domingo, dezembro 26, 2010

Boas Festas do Grupo Habitar e um excelente 2011 - Infohabitar 326

Infohabitar, Ano VI, n.º 326Nesta época festiva o Grupo Habitar e o Infohabitar desejam, a todos os leitores e amigos, que o Natal tenha sido passado em Família e entre amigos, em paz, com saúde e com amor.

Reforça-se a ideia, que se julga ser de todos, que o Novo Ano de 2011 não será fácil, mas que será, também, aquilo que possamos QUERER que ele seja, desde que para isso trabalhemos com vontade e com esperança; juntando-se os desejos sinceros de um Novo 2011 com saúde, força de viver e alegria.

O Grupo Habitar e o Infohabitar irão continuar os seus caminhos de divulgação, diálogo e discussão técnica, humana e socialmente empenhada, nas muito vastas áreas de um habitar que é essencial para essa alegria e força de viver quotidianas. E neste sentido, mais uma vez, se lança o desafio de uma cooperação dos leitores e amigos, seja na edição de textos, seja na participação nas mais diversas actividades, sempre desejáveis e estimulantes.

Este último texto do velho ano de 2010, é também um artigo de calma e de uma relativa paragem e por isso apenas se junta a imagem de uma planície do norte do Alentejo, tão natural como habitada; uma natureza que temos de urgentemente resgatar e gradual e continuamente valorizar, pois a reabilitação, tal como referiu há poucos dias o Arq.º Ribeiro Teles, por ocasião da entrega dos Prémios IHRU 2010, é um desígnio urgente, nacional e que não se pode circunscrever ao espaço urbano, tem de se alargar à paisagem, seja urbana, seja natural; e não tenhamos quaisquer dúvidas que deste desígnio/objectivo de reabilitação e regeneração depende boa parte do nosso futuro.

António Baptista Coelho
Prsidente da Direcção do Grupo Habitar
Editor do Infohabitar



E juntam-se algumas palavras do grande Padre António Vieirado Sermão do nascimento do Menino Deus – Salvador, 1628 (?).

"De todo este discurso se segue que o ser infante e mudo o nosso divino Orador de Belém, não lhe é impedimento para poder ensinar. Ensina e fala agora, enquanto homem, como exercitava e falava enquanto Deus:
Deus ensina, deleita-se e triunfa quando nos fala
interiormente, sem estrépito de palavras, “diz Santo Agostinho, falando da Retórica de Deus.


Assim como Deus, antes de ser homem, ensinava sem estrépito de palavras, porque falava interiormente aos corações, assim, tanto que nasceu Menino, ensina também sem estrépito de palavras, porque fala exteriormente aos olhos:
Vejamos esta palavra que foi feita
– Demóstenes, o sumo orador da Grécia, perguntado qual era a primeira parte do perfeito orador, respondeu: Actio: Ação
– E perguntado qual era a segunda, tornou a responder: Actio: Ação,
– E perguntado qual era a terceira, respondeu do mesmo modo: Actio: Ação.
– Não declarou as perfeições do orador pelas palavras que se ouvem, senão pelas ações que se vêem.

O mesmo responderei eu a quem me perguntar que ensina o nosso Orador infante, e como ensina? Não ensina com vozes, mas ensina com ações; não ensina o que diz, mas prega o que faz; não diz palavras, mas fala obras.

Este mesmo Orador infante, que agora ensina sem abrir a boca, virá tempo em que a abrirá para ensinar:
Abrindo a sua boca os ensinava (Mt. 5, 2).
O mesmo que então falando há de ensinar, com a palavra, é o que, agora, mudo, brada com as obras:
“Brada com obras o que, depois ensinará por palavras”.
– Que é o que há de ensinar este Menino, que agora é de um dia, ou de uma noite, quando depois for de trinta anos? Há de dizer com palavras:
Bem-aventurados os pobres.
Isto é o que já está ensinando, com o desabrigado do portal, com o presépio, com as palhas, e com a falta de todo o necessário:
Não havia lugar para ele na estalagem (Lc. 2, 7).
– Há de dizer com as palavras:
Bem-aventurados os mansos;
Isto é o que já está ensinando o que dantes era leão, feito agora cordeirinho, e com as mãos atadas, sem se queixar da ingratidão e crueldade com que o receberam os seus no mundo, que também é seu:
Veio para o que era seu, e os seus não o receberam (Jo. 1, 11).
Estava no mundo, e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o conheceu (ibid. 10).
– Há de dizer com as palavras:
Bem-aventurados os que choram

Isto é o que já está ensinando com as lágrimas e gemidos de recém-nascido, própria condição da natureza, e não impróprias da miséria e estreiteza do presente estado:

Geme o recém-nascido entre as condições da presente realidade”( Hino: Pange Língua).

Sem outro socorro, contra o rigor de uma noite tão fria, como a de vinte e cinco de dezembro, mais que a quentura das mesmas lágrimas, estiladas da fornalha do coração, como devotamente cantou Sanasário:

Derramando lágrimas quentes na noite úmida
Oh! que exclamações!
Oh! que invectivas!
Oh! que brados estão dando contra o mundo os silêncios deste Orador mudo!

Mas, assim como as suas vozes, depois, não hão de ser admitidas de muitos surdos com ouvidos, assim agora as suas ações são mal vistas, e pior imitadas, de muitos cegos com olhos. Ditosos os olhos dos nossos pastores, que, de tudo o que viram no presépio, souberam tirar proveito para si e glória para Deus:
Glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto (Lc. 2, 20).
Diz o Evangelho não só que viram, senão que ouviram:
“As coisas que ouviram e viram”.

Sendo que no presépio não ouviram palavra alguma, porque as palavras que são feitas, e não ditas, então se ouvem quando se vêem:Vejamos a mensagem que o Senhor nos revelou nos acontecimentos.(Lc. 2,15) "
Texto retirado do blog:
http://tribunalusofona.blogspot.com/2009/12/textos-sobre-o-natal.html

Infohabitar a Revista do Grupo Habitar
Editor: António Baptista Coelho
Edição de José Baptista Coelho
Lisboa, Encarnação - Olivais Norte
Infohabitar n.º 326, 26 de Dezembro de 2010

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