãos dos edifícios contíguos, refazendo-se um exterior público religado à “presença ampliada do homem”, como escreve Rudolf Arnheim (2), e um exterior público renovado, libertado da opressão do veículo motorizado, e que, assim sendo, pode e deve ser estratégica e agradavelmente pontuado por verdadeiros recantos domésticos, como por exemplo acontece em tão velhos como vivos centros históricos e em novos bairros bem desenhados como, por exemplo, Alvalade e Olivais Norte em Lisboa.

Assim se irão melhorando estrategicamente as imagens urbanas de cada vizinhança e de cada conjunto urbano mais coeso, evidentemente, não apenas com o sentido estrito e “visual” de tais imagens – sempre em sequências de imagens estruturantes de acessibilidades –, mas também e objetivamente para que tais agregados estimulantes de imagens contribuam, direta e indiretamente, para a referida promoção do uso intenso do exterior, condição que, por sua vez, proporcionará melhor fruição dessa imagem urbana, num círculo virtuoso de melhor imagem e mais e melhor uso, e numa atenção às suas sequências, pormenores e recantos de estar, que, por sua vez é dinamizadora de melhores relações de identificação com cada local, de uma convivialidade pública e vicinal mais espontânea, e mesmo de melhores condições de segurança pública no seu uso.

 

Fig. 02: um exterior público renovado, libertado da opressão do veículo motorizado, e que, assim sendo, pode e deve ser estratégica e agradavelmente pontuado por verdadeiros recantos domésticos, como por exemplo acontece em tão velhos como vivos centros históricos e em novos bairros bem desenhados como, por exemplo, Alvalade e Olivais Norte em Lisboa.

 

Mas evidentemente que nas ações de requalificação em que se privilegiam os usos pedonais do espaço público não podemos desenvolver uma segregação simplista do automóvel privado, pois como escreveu Spiro Kostof (3), “o mais importante aspeto do apoio ao peão ... liga-se ao desenho de vizinhanças residenciais ... através de um novo tipo de rua .. cuja principal função não é a circulação e o estacionamento automóvel, mas sim o andar a pé e o recreio.”

Um caminho urgente na revitalização tanto de espaços centrais de cidades, como de vizinhanças residenciais, que está a ser privilegiado até na recente regulamentação de tráfego europeia, que esteve bem evidenciado numa importante e excelente exposição, com autoria francesa, que passou por Lisboa – A exposição itinerante “A rua é nossa...é de todos nós!”, concebida pelo Institut pour la Ville en Mouvement – e cujas noções parecem terem tido algum eco em diversas e recentes intervenções em espaços públicos de Lisboa; e um caminho que,« é essencial numa urgente recuperação da cidade para o cidadão, passo estruturante para uma verdadeira requalificação do espaço público, que o reabilite ou habilite como espaço privilegiado e protector dos mais idosos e dos mais jovens, que são, afinal, aqueles cidadãos e habitantes que tendem a usar o exterior mais intensa e frequentemente, mas se este for verdadeiramente agradável e seguro.

Escreveu António Pinto Ribeiro (4), sobre esta matéria, que “seria desejável que a cidade voltasse a ter como medidas de planeamento o peão e o utente do transporte público. Tal corresponderia […] a uma ligação mais epidérmica com o espaço, à possibilidade de se instalar durabilidade”, e talvez verdadeira sustentabilidade, “no tempo de gozo da cidade”.

 

Cidade passeável e passeada, cidade mais habitada

O peão precisa de poder passear em verdadeiras cenas habitadas, precisa de emoção e de conteúdos, não apenas funcionais e o peão gosta de sentir que passeia em zonas vivas e nestas matérias provavelmente o habitar do dia-a-dia ganhará com algumas técnicas ligadas ao turismo, enquanto o turismo pode ganhar muito com alguma da qualidade espontânea e com o sentir e participar (d)a vida de comunidades urbanas e residenciais positivamente caraterizadas e ativas, e exemplo disto encontra-se já em vários “centros históricos” bem vivos e já disseminados pela Europa.

 

 

Fig. 03: o peão precisa de poder passear em verdadeiras cenas habitadas, precisa de emoção e de conteúdos, não apenas funcionais e o peão gosta de sentir que passeia em zonas vivas; e do Norte ao Sul da Europa os bons exemplos aí estão.

 

Precisamos de poder passear fisicamente e mentalmente, viajando, pausada e agradavelmente, por uma “cidade desaparecida”, mas que esteja viva, aqui e ali, mais em em determinados bairros, em alguns espaços mais apetecíveis e, essencialmente, através de percursos estruturantes e bem apoiados em excelentes sequências de imagens urbanas e residenciais; é esse o objectivo que devemos ter em mente, e para isso é também fundamental associar, sistematicamente, a resolução dos problemas de carências habitacionais aos da falta de qualidade e vitalidade urbanas, pois de contrários corrermos sempre riscos de falta de animação e/ou até de um sentido um pouco artificial de vivência.

Afinal não basta ordenar o espaço para se criar um ambiente interessante e motivador; o habitante também necessita de emoção na relação afetiva com o espaço urbano e o uso a pé do espaço público é ação de grande proximidade e, portanto, muito diretamente estimulada pela qualidade do desenho urbano; afinal passeamos mais e melhor quando sentimos que os espaços urbanos e residenciais são “mais passeáveis”, porque caraterizados por imagens coerentes e estimulantes, que incentivam o passeio, desde que, evidentemente, também funcionalmente bem servidas em termos de agradabilidade dos percursos.

Vizinhanças amigáveis, vizinhanças amáveis

Importa salientar que, atualmente, não parece haver ainda um conhecimento devidamente sedimentado, publicitado e, essencialmente, consensualizado (no que for possível) sobre a qualidade urbana que é possível ter, por exemplo, numa praceta ou rua residencial, verdadeiramente amigável, apropriável, digna a atraente.

Os conhecimentos e as preocupações continuam a estar, aqui, dirigidos para os aspetos funcionais do tráfego de veículos. Estamos agora apenas a começar a ultrapassar, um pouco a medo, uma tal estrita e fictícia funcionalidade numa perspectiva de simples defesa da segurança pedonal, falta-nos todo um caminho de humanização de conteúdos funcionais e de imagens.

Não é possível deixar de referir que este caminho de projeto deve ser compatibilizado com a disponibilização de novas e diversas tipologias residenciais adequadas para grande diversidade de formas e gostos de habitar, talvez agora com uma atenção específica às pessoas sós e ás pequenas famílias, numa ação que contribui, estrategicamente, para a vitalização da cidade com novos habitantes e habitantes muito disponíveis para participar nessa vitalização, até porque serão pessoas que irão encontrar nesse meio urbano “concentrado” condições adequadas para a manutenção ou a redescoberta do interesse, da riqueza e da vitalidade e funcionalidade na vida diária citadina.

E não tenhamos qualquer dúvida de que a perspetiva que acabou de ser apontada é muito bem servida por uma reinvenção tipológica que termine de vez com os formatos “únicos” do mau funcionalismo e que proporcione um leque muito diversificado de relações de acessibilidade e de transição entre os espaços públicos ou de uso público e o interior dos edifícios, numa diversificação de elos de ligação entre interior e exterior que vitalize e torne mais seguros toda uma estimulante e diversificada família de espaços exteriores e de transição interior/exterior.  

Cultura e urbanidade

Neste processo de reflexão e de projeto importa aplicar ferramentas facilitadoras das intervenções e nesta matéria devemos ter presente que a revitalização urbana, a dinamização da cultura e da arte, e a criação de uma cidade mais cívica, humana e ambientalmente sustentável, são aspetos que mutuamente se conjugam e se influenciam.

A arte urbana ou pública tem, realmente, uma, frequentemente, pouco conhecida, mas muito grande, importância na valorização, na identificação, na apropriação e no rechear de afetividade dos espaços públicos; mas há que ter sensibilidade no apurar das intervenções.

 

Aliança entre intervenções no exterior urbano e nos edifícios

Em tudo isto importa salientar que grande parte do segredo de uma cidade viva e sensível relativamente aos seus habitantes, está num tecido urbano com continuidades afirmadas, que acolham bem e atraentemente uma diferenciação formal e funcional equilibrada, em continuidades urbanísticas não especializadas e que levem a cidade até à porta de muitas casas, enquanto também proporciona recantos “domésticos” em zonas citadinas mais animadas.

E esta grande unidade dos espaços urbanos e residenciais constitui-se num fundamental ligante de apropriação, sendo que nesta unidade formal e funcional fica evidente o protagonismo do espaço público.

Um protagonismo que é essencial veículo de diversas qualidades da urbanidade, entre as quais é atualmente bem oportuno evidenciar a criação de espaços com usos mistos; sejam exteriores, sejam edifícios, sejam unidades com partes interiores e exteriores.

 

 

Fig. 04: a propósito de uma requalificação pedonal realizada com grande sensibilidade, uma imagem da envolvente do Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça – pelo atelier de Gonçalo Byrne.

 

Do estímulo e da surpresa na cidade

Mas todo este caminho não é possível sem intervenções marcadas pela qualidade arquitectónica e que tenham em devida conta adequadas condições estímulo, surpresa, considerando mesmo um certo sentido lúdico (...) , pois o espaço urbano para além de nos acolher e proteger, também nos deve estimular e surpreender, pela positiva naturalmente; e nesta perspetiva o adequado manejar da imagem urbana é essencial e nele a intervenção no espaço público é sempre determinante.

E, tal como referiu a colega Marilice Costi, num dos primeiros artigos da Infohabitar em Junho de 2005: “Uma cidade precisa surpreender, mostrar sua história, entregar-se a quem passa por ela e dar-lhe o seu sabor. Ela precisa apaixonar a qualquer um, provocar sensações, proporcionar vivências. Ser lugar para seus moradores e um novo lugar para quem chega.”


Notas:

(1) Francisco de Gracia, Construir en lo construido – la arquitectura como modificación. Madrid, Editorial Nerea, 1992.

(2) Rudolf Arnheim, “A dinâmica da forma arquitectónica”, trad. Wanda Ramos, 1987 (1977), p.70.

(3) Spiro Kostof, “The City Assembled – The elements of urban form through history”, 2004 (1992), pp.240 a 242

(4) António Pinto Ribeiro, “Abrigos: condições das cidades e energia das culturas”, 2004, p. 18.

 

 

Uma primeira versão, bastante menos desenvolvida, deste artigo foi publicada no número 482 da Infohabitar, em 27 de abril de 2014

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Notas editoriais:

(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.

(ii) No mesmo sentido, de natural responsabilização dos autores dos artigos, a utilização de quaisquer elementos de ilustração dos mesmos artigos, como , por exemplo, fotografias, desenhos, gráficos, etc., é, igualmente, da exclusiva responsabilidade dos respetivos autores – que deverão referir as respetivas fontes e obter as necessárias autorizações.

(iii) Para se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

 

 

Infohabitar, Ano XVI, n.º 736

 

Espaço público e identidade urbana

Qualificação do espaço público como fator de identidade e apropriação coletiva do espaço construído – Infohabitar # 736

 

Infohabitar

Editor: António Baptista Coelho

Arquitecto/ESBAL – Escola Superior de Belas Artes de Lisboa –, doutor em Arquitectura/FAUP – Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto –, Investigador Principal com Habilitação em Arquitectura e Urbanismo no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), em Lisboa.

 

abc.infohabitar@gmail.com

abc@lnec.pt

 

Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional Infohabitar – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).