domingo, julho 19, 2015

Arrumações domésticas: aspetos inovadores – Infohabitar n.º 542

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O 3.º CIHEL recebeu 118 propostas de artigos.

Infohabitar, Ano XI, n.º 542

Arrumações domésticas: aspetos inovadores – Infohabitar n.º 542

António Baptista Coelho
Artigo LXXXIII da Série habitar e viver melhor


Continuamos, em seguida, a Série editorial sobre "habitar e viver melhor", na qual temos acompanhado uma sequência espacial desde a vizinhança de proximidade urbana e habitacional até ao edifício multifamiliar.
Estamos agora a abordar , com algum detalhe, os espaços que constituem os nossos “pequenos” mundos domésticos e privativos, refletindo sobre as diversas facetas que os qualificam; e continuamos a desenvolver uma reflexão sobre os espaços de arrumação domésticos, agora considerando matérias diversas que ficam para desenvolvimento futuro, como aquelas associadas a áreas mínimas e a novas formas de habitar.

Arrumação doméstica: hábitos interessantes e críticos

Como já se apontou em artigos desta série, uma maior e mais diversificada capacidade de arrumação tem a ver com hábitos residenciais marcados por modos de vida não-urbanos, no entanto a vivência da cidade é também caracterizada pela profusão dos mais diversos e numerosos gadgets, elementos de comunicação e consumíveis, que invadem as nossas casas, diariamente, e que obrigam, cada vez mais, a uma grande e sistemática disciplina de triagem, rejeição, arrumação e, eventual arquivamento, se não se quiser assumir o risco de se viver, constantemente, num ambiente doméstico desarrumado e confuso.
Há, ainda, que sublinhar que a intensificação do trabalho profissional e do estudo em casa é um aspecto que marca o habitar de hoje e que muito agrava a referida invasão doméstica de gadgets, elementos de comunicação e consumíveis; de certa forma trata-se de associar à casa boa parte ou a totalidade das valências de um escritório doméstico.
Naturalmente que a disseminação de uma adequada capacidade de arrumação, por toda a habitação, tal como acabou de se apontar, muito ajuda nesta “batalha” diária contra a desarrumação, seja pela arrumação disponibilizada, seja, indirectamente, pela capacidade de “esconder” a desarrumação com alguma facilidade.
Uma coisa é certa, quanto menor for a capacidade de arrumação doméstica oferecido, tanto maior a necessidade de sistematização e de disciplina nessa luta diária contra a desarrumação.

Fig. 01: interior de habitação do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - H21 – 24, Arquitetura: Mario Campi, Arne Jönsson, Jan Telving.

Arrumação doméstica: problemas correntes

A arrumação eficaz e bem disseminada ao longo dos diversos espaços domésticos é um factor fundamental para a funcionalidade, a agradabilidade e a satisfação do desenrolar das actividades que aí são frequentes, sublinhando-se que a ocorrência de uma situação distinta terá como consequência a ocorrência dos mais diversos tipos de problemas nessas actividades, e o avolumar de um sentimento de insatisfação com as respectivas condições domésticas. 

A afirmação que acabou de se fazer não deve ser considerada um “lugar comum” pois nos tempos de hoje, que vão passando com um sentido crítico de velocidade e urgência, tudo e mesmo tudo aquilo que se possa fazer para garantir um máximo de funcionalidade doméstica é essencial para se ganhar uma espécie de “lastro”, em termos de adaptabilidade no uso da casa; e neste lastro tem uma importância vital a existência de uma significativa, bem disseminada e multifuncional capacidade de arrumação doméstica. 

Podemos aprofundar ainda, um pouco mais, esta reflexão considerando que, actualmente, há três tipos de tarefas críticas num uso doméstico “autonomizado”, porque realizado praticamente sem ajudas profissionais (por exemplo empregadas) ou com tais ajudas reduzidas ao mínimo:
. as tarefas associadas à preparação de refeições e ao tratamento de roupas, que poderão e deverão ter um apoio funcional específico e maximizado, tal como foi e será aqui apontado;
. as tarefas associadas à arrumação doméstica, que poderão ser grandemente facilitadas através da estratégia que acabou de ser referida;
. e as tarefas associadas à limpeza doméstica, às quais dedicaremos, mais à frente, um parágrafo específico.
Tudo o que se faça, em termos de concepção de espaços, acabamentos e equipamentos para agilizar estas tarefas constitui uma vantagem determinante para o melhor e mais satisfatório uso da casa; e se considerarmos o uso da casa pelo grupo, cada vez mais alargado, de pessoas idosas, então estas vantagens assumem, ainda, uma importância mais determinante e que obriga a cuidados ergonómicos, funcionais e dimensionais específicos.
Fig. 02: interior de habitação do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - H21 – 24, Arquitetura: Mario Campi, Arne Jönsson, Jan Telving.

Arrumação doméstica: questões levantadas por áreas mínimas

Como já se apontou, em artigos desta série, a existência de áreas habitacionais mínimas não é compatível com a ausência de adequadas capacidades de arrumação, pois face a esta ausência a arrumação tenderá a ser assegurada, muito provavelmente através de soluções improvisadas e funcionalmente negativas, em espaços que estão já nos mínimos funcionais, com resultados, que, frequentemente produzirão situações domésticas atravancadas e sem quaisquer condições de agradabilidade e de satisfação.
Conclui-se, assim, que quanto mais reduzido for o dimensionamento doméstico, tanto maior deverá ser o cuidado investido na previsão dos respectivos espaços e elementos de arrumação.
E quando há áreas mínimas e, frequentemente, dimensões mínimas, há que cortar no mobilar, o que até é também lógico em termos das poupanças financeiras associadas, e deveria haver uma tipologia de mobiliário específica, eventualmente marcada com um símbolo específico, que fosse caracterizada, seja por um dimensionamento funcional mas mínimo, e por dispositivos funcionais, de integração e de durabilidade muito adequados (exemplo, pequenas mesas rebatíveis, cadeiras dobráveis e bem arrumáveis em conjuntos compactos, sofás confortáveis mas pouco volumosos, camas cujo estrado funciona como grande espaço de arrumação, zonas domésticas com tecto rebaixado e aproveitado como espaço de arrumação, lavatórios dimensionalmente reduzidos, etc.).
Caso contrário e caso frequente, como os habitantes não têm nem têm de ter uma formação em aspectos de espacialidade e de integração dimensional, irão arranjar elementos de mobiliário que são adequados a habitações com mais 50% a 100% da área de que dispõem realmente.
E o exemplo prático do que se está a referir é a opção de mobiliário e equipamento embutido, multifuncional, versátil, subdimensionado, muito durável e facilmente limpável de autocaravanas e de iates; embora a comparação com as unidades habitacionais "mínimas" não possa ser directa, na prática esta é uma reflexão que sempre nos levará longe .


Fig. 03: interior de habitação do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - H21 – 24, Arquitetura: Mario Campi, Arne Jönsson, Jan Telving.

Arrumação doméstica: novidades e tendências (ex., trabalho em casa; idosos, etc.)

Uma boa capacidade de arrumação doméstica é uma condição essencial no uso flexibilizado e adaptativo de uma habitação a diversos modos de vida e composições familiares, o que constitui um aspecto de grande importância quando hoje em dia cada vez mais há que favorecer uma máxima diversificação das características residenciais pormenorizadas.
Uma casa com uma boa capacidade de arrumação pode, praticamente, converter-se em diversos cenários domésticos com um mínimo de alterações significativas, mas quando não há tal capacidade tudo o que se altera tem reflexos muitas vezes críticos na vivência de toda a habitação, num crescendo de problemas que se agrava com a existência de áreas e dimensões mínimas.
Estes aspectos têm relação directa com a actual tendência de se intensificar o trabalho profissional em casa, que obriga naturalmente a condições específicas de arrumação e à sua compatibilização com os espaços e as arrumações domésticas...
E a existência de uma boa capacidade de arrumação doméstica é um dos aspectos determinantes da adequação de uma casa à sua vivência prolongada por habitantes idosos, proporcionando o gradual “arquivamento” dos mais diversos elementos, o que é duplamente útil, seja no sentido em que se disponibilizam condições de arrumação diversificadas, para os mais diversos bens acumulados ao longo da vida, seja no sentido em que a boa arrumação pode proporcionar um apreciável desimpedimento dos espaços domésticos, condição positiva para a vivência dos idosos.

References/Referências/notas


Nota importante sobre as imagens que ilustram o artigo:

As imagens que acompanham este artigo e que irão, também, acompanhar outros artigos desta mesma série editorial foram recolhidas pelo autor do artigo na visita que realizou à exposição habitacional "Bo01 City of Tomorrow", que teve lugar em Malmö em 2001.

Aproveita-se para lembrar o grande interesse desta exposição e para registar que a Bo01 foi organizada pelo “organismo de exposições habitacionais sueco” (Svensk Bostadsmässa), que integra o Conselho Nacional de Planeamento e Construção Habitacional (SABO), a Associação Sueca das Companhias Municipais de Habitação, a Associação Sueca das Autoridades Locais e quinze municípios suecos; salienta-se ainda que a Bo01 teve apoio financeiro da Comissão Europeia, designadamente, no que se refere ao desenvolvimento de soluções urbanas sustentáveis no campo da eficácia energética, bem como apoios técnicos por parte do da Administração Nacional Sueca da Energia e do Instituto de Ciência e Tecnologia de Lund.

A Bo01 foi o primeiro desenvolvimento/fase do novo bairro de  Malmö, designado como Västra Hamnen (O Porto Oeste) uma das principais áreas urbanas de desenvolvimento da cidade no futuro.

Mais se refere que, sempre que seja possível, as imagens recolhidas pelo autor do artigo na Bo01 serão referidas aos respetivos projetistas dos edifícios visitados; no entanto, o elevado número de imagens de interiores domésticos então recolhidas dificulta a identificação dos respetivos projetistas de Arquitetura, não havendo informação adequada sobre os respetivos designers de equipamento (mobiliário) e eventuais projetistas de arquitetura de interiores; situação pela qual se apresentam as devidas desculpas aos respetivos projetistas e designers, tendo-se em conta, quer as frequentes ausências de referências - que serão, infelizmente, regra em relação aos referidos designers -, quer os eventuais lapsos ou ausência de referências aos respetivos projetistas de arquitetura.

Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.
(iii) Para proporcionar a edição de imagens na Infohabitar, elas são obrigatoriamente depositadas num programa de imagens, sendo usado o Photobucket; onde devido ao grande número de imagens se torna muito difícil registar as respectivas autorias. Desta forma refere-se que, caso haja interesse no uso dessas imagens se consultem os artigos da Infohabitar onde, sistematicamente, as autorias das imagens são devidamente registadas e salientadas. Sublinha-se, portanto, que os vários albuns do Photobucket que são geridos pelo editor da Infohabitar constituem bancos de dados da Infohabitar, sendo essas imagens de diversas autorias, apontadas nos artigos da Infohabitar, pelo que deve haver todo o cuidado no seu uso; havendo dúvidas um contacto com o editor será sempre esclarecedor.

Infohabitar, Ano XI, n.º 542
Artigo LXXXIII da Série habitar e viver melhor
Arrumações domésticas: aspetos inovadores - Infohabitar n.º 542

Editor: António Baptista Coelho – abc@ubi.pt, abc@lnec.pt e abc.infohabitar@gmail.com
GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional, Mestrado Integrado em Arquitectura da Universidade da Beira Interior - MIAUBI

Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.

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