domingo, maio 11, 2014

Em memória e com saudade da Arquitecta Isabel Plácido

Por vezes não é possível manter a rotina, porque somos apanhados desprevenidos por algo que, embora soubéssemos que poderia acontecer, nos marca com uma grande tristeza.

E é sempre assim na morte de um amigo verdadeiro, neste caso uma amiga de há muito, a Isabel Plácido, que sabíamos estava doente, mas que desejávamos pudesse ultrapassar esta fase mais difícil, transformando-a numa memória que se fosse esquecendo.

Assim não aconteceu e o que ficou foi aquela vontade, que é sempre a mesma na morte de um amigo, de não se querer acreditar, de não se querer comprovar o que se deseja que seja um engano terrível; mas não: aconteceu mesmo.

A Arquitecta Isabel Plácido faleceu na Quinta-feira passada, dia 8 de Maio de 2014, e à família enlutada aqui se registam os devidos e mais respeitosos sentimentos.

A Arquitecta Isabel Plácido era Investigadora do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), praticamente desde que se terminou a sua licenciatura, até há cerca de um ano, altura em que se aposentou.

A Arquitecta Isabel Plácido doutorou-se em Arquitectura, com todo o mérito, na Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP) e foi, desde sempre, um elemento essencial do Núcleo de Arquitectura e Urbanismo (NAU, antes NA-Núcleo de Arquitectura) do LNEC, mas também do Departamento de Edifícios do Laboratório, onde assegurou, com elevação e humanidade, variados cargos ligados ao respectivo Conselho Científico; associando ainda toda esta actividade ao desenvolvimento da actividade de projecto de arquitectura e uma carreira de formação especializada e de docente universitária na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias (ULHT).


As suas excepcionais qualidades de trabalho e de capacidade de coordenação de equipas de investigação eram, apenas, suplantadas pelas suas qualidades humanas, e ficam editados no LNEC muitos trabalhos em variadas temáticas que atestam esta sua bem reconhecida capacidade - desde o processo de projecto, às pioneiras aplicações da informática no projecto de Arquitectura, ao desenvolvimento de pareceres técnicos especializados e, mais recentemente, a coordenação de um muito extenso, assinalável e útil conjunto de trabalhos que enquadram a concepção de um amplo e diversificado leque de equipamentos sociais.

Mas para além de tudo isto a Isabel Plácido estava sempre plenamente disponível para integrar outras temáticas de trabalho, ajudar nas mais diversas matérias e tarefas e dar a sua bem ponderada e humana opinião nos mais variados assuntos, sendo sempre um elemento muito positivo e vital na dinâmica de trabalho do NAU do LNEC e no sentido de estimulante convivência que muito ajudou a criar e a manter neste Núcleo.

Mas para além de tudo isto a Isabel Plácido era e é, para sempre, uma grande amiga; uma amiga que irá fazer falta a muita gente e de quem irei sentir muita falta, na convivência, na conversa, no estarmos juntos falando de tudo e de nada, desde os cães e os gatos, aos mais variados e importantes aspectos da profissão, partilhando almoços, memórias, ideias e projectos.

Costuma dizer-se que certas pessoas não acabam, porque ficam a viver nas nossas memórias: para mim e, tenho a certeza, para muitos dos bons amigos da Isabel, este costume não é apenas uma palavra, é uma realidade: Ela está e estará para sempre bem viva nas nossas memórias, e na forma como vamos continuar a viver, lembrando-nos, realmente, dela ... até ao "dia" em que nos iremos voltar a encontrar, e aí teremos tanto, tanto, de que falar.

António Baptista Coelho

e, tenho a certeza, em nome de muitos dos bons amigos da Isabel Plácido

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